sábado, 19 de março de 2011

Centenas de mulheres vão às ruas de Natal protestar contra o machismo e a exploração

Na manhã de quinta-feira, dia 17, cerca de 400 mulheres coloriram as ruas de Natal (RN) com bandeiras vermelhas, lilases e muitas reivindicações. Em alusão ao 8 de Março, Dia Internacional de Luta das Mulheres, elas realizaram um protesto pelas ruas da cidade contra o machismo e exploração. A caminhada, que reuniu trabalhadoras sem-terra do MST, estudantes, servidoras públicas e sindicalistas, saiu do bairro Cidade da Esperança e seguiu até o Centro Administrativo do Estado, sede do governo estadual. O protesto foi organizado por centrais sindicais, entidades estudantis, sindicatos e partidos de esquerda.

Durante a caminhada, usando faixas e cartazes, as trabalhadoras denunciaram a violência contras as mulheres e fizeram exigências por melhores condições de vida e trabalho. Com o tema “Mais poder para as Mulheres”, a manifestação reafirmou que não basta ser mulher, é preciso ser trabalhadora e estar ligada às lutas populares.

“No RN a eleição de Rosalba Ciarlini para o governo do Estado significa a continuação do atraso nas políticas públicas e a volta do DEM ao poder, antiga Arena, partido da ditadura. Em Natal, a prefeita Micarla de Sousa é rejeitada por mais de 80% do povo e está destruindo os serviços de saúde, com a privatização, através das UPAS e Ames. Ela também aumentou as passagens dos ônibus”, disse a assistente social e militante do PSTU, Rosália Fernandes.

“Já a presidenta Dilma abandonou a luta pela legalização do aborto e defendeu um reajuste de R$ 35 para o salário mínimo, enquanto que ela e os parlamentares tiveram um aumento de, no mínimo, R$ 10 mil. Tudo isso mostra que não basta ter uma mulher nos governos para que os interesses das mulheres trabalhadoras sejam atendidos”, completou.

Entre as principais reivindicações apresentadas pelas mulheres, destacaram-se a luta pelo salário mínimo do Dieese (R$ 2.200), fim da pobreza, aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha, punição aos agressores das mulheres, construção de casas-abrigo e descriminalização do aborto. Para a professora e militante da CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), Luciana Lima, o protesto serviu para enviar um recado aos governos. “Nós, mulheres, somos quase 40% da população economicamente ativa, mas somos também quase 70% dos mais pobres do mundo. Estudamos mais do que os homens. Entretanto, ganhamos os menores salários, recebendo até 30% menos. Isso mostra que os empresários nos usam para explorar ainda mais a classe trabalhadora. É preciso enfrentar todos os governos que apoiam essa política”, defendeu.


Retirado do Site do PSTU

Polícia reprime ato contra Obama no Rio e prende dezenas de manifestantes

A manifestação contra a vinda do presidente norte-americano foi duramente reprimida pela Polícia Militar no Rio de Janeiro, no final da tarde e início da noite desse 18 de março.

Organizada por sindicatos, movimentos sociais e partidos políticos, como o PSTU e a CSP-Conlutas, o protesto enfrentou, desde o início, o autoritarismo da polícia. Antes mesmo de se iniciar, na concentração na Candelária, a PM impediu a aproximação do carro de som. Momentos depois, os policiais tentaram impedir a saída dos manifestantes em passeata pela Avenida Rio Branco, em uma cena inédita.

Mesmo assim, mais de 300 ativistas saíram em caminhada rumo ao Consulado dos EUA. Quando chegavam ao Consulado, por volta das 19h, a PM reprimiu a manifestação com cassetete e balas de borracha. As últimas informações dão conta de que 15 ativistas foram presos, entre eles cinco militantes do PSTU. Há ainda vários feridos, inclusive um jornalista da CBN, atingido por uma bala de borracha.

Thiago Hastenheiter, militante do PSTU, contou que “Eles vieram com cassetetes e bombas e nos atacaram. Depois perseguiram os grupos nas ruelas próximas, atirando com balas de borracha”. Segundo Thiago, os manifestantes foram seguidos e revistados, nas ruas próximas.

A PM acusou os manifestantes de terem jogado um coquetel molotov, e usa isto como para tentar justificar a selvageria. "Não reconhecemos isso. Ninguém do PSTU atirou nada contra a embaixada", conta Ricardo Tavares, do PSTU-RJ. "Essa é uma desculpa da polícia. Parece que voltamos para a ditadura", protesta.

Muitos ainda não foram localizados e podem estar presos. Os presos foram levados para a 5º Delegacia de Polícia, a Rua Gomes Freire, onde, segundo informações, também está a delegada Marta Rocha, chefe da Polícia Civil. Há informações de que, entre os presos, está um menor de idade, ativista do movimento estudantil. A OAB-RJ foi procurada e está auxiliando na libertação dos manifestantes.

O PSTU repudia a violência e da absurda violação dos direitos humanos e exige respostas do governador Sergio Cabral. Para o PSTU, a agressão mostra que vale tudo para ocultar os protestos e garantir a festa ao presidente dos Estados Unidos, desde afastar moradores de comunidades de suas próprias casas até repetir métodos da ditadura, como a repressão de hoje.

O partido afirma que continuará nas ruas contra o governo Obama e a entrega do pré-sal pelo governo Dilma e convoca todos para o ato deste domingo, às 10h, no Largo do Machado.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 16 de março de 2011

Inércia do governo pode aumentar tragédia no Japão

Depois do terremoto e das tsunamis, japoneses estão ameaçados de sofrer um desastre nuclear


Em meio à destruição, japoneses ainda podem sofrer mais uma catástrofe
Na última sexta-feira, dia 11, o Japão foi atingido por um dos maiores terremotos já registrados no mundo, chegando a uma magnitude de 9 pontos na escala Richter. Na sequência do terremoto, o país sofreu também com um tsunami que devastou algumas cidades da costa nordeste do país. As imagens do tsunami destruindo casas, carros, aviões e da pilha de destroços sendo arrastados pela força das ondas são impressionantes.

Antes de tudo, queremos mandar nosso mais profundo sentimento de solidariedade a todos os japoneses e seus familiares. Pela intensidade do terremoto, o desastre poderia ser ainda maior, caso se abatesse em outro país e não no rico Japão. Para efeito de comparação, o tremor que matou mais de 230 mil pessoas no Haiti, em janeiro de 2010, foi 900 vezes menor do que o tremor japonês. Ou seja, se o mesmo terremoto, seguido por um tsunami, ocorresse em algum país pobre como Haiti ou a Indonésia, o número de vítima certamente estaria na casa de centenas de milhares. É importante lembrar que Indonésia e Sumatra sequer foram alertados do tsunami que devastou esses países em 2004.


Desastre nuclear

No entanto, a tragédia japonesa agora ameaça a se transformar numa grande catástrofe nuclear. A usina nuclear Fukushima 1, cerca de 250 quilômetros a nordeste de Tóquio, sofreu pelo menos cinco explosões por conta do terremoto e há vazamento de radiação ao redor da usina. Outra usina que o governo decretou sob estado de urgência foi a de Onagawa.

A possibilidade de um desastre nuclear surpreende muita gente, pois o Japão sempre foi considerado um modelo de prevenção a desastres naturais, com experiência em sismos. Bilhões foram gastos em planejamento para o desenvolvimento de tecnologia para limitar os danos de tremores e tsunamis. A pergunta é: como o governo japonês deixou de fora deste planejamento as usinas nucleares? A resposta a essa questão evidencia uma grande negligência dos governantes do país.

O Japão tem 55 usinas deste tipo, fundamentais para alimentar uma das maiores economias capitalista do mundo. Entre elas a maior usina nuclear do mundo, a usina nuclear de Kashiwazaki-Kariwa. Por incrível que possa parecer essa usina foi construída sob uma falha geológica. Em julho de 2007, a usina de Kashiwazaki-Kariwa estava a 19 quilômetros do epicentro de um terremoto de 6,8 graus de magnitude na escala Richter, o que causou alguns danos à planta. Hoje a usina se encontra em funcionamento, depois de sofrer obras de reparação que custaram US$1,6 bilhão.


O que as autoridades não falam

Após o anúncio do vazamento radioativo na usina nuclear de Fukushima, o balanço
dos fatos já assusta. Mais de 210 mil moradores da região onde fica a planta tiveram de ser evacuados e outros 160 estão sendo mantidos em quarentena pelas autoridades, que receiam o risco de contaminação por radiação. Uma zona de exclusão aérea de 30 quilômetros de diâmetro já foi criada na região. Dentro dela, os moradores estão proibidos de saírem de suas casas. Apesar de tudo isso, o governo do país demorou em alertar sobre a gravidade da situação.

Numa reportagem do jornal norte-americano New York Times, especialistas já haviam alertado que a usina não estava funcionando adequadamente logo depois do terremoto. Segundo o jornal, as quantidades de césio que foram detectadas indicavam claramente que o combustível que alimenta a planta já estava danificado. Contudo, as autoridades japonesas se mantiveram inertes por horas até ordenarem a evacuação da área. Agora, fornecem informações a conta-gotas à população. Segundo informações do governo japonês, a usina não foi planejada para aguentar tremores superiores a 7,9 graus na escala Richter, bem abaixo da intensidade do terremoto que atingiu o Japão.

“A situação se tornou tão crítica que não tem mais, ao que parece, a capacidade de fazer ingressar água doce para resfriar o reator e estabilizá-lo, e agora, como recurso último e extremo, recorrem à água do mar”, disse Robert Alvarez, especialista em desarmamento nuclear do Instituto de Estudos Políticos de Washington. Mas enquanto o governo do Japão se apressa em acalmar a população, minimizando os impactos da tragédia, explosões continuam atingindo os reatores da usina. Tudo indica que o acidente nuclear pode ser mais grave do que dizem as autoridades japonesas.

Segundo o jornal espanhol El País, André-Claude Lacoste, da Autoridade de Segurança Nuclear francesa, informou que o acidente na usina nuclear de Fukushima está “mais além de Three Miles Island, sem chegar [ao nível de] Chernobyl”. A autoridade se refere aos dois mais importantes acidentes nucleares da história recente.

Em 1979, o acidente de Three Miles Island, próximo da cidade de Harrisburg, alcançou o nível 5, isto é, um acidente com consequências de maior alcance. Pouco antes de divulgar sua avaliação sobre o acidente nuclear no Japão, o governo da França orientou seus cidadãos a se retirarem imediatamente do país. Para os franceses esse nível já foi atingido pelo acidente de Fukushima I e caminha para o nível 6. A declaração contradiz a versão oficial do governo japonês que até agora qualificou o acidente em nível 4, com consequências e alcance locais.

A escala dos níveis de gravidade com acidentes nucleares vai até 7 (acidente grave), nível que foi atingido apenas pela catástrofe da usina nuclear de Chernobyl, na Ucrânia, em 1986. Na época, o regime stalinista da União Soviética ocultou de todo o mundo e da população ucraniana as reais consequências do desastre. Até hoje, não se sabe exatamente quantas pessoas morreram.

O terremoto no Japão foi a maior tragédia do país já registrada desde a Segunda Guerra Mundial. No entanto, a tragédia pode ser ainda pior devido à falta de ação do governo. Investir em usinas nucleares sempre foi perigoso, mas construí-las sobre falhas geológicas é mais do que mera imprudência: simboliza o desprezo dos governantes com milhares de vidas e mostra a fragilidade da operação de usinas de energia nuclear no sistema capitalista.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 12 de março de 2011

Antes de sair, Lula editou medida que avança a privatização da saúde

No último dia de seu mandato, o ex-presidente Lula editou a Medida Provisória 520 de 31 de dezembro de 2010, que autoriza o poder executivo a criar a Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares S.A. (EBSERH). Essa empresa pública nada mais é do que uma reinvenção do PLP 92 que cria as Fundações Estatais de Direito Privado e está emperrado no Congresso devido às denúncias de inconstitucionalidade, por parte dos movimentos sindical e social combativos, que lutam e reivindicam o direito à saúde pública para todos os brasileiros.

Segundo o governo, a MP 520/10 tem por objetivo atender à exigência do Tribunal de Contas da União (TCU), feita em 2006, para que, até dezembro de 2010, se regularizasse a situação dos cerca de 30 mil trabalhadores terceirizados dos Hospitais Universitários (HUs). Essas contratações foram julgadas ilegais, uma vez que os trabalhadores são pagos com recursos do Sistema Único de Saúde (SUS). Com a criação da EBSERH, essa situação não será resolvida, já que os recursos da empresa virão diretamente do Tesouro Nacional, ou seja, se mantém a utilização de recursos públicos para pagamentos de dívidas do setor privado.

Se existe recurso público disponível para financiar uma empresa privada, por que esse recurso não foi aplicado, desde 2006, em investimentos para a contratação de trabalhadores via concurso público? Essa medida possibilitaria a incorporação ao funcionalismo público dos atuais trabalhadores terceirizados. Com isso, aumentaria de maneira quantitativa e qualitativa o número de trabalhadores nos HUs, qualificando o atendimento à população e reduzindo o nível de exploração. O mais absurdo é que a MP ainda prevê que os servidores e toda a infraestrutura mantida pelo poder público estatal poderão ser cedidos à EBSERH.

Mais do que uma ação isolada nos HUs, a medida é um ataque ao SUS e representa mais um passo na entrega do sistema público de saúde à iniciativa privada. A EBSERH possui a lógica de funcionamento de uma empresa. É uma sociedade anônima com natureza jurídica privada, isto é, prevê a geração e obtenção de lucros para seus donos, além do estabelecimento de metas de desempenho e produtividade e a instituição da previdência privada.

É a legitimação e legalização, por parte do Estado, da gestão privada nos HUs que, em alguns casos, já é praticada através das fundações de apoio. Com o intuito de supostamente captar recursos e driblar a burocracia, as fundações são alvos de denúncias de má gestão, acúmulo de dívidas e desvio de dinheiro público, fruto dos altos impostos pagos pelo conjunto dos trabalhadores ao governo.

No âmbito da Universidade, é uma ofensiva ao princípio da autonomia universitária e da indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão. A EBSERH terá seu próprio conselho consultivo e deliberativo. Em momento algum, se menciona sua subordinação a órgãos como conselhos universitários ou mesmo qualquer outro tipo de controle social do SUS, como prevê a lei 8142/90. Sua regulação será exclusivamente através de órgãos do governo como o TCU, o Ministério da Educação e o Ministério do Planejamento.

Embora a MP destaque que sua finalidade é a prestação de “serviços gratuitos de assistência médico-hospitalar e laboratorial”, não restringe o estabelecimento da dupla porta no sistema público de saúde. Ao contrário, prevê que os recursos da EBSERH possam vir de convênios e pessoas jurídicas de natureza privada, ou seja, abre brechas para os planos de saúde, e já existe precedente. Em São Paulo, o PL 45/2010 reserva 25% das vagas da alta complexidade do SUS para a iniciativa privada em unidades de saúde administradas pelas Organizações Sociais. Mais um duro ataque à saúde pública estatal e ao direito à saúde universal.

Recentemente, foi noticiado pelo jornal O Globo (5/3/2011) que o Instituto Nacional do Câncer (Inca) será umas das instituições afetadas pela MP 520/10. Isso demonstra que esse projeto não se limitará apenas aos HUs, mas poderá ser ampliado ao conjunto do SUS visto que, pela lei, toda unidade de saúde é compreendida como uma instituição formadora.

Em seu discurso de posse, Dilma anunciou que quer ser a presidente que consolidou o SUS, tornando-o um dos maiores e melhores sistemas de saúde pública do mundo. Em seguida, anunciou a necessidade de realizar uma reforma setorial, a qual terá como consultor Jorge Gerdau, presidente do grupo Gerdau, um dos maiores representantes da burguesia nacional. Certamente Jorge Gerdau representará o interesse dos empresários da saúde e não da classe trabalhadora brasileira que depende do SUS.

A partir dos elementos apresentados, afirmamos que a EBSERH faz parte do conjunto de ataques ao funcionalismo público ao propor a extinção gradativa do quadro de servidores nos HUs e da política intencional do governo petista de avanço na lógica empresarial para a gestão pública e negação do direito universal à saúde pública, gratuita e de qualidade para a classe trabalhadora e de dever do Estado brasileiro.

Dizemos não à MP 520/10!
Somos contra todas as formas de privatização da gestão pública.
Em defesa do SUS 100% estatal e sob o controle dos trabalhadores!



Retirado do Site do PSTU

Obama vem ao Brasil para discutir pré-sal

Ocupação do Haiti e acordos comerciais também estão na pauta


Cartaz de protesto produzido pelo PSTU
Nos dias 19 e 20 de março, o presidente norte-americano vai visitar o Brasil pela primeira vez. Como era de se esperar, a burguesia brasileira e os grandes meios de comunicação já estão fazendo um enorme alarde sobre a visita de Barack Obama. Vão dizer que a visita será um evento histórico, que marca uma nova era de “prósperas” relações entre os Estados Unidos e o Brasil. Seguramente, o velho bordão da ditadura “o que é bom para os EUA é bom para o Brasil” vai ganhar novas roupagens.

Segundo as primeiras notícias divulgadas pela imprensa, Obama fará ao menos dois discursos no Brasil. Em Brasília, o norte-americano vai realizar uma palestra com empresários voltada para comércio e economia, além de ser recebido por Dilma Rousseff. O presidente também visitará o Rio de Janeiro, onde vai cumprir uma agenda mais informal, que prevê visitas em favelas e um discurso público voltado para a América Latina. O objetivo explícito da iniciativa é utilizar a figura de Obama para ganhar a simpatia da população e, assim, recompor as relações do imperialismo com os povos do subcontinente, profundamente desgastadas ao longo da era Bush.


Petróleo, ocupação e livre comércio em pauta

Durante o encontro com Dilma, os principais temas debatidos serão um acordo de comércio bilateral, o papel do Brasil na ocupação do Haiti – onde o Brasil assumiu a vergonhosa liderança da ocupação militar – e o petróleo do pré-sal.

Dilma e Obama devem assinar um tratado de cooperação econômica e comercial (Teca, na sigla em inglês). O tratado criaria um mecanismo bilateral para que as barreiras ao comércio possam ser flexibilizadas. O objetivo do acordo seria permitir a entrada de mercadorias produzidas por empresas norte-americanas sem taxação, ao melhor estilo dos acordos de livre comércio. Em contrapartida, o governo brasileiro tenta emplacar antigas reivindicações dos latifundiários do agronegócio do país, como a remoção das barreiras sanitárias a produtos primários como carnes e frutas.

O governo Obama está empenhado em ampliar acordos de livre comércio pela América Latina. Recentemente, seu governo passou a se esforçar para levar adiante os acordos bilaterais com Panamá e Colômbia, negociados ainda na administração Bush. O objetivo é ampliar as exportações do país para diminuir o imenso déficit comercial e o peso da crise sobre a economia dos Estados Unidos. O resultado dessa política, porém, será desastroso para o Brasil. Acordos comerciais como este só beneficiam as multinacionais e aumentam a exploração dos trabalhadores.

No entanto, os acordos referentes ao petróleo do pré-sal podem ser ainda mais graves. Nos preparativos do encontro, o governo brasileiro divulgou sua intenção de tornar o país um grande exportador de petróleo para ao EUA. O interesse de enviar o petróleo do pré-sal foi comunicado por Dilma, em fevereiro, ao secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner e, em janeiro, aos senadores republicanos John McCain e Jonh Barrasso, segundo o jornal Valor Econômico.

As intenções do governo brasileiro foram bem recebidas em Washington. A razão é simples: o imperialismo não vai fazer muito esforço para abocanhar o petróleo do pré-sal, pois o governo Dilma vai facilitar a entrega das reservas às multinacionais norte-americanas.

Dessa forma, a Petrobras realizará o trabalho mais custoso e difícil que é a extração do petróleo em águas ultraprofundas. Essa tarefa já tinha sido abandonada pela petroleira Exxon, pois foi considerada como não lucrativa conforme o registro da empresa em seu balanço no ano passado. A Exxon investiu milhões de dólares na exploração de petróleo na bacia de Santos, mas a taxa de lucros com o investimento foi considerada baixa. Contudo, o acordo entre Obama e Dilma poderá garantir à petroleira estrangeira total acesso ao petróleo do pré-sal.

O acordo é perfeitamente coerente com o regime de partilha do pré-sal estabelecido pelo governo Lula. Divulgado como uma medida supostamente nacionalista, o regime de partilha significa dividir o petróleo existente entre a União e as multinacionais. Em apenas em 71% da área do pré-sal será realizado o regime de partilha. Em somente 30% desta área que a Petrobras terá garantida sua exclusividade, ou seja, apenas 21% da área total. Com o acordo entre Dilma e Obama, esse petróleo será entregue às multinacionais norte-americanas.


Como se não bastasse, os leilões das áreas de petróleo (realizados por FHC e Lula) entregaram 29% do pré-sal as estas multinacionais. Portanto, o suposto nacionalismo do governo do PT será aplaudido de pé por Obama.

Por fim, Obama vai parabenizar o governo do PT pela sua liderança na ocupação militar do Haiti. Vendida como uma ocupação humanitária, a ação do exército brasileiro apenas ajuda a uma ocupação econômica do país. O objetivo das multinacionais é transformar o Haiti numa gigantesca área de maquiladoras concentradas em zonas francas.

Para isso, contudo, é preciso reprimir a população haitiana. Em 2009, greves dos trabalhadores do setor têxtil e a luta pelo reajuste do salário mínimo foram brutalmente reprimidas pelos soldados brasileiros. O mesmo aconteceu com protestos contra o governo fantoche de René Preval.

Obama vai perguntar se Dilma pretende manter a ocupação e continuar com o serviço sujo para o império. A resposta nós já conhecemos: “Yes, we can Mr. Presidente.”


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  • Obama e América Latina


  • Retirado do Site do PSTU

    Governo aprova lei para aprofundar cooptação de dirigentes e sindicalistas

    Representantes dos trabalhadores nas estatais terão salário extra e não poderão votar sobre temas trabalhistas


    Vice-presidente da CUT, Feijó, e demais dirigentes em coletiva após encontro com Dilma
    A cooptação dos dirigentes sindicais foi uma marca do governo Lula, mas não terminou com ele. A briga em torno do reajuste do salário mínimo pode ter dado a falsa impressão que o governo Dilma entrava em rota de colisão com as centrais. Mas Dilma demonstra seguir a estratégia de seu antecessor e toma medidas para reforçar ainda mais a cooptação de dirigentes sindicais ao Estado.

    Nesse dia 11 de março o governo regulamentou, durante cerimônia no Palácio do Planalto, uma lei aprovada no final de dezembro do ano passado. A portaria assinada pela ministra do Planejamento Miriam Belchior detalha a lei que garante um lugar aos trabalhadores nos conselhos de administração de empresas estatais ou de sociedades mistas, ou seja, de empresas com capital público e privado, com mais de 200 funcionários.

    De acordo com o ministério, 59 empresas criarão postos para receberem os novos conselheiros. Os representantes das principais centrais sindicais, como a Força Sindical, CUT, CGT e outras comemoraram a regulamentação da nova lei. O vice-presidente da CUT, José Lopez Feijó, ex-presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, afirmou à imprensa que “ter um representante nos conselhos de administração significa democratizar a gestão da estatal”. Palavras reforçadas pelo dirigente da Força, João Carlos Gonçalves, o Juruna, que disse ser essa uma “antiga reivindicação nossa”.

    Mas será essa uma medida que vai realmente aumentar o poder dos trabalhadores nessas empresas? Pela lei, esses novos conselheiros, definidos em eleições controladas pelos sindicatos e as empresas, não vão ter poder de voto em decisões que afetem diretamente os trabalhadores, como salário ou PLR. Ao mesmo tempo, terão um significativo aumento salarial. De acordo com o jornal Estado de S. Paulo, um conselheiro do Banco do Brasil ganha R$ 3.606 por mês, enquanto na Eletrobrás esse valor chega a R$ 4.212.

    Ou seja, uma vez na administração da empresa, esse conselheiro vai gerir a estatal juntamente com os representantes do governo e dos investidores. O salário extra e demais privilégios, por sua vez, vão aprofundar a burocratização desses dirigentes, que atuarão não em defesa dos trabalhadores, mas de seus próprios interesses.

    No início de 2009, por exemplo, quando a crise econômica atingia em cheio o Brasil, a Embraer, embora tivesse entre seus principais acionistas a Previ, o fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, demitiu 4.200 trabalhadores. A direção do fundo de pensão, com assento no conselho da empresa, não impediu ou se voltou contra essa medida. Os próprios fundos de pensão são exemplos de como ocorre essa cooptação, com antigos dirigentes tornando-se gestores diretos do capital.


    Retirado do Site do PSTU