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terça-feira, 16 de abril de 2013

Checkpoint israelense na feira da morte

Feira militar expõe as relações entre o governo brasileiro e israelense na produção de armas utilizadas no apartheid palestino



Protesto no interior da feira
Passaporte! Assim o agente do serviço de segurança de Israel abordou manifestantes da campanha BDS Brasil (boicotes, desinvestimento e sanções) durante a Laad (Feira Internacional de Defesa e Segurança Corporativa), realizada entre 9 e 12 de abril, no RioCentro, no Rio de Janeiro.

A cena surreal aconteceu quando nosso pequeno grupo circulava pela área em que se concentravam os estandes da potência que ocupa a Palestina. Munidos apenas de camisetas da campanha de boicotes ao apartheid israelense e keffiyehs (lenços palestinos), adentramos a área de expositores após um protesto à entrada da feira, em que abrimos uma grande bandeira palestina e faixas com os dizeres: “Embargo militar a Israel já!” e “Presidente Dilma, pare de compras armas de Israel!”. A primeira trazia a reivindicação central da campanha no país, capitaneada pela Frente em Defesa do Povo Palestino-SP – que reúne dezenas de organizações da sociedade civil brasileira. A segunda, protesto contra a ampliação dos acordos militares com Israel pelo governo brasileiro – que garantiram a este país a vergonhosa posição entre os cinco maiores importadores de armas da potência que ocupa a Palestina. Era assinada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular). Engajadas na ação, as duas organizações se somaram à manifestação em frente ao RioCentro, que contou ainda com representantes da Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!), Mopat (Movimento Palestina para Tod@s), Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada e PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

A exigência de ruptura desses acordos é urgente, como ficou demonstrado durante a Laad 2013. As mais de 30 empresas israelenses que ocuparam o RioCentro puderam ter contato privilegiado com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Defesa, Celso Amorim, que representaram a presidenta Dilma Rousseff na abertura do evento. De olho na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, tiveram espaço estratégico para apresentar seus produtos e serviços.

Após cruzarmos com essas autoridades, cercadas de seguranças, no interior da feira, uma pequena mostra de como Israel se coloca acima das leis internacionais e de como se dá o apartheid na Palestina sob ocupação. Além do pedido de passaporte a cidadãos brasileiros em seu próprio país, o que foi devidamente contestado – uma das manifestantes expressou claramente que estavam a reproduzir o formato dos checkpoints que impedem o direito de livre circulação de palestinos –, os agentes do serviço de segurança de Israel passaram a perseguir os ativistas por toda a feira. Os protestos contra esse constrangimento e discriminação não foram poucos, nem a denúncia da ocupação de terras palestinas. A sensação, a quem já esteve naquele destino, era de que Israel reproduzia no Rio de Janeiro a política ameaçadora de segregar os “indesejados” e tentar tornar sua estada insustentável. Como se tivesse ocupado a área da Laad, sob as bênçãos dos governos estadual e federal e ignorando o direito democrático à livre expressão e manifestação dos cidadãos brasileiros.




Em exposição, armas do apartheid

A despeito das tentativas de constranger e intimidar os “indesejados” visitantes, na área interna da feira, foi possível confirmar a apresentação de tecnologias militares de Israel testadas sobre os palestinos, caso dos Vants (veículos aéreos não tripulados) nos recentes ataques a Gaza, território ocupado. E também de atestar a cumplicidade dos governos estadual e federal para a manutenção do apartheid, ao recepcionar grupo de empresas que garante esse regime, além do Ministério da Defesa de Israel – com seu próprio estande, em que fomos impedidos de entrar. Uma apresentação futurista sobre essas tecnologias pela IAI (Israel Aerospace Industries) em uma tela gigantesca, com explicações de uma expositora que falava um português com sotaque, chamava a atenção. A IAI, como consta em relatórios de organizações palestinas, produz equipamentos para as forças de ocupação, o muro do apartheid e os assentamentos ilegais. No Brasil, formou uma joint venture denominada EAE Soluções Aeroespaciais com o Grupo Sinergy e sua subsidiária, a Bedek. Fornecedora das Forças Armadas Brasileiras, utiliza os centros de produção e manutenção da TAP M&E Brasil nos aeroportos do Rio de Janeiro e de Porto Alegre.

Também entre as expositoras a Rafael Defence, que divulga em seu site o relacionamento “especial” com a chamada IDF (Forças de Defesa de Israel), desenvolvendo produtos personalizados ao exército ocupante, e o Grupo Netcom Malam Team Internacional, o maior e principal grupo de tecnologia de informação daquele estado, também com uma série de projetos junto à IDF. Além da IMI (Israel Military Industries), que tem em sua carteira de clientes o Exército brasileiro. Também tem parceria comercial com a Taurus, com sede em Porto Alegre/RS, que fabrica o rifle israelense Tavor, mediante licença.

A Laad contou com o patrocínio da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), cujos vínculos com o Estado de Israel são estreitos. Mantém contratos com a israelense Elbit Systems – outra das expositoras da feira que atua na área de tecnologia militar, construindo os famosos Vants. É uma das 12 companhias envolvidas na construção do muro do apartheid , na Cisjordânia, na Palestina ocupada. Em outubro de 2012, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o relator especial Richard Falk chamou ao boicote à Elbit. No Brasil há 15 anos tal empresa se faz presente por meio das subsidiárias AEL, Periscópio Equipamentos Optrônicos S/A e Ares Aeroespacial. Através dessa última, recentemente, a Elbit ganhou dois novos contratos milionários com o Exército brasileiro. E o Governo do Rio Grande do Sul pretende expandir sua presença no Brasil com um projeto de centro aeroespacial baseado na AEL em Porto Alegre. Com isso, a capital gaúcha pode vir a se tornar o pólo de pesquisa militar israelense mais importante no exterior. Tal projeto, financiado com dinheiro público, também concede vantagens aos negócios baseados nos crimes cometidos por Israel.

A denúncia dessas relações de cumplicidade consta de manifesto enviado às autoridades brasileiras e estaduais pela campanha BDS Brasil, repudiando a presença na Laad de Israel. Assinado por mais de 30 organizações da sociedade civil, o documento aponta o estreito vínculo entre a importação dessas tecnologias militares e a repressão da população jovem, pobre e negra nos destinos compradores. O caso do Rio de Janeiro é exemplar. A empresa israelense Global Shield venceu licitação para fornecer, mediante contrato milionário, oito novos blindados (os chamados caveirões) à Polícia Militar, usados na ocupação de favelas.

A experiência de se manifestar dentro da Laad permitiu ver de perto esses aparatos. Também ficou evidenciada a força da campanha global de BDS para mudar esse estado de coisas – que, em nível nacional, incomodou visivelmente os expositores israelenses. Atestou-se o acerto do embargo militar como foco central dessa iniciativa. E a urgência em chamar a atenção para a cumplicidade do governo brasileiro com o apartheid e pressionar pela ruptura dos acordos militares com Israel. Na contramão do que sinalizava a Laad.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ato dos 30 anos da LIT reúne mais de 800 em Buenos Aires

Ato nesse 1 de dezembro emocionou todos os presentes e os que acompanharam o ato pela Internet
 


Ato reuniu mais de 800 pessoas
Um dia para entrar na história. Não só na história da Liga Internacional dos Trabalhadores, mas de todas as mais de 800 pessoas que lotaram o salão Unione Benevolenza, em Buenos Aires. Um local que diz muito. "Esse é um espaço tradicional da classe operária argentina", destacou Alicia Sagra, dirigente trotsquista argentina que conduziu o ato de comemoração dos 30 anos da LIT.

Um ato que já começou arrancando lágrimas dos presentes. Após a exibição de um vídeo resumo do documentário sobre a história da LIT, bandeiras dos partidos que compõem a Liga entraram no salão, sendo agitadas sob os aplausos das centenas de pessoas, entre argentinos, brasileiros, chilenos, colombianos, e ativistas de várias nacionalidades que convergiram a Buenos Aires nesse 1 de dezembro.

Logo no início do ato, a ativista palestina radicada no Brasil, Soraya Misleh, anunciou a sua filiação ao PSTU e à LIT. Não conseguindo conter as lágrimas, Soraya disse que já começou a se emocionar assim que chegou ao aeroporto, para ir a Buenos Aires. "Encontrei uma palestina de Gaza e uma companheira da Cisjordânia, e esse encontro nunca seria possível, pois quem está em Gaza não pode visitar a Cisjordânia e eu não posso ir a Palestina pois estou na luta".

Soraya falou sobre a luta e os desafios do povo palestino: "O futuro da Palestina está nas mãos da juventude, mas ainda falta uma direção revolucionária". Também tocou no tema das revoluções árabes, cujo pólo principal hoje é a revolução síria. "O caminho da libertação da Palestina passa pela revolução árabe e a queda de Bashar Al Assad será um grande passo nesse sentido".



Eduardo Almeida, da direção do PSTU brasileiro, lembrou de um outro momento, também em Buenos Aires, há 25 anos atrás, quando da morte de Moreno e do início da crise que abalou a LIT. "Estávamos tristes, mas hoje estamos em Buenos Aires e estamos felizes". Eduardo citou o processo de fortalecimento da LIT e a expansão da Liga para os países da Europa, como Portugal Itália e Espanha e a intervenção desses partidos no atual processo de mobilização contra os planos de austeridade.

Eduardo citou ainda a importância do patrimônio moral que a LIT resguarda, assim como os príncípios do marxismo, num momento em que grande parte da esquerda socialista abandona a perspectiva da revolução.

"Esta é a maior homenagem que podemos fazer a Nahuel Moreno", discursou Eduardo Barragán, da direção do PSTU argentino. Barragán citou as atuais lutas dos trabalhadores europeus e as revoluções do Norte da África, que mostram hoje mais do que nunca a necessidade do internacionalismo e de uma direção revolucionária que permita que a classe operária "golpeia como um só homem a ofensiva do imperialismo e os ataques da burguesia".

Vera Lúcia, do PSTU de Aracaju, emocionou a todos falando sobre a necessidade da luta contra as opressões. "Gostaria de estar falando espanhol aqui, mas eu, assim como grande parte da classe trabalhadora, não tive condições de ter instrução", disse, enfatizando a condição de superexploração a que estão submetidas as mulheres, negras e lésbicas. Ao final de sua fala, todos puxaram um coro: "A nossa luta/é todo dia/contra o machismo, o racismo e a homofobia".



O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. "A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante", afirmou."Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político", citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.

Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria. "Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini".

"Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência" provocou Cabeças.

Cabeças finalizou citando a fé revolucionária que a LIT mantém na classe operária, a mesma esperança que a permitiu passar por crises e dificuldades, e que a possibilita agora, em plena crise do capitalismo, crescer e se fortalecer em vários países do mundo.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 2 de dezembro de 2012

“Há um palestino em todo revolucionário sírio”

Durante o Fórum Social Mundial Palestina Livre, ativista da revolução Síria desmente o suposto caráter antiimperialista de Assad e relaciona a luta do povo sírio com a resistência palestina
 



Plenário de debate com Sara Al Suri
Cerca de 150 pessoas participaram de um dos mais importantes eventos realizado paralelamente ao Fórum Social Mundial Palestina Livre. A mesa sobre a revolução na Síria contou com a participação de Sara Al Suri, ativista que luta contra a ditadura Assad no país.

Realizada no auditório do CEPRS (Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio Grande do Sul), a palestra iniciou com um pequeno documentário sobre a luta travada pelo povo sírio. Cenas de massacre da população civil, vítima dos bombardeios do regime, chocaram a todos no auditório.

Sara explicou o caráter profundamente reacionário do regime Assad, desmentido o suposto caráter antiimperialista do governo. “Assad nunca foi antiimperialista, pouco antes da guerra civil estava implorando para ingressar na OMC e no FMI. Devastou a agricultura familiar do país com planos econômicos neoliberais”.

Também demonstrou profunda indignação contra os setores da esquerda que insistem em apoiar a ditadura síria, como é o caso das organizações ligadas a Cuba ou a Chávez, na Venezuela. “É um absurdo que a Venezuela forneça combustível para alimentar a máquina de guerra de Assad. É o petróleo desse país que alimenta o bombardeio do regime contra a população civil”, explicou.

A ativista também explicou a campanha de calúnias levada por Assad contra os ativistas que foram para as ruas contra o regime. “ Vi que, aqui no Brasil, a mídia criminaliza o povo negro e pobre. Na Síria, o regime usa a mesma linguagem para criminalizar os pobres. Quando o povo foi para as ruas pela primeira vez disseram: ‘quem são esses pobretões que só querem baderna’. Nos chamavam de bandidos e arruaceiros”.

Um dos momentos mais intensos da palestra foi quando Sara relacionou a luta do povo sírio com a causa palestina. Mais uma vez, ela desmentiu o suposto caráter pró-palestino do regime Assad. “Uma das primeiras coisas que o ex-presidente Hafez al-Assad (pai do atual Bashar) fez foi proibir que a resistência palestina pudesse entrar armada na Síria. Hoje, a Palestina é usada como moeda de troca nas negociações com Israel”, denunciou.

Por fim, a ativista explicou como a causa palestina sempre serviu de inspiração para todo o povo sírio, e continua ainda servir no momento que milhares pegam em armas para lutar contra o regime Assad. “Há hoje um palestino em todo revolucionário sírio”, disse.


Retirado do Site do PSTU

Passeata de 6 mil marca início do Fórum Social Mundial Palestina Livre

No primeiro dia, também houve polêmica com a ANP e a discussão sobre o boicote ao Estado de Israel
 


Detalhe da Manifestação que reuniu cerca de 6 mil pessoas no centro de Porto Alegre
O Fórum Social Mundial Palestina Livre, ou FSMPL, teve início oficialmente nesta quinta-feira, dia 29, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Delegações de 36 países integram o Fórum que inclui cinco conferências, oficinas, seminários e diversas ações autogestionadas. As atividades do Fórum seguem até sábado, 1º de dezembro.

Uma grande passeata, que reuniu 6 mil pessoas no centro da capital gaúcha, marcou o início dos trabalhos. A manifestação teve forte presença dos profissionais da educação do estado, representada por uma coluna do CEPRS (sindicato da categoria no estado).

A CSP-Conlutas e o PSTU também marcaram presença no ato, portando bandeiras, faixas e cartazes em solidariedade à luta do povo palestino. Também chamou a atenção a saudação de Sara Al Suri, militante da revolução síria, que falou em nome da resistência síria contra o sanguinário ditador Bashar Al Assad.

Porém, antes da marcha, a polêmica entre organizações palestinas com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) se expressou em uma das primeiras atividades do Fórum. Nabil Shaath, comissário de Relações Internacionais do Fatah e representante do presidente da ANP, enfrentou a revolta de um grupo de jovens palestinos que levantaram cartazes com os dizeres: “Eles não nos representam”. O grupo denunciou a política traidora da ANP como, por exemplo, a recusa da organização em defender o direito de retorno aos mais de 5 milhões de palestinos expulsos de sua terra natal por Israel.

O tema sobre o retorno dos palestinos expulsos também foi objeto de discussão de uma das mesas oficiais do Fórum. A mesa reuniu cerca de 80 pessoas, e contou com a presença de muitas organizações de jovens palestinos de vários países. Os oradores lembraram a essência colonialista e racista do Estado de Israel, polemizando, mais uma vez, com a política da ANP.

“É ofensivo quando Abbas diz que nós temos o direito de visitar nossa terra natal, mas não temos o direito de morar na cidade onde nascemos. É ofensivo para todos os 5 milhões de refugiados”, desabafou Soraya Misleh da Frente em Defesa do Povo Palestino de São Paulo. Já a professora Arlene Clemesha, diretora do Centro de Estudos Árabes da USP, lembrou que o tema dos refugiados deve ser assumido pela agenda do governo brasileiro e pelo Itamaraty nas discussões sobre a Palestina.

Outra atividade muito importante realizada no Fórum foi a mesa sobre 'Sindicalismo e Palestina', que organizou um debate com sindicalistas de cinco países sobre o papel dos sindicatos na solidariedade com a causa Palestina. A mesa reuniu sindicalistas do Brasil, EUA, Canadá e Escócia. A CSP- Conlutas esteve representada nesta mesa.


Boicote contra Israel

Já na manha desta sexta-feira, dia 30, foi realizada a Conferência sobre BDS(Boicote – Desinvestimento – Sanções) com vários debatedores. O evento foi seguido por uma plenária que debateu propostas de boicote a serem realizadas no Brasil. Um dos pontos mais debatidos foi a necessidade de exigir do governo Dilma o rompimento dos acordos comerciais do Brasil com o Estado Sionista, especialmente os acordos de compras de armamentos. A proposta de realizar essa campanha de exigência foi apresentada por Soraya Misleh, que coordenou os trabalhos da mesa.

Ao mesmo tempo, era realizada, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, outra importante discussão no painel “Gênero e Resistência. Crítica ao feminismo colonialista, e a necessidade de solidariedade ativa às mulheres palestinas dentro de uma perspectiva anti-imperialista”. O painel contou com a presença da professora da San Francisco State University, Rabab Abdulhadi; com as americanas Rose Brewer e Angela Davis; a palestina Leila Khaled e Marisa Mendes, do Movimento Mulheres em Luta (MML). Marisa Mendes explicou que a luta do povo palestino não está dissociada da luta pela libertação da mulher. Também falou sobre a situação do Brasil, explicando que a eleição da primeira mulher à presidência da República não significou o fim do machismo no país.

Já no início da tarde, foi realizada outra importante oficina sobre “A questão palestina e as revoluções no mundo árabe”. O evento proporcionou um dos melhores debates realizados no Fórum, reunindo ativistas e revolucionárias da Síria e Palestina.

“Muitos jovens palestinos apoiaram com entusiasmo as revoluções e se envolveram em atividades de solidariedade. Os protestos também tiveram em nossa luta a sua inspiração. A luta da palestina é inseparável das revoluções árabes”, afirmou Najlaa, ativista palestina na Cisjordânia. Já Sara Al Suri, ativista da revolução síria, explicou a indissociabilidade das lutas travadas em todo Oriente Médio e Norte da África: “Há, hoje, um palestino em todo revolucionário sírio”.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Gaza sob ataque: Israel e ANP saem enfraquecidos

Crianças palestinas mortas durante ataques de Israel a Gaza
Após uma semana de intensos bombardeios sob a população civil de Gaza e a ameaça de uma invasão por terra, a exemplo da operação “Chumbo Fundido” de 2009, Israel foi obrigado a aceitar uma trégua com o Hamas no final desse dia 21 de novembro, quarta-feira.

Com a mediação do governo egípcio, ficou acertado o cessar fogo frente a algumas condições. O Hamas cessa o lançamento de foguetes e impede que outros grupos lancem, e Israel "afrouxa" o bloqueio que asfixia a população da Faixa de Gaza. Foi uma vitória, ainda que parcial, dos palestinos, que saíram às ruas para comemorar.

Oito dias de bombardeios israelenses deixaram um rastro de destruição em uma já combalida Gaza, e mais 166 mortos palestinos. No dia 22, um dia após a trégua, soldados israelenses executaram com tiros na cabeça mais um jovem palestino de apenas 23 anos que estava próximo à fronteira, mostrando que o cessar fogo não é tão sólido diante da fúria assassina do Estado de Israel.


Israel: terrorismo de Estado

Os ataques à Gaza se intensificaram com o assassinato de Ahmed Jabbari, líder das Brigadas Ezedin al Qasam, braço militar do Hamas. Jabbari, egresso do Fatah, foi o responsável pelo processo de negociação e troca do soldado isralense Gilat Shalit (preso em 2006 pelo Hamas) por mil presos políticos palestinos em 2011. Ao contrário da propaganda israelense que o caracteriza como um "radical terrorista", especula-se que no último período o dirigente estivesse envolvido em um processo de negociação de paz com Israel.

Ou seja, a ação militar desencadeada por Israel contra Gaza, batizada de "Pilar de Defesa", nada tem a ver com a segurança da população israelense ou os mísseis lançados pelo Hamas e outros grupos como resposta ao assassinato de Jabari. Tem sim a ver com as iminentes eleições legislativas no país, marcadas para janeiro de 2013, e a união dos partidos da ultradireita israelense, o Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ultrancionalista Yisrael Beitenu do Ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman. Uma guerra agora unificaria o país, reforçando o sentimento nacionalista e amarrando o apoio da população para 2013.

"A união entre o Likud e o Yisrael Beitenu permitiria proteger israel diante das ameaças de segurança e o poder de fazer as mudanças econômicas do país", declarou à imprensa israelense Netanyahu. Os ataques à Faixa de Gaza, assim, serviram para distrair a atenção diante da crescente insatisfação com a inflação, a crise econômica e os cortes no orçamento impostos pelo governo do estado judeu. Demarca, principalmente, uma guinada ainda mais à direita, expressão dessa coalizão ultrancionalista e anti-palestina.


Uma outra situação

O recente bombardeio à Gaza não deixa ainda de ser uma resposta ao isolamento de Israel diante das revoluções e revoltas trazidas pela “Primavera Árabe”. O enclave militar do imperialismo no Oriente Médio sente necessidade de uma demonstração maior de força num momento em que já não conta com tradicionais aliados na região, e que outros tantos estão ameaçados.

O ex-ditador do Egito, Hosni Mubarak, sempre foi um auxílio a Israel no bloqueio das fronteiras de Gaza (em Rafah). Já o novo governo, encabeçado por Mursi e a Irmandade Muçulmana, embora se mantenha subserviente aos EUA (de quem depende financeiramente), já não pode atuar de forma abertamente favorável a Israel. A visita do primeiro-ministro egípcio Hisham Qandil à Gaza em pleno bombardeio, nesse sentido, foi vista como algo histórico.

Já o ditador sírio Bashar Al Assad, que embora no discurso apoie a causa palestina, sempre foi visto por Israel e os EUA como um garantidor da “estabilidade” no Oriente Médio e nas colinas de Golã. Outro aliado que faz fronteira com Israel, a Jordânia, vive uma onda de protestos inspirada na Primavera Árabe que ameaça a ditadura do rei Abdullah.


Quem saiu perdendo?

Apesar do cessar fogo, Israel tem seguido com provocações e ataques sistemáticos contra a população palestina. Além do assassinato do jovem palestino na fronteira com Gaza, que deixou vários feridos, o Exército sionista realizou dezenas de prisões na Cisjordânia. A região contou com fortes mobilizações contra os ataques de Israel, que se enfrentaram com as forças de segurança da Autoridade Palestina. Mas, ainda que a situação seja extremamente instável, pode-se dizer que Israel saiu enfraquecido. Percebeu que a região hoje, conflagrada, já não é a mesma que em 2009, quando pôde invadir Gaza e impor um saldo de 1400 mortos sem maiores problemas.

A Autoridade Nacional Palestina de Mahmoud Abbas, que controla a Cisjordânia, também sai abalada. Os ventos da Primavera Árabe se chocam com a política pró-Israel de Abbas e o seu governo de colaboração. Recentemente, quando Israel se preparava para atacar Gaza, o presidente da ANP deu uma declaração a uma TV israelense que foi tomada como uma renúncia ao direito de retorno. "Quero ver Safed. É meu direito vê-la, mas não morar lá", afirmou referindo-se à cidade em que passou a infância e que hoje integra o território israelense. Além disso, a população dos territórios ocupados percebe que, uma década após os Acordos de Oslo, a vida não melhorou, ao contrário.

Por outro lado, o Hamas se vê fortalecido, militar e politicamente. Apesar de estar muito longe de fazer frente às forças armadas israelenses, o Hamas e outros grupos como a Jihad Islâmica já não contam apenas com foguetes caseiros que atingiam apenas o sul de Israel. Agora, apesar do ainda muito modesto poder de destruição, Jerusalém e Tel Aviv estão no alvo.

Vai ficando cada vez mais claro, sobretudo, que a resistência do povo palestino contra o cerco e terror imposto por Israel e as revoluções árabes e do Norte da África, fazem parte de uma mesma luta. E ambas não tem como sair vitoriosas sem enfrentar esse enclave imperialista incrustado no Oriente Médio.


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LIT-QI: Não à matança sionista em Gaza!


Retirado do Site do PSTU

sábado, 17 de novembro de 2012

Israel ataca Faixa de Gaza e prepara novo massacre na região

Estado judeu utiliza justificativa de retaliação para bombardear população civil de Gaza


Bombas de Israel já atingiram mais de 600 pontos de Gaza

Mais uma vez, Israel volta seus canhões a Gaza, bombardeia o território palestino e ameaça uma nova invasão, quase quatro anos após o massacre perpetrado entre 2008 e 2009 e que ceifou 1400 vidas. A nova escalada de ataques contra a Palestina explodiu no dia 14 de novembro, com o assassinato de Ahmed al Jabari, dirigente do braço armado do Hamas, as Brigadas de Izz el-Din al Qassam. O líder foi atingido por um míssil enquanto dirigia seu carro pelas ruas de Gaza, em uma série de ataques da operação “Pilar de Defesa”, impulsionado pelo Exército sionista.

O Hamas respondeu à agressão disparando foguetes contra Tel Aviv e o sul do país. Segundo autoridades israelenses, três pessoas morreram na cidade de Kyriat Malaji. Foi o que Israel esperava para desatar ataques ainda mais duros contra a população civil do território ocupado. A série de ataques a bomba deflagrada no dia seguinte, enquanto o dirigente do Hamas era sepultado, matou 19 pessoas, entre elas três crianças.

Ao todo, 27 palestinos já morreram e os feridos passam de 250, grande parte crianças, incluindo o filho de fotógrafo da BBC de apenas onze meses. As imagens do fotógrafo em prantos carregando nos braços o bebê sem vida roda o mundo e se torna a expressão mais acabada da selvageria imposta pelo Estado de Israel aos palestinos.


Eleições e Estado palestino na mira de Israel

Essa nova onda de ataques ocorre após dias de uma tensão crescente na fronteira entre Gaza e Israel. No último dia 10 um tanque israelense, em um gesto de provocação, circulou pela fronteira e foi alvo de disparos do Hamas. A resposta foi selvagem e deixou cinco mortos. Os ataques e incursões de Israel na fronteira, porém, já ocorriam desde o início do mês.

Nos últimos três dias, Israel atacou mais de 600 pontos de Gaza, destruindo prédios e residências. A cidade vive dias de terror. Enquanto as ruas estão desertas e o comércio fechado, aglomerações só ocorrem nos funerais das vítimas do Exército israelense. A população, que já sofre os efeitos do bloqueio e isolamento reforçados por Israel após a subida do Hamas ao poder em 2007, enfrenta o medo diário dos aviões e drones israelenses, como assim como uma iminente invasão.

Israel divulgou nesse dia 16 a convocação de 75 mil reservistas, indicando que pode iniciar uma invasão por terra à Faixa de Gaza em instantes. “Esta escalada vai determinar o preço que o outro lado vai pagar” , afirmou o ministro da Defesa, Ehud Barak. Já setores da ultradireita pedem diretamente o assassinato do primeiro-ministro de Gaza, Ismail Yaniyeh.

Ao que tudo indica esse novo ataque perpetrado por Israel contra Gaza é uma forma de o atual governo de Benjamin Netanyahu amarrar o apoio da população num momento em que se aproximam as eleições legislativas, marcadas para o dia 22 de janeiro. Mas não é apenas o Hamas que está no alvo de Israel. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, quer aprovar a proclamação do Estado palestino na próxima assembleia geral da ONU, no dia 29 de novembro, contra a vontade de Israel.

Apesar de os termos defendidos por Abbas estarem bem longe das reivindicações históricas dos palestinos, e da própria ANP servir como um governo títere do estado judeu, Israel se opõe frontalmente à formação do novo estado. O ministro das relações exteriores do país, Avigdor Lieberman, afirmou que, caso prospere a intenção da ANP na ONU, não restaria a Israel outra opção que não “derrubar” Abbas e “destroçar” a Autoridade Nacional Palestina.


Fotógrafo da BBC segura filho morto em ataques de Israel


Pretexto para um novo massacre

Enquanto convoca milhares de reservistas, Israel determinou nesse dia 16 de novembro o fechamento das estradas ao redor de Gaza. Com o apoio dos Estados Unidos de Barack Obama, o estado sionista prepara um novo massacre no território a exemplo do que fez na Operação Chumbo Fundido, há seis anos, quando matou 1400 palestinos em 22 dias de ataques massivos sobre a população civil de Gaza.

Como atesta o blogueiro e ativista judeu Max Ajl, “a categoria de Israel de ‘retaliação’ não existe. A ocupação é um terror constante e é o que gera a violência palestina, e assim os líderes israelenses podem apresentar como uma justificativa retroativa para as políticas que aplicam em busca de uma quimera de ‘segurança’”.

Neste momento, mais do que nunca, é preciso cercar de solidariedade a luta do povo palestino e denunciar os crimes e atrocidades do Estado de Israel.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 27 de março de 2012

Jornalista da Veja pede cassação do registro do PSTU e prisão de sua direção

Blog pediu a ilegalidade do PSTU
Poucos dias após a ameaça explícita realizada por dois neonazistas presos pela Polícia Federal contra o PSTU, o partido se tornou alvo de outro ataque. Desta vez, vindo do articulista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, notório candidato a ideólogo dos setores mais retrógados da direita no país. O articulista dedica grande parte de seu tempo à luta contra o casamento homossexual, o direito ao aborto e, nas últimas semanas, vem fazendo campanha para uma chapa da direita nas eleições do DCE da USP.

O ataque de Reinaldo Azevedo não é bem uma novidade. Em janeiro, durante o despejo das três mil famílias da área do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), o articulista não poupou qualificativos para detratar o PSTU e defender a ação do governo estadual. Ofensiva semelhante se deu durante a ocupação da reitoria da USP em 2007. Na verdade, o que o funcionário da Veja faz nada mais é que sintetizar e vocalizar argumentos diluídos em setores mais reacionários da imprensa.

Desta vez, o jornalista resgatou um artigo publicado no Portal do PSTU em 2009 para acusar o partido de 'racismo' (sic) contra os judeus. O texto trata sobre a resistência palestina aos sucessivos ataques de Israel, particularmente contra a população de Gaza. O artigo traça ainda um histórico do estado israelense, caracterizando-o como um 'estado gendarme', aparato fundado para a defesa de interesses imperialistas no Oriente Médio e relembra uma antiga reivindicação da esquerda revolucionária: a sua destruição enquanto estado.

O jornalista destaca a seguinte parte do texto, a fim de provar sua tese de 'racismo': “Assim, para a pergunta ‘o que fazer com o Estado colonial sionista’, só há uma resposta: a sua destruição. Os atalhos apenas nos levam a um ponto mais longínquo de uma sociedade definitivamente pós-sionista, portanto, laica, democrática e não-racista.’ Desta forma, para Reinaldo Azevedo, o autor do texto estaria "com Ahmadinejad, com Hamas e com o Hezbollah".

Tal argumento não é novo. A denúncia de 'racismo' sempre é utilizada por setores sionistas, incluindo-se aí o próprio Estado de Israel, quando é confrontado com os crimes praticados contra o povo palestino. Baseia-se em uma falácia, que iguala sionismo com judaísmo. O sionismo, porém, é uma ideologia política, racista e de direita, que parte do princípio de Theodor Herzel sintetizada na frase ‘uma terra sem povo para um povo sem terra’ para justificar a expulsão dos palestinos de suas terras. Nada tem a ver com a religião judaica.

Reinaldo Azevedo afirma que o texto prega 'um não-racismo sem judeu'. Omite, conscientemente, uma outra parte do artigo, que defende “a convivência de diversos povos, independente das suas crenças e origens étnicas” em um novo estado, que daria lugar ao atual 'estado judeu'. O articulista avança a seguir para uma calúnia, relacionando o artigo com o recente ataque terrorista na França: 'parece que o tal Mohammed Merah, na França, queria a mesma coisa'. A manobra é óbvia: tentar igualar o PSTU ao terrorismo estúpido e justificar as ameaças dos nazistas brasileiros ao partido.

Mas o que quer Reinaldo Azevedo? A última frase do post do jornalista pode dar uma pista sobre isso, quando insta a prisão da direção do partido e a sua ilegalidade. ‘O autor e a direção do partido ainda estão soltos. Por quê?’.


As duas faces da ultradireita

Os neonazistas presos em Curitiba na iminência de um ataque contra estudantes, movidos pelo ódio a negros, homossexuais, mulheres, esquerdistas, e também judeus, afirmaram em seu blog: ‘vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU’. Pois bem, já Reinaldo Azevedo vê a direção do PSTU na cadeia e o partido na clandestinidade. São duas expressões diferentes no espectro político e ideológico, mas que na prática conformam um mesmo ataque, vindo da ultradireita. Não por acaso, pouco tempo depois da publicação do post de Reinaldo Azevedo, mensagens de ameaça começaram a chegar ao email do Portal do PSTU.

Não é coincidência que o articulista da Veja inicie seu post com o caso das prisões em Curitiba: ’Se dois meliantes merecem estar na cadeia, e acho que merecem, por terem escrito o que escreveram, que punição cabe a um PARTIDO POLÍTICO que prega abertamente a extinção de um país?’. A partir disso, o articulista resgata o artigo publicado há três anos e retoma velhas calúnias do sionismo.

É como se ele dissesse: 'tudo bem, ativistas da direita foram presos por crimes de ódio, mas olha aqui, a esquerda também é racista!', para pedir a prisão da direção do PSTU. Não deixa de justificar também, de certa forma, os ataques da própria direita nazista que tanto afirma deplorar.

Observa-se, no último período, um crescimento da violência machista e homofóbica em todo o país, assim como contra a população negra e pobre em geral, como em São Paulo. Concomitante a isso, cresce também a resistência organizada dos setores oprimidos, que vem recebendo, por sua vez, uma resposta de grupos de ultradireita.

Em todo o país, militantes do PSTU se colocam à frente da resistência negra, feminista e homossexual, o que provoca a ira ensandecida da ultradireita. Ativistas como Guilherme Rodrigues, covardemente agredido por homofóbicos em São Paulo no ano passado, são alvos da violência desses grupos. Não é novidade, por isso, as ameaças publicadas pelos neonazistas em seu blog. Como também não são os ataques públicos de Reinaldo Azevedo. Nem a direita raivosa da Veja, porém, nem os neonazistas vão calar o PSTU.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Brasil faz acordos de cooperação militar com Israel

Campanha de boicote a Israel será lançada em São Paulo


O governo de Dilma Rousseff, que diz apoiar os Direitos Humanos, a paz e a criação de um Estado Palestino, está na contramão de um movimento mundial de isolamento da indústria militar de Israel.

O país aderiu ao Tratado de Livre Comércio Israel-Mercosul e realiza com este país negociações comerciais militares bilaterais. Incluindo aí a assinatura de tecnologia bélica, tecnologias de defesa e segurança. Além de perspectivas de que grupos israelenses de segurança atuem durante a Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

Vale lembrar que todos os equipamentos e treinamentos de segurança israelense são testados em ataques contra os civis palestinos. Veículos, armas e coletes foram usados amplamente nos ataques aos palestinos de Gaza em 2008 e 2009, na Operação Chumbo Fundido.

Uma das grandes indústrias de armamentos de Israel, a Elbit Systems, assinou contratos de cooperação com as Forças Armadas brasileiras. A Elbit é uma das maiores empresas privadas de tecnologia militar, responsável pela instalação de aparelhos no Muro do Apartheid em torno de Jerusalém e do fornecimento de uma variedade de equipamentos para a Marinha e a Força Aérea, incluindo drones (aviões não tripulados). Esses aviões mataram pelo menos uma centena de civis na Faixa de Gaza e dezenas no Afeganistão e Paquistão.

Sua subsidiária brasileira, AEL Sistemas, formou uma joint venture com a Embraer, voltada a sistemas de aeronaves não tripuladas e simuladores, para fins militares e civis. É a Harpia Sistemas, sediada em Brasília, da qual a Embraer Defesa e Segurança detém 51%, o restante pertence à AEL.

O presidente-executivo da Elbit Systems, Joseph Ackerman, disse que a joint venture representa um marco para as operações de longo prazo da Elbit no Brasil.

Porto Alegre também passou a abrigar instalações da Elbit Systems, que atua na área de tecnologia militar. O TLC transforma o Brasil em porta de entrada da indústria armamentista de Israel na América Latina.

Com isso o governo brasileiro fortalece a indústria de armamento israelense. E as guerras, ocupação e colonização israelenses continuam a ser um negocio lucrativo.


Campanha por boicote a Israel

Será lançada na próxima terça-feira, dia 20 de setembro, às 18h30, na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, a campanha por Boicotes, Desinvestimento e Sanções ao apartheid de Israel no Brasil.

Em iniciativa conjunta da Frente em Defesa do Povo Palestino e da Frente Palestina da USP. A exigência é que o governo brasileiro:

a) Rompa unilateralmente com o Tratado de Livre Comércio Israel-Mercosul;

b) Retire imediatamente o posto das Forças Armadas Brasileira em Israel;

c) Cancele todos os contratos das Forças Armadas com empresas israelenses;

d) Exclua as empresas israelenses de participar de quaisquer concorrências públicas;

e) Vete a instalação de empresas israelenses em território nacional ou mesmo a aquisição de empresas nacionais por capitais israelenses;

f) exclua as empresas israelenses de contratos para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.


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O povo e a juventude egípcia expressam seu ódio contra o estado nazi-sionista de Israel


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano começa com mais uma ativista palestina morta por Israel

Manifestante desmaiou em uma densa nuvem de gás lacrimogêneo


activestills.org
A mãe de Jawaher chora ao lado de cartaz com a foto da filha. Abaixo, protestos no enterro
A palestina Jawaher Abu Rahma, de 36 anos, morreu nas primeiras horas de 2011, no hospital de Ramallah, na Cisjordânia, para onde foi levada na tarde da sexta-feira, 31 de dezembro. Jawaher ficou inconsciente durante um protesto na vila de Bil'in, próximo de Ramalah, contra a construção do muro israelense.

O protesto, realizado semanalmente, foi reprimido por centenas de soldados israelenses, que usaram grande quantidade de gás lacrimogêneo. Segundo familiares e membros do comitê popular que organizou o protesto, a ativista ficou presa em meio a uma densa nuvem de gás.

Segundo Soubhiya Abu Rahmah, mãe de Jawaher, ela começou a sentir-se mal ao inalar o gás, tentou escapar, "mas logo depois vomitou e desmaiou". Os manifestantes a retiraram e chamaram o resgate. Saher Bisharat, motorista da ambulância, declarou que a resgatou perto de onde a manifestação ocorria. “Ela ainda estava parcialmente consciente, responde à perguntas, e disse que o gás a havia ‘estrangulado’.

Segundo Aida Mohammed, diretor do centro de saúde de Ramallah, ela chegou ao hospital parcialmente consciente e, em seguida perdeu a consciência completamente. "Ela morreu de insuficiência respiratória, causada pelo gás, que levou a um ataque cardiáco", afirmou.


As mentiras do exército

A morte e a versão dos militares israelenses provocaram a indignação dos palestinos e polêmica em Israel. O Exército afirmou não ter usado gás em grande quantidade e tentou livrar a sua culpa, afirmando que a vítima possuía algum tipo de doença anterior, como leucemia. O exército não revelou a fonte da informação, que foi desmentida imediatamente por familiares e pela equipe médica.

Segundo a mãe de Jawaher, “Ela não estava doente com câncer, nem tinha qualquer outra doença, e não era asmática". Para Abu Uday Nahlah, patrão de Jawaher, ela estava em boas condições de saúde. “Na quinta-feira ela estava no trabalho, como de costume, saudável, apenas um dia antes de sua morte.", afirmou. Seus médicos insistem que ela não sofre de qualquer doença ou de quaisquer sintomas que podem, se combinados com bombas de gás lacrimogêneo, levou a sua morte. O diretor do hospital e o laudo médico também desmentem a versão do Exército.

O advogado israelense da família Abu Rahma, Michael Sfar, atacou o exército. "Uma vez mais, o exército encobre os atos dos seus homens, ao invés de apresentar seu pesar e investigar seriamente" o caso, declarou à rádio militar.


Crimes de guerra

A morte da palestina acontece dois anos após o cerco e o massacre em Gaza, quando os militares israelenses foram acusadas de usar armas químicas, inclusive fósforo. Agora, a história parece se repetir. Palestinos acusam as forças de ocupação de utilizar os chamados “mecanismos de dispersão de massas”, e, para isso, testam novas armas e gases para atacar os manifestantes. Segundo informe da coalizão Stop The Wall, “o exército israelense há muito tempo aproveita os protestos contra o muro como um campo de provas para desenvolver novas armas e equipamentos”. A coalizão afirma ainda que durante a repressão aos palestinos, são testadas armas que trarão lucros maiores para a indústria militar israelense, que exporta para vários países.

Jamal Juma, coordenador da Stop the Wall, protesta: "Somos seres humanos, e não animais que podem usar para provar suas novas armas. Israel segue nos usando como laboratório porque o mundo permite. Nem mesmo as provas chocantes sobre os crimes de guerra e o uso de fósforo branco durante o ataque a Gaza, fizeram com que a comunidade internacional pedisse que Israel prestasse contas."


Muro da Vergonha

Situada no distrito de Ramallah, na Cisjordânia, a vila palestina de Bil'in tem 1.800 habitantes e a maioria de sua área é tradicionalmente usada como terras agrícolas. Além dos assentamentos israelenses, como o de Matiyahu, construído em 1980, desde 2004 que Israel começou a construção de seu muro do apartheid no lado oeste desta aldeia.

Neste mesmo ano, a Corte Internacional de Justiça declarou o muro como ilegal e determinou que fosse derrubado. Mas Israel ignorou e continuou a erguer o muro da vergonha, que os separa dos palestinos. Atualmente, em Bil’in, as partes construídas do muro já isolam quase metade das terras dali das do restante do povo. Por isso, os palestinos realizam protestos frequentes, enfrentando a repressão israelense, como a que tirou a vida de Jawaher e a de seu irmão, Basem Abu Rahmah, morto por uma granada de gás lacrimogeneo também em uma manifestação em Bil’in, em abril de 2009.

* Com informações da campanha Stop the Wall (http://www.stopthewall.org), do revista independente +972 (http://972mag.com) e agências internacionais


Retirado do Site do PSTU