quinta-feira, 24 de maio de 2012

O sorriso de Cachoeira

“Muito a dizer, nada a declarar”. Foi essa a postura do bicheiro Carlinho Cachoeira, diante dos senadores e deputados da CPI. Alegando que pretende se manifestar antes na Justiça, onde teria "muito a dizer", o bicheiro saiu sem responder as mais de 60 perguntas feitas pelos parlamentares neta terça-feira, 22.

"Fui advertido pelos advogados a não dizer nada e não falarei nada aqui", disse. "Somente depois da audiência que terei com o juiz, se achar que posso contribuir. Podem me chamar que responderei a qualquer pergunta."

Acompanhado por Marcio Thomas Bastos, ex-ministro da Justiça do governo Lula, Cachoeira sorriu várias vezes quando era questionado e chamado por integrantes da CPI de "bandido", "marginal", "arrogante" e "criminoso". O ex-ministro Bastos, aliás, se revela cada vez mais um especialista em defender criminosos. Para quem não lembra, foi ele que “aconselhou” os petistas envolvidos no escândalo do mensalão a tratá-lo como apenas dinheiro “não contabilizado” de caixa dois. Durante a CPI, Bastos foi homenageado por deputados e senadores com um buquê de cumprimentos reverentes, elogios derramados e outras cenas de servilismo explícito.


Deboche e alívio

Apesar da postura de Cachoeira ter provocado declarações de fúria entre os parlamentares, muitos deles, sem dúvida alguma, ficaram bastante aliviados com a opção do bicheiro manter sua boca fechada.

Por outro lado, a patética cena vista na CPI mostra sua total incapacidade de ir até o fim nas investigações. O deboche de Cachoeira é resultado de um acordo entre o governo e a oposição burguesa, que decidiu não convocar os governadores Marconi Perillo (PSDB-GO), Agnelo Queiroz (PT-DF) e Sérgio Cabral (PMDB-RJ) para depor. Todos eles estão relacionados com as negociatas do bicheiro. Também escapou de ter que prestar depoimento o jornalista Policarpo Junior, redator-chefe da revista Veja, que na maior cara-de-pau se advoga como a paladina da ética.

Como todos os grandes partidos estão de alguma forma envolvidos no escândalo, o acordão seria uma troca mútua entre governo e oposição para livrar do desgastes nas eleições muitas de suas figuras. É velho enredo já cantado por outras CPI destinadas a uma investigação parcial e controlada.

Outro pivô do escândalo, a construtora Delta, também está se livrando de qualquer investigação. A manobra de não chamar a construtora veio do Governo Federal, que deseja preservar seu aliado, o governador Sérgio Cabral, contra quem foram levantadas suspeitas sobre sua relação com Fernando Cavendish, ex-dono da Delta.

O compromisso em preservar Cabral é publico e notório. O deputado Cândido Vaccarezza (PT) chegou a ser flagrado pela câmara de uma emissora de TV, quando enviava uma mensagem de texto de seu celular de Cabral, diretamente da sessão da CPI, assegurando-o de sua blindagem. No texto da mensagem, um verdadeiro ultraje ao povo, Vacarreza dizia ao governador: “A relação com o PMDB vai azedar na CPI, mas não se preocupe, você é nosso e nós somos teu”.

Por outro lado, o desejo em preservar os numerosos contratos da Delta também pode estar relacionado com o interesse de compra da empresa por parte do grupo J&S, que controla o frigorífico JBS e tem participação do BNDES. Caso se concretize o acordo, teremos um desfecho emblemático para o caso. A empresa envolvida em incontáveis irregularidades seria objeto de um grande negócio de compra e venda, com participação de dinheiro público.

Enquanto a sujeira corre solta na CPI, Cachoeira continuará dando seus risinhos cínicos, diante dos holofotes, como quem sabe que tudo não passa de um grande circo.


Retirado do Site do PSTU

Forte greve no metrô de São Paulo faz governo Alckmin recuar e arranca conquista

Trabalhadores do metrô fazem greve histórica e desmascaram governo paulista


Sindicato dos Metroviários -SP
Assembleia que determinou o fim da greve
Após uma forte greve que durou cerca de 15 horas e que praticamente parou o metrô de São Paulo desde as 0h desse dia 23, a direção da empresa e o governo de São Paulo finalmente recuaram da intransigência que marcava as negociações e, durante reunião de conciliação no TRT, avançaram nas propostas aos trabalhadores.

Embora considerassem a proposta ainda muito insuficiente diante das reivindicações, os metroviários reconheceram o recuo diante da força do movimento. “A proposta da empresa não é a melhor, ainda é muito insuficiente, mas é um conquista e isso não porque Alckmin gosta dos metroviários, mas é o resultado da nossa luta”, afirmou Altino de Melo Prazeres, presidente do sindicato dos metroviários.

Entre as medidas aprovadas pelos metroviários estão o reajuste de 6,17% nos salários (reposição de 4,15% e aumento real de 1,95%), Vale Alimentação de R$ 218 (era de R$ 150, reajuste de 45,3%), Vale Refeição de R$ 23 (era de R$ 19,88, reajuste de 21% ). Já o adicional de periculosidade pago aos seguranças e funcionários da bilheteria subiu de 10% para 15%.

Altino destacou a ampla adesão à greve: “Foi uma das maiores greves de todos os tempos, parando 100% dos operadores de trens e inclusive funcionários de setores que não costumam aderir”, afirmou. A última greve havia sido em 2007


Governo Alckmin mostra a sua cara

Além de quebrar a intransigência da direção do metrô, a greve dos metroviários mostrou a verdadeira cara do governo paulista. Durante a campanha salarial, o sindicato dos metroviários reafirmou que, caso o governo e a empresa aceitassem liberar as catracas para a população, os funcionários trabalhariam normalmente. O desafio do sindicato, porém, foi rejeitado pela direção do metrô e o governador Geraldo Alckmin, que preferiram prejudicar milhões de trabalhadores.

Além de não aceitar a liberação das catracas, o governo foi responsável por imagens grotescas, como a da Polícia Militar reprimindo a população revoltada na estação Itaquera. Centenas de usuários se indignaram com o não funcionamento do metrô e fecharam a Radial Leste gritando “o povo na rua/Geraldo a culpa é sua”, antes de serem dispersos e agredidos por balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Com o caos instalado na cidade, o sindicato reafirmou a proposta de liberação das catracas, mas o governo se manteve intransigente. A direção da empresa colocou os supervisores para trabalhar e tentar furar a greve, mas o máximo que conseguiu foi abrir algumas estações mais centrais.




Exemplo de força dos trabalhadores

Os metroviários enfrentaram a truculência do governo paulista, a pressão da direção da empresa e a manipulação sistemática de grande parte da imprensa para protagonizarem uma greve histórica. Mobilização que trouxe à luz não apenas as reivindicações dos funcionários do Metrô, mas a situção precária do transporte público.

“Colocamos em pauta a nossa luta em defesa da revitalização do setor metroferroviário no país, nossa luta contra a superlotação do metrô de São Paulo, que faz com que a população seja transportada como sardinha em lata”, disse Altino durante a assembleia que determinou o fim da greve. O presidente da entidade ponderou ainda que a luta não termina aqui, mas prossegue, inclusive contra a privatização no Metrô e pela equiparação salarial, reivindicação histórica da categoria.

A vitoriosa greve no metrô de São Paulo deve ainda ser um alento às greves que ocorrem hoje, especialmente a dos trabalhadores da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) que estão parados em Belo Horizonte, João Pessoa, Maceió, Natal e Recife. A greve da CBTU ganhou a solidariedade dos metroviários de São Paulo. “Não mporta se é um governo do PSDB ou do PT, atacou os direitos dos trabalhadores aqui ou em qualquer outro lugar, nós vamos defendê-los”, disse Altino.


LEIA MAIS

  • Quem faz São Paulo parar?


  • Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 23 de maio de 2012

    Metroviários aprovam greve em São Paulo

    É a resposta dos trabalhadores à intransigência do governo Alckmin e sua política de sucateamento e privatização do transporte; Metrô não aceita catracas livres


    Metroviários aprovam greve em São Paulo
    Assembleia dos metroviários realizada na noite desse 22 de maio reuniu cerca de 2 mil trabalhadores e aprovou por quase unanimidade greve por tempo indeterminado a partir desse dia 23, quarta-feira. Foi uma resposta dos trabalhadores ao descaso e intransigência da direção da empresa e do governo Geraldo Alckmin.

    Antes mesmo do início da assembleia, era visível a disposição de luta dos metroviários, com cartazes dizendo “Greve”, “Mais salários, menos tarifa”, “Mais investimentos nos metrôs”, fazendo coro à campanha impulsionada pelo sindicato “Chega de Sufoco, mais metrô! Menos tarifa!”, que une a luta pelas reivindicações trabalhistas à campanha em defesa do transporte público.

    No início da assembleia, os metroviários deram uma salva de palmas ao maquinista Rogério Fornaza que evitou que o acidente ocorrido no último dia 16 na Linha Vermelha se transformasse em uma tragédia. Na ocasião, ele acionou o freio de emergência assim que percebeu a falha que causou a colisão entre os dois trens. Da mesma forma, os trabalhadores aplaudiram os metroviários e os seguranças que deram suporte aos passageiros acidentados na Estação Carrão.


    Intransigência e greve

    O atraso no início da assembleia apenas serviu para agitar ainda mais o ânimo dos metroviários. Mas era preciso esperar o término da reunião de conciliação entre os representantes do sindicato e da empresa no Tribunal Regional do Trabalho, que começara horas antes. A reunião, porém, não avançou devido à intransigência da direção do metrô, que propõem apenas 4,15% de reajuste e 1,5% de aumento real. Os trabalhadores, por sua vez, reivindicam a reposição da inflação pelo Índice de Custo de Vida do Dieese, de 5,37%, e aumento real de 14,99%, além de Vale Alimentação de R$ 280,45 (a empresa propõe apenas R$ 158,57).

    Uma das principais reivindicações da categoria é a equiparação salarial, mas que também não teve nenhuma resposta por parte do governo. A campanha salarial também conta com bandeiras como 2% do PIB para o transporte público, a redução da tarifa e o fim do processo de privatização imposto pelo governo tucano ao sistema público de transporte.

    O presidente do sindicato dos metroviários, Altino Melo dos Prazeres, apresentou as propostas do metrô na reunião, prontamente vaiadas pelos trabalhadores. Em seguida colocou em votação a greve, aprovada por quase todos os dois mil funcionários presentes no local. Em seguida os metroviários já começaram a organizar as comissões de convencimento para garantir a greve. “Esperamos que a direção do metrô não seja irresponsável e não coloque gente despreparada para operar os trens, colocando a segurança da população em risco”, alertou Altino.


    Governo e Justiça não aceitam catracas livres

    A direção do Metrô rechaçou a proposta dos metroviários de alternativa à greve, de liberar as catracas para a população. Os funcionários do metrô argumentaram que esta seria uma forma de marcar o protesto da categoria e ao mesmo tempo não prejudicar a população, o que sempre é utilizado como justificativa pelo governo e pela Justiça para atacarem o direito de greve no setor. O metrô, porém, não aceitou a medida e chegou, em nota à imprensa, ameaçar a chamar a polícia caso os funcionários liberassem as catracas. desembargadora Anélia Li Chum, do TRT, por sua vez, também proibiu a liberação das catracas.

    A Justiça ainda determinou a manutenção de 100% do efetivo trabalhando durante o horário de pico e 85% nos demais horários, sob risco de multa de R$ 100 mil por dia ao sindicato. A entidade, porém, afirmou que não irá cumprir.


    “Importante para todos os trabalhadores”

    A dirigente do PSTU em São Paulo e pré-candidata à prefeitura da cidade, Ana Luiza, esteve presente à assembleia prestando apoio e solidariedade aos metroviários. “Estou aqui para parabenizar os trabalhadores do metrô e a sua disposição de luta, é uma inspiração para todos os trabalhadores”, afirmou.

  • Sindicato dos metroviários desafia governo Alckmin a abrir catraca


  • Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 22 de maio de 2012

    Em São Paulo, milhares marcham pela legalização da maconha

    Fotos Diego Cruz
    Imagens da marcha
    No sábado, 19 de maio, cerca de 5 mil pessoas tomaram as ruas de São Paulo contra a criminalização do uso das chamadas “drogas”. Atos semelhantes estão ocorrendo em outras 36 cidades do país. Na capital paulista, a manifestação teve início com uma aula pública.

    Palco para a concentração das mais importantes manifestações em São Paulo, o vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) foi sacudido, por volta das 17 horas do último dia 19 por uma palavra-de-ordem cantada por milhares de pessoas, que certamente fez estremecer o coração dos mais conservadores.

    Naquele momento, com a empolgação de quem sabia que estava celebrando uma importante conquista, jovens na sua maioria (mas também muita gente que cresceu embalada pelos anos 1960) começaram a tomar a Avenida Paulista ritmando com palma e bumbos um uníssono grito: “eu sou maconheiro, com muito orgulho, com muito amor” .

    Sem esconder um misto de mal-estar e raiva, centenas de policias não puderam fazer nada mais do que acompanhar a saída da marcha, contendo a visível vontade de partir para a violenta repressão que é característica da forma como a PM persistentemente trata os usuários.

    Uma contenção imposta por uma importante vitória arrancada do Supremo Tribunal Federal que, recentemente (depois do criminoso ataque da polícia à Marcha de 2011), foi obrigado a votar que é constitucional sair às ruas para defender a descriminalização e legalização das drogas.


    A irreverência como marca

    Apesar de caracterizada por uma participação um tanto despolitizada por parte dos manifestantes, a marcha também mantém a tradição de ser recheada por palavras de ordem que mesclam irreverência com reivindicações políticas.

    A maior bandeira agitada na passeata era um exemplo disto. Verde, “cor de erva”, nela podia se ler: “Legalize. Dilma vez!”. O mesmo tipo de humor politizado ecoava em palavras de ordem como “Contra a ganância do Capital, vou plantar maconha no meu quintal”, “Quem mata é o Capital, maconha não faz mal”, “Que contradição, maconha é crime, homofobia não”, “Dilma Roussef, legaliza o beck” e “Arroz, feijão, maconha e educação”.

    Particularmente inspirada, contudo, foi o canto entoado em frente de uma loja do MacDonald’s na Paulista: “Maconha é natural, Big Mac é que faz mal”. No meio de tudo isso, Raul Seixas, obviamente, tinha que se fazer presente. Enquanto faziam o longo percurso, de mais de duas horas, sempre havia um grupo com disposição para entoar, aos berros, “Sociedade Alternativa”, do “maluco beleza” por excelência.

    Igualmente bem-humorados foram muitos dos adereços, fantasias e cartazes exibidos pelos manifestantes. Enquanto “baseados” gigantes (um deles expelindo fumaça colorida) passavam de mão em mão sobre a cabeça das pessoas, vários circulavam envoltos em “sedas” improvisadas, vestidos de “folhas”

    Irreverência à parte, o Manifesto da Marcha, amplamente distribuído durante o percurso até a Praça da República, no centro da cidade, deixava bastante claro os objetivos do protesto: "O debate está em jornais, revistas, redes de televisão. Tomou ruas, internet, livros, personalidades, políticos e campanhas eleitorais (...) e mostra cada vez mais a falência da política proibicionista em termos humanos, de segurança, de direitos, liberdades e saúde pública. O Brasil se tornou um dos mais sangrentos campos de batalha da guerra às drogas, um sistema racista, antigo e ineficiente para lidar como uma questão complexa e urgente. Uma lei que redunda em morte e gastos públicos elevados e de nenhuma forma ataca o consumo entre jovens e adultos, muito menos o abuso: apenas desloca-o para uma esfera ainda mais intocável."


    Direito ao corpo versus os interesses do Capital

    A Marcha da Maconha foi antecedida por uma aula-pública, proferida no vão livre do museu, que contou com a participação do professor de História da Universidade de São Paulo e militante do PSTU Henrique Carneiro e do presidente da Associação de Juízes para a Democracia, José Henrique Rodrigues Torres.

    Explorando os muitos prejuízos provocados pela política repressiva e proibicionista do Estado, Carneiro lembrou que a negativa em legalizar as drogas “não é só um atentado ao direito ao próprio corpo, mas também significa a cooperação com o tráfico e a cumplicidade com todos os setores do Capital que lucram com a ilegalidade, movimentando um negócio de cerca de US$ 400 bilhões”.

    Em sua fala, Carneiro também lembrou dos muitos benefícios que particularmente a legalização da canabis poderia proporcionar. Além de servir de base para a fabricação de fibras e tecidos e milhares de outros produtos, a planta é reconhecidamente importante no tratamento terapêutico de várias enfermidades, inclusive a AIDS e o câncer o que, como lembrou o professor, “é mais um exemplo da conivência do Estado (e contra os interesses e necessidades da população) com outro lucrativo setor do mercado: a indústria farmacêutica”.


    Liberdade e justiça

    Em sua fala, o juiz José Henrique Rodrigues Torres apresentou uma série de princípios jurídicos que fazem da própria criminalização das drogas um ato ilegal. Lembrando que as lutas devem se dar nas ruas, mas não podem menosprezar as conquistas que podem ser feitas nos tribunais, o juiz começou afirmando que “nenhum crime existe como realidade, mas, sim, é sempre uma criação dos legisladores, pautados em suas convicções políticas e seus interesses econômicos”.

    Ainda segundo o juiz, no caso específico das drogas, a criminalização, além de estar a serviço da militarização do Estado, fere princípios básicos de qualquer Estado de Direito, a começar pela própria eficiência da legislação criada, já que está mais do que comprovado que a “guerra às drogas”, baseada na legislação repressiva e proibicionista, não tem resultado em nada mais do que na prisão de milhões, assassinato de uns tantos outros e no gasto inútil de trilhões de dólares.

    A fala do juiz foi particularmente festejada quando ele lembrou que a proibição rompe inclusive com o direito da igualdade, ao criar a distinção entre drogas lícitas e ilícitas, quando se sabe que muitas das que pertencem à primeira categorias (como o álcool e o tabaco) são reconhecidamente danosas à saúde e, no caso das bebidas, estão na raiz de inúmeros e sérios problemas sociais.

    Como ressaltou em uma entrevista concedida ao Portal do PSTU, o principal argumento tem a ver com a própria liberdade. “Minha participação aqui se deve ao fato de que acredito que a criminalização fere até mesmo a liberdade de pensamento. Mesmo depois da resolução do STF, ainda há repressão, mas só a liberdade, que só pode ser garantida pela discriminalização, pode permitir que o debate aconteça, única forma possível para a construção de uma verdadeira e justa política para as drogas".




    O PSTU também está nessa luta

    Marchando ao lado das faixas da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (Anel), militantes do partido agitavam as bandeiras vermelhas enquanto outros distribuíam o panfleto preparado pela Juventude do PSTU.

    Logo em sua abertura o texto deixa claro o porque o partido, desde de sua fundação, apoia a legalização das drogas: “A ilegalidade permite a lavagem de dinheiro, a criminalização da pobreza, a militarização das favelas e todas as consequências nocivas do tráfico. Além disso, a política proibicionista dos governos impede o avanço nos estudos das finalidades terapêuticas de várias substâncias”.

    Lembrando que “declarar guerra às drogas” só tem significado “declarar guerra à juventude negra e pobre”, o panfleto do partido também destaca que a luta pela legalização tem que ser acompanhada de um programa que se volte contra aqueles que, até hoje, tem lucrado com a ilegalidade.

    Defendendo a “estatização da grande produção e do comércio, sob o controle do Estado”, o texto ainda propõe “uma política democrática de nacionalização para todas as drogas” (lícitas e ilícitas” e que ”o dinheiro arrecado deve ser destinado a fundos de investimentos sociais, ao orçamento da Saúde e, inclusive, ao tratamento de dependentes” .


    LEIA MAIS

  • Entrevista com o professor e pesquisador da USP, Henrique Carneiro


  • Retirado do Site do PSTU

    Grécia mergulha na crise

    População rejeitou política de cortes, que levou o país ao caos social
    Os resultados das eleições na Grécia mostram o imenso repúdio da população contra os partidos que implementaram os planos de austeridade no país. Foram punidos os dois principais partidos, de direita (Nova Democracia) e a social-democracia (Partido Socialista), que sustentaram os governos que jogaram a Grécia em um abismo econômico e social.

    A social-democracia (Pasok) amargou um dos piores resultados de sua história, um quarto lugar, conquistando apenas 41 vagas do parlamento grego. Já a Nova Democracia, apesar de conquistar o primeiro lugar das eleições (o que lhe garantiu mais 50 vagas extras por ser o partido mais votado), ficou longe de obter uma maioria para formar um novo governo.

    Por outro lado, houve um crescimento de todas as outras forças que, de algum modo, eram opostas as políticas da “troika”. Um deles foi da coalizão de esquerda Syriza (frente anticapitalista grega) que obteve o segundo lugar nas eleições. A extrema-direita também apresentou um crescimento preocupante. O partido “Amanhecer Dourado”, com características claramente neonazistas, obteve 6,9% dos votos.

    O resultado levou o país a uma enorme crise política. Nenhum partido obteve maioria suficiente para formar um novo governo. Diante disso, novas eleições foram convocadas para 17 junho.


    “Plano B”

    O mercado financeiro reagiu à instabilidade política na Grécia e a possibilidade de uma saída do país da zona do euro. Um setor da burguesia já fala abertamente em uma “saída ordenada” do país da UE. Uma possibilidade que foi exposta pelo próprio ministro das Finanças de Alemanha, Wolfgang Schäuble. Mas isso significaria uma saída que possa evitar a solvência dos bancos – sobretudo, da Alemanha e França – e impedir uma “contaminação” de toda a União Europeia. Ou seja, um acordo que permitisse ao capital financeiro espremer a Grécia até arrancar suas últimas gotas de riqueza.


    Esquerda anticapitalista pode vencer eleições

    O repúdio aos partidos da troika e aos planos de ajustes coloca, pela primeira vez em toda Europa, a possibilidade de vitória eleitoral de um partido anticapitalista. As pesquisas mostram a possibilidade de vitória do Syriza nas eleições de junho. Pesquisas dão à frente entre 20% e 27% das intenções. Na região metropolitana de Atenas, o Syrisa tem 30% das intenções dos votos.

    Logo depois que a Nova Democracia se viu impossibilitada de formar uma maioria no parlamento, coube ao líder do Syrisa, Alexis Tsipras tentar compor um novo governo. Recusando-se a compor com uma maioria da social-democracia, Tsipras chamou um governo unitário das esquerdas (basicamente Syriza, Partido Comunista e outros partidos de esquerda).

    Em seu comunicado, o Syrisa chamava a composição do novo governo com base em cinco eixos: 1) cancelamento de todos os memorandos e leis impostas pelas troika; 2) cancelamento das leis que acabam com os direitos trabalhistas; 3) reformas na legislação eleitoral estabelecendo a proporcionalidade plena; 4) controle público sobre o sistema financeiro; e 5) Auditoria Pública para a dívida pública e moratória do seu pagamento.

    Diante da clara possibilidade do Syrisa vencer as próximas eleições, consideramos necessário debater alguns pontos deste programa.


    Romper com o UE e suspender o pagamento da dívida

    Apesar de conter medidas extremamente importantes, opinamos que há duas claras limitações no programa apresentado pelo Syrisa. Não há nenhuma menção sobre a necessidade da ruptura da Grécia com a UE e sua saída da Zona do Euro, nem mesmo uma clara perspectiva de suspensão do pagamento da dívida ilegítima criada para salvar os barões do sistema financeiro.

    Sem estas duas medidas, não há nenhuma possibilidade de construir um governo dos trabalhadores. Isso porque a União Européia é um bloco econômico neoliberal e todas suas instituições ameaçam os trabalhadores, pois estão a serviço do capital financeiro na Europa.

    O avanço no desmonte das conquistas sociais nos últimos anos é o maior indício da função do bloco. Assim como é também os “planos de austeridade”, aplicados em todos os países do bloco graças às instituições da UE. Também é impossível a manutenção do Euro como moeda da Grécia. O Euro é totalmente controlado pelo Banco Central Europeu (em última instância pela Alemanha), e serve como um instrumento dos países centrais para amarrar as mãos de países periféricos do bloco nas suas decisões monetárias e econômicas em geral.

    A ruptura com o bloco e o fim do pagamento da dívida são, portanto, condições necessárias para construção de um governo dos trabalhadores. Tais medidas devem ser acompanhadas pela nacionalização do sistema financeiro para colocar os mais de 160 bilhões de euros destinados aos banqueiros e reverter os cortes nos direitos, salários e aposentadorias. Aliás, esse é única medida que poderá salvaguardar as pequenas economias da população depositada nos bancos, ameaçadas pelos grandes bancos. Também é preciso reverter as privatizações, nacionalizar as grandes empresas e colocá-las sob o controle dos trabalhadores.

    Contra a UE é preciso propor outra unidade europeia, sob a base anticapitalista, socialista e de classe, o que não tem nada a ver com o atual bloco neoliberal que só oferece miséria para os povos. Um governo dos trabalhadores e do povo deve levar essas medidas a cabo, apoiado nas organizações que sustentam a mobilização dos trabalhadores e da juventude.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 19 de maio de 2012

    Marcha nacional contra a homofobia reúne 1500 em Brasília

    Fotos Agência Brasil
    Marcha exigiu a criminalização da homofobia
    No último dia 16 de maio foi realizada a 3ª edição da Marcha Nacional Contra Homofobia, que reuniu cerca de 1500 pessoas de vários estados, entre representantes do movimento LGBT, associações, entidades sindicais, estudantis e partidos políticos.

    A Marcha é uma atividade do calendário do movimento gay que ocorre sempre em maio. O movimento adotou o dia 17 como o Dia Internacional de luta contra a Homofobia (que significa ódio, agressão, violência, discriminação e até morte das pessoas LGBT’s) pois a data marca uma vitória importante do movimento: é o dia em que o termo Homossexualidade foi retirado do Código Internacional de Doenças.

    No Brasil, durante essa semana ocorreram várias manifestações pelo fim da homofobia. Em São Paulo, a Associação das Mães pela Igualdade organizou um ato significativo no dia 12,na Avenida Paulista. Em Brasília, a ANEL organizou a Semana “UNB fora do armário” como forma de protestar pela perseguição neonazista ocorrida há alguns meses naquela universidade.


    Na contramão

    Em Brasília o Congresso Nacional se aproveitou do calendário. O Deputado Federal Jean Willys do PSOL organizou o 9º Seminário Nacional LGBT da Câmara dos Deputados com o tema “Respeito a Diversidade se aprende na infância”. A atividade contou com a participação de deputados petistas, Ong’s e organizações cooptadas pelo governo, e esteve descolada da pauta central do movimento gay que é o combate à onda de violência homofóbica que corre solta pelo país.

    O seminário, além disso, aconteceu em dois dias concorrendo com a 3ª Edição da Marcha, mostrando como esse setor não acredita na ação direta dos setores oprimidos. Já no Senado Federal, a petista Marta Suplicy em sintonia com ABGLT organizou o Seminário com a Pauta do PLC – 122 (Projeto de Lei pela Criminalização da Homofobia). Na abertura do seminário, a senadora pediu para que o movimento tivesse paciência e que soubesse esperar o melhor momento para criminalizar, deixando evidente como a importante pauta desse segmento oprimido pode ser utilizada de maneira leviana no calendário eleitoral.




    A marcha

    Embora a Marcha tenha sido realizada por setores governistas, este ano o tema foi “Homofobia tem cura: educação e criminalização”. O tema teve relação com as contradições que o Governo Federal abriu no movimento gay. A questão da educação foi reivindicada pois a presidenta Dilma vetou, por pressão da bancada homofóbica, a distribuição do material didático – pedagógico do projeto Escola Sem Homofobia desenvolvido pelo próprio governo. Logo na concentração, em frente ao Palácio do Planalto, a militância LGBT já puxava palavras de ordem como: “ôôô Dilma pisou na bola a homofobia continua na escola”.

    O Setorial LGBT da CSP-Conlutas levou uma coluna que se diferenciou dos setores governistas e fez uma intervenção destacando o histórico de participação dessa central nas marchas, a importância da ação direta dos trabalhadores e oprimidos na luta organizada e unificada. O estudante de Serviço Social da UNB, Lucas Brito, militante da ANEL, foi um dos primeiros a falar. Deixou claro que ”a homofobia é presente nas escolas e nas universidades e que a saída para tanta discriminação é a organização de todos os oprimidos”.

    A principal exigência da marcha foi a criminalização da Homofobia. Estudos demonstram que o número de assassinatos de homossexuais no Brasil atingiu novo recorde em 2011, chegando a 266. Mais grave ainda: um levantamento parcial de 2012 aponta para a superação desses números, já que houve 106 assassinatos só nos três primeiros meses. É o país mundial em assassinatos de LGBT’s.*

    O diretor do Sindsef-SP (sindicato dos servidores públicos federais de São Paulo), Carlos Daniel pediu o fim das mortes de homossexuais, bissexuais, transexuais e travestis. “Nós queremos parar de enterrar gays e travestis no Brasil. Infelizmente, no governo Dilma o assassinato de LGBT’s só aumentou” .

    A professora Amanda Gurgel (PSTU), destacou em sua fala a frustração das expectativas com a eleição da primeira presidente mulher no Brasil. Abordou a necessidade dos participantes da marcha exigirem a aprovação imediata do PLC 122. “Infelizmente o país não mudou com a eleição de uma mulher, continuamos vendo o assassinato de homossexuais. A criminalização da homofobia é uma necessidade. O movimento não pode depositar esperanças de que a presidenta cumpra essa tarefa”.


    Criminalização da homofobia já!

    O PSTU tem a compreensão de que não é possível lutar contra a exploração capitalista sem que combinemos a esta luta o combate direto e cotidiano contra todas as formas de opressão. A homofobia fortalece uma moral que não compartilhamos. Por isso, somos radicalmente contrários aos posicionamentos do Governo Dilma perante a comunidade LGBT que agoniza, morre e necessita de políticas públicas. Nesse sentido, conclamamos todos os gays, lésbicas, travestis e transexuais da classe trabalhadora a exigir da Presidenta Dilma a equiparação de todos os direitos entre casais heterossexuais e homossexuais; pela imediata aprovação do PLC – 122 original e a imediata liberação do kit anti – homofobia nas escolas.

    *Fonte: Grupo Gay da Bahia


    Retirado do Site do PSTU