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terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Cinco anos após renúncia, Renan Calheiros (PDMB-AL) volta à presidência do Senado

Novo presidente da Câmara também coleciona denúncias de corrupção


Agência Brasil
A 'nova' cara do Congresso
Ele voltou. Cinco anos após ter renunciado à presidência do Senado para evitar a cassação em meio a uma série de denúncias de corrupção, eis que o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) volta ao cargo, amparado pela base aliada do governo e setores da oposição de direita. O peemedebista venceu as eleições para a presidência da casa nesse dia 1º de fevereiro por 56 votos, contra 18 do senador Pedro Taques (PDT-MT).

Como se não bastasse retomar o posto em que fugiu pela porta dos fundos em 2007, Renan Calheiros teve ainda o desplante de proferir um discurso sobre ética, tão logo foi confirmada sua vitória. "Eu queria lembrar que a ética não é objetivo em si mesmo. O objetivo em si mesmo é o Brasil, é o interesse nacional. A ética é meio, não é fim, é dever de todos nós", disse a seus pares do alto de sua tribuna.

Dias antes da eleição, o procurador da República, Roberto Gurgel, levou ao Supremo Tribunal Federal uma série de denúncias contra Renan, inclusive algumas responsáveis pela renúncia do senador em 2007 e que não deram em nada. Os crimes incluem peculato, falsidade ideológica e falsificação de documentos. Na época, Renan Calheiros foi acusado de pagar as contas da ex-amante com quem tem uma filha por meio de um lobista da empreiteira Mendes Júnior. O escândalo desatou uma série de outras denúncias que geraram uma crise na Casa Alta.

Mas Renan Calheiros, que sempre faz questão de ressaltar que está no Senado há 18 anos, não é bobo. Junto com aliados, já articulou uma blindagem para se proteger de futuros incômodos. Isso inclui a entrega do comando do Conselho de Ética ao amigo e correligionário João Alberto (PMDB-MA). O senador Romero Jucá (PMDB-RR), por sua vez, já avisou que qualquer denúncia contra o colega que chegar ao Senado vai ter o fundo da gaveta como destino.


Já na Câmara...

Se o Senado vê a volta triunfal de Renan Calheiros, na Câmara dos Deputados a situação não é melhor, com a eleição do deputado Henrique Alves (PMDB-RN) para a presidência nesse dia 4. Representando as velhas oligarquias do Rio Grande do Norte, Alves coleciona 11 mandatos em 42 anos de "vida pública" e foi eleito com folga por seus colegas, com 271 votos.

O novo presidente da Câmara não fica atrás de seu par do Senado e responde por denúncia de improbidade administrativa, já tendo sido condenado pela Justiça do Rio Grande do Norte em 2011. Henrique Alves ainda é acusado de outro processo de improbidade e enriquecimento ilícito. Mas o currículo do deputado ainda não terminou. Reportagem da Folha de S. Paulo de janeiro revelou que o deputado desviou emendas do Orçamento para empresa de um funcionário de seu próprio gabinete.

Tanto a eleição de Renan Calheiros como a de Henrique Alves representa mais que a vitória de dois corruptos para o comando do Congresso. Ela sela a aliança do PT com o PMDB com vistas para as eleições de 2014 e mostra como o governo perpetua as velhas oligarquias no Congresso Nacional em favor de seu projeto de poder, tal como se dá com nome não menos abonadores como os dos ex-presidentes Fernando Collor (PTB-AL) e José Sarney (PMDB-AP).



Apesar de o então presidente do Senado, José Sarney, ter proibido uma manifestação contra Renan e a corrupção, que “lavaria” a fachada do Congresso no dia da eleição da presidência, Renan foi obrigado a subir a rampa do Congresso nesse dia 4 de fevereiro ouvindo os gritos de “ladrão”, “sem-vergonha” e “corrupto”. Incólume, Renan Calheiros era o retrato vivo da indiferença do Senado e do Congresso ao resto da população.


PSOL se une a DEM e PSDB

Se a eleição de Renan Calheiros por si só já demonstra o fundo do poço a que chegou o Senado, a atuação do PSOL no processo também não deixa de ser lamentável. O senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), inicialmente candidato à presidência para enfrentar Calheiros, retirou seu nome da disputa na reta final para apoiar o candidato Pedro Taques (PDT), formando uma frente com ninguém menos que o PSDB e DEM.

Segundo Randolfe, Taques teria a missão de "resgatar" o Senado. "A minha candidatura e a do Pedro Taques, são duas candidaturas e uma só causa", chegou a anunciar o parlamentar do PSOL. Ou seja, a alternativa que Randolfe e o PSOL apresentam a Renan Calheiros é... o PDT, PSDB e o DEM! Para se contrapor à corrupção e ao fisiologismo representando pelo candidato do PMDB, Randolfe joga água no moinho da direita, tão corrupta quanto Calheiros. Um verdadeiro desserviço à esquerda.


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Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Cai Demóstenes, fica a corrupção

Demóstentes é o segundo senador cassado da história da República e vira agora um emblema vivo de uma das instituições mais retrógradas do país


Agência Brasil
Demóstenes Torres durante sessão do Senado que cassou seu mandato
O Senado Federal decidiu, em sessão realizada nesta quarta-feira, 11 de julho, pela cassação do mandato de Demóstenes Torres (DEM). Protagonista em escândalo de corrupção trazido à tona pela operação Monte Carlo, da Polícia Federal, o ex-senador é acusado de ter posto seu mandato a serviço do bicheiro Carlinhos Cachoeira.

Por 56 votos a favor e 19 contra, com 5 abstenções, Demóstenes teve suspenso seu mandato e outros direitos políticos – tornando-se inelegível até 2027. Os senadores, no entanto, não abriram mão do absurdo mecanismo da votação secreta para o julgamento de seu colega.

Após a cassação, apesar de perder o direito ao foro privilegiado junto ao STF, o ex-senador está livre para reassumir seu cargo de Procurador de Justiça no Ministério Público de Goiás. Não fosse a ambição sem limites desse tipo de gente, Demóstenes até que poderia se contentar.


"Cão sarnento"

Em seu discurso de defesa, em que teve meia hora para se pronunciar, o ex-senador sustentou a fantástica tese de que “já provou sua inocência” – frase que repetiu sucessivas vezes. Com a desfaçatez típica de quem enriqueceu às custas do povo, Demóstenes alegou ser vítima de uma campanha midiática de calúnias e de um pré-julgamento sem precedentes: “fui perseguido como um cão sarnento”, afirmou em passagem anedótica de sua intervenção.

Após a votação, interrompeu-se a trajetória parlamentar de Demóstenes. Outrora tido como um “paladino da moralidade”, passa, agora, a ser o segundo senador cassado da história da República e um emblema vivo de uma das instituições mais retrógradas do país.


Nada vai mudar

Mas, ao contrário do que se poderia imaginar, a queda de Demóstenes não vai mudar nada no Senado, que vai continuar sendo um balcão de negócios, repleto de negociatas em seus bastidores. E quem chega para ocupar o assento deixado por Demóstenes é um chegado da mesma patota.

Deve assumir nas próximas semanas Wilder Pedro (DEM), suplente de Demóstenes e atual Secretário de Infraestrutra de Goiás. Ironicamente, Wilder é ex-marido da atual esposa de Carlinhos Cachoeira. Segundo as mesmas gravações telefônicas que incriminaram Demóstenes, houve influência de Cachoeira para fosse escolhido como suplente na chapa do DEM.

Milionário, é um dos donos do grupo Orca, que atua no ramo da construção civil e na administração de shopping centres. A empresa foi a segunda principal doadora da campanha de Demóstenes, em um total de R$ 700 mil. Para piorar, há indícios de que Wilder tenha omitido informações em sua declaração de bens à Justiça Eleitoral, já que o montante declarado não bate com os registros da Junta Comercial de Goiás.


Senado quer livrar a cara

A cassação de Demóstenes, com votação no plenário do Senado, não representa uma virada no curso dessa instituição. Pelo contrário, é uma manobra para recompor a imagem do próprio Senado e preservar os demais corruptos da Casa, diante da contundência das denúncias. A imagem de Sarney, corrupto de renome e presidente do Senado, conduzindo a sessão fala por si.

Essa Casa, com seus mandatos de 8 anos, privilégios sem fim e com eleições antidemocráticas, que não respeita a proporcionalidade entre as populações dos estados, não tem autoridade alguma para agir em nome da “transparência” ou da “moralidade”. Sendo assim, cassou Demóstenes para conter um maior desgaste e enterrar, de vez, o assunto.

Lamentavelmente, o senador Randolfe Rodrigues (PSOL), que poderia ter denunciado essa farsa, optou por agir em uma unidade acrítica com seus colegas. O parlamentar, que corretamente entrou com a representação que resultou na cassação de Demóstenes, não se diferenciou em nada do discurso da “moralidade” e da “missão ética dos mandatos”. Assim, em vez de sua atuação desmascarar o caráter anti-povo do Senado, colaborou em nutrir esperanças em uma saída para a corrupção por dentro da falsa democracia em que vivemos.


Prisão e confisco dos bens!

Somente nas ruas Demóstenes e seus corruptores poderão ver a luta por uma verdadeira punição por seus crimes. O que esses senhores merecem, mais que a perda de um mandato, é cadeia e o confisco de todos os seus bens. Enquanto um pobre que furta um cacho de bananas é preso, esses senhores continuam à solta e desfrutando de uma vida repleta de conforto.

É mais um caso que mostra que o financiamento privado de campanha também deveria acabar. Enquanto as grandes empresas forem “proprietárias” de mandatos parlamentares, não apenas a corrupção vai continuar, como medidas como a cassação de Demóstenes seguirão, na prática, a serviço de que tudo continue como está.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 14 de março de 2012

A queda de Ricardo Teixeira, o ditador do futebol brasileiro

Ag Brasil
Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF
Na manhã desta segunda-feira, 12 de março, foi anunciada a tão esperada renúncia de Ricardo Teixeira da presidência da CBF e do COL, o comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil. Não bastassem os escândalos e CPI's que o obscuro cartola coleciona desde 1989 - quando assumiu o controle da entidade - nos últimos tempos entrou em rota de colisão com o governo brasileiro, uma vez que a presidente Dilma percebeu que a sua imagem poderia ser arranhada, dada a contradição entre o desprestígio que o dirigente goza perante a sociedade e o fato de ele ser o responsável por organizar o principal evento a ser realizado no Brasil nos próximos anos.

Em seu lugar, assume José Maria Marin, ex-governador biônico da época da ditadura militar, do qual temos como última notícia o momento no qual foi flagrado pelas câmeras da TV , guardando discretamente uma medalha no seu bolso, durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior no inicio do ano.


A Ditadura de Teixeira

Nos últimos vinte e três anos, o futebol brasileiro foi responsável pela revelação de jogadores do porte de Ronaldo, Rivaldo, Edmundo, passando por Ronaldinho Gaúcho e Robinho, chegando, mais recentemente, a Neymar e Ganso. Nesse período, esses jogadores, junto a tantos outros, ajudaram o Brasil a ganhar duas Copas do Mundo, inúmeras Copa América, enquanto eram considerados os melhores jogadores de futebol do mundo. Depois de tudo isso, sabe o que restou de legado para o futebol brasileiro? Absolutamente, nada! Hoje temos clubes falidos sobrevivendo às custas da Rede Globo e do Governo Federal; campeonatos estaduais que levam 10.000 pagantes para os clássicos, uma seleção brasileira que conseguiu o que parecia impensável há anos atras: não ser uma das principais favoritas para a conquista da próxima Copa do Mundo que, aliás, sera realizada aqui no Brasil. Isso sem falar na estrutura dos clubes brasileiros, amadora comparada a das principais equipes do mundo, o que fica claro quando vemos o melhor time brasileiro, o Santos, enfrentando o melhor time espanhol, o Barcelona, e levando um baile digno de profissionais contra amadores.

A situação alarmante em que se encontra o futebol brasileiro não ocorre por acaso. Todo o lucro, sucesso e paixão que envolvem o esporte mais querido do Brasil vai parar na conta bancária de Ricardo Teixeira e de seus aliados, não restando um tostão para ser investido nos atletas e clubes, sem contar a situação de semiescravidão em que vivem boa parte dos jogadores de futebol espalhados pelos times pequenos do Brasil.

Todo esse drama se desenrola sob o olhar complacente de todos os governos brasileiros entre 1989 e 2012, de Sarney a Lula, permanecendo assim com Dilma. Vale lembrar que o desgaste sofrido por Ricardo Teixeira em relação ao governo Dilma apenas se deu após ele ser considerado um criminoso por parte de toda a mídia esportiva internacional, e passar a ser alvo de protestos em várias capitais do pais, a partir do movimento “Fora Ricardo Teixeira”.


O Movimento Fora Ricardo Teixeira e a queda

Em 2011 surgiu um movimento inédito na história do futebol brasileiro, chamado 'Fora Ricardo Teixeira'. Foi a primeira vez que torcedores independentes, jornalistas, intelectuais e até mesmo as torcidas organizadas se uniram para travar uma batalha política pela defesa do futebol brasileiro e , principalmente, contra o saque das riquezas dos brasileiros sob a fachada da Copa do Mundo de 2014. Inclusive, em agosto desse mesmo ano foi aprovado pela Confederação Nacional das Torcidas Organizadas a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira”.

O movimento se expressou pela internet e através de faixas em todos os principais estádios brasileiros clamando “Fora Ricardo Teixeira!”, no fechamento do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2011. Obviamente, a Rede Globo se esforçou para boicotar o movimento, optando por não mostrar a festa das torcidas, como é de praxe nos clássicos. Porém, essa atitude autoritária não conseguiu impedir a repercussão da manifestação mundo afora.

É muito importante afirmar, portanto, que a mobilização dos torcedores foi fundamental para garantir o enfraquecimento do principal mandatário do futebol no país. E, claro, que contribuiu pra isso o conflito de interesses entre a CBF e o governo, quanto a quem seriam as empresas beneficiadas com os bilhões de dinheiro público que estão sendo usados em nome da Copa. Porém, um problema que poderia ter sido resolvido nos bastidores da política precisou vir à tona, devido à repercussão das manifestações nos estádios brasileiros e pela internet.


O que esperar da CBF sem Teixeira

A queda de Ricardo Teixeira é uma vitoria para todos os brasileiros, torcedores ou não de futebol, pois trata-se do enfraquecimento de um déspota que manipulava os bastidores do futebol e da política em beneficio próprio, às custas de muito dinheiro publico. Porém, se é verdade que vencemos essa batalha, estamos longe de termos ganhado a guerra.

José Maria Marin, homem que assume a presidência da CBF, não bastasse ser amigo de Ricardo Teixeira, teve ao longo da vida como principal aliado político Paulo Maluf, desde os terríveis tempos da ditadura. Inclusive, de tão amigo da caserna, foi governador biônico do estado de São Paulo por quase um ano (escolhido pelos generais). Ou seja, não é o tipo de figura que mereça um milímetro da confiança dos trabalhadores brasileiros. Manterá o mesmo regime autoritário imposto pelo seu antecessor, alem de impor aos torcedores a dependência em relação a Rede Globo para poder acompanhar seus times, uma vez que é ela quem escolhe o formato do campeonato e o horário das partidas.


A Mina de Ouro da Copa

Ricardo Teixeira acumulava o comando da CBF com o comando do COL, órgão responsável pela gestão das obras e organização da Copa no país. Isso significa que o mesmo homem que está sendo acusado de evasão de divisas, suborno no âmbito da FIFA, favorecimento a familiares em contratos com a CBF e COL, era o responsável por controlar os bilhões envolvidos nas obras do evento.

A Copa se anuncia como um dos maiores assaltos da história dos cofres públicos brasileiros, desviando verbas da educação, saúde e mesmo do estimulo aos atletas, para a construção de elefantes brancos, a fim de agradar as maiores empreiteiras do mundo. Ao contrário do que esperavam boa parte dos brasileiros quando do anúncio da realização da copa no Brasil, essa só tem se mostrado vantajosa para as empreiteiras e especuladores imobiliários.

Assistimos, em janeiro, ao ataque da polícia do PSDB aos moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos, assim como temos notícias de que ate agora ocorreu a remoção de mais de 70.000 famílias em decorrência das obras para a copa. São José dos Campos está na rota das grandes obras para a Copa e as Olimpíadas, por conta da previsão de uma parada do trem bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Por isso, passa por um momento de supervalorização dos imóveis, expulsando os trabalhadores pobres para cada vez mais longe dos seus trabalhos e do centros da cidade. Ainda falando em centro da cidade, também não é coincidência a expulsão dos usuários de crack da região da Cracolândia, em São Paulo. Esse ataque também é parte da especulação imobiliária que visa tornar o centro de São Paulo livre dos pobres e miseráveis, de uma forma bastante lucrativa.

Todas essas considerações devem vir acompanhadas de uma informação muito importante para todos os brasileiros: as mesmas empreiteiras que serão as únicas beneficiadas com a Copa do Mundo no Brasil, são as financiadoras das campanhas eleitorais tanto dos governos do PSDB, quanto dos governos Dilma e Lula. Sim, mais uma vez, não se trata de uma coincidência.


Por uma Copa no Brasil para os brasileiros

É muito importante que a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira” ganhe as ruas e siga recebendo o apoio dos torcedores e trabalhadores que não aceitam que o dinheiro que deveria ser investido em educação, na saúde e na infraestrutura das cidades, a fim de combater o caos urbano das grandes metrópoles brasileiras, seja entregue de bandeja para as construtoras erguerem estádios que não fazem a menor falta para os torcedores e trabalhadores do pais. Para isso, é importante que as torcidas organizadas deem visibilidade a essa campanha nos estádios Brasil a fora.

Também é importante que o movimento avance para a democratização do controle do futebol no Brasil, a fim de que o torcedor seja não apenas um espectador, mas dite os rumos do esporte no país. Apenas assim será possível derrotar não só Ricardo Teixeira, mas toda essa política que rouba o futebol dos brasileiros.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 25 de dezembro de 2011

A toga acima da lei

Escândalo envolvendo magistrados e o STF é uma amostra do mundo de abusos e privilégios do Judiciário


Presidente do STF, ministro Cezar Peluso
Mais um escândalo mostra o real caráter da Justiça no Brasil. No dia 19 de dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a suspensão de uma investigação levada a cabo pela corregedoria nacional por ilegalidades e favorecimentos a juízes no recebimento de auxílios. Dois dos ministros que compõem a mais alta corte do país teriam se beneficiado com os fatos investigados.

A investigação se refere a uma varredura determinada pela corregedora do Conselho Nacional de Justiça, Eliana Calmon em 22 tribunais, num universo de quase 217 mil magistrados, a fim de rastrear pagamentos ilegais a determinados juízes e desembargadores. Procuravam-se casos de evolução patrimonial e enriquecimentos ilícitos entre os togados.

O pagamento do auxílio-moradia aos juízes, que motivou a investigação, foi determinado pela Justiça em 2000, baseado no princípio da isonomia entre os poderes, já que deputados e senadores recebiam o benefício. Com a decisão judicial, os juízes ganharam o direito de receber os valores retroativos aos anos 1990. Como o valor total desses atrasados era muito alto, os juízes deveriam receber de forma parcelada e de acordo com orçamento.

A devassa nas contas dos juízes partiu da constatação de que, enquanto alguns magistrados receberam o valor total do benefício de uma só vez, outros, a maioria, continuaria a receber de forma parcelada. A investigação começou em 2009 e abrangia pagamentos realizados nos quatro anos anteriores.

Entre as irregularidades encontradas, o caso mais emblemático é do Superior Tribunal de Justiça de São Paulo, aonde nove dos 33 ministros teriam recebido todo o valor do benefício de uma só vez. Nesse caso se enquadrariam os ministros do Supremo Tribunal Federal (e ex-desembargadores do STJ de São Paulo) Cezar Peluso, que recebeu R$ 700 mil e Ricardo Lewandowski, que teria recebido R$ 1 milhão e foi quem garantiu a liminar suspendendo a investigação, agindo em seu próprio interesse.


Em causa própria

Além da liminar de Lewandowiski, no mesmo dia 19 o também ministro do STF Marco Aurélio Mello se antecipou a um parecer que deveria dar só em fevereiro e esvaziou temporariamente os poderes de investigação do CNJ. Não entrando na discussão sobre o real sentido desse conselho, fica evidente que os ministros da alta corte agiram de forma orquestrada para barrar qualquer tipo de investigação que os incriminasse.

Como se isso não bastasse, ao invés de exigir a apuração das denúncias e a punição dos eventuais criminosos, as entidades ‘de classe’ dos juízes apontaram sua artilharia à corregedora e exigem agora a investigação de Eliana Calmon, afirmando que ela não poderia ter devassado os seus pares de toga. A AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros), Ajufe (Associação dos Juízes Federais) e a Anamatra (Associação dos Magistrados do Trabalho) denunciaram a ministra corregedora à Procuradoria-Geral da República e ao próprio CNJ.


Acima da lei

O que se estava investigando nem era o pagamento ou o valor dos benefícios, mas a forma com que foi realizado. O fato é que, mais do que o crime em si, choca a forma com que o próprio STF barrou qualquer tentativa de investigação ou levantamento de dados que pudesse afetar seus próprios integrantes ou demais juízes e desembargadores. Punição então nem pensar, já que, no caso improvável de que a corregedoria conseguisse apontar algum crime, essa prerrogativa é exclusiva do próprio STF, ou do Congresso.

A princípio, os ministros nem mesmo podem ser investigados, já que isso também exclusividade do STF e do Congresso. O que o STF barrou é a mera possibilidade de se reunirem dados e evidências de algum crime de seus membros. No caso, a análise da evolução patrimonial dos juízes. A própria Eliana Calmon apontou que, no caso do STJ de São Paulo, foram observadas 150 ‘movimentações financeiras atípicas’, enquanto metade dos magistrados do tribunal esconde sua renda.

O caso mostra o feudo de poder, vantagens e arbitrariedades em que se encontra o Poder Judiciário, a exemplo do Legislativo e o Executivo. Assim como deputados e senadores, juízes determinam se são ou não investigados e, cada vez mais, a exemplo de seus colegas de outros poderes, não se preocupam em disfarçar a defesa descarada de seus próprios interesses.


Presidente do STF, Cezar Peluso, presidente do Senado, José Sarney (PMDB) e o da Câmara, Marco Maia (PT)

Basta dizer que, enquanto o STF barrava a apuração dos pagamentos ilegais do auxílio-moradia aos magistrados (auxílio que em si já um privilégio), o Congresso aprovava o Orçamento para 2012, sem qualquer aumento aos aposentados que ganham acima do mínimo ou aos servidores públicos, inclusive os servidores do Judiciário que protestavam em Brasília e que amargam cinco anos de congelamento salarial.

O Judiciário, assim, embora tente se parecer neutro e imparcial, revela-se na prática uma extensão dos outros dois poderes. Há poucos dias o ministro Cezar Peluso realizou um julgamento relâmpago para empossar Jader Barbalho (PMDB-PA) senador no lugar da senadora do PSOL Marinor Brito. Barbalho não havia ocupado o lugar até então por ter sido enquadrado na Lei da Ficha Limpa. A imprensa revelou que, no dia anterior, o ministro se reuniu com líderes do PMDB, partido de Barbalho. Como o julgamento da ação do agora senador paraense estava empatado, o presidente do STF fez uso do regimento interno da corte e deu o voto de minerva para desempatar.

Estranhamente, a constitucionalidade da própria Lei da Ficha Limpa aguarda julgamento até hoje no Supremo. Está parada, pois sua votação havia também dado empate. O que não foi nenhum empecilho, claro, para Peluso garantir já a vaga do Senado ao PMDB. A lei, mesmo essa que temos hoje e que, em última instância serve para perpetuar a sociedade de classes, parece estar abaixo da toga dos juízes.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Policiais e bombeiros do Maranhão ganham batalha contra a maior oligarquia do Brasil

O dia 2 de dezembro de 2011 fica registrado na história do Maranhão como um dia das maiores conquistas obtidas pelos policiais e bombeiros na luta por direitos. Essa conquista é ainda mais representativa por ser em cima de um governo que representa uma das últimas oligarquias do Brasil, a dos Sarney, contra os coronéis que dirigem a estrutura da polícia do Estado e contra a propaganda perseguidora do meio de comunicação ligado à família Sarney, o sistema Mirante, afiliada da Rede Globo no estado.

Durante todo o movimento grevista em São Luis e Imperatriz, os trabalhadores tiveram o apoio incondicional dos movimentos populares e sindicais – apoio reconhecido pelos policiais – fundamental para trazer a população a apoiar as reivindicações dos grevistas.

No início, o governo não aceitou negociar com grevistas os dez pontos de reivindicação dos trabalhadores: anistia aos grevistas, aprovação de data-base, pagamento de horas-extras, carga horária de 44 horas semanais, promoção automática, fim do Regime Disciplinar do Exército, aumento de 20% dos salários, entre outros. Com a pressão dos trabalhadores e da população, o governo, em oito dias, cedeu. Das dez reivindicações, apenas o percentual no aumento do salário foi concedido pela metade, 10,45%. Ao final, representou uma grandiosa vitória dos trabalhadores.

Durante a greve, algo mudou na relação dos trabalhadores da polícia militar e dos bombeiros com o movimento organizado, sindical e popular. Muitos militares se viram como parte da classe trabalhadora e sentiram na pele a perseguição do Estado que criminaliza qualquer movimento que busque reivindicar direitos, seja por terra, por respeito ou por indignação contra os desmandos de corrupção.

A repressão da oligarquia Sarney acelerou esta experiência. No dia 29, enquanto estavam ocupados na Assembleia Legislativa, os grevistas divulgaram uma carta, dirigida aos quilombolas e sem-terra do estado, reconhecendo sua parcela na repressão aos conflitos no campo e pedindo desculpas. A carta (leia abaixo) afirma que “somos todos irmãos”.

Parabéns aos trabalhadores da segurança pública do Maranhão – policiais militares e bombeiros – pela vitória. E, em especial, aos policiais e bombeiros que passaram a se reconhecer como parte da classe trabalhadora. Sabemos que o aparato de repressão é formado por forças criadas para preservar a propriedade privada, para garantir a desigualdade social e o controle de uma classe sobre a outra. Como a Polícia Militar.

Assim, o exército e a polícia são herdeiros diretos dos capitães do mato, que mantinham os escravos nas senzalas. É não apenas simbólico, mas significativo que esta luta traga a reflexão dos policiais sobre a repressão aos homens e mulheres quilombolas e a unidade que surge daí. Quantos mais e mais policiais se percebam como classe, mais se recusarão a reprimir nossas lutas, nossas greves, nossas marchas. Mais se questionarão sobre os crimes do campo, a tragédia nas cadeias, a dívida com o povo negro e pobre. Mais se questionarão o que nossos soldados estão fazendo no Haiti.

Mais e mais se sentirão como trabalhadores e trabalhadoras. E perceberão que suas armas, como diz o hino da Internacional, devem ser voltadas para os seus generais.
“Paz entre nós. Guerra aos senhores”.

  • Leia, abaixo, a carta de solidariedade dos militares maranhenses às comunidades quilombolas vítimas do latifúndio e do Estado.


  • Carta aberta à população brasileira

    Hoje, quando a nossa categoria está em greve em todo o Maranhão, está chegando a São Luís grupos de quilombolas e de lavradores sem terra. Eles, que após sucessivos acampamentos, vem novamente à nossa capital, desta vez para tratar com o presidente nacional do INCRA.

    Sabemos que, historicamente, a relação entre a Polícia Militar e as organizações populares em nosso país não é boa. Porém, neste momento importante da história, onde lutamos por dignidade e melhores condições de trabalho, achamos oportuno falar desta outra luta, travada pelos homens e mulheres do campo. Primeiro, temos que lamentar pela violência, oriunda dos conflitos de terra. Infelizmente ela acontece e nós, ao longo do tempo, tivemos nossa parcela de responsabilidade neste problema. Admitimos os nossos excessos e, agora, pedimos desculpas por eles.

    Por outro lado, agora, quando grande parte da sociedade maranhense está sendo solidária conosco, queremos também deixar clara a nossa solidariedade com a luta dos quilombolas, dos índios, dos sem terra! Somos o mesmo povo, vítimas da mesma opressão, da mesma exploração que se alastras pelos quatro cantos do Maranhão!

    É importante, antes de tudo, reconhecer que nós somos todos irmãos!

    Hoje, nós estamos acampados na Assembléia Legislativa, querendo condições de trabalho para sustentar nossas famílias, enquanto eles querendo a terra, também para comer e sustentar os seus filhos. É nosso desejo que – nesta circunstância absolutamente atípica – se possa tentar inaugurar um novo momento entre os servidores públicos militares do Maranhão e as organizações sociais do campo e da cidade.

    Achamos importante dar este exemplo para o Brasil, mostrando o verdadeiro valor do nosso povo, a grandeza da nossa gente e gritando bem alto que hoje, no Maranhão, não se consente mais esperar!

    São Luís, 29 de novembro de 2011

    Associação dos Servidores Públicos Militares do Maranhão


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 4 de novembro de 2011

    Nota de solidariedade ao deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL-RJ)

    É com muita indignação que o PSTU acompanha a viagem forçada à Europa do deputado Marcelo Freixo. Após receber sucessivas ameaças de morte e não poder contar com o poder público para garantir sua proteção e de sua família, o deputado viu-se obrigado a aceitar o convite da Anistia Internacional e refugiar-se longe daqui para acumular forças e reorganizar seu esquema de segurança. Apenas em outubro foram descobertos sete planos das milícias para colocar fim a vida de Marcelo.

    Em 2008 o deputado presidiu na Assembleia Legislativa a “CPI das Milícias”, na qual indiciou mais de 200 pessoas, entre elas policiais, políticos e bandidos de todo tipo. Mesmo após a comprovação da veracidade das ameaças, a Secretaria de Segurança nada fez para reforçar a segurança do parlamentar, apesar dos apelos reiterados de Freixo. Para agravar ainda mais a situação, os milicianos que fizeram as ameaças fugiram da prisão e estão livres para executar seu plano maligno.

    A rede de influências e a trama na qual está inserido o deputado é de extrema complexidade. Não se trata simplesmente de uma luta do poder público, ou do “Estado democrático de direito”, contra grupos armados independentes, que aterrorizam a nossa cidade. Se assim fosse, a solução seria mais fácil. O problema é que as milícias estão por fora, mas, sobretudo, por dentro do aparato de Estado. Elas são impulsionadas pelos baixíssimos salários dos policiais e incentivadas por políticos ligados a setores marginais da burguesia carioca.

    Não se trata de um problema isolado ou de ordem pessoal do deputado. O Rio de Janeiro vem passando por uma reforma de higienização e de criminalização da pobreza. As remoções de comunidades carentes como a da Favela do Metrô, estão a serviço de um plano de obras para favorecer grandes empreiteiras como a Delta e Odebrech.

    Atrás de toda a festa entorno da Copa do Mundo e das Olimpíadas existe uma política de repressão contra os pobres e um farto banquete para os ricos. Enquanto os bombeiros, profissionais da educação e o pessoal da saúde recebem um salário indigno e humilhante, o senhor governador Sérgio Cabral viaja de helicóptero para se confraternizar com seu amigo Eike Batista.

    O que está em jogo é mais do que a vida individual do valente deputado. O que está em jogo é o futuro da esquerda, dos lutadores sociais, de cada militante que não se intimida e nem abaixa a sua bandeira.

    A cidade do Rio de Janeiro precisa de uma alternativa frente à política opressora, exploradora e racista de Cabral e Paes. O PSTU chama a construção de uma Frente de Esquerda Classista e Socialista para as eleições municipais de 2012. Aqueles que lutam juntos nas ruas, também devem se unir nessas eleições. Essa frente deve ser encabeçada pelo deputado do PSOL Marcelo Freixo, e composta também pelo PSTU e PCB, respeitando seus respectivos lastros sociais.

    Em nada fortalece a esquerda e o combate aos ricos e poderosos a aliança com partidos inimigos como o PV de Gabeira, Zequinha Sarney, Sirkis e companhia. No entanto, foi essa a decisão do Congresso Estadual do PSOL, que infelizmente foi levada adiante por Marcelo Freixo em suas conversas com Gabeira.

    Para quem não se lembra, o PV esteve na gestão César Maia (DEM), que promoveu a mesma política de higienização social e perseguição aos trabalhadores camelôs.

    A militância do PSOL pode contar com o PSTU para seguir na luta pela Frente de Esquerda sem PV e sem patrões.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

    Lula chama sindicalistas de ‘oportunistas’ e Dilma mantém mínimo sem reajuste

    Acordo assinado entre governo e centrais como CUT e Força Sindical vai deixar salário mínimo sem aumento em 2011


    Agência Brasil
    Estudantes protestam em Brasília contra aumento dos deputados
    Do Senegal, Lula mandou seu recado aos dirigentes das centrais sindicais envolvidas nas negociações do valor do salário mínimo com o governo Dilma. Foi durante o Fórum Social Mundial, realizado este ano na cidade de Dacar. Acusando os sindicalistas de quererem romper o acordo estabelecido com o seu governo em 2007, o ex-presidente chegou a chamar os sindicalistas de “oportunistas”. ”Ou você tem uma regra e todo mundo fica tranqüilo, ou você fica com o oportunismo, declarou à imprensa.

    Mesmo longe, do Brasil e da presidência, Lula indica que não abandonará a política e que continuará dando o rumo do novo governo. Neste caso, tenta defender o que seria uma das principais realizações de seu mandato, ou segundo as palavras do governo, a “política de valorização do salário mínimo”. Ou seja, o acordo estabelecido entre governo e as centrais sindicais como CUT e Força Sindical em 2007, segundo o qual o salário mínimo teria um reajuste anual baseado na inflação do período e no crescimento do PIB de dois anos antes.


    Centrais validaram aumento zero

    Longe de permitir uma real valorização do salário no que se refere às necessidades de uma família, por exemplo, essa regra tem o objetivo de “amarrar” o debate sobre o mínimo, vinculando seu reajuste ao crescimento da economia e impedindo que ele tenha um aumento significativo. A lógica é fazer com que o valor do salário acompanhe o incremento nos lucros das empresas e na arrecadação do governo. Ou seja, não permite que a proporção do orçamento paga aos salários aumente.

    O aspecto mais perverso desse acordo, porém, é o que estamos vendo agora. Se em 2009 e 2010 houve um aumento real, ainda que irrisório, a regra aplicada em 2011 não prevê qualquer reajuste, já que o PIB em 2009 recuou 0,6%, resultado da crise econômica que pegou o país em cheio no final do ano anterior. Isso faz com que cheguemos a essa esdrúxula situação: enquanto a economia do país cresceu de 7% a 8% no ano passado, o salário mínimo não vai ter nenhum reajuste real. E o pior, isso baseado num acordo com a assinatura das principais centrais sindicais do país, como lembrou Lula em Dacar: "Seria prudente que os nossos companheiros soubessem que a proposta foi combinada entre todos nós".


    Negociação

    No início do ano, governo e representantes da CUT, Força Sindical, CTB e demais entidades próximas do poder, chegaram a encenar um arremedo de negociação. O Secretário-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, afirmou que o máximo que seria possível conceder seria R$ 545, um arredondamento da reposição da inflação de 2010, ou R$ 543. As centrais pediram R$ 580, mostrando claramente ser um blefe, já que pouco depois afirmaram aceitar um valor bem abaixo disso, que poderia ser até um adiantamento do reajuste do ano que vem.

    A declaração de Lula, porém, azedou a discussão entre governo e sindicalistas. O dirigente da CTB, Wagner Gomes respondeu ao ex-presidente em entrevista à imprensa. “Ajudamos quando ele estava no governo e ajudamos a eleger a candidata dele à presidência; ele perdeu uma ótima oportunidade de ficar calado” , afirmou, lembrando que, durante as eleições quando Serra havia prometido aumentar o mínimo para R$ 600, Lula e Dilma anunciaram em comício em São Miguel Paulista que o salário mínimo teria aumento real. ”Portanto, os oportunistas foram eles e não nós”, declarou. Realmente, difícil perceber quem é o mais oportunista nessa história.

    No meio dessa briga, o recém-reeleito presidente do Senado José Sarney declarou seu apoio ao mínimo de R$ 545. Mostrando sua preocupação com o bem-estar dos trabalhadores, o decano do Congresso afirmou que “não podemos arbitrar um valor sem condições orçamentárias. Se desestabilizarmos a economia isso repercutirá de imediato na classe trabalhadora” . Só mesmo uma cara de pau treinada durante três décadas poderia proferir tal frase em nem mesmo corar.

    O Congresso acaba de aprovar um aumento nos salários dos parlamentares de 62%, ou R$ 10 mil no caso dos deputados. Um reajuste que representará um impacto de R$ 860 milhões às contas públicas, chegando a R$ 1,8 bi com o efeito em cascata nos estados. Nenhum parlamentar se preocupou com qualquer “desestabilização” da economia que esse aumento poderia provocar.

    Fato é que, enquanto parlamentares terão um aumento exorbitante, o trabalhador que recebe o mínimo não terá qualquer reajuste. Isso num momento em que a inflação dos alimentos corrói o poder de compra, especialmente de quem ganha menos. Segundo cálculo do Dieese, quem recebe o mínimo teria que trabalhar o equivalente a 86 horas para comprar uma cesta básica em janeiro de 2010. Em 2011, seriam necessárias 95 horas.


    Não em nosso nome

    ”Nós não assinamos esse acordo rebaixado, não é verdade dizer que é um acordo com os sindicatos ou os trabalhadores, esse é um acordo entre o governo e as próprias centrais governistas”, afirma Atnágoras Lopes, dirigente da CSP-Conlutas. A central organiza, junto com outros setores como a Cobap (entidade que representa os aposentados), Fórum Sindical dos Trabalhadores e demais organizações um ato público no próximo dia 24 de fevereiro, no Congresso Nacional.

    “Vamos lá defender que o salário mínimo ao menos tenha o mesmo aumento que tiveram os deputados, ou seja, de 62%”, afirma o dirigente.


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 20 de agosto de 2009

    Lula manda e o PT salva Sarney

    Presidente comanda o acordão no Senado

    DA REDAÇÃO DO OPINIÃO SOCIALISTA

    Lula selou o acordão para pôr fim à crise política que há meses estremece o Senado. Partiu dele a ordem para os senadores do PT salvarem Sarney votando pelo arquivamento definitivo das denúncias contra o presidente do Senado. O PT foi fundamental para que o Conselho de Ética tenha aprovado, na tarde desse dia 19, o engavetamento das denúncias.

    Segundo a Folha de S. Paulo, uma reunião convocada por Lula horas antes da sessão do Conselho de Ética foi o determinante por “centralizar” os senadores petistas e fechar o voto do partido em favor de Sarney. A bancada vivia um dilema. Ideli Salvatti (PT-SC) e Delcídio Amaral (PT-MS) são candidatos ao governo de seus estados e não queriam se indispor com os eleitores.

    Da mesma forma, o então líder do PT, Aloizio Mercadante (PT-SP) é candidato à reeleição e temia o desgaste que adotar uma posição pró-Sarney poderia provocar. O único senador do PT no Conselho de Ética disposto a votar em defesa do presidente do Senado era João Pedro (PT-AM), suplente e amigo de Lula. Mas não tinha jeito. O governo já havia assumido o acordão com a oposição de direita: o arquivamento das denúncias contra Sarney em troca do fim das denúncias contra o líder tucano Arthur Virgílio (PSDB-AM).

    O arquivamento das 11 denúncias contra Sarney venceu por 9 votos a 6. Na verdade, tratava-se já dos recursos contra o arquivamento dos pedidos de investigação. PSDB e DEM ensaiaram um discurso indignado, mas não deu para esconder o acordão. Momentos depois da absolvição de Sarney, o Conselho de Ética aprovou também o arquivamento da denúncia contra Virgílio. Nem mesmo o PMDB, que protocolou a denúncia, aprovou seu desarquivamento. 



    Crise no PT 

    Para poder amenizar o desgaste da votação, Ideli Salvatti pediu para o presidente da sigla, Berzoini, assinar uma nota “orientando” a bancada a votar em defesa de Sarney. Mercadante, porém, que defendia o desarquivamento de pelo menos uma denúncia, negou-se a ler publicamente a nota.

    O senador Delcídio Amaral deu uma bronca pública em Mercadante em seu “twitter”. “Coisa feia @Mercadante. Pela manhã assumiu, junto aos sen. João Pedro, Ideli que iria ler carta do pres. Berzoini (junto). Na coletiva negou”, escreveu Delcídio.

    A decisão de Lula centralizar os senadores do PT, passando por cima dos interesses eleitorais individuais dos parlamentares, abriu uma grave crise no partido. Após profundo desgaste na bancada, Mercadante resolveu deixar a liderança do partido. Já o senador Flávio Arns (PT –PR) anunciou sua saída do partido, após ter afirmado sentir “vergonha” de ser do PT.

    Arns, porém, esbanjou elogios ao senador Arthur Virgílio e negocia sua filiação ao PSC.



    Fora Sarney 

    O movimento pelo “Fora Sarney” cresceu nas ruas a partir da primeira onda de arquivamentos das denúncias. Pesquisa indica que 78% dos brasileiros defendem a saída do senador. Agora, com o acordão consolidado, a indignação deve levar ainda mais pessoas às manifestações.

    Ocorre uma convocação para uma onda de protestos pelo “Fora Sarney” para o próximo dia 22, sábado, a exemplo do que ocorreu no dia 15. 



    Retirado do Site do PSTU 


    No dia 27, estarei presente representando a Conlutas numa atividade chamando o "Fora Sarney" em conjunto com o Movimento Estudantil, a ANEL e SINTEST/RN.

    quarta-feira, 19 de agosto de 2009

    Em Natal/RN, mais de 1.000 trabalhadores vão às ruas no Dia Nacional de Lutas

    Além de realizarem paralisações importantes em diversas categorias, trabalhadores e camponeses praticamente pararam o centro da cidade na última sexta-feira.

    As atividades do Dia Nacional de Lutas e Paralisações movimentaram a capital potiguar durante todo o dia 14 de agosto. Foi uma atividade superior à unidade construída no último dia 30 de março e não se resumiu apenas a um ato público e mobilizações. Diversas categorias paralisaram suas atividades parcialmente (técnicos universitários, trabalhadores dos correios, previdenciários, etc.), o que demonstra que é possível dar início à construção de um movimento mais ousado e radicalizado dos trabalhadores, em contraposição às demissões, aos efeitos da crise econômica e às políticas neoliberais dos governos.

    A unificação de praticamente todas as centrais (Conlutas, Intersindical, CTB, NCST e Força Sindical), dos partidos, sindicatos e outras organizações do movimento operário com o MST (entidade que jogou muito peso, organizando cerca de 500 camponeses na construção das atividades) e movimentos populares, potencializou ainda mais a força dos protestos. Além disso, a aliança operário-estudantil esteve presente, com a participação da ANEL (Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre!), da Juventude do PSTU e de outros agrupamentos do movimento estudantil, o que garantiu mais vigor, agitação e palavras de ordem às atividades.



    Bancários fazem greve parcial e lançam Campanha Salarial da categoria

    Dentre todas as paralisações ocorridas no último dia 14, a que mais se destacou foi a greve parcial promovida pelo Sindicato dos Bancários/RN (filiado à Conlutas). Duas agências bancárias, uma do Banco do Brasil e outra da Caixa Econômica Federal, tiveram suas atividades paralisadas por uma hora. Por ser tratar de uma categoria extremamente explorada e que lida diretamente com o setor financeiro – o que mais lucra no país mesmo em tempos de crise econômica –, essas paralisações têm um significado importante, pois mostra que esses trabalhadores não estão dispostos a pagar pela crise e começam a se movimentar para a Campanha Salarial que se avizinha.

    Além das paralisações, o dia 14 de março também foi marcado pelo lançamento da Campanha Salarial da categoria, que aderiu à atividade e se manifestou em praticamente todos os locais de trabalho. Sob orientação do MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária, ligado à Conlutas), os bancários elegeram o dia 14/08 como o “Dia do Preto” e em todas as agências bancárias de Natal era impossível não ver os trabalhadores “de luto”, contra os efeitos da crise e as medidas pró-banqueiro do Governo Lula.


    Sem-terra tomam conta de Natal e reforçam a união entre os trabalhadores do campo e da cidade

    A participação do MST nas atividades do Dia Nacional de Lutas deu uma grande visibilidade às manifestações ocorridas no dia 14. Durante a manhã, os trabalhadores sem-terra realizaram uma ocupação no edifício-sede do INSS em Natal, em solidariedade aos trabalhadores previdenciários que se encontram em greve de fome, devido ao corte unilateral de até 84% em verbas salariais já garantidas judicialmente, promovido pelo Governo Lula.

    No ato político unificado ocorrido à tarde, as numerosas caravanas dos trabalhadores sem-terra tiveram um papel importante para garantir o peso das manifestações realizadas ruas de Natal. Das 14h às 17h, o centro da capital potiguar ficou praticamente paralisado, com mais de 1.000 pessoas – entre trabalhadores, camponeses e estudantes – ocupando a Av. Rio Branco, uma das principais vias do centro da cidade.

    O tamanho da participação do MST no Dia Nacional de Lutas expressa uma contradição que hoje esse movimento vive. Pressionada pela sua base, que já começa a entender a necessidade de avançar na luta não somente contra o agro-negócio e o imperialismo, mas também contra o Governo Lula, a direção do MST sente a necessidade de ir mais à esquerda. Mesmo sem se enfrentar diretamente com Lula, uma dirigente camponesa, durante sua intervenção, questionou a remessa de recursos para salvar os banqueiros e especuladores da bancarrota e criticou duramente a política assistencialista de Bolsa Família, que caracterizou como uma “miséria”, enquanto os capitalistas continuam com todo apoio do governo para seguir lucrando. Esta é uma sinalização importante, que mostra que é possível, através da unidade entre o campo e a cidade, fazer com que os trabalhadores sigam avançando.



    Vergonha: CUT e UNE... Ausentes!

    A decepção ficou por conta das governistas CUT e UNE. As duas entidades participaram apenas da primeira reunião de organização das atividades e depois simplesmente sumiram da construção do Dia Unificado, sem qualquer justificativa. Não bastasse a opção deliberada dessas duas organizações de defender cegamente o Governo Lula, a CUT e a UNE optam por boicotar todas as iniciativas da classe que possam sequer apontar para uma maior organização dos trabalhadores.

    Praticamente todas as organizações, inclusive as que também se reivindicam governistas, criticaram a ausência dessas entidades, que jamais poderiam se ausentar da luta.

    A Conlutas e a ANEL (Assembléia Nacional dos Estudantes – Livre!) se fizeram presentes na construção do Dia Nacional de Lutas e Paralisações do início ao fim e cumpriram um papel de destaque tanto nas paralisações como no próprio ato realizado no centro de Natal, onde era visível a presença massiva dessas duas organizações. Além disso, aproveitaram a oportunidade para demarcar muito claramente quem se encontra na trincheira das lutas da classe trabalhadora e quem já não faz mais questão de ocultar sua própria peleguice.


    A vitória do Dia Unificado não escondeu as polêmicas

    É incontestável que pelo tamanho, pela visibilidade e pela importância que tem a unidade dos trabalhadores em luta, o Dia Nacional e Lutas e Paralisações pode ser considerado como muito progressivo. Entretanto, mesmo tendo sido construído unificadamente, o Dia Nacional de Lutas e paralisações também foi palco das diferenças entre as forças presentes, que – da ultra-esquerda até o mais assumido reformismo – expuseram suas posições.

    O debate sobre a relação do movimento com o Governo Lula e a necessidade de derrubar Sarney e acabar com o Senado se destacou e essas questões foram abordadas por quase todos. O POR (Partido Operário Revolucionário), reforçou a necessidade de fazer oposição ao Governo Lula, por tudo que tem feito contra os trabalhadores. No entanto, criticou a exigência para que Lula garanta estabilidade no emprego e redução de jornada sem redução de salário, alegando que esta é uma reivindicação “reformista”, que “reforça o capitalismo” por não “apontar uma saída para o socialismo através da mobilização da classe”. Essa posição expressa o caráter confuso e sectário desse tipo de agrupamento, a ponto de negar elaborações trotskistas – a necessidade de um conjunto de reivindicações transitórias que dialoguem com a consciência dos trabalhadores e faça a ligação com as reivindicações históricas da classe para melhorar suas condições de vida e elevar o seu nível de consciência até a luta pelo poder – que eles mesmos dizem reivindicar.

    Exigir de Lula uma medida dessa natureza, além de trazer para o debate as reivindicações transitórias (escala móvel de salário e jornada de trabalho), significa dialogar com a classe, ajudando a tirar a venda dos olhos dos trabalhadores que em sua maioria ainda alimentam esperanças no Governo. Reivindicar isso não significa alimentar esperanças em Lula, pelo contrário. Lula não atenderá essas reivindicações, exceto se os trabalhadores arrancarem tudo isso através da ação direta, contudo, os trabalhadores não podem partir para o confronto sem romperem com ele. Essa postura do POR é uma marca da sua já conhecida posição revisionista frente ao trotskismo, que o leva de um extremo a outro em poucos segundos: por vezes propondo tarefas que os trabalhadores não podem cumprir, e outras, reivindicando a construção de organizações completamente falidas para a luta dos trabalhadores, como a CUT. Essa confusão entre o sectarismo e o oportunismo fez inclusive com que esses companheiros utilizassem a palavra para criticar o colaboracionismo e a ausência a CUT na atividade sem, no entanto, se pronunciar enquanto parte da própria CUT.

    Já pelo lado reformista, a CTB, a NCST e seus sindicatos, apenas fizeram alusão às eleições de 2010, pois devido à radicalidade das atividades, que terminaram abraçando em sua maioria as palavras de ordem contra o Governo e pelo “Fora Sarney!”, ficaram pouco à vontade para fazê-lo com mais ênfase. Defenderam timidamente o Governo Lula, afirmando que não poderíamos dar chance para um possível “retorno da direita” e também secundarizaram a crise política no Senado, dizendo que o movimento teria “outras coisas mais urgentes para se preocupar”.

    Isso mostra que essas entidades seguem junto com o governo, mas estão muito pouco à vontade diante da crise política no Senado. Lula e o PT arregimentaram uma “tropa de choque” para defender Sarney, pois sabem que deixá-lo cair significa perder o apoio do PMDB para as eleições de 2010. Por isso, as centrais que ainda defendem o Governo já sentem o peso de ter que defender Sarney para não prejudicar o projeto político de Lula, ao mesmo tempo em que precisam dar respostas aos trabalhadores, que pedem a cabeça do presidente do Senado.


    PSTU aponta Lula como responsável pelas demissões, denuncia a corrupção e conclama intensificar as lutas

    Durante as intervenções da Conlutas, ANEL e do PSTU, ficou claro que Lula é o responsável direto pelos efeitos devastadores da crise econômica sobre as costas da classe trabalhadora. Apesar de no discurso dizer que está ao lado dos trabalhadores, a política de Lula sempre foi “para os capitalistas, ajuda irrestrita” e “para os trabalhadores, apenas palavras”. Isso ficou visível quando fez a opção de salvar o lucro dos empresários com socorro estatal e redução de impostos, ao mesmo tempo em que não tomou uma medida sequer em defesa dos empregos dos trabalhadores.



    A corrupção e a crise no Senado – que acabaram se transformando no mote do ato público – também foram denunciados. Dário Barbosa, falando pelo PSTU, defendeu claramente a saída de Sarney, o fim do Senado para dar lugar a uma câmara única com mandatos revogáveis a qualquer momento e a prisão com confisco de bens de todos os corruptos e corruptores: “O Senado é uma câmara completamente corrupta e que não serve de outra coisa senão para atender os interesses e encher os bolsos dos senadores, de seus apadrinhados e financiadores de campanha, tudo com dinheiro público. Mas não adianta simplesmente retirar José Sarney, pois isto não resolve o problema. No Senado, todos fazem parte de um mesmo esquema e Sarney é apenas o chefe da quadrilha. É preciso acabar de vez com o Senado, criando uma câmara única com mandatos revogáveis. Mas isso só será possível através da luta dos trabalhadores.”.

    Dário também reforçou a necessidade de dar continuidade às lutas e intensificar as mobilizações, rumo a um Dia de Paralisações Unificado que possa reunir ainda mais forças para enfrentar os patrões e os governos: “Todo este esforço, toda esta unidade que construímos não pode terminar aqui. Para enfrentar e impor temor nos patrões quando eles pensarem em nos atacar, é preciso fazer com que eles sintam nossa força. Precisamos sair desde dia 14 com um indicativo de preparação para um Dia de Paralisações, pois somente dando continuidade e intensificando as lutas é que podemos vencer.”, concluiu.