quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Por que Zé Maria deve falar

"Deixem Zé Maria participar!"; "Deixem Zé Maria falar!" Estas são exigências que ganharam eco depois do debate da Band, que se recusou terminantemente a convidar Zé Maria, candidato a presidente pelo PSTU, ao evento que a emissora paulista levou para todo o país.

Qual o argumento esgrimido pelos que defendem os preceitos antidemocráticos que impedem que candidaturas ideológicas de esquerda – como a de Zé Maria – tenham acesso aos debates – e em alguns casos, conforme se observou no Jornal Nacional da Globo, sequer a uma simples entrevista? Dizem que o PSTU não conseguiu alcançar uma taxa eleitoral suscetível para eleger um ou mais parlamentares. Esse seria o critério para definir quem deve ou não participar dos debates e entrevistas “especiais”.

Até como critério isso é discutível, uma vez que poderíamos enumerar outros critérios, dentre os quais o da taxa de militantes, aspirantes e simpatizantes de cada agremiação partidária. Poderia se questionar por que isso não redunda em votos. Ora, os votos decorrem de outros estratagemas. Não resultam da organização partidária regular ou da militância, mas de outros fatores, fundamentalmente daqueles de natureza econômica.

Vejamos a eleição geral passada (2006). 254 deputados e 15 senadores eleitos receberam em torno de R$ 24,1 milhões das empreiteiras. Esses parlamentares ocuparam quase metade das vagas que estavam em jogo. É assim que são construídos os mandatos parlamentares dos “principais partidos”, à base de uma dinheirama que traz à tona o fator decisivo para formação das taxas eleitorais de cada um desses partidos e coligações.

Imaginem se optássemos por considerar outros “colaboradores” das campanhas eleitorais da burguesia, notadamente os banqueiros? É assim que as candidaturas burguesas ganham corpo e são eleitas. Eis o que serve de base para que as emissoras de TV possam decidir quem convidam e quem não convidam a participar das discussões eleitorais. Trata-se de um suporte decididamente apodrecido.

Pior: tentam responsabilizar os partidos eleitoralmente menores pelas crises, maracutaias e desarranjos do sistema político como se todos os partidos menores se resumissem às legendas de aluguel. Alguns abusam da boa vontade de leitores e ouvintes e procuram relacionar essas agremiações aos jogos escusos que ocorrem nos bastidores da vida política. Vejamos se é assim. Tomemos, por exemplo, o PMDB, a segunda máquina partidária em voto (tomando por referência a eleição de 4 anos atrás), suplantada apenas pelo PT. Não é esse partido que foi base de Sarney? De Collor? De FHC? De Lula? Não é ele que apóia Serra em São Paulo (Quércia) e Pernambuco (Jarbas Vasconcelos), ao passo que nacionalmente montou chapa com Dilma para presidência?

Os que falam de voto, de bancadas parlamentares e coisas do gênero são os mesmos que silenciam quanto à incoerência ideológica dos “grandes partidos”. São os mesmos que silenciam relativamente aos processos de formação de bancadas parlamentares. É desse modo que buscam legitimar a sua cumplicidade com a democracia dos ricos, que através dos seus representantes não se furtam em fechar as portas para que por aí não entrem as candidaturas que denunciam o capital e defendem o socialismo.

É preciso, para eles, que os socialistas existam somente às margens de uma história que deverá ser unicamente a história dos que precisam prometer o paraíso às massas – que seria um subproduto da sua decantada democracia. Esse é o seu regime democrático. Uma democracia puramente retórica. Nela, Zé Maria deve ser ouvido por poucos para que milhões não possam ouvi-lo. Ouvir Zé Maria seria ouvir o que os socialistas pensam do país e o que eles propõem para mudá-lo.

Daí a necessidade de silenciar e apagar a alternativa proposta pelo PSTU. Por isso, precisamos insistir que Zé Maria deve participar de todos os debates e entrevistas. Para que os socialistas possam falar para milhões de trabalhadores quais são as suas convicções e as suas propostas para mudar o Brasil. Mas igualmente para que – na contramão do critério dominante - se ouça a voz e se veja a imagem de um candidato que não recebe dinheiro dos empresários. É por isso também que Zé Maria deve falar. Só assim os debates deixarão de se resumir às propostas das candidaturas dos bancos e empreiteiras.


Retirado do Site do PSTU

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