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quarta-feira, 6 de março de 2013

Manifestações exigem punição do goleiro Bruno

Movimentos reivindicam ainda a aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha para todos os agressores de mulheres




PSTU e MML participam de protesto em frente ao julgamento do goleiro Bruno
Dois anos e meio após o assassinato de Eliza Samudio, começa o julgamento do goleiro Bruno Fernandes, principal suspeito de orquestrar a morte e ocultar o cadáver de sua ex-namorada. Nesta segunda-feira, 4 de março, em frente ao Fórum de Contagem (MG), aproximadamente 100 pessoas protestaram pela punição do goleiro. O PSTU, o Movimento Mulheres em Luta (MML), a CSP-Conlutas, sindicatos e o Movimento Organizado de Combate à Homofobia de Contagem (MOOCAH) estiveram presentes e exigiram a prisão de Bruno, dos envolvidos no crime e de todos os agressores de mulheres.

O júri popular foi formado por cinco mulheres e dois homens, e a previsão de duração do julgamento é de cinco dias, podendo assim chegar a uma sentença no simbólico 8 de março, dia Internacional de Luta da mulher trabalhadora. A punição severa do goleiro Bruno, portanto, teria um importante significado no combate à violência contra a mulher.

Bruno será julgado pelos crimes de homicídio triplamente qualificado, sequestro e cárcere privado de Eliza Samudio, e a pena máxima, segundo alguns juristas, pode ser de até 45 anos de prisão. A sua ex-mulher, Dayanne do Carmo, também será julgada por este mesmo júri pelos crimes de sequestro e cárcere privado do filho de Elisa e Bruno. Até o momento, foram julgados Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, braço direito do goleiro que teve a sentença de 15 anos julgada em novembro do ano passado. No mesmo julgamento, Fernanda Gomes, então namorada do goleiro, foi condenada a cinco anos de prisão em regime semi-aberto por seqüestro e cárcere privado de Eliza e do seu filho. O ex-policial que também está envolvido neste crime brutal, acusado de ser o executor de Eliza a mando de Bruno, será julgado no próximo mês, com data prevista para 22 de abril.


Um crime anunciado

O caso de Eliza Samudio teve grande repercussão, principalmente, por envolver uma estrela do futebol brasileiro. No entanto, a história de Eliza se repete cotidianamente na vida de milhares de mulheres que sofrem com a violência doméstica e o desamparo do Estado e seus governos.

Antes do assassinato, em outubro de 2009, Eliza havia recorrido à Delegacia de Atendimento à Mulher e denunciado o goleiro por agressão e ameaça de morte. De acordo com a ocorrência, Bruno sequestrou Eliza grávida de 5 meses, ameaçou-a de morte, agrediu-a fisicamente e apontou uma arma para a sua cabeça. O seu ex namorado queria obrigá-la a realizar um aborto. Mesmo sob ameaça de morte, Eliza teve coragem e denunciou o agressor. No entanto, nada aconteceu. Bruno não foi preso e seguiu confiante para levar a violência até as últimas conseqüências.

Assim como milhares de histórias de mulheres vítimas da violência, a história de Bruno e Eliza teve um crescimento gradual e poderia ter sido interrompida antes de uma tragédia maior. No entanto, mesmo com a Lei Maria da Penha que deveria garantir a proteção de mulheres, vítimas ou ameaçadas de violência, e a punição exemplar de seus agressores, Eliza Samudio foi assassinada e muitas outras mulheres também.

A conquista de uma lei própria que puna crimes contra a violência à mulher, infelizmente, diante das inúmeras falhas na sua aplicação, tem apresentado significativos limites no combate à violência contra mulher.

O orçamento limitado, seguido de sucessivos cortes do Governo Dilma (de 2009 a 2011, o investimento sofreu uma redução de praticamente 50%) é um dos principais obstáculos para a aplicação da Lei Maria da Penha. Sem recursos, falta estrutura para o atendimento às vitimas, como delegacias especializadas, centros de referência e casas abrigo com pessoal capacitado; faltam juizados e varas especializadas com defensores públicos à disposição das vítimas, e falta celeridade no julgamento dos casos de violência e a aplicação em tempo hábil de medidas protetivas que garantam em muitos casos a própria vida das mulheres. Em outras palavras, a Lei não sai do papel e a violência contra as mulheres continua aumentando. Entre 1980 e 2010, por exemplo, segundo o Mapa da Violência 2012 da ONU, 92 mil mulheres foram assassinadas no Brasil. Quase a metade só na última década.

“Assim como Eliza, outras mulheres procuram o apoio e ajuda da justiça quando sofrem ameaças de agressão ou após uma agressão, mas acabam sofrendo novas violências ou acabam assassinadas. É preciso a aplicação e a ampliação da Lei Maria da Penha, com os recursos necessários para isso”, afirma Mariah Mello, da secretaria de Mulheres do PSTU durante o ato pela punição do goleiro Bruno.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Rio de Janeiro: Governo Cabral quer destruir todo o complexo esportivo e cultural do Maracanã

Em defesa da Aldeia Maracanã e do Estádio de Atletismo Célio de Barros




Viral do PSTU nas redes sociais em defesa do complexo esportivo e cultural do Maracanã
Os cerca de 3 bilhões de lucro que esperam os empresários com a privatização do Maracanã estão pressionando nosso ditador Cabral a ousar na repressão à população carioca e fluminense. O governo quer destruir um prédio histórico de relevante importância para preservação da cultura indígena, uma escola pública considerada modelo, um complexo esportivo fundamental para os atletas e a comunidade do bairro que o utiliza para atividades esportivas, a fim de supostamente atender as exigências da Fifa. Tudo isso acontece com apoio de Eduardo Paes e Dilma, omissos diante do sofrimento dos trabalhadores que perderam seus empregos, dos alunos que perderam sua escola, e dos atletas que não têm mais lugar onde treinar.

Esse fim de semana foi de muita luta nos entornos do Maracanã. Professores, atletas, ex-atletas, movimentos populares e indígenas estiveram presentes nos locais ameaçados de destruição, protestando contra mais um absurdo do governo do estado. Estivemos lado a lado de centenas de ativistas na defesa da Aldeia Maracanã, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e de todos os atingidos pela venda do patrimônio histórico, imaterial e não dimensionável do futebol do Rio e do mundo.

Não podemos deixar que o Rio de Janeiro se transforme numa marionete que os seus dirigentes movimentam como quiser. A luta continua e tem que ampliar essa semana. Completa-se um ano da brutal desocupação do Pinheirinho e os trabalhadores seguem sendo massacrados, seja na periferia de SP por Alckmin, seja nas favelas e ocupações por Cabral.

A realização de grandes eventos em nosso país tem que servir para o desenvolvimento social do país e não para enriquecer os já bilionários megaespeculadores.


  • Não à demolição da Aldeia Maracanã, do Célio de Barros, do Julio Delamare e da Escola Friedenreich;
  • Pela reforma do prédio pelo governo e construção de um verdadeiro Museu do Índio na Aldeia Maracanã gerido pelos indígenas;
  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã e ruptura dos contratos com as empreiteiras envolvidas
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.


  • Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

    Um dos maiores estádios do mundo pode ser privatizado pelo governo de Sérgio Cabral

    O 'Maraca' é nosso! Contra a privatização e pela democratização do acesso à cultura
     

    Ato no dia 1° contra a privatização do Maracanã
    O futebol nem sempre foi um esporte popular. Ao contrário, sua origem foi extremamente aristocrática e racista, mas as massas trabalhadoras trataram de se apaixonar e tomar para si, o que mais tarde se tornaria um pilar da identidade nacional.

    Agora, os velhos senhores travestidos de modernidade e munidos de um discurso modernizador querem transformar em mercadoria a alegria do povo e privatizar o Maracanã.

    A reforma que está sendo feita no (ex) Maior do Mundo vai na contramão das tradições populares das arquibancadas. O maior público já recebido foi, aproximadamente, 200 mil pessoas na década de 1950, mas, após sucessivas reformas, a capacidade oficial hoje do estádio caiu para 78 mil. A antiga “Geral” foi extinta. O preço do ingresso subiu.

    Torna-se cada vez mais claro que os sucessivos governos estão insistentemente tentando elitizar mais uma vez o futebol. Mas como se tudo isso não bastasse, o governador Sérgio Cabral - apoiado pelo prefeito Eduardo Paes e presidenta Dilma - quer privatizar o Maracanã, entregando por 35 anos o templo do futebol ao arquibilionário Eike Batista.

    As condições que se darão a privatização, ou melhor, a doação são inacreditáveis: Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa). Enfim, o dinheiro recebido pelo estado não paga nem mesmo a reforma.

    A reforma prevê ainda a destruição do histórico Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros (ambos inaugurados na década de 70). Nomes do esporte olímpico como Maurren Magi (maior nome do atletismo feminino brasileiro e medalha de ouro em Pequim) e Mariana Brochado (nadadora) estão na campanha contra as demolições.

    Nem mesmo o antigo Museu do Índio, onde residem cerca de 60 indígenas, e a Escola Municipal Friedenreich vão escapar. Segundo as estatísticas do Ideb a E.M. Friedenreich é a quarta melhor escola da cidade e a sétima melhor de estado. O projeto de reforma do Maracanã também prevê demoli-los para construção de estacionamentos, shopping e até mesmo um heliporto para os altos dirigentes da FIFA e da CBF. Um escândalo!

    A união dos movimentos sociais pode virar esse jogo! A população não é boba e está percebendo que enquanto os empresários de ônibus e empreiteiros lucram uma enormidade, o povo trabalhador paga uma fortuna por um transporte de péssima qualidade e está perdendo o acesso à cultura, ao lazer, à saúde e à educação. Chega!

  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã;
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Em defesa do antigo Museu do Índio e da comunidade indígena que ali vivem;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.


  • Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 9 de maio de 2012

    A contrarreforma urbana no Brasil

    Associados ao capital imobiliário, governos ampliam despejos e aumentam a repressão, criminalizando a pobreza


    Em um país em que o mercado imobiliário vive um “boom”, grande parte dos trabalhadores não tem garantia ao básico direito de morar com dignidade. Oficialmente, o governo admite que o déficit habitacional ultrapasse 7,2 milhões de casas. Mas, segundo a Fundação João Pinheiro, existem 11 milhões de moradias inadequadas, sem ao menos um dos serviços básicos, como iluminação, água, esgoto ou coleta de lixo.

    A necessidade de uma reforma urbana é urgente no país. No entanto, o que se vê é justamente o contrário. Enquanto o setor imobiliário cresce como nunca, trabalhadores pobres sofrem com a brutal repressão do Estado, como no caso do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). Para defender os interesses do megaespeculador Naji Nahas, Alckmin mobilizou uma operação de guerra e promoveu um massacre.

    Mas o caso do Pinheirinho não é isolado. Uma contrareforma urbana, com aumento da “limpeza” social e da política de extermínio, está em curso no país. Associado ao capital imobiliário, os governos ampliam ações de despejos e aumentam a repressão, criminalizando a pobreza. Não se poupam medidas para satisfazer as necessidades dos empresários: flexibilizam leis, desrespeitam zoneamentos urbanos e passam por cima do Estatuto das Cidades.

    Os Jogos Olímpicos, a Copa do Mundo e as obras do PAC proporcionam vultosos lucros ao setor imobiliário. O “Minha Casa, Minha Vida”, longe de ser um programa social, também se tornou uma iniciativa econômica que atrai investimentos na construção civil.

    Não é de se estranhar que há uma crescente participação do capital estrangeiro no setor. Segundo a Câmara Brasileira da Indústria de Construção (CBIC), os investimentos estrangeiros na construção civil brasileira podem ultrapassar US$ 14 bilhões em 2012. Com a crise mundial, os estrangeiros perceberam que os megaeventos esportivos no Brasil são uma ótima oportunidade para recuperar suas taxas de lucro.


    A cidade no capitalismo

    As cidades são constantemente remodeladas para satisfazer a necessidade de realizar o valor das mercadorias produzidas dentro das fábricas. No sistema capitalista não basta apenas investir capital em máquinas, força de trabalho, matérias primas, etc. Também é preciso garantir sua circulação. Por isso, inúmeras intervenções urbanas como a construção de avenidas, trens, metrôs, viadutos, pontes, cabos, antenas e toda uma parafernália para viabilizar essa circulação marcam a paisagem urbana. E nada pode ficar no caminho dos capitalistas, nem um terreno ocupado por sem-tetos, ou atrasos na construção de vias, pois isso representaria graves prejuízos a seus negócios.

    No entanto, rapidamente, o capital financeiro buscou novas fontes de rentabilidade e investimentos lucrativos. A compra e venda de espaços urbanos se tornaram uma importante estratégia dos empresários para aumentar suas taxas de lucro. As cidades deixaram de ser apenas um “lugar de negócios” para também se converterem em um “poderoso negócio”, voltado à valorização do capital. Isso teve expressão no sistema financeiro, quando o mercado imobiliário acabou se tornando uma das vias mais férteis ao capital especulativo, como no exemplo da recente explosão da “bolha imobiliária” nos Estados Unidos.

    Todo esse processo explica a implementação de políticas de “revitalização”, comandadas pelo Estado burguês, em diversos países, desde os anos 1990. As chamadas “Operações Urbanas” têm por objetivo atrair capitais e valorizar espaços considerados “degradados”. Assim, bairros pobres, favelas e comunidades dão lugar a empreendimentos imobiliários que concentram riqueza e expulsam a população para as periferias.

    Essa é a razão de a “justiça” e de o governo tucano de São Paulo terem armado uma operação de guerra contra o Pinheirinho. Também explica as 164 ações de reintegração de posse expedidas pelo governo paulista. Ou ainda as razões de Alckmin e Kassab jogaram policiais contra os viciados da chamada “Cracolândia”, no bairro da Luz. O projeto Nova Luz é mais um plano de gaveta bancado, por grandes corporações, para supostamente “revitalizar” grandes centros. Foi desenvolvido por um consórcio formado pelas empresas Concremat Engenharia, Cia.City, Aecom Technology Corporation e pela Fundação Getúlio Vargas. Esse consórcio foi responsável pelo plano de reurbanização para as Olimpíadas de Londres deste ano e a requalificação da região central de Manchester, na Inglaterra.

    O servilismo dos governos é tão grande que a Prefeitura de São Paulo simplesmente ignora a lei. De forma inédita, deixou a cargo da concessionária privada a desapropriação dos terrenos, além do poder de compra e venda.


    Ofensiva do capital imobiliário

    Os jogos da Copa, em 2014, e Olímpicos, em 2016, no Rio de Janeiro, forneceram um excelente pretexto para a implementação da contrareforma urbana desencadeada pelos governos.

    Despejos arbitrários e remoção de comunidades inteiras em processos ilegais estão presentes em quase todas as grandes cidades. O Dossiê “Megaeventos e Violações de Direitos Humanos no Brasil”, produzido pelos Comitês Populares da Copa, aponta que entre 150 mil e 170 mil famílias já tiveram ou correm o risco de terem violados seus direitos à moradia adequada em razão dos jogos. No entanto, o número pode ser ainda maior, pois não há dados disponibilizados pelos governos.

    Uma enorme quantia de dinheiro está em jogo. As obras (e a corrupção que a acompanha) vão garantir lucro certo, pois o BNDES vai bancar 98,5% dos R$ 23 bilhões previstos para as obras da Copa, segundo o Tribunal de Contas da União. Para as Olímpiadas, o orçamento estimado é de quase
    R$ 30 bilhões.


    PSDB e PT: financiados pelo capital imobiliário

    A enorme especulação imobiliária age em conluio com os grandes partidos, que financiam suas campanhas. Basta ver que, em São Paulo, os maiores financiadores do PSDB foram as empresas da construção civil. Todas têm contratos com o Estado. Com o PT não é diferente. Só o governador baiano Jaques Wagner teve 40% de sua última campanha financiada por empreiteiras.

    A luta pelo direito à moradia deve se ampliar. O capital imobiliário e os governos já decidiram que a população pobre não tem direito a moradia. Para o movimento popular e sindical resta um único caminho. Organizar a resistência e derrotá-los.


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 30 de março de 2012

    Câmara dos Deputados aprova Lei Geral da Copa

    Lei garante toda a proteção e facilidades às multinacionais por trás da Fifa


    Ag Câmara
    Votação da Lei Geral da Copa
    Foi só o Governo Federal liberar alguns milhões em emendas parlamentares que finalmente foi aprovada na Câmara a Lei Geral da Copa (PL 2.330/2011), na noite desse 28 de março. A lei, que estabelece o arcabouço legal para a realização dos jogos em 2014, estava emperrada por conta da tal crise da base aliada, que ao final se mostrou mera jogada para liberação de parte das emendas retida pelo ajuste fiscal no início do ano.

    Apesar de a imprensa ter se dedicado quase que exclusivamente à polêmica sobre a venda de bebida alcoólica nos estádios, atualmente proibida pelo Estatuto do Torcedor mas uma das exigências da Fifa, esse é apenas um dos aspectos do conjunto de regras que valerão para os jogos.

    A polêmica sobre o álcool, que envolveu setores evangélicos, terminou com os deputados ‘lavando as mãos’ e jogando a questão para os estados. Os parlamentares, porém, suspenderam a proibição explícita hoje na lei. Na prática, a Fifa vai ter que negociar com os 12 estados-sedes a medida e, se o governo não editar uma Medida Provisória sobre o tema antes, os governadores vão evidentemente aceitar.

    No geral, a lei aprovada pela Câmara estabelece todas as facilidades, isenções e proteção aos negócios da Fifa. Para se ter uma ideia, o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) vai adotar um regime especial apenas para o licenciamento das marcas requeridos pela Federação e a sua proteção.

    Um dos pontos mais controversos da lei é a que estabelece a exclusividade comercial aos patrocinadores da Fifa nas imediações dos estádios, num raio de 2 quilômetros. Ou seja, nesse local não poderá ser comercializado e nem vai poder haver publicidade de nenhum tipo de produto que não seja autorizado pela Federação. Fica proibida até 'publicidade ostensiva em veículos automotores, estacionados ou circulando pelos Locais Oficiais de Competição, em suas principais vias de acesso’.

    Isso significa que nas imediações dos estádios e nas principais vias de acesso, lojas poderão ser fechadas, outdoors retirados e até mesmo carros com propaganda de algum produto de uma empresa que não seja patrocinadora da Copa, impedido de circular. Dá para imaginar a repressão que vai se abater contra o comércio informal e os camelôs, que já sofrem, em dias normais, uma perseguição brutal.


    Uma Copa para os ricos

    Reforçando a noção de que a Copa do Mundo é um evento quase exclusivo aos ricos, a lei estabelece que apenas 10% dos ingressos de jogos da seleção brasileira sejam os da categoria de menor preço (categoria 4, sendo que a mais cara é da categoria 1). Estimam-se que o valor dos ingressos da categoria 4 seja vendido por volta de R$ 50. Já os estudantes e idosos vão ter que se contentar com o desconto de 50% apenas para esses ingressos ‘para pobres’, que serão sorteados.

    Nos estádios, fica vedado ainda o uso de bandeiras ‘para fins que não o da manifestação festiva e amigável’. Manifestação de ordem política, por exemplo, contra as remoções provocadas pelas obras da Copa, com certeza não será vista de forma ‘amigável’ pela Fifa.

    Por falar em remoções, segundo a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, lares de 170 mil pessoas estão ameaçadas de remoção por causa das obras da Copa e das Olímpiadas. Aliado ao processo de especulação imobiliária dos últimos anos, isso agrava ainda mais o déficit habitacional no país. Enquanto isso, a Fifa e as multinacionais por trás da entidade tem todas as garantias de lucros, nem que para isso se tenha que decretar um estado de exceção temporário.


    LEIA MAIS

  • A queda de Ricardo Teixeira


  • Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 27 de março de 2012

    Torcida do Vasco dá aula de como combater o racismo

    Torcida vascaína protesta contra o racismo
    Na Europa, o agravamento da crise econômica tem levado a burguesia do velho continente a incitar o ódio contra a comunidade de imigrantes que vive neste continente, boa parte dela composta por negro(a)s provenientes do norte da África ou do mundo árabe. Para dividir nossa classe na luta contra os planos de austeridade e reverter a situação revolucionária a favor da burguesia, o imperialismo europeu reforça, conscientemente, a opressão racial no seio da classe trabalhadora.

    Uma ideologia nefasta, com forte penetração entre os trabalhadores dos países centrais, que pode ganhar parte do proletariado europeu a crer que uma das causas dessa crise são as ondas migratórias dos países periféricos em direção à Europa. E pior, pode inculcar na cabeça dos nossos irmãos e irmãs de classe que a superação da crise pode se dá através da adoção de leis xenófobas contrárias à migração. Neste sentido, a unidade entre trabalhadores imigrantes e europeus tornou-se uma questão chave para derrotar os planos da Troika. Sem essa unidade, não há saída do ponto de vista do proletariado, para superar a crise.

    Na ausência de uma alternativa revolucionária vitoriosa, a crise pode aumentar o ódio contra os imigrantes e negros, dando origem a novos governos burgueses conservadores ou abertamente de direita que chegam ao poder com um programa xenófobo.


    Racismo nas arquibancadas e dentro das quatro linhas

    Além disso, o racismo, enquanto uma ideologia que tem peso de massas (ora em repouso na cabeça de milhões, ora posta em movimento), não se restringe à eleição de governos ultraconservadores ou a mudanças no ordenamento jurídico. No esporte, onde o espírito de respeito, companheirismo e solidariedade deveria predominar em relação ao adversário, temos observado diversas manifestações racistas.

    Os estádios de futebol têm sido palco de atos racistas deploráveis, que vão desde bananas jogadas por torcedores em direção à jogadores negros até gestos e sons que lembram os macacos. Atirar bananas nos jogadores negros foi um fato constante no futebol europeu nas décadas de 1970 e 1980. O ato foi praticamente erradicado nos últimos anos, junto com os cânticos racistas, mas voltaram a ocorrer recentemente, desde o início da crise, com vários casos no futebol espanhol e italiano.

    São atitudes que humilham, desmoralizam, desestabilizam e, para usar a frase do zagueiro da seleção brasileira, Juan , “deixam sem chão” centenas de latinos e africanos que desfilam um belo futebol pelos gramados da Europa. Além do ex-jogador do Flamengo, passaram por situações como essa, Roberto Carlos, Roque Júnior e mais recentemente, Robinho e Neymar.


    E nos estádios da América Latina...

    Infelizmente, não é só na Europa que assistimos o aumento da escalada racista nos estádios de futebol. Parece que a onda preconceituosa ganhou eco aqui, do lado de cá do Atlântico. Na partida entre Vasco e Libertad pela Copa Libertadores da América, disputada em Assunción no Paraguai, Dedé e Renato Silva (zagueiros do Vasco) foram chamados de ‘macacos’ e cuspidos por torcedores do time paraguaio. Um ódio, transformado num ato de fúria e motivado, exclusivamente, pelo racismo.

    Tudo poderia ter terminado por aí, como na maioria das vezes, sem nenhuma punição, com muita indignação por parte do time do Vasco e as vítimas desmoralizadas, sentindo-se impotentes, principalmente o jovem e talentoso zagueiro Dedé. Mas, felizmente, não foi o que aconteceu.


    É possível uma outra postura nos estádios...

    Na semana seguinte, quando o juiz apitou o fim da partida de volta entre Vasco e Libertad, o placar de São Januário marcava 2 x 0 para os donos da casa. Jogo difícil, nervoso, truncado, cheio de emoções e com direito a uma obra de arte digna da técnica e maturidade de Juninho Pernambucano, que aos 37 anos ainda encanta. Ao final, sensação de dever cumprido, alívio e festa entre a torcida cruzmaltina.

    Fora do campo, antes de começar o jogo, parte da torcida do Vasco já tinha conseguido uma vitória daquelas, que não tem como ser mensurada e não fazia parte do novo placar de São Januário. Promoveram um ato belíssimo contra o racismo. Muitos torcedores pintaram metade da cara de negro e a outra de branco, simbolizando a luta pela igualdade racial. Várias faixas em São Januário diziam: Abaixo o Racismo! Dedé e Renato, estamos com você! Outras centenas de torcedores vestiram a camisa negra, uniforme especial que celebra a história do clube no combate ao racismo. Não me recordo de uma manifestação de massas contra o racismo numa partida de futebol. É uma prova que futebol e mobilização social podem caminhar juntos. É uma prova que bandeiras democráticas, como a questão da igualdade racial, são importantes e têm potencial para sensibilizar parcelas significativas da população.

    O ato em São Januário poderia ter sido maior e mais bonito, caso a diretoria do clube o tivesse impulsionado. Dinamite falou que apoiava. Mas, foi um apoio mais da boca pra fora. Sequer, teve a coragem de atender a campanha de parte da torcida, que utilizou as redes sociais exigindo que o time utilizasse, durante a partida, o uniforme "camisas negras". Preferiu seguir as "regras” da Comebol e usar os uniformes que já estavam inscritos.


    Com quem caminhar na luta contra o racismo?

    O que une uma torcida de futebol é a paixão pelo seu clube. A partir daí começam as inúmeras diferenças entre torcedores. Diferenças de gênero, raciais, de orientação sexual e de classe social. Numa torcida de um time grande, como a do Vasco, vamos encontrar milhões de machistas, homofóbicos, racistas, opressores, oprimidos e alguns milhares de exploradores (burgueses).

    A parte da torcida vascaína que empunhou a bandeira de luta contra a opressão racial está de parabéns! Agora, fica um alerta, principalmente para os milhões de vascaínos, flamenguistas, palmeirenses, corintianos e demais torcedores que moram nos bairros da periferia e que são negros: Na luta contra a opressão racial temos que ganhar todos os trabalhadores (brancos, negros, índios, asiáticos, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais), independente do time de coração, mas não podemos caminhar juntos com nossos inimigos de classe, com nossos exploradores, pois esses se beneficiam do racismo para dividir, explorar e derrotar nossa classe. Um vascaíno burguês, que tira proveito do racismo para pagar salários inferiores a uma operária negra da construção civil, também vascaína, nunca será um aliado na luta contra o racismo e o machismo.

    Muitas vezes, a torcida nos une. Algumas outras, a raça também. No entanto, a classe nos divide! Na maioria dos casos, é a torcida que nos divide, mas a classe que nos une. E como vivemos numa sociedade que se move pelos interesses de classe, qualquer ideologia que venha a conciliar trabalhadores e patrões, numa sociedade marcada pela exploração, ou dividir os trabalhadores, torna-se nefasta, reacionária. Jargões tipo, “Somos uma nação de mais de 30 milhões de rubro-negros” ou “somos um bando de 30 milhões de loucos por ti Corinthias!”, diluem o conceito de classes, iguala Andrés Sanchéz ao corintiano que mora em São Miguel Paulista e que dá um duro danado para ir ao Pacaembu.

    Neste sentido, a luta contra a opressão racial e pela construção de uma sociedade sem exploração e opressão se dar com a ampla unidade da classe trabalhadora, independente da torcida ( trabalhadores vascaínos e flamenguistas, palmeirenses e corintianos, gremistas e torcedores do inter, atleticanos e cruzeirenses, torcedores do Bahia e do Vitória, do Ceará e Fortaleza, Santa Cruz e Sport, Remo e Paysandu...).


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 14 de março de 2012

    A queda de Ricardo Teixeira, o ditador do futebol brasileiro

    Ag Brasil
    Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF
    Na manhã desta segunda-feira, 12 de março, foi anunciada a tão esperada renúncia de Ricardo Teixeira da presidência da CBF e do COL, o comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil. Não bastassem os escândalos e CPI's que o obscuro cartola coleciona desde 1989 - quando assumiu o controle da entidade - nos últimos tempos entrou em rota de colisão com o governo brasileiro, uma vez que a presidente Dilma percebeu que a sua imagem poderia ser arranhada, dada a contradição entre o desprestígio que o dirigente goza perante a sociedade e o fato de ele ser o responsável por organizar o principal evento a ser realizado no Brasil nos próximos anos.

    Em seu lugar, assume José Maria Marin, ex-governador biônico da época da ditadura militar, do qual temos como última notícia o momento no qual foi flagrado pelas câmeras da TV , guardando discretamente uma medalha no seu bolso, durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior no inicio do ano.


    A Ditadura de Teixeira

    Nos últimos vinte e três anos, o futebol brasileiro foi responsável pela revelação de jogadores do porte de Ronaldo, Rivaldo, Edmundo, passando por Ronaldinho Gaúcho e Robinho, chegando, mais recentemente, a Neymar e Ganso. Nesse período, esses jogadores, junto a tantos outros, ajudaram o Brasil a ganhar duas Copas do Mundo, inúmeras Copa América, enquanto eram considerados os melhores jogadores de futebol do mundo. Depois de tudo isso, sabe o que restou de legado para o futebol brasileiro? Absolutamente, nada! Hoje temos clubes falidos sobrevivendo às custas da Rede Globo e do Governo Federal; campeonatos estaduais que levam 10.000 pagantes para os clássicos, uma seleção brasileira que conseguiu o que parecia impensável há anos atras: não ser uma das principais favoritas para a conquista da próxima Copa do Mundo que, aliás, sera realizada aqui no Brasil. Isso sem falar na estrutura dos clubes brasileiros, amadora comparada a das principais equipes do mundo, o que fica claro quando vemos o melhor time brasileiro, o Santos, enfrentando o melhor time espanhol, o Barcelona, e levando um baile digno de profissionais contra amadores.

    A situação alarmante em que se encontra o futebol brasileiro não ocorre por acaso. Todo o lucro, sucesso e paixão que envolvem o esporte mais querido do Brasil vai parar na conta bancária de Ricardo Teixeira e de seus aliados, não restando um tostão para ser investido nos atletas e clubes, sem contar a situação de semiescravidão em que vivem boa parte dos jogadores de futebol espalhados pelos times pequenos do Brasil.

    Todo esse drama se desenrola sob o olhar complacente de todos os governos brasileiros entre 1989 e 2012, de Sarney a Lula, permanecendo assim com Dilma. Vale lembrar que o desgaste sofrido por Ricardo Teixeira em relação ao governo Dilma apenas se deu após ele ser considerado um criminoso por parte de toda a mídia esportiva internacional, e passar a ser alvo de protestos em várias capitais do pais, a partir do movimento “Fora Ricardo Teixeira”.


    O Movimento Fora Ricardo Teixeira e a queda

    Em 2011 surgiu um movimento inédito na história do futebol brasileiro, chamado 'Fora Ricardo Teixeira'. Foi a primeira vez que torcedores independentes, jornalistas, intelectuais e até mesmo as torcidas organizadas se uniram para travar uma batalha política pela defesa do futebol brasileiro e , principalmente, contra o saque das riquezas dos brasileiros sob a fachada da Copa do Mundo de 2014. Inclusive, em agosto desse mesmo ano foi aprovado pela Confederação Nacional das Torcidas Organizadas a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira”.

    O movimento se expressou pela internet e através de faixas em todos os principais estádios brasileiros clamando “Fora Ricardo Teixeira!”, no fechamento do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2011. Obviamente, a Rede Globo se esforçou para boicotar o movimento, optando por não mostrar a festa das torcidas, como é de praxe nos clássicos. Porém, essa atitude autoritária não conseguiu impedir a repercussão da manifestação mundo afora.

    É muito importante afirmar, portanto, que a mobilização dos torcedores foi fundamental para garantir o enfraquecimento do principal mandatário do futebol no país. E, claro, que contribuiu pra isso o conflito de interesses entre a CBF e o governo, quanto a quem seriam as empresas beneficiadas com os bilhões de dinheiro público que estão sendo usados em nome da Copa. Porém, um problema que poderia ter sido resolvido nos bastidores da política precisou vir à tona, devido à repercussão das manifestações nos estádios brasileiros e pela internet.


    O que esperar da CBF sem Teixeira

    A queda de Ricardo Teixeira é uma vitoria para todos os brasileiros, torcedores ou não de futebol, pois trata-se do enfraquecimento de um déspota que manipulava os bastidores do futebol e da política em beneficio próprio, às custas de muito dinheiro publico. Porém, se é verdade que vencemos essa batalha, estamos longe de termos ganhado a guerra.

    José Maria Marin, homem que assume a presidência da CBF, não bastasse ser amigo de Ricardo Teixeira, teve ao longo da vida como principal aliado político Paulo Maluf, desde os terríveis tempos da ditadura. Inclusive, de tão amigo da caserna, foi governador biônico do estado de São Paulo por quase um ano (escolhido pelos generais). Ou seja, não é o tipo de figura que mereça um milímetro da confiança dos trabalhadores brasileiros. Manterá o mesmo regime autoritário imposto pelo seu antecessor, alem de impor aos torcedores a dependência em relação a Rede Globo para poder acompanhar seus times, uma vez que é ela quem escolhe o formato do campeonato e o horário das partidas.


    A Mina de Ouro da Copa

    Ricardo Teixeira acumulava o comando da CBF com o comando do COL, órgão responsável pela gestão das obras e organização da Copa no país. Isso significa que o mesmo homem que está sendo acusado de evasão de divisas, suborno no âmbito da FIFA, favorecimento a familiares em contratos com a CBF e COL, era o responsável por controlar os bilhões envolvidos nas obras do evento.

    A Copa se anuncia como um dos maiores assaltos da história dos cofres públicos brasileiros, desviando verbas da educação, saúde e mesmo do estimulo aos atletas, para a construção de elefantes brancos, a fim de agradar as maiores empreiteiras do mundo. Ao contrário do que esperavam boa parte dos brasileiros quando do anúncio da realização da copa no Brasil, essa só tem se mostrado vantajosa para as empreiteiras e especuladores imobiliários.

    Assistimos, em janeiro, ao ataque da polícia do PSDB aos moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos, assim como temos notícias de que ate agora ocorreu a remoção de mais de 70.000 famílias em decorrência das obras para a copa. São José dos Campos está na rota das grandes obras para a Copa e as Olimpíadas, por conta da previsão de uma parada do trem bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Por isso, passa por um momento de supervalorização dos imóveis, expulsando os trabalhadores pobres para cada vez mais longe dos seus trabalhos e do centros da cidade. Ainda falando em centro da cidade, também não é coincidência a expulsão dos usuários de crack da região da Cracolândia, em São Paulo. Esse ataque também é parte da especulação imobiliária que visa tornar o centro de São Paulo livre dos pobres e miseráveis, de uma forma bastante lucrativa.

    Todas essas considerações devem vir acompanhadas de uma informação muito importante para todos os brasileiros: as mesmas empreiteiras que serão as únicas beneficiadas com a Copa do Mundo no Brasil, são as financiadoras das campanhas eleitorais tanto dos governos do PSDB, quanto dos governos Dilma e Lula. Sim, mais uma vez, não se trata de uma coincidência.


    Por uma Copa no Brasil para os brasileiros

    É muito importante que a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira” ganhe as ruas e siga recebendo o apoio dos torcedores e trabalhadores que não aceitam que o dinheiro que deveria ser investido em educação, na saúde e na infraestrutura das cidades, a fim de combater o caos urbano das grandes metrópoles brasileiras, seja entregue de bandeja para as construtoras erguerem estádios que não fazem a menor falta para os torcedores e trabalhadores do pais. Para isso, é importante que as torcidas organizadas deem visibilidade a essa campanha nos estádios Brasil a fora.

    Também é importante que o movimento avance para a democratização do controle do futebol no Brasil, a fim de que o torcedor seja não apenas um espectador, mas dite os rumos do esporte no país. Apenas assim será possível derrotar não só Ricardo Teixeira, mas toda essa política que rouba o futebol dos brasileiros.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 7 de março de 2012

    Lei Geral da Copa: cartão vermelho para a soberania

    Agência Brasil
    Comissão da Câmara discute projeto da Copa
    Ao aprovar o projeto de Lei Geral da Copa (2.330/11), em discussão no Congresso Nacional, o Brasil vai perder parte de sua soberania. A “Lei Geral da Copa” vai criar verdadeiras aberrações jurídicas. Uma vez estabelecida, vai passar por cima da legislação do país e impor “novas regras” jurídicas para proteger as empresas patrocinadoras da FIFA.

    Mas sua aprovação não vai se dar sem enormes contradições. Muitos aspectos da lei acabam, inclusive, desagradando muitos setores da burguesia. A demora na aprovação, por outro lado, tem produzido reações da FIFA. Na semana passada, o secretário geral da organização, Jérôme Valcke, disse que o país deveria levar “um ponta pé na bunda” para agilizar a aprovação da lei. A reação do governo veio em declarações do ministro dos Esportes, Aldo Rebelo, que pediu a FIFA a destituição de Valcke como interlocutor da federação.

    Mas a novela está longe de acabar. Nesta terça-feira, 6, o secretário geral pediu “desculpas” pela expressão, e disse ter sido mal interpretado por problemas de “tradução”. Por outro lado, apesar de toda bravata, o governo brasileiro vai manter uma reunião com Valcke para discutir o andamento das obras da Copa. Tudo indica que, apesar da enorme cortina de fumaça, o governo Dilma e Congresso Nacional vão aprovar todas as exigências da FIFA contidas na lei da Copa.


    O que está em discussão

    O objetivo da Lei da Copa é proteger os patrocinadores da FIFA e do Mundial do chamado "marketing de emboscada". Por isso prevê um combate implacável a qualquer tipo de comércio de produtos com a mais leve referência a um dos vários termos registrados pela federação, mesmo que seja uma simples inscrição "Copa do Mundo" numa banquinha de camelô ou anúncios de bares que pretendam transmitir os jogos.

    Muitas regiões urbanas, onde serão realizados jogos ou outras atividades da Copa, anúncios de empresas concorrentes das patrocinadoras do Mundial serão simplesmente proibidos. Alguns estabelecimentos poderão ter de fechar durante o torneio.

    A FIFA também quer restringir o direito de cobertura do evento pela imprensa para proteger as redes de TV proprietárias do direito de transmissão dos jogos. Assim, quem não tiver esses direitos poderá transmitir em apenas alguns segundos as imagens relacionadas ao mundial.

    Outra medida pra lá de controversa é o fim do direito à meia-entrada para estudantes e idosos, um flagrante desrespeito a legislação em vigor. Outra medida seria a liberação do comércio de bebidas alcoólicas nos estádios de futebol, banido no Brasil pelo Estatuto do Torcedor. Obviamente que a liberação da venda é apenas para a marca de cerveja patrocinadora da FIFA.


    Novas leis, novos tribunais

    A maioria dessas leis já foi aplicada na última Copa do Mundo da África do Sul. Para garantir sua implementação também foram criados “tribunais especiais”, ou seja, uma Justiça de Exceção para “julgar” as infrações contra a Lei da Copa. A criação desses “juizados especiais”, previstos pelo art. 37 do projeto, certamente vão criar verdadeiros absurdos. Em 2010, na África do Sul, um desses “juizados” condenou em apenas 24 horas dois africanos do Zimbábue que roubaram jornalistas. Eles foram condenados a 15 anos de prisão.


    Proibição de greves e ação contra ‘terrorismo’

    Um dos mais graves ataques aos trabalhadores está presente em outro Projeto Lei, o PL 728/2011, que prevê a punição ao crime de “terrorismo”, que não é tipificado no Código Penal brasileiro. No PL, terrorismo é definido como “o ato de provocar terror ou pânico generalizado mediante ofensa à integridade física ou privação da liberdade de pessoa, por motivo ideológico, religioso, político ou de preconceito racial, étnico ou xenófobo”. O projeto prevê penas de no mínimo 15 e no máximo 30 anos de reclusão.

    No entanto, pela forma como tipifica o crime, qualquer manifestação, protestos, coletivo ou individual, poderá ser qualificado como “terrorismo”. Neste sentido, chama a atenção outra medida contida no PL que prevê reduzir o direito à greve no Brasil nos serviços considerados “essenciais” à população durante a Copa, como a manutenção de portos e aeroportos, serviços de hotelaria e vigilância.

    O projeto obriga os sindicatos a avisar com 15 dias de antecedência sobre qualquer paralisação. Também obriga a manter ao menos 70% dos trabalhadores em atividade. Como se não bastasse, o governo estará autorizado a contratar trabalhadores substitutos para manter o atendimento. Ou seja, se aprovado, o projeto representa um duro golpe ao direito de greve. Um direito que foi conquistado pela heróica luta dos trabalhadores contra a ditadura.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

    Racismo no Futebol: só falta botar peruca de branco em jogador negro

    Vira e mexe a imprensa comercial burguesa mostra casos de racismo que acontecem principalmente contra jogadores negros, sobretudo na Europa. Mas, o que pouca gente percebe, é que essa mesma imprensa é uma das maiores disseminadoras do racismo no futebol brasileiro. Em suas transmissões as seleções africanas são sempre taxadas de ingênuas, irresponsáveis e violentas, quando na verdade o jogo mais violento da história das Copas envolveu duas seleções européias: Portugal e Holanda, em 2006 na Alemanha. O jogo terminou com 12 cartões amarelos e quatro vermelhos. Só que agora chegou a vez dos “cabelos negros”.

    Durante o campeonato brasileiro de 2011 quando o jogador Bruno Cortêz, na época no Botafogo, hoje no São Paulo, se destacava nacionalmente como um grande lateral, sendo inclusive convocado para a seleção brasileira, o programa Globo Esporte levou ao ar uma longa matéria que fazia mais referência preconceituosa ao cabelo estilo ‘Black Power’ do jogador do que ao seu talento nos campos.

    O mesmo ocorreu recentemente com o jogador William Barbio, que tem se destacado no Vasco. O que o Globo Esporte destacava pejorativamente era a sua “cabeleira” e não suas jogadas.

    No dia 20 de fevereiro, o mesmo Globo Esporte vinculou uma matéria sobre a vitória de 3 x 1 do Flamengo contra o Resende. O gol que selou a classificação do Flamengo para a semifinal da Taça Guanabara foi marcado pelo jovem atacante Negueba. Novamente a preocupação era mais em mostrar que o jogador havia tirado suas tranças do que falar do seu gol decisivo. Nessa mesma matéria o jogador Deivid, também do flamengo, disse em tom de ironia se referindo a Negueba que “negro do cabelo duro tem que raspar que nem eu faço (...) é melhor do que passar três horas fazendo tranças”.

    Para encerrar a baboseira racista o apresentador Alex Escobar enfatizou “concordo com você Deivid”. No jogo contra o Vasco, Negueba resolveu reimplantar suas comentadas tranças, talvez como resposta aos absurdos da dupla Escobar/Deivid.

    Ao que tudo indica quem está incomodado com as tranças não é a cabeça dos jogadores que as usam, mas a cabeça racista da imprensa branco burguesa que detesta o estilo africano de ser. Para quem não sabe, é assim que a ideologia do branqueamento se materializa, colocando o fenótipo branco europeu com protótipo a ser seguido por todos.

    Exaltar a negritude em meio a isso não é uma boa pedida num país tão racista como o Brasil. Por outro lado, quando jogadores negros como Neymar e Ronaldinho Gaúcho resolvem agredir suas negritudes alisando seus cabelos crespos (não duros), para se aproximar do padrão de beleza estabelecido como superior, os alardes não acontecem nas mesmas proporções. Se onda pega vão começar a defender que os jogadores negros usem perucas.

    Publicado no Blog do PSTU Maranhão


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

    Fim da linha para Ricardo Teixeira?

    A pergunta que todos fazem agora é: 'Será que desta vez é pra valer?'


    Ag Brasil
    Ricardo Teixeira tem seu cargo ameaçado
    Poucos conseguiram atrair tanta antipatia, tanto ódio como a figura desprezível de Ricardo Teixeira, presidente da CBF por 23 anos. A saída do cartola do comando da confederação unifica torcidas rivais, sejam flamenguistas ou vascaínos, sejam palmeirenses ou corintianos, todos se unem sob um mesmo slogan “Fora Ricardo Teixeira”.

    No entanto, desde o início da semana, começam a crescer boatos sobre a provável e iminente renúncia do cartola. "É uma coisa que ultrapassou o ruído de boato, virou mais do que rumor, é quase um clamor. Como é o clamor popular pela saída dele., disse Juca Kfouri no programa Linha de Passe da ESPN-Brasil. A revelação de mais um novo escândalo sobre o amistoso da seleção em Brasília poderá ser o último empurrão para a saída do mafioso.

    Nesta quarta-feira, 15, o jornal Folha de S.Paulo publicou uma matéria revelando a ligação do cartola da CBF com o empresário Sandro Rosell, dono da Alianto Marketing, empresa investigada por superfaturamento do amistoso entre Brasil X Portugal, realizado em 2008.

    A Alianto Marketing também é dona da empresa VSV Agropecuária Empreendimentos Ltda, criada oito dias antes da partida. Sua sede era uma fazenda de Teixeira localizada em Piraí, a 80 km do Rio de Janeiro. A empresa recebeu R$ 9 milhões do governo do Distrito Federal, que na época era chefiado pelo corrupto José Roberto Arruda, flagrado cobrando propina no chamado “mensalão do DEM”.


    O rei da Copa

    Desde ano passado, uma forte campanha pelo “Fora Ricardo Teixeira” tem tomado as redes sociais na internet, e até mesmo às ruas quando um grupo de torcedores organizou uma passeata no centro do Rio de Janeiro.

    Teixeira apostou em ser o “Rei da Copa”, mas parece que está perdendo. Seu plano era disputar a presidência da FIFA e centralizar os negócios da Copa de 2014. Foi nesse momento que Joseph Blatter, atual presidente da federação, ameaçou mostrar um farto cardápio de corrupção do cartola brasileiro. Um programa da BBC, rede de TV britânica, mostrou que dirigentes do Comitê Executivo da FIFA, responsável pela escolha das sedes das Copas, recebiam propinas de uma empresa de marketing esportivo, a ISL (International Sports and Leisure). Foram citados na reportagem, Teixeira, o paraguaio Nicolas Leoz e o camaronês Issa Hayatou.

    Blatter tentou esconder o maior escândalo de corrupção da história da entidade. No entanto, foi abrigado a ceder e utilizou as denúncias para resolver as disputas internas da federação.

    Teixeira foi alvo de 13 pedidos de indiciamento relativos a supostos crimes de evasão de divisas, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. “Caguei montão”, disse em entrevista à revista Piauí na época dos escândalos. Sua postura revelava mais do que arrogância. Colocava em evidência sua confiança de que parte da grande imprensa, as organizações Globo em especial, encobriria suas ações. “Só vou ficar preocupado quando as acusações saírem no Jornal Nacional”, disse na mesma entrevista.

    O processo FIFA–ISL correu sob segredo de Justiça na Suíça, uma decisão que, por enquanto, evita o acesso de todas as mutretas de Teixeira e de outros dirigentes da FIFA, inclusive de Blatter. Por outro lado, a entidade máxima do futebol mundial tenta renovar sua imagem após tantos escândalos. Para isso, os cartolas apostam no nome de Michel Platini, ex-craque da seleção francesa.


    ‘Modernidade’ e arcaísmo

    Nos anos 1980 e 1990, com a globalização capitalista, o esporte sofreu uma profunda mercantilização. Poderosos monopólios internacionais, que patrocinam os clubes de futebol, começaram a dar as cartas e criaram uma verdadeira “indústria da bola”. Hoje, segundo a Fundação Getúlio Vargas, o futebol mundial movimenta cerca de 250 bilhões de dólares por ano. Foi nessa época que foram cunhados termos com “futebol empresa” e todo tipo de bobagem tentando colar a imagem de um bom futebol com métodos de eficiência empresarial. No entanto, o que reinou foi a corrupção, o enriquecimento de dirigentes e a manipulação de resultados.

    Ricardo Teixeira foi um personagem meio síntese dessa nova estrutura emergente do futebol mundial. Combinava a velha “cartolagem” e a estrutura arcaica (exemplificada em dirigente como Eurico Miranda, Caixa D’água etc.) que ainda reina sobre o futebol brasileiro com a “modernidade” imposta pelo capital. Equilibrando-se nessa contradição, Teixeira ganhou sobrevida e reinou absoluto na CBF.

    A pergunta que todos fazem agora é: “Será que desta vez é pra valer? Ricardo Teixeira vai sair mesmo da CBF?”. Quem conhece as artimanhas do cartola tem razão de sobra para alimentar esse tipo de desconfiança. Não é a primeira vez que o clamor “Fora Teixeira” poderá ser frustrado por manobras. De todo modo, o que se vê, para o deleite do torcedor brasileiro, é a imagem de um corrupto dirigente em agonia.


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    quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

    A arte (futebolística) refundada

    Parece não haver mais dúvidas, o Barcelona de Pep Guardiola refundou o futebol. Momentos assim marcam uma guinada no esporte e na arte da potencialidade humana. O futebol brucutu, veloz e sem criatividade que parece ter surgido em meio à reação neoliberal no futebol é ultrapassada pela posse de bola, a genialidade e agilidade de toques magestrais, rápidos e precisos. Como diz meu boleiro paterno: “Transformaram o futebol em jogo de basquet, a sensação é de que não se pode retirar a posse de bola até que arremessem!”. Ou melhor, chutem, driblem ou encubram os arqueiros.

    Messi, Iniesta e Xavi levam adiante um projeto futebolístico que obriga o pensamento e os pés a agirem em perfeita harmonia. O respeito aos adversários, a educação com os atletas, a marcação cerrada e firme ainda em campo adversário, ensina a todos que bonito mesmo é jogar com raça e objetividade do inicio ao final do jogo.

    Fiquei na esperança santista, embora seja sãopaulino. Neymar empolga pelo desconcerto e Ganso pela elegância. A união de ambos não possibilitou o confronto parelho com a equipe espanhola, infelizmente.

    Em um momento novo e empolgante, com as primaveras que corajosamente enfrentam a reação das burguesias e do imperialismo, o Barça de Messi parece dizer que é possível sonhar com dias melhores, com arte e beleza na vida humana.

    Aí Sócrates... Se pudéssemos juntar esse futebol com a democracia...
    Viva o futebol!


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 6 de dezembro de 2011

    Sócrates: Perdemos um sonhador, mas os sonhos não morrem

    Doutor Sócrates
    Em 1983, quando nasci derradeiramente, estava traçado que não iria ver, a não ser pela ajuda dos teipes, a seleção que mais empolgou os brasileiros depois da geração que ganhou o tri. A equipe que disputou o mundial de 82 era uma verdadeira constelação. Meu pai sempre dizia que a falha na conquista do título foi um mero detalhe, para uma seleção que encantava ao jogar com craques como Júnior, Falcão, Zico e Sócrates.

    Desses gênios do futebol um se destacou dentro e fora do campo. Seu nome, Sócrates Brasileiro. Nas quatro linhas, foi um craque que se utilizou da fraqueza de Aquiles para potencializar uma jogada que desequilibrava os marcadores. A condução da redonda era fácil e suas jogadas eram objetivas.

    Mas foi fora do campo, ou melhor, em outra arena, que Sócrates também se destacou. Magrão, como era conhecido, revolucionou o mundo do futebol e do esporte. Num país que ainda vivia uma ditadura, ele ousou junto com seus colegas de trabalho a modificar as regras do jogo dentro do Corínthians. Juntos, os atletas construíram a chamada democracia corintiana, que era uma espécie de regime interno do clube paulista onde os jogadores decidiam entre si os rumos do clube.

    Com o desenvolvimento da campanha das diretas, a voz de Sócrates ganhou as praças e ele se tornou um apoiador de peso do movimento. Num comício, Sócrates afirmou que se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada ele não deixaria o país. Sem dúvida, o Doutor, como também era chamado, foi um craque na arena política.

    Quando encerrou sua carreira futebolística continuou com o mesmo espírito crítico. Até o dia de hoje, vinha acompanhando suas opiniões nas páginas da Carta Capital semanalmente. Quando saiu do hospital há alguns dias comemorei com um amigo. Na semana passada me alegrou muito o seu artigo. No referido texto, Sócrates mostra a hipocrisia da FIFA ao tratar do tema do racismo no futebol e a falta de discernimento de Pelé ao não ter uma posição firme em relação ao tema. Magrão é enfático ao se referir ao Rei do futebol: “de preto parece ter somente a cor da pele”.

    Hoje li seu último artigo no semanário. Com a lucidez de sempre mostrou como a Copa está sendo tratada como “propriedade privada, sem compromisso algum com o povo brasileiro”. Será que algum jogador atual toparia abrir essa discussão? E o que falar de Ronaldo à frente da copa do mundo? Ou dos ídolos atuais que ganham as páginas de jornais como agressores de mulheres? Definitivamente, faltam bons exemplos no futebol atual. Faltam Ídolos, isso mesmo com “i” maiúsculo.

    A morte do Doutor Sócrates deixa um vazio em todos aqueles que acreditam nas potencialidades humanas e que por isso sonham com um mundo melhor. Em tempos de um profundo obscurantismo cultural e da inexistência na consciência do povo trabalhador de que os sonhos podem se realizar, perdemos um artista. Os que seguem acreditando, lutando e sonhando saúdam Sócrates com o braço esquerdo estendido e o punho cerrado. Sócrates, Presente!




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    quarta-feira, 19 de outubro de 2011

    O Ministro dos Esportes no olho do furacão e o PCdoB no fundo do poço

    Escândalo de corrupção ameaça Orlando Silva; R$ 40 milhões podem ter sido desviados nos últimos anos


    Agência Brasil
    Ministro concede entrevista coletiva para se defender de acusações
    A linha de produção de escândalos de corrupção do governo Dilma, que só neste ano derrubou quatro ministros, não pára de render. Desta vez é o ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. (PCdoB), que está no olho do furacão. Orlando está sendo acusado de comandar um esquema de desvio de dinheiro público via convênios do ministério com ONG’s.

    Embora o programa do ministério ‘Segundo Tempo’, voltado a jovens carentes, já esteja sendo alvo de acusações e investigações de desvio há algum tempo, o ministro foi para o centro dos holofotes após reportagem da revista Veja com denúncias realizadas pelo policial militar do Distrito Federal, João Dias Ferreira, que apontam Orlando como o chefe do esquema de desvio.

    O policial se filiou ao PCdoB em 2006 para disputar as eleições como deputado distrital, ao mesmo tempo em que dirigia duas ONG’s que mantinham convênios com o ministério, a Federação Brasiliense de Kung Fu e Associação João Dias de Kung Fu. Os convênios teriam sido firmados pelo então dirigente da pasta, Agnelo Queiroz, quando o político ainda compunha os quadros do PCdoB, entre 2004 e 2005, antes de trocar a legenda pelo PT em 2007 e se eleger governador do DF.

    Orlando, quando substituiu Quiroz, teria dado continuidade ao esquema que, segundo as denúncias, funcionariam da seguinte forma: o ministério repassa verbas do programa às ONG’s, que embolsam a grana e pagam 20% ao partido, além de terem que repassar parte do dinheiro para fornecedores indicados pela legenda. Ao que parece, João Dias se desentendeu com o ministro após o Ministério Público começar a investigar os convênios de suas ONG’s. Rifado pela pasta, o policial resolveu abrir a boca.


    Guerra de versões

    A mando de Dilma, o ministro correu de Guadalajara, no México, onde acompanhava o Pan, para Brasília. Orlando Silva se defende das denúncias acusando o policial brasiliense, dono de um perfil mais do que suspeito. João Dias, com um salário mensal de oficiais R$ 4,5, é dono de uma mansão em Brasília e três carros importados, segundo reportagem do carioca O Globo. Segundo o Ministério Público, as ONG’s de Dias teriam recebido R$ 4 milhões desviados dos Esportes. Segundo o próprio policial, o total de recursos desviados pelo PCdoB podem chegar a R$ 40 milhões.

    Nessa guerra, há versões para todos os gostos. O PCdoB desconfiaria de seu ex-quadro Agnelo Queiroz, que contratou o policial e com quem mantinha relações bastante próximas. O atual governador do DF, em viagem, já mandou aviso: ‘o problema é do Orlando’. Outros desconfiam do próprio governo e de partidos da base aliada. Já os mais governistas colocam as denúncias na conta dos partidos tradicionais de direita e da “mídia golpista”.

    O atual escândalo parece fazer parte de uma disputa pelo controle do ministério da pasta, que ganhou muito mais poder, dinheiro, e notoriedade após o anúncio da Copa e das Olímpiadas no Brasil. Isso não exclui, por outro lado, a responsabilidde do PCdoB.

    Mesmo garantindo ao ministro Orlando Silva o benefício da dúvida, enquanto não aparecem provas concretas da recente denúncia, não é difícil perceber que a pasta dos Esportes é um escoadouro de dinheiro público para a corrupção. Além da investigação do Ministério Público, segundo a própria Controladoria Geral da União, nada menos que 67 convênios do ministério estão irregulares.

    Tampouco é fácil acreditar na tese de que setores poderosos, cujos interesses estariam supostamente sendo contrariados, tramam contra o ministro. A gestão Orlando Silva é marcada pela completa submissão à Fifa, ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e às empreiteiras envolvidas nas obras de grandes eventos, como foi no Pan-Americano e está sendo em relação à Copa de 2014.


    PCdoB se afunda cada vez mais

    Com os detalhes vindo à tona, o escândalo se assemelha a um clássico caso de corrupção. Mais um sob o governo Dilma. Expressa também o dramático processo de degeneração do PCdoB, hoje praticamente convertido em mais uma sigla fisiológica, justificando sua existência exclusivamente na busca por cargos e espaço no poder.

    Mesmo que não houvesse corrupção, a proliferação dos convênios com ONG’s mostra como o PCdoB atua para aprofundar a terceirização de serviços que deveriam ser públicos. A direitização do partido produz ainda fenômenos esdrúxulos, como o deputado e maior figura pública do PCdoB, Aldo Rebelo, transfigurado em defensor dos fazendeiros e latifundiários em sua empreitada pela reforma do Código Florestal.

    O financiamento das campanhas do partido também prova que há muito o PCdoB deixou de ser identificado como uma ameaça ao capitalismo. A ponto de dois dos maiores doadores na campanha de 2010 terem sido ícones do capitalismo neoliberal: a Coca-Cola, que deu R$ 235 mil ao partido e o Mac Donald’s, que entregou R$ 40 mil aos comunistas.

    Agora, com mais esse escândalo no ministério dos Esportes, o PCdoB mostrou sua noção bem particular de socialização das riquezas.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 24 de agosto de 2011

    Copa do Mundo já tem seus derrotados

    Leia artigo do dirigente do MTST, publicado no blog do Juca Kfouri


    As primeiras reações à escolha do Brasil como sede da Copa do Mundo 2014 foram de festa.

    De certo modo justificada: depois de mais de 60 anos, o país que tem o futebol como uma marca de cultura popular, com centenas de milhares de campos de várzea espalhados por todos os cantos, poderia voltar a ver de perto o maior evento futebolístico do planeta.

    O menino da favela poderia, quem sabe, ir ao estádio ver seus maiores ídolos, que costumam se exibir apenas nos campos europeus. Um sonho…
    Que não tardou muito em gerar desilusão.

    De início, apareceu o incômodo problema de quem iria pagar a conta.
    E veio a resposta, ainda mais incômoda, de que 98,5% do gordo orçamento do evento seriam financiados com dinheiro público, segundo estudo do TCU.
    Boa parte do BNDES, é verdade.

    Mas o capital do BNDES é alimentado pelo Orçamento Geral da União, portanto, dinheiro público, apesar dos malabarismos explicativos do Ministro dos Esportes.
    Dinheiro que deveria ser investido no SUS, na educação, em habitação popular e tantos outros gargalos mais urgentes do país.

    A questão torna-se ainda mais grave quando, motivado pelo argumento do tempo curto até 2014, o controle público dos gastos corre sério risco.

    A FIFA impõe contratos milionários com patrocinadores privados. E o presidente do todo-poderoso Comitê Local é ninguém menos que Ricardo Teixeira, que dispensa comentários quanto à lisura e honestidade no trato com dinheiro.
    Estes temas têm sido amplamente tratados pela grande imprensa.

    No entanto, há uma outra dimensão do problema, infelizmente pouco abordada. E não menos grave.

    Trata-se das consequências profundamente excludentes dos investimentos da Copa nas 12 cidades que a abrigarão.

    Três anos antes da bola rolar, esta Copa já definiu os perdedores. E serão muitos, centenas de milhares de famílias afetadas direta ou indiretamente pelas obras.
    Somente com despejos e remoções forçadas já há um número de 70 mil famílias afetadas, segundo dossiê de março deste ano produzido pela Relatora do Direito à Moradia na ONU, Raquel Rolnik.

    E estes dados foram obtidos unicamente através de denúncias de comunidades e movimentos populares.

    O que significa que os números tendem a ser muito maiores.

    A Resistência Urbana – Frente Nacional de Movimentos solicitou a representantes governamentais do Conselho das Cidades um dado estimado de famílias despejadas e recebeu a resposta de que este levantamento não existe. O Portal da Transparência para a Copa 2014 tampouco fornece qualquer informação. Há uma verdadeira caixa-preta entorno dos números.

    Isso facilita que qualquer processo de remoção receba o carimbo da Copa e, deste modo, seja conduzido em regime de urgência, sem negociação com a comunidade e passando por cima dos direitos mais elementares.

    E, o que é pior, na maioria dos casos não há qualquer alternativa para as famílias despejadas. Quando há, são jogadas em conjuntos habitacionais de regiões mais periféricas, com infra-estrutura precária e ausência de serviços públicos.
    Não é demais lembrar que, na África do Sul, milhares de famílias continuam hoje vivendo em alojamentos após terem sido removidas para a realização da Copa 2010.
    Quem sorri de orelha a orelha é o capital imobiliário.

    As grandes empreiteiras e, principalmente, os especuladores de terra urbana se impõem como os grandes vitoriosos. Nunca ganharam tanto.

    Levantamento recente do Creci-SP mostra que em 2010 houve uma valorização de até 187% de imóveis usados em São Paulo e um aumento de até 146% no valor dos aluguéis. A rentabilidade do investimento imobiliário superou a maior parte das aplicações financeiras Para este segmento a Copa é um grande negócio.

    Quem perde com isso é a maior parte do povo brasileiro. O trabalhador que ainda podia pagar aluguel num bairro mais central é atirado para as periferias. E mesmo nas periferias, os moradores são atirados para cidades mais distantes das regiões metropolitanas.

    As obras da Copa desempenham um papel chave neste processo de segregação. O exemplo de Itaquera não deixa dúvidas: os preços de compra e aluguel dos imóveis dobraram após o anúncio da construção do estádio. Aliás, não se trata de um fenômeno apenas nacional: as Olimpíadas de Barcelona (1992), por exemplo, foram precedidas de um aumento de 130% no valor dos imóveis; em Seul (1988) 15% da população sofreu remoções. A conta costuma ficar para os mais pobres.

    Isso quando não se paga com a liberdade ou a vida. Na África do Sul, durante a Copa 2010, foi criada por exigência da FIFA uma legislação de exceção, com tribunais sumários para julgar e condenar qualquer transgressão. O Pan do Rio foi precedido de um massacre no Morro do Alemão, com dezenas de mortos pela polícia, supostamente “traficantes”. Despejos arbitrários, repressão ao trabalho informal, manter os favelados na favela e punir exemplarmente qualquer “subversão”, eis a receita para os mega-eventos. Receita que mistura perversamente lucros exorbitantes, gastos públicos escusos e exclusão social.


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 19 de agosto de 2011

    Todo a apoio à greve dos operários das obras do Maracanã

    Arrancar agora todas as reivindicações, nem um passo atrás!


    Saibam que a luta de vocês é motivo de orgulho para todos os operários da construção civil de nosso país e que todos nós acreditamos que a força dessa mobilização, a resistência e a persistência de vocês será capaz de arrancar melhores condições de salário, de saúde e de segurança.

    Assim como vocês, que ontem viram um de nossos companheiros ser vítima de um grave acidente de trabalho, nós estamos indignados com a forma como as empreiteiras vem tratando os trabalhadores nas milhares de obras espalhadas pelo nosso país. Para essas construtoras, o que interessa é acelerar a entrega das obras para garantir seus lucros e atender as pressões dos governantes. Se, para conseguir isso, pelo descaso, centenas de operários perderem a vida, eles não estão nem aí. Eles querem seus lucros.

    Queremos transmitir nosso irrestrito apoio à greve que vocês agora realizam, pois entendemos que somente assim é que nós conseguiremos arrancar todas as reivindicações, derrotar a ganância das empreiteiras e, nesse caso, a inércia e conivência do governo federal e estadual.

    O governo fala de crescimento econômico, que o país melhorou, que somos a 8ª economia do mundo, que teremos Copa do Mundo, Olimpíadas, que estamos preparados para enfrentar crises, enfim, que o país cresceu e a vida melhorou. Mas está está cada vez evidente, porém, que esse crescimento está sendo garantido às custas de uma brutal exploração, de baixos salários e até da própria vida de quem trabalha. Dessa forma, não podemos mais permitir que esta situação continue.

    A greve dos operários da obra do Maracanã é, para nós da CSP-Conlutas, mais uma atitude heroica de resistência dos trabalhadores da construção como foram as greves que ocorreram em Jirau-RO e se espalharam por todo país, levantando cerca de 100 mil companheiros no primeiro semestre. Trata-se de uma luta contra as empreiteiras e o governo e, às vezes, até contra alguns sindicatos que, lamentavelmente, em vez de garantir o apoio à greve prefere ficar ao lado dos patrões.

    Colocamos nossa central e toda nossa militância à disposição dos companheiros da obras do Maracanã para que assim, juntos, possamos derrotar os que nos exploram e arrancar as nossas conquistas.

    Toda nossa solidariedade ao companheiro acidentado e a sua família;

    Nenhum passo à traz, até a vitória.

    “Se o Brasil cresceu, trabalhador que o que é seu!”


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 4 de agosto de 2011

    Manifestantes protestam no Rio durante o sorteio da Copa

    Movimentos sociais denunciam violência contra o povo pobre por causa da Copa e das Olímpiadas


    Fotos Noel e Rafael Nunes
    Detalhe do protesto no Rio
    No dia 30 de Julho, os movimentos populares do Rio de Janeiro deram um passo muito importante ao tomarem as ruas da cidade. Há exatamente dois meses, o Comitê Popular da Copa e Olimpíadas, da qual fazem parte o PSTU, CSP-Conlutas e ANEL, começou a preparação de um ato que denunciasse todas as barbáries que estão sendo cometidas pelos governos, contra a população pobre, com a vinda dos mega eventos.

    Não estamos falando apenas da quantidade enorme de desvios de verbas com as obras dos grandes estádios, estradas e aeroportos, recursos esses que poderiam estar sendo investidos nas melhorias das condições básicas de milhões de brasileiros. Nem apenas do Maracanã, que está sendo completamente destruído para dar lugar a um estádio com menos lugares e mais elitizado, onde os pobres também não terão mais acesso, mas de uma brutal criminalização da pobreza que remove, agride e mata todos os dias em nosso país e que se acentuou com o advento dos mega eventos.

    Esse dia, que era de festa para os governantes e empresários, já que teria o sorteio das eliminatórias para a Copa do Mundo e valeu a doação de R$ 30 milhões dos cofres públicos (do governo e município do Rio) para empresas controladas pela Globo para organizar o evento, acabou sendo marcado por um dia de protestos em várias frentes do Comitê.



    Centenas de pessoas saíram em passeata do Largo do Machado até o local onde era organizado o sorteio, na Marina da Glória. A grande maioria do ato, formado por comunidades e favelas atingidas pelas obras de infraestrutura dos jogos e pela política de segurança dos governos, denunciaram as remoções, a militarização e toda a criminalização da pobreza que vitima milhares de jovens todos os anos.

    A CSP-Conlutas, através do setorial de movimento popular, levou uma enorme faixa dizendo “não à criminalização da pobreza, dos movimentos sociais e das lutas”. No início da passeata a Frente Nacional de Torcedores carregava bandeiras e faixas exigindo a saída do presidente corrupto da CBF, Ricardo Teixeira. Uma enorme faixa do PSTU também chamava a saída do corrupto e denunciava os ataques do governador do Rio, Sérgio Cabral, aos trabalhadores. Os profissionais em educação, que estão construindo uma vitoriosa greve, levaram faixas, cartazes, apitos e se somaram às atividades denunciando que os ataques do Governo do Rio, também eram contra o funcionalismo público.

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    No final do ato, foi encaminhada uma carta de exigências e princípios aos organizadores do evento e uma bola gigante que simbolizava, através de mensagens escritas e assinadas, que essa Copa não é nossa.

    Agora o passo seguinte é organizarmos as jornadas de luta de Agosto com o apoio dos movimentos populares culminando com a marcha em Brasília no dia 24 e preparar o ato do Grito dos Excluídos para o dia 7 de Setembro.

    No RS ocorre ato neste dia 5 organizado pela Frente Nacional dos Torcedores, ANEL e CSP-Conlutas. A manifestação será realizada às 12h na Esquina Democrática


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 20 de abril de 2011

    No país do futebol, atletas femininas são apresentadas como objetos sexuais

    O Santos Futebol Clube comemora centenário com calendário de atletas seminuas reduzindo o belíssimo futebol das jogadoras a uma mera mercadoria de R$ 20


    Vinte e seis jogadoras do time de futebol feminino do Santos posaram de biquíni em poses sensuais. As fotos serão usadas para um calendário comemorativo do centenário do clube. O departamento de marketing do Santos considera o material, que leva o título de “Sereias da Vila”, uma forma de “homenagear a equipe de futebol feminino do peixe e, assim, mostram que são craques dentro e fora do campo”.

    Ou seja, no país que respira futebol e que tem a maior jogadora de todos os tempos, Marta Vieira da Silva, escolhida como melhor futebolista do mundo por cinco vezes consecutivas, o Santos, clube que a contratou por duas vezes, resolve colocar em evidência seu time feminino expondo-as como objetos sexuais. Perguntamos: por que não colocá-las com seus uniformes de atletas? Não seria o mais lógico?

    Não. Segundo o gerente de marketing do Santos, Armênio Neto: “Já queríamos fazer um calendário de abril a abril para comemorar o centenário do clube [em 2012]. Lembramos daqueles calendários com fotos super bonitas, com mulheres, e pensamos: ‘vamos turbinar as meninas e mostrar esse outro lado delas’”.

    Ou seja, mostrá-las como atletas não é suficiente. É preciso mostrar o seu “lado feminino” e que, apesar de serem jogadoras de futebol, não são masculinizadas.
    Assim, o Santos pode faturar também, com um calendário que será vendido a R$ 20.

    Claro que não é ideia só do Santos usar o copo feminino como uma forma de colocar a mulher no mundo machista do futebol. É só abrir a página do Lance na internet e veremos mulheres em poses sensuais. Ou então no programa de esportes da Rede Globo. Existem competições para escolher a musa do Paulistão, do Brasileirão etc. Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte, faz questão que as mulheres representantes de suas torcidas “deem uma voltinha” pra mostrar todo seu potencial.

    E aí nos indignamos quando ficamos sabendo que, por exemplo, no Irã, só agora as mulheres podem ir ao estádio assistir a uma partida de futebol. Já aqui, temos a “liberdade” de participar, mas claro, temos que aguentar a torcida, majoritariamente masculina, se expressar com ofensas machistas e homofóbicas, aos jogadores adversários, ao juiz, à mãe do juiz. E pobre da bandeirinha se for mulher.


    Quem é a principal jogadora de futebol da atualidade, segundo consta na Wikpedia:

    Marta Vieira da Silva, mais conhecida como Marta (Dois Riachos, 19 de fevereiro de 1986), é uma futebolista brasileira que atua como atacante. Atualmente, joga pelo Western New York Flash.

    Marta já foi escolhida como melhor futebolista do mundo por cinco vezes consecutivas, um recorde entre mulheres e homens. Foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

    Após as grandes exibições recentes e, principalmente, nos Jogos Pan-americanos de 2007, Marta chegou a ser comparada a Pelé, sendo chamada pelo mesmo de o “Pelé de Saias”. A alagoana declarou que se emocionou ao saber que o rei do futebol acompanhou os jogos da seleção feminina. Além disso, entrou na calçada da fama do Maracanã, sendo a primeira e, até agora, a única mulher a deixar a marca dos pés neste local.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 6 de julho de 2010

    Copa do Mundo: Tristeza não tem fim

    Acabou-se a Copa do Mundo. Pelo menos para os brasileiros e argentinos, após a derrota de ambas as seleções diante da Holanda e Alemanha, respectivamente. Minha primeira análise destas derrotas esportivas será, precisamente, “esportiva”. Ou mais exatamente “psicológico-esportiva”.

    Ainda que entrem vários outros fatores, acho que em ambas as derrotas há a responsabilidade dos dois técnicos. Dunga e Maradona são dentro do campo de futebol (e seguem sendo) dois técnicos, duas personalidades opostas. Inclusive parecem ser opostos em suas opiniões sobre temas políticos. Neste último sentido, é muito provável que Maradona seja visto com muito mais simpatia pelos ativistas de esquerda.

    No entanto, apesar das diferenças, ambos têm uma característica comum: os dois são soberbos e personalistas ao extremo. E essa característica foi impressa em suas equipes, apesar de que isso (como não podia ser de outra maneira) tenha se expressado em erros bem diferentes entre as duas equipes.

    Dunga atou a seleção brasileira a uma confusa “táctica de jogo”, e assim matou a criatividade natural do jogador brasileiro. Em um jogo que o Brasil estava ganhando, com uma equipe jogando muito melhor do que a Holanda, ao invés de pedir a seleção brasileira para continuar atacando, Dunga mandou jogar atrás, de contra-ataque, e assim permitiu a reação da equipe holandesa. Esclarecemos que a Holanda de hoje não é a “laranja mecânica” dos anos 1970. Parece mais com um “limão mecânico”, por seu escasso vôo futebolístico individual. Mas teve força e vontade suficiente para virar a partida.

    Maradona, por sua vez, igual aos tempos em que era jogador, apostou todas suas fichas na criatividade individual dos jogadores, sem nenhuma consideração pela táctica nem a adaptação necessária diante de diferentes rivais. Contra a Alemanha, pretendeu jogar da mesma forma quando enfrentou a Coréia do Sul. Manteve uma defesa frouxa e deixou Mascherano sozinho no meio para marcar todos os alemães que passavam por aí, na velocidade de um Porsche. Uma tarefa que nem Patoruzú (1) poderia cumprir.

    Poderá se alegar a favor de Dunga que seu ciclo, considerado globalmente, foi muito exitoso. Mas isso não impediu que perdesse uma partida fundamental diante de um rival um pouco mais que medíocre. E, o mais importante, a seleção nunca jogou do jeito que os brasileiros gostariam de vê-la. Poderá se alegar a favor de Maradona que sua aposta foi a favor de um futebol vistoso. Mas isso não impediu que a equipe argentina diante da Alemanha se assemelhasse à cavalaria polonesa enfrentando aos tanques alemães na Segunda Guerra (2).


    Países exportadores de matérias primas

    Minha segunda análise vai ser político-econômica. Na atual estrutura de nações, Brasil e Argentina são países semi-coloniais, cujo papel essencial na divisão internacional de trabalho é ser provedores de matérias primas para os países imperialistas. Este papel repete-se neste “show business” que representa o futebol mundial.

    Nas praias e morros do Brasil, nos pampas e “potreros” (3) da Argentina formam-se muitos dos jogadores que, depois, vão brilhar nos torneios do imperialismo futebolístico dominante; isto é, o europeu. Os contratos e salários do campeonato espanhol, italiano, inglês ou alemão são muito superiores aos que se pode pagar por estas terras. Assim o destino inevitável de todo bom jogador sul-americano é emigrar para a Europa. Desta forma, a estrutura do futebol repete o mesmo “saque de recursos naturais” que se produz em outros ramos da economia.


    A ilusão da “igualdade”

    Mas a cada quatro anos a Copa do Mundo produz uma ilusão. Os países europeus nos “emprestam” esses jogadores para armar nossas equipes de futebol “nacionais” com possibilidades de vencer as seleções europeias. Até hoje, pelo menos metade das Copas disputadas foram ganhas por seleções sul-americanas. Assim, se alimenta a ilusão de “recuperar”, pelo menos no terreno do futebol, parte do que o imperialismo nos rouba quotidianamente.

    Mas os dois últimos mundiais parecem querer acabar inclusive com esta ilusão. Muito se falou (apressadamente) de que este era o “mundial sul-americano”. Mas, nos três confrontos com equipes européias, os sul-americanos foram eliminados. Como diz a formosa canção de Vinicius de Moraes, “Tristeza não tem fim”.

    Claro que o Uruguai ainda segue defendendo a “honra sul-americana”, e suspeito que a “celeste” tenha hoje a maior torcida virtual do planeta: mais de 500 milhões de latino-americanos clamando pela “vingança” frente aos europeus.


    NOTAS

    (1)Patoruzú foi um famoso personagem dos quadrinhos argentinos que representava um índio tehuelche de excepcional velocidade e força.

    (2)Em 1939, o exército alemão invadiu a Polônia, com as armas mais modernas da época, entre eles os tanques Panzer. O exército polonês resistiu com meios muitos mais obsoletos como sua força de cavalaria e foi derrotado.

    (3) “Potrero” significa literalmente “lugar onde pastam e descansam os potros”. Por extensão, é o lugar onde se jogam partidas de futebol improvisadas, como as “peladas” no Brasil



    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 29 de junho de 2010

    Mais um crime contra a mulher no futebol

    Goleiro do Flamengo é acusado de matar ex-namorada


    Infelizmente, em meio à Copa do Mundo que faz bilhões de pessoas vibrarem em todo o planeta, o futebol é cenário de um caso revoltante de violência à mulher. O goleiro do Flamengo, Bruno, mais uma vez, é o protagonista de uma história que já era grave e chegou ao extremo por causa da impunidade. Ele é suspeito de matar e ocultar o cadáver de Eliza Samudio, com quem teve um relacionamento e um filho.

    Eliza, 25 anos, está desaparecida há três semanas. Segundo amigas, ela teria ido passar uma temporada com o filho no sítio do goleiro, em Esmeraldas (MG). Bruno, com a ajuda de amigos, teria sequestrado a jovem e o bebê de quatro meses que seria filho do jogador. Eles teriam espancado Eliza até a morte e depois enterrado o corpo na propriedade do jogador.

    A criança foi entregue a um terceiro pela esposa de Bruno, Dayanna Souza, que foi presa na sexta-feira e liberada em seguida. A pessoa depôs dizendo que tinha sido orientada a fazer o bebê desaparecer. O pai de Eliza já encontrou o menino e conseguiu sua guarda.

    Esse não é apenas um episódio, mas mais um ato de um espetáculo de terror. A história de violência de Bruno com Eliza teve um crescimento gradual e podia ter sido interrompida.

    Em outubro de 2009, Eliza Samudio, grávida de cinco meses, denunciou Bruno de tê-la sequestrado, ameaçado de morte, agredido fisicamente e apontado uma arma para a sua cabeça. Três amigos ajudaram Bruno. Ele a agrediu fisicamente.

    Ela conta que Bruno dizia: “Eu não sei se te mato, não sei o que eu faço”. Ele queria que ela fizesse um aborto e tentou forçá-la a tomar Citotec, medicamento utilizado no tratamento de úlcera que pode provocar aborto. Ela recusou e ele a levou para o seu apartamento, onde lhe deu remédios sedativos e uma bebida que a moça não identificou.

    Mesmo com as ameaças para que Eliza não recorresse à polícia – ele ameaçou matar a ela, à família e às amigas – ela recorreu à Delegacia de Atendimento à Mulher. O que aconteceu com Bruno? Nada. Continuou livre e, assim, confiante para levar à violência às últimas consequências.


    Um crime previsível

    O perfil do goleiro já era conhecido. Quando o então jogador do Flamengo Adriano – hoje no Roma da Itália – agrediu de forma selvagem a ex-namorada Joana Machado, Bruno deu uma entrevista coletiva, defendendo o colega. Justificando a agressão de Adriano a Joana, Bruno disse aos jornalistas: “qual nunca saiu na mão com sua mulher?

    No episódio, ocorrido em março, Adriano, Vagner Love, Bruno e Álvaro saíram de um jantar na luxuosa Barra da Tijuca e foram para um baile funk no Morro da Chatuba. Joana, então noiva de Adriano, foi atrás do craque para exigir satisfações. Joana atirou pedras nos carros dos jogadores, fato que foi mais destacado pela imprensa do que o que aconteceu depois.

    Bruno, goleiro e capitão do Flamengo, conteve a moça aos gritos, quando ela se dirigiu ao seu carro, de forma nada gentil: “O meu carro você não quebra, não, sua puta”. Adriano tentou segurar Joana, que revidou. Ele não teve dúvidas: bateu na namorada, pediu aos traficantes que a expulsassem da favela e, caso ela resistisse, que a amarrassem numa árvore e a deixasse até o sol raiar.

    O noticiário nacional tratou o caso como um “barraco”. Dois dias depois, a notícia era sobre a reconciliação do casal. Só uma sociedade doente e moralmente degenerada permite uma inversão dessas.

    O que assusta é a naturalização como a violência à mulher é tratada. Só agora, depois desse filme de terror, Bruno foi afastado do Flamengo.


    O carro de luxo, a mansão e a mulher

    Há tempos que os jogadores deixaram de ser ídolos por causa de seu belo futebol, como foram Garrincha, Tostão, Pelé e tantos outros. Atualmente, a maioria deles é celebridade, como qualquer astro de Hollywood.

    Com salários milionários, que um trabalhador não recebe numa vida inteira de suor, compram o que querem. E não são só os salários. É normal os mais famosos passarem mais tempo fazendo propagandas publicitárias do que treinando.

    Para eles, a mulher é apenas mais uma coisa que eles podem comprar. É como a Ferrari, o Jaguar, o Lamborghini, a mansão na Europa, o apartamento de luxo na Barra da Tijuca.

    Como ídolos, eles são referência para milhões de pessoas comuns, trabalhadores e jovens. Esses reproduzem suas atitudes. Os exemplos não faltam. Felipe Melo, volante da seleção brasileira, chamou a bola Jabulani de “patricinha que não gosta de ser chutada”.

    A impunidade de Bruno e de outros jogadores e a falta de reprovação e condenação às falas machistas constantes autorizam qualquer homem a fazer o que bem entende com as mulheres, pois nada acontece com eles.

    Para que serve a Lei Maria da Penha? Se já não funciona em tantos casos para as mulheres pobres denunciarem seus companheiros, menos efeito ainda tem sobre pessoas importantes, com um poder financeiro e social, como têm os jogadores. No caso Bruno, a lei sequer o intimidou.


    Assista à entrevista que Eliza Samudio deu ao jornal Extra em 2009:




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