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sexta-feira, 8 de março de 2013

Em Portugal, Tribunal Constitucional recusa registro do MAS por razões políticas

Em meio a uma crise ecônomica e o aumento da resistência popular contra os planos de austeridade, um novo partido de esquerda é impedido de se legalizar



O MAS surgiu nas ruas e esteve na linha de frente das lutas contra a troika e os seus governos
Muitos simpatizantes e amigos do MAS, assim como outros jovens, trabalhadores e ativistas, saberão pelas notícias que circulam na rede que o pedido de legalização do Movimento Alternativa Socialista (MAS) foi indeferido pelo Tribunal Constitucional (TC).

O mesmo tribunal que consente a destruição da saúde e educação tendencialmente gratuitas e que é brando, como em 2012, com a austeridade, permitindo que um Orçamento de Estado que ele próprio considera inconstitucional se mantenha, chumba um novo partido de esquerda. Por que será?

A lei exige a entrega de 7500 assinaturas, identificadas com número de BI (Bilhete de Identidade) e de Eleitor, para constituição de um novo partido. O MAS entregou 9259, no dia 15 de Outubro de 2012. Em pouco mais de um ano, o MAS surgiu nas ruas do país, recolheu milhares de assinaturas, inaugurou quatro sedes, esteve na linha da frente das principais manifestações, nas greves gerais, ao lado de importantes lutas como a dos estivadores ou dos ferroviários. Nas ruas do país,as campanhas do MAS exigindo “Prisão para quem roubou e endividou o País”, “unidade da Esquerda para travar a troika” ou o “Fim dos privilégios dos políticos” foram vistas por milhares de pessoas. O MAS tem sido, nos últimos meses, uma das vozes mais insistentes pela demissão do governo. É um partido real e vivo, em crescimento, que o TC tentou bloquear na secretaria.

Alegadamente, o indeferimento dá-se porque os estatutos do MAS não estariam de acordo com a lei dos partidos. Segundo essa lei, os estatutos do MAS deveriam prever que os militantes possam recorrer das decisões do seu órgão jurídico aos Tribunais, coisa que os estatutos são omissos. Esta justificação é uma dupla falácia. Vários outros partidos são também omissos nesta questão, mas são reconhecidos pelo TC e, bem, porque os casos omissos são remetidos para a lei geral.

Fica claro que esta é uma decisão política. Não é por acaso que se dá numa altura em que a crise econômica e as medidas de austeridade se aprofundam, assim como a mobilização e a resistência popular. As populações procuram alternativas aos políticos de sempre. E, por isso, por toda a Europa tem surgido forças políticas dinâmicas, como o Syriza na Grécia ou Beppe Grilo em Itália, que vêm atrapalhar a vida dos que têm gerido o poder. O MAS tem, nos últimos meses, atacado publicamente a podridão deste regime cada vez menos democrático. Foi para impedir a aparição desta denúncia, em futuros processos eleitorais, que o TC tomou esta decisão. No fundo, a decisão do TC deu razão à denúncia do MAS. Como canta a juventude espanhola nas suas manifestações “Chamam-lhe democracia mas não é!”.

Pretendemos responder à altura, sem recuar nas nossas posições e no nosso direito de constituirmo-nos enquanto partido legal. Continuaremos a exigir a demissão do governo, a prisão de quem roubou o país, o fim dos privilégios dos políticos e a suspensão do pagamento da dívida. Apelamos a toda a esquerda, aos ativistas dos movimentos sociais e sindicais, a todos os democratas e ao jornalismo independente que, independentemente de concordarem com as nossas posições, repudiem a decisão do TC. Este é um ataque não apenas ao MAS, mas, potencialmente, a todas a forças políticas que apresentem uma alternativa à austeridade, à corrupção, que apoiam as lutas dos trabalhadores e da juventude. Por isso, contamos com todos para denunciar este abuso e apoiar o MAS na sua legalização. Da nossa parte, podem contar com uma presença cada vez maior nas lutas, pela demissão deste governo, por um novo 25 de Abril!


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Morre Aybirê Ferreira de Sá, militante revolucionário desde 1963

Com sua perda, apaga-se o testemunho de um homem que se engajou de corpo e alma em algumas das causas ganhas e perdidas mais decisivas da esquerda brasileira
 


O militante revolucionário Aybirê Ferreira de Sá
Faleceu no dia 23 de outubro, depois de uma longa luta contra um câncer na garganta, aos 75 anos de idade, o militante revolucionário Aybirê Ferreira de Sá, que foi enterrado em Moreno, no Grande Recife, mesmo município onde nasceu em 30 de outubro de 1936. Com sua perda, apaga-se o testemunho de um homem que se engajou de corpo e alma em algumas das causas ganhas e perdidas mais decisivas da esquerda brasileira, do pós-guerra aos nossos dias.

Como informa em seu livro de memórias “Das Ligas Camponesas à Anistia – memórias de um militante trotskista”, publicado em 2007 pela Fundação de Cultura Cidade do Recife, Aybirê fez o ginásio em Moreno e o Científico (antigo Ensino Médio) em Afogados. Foi então que despertou para a política, participando de um movimento nacional hoje pouco lembrado: o da juventude pelo pagamento de meia passagem nos transportes públicos. Liderada pela União dos Estudantes de Pernambuco, a luta conquistou sua meta após uma rebelião que durou cinco dias, em 1958.

Aybirê serviu ao Exército em 1961, passou em primeiro lugar no curso para cabo e cogitou seguir carreira, mas mudou de ideia quando os militares foram chamados a reprimir uma greve geral estudantil em protesto contra tentativa de impedir a palestra de Célia Guevara, mãe do Che, na Faculdade de Direito. Trabalhou, então, como auxiliar de escritório na empresa Brasilgás, mas por pouco tempo. Instigado a participar das lutas políticas em uma das capitais mais politizadas do Brasil, Aybirê procurou contatos com o PCB (Partido Comunista Brasileiro) e, principalmente, com as Ligas Camponesas.

Sob influência da Revolução Cubana, desencadeou-se uma tentativa de revolução armada ainda em 1962, durante o governo João Goulart. A direção das Ligas resolvera organizar uma espécie de braço armado, o MRT (Movimento Revolucionário Tiradentes), que começou a preparar a instalação de cinco dispositivos em diferentes regiões do Brasil. Aybirê seguiu para São João dos Patos, no Maranhão. Entretanto, o dispositivo de Dianópolis, em Goiás, foi localizado e desbarato rapidamente pelo Exército e o do Maranhão dissolvido, depois de três meses de isolamento. Todos os participantes foram enquadrados na Lei de Segurança Nacional e depois anistiados por João Goulart.

De volta ao Recife, os envolvidos na experiência do MRT começaram a reunir-se e elaborar um processo de crítica e autocrítica, que os levou a formar a Vanguarda Leninista e, pouco depois, a entrar no PORT (Partido Operário Revolucionário Trotskista), Seção Brasileira da IV Internacional Posadista.

Aybirê militou no PORT até 1975. Participou, lado a lado com Jeremias (Paulo Roberto Pinto), dirigente trotskista assassinado no Engenho Oriente, em També, em agosto de 1963, da luta pela organização dos sindicatos rurais. Foi preso pelo governador Miguel Arraes, juntamente com Carlos Montarroyos e Claudio Cavalcanti, em outubro de 1963, quando tentavam organizar o 1º Congresso Camponês de També, em episódio relatado por Antonio Callado em seu livro Tempo de Arraes.

Solto antes do golpe, Aybirê retomou sua atividade sindical, particularmente em Serinhaém, Rio Formoso e Barreiros. Voltou a ser preso após o golpe, em novembro de 1964, quando participava de uma reunião do PORT em uma casa na Praia de Prazeres, sendo barbaramente torturado. Depois de levado de uma delegacia para outra, de permanecer nos cárceres da Secretaria de Segurança e da Segunda Companhia de Guardas, Aybirê acabou conduzido a Fernando de Noronha, onde permaneceu por quase um ano e meio. Ao contrair hepatite, teve concedida prisão domiciliar e fugiu para São Paulo, onde retomou a atividade política e exerceu ofícios como o de auxiliar de laboratório, auxiliar de almoxarifado, vendedor de livros e funcionário de um escritório de contabilidade.

Aybirê estava presente em momentos dramáticos da vida política de São Paulo nos anos de chumbo: morava em Osasco e participou, como membro do PORT, dos debates e da organização da greve de 1968. Residia, juntamente com sua esposa, Lenise, também militante, em Sapopemba com Olavo Hanssen em 1970, quando este foi preso na manifestação de Primeiro de Maio e assassinado pela polícia política. Voltou a ser preso pela OBAN (Operação Bandeirantes) em 1972. Passou pelo DOPS, Presídio Tiradentes e Casa de Detenção, sofrendo, novamente, a via crucis das torturas, do enquadramento na LSN, do isolamento da filha, Candida Rosa, então com dois anos e meio, e da esposa. Suportou três anos de cadeia onde pôde conhecer pessoas como Paulo Vanucchi, Altino Dantas e José Genoíno e escrever um livro de poemas, Versos Reprimidos.

Depois de solto, Aybirê foi morar em Porto Alegre, afastou-se do PORT com críticas ao regime interno de funcionamento implementado por J. Posadas, de centralização monolítica e “culto à personalidade”. Foi 1º Secretário do movimento trabalhista do MDB e participou da organização do Comitê Brasileiro de Anistia (CBA) do Rio Grande do Sul. Voltou a morar no Recife em 1979, onde participou da fundação do CBA local, sendo enviado ao Congresso Internacional pela Anistia do Brasil, realizado na Itália, em 1979. Posteriormente, filiou-se ao PDT, fiel as ideias de simpatia política pelo “brizolismo” que o PORT cultivara nos anos 1960.

Aybirê não ingressou no trotskismo levado pelo encantamento com Minha Vida ou com a teoria da Revolução Permanente, mas por um compromisso radical e coerente com a classe trabalhadora, seus valores, seus projetos, que encontrou no PORT no Recife, uma boa expressão nos efervescentes anos 1960. Um compromisso de vida, que Aybirê sintetizou em seu livro: “Aprendi com meu próprio esforço e meus mestres foram a vida, as massas e a cadeia. Foi essa experiência de vida que me deu como base ideológica os seguintes princípios: o dever fundamental de um comunista é respeitar a dignidade humana; não abrir mão de seus princípios, nem nas discussões teóricas, na prática ou na tortura; ser fraternal com todos os companheiros, especialmente a juventude e os mais velhos, evitar todo o sectarismo, que não só é prejudicial, como deforma toda a pureza das ideias e dignidade revolucionária”.


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Lições que vem de fora


Manifestação do sindicalismo alternativo em Madri
A situação internacional se polariza com grande intensidade. A crise econômica mundial, que vai se alastrando, mostra que já existe uma recessão oficialmente na Zona do Euro, após dois trimestres consecutivos (segundo e terceiro desse ano) de queda na produção. Nos EUA, houve queda na produção industrial em um trimestre (terceiro) pela primeira vez desde 2009, expressando uma forte desaceleração no centro principal do imperialismo. Os chamados BRIC’s (Brasil, Rússia, Índia e China) já vinham se desacelerando.

Mas o elemento determinante da situação mundial é a polarização da luta de classes. A greve geral na Espanha e Portugal, seguida também na Itália (4 horas), Grécia (3 horas) e acompanhada de manifestações em 23 países, realizada no dia 14 de novembro (chamadas na Europa por 14N), mostram a capacidade de resposta dos trabalhadores aos ataques brutais dos governos capitalistas. Por outro lado, a agressão de Israel à Gaza é a resposta militar do imperialismo aos avanços da revolução no Oriente Médio, mas pode acabar reacendendo ainda mais os conflitos. A resistência heróica do povo palestino é um símbolo mundial de luta contra a agressão nazi-fascista israelense.

A greve geral em vários países europeus é uma referência para a luta dos trabalhadores em todo o mundo. As multinacionais jogam trabalhadores de um país contra outro, sempre ameaçando transferir suas plantas industriais para outros países caso não se concorde com seus ataques. Responder de forma unificada internacionalmente é um marco para a resistência dos trabalhadores, pois ainda não tinha ocorrido nada semelhante desde o início da crise. Deu-se um passo adiante na luta contra os planos de austeridade impulsionados pelos governos europeus e a “Troika” (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e o FMI).

Não se pode ter ilusões em relação às burocracias sindicais que estão à frente das centrais europeias. Uma parte da motivação para essas lutas é a existência de governos de direita à frente dos principais países europeus, que jogaram essas burocracias ligadas à social-democracia na oposição, sem espaço de diálogo. É por isso que mesmo uma mobilização da dimensão que vimos no 14N não tem a continuidade necessária com um plano de lutas em direção a uma greve geral por tempo indeterminado nos principais países europeus. Mas essas lutas vão se combinando com o fortalecimento de direções combativas, como se expressa na manifestação alternativa de mais de 60 mil pessoas em Madrid.


Mas...e o Brasil?

A maioria dos ativistas que está à frente dos sindicatos, entidades do movimento estudantil e popular apoia esse governo. Mas está na hora de refletir sobre os rumos da situação internacional e do governo do PT.

O Brasil é uma parte de toda essa realidade mundial com características muito particulares: tem uma economia com fortes investimentos imperialistas e um razoável mercado interno e, por outro lado, tem um governo do PT, encarado pelos trabalhadores como um aliado. Essas duas características ajudam a manter a estabilidade capitalista em um mundo cada vez mais instável. Até quando vai isso?

A economia brasileira tem uma parcela importante voltada para a exportação de minério e produtos agropecuários, que sente fortemente os efeitos da crise europeia e a desaceleração chinesa. Mas ainda se apoia em um mercado interno de importância para as multinacionais, o que mantém a economia, ainda que se desacelerando. A indústria apresenta uma queda na produção do conjunto de 2012, mas vive certa recuperação nesses últimos meses, puxada pelas montadoras de automóveis. Mais dia menos dia, é provável que a crise internacional termine afetando mais duramente o país.

Para prevenir isso, o governo Dilma tem feito de tudo a seu alcance para defender os lucros das grandes empresas: redução de IPI, ampliação dos empréstimos, redução das taxas de juros. Tudo para manter o crescimento econômico a serviço das multinacionais e dos bancos. E agora, pode lançar o maior ataque aos trabalhadores já feito por um governo em muitos anos com o estabelecimento do Acordo Coletivo Especial (ACE). Nem FHC conseguiu isso.

Esses acordos significariam uma reforma trabalhista que poderiam atacar direitos básicos dos trabalhadores como férias, décimo terceiro salário etc. Essa é uma resposta do governo, prevendo que a crise econômica deve afetar o país e já repassando seus custos para os trabalhadores. A CSP-Conlutas e outras entidades marcaram um ato no dia 28 de novembro, em Brasília, contra o ACE. No dia 26, está marcado um debate inédito entre a direção da CUT e da CSP-Conlutas no Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

Muitos ativistas têm expectativas no governo petista, mas têm críticas a muitas de suas medidas. É hora de repensar sua postura. Como o governo Dilma responde a essa situação internacional? Mantendo relações diplomáticas com Israel, que está promovendo um genocídio em Gaza. Não se viu nenhuma atitude de Dilma ou de Lula em apoio às grandes lutas dos operários europeus, a começar pela greve geral de 14N. Mas quer trazer para o Brasil os ataques que os governos europeus estão realizando.

Lula, na crise passada de 2009, conseguiu escapar com sua popularidade intacta, porque ocorreu uma recuperação rápida da economia. Mas isso pode não ocorrer agora. Pode ser que fique cada vez mais claro de que o PT, na verdade, governa para as grandes empresas.

É preciso aprender com os trabalhadores europeus e preparar também uma grande mobilização contra o ACE. Apoiemos as greves do proletariado europeu e a resistência heróica do povo palestino. E vamos exigir de Dilma que não implemente o ACE e rompa com Israel.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Centrais sindicais fazem ato em solidariedade à luta dos trabalhadores europeus

CSP Conlutas reafirmou a necessidade de intensificar a luta contra a flexibilização de direitos também no Brasil
 

Raíza Rocha
Faixa unitária em solidariedade à luta dos trabalhadores europeus
No dia que Espanha, Portugal, Grécia e Itália pararam e trabalhadores de diversos países do continente europeu saíram às ruas contra os planos da Troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Européia), centrais sindicais brasileiras realizaram um ato unificado em frente ao Consulado Espanhol, em São Paulo, em solidariedade à luta dos trabalhadores europeus.

A manifestação convocada pela CSP Conlutas, CUT, UGT, CTB, CGTB, Força Sindical e Nova Central ocorreu nesta manhã, 14 de novembro, quando já acontecia a greve geral de 24h que unificou a luta dos trabalhadores europeus contra os planos de austeridade e os cortes sociais no continente. Para o dirigente da CSP Conlutas, Dirceu Travesso, as mobilizações na Europa representam um momento histórico não apenas para os trabalhadores europeus, mas para os trabalhadores de todo o mundo. “A classe trabalhadora mundial sai mais fortalecida. Sairemos fortalecidos para enfrentar e dar o apoio para a luta dos mineiros na África do Sul, para os trabalhadores que protagonizam a primavera árabe, para as mobilizações da juventude no Chile e também para os próximos enfrentamentos que serão travados no Brasil. Todos essas lutas são contra o mesmo inimigo: a crise criada pelo imperialismo”.



O dirigente da CSP Conlutas lembrou que os efeitos da crise, ainda que em passos lentos, também já chegou ao Brasil, a exemplo das ameaças de demissão na GM e o projeto do ACE (Acordo Coletivo Especial) que flexibiliza direitos trabalhistas. “É preciso intensificar a solidariedade contra a retirada de direitos dos trabalhadores no mundo todo. Aqui, no Brasil, isso poderá ser feito unificando e ampliando a luta contra a flexibilização dos direitos, as privatizações e o ataque ao serviço público”.

  • Dia de greve geral mobiliza trabalhadores de 23 países da Europa


  • Retirado do Site do PSTU

    14-N: o dia em que o internacionalismo ressurge como força social e política



    Diego Rivera
    O dia de greve geral unificada de 14 de novembro de 2012 em Portugal, Grécia e Estado Espanhol, com ações simultâneas como a greve metalúrgica na Itália e outras, seja qual for a sua dimensão e repercussão imediata, entrará para a história como um novo momento do internacionalismo. Nada remotamente semelhante já aconteceu, e isso diz tudo. Esta greve é uma resposta em terreno novo e muito animador. Será um acontecimento extraordinário, mesmo que venha a ser somente um ensaio geral.

    O internacionalismo proletário poderá renascer, nesta quarta feira, como uma força social e política capaz de derrotar a Troika. Se a união do movimento operário e sindical com os movimentos sociais de juventude vier a se consolidar estará aberta uma nova situação política no Mediterrâneo. Estarão começando a serem reunidas, quiçá, as condições para impor aos governos uma nova relação de forças, ameaçando todos os planos de austeridade.

    O capitalismo está se confrontando, a cada crise (1990/92; 2000/2001; 2008/12), com seus limites históricos. A perspectiva de situações revolucionárias nos países mediterrânicos da Europa está mais próxima. Contudo, paradoxalmente, as duas premissas anteriores não permitem ainda concluir que o socialismo está mais perto. Porque o futuro do socialismo depende da afirmação de um sujeito social com disposição de luta, consciência anticapitalista, e organização independente capaz de atrair para o seu projeto a maioria dos oprimidos. Esta afirmação só será possível com uma capacidade de ação internacionalista. Por isso a greve geral de 14 de novembro será um momento magnífico de resistência, ou seja, uma demonstração de que há energias no proletariado da Europa, aquele que tem maior tradição histórica no mundo.

    Estamos diante de um impasse histórico, um período transitório, que poderá mergulhar a sociedade em um abismo regressivo. Abismos regressivos já vitimaram sociedades contemporâneas, desde o final da Segunda Guerra Mundial, incontáveis vezes, e das mais diferentes e terríveis formas. Na forma de limpezas étnicas, por exemplo, quando da fundação do Estado de Israel, a nakba palestina em 1948 ; ou na forma de genocídios, como no Ruanda, em 1994, ou na Bósnia, entre 1992/95. Mas ocorreram, tragicamente, outras formas de regressão histórica, como as ditaduras no cone sul da América Latina nos anos setenta, ou as sequelas da restauração capitalista na Rússia nos anos noventa.

    A perspectiva de uma estagnação econômica internacional, por uma década, como tem sido admitida por analistas da mais diversas tendências, merece ser caracterizada, também, como uma regressão, pelas consequências sociais e políticas imprevisíveis que provocará. Uma das mais plausíveis é a confirmação da tendência a uma queda acentuada do salário médio nos países centrais (EUA, União Européia e Japão). Pela primeira vez, desde o pós-guerra, a geração mais jovem será mais pobre que a mais velha. Outra, também, provável, é a revogação das políticas públicas do chamado bem estar social, sendo a previdência dos mais velhos, o salário desemprego dos ativos, e o acesso à educação gratuita dos mais jovens, três dos alvos prioritários dos ajustes. As relações entre o centro e a periferia do capitalismo deverão conhecer, também, transformações reacionárias como reprimarização, desnacionalização e recolonização. Estes são os planos da Troika para salvar o capitalismo. Conseguirão ou não aplicá-los? O 14 de novembro será um dia em que se medirão forças.


    A última crise do capitalismo e a teoria da crise última

    As últimas crises econômicas confirmam que os limites históricos do capitalismo estão mais estreitos. É verdade que estes limites nunca foram fixos, mas o fato de serem móveis não quer dizer que não existam. Eles resultam de uma luta política e social. Vivemos em uma época histórica em que os destinos políticos e econômicos da civilização se decidem na arena mundial, ainda que a luta política se desenvolva, aparentemente, em marcos nacionais. Do futuro desta luta de classes internacional dependerá a longevidade do capitalismo.

    O que, no entanto, é previsível, é que a senilidade do sistema exigirá mudanças regressivas, ou seja, reacionárias, historicamente, até em relação ao passado do capitalismo. O futuro deste passado será cada vez mais próximo ao prognóstico de barbárie crescente. Em alguns períodos, os horizontes histórico-sociais do capital se contraíram (depois da vitória da revolução russa; depois da crise de 1929; depois da revolução chinesa; depois da revolução cubana; depois do Maio 1968; depois da revolução portuguesa), e em outros se expandiram (depois do New Deal de Roosevelt; depois do acordo de Yalta/Potsdam, ao final da II Guerra Mundial; depois de Reagan/Thatcher nos anos 80). O capitalismo não terá “morte natural”, o que não é o mesmo que dizer que não se manifestou na história uma tendência ao desmoronamento, isto é, uma tendência a crises cada vez mais sérias e destrutivas, que ficou conhecida na tradição marxista como a teoria do colapso.

    Os últimos cento e cinqüenta anos já foram um intervalo histórico suficiente para se concluir que o capitalismo não morre de “morte natural”: suas crises convulsivas, por mais terríveis, não resultam em processos revolucionários, a não ser quando surgem sujeitos sociais com disposição revolucionária. Os critérios objetivistas que diminuem a centralidade do protagonismo do proletariado e das classes oprimidas foram refutados pela história. Os vaticínios políticos catastrofistas neles inspirados, se aproximaram perigosamente de uma versão marxista de um novo milenarismo.

    Ainda nos Grundrisse, Marx deteve-se no comentário das contratendências que poderiam neutralizar e até, em determinadas circunstâncias histórico-sociais, inverter de maneira transitória a ação dos fatores que pressionam no sentido da queda da taxa média de lucro e, portanto, da precipitação da crise, como se pode perceber a partir deste fragmento:

    No movimento desenvolvido do capital existem fatores que detêm este movimento mediante outros recursos que não as crises, como, por exemplo: a contínua desvalorização de uma parte do capital existente; a transformação de uma grande parte do capital em capital fixo, o qual não presta serviços como agente da produção direta; improdutivo desperdício de uma grande parte do capital, etc. [...] Que ademais se possa conter a queda na taxa de lucro, por exemplo, reduzindo os impostos, diminuindo a renda do solo, etc., não é assunto que devamos considerar aqui, por maior que seja sua importância prática, já que se trata de partes do lucro chamadas por outro nome e das quais se apropriaram pessoas que não são o capitalista mesmo. [...] A diminuição é contrabalançada, da mesma forma, mediante a criação de novos setores de produção, nos quais se requer mais trabalho imediato em proporção ao capital, ou naqueles em que ainda não está desenvolvida a força produtiva do trabalho, isto é, a força produtiva do capital (também os monopólios). (tradução nossa)

    O conceito de crise final revelou-se, históricamente, sem fundamento, portanto, politicamente estéril. As crises econômicas do capitalismo continuaram a se manifestar com uma intensidade destrutiva que não deve ser subestimada. Mas da regularidade da crise não se pode retirar outra conclusão que não seja que a sociedade estará condenada a sofrer, convulsivamente, as dores do parto de uma transição que vem se revelando muito mais longa do que eram os prognósticos de Marx.
    Marx apostava na hipótese de que o peso crescente do maquinismo, ou seja, da ciência objetivada como tecnologia, como uma força produtiva aplicada em larga escala, exigiria uma tal imobilização de capital, que a tendência à queda da taxa média de lucro seria irrefreável, donde o prognóstico da precipitação de crises mais destrutivas e devastadoras. Como se pode conferir adiante:

    Na mesma proporção, portanto, que no processo de produção o capital enquanto capital ocupe um espaço maior em relação ao trabalho imediato, quanto mais cresça a mais-valia relativa - a força criativa própria capital – tanto maior será a queda a taxa de lucro (…) Esta é, em todos os aspectos, a lei mais importante da economia política moderna e a essencial para compreender as relações mais difíceis. É, do ponto de vista histórico, a lei mais importante. É uma lei que, apesar de sua simplicidade, nunca foi compreendida. (tradução nossa).

    O próprio Engels interveio no debate preocupado com ênfases excessivas ou deformadamente deterministas que eram feitas em nome de Marx. Na conhecida carta a Kugelmann apresenta a fórmula do paralelograma de forças, um esforço de reequilibrar/reordenar a articulação das causalidades, sugerindo que Marx utilizava diferentes níveis de abstração quando buscava o estudo de cortes de temporalidades ou esferas distintas de análise. A necessidade do desenvolvimento histórico colocava a possibilidade da revolução social. Necessidade e possibilidade se definem assim em uma unidade dialética que não se confunde com fatalismo.

    O 14 de novembro de 2012 será um dia de celebração do internacionalismo. Porque é possível, porque é necessário.



    Nakba é uma palavra árabe que significa “catástrofe” ou “desastre” e designa o êxodo palestino de 1948 quando pelo menos mais de 700.000 árabes palestinos, segundo dados da ONU, fugiram ou foram expulsos de seus lares, em razão da guerra civil de 1947-1948 e da Guerra Árabe-Israelense de 1948. Limpezas étnicas são remoções forçadas de populações com o uso de violência estatal que resultam em migrações forçadas.

    Há um debate interessante sobre o tema conhecido como a discussão sobre a Zusammenbruchstheorie,ou teoria do colapso ou desmoronamento. Uma referência útil pode ser encontrada no livro organizado por Lucio Colletti: El marxismo y el “derrumbe” del capitalismo. 3ª ed. México, SigloVeintiuno Editores, 1985.

    São caracterizados por uma parte da historiografia como milenaristas alguns movimentos populares europeus de inspiração mística e, algumas vezes, messiânicas, da Idade Média e Moderna que acreditavam no advento de um novo mundo com a inauguração de um novo milênio. O livro de Norman Cohn é uma das eferências para este tema. Na senda do Milênio: milenaristas revolucionários e anarquistas místicos da Idade Média. Lisboa: Editorial Presença, 1970.

    MARX. Grundisse. Mexico, Siglo XXI p. 637, 1997.

    MARX, Karl. Grundisse. Siglo XXI, p. 634.

    MARX, Karl e ENGELS, Friedrich Obras escolhidas. São Paulo, Alfa-omega, [s/d]. (vol. I, II e III).

    Originalmente publicado no blog Convergência


    Retirado do Site do PSTU

    Dia de greve geral mobiliza trabalhadores de 23 países da Europa

    Greve contra os cortes da troika e a política de austeridade dos governos é forte em Portugal, no Estado Espanhol, e atinge também Grécia e Itália


    Greve geral parou Portugal nesse 14 de novembro

    O dia de greve geral unificada na Europa neste 14 de novembro já pode ser considerado um marco na luta dos trabalhadores europeus contra a política de cortes e austeridade imposta pela troika (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia). Inicialmente convocada em Portugal, ela teve adesão no Estado Espanhol e posteriormente na Grécia, que realizou greve parcial de 3 horas, e Itália (que paralisou por 4 horas). O 14-N contou ainda com mobilizações na Inglaterra, França e em pelo menos 23 países do continente.


    Maior greve de Portugal

    Em Portugal, a CGTP (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses) estima que o 14-N tenha sido “uma das maiores greves gerais já realizadas” no país. Apesar da outra grande central no país, a UGT, ter se negado a convocar a greve, vários sindicatos da base aderiram à paralisação contra os cortes do governo de Passos Coelho.

    Como ocorre tradicionalmente, o setor dos transportes foi a vanguarda da greve, que teve também a participação dos trabalhadores bancários, o que não havia acontecido nas greves anteriores. Os serviços públicos, escolas e universidades também pararam quase que completamente no país. Cerca de 200 vôos foram cancelados devido à greve. Ao final do dia, a polícia reprimiu violentamente os manifestantes que protestavam próximo ao Parlamento.

    A greve geral em Portugal ocorre no mesmo dia em que é anunciado o mais novo recorde nos índices de desemprego do país, de 15,8% da população. Entre os jovens (entre 15 e 24 anos), essa situação é ainda mais dramática, atingindo 39% dos portugueses. Apesar disso, o governo aprofunda sua política de cortes e flexibilização de direitos.


    Mobilização e repressão no Estado Espanhol

    O 14-N começou forte também no Estado Espanhol. As centrais sindicais estimam a adesão à greve geral em mais de 75%, o que significa quase seis milhões de trabalhadores de braços cruzados em todo o país. A paralisação atingiu principalmente a grande indústria, com impactos importantes na siderurgia, indústria química e construção. O setor dos transportes e público também parou. Pelo menos 202 vôos foram cancelados.

    A greve geral no Estado Espanhol se enfrentou com a repressão policial, como em Madri e Barcelona, com o saldo de 82 feridos e 34 detidos até o fechamento desse texto.


    Repressão a protesto em Madri

    Enquanto as centrais sindicais CCOO (Comisiones Obreras) e UGT (Union General de Trabajadores) reivindicam um programa rebaixado, como a convocação de um referendo sobre os cortes e a exigência de uma “negociação” entre o governo de Mariano Rajoy e o congresso, o sindicalismo classista e alternativo se lança à greve exigindo o não pagamento da dívida, o fim dos cortes, não ao pacto social e a “demissão” do governo.

    Em Madri, a plataforma "Toma la Huelga" (que reúne grupos como o 15-M e a coordenação do 25-S) fez um chamado para que a greve não se limite aos locais de trabalho, mas para que se ampliem e parem toda a cidade. A convocatória insta ainda o cercamento do Congresso no final do dia.


    Estudantes promovem marcha em Roma


    Mobilizações estudantis e repressão na Itália

    O dia foi também de fortes protestos na Itália. Milhares de estudantes foram às ruas contra os cortes na Educação em 87 cidades no país. Houve repressão e enfrentamentos com a polícia em cidades como Roma, Turín e Milão.

    Apesar das limitações e bloqueios interpostos pelas burocracias das cúpulas sindicais, o 14-N representa a primeira ação de resistência articulado e unificado entre os países da Europa, colocando a resposta dos trabalhadores à crise num novo e inédito patamar.


    LEIA MAIS

  • Valério Arcary escreve sobre o 14-N: o dia em que o internacionalismo ressurge como força social e política

    No site do MAS (seção da LIT-QI em Portugal): Europa levanta-se contra a austeridade
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    segunda-feira, 17 de setembro de 2012

    Centenas de milhares lotam as ruas de Portugal para mandar embora o governo e a troika

    Nesse dia 15 de setembro, Portugal viveu uma das maiores manifestações de sua história, contra os planos da troika que levam o país a um abismo social. Leia abaixo matéria do Movimento Alternativa Socialista (MAS)



    Faixa do MAS na manifestação

    Não há volta a dar: a maior manifestação desde o 1º de Maio de 1974 não quer mais a troika nem o governo de Pedro Passos Coelho a chefiar os destinos do país. “Fora, fora, fora já daqui, a fome, a miséria e o FMI”; “Está na hora, está na hora de o governo ir embora”; “Troika não, troika não, troika não”; “Gatunos”; “Portugal”; e apelos à unidade da esquerda foram algumas das palavras de ordem gritadas por centenas de milhares de pessoas, de jovens a reformados, trabalhadores, desempregados, estudantes e pequenos empresários, famílias inteiras, em 40 cidades do país. Muitas pessoas disseram que esta foi a primeira manifestação em que participaram.

    “Foi o enterro mais animado que eu já vi”, ironizou um jovem durante a manif em Lisboa, referindo-se ao “defunto” governo de Passos Coelho. Em Lisboa, havia ainda mais gente nas ruas do que no 12 de Março do ano passado, na manif da Geração à Rasca, quando ficou claro que o governo de José Sócrates/PS não teria mais condições políticas de continuar a governar. No Porto, segundo o Jornal de Notícias, o protesto juntou mais de 100 mil pessoas; em Braga, cerca de 5 mil (Diário de Notícias); em Coimbra, cerca de 20 mil pessoas, segundo a PSP; em Viseu, cerca de mil; em Setúbal, cerca de 4 mil. Em todas as cidades, muitos cartazes diziam “Passos emigra”, “Passos Rua” ou “Coelho vai para a toca”.

    Em Lisboa, a manif percorreu várias avenidas do ponto de concentração, na praça José Fontana, até a Praça de Espanha, onde os organizadores propuseram a realização de uma greve geral popular - em que todo o país parasse, e não apenas os trabalhadores contratados – e uma concentração na próxima sexta-feira, dia 21 de setembro, às 18 horas, em frente do Palácio de Belém, durante a reunião do presidente da República, Cavaco Silva, com o Conselho de Estado. Mas a manif não terminou na Praça de Espanha. Espontaneamente, dezenas de milhares de manifestantes dirigiram-se para a Assembleia da República para continuar o protesto.

    Esta grandiosa manifestação demonstrou de forma categórica que a paciência do povo se esgotou e que uma nova situação política se abriu no país. Agora é necessário canalizar esse ódio e vontade de lutar para organizar a população nos locais de trabalho e nos bairros; fazer uma forte greve geral que pare o país; e novas mobilizações de rua até que as medidas de austeridade sejam anuladas e o governo e a troika, forçados a ir embora.

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  • Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 13 de julho de 2012

    Madri operária apoia os mineiros

    Crônica da manifestação do dia 10 e a manhã do dia 11 de julho


    Mobilização de mineiros emociona Madri
    Na noite do dia 10 julho, quando os mineiros entraram por Moncloa, norte de Madri, encontraram mais de 50 mil pessoas esperando por eles, apesar do horário que chegaram (já passavam das 23h30).

    Durante a marcha até a Praça Puerta Del Sol, mais de 4 km de distância, milhares e milhares de pessoas foram se somando à marcha. As praças estavam cheias de pessoas que, emocionadas, cantavam o hino dos mineiros, “Santa Bárbara Bendita”, ou gritavam sem cansar: "Madrid Obrero Apoya a los Mineros" ("Madri Operária apoia os Mineiros").

    Nas varandas e janelas de todo o trajeto que passava por Princesa e Grand Via, todos saudavam os manifestantes que estavam emocionados, como a gente também. Mais de duas horas depois, a imensa marcha chegava, às 2h30 horas da madrugada, a Puerta del Sol.

    As direções sindicais majoritárias fizeram de tudo para atrasar a entrada dos mineiros em Madri e a manifestação, que estava convocada para as 22h. Tentaram fazer com que ela fosse discreta e pequena. De fato, fizeram que muitos não pudessem acompanhá-la, pois muitos tinham que trabalhar no dia seguinte. Apesar de tudo, não conseguiram que a marcha fosse uma manifestação menor. Ao contrário. A manifestação surpreendeu a todos. Foi uma das maiores mobilizações que ocorreu até agora no país com um explicito caráter de classe, com todos gritando "viva a luta da classe operária”.



    O ódio ao governo do PP [Partido Popular, de direita] e de Mariano Rajoy [presidente da Espanha] estava presente a cada consigna e coreografia. Passando pela sede do PSOE [Partido Socialista, do governo anterior] de Madri uma imensa coluna gritava: "lo llaman socialista y no lo es, oe, oe, oe...", [“Se chama socialista, mas não é”], reafirmando o desgaste dos partidos do regime.


    Mariano, Mariano, não passas do verão

    O povo vê nos mineiros e nos seus métodos de luta um caminho e por isso se orgulham deles. A cada dia percebem que essa crise não tem saída. Que o governo e a Troika [Banco Central Europeu, União Europeia e FMI) não vão parar de destruir direitos, fazer cortes sociais e despejar a conta da crise nos trabalhadores e no povo.

    Na manhã do dia 11, após a manifestação noturna que, em uma situação normal poderia fazer tremer o governo, Rajoy anunciou um duríssimo pacote de cortes orçamentários. Um deles prevê a supressão do pagamento extra de natal aos servidores públicos e o aumento de impostos ao consumo (IVA) contra os trabalhadores e o povo.

    São as exigências da Troika para resgatar os banqueiros que, em palavras da própria imprensa, é "o maior destruidor da história do Estado de bem-estar Social".




    Dia 11, mais duas manifestações

    Pela manhã do dia 11, outras 60 mil pessoas seguiram os mineiros de Colón até o Ministério de Indústria para reivindicar ajuda do governo ao carvão.

    A polícia reprimiu brutalmente os manifestantes que, a cada dia, se enfrentam mais com as tropas anti-distúrbios. O resultado foram 76 feridos e 7 presos. A criminalização dos movimentos sociais e a repressão aos mineiros é crescente. Mas, como cantava a coluna da Corrente Sindical de Esquerdas das Astúrias, “si no hay solución, habrá más barricadas" ["se não há solução, haverá mais barricadas"].

    No final da tarde, o sindicalismo alternativo, muitas Assembleias de bairro do movimento 15M e os mineiros do sindicalismo de Esquerda, realizaram uma manifestação, de Atocha a Sol passando por Jacinto Benavente, na qual puderam participar os setores que trabalham durante o dia e também aqueles que defendem uma política alternativa à burocracia sindical que, como disseram os ativistas da COBAS [Comissões de Base]: "Oe,oe...oe,oa...a Toxo y Méndez les queremos preguntar:¿ cuántos recortes hacen falta más para convocar otra huelga general? [Toxo e Méndez queremos perguntar: quantos cortes faltam mais para convocar outra greve geral?. Toxo e Méndez são os principais dirigentes sindicais do país].




    Organizar uma alternativa à burocracia é uma necessidade do movimento operário

    O Sindicalismo Alternativo, especialmente a COBAS e “Ay que Pararle los Pies en Madrid” estão chamando a unidade de todos para lutar. Mas todo lutador honesto do país sabe que a burocracia sindical, cedo ou tarde, acaba sempre pactuando com a patronal fechando acordos que prejudicam os trabalhadores. Isso acontece porque a burocracia vive dos privilégios do Estado e praticam um sindicalismo de conciliação de classes, onde quem sempre ganha é a patronal e os governos.

    Um dos representantes do Sindicalismo de Izquierda das Astúrias explicava que, tão perigoso quanto o Ministério da Indústria, era ter um “inimigo interno”, ou seja, uma direção do movimento que possa trair os trabalhadores e pactuar com o governo e a patronal.

    A manifestação organizada pelo Sindicalismo Alternativo teve um duplo objetivo: primeiro, apoiar a luta dos mineiros (e por isso esteve em todas as manifestações e ações unitárias). Segundo, levantar um programa alternativo e avançar na organização democrática e pela base de uma alternativa de luta à burocracia sindical.


    Viva a luta dos mineiros! Abaixo cortes de Rajoy e da Troika!

    Neste dia 12, será realizada uma manifestação do Sindicalismo Alternativo, na qual Corriente Roja tem grande presença.

    A saída da crise exige um plano de resgate dos trabalhadores e do povo, que parta da imediata suspensão do pagamento da dívida aos banqueiros, que imponha um controle de capitais, que nacionalize os bancos e a coloque sob o controle dos trabalhadores, prendendo e confiscando todos os bens dos banqueiros e especuladores responsáveis pela crise.

    Os trabalhadores não suportam nenhum corte a mais. Precisamos de trabalho, moradia, educação, Previdência pública, gratuita e de qualidade, transporte público e estatal com tarifa social.

    Por tudo isso é necessário unir as lutas e convocar outra greve geral, indefinida se for necessário. É preciso deter o governo de Rajoy. E isso se faz com a luta. Por isso mesmo é escandaloso que o PSOE ofereça um pacto nacional ao PP para que juntos apliquem de maneira negociada (com CCOO e UGT incluídas, principais centrais sindicais do país) os planos de ajuste da Troika. E é inadmissível também que Esquerda Unida também esteja aplicando no governo de Andaluzia (no qual participa junto ao PSOE) os mesmos cortes que o PP aplica no resto do Estado.

    Devemos lutar por um governo operário e popular, apoiado democraticamente nas organizações de base dos trabalhadores e do povo.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 5 de junho de 2012

    “É necessário que a luta estudantil seja parte integrante da luta do povo trabalhador”

    Juventude do PSTU entrevista Juan Parodi, estudante da Universidade de Sevilha e membro da Corriente Roja, sobre a greve geral da educação na Espanha.


    Juan Parodi, estudante universitário em Sevilha
    No Brasil, estamos vivendo a Greve Nacional da Educação. Os professores já paralisaram quase 50 Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), entre universidades e institutos. Em mais de 30 IFES já existe greve estudantil e os funcionários técnico-administrativos tem indicativo de greve para o dia 11 de junho. Os professores e funcionários lutam não só por melhores salários e um novo plano de carreira, mas também contra as péssimas condições de trabalho impostas pelo Reuni.

    Este é um projeto que representa um ataque à educação pública brasileira, que coloca para as nossas universidades a tarefa de fábricas de diploma sem qualidade. Bem ao estilo do que é recomendado pelos organismos do imperialismo para a educação dos países periféricos. O que ocorre é que sem o aumento suficiente de verbas públicas para investimento em estrutura física e contratação de professores, esse processo provocou uma situação, na maioria das IFES, de salas de aula lotadas, falta de professores, cursos sem prédios e uma infinidade de problemas que desqualificam enormemente o ensino no país.

    A presidenta Dilma quer que a sociedade brasileira escolha entre uma universidade elitista ou precarizada, tentando vender a desqualificação do ensino superior público do país na forma de expansão de vagas. Por isso, o governo federal continua investimento menos de 5% do PIB em educação e repassando dinheiro público para o ensino privado através da isenção fiscal, enquanto gasta 49% do orçamento federal com o pagamento da dívida pública aos banqueiros. Além disso, Dilma já cortou quase 2 bilhões da educação só neste ano. É contra esse descaso que os estudantes brasileiros se mobilizam ao lado dos professores e funcionários. Depois de cinco anos da aplicação do ReUni, o balanço é greve!

    Infelizmente, o descaso com a educação não é uma realidade apenas do Brasil. Na Europa, a maioria dos governos está atacando, através dos famosos planos de austeridade, os direitos sociais da classe trabalhadora e da juventude, a fim de despejar nas costas do povo as consequências da crise econômica mundial. Os serviços públicos estão na mira das burguesias europeias e a educação é o principal alvo, especialmente na Espanha. O governo espanhol de Rajoy cortou 3 bilhões da educação pública no início deste ano. No Estado espanhol, esse ataque também teve a resposta dos estudantes, dos professores e funcionários, com uma grande greve geral da educação, que unificou o movimento desde a educação infantil até o ensino superior.

    Com o objetivo de compartilhar a experiência dos lutadores espanhóis com os estudantes em greve do Brasil, a Juventude do PSTU entrevistou Juan Parodi, estudante de Ciências Naturais da Universidade de Sevilha e membro de Corriente Roja, sobre a greve geral da educação na Espanha.


    Juventude do PSTU Conte-nos como está a greve geral da educação no Estado Espanhol? Quais são as reivindicações dessa greve e quais setores estão em luta?

    Juan Parodi Greve geral teve apenas no último dia 22 de maio. Foram convocados da educação infantil à universidade, todos os trabalhadores da educação praticamente e a totalidade dos sindicatos. A partir desta convocatória, o movimento estudantil se aliou e aumentou ainda mais a mobilização. Em Sevilha, por exemplo, os estudantes aprovaram de forma massiva (com 95% a favor) continuar a greve.

    Todo este processo acontece como contestação aos cortes na educação aprovados pelo governo Rajoy. Esses recortes se expressam na demissão de professores, no aumento das taxas, na diminuição das bolsas. Quantificando os cortes, chegam a 62% nas universidades e 21% nos outros níveis da educação. Estas porcentagens dão dimensão à gravidade do ataque. Temos universidades que estão ameaçadas de desaparecimento, o ministro disse que 90% delas deveriam fechar.

    A greve foi um êxito. Especialmente nas universidades, onde o movimento estudantil se fortaleceu com a sua participação. Os sindicatos contabilizaram a adesão de em media 80%, chegando a 95% nas universidades. As mobilizações foram muito grandes. Na minha cidade, Sevilha, com 700.000 habitantes, 60.000 pessoas saíram as ruas. A partir desse dia, os estudantes das universidades sevilhanas entraram em greve. Foi ocupada a reitoria da Universidad Hispalense, foi realizada uma assembleia geral com 2000 pessoas para definir um plano de lutas. Durante esse tempo, foram realizados protestos de maneira continua: aulas foram dadas na rua, com a participação de 120 professores, foi realizado outro ato com 8000 estudantes, foram realizadas intervenções artísticas nas principais estátuas da cidade para chamar atenção publica sobre a nossa luta, também fechamos uma rodovia em Sevilha. Outros lugares da Espanha também seguiram o nosso exemplo, com ocupações em outras cidades.

    Agora, a greve terminou em uma das universidades e está na última semana em outra. Temos que fazer um balanço com o conjunto dos estudantes sobre o significado da greve. Os reitores se posicionaram contra o ministro da educação como forma de protesto pelos cortes. O governo da Andaluzia apontou para os sindicatos, estivemos na primeira pagina dos jornais durante dias. Acho que é possível, frente à situação de mobilização social que se dá na Espanha e à debilidade do governo, derrubar os cortes e também Mariano Rajoy. O movimento estudantil está consciente da força que temos, nas manifestações cantávamos “Mariano, não chega ao verão!”.


    Quais são as formas de organização que os estudantes, os professores e os trabalhadores da educação utilizaram em sua luta?

    O movimento estudantil e de professores é bastante diverso. Na universidade, elegemos uma delegação central. Os delegados centrais foram os que convocaram a greve continua e se posicionaram através da luta. Também tiveram sindicatos ou associações estudantis que participaram destas delegações e que atuaram diretamente nos passos da universidade. Os professores se organizam nos sindicatos, estes são de várias tendências, os mais combativos nos acompanharam na greve. Os que defendem o pacto com o governo se mobilizaram apenas no dia 22, na greve geral. Também existem plataformas que agrupam professores em defesa da educação publica sem se importar com a afiliação sindical. Por fim, todos esses setores se sentaram em uma mesa comum em defesa da educação pública na qual se decidiram medidas unitárias de luta. Nesta coordenação puderam participar todos os setores que defendem a educação publica.

    No caso específico da nossa greve, o centro se converteu na assembleia geral da ocupação da reitoria. Ali, se traçam as principais linhas de luta e se tomam as principais decisões. Cada pessoa participa dessa assembleia em pé de igualdade, os diversos setores e tendências sindicais ou políticas se expressam e defendem sua postura na assembleia. Essas reuniões se mantiveram com uma grande participação, apesar dos esforços de uma greve de tanta duração, sempre tivemos entre 1000 e 2000 pessoas.


    Como os ataques que o governo Rajoy está desferindo contra a educação se ligam aos planos de austeridade aplicados por muitos governos europeus?

    Os ataques dos quais estamos falando são simplesmente os reflexos no sistema educativo dos planos de austeridades mais gerais. Estes planos afetam todos os serviços públicos, não só a educação. Por exemplo, o último plano anunciado pelo governo recortava 3 bilhões de euros na educação e 7 bilhões na saúde pública.

    Esses planos de austeridade tentam cortar todos os gastos públicos com um duplo objetivo. Por um lado, focar todo o gasto público em pagar a dívida que o Estado tem com os bancos. O problema é o que esta dívida criou quando o Estado resgatou com o dinheiro público os bancos que estavam falindo. Hoje, 3% do PIB se destinam apenas ao pagamento dos juros dessa dívida. O segundo objetivo é privatizar a educação e convertê-la em um negócio para os capitalistas. Ajustam-se perfeitamente aos planos que expliquei anteriormente, de aproximação mais geral de todos os serviços públicos, de privatizações e subidas de preços, aplicados pelo governo, a UE e o FMI.


    Essa greve geral da educação pode ser vista como parte do movimento "Indignados" da juventude europeia?

    Sim e não. Sim, porque a atual onda de lutas no Estado Espanhol se iniciou com o movimento dos “indignados”, e isso se refletiu na nossa greve. Refletiu-se nos métodos de organização e luta dos estudantes e nas aproximações politicas em geral, que em parte se inspiraram no movimento dos indignados. E não, porque a greve se dá em um âmbito puramente estudantil, com base nas organizações estudantis, com uma greve fora das praças e com o objetivo concreto de barrar os ataques do governo. Nesse sentido, não há relação direta. Dentro disso, há setores que são mais influenciados pelo movimento dos indignados que outros. Entre os estudantes, a influência é maior que entre os professores, que têm organizações e métodos mais assentados.

    Eu diria que mais que no movimento indignado concretamente, a greve é influenciada pela situação de ascenso generalizado de lutas que se dá. E dentro deste ascenso, há o movimento dos indignados. Também tiveram greves gerais. Agora há ocupações de terra pelos sem-terra e de imóveis pelos sem-teto. Os mineiros fecham estradas e enfrentam a repressão, as trabalhadoras da saúde permanecem diariamente nas portas dos hospitais. Não há dia que não tenham várias lutas acontecendo. Isso se combina com o descrédito dos políticos oficiais e das instituições do Estado. O exemplo mais claro é o do rei da Espanha que foi apanhado por casualidade quando caçava elefantes na África, gastando milhões e agora na greve estudantil se pede a instauração da República.


    Desde o Brasil, estamos acompanhando a situação política na Europa, que é marcada, por um lado, por duros ataques à educação e aos direitos sociais da classe trabalhadora e da juventude e, por outro, por uma grande resistência de todo o povo europeu, com greves gerais, marchas e ocupações de praça. Podemos ver essa realidade no Estado Espanhol, em Portugal e, principalmente, na Grécia. Por parte da juventude europeia, há um grande sentimento de insatisfação e uma enorme esperança de mudança dessa situação. Em sua opinião, qual é a saída para essa realidade? Ou seja, a luta dos indignados europeus precisa assumir qual projeto de transformação?

    Começando pela educação, a única saída satisfatória para nós começa por deixa de pagar a dívida aos bancos e manter os serviços públicos, como uma educação pública de qualidade. Isso também permitiria contratar muitos funcionários públicos e combater o desemprego. Essa medida hoje dificilmente seria assumida pelo governo. O capitalismo espanhol está à beira da quebra e assumir medidas como essa seria um golpe mortal para eles. Isso significa duas coisas: a primeira é que as medidas propostas devem ser anticapitalistas, e a segunda é que é necessário que a luta estudantil seja parte integrante da luta do povo trabalhador, para poder questionar o mesmo governo.

    Essas medidas que unificam estudantes e trabalhadores se resumem em um plano de resgate do povo trabalhador frente ao plano burguês de resgate dos banqueiros. Além do que disse, este plano deveria incluir a nacionalização dos bancos, com planos, como por exemplo, da adaptação ecológica dos sistemas de transporte, agricultura e produção de energia, abertura dos imóveis fechados pelas construtoras, bancos e imobiliárias, a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários para acabar com o desemprego. Além disso, é necessário acabar com a repressão aos que lutam e derrubar a falsa democracia na qual um rei nomeado pelo ditador Franco é chefe do exército.

    Esse conjunto de medidas, para mim, se chama socialismo. Um sistema econômico controlado pela classe trabalhadora e pelo povo, de maneira realmente democrática e direta para cobrir as necessidades sociais. É necessário defender esse projeto, já que enquanto os capitalistas se mantiverem no controle só vão se preocupar em nos explorar mais. Não há possibilidade de terceiras vias. Como dizia Rosa Luxemburgo, o nosso dilema é socialismo ou barbárie!


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 8 de março de 2012

    Pelos nossos direitos, nem um dia de trégua a este governo lacaio!

    Leia declaração do Corriente Roja, da Espanha, sobre o 8 de março e a luta das mulheres no país


    Milhões de mulheres em todo mundo sairemos à rua neste dia, que não é só um dia de luta por nossas reivindicações trabalhistas, senão pelos direitos de todas as mulheres da classe trabalhadora. Por isso, esta convocação diz respeito a todas nós: empregadas fixas, precárias ou sem contrato, estudantes, pensionistas e em geral todas as mulheres que diariamente trabalhamos, de forma remunerada ou não, para poder subsistir dentro deste sistema.


    O capitalismo é sinônimo de opressão

    Na Europa, os cortes sociais e reformas que os governos estão impondo para salvar o sistema e pagar a dívida aos banqueiros, estão acabando com os poucos direitos de igualdade que as mulheres fomos capazes de conseguir nestes anos. No Estado Espanhol as medidas aprovadas pelo novo governo lacaio de Mariano Rajoy são uma boa mostra disso:

    1. O congelamento de salários e pensões nos torna cada vez mais pobres e dependentes economicamente, tendo em conta que nossos salários são entre 20 e 30% mais baixos que os dos homens, e nossas pensões - em especial a de viuvez - são de miséria. E o que dizer do congelamento do salário mínimo, especialmente prejudicial para as mais de 600.000 mulheres dedicadas ao serviço doméstico, que com a nova lei ainda não têm nem direito ao salário desemprego, e cuja retribuição se fixa tomando o SMI (Salário Mínimo Interprofissional) como referência.

    2. Os cortes sociais na Previdência, Educação, Serviços Sociais e Dependência , e em geral o desmantelamento do setor público, cujo objetivo é que seja a classe trabalhadora quem pague a fatura da crise, é um ataque em primeiro lugar às mulheres. Porque somos maioria nos empregos do setor de serviços e nas administrações públicas, onde diminuem os postos de trabalho, e vem aplicando a falta de pagamento ou a contínua redução de salários, jornadas trabalhistas e registros para material.

    E somos as mulheres quem além das tarefas domésticas, temos que nos encarregar dos cuidados de pessoas idosas, doentes ou menores. Um trabalho social não remunerado nem reconhecido socialmente, do qual se aproveitam os capitalistas e o Estado não toma conhecimento. Não em vão, um recente relatório do CISC revela que se o trabalho não remunerado que se faz em casa se contabilizasse, seria em torno de 53% do PIB, uns 500 bilhões de euros.

    3. A recente reforma trabalhista aprovada pelo governo de Rajoy não só mantém para nós a desigualdade salarial, senão que introduz elementos novos que aumentam a desigualdade. Limita-se o direito à licença maternidade, na qual só poderão ser amparados o pai ou a mãe, mas não os dois, permite à empresa passar por cima, de forma legal, aos poucos planos de igualdade aprovados em acordos coletivos, e limita ainda mais o direito de conciliação da vida trabalhista e familiar, que é condicionado “as necessidades produtivas e organizativas das empresas”.

    4. Os cortes também afetam às políticas de igualdade. Se as leis a favor da mulher aprovadas nestes anos nunca contaram com orçamento suficiente, com o governo de Mariano Rajoy, se encontram paralisadas. Fecham-se centros e dispositivos de atenção à mulher, e enquanto se recrudesce a violência machista que assassina 12 mulheres a cada ano em algumas comunidades como Castilla la Mancha. As Casas de Acolhimento a mulheres vítimas de violência machista se vêem obrigadas a fechar ou funcionam com pessoal insuficiente.

    5. Por último, a anunciada futura reforma da Lei de Saúde Sexual e Reprodutiva, que se faz eco dos setores mais conservadores e dos sermões misóginos da Igreja católica (que no meio da crise econômica volta a ser subvencionada com mais de 13 mil euros neste ano), pretende limitar ainda mais nossos direitos sexuais e reprodutivos já condicionados pela atual lei, reduzir despesas da previdência pública e de passagem permitir que as clínicas privadas continuem lucrando, fazendo do aborto um negócio.


    Para acabar com o machismo e a exploração, só há um caminho: Organizar-se e lutar!

    A opressão das mulheres não só afeta a elas, senão ao conjunto da classe trabalhadora, porque o capitalismo utiliza o machismo e outras formas de opressão, sobretudo em tempos de crises, para dividir à classe trabalhadora, reduzir os salários e aumentar a exploração. Nós de Corriente Roja lutamos não só para nos defender dos ataques, senão para acabar com este sistema capitalista e patriarcal que nos oprime e nos explora cada vez mais.

    Por isso, na próxima quinta-feira 8 de março sairemos à rua para reivindicar nossos direitos como mulheres trabalhadoras, e no dia 11 iremos às manifestações convocadas pela CCOO (Confederação Sindical das Comissões Operárias) e UGT (União Geral dos Trabalhadores) para exigir a [Ignácio Fernandez] Toxo e [Cândido] Méndez que convoquem de uma vez, como já foi feito na Galícia e no País basco, a Greve Geral que precisamos para barrar esta reforma trabalhista e o plano de ajuste do governo Mariano Rajoy. Venham e se organizem conosc@s!


    Participe nas manifestações deste 8M (08 de Março) para exigir:

  • Greve geral ara barrar a nova reforma trabalhista e os planos de ajuste!

  • Trabalho igual, salário igual! Redução da jornada de trabalho sem redução de salário.

  • Basta de cortes e privatização dos serviços públicos!

  • Basta de violência contra as mulheres! Recursos e meios suficientes para as mulheres agredidas!

  • Aborto livre, gratuito e sem objeção de consciência na Seguridade Social!

  • Não mais aulas de religião, não mais subvenções à Igreja Católica!


  • Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 25 de novembro de 2011

    Forte greve geral parou Portugal nesse dia 24

    Trabalhadores e a juventude saem às ruas contra o plano de austeridade do governo e gritam: ‘Fora Daqui, a fome, a miséria e o FMI’


    Greve paralisou grande parte dos serviços públicos
    Portugal parou nesse dia 24 de novembro em uma forte greve geral contra os cortes e o plano de austeridade imposto pelo governo, sob orientação da chamada ‘troika’ (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e o FMI). A greve, convocada pelas centrais CGTP e UGT, atingiu tanto o setor público quanto o privado, afetando principalmente os transportes, educação e saúde.

    No transporte público, além dos ônibus, as estações ferroviárias ficaram paradas. Os aeroportos também foram paralisados, com a suspensão de 121 vôos só da empresa TAP. Nos colégios, calcula-se que o nível de paralisação tenha atingido os 85%. Foi também a maior greve no ensino superior dos últimos anos. Grande parte dos hospitais, um dos maiores afetados pelos cortes no Orçamento, permaneceu todo o dia de portas fechadas.

    Ao todo, estavam marcadas 30 manifestações no país no decorrer desse dia 24. Ao final da tarde, a manifestação das centrais se juntou à dos ‘Indignados’; os dois principais protestos de Lisboa reuniram milhares de pessoas. “A luta continua nas empresas e na rua”, “Desemprego em Portugal, vergonha nacional” e “Fora daqui – a fome, a miséria e o FMI”, foram alguns dos slogans entoados na marcha.

    Houve repressão da polícia em frente ao Parlamento e sete manifestantes chegaram a ser presos. A polícia investiu ainda contra piquetes de trabalhadores. Manifestações de solidariedade à greve geral foram realizadas na Espanha e na Grécia.

    Essa foi a segunda greve geral no país em um ano. A primeira aconteceu há exatos 12 meses, no dia 24 de novembro de 2010, contra o então governo Sócrates, do Partido Socialista. Agora, o governo Pedro Passos Coelho, do PSD (Partido Social Democrata), de direita, segue implementando a mesma política de cortes e austeridade.


    Crise e ataques

    Assim como o elo mais fraco de uma Europa convulsionada, como Grécia e Espanha, Portugal vive uma grave crise social. O pequeno país de 10 milhões de habitantes conta já com quase 1 milhão de trabalhadores desempregados. A isso se soma os ataques do governo. Além dos cortes no orçamento da educação pública, aumento nos impostos e nas taxas públicas, como transporte e eletricidade, o governo determinou o fim do 13º salário e do subsídio de férias. O governo ainda quer aumentar em 30 minutos a jornada de trabalho diária do setor privado.

    Segundo o próprio governo, esse conjunto de medidas de austeridade deve agravar ainda mais a crise em 2012, provocando uma redução de 3% no PIB, com o desemprego ultrapassando os 13%. E que só tende a piorar. No mesmo dia em que ocorria a greve geral, a agência de classificação de risco Fitch anunciava o rebaixamento da nota de Portugal, apontando novo rebaixamento e pressionando o governo a recrudescer os ataques e os cortes.

    Assim como na Grécia, o futuro dos trabalhadores, da juventude e da maioria da população portuguesa será decidida nas ruas.

  • LIT-QI: Lutar sem trégua contra os governos dos banqueiros e a Troika


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 6 de outubro de 2011

    Grécia tem novo dia de greve geral e repressão

    Crise se aprofunda em meio ao anúncio da demissão de 30 mil funcionários públicos até o final do ano


    Detalhe do protesto desse dia 5, em Atenas
    Esse dia 5 de outubro foi um dia de mais uma greve geral que parou a Grécia e levou milhares às ruas, contra os efeitos da crise econômica e os sucessivos ajustes anunciados pelo governo do socialista George Papandreou (Pasouk). A greve foi convocada pela central que reúne os sindicatos dos trabalhadores do setor público, a Adedy e a GSEE, que representa os trabalhadores privados.

    Bancos, escolas, aeroportos e trens pararam nessa quinta greve de 24 horas realizada só em 2011. Hospitais públicos atendiam somente os casos de emergência. Profissionais liberais como advogados e farmacêuticos também engrossaram as mobilizações. Transporte público, como acontece nesses dias de greve geral, funcionou apenas para transportar os manifestantes.

    Demonstrando cada vez mais indignação em relação ao caos social em que o país mergulhou nesses últimos dois anos de ajustes, o povo grego mais uma vez foi às ruas. A principal manifestação ocorreu na capital Atenas. Quando os manifestantes, na praça Sintagma, marcharam para o prédio do Parlamento grego, foram violentamente reprimidos pela polícia com bombas de gás de lacrimogêneo e cassetetes. Ao menos 12 pessoas foram presas e várias outras ficaram feridas.


    Crise se aprofunda
    A quinta greve geral do país heleno ocorre no momento em que se aprofunda a crise fiscal e o governo anuncia planos de cortes ainda mais radicalizados. Nesse dia 2 de outubro, em pleno domingo, o gabinete do governo se reuniu para anunciar que o país não cumprirá as metas de redução do déficit acertadas com o Banco Central Europeu, a União Europeia e o FMI, em troca da ajuda para fechar suas contas.

    O governo refez seus cálculos ao perceber que a recessão agravada pelos pacotes de austeridade seriam muito mais severas do que se esperava. Não tendo como evitar uma perda na arrecadação, o governo grego, pressionado pela troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e FMI) espera aumentar os cortes para economizar ainda mais e continuar pagando a dívida pública, que chega o equivalente a 145% do PIB.

    Ao mesmo tempo, parte do processo de aprofundamento dos cortes, anunciou um plano para cortar os salários e demitir 30 mil servidores públicos até o final do ano. Até 2015, o governo espera mandar para rua 500 mil funcionários públicos. O desemprego já atinge 16% da população grega.

    A demonstração de combatividade do povo grego, porém, esbarra na direção das principais centrais sindicais. Do mesmo partido de Papandreou, elas se negam a empreender uma greve geral por tempo indeterminado contra a política recessiva do governo, limitando-se às greves de 24 horas.


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  • Grécia pode abrir novo momento da crise econômica internacional


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    terça-feira, 21 de junho de 2011

    Cerca de 300 mil pessoas marcham na Espanha contra a crise

    O chamadao '19-J' foi maior que o '15-M'. Protestos se radicalizam e já falam em 'greve geral'


    Marcha do 19-J em Barcelona
    Em Madrid várias marchas saíram dos bairros e no caminho formaram seis grandes marchas até Netuno (monumento na Praça Cánovas del Castillo), juntando seguramente mais de 100 mil pessoas. Em Barcelona, desta vez, 100 mil foram às ruas, segundo os jornais. Em todo o país, é possível que mais de 300 mil pessoas tenham protestado.

    O protesto foi visivelmente maior que a manifestação de 15 de março, o “15-M”, e desta vez houve uma composição mais popular que estudantil na mobilização e, inclusive, maior participação operária.

    Convocado nas assembléias dos bairros, não apenas pelo 15-M, mas também por organizações sociais, sindicais e políticas que já vinham enfrentando os planos do governo e denunciando o papel cúmplice da CCOO e UGT, o 19-J incorporou com mais peso reivindicações mais operárias, como que os “capitalistas paguem pela crise” e a exigência de greve geral, incluída no manifesto lido em Netuno.

    Uma das seis marchas veio de Vallekas, um bairro operário, e trazia à frente um cartaz que dizia “marcha contra a crise e o capital. Que os capitalistas paguem pela crise” e um carro de som com a faixa “Vallekas com a Greve Geral”.

    As reivindicações democráticas seguem tendo muita força: “o que chamam democracia não o é”, “não, não, não nos representam”, “contrato de um dia para a monarquia”, “me dá um apartamento, como o do príncipe”, seguem sendo consignas abraçadas pela multidão.

    Começam, no entanto, a aparecer diferenças e os limites desse setor que foi a direção do 15-M, e ainda continua sendo, ainda que nos bairros tenha menos controle. Inclusive porque a base social se torna mais popular. Este setor, que está na “Democracia Real Yá” e os das redes sociais e organizações como Attac defendem reformas no atual “Estado de Direito”, enquanto as manifestações seguem e se chocam com isso.



    Na semana que passou, em Barcelona, os indignados cercaram o parlamento e achincalharam os políticos, que votam os cortes sociais que os capitalistas de toda a Europa exigem. E os governos passaram a ter uma política de criminalização do movimento. Setores da direção, “pacifistas”, ao invés de denunciar a criminalização, condenaram a suposta violência dos manifestantes.

    Ainda que não se deva cair, nem protagonizar provocações e, sim, às vezes há infiltrados da própria polícia, ou inclusive setores mais exaltados do movimento; violência, como dizia uma faixa em Madrid, é o salário não chegar ao fim do mês, violência são os recortes sociais votados pelos deputados, violência é a precariedade trabalhistas e os despejos de moradores sufocados pelas hipotecas.

    Desta vez, a manifestação protestava também contra o pacto do Euro, que deve ser celebrado em 27 de junho. Este “pacto” representa uma nova rodada européia de contra-reformas e retirada de direitos dos trabalhadores em prol dos banqueiros. Uma resposta em busca de uma saída capitalista para a crise, que apenas se aprofunda, como ficou demonstrado com o que tem se passado na Grécia.


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    sexta-feira, 17 de junho de 2011

    Protestos abalam governo na Grécia

    Crise política se aprofunda e se soma à crise social e econômica


    Primeiro-ministro grego está por um fio
    A greve geral e jornada de mobilizações contra o novo pacotes de ajuste fiscal realizadas nesse dia 15 de junho balançou o governo do primeiro-ministro grego George Papandreou (do partido socialista Pasok). A terceira greve geral só nesse ano contou com manifestações que chegou a reunir dezenas de milhares de pessoas na capital Atenas. Manifestantes radicalizados tentaram cercar o prédio do Ministério das Finanças, sendo reprimido pela polícia, o que transformou o centro da cidade numa verdadeira praça de guerra.

    Pelo menos 40 pessoas foram presas e 10 foram feridas pela polícia. O parlamento deveria iniciar no dia a discussão sobre mais um plano de ajuste fiscal exigido pela União Europeia e a FMI para a concessão de novo empréstimo, a fim de o país do mediterrâneo poder continuar rolando sua dívida pública. Diante das cenas de guerra civil, porém, o governo que já enfrenta profundo desgaste, balançou. Papandreou anunciou a dissolução do atual Executivo e a formação de um novo gabinete que, segundo ele defendia, fosse de “união nacional”.

    O principal partido de oposição, o direitista Nova Democracia, no entanto, rechaçou o convite realizado por Papandreou e exigiu novas eleições. A pré-condição estabelecida pelo atual governo grego para a nova composição seria a aceitação incondicional dos termos do novo acordo já firmado com a FMI e a UE. Os jornais gregos definem de tal forma o impasse: “Papadreou não pode governar, e a oposição não quer”. Assim, o “novo” governo não deve superar a crise política, que se soma à profunda crise econômica e social pelo qual a Grécia se arrasta há pelo menos dois anos.

    Nesse dia 16 o primeiro-ministro realizou no parlamento grego um novo apelo às demais forças políticas e à população, em defesa dos novos cortes e privatizações. “O país passa por um momento crucial e agora o mais importante é a estabilidade”, discursou. “Passamos por um momento difícil e não devemos nos render”, disse, esquecendo-se que o seu governo já está completamente rendido aos ditames do FMI e do Banco Central Europeu.

    Papandreou criticou ainda as manifestações contra os pacotes de ajustes, dizendo que a culpa pela crise era do próprio povo grego. Ele disse que se deveria “abandonar a lógica de que a culpa é dos outros, o que leva à inércia e a depender dos credores” . Os trabalhadores e a juventude grega, por outro lado, não compram a ideia de que são culpados pela crise. “Não vamos pagar por essa crise”, era a palavra de ordem das manifestações desse dia 15.


    O Mundo em alerta

    O cada vez mais iminente calote da dívida grega fez despencar as bolsas em todo o planeta e desvalorizou ainda mais o Euro. Isso se deve a dois fatos, conhecidos por todos os mercados: a dívida da Grécia, equivalente a um PIB e meio do país, é impagável, e o “default” (calote) causaria um efeito em cascata que prejudicaria grandes bancos europeus e norte-americanos. Além disso, levaria ainda mais desconfiança para outros países da Zona do Euro, como Portugal e Irlanda, além de colocar a própria moeda comum em xeque.

    A onda de pessimismo piorou quando a agência de risco Moody’s rebaixou a nota dos três maiores bancos da França. Os bancos franceses detêm o equivalente a 56 bilhões de dólares da dívida grega. Já os bancos alemães têm nas mãos papeis da Grécia que equivalem a 33 bilhões. Os bancos norte-americanos, por sua vez, são os principais emissores de CDS (credit default swaps), espécie de seguro contra calotes, e seriam fortemente atingidos no caso de uma moratória.




    Sangria

    Os planos de ajuste imposto pelo país desde 2010 prevêm uma brutal redução do déficit publico, de 12,7% para 3% em 2012. Isso se daria através do aumento de impostos, profundos cortes sociais, reformas e privatizações. Mesmo que isso fosse levado a cabo, através de um ataque sem precedentes ao povo grego, a dívida não só não seria paga, como cresceria como uma bola de neve. Á medida que a crise se aprofunda, os juros que incidem sobre a dívida só aumentam; passaram nos últimos dias de 17,3% para 17,7%.

    O governo da Grécia e os organismos financeiros internacionais estão, ao lado do imperialismo europeu e norte-americano, decididos a levar o plano de austeridade às últimas conseqüências. Felizmente, os trabalhadores e a juventude do país também se mostram decididos a dar sua resposta nas ruas a esses ataques.


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  • Nova greve geral para Grécia contra pacote de ajuste fiscal


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    segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

    Egito: Greve geral é convocada para derrubar ditador

    Uma greve geral por tempo indeterminado foi deflagrada no Egito nessa segunda-feira, dia 31. Bancos, portos, transportes públicos não estão funcionando no país. A paralisação foi convocada pelas centrais sindicais que ganhou poderosa adesão nas principais cidades egípcias - Cairo, Alexandria, Suez e Port Said. A greve é um profundo golpe nas pretensões de Mubarak de continuar no poder.

    A greve já tinha sido convocada pelos trabalhadores da cidade de Suez, no domingo, mas seu chamado foi estendido para todo o país. "Estaremos nos unindo aos trabalhadores de Suez e começaremos uma greve geral até nossas exigências serem atendidas", afirmou Mohammed Waked, um dos organizador dos protestos.

    Além da greve geral, os egípcios vão realizar m uma marcha de um milhão nesta terça-feira, dia 1°.


    Governo por um fio

    A população continua na rua, desafiando o toque de recolher imposto pelo governo. Manifestantes protestaram na Praça Tahrir, epicentro da revolta no Cairo, para manter o pulsar das manifestações e fortalecer um acampamento mantido na praça. Há relatos de que os ativistas estão dividindo sua comida com os soldados.

    Por outro lado, o governo Mubarak já dá sinais de desespero. Nesta segunda-feira, helicópteros sobrevoavam o Cairo, um dia depois de caças voarem baixo pela Praça Tahrir. Durantes o final de semana, o governo e a polícia foram acusados de promoverem saques, atos de vandalismo e de terem libertado prisioneiros. Mubarak também recebeu o apoio de Israel, que teme um verdadeiro levante no mundo árabe contra as os governos ditatoriais que reconhecem o Estado sionista. Pela primeira vez desde os acordos de Camp David, há mais de 30 anos, Israel permitiu a entrada de tropas do Egito na Península do Sinai.

    Mubarak tentou aplacar os protestos anunciando pequenas e ridículas mudanças no seu governo. No sábado, Mubarak apontou o primeiro vice-presidente em seus 30 anos no poder e um novo primeiro-ministro, em uma tentativa de se manter no comando. Também foi anunciada a formação de um novo gabinete ministerial. Foram substituídos os ministros das Finanças e do Interior. As medidas são, contudo, absolutamente inúteis. A população egípcia não aceitará nada menos do que o fim do governo Mubarak e seu regime.


    Movimento operário poderá entrar em cena

    A greve geral pode colocar em cena o poderoso e combativo movimento operário egípcio, o que representaria um salto de qualidade na revolução democrática. A classe trabalhadora do país vem lutando há muitos anos contra as miseráveis condições de vida imposta pela ditadura de Mubarak. Em abril de 2008, operários das fábricas têxteis da cidade de Al Mahalla realizaram uma paralisação e uma manifestação reivindicando aumento de salários. Na ocasião, os trabalhadores tiveram uma ampla solidariedade da população da cidade e do restante do país, onde também se realizaram manifestações que se combinaram com protestos contra o aumento de preços dos alimentos. Em dezembro de 2006, mais de 27 mil trabalhadores da cidade já tinham realizado uma greve por aumento salarial que o governo havia prometido.


    Uma armadilha

    Ao que tudo indica o imperialismo norte-americano já se prepara para um cenário de um governo de "transição". Trata-se de uma armadilha do imperialismo e da burguesia egípcia, que tentam emplacar a figura de Mohamed El Baradei, um ex-funcionário da ONU, diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), para chefiar um governo transitório. Dessa forma, a ascensão de Baradei para um "governo de transição" serviria para acalmar os ânimos, impedindo que se abram as portas às reivindicações dos trabalhadores, da juventude e das massas.

    A manobra também tem por objetivo estabilizar o conjunto do mundo árabe, sacudido por dezenas de protestos revolucionários depois da queda da ditadura na Tunísia.


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    segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

    Mobilização multitudinária contra o “gasolinazo” de Evo Morales

    Na quinta, 30 de dezembro, a Bolívia viveu um dia de contundentes mobilizações e de greve geral do transporte urbano em todo o país. O “gasolinazo” de Evo Morais gerou uma situação impensável até há pouco tempo. Apesar de que os dirigentes da COB, completamente submissos ao governo, chamaram mobilizações para somente a partir de 3 de janeiro, as associações de moradores dos distritos da cidade de El Alto, várias da cidade de La Paz, os professores e a população em geral protagonizaram uma marcha multitudinária contra o “gasolinazo” decretado pelo governo.

    Havia muita expectativa sobre como seriam as mobilizações, já que na noite anterior Evo fez uma pronúncia à nação, na qual anunciou 20% de aumento salarial para os policiais, militares, professores e setor da Saúde e a criação de um seguro agrícola para pequenos camponeses e o apoio aos fazendeiros de soja. Ou seja, depois dos impactos do aumento de 83% nos combustíveis, o Presidente apresentou medidas mitigadoras nada convincentes à população. Ao mesmo tempo, o governo tenta impedir os protestos, apoiando-se nos dirigentes ligados ao governo. Além disso, procura reunir-se em separado com os mineiros e com a COB para tentar conter a ameaça de greve geral.

    O esforço de Evo não teve efeito. Hoje, bem cedo, as associações de moradores de El Alto desceram ao centro de La Paz em uma marcha multitudinária. O povo que esteve à cabeça dos protestos de 2003, agora bronqueado, gritava palavras de ordem contra Evo Morales, Álvaro García Linera, os seus ministros e contra o “gasolinazo”, e no caminho eram aplaudidos pela população. À tarde, a quantidade de marchas aumentou, deram-se nas principais cidades do país e em algumas províncias. Em La Paz, vários setores protestaram; professores, associações de moradores, motoristas, sindicatos, entre outros, que depois se unificaram para tentar entrar na Praça Murillo. A polícia reprimiu-os duramente lançando gás lacrimogêneo por todo o centro da cidade e detendo todos manifestantes que encontravam no seu caminho. A cidade parecia um campo de batalha onde os manifestantes tentavam se defender com pedras da polícia e escapar dos gases. Na véspera do ano novo, La Paz esteve completamente paralisada e a população caminhava das suas casas até o centro para participar dos protestos, evidenciando a bronca geral pelas medidas do governo. As donas-de-casa diziam que “este governo passou dos limites” e que “se mostra igual aos governos neoliberais anteriores”.

    Mas, o ocorrido parece ter sido somente um ensaio, porque as manifestações tendem a se ampliar: os mineiros de Huanuni anunciaram marchar para La Paz na próxima segunda-feira, 3 de janeiro; a direção da COB, pressionada pela rejeição geral das bases operárias à medida do governo, promete convocar uma mobilização para segunda-feira na cidade de La Paz; na terça-feira marcharão os trabalhadores industriais. Isto é, o horizonte é de crescimento e massificação dos protestos que exigem de Evo Morales a revogação do Decreto Supremo 748 que elevou em 83% o preço dos combustíveis e fez disparar a tarifa do transporte, e a subida de todos os produtos da cesta básica familiar.

    A situação é grave. Os preços de quase todos os produtos duplicaram, são longas as filas das donas-de-casa para conseguir comprar arroz, açúcar, farinha, antes que subam ainda mais. Há a possibilidade de escassez de alimentos e essa incerteza explica a bronca dos trabalhadores e do povo pobre. A medida do governo evidenciou todo o seu compromisso com as transnacionais imperialistas. Em Bolívia os preços dos combustíveis são subvencionados pelo Estado desde 1997. A eliminação dos subsídios significou um aumento brutal nos preços dos combustíveis, igualando-os aos do mercado internacional.

    O governo tentou justificar esta medida com o falso discurso de combate ao contrabando. No entanto, por trás do decreto 748, estão os incentivos às transnacionais que operam na produção de gás natural e petróleo, como a Petrobras. Agora estas empresas terão os seus ganhos duplicados. Antes as petrolíferas recebiam do governo 27 dólares por barril de petróleo produzido, agora receberão 59 dólares. Esta foi a exigência que as transnacionais fizeram ao governo para voltar a “investir”, em outras palavras, manter seu controle dos nossos recursos naturais. O “gasolinazo” foi um duro golpe à economia popular, e um grande presente de natal às petrolíferas.

    Por tudo isso, chamamos os trabalhadores, camponeses e a juventude a continuar nas ruas até a revogação do decreto 748. Mas não podemos ficar nisso, é necessário retomar a Agenda de Outubro e lutar por uma verdadeira nacionalização dos recursos naturais, através da expulsão das transnacionais que seguem sangrando a economia boliviana. Outra tarefa importante dos trabalhadores é a luta por um justo aumento salarial, por isso recusamos o aumento de 20% e exigimos que o governo aumente em 100% o salário dos trabalhadores e o salário mínimo nacional, que hoje é equivalente a apenas 100 dólares.

    La Paz, 30 de dezembro de 2010.

    Grupo Lucha Socialista
    Seção simpatizante da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)


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