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terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

O “Oriente Médio” e a Revolução Permanente


Egito: protestos contrários ao presidente Mursi dois anos após as revoltas que derrubaram Mubarak
Entre 1905 e 1906, o jovem revolucionário Leon Trotsky, sob o impacto da Revolução de 1905, formulou as bases de sua conhecida Teoria da Revolução Permanente. Nesse período, o pensamento hegemônico no marxismo russo se apegava à ideia de que a Rússia deveria, primeiramente, passar por uma revolução burguesa e consolidar o Estado democrático-burguês para, só então, pensar em uma revolução socialista. Essa ideia tinha implicações práticas, uma vez que se desdobrava no apoio e na submissão política dos socialistas frente aos liberais.

A partir de uma análise da formação histórica e econômica do Império Russo, Trotsky se colocou diametralmente contra esse paradigma. Para ele, a débil burguesia russa nasceu e se desenvolveu sob o patrocínio da autocracia czarista e, dessa forma, não constituía uma força revolucionária tal qual a burguesia francesa, por exemplo. Por outro lado, apesar de o proletariado russo constituir uma minoria em relação à população absoluta, a concentração industrial e o porte das indústrias possibilitaram a formação de um proletariado altamente combativo e revolucionário.

Assim, para Trotsky, a Rússia não precisaria necessariamente passar pelo período de consolidação burguesa, como pregavam os mencheviques por exemplo. Não precisaria e não poderia, uma vez que a burguesia russa seria “por natureza” reacionária. Trotsky rompeu com o menchevismo justamente nesse ponto, ou seja, ao propor que a revolução na Rússia deveria ser permanente, passando da fase burguesa ininterruptamente para a fase socialista. Dessa forma, mesmo as “conquistas tipicamente burguesas”, como liberdades civis e políticas, deveriam ser levadas sob a liderança do proletariado. Uma vez no poder, esse proletariado não trabalharia no sentido de manter sua própria exploração, ao contrário, iniciaria a fase socialista da revolução, expropriando os meios de produção e colocando-os sob seu controle.

As atuais revoluções no Oriente Médio[1], que ficaram conhecidas como a “Primavera Árabe”, revelam um forte descontentamento com os regimes políticos autoritários e opressores, que por muito tempo conseguiram conter pela força das armas os anseios populares. Na Síria, uma verdadeira Guerra Civil colocou o povo e diversas lideranças tribais em armas contra o regime de Bashar Al-Assad. Na Líbia, o descontentamento popular culminou na derrubada do governo do fossilizado Khadafi. No Irã, apesar de contida pela repressão, a insatisfação não é menor e isso ficou evidente na última eleição de Mahmoud Ahmadinejad. Iêmen, Tunísia etc. A revolução bate as portas. Mas, o caso mais emblemático, parece ser o Egípcio.

No Egito, apesar da derrubada do presidente Hosni Mubarak, as massas não abandonaram “a praça”, mostrando claramente sua insatisfação com as reformas na superfície política, com o poder que ainda desfruta o exército e com as condições sociais que esmagam o povo. O atual governo da Irmandade Muçulmana, presidido por Mohamed Morsi, tenta calar com a força das baionetas os gritos de “pão, liberdade e justiça social” que ecoa nas ruas. Nessa perspectiva, o Egito é um forte indicativo de que a luta do “povo árabe” por democracia é apenas a ponta do iceberg. A insatisfação é bem mais profunda e a “Primavera árabe” talvez não se detenha em sua fase de construção da democracia burguesa.

Líbia, Síria, Egito Irã, Iêmen, enfim, o que aqui chamamos de Oriente Médio são países caracterizados por economias extremamente dependentes do petróleo e com um proletariado relativamente especializado. Contam também, esses países, com importantes concentrações urbanas. A insatisfação com os regimes autoritários é agravada, ou mesmo despertada, pela péssima divisão da renda do petróleo. Nesse sentido, as contradições sociais parecem profundas demais e talvez não se resolvam com doses homeopáticas de liberdade política. Assim, estaria o “Oriente Médio” condenado a seguir o caminho das democracias ocidentais? A revolução política será inexoravelmente contida na democracia burguesa? Ou ao contrário, o desenvolvimento econômico e social dessa região pode abrir a possibilidade para uma nova e mais profunda forma de democracia, a democracia social pela revolução socialista?

A essas perguntas, só o tempo responderá. E se, por um lado, o porvir ainda não está escrito e comporta uma série de caminhos e possibilidades, uma lição a História ensina: as revoluções são eventos “abertos”, que tornam inevitável o que antes parecia impossível.


[1] O conceito “Oriente Médio” utilizado aqui não é um conceito geográfico, como fica evidente. Sob esse termo refiro-me aos países tanto da Península Arábica como aos do norte da África. O que justifica tal generalização são algumas importantes semelhanças, como por exemplo, o fato de esses países sustentarem suas economias com a exploração do petróleo e seus derivados; a péssima distribuição da renda desse recurso natural; governos autoritários e no plano cultural o islamismo.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

Onde está a revolução e onde está a contrarrevolução na Líbia?

Polêmica com o castro-chavismo e seus repetidores “trotskistas”


Só governo operário e popular poderá garantir liberdades democráticas
O processo revolucionário na Líbia dividiu águas, desde seu início, na esquerda mundial. O fato de produzir-se um levante popular – que rapidamente pegou em armas e originou uma guerra civil – contra um líder político, Muammar Kadafi, que a maioria da esquerda caracterizava de “anti-imperialista”, colocou a discussão sobre se o que acontecia na Líbia era ou não um processo distinto ao que se dava no restante da região: concretamente se estamos diante de uma revolução ou de uma contrarrevolução. Esta polêmica ganhou mais força ainda diante da enorme contradição que representou a intervenção militar imperialista da OTAN, que atuou contra Kadafi, por dentro do mesmo campo militar que os rebeldes armados.

A corrente casto-chavista, que tem um peso importante dentro da esquerda internacional, desde o princípio e até agora, se colocou incondicionalmente ao lado do ditador Kadafi e contra as massas insurretas. Para este setor, o caso líbio era completamente oposto ao da Tunísia ou Egito. O levante popular armado na Líbia não passava de uma macabra “conspiração imperialista” que pretendia derrotar um incontestável “lutador anti-imperialista”, cujo único pecado havia sido sempre defender a soberania e as riquezas de seu país frente às garras das multinacionais. A comprovação mais cabal desta conspiração, à qual todo revolucionário deveria se opor e denunciar, foi a entrada em cena da OTAN. Para finalizar, a queda de Trípoli e a posterior morte de Kadafi, para Hugo Chávez e para os Castro, não podiam senão significar uma enorme vitória do imperialismo, de seus agentes diretos do Conselho Nacional de Transição (CNT), enfim, da contrarrevolução e de seus mercenários pagos, os “rebeldes” (assim, entre aspas), que assassinaram sem piedade nem 'respeito à vida' aquele que estes expoentes do “socialismo do século XX” agora clamam como “um grande lutador, um revolucionário e um mártir”.

Mas a discussão não acaba por aí. A polêmica é tão profunda que se instalou inclusive nas fileiras do trotskismo. Nesse sentido, destacamos o debate aberto com o PTS argentino que, sem reivindicar abertamente o regime de Kadafi, acaba, por outro caminho e com seu costumeiro sistema de frases “ortodoxas”, na mesma posição do castro-chavismo. Eles afirmam que na Líbia quem triunfou foi o imperialismo – que desde que interveio mudou o caráter do processo de progressivo a regressivo apenas com sua aparição – e que as massas armadas organizadas em milícias, ao derrotar Kadafi, não estavam fazendo nenhuma revolução, mas atuando como “tropas terrestres da OTAN” ou “soldados do imperialismo” totalmente centralizadas pelo CNT e instaurando “um governo ainda mais pró-imperialista que o de Kadafi”. Apenas lhes faltou sustentar, pois falta-lhes a coerência que os castro-chavistas têm, que na guerra civil devíamos ter ficado militarmente com Kadafi, uma espécie de mal menor, que estava sendo atacado por nada menos que a “infantaria da OTAN”.

Nós da LIT, pelo contrário, sustentamos desde o começo que na Líbia o que se passava era uma revolução popular e antiimperialista, pois enfrentava a ditadura sanguinária de Kadafi, um dos principais agentes do imperialismo na região. Coerentemente com esta caracterização de onde estava a revolução e onde estava a contrarrevolução, nos colocamos ao lado das massas líbias e saudamos como uma tremenda conquista democrática a destruição do regime Kadafista e o justiciamento do ditador pelas mãos das milícias populares. Com a mesma força, também desde o primeiro momento, denunciamos a intervenção imperialista da OTAN como contrarrevolucionária. Levantando a palavra de ordem “Não à OTAN, Fora Kadafi”, explicamos que a contradição, expressa no fato de a intervenção imperialista ter se dado durante a guerra civil no mesmo campo militar das massas armadas e contra seu agente, Kadafi, se devia à dificuldade política que tem atualmente o imperialismo para invadir de forma direta com suas tropas e ao fato de que se viu obrigado a intervir por dentro de um levante popular armado para disputá-lo e derrotá-lo, tarefa primordial que Kadafi demonstrou ser incapaz de cumprir, convertendo-se assim em um elemento descartável.

Nove meses depois de aberto o processo revolucionário e quase dois após a morte de Kadafi, acreditamos que essa situação não se fechou. A Líbia continua sendo um dos pontos mais altos das revoluções no Norte da África e Oriente Médio, continua sendo um dos pontos culminantes da luta de classes em nível mundial. E o debate, assim como o cenário político, continua. A polêmica segue em um patamar superior, pois, justamente por se tratar de um processo aberto, os fatos começam a confirmar ou negar as diferentes análises, caracterizações e suas respectivas posições políticas. Nada mais evidente, sendo fiéis ao método marxista, que partir dos fatos da realidade para prosseguir navegando nas turbulentas e divididas águas desta fundamental discussão.




Um país devastado

A Líbia do tirano, apesar de ser um país extremamente rico em recursos energéticos, estava imersa na miséria e no atraso. Vejamos algumas cifras. A Líbia possui as maiores reservas de petróleo da África (44 milhões de barris), à frente da Nigéria (37.200 milhões de barris) e da Argélia (12.200 milhões). Em 2009, foi um dos 20 maiores produtores do mundo, sendo o quarto produtor de petróleo da África, depois de Nigéria, Angola e Argélia. Por sua produção de petróleo, a Líbia está na nona posição entre os 12 membros da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP). A isso devemos acrescentar que o petróleo líbio é particularmente apreciado, pois contém pouco enxofre e é fácil de refinar. Oitenta por cento de todo esse ouro negro ia para Europa, principalmente para Itália e França. São conhecidas as grandes companhias presentes em solo líbio: a italiana Eni, a francesa Total e as gigantes anglo-saxônicas British Petroleum, Shell e ExxonMobil. A Líbia ainda conta com reservas de gás natural estimadas em 1.500 milhões de m³.

Diante de nós temos pintado o típico quadro de um país semicolonial. A economia da Líbia é muito dependente do mercado mundial, haja vista que a quase totalidade de suas exportações é de petróleo, enquanto que importa cerca de 90% de seus alimentos e de seus equipamentos industriais. O pequeno país navega em riquezas, enquanto um terço do povo líbio vive abaixo da linha da pobreza e existe cerca de 30% de desemprego. Encontraremos a explicação disto no saque sistemático que faziam – e que agora pretendem continuar fazendo – as empresas petroleiras imperialistas, das quais Kadafi se converteu em dócil agente, em especial a partir do início deste século.

Este modelo de extração foi afetado com o início dos levantes populares. Devido à guerra civil, as exportações de petróleo estão praticamente suspensas. Antes do estouro da crise, se produzia 1,8 milhões de barris de petróleo diários, dos quais se exportava 1,3 milhões. Suas reservas se estimavam em 44 milhões de barris. Toda essa produção caiu a 400 mil barris diários, provocando uma queda de 60% do PIB líbio. Isso é uma catástrofe se levamos em conta que o petróleo representava mais de 95% das exportações e 74% do orçamento estatal. É compreensível o desespero do imperialismo norteamericano e europeu para acabar com o processo revolucionário e retomar a produção anterior à guerra civil. Sobre isso, os analistas burgueses mais otimistas estimam – obviamente tendo em vista a hipótese de que acabe o processo revolucionário – que só em 2013 se poderá recuperar o nível de antes de fevereiro deste ano.

O cenário econômico é péssimo. A situação econômica é caótica e acentua todas as contradições sociais, sobretudo se à estagnação gerada pela situação de guerra civil acrescentamos os efeitos da crise econômica mundial no que diz respeito ao desemprego e ao aumento do custo dos alimentos; elementos que, de fato, estiveram entre as causas que detonaram a explosão popular iniciada em Bengazi. Nenhuma das aspirações socio-econômicas das massas foram resolvidas e esta é a base material que continua impulsionando a luta da classe trabalhadora e do povo líbio, uma luta que, para derrotar Kadafi, custou 50 mil vidas humanas desde fevereiro e que, em que pesem as contradições, conta com importantes condições para se aprofundar.


O CNT se reestrutura em meio a duras crises

A morte de Kadafi abriu um novo momento da revolução líbia. O desaparecimento do “inimigo comum” evidencia todas as contradições de todos os setores que enfrentaram militarmente o ex-ditador.

Tanto para o castro-chavismo quanto para o PTS-FT, o CNT, como principal agente do imperialismo, seria o indiscutível vencedor político-militar de todo o processo de sentido contrarrevolucionário. Desta conclusão podemos deduzir que eles agora deveriam estar saboreando o doce néctar de sua vitória em meio a um passeio. No entanto, a realidade está confirmando outra coisa.

A realidade está demonstrando um processo aberto e em disputa mortal, onde, de um lado, tanto o imperialismo mundial como o CNT se jogam com tudo para liquidar o processo revolucionário, cuja sua primeira condição é desarmar completamente as centenas de milícias populares.

Sua tática central, como desenvolveremos adiante, parece ser a de canalizar as aspirações democráticas e a sede de mudanças reais das massas utilizando um discurso democrático que inclui a promessa de uma saída eleitoral. Em síntese, a tarefa central do imperialismo, através do CNT, é reconstruir urgentemente as Forças Armadas e um estado burguês sobre o desmonte da revolução, colocando esse novo estado a serviço de sugar as riquezas do povo líbio. Do outro lado estão as massas populares, que mantêm sua moral altamente elevada por suas tremendas conquistas democráticas, que desconfiam do CNT e, o mais importante, que continuam armadas e organizadas em milícias.

O CNT, ao contrário do que diz o castro-chavismo e suas variantes, é consciente de que não existe uma correlação de forças totalmente favorável e dá seus passos como se estivesse atravessando um campo minado; se move como um elefante em uma loja de cristais. Pouco depois da queda de Trípoli, em fins de agosto, o CNT anunciou a conformação de um novo governo interino com ampla representação de todas as regiões. Devido às crises políticas, a lista de ministros foi postergada várias vezes e até o então primeiro ministro, Mahmud Yibril, ameaçou renunciar. Encontramos os motivos da demora nos choques de interesses entre os representantes do CNT, empresários formados no exterior ou ex-ministros de Kadafi, e as direções políticas das milícias. Cidades como Misrata, cujas milícias ofereciam uma feroz resistência contra Kadafi (que em certo momento lançou contra esta cidade mais de 18 mil soldados) e exigiam ter mais participação que outras no gabinete. O mesmo ocorria com as milícias de Zintan. Yibril, representante fiel do caráter reacionário do CNT, se opunha alegando que “a guerra e as lutas, não podem ser uma medida na representação de um país” (El País, 30/11).

Em 30 de outubro, como exemplo destas crises, em Misrata aconteceram várias reuniões de rebeldes armados para discutir sua relação com o CNT, instalado em Trípoli. Em uma reunião ampla decidiram continuar sua luta pela “libertação total” e impor seu controle sobre aqueles que pretendem se apropriar de sua revolução e de seus sacrifícios. Uma das propostas foi marchar sobre a capital contra o CNT. Foi assim que se realizou, na noite de quinta-feira, 17 de novembro, uma manifestação de milhares de combatentes armados com fuzis automáticos e acompanhados por camionetes equipadas com morteiros e metralhadoras pesadas, dizendo que eram eles os que deviam aprovar o novo governo. Imaginemos tal cena. Pouco antes dessa manifestação armada, um grupo de 30 comandantes de milícias se reuniu para organizar uma frente comum que consolide sua influência política. Até o momento, a coesão entre as diferentes milícias não é algo assegurado e não foram formuladas demandas específicas. Mas bem poderiam converter-se em um setor político que exerça forte pressão sobre o governo servil do CNT. Em uma declaração, estes líderes milicianos advertiram que “não toleraremos nem perdoaremos que nenhum oportunista crie obstáculos a nossa revolução” (Associated Press, 18/11).

Em meio a toda essa crise política, ao mesmo tempo em que negavam espaços de poder às regiões mais combativas, as autoridades do CNT declaravam suas intenções de instaurar os preceitos legais do islamismo político. Mustafá Abdel Yalil, presidente do CNT, no momento de declarar a “libertação do país”, em 23 de outubro em Bengazi, anunciou diante de dezenas de milhares de pessoas que nenhuma norma poderá contrariar a sharía, o corpo de direito islâmico, que, segundo sustentou, se converterá na principal fonte da legislação do país. Abdel Yalil foi mais longe e falou, inclusive, de instaurar um Estado islâmico onde “qualquer lei que contradiga a sharía será abolida”, onde se acabará com o direito de divórcio, pois “as leis sobre o matrimônio devem ser rechaçadas porque limitam a poligamia e limitam a lei islâmica”.

O titular do CNT, no entanto, adornou seus pronunciamentos falando de respeito aos direitos humanos e aos direitos das mulheres. Nos parece improvável que a intenção real do CNT, composto por liberais laicos, seja instaurar um estado teocrático ao estilo iraniano. Em suma, pelo que parece, poderão avançar no sentido de um islamismo moderado. O apelo ao islamismo, neste caso, tem mais a ver com tentativas de ganhar popularidade e maior aceitação política em um país onde 97% da população professa a religião islâmica.

Finalmente, em 22 de novembro, o CNT nomeou e anunciou um novo gabinete, produto de uma política que pretende aliviar as rivalidades entre as frações regionais. Com 26 votos dos 51 membros atuais do CNT, foi designado como novo primeiro ministro o empresário e professor Abdelrahim Elkib, que possui estreitos vínculos com empresas e universidades estadounidenses e era um alto executivo do setor petroleiro dos Emirados Árabes Unidos. Yibril, corroído pelo desgaste, teve que renunciar pouco antes da nomeação de Elkib, que é outro agente do imperialismo, apenas menos queimado.

A nova conformação do CNT evidencia uma mudança de tática em relação às milícias. Essa instância está demonstrando intenções de debilitar a ação daquelas milícias conflituosas através da cooptação de seus líderes no novo gabinete. O novo primeiro ministro declarou, ao revelar seu gabinete, que “toda Líbia está representada”. Elkib acrescentou, “é difícil dizer que alguma área não está representada” (Terra Notícias, 22/11)

Com efeito, a nova composição do CNT inclui, como Ministro da Defesa, Osama Al-Juwali, comandante do conselho militar da cidade de Zintan, uma das cidades mais combativas na guerra civil, situada nas montanhas de Nafusa, no oeste da Líbia. Juwali, que estava entre os mais críticos ao governo interino, ficou com o cargo depois que suas tropas capturaram, há algumas semanas, Saif al-Islam, o filho de Kadafi. O cargo de Ministro do Interior foi assumido por Fawzy Abdel Aal, um ex-líder das milícias de Misrata. O cargo de Ministro de Relações Exteriores foi ocupado por Ashour Bin Hayal, um diplomata pouco conhecido, originário de Derna, no leste do país, também uma das cidades que mais sofreu a repressão da ditadura kadafista. Hassan Ziglam, um antigo executivo da indústria do petróleo, está a frente da Fazenda. Finalmente, Abdulrahman Ben Yeza, ex-executivo da gigante petroleira italiana ENI, assumiu o Ministério do Petróleo.

A nova conformação do CNT mantém e reforça o caráter burguês-contrarrevolucionário deste organismo. A incorporação de alguns líderes das milícias mais combativas e opositoras ao governo interno é claramente parte de um plano mais amplo para dividi-las e liquidá-las. Mas isso ainda está por vir.

Desta forma, o CNT pretende avançar em seus planos de aplacar o ímpeto revolucionário existente através de eleições constituintes, controladas por eles, que estão anunciadas para meados de 2012. O Parlamento surgido dessas eleições, em teoria, deveria redigir uma Constituição e submetê-la a referendo popular. Finalmente, o último passo anunciado seria convocar, em 18 ou 20 meses, comícios presidenciais. Esse é o plano; a luta de classes dará a última palavra.




Desarmar as milícias...

Este é o ponto crucial da revolução líbia. Nesse momento, podemos afirmar que a única garantia de continuidade do processo revolucionário está na manutenção da organização de amplos setores de massas em milícias armadas. Atualmente continuam existindo centenas de milícias populares que derrotaram as forças kadafistas e que estão em posse de todo tipo de armas. Essas milícias, com toda razão, desconfiam do CNT e resistem, em maior ou menor grau, a entregar suas armas e a submeter-se ao governo provisório.

É sabido que o armamento da classe trabalhadora e dos setores populares é incompatível com o sistema capitalista. A condição básica de um Estado burguês é possuir o monopólio das armas. Por essa razão, para o imperialismo, Israel, as burguesias árabes, o CNT, enfim, para todos os inimigos das revoluções que estão acontecendo naquela região, a tarefa principal é acabar com as milícias. É uma condição básica para poder reconstruir um estado burguês na Líbia. Tal é a estratégia que determina as diferentes táticas políticas do CNT neste sentido.

Pouco depois da queda de Trípoli, o CNT se referia ao desarmamento das milícias em tom agressivo, aplicando uma tática de solução rápida. O ex-ministro do interior, Ahmad Darrat, anunciava, em fins de agosto: “Vamos colocar todas as milícias sob controle militar e recolher todas as armas em mãos da população” (Terra Notícias, 30/08). A intenção expressa era exigir de todos a entrega das armas e incorporar algumas milícias na nova polícia. Mas o tempo e os conflitos de todo tipo com as milícias acabaram por demonstrar aos líderes do CNT que estavam muito longe de ter a autoridade para centralizar o povo armado. Então, mudaram de tática, baixaram os decibéis do discurso. Buscaram novas formas para um mesmo objetivo.

Mais de acordo com a correlação de forças, o novo primeiro ministro Elkib declarou recentemente que “desarmar os ex-rebeldes líbios poderia demorar meses e, além disso, as armas não serão tomadas pela força”. Prosseguiu: “Não obrigaremos o povo a tomar decisões e ações apressadas, nem promulgaremos leis que o impeçam de manter suas armas”. Insistiu em que “não é uma questão lhes dizer: 'Ok, dê sua arma e volte para casa’, essa não é a forma que temos de fazer as coisas”. Em troca prometeu que o governo oferecerá alternativas aos ex-combatentes como educação e empregos. “Trataremos todos os assuntos, os avaliaremos e geraremos programas para darmos conta deles e fazê-los sentir-se importantes”, afirmou. Em um tom muito mais paciente e diplomático finalizou reafirmando sua confiança em que o calendário de transição do CNT chegue a bom termo: “Esperamos que antes de que se concluam os oito meses possamos fazer com que esses combatentes deponham as armas e voltem a suas atividades.” (Associated Press, 4/11).

Por este caminho, o CNT anunciou a criação de um Comitê Supremo de Segurança em Trípoli, que tem como chefe Ali Tarhouni, ex-ministro do petróleo. O governo declarou que a finalidade deste órgão seria, supostamente, garantir assuntos de segurança na capital. Na verdade é uma instância concebida para desmobilizar as milícias.

Para conformar e tentar legitimar este organismo, o CNT se valeu de traições, como a do próprio presidente do Conselho Militar de Trípoli, Abdel Hakim Belhaj, prestigiado ex-lider do Grupo de Combatente Islâmico da Líbia. Belhaj, o mesmo que foi torturado por 7 anos na prisão de Abu Salim, mediante um acordo de Kadafi com a CIA e o MI6, agora é um defensor do desarmamento das milícias e da construção de um exército centralizado pelo CNT. Foi assim que Belhaj se comprometeu publicamente em dissolver rapidamente suas milícias em Trípoli e aceitou ser parte dos 21 membros do Comitê Supremo de Segurança, a ponto de anunciar sua conformação junto com Tarhouni. Recentemente declarou que o exército daria aos “paramilitares” a opção de “incorporar-se ao Ministério de Defesa ou à polícia, ou entregar as armas e voltar à vida civil” (New York Times, 23/11).


...uma tarefa difícil

No entanto, apesar das reacomodações táticas retóricas e as traições de alguns comandantes, a realidade está demonstrando que a tarefa de desarmar as milícias populares não é, nem será, tarefa fácil. Apesar do CNT estar conseguindo cooptar alguns comandantes milicianos, a base das milícias demonstra uma desconfiança importante em relação ao governo interino.

No mesmo sentido, o New York Times informou sobre o surgimento do “Novo Exército Nacional Líbio”, conformado a partir de algumas milícias que foram incorporadas. Este “novo exército” seria um passo adiante do CNT no sentido de cumprir sua obrigação. No entanto, este passo é tão débil que o próprio general Abdul Majid Fakih, responsável pelo mesmo e ex-instrutor da academia militar kadafista, consultado ante o fato de que suas tropas fumam ou atendem celulares enquanto desfilam, afirmou “Ainda não temos bons militares, realmente bons... apenas estamos começando a construir o exército”. E o general tem razão, pois quando este “novo exército” lida com os conflitos armados que se dão entre milícias, poucas vezes sai bem sucedido. Em 15 de novembro, quando foram a Zawiyah (cidade famosa por sua resistência tenaz a Kadafi), segundo a mesma fonte, as milícias mataram 13 soldados regulares, romperam sua promessa de entregar as armas e instalaram uma barreira na principal estrada a oeste da base do exército. Os milicianos disseram que não iriam sair dali. Ali Dow Mohammed, chefe das milícias de Zawijah, disse naquele checkpoint: “O conselho de Zawijah vai decidir o que faremos com nossas armas”. Enquanto isso ocorria os soldados do flamejante exército se dedicavam a pintar os muros de sua base de branco.

Uma mostra contundente do terreno pantanoso em que se move o CNT é a atuação das milícias de Zintan, contraditoriamente, a localidade de onde vem o novo Ministro da Defesa. Mesmo com a cooptação de um alto chefe das milícias o povo segue organizado, armado e controlando estradas e pontos estratégicos em várias cidades. Em 4 de dezembro ocorreu um enfrentamento entre milícias provenientes dessa cidade e o que se descreve como novas tropas regulares em Janzour, uma localidade situada a cerca de 17km a oeste da capital. O enfrentamento deixou um oficial regular morto. Um capitão do que se pretende que seja o novo exército oficial, Hakim al Agouri, comandante do exército em Al Maya, frente a tudo isto, concluiu que “não podemos mandar às milícias que entreguem suas armas... existe gente que não vai entregar as armas” (New York Times 23/11).

Vejamos outro caso mais eloquente. O general Jalifa Hafta, nomeado chefe do Estado Maior das Novas Forças Armadas líbias, no último 18 de novembro, foi alvo de tiroteio duas vezes na localidade de Kasr Ben Ghechir por milícias de Zintan, em um atentado que deixou quatro pessoas mortas e do qual o alto chefe saiu ileso. Mas a tensão se agravou ao ponto de aproximadamente 3 mil rebeldes fortemente armados, procedentes da mesma localidade, reforçarem suas posições no aeroporto de Trípoli – que controlam desde a tomada da capital – e fecharem as vias de acesso ao mesmo ao longo de 10km. Isto produziu enfrentamentos com o suposto novo exército regular que deixou um morto (EFE, 10/12). Frente a acusação de haver atentado contra a vida do general Hafta, o portavoz dos revolucionários de Zintan, Khalid el-Zintani, disse: “O que esperam que façam os combatentes quando um comboio de militares fortemente armados trata de passar postos de controle [em direção ao aeroporto] sem aviso prévio?”. Consultado, segundo reproduz o The Tripoli Post, sobre o “Exército Nacional”, el-Zentani disse que o exército está muito mal organizado para que eles se submetam a sua autoridade: “Até agora não sabemos nada sobre o exército nacional da Líbia. Quem está no comando?, onde estão as bases militares?, qual é seu domínio (…) sobre o território?, o chamado exército nacional ainda não é nada.” (Libia Libre, 11/12)

Outro grupo de milicianos, também originário de Zintan, lançou um ataque na localidade de Echguiga, próxima à cidade de Mezda, com o objetivo declarado de expulsar possíveis ex-representantes ou simpatizantes do regime de Kadafi. O fato se choca com as declarações de Mustafa Abdel Yalil afirmando que o novo governo está disposto a perdoar todos os partidários de Kadafi: “A Líbia está disposta a aceitar cada um”, disse o presidente do CNT ao abrir uma Conferência sobre a Reconciliação Nacional, realizada em Trípoli. “Somos capazes de perdoar nossos irmãos que combatiam ao lado de Kadafi, entendê-los e mostrar tolerância”, sentenciando categoricamente que “somos capazes de perdoar e tolerar”. Este chamado à impunidade foi seguido por Elkib: “Não se pode construir um novo futuro à base da vingança. A reconciliação de todas as partes é uma condição imprescindível para criar um país democrático e constitucional.” (RT em Espanhol, 12/12). Será que as bases das milícias que lutaram contra Kadafi e seu regime estarão dispostas a perdoar seus antigos carrascos?

A realidade é que existe um povo que está armado, que aprendeu a usar essas armas, que tomou consciência de seu poder e que não vai desfazer-se delas tão facilmente. Estamos diante de um processo em curso, de um processo aberto que prevê um longo período de enfrentamentos, de idas e vindas, de avanços e retrocessos, tanto para a revolução como para a contrarrevolução. O CNT pode dar passos no sentido do desarmamento, mas veremos se conseguirá este objetivo antes que as massas percam a paciência e se voltem contra eles.

De início, é prudente duvidarmos se poderão acabar com as milícias, ainda mais em peremptórios oito meses, como está estabelecido em seu calendário eleitoral. Yalil, pressionado pela situação, teve que dizer que pretende restabelecer minimamente a polícia e os guardas fronteiriços em aproximadamente 100 dias. No entanto, o general Hafta, depois de salvar a vida, sofreu um ataque de sinceridade e admitiu que a coisa está mais difícil e que levará de três a cinco anos até que a Líbia possa contar com um exército “suficientemente forte” para ser digno de tal nome. Nem um nem outro puderam responder sobre o tamanho das forças armadas que pretendem formar (Associated Press, 12/12).

O problema do CNT é que, na verdade, este não tem a autoridade política necessária parar encarar o desmonte das milícias em um tempo relativamente curto. As massas desconfiam do CNT e, ao fazer sua experiência, apostamos em que o povo explorado da Líbia termine por concluir que esse órgão é um covil de bandidos, de empresários petroleiros e ex-representantes do regime cujo líder lincharam ante os olhos do mundo.


Com a revolução ou com a contrarrevolução?

Colocados os principais fatos, apontemos algumas reflexões sobre a polêmica com o castro-chavismo e aqueles que, sem a boina, mas com o mesmo palavreado, reproduzem suas posições em nome do trotskismo. A realidade demonstra que o povo líbio, de armas em punho, obteve uma primeira e fundamental vitória democrática ao destruir o regime ditatorial ao ponto de liquidar fisicamente Kadafi. A força das massas acabou com as Forças Armadas burguesas e, com elas, com o pilar do estado burguês líbio. O castro-chavismo e seus porta-vozes, que afirmam que tudo se trata de uma vitória do imperialismo, devem nos explicar como o imperialismo pode triunfar onde as massas estão armadas e destruíram um estado capitalista, onde a classe capitalista e proimperialista perdeu o monopólio das armas.

Em meio aos fatos, é difícil não nos determos naquela caracterização do castro-chavismo ou do PTS-FT que sustenta que as milícias do povo pobre da Líbia são mercenários pagos ou diretamente “tropas terrestres” que atuam como “infantaria da OTAN” e que estão completamente “centralizadas” pelo CNT. No calor da realidade, esta afirmação, que desdenha profundamente a ação das massas e pretende anular a tremenda conquista democrática do povo líbio para reivindicar ou, no mínimo, embelezar Kadafi, está caminhando do surpreendente ao ridículo.

Sem falar do estranho que seria supostas tropas imperialistas terem optado por linchar Kadafi em plena rua, um método típico das revoluções populares, cujo exemplo insuflou o fervor revolucionário de toda a região contra seus ditadores, sobretudo na Síria, pensamos que vale a pena refletirmos sobre:

a) Se as milícias fossem a “infantaria da OTAN” e estivessem completamente disciplinas ao CNT, por que a OTAN, seus supostos comandantes militares, nunca lhes proporcionaram armas e equipamentos avançados? A OTAN, que saibamos, possui melhores arsenais que os antiquados AK-47 com os quais até agora vemos as supostas “tropas terrestres”;

b) Por que a OTAN se retirou no fim de outubro, quando o ideal e completamente lógico teria sido que entrassem com tudo em um país dominado e controlado por suas “tropas terrestres”? Como explicam que até o CNT anda suplicando à ONU “para administrar o país”, que se descongelem os mais de 150 bilhões de ativos que tem o país no exterior (dos quais só liberou 18), negados com o argumento de que o governo não está “suficientemente unido e coeso para confiar-lhe o dinheiro”? Por acaso não confiam nos comandantes de suas próprias “tropas terrestres''?

c) Como é possível que a infantaria de um órgão imperialista como a OTAN, comandado pelos EUA, possa estar questionamento permanente seus supostos comandantes do CNT, ao ponto de assassinar ou tentar assassinar o chefe de seu Estado Maior? Que tipo de infantaria é essa que faz manifestações de rua e diz publicamente que desconhece a autoridade militar de seus supostos superiores?

d)Ainda mais básico e importante: Como explicam o afã, declarado explicitamente, e central na situação política da líbia, que tem o CNT e o imperialismo, de desarmar as milícias? Por que o CNT e todo o imperialismo quereria desarmar sua própria infantaria? Subitamente tornaram-se suicidas?

As contradições do PTS-FT são de ferro. O problema é gravíssimo, pois uma condição básica para uma organização que se diz revolucionária é identificar com precisão onde está a revolução e onde está a contrarrevolução; sobretudo em uma guerra civil. E a realidade confirma que as milícias populares armadas são parte da revolução, não da contrarrevolução. Todo o contrário da tese castro-chavista que o PTS repete em sua essência: as milícias não só não são “tropas terrestres” da OTAN ao mando do CNT, mas estão se enfrentando com a contrarrevolução encarnada no CNT.

Se as milícias estão enfrentando o CNT, que são agentes do imperialismo da pior espécie; se as milícias estão resistindo com tudo o que possuem para não entregar as armas, de que lado estão o castro-chavismo e o PTS-FT nesse enfrentamento armado? Do lado das milícias ou do CNT? Do lado da revolução ou da contrarrevolução?

É fundamental tomar uma posição em uma situação sem espaço para “nem, nem”. Se agora optam por apoiar as milícias populares, o que seria muito progressivo, então devem corrigir sua caracterização e, no mínimo, fazer a autocrítica. Se mantêm sua caracterização – na verdade, uma calúnia – de que as milícias populares são os “soldados do imperialismo”, então devem ser coerentes até o final e apoiar com tudo o CNT na tarefa de desarmá-las o mais rápido possível, pois não poderia haver nada tão progressivo, como urgente, que desarmar – e derrotar – tropas do imperialismo.


As milícias devem manter suas armas contra o CNT e contra o imperialismo!

Nós da LIT nos opomos categoricamente à caracterização e à política para Líbia que defendem o castro-chavismo e sua correia de transmissão dentro do trotskismo, o PTS-FT. Apostamos em que se aprofundem ao máximo as contradições que existem entre as aspirações democráticas e econômicas das massas (que estão conscientes de sua vitória) e os planos contrarrevolucionários do CNT e do imperialismo. O projeto burguês e entreguista do CNT e o agravamento da situação de fome que padece o povo pobre da Líbia coloca a necessidade urgente de levantar um programa que aponte a garantia dos direitos e tarefas democráticas, começando pela libertação do país da dominação imperialista, na perspectiva de um governo operário e popular. Para lutar por isto, defendemos que as milícias mantenham suas armas e sua organização completamente independente do governo e do imperialismo.

O CNT pretende desmontar a revolução através da canalização dos anseios por mudança, fazendo promessas de eleições e de uma assembleia constituinte controlada de cima. As milícias populares não podem depositar confiança no CNT por sequer um minuto. Isso equivaleria ao fim da revolução. As milícias populares devem manter-se armadas como única garantia para que a tremenda conquista de haver derrotado o regime de Kadafi não lhes seja roubada. Não só isto, no calor da revolução, é questão de vida ou morte a centralização das milícias armadas sob uma direção revolucionária e socialista.

A falta de uma direção marxista-revolucionária é o centro do problema na Líbia e no resto das revoluções que sacodem o norte da África e o Oriente Médio. Essa ausência é um ponto importantíssimo a favor da contrarrevolução. No entanto, podemos ser otimistas no sentido de que as mobilizações, insurreições e situações de guerra civil geraram as condições favoráveis e abrem maiores espaços para o surgimento, através de uma política e ação conscientes, de uma direção revolucionária.

As massas líbias devem lutar pela concretização de uma assembleia nacional constituinte livre e soberana, que refunde o país sobre novas bases econômicas e sociais. Isto é central em um país que historicamente foi submetido pelo imperialismo através de ditaduras sanguinárias. O central é garantir a libertação do país do imperialismo e de suas garras, que sempre roubaram suas riquezas. São fundamentais as tarefas no sentido de conquistar a independência nacional na Líbia. Para concretizar esse programa democrático, no entanto, é condição indispensável derrotar o CNT. Enquanto exista esse governo títere das multinacionais imperialistas não se pode pensar nem em liberdades democráticas reais nem em um melhoramento da qualidade de vida das maiorias trabalhadoras. Em seu lugar, as milícias devem lutar por instaurar um governo da classe trabalhadora e do povo líbio. A sustentação desse governo devem ser as milícias armadas e as organizações da classe que podem estar surgindo.

Só um governo operário e popular, que inicie a construção do socialismo, poderá: a) garantir liberdades democráticas para que seja o povo líbio quem realmente dirija seu destino apoiado em novas instituições populares; b) anular todos os contratos de Kadafi, que o CNT quer manter, com as grandes empresas dos países imperialistas; c) nacionalizar o petróleo e todas as fontes de riqueza do país, colocando-as a serviço de satisfazer as necessidades do povo e sob controle da classe trabalhadora organizada; d) castigar os responsáveis por todos os crimes de lesa humanidade cometidos durante a ditadura kadafista que o CNT quer perdoar. Este governo da classe trabalhadora é imprescindível para lutar na perspectiva de uma Federação das Repúblicas Socialistas Árabes.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

2011: um ano impossível de esquecer

Manifestantes comemoram na Praça Tahrir, após a queda de Mubarak
Esse é o momento em que as pessoas refletem sobre o ano que está acabando, mas, também, sobre o que está vindo. Alegrias e tristezas, esperanças e frustrações. Momentos muito diferentes, em geral cheios de significado, bons ou ruins. A tradição natalina projeta uma alegria artificial e muitas vezes inexistente. Mas o décimo terceiro salário e as férias (para os quem têm) tornam o fim de ano mais agradável para muitos.

É hora também de pensar coletivamente o futuro. Queremos nos dirigir aos ativistas que estiveram junto conosco nas lutas durante 2011. Essa edição do Opinião Socialista é dedicada a vocês, para fazermos, juntos, uma reflexão sobre o que ocorreu de mais importante nesse ano... E, também, as projeções para 2012.

Seguramente, você acompanhou as revoluções no Norte da África e do Oriente Médio. Deve ter se emocionado junto conosco ao ver as vitórias das massas, que derrubaram ditaduras no Egito e Tunísia. E, agora, torce pelas novas lutas contra o governo militar egípcio.

Você também acompanhou o debate em relação a Kadafi. Viu como nosso jornal esteve na linha de frente da defesa do levante contra sua ditadura e pôde comprovar que, desde o início, nos colocamos contra a intervenção imperialista na Líbia. Na realidade, os governos imperialistas não têm a mínima preocupação com a democracia. Por isso, apoiaram Kadafi enquanto ele mantinha uma ditadura estável e assegurava o controle das multinacionais sobre o petróleo líbio. Passaram para a oposição quando as massas se rebelaram diretamente contra ele, para tentar manter seu controle sobre o petróleo. Vergonhosamente, grande parte da esquerda apoiou Kadafi e foi derrotada junto com ele. Outra parte também se equivocou gravemente ao apoiar a intervenção imperialista. Mantivemos nossa independência política, apoiando a revolução do povo líbio contra Kadafi e lutando contra o imperialismo.

A situação na Europa deve tê-lo alertado da dimensão histórica que a crise econômica está tomando. Uma situação que, hoje, se traduz em mobilizações radicalizadas e crises políticas. O capitalismo se aproveitou da queda das ditaduras stalinistas no Leste Europeu para comemorar a “morte do socialismo”. Agora, a crise recoloca a discussão da necessidade do socialismo em pauta.

Você deve ter, também, acompanhado a evolução do governo Chávez, na Venezuela, que apóia Lula e Dilma, no Brasil, e apoiou Kadafi na Líbia. Esse governo prendeu e entregou para o governo, de direita, da Colômbia o dirigente das FARC, Julián Conrado, gerando repúdio por parte de todos aqueles que mantém algum grau de independência política. Nós, desde o início, não nos iludimos com o “socialismo do século 21” de Chávez, que é apenas o velho nacionalismo burguês reciclado.

Como não podia deixar de ser, você também viu a evolução do governo Dilma. Grande parte dos trabalhadores segue apoiando o governo. Mas os ativistas que estiveram à frente das lutas metalúrgicas, da construção civil, de professores, dos Correios, dos bancários e do funcionalismo público, podem tirar suas próprias conclusões.
De que lado estava o governo? Ao lado das greves, contra os patrões? Ou em defesa dos patrões, usando até a repressão para derrotar os trabalhadores?

Os ativistas das lutas estudantis puderam comprovar de que lado estava a UNE, governista e chapa branca, sempre contra as mobilizações, ao lado do governo.
Os que estiveram à frente das lutas dos trabalhadores, da juventude e setores oprimidos fizeram a experiência prática de terem a CSP-Conlutas e a ANEL como instrumentos necessários para a mobilização e unificação das lutas.

O ano de 2011 dificilmente poderá ser esquecido. É o momento em que a crise econômica internacional se juntou a grandes mobilizações de massas em muitas partes do mundo. Em que a revolução e o socialismo começam a voltar ao primeiro plano das discussões.

Agora, é hora de pensar em 2012 e no futuro. Existe um partido que esteve do seu lado nas lutas. Que pode ter uma política revolucionária porque é independente de Dilma, de Chávez, da Kadafi. E que expressa o programa da revolução socialista, cada vez mais necessário e presente. Esse partido é o PSTU.

Venha se juntar a nós para ajudar a construir o novo. A social-democracia dos partidos parlamentares e eleitorais não tem nada de novo. O PT que o diga. O stalinismo do PCdoB tampouco aponta para o futuro. Não por acaso, está junto ao PT em tudo, até na corrupção.

Venha se juntar ao nosso partido para lutar pelo novo, pelo socialismo, pela revolução.


Retirado do Site PSTU

sábado, 22 de outubro de 2011

Morte de Kadafi pode ser alento à Primavera Árabe

Revolução deve se enfrentar agora com a CNT e a OTAN


Imagem do ex-líder líbio morto
O ex-ditador Muammar Kadafi foi morto na manhã desse dia 20 de outubro enquanto tentava fugir da cidade em que estava refugiado, em Sirte, na Líbia. Após informações desencontradas, o Conselho Nacional de Transição (CNT) confirmou a morte do ex-ditador, mas ainda se especula as condições em que ela ocorreu.

A versão da imprensa internacional dá conta que o comboio que levava Kadafi para o oeste do país foi atacado por aviões franceses da OTAN e drones (aviões não tripulados) dos EUA, que não saberiam que o ex-ditador estaria ali. Por terra, o ex-ditador foi finalmente preso pelos rebeldes líbios.

Primeiro foi divulgada a notícia de que ele teria sido capturado vivo, ainda que ferido. O comandante do CNT, Mohamed Leith chegou a confirmar a notícia à agência France Press: ‘Ele foi capturado, está gravemente ferido, mas ainda respirando’.

Fotos de agências internacionais, porém, mostravam o ex-ditador morto. Dois vídeos gravados em celular ainda na manhã do dia 20 confirmam que Kadafi foi capturado com vida, mas que morreu logo depois. O primeiro-ministro líbio, Mahmoud Jibril, afirmou em coletiva de imprensa que o ex-ditador foi ferido após ser preso, durante uma troca de tiros entre rebeldes e seus apoiadores, e morrido a caminho do hospital. Nas imagens em que aparece morto, é possível perceber uma perfuração no crânio. Um legista da cidade de Misrata, para onde o cadáver foi transportado, atestou ao canal de TV Al Arabiya que a causa da morte foi um disparo no abdome.


Fim de um ditador

O que parece mais provável é que o ex-ditador da Líbia, que comandou o país com mãos de ferro por 42 anos, foi morto pelos rebeldes e a população do próprio país. Lembra assim o linchamento do cadáver do ditador fascista Benito Mussolini na Itália após a derrota do nazi-fascismo, pela própria população. As comemorações que se espalharam pela Líbia não deixam margem para dúvidas: a morte do ex-ditador foi recebida como uma grande vitória para as massas, oito meses após o início do levante que foi reprimido brutalmente pelas forças de Kadafi e causaram milhares de mortes.

Embora o regime tenha caído ‘oficialmente’ junto com a tomada de Trípoli, em agosto, Sirte, a cidade natal do ex-ditador, ainda resistia e o desaparecimento de Kadafi levantava dúvida sobre uma eventual recomposição de forças para retomar o poder. Sua morte enterra de vez o antigo regime ditatorial e abre novas perspectivas para as massas na Líbia. É um alento também para a Primavera Árabe e os povos que lutam contra seus ditadores e são vítimas de repressão, como na Síria e no Iêmen.


Rebeldes comemoram anúncio da morte do ex-ditador líbio


Revolução está longe de terminar

A morte de Kadafi está longe de representar o fim da revolução líbia. Cai o antigo regime ditatorial, mas em seu lugar postula-se o CNT, formado por antigos membros e aliados do regime kadafista. O conselho, junto com a OTAN, tem o objetivo de desarmar e aplacar a resistência popular, consolidar um governo entreguista e manter a situação subordinada do país árabe ao imperialismo. Manteria, assim, a entrega do petróleo líbio às potências imperialistas.

A queda da ditadura de Kadafi e o avanço da Primavera Árabe, por outro lado, podem colocar em rota de colisão as massas com o imperialismo e seus agentes. Como disse um jornalista espanhol, as massas na Líbia ‘tem armas, aprenderem a usá-las e não vão querer desfazer-se delas facilmente’.


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  • Grande vitória do povo líbio e da revolução árabe


  • Retirado do Site do PSTU

    sábado, 17 de setembro de 2011

    O inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo

    O imperialismo norte americano já teve motivos de sobra para aprender que não é sempre que “armar o inimigo do meu inimigo” funciona. Quando treinou e deu armamento para a Al-Qaeda e outros grupos islâmicos enfrentarem as tropas da União Soviética, viu depois esses mesmos guerrilheiros levaram o Talibã ao poder no Afeganistão. Depois, este país virou alvo, pois o regime teria garantido um refúgio seguro para Osama bin Laden, que também combateu os soviéticos.

    Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e Grã Bretanha trabalharam em estreita ligação com a polícia política Líbia. O seu principal chefe, Moussa Koussa, hoje desfruta de confortável exílio na Inglaterra, de onde denuncia o envolvimento de rebeldes “ligados à Al-Queda”.

    Fontes internacionais islâmicas afirmam que combatentes da Al-Qaeda e do Hezbollah estavam diretamente envolvidos no conflito, lutando ao lado de rebeldes contra Kadafi. De fato, havia praticamente um consenso entre as organizações fundamentalistas islâmicas sobre a necessidade de ajudar os rebeldes contra Kadafi.


    COMBATENTES

    Cidades como Dernah e Benghazi estão cheias de adeptos de causas islâmicas. Dernah em particular, foi a cidade de onde saíram muitos muhaijins para lutar no Afeganistão e no Iraque contra as tropas norte-americanas.

    O Centro Francês de Pesquisa de Inteligência relata que 19% dos estrangeiros que foram lutar no Iraque contra os EUA eram líbios. O maior contingente depois dos sauditas. Entre estes combatentes islâmicos libios encontraremos Abu Faraj al-Libi, preso pelo Serviço de Inteligência do Paquistão em 2005, em uma operação com a CIA, hoje sob custódia militar na Baia de Guantánamo; Anas al-Liby, que, em fevereiro de 2007, foi citado pela Human Rights Watch como estando em uma prisão secreta da CIA; e Abu Yahya al-Libi, que teve detenção extrajudicial na Base de Bagram, no Paquistão, de onde fugiu em julho de 2005.

    Em combate na Líbia estão, pelo menos, Abdel Hakim Al-Hasidi, hoje Comandante em Dernah, preso no Afeganistão em 2002 e entregue a autoridades líbias. E Abdelhakim Belhadj, que comandou o ataque a Trípoli e é o atual comandante do Conselho Militar da cidade, nomeado pelos cinco batalhões da Brigada de Trípoli, e não por autoridades civis. Ele acusa a CIA de torturá-lo em prisões secretas mantidas pelo governo americano na Malásia e Tailândia, antes de ser enviado, como presente, ao ditador Kadafi, para ser torturado nas prisões da Líbia.

    O Grupo Combatente Islâmico foi um elemento chave das forças rebeldes da Líbia, por sua experiência em combate no Iraque. Agora rebatizado Movimento Islâmico Líbio (LIM), afirma ter renunciado ao terrorismo. Um de seus líderes, Ali Sallabi, anunciou que "o nosso diálogo articulou-se e vai articular-se sempre em torno de três pontos: a destituição de Kadafi e dos seus filhos e a sua saída da Líbia, preservar a capital das destruições e terminar com o derramamento de sangue entre líbios". Ele assegurou ainda ser favorável a "um Estado democrático para os líbios", com partidos políticos e alternância de poder. "Mantemos fortes relações com os laicos. Estamos na mesma trincheira", concluiu.


    KADAFI COOPERAVA COM O IMPERIALISMO

    Um dos motivos que levaram os combatentes islâmicos a se uniram a revolução Líbia foi a estreita cooperação de Kadafi com o imperialismo para persegui-los. Havia um trabalho permamente entre a Inteligência Líbia, chefiadas por Koussa, e CIA, MI-5 e MI-6. Inclusive com o regime de Kadafi cedendo líbios para se infiltrar em organizações islâmicas no Reino Unido.

    Documentos achados na sede de órgão de segurança em Trípoli demonstram que a CIA enviou suspeitos de terrorismo para serem interrogados na Líbia, país famoso pelas suas torturas.


    E COM ISRAEL

    Há informes também de que o serviço secreto israelense, a Mossad, utilizou a Líbia como uma base de operações para a África. Em troca, autoridades israelenses teriam aprovado que agências sionistas de segurança permitissem a seus mercenários serem contratados pelo regime de Kadafi para lutar na Líbia contra os rebeldes. Pois Israel temia que, com a derrubada de Kadafi, ele pudesse ser substituído por um "regime extremista islâmico".

    Israel denuncia que palestinos em Gaza estão adquirindo artilharia antiaérea e antitanque a partir de combatentes da Líbia. Afirmam que o Hamas e outras facções palestinas têm recebido armamento de origem líbia e que há um fluxo de mísseis antiaéreos SA-7 e granadas propelidas por foguetes (RPGs), vindas por uma rota de abastecimento, aberta entre o leste da Líbia e a Faixa de Gaza através do Egito, da península do Sinai, ou através do Sudão.


    MAIS DIFICULDADES AO GOVERNO PRÓ-IMPERIALISTA DO CNT

    Estas informações devem bastar para deixar claro que estas organizações islâmicas não lutariam do lado de rebeldes que apoiassem uma intervenção imperialista. Além do que, tendo conquistado posições e estando entre os "vencedores" da guerra, não estarão interessados em abrir mão do controle só para agradar os caprichos da Otan.
    Novos problemas para o governo pró imperialista da CNT.

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  • Inglaterra e kadafi: ligações perigosas


  • Retirado do Site do PSTU

    sábado, 10 de setembro de 2011

    Inglaterra e Kadafi: ligações perigosas

    Documentos mostram que regime de Kadafi recebeu opositores diretamente das mãos da CIA e do M-16; em uma troca intensa de favores. Leia artigo, direto de Liverpool, Inglaterra.


    Blair com KadafiA grande vitória do povo líbio contra a ditadura de Kadafi está ajudando a classe trabalhadora de outros países a conhecerem melhor seus próprios governos. Aqui na Inglaterra, Tony Blair, do Partido Trabalhista que, quando foi primeiro ministro de 1997 a 2007, costumava fazer discursos defendendo a democracia e os direitos humanos, acaba de ser desmascarado por uma revelação bombástica: sua relação secreta com o ditador líbio Muhamar Kadafi. Que os governos burgueses e imperialistas mantêm relações com ditadores, não é novidade. Mas que essa relação envolveu uma cooperação estreita para violar os direitos humanos do povo líbio e massacrar a oposição contra um governo que se dizia anti-imperialista já ultrapassa todos os limites.

    Esta semana um importante jornal inglês, The Independent (4/9), fez revelações surpreendentes sobre essa relação entre a Inglaterra e Kadafi, revelações estas que derrubam por terra qualquer argumento dos apoiadores de Kadafi no seio daquelas correntes de esquerda que tentam mostrá-lo como anti-imperialista. O jornal divulgou documentos encontrados pela Organização de Direitos Humanos da ONU encontrados no escritório de Moussa Koussa, então chefe de espionagem de Kadafi em Trípoli, que comprovam que a Inglaterra, por meio do M16 (serviço secreto), e os EUA, por meio da CIA, atuavam em parceria com Kadafi para reprimir a oposição ao regime do ditador líbio.

    Entre outras revelações, os documentos mostram que a Inglaterra, durante o governo Blair, ajudou a capturar um dos líderes da oposição ao regime de Kadafi antes de ele ser enviado de volta à Líbia, onde foi brutalmente torturado.


    Uma mão lava a outra

    “O envolvimento de Londres na captura de Abdel-Hakim Belhaj, comandante militar das forças rebeldes em Tripoli, é revelado numa carta escrita por um oficial do MI6. Nela, ele lembra Koussa de que foi o serviço de inteligência da Inglaterra que liderou a captura de Mr Belhaj quando era o líder do Libyan Islamic Fighting Group, antes de ele ser entregue ao governo líbio”, diz o jornal. A “confissão de culpa” de Belhaj teria sido obtida por meio de "progressiva técnica de interrogatório". Belhaj revelou na época que ele havia sido torturado durante o interrogatório. O oficial da M16 escreveu: "Isso foi o mínimo que nós poderíamos fazer por vocês e pela Libia para demonstrar a estreita relação que nós construímos durante os anos recentes”.

    Tão próxima era a relação entre os dois governos que várias agências de inteligência européias usaram os serviços do MI6 para também capturar seus próprios líbios suspeitos de ‘terrorismo’. Os serviços secretos sueco, italiano e alemão contaram com a ajuda da agência inglesa e sua ligação com Trípoli para essas ações. Um indício da fraternal relação entre a inteligência britânica e seus parceiros líbios são as cartas trocadas entre Londres e Trípoli, todas encabeçadas pelas frases "Saudações do MI6" e "Saudações do SIS".

    Embora os documentos revelem dados da época em que Tony Blair estava no governo, há indícios de que existam também relações entre a Inglaterra e alguns membros do novo governo líbio, o Transitional National Council (TNC).

    Os documentos revelam também que as agências de segurança britânicas davam detalhes sobre a vida dos opositores de Kadafi no exílio, incluindo números de telefone. Entre os “espionados” estava Ismail Kamoka, liberado pela justiça britânica em 2004 por não ter sido considerado uma ameaça à segurança nacional da Inglaterra.


    Kadafi anti-imperialista?

    Aqui na Inglaterra muitos lutadores de esquerda e outros grupos que se reivindicam “marxistas” desataram uma verdadeira enxurrada de críticas ao povo líbio por ter derrubado, “com a ajuda do imperialismo”, o “anti-imperialista” Kadafi. Fazem coro com Hugo Chávez e Fidel Castro, dizendo que o imperialismo queria derrubar Kadafi para se apossar do petróleo e controlar a Líbia e, portanto, haveria que defendê-lo contra essa agressão.

    No entanto, esses documentos agora revelados demonstram o tipo de “anti-imperialismo” que Gadaffi defendia; era um anti-imperialismo de palavra e um pro-imperialismo de política. A colaboração estreita entre seu regime e os governos imperialistas ficou mais uma vez confirmada pela revelação documentada de que os serviços de inteligência imperialistas faziam o papel sujo, fora da Líbia, de identificar, espionar e prender os lutadores de oposição a Kadafi, e depois, os entregava de volta ao ditador para que ele os torturasse em suas prisões sinistras. Se faltava alguma prova, agora não falta nada.

    É o caso de se perguntar: se Kadafi fosse realmente anti-imperialista, como entender o porquê dessa colaboração que vem desde 2002, quando a CIA e o M16 começaram um engajamento ativo com os agentes de inteligência líbios para sufocar os focos de oposição dentro do país?


    Os fatos são os fatos

    Os que hoje defendem Kadafi dizem que ele foi vítima de uma agressão imperialista e por isso, é obrigação dos revolucionários defendê-lo. No entanto, os fatos demonstram o contrário. Não houve qualquer agressão imperialista contra Gadaffi, porque o imperialismo o defendia e tinha um acordo com ele para juntos reprimirem a oposição, como demonstram agora os documentos encontrados. Os protestos que acabaram por derrubar essa ditadura que já durava 42 anos começaram a ficar mais fortes a partir de fevereiro de 2011. A prisão de um ativista pelos direitos humanos em Benghazi, no dia 15, foi a gota d’agua que deu início a uma onda de protestos por todo o país, incendiando uma população já cansada e prestes a explodir. A reação violenta de Gadaffi contra os manifestantes, usando armas e tropas treinadas pela Inglaterra e armamento antigo comprado da URSS e de outros países, inclusive do Brasil, e também armas químicas, espalhou os protestos, animados pela revolução no Egito e Tunísia. O que empurrou o povo líbio à revolução foi o próprio governo, uma ditadura sanguinária, que fechava a porta a todo movimento de oposição, que vinha entregando o petróleo ao imperialismo sem que isso se revertesse em benefícios para a população, submersa em péssimas condições de vida.

    Os fatos são categóricos. A intervenção imperialista veio depois que os protestos já haviam se espalhado e os rebeldes ameaçavam ocupar os poços de petróleo. Apesar de toda a repressão, Kadafi não conseguiu controlar uma insurreição que crescia cada vez mais, fazendo assim com que as potências imperialistas interviessem no sentido de deter o movimento de massas e garantir a continuidade capitalista na Líbia, por meio de um governo burguês encabeçado pelo TNC.

    Outra acusação contra os rebeldes é que eles não são lutadores honestos, revolucionários que dão a vida para derrubar a ditadura na Líbia. Seriam, na verdade, agentes imperialistas infiltrados no meio do povo, armados pelas grandes potências para derrubar Kadafi e assim abrir o caminho para o controle imperialista do país. A intervenção imperialista na Líbia como tentativa de controlar a insurreição das massas realmente dá margem a esse tipo de interpretação, porque torna todo o processo altamente contraditório.

    Mas essa é uma interpretação fácil porque é mecânica. O imperialismo, em muitas ocasiões, usou desse expediente, de armar mercenários para atingir seus fins. Na Líbia é possível que isso também tenha ocorrido, mas se analisamos os fatos friamente, fica claro que se isso ocorreu não foi o determinante. A maioria dos rebeldes não conforma um exército regular, como haveria de se prever caso fosse preparado pelo imperialismo. Ao invés de capacetes, botas, uniforme com proteção anti-bombas, o que se vê são pessoas sem qualquer tipo de proteção na cabeça, sem sapatos ou com chinelos nos pés, e roupas puídas. Nada parecido a soldados ou mercenários de um exército imperialista! Quanto ao armamento, em geral são armas arrancadas da própria ditadura, graças a que os rebeldes conseguiram invadir muitos dos depósitos de armas de Kadafi para se apossar de fuzis e metralhadoras.

    No entanto, todas essas acusações contra os rebeldes não têm sustentação alguma na realidade. Se fossem agentes do imperialismo, seria difícil acreditar em sua capacidade de contaminar todo um país. Caso Kadafi se tratasse de um governo democrático e não uma sanguinária ditadura, caso se tratasse de um governo que garantisse boas condições de vida à população, e não um governo corrupto e espoliador, difícil seria acreditar que alguns mercenários conseguiriam levar adiante uma insurreição que envolveu todo o povo com tamanha força, que enfrentou um exército bem mais equipado e levou abaixo esse mesmo governo.

    Quanto a Kadafi sim, há provas irrefutáveis de sua ligação com o imperialismo, de suas tentativas de sufocar as massas a qualquer custo para continuar no poder. Por isso são tão importantes os documentos revelados agora pela Organização de Direitos Humanos da ONU e divulgados pelo The Independent, mostrando as ligações perigosas entre Kadafi, a Inglaterra e os Estados Unidos para manter a espoliação do povo líbio.

    Os trabalhadores ingleses têm agora mais um motivo para não acreditar nas mentiras do Partido Trabalhista e devem exigir imediatamente uma retratação pública dos dirigentes desse partido, que devem ser punidos por terem colaborado com a prisão, tortura e morte de muitos ativistas líbios de oposição. Também têm mais razão para continuar combatendo o governo Conservador de Cameron, que continua bombardeando a Líbia e busca impor sua política através do novo governo do TNC e tem como objetivo desarmar os comitês populares do povo líbio. Os trabalhadores ingleses precisam mostrar agora todo o seu apoio à luta do povo líbio pela liberdade, exigindo do governo inglês a imediata desativação dos serviços secretos do M16 e a abertura total de seus arquivos.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 23 de agosto de 2011

    Após seis meses, insurreição líbia derruba ditadura Kadafi

    Presença da Otan e caráter conciliatório do governo provisório, porém, podem colocar tudo a perder


    Manifestantes anti-Kadafi comemoram em Benghazi
    Seis meses após o início da insurreição popular contra a ditadura de Muamar Kadafi, finalmente os rebeldes ocupavam as ruas da capital Trípoli nesse dia 21 de agosto. Ainda que Kadafi não tivesse sido encontrado e que combates estivessem sendo travados em alguns locais isolados da cidade, enquanto fechávamos esse texto a situação parecia já completamente definida.

    Foi um desfecho rápido que surpreendeu a muitos. Nos últimos dias antes da queda da capital, os rebeldes tiveram um rápido impulso, avançando em poucas horas o que não conseguiram por meses. Com o apoio aéreo da Otan, conquistaram a cidade petrolífera de Brega, cujo controle havia mudado de mãos sucessivas vezes durante a guerra. Tomaram também a cidade estratégica de Zawiya, o que isolou a capital e as forças pró-Kadafi, enquanto outras cidades mais próximas também caíam e o cerco se acirrava.

    Tão surpreendente quanto o rápido avanço rebelde foi a facilidade com que os combatentes entraram em Trípoli. Houve pouca resistência às tropas anti-kadafi até mesmo quando os combatentes tomaram o quartel da então temida brigada Khamis, formada por soldados de elite de Kadafi, que fugiram. Os poucos combates que ainda continuavam no decorrer do dia 22, limitavam-se a alguns locais, incluindo a fortaleza de Kadafi, Bab al-Azizya, onde se acreditava que o ditador ainda estivesse. Combatiam ainda pela própria vida e não mais pelo regime.

    Ao que parece, o avanço da insurgência sobre Trípoli se deu inicialmente através da infiltração de rebeldes na capital. Lá dentro, teriam apoiado a sublevação do povo contra o ditador. O porta-voz dos rebeldes, Ahmed Omar Bani descreveu à imprensa, ainda no dia 20, o ânimo da população das cidades vizinhas à Trípoli. “Os moradores quebraram a barreira do medo e começam a nos ajudar, com coquetéis Molotov, bombas caseiras e armas”, disse. Apoio popular e o esgotamento das forças militares de Kadafi podem ter sido decisivos para a tomada da capital, minando por dentro a resistência do ditador.

    Em Benghazi, centro da rebelião líbia, e na histórica Praça Verde, onde Kadafi realizava seus comícios na capital, rebeldes e a população se encontravam para comemorar a queda do ditador.


    Mais um capítulo da revolução árabe

    A revolta popular na Líbia irrompeu na esteira das revoluções árabes que agitaram o Norte da África no início do ano e que derrubaram as ditaduras da Tunísia e do Egito, se espalhando pela região. No país de Kadafi, a realidade não era distinta às dos demais países sublevados. Uma população majoritariamente jovem, índices de pobreza alarmantes e desemprego que superam os 30%. E que encontravam pela frente uma ditadura sanguinária que praticamente anulava qualquer perspectiva de melhoria das condições de vida.

    Tendo Benghazi como epicentro, as manifestações logo tomaram conta do país, atingindo inclusive a capital. A resposta de Kadafi foi rápida e brutal. A repressão do ditador incluiu bombardeios em cidades e até mesmo bairros de Trípoli. A intensidade da repressão rachou o exército líbio e conferiu um caráter de guerra civil ao conflito. A disputa passava ao terreno militar.

    Baseados em Benghazi, os manifestantes improvisaram um exército composto por uma maioria de civis. Mesmo armados de forma precária, com AK 47 e pistolas, conquistaram várias cidades até esbarrarem no poderio bélico de Kadafi. Contando com soldados de elite e mercenários bem treinados, além de grande poder aéreo, o ditador recrudesceu a repressão à revolta e conseguiu barrar o avanço rebelde. Chegou a encurralar a oposição em Benghazi e preparava um ataque arrasador, quando entrou em cena a intervenção da Otan.


    O papel da Otan

    Nas primeiras semanas de guerra civil, os rebeldes rechaçavam qualquer tipo de intervenção estrangeira. Manifestações em Benghazi, por exemplo, se mostravam contrárias à ação das potências imperialistas. Seis soldados britânicos chegaram a ser detidos pelos rebeldes enquanto sobrevoavam zonas controladas pela insurgência. Com o passar dos dias, no entanto, a superioridade bélica do ditador mudou a correlação de forças na guerra civil.

    Os imperialismos norte-americanos e europeus se aproveitaram dessa mudança para impor uma intervenção armada. A famigerada autorização concedida pelo Conselho de Segurança da ONU, para a imposição de uma “zona de exclusão aérea”, foi o sinal verde que se traduziu em armas, apoio aéreo e bombardeios contra Kadafi.

    Sob a desculpa da “proteção de civis”, a intervenção da Otan tinha um sentido claro: controlar a revolução líbia e cooptar o Conselho Nacional de Transição, a direção política dos rebeldes.


    Uma revolução em aberto

    A queda de Kadafi foi uma vitória da insurreição popular que, assim como nos outros países árabes, contava com um caráter democrático. Trata-se ainda de uma rebelião que derrubou uma ditadura pró-imperialista.

    O ditador líbio, antes um representante do nacionalismo árabe, há muito não tinha qualquer posição contrária ao imperialismo. Desde a década de 1990, o país se abriu ao Ocidente e escancarou o caminho para as multinacionais do petróleo. Sob Kadafi, a produção de petróleo era totalmente controlada pelas multinacionais petroleiras como a Shell e a BP.

    Durante todo o conflito, parte da esquerda, representada principalmente por Chávez, Fidel e Ortega, e no Brasil pelo PCdoB, se colocaram de forma incondicional ao lado de Kadafi. Desenharam o fantasioso cenário de um governo antiimperialista sendo atacado pelos EUA, responsável, por sua vez, por insuflar uma revolta artificial contra o ditador. Escondem de forma deliberada o caráter pró-imperialista de Kadafi nos últimos vinte anos. Vão afirmar agora, como já vem fazendo Chávez, que a insurreição não passa de um “massacre imperialista”, a fim de negar que a sua posição acabou derrotada, junto com Kadafi.

    Mas qual será o futuro da Líbia? Apesar da ação da Otan, concretamente estão sendo os rebeldes que ocupam Trípoli. A direção do Conselho de Transição já informou que não permitirá a permanência de bases da Otan no país pós-Kadafi. Por outro lado, as multinacionais já se articulam. Em negociação com o governo provisório, a italiana Eni já enviou técnicos ao país para restabelecer plenamente a produção de petróleo.

    Com Kadafi fora de cena, abrem-se duas perspectivas ao país. Continuar com um governo pró-imperialista, ou avançar a revolução, superando a atual direção do conselho e expulsando a Otan do país para tornar a Líbia de fato independente.

    A queda da ditadura Kadafi pode jogar um peso decisivo na revolução árabe em marcha, tantos nos países onde as ditaduras já foram derrubadas, como no Egito e na Tunísia, como em países em que a população ainda luta contra um regime ditatorial, como na Síria de Bashar Al Assad, ou no Iêmen. Pode ainda dar novo impulso à luta do povo palestino contra Israel.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 17 de maio de 2011

    LIT-QI: Estamos com as revoluções líbia e síria! Abaixo a intervenção imperialista!

    Leia abaixo declaração atualizada da Liga Internacional dos Trabalhadores sobre as revoluções árabes


    Protesto contra ditador sírio em Londres
    A revolução árabe continua se expandindo. Inclusive nos países como Egito e Tunísia, onde os governos ou regimes ditatoriais foram derrubados, os processos continuam se desenvolvendo.

    Suas raízes são a luta contra ditaduras que já duram 30 ou 50 anos, as terríveis contradições sociais entre a tremenda riqueza dos recursos naturais e a pobreza da maioria da população, e a corrupção destes regimes e governos. Os efeitos da crise econômica internacional serviram de detonadores, ao disparar o desemprego, especialmente na juventude, e o aumento dos preços dos produtos básicos. No mundo árabe, não há país que tenha ficado imune aos processos revolucionários: a Tunísia foi o início, no Egito deu-se um salto, estendeu-se e depois se expandiu para Líbia, Bahrein, Iêmen e toda a região do Norte da África e Oriente Médio, inclusive Síria. Mas, hoje, todos esses processos enfrentam um contra-ataque da contrarrevolução que se manifesta com uma virulência muito grande, embora com diferentes formas e personagens.


    A Síria é parte da revolução árabe

    A revolução árabe, no seu conjunto, expressa também a luta contra a pilhagem imperialista e contra Israel. A Líbia e a Síria não fogem desse processo. A explicação de seus governos (a luta popular é, na verdade, uma “conspiração” contra regimes que “se opõem ao imperialismo”) é uma completa mentira. Apesar dos discursos, o presidente sírio Bashar al-Assad também é, hoje, um guardião da ordem e da estabilidade regional: suas fronteiras com Israel são as mais calmas de toda a região. Kadafi, por sua vez, já nem sequer mantinha seu discurso anti-imperialista quando a revolução na Líbia explodiu.

    A luta do povo sírio já dura mais de 50 dias e cada vez mais cidades e setores se juntam ao processo de luta revolucionária contra a ditadura dos Assad (como se fosse uma “dinastia”, Bashar herdou o poder do seu pai Hafez), que responde com cada vez mais violência à justa luta do seu povo.

    Já houve mais de 500 mortes de manifestantes em decorrência da repressão, que chega a utilizar tanques contra civis desarmados. Existem mortos a cada dia. Mas, apesar da repressão, a luta continua se estendendo. E já aparecem as primeiras notícias de divisões no partido do governo e no exército. O governo de Bashar al-Assad (cuja família controla o poder há quatro décadas) começou, em 2000, prometendo algumas “reformas democráticas”, mas, diante do atual processo de lutas, desencadeou uma repressão cada vez mais dura que, além das centenas de mortos, já fez milhares de presos.

    Os EUA não querem que o regime sírio caia porque, assim como em Israel, preferem ficar com “o conhecido” diante da revolução síria. Inclusive na Síria, cujo governo tem um “discurso” contra a agressão israelense, o maior medo é a “desestabilização”. Isto é, o avanço da revolução. Por isso, apesar das diferenças em seu “discurso”, apesar de ter sido considerado parte do “eixo do mau” até poucos anos atrás, o imperialismo repete na Síria o que fez diante da revolução egípcia e está fazendo no Iêmen: aconselha “reformas”, pressiona por “aberturas”, mas não se joga para derrubar o regime.


    A resposta do imperialismo

    No mundo árabe, existe uma situação de encruzilhada em que o imperialismo e as burguesias nacionais iniciam uma contraofensiva contrarrevolucionaria diante do processo revolucionário. Na Líbia, ela se apoia em uma intervenção militar, com o aval da ONU; no Bahrein, na invasão de soldados da Arábia Saudita; no Iêmen, em uma fortíssima repressão do regime. O mesmo acontece na Síria, embora este regime se apresente como “oposição” ao sionismo e ao imperialismo.

    Qual é a política do imperialismo diante da revolução árabe? Tentar manter o controle e a estabilidade da região, com regimes que garantam a “ordem”. A revolução árabe ameaça a raiz desta “ordem” e desta “estabilidade” imperialistas com sua luta contra os regimes que são parte explícita deste dispositivo ou contra aqueles que, apesar de certa retórica, ajudam de fato a mantê-lo.

    A maior ameaça atual para o imperialismo é a possibilidade de que o processo se estenda para a Arábia Saudita, a maior produtora mundial de petróleo e “garantia” do seu abastecimento internacional. Além disso, há a ameaça à existência do enclave militar imperialista de Israel, que agora sofre “instabilidade” em todas as suas fronteiras: com o Egito, com a Síria e devido à retomada da luta palestina, apesar da colaboração da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

    Por isso, desde o início da revolução árabe, há um profundo medo do imperialismo e do sionismo de que o processo derrote as ditaduras que, como na Arábia Saudita, garantem a produção de petróleo ou, como no Egito, ajudavam a “segurança” de Israel. E se não é possível impedir que esse regime caia, que seja substituído por outro que também garanta essas questões centrais.

    Com este objetivo de manter a ordem e impedir a total desestabilização regional, o imperialismo aplica diferentes táticas e políticas conforme o país. Até agora, apoia Assad na Síria. Na Líbia, tinha recomposto suas relações com Kadafi e apoiava o seu regime, até que a insurreição popular e a guerra civil iniciada pelo ditador desestabilizaram completamente o país e ameaçaram o fluxo de petróleo para a Europa. No Bahrein, apoiou a invasão de tropas da Arábia Saudita para que, por meio de uma feroz repressão, freassem por enquanto a revolução.


    Abaixo a intervenção imperialista na Líbia!

    A intervenção militar imperialista na Líbia ocorre justamente porque, a partir da perda de controle do país por parte de Kadafi e a explosão da guerra civil, foram organizados comitês populares que se armaram, expulsaram o exército de Benghazi e outras cidades, e causaram uma divisão nas forças armadas, o que faz com que seja praticamente impossível reestabilizar o país com o ditador no poder. Atualmente há um impasse porque os rebeldes, devido a sua debilidade militar, não conseguiram derrubar Kadafi, e nem este conseguiu derrotar os rebeldes, apesar das modernas armas que o imperialismo lhe forneceu no passado. Há semanas a frente militar na prática se estagnou.

    O imperialismo aproveita essa situação e intervém, em nome de “salvar vidas” e da “paz”. Por que continua um impasse militar, apesar da intervenção imperialista? Um aspecto central é a característica da intervenção. O imperialismo não enviou tropas terrestres, mas, sim, por intermédio da OTAN, faz ataques com a força aérea e com mísseis a partir de navios próximos. Nem sequer a França e a Grã-Bretanha se atreveram, até agora, a colocar tropas no território líbio.

    Qual é o motivo? O contexto é a crise política aberta com a derrota do projeto Bush. Dentro da burguesia imperialista norte-americana há uma profunda discussão sobre o que é e o que não é de “interesse vital” para os EUA na região. Assim, a proposta de setores importantes foi deixar a “peso” da intervenção na Líbia nas mãos dos europeus e inclusive se discute “passar” a guerra do Afeganistão para os novos “sócios” (como Rússia, China, Índia, e até Irã).

    É a “síndrome do Iraque” (o péssimo resultado militar da invasão deste país e o desgaste que ocasionou ao governo de Bush) que gera uma nova política de evitar intervenções militares terrestres. Prova disso são as declarações do secretário de Defesa de Obama, Robert Gates, que disse que seria “impensável uma nova intervenção com tropas terrestres. Se algum ministro de Defesa propusesse isso, deveria ser internado em um manicômio.” Por isso, usam tanto os mísseis, a aviação e os drones.


    O Conselho Nacional Líbio

    Do outro lado, a principal debilidade do campo rebelde é a sua direção: o chamado Conselho Nacional Líbio, baseado em Benghazi. É necessário denunciar que esses dirigentes fazem o jogo do imperialismo: pedem maior intervenção, negociam com os governos imperialistas e assim permitem que Kadafi use um discurso de “vítima” da agressão imperialista. Além disso, o impasse e o consequente sofrimento contínuo da população das cidades líbias dão espaço para que o imperialismo venha com propostas para entrar no país, com a desculpa hipócrita de “salvar vidas” buscando “uma solução política”.

    Este Conselho é formado majoritariamente por figuras que fizeram parte dos governos de Kadafi, como Mustafa Abdul Jalil, ex-ministro de Justiça, que renunciou para se unir aos protestos, e o general Omar al-Hariri, que se distanciou do ditador em 1975. A ausência de uma direção no campo rebelde deu espaço para que esses ex-kadafistas ocupassem este espaço. O imperialismo está utilizando o pedido do Conselho Nacional e sua colaboração para justificar os bombardeios que matam um número cada vez maior de civis, inclusive dos que apoiam a revolução líbia.

    Ao mesmo tempo, a OTAN se nega a fornecer armamento moderno e adequado aos rebeldes, porque não confia que possam controlar sua base. Dentro dela, segundo a agência Al Jazeera, há um importante número de militantes que se destacaram nos combates anteriores contra os EUA no Iraque, durante a ocupação imperialista deste país.


    A “solução” de dividir o país

    O imperialismo pôs em discussão uma proposta que repete a que já foi aplicada nos Bálcãs (Iugoslávia) na década de 1990. Naquela ocasião, diante da guerra civil, primeiro a OTAN e depois a ONU intervieram em nome “da paz” e assim transformaram Kosovo em um protetorado da ONU.

    Aproveitando-se da paralisia na frente militar, a ONU e a OTAN propõem um cessar-fogo e que se imponha uma divisão do país: de um lado, a Tripolitânia e, do outro, a Cirenaica (região oriental, com capital em Benghazi), e que seja mantida a presença de tropas da ONU vigiando as novas fronteiras. Se isso acontecer, será uma derrota grave para a revolução líbia e toda a revolução árabe, o que irá influenciar negativamente em todas as revoluções do mundo árabe.

    Se o imperialismo entrar como “garantidor da ordem” com um acordo das duas partes, vai abrir um grave precedente. Assim como no Egito e na Tunísia, as massas mostraram que podem derrubar os governos odiados e apoiados pelo imperialismo. Nesse caso, a Líbia daria o sinal de que o imperialismo acabou ganhando peso ao intervir em um processo revolucionário e obtendo uma base política em um território estratégico, baseado na “aceitação” dos dois lados.


    A revolução árabe divide águas

    Diante da revolução árabe, o castro-chavismo mostrou que está contra a revolução mais importante dos últimos 20 anos. Esta corrente defendeu Kadafi desde o início, mas, após a intervenção da OTAN, tentou justificar o seu apoio ao ditador, dizendo que o centro era lutar “somente” contra a intervenção.

    Agora, na Síria, depois de várias semanas em que o povo saiu às ruas de forma pacífica, mas determinada, e foi massacrado, os governos e a corrente castro-chavista saem igualmente em defesa de Assad. Na Síria não há intervenção imperialista. Sem esta desculpa, fica claro que o problema de fundo é que eles apoiam essas ditaduras, justificando essa política em nome de uma suposta resistência ao imperialismo e a Israel. Mas já vimos que isso é mentira, tanto no caso de Kadafi como no do governo sírio.


    Hezbollah apoia o massacre do governo sírio

    Os movimentos de resistência dirigidos pelos setores islâmicos também estão sendo colocados à prova. No Líbano, o Hezbollah, que ganhou um grande prestígio por ter infligido uma derrota militar e política a Israel em 2006, apoiou tardiamente a revolução líbia e agora saiu em defesa de Assad.

    Por quê? Por causa de seus compromissos com a burguesia síria, iraniana e libanesa. Alegam os mesmos motivos que os chavistas: dizem que a revolução do povo sírio é, na verdade, uma “conspiração” de políticos sunitas libaneses apoiados pelo imperialismo. Introduziram no Líbano a polarização pró ou contra Assad. Usam, assim, a autoridade política obtida na resistência contra Israel para apoiar uma ditadura que já vendeu várias vezes a luta palestina e do próprio Líbano e confundem milhares de ativistas que olham as revoluções populares procurando uma nova referência de luta.


    A esquerda pró-imperialista

    No campo oposto, há figuras de “esquerda” que apoiam e defendem a intervenção militar imperialista na Líbia. É o caso de Ignace Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique (um dos impulsores do Fórum Social Mundial e sua política de “outro mundo é possível” sem derrotar o capitalismo), e de Gilbert Achcar, principal referência do chamado Secretariado Unificado (SU) nas questões de Oriente Médio. Ramonet escreveu: “Neste momento a ONU constitui a única fonte de legalidade internacional”, e Achcar afirmou que “seria moral e politicamente equivocado por parte da esquerda se opor à zona de exclusão aérea”.

    É uma política criminosa que apoia “pela esquerda” o discurso imperialista de que intervém para “defender a democracia”. Com sua posição, essas figuras e correntes avalizam os bombardeios e as vítimas civis que produzem, ajudam o imperialismo a entrar com tropas na região e criam ilusões nas massas e ativistas líbios e árabes de que essa intervenção militar é a favor de sua luta e para apoiá-la.

    Não há um imperialismo “mau” em Bahrein e um “bom” na Líbia. Toda a ação do imperialismo na região é contrarrevolucionaria, só que, voltamos ao afirmar, se vê obrigado a atuar com diferentes táticas.

    No mundo árabe, há o campo da revolução, isto é, o das lutas revolucionárias, das massas, e há o da contrarrevolução, integrado pelo imperialismo, as burguesias nacionais associadas a ele, os regimes ditatoriais e sua repressão, e também todas as manobras que são feitas para frear e desviar as revoluções caso estas tenham conseguido derrubar esses regimes.


    Nossa posição

    Estamos do lado das massas árabes, pela vitória da revolução e, por isso, diante dessas duas posições simetricamente criminosas, que chamam as massas a capitular ante as ditaduras ou ante o imperialismo supostamente “democrático”, a LIT-QI se manifesta por:

    Não à intervenção militar imperialista, seja pela via da OTAN ou da ONU!

    Não à divisão da Líbia!

    Não aos “planos de paz” intermediados pela ONU!

    Abaixo Kadafi na Líbia, abaixo Assad na Síria e Saleh no Iêmen! Abaixo todas as ditaduras do mundo árabe!

    Viva a revolução árabe! Viva a revolução na Líbia e na Síria!

    São Paulo, 12 de maio de 2011
    Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)



    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 29 de março de 2011

    Líbia: uma revolução, duas guerras

    Existe hoje na Líbia uma guerra civil entre a revolução e a contra-revolução, e outra guerra de agressão imperialista contra um país semicolonial


    Rebelde comemora tomada de Ajdabiya
    Existe uma grande simpatia dos ativistas em todo o mundo pela revolução árabe contra ditaduras pró-imperialistas que oprimem estes países há décadas. Mas em relação à Líbia existe uma grande confusão. É ou não parte do mesmo processo? E agora, com a invasão imperialista, de que lado se posicionar?

    A primeira confusão acontece porque as correntes stalinistas e chavistas tentam de todas as maneiras convencer que a rebelião do povo líbio é falsa e que Kadafi é um lutador antiimperialista. Com os métodos típicos do stalinismo, tentam convencer a todos que a Líbia não é parte do mesmo processo árabe.

    A realidade entra pela janela, pelas portas, pelo teto: basta ver as notícias das milícias de trabalhadores e jovens nas cidades rebeladas contra Kadafi, para ver a falsidade dos stalinistas. É a mesma efervescência da praça Tahrir do Egito, que teve de se armar para enfrentar um genocida. É o que aconteceria no Egito caso o exército tivesse reprimido a revolução. É o que pode acontecer no Iêmem e no Bahrein, caso a repressão violenta (apoiada pelo imperialismo) siga.

    Existe uma revolução na Líbia, dos trabalhadores e do povo rebelado contra a ditadura de Kadafi, que começou de forma muito parecida com a do Egito e a da Tunísia.


    A confusão deliberada sobre Kadafi

    Na verdade, Castro e Chávez confundem deliberadamente o Kadafi de quarenta anos atrás com o atual. Ele liderou um golpe militar em 1969 que derrubou a monarquia e nacionalizou o petróleo, tendo seguidos choques com o imperialismo. Já na década de 90, teve um brutal giro à direita, entregando o petróleo líbio para a Shell, British Petroleun, ENI (italiana) e Total (francesa). Tornou-se um grande burguês, com negócios diretos com as multinacionais. Por exemplo, possui 10% das ações da FIAT e 7% do banco italiano Unicredit. Passou a ser recebido com festas pelos governos europeus, como Sarcozy e Berlusconi.

    Kadafi teve um percurso semelhante ao de outras correntes nacionalistas burguesas que capitularam completamente ao imperialismo, como o nasserismo e o peronismo. O Kadafi de hoje não é igual ao Perón que nacionalizou as ferrovias inglesas, mas ao peronista Menen que implantou o neoliberalismo. Não é igual ao Nasser que nacionalizou o canal de Suez, mas a Mubarak.

    A revolução em curso na Líbia é, portanto, muito semelhante às que estão ocorrendo em todo o mundo árabe. Mas apresenta também algumas diferenças importantes. A primeira é que Kadafi reagiu com uma repressão sangrenta, utilizando métodos semifascistas semelhantes aos de Israel, bombardeando populações civis com aviões. Por esse motivo, a revolução tomou o rumo de uma guerra civil.

    Toda revolução se enfrenta com uma contrarrevolução, no caso a resposta violenta do ditador. Escolher de que lado se fica em um processo como este tem enorme importância. Do lado da revolução ou da contrarrevolução? Ficará registrado para sempre na história que Castro e Chávez mantiveram o apoio a Kadafi nessa guerra civil. Sustentaram diretamente a repressão e o genocídio do povo, sujando suas mãos com o sangue líbio, apoiando a contrarrevolução.


    E agora, com a intervenção imperialista?

    A segunda diferença é a intervenção militar direta do imperialismo na região.
    Isso provocou outro tipo de confusão. E agora, o que fazer? Essa é a pergunta que os ativistas se fazem. A maioria está de acordo em que é equivocado apoiar Kadafi. Mas a discussão ficou muito mais confusa depois da intervenção militar do imperialismo. Isso não daria razão aos que apoiam Kadafi?

    Não, não dá. O imperialismo não intervém porque Kadafi é antimperialista. Ele entregou todo o petróleo. Muito menos porque Kadafi é um ditador, já que estão apoiando nesse momento a mesma repressão no Bahrein.

    O motivo para a intervenção é porque o imperialismo quer se apropriar diretamente do petróleo e estabelecer uma zona controlada no meio da revolução árabe. Não confia mais em Kadafi, porque não acredita que ele possa reestabilizar a região, mesmo que consiga uma vitória militar.

    Como Kadafi mantém uma base social muito reduzida, e mesmo suas forças militares são limitadas, não tem condições sequer de garantir a ocupação das cidades em que derrota as forças rebeladas. Consegue ter vitórias militares pela superioridade bélica, mas não tem condições de garantir a estabilidade da região. É muito provável que, se ganhasse a guerra, a enorme oposição ao ditador resultasse numa guerrilha de massas.

    Kadafi está dando ao imperialismo a possibilidade de lançar uma contraofensiva para derrotar a revolução árabe. Possibilita que a OTAN apareça "em defesa da democracia", quando o motivo real é o controle do petróleo e da região.

    Mas, como então se posicionar em meio à revolução do povo líbio contra Kadafi e à intervenção militar imperialista? Não seria o caso de deixar de lado a luta contra o ditador e centrar na batalha contra o imperialismo?

    Não. Existem uma revolução e duas guerras. Uma guerra civil entre o polo da revolução e da contrarrevolução contra Kadafi. Outra guerra de agressão imperialista contra um país semicolonial. Não se pode ignorar a existência de uma revolução na Líbia. Nem se pode resumir a complexidade do problema líbio apenas a uma das guerras, sob pena de uma capitulação grosseira ao imperialismo ou a Kadafi.

    Nada melhor para discutir a correção de uma posição política do que baixá-la para a realidade concreta. Imaginem só a situação hoje - no dia em que está sendo escrito esse artigo - de um grupo de militantes revolucionários em Bengazhi ou Misrata, bastiões do povo rebelado. Eles não podem deixar a guerra contra Kadafi, que segue atacando essas duas cidades e matando dezenas de pessoas. Seria necessária uma unidade de ação com Kadafi contra o imperialismo? Afinal, existe uma guerra de agressão imperialista. Em termos abstratos sim, mas isso é impossível política e militarmente.

    O grande obstáculo é o próprio Kadafi. Se ele tivesse qualquer postura antiimperialista, no momento da agressão estrangeira teria suspendido realmente todos os ataques aos rebeldes e chamado a uma ampla unidade de ação contra as forças da OTAN. Ao contrário, seguiu atacando com métodos de genocídio. Politicamente, a unidade de ação com Kadafi é impossível pelo ódio causado na ampla maioria das massas líbias por ele próprio. Não é por acaso que existe uma revolução contra ele.

    Em termos militares, é impossível pela continuidade da agressão das forças do ditador. Segue existindo uma guerra civil na Líbia. Por isso, a necessidade das duas guerras. Aqueles que defendem unicamente o repúdio à intervenção do imperialismo, calando sobre Kadafi, estão situados no campo político e militar desse genocida. Muitas vezes, com a melhor das intenções de lutar contra o imperialismo, ao tentar priorizar a unidade de ação com Kadafi por fora da realidade concreta da guerra civil, terminam no polo da contrarrevolução. São cúmplices dos massacres do Mubarak líbio.


    Atirar também contra o imperialismo

    Por outro lado, a necessidade da guerra também contra o imperialismo leva ao necessário enfrentamento com a direção do Conselho Nacional Líbio, que se autoapresenta como representante do levante contra Kadafi. Esse Conselho está apoiando a ação militar imperialista. Essa é uma atitude traidora da causa árabe por abrir as portas para que o imperialismo se recupere do duro golpe que está sofrendo com a derrubada das ditaduras na região. Um território dominado pelas tropas da ONU será um bastião contra toda a revolução árabe.

    É fundamental que os lutadores em Bengazhi e outros territórios liberados retomem a atitude antiimperialista que existia na área antes da contraofensiva de Kadafi. Não se pode aceitar a atitude desse Conselho, praticamente de uma unidade de ação com o imperialismo. Os governos imperialistas têm como objetivo acabar com a revolução árabe. Vão querer estabelecer um território controlado por eles.

    Assim que puderem, as armas norte-americanas e europeias vão se virar contra as milícias armadas da oposição. Quaisquer ganhos táticos no terreno militar contra Kadafi com os bombardeios da Otan vão se transformar em perdas estratégicas para a revolução.

    É muito importante que se articule um polo anti-imperialista dentro de Bengazhi e das regiões controladas pelos rebeldes. A revolução contra Kadafi não pode deixar de identificar no imperialismo um inimigo e se situar também na luta política e militar contra a agressão estrangeira. A derrota da revolução líbia pode não vir somente pelas tropas de Kadafi, mas também pela intervenção imperialista disfarçada de intenções "democráticas".


    Retirado do Site do PSTU