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sábado, 9 de fevereiro de 2013

Chapa 2 da CSP-Conlutas vence eleição do Sindsaúde-RN

Chapa composta por militantes do PSTU e independentes vence um dos principais sindicatos do Rio Grande do Norte



Chapa 2 faz campanha em Natal
Acabou na madrugada desse dia 8 de fevereiro a apuração da eleição do Sindsaúde-RN, o Sindicato dos Servidores da Saúde do Rio Grande do Norte, um dos sindicatos mais importantes do estado, fundador e filiado à CSP-Conlutas.

A disputa se deu entre duas chapas de militantes que compõem a CSP-Conlutas, fato que lamentamos, mas que se impôs na realidade.

No primeiro turno, respeitando-se os critérios estabelecidos pela comissão eleitoral, não se alcançou o quórum estatutário e a Comissão Eleitoral convocou uma segunda volta de votação. Nesse segundo turno o quórum foi alcançado e a apuração transcorreu em clima de normalidade.

A eleição foi dirigida por uma comissão eleitoral eleita em assembleia e na votação, pelo critério da majoritariedade, foram eleitos três companheiros apoiadores da atual diretoria do sindicato, que organizou a Chapa 1.

A diretoria do Sindsaúde-RN, ainda no primeiro turno, encaminhou um pedido à Secretaria Executiva Nacional da Central para que indicasse um membro da SEN para acompanhar o processo. Tendo em vista a disputa entre duas chapas da central, naquele momento não houve indicação pela SEN, que reformulou a proposta para o segundo turno. A SEN também deliberou, por unanimidade, não declarar apoio a nenhuma das chapas na disputa.

A Secretaria Executiva, após o primeiro turno, decidiu apresentar à direção do Sindsaúde-RN a indicação de dois de seus membros para acompanhar o processo, os companheiros Miguel Leme e Paulo Barela, o que foi aceito pela diretoria da entidade. Esses dois companheiros se deslocaram para o Rio Grande do Norte para cumpria tarefa delegada pela Secretaria. A apuração da eleição, nesse dia 7 de fevereiro, foi conduzida pelo diretor do Sindicato dos Bancários de São Paulo/CUT e membro da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, por decisão da diretoria do sindicato.

Ao final, sagrou-se vitoriosa a Chapa 2 - Reconstruir o Sindsaúde-RN com Luta e Democracia.

Passada a eleição, e manifesta a vontade da categoria nas urnas, a nova direção e a categoria tem desafios muito grandes a enfrentar, seja na defesa dos direitos da categoria, seja na defesa da saúde pública e da população potiguar, que amarga uma situação de crise e verdadeiro caos no serviço público daquele estado, seja no enfrentamento ao governo Rosalba, o que exigirá esforço importante para unir todos os setores e toda a categoria na luta. Temos também pela frente a jornada nacional de lutas e a marcha a Brasília, no dia 24 de abril.

Com certeza, seguiremos todos fortalecendo o Sindsaúde-RN, engajados nessas lutas e na construção de nossa Central, a CSP-Conlutas.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

V Conferência Educacional da APEOESP se posiciona contra o ACE

A resolução coloca a APEOESP, um dos maiores sindicatos do país e filiado à CUT, contra essa proposta de flexibilização apresentada pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC.




Eliana Nunes, da Oposição Alternativa, durante a Conferência
Nos dias 28, 29 e 30 de novembro, aconteceu em Serra Negra-SP a V Conferência Educacional da APEOESP, com a participação de cerca de 2.000 delegados/as, eleitos/as em 93 Encontros Preparatórios ocorridos em todo o estado.

A V Conferência foi organizada com diversas mesas e pouco espaço para que os/as delegados/as pudessem debater a política educacional. Essa estrutura da Conferência tinha como objetivo fazer muita propaganda das políticas do MEC e referendá-las.

Apesar de muito governista e ter representantes do MEC em quase todas as mesas, a Oposição Alternativa, corrente filiada à CSP-Conlutas, e que é minoria na diretoria estadual do sindicato, conseguiu fazer um contra-ponto ao governismo. Desde a mesa de abertura, a CSP-Conlutas se dirigiu aos delegados/as convocando uma ampla unidade contra a flexibilização de direitos expresso na proposta de ACE (Acordo Coletivo Especial), feita pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. A saudação do PSTU denunciou o genocídio ao povo pobre e negro e conclamou a solidariedade internacional às lutas que assolam o norte da África e a Europa.

Logo na primeira mesa, se debateu o PNE. O governismo tinha três representantes na mesa que defenderam o PNE privatista do governo. A Intersindical fez críticas ao PNE, mas defendeu a imediata aprovação do texto sem alteração. A única voz destoante foi da convidada da Oposição Alternativa, a professora e vereadora eleita pelo PSTU em Natal-RN, Amanda Gurgel. Amanda denunciou o caráter privatista do PNE e, principalmente, que aprová-lo como está significa aplicar os 10% do PIB para a educação apenas em 2023. Amanda argumentou que a educação não pode esperar mais 10 anos e ainda não ter garantia que essa verba vá para escola pública. Também representaram a Oposição Alternativa, o companheiro Luiz de Freitas na mesa de conjuntura e Mauro Puerro na mesa sobre financiamento.

Na plenária final, a CUT e CTB aprovaram uma resolução geral defendendo as políticas do MEC, através de uma manobra desavergonhada. Em uma única resolução, aprovaram um texto de 5 páginas que versava sobre vários temas com o objetivo de impedir o debate sobre os planos de MEC.

Apesar dessa manobra, a Oposição conseguiu algumas vitórias importantes. Logo na abertura do regimento, realizamos uma ato contra a violência que uma militante da Oposição Alternativa havia sofrido no Encontro Preparatório de Jacareí (Vale do Paraíba). Na ocasião, após ser derrotado no voto, um militante da CUT deu uma gravata e agrediu nossa companheira. Nossa manifestação gerou muita solidariedade, inclusive na base da CUT.

Também foram aprovadas resoluções apresentadas pela Oposição Alternativa como a que responsabiliza o governo pelo genocídio ao povo negro, a campanha pela aprovação do PL 122 e a denúncia da política do governo federal em recusar a criminalizar a homofobia e vetar o Kit anti-homofobia.


Campanha Contra o ACE

A aprovação mais importante foi a resolução contra o ACE (Acordo Coletivo Especial). Após fazermos uma ampla campanha na conferência, foi redigido pela CSP-Conlutas, CUT, Intersindical e CTB uma resolução comum contra o ACE que foi aprovada por unanimidade na V Conferência.

A resolução coloca a APEOESP, um dos maiores sindicatos do país e filiado à CUT, contra essa proposta de flexibilização apresentada pelo sindicato dos metalúrgicos do ABC. A resolução diz que: "A APEOESP, na V Conferência de Educação, reafirma sua posição contraria a todo tipo de flexibilização da CLT (Consolidação das Leis do Trabalhistas) e que vai lutar contra qualquer proposta que signifique a retirada de direito dos trabalhadores como está presente na proposta sobre o Acordo Coletivo Especial (ACE). Não vamos tolerar qualquer tipo de ataque contra a CLT, que é tida como atrasada por determinados setores da sociedade, mas que na realidade, representa uma proteção mínima para a classe trabalhadora frente ao capital. Não cabe em nenhuma hipótese, que o negociado prevaleça sobre o legislado".

Apesar de ser uma conferência bastante burocratizada e governista, a Oposição Alternativa, filiada à CSP-Conlutas reafirmou um programa educacional classista que atenda à classe trabalhadora em contraposição às políticas privatizantes do MEC, apoiadas pela direção majoritária do sindicato.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 28 de abril de 2012

Abertura do I Congresso Nacional da CSP-Conlutas emociona presentes

Solenidade dá largada no congresso da entidade


Diego Cruz
Cabo Daciolo sauda o Congresso da CSP-Conlutas
Diversas delegações ainda chegavam a Sumaré (SP) quando acontecia a solenidade de abertura do I Congresso da CSP-Conlutas, na noite desse 27 de abril. Longe de ser um ato burocrático e enfadonho, o ato de abertura emocionou e empolgou os presentes. Grande parte dos participantes vinha direto do encontro de mulheres, ocorrido durante todo o dia.

A ampla mesa refletia a pluralidade da composição e bandeiras da central. Um dos convidados à abertura, o cabo Benevenuto Daciolo, dirigente dos bombeiros no Rio e injustamente demitido pelo governo Cabral após a greve da categoria no início do ano, reconheceu os estudantes da ANEL no plenário e os conclamou a gritarem a palavra-de-ordem que ele havia ouvido no congresso da entidade, em 2011. “Não sou capacho do governo Federal, sou estudante livre da Assembleia Nacional”, responderam os estudantes, em uníssono.

“Estamos lutando agora pela anistia”, afirmou Daciolo, denunciando a política repressora do governo e a sua prisão arbitrária. O cabo convidou a todos para uma grande manifestação no Rio, em frente ao Copacabana Palace, no dia 20 de maio. Ao final, Daciolo ensaiou seu tradicional grito de guerra. “Quem é, quem é?”, perguntou, ao que todos responderam: “são os trabalhadores no local”.

Uma das falas que mais emocionaram os presentes foi o de Dirce Veron, da etnia Kaiowá e Guarani, representando as comunidades indígenas. “Em nossa comunidade somos 70 mil indígenas, estou aqui para dizer ‘nós existimos’”, afirmou. “Os kaiowás, os guaranis, existem”, afirmou enfaticamente, denunciando o governo que se esquece dos indígenas.

Dirce teve seu pai assassinado em uma disputa por terra no Mato Grosso, e reclama do pouco caso das autoridades. “Enquanto olhava o caixão do meu pai, me lembrava que eles só vem aqui para as eleições, e depois não aparecem mais”. A representante indígena afirmou que, para o governo, “nós não temos nenhum valor, quem tem valor lá é gado”.



A ativista egípcia Fatma Ramadan, que já havia participado do encontro de mulheres, também compôs a mesa de abertura do congresso. Representante da Federação de Sindicatos Independentes do Egito, Fatma falou sobre a importância da classe trabalhadora na derrubada do regime de Mubarak. “Do ano 2000 até a queda de Mubarak, em 25 de janeiro de 2011, os trabalhadores egípcios fizeram mais de três mil greves”, relatou.

O estudante secundarista chileno Camilo Pinto também relatou as recentes lutas que estremecem o país de Piñera.

Compôs a mesa também, além de outros dirigentes sindicais e do movimento popular, o representante da Intersindical, Mané Melato, do Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e região. Apesar de pontuar os temas dissonantes, Melato expôs a necessidade de unificar as lutas. Já José Maria de Almeida, o Zé Maria, agradeceu todos os presentes, ressaltou a importância das delegações internacionais e reafirmou a necessidade de se unir as lutas, ainda que por hoje não seja possível unificar as entidades. Saudou também os setores que se aproximam da CSP-Conlutas, como a Fenasps.


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 13 de abril de 2012

CSP-Conlutas já é parte da tradição do movimento sindical e popular do país

O I Congresso da CSP-Conlutas vai ser a síntese de quase oito anos de uma nova experiência de organização da classe trabalhadora


Detalhe do Conat, em 2006
Onze de dezembro de 2003. No primeiro ano do mandato do primeiro operário eleito presidente no país, a reforma da Previdência contra os servidores públicos é finalmente aprovado em segundo turno no Senado, apesar dos contundentes protestos da categoria. Uma vez no governo, Lula fazia o que sempre criticava, como ajuste fiscal e acordo com o FMI. E pior, com a ajuda da Central Única dos Trabalhadores, a CUT.

A CUT, construída no calor do ascenso operário do final da década de 1970 e início dos 1980, deixava de ser um instrumento de luta e organização da classe trabalhadora para se tornar mera correia de transmissão do governo no movimento de massas. A nomeação do ex-presidente da entidade Luiz Marinho para o Ministério do Trabalho, em 2005, deixou ainda mais clara essa relação. A posse do governo do PT marcava assim o início de um processo de uma nova reorganização no movimento sindical do país.

Sindicatos e ativistas combativos começavam a olhar com ceticismo a CUT e iniciava-se um movimento de dispersão. Frente a esse processo objetivo, tornava-se necessário impedir a desagregação dessas forças e preparar os trabalhadores para novas batalhas. As reformas Sindical e Trabalhista estavam na pauta do governo e eram exigidas pelo conjunto da burguesia.

Foi nesse contexto que, em março de 2004, era realizado o Encontro Sindical em Luziânia (GO). A ideia de unir os setores que lutam encontrou eco tão grande que, para um evento em que eram esperadas de 700 a no máximo 1000 pessoas, compareceram 1700 ativistas de todo o país. O encontro aprovou um calendário de lutas e uma coordenação que passou a reunir todos os sindicatos e movimentos que se dispusessem a lutar contra as reformas. Era o embrião do que viria a ser a então Coordenação Nacional de Lutas, a Conlutas.

Em junho de 2004 a Conlutas teve seu batismo nas ruas, com uma marcha a Brasília contra as reformas Sindical e Trabalhista que reuniu cerca de 20 mil pessoas. A partir daí a central sindical e popular passou a se consolidar nas lutas e nos estados, constituindo uma alternativa nacional de organização e luta.


Consolidação

Embora na prática já estivesse presente na luta de classes do país, a Conlutas foi apenas se firmar oficialmente enquanto entidade no Congresso Nacional dos Trabalhadores, o Conat, em maio de 2006 na cidade de Sumaré (SP).

Quatro mil pessoas de todo o país representando um milhão e setecentos mil trabalhadores, estudantes e ativistas de movimentos sociais fundaram uma entidade que tinha por objetivo organizar não só os trabalhadores do mercado formal de trabalho, mas também os informais, desempregados e os que estão na base dos movimentos sociais e populares, ou seja, metade da força de trabalho.

O processo de reorganização segue enquanto a CUT parece aprofundar sua crise. Setores ligados ao PSOL e ao PCB rompem a entidade em 2006 e, infelizmente, numa postura sectária, negam-se a integrar a Conlutas e formam a Intersindical. Pouco depois é a vez da corrente sindical do PCdoB, a Corrente Sindical Classista (CSC), sair da CUT, devido a uma disputa de aparatos, para formar a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).

A Conlutas, por outro lado, embora fosse naquele momento a alternativa mais consolidada à esquerda da CUT, manteve sempre seu chamado à unidade de todos os setores combativos. Em março de 2007, por exemplo, seis mil pessoas lotaram o ginásio do Ibirapuera em São Paulo no encontro impulsionado pela Conlutas e que reuniu setores como Intersindical, MTST, CSC, Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados) e até dirigentes do MST.

Em julho 2008, mais um passo para o fortalecimento da Conlutas. O I Congresso da entidade, realizado em Betim (MG), elege a luta contra a burocratização a principal tarefa para o período. A partir daí a entidade vai se firmando e se estruturando nos estados. Sua direção, contudo, refletindo o processo em aberto de reorganização e fragmentação da esquerda e dos movimentos sindical e popular, permanece aberta. Ainda que conte com uma direção executiva, a política geral da Conlutas era definida nas reuniões da coordenação nacional, aberta a qualquer entidade ou movimento.




Contradições

O processo de reorganização, porém, mesmo que esteja longe de terminar, não é uma via de mão única. Como tudo na vida, tem as suas contradições. Em novembro de 2009 um seminário de reorganização realizado em São Paulo reúne amplos setores, entre eles uma parte da Intersindical, e define as bases para um congresso de unificação em 2010. Durante meses, ricos debates de preparação ocorrem nos estados, reunindo uma ampla gama de ativistas.

Em junho de 2010, o 2º Congresso da Conlutas em Santos (SP) aprova a unificação com a Intersindical e outros setores, no Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). No entanto, a unificação não acontece. A Intersindical e setores como a Unidos Para Lutar (CST, corrente do PSOL), descumprem o que havia sido definido no seminário e não aceitam o critério de que os impasses sejam definidos através no voto na base. Sob o pretexto da polêmica do nome da nova entidade, decidem romper com o processo de unificação.

Por outro lado, o MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade) decide se integrar a esse processo, tal como o MTST. A nova entidade, sob o nome de CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), é fundada no congresso que reuniu 3150 delegados. O nome resgata a tradição e experiência dos últimos anos na construção dessa entidade que se propõe a reunir os trabalhadores e setores oprimidos da sociedade.


I Congresso

Coincidentemente, o I Congresso da CSP-Conlutas ocorre a poucos dias da aprovação do fundo privado da Previdência pública pelo Governo Dilma, o chamado Funpresp. Um complemento da reforma da Previdência do governo Lula em 2003. Por outro lado, a CUT no último período elegeu a defesa da indústria nacional sua principal prioridade, enquanto os trabalhadores amargam horas extras e precarização. Uma amostra que os desafios colocados à frente do conjunto da classe trabalhadora, quase uma década após a posse do governo do PT, continuam os mesmos.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Dirigentes da CST/Unidos pra Lutar e da Intersindical comandam invasão da sede do PSTU em Niterói

Aconteceu na tarde desse dia 2 de março, em Niterói (RJ), um fato inconcebível envolvendo militantes que se reivindicam da esquerda socialista brasileira. Um grupo de pessoas comandado por dirigentes de correntes internas do PSOL (Rosi Messias e Jessé Brandão pela CST/Unidos Pra Lutar; Índio e Gegê também dirigentes da Intersindical) invadiram a sede do PSTU na cidade agredindo verbalmente e ameaçando fisicamente as (os) militantes do partido que lá se encontravam. Só se retiraram do local com a chegada de mais companheiros que exigiram que deixassem o local. Não bastasse esse lamentável acontecimento, militantes do PSTU e da CSP-Conlutas agora estão recebendo ligações telefônicas com ameaças de morte e de agressão física.

O contexto em que isso se dá torna o fato ainda mais condenável. Está inscrita uma chapa de oposição para as eleições do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, da qual participam trabalhadores metalúrgicos ligados à CSP-Conlutas e à Intersindical. Esta chapa está sob fogo cerrado da burocracia da CUT que dirige o sindicato e das empresas, que tentam por todos os meios impedir a chapa de concorrer. Esta luta para assegurar o direito democrático dos metalúrgicos vem já há meses, com muitas manobras da burocracia cutista, pressão das empresas sobre os trabalhadores que estão na chapa da oposição e várias decisões judiciais.

A última manobra da burocracia foi impugnar alguns nomes da chapa de oposição, apesar destes terem plenas condições legais de concorrer. Frente a esse fato estabeleceu-se uma divergência dentro da chapa e entre os apoiadores da oposição. Os companheiros da CSP-Conlutas e os militantes do PSTU consideraram que o melhor seria enfrentar, na Justiça se fosse o caso, o pedido de impugnação, para garantir o direito dos trabalhadores de fazerem parte da chapa. Os companheiros ligados à Intersindical e a alguns setores do PSOL consideraram que o melhor seria substituir os impugnados. Prevaleceu a decisão de não substituir os trabalhadores, e de lutar para garantir o seu direito a concorrer.

E foi a discordância com esta decisão que levou aquelas pessoas, comandadas pelos dirigentes políticos citados acima, a agir como um bando de gangsters, invadindo a sede do PSTU para tentar mudar à força a posição do partido com ameaças e agressões. Note-se que estas pessoas não invadiram a sede do sindicato para enfrentar a burocracia e exigir dela que respeite o direito dos trabalhadores escolherem livremente a diretoria da sua entidade. Invadiram a sede do nosso partido, aliados que somos na mesma chapa para enfrentar a burocracia. Uma atitude inaceitável e compreensível apenas se levarmos em conta que correntes e dirigentes que assim atuam estão profundamente contaminados com a ideologia do vale-tudo e da sua própria autoconstrução, sem guardar a mínima preocupação com o avanço das organizações de frente única da nossa classe.

Repudiamos veementemente a agressão contra a nossa sede, o desrespeito e ameaças feitas contra os (as) nossos(as) militantes por parte destas pessoas e destes dirigentes. E reafirmamos, por outro lado, que o nosso partido não se move, nem define suas opiniões por ameaças e agressões. Não reconhecemos estes métodos como aceitáveis no interior do movimento da classe trabalhadora. Seguiremos fieis à prática de tratar as diferenças existentes dentro das nossas organizações e movimentos de forma democrática, respeitando as decisões tomadas pelos trabalhadores nas instâncias das suas entidades e movimentos.

Por último, não queremos responsabilizar o conjunto do PSOL pela atitude destes dirigentes e militantes, pois não acreditamos que o partido possa respaldar tal tipo de procedimento. Mas justamente por isso é importante um imediato pronunciamento da direção estadual e nacional do PSOL, condenando o comportamento destas pessoas. Da mesma forma é importante um pronunciamento do MES, que também faz parte do acordo em torno à chapa de oposição (mas que não participou da invasão da sede do PSTU). Institucionalmente, para o PSTU, isto é muito importante.

Na tarde de 3 de março, chegou a informação que uma liminar garantiu a inscrição de toda a chapa 3, incluindo os 7 nomes questionados pela comissão eleitoral (Atualizado às 17h)


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Servidores federais fazem manifestação em Brasília nesta quarta-feira

Ato público marca o início da campanha salarial da categoria


Nesta quarta-feira, dia 16, os trabalhadores do serviço público federal vão ocupar Brasília com uma marcha pela Esplanada dos Ministérios e um grande ato público em frente ao Congresso Nacional. Será o lançamento oficial da Campanha Salarial Unificada de 2011.

Mais do que uma campanha por reajustes salariais, a mobilização dos servidores federais se reveste de resistência contra as medidas que o governo e a imprensa vêm divulgando constantemente. A defesa do serviço público e de seus servidores são elementos motivadores da luta que se inicia.

O governo trabalha com a perspectiva de um plano de ajuste fiscal que aplique um redutor nos gastos públicos, além da desoneração da folha de pagamento das empresas. Isso diminuiria a alíquota patronal da previdência na ordem de 18% para algo em torno de 12-14% e a manutenção dos miseráveis R$ 545,00 para o salário mínimo.

Também já há um movimento na base governista do Congresso Nacional para retomar a tramitação de importantes projetos como o PLP-549-09, o PLC-249-98, propondo limitação nos gastos com salário e demissões por insuficiência de desempenho. Junto com esses projetos, já está em vigor a MP-520-10, editada ao apagar das luzes do governo Lula, que aprofunda a precarização no serviço público e leva privatização à saúde pública em nosso país.

O saco de maldades prevê também a restrição do direito de greve e a regulamentação da previdência complementar do servidor (fundos de pensão privados), e medidas que atingem os direitos de aposentados e pensionistas, além da suspensão dos concursos públicos e cortes no orçamento de 2011 que podem chegar aos R$ 50 bilhões.


Unidade de ação para responder aos ataques

A realidade conjuntural impõe a necessidade da resistência e da luta de todos os trabalhadores, porém, no presente momento, os ataques estão mais voltados para a retirada de direitos do funcionalismo, situação que exige uma resposta de organização e mobilização imediata por parte das entidades representativas dos servidores.

Conscientes dessa tarefa, as entidades já vêm se reunindo desde o dia 18 de janeiro para construir um plano de ação que responda as medidas de Dilma. O espectro de organizações é muito amplo e há uma verdadeira unidade de ação em curso no setor que envolve os setores dirigidos pela CSP-CONLUTAS, CUT, CTB, INTERSINDICAL e setores ligados controladoria, auditoria e legislativo federal. Na reunião de organização da manifestação nacional, realizada no dia 09 de fevereiro, por exemplo, havia em torno de 20 entidades nacionais, representando esses mais diversos setores.

Além da marcha pelas ruas de Brasília e o ato político em frente ao Congresso, as entidades elaboraram uma carta aos parlamentares contendo as reivindicações da categoria que será distribuída no dia anterior ao ato nacional, no dia 15. Uma "carta aberta à população" também será panfletada ao longo do trajeto entre a Catedral e o Congresso Nacional e as entidades também já protocolaram um pedido de audiência com a Presidente Dilma Rousseff, solicitando abertura de negociações e atendimento das demandas do funcionalismo.

Está previsto para este dia a votação do salário mínimo, neste sentido, todos os servidores devem também reivindicar um salário mínimo igual ao que os parlamentares deram aos seus salários de 62% rumo ao do estipulado pelo Dieese R$ 2.200.

A CSP-CONLUTAS, que participa ativamente da organização do protesto nacional, estará presente em Brasília com sua militância que atua em todas as frentes sindicais do funcionalismo. Vamos organizar uma coluna de nossa Central na manifestação com faixas, camisetas e adesivos e ajudar o funcionalismo federal a derrotar a política do governo Dilma e da burguesia, que promovem a destruição dos serviços públicos e querem aplicar o arrocho salarial e a demissão aos servidores públicos.

Confira a programação da semana:

Dia 15 (terça-feira)

- Reunião da Comissão Organizadora da Manifestação

- Distribuição de “Carta aos Parlamentares” no Congresso Nacional

Dia 16 (quarta-feira)

- Pela manhã bem cedo – Chegada das caravanas com concentração na Catedral de Brasília;

- 9h – Deslocamento em marcha pela Esplanada dos Ministérios e panfletagem da “Carta aberta à população”. Breve parada em frente ao Ministério do Planejamento (SRH) para algumas falas;

- 10h30 – Início do ato na frente do Congresso Nacional.

Dia 17 (quinta-feira)

- Plenárias Nacionais Setoriais das categorias.

Dia 18(sexta-feira)

- Reunião Ampliada das Entidades Nacionais.


Retirado do Site da CSP-Conlutas

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Chapa apoiada pela CSP-Conlutas vence eleições do sindicato dos metroviários de São Paulo

São Paulo, madrugada do dia 18 de setembro, sábado, por volta de 1h20 da manhã. O atual presidente da CTB (Central dos Trabalhadores do Brasil) e candidato à reeleição, Wagner Gomes, anuncia a vitória da chapa 2 “Oposição, é hora de mudar”.

Nesse momento, uma explosão de alegria toma conta dos militantes da oposição que se encontravam na quadra do Sindicato dos Metroviários, onde estava sendo realizada a apuração da eleição.

Após o anúncio, Altino de Melo fez uma breve saudação aos militantes e, já como novo presidente do sindicato, conclamou a unidade em defesa dos metroviários. A chapa 2 obteve 53% dos votos válidos, contra 47% da chapa 1.


Sindicato de referência

No dia 26 de agosto o sindicato dos metroviários completou 29 anos. É um sindicato de referência nacional no setor de transporte e um dos mais importantes do país. A categoria tem por volta de 8.600 metroviários, sendo 6.640 associados.

A “Chapa 2, Oposição é Hora de Mudar”, obteve 2.650 votos, ou 53%, e a Chapa 1, “Sindicato no Rumo Certo”, 2.321 votos, ou 47%. Votos brancos foram 28 e nulos 187, totalizando 5186 participantes. A chapa 2 foi composta pela CSP-Conlutas, Intersindical, a corrente “Unidos Pra Lutar” e dois outros grupos independentes, um deles ligado ao setor da segurança. A chapa 1 foi formada pela CTB e a CUT.

A campanha foi marcada por um debate sobre os problemas da categoria. No meio do processo, a direção do sindicato baixou o nível e partiu para ataques pessoais, mas o mais importante é que a categoria participou ativamente da eleição e não se intimidou.

Para falar dessa histórica vitória, falamos com Altino de Melo Prazeres Júnior, que encabeçou a chapa 2, e é militante do PSTU e da CSP-Conlutas.


Portal do PSTU - Qual a importância dessa vitória para o movimento dos trabalhadores de São Paulo?

AltinoEm primeiro lugar, quero dizer que vamos cumprir com nossos eixos de campanha que tem, entre outros pontos, a necessidade de devolver o sindicato para as mãos dos metroviários, pois a atual diretoria estava muito distante da base. Esse sindicato, que é uma referência para as lutas, estava atrelado ao governo Lula, e fazendo parceira com a empresa. Agora vamos defender os interesses dos metroviários, porque vamos ser independentes dos governos, sejam eles quais forem.


Como foi a formação da chapa?

Nós primeiro propusemos formar uma chapa nas áreas, os trabalhadores escolheriam os diretores e quem encabeçaria a chapa. A atual diretoria não aceitou. Então propusemos para a oposição realizar uma prévia pela base entre as correntes da oposição e, nessa prévia, também se escolheria o encabeçador da nossa chapa, que tinha três companheiros concorrendo. Mas o Metrô não permitiu a realização da prévia. Então não houve outro jeito a não ser fazer uma convenção para escolher o presidente de chapa. As outras correntes retiraram os nomes ficando só o meu.


A que você atribui a vitória?

Em primeiro lugar, à categoria que confiou no nosso projeto, que é de construção de um sindicato independente dos governos e que lute pela categoria, pois estamos sendo atacados pela empresa e o nosso sindicato não reagia a esses ataques. Para se ter uma idéia, em todo o país as categorias estão conquistando aumento real aqui não conseguimos nem a reposição da inflação.


Como será a convivência entre as correntes?

Da melhor forma possível, organizaremos o trabalho do sindicato através de comissões de base. A organização de base é quem de fato decidirá o rumo de categoria em cada momento, e também através de suas assembléias.


E sobre a filiação do sindicato à CTB, já que você é da CSP–Conlutas?

Faremos um amplo e real debate na base e só depois a categoria vai decidir o que fazer.


E agora?

Agora vamos arregaçar as mangas e dar prosseguimento ao trabalho que já vínhamos fazendo. Quero aqui agradecer a todos aos militantes das outras organizações, mas quero mandar um agradecimento especial aos militantes do PSTU que muito ajudaram nessa vitória histórica.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Reunião da coordenação nacional de entidade fundada no Conclat aprova nome da nova central e plano de lutas

CSP Conlutas aprova plano de mobilizações e aponta o dia 10 de agosto como dia nacional de mobilizações


Diego Cruz
Delegados aprovam secretaria executiva da nova central
A Coordenação Nacional da nova entidade eleita no Congresso da Classe Trabalhadora realizou sua primeira reunião nesses dias 23, 24 e 25 de julho no Rio de Janeiro. Dirigentes sindicais e de movimentos populares de todo o país se reuniram para definir os rumos da nova entidade fundada em Santos (SP) no início de junho.

A representatividade da reunião indicava sua importância. Foram 194 delegados, 107 observadores, representando 71 sindicatos, 24 oposições e minorias de sindicatos, além de 9 entidades do movimento popular, 6 entidades estudantis e dois movimentos de luta contra as opressões.

Carlos Sebastião, o Cacau, da Secretaria Executiva Nacional eleita no Conclat, sintetizou os principais desafios colocados aos ativistas naquele momento. ”São três elementos fundamentais que temos que tomar nessa reunião: consolidar nossa ferramenta, uma necessidade para a classe para que possamos, assim, dar conta das tarefas colocadas, avançando num plano de lutas e, finalmente, seguir com todos os esforços no sentido de recompor a unidade”.

Tarefas essas que se traduziam principalmente na definição do nome da nova central, a eleição de sua secretaria executiva e a aprovação de um plano de mobilizações para o próximo período, seguindo o diálogo com os setores que romperam no Conclat.


Legitimidade do Conclat

Embora não tenha sido o ponto principal da reunião, a avaliação do Conclat, assim como a ruptura dos setores minoritários como a Unidos para Lutar e a Intersindical, foi amplamente discutida na reunião. Apesar de pontos divergentes e polêmicas, todos os setores reconheciam a legitimidade do Conclat, que reuniu mais de 4 mil pessoas, e suas deliberações. ”Foi a culminação de um processo amplo que durou meses e realizou mais de 900 assembleias em todo o país, cotando com a inscrição de 20 teses, que tiveram o mesmo tempo de defesa”, lembrou Cacau.

O dirigente lembrou ainda que a ruptura não se deu por conta do nome, mas envolveu entendimentos distintos sobre o funcionamento da entidade, assim como seus métodos de deliberação e os setores que deveriam compor esse novo instrumento. Os setores que romperam eram contra a participação de estudantes e dos movimentos populares, e defendiam que a entidade adotasse o “consenso progressivo”, ou seja, que apenas aprovasse deliberações com o mínimo de 2/3 dos votos. Método que privilegia os acordos entre correntes em detrimento dos votos da base.

Gizélia Rocha, a Gigi, do Sintsef de Natal, apesar de não fazer parte do setor majoritário, expressou seu desacordo com a ruptura. ”Todos sabem que não somos mais do PSTU, e sempre soubemos que seríamos minoria e que tínhamos que respeitar a democracia operária”, disse a dirigente, que compõe hoje um coletivo chamado GAS. “A decisão de se retirar do congresso foi absurda e infantil”, concluiu a dirigente.

Janira Rocha, dirigente do MTL, afirmou ser importante entender as diferenças políticas que existem no bloco que rompeu. ”Assim como existem diferenças entre nós, é importante entender que do lado deles também existem”, disse, explicando que alguns dirigentes da Intersindical defendiam a permanência na nova central. Janira relatou ainda todo o processo de negociação e discussões que culminaram no Conclat, afirmando que tanto a proposta de congresso deliberativo como a formulação do nome “Conlutas-Intersindical Central Popular e Sindical”, havia partido dos próprios setores da Intersindical.

O respeito à democracia operária foi um aspecto ressaltado também por Cleber Rabello, dirigente da Construção Civil de Belém (PA). ”Imaginem numa assembleia para decidir a greve, ter uns poucos contrários, a gente pegar e falar: 'pessoal, não tem consenso, então vamos voltar para os canteiros de obra”, disse, mostrando na prática o imobilismo que a proposta de consenso provocaria na nova entidade.


Pra resistir, pra ocupar, CSP Conlutas pra lutar

Após uma ampla discussão, finalmente a reunião da coordenação nacional aprovou o nome da nova entidade. Foram defendidas três propostas: “CSP (Central Sindical e Popular)”, “CSP Conlutas” e “Conlutas-Intersindical CSP”. Por 128 votos foi aprovado “CSP Conlutas”, contra 26 votos para “CSP” e apenas 5 para a terceira proposta. O nome expressa o caráter sindical e popular da nova entidade, assim como o patrimônio organizativo e de princípios acumulado pela Conlutas nesses seis anos de existência. “Pra resistir, pra ocupar, CSP Conlutas pra lutar”, entoaram em coro os ativistas.

A reunião elegeu ainda os 27 nomes da Secretaria Executiva Nacional da CSP Conlutas, contemplando todos os diferentes setores que estão no processo de construção dessa nova central.

Com o nome da nova entidade definido, os dirigentes aprovaram um plano de lutas para o próximo semestre que abarca as campanhas salariais das categorias em curso, a luta contra o veto ao fim do fator previdenciário, o combate à criminalização dos movimentos sociais, culminando num dia unificado de mobilização em 10 de agosto. Além disso, foi aprovado também a realização de manifestações contra a ocupação militar do Haiti nesse dia 28 de julho.

A dirigente do Cpers, Neida Oliveria, expressou bem o processo que foi o Conclat. “Recuso-me a considerar o Conclat uma derrota; assim que saímos de lá e retornamos ao estado, fomos apoiar uma luta contra o despejo de inúmeras famílias e dissemos: 'nós representamos a nova central fundada no Conclat”, afirmou a dirigente, enfatizando ainda que ”não devemos paralisar. A primeira reunião da Coordenação Nacional da nova CSP Conlutas mostrou que, apesar dos impasses no processo de reorganização, a classe trabalhadora do país vai ter uma alternativa de luta e mobilização.

Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Construir as lutas e reafirmar a democracia operária são as tarefas da nova central

Aproximadamente quatro mil ativistas (dentre eles, três mil delegados) estiveram presentes em Santos, nos dias 05 e 06 de junho, para fundar uma nova central, que reunisse Conlutas, Intersindical e diversos outros setores combativos da esquerda para construir uma alternativa ao sindicalismo de colaboração de classes das entidades governistas (CUT, CTB, Força Sindical, etc.).

Este congresso foi o coroamento de uma ampla discussão em encontros, fóruns e seminários estaduais com forte participação das entidades de base, que construíram um consenso ao redor da proposta de formação de uma central alternativa às centrais governistas, com um programa de total independência de classe, anticapitalista, internacionalista e com uma plataforma de ação não apenas para as lutas imediatas, mas que pudesse superar o economicismo e travar uma luta política pela transformação da sociedade, pelo socialismo.

Além de todo acúmulo ao redor dessa plataforma – o que cala as provocações de alguns grupos que se entrincheiram na exigência de um programa que já existe –, também houve um acordo muito importante entre todas as organizações convocantes do CONCLAT: as diferenças que existissem deveriam ser resolvidas pela base, no próprio congresso, a partir da manifestação daqueles que foram legitimamente eleitos pelos trabalhadores para decidir sobre a nova central.


A nova central e a democracia operária: uma questão de princípio e metodologia

Mesmo diante de todo o acordo sobre o programa, concepção de movimento, conjuntura, plano de lutas e inclusive sobre o estatuto da nova central, setores como a Intersindical, MAS (Movimento Avançando Sindical) e Unidos para lutar (CST/PSOL e FOS) decidiram romper com o congresso após a votação sobre o nome da entidade, que agora se chama Conlutas-Intersindical: Central Sindical e Popular (proposta formulada pelo MTL), por decisão de aproximadamente 2/3 do CONCLAT.

Infelizmente, os companheiros partiram para uma posição que se resume no seguinte: “sou minoria, mas se a base não aprovar o que estou defendendo, rompo imediatamente”. Na verdade, essa é uma prática muito comum no interior da CUT, onde prevalece os acordos entre as correntes em detrimento das decisões pela base. Os companheiros precisam se desvencilhar dessa metodologia, não apenas porque ela já se mostrou fracassada na construção dos organismos de frente única, mas também porque isto rompe com tudo o que foi acumulado antes do CONCLAT.

Como exemplo de respeito à democracia operária e de uma compreensão correta dessa metodologia que devemos utilizar para dirimir as divergências, temos a declaração dos companheiros do MTST e da Conspiração. Ambos defenderam e votaram contra o nome defendido pela maioria da Conlutas e pelo MTL, mas respeitaram o entendimento de que os delegados do congresso decidiriam as diferenças no voto e por isso, continuarão na construção da nova central.

Essa ruptura pode se mostrar como algo desmedido diante de uma polêmica “fútil”, mas isto é apenas a aparência. Na essência, essa atitude absolutamente equivocada deixa à mostra uma dificuldade desses companheiros para colocar em prática algo que para nós deve ser princípio: a democracia operária.

Permitir que a nova central já nascesse com esses vícios seria construir um instrumento que já surge com graves problemas de princípio e de método. O tencionamento que se deu feito mediante a diferença do nome hoje (mesmo que alguns a considerem irrelevante), surgiria amanhã perante outras diferenças que porventura surjam, inclusive as políticas e programáticas. Foi exatamente por não levar em conta o critério da democracia operária, mas sim as decisões de cúpula, que a CUT se transformou num aparato fossilizado que não se pode mudar por dentro. Não queremos isso para a nova central.


O oportunismo gêmeo do sectarismo

Um elemento bem secundário, mas bastante excêntrico no CONCLAT foi a participação dos pequenos grupos de ultra-esquerda. Embora as já conhecidas e esdrúxulas caracterizações políticas de que há um processo de ofensiva revolucionária que determina a construção de greves gerais, políticas de liquidação imediata das organizações centristas e a edificação de sindicatos vermelhos tenham estado completamente à margem do centro da discussão do CONCLAT, pudemos ver um fenômeno interessante, expresso na posição que alguns desses grupos tiveram diante das polêmicas da unificação e frente o rompimento da Intersindical com o congresso.

Alguns agrupamentos que antes tinham um discurso contrário à unificação e que caracterizavam o processo como um “rebaixamento de programa” fruto da “aniquilação do papel progressivo da Conlutas”, que cada vez mais “descia ralo abaixo”, estranhamente mudaram de posição, sem qualquer autocrítica. Subiram ao palco para falar da “importância da unificação” e fizeram um balanço da Conlutas oposto ao que defenderam em suas bases e nas próprias teses que escreveram. Talvez a presença de mais de quatro mil lutadores que envidaram esforços para construir uma alternativa à traição das centrais governistas que realmente enfrente os patrões e a Frente Popular, tenham constituído uma pressão social que fez esses companheiros refletirem melhor suas posições.

Já sobre a questão da ruptura da Intersindical, a coisa foi ainda mais interessante. Os mesmos grupos que estavam contra a unificação, agitando esse setor como “semi-governista”, “pelego” e “traidor de greves”, uniram-se aos argumentos da Intersindical para imputar à maioria da Conlutas a responsabilidade sobre o racha do Congresso. Alguns companheiros desses agrupamentos se mostraram inclusive “traumatizados” com o ocorrido, armando-se dos mesmos argumentos de “hegemonismo” por não se ter “aberto mão do nome da central”, falsificando completamente a democracia operária que marcou o CONCLAT e garantiu não apenas que todas as decisões (inclusive a questão da voz dos observadores e do encaminhamento das deliberações dos grupos para a Coordenação) em base ao voto dos delegados eleitos pela base, mas sobretudo que grupos que não possuíam sequer uma dezena de delegados pudessem apresentar teses, defender propostas e se expressar em pé de igualdade com todos os outros.

Na verdade, posições como estas expressam a face oportunista do sectarismo. Organizações que em princípio – para serem coerentes – estariam hoje satisfeitas com a ausência da Intersindical na nova central e que em discurso dizem ter acordo com a democracia operária, agora procuram construir invectivas para manchar a postura firme da direção da Conlutas e as decisões da instância do congresso. Esse oportunismo reflete a total falta de compromisso dessas organizações com a reorganização e com a luta da classe, na medida em que se ocupam apenas travar uma luta política a partir das intrigas e dos seus balanços tortos, para se construir.


É preciso remotar a unidade e respeitar a democracia!

Embora a nova central tenha sido criada, sabemos que ela poderia estar muito mais forte. O rompimento da Intersindical, Unidos e MAS (que representavam aproximadamente um terço do congresso), longe de ser uma vitória, não é o que queríamos.

Por isso, temos claro de que é preciso retomar a unidade em torno desse novo instrumento. Nós fizemos o chamado aos companheiros desde o encontro de Luziânia, que deu origem à Conlutas. Os companheiros preferiram aprofundar sua experiência na CUT e a história mostrou que eles deveriam ter vindo conosco. Depois de romperem com a CUT, os companheiros passaram mais de dois anos discutindo os princípios, o programa e agora, rejeitam uma unificação apenas porque parte de suas propostas foram vencidas. Acreditamos que isso é um equívoco e a luta de classes será impiedosa com os que insistirem nesse erro.

Tivemos toda a paciência com os companheiros, quando ainda optaram por permanecer na CUT e continuáramos tendo também agora, pois unificar os setores do movimento que são oposição de esquerda à burguesia, à direita tradicional e à Frente Popular não é um fetiche, é uma NECESSIDADE.

Independentemente desse revés, a nova central foi criada e já se coloca nas ruas. Nossa primeira luta será para obrigar que Lula não vete o reajuste dos aposentados e o fim do fator previdenciário. Paralelo a essa e a todas as lutas em defesa dos interesses dos trabalhadores e da transformação da sociedade, segue também nossa batalha para que a Intersindical e os outros que romperam compreendam a necessidade de respeitar a democracia operária, acatar a vontade da maioria do Congresso e, principalmente, que entendam que precisamos estar juntos nessa luta, fortalecendo um pólo combativo contra o Governo Lula, as direções traidoras e em defesa do socialismo.

Nova central é fundada, mas setor minoritário rompe com o Congresso

Surge a “Conlutas-Intersindical CSP”; luta agora é pela consolidação da nova entidade nas lutas e a retomada da unidade


O aguardado Congresso da Classe Trabalhadora, realizados nos dias 5 e 6 de junho em Santos (SP), reuniu cerca de 3 mil delegados e 4 mil participantes no geral, representando uma base de algo como 3 milhões. Sua deliberação mais importante foi a fundação de uma nova central sindical no país.

O Congresso da Classe Trabalhadora foi convocado pela Conlutas, Intersindical, MTST, MAS, MTL e Pastoral Operária. Foi o resultado de um processo de discussão que durou, no mínimo, dois anos e que envolveu encontros, seminários, reuniões e debates em todo o país. Para se ter uma ideia, foram apresentados e debatidos nada menos que 20 teses.

Deveria ter terminado com uma enorme festa expressando esse importante passo no processo de reorganização. O final, porém, teve algo de melancólico. Isso porque um setor minoritário do congresso decidiu abandonar o plenário ao ser derrotado em uma das votações.


Central classista, popular e estudantil

A plenária final do congresso, no dia 6, concentrou as deliberações mais importantes, como o caráter dessa nova entidade. Após uma rica discussão, os delegados aprovaram que a nova central será composta pelos trabalhadores organizados nos sindicatos, mas também pelos movimentos sociais e populares, além dos estudantes.

A partir de um acordo entre os diferentes setores, chegou-se a um modelo de composição da entidade que possibilita a unidade operário-estudantil, mas limita a representação dos estudantes a 5%, assim como de movimentos contra a opressão, a fim de deixar claro o protagonismo da classe trabalhadora.


A polêmica do nome

Após várias votações importantes, como a forma de direção da nova entidade, seu caráter, assim como importantes temas de conjuntura, como a apresentação de um programa dos trabalhadores nas eleições, o plenário foi votar o nome da nova entidade. E aí foi que a polêmica se instaurou.

A Conlutas havia proposto o nome “Conlutas-Intersindical”, expressando as duas principais organizações que deixariam de existir para dar lugar à nova central. Setores como a Intersindical, sem uma proposta fechada, requisitaram um tempo para formular uma. Após aproximadamente 20 minutos de intervalo, chegaram à proposta de “Ceclat (Central Classista dos Trabalhadores)”. Havia ainda uma terceira proposta, de Cocep, da LBI, que recebeu poucos votos.

Janira Rocha, dirigente do MTL-PSOL, tentou mediar a polêmica propondo o nome de “Conlutas-Intersindical Central Sindical e Popular”, o que foi aceito pela Conlutas, mas não pelos demais setores.

Após muitos momentos de tensão, os nomes foram à votação. A bancada encabeçada pela Intersindical chegou a vaiar e ofender a defesa do nome proposto pela Conlutas, realizada por Zé Maria. O dirigente respondeu pedindo ao plenário que ouvisse e respeitasse a intervenção do representante da Intersindical, Edson Carneiro (Índio), que viria falar logo após.

Ficou claro que a real polêmica em relação ao nome era a simples menção ao termo “Conlutas”. A proposta da junção dos dois nomes simboliza a experiência acumulada nos últimos anos. A Intersindical pretendia, porém, apagar o nome “Conlutas”, nem que para isso fosse preciso abrir mão do próprio nome e história.


Ruptura e retomada do congresso

Na votação, a proposta final formulada pelo MTL venceu com cerca de dois terços do plenário. Algo natural em um congresso onde se votam e se aprovam propostas. Mas não para o setor que ali, naquela questão específica, havia sido derrotado. Após a votação, esse setor encabeçado pela Intersindical se retirou do congresso.

Além da Intersindical, se retiraram do congresso a corrente Unidos para Lutar (CST-PSOL), e o MAS (Movimento Avançando Sindical, corrente prestista com presença em Santa Catarina).

Diante dessa difícil situação, o plenário foi reinstalado, mas ao invés de eleger uma nova direção executiva, os delegados resolveram eleger uma direção provisória até a próxima reunião. É uma tentativa de se mediar uma solução diante dessa crise.


Conlutas-Intersindical CSP

Uma nova central foi fundada por um congresso muito representativo. Certamente, uma central não tão forte quanto se poderia. Mas ela já é uma realidade e sua consolidação se dará no dia-a-dia das lutas da classe trabalhadora, como já aponta o plano de lutas aprovado pelo congresso.


Zé Maria e Cacau falam sobre os congressos e a ruptura




Retirado do Site do PSTU

sábado, 5 de junho de 2010

Congresso da Conlutas aprova unificação com Intersindical

Numa decisão histórica, a grande maioria dos delegados aprovou, o chamado à unificação com a Intersindical e demais setores que estarão presentes no Congresso da Classe Trabalhadora, que acontece dias 5 e 6 no mesmo local. A votação foi uma das últimas na plenária final do Congresso da Conlutas, na noite desse 4 de junho.

“Essa unificação é fruto de dois anos de discussão na base; já estamos unidos nas lutas, agora temos também que forjar uma alternativa política ao sindicalismo chapa-branca da CUT e das outras centrais governistas”, discursou Geraldo Correa, o Geraldinho, da Secretaria Executiva Nacional da Conlutas. “Não estamos aqui fazendo uma unidade sem princípios, mas um ato histórico”, afirmou, sendo efusivamente aplaudido pelos delegados.

O plenário veio abaixo no momento da votação que aprovou a unificação, sob os gritos de “sou Conlutas, sou radical; não sou capacho do Governo Federal”.


Importância histórica na reorganização

Apesar de os delegados terem aprovado por ampla maioria a unificação da Conlutas e, portanto, o seu fim tal como existe hoje, poderia soar contraditório o balanço positivo aprovado pela maioria dos delegados. Tal resolução, porém, não só não se contrapõe a essa avaliação, como é o seu desdobramento. “Cada companheiro aqui deu o melhor de sua vida para a construção da Conlutas”, afirmou Zé Batista, operário da construção civil de Fortaleza(CE) e também da Secretaria Executiva Nacional da Conlutas.

Batista relembrou também os anos difíceis em que a Conlutas se consolidou. “Mais do que nunca temos que ter orgulho de termos construído a Conlutas, pois a construímos nos anos de governo de frente popular, contra vários que diziam que não daria certo, que éramos divisionistas”, disse, visivelmente emocionado. Além do governo, a Coordenação teve que enfrentar nesses anos as centrais que se uniram na prática ao redor do governo. Ele afirmou ainda, como parte do balanço, que desde seu início a Conlutas colcou como objetivo se unificar com outros setores a fim de constituir uma alternativa, superior, de luta aos trabalhadores do país.

“É hora de dar um passo à frente na unificação dos trabalhadores”, terminou Zé Batista, sob os aplausos do plenário.

Além da unificação, foi também aprovado o caráter sindical, popular e estudantil da nova entidade a ser fundada durante o Congresso da Classe Trabalhadora, assim como a proposta de formato da direção a ser levada ao congresso, inspirada na organização da direção da Conlutas. Ou seja, aberta, democrática e baseada nas reuniões bimestrais da uma coordenação composta por todas as entidades que façam parte desta nova organização.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 31 de janeiro de 2010

Fórum Social Mundial/2010: Dirigentes falam sobre perspectivas do congresso de unificação em junho

Durante a reunião Nacional da Conlutas, no Fórum Social Mundial Temático da Bahia, dirigentes sindicais, do movimento estudantil e popular falaram para o Portal do PSTU sobre as expectativas em relação ao Congresso dos Trabalhadores, que acontecerá em junho deste ano. Segundo Cabral, do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São José dos Campos e Região e do grupo Unidos para Lutar, a expectativa é de um debate fraterno: “Sabemos que temos diferenças, mas não queremos que elas não sobreponham a um processo muito maior que é o da construção de uma nova central sindical e popular contra o peleguismo e aqueles que traem a classe trabalhadora”.

A Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL), que participou dos seminários sobre reorganização sindical em diversas capitais e regiões do país, acredita que a unidade operária, estudantil e popular é importante para o conjunto das lutas no Brasil. “Experiências mostraram que a consolidação da aliança da classe trabalhadora com o movimento estudantil, o movimento de combate às opressões e os movimentos populares numa única organização pode ter conseqüências importantes para o conjunto da luta de classes no país”, comentou Camila Lisboa, da comissão executiva da ANEL.

O Seminário Nacional sobre a reorganização do movimento sindical em novembro do ano passado, que deliberou pela construção do Congresso dos Trabalhadores em junho deste ano, para Penha, do Sepe-RJ, foi um passo vitorioso da classe trabalhadora brasileira. “Eu me senti construindo a CUT lá atrás. Chegamos desanimados, achando que não ia sair nada, mas cada um cedeu um passinho a frente e saiu o congresso pra junho. Agora, nós esperamos e batalhamos para que no meio do ano a unificação aconteça”, disse.

Para Zé Maria, da direção nacional do PSTU, a expectativa é de que o congresso possa firmar a unificação entre a Conlutas, a Intersindical, o MTL, o MTST, a Pastoral Operária e o Movimento Avançando Sindical em uma nova central, mas ao mesmo tempo manter o conteúdo político do projeto que vem sendo cumprido através da Conlutas.

“Queremos manter a estratégia socialista, construir uma organização que reúna todos e todas que queiram lutar contra o capitalismo, dos trabalhadores que estão organizados nos sindicatos, aos movimentos populares, passando pela juventude e os movimentos de luta contra as opressões. Nós queremos que seja uma organização democrática, que funcione em base no critério de democracia operária, na qual, a base deve decidir os rumos da central. A construção do Congresso, portanto, vai exigir um esforço organizativo, financeiro e político muito grande para que não só consolide a unificação, mas também que essa consolidação seja fundada nesse conteúdo construído durante esses anos no interior da Conlutas”, finalizou o dirigente.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Conlutas reafirma compromisso com a unificação

Nos dias 11 a 13 de dezembro, em Belo Horizonte (MG), aconteceu a reunião da Coordenação Nacional da Conlutas. Apesar da proximidade do final do ano, a reunião foi muito representativa, contando com a presença de 165 participantes. Desses, 83 eram representantes com direito a voto e 82 observadores. Estavam representadas 43 entidades sindicais, 17 minorias de entidades e oposições sindicais, três movimentos populares urbanos e quatro entidades estudantis.

No primeiro dia da reunião, foi discutida a conjuntura nacional e as atividades. Neste ponto foi realizado o balanço das atividades da Conlutas durante o ano de 2009, especialmente as iniciativas da entidade contra os ataques do Governo Lula e dos patrões sob a classe trabalhadora devido a recessão que se instalou no país no final de 2008, além da intervenção vitoriosa da coordenação nas campanhas salariais do segundo semestre deste ano.

Neste ponto foi assumido o compromisso de todas entidades e movimentos presentes em se lançarem no esforço de convocação da plenária nacional da reorganização, que acontecerá no dia 30 de janeiro, durante o Fórum Social Mundial de salvador (BA). Nesta plenária, a Conlutas discutirá conjuntamente com as outras entidades um plano de ação para as lutas da classe trabalhadora e da juventude no ano de 2010.

Ainda no dia 11, foi discutido o ponto sobre a organização e trabalho de base. O companheiro Zé Maria apresentou um texto de contribuição propondo que as entidades e movimentos da Conlutas busquem no próximo período dar um salto na organização dos ativistas na base das fábricas, locais de trabalho e estudo.

Neste ponto, foi definido que a Conlutas levará esta importante discussão para a base de suas organizações filiadas, construirá em 2010 uma campanha política para regulamentar em Lei o direito dos trabalhadores de se organizarem sindical e politicamente nos locais de trabalho, realizando este ponto de discussão também no Congresso da Conlutas, que acontecerá nos dias que antecedem o congresso de unificação.

No dia 12, a reunião da Coordenação Nacional discutiu o processo de reorganização e a convocação do Congresso de unificação e do Congresso da Conlutas. A reunião reafirmou as posições políticas defendidas pela Conlutas nos debates que antecederam o seminário nacional de reorganização de novembro passado, principalmente a defesa do caráter sindical e popular, com presença deliberativa dos movimentos de luta contra as opressões e do movimento estudantil na nova organização e a construção da estrutura de direção da entidade respeitando a democracia operária e formada a partir dos representantes das entidades do movimento. Ao final do segundo dia foram realizada as reuniões dos GTs de Mulheres, de Negros, da Educação, da Saúde, dos Aposentados, do Funcionalismo Público e o de Comunicação.

No dia 13, último dia da reunião, foram votadas as resoluções políticas, especialmente a resolução das campanhas internacionais, destacando a campanha pela retirada das tropas brasileiras do Haiti e a campanha contra a Guerra do Afeganistão. Também neste dia foi definido um esforço especial no final do ano e em janeiro para regularizar junto ao Ministério do Trabalho a filiação formal de todos os sindicatos que já se definiram politicamente pela participação na Conlutas.


2010 marcará a unificação da Conlutas e da Intersindical

O principal fato político do processo de reorganização no ano que vem será, sem dúvida nenhuma, a realização do Congresso da Classe Trabalhadora (Conclat), que discutirá a possibilidade de unificar a Conlutas, a Intersindical, o MTST, o MTL, o MAS e representantes da Pastoral Operária de SP em uma mesma entidade nacional de frente única.

Mais do que a soma aritmética das entidades que já participam das organizações que o convocam, o Conclat vem se transformando em um pólo de atração para ativistas, movimentos e entidades sindicais que fazem experiência com a política governistas da maioria das centrais sindicais, especialmente a CUT.

A Coordenação Nacional da Reorganização em sua última reunião já definiu que o Congresso de unificação acontece nos dias 5 e 6 de junho em Santos (SP), e será composto por delegados eleitos na base do setor sindical e do movimento popular. O movimento estudantil e os movimentos de luta contra as opressões participarão, em um primeiro momento, como observadores no Conclat. Mas, uma das a primeiras decisões será sobre o caráter da nova organização, onde a Conlutas defenderá que também estes movimentos participem com direito de voto na nova organização, com um limite de 5%, para que seja garantido que a classe trabalhadora tenha centralidade da nova entidade.

O Conclat definirá também o programa, os estatutos e a forma de funcionamento da nova entidade. A Conlutas defenderá neste congresso a experiência de funcionamento que vem sendo atualmente aplicada, especialmente com a manutenção na nova organização da importância fundamental da coordenação nacional de entidades, que se reúne a cada dois meses, com representantes diretos das entidades filiadas, e que define os rumos da entidade.


Pontapé inicial para o Conclat será dado no Fórum de Salvador

No dia 30 de janeiro, durante a realização da edição do Fórum Social Mundial em Salvador (BA) – marcado para os dias 29 a 31 de janeiro, acontecerá uma Plenária Nacional do processo de reorganização. Nesta plenária será definido além de um plano de ação conjunto de todas as entidades envolvidas para 2010, serão lançados os materiais de convocação oficiais para o Conclat. Na plenária serão informados também os critérios de participação no Conclat, especialmente as formas e critérios para a eleição dos delegados.

Todas as entidades e movimentos que estão participando deste processo de reorganização devem enviar representantes para esta importante plenária, que será o primeiro passo para realizarmos em junho de 2010 um congresso de massas para selar a unificação em uma mesma entidade a Conlutas e a Intersindical, além de outras entidades e movimentos.

Outras importantes atividades acontecerão durante o Fórum de Salvador, como a segunda assembléia nacional da Anel, as atividades contra o racismo e o machismo convocadas respectivamente pelo Quilombo Raça e Classe e o Movimento Mulheres em Luta, movimentos de luta contra as opressões ligados a Conlutas, e uma mesa de discussão convocada pela Frente Nacional dos Petroleiros (FNP).

Durante a edição do Fórum Social Mundial em Porto Alegre (RS), dos dias 25 a 29 de janeiro, será realizada também uma reunião sobre o processo de reorganização, garantida pelas entidades que estarão participando também desta edição do fórum.

A programação exata das atividades políticas que a Conlutas participará em ambas as edições dos fóruns será anunciada no início de janeiro.


Congresso da Conlutas em junho

Nos dias que antecedem ao Conclat, dias 3 e 4 de junho, também na cidade de Santos (SP), a Conlutas realizará o seu Congresso. O principal ponto do Congresso será justamente o processo de reorganização e a definição final sobre a unificação da Conlutas com a Intersindical e as demais entidades e movimentos envolvidas neste processo.

Outro ponto importante do Congresso será a discussão sobre organização e trabalho de base, onde será proposto que a luta por dar um salto na organização dos ativistas da classe trabalhadora nos locais de trabalho será uma das marcas das entidades e movimentos da Conlutas no interior da nova organização que pode surgir do Conclat.

Até junho de 2010 seguiremos construindo a Conlutas, buscando que ela responda, de forma unificada com as outras organizações, aos processos de luta da classe trabalhadora e do conjunto dos explorados e oprimidos, filiando novas entidades a Conlutas e tentando atingir a meta de legalização formal da Conlutas, para colocar estes avanços políticos e organizativos que atingimos na Conlutas a serviço da nova organização.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Um seminário que pode ficar na história

Congresso em 2010 deve fundar uma nova central e fazer avançar a reorganização dos trabalhadores

Nos abraços fortes se mostrava a alegria. Em alguns rostos, lágrimas de emoção. Militantes da Conlutas usavam também no peito os adesivos da Intersindical e vice-versa. Terminou em vitória o Seminário Nacional de Reorganização, nos dias 1º e 2 de novembro, em São Paulo. A emoção foi maior porque se definiu convocar um congresso unitário para 2010.

No congresso, a base irá decidir sobre as diferenças apresentadas nos 25 debates regionais que antecederam o seminário. Existiam grandes acordos como a necessária independência frente ao Estado, a perspectiva socialista, a defesa da ação direta das massas como instrumento privilegiado de luta e muitos outros temas. Mas também surgiram diferenças importantes.

As duas maiores eram sobre o caráter da nova central e sobre a composição da direção. Sobre o caráter, a Conlutas defende uma central que, além dos sindicatos, incorpore o movimento popular e estudantil e os movimentos contra as opressões. Já a Intersindical e outros setores defendem uma central fundamentalmente sindical.

Em relação à composição da direção da central, a Conlutas defende que ela seja indicada pela base a partir das organizações filiadas, com os critérios tradicionais de proporcionalidade direta. Já a Intersindical privilegia, em um primeiro momento, um acordo entre as correntes políticas da central.

A Conlutas propôs duas alternativas, caso não se superassem as diferenças: a primeira seria fazer o congresso de unificação em base aos acordos que já existem, e deixar a base do congresso decidir as diferenças, com o compromisso de todos de acatar o resultado da votação. Nesse caso, a Conlutas propunha que os delegados dos sindicatos – cuja participação e poder de voto ninguém questionava – decidissem sobre as diferenças. Uma segunda proposta era de, caso não houvesse acordo, manter uma Comissão de Reorganização, com um plano de ação unificado e a continuidade das discussões, dando tempo para que as diferenças fossem superadas.

Durante o seminário, a discussão sobre estes temas se fez presente já no primeiro ponto, que deveria discutir a conjuntura política. Houve uma novidade importante, com a representante do MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade), Janira Rocha, fazendo uma defesa acalorada na necessidade da unidade e apoiando a proposta da Conlutas de que o próprio congresso unificado deliberasse sobre as diferenças. Foi seguida por outros setores, como o MTST, com a mesma compreensão. Nessa noite, na comissão que dirigia os trabalhos, só os representantes da Intersindical seguiam contrários a essa proposta.

No dia seguinte, no entanto, pesaram mais os pontos de acordo existentes e a perspectiva de uma central unitária. A Intersindical reavaliou sua posição, e foi possível apresentar ao plenário uma proposta unificada, que inclui a marcação do congresso unitário para o início de junho de 2010, onde os delegados do movimento sindical e popular irão decidir sobre as diferenças.

A alegria explodiu entre os delegados. Em todos estava presente o sentimento de ter participado de um encontro que pode ter um caráter histórico. Após a aprovação das resoluções e moções, o seminário terminou com os militantes cantando unidos o hino da Internacional.





O que foi dito

A principal pauta colocada para os trabalhadores hoje é a construção de uma ferramenta que tenha capacidade de pegar tudo o que está fragmentado e colocar junto sob uma única direção.
Janira Rocha – MTL

A reorganização é para nós estratégica e central. A fragmentação e o isolamento só reforçam a perda de nossas capacidades e a potência do movimento. Esse processo requer paciência, mas também entendendo a urgência.
Helena Silvestre – MTST

Temos pontos divergentes, mas também não são poucos os pontos que nos unem (...) É necessário agora, a fim de avançar na unidade, novas práticas e relações éticas e de fraternidade.
Lujan Miranda (PSOL e Intersindical)

Estamos bastante otimistas, pois achamos que nesse seminário foi possível construir as possibilidades reais para a unificação da Intersindical, Conlutas e outros setores. Agora, o próximo período é organizar a luta da classe trabalhadora e construir uma direção à altura dessa tarefa.
Neida Oliveira, Cpers, Bloco Resistência Socialista – Conlutas

Esse seminário foi um avanço muito importante na construção dessa ferramenta para a luta dos trabalhadores, dos movimentos sociais e da juventude desse país. Achamos que essa nova central deve ter um caráter sindical, mas também agregar o movimento social, popular e estudantil, pois sabemos que isso irá fortalecer o caráter classista dessa central.
Saulo Arcangeli (Sintrajufe-MA), PSOL e Conlutas

Acho que o principal resultado desse seminário foi o agendamento do congresso para 2010 e a resolução de que seja a base que decida. Isso, para o Andes, é fundamental. E essa nova central deve ser democrática, dirigida pela base e, principalmente, tem que ter um nível de liderança muito próxima da que vínhamos fazendo com a Conlutas, com coordenações, reuniões periódicas, para que não voltemos atrás e fazer com que apenas a cúpula decida.
Milton Vieira do Prado Junior – Andes

Estamos aqui dando um passo importante na possibilidade de uma alternativa classista, internacionalista. A Pastoral não tem posição fechada sobre o caráter da nova entidade, mas achamos que ela deve ser classista e profundamente democrática.
Paulo Pedrini – Pastoral Operária Metropolitana de São Paulo





Resoluções

· Realização de um congresso, de 3 a 6 de junho de 2010, para a fundação de uma nova central
· Votam nesse congresso delegados eleitos pelo movimento sindical e movimento popular que estão hoje comprometidos com o processo de reorganização
· Esse processo será organizado por uma Coordenação pró-central, com a seguinte representação: 9 membros da Conlutas, 9 da Intersindical, dois do MTL, dois do MTST, dois da Unidos para Lutar, dois do MAS, dois da Pastoral Operária, dois da Corrente Trabalho e Emancipação e dois da FOS.
· Realização de uma plenária durante o Fórum Social Mundial em 2010 em Porto Alegre (RS).
· Plano de ação para o próximo período, com o apoio ativo às principais lutas.

Retirado do Site do PSTU