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| | Destruição em Xerém |
Mal chega o ano de 2013 e as tragédias naturais já tomaram
conta do estado do Rio. Desta vez, são as cidades de Angra dos Reis,
Belford Roxo, Duque de Caxias, Petrópolis e Teresópolis que sofrem com o
descaso dos governos.
Neste período, a população do Rio sofre com as chuvas de verão. De
poucos anos para cá houve, deslizamentos em diversos morros da Cidade
Maravilhosa, no morro do Bumba em Niterói, além da tragédia na Região
Serrana, todos com o mesmo saldo: pessoas mortas, desaparecidas,
desalojadas, muitas vezes perdendo tudo que tinham. Apesar da
recorrência, nada é feito pelos governos municipais, estadual e federal.
Todos devem se lembrar do drama vivido pelos moradores da Região Serrana
afetados pelas chuvas que fizeram desabar morros inteiros durante
aquela sinistra madrugada de 12 de janeiro de 2011, matando milhares de
pessoas. Quando estouraram os fatos, os políticos de plantão logo vieram
à luz das câmeras e holofotes da mídia para culpar a natureza,
esquecendo-se de que foram e são responsáveis pelo caos provocado pelas
chuvas. Realmente, a chuva não pode ser evitada, é um fato. Mas isso não
pode servir de desculpa para a apatia de governos omissos e corruptos.
Sabe-se que existem tecnologias e medidas, desde as mais simples às mais
complexas, para prevenção de desastres naturais que já deveriam estar
em pleno funcionamento em todas as cidades do país e não estão.
Infelizmente, quem paga o preço é o trabalhador, que não pode morar num
terreno que ofereça segurança e é empurrado para os piores lugares para
se viver nas cidades: encostas e despenhadeiros sem o mínimo de
condições de serem habitados.
Os recursos provenientes do governo federal são escassos, e são, muitas
vezes, desviados, como ficou evidente em Nova Friburgo. Em 2011, o
governo da presidente Dilma orçou os insuficientes R$ 442,5 milhões para
o Programa de Prevenção e Preparação para Desastres, quando, na
verdade, se precisaria de muito mais num país de dimensões continentais
que todo ano é atacado pelas chuvas, secas, geadas, queimadas e erosões
de todo tipo. Para piorar a situação, o governo federal executou apenas
40% do referido valor, sendo que ao estado do Rio de Janeiro se destinou
apenas 0,6%.
Não podemos mais deixar que aconteça novamente o que aconteceu na Região
Serrana, onde dois anos depois das enchentes nenhuma casa foi entregue
aos desabrigados. Nós, do PSTU, somos solidários à população das áreas
atingidas e convocamos os trabalhadores a organizarem-se para garantir
seus direitos.
Baixada: trabalhadores são as vítimas
Dessa vez, Duque de Caxias foi o município que mais sofreu com essas
primeiras chuvas do ano. Os rios Saracuruna, Inhomirim e Capivari
transbordaram devido ao excesso de chuvas. Em Xerém casas foram
destruídas, ruas sumiram, há pessoas desaparecidas e mortas.
As autoridades afirmam que a tragédia em Duque de Caxias foi fruto de
uma cabeça d’água, ou seja, acúmulo de água que aumenta o nível dos rios
e desce em forma de enxurrada arrastando tudo que vê pela frente,
incontrolável. Entretanto, se esquecem de mencionar também são
responsáveis pelas consequências desse fenômeno.
É sabido que o lixo não é recolhido de forma correta há meses em Duque
de Caxias, ficando entulhado pelas ruas. Esse lixo dificultou o
escoamento da água e, junto com a lama, invadiu ruas, destruiu casas e
matou pessoas. Por isso, ao contrário do que querem fazer crer as
autoridades, nada disso é fruto dos desvarios da natureza ou destino
divino. O ex-prefeito Zito está com as mãos sujas desse sangue, pois até
o dia 31 de dezembro de 2012 era o responsável pelo acúmulo de lixo
pela cidade que, além de ajudar a causar a tragédia, ainda piorou os
seus efeitos, trazendo sérios riscos de doença para a população.
O governo do Estado, de Sérgio Cabral, chega ao seu sexto ano batendo
todos os recordes quando o assunto é descaso com os riscos das chuvas de
verão. A tragédia de Xerém se junta a tantas outras com o mesmo
desfecho: morrem centenas de pessoas, famílias perdem tudo e não se faz
nada.
Os políticos responsáveis pela aplicação das verbas na prevenção de
acidentes naturais, coletas de lixo e saneamento básico que não o
fizeram devem ser responsabilizados pela tragédia e presos.
História se repete em Teresópolis e Petrópolis
Mais uma vez a tragédia bate à porta de Teresópolis e Petrópolis. Essas
cidades atravessam novamente um período difícil com chuvas fortes, que
provocam deslizamentos de terras, mortes e destruição. Fica evidente o
descaso dos governos que seguem no poder na cidade.
Arlei Rosa (PMDB), atual prefeito de Teresópolis, era vereador na época
da tragédia em janeiro de 2011, quando o então prefeito Jorge Mário
(PT), cassado por corrupção, permanecia no executivo. O que esperar de
um governo que participou e foi conivente daquele caos? Até hoje não
existe uma casa sequer construída para os afetados que perderam suas
residências naquele ano. E já estamos em 2013! Exatamente dois anos vão
se completar, e nada...
As notícias que chegam de Petrópolis e Nova Friburgo também mostram que
nada é feito para prevenção de desastres naturais. Além das chuvas de
dois anos atrás na região serrana que provocou um dos maiores desastres
naturais do Brasil, em 6 de abril de 2012, mais chuvas provocaram mortes
e destruição em Teresópolis. Diversos pontos foram atingidos, mas é
como se nada tivesse acontecido. Um dos bairros mais afetados, Santa
Cecília, onde inclusive uma senhora perdeu sua vida, nada foi feito,
além de asfalto na época de campanha, a instalação de sirenes e uma
placa que faz alerta sobre riscos das chuvas de verão.
Agora as chuvas estão voltando. Se dependermos da vontade dos governos municipal, estadual e federal, a tragédia se repetirá.
Diante do estado de urgência o PSTU propõe
– Executar um plano de obras públicas para prevenir novos deslizamentos,
limpeza e canalização de rios e córregos e obras de escoamentos das
chuvas.
– Reconstruir imediatamente hospitais, escolas, creches, pontes.
– Construir de moradias populares com investimento maciço em saneamento
básico em quantidade suficiente para combater o déficit habitacional e a
especulação imobiliária, garantindo moradias dignas, seguras e
gratuitas para os trabalhadores.
– Promover uma ampla campanha de vacinação em massa para evitar a
proliferação de doenças como cólera, febre amarela, leptospirose etc.
– Abrir os hotéis das regiões em que haja desabrigados para acolhê-los enquanto não tiverem uma moradia segura.
– Repudiar a criminalização da pobreza. Os moradores das áreas de risco
não são os responsáveis pelos deslizamentos e nem moram em
despenhadeiros porque gostam. Com um salário mínimo de R$ 678, é
impossível morar em local digno e seguro.
Retirado do Site do PSTU