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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Bloco Cuscuz Alegado leva irreverência e indignação para a folia das ruas de Natal

Bloco de carnaval contou com a participação da vereadora Amanda Gurgel e reuniu trabalhadores para protestar contra as injustiças e o descaso dos governos.


Paulo Almeida
Foliões protestaram e se divertiram no 2° ano do bloco
“Eu falo, eu falo! A saúde tá precária e o povo abandonado. E a Rosalba, governadora, não dá assistência pra classe trabalhadora”, dizia uma das músicas cantadas pelos foliões indignados do bloco Cuscuz Alegado, que desfilou em 2013 pelo segundo ano no carnaval de Natal. As paródias das marchinhas, com mensagens de protesto contra o caos na saúde e na educação, se transformaram numa marca registrada da brincadeira. No sábado e na segunda, o bloco desfilou pelas ruas de Ponta Negra e da Redinha, denunciando as injustiças e o descaso dos governos com os serviços públicos. Tudo com muita irreverência, alegria e criatividade.

Politizando a avenida e carnavalizando as lutas, o Cuscuz Alegado arrastou muitos foliões durante os dois dias de desfiles. Animado pelo batuque do grupo musical “Resistência da Lata”, o bloco levou para a avenida protestos contra a falta de transporte coletivo, o atraso no pagamento dos terceirizados e o recente aumento nos salários dos vereadores e do prefeito de Natal. “Esse é o nosso segundo ano no bloco e essa é uma parceria de extrema importância pra gente. Como temos uma proposta de arte e educação, o Cuscuz Alegado só nos ajuda a conciliar essa mistura.”, comentou o professor Marcos Vinícius, coordenador da banda “Resistência da Lata”.


“Olha o salário do mané”

No primeiro dia de desfile, em Ponta Negra, os foliões do Cuscuz Alegado foram surpreendidos com a presença do prefeito Carlos Eduardo (PDT), que apareceu no local para conferir outros blocos. Trabalhadores, estudantes e militantes do PSTU aproveitaram para mandar um recado ao chefe do executivo municipal, que sancionou um aumento no próprio salário. “Olha o salário do mané! O que ele quer? O que ele quer? Será que ele vai à Europa? Será que só come filé? Ele vem de uma oligarquia. O trabalhador pra ele é ralé! Olha o salário dele! Corta o salário dele! Olha o salário dele! Corta o salário dele!”, cantavam indignados, diante de um prefeito constrangido.

Durante o desfile, o PSTU também coletou assinaturas dos foliões para um abaixo-assinado contra o aumento dos salários dos vereadores e do prefeito. Sancionada este ano, a medida tem gerado muita indignação na população, principalmente entre os trabalhadores terceirizados que estão com o pagamento atrasado. “O ponto alto do bloco foi poder cantar a nossa marchinha na cara do prefeito Carlos Eduardo”, desabafou a professora universitária Érica Galvão, uma das organizadoras do bloco.

Ela destacou ainda o crescimento do Cuscuz Alegado, que começou com um pequeno grupo de educadores e foi atraindo trabalhadores de outras categorias, justamente por resgatar a irreverência do carnaval e seu perfil popular. “Os trabalhadores atenderam ao chamado. Vieram para as oficinas, para a confecção das alegorias, das marchinhas. A gente viu que o pessoal aprendeu a cantar todas as músicas, realmente protestando, botando a boca no trombone, falando do descaso na saúde, na educação”, contou Érica.




A marca do Cuscuz

Uma das fundadoras do bloco Cuscuz Alegado, a professora e vereadora do PSTU, Amanda Gurgel, participou ativamente dos dois dias de desfiles. Para ela, foi muito gratificante poder reunir protesto político e carnaval com o objetivo de conscientizar a população. “Tivemos muitas marchinhas que são verdadeiras palavras de ordem. Teve marchinha sobre o caos na saúde, responsabilizando a governadora pelo abandono do nosso maior hospital. Marchinhas contra o racismo, a homofobia, o machismo. Muitos temas atuais, como o aumento na gasolina. Foi bastante criativo”, destacou Amanda.

Para a vereadora socialista, além de um momento de diversão, o carnaval também pode ser um importante espaço de politização dos trabalhadores. “Queremos deixar a marca do Cuscuz Alegado, que é um bloco da educação e dos trabalhadores, mas também queremos deixar a marca do PSTU, do nosso mandato e, principalmente, a marca do que nós pensamos em relação a esses temas que são importantes demais para a população”, afirmou a professora.

Como não poderia ser diferente, durante os dois dias de desfile, o bloco ainda distribuiu muito cuscuz aos foliões. Tudo doado pelos próprios trabalhadores. Uma deliciosa forma de ironizar a lei que proíbe os professores de se alimentarem da merenda escolar.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Denúncias e muita irreverência vão marcar a participação do PSTU-BA no tradicional bloco da Mudança do Garcia

Bloco leva temas políticos ao circuito do carnaval de Salvador


Cartaz de divulgação
O PSTU, mais uma vez, vai participar do tradicional bloco sem cordas “Mudança do Garcia” em Salvador. Formado por moradores do bairro do Garcia, movimentos sociais, sindicatos e partidos políticos, o bloco é conhecido pela irreverência e pelos temas políticos levados ao circuito do carnaval.

A militância do PSTU estará presente na "Mudança", formando uma ala que denunciará os cortes no orçamento de Salvador, realizados pelo prefeito ACM Neto, que só prejudicarão a população mais pobre da cidade; os desvios de verbas nas obras da copa; a falta de investimentos em Saúde e Educação e a péssima qualidade do transporte público na cidade. Vamos aproveitar a oportunidade para prestar todo o nosso apoio e solidariedade à comunidade quilombola Rio dos Macacos que sofre com uma agressão sistemática da marinha e do governo federal. Tudo isso será feito ao som de uma banda de fanfarra e marcado por muita alegria, irreverência e crítica social.


Pipoca Indignada por um carnaval para os trabalhadores

A participação do PSTU no carnaval de Salvador já se tornou uma tradição. Todos os anos, a militância do Partido se junta a amigos e filiados e saem às ruas na segunda-feira de carnaval junto ao bloco da Mudança do Garcia.

O carnaval de Salvador, considerado o maior carnaval do mundo, é um momento de lazer para milhares de trabalhadores mas, infelizmente, há muitos anos vem sendo privatizado, tornando o espaço cada vez mais reduzido para o folião pipoca (foliões que não pagam para sair nos blocos de corda).

Este ano, um importante debate tomou conta da cidade, pautando a democratização do carnaval e a desprivatização dos espaços públicos. Iniciativas como o bloco “Pipoca Indignada” e protestos que aconteceram nos primeiros dias da festa mostram que já existem setores que questionam a politica da prefeitura (DEM) e do governo do estado (PT) em montar uma estrutura milionária para beneficiar os grandes empresários do Carnaval.

O PSTU se soma a esta luta contra a privatizaçao da cidade e, na Mudança do Garcia, vamos resgatar o verdadeiro espirito do carnaval, como uma manisfestaçao da cultura popular, marcada pela irreverência e pela crítica social e política. Estaremos na segunda-feira de carnaval nos divertindo, brincando e pulando, mas sem esquecer a nossa luta por uma sociedade mais justa, igualitária e livre da ganância e da exploração capitalista.


Junte-se a nós! Venha para a ala do PSTU na Mudança do Garcia

Data: Segunda-Feira (11/02)
Horário: 9 horas
Concentração no Fim de Linha do Garcia



Retirado do Site do PSTU

sábado, 9 de fevereiro de 2013

Com irreverência e protesto, ‘Cuscuz Alegado’ desfila no carnaval de Natal pelo segundo ano

Bloco que denuncia descaso dos governos foi inspirado no desabafo da professora Amanda Gurgel


O bloco de carnaval “Cuscuz Alegado” foi criado em 2012 por um grupo de professores indignados com o caos na educação pública. Com bastante criatividade e ousadia, o bloco vai desfilar em Natal pelo segundo ano, denunciando os problemas nas escolas, o descaso dos governos e muitas outras injustiças, como o recente aumento nos salários dos vereadores e do prefeito. Este ano, a falta de transporte coletivo em Nova Natal e o não pagamento dos salários e direitos dos terceirizados também estarão na mira das denúncias dos foliões do “Cuscuz Alegado”.

O bloco sairá dois dias neste carnaval. No sábado, dia 9, a brincadeira começa na Praça Praia de Ponta Negra, por trás do Vilarte, em Ponta Negra. Na segunda-feira, dia 11, a largada do bloco é na Praça do Cruzeiro, na Redinha. Nos dois dias, a concentração dos desfiles será às 16 horas. A animação e a batucada ficam por conta do grupo musical Resistência da Lata.

Entre as fundadoras do “Cuscuz Alegado” está a professora e vereadora do PSTU, Amanda Gurgel, que tornou famosa a expressão que dá nome ao bloco. Em 2011, durante uma greve, Amanda denunciou na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte o drama da educação. O vídeo com o desabafo foi parar na internet e alcançou milhões de acessos. Entre outras coisas, Amanda criticou o fato de a justiça e o governo proibirem os professores de se alimentarem da merenda escolar, alegando que o cuscuz é destinado apenas aos alunos. Nascia, assim, a expressão “cuscuz alegado”.



Inicialmente formado por um pequeno grupo de educadores, o bloco acabou atraindo foliões de outras categorias ao longo da sua formação, exatamente por resgatar a irreverência do carnaval e seu perfil popular. Além de um espaço para alegria e divertimento, o “Cuscuz Alegado” é também um lugar de protesto, onde a população e os trabalhadores tem voz para expressar sua indignação contra a exploração e o descaso dos governantes. “Este é um bloco aberto a todos que queiram se divertir e denunciar a falta de transporte, a crise na saúde, o descaso com a educação. É um bloco pra mostrar as injustiças com muita irreverência, como no caso deste aumento salarial escandaloso que os vereadores e o prefeito de Natal deram si mesmos.”, comentou a professora Amanda Gurgel.

Nos dois dias de desfile, o bloco ainda irá distribuir cuscuz aos foliões, algo que já virou uma marca registrada da brincadeira. “O governo e a justiça proíbem a merenda escolar para os trabalhadores da educação. Mas no nosso bloco isso não existe, o cuscuz é liberado pra todo mundo.”, explica a professora Luana Paôla, uma das organizadoras do bloco. Ela também esclarece que tudo no “Cuscuz Alegado” vem de doações dos próprios foliões e trabalhadores. “Nos desfiles, até passamos o chapéu para arrecadarmos dinheiro para pagar a banda.”, finaliza.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

A Tragédia de Santa Maria: o lucro antes da vida

O que na lógica capitalista significa “redução de custos”, na vida significa um risco constante



População exige justiça
A madrugada do dia 27 de janeiro de 2013 ficará marcada na história internacional pela tragédia que silenciou centenas de jovens em uma boate da cidade de Santa Maria (RS), com mais de 235 mortos e 134 feridos. Primeiramente, gostaríamos de prestar nossa total solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. As ações de solidariedade, muitas vezes espontâneas, em todo o país, na Argentina e Uruguai têm sido um belo exemplo de fraternidade, e certamente ajudaram a confortar os familiares e amigos das vítimas em um momento tão difícil.

O fato que comoveu o país e mobilizou a opinião pública está longe de ser uma "fatalidade", pois não restam dúvidas que poderia ser evitado. O incêndio da boate KISS representou uma combinação explosiva de ações criminosas, erros e omissões de empresários e governantes, gerando um grande desastre que afetará, por muitos anos, a vida de milhares de pessoas inocentes. A lógica do capital, de lucro a qualquer custo, e a dos governos, de favorecer os empresários, teve um efeito mortal em Santa Maria, no entanto essa é uma realidade de risco que os jovens e trabalhadores estão submetidos em todas as cidades do país.


Crônica de uma morte anunciada?

Parece até um cenário de uma peça que se encontra pronta para sua estréia: o fato do local ter somente uma saída e a porta ser de tamanho reduzido; o excesso de pessoas no local; artefatos incendiários em um ambiente inadequado para tal; uma espuma que revestia o teto que teria o seu custo reduzido; alvará vencido há 6 meses. São estes os principais argumentos veiculados na mídia para justificar o incêndio e as mortes na boate Kiss, um quadro de irregularidade que nos traz à tona o questionamento: como um espaço nestas condições ainda funcionava no centro da cidade?

Em meio ao luto de milhares de pessoas não são plausíveis justificativas que vão no sentido de uma “fatalidade”. A irregularidade está comprovada com mais de 235 mortos. Como um lugar pode se julgar capaz de abrigar mais de 1000 jovens sendo capaz de causar tal catástrofe? A indignação que brota em meio a uma grande tristeza é o combustível para que mais de 30 mil pessoas se juntassem em uma grande passeata pela cidade de Santa Maria (RS) na noite do dia 28 de janeiro.

Em nota de solidariedade aos familiares e amigos das vítimas de Santa Maria, a Associação dos Pais das Vítimas da tragédia de Cromañon (Argentina) afirma que “passam os anos e as histórias se repetem”. Em 2004, em um incêndio na boate Cromañon, de situações muito idênticas a de Santa Maria, 200 jovens perderam a vida. Após oito anos, parece-nos um filme que se repete.


O jogo do empurra-empurra dos governantes

Achar culpados não deve ser encarado como forma de encerrar tal caso investigativo. O sentimento da população e, principalmente, dos familiares das vitimas é de que se faça justiça. Deve se questionar a fundo tais responsabilidades. O que temos assistido nos últimos dias, com prisões preventivas e depoimentos, é um verdadeiro “empurra-empurra” diante da tragédia.

Não há espaço para isso! O prefeito Cesar Schirmer (PMDB) deve responder por que esta casa noturna possuía alvará para que continuasse a funcionar ou mesmo porque a mesma continuou funcionando com alvará vencido? Deve explicar por que fechou a boate do DCE da Federal de Santa Maria, organizado pelos estudantes, e não fechou a boate de empresários do ramo? Ao invés disso, o prefeito tem dito que nada sabe, que trata-se de uma fatalidade e tem jogado a culpa no Corpo de Bombeiros do RS.

O Governador do Rio Grande do Sul, Tarso Genro, também tem que explicar o porquê do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul demorar tanto tempo para fazer vistorias ou mesmo por que permitiu a liberação do espaço da boate Kiss mesmo tendo apenas uma saída de emergência? A falta de investimentos no corpo de Bombeiros que se reflete em falta de pessoal também foi uma das causas do acidente. O estado não cumpriu seu dever de proteger a população.

Não basta chorar com as vítimas, exigimos do Governo Dilma que elabore uma lei nacional de fiscalização destes espaços e garanta que todas as boates sejam novamente inspecionadas a partir de regras muita mais rígidas. Não pode existir regras diferentes em diferentes estados.

A tecnologia da qual dispomos hoje torna o acontecimento algo que desmascara um nível de negligência absurdo das autoridades responsáveis pela fiscalização. Mas, o que juntamente a isso nos demonstra tal fato é que a ganância dos empresários também parece não conhecer limites, nem mesmo a própria vida foi respeitada. O que na lógica capitalista significa “redução de custos”, na materialidade da vida significa um risco constante.


Passeata por justiça reuniu 30 mil pessoas na cidade de Santa Maria


Punição dos culpados

A tragédia de Santa Maria foi causada por uma combinação de ações e omissões que vão desde empresários ambiciosos que colocam o lucro em primeiro lugar, uma banda irresponsável, negligência e omissão dos governantes e de um aparato de estado corrupto que não fiscaliza e não cumpre um papel de defender os interesses do povo, no qual quem manda são os grandes empresários.

Exigimos de imediato a saída do Prefeito de Santa Maria/RS, Cezar Schirmer, e a apuração dos fatos de maneira rigorosa. Incluindo também a responsabilidade do estado do Rio Grande do Sul e do Chefe do Corpo de Bombeiro de Santa Maria.

A apuração dos fatos deve ser feito em conjunto com uma comissão dos familiares das vítimas e sem segredo de justiça para garantir que de fato os responsáveis sejam punidos.

Devemos repetir o exemplo da tragédia de Cromañon na Argentina quando o movimento social organizado junto com os familiares das vítimas, através de uma grande mobilização social, conseguiu a punição dos culpados, inclusive do Prefeito de Buenos Aires.


Uma política de cultura e diversão para a população

Não é de hoje que os espaços de diversão e cultura estão sob o controle de empresários, não é de hoje que boa parte da população, principalmente a juventude, arrisca a vida para se divertir. A realidade brasileira é que as cidades estão repletas de comércios da diversão e raros espaços públicos que a população possa frequentar aos finais de semana ou em seus momentos reservados ao lazer.

A questão da mobilidade urbana nos principais centros urbanos brasileiros também é outro fator para que grande parte da juventude fique em guetos e seja impedida de viver a cidade e sair à noite. São raras linhas de transporte noturno e muitas vezes quando existem tornam-se perigosas pelo atual caos da segurança pública.

A juventude e a classe trabalhadora devem possuir o direito de produzir e usufruir das mais diversas fontes culturais, nosso acesso não pode mais estar ligado à interesses capitalista de produção que levam sempre à lógica da maior lucratividade. A juventude de Santa Maria sofreu com o fechamento de vários dos seus locais públicos de lazer e diversão. A mesma coisa acontece em Porto Alegre, como foi o caso do Araújo Viana. Devemos lutar pelo direito à cultura e lazer em espaços públicos, garantido pelo estado. Somente assim, esse será um direito de uma maioria.

  • Afastamento imediato do Prefeito de Santa Maria, Cezar Schirmer, do Chefe do Corpo de Bombeiros e investigação das responsabilidades dos governos estadual e municipal.
  • Punição para todos os responsáveis pelo incêndio como os sócios da boate Kiss e membros da banda.
  • Exigimos do Governo Dilma Roussef, a elaboração de uma lei federal que fiscalize sobre normas rígidas o funcionamento de boates e casas de espetáculo. Garantindo a fiscalização e cumprimento da lei.
  • Que o estado garanta espaços públicos para que a juventude e os trabalhadores tenham direito ao lazer, cultura e diversão.


  • Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

    Nota de solidariedade do PSTU aos familiares e amigos das vítimas do incêndio da boate de Santa Maria (RS)

    Agência Brasil
    Exigimos do governo a apuração e punição dos responsáveis pela tragédia
    É com pesar que, nesta manhã de domingo, 27 de janeiro de 2013, a população gaúcha e brasileira recebe a notícia da morte de, pelo menos, 245 pessoas, a maioria estudantes universitários, e mais de 48 feridos em um incêndio numa boate de Santa Maria (RS).

    Primeiramente, gostaríamos de prestar nossa total solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. O fato, que já é a maior tragédia da história do Rio Grande do Sul, deixa marcas na vida de uma cidade que tem como seu centro a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), e reconhecida “cidade universitária”.

    Frente à tamanha comoção nacional e até mesmo internacional, não restam dúvidas de que esta tragédia de tamanha magnitude poderia ter sido evitada. A responsabilidade por esta tragédia recai de imediato sobre os ombros do dono da boate “KISS” e daqueles que seriam os responsáveis por fiscalizar os estabelecimentos da cidade: o prefeito Cezar Schirmer (PMDB) e o Estado do Rio Grande do Sul. No local do evento não havia respeito às normas mínimas necessárias de segurança para que pudessem receber tamanha quantidade de pessoas.

    As cenas, que repetidamente são transmitidas pelas emissoras de televisão nesta manhã de domingo, configuram um verdadeiro caos, e um desespero daqueles que esperaram por mais de horas por socorro e não o tiveram.

    Aqueles que poderiam evitar um desastre de tais proporções não tem agora o direito de somente pronunciar-se e lamentar pelo ocorrido. Neste momento, além de total solidariedade à família e aos amigos das vítimas, exigimos que o Governo Federal e estadual apurem os fatos e punam os responsáveis pela tragédia.

    O direito à diversão e a cultura deve ser garantido de forma segura e também pública, não podemos admitir que a morte de jovens e trabalhadores nesta madrugada do dia 27 de janeiro seja apenas mais um fato. Que a ganância daqueles que tem como único objetivo garantir maior lucro não seja feita sobre a vida de inocentes que só desejam divertir-se em uma final de semana, e nem mesmo sobre a dor de pais e mães.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 26 de janeiro de 2013

    O lucro das grandes corporações norte-americanas falou mais alto que a vida de Aaron Swartz

    Jovem programador foi acusado de compartilhar artigos acadêmicos de bibliotecas norte-americanas na rede



    Aaron foi vítima de um sistema que o lucro está acima do conhecimento, da liberdade e da vida
    No dia 11 de janeiro, o jovem Aaron Swartz, 26 anos, foi encontrado morto em seu apartamento, na cidade de Nova Iorque. Ele sofria de depressão e teria se suicidado, sem deixar nenhum bilhete ou informação. Aaron, aos 14 anos, já era considerado um grande prodígio no mundo digital por desenvolver o sistema RSS (Rich Site Summary), que possibilita o recebimento de informações atualizadas de diversos sites diferentes, sem que seja necessário visitá-los um a um.

    Essa poderia ser uma notícia como várias outras, não fosse o fato de que Swartz, um jovem programador informático, estava a poucos dias de um julgamento que poderia levá-lo a mais de 30 anos de prisão e a receber uma multa de cerca de um milhão de dólares. A acusação era que ele havia feito “download ilegal” de 4,8 milhões de documentos científicos e literários da plataforma JSTOR, que abrigava arquivos de sete bibliotecas norte-americanas e cobra 19 dólares por mês de quem quiser acessar os seus “papers”.

    A família responsabiliza as autoridades judiciais americanas pelo acontecido e critica o sistema judiciário dos Estados Unidos que iria prender um jovem de 26 anos por “um crime que não fez vítimas”. Isso por que, além de uma mente brilhante, Swartz era um jovem ativista e defensor da liberdade de expressão e compartilhamento de conteúdos na internet. Um jovem que não se conformava com uma lógica em que as pessoas são obrigadas a pagar para ter acesso ao conhecimento, como mostram os casos de bibliotecas inteiras cujo acervo é digitalizado, mas acessível somente aos que podem pagar suas taxas.

    No seu documento mais difundido (Guerrilha Open Access), Aaron coloca que “a herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas”.

    Para o capitalismo, todo ataque à liberdade de expressão e de compartilhamento de conteúdos tem sua razão de existir: seja para o controle do conhecimento em circulação, seja para a garantia dos lucros bilionários das grandes corporações internacionais. Aaron é mais uma vítima de um sistema no qual o lucro da grande burguesia está acima do conhecimento, da liberdade e da própria vida.

    Para nós da Juventude do PSTU, fatos como esses só reforçam a necessidade real de democratizar o acesso aos conteúdos digitais e ao conhecimento, sabendo que isso significa ir além de receber informações, mas também ter a possibilidade de produzí-las e divulgá-las livremente. E como dizia o próprio Aaron Swartz, “não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz [...] declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública”.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 15 de janeiro de 2013

    Plenária discute as primeiras iniciativas do mandato de Amanda Gurgel em Natal

    Encontro reuniu militantes, apoiadores e trabalhadores de diversas categorias



    Plenária contou com a participação de dois ex-vereadores do partido.
    Em Natal, a tarde de sol do último sábado, dia 12, era um convite para as pessoas irem à praia, mesmo com a cidade ainda respirando o caos da desastrosa administração da ex-prefeita Micarla de Sousa (PV). Mas o programa escolhido por dezenas de apoiadores, militantes e trabalhadores de diversas categorias foi outro. As cadeiras do auditório do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) nem demoraram a serem ocupadas por professores, estudantes, servidores da saúde pública, petroleiros, rodoviários, entre outros. Estavam todos ali, cerca de 110 pessoas, para a primeira plenária do mandato da professora Amanda Gurgel (PSTU.

    A plenária da vereadora mais votada da história de Natal foi realizada com o objetivo de convocar os trabalhadores a participarem da elaboração dos projetos e das primeiras iniciativas do mandato socialista. A abertura do evento ficou por conta dos cordelistas Nando Poeta, Abaeté do Cordel e Hélio Gomes, que abrilhantaram o momento com suas poesias. Uma delas, inclusive, foi dedicada pelo poeta Hélio Gomes ao mandato da professora Amanda Gurgel. “Mandato socialista / Vai à rua, vai à praça / Leva o povo para a Câmara / Pra gritar, ganhar na raça / Benefícios pra cidade / Ou impedir qualquer trapaça.”, dizia um trecho.

    Para enriquecer o debate político sobre como deve ser um mandato socialista, a plenária contou com as importantes participações de dois ex-vereadores do partido. Fábio José, eleito pelo PSTU em Juazeiro do Norte (CE), entre os anos de 2001 e 2004, e Romildo Raposo, eleito pelo PT em Diadema (SP), nos anos de 1989 e 1992 (Romildo era da corrente interna Convergência Socialista, uma das fundadoras do PSTU). Nas palestras coordenadas pelo professor Dário Barbosa, presidente estadual do partido, os dois ex-vereadores contaram suas experiências de luta política no parlamento e alertaram sobre as dificuldades que os revolucionários enfrentam no terreno do inimigo.

    Antes do início da plenária, foi respeitado um minuto de silêncio em memória do operário da construção civil de Belém (PA) e militante do PSTU, Adilson Duarte, que morreu afogado no último dia 6.


    “Não se chega ao socialismo pelo parlamento.”

    Em sua exposição, Fábio José destacou as principais características que marcam a atuação de um mandato socialista e fez relatos impressionantes de quando foi vereador em Juazeiro do Norte. O professor da Universidade Rural do Cariri (URCA) disse que o parlamento burguês deve servir unicamente como ponto de apoio dos revolucionários para mobilizar os trabalhadores em direção a uma profunda mudança social.“O mandato socialista tem que servir para potencializar e fortalecer a mais elementar reivindicação dos trabalhadores. Se nós queremos fazer uma revolução nesse país, nós devemos disputar a consciência das massas trabalhadoras. Um mandato parlamentar ajuda nessa luta, mas não é o objetivo final. Não se chega ao socialismo pelo parlamento.”, assegurou o ex-vereador do PSTU.

    Fábio José falou também sobre as pressões que o parlamentar socialista pode sofrer por atuar de forma combativa. Durante seu mandato, o professor universitário apresentou projetos em defesa dos trabalhadores, apoiou lutas na cidade e foi responsável pelas denúncias de corrupção que derrubaram a Mesa Diretora da Câmara de Juazeiro. “Os parlamentares burgueses vão tentar nos intimidar. Quando fui vereador em Juazeiro passei duas semanas com um matador rondando o quarteirão da minha casa. Quem garantiu a minha segurança, quando sofri ameaças de morte, foi o partido. Não foi a polícia.”, lembrou.

    O ex-vereador pelo PSTU encerrou sua apresentação destacando a importância do mandato da professora Amanda Gurgel e da iniciativa da plenária com a população. “Temos a convicção de que a Amanda pode traduzir os anseios dessa coletividade, apresentando projetos de interesse dos trabalhadores e sendo uma porta-voz. Essa plenária é o primeiro passo para organizar aqueles que querem mudar Natal, o Brasil e o mundo.”, disse.


    “Covil de bandidos”

    Romildo Raposo foi vereador em Diadema (SP) entre os anos de 1989 e 1992. Eleito pelo PT (Romildo fazia parte da corrente Convergência Socialista, uma das fundadoras do PSTU), ficou conhecido pelas lutas em defesa dos metalúrgicos e, principalmente, pelo apoio à causa do movimento por moradia. Na primeira plenária de apoiadores do mandato de Amanda Gurgel, o hoje professor de Sociologia da Educação na UFPB não teve dúvidas sobre como qualificar o lugar que a professora terá de frequentar pelos próximos quatro anos. “Ela vai estar num covil de bandidos. E vai precisar da ajuda de vocês e do partido para enfrentá-los.”, afirmou Romildo.

    Como vereador, Raposo chegou a ser preso, por 45 dias, depois de apoiar e participar de um ato público durante uma ocupação de um terreno abandonado. O apoio de seu mandato foi decisivo para a conquista das casas pelos moradores. O fruto desta luta, a Vila Socialista, está de pé até hoje em Diadema. Para Romildo, essa experiência ilustra bem como deve ser a atuação de um parlamentar socialista. “É preciso fazer muita denúncia, apresentar projetos que atendam as necessidades dos trabalhadores e sempre discutir tudo com as categorias, com os moradores dos bairros. É pra mobilizá-los que usamos o mandato.”, explicou. E concluiu: “O mandato socialista precisa ter independência de classe e compromisso com os trabalhadores.”.




    “Me senti fortalecida com a plenária”

    Nestes primeiros dias de mandato, a professora Amanda Gurgel já deu uma clara demonstração de como será a atuação socialista do PSTU em Natal. Nas sessões extraordinárias da semana passada, Amanda denunciou e votou contra a proposta da Câmara que aumentou o número de cargos comissionados dos vereadores. A professora apresentou um projeto substitutivo proibindo a criação de mais 80 cargos desnecessários, mas a maioria da Câmara foi contrária. “A cidade neste caos em que se encontra, com o ano letivo encerrado mais cedo, a saúde numa calamidade, e a mesa diretora da Câmara de Natal convocou uma sessão extraordinária simplesmente para aprovar um aumento de cargos comissionados dos vereadores. Um desrespeito.”, criticou Amanda, durante a plenária.

    A vereadora afirmou também que o mandato estará a serviço das lutas dos trabalhadores por saúde e educação públicas de qualidade, transporte e em defesa das mulheres que sofrem com o machismo. Amanda lembrou que sua atuação na Câmara não será indiferente diante da violência machista e disse que o mandato irá lutar, junto com as mulheres, pela criação de delegacias especiais e casas-abrigo. “Em briga de marido e mulher, nosso mandato vai, sim, meter a colher.”, avisou.

    Ao final de sua exposição, a professora agradeceu a presença dos apoiadores e fez um convite para que todos seguissem participando do mandato, ajudando a mobilizar os trabalhadores e a elaborar os projetos que serão apresentados na Câmara. Amanda anunciou, inclusive, a criação de grupos de trabalho dos quais os trabalhadores deverão participar para discutir propostas sobre diversos temas da cidade. “Me senti fortalecida com a plenária. As pessoas demonstraram que continuam com essa indignação, com a chama da indignação acesa. Demonstraram isso nessa plenária quando se dispuseram a fazer parte dos grupos de trabalho. E isso é bom demais.”, comemorou a vereadora.


    Participação popular

    A primeira plenária do mandato da vereadora Amanda Gurgel foi bastante representativa. Participaram do evento trabalhadores de diversas categorias, como professores, profissionais da saúde, rodoviários e petroleiros. Destaque ainda para os moradores do Conjunto Nova Natal, onde Amanda é professora. Várias entidades também compareceram à plenária, a exemplo da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), centros acadêmicos da UFRN, Coletivo Feminista Leila Diniz e os Sindicatos dos Trabalhadores da Saúde e Educação de São Gonçalo do Amarante (Sindsaúde e Sinte).

    Durante a plenária, muitos trabalhadores e trabalhadoras fizeram declarações de apoio ao mandato, deram sugestões de iniciativas e se dispuseram a participar da elaboração dos projetos. A professora de Língua Portuguesa, Ricaline da Costa, foi uma delas. “Sou professora, mas quero participar do grupo de trabalho da saúde porque sou usuária do SUS e acredito que devemos lutar para que ele seja de qualidade para todos.”, disse. Ricaline foi filiada ao PT por dez anos, mas deixou o partido depois de muitas desilusões. Na plenária, ela aproveitou para dizer que estava se filiando ao PSTU. “Acredito na política defendida por este partido e pela professora Amanda.”, declarou.

    Depoimento emocionante também deu o técnico em segurança do trabalho da Petrobrás, Ionaldo Morais. Militante do PCdoB por 20 anos, Ionaldo rompeu com o partido e se aproximou da campanha da professora Amanda Gurgel. “Eu ouvi as palavras 'revolução' e 'socialismo' bem mais vezes nesta plenária do PSTU do que em 20 anos como militante do PCdoB. Eu acho que o mandato de Amanda é algo especial, que pode dar uma nova motivação para os trabalhadores.”, afirmou.

    O petroleiro disse ainda que a defesa da causa ambiental deve estar na pauta política das esquerdas e sugeriu que a proposta fosse incorporada pelo mandato da professora Amanda Gurgel. “Há um grande desafio hoje para as esquerdas, que é incorporar a luta em defesa do planeta sem negligenciar as lutas tradicionais dos trabalhadores. Não podemos mais admitir que essa luta seja conduzida por ONGs ou por partidos que se dizem verdes. A defesa do planeta é uma pauta urgente do socialismo.”, analisou.

    A plenária foi encerrada com a formação dos grupos de trabalho sobre educação, saúde, transporte, cultura e mulheres, que terão a função de elaborar projetos para o mandato com base nos problemas enfrentados pelos trabalhadores e a população. No próximo dia 23 de fevereiro, o grupo de educação já irá realizar o primeiro seminário temático. E no sábado de Carnaval, dia 9, sairá a segunda edição do Cuscuz Alegado, bloco inspirado no discurso da professora Amanda Gurgel.


    Retirado do Site do PSTU

    Rio de Janeiro: Governo Cabral quer destruir todo o complexo esportivo e cultural do Maracanã

    Em defesa da Aldeia Maracanã e do Estádio de Atletismo Célio de Barros




    Viral do PSTU nas redes sociais em defesa do complexo esportivo e cultural do Maracanã
    Os cerca de 3 bilhões de lucro que esperam os empresários com a privatização do Maracanã estão pressionando nosso ditador Cabral a ousar na repressão à população carioca e fluminense. O governo quer destruir um prédio histórico de relevante importância para preservação da cultura indígena, uma escola pública considerada modelo, um complexo esportivo fundamental para os atletas e a comunidade do bairro que o utiliza para atividades esportivas, a fim de supostamente atender as exigências da Fifa. Tudo isso acontece com apoio de Eduardo Paes e Dilma, omissos diante do sofrimento dos trabalhadores que perderam seus empregos, dos alunos que perderam sua escola, e dos atletas que não têm mais lugar onde treinar.

    Esse fim de semana foi de muita luta nos entornos do Maracanã. Professores, atletas, ex-atletas, movimentos populares e indígenas estiveram presentes nos locais ameaçados de destruição, protestando contra mais um absurdo do governo do estado. Estivemos lado a lado de centenas de ativistas na defesa da Aldeia Maracanã, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e de todos os atingidos pela venda do patrimônio histórico, imaterial e não dimensionável do futebol do Rio e do mundo.

    Não podemos deixar que o Rio de Janeiro se transforme numa marionete que os seus dirigentes movimentam como quiser. A luta continua e tem que ampliar essa semana. Completa-se um ano da brutal desocupação do Pinheirinho e os trabalhadores seguem sendo massacrados, seja na periferia de SP por Alckmin, seja nas favelas e ocupações por Cabral.

    A realização de grandes eventos em nosso país tem que servir para o desenvolvimento social do país e não para enriquecer os já bilionários megaespeculadores.


  • Não à demolição da Aldeia Maracanã, do Célio de Barros, do Julio Delamare e da Escola Friedenreich;
  • Pela reforma do prédio pelo governo e construção de um verdadeiro Museu do Índio na Aldeia Maracanã gerido pelos indígenas;
  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã e ruptura dos contratos com as empreiteiras envolvidas
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

    Integrantes da Banda New Hit continuam alvo de protestos

    Os músicos são acusados de estuprar duas adolescentes no ano passado



    Em Serrinha (BA), manifestantes foram às ruas usando camisas com dizeres "Fora New Hit"
    O repúdio à banda baiana New Hit continua quase cinco meses depois de seus integrantes serem indiciados por estupro de duas adolescentes no interior da Bahia. Felizmente, a banda não tem encontrado sossego fora da prisão e é alvo de seguidos protestos. As mobilizações vão desde escracho na entrada do condomínio do vocalista a passeatas e intervenções nas redes sociais. Fruto dos protestos, shows da banda foram cancelados em Salvador, Delmiro Gouveia (AL) e João Pessoa (PB). Em Maceió, a New Hit tem show agendado para o dia 26 deste mês, mas os protestos já começaram a tensionar a sua realização. A possibilidade de show da New Hit em São Luís (MA) já iniciou uma mobilização nas redes sociais.

    Na capital baiana, as mobilizações pelas redes sociais criticavam uma marca de cerveja por patrocinar o estupro, ao financiar uma festa de pagode com a presença da New Hit. “Estupro não desce redondo” dizia um dos ‘virais’ que se espalhou pelo facebook e levou a empresa a retirar o patrocínio. Em seguida, o show foi cancelado. Em João Pessoal, a New Hit foi substituída por uma nova atração após protestos nas redes sociais. Moradores e organizações feministas de Delmiro Gouveia (AL) protestaram diante do anúncio da presença da banda em dois blocos de carnaval da cidade. A participação da New Hit também foi cancelada. Em Serrinha (BA), no início de janeiro, movimentos sociais, como Movimento Negro Afro Jamaica, Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, Movimento de Mulheres Urbanas, saíram às ruas com camisas dizendo “Fora New Hit”.

    O estupro aconteceu no ano passado, no dia 26 de agosto, quando os músicos tocavam na micareta da cidade de Ruy Barbosa (BA). As duas adolescentes, fãs do grupo, pediram pra tirar foto com a banda após o show. As meninas, uma de 16 e outra de 17 anos, foram encaminhadas ao ônibus da produção quando foram brutalmente violentadas pelos nove integrantes da New Hit. Um policial militar que fazia a segurança do grupo também foi indiciado por ter sido conivente com o crime. Os resultados dos exames de corpo delito confirmaram o estupro coletivo. Os estupradores ficaram presos durante 38 dias, mas conseguiram um habeas corpus e aguardam o julgamento, previsto para fevereiro, em liberdade.

    Fora da prisão, os noves acusados voltaram aos palcos enquanto as vítimas estão em um Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), em razão das ameaças de fãs da banda.


    Não à cultura do estupro

    Na cultura machista e patriarcal em que vivemos, a culpa do estupro é sempre da vítima. Neste caso não foi diferente. Nem o laudo médico que confirmou o estupro coletivo foi capaz de combater as insinuações contra as garotas. Internautas responsabilizavam as adolescentes na web: “Elas quiseram dar pro seu ídolo!”, “Elas gostam de pagode e de baixaria, queria isso mesmo!”, “elas queriam ficar famosas, isso sim!”.

    As vítimas sofreram ameaças de fãs da banda que culpabilizam as garotas pela prisão e o indiciamento dos integrantes da New Hit. As ameaças partiram de telefonemas e das redes sociais e até mesmo um carro estranho foi visto ao redor da casa da família, segundo os parentes das vítimas.

    O resultado disso é que além de vítimas de uma violência brutal, as duas adolescentes não conseguiam ir mais à escola, precisam viver sob proteção, mudar de endereço e serem “reinseridas na sociedade”.

    É essa mesma cultura que tolera e ri do assédio sexual travestido de ‘humor’ no programa da Rede Globo, Zorra total. Ou que naturaliza as propagandas de cerveja que mercantilizam o corpo da mulher. Ou ainda aplaude “humoristas” que afirmam que “estuprar mulher feia é um favor”. É a cultura do estupro que transforma um “não” em um “sim”.

    Felizmente, estas mobilizações que exigem punição aos estupradores da New Hit mostram uma reação importante contra esta cultura do estupro. Já se passaram quase cinco meses e a indignação segue acesa, espalhando-se para diferentes estados do nordeste. Mobilizações devem continuar acontecer para pressionar a condenação dos estupradores em fevereiro. Não queremos a banda New Hit nos palcos e nenhuma violência contra as mulheres.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

    Oscar Niemeyer: o poeta das curvas e dos sonhos


    Niemeyer faleceu perto de completar 105 anos
    No dia 5 de dezembro, morreu perto de completar 105 anos a maior lenda viva da Arquitetura brasileira. Parecia que o velho Oscar já havia se entendido com o tempo e selado uma trégua com a morte, por mais que o peso da idade já recaísse com certa dureza sobre suas costas. Dono de uma obra composta por algumas centenas de projetos executados no Brasil e em países no mundo todo, Niemeyer morreu trabalhando em seus projetos, sonhando com um mundo justo e socialista e acreditando que “a Arquitetura não é importante, o importante é a vida”.

    Suas curvas, desenhadas a partir dos traços trêmulos de seus esboços, se concretizaram em edificações que se tornaram a principal expressão da Arquitetura Moderna brasileira. Sua Arquitetura era composta de sonhos, tinha aversão à linha reta imposta pela racionalidade do homem, queria fazer o concreto armado flutuar sobre o chão e conversar com as formas da natureza. Era um comunista convicto, foi filiado ao PCB durante décadas, desde 1945. Foi parte das contradições de seu partido, alinhado com o Stalinismo e com os Governos Burgueses Nacional-Desenvolvimentistas. Envelheceu e acompanhou o fim da União Soviética e dos Estados Operários, o “fim da história” para muitos, mas não para o velho Oscar que continuou sonhando com um mundo parecido com o que tinha imaginado para Brasília décadas antes. Um mundo de homens iguais.


    Niemeyer e o movimento moderno brasileiro

    A década de 20 foi marcante para a Arquitetura mundial, onde diversas vanguardas artísticas surgiam no mundo inteiro, em um período de grande efervescência cultural e política. Na academia ainda reinavam os padrões estéticos do ecletismo, que mantinham um culto obsessivo à Arquitetura da Antiguidade, insistindo em uma mistura de padrões gregos, romanos e barrocos. O Modernismo se propôs então a transformar completamente a forma de se pensar e de se fazer Arquitetura, imprimindo um novo olhar sobre as cidades e o espaço habitado, buscando refletir acerca das reais necessidades das pessoas, incorporando os avanços da técnica para produzir uma Arquitetura do homem para o homem.

    Niemeyer iniciou seu trabalho nos anos 30 e se ligou imediatamente a estas vanguardas que já tinham considerável força. Uma de suas primeiras obras de destaque foi o prédio do Ministério da Educação e Saúde, onde trabalhou diretamente com o Arquiteto franco-suíço Le Corbusier, um dos fundadores da Arquitetura Moderna. Niemeyer soube desde o início de seu trabalho absorver os novos preceitos da Arquitetura, tal como a planta livre, a construção sobre pilotis e principalmente o uso do concreto armado, uma das principais descobertas da época, que permitia a utilização de grandes vãos. Niemeyer foi além, levou ao extremo a plasticidade do concreto armado, desafiou também os calculistas e as leis da física. Muitos de seus projetos que hoje se encontram de pé foram julgados como inviáveis e impossíveis por alguns calculistas. Sua Arquitetura, extremamente escultórica e inventiva, é a expressão do modernismo sem as amarras do sistema “forma-função” Europeu, que para ele “castrava” as possibilidades que a técnica da época lhe permitia. Não admitia uma Arquitetura que fosse incapaz de dialogar com o que pensava, sentia e sonhava o povo de seu país.


    Brasília, candangos, sangue e exclusão

    Sem dúvida nenhuma o ponto mais alto da carreira de Oscar Niemeyer se deu durante a construção de Brasília, cidade de maior concentração de obras de sua autoria. Ele ficou responsável por coordenar o concurso de projetos para o plano-piloto de Brasília, vencido por Lúcio Costa e, a pedido do presidente e amigo Juscelino Kubitschek, ficou responsável pelos projetos de todos os edifícios oficiais da cidade, como o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto, Palácio da Alvorada, a Esplanada dos Ministérios, dentre muitos outros.

    A aproximação do PCB com JK era parte da política do Stalinismo, ao considerar a Burguesia Nacional-Desenvolvimentista como um setor progressista capaz de fazer frente ao imperialismo. Niemeyer abraçou desta forma a utopia de JK, que sonhava em construir no meio do descampado do Planalto Central a nova capital do Brasil. Falavam em uma cidade do futuro, uma cidade sem esquinas e sem desigualdades, e desta forma moveram grandes massas de operários vindos de todas as partes do país, mas principalmente do Nordeste. Eram os candangos, que construíram a cidade heroicamente em apenas três anos, e vieram de suas cidades de origem com a promessa de prosperidade e fartura.

    O próprio Niemeyer não demoraria a perceber que a “cidade do futuro” era uma cidade como qualquer outra, marcada pela exclusão. A construção de Brasília foi permeada por muita violência. As condições de trabalho eram as mais precárias possíveis, milhares de operários morreram nos canteiros de obra. Eles se revoltavam contra as condições a que estavam submetidos, se rebelavam e tinham que enfrentar a duríssima repressão da polícia. As belas curvas dos projetos de Niemeyer apareciam nos canteiros de obras como esqueletos de concreto e aço retorcido, que vez ou outra engoliam um candango desavisado. Brasília se torna menos interessante ao sabermos que, além de concreto e aço, naqueles suntuosos prédios estava o suor e o sangue de milhares de “nossos irmãos operários”, como dizia o velho Oscar. Vidas foram concretadas junto a prédios de uma cidade que não havia espaço para os operários que a construíram. Após a construção da cidade, ao passo que os candangos viam chegar de mudança os funcionários do Governo Federal, iam percebendo que não havia espaço para eles na nova capital.

    Muitas contradições permeiam a vida e a obra de Oscar Niemeyer, elas não serão apagadas, mas é fato também que nenhum Arquiteto conseguiu viver tanto sem desistir do que acreditava. Os anos passaram, a idade chegou, sem que o velho Oscar deixasse se abater pelo pragmatismo de nossos tempos. Continuou buscando expressar em cada obra o que sentia, e o que sentia o povo brasileiro, sem perder as esperanças de viver em um mundo livre da exploração e da opressão, um mundo de homens livres.


    Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

    Um dos maiores estádios do mundo pode ser privatizado pelo governo de Sérgio Cabral

    O 'Maraca' é nosso! Contra a privatização e pela democratização do acesso à cultura
     

    Ato no dia 1° contra a privatização do Maracanã
    O futebol nem sempre foi um esporte popular. Ao contrário, sua origem foi extremamente aristocrática e racista, mas as massas trabalhadoras trataram de se apaixonar e tomar para si, o que mais tarde se tornaria um pilar da identidade nacional.

    Agora, os velhos senhores travestidos de modernidade e munidos de um discurso modernizador querem transformar em mercadoria a alegria do povo e privatizar o Maracanã.

    A reforma que está sendo feita no (ex) Maior do Mundo vai na contramão das tradições populares das arquibancadas. O maior público já recebido foi, aproximadamente, 200 mil pessoas na década de 1950, mas, após sucessivas reformas, a capacidade oficial hoje do estádio caiu para 78 mil. A antiga “Geral” foi extinta. O preço do ingresso subiu.

    Torna-se cada vez mais claro que os sucessivos governos estão insistentemente tentando elitizar mais uma vez o futebol. Mas como se tudo isso não bastasse, o governador Sérgio Cabral - apoiado pelo prefeito Eduardo Paes e presidenta Dilma - quer privatizar o Maracanã, entregando por 35 anos o templo do futebol ao arquibilionário Eike Batista.

    As condições que se darão a privatização, ou melhor, a doação são inacreditáveis: Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa). Enfim, o dinheiro recebido pelo estado não paga nem mesmo a reforma.

    A reforma prevê ainda a destruição do histórico Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros (ambos inaugurados na década de 70). Nomes do esporte olímpico como Maurren Magi (maior nome do atletismo feminino brasileiro e medalha de ouro em Pequim) e Mariana Brochado (nadadora) estão na campanha contra as demolições.

    Nem mesmo o antigo Museu do Índio, onde residem cerca de 60 indígenas, e a Escola Municipal Friedenreich vão escapar. Segundo as estatísticas do Ideb a E.M. Friedenreich é a quarta melhor escola da cidade e a sétima melhor de estado. O projeto de reforma do Maracanã também prevê demoli-los para construção de estacionamentos, shopping e até mesmo um heliporto para os altos dirigentes da FIFA e da CBF. Um escândalo!

    A união dos movimentos sociais pode virar esse jogo! A população não é boba e está percebendo que enquanto os empresários de ônibus e empreiteiros lucram uma enormidade, o povo trabalhador paga uma fortuna por um transporte de péssima qualidade e está perdendo o acesso à cultura, ao lazer, à saúde e à educação. Chega!

  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã;
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Em defesa do antigo Museu do Índio e da comunidade indígena que ali vivem;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.


  • Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 31 de outubro de 2012

    As mulheres na Síria revolucionária lutam para ter direitos


    Na Síria, mulheres lutam pelo direito a ter direitos
    Uma rosa no deserto. Esse foi o título que Joan Juliet Buck, da revista Vogue América, escolheu para um artigo sobre Asma Al Assad, a primeira-dama da Síria. Tão constrangida ficou a publicação após a chuva de críticas que recebeu que o artigo sequer consta em seus arquivos. Em um país de sombras, dizia a matéria, Asma Al Assad dirige sua casa democraticamente. O artigo não foi nenhum fenômeno autônomo; a imprensa ocidental tem consistentemente apresentado as primeiras-damas árabes (a rainha Rania, da Jordânia, e Sheikha Moza, do Qatar) como importantes figuras públicas e modelos de feminilidade na região. Qualquer análise superficial dos meios de comunicação do regime, tanto os ocidentais quanto os locais, revela a institucionalização sistemática das primeiras-damas, tornando-as referência ideológica, delimitando, assim, as fronteiras de atuação das mulheres.

    Ao citar Asma Al Assad, Buck salienta a importância de os jovens sírios se engajarem em "cidadania ativa", ressaltando o papel que sua ONG tem exercido na construção dessa cultura. Durante o atual regime, a sociedade civil foi limitada a formas islamizadas de organizações de caridade, a idas às áreas rurais e marginalizadas, onde Asma tira uma foto sorrindo ao lado de crianças famintas. Tal discurso legitimou o brutal ditador e seu regime como uma ordem modernizadora, ocidental, e progressista – chique, inteligente e fluente em inglês.

    Após a erupção da revolução síria, tudo mudou. No estado sulino de Daraa, em março de 2011, os moradores locais foram para as ruas depois de 14 crianças serem presas e torturadas após escreverem nas paredes de suas escolas o slogan dos levantes populares na Tunísia e no Egito: "O povo exige a queda do regime.” Eles escreveram o grafite porque seu professor foi preso por expressar o desejo de que a revolução começasse na Síria.

    Desde então, muitos se apressaram a fazer declarações sobre o papel das mulheres na revolução. As leituras variam entre o rosado e o coxo, entre as que alegam haver uma revolução dentro da revolução, de caráter feminista e emancipatório, e outras reclamando que nas cidades libertas da Síria quadros das administrações autogeridas são de caráter predominantemente masculino.

    Tais declarações simplificadoras dependem da constante divisão sobre qual a sociedade árabe é compreendida, a relação entre o espaço público e privado. Estas, necessariamente promovem uma dicotomia na divisão de gênero. Enquanto é inteiramente irrealista negar o caráter espacial da segregação de gênero, compreender sua complexidade para além de tal dicotomia é necessário para fazer justiça às mulheres revolucionárias na Síria.


    Um processo de massas

    Mulheres de todas as esferas se juntaram à revolução; a atriz, a advogada, a médica, a engenheira, a artista, a cineasta, a romancista, a psicanalista, a intelectual, a mãe e a filha.

    Razan Zaitouneh, uma advogada de direitos humanos, organizou o que são agora chamados de Comitês de Coordenação Local, arquivando violações do regime contra os cidadãos e difundindo informações confiáveis para o mundo. Ela agora está escondida na Síria, depois de ter sido acusada de ser uma agente estrangeira. Na busca pela militante, forças de segurança detiveram seu marido e cunhado por semanas.

    Algumas mulheres tornaram-se ícones para os revolucionários, como Muntaha Sultan al Atrash, uma ativista de direitos humanos e neta do herói sírio Sultan alBasha Atrash, comandante da revolta anticolonialista contra os franceses entre 1925 e 1927. Dá-se a ela o crédito de ter sido uma das primeiras pessoas a publicamente proclamar pela derrubada do regime.

    Marwa Ghamyan, uma jovem mulher, ajudou a organizar um dos primeiros protestos na cidade de Damasco, muito antes da cidade se juntar de forma maciça à revolução. Tal simbolismo se dá justamente por Damasco não estar, ainda naquela época, no campo revolucionário. Ela foi detida e presa várias vezes, e agora vive no exílio.

    Thwaiba Kanafani, engenheira de formação, deixou sua família no Canadá e se juntou ao ELS (Exército Livre da Síria) para ajudar a guerrilha em seus planos táticos e estratégicos de ação.

    Lubna al Merhi, de origem alauíta, agrupamento religioso de Assad, militava na revolução desde o primeiro dia, até que um mandato de prisão foi emitido em seu nome. Ela teve que se refugiar na Turquia em uma fuga organizada pelo ELS. Depois de aparecer em uma entrevista na televisão, sua mãe foi presa como forma de pressioná-la a voltar para seu país.

    Hanadi Zahlouta, poetisa e engenheira, foi arbitrariamente detida e atacada, de forma física e verbal, por advogados do regime em um tribunal. Hanadi foi acusada de violar três artigos do Código Penal sírio: estabelecer uma organização que visa mudar o caráter social e econômico do Estado, o enfraquecimento do sentimento nacional e incitação ao sectarismo e a divisão étnica e divulgar notícias falsas que enfraquecem a alma daquela nação. Ela foi condenada por 15 anos de prisão, sem nada próximo de um julgamento justo.




    A luta por um espaço

    Como é possível trabalhar para os direitos das mulheres, envolver-se em uma forma de ativismo que tem a política feminista e a auto-organização em seu coração enquanto se presume ser crime "estabelecer uma organização que visa mudar o caráter social e econômico do Estado"?

    Falar de um espaço público definido pela exclusão das mulheres na Síria é enganoso. A exclusão primária pela qual o espaço público é caracterizado é a exclusão do campo político. As mulheres na Síria revolucionária não são excluídas da pluralidade dos atos. Corpos se reúnem, transformam-se e falam juntos como se reivindicassem um espaço público, um espaço que não é entregue, mas disputado quando as multidões se reúnem. Mulheres indignadas e se erguendo estão resistindo em uma política saturada por relações de poder, em um processo que inclui e legitima, assim como apaga e exclui. Quando os órgãos políticos e organizacionais disponíveis que reivindicam lutar pelos direitos das mulheres são cooptados pelo regime, é essencial que elas tentem relocalizar sua raiva e miséria no contexto de um movimento social em curso. Mulheres na Síria estão lutando por seu direito a ter direitos, um direito que nasce quando exercido.

    Em manifestações que muitas vezes se desdobram a partir de posições públicas de luto, em que multidões de pessoas velando um corpo se tornam alvo de destruição militar, podemos ver como o espaço público existente é apreendido por aqueles que não têm o direito de se reunir em tal espaço coletivamente, e cujas vidas estão expostas à violência e morte no curso de suas ações.

    Tradicionalmente, os funerais são espaços exclusivamente masculinos. Após a revolução, tais funerais muitas vezes se transformam em manifestações antirregime, em que mulheres se fazem presentes. De tal forma, exercitam um direito a elas ativamente negado pela força, construindo uma nova aliança social. Manifestações não surgem do vácuo, elas reproduzem muitas vezes as mesmas relações anteriores de poder. Ao quebrar esses padrões, as mulheres revelam seu poder verdadeiramente revolucionário em sua luta.

    Não é raro ouvir que muitas mulheres na Síria têm rompido com seus próprios bairros e famílias após a revolução. Yara Nseir, uma jovem da parte cristã da cidade velha de Damasco, foi presa enquanto entregava panfletos contra o regime em seu bairro. Seus vizinhos a pegaram, detiveram-na em sua casa e pediram às forças de segurança para prendê-la. Ela ficou detida por um mês e meio e, depois de solta, fugiu para o Cairo para participar do escritório de mídia do Conselho Nacional Sírio. A importância desse exemplo é que as mulheres revolucionárias estão “desertando” por razões ideológicas e políticas, entrando em redes em que a sua afiliação principal é um sentimento de camaradagem e não o conforto dos parentes.

    Mulheres que estavam fora da política e do poder agora estão vivendo uma forma específica de destituição política, em um processo revolucionário de luta por um espaço democrático que lhes permite enfrentar o outro como um adversário político. Elas fazem parte da pluralidade de ações, lutando pelo direito a ter direitos, os direitos que precedem qualquer instituição política que possa codificar ou buscar garanti-los.

    Claramente, o paradigma do ativismo politicamente castrado que Asma al Assad, com muita ajuda da indústria francesa e estadunidense de relações públicas, tentou disseminar fracassou em servir de modelo para as mulheres sírias. No entanto, seria de certa forma romântico afirmar que as mulheres sírias agora estão experimentando uma revolução feminista dentro da revolução. Em um processo revolucionário, elas estão discursivamente mudando cada paradigma em questão, lutando em várias frentes, com o marido, o irmão e o ditador, reivindicando um espaço público próprio, em conjunto com uma revolução social que afirma a vontade popular contra o regime.

    *ativista síria

    Fonte: Al Thawra* nº 3, outubro de 2012
    *Al Thawra é um boletim de ativistas brasileiros de solidariedade com as revoluções no mundo árabe e com a Palestina.


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 4 de outubro de 2012

    A “nova classe média” desfila pela Avenida Global

    Avenida Brasil: metáfora da mobilidade social
    Por meses, milhões acompanharam com fervor a meteórica ascensão social de três empregadas domésticas (cuja realidade está a anos-luz dos milhões de mulheres forçadas a se submeter à prisão (quartinhos/senzalas de seus patrões) e uma história de vingança que, iniciada num lixão, transita, no ritmo de reviravoltas mirabolantes por uma tal Avenida Brasil.

    Tema mais frequente nas rodas de conversa, as novelas, até mesmo por seu enorme impacto, não deveriam ficar inteiramente fora das reflexões daqueles preocupados em entender e intervir na realidade. Como principais produtos da indústria cultural brasileira, elas têm sempre muito a dizer sobre as formas de controle e domínio em nossa sociedade. Algo que a mais popular delas, no momento, esconde atrás de seu próprio título.

    Servindo como via de acesso entre o suburbano bairro do Divino e a nobre Zona Sul do Rio de Janeiro, “Avenida Brasil” é uma metáfora um tanto óbvia da mobilidade social e, particularmente, uma celebração da “nova classe média C” tão alardeada pelo governo Dilma. A mesma idéia que está no centro da história das “três Marias” do periférico Borralho, que saltaram para a riqueza e a fama na novela “Cheias de Charme”.


    Por trás e para além da trama, o Capital

    Evidentemente, para a maioria do povo, até mesmo pela absoluta falta de outra opção de lazer, novelas não passam de entretenimento e o que mantém milhões grudados na tela são os dramas e bizarrices das tramas e a sedução dos personagens construídos pelos seus ídolos midiáticos.

    Não é novidade para ninguém que tudo isto está a serviço da alienação e da distorção da realidade através, por exemplo, das repetidas promessas de final feliz para os “justos” e punição para os malvados ou a resolução de conflitos (de classe, raça etc.) através de enlaces amorosos.

    No entanto, isso não é tudo. Como dizem os teóricos, os meios de comunicação e seus produtos são literalmente “habitados pelo poder”. E, no Brasil, as novelas, devido sua enorme popularidade, são as “suítes presidenciais” onde a burguesia se acomoda para transmitir seus valores e potencializar seus lucros.

    A publicidade dos produtos, bancos e serviços são a via mais descarada para isto. Algo em que “Avenida Brasil” assumiu proporções absurdas principalmente através das chamadas ações de “merchandising” (aquelas em que o personagem “usa” o produto). Em quatro meses foram nada menos que 74; um recorde bilionário, considerando que cada uma delas envolve cifras próximas a R$ 500 mil.


    O indiscreto charme da nova classe C

    Parte do bolo publicitário tem a ver com produtos destinados a chamada classe “AB”, que forma 39% do Ibope de “Avenida”. Contudo, é indiscutivelmente a “nova classe média” (responsável por uma fatia de 53% da audiência) o alvo central do mercado e, consequentemente, da novela.

    Fenômeno real (inflado pela propaganda governista e, cujo destino pode esbarrar, a qualquer momento, em seu próprio endividamento e na crise internacional), esse setor é composto por cerca de 105 milhões de pessoas (54% da população), sendo que 40 milhões delas aportaram neste patamar nos últimos dez anos.

    Em termos concretos, estamos falando de famílias em que cada um dos membros tem renda mensal de miseráveis R$ 291 ou, no máximo, R$ 1.019. Contudo, cujo otimismo revela-se não só na popularidade do governo federal, como também numa sensível elevação nos padrões de consumo.

    Foi pensando neles que, por exemplo, há semanas atrás uma das empregadas da mansão do Divino comentou que iria utilizar o aumento que recebera para renovar a cozinha, aproveitando a “redução do IPI”. Relação (mais do que forçada) com a realidade que também foi traçada por Leandra Leal, protagonista de “Cheias de Charme”, ao falar sobre o personagem pobre que virou advogado: “O caso dele retrata bem o que está acontecendo. As pessoas estão com acesso à informação, estudando, se formando. Minha empregada está fazendo cursinho pré-vestibular. As pessoas estão sonhando mais com uma realidade possível” .

    Para alimentar o “sonho”, a Globo inverteu até mesmo uma receita de décadas e colocou no centro das histórias gente do povo (empregadas domésticas, jogadores de pequenos times, cabeleireiras, pequenos comerciantes etc.) e, carregando nas tintas, dias atrás chegou a fazer o bilionário (agora falido) e polígamo Cadinho dizer aos berros: “Viva o subúrbio. É lá que tá o futuro”. Algo representado em “Avenida Brasil” também de forma inédita: dos 41 personagens, só nove pertencem ao núcleo da zona sul carioca.

    “Gente do povo” que esbanja harmonia e “felicidade” em suas comunidades (cujos cenários receberam um tratamento mais realista que o padrão) e “novos ricos” que mantém seus trejeitos e tradições suburbanas (quase sempre elevadas ao estereótipo), mesmo entupindo suas reluzentes mansões com tudo (e mais um tanto) com o que sonhavam consumir. Isto em aberto contraste com as falcatruas, barracos e decadência que rondam a “ex-elite”.




    Vendendo ilusões

    Apoiada na qualidade técnica e num elenco pagos com o dinheiro levantado em décadas de falcatruas e agrados recebidos de todos os governos (dos ditadores ao PT), a Globo consegue embrulhar tudo isto num pacote pra lá de sedutor, entregue à população recheado de idéias pra lá de convenientes ao sistema.

    Em “Cheias de Charme”, por exemplo, a ascensão da “empreguete” (termo lamentável por si só) negra foi acompanhada pela retirada de sua irmã de uma escola pública (onde ela estava desmotiva por “não aprender” nada). Já em “Avenida Brasil”, ao redor da disputa sem limites ou escrúpulos entre Nina e Carminha repetem-se, cotidianamente, ladainhas como “dinheiro não traz felicidade” ou “somente o trabalho honesto enobrece”. Hipocrisias bem gosto da endinheirada, desonesta e corrupta burguesia brasileira.

    Como também não poderiam faltar uns tantos estragos no campo das opressões. Peruas falidas da zona sul e “periguetes” do subúrbio têm em comum a dependência de “seus homens”. Há um gay “quase ex-gay”. E empregadas (algumas circulando por um condomínio com o inacreditável nome de “Casa Grande”) servem de cômicos capachos para suas patroas-sinhás.

    Sabemos que, alheios a tudo isso, milhões de espectadores irão acompanhar o desfecho do embate entre Nina e Carminha com interesse muitíssimo superior do que em relação às eleições, à crise europeia ou ao julgamento do Mensalão. Se não contasse com isto, a Globo não investiria cerca de R$ 1 milhão por capítulo de suas novelas.

    Enquanto os meios de comunicação estiverem sobre o controle e a serviço dos banqueiros e patrões, esta mesma “novela” irá se repetir. Formas populares de entretenimento sempre existiram e deverão existir. Contudo, para libertar a criatividade e, inclusive, produzir ficção que acrescente algo à humanidade (e não a empanturre com asneiras) também é necessário colocá-las sobre o controle do povo. Do verdadeiro, não daquele que estamos vendo circulando pela Avenida Global.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 21 de agosto de 2012

    "A liberdade está sendo roubada por toda a Rússia"

    Integrantes da banda Pussy Riots protestam contra Vladimir Putin e são condenadas a dois anos de prisão


    Ativistas presas, momentos antes do julgamento
    Um ataque contra a liberdade de manifestação artística e política na Rússia. Três integrantes da banda, Pussy Riots, formada por sete garotas russas, foram julgadas e condenadas a dois anos de prisão nesta sexta-feira, 17 de agosto, sob a acusação de vandalismo e ódio religioso.

    Em fevereiro deste ano, no altar da maior igreja da Rússia, vestindo gorros coloridos, as Pussy Riot cantaram “Virgem Maria, expulse Putin” em protesto contra o governo do primeiro-ministro russo Vladimir Putin. A música está longe de ser um ato de intolerância religiosa, na verdade, critica o governo bem como a corrupção dentro da igreja ortodoxa.

    O governo do presidente russo em Moscou tem sido alvo de graves denúncias de fraude durante as eleições presidenciais. Em dezembro de 2011, milhares de pessoas foram às ruas do país se manifestar contra a vergonhosa falsificação das eleições parlamentares para a Duma de Estado [Parlamento Russo], onde analistas calculam que o partido de Putin, Rússia Unida, aumentou em até 15% seu número de votos. Essas manifestações, de conteúdo diretamente político, surgem depois de anos de estabilidade política na Rússia, quando não existiam mais manifestações nem mesmo pelas mais elementares reivindicações econômicas.



    Putin agora teme que seu destino se assemelhe aos dos ditadores derrubados pela primavera árabe. Para proteger seu governo e conter a população indignada, o primeiro-ministro decide punir todos que ousam desafiá-lo.

    “Algo inacreditável está acontecendo na cena política da Rússia: uma pressão poderosa, insistente e exigente da sociedade frente às autoridades. O sistema ‘Putinista’ está tendo dificuldade em nos controlar”, declarou uma das integrantes presas da banda punk, Nadezhda Tolokonnikova, de apenas 22 anos, em carta escrita antes da sentença de condenação.

    Na carta, Tolokonnikova afirma: “Nós estarmos na prisão é um sinal claro de que a liberdade está sendo roubada por toda a Rússia. E essa ameaça de destruir as forças libertadoras e emancipatórias da Rússia é o que me deixa indignada”.

    Pela liberdade de manifestação artística e política!
    Liberdade e anistia às Pussy Riot!



    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 26 de julho de 2012

    O Bóson de Higgs e o materialismo dialético

    Foi uma grande satisfação ver publicado no Portal do PSTU o artigo “O Bóson de Higgs e o socialismo”. É tão raro que a esquerda publique algo sobre ciência, que só há que parabenizar o autor do artigo. Não só pela iniciativa, como pelo artigo em si, se esforçando em explicar temas difíceis a quem não é especializado na matéria. Também manifesto meu total acordo com as conclusões políticas, de como o capitalismo se converte cada vez mais em um freio, um obstáculo à pesquisa científica. O artigo reflete ainda bastante bem aquela que é a posição (ou interpretação) majoritária entre os físicos hoje em dia sobre o tema. O problema é que esta opinião/interpretação majoritária da comunidade científica está, em minha opinião, errada, em especial com relação ao tema da origem do universo. Algo que vale a pena discutir.


    Matéria e massa

    No artigo se escreve, repetindo o que dizem muitos físicos: “O “bóson de Higgs”, partícula fundamental que fornece massa a todas as outras partículas e que, portanto, é responsável por formar simplesmente toda a matéria do universo”. A hipótese de que o Bóson de Higgs seja o mecanismo que confere massa a algumas das partículas elementares, é muitas vezes interpretada como explicação da “origem” da própria matéria e do universo. Por isso, o apelido “Partícula de Deus” pegou. Poderiam chamar também de “o Bóson da Criação”. É um mecanismo físico que pretensamente justificaria a Criação do universo, tanto aos olhos dos religiosos, como, infelizmente, de muitos físicos não-religiosos, mas bastante confusos filosoficamente. Para desfazer a confusão, comecemos por compreender que a massa e a matéria são duas coisas diferentes.

    Matéria é tudo aquilo cuja existência independe de nós, sejam partículas, campos, energia, luz, seres vivos etc. A matéria está em permanente movimento, aliás, o próprio conceito de matéria é inseparável do conceito de movimento, a matéria só existe enquanto movimento. Matéria é um conceito contraposto à Idéia, cuja existência sim, depende de nós. A massa é apenas UMA das infinitas características (qualidades) da matéria em movimento. Outras seriam, por exemplo, a carga elétrica, o spin (o “giro” da partícula, como no artigo citado), a quantidade de movimento etc.

    Indo ao nosso mundo macroscópico, poderíamos somar, por exemplo, a densidade, a dureza, a cor, a resistência elétrica, a temperatura, entre outras. Recorrendo à biologia, poderíamos somar a vida como uma das características possíveis da matéria, e no nosso caso, de humanos, mamíferos superiores como se diz no artigo, até a consciência, como característica mais elevada conhecida da matéria. A matéria tem infinitas características, expressões de seu movimento infinito. Algumas destas características são conhecidas por nós, outras, ainda não (assim como a carga elétrica, entre outras, não era conhecida em épocas mais remotas).

    A massa é talvez a mais óbvia de todas as características da matéria, daí a confusão entre massa e matéria, que leva muitos a compreenderem a matéria como aquilo que tem massa, que se pode tocar, apertar, ver, ou seja, acessível diretamente a nossos sentidos. Mas a massa é definida cientificamente como a medida da resistência da matéria em alterar seu estado de movimento mecânico (1). Todos compreendem como é mais fácil frear uma moto do que um pesado caminhão. Exatamente porque o caminhão tem mais massa, é mais difícil acelerá-lo ou freá-lo, ou seja, alterar seu estado de movimento. Essa resistência a alterar o estado de movimento (em física expressa no Princípio da Conservação da Quantidade de Movimento e na Lei da Inércia) é uma expressão particular para o movimento mecânico da tese fundamental da filosofia materialista dialética – a indestrutibilidade do movimento da matéria (Engels, A Dialética da Natureza). Quer dizer, segundo Engels (e de acordo com os princípios físicos de conservação da massa, energia e quantidade de movimento), a matéria em movimento não pode ser nem criada nem destruída, só transformada de uma forma em outra. No caso do caminhão sendo freado, seu movimento não acaba, apenas é transformado em outros, por exemplo, se transferindo ao próprio planeta Terra, que se acelera um pouquinho no sentido contrário aquele em que se freia o caminhão (esse pouquinho é imperceptível, dada a imensa diferença de massa entre o caminhão e o planeta inteiro, mas ele existe!). Na linguagem dos físicos, esta é a conservação da quantidade de movimento.

    Também a freada se traduz em calor nas pastilhas de freio, ruído, faíscas etc, que também são expressões do movimento da matéria. Na linguagem dos físicos, esta é a conservação da energia. Há muitas outras leis de conservação nas ciências, todas elas expressões particulares do mesmo princípio geral – a indestrutibilidade do movimento da matéria. Ou seja, da própria definição da massa como resistência a alterar o estado de movimento mecânico da matéria, já surge a idéia que esta é indestrutível em seu movimento.


    A matéria não pode ser criada, não houve Criação. A matéria não pode ser destruída, não haverá Juízo Final

    Todo esse preâmbulo foi necessário para chegar à pergunta: Por que afirmar que a massa “forma” a matéria, se ela é apenas uma de suas qualidades? Existem inclusive muitas formas de matéria sem massa, como os fótons (grosso modo, partículas da luz), entre outras. De onde sai a afirmação de que “o Bóson de Higgs é responsável por formar toda a matéria do universo”? Se assim fosse, repetindo, seria até justificado chamá-lo de Partícula de Deus...

    Mas o Bóson de Higgs não cria a matéria. Nada cria a matéria, esta existe em permanente movimento. Não nos esqueçamos de que o próprio Bóson de Higgs, se existir, em última análise também é... matéria. O mecanismo de Higgs talvez seja, de acordo com teorias ainda em desenvolvimento, o processo pelo qual se expressaria a massa, a resistência a aceleração, apenas uma das infinitas características da matéria. Da mesma maneira, como o fóton é o mecanismo pelo qual se expressa a força eletromagnética e o hipotético gráviton seria o mecanismo pelo qual se expressaria a força gravitacional, outros bósons de nomes complicados expressariam as forças nucleares e daí por diante. Ou seja, nada a ver com a “origem da matéria”.

    A coisa se torna mais grave ainda quando se afirma que “O bóson de Higgs comprovaria justamente que a matéria não só surgiu do nada, como ainda hoje surge constantemente do nada e se transforma constantemente em nada” ou que: “Se o bóson de Higgs for encontrado, ficará definitivamente provado que a matéria pode sim surgir do nada”. Estas afirmações, tão comuns entre muitos físicos, vão contra, como vimos, tanto aos princípios físicos da conservação de massa/energia e quantidade de movimento, como contra a tese fundamental do materialismo dialético, da indestrutibilidade do movimento da matéria. Não há absolutamente nenhum indício científico de que a matéria possa surgir do nada e se transformar em nada (para desespero dos defensores da Criação e do Juízo Final). Muito pelo contrário, toda a física mostra a impossibilidade disso, sem absolutamente nenhuma exceção conhecida. A massa, como uma das infinitas qualidades da matéria, até poderia surgir de formas de matéria sem massa, a partir do mecanismo de Higgs, assim como a vida surge da matéria inanimada, mas a matéria não surge nem desaparece, só se transforma em seu perpétuo movimento. Não há nada, em nenhuma teoria científica existente, sobre a origem da matéria em si. A afirmação de que a matéria e o universo tenham sido criados, seja por Deus, seja por Higgs, é anticientífica, antimarxista, antidialética e antimaterialista!


    Lênin e Einstein

    Esse erro de considerar o mecanismo de Higgs como a “origem da matéria” surge da confusão entre matéria e massa. É um erro propositalmente induzido pela filosofia idealista, que aplica um truque de prestidigitação, substituindo a verdadeira essência da matéria como tudo aquilo que existe, independente de nós, por uma definição vulgar de matéria como aquilo que se pode ver e tocar. Assim, quando se desenvolveu a idéia de energia na física, no século XIX, por si, um imenso salto em nossa compreensão da natureza, muitos idealistas e positivistas se aproveitaram para “demonstrar” que o conceito de energia era a prova de que o materialismo estava errado, que havia uma realidade “imaterial”, “energética”.

    Foi a sua desculpa para passar de contrabando para uma concepção idealista do mundo, de que existem coisas “transcendentes”, fora do mundo material (onde estaria Deus). Lênin criticou exaustivamente a esses defensores da “energética” em seu livro “Materialismo e Empiriocriticismo”, mostrando que a energia nada mais era do que outra qualidade, nova então para a humanidade, do eterno movimento da matéria, posição logo depois confirmada por Einstein em sua Teoria da Relatividade, onde demonstrava finalmente que massa e energia são equivalentes, duas expressões de uma mesma coisa. A concepção idealista da “energética” passou assim à lata de lixo da história do pensamento científico, por meio das mãos de Lênin e Einstein. Mas o truque de confundir massa com matéria continua sendo utilizado hoje em dia, seja para justificar a Criação, por meio da “Partícula de Deus”, seja se aproveitando dos indícios atuais de existência de outras formas de matéria (chamadas de matéria e energia escuras), para novamente contrabandear concepções idealístico/místicas, entre muitos outros exemplos.


    O Big Bang foi a Criação do universo?

    Apesar de toda a boa vontade de muitos cientistas ateus em combater a religião, a maioria erra o alvo. Não é exato afirmar que a Igreja tenha aceitado a contragosto a Teoria do Big Bang. Pelo contrário. Aceitou a teoria sem problemas, porque é uma justificação da Criação, de que o universo foi criado num determinado momento. O fato de a física moderna não ter alcançado ainda o instante mesmo do Big Bang é o último refúgio dos teólogos mais sofisticados (2). A tese materialista dialética da indestrutibilidade do movimento da matéria nega a própria Criação, essa sim é a tese filosófica mortal para a Igreja.

    Para deixar claro, não é objetivo deste artigo negar a Teoria do Big Bang. Esta é uma imensa conquista teórica da ciência moderna, explicando em detalhes a origem DE CADA EXPRESSÃO CONCRETA DE EXISTÊNCIA ATUAL DA MATÉRIA, de cada qualidade conhecida desta, como as partículas subatômicas, os átomos de diferentes elementos, prevendo até, com exatidão, a proporção relativa destes no universo visível! O que sim queremos aqui negar é a interpretação positivista/metafísica de que o Big Bang tenha sido o início do universo, a Criação, pois não há um único indício disso, além do que essa interpretação contradiz os princípios de conservação da física e a tese da indestrutibilidade do movimento da matéria. Contradiz, inclusive, as conquistas mais recentes da física, como veremos mais a frente.

    O Big Bang é a origem DO ATUAL PERÍODO DO ETERNO MOVIMENTO DA MATÉRIA NA REGIÃO DO UNIVERSO ONDE NOS COUBE VIVER. Não é a toa que a Igreja adora que chamem o Bóson de Higgs de Partícula de Deus. Pois é a justificativa última de que o universo teve uma origem, que há uma origem para a matéria, ou seja, que o movimento da matéria não seria indestrutível como dizia Engels.

    Há então somente duas possibilidades: ou, como dizia Engels, o movimento da matéria é indestrutível, e não houve Criação. Ou “a matéria pode se formar do nada” e então houve Criação. O debate, portanto, se reduz a discutir se a Criação precisou de um Criador ou não. E aí, infelizmente, está hoje concentrado o debate entre ateus e místicos, se a Teoria do Big Bang deixa ou não um lugarzinho para Deus, por menor que este seja.

    Tampouco é a toa que o papa João Paulo II tenha dito que estava muito bem que os físicos estudassem o Big Bang, que a Igreja não tinha nada contra, mas que deveriam abster-se de estudar o que havia antes deste, pois esse é o território da Igreja. O positivismo capitula vergonhosamente a isso, dizendo que se não temos informações sobre como era antes do Big Bang, há que interpretar que o Big Bang é a origem do universo. Dizem inclusive que o Big Bang é a origem do tempo. E se se interpreta o Big Bang como sendo a origem do universo, então não há um antes, e só se pode explicar a origem do universo por meio de algo fora deste – Deus, e nada mais. Os positivistas são incapazes de conduzir consequentemente a polêmica contra a religião. Sua “filosofia” os impede de fazê-lo. Cabe a nós, marxistas, inverter este debate e afirmar bem alto que o movimento da matéria é indestrutível, e que, portanto não houve Criação e não há Criador! Afinal, temos toda a ciência moderna ao nosso lado nessa luta.


    Onde o Bóson de Higgs se cruza com a Teoria do Big Bang: a Inflação Caótica

    Para essa tarefa podemos, e devemos então, apoiar-nos nas conquistas mais recentes da física e das demais ciências. Se as libertamos da carga de interpretação positivista/metafísica, cada uma delas se converte num poderoso argumento a nosso favor. Assim, a título de conclusão, queremos remeter-nos outra vez à Teoria do Big Bang, e ao que esta diz de fato. Não é verdade de maneira alguma que essa afirme um “início” para o universo, como é comumente aceito. Ela diz, na verdade, o oposto.

    A Teoria do Big Bang em sua versão clássica tinha uma série de problemas e contradições insolúveis. Por exemplo, não podia explicar porque o universo visível é uniforme em grande escala, entre outras, mais técnicas, que não vamos tratar aqui. Assim, surgiu uma variação da Teoria do Big Bang, chamada de Teoria Inflacionária do Big Bang. Ela afirma que no instante imediatamente posterior ao Big Bang houve um período de inflação (expansão) do universo muito acelerada, muito mais intensa do que na teoria “clássica” do Big Bang. Nesta “inflação”, justamente o nosso amigo Bóson de Higgs é o responsável por “criar” a massa de todo o universo, na verdade, multiplicá-la a partir de uma quantidade inicial muito pequena, já presente antes do Big Bang. Essa “versão atualizada” da teoria já prevê a existência de um “antes” do Big Bang, ou seja, que este não é o “início” do universo. O mecanismo da inflação é, aparentemente, só uma pequena alteração da teoria, mas respondeu a todas as contradições e insuficiências da versão anterior, tendo sido um grande passo à frente. Ao mesmo tempo, como é comum na ciência, criou outros problemas, como a previsão de que o universo seria granulado, coisa que não se vê.

    Para resolver estas outras questões, foi dado mais um passo, com a Teoria da Inflação Caótica, que a princípio, conseguiu resolver todos os problemas, graças outra vez ao Bóson de Higgs (3). Mas as previsões que faz essa teoria são espetaculares e chocaram muitos cientistas. A Teoria da Inflação Caótica prevê taxativamente que o universo não teve uma origem; que o movimento da matéria é eterno e indestrutível, ou seja, reafirma todos os princípios de conservação da física e deixa claro que nem houve Criação nem haverá Juízo Final ! (4) Diz ainda que “nosso universo”, “surgido” no Big Bang, é só um entre infinitos “outros universos”, permanentemente “surgindo”. Não a partir do nada, mas a partir de “outros” universos já existentes, como bolhas surgindo dentro de bolhas (também chamados pelos físicos de “universos-bebês”), num movimento eterno e infinito .(5)

    Assim como a Inflação Caótica não prevê nenhuma “origem” para o universo, tampouco prevê nenhum “fim” para este, evitando a assim chamada Morte Térmica do Universo, ou seja, que o universo aos poucos iria se esfriando, por ação da 2ª Lei da Termodinâmica, até que não fosse mais possível a existência de vida nem de nenhum processo físico, químico etc. Restaria um universo escuro, povoado por buracos negros (6) e radiação térmica de baixíssima temperatura. Ou seja, um universo morto, sem movimento, sem vida.

    A hipótese da morte térmica do universo nega a tese da indestrutibilidade do movimento da matéria e condena a tudo e a todos a uma terrível morte gelada. A única salvação possível à destruição do universo, seria “fora do universo”, ou seja, em Deus. É a mais sofisticada versão do Juízo Final, e pretensamente “científica”. Engels já combatia esta hipótese em seu “Dialética da Natureza”, dizendo que a ciência viria a descobrir, no futuro, um mecanismo pelo qual o movimento da matéria (incluindo a vida) se reconstituiria e venceria a 2ª Lei da Termodinâmica. Hoje essa incrível afirmação de Engels começa a realizar-se.

    Se no futuro longínquo nossa “bolha” do universo for permeada fundamentalmente por buracos negros e radiação térmica, isso não significará de maneira alguma, de acordo as previsões da Inflação Caótica, o fim do movimento da matéria. Muito pelo contrário, já que os buracos negros seriam exatamente (outra vez graças a Higgs) a fonte de novas “bolhas de universo” (novos big bangs) surgindo do nosso, de novos “universos”, transbordantes de movimento, de vida.

    A nossa porção do universo poderia então até “morrer”, mas somente para dar origem a mais “vida”, na forma de outras “bolhas de universo”. Aliás, como acontece com a vida orgânica em nosso planeta, onde cada ser vivo inexoravelmente morre, mas somente para dar lugar a mais vida.

    Cabe aos físicos de verdade comprovar ou negar a teoria da Inflação Caótica. Atualmente é a teoria mais aceita pela comunidade científica. É uma teoria que depende totalmente do Bóson de Higgs e da física derivada dele, que com a possível descoberta deste, recém começa a dar novos passos. É particularmente importante em nossa discussão, porque quando a livramos de toda a carga positivista e metafísica, ela demonstra como o próprio desenvolvimento da ciência, aos trancos e barrancos, por tentativa e erro (7), se aproxima cada vez mais daquilo que afirma a concepção dialética do mundo: de que o movimento da matéria é eterno e indestrutível, ou, nas palavras de Einstein, que “a única constância no universo é a permanente mudança”; e que, finalmente, não houve Criação e que, portanto, não há Criador; que não haverá Juízo Final, e que, portanto, é nossa tarefa, como revolucionários socialistas, construir o paraíso aqui na Terra, a sociedade comunista do futuro, e quiçá um dia, expandi-la por outros corpos celestes!


    Notas
    (1)Para ser exato, tudo isso se refere a massa inercial. Há outra massa, a massa gravitacional, que é aquela que se expressa no nosso peso, ou seja, a intensidade com que cada corpo é atraído pela força da gravidade, mas essa massa não vem ao caso aqui, pois não está relacionada a nossa discussão sobre o Bóson de Higgs.

    (2)Apesar de a física já ter chegado muito perto, a 10-43s depois do Big Bang, ou seja, 0,00000000000000000000000000000000000000000001 segundos!!!

    (3)O grande problema que sofria esta teoria era que dependia totalmente do Bóson de Higgs, partícula que não havia sido ainda detectada. A possível descoberta experimental agora deste bóson pode se tornar um fortíssimo argumento a favor desta teoria, e um grande impulso em seu desenvolvimento. Sem nenhuma dúvida, a detecção experimental do Bóson de Higgs, se se confirma, é um passo imenso para a ciência.

    (4)Não por acaso, a Inflação Caótica tem suas origens na física soviética, onde os físicos estavam, mesmo com todas as limitações absurdas impostas pelo regime estalinista, em maior escala livres das concepções idealistas, tendo sido educados na tradição do materialismo dialético.

    (5)Aqui ha claramente um problema de linguagem imprecisa, pois universo deveria significar a totalidade do que existe, portanto não poderia haver (como querem os idealistas) nada “fora” do universo. Por isso, falar em “nosso” universo, “criado” dentro de “outro universo”, sofre de contradições terminológicas. Os físicos tentam hoje improvisar com termos retirados de histórias em quadrinhos, como “infinitos universos dentro de um multiverso”. Para ser mais exato, haveria que falar em “nossa porção do universo, que veio de uma outra porção, num universo infinito no tempo e no espaço, como bolhas surgindo de bolhas, em eterno movimento”.

    (6)Expressão mais extrema conhecida da matéria. São o resultado do colapso gravitacional de estrelas de grande massa, comprimindo-se, em tese, até virtualmente um ponto. Seriam, segundo muitos, o fim do movimento da matéria, já que nada poderia sair do buraco negro, sequer a luz, daí o seu nome. Na verdade, já foi provado que os buracos negros emitem radiação térmica, portanto não são o fim do movimento. Em teorias mais modernas, os buracos negros aparecem ainda como possíveis sementes para “outros universos”, para novos big bangs (o que de quebra solucionaria a atualmente misteriosa semelhança entre o Big Bang e os buracos negros, relativa a seus caráteres puntuais, conhecidos por singularidade).

    (7)Não fosse o isolamento que se deu depois da 2ª Guerra Mundial, por total responsabilidade do estalinismo, entre a concepção materialista dialética do mundo e a comunidade científica, esse desenvolvimento seria menos aleatório, mais consciente, mais rápido, rico e eficiente. A miséria filosófica de que sofre a ciência moderna se converte a cada dia em uma trava cada vez maior ao desenvolvimento científico.

    --***--


    Um adendo sobre o vazio e a matéria

    Outra discussão muito comum tem a ver com a afirmação, tantas vezes repetida por tanta gente, de que “a maior parte da matéria que vemos, das coisas e pessoas que tocamos e sentimos é composta de... vazio”. Soa antimaterialista, como que querendo dissolver a matéria no vazio, na “imaterialidade”, bem ao gosto dos idealistas de plantão. A física quântica diz o oposto, que o vazio é impossível, que não existe vazio. Por mais que alguém se esforce para produzir vazio, começarão a aparecer pares de partícula-antipartícula para preenchê-lo, efeito dos diversos campos de força existentes por todo lado (e que também são matéria!). Mais uma vez, a física moderna confirma outro postulado da dialética materialista de que o espaço é uma forma de existência da matéria (“O problema do tempo e sua interpretação filosófica”, I. F. Askin), e que, portanto, não poderia existir sem essa.

    Se não pode existir espaço sem matéria, não pode existir o vazio. O que sim poderia ser dito é que A MASSA, como UMA das características da matéria, se CONCENTRA nos volumes muito pequenos de algumas partículas elementares. Bom, o mesmo se passa com a carga elétrica, outra característica da matéria, que se concentra também em algumas partículas, como os prótons e elétrons. Isso não tem nada a ver com “vazio”. O universo não é “vazio”, é cheio de matéria em movimento, em toda a sua infinita extensão, tanto espacial como temporal.


    Retirado do Site do PSTU