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terça-feira, 27 de setembro de 2011

Bancários entram em greve nacional nesta terça-feira, 27

Na negociação ocorrida nesta sexta-feira, dia 23 de setembro, em São Paulo, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) em mesa única com os bancos públicos Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, apresentaram nova proposta de índice de reajuste de 8% sobre todas as verbas, uma elevação de apenas 0,2% em relação à proposta de 7,8%, que foi rejeitada em assembleias na última quinta-feira, dia 22, em todo o país.

Este índice é muito aquém das perdas acumuladas dos bancários, de 98,62% na CEF, 86,68% no BB e 26% nos privados, constrastando com os recordes de lucros que, durante o governo Lula, alcançaram 500% (R$170 bilhões) e, neste primeiro semestre, chegaram a mais de R$ 27,4 bilhões, mostrando claramente que a crise internacional não afetou o setor.

O governo tenta, através da direção do Banco do Brasil, ameaçar os bancários prometendo descontar os dias de greve. Mas a força da categoria, que vem fazendo greve desde 2003, começa a dividir o setor patronal mesmo antes da paralisação. O Banco de Brasília(BRB) apresentou contraproposta acima da última apresentada pela Fenaban: 10% sobre os VP's - vencimentos padrão (salário de ingresso e reflexo nos demais níveis) e mais 8% sobre todas as demais verbas salariais, garantindo ainda um "plus", acima do que vier a ser concedido pela Fenaban, na hipótese de fechamento de convenção com índice maior ou igual à contraproposta por ele apresentada.

A tática da Articulação bancária (corrente ligada à CUT e ao PT) que dirige a Contraf/CUT (Confederação nacional dos bancários), de fazer uma campanha apagada para forçar um acordo sem greve, não surtiu efeito. Por isso os bancários sairão em greve a partir desta terça-feira, em todo o país.


LEIA MAIS

  • Editorial do Opinião Socialista: Lutemos juntos contra os banqueiros

  • Banqueiros lucraram como nunca e bancários vão à luta


  • Retirado do Site do PSTU

    sábado, 8 de maio de 2010

    É possível derrotar a política de desmonte da Caixa e do Governo Lula nacionalmente!

    Sindicato dos Bancários do RN/Conlutas impõe derrota à Reestruturação de Filiais da Caixa

    Como já é de conhecimento dos empregados, a direção da Caixa decidiu implantar, durante este primeiro semestre, uma "Reestruturação das Filiais", que acarreta, entre outras coisas, centralização de serviços, fechamento de unidades, descomissionamento e total insegurança para os trabalhadores atingidos.

    Aqui no RN, a RERET, as retaguardas e o SESMT ainda não têm clareza do que acontecerá em suas áreas. GICOP e GICOT já sabem que deixarão de existir para se fundirem em uma só unidade, com menos empregados. Os que forem "descartados" precisariam sair de sua cidade para garantir suas funções ou simplesmente, abrir mão das mesmas, sem nenhuma garantia de que teriam seu salário mantido. Na RESUT, a situação é ainda pior, pois a unidade foi extinta, tendo seus serviços terceirizados em Recife.

    Entretanto, da mesma forma que os sindicatos de bancários de Bauru/Conlutas e Florianópolis, o Sindicato dos Bancários do RN acaba de conquistar na jutiça uma liminar que impede a Caixa de implementar a reestruturação em todo território do RN, garantindo aos trabalhadores o direito de permanecer nas suas cidades e/ou locais de trabalho, além da garantia da irredutibilidade salarial. Os trabalhadores atingidos pela reestruturação não poderão ser descomissionados sob pena de multa no valor de R$ 1.000,00 por dia, por empregado.

    Embora essa seja uma vitória parcial - na medida em que não temos nenhuma garantia de que a justiça leve à frente essa decisão em defesa dos trabalhadores -, a ação movida deixa claro que é possível enfrentar a política de desmonte da direção da Caixa e do Governo Lula.

    Infelizmente, os sindicatos da CUT não partem da mesma compreensão. Mesmo dirigindo a maioria dos sindicatos do país, a CUT se nega a organizar a resistência da categoria (que é o que de fato pode barrar os ataques da Caixa) e também não move uma palha para fazer algo que para o poderoso aparato cutista seria muito simples: uma mera ação na justiça.

    Isso ocorre porque a CUT abandonou completamente os interesses dos trabalhadores e agora, no ano de eleições, fará de tudo para impedir que os trabalhadores se enfrentem com o Governo. O compromisso da CUT esse ano não é com a luta, e sim, com a eleição de Dilma Roussef.


    O CONECEF vem aí! É possível impor uma derrota à CONTRAF/CUT!

    Nos dias 28, 29 e 30 de maio, ocorrerá o XXVI CONECEF, em São Paulo. Esta será uma grande oportunidade para impormos uma derrota à CUT e sua política governista.

    Um dos temas em debate será a reestruturação e teremos a possibilidade de aprovar uma resolução que exija dos Sindicatos e também da própria CONTRAF e FENAE, o ingresso em ações na justiça e a organização de uma mobilização efetiva para barrar a reestruturação. É também a possibilidade de eleger uma outra Comissão de Negociação (que hoje é indicada pelas Federações, e não eleita pelos trabalhadores). No CONECEF do ano passado a oposição não conseguiu aprovar essa proposta por apenas 12 votos.

    Por isso, devemos ir todos à Assembléia desta quinta-feira (16/05), que discutirá a participação do Sindicato do RN no CONECEF. Não podemos deixar que os delegados que o RN tem direito sejam aqueles que tentaram atropelar a vontade da categoria nas últimas eleições do Sindicato e que tem, constantemente, estado ao lado da direção da Caixa e do Governo no momento em que os trabalhadores precisam, mais do que nunca, lutar pelos seus direitos.

    TODOS À ASSEMBLÉIA DE 16/05 NO SINDICATO! Quanto maior a presença da categoria, maiores a chances de derrotar o peleguismo e a traição da CUT!

    quinta-feira, 15 de abril de 2010

    Lula confessa que sabia do esquema do mensalão

    Presidente afirma ao STF que foi informado sobre o caso por Roberto Jefferson
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    Quase cinco anos após o escândalo conhecido como “mensalão”, o presidente Lula confirmou ao Supremo Tribunal Federal que foi informado sobre o esquema pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB), ainda em março de 2005. Lula é uma das 40 testemunhas arroladas no processo que se arrasta no STF desde 2007.

    O Ministério Público, autor da ação, elaborou um questionário a Lula, que o respondeu por escrito e remeteu ao ministro Joaquim Barbosa, relator do processo. “Pelo que me lembro, ao final de reunião, no primeiro semestre de 2005, e na presença de Aldo Rebelo, Walfrido dos Mares Guia, Arlindo Chinaglia e José Múcio Monteiro, Roberto Jefferson fez menção ao assunto”, afirmou Lula ao tribunal.

    Segundo o presidente, ele teria requisitado ao então ministro das Relações Institucionais, Aldo Rebelo (PCdoB) e ao então líder do governo Arlindo Chinaglia, que verificassem as informações de Jefferson. Além das questões do Ministério Público, Lula respondeu também algumas perguntas enviadas por réus do processo, como José Dirceu, João Paulo Cunha, Professor Luizinho e Luiz Gushiken. Lula afirmou não conhecer nenhum fato que desabonasse os réus.


    Lula sabia

    A resposta de Lula ao STF, divulgada nesse dia 13 de abril, mas remetida uma semana antes ao tribunal, contrasta com afirmações do presidente em meio ao escândalo que abalou o governo durante quase todo o ano de 2005. Na ocasião, Lula afirmou que não sabia sobre o esquema de compra de votos de parlamentares no Congresso. Estranhamente, agora, a imprensa pouco repercutiu a confissão do presidente.

    A denúncia do Ministério Público foi redigida pelo procurador-geral Antonio Fernando Souza. “A farta distribuição de recursos é fato provado, seja pela admissão do seu recebimento pelos próprios destinatários ou intermediários, seja pelo depoimento de testemunhas ou pelas provas documentais”, afirmou o procurador quando a denúncia foi enviada ao STF.


    Relembre o caso

    O escândalo do mensalão explodiu em meados de 2005, a partir da divulgação de um vídeo mostrando um suborno na direção dos Correios. O então deputado Roberto Jefferson, acuado, denunciou o esquema, revelando que não se resumia a um caso de corrupção isolado numa estatal. Revelou um esquema de compra de votos, que desviava recursos públicos para o pagamento de deputados da base aliada a fim de aprovar temas polêmicos, como a reforma da Previdência em 2003.

    A partir daí, uma sucessão de revelações quase diárias de denúncias foi desnudando um amplo esquema de corrupção comandado diretamente pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tendo ao seu lado o publicitário Marcos Valério. Por meses, o país praticamente parou, atônito, diante da avalanche de denúncias, com direito a relatos de malas abarrotadas de dinheiro saindo do escritório do PT à prisão do assessor do partido com dólares na cueca.

    A oposição de direita, capitaneada pelo PSDB e PFL, num primeiro momento, utilizou o escândalo para tentar desgastar eleitoralmente o PT e retomar a presidência em 2006. Tiveram amplo auxílio da mídia para isso. Com o aprofundamento das denúncias e a revelação do envolvimento da direita no esquema, o caso foi sendo gradativamente abafado e saiu das primeiras páginas dos jornais.

    Já o PT articulou uma defesa dizendo se tratar tão somente de “caixa 2” para o financiamento de campanhas eleitorais. Hoje, cinco anos depois das revelações que abalaram o país, seus principais protagonistas estão soltos e impunes. José Dirceu e Roberto Jefferson perderam o mandato de deputados, mas continuam atuando livremente. Dirceu inclusive faz fortuna atuando como lobista no governo.

    José Genoíno, então presidente do PT naquele período, foi eleito deputado em 2006 e continua impune. Outro que, vez ou outra, aparece nos noticiários é Delúbio Soares, que atua para voltar à vida pública. O processo no STF, por sua vez, confirma se tratar tão somente de uma medida para, na época, acalmar a opinião pública. Nem mesmo os réus se preocupam mais com ele.


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

    Vitória dos trabalhadores: Chapa da Conlutas derrota a CUT na eleição de bancários do RN

    O resultado esmagador das eleições do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte não deixa dúvidas: o Movimento Nacional de Oposição Bancária e a Conlutas crescem em bancários.
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    Na madrugada de 25 de fevereiro, um som ecoava do Palácio dos Esportes, no centro de Natal. Era a palavra de ordem “Eu sou Conlutas! Sou radical! Não sou capacho do Governo Federal!”, ecoada pelos bancários do RN e apoiadores que vieram de vários estados do país (SP, MA, RS, CE, etc.), durante a apuração das eleições do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte.

    A Chapa 1 – Independência e Luta –, do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) e da Conlutas, venceu com impressionantes 82,82%, enquanto a chapa 2, que era formada pela Articulação/CUT e pela patronal, obteve apenas 17,18% dos votos válidos. Após anunciada a vitória, os membros da Chapa 1, junto com os bancários da categoria, militantes e apoiadores, comemoraram o resultado histórico que sepultou de uma vez a CUT na categoria bancária do RN.


    O gangsterismo sindical da CUT não foi suficiente para impedir a derrota

    A campanha para a sucessão no Sindicato durou cerca de dois meses, período em que toda a categoria pôde tomar conhecimento da diferença brutal entre os dois projetos apresentados nas eleições.

    Enquanto a chapa da CUT reafirmava a defesa da Mesa Única da FENABAN, do colaboracionismo com os patrões e o Governo Lula, a Chapa 1 defendeu a independência de classe frente a patrões e Governos, a autonomia frente aos partidos, além de todas as bandeiras de luta reivindicadas pelos bancários. Essas diferenças foram elementos norteadores que fizeram com que os bancários do RN, já antes do dia da votação, sinalizassem uma votação em massa na Chapa da Conlutas.

    Diante dessa realidade e tendo a ciência de que sofreria uma derrota esmagadora, a Chapa da CUT tentou de todas as maneiras inviabilizar o processo de votação com posturas claras de banditismo e gangsterismo sindical. Provocações, intimidações, ofensas, tentativas seguidas de parar a coleta de votos foram apenas alguns exemplos do que a CUT tentou fazer para criar fatos políticos que manchassem ou diminuíssem o tamanho da vitória da Conlutas.

    Em uma das maiores urnas, o mesário ligado à Chapa da CUT fez de tudo para sumir com a relação de votantes e quando foi impelido pelos próprios bancários que estavam no local de trabalho, tentou engolir (literalmente) a relação. Antes de iniciar a apuração, a CUT também tentou de todas as formas inviabilizar a contagem dos votos que selariam a humilhante derrota e, incentivados pelos próprios candidatos da Chapa 2, invadiram o ginásio com uma grande quantidade de militantes e capangas contratados.

    Felizmente, a Comissão Eleitoral conseguiu garantir a continuidade e a segurança do processo, de forma que não tendo mais como impedir a deflagração do resultado das eleições, a CUT se retirou da apuração, reconhecendo tacitamente a sua derrota.

    Foram episódios lamentáveis que demonstraram cada vez mais a decadência absoluta da CUT como instrumento da classe trabalhadora. No entanto, a melhor resposta para toda a violência, ofensas e provocações foi dada sem dúvida pela própria categoria, que varreu de uma vez o peleguismo ao depositar o voto na Chapa 1.


    A propaganda ideológica contra o PSTU também virou pó

    Além do gangsterismo da CUT, outra coisa chamou atenção na campanha. Mesmo com a Chapa 1 tendo sido construída a partir da composição de várias forças políticas e mesmo com a minoria de militantes sendo organicamente do partido, a chapa da CUT tentou utilizar um artifício político desonesto para evitar a derrota: atacar o PSTU.

    A CUT procurou, durante todo o processo, fazer a sua campanha a partir de uma propaganda ideológica que tentava convencer os bancários a votar nos governistas, pois se não o fizessem, estariam colocando o sindicato “sob o controle” dos “radicais”, dos “xiitas da Conlutas e do PSTU”. A CUT simplesmente acreditava que nossa já reconhecida política de oposição de esquerda ao Governo Lula, ruptura com o imperialismo e construção das lutas da classe trabalhadora a serviço da transformação social, afloraria o conservadorismo na categoria e faria com que não depositassem o voto na nossa chapa.

    Felizmente, o tiro saiu pela culatra. De nada adiantou o falatório cutista que procurou se apoiar nas concepções mais atrasadas disseminadas no seio da classe, pois a resposta de mais de 80% dos bancários do RN foi clara: o que queremos é um sindicato classista, combativo, com disposição e independência para enfrentar patrões, governos e quem mais se colocar à frente contra as nossas reivindicações imediatas e históricas.


    “Me parece... que a Conlutas cresce!”

    O anúncio oficial do resultado das urnas, que revelou a esmagadora maioria de votos para a Chapa 1, mostra que quem hoje está isolada é a CUT. Não ainda isolada do ponto de vista da estrutura e da quantidade dos sindicatos que dirige, mas sobretudo pelo aparato falido, engessado e “chapa branca” que se tornou.

    A falência da CUT e os resultados expressivos obtidos nos locais onde o conjunto das categorias fez alguma experiência com a Conlutas e com as direções combativas mostram que é possível avançar na construção de uma ferramenta da classe trabalhadora que esteja a serviço não apenas da luta contra os governos e as burocracias sindicais governistas, mas principalmente que possa impulsionar um processo de organização da classe trabalhadora em direção ao socialismo.

    Esta vitória dos bancários do RN é parte indissociável desse processo e deve ser repetida sempre que houver a possibilidade de unir os lutadores em torno de um programa que se norteie pelo classismo, democracia operária, independência de classe e pela ação direta em defesa dos interesses da classe trabalhadora. Esta é uma vitória histórica dos bancários, mas principalmente da nossa classe, que vê a influência do projeto da Conlutas se ampliar e se fortalecer.

    Ao final da apuração das eleições dos bancários do RN, um outro grito ecoava no Palácio dos Esportes, no centro da Natal: “Me parece... Me parece... Me parece... Que a Conlutas cresce! Na luta!”. Mas não nos parece. Simplesmente, não temos dúvidas.

    terça-feira, 15 de setembro de 2009

    Bancários apontam Calendário Nacional de mobilizações em resposta ao imobilismo da CUT

    Após várias rodadas de negociação sem nenhuma proposta dos banqueiros e do Governo Lula, o MNOB/Conlutas e Oposições chamam os bancários de todo país a preparar uma forte greve nacional.


    Os bancários de todo o país estão diante de uma duríssima luta. Além de enfrentarem a truculência do setor patronal mais poderoso do país e a intransigência do Governo Lula, os trabalhadores bancários ainda são obrigados a lutar contra a subserviência e o colaboracionismo das direções pelegas, que após várias rodadas de negociação com os patrões, sem qualquer proposta, se negam a chamar os trabalhadores para construir as lutas.


    Para sair da crise e continuar lucrando, banqueiros aumentam a exploração com o apoio de Lula

    O Governo Lula continua seguindo à risca o seu papel de capacho do imperialismo e dos especuladores nacionais e internacionais. Para salvar os banqueiros da crise econômica, Lula decretou no ano passado um pacote de socorro financeiro aos bancos, expresso principalmente na transferência de recursos e numa lei (Medida Provisória 443) que dá liberdade aos principais bancos estatais (Caixa e Banco do Brasil) para comprar ações podres das instituições financeiras à beira da bancarrota. Do ano passado para cá, Lula liberou mais de 160 bilhões ao sistema financeiro, transformando o PROER de FHC (que custou mais de 20 bilhões) numa verdadeira bagatela.

    No entanto, esse mega-socorro de Lula não diminuiu a sede dos bancos pelo lucro. Mesmo com uma vultosa ajuda, os banqueiros (e o próprio Governo Lula enquanto patrão dos bancos estatais) continuam intensificando a exploração sobre os bancários. As demissões, o assédio moral e a pressão por metas são os reflexos da necessidade que os patrões têm de continuar com seus níveis absurdos de lucratividade.

    É justamente por conta da política pró-banqueiro de Lula e do aumento da exploração, que mesmo diante de uma queda na taxa de lucro de conjunto, os bancos continuam ganhando. A Caixa divulgou no mês de agosto o seu balanço do 1º semestre e registrou um lucro líquido de R$ 706 milhões. O Banco do Brasil alcançou um lucro de R$ 4,01 bilhões, somente no primeiro semestre de 2009. O conglomerado Itaú-Unibanco ultrapassou todas as expectativas e lucrou R$ 4,586 bilhões também somente no primeiro semestre.

    Para se ter uma idéia ainda maior do absurdo que significa essa lucratividade, basta dizer que numa pesquisa realizada no mês passado pela Folha de São Paulo, foi constatado que os 21 bancos que apresentaram seus resultados tiveram um lucro líquido de R$ 14,33 bilhões, o que corresponde a quase 25% do total de ganhos de todas as empresas de capital aberto no Brasil. Se dividíssemos toda essa lucratividade linearmente com quem realmente trabalha, cada bancário receberia um valor de aproximadamente R$ 30 mil. Isto significa que os banqueiros conseguem abocanhar ¼ de tudo o que é lucrado no país, sem produzir um único parafuso sequer.

    Contraditoriamente, os bancos que operam no Brasil não só não dividem essa lucratividade com os trabalhadores, como fazem questão de esbanjar luxos megalomaníacos. Recentemente, a Caixa custeou uma pomposa viagem à França para 100 empregados da empresa (a maioria executivos e gestores), como “prêmio” por terem alcançado metas astronômicas, ou seja, por um resultado fruto do assédio e da pressão sobre a maioria dos trabalhadores – que não passaram nem perto de Paris.

    Mas isto não é tudo. Mesmo com toda a lucratividade, os bancos fecharam 2.224 postos de trabalho somente no primeiro semestre, segundo dados do DIEESE. Além disso, as instituições financeiras utilizaram o mecanismo da rotatividade, demitindo os trabalhadores mais antigos e com maiores salários e direitos. Foram 15.459 demissões contra 13.235 contratações, o que mostra que a palavra de ordem dos banqueiros é arrochar salários, fechar postos de trabalho e explorar os que continuam trabalhando, sob a ameaça do desemprego.

    O Governo Lula tem totais condições de por um fim nesse ciclo e reverter esse quadro editando uma lei que assegure o emprego e impeça as demissões, estatizando sob o controle dos trabalhadores o sistema financeiro e todos os bancos que demitirem. Entretanto, a subserviência de Lula frente aos banqueiros (que financiam as campanhas eleitorais do PT) não possibilita isso, pelo contrário, faz com que o Governo, na prática, financie literalmente todas essas demissões e todos os ataques aos trabalhadores bancários.


    O papel criminoso da CUT

    A Central Única dos Trabalhadores tem total ciência de toda essa realidade, inclusive porque todos os dados acima foram divulgados por ela, através do portal da CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, ligada à CUT). Entretanto, o seu governismo faz com que a CUT ignore tudo isso e cumpra um papel criminoso, servindo de escudo de Lula (e conseqüentemente, dos banqueiros) num momento em que os trabalhadores bancários estão se organizado e lutando por suas reivindicações imediatas e históricas.

    Em São Paulo, o Sindicato (ligado à CUT) sequer chamou assembléia para definir a pauta de reivindicações da categoria. Simplesmente determinou que a pauta dos trabalhadores seria a que foi votada na Conferência Nacional da CONTRAF (um fórum formado majoritariamente pela cúpula da CUT), que definiu um índice unificado 10% quando as perdas da categoria já somam cerca de 25% no setor privado e mais 80% no setor público.

    Além disso, durante a Conferência Nacional, a corrente que controla a CUT (Articulação) tentou aprovar que a Campanha Salarial agora tenha a validade de dois anos, como forma de não atrapalhar as campanhas eleitorais dos candidatos governistas. Essa tentativa gerou uma crise na Conferência e a proposta foi retirada, no entanto, não temos nenhuma garantia de que os sindicalistas da CUT não defendam essa proposta nas assembléias, caso os banqueiros e o Governo Lula tentem incluí-la no Acordo Coletivo.

    As “negociações” da CONTRAF/CUT já estão ocorrendo e até o momento não há nenhuma sinalização dos patrões. Mesmo diante de toda a lucratividade dos bancos, tanto públicos quanto privados, a direção cutista vem se negando sistematicamente a construir um calendário de mobilizações.

    Entretanto, os bancários já começam a exigir das direções alguma atitude e estão demonstrando disposição para uma forte greve. Na última semana (10/09), os trabalhadores paralisaram parcialmente as atividades bancárias em várias cidades do país, demonstrando que não vão aceitar pagar a conta da crise e que querem todas as reivindicações atendidas.


    MNOB propõe calendário de mobilizações para unificar as lutas

    O MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária, ligado à Conlutas) vem se apresentando como uma alternativa para os trabalhadores bancários diante do peleguismo da CUT. Em julho, o MNOB/Conlutas – juntamente com os sindicatos de Bauru, Maranhão, Rio Grande do Norte e diversas oposições – realizou um Encontro Nacional que construiu uma pauta de reivindicações baseada na participação e nos interesses da categoria. A pauta, que já foi entregue aos banqueiros e às direções dos bancos estatais, exige, entre outras reivindicações: 30% de reajuste para toda a categoria, negociações específicas com os bancos públicos pela reposição integral das perdas, jornada de 6h para todos sem redução de salário, fim das metas e do assédio moral, etc.

    Entretanto, não será uma luta fácil. A CUT continua utilizando a Mesa Única da FENABAN (espaço controlado pelos banqueiros privados que define o índice de reajuste da categoria) para evitar as negociações diretas com as direções dos bancos estatais e assim não colocar o Governo Lula na linha de tiro da categoria. Além disso, a CUT também segue sem apontar qualquer indicativo de greve.

    Em sintonia com a disposição da categoria, que já demonstra que a resposta a tanta intransigência deve ser com greve, o MNOB/Conlutas aprovou uma proposta de calendário que será lançada em todo o Brasil, para que os trabalhadores pressionem as direções e construam a mobilização da categoria, que já não suporta tamanha exploração:

    17/09: Assembléia com indicativo de paralisações;

    18/09: Atos públicos e paralisações parciais;

    23/09: Assembléia com indicativo de greve;

    24/09: Greve Nacional por tempo indeterminado.


    Os bancários ainda não receberam nenhuma sinalização nas negociações e não podem simplesmente aguardar o Comando Nacional da CONTRAF/CUT, que não possui nenhuma independência para lutar pela categoria. Trabalhadores dos Correios, da saúde, metalúrgicos, professores, químicos, etc. já estão com suas campanhas em curso e por isso, é necessário exigir e construir as assembléias para aprovar um calendário que unifique a Campanha Salarial dos bancários com as atividades de todos os outros trabalhadores.

    Nesse momento de crise econômica, é fundamental a unificação das lutas da classe trabalhadora e através dela, podemos construir paralisações nacionais de todas as categorias em luta. Este é um elemento que intensifica a resistência frente às medidas do Governo e dos patrões, e pode desencadear lutas mais radicalizadas contra os efeitos da crise pesam sobre nossos ombros.

    sábado, 5 de setembro de 2009

    Golpe no Sindicato dos Bancários de Brasília: Direção da Articulação/CUT chama Assembléia na calada da noite para alterar o Estatuto da entidade

    No dia 01/09, nesta semana, a direção do Sindicato de Brasília (Articulação/CUT) chamou uma assembléia sem convocação massiva, atravessando a Campanha Salarial e oportunisticamente a menos de um ano das eleições da entidade, para aprovar medidas que facilitem a sua recondução na direção dos Sindicato: Comissão Eleitoral sem a participação das chapas inscritas, alteração de prazos e escolha de mesários feita pela Comissão Eleitoral (e não através de paridade entre mesários indicados pela chapas).

    Nós do MNOB/Conlutas estamos buscando, junto com a Oposição de Brasília, medidas - inclusive judiciais - que possam reverter esse golpe. No entanto, temos muito claro que somente a luta da categoria pode retirar o Sindicato das mãos dos burocratas governistas e devolvê-lo à categoria.

    Esta Campanha Salarial é muito importante, pois é nos momentos de luta que se aprofunda a experiência dos trabalhadores com os dirigentes traidores. Lutar para romper com a Mesa Única, para buscar as perdas salariais e por um acordo digno, é uma luta contra os banqueiros, contra o Governo e também contra a CUT.

    sexta-feira, 15 de maio de 2009

    BALANÇO DO XXV CONECEF


    25º CONECEF: DEMOCRACIA NA APARÊNCIA, TRUCULÊNCIA NA ESSÊNCIA

    Após alguns anos sem a presença do MNOB/Conlutas, por força dos métodos burocráticos e cupulistas da CONTRAF/CUT e seus asseclas governistas que determinavam a escolha dos delegados através da indicação das Federações, o 25º CONECEF alcança, ainda que parcialmente, seu objetivo de incentivar a pluralidade e representatividade em todas as correntes de pensamento, retornando com o método de escolha dos delegados nos Encontros/Assembléias de base. A pressão dos trabalhadores, que atravessam um processo de crescente aprofundamento de sua experiência com a burocracia sindical que dirige o movimento, obrigou as direções a fazerem essa concessão e assim, tentar colocar um freio no seu processo de desmoralização crescente perante a base.

    Contudo, em que pese essa sinalização, o CONECEF não foi – nem de longe – um congresso democrático. A presença da base, ainda que em número reduzido, serviu para que a burocracia sindical da Articulação/CUT (agrupamento sindical ligado aos interesses políticos e econômicos do Governo Lula) recrudescesse ainda mais os seus métodos de truculência e falta de democracia para aprovar tudo o que pretendia: manobras nos encaminhamentos da mesa, cerceamento do direito da fala, distorção dos tempos de intervenção para privilegiar suas defesas, montagem de claque para constranger os bancários que se mostravam simpáticos a propostas progressivas e toda sorte de expedientes para evitar que perdessem o controle do Congresso.

    Além disso, o CONECEF não expressou nem de longe a representatividade que deveria. Isto também é uma política deliberada da Articulação/CUT, que quer afastar os trabalhadores da discussão e foi contrária à mudança do critério para eleição de delegados que aumenta a participação (proporção de 1 delegado para cada 200 empregados na base). Participaram do 25º CONECEF 366 funcionários, sendo que 339 eram Delegados, entre eles 66 aposentados e 113 mulheres, além de 27 observadores. Se considerarmos que a Caixa possui em seu quadro pouco mais de 78 mil empregados ativos, sendo que 273 Delegados ativos estiveram presentes para representá-los, verificamos uma proporção de 0,35% do quadro, ou seja, menos de 0,5%, o que é um percentual muito modesto para a importância do CONECEF.


    A ABERTURA: COLABORAÇÃO, OSTENTAÇÃO E VIDA PREGRESSA SOBREPONDO A LUTA COTIDIANA

    O ato de abertura do 25º CONECEF foi uma expressão de ostentação, pompa e glamour. Além de ter se realizado num hotel cinco estrelas (algo absolutamente desnecessário para um congresso que se propõe a ser de trabalhadores), o CONECEF terminou por se igualar a eventos realizados por sindicatos patronais, no qual entidades/organismos que deveriam ser representativas dos trabalhadores dividiram a mesa de abertura e disponibilizaram lugar de honra para o patrão. Sentaram-se lado a lado, como bons parceiros, a FENAE, a FENACEF, a CEE/Caixa, a CONTRAF/CUT e, do lado dos patrões, três Vices-Presidentes da Caixa (inclusive o de Gestão de Pessoas, que é responsável pelas CI’s que atacam os empregados), o diretor da FUNCEF e até mesmo uma deputada distrital do PT. Todos discursaram e elogiaram-se entre si, numa demonstração do nível grotesco de colaboração que o movimento sindical e associativo governista tem com os que atacam os trabalhadores.

    Como se não bastasse tudo isso, a abertura do CONECEF também acabou se constituindo como uma atividade cujo objetivo não era armar e organizar os trabalhadores para fazer o debate e construir as lutas necessárias para conquistar suas reivindicações, mas sim, fazer uma ode à “história do CONECEF”, ressaltando-o como um instrumento “democrático, de luta” e sem lembrar que as lutas do passado vão remeter a grandes lembranças, mas não vão efetivamente garantir vitória aos empregados da Caixa, pois isso só é possível com luta de hoje, e não de ontem. A exaltação da vida pregressa foi o mecanismo utilizado pelos governistas para passar a imagem de que eles um dia lutaram e assim, tirar-lhes o peso de hoje serem um obstáculo no caminho dos trabalhadores que querem se organizar para enfrentar a direção da Caixa e o Governo Lula por seus direitos.


    DEBATE DE CONJUNTURA: UM CORO À PROPAGANDA FALSA DO GOVERNO

    Durante os painéis de conjuntura, o CONECEF foi utilizado como um espaço para tentar alimentar a farsa propagandeada pelo Governo Lula de que a crise econômica será “passageira” no Brasil e que “o pior já passou”. A profundidade da crise ainda é algo que não se pode determinar, no entanto, está claro que se trata de uma brutal crise do sistema capitalista e que a sua gravidade pode ser medida pelas quedas consecutivas dos índices econômicos (o Brasil já está recessão, dadas as duas quedas consecutivas no PIB nos últimos dois trimestres), pelas demissões e pelo fechamento de fábricas, mas principalmente, pelo tamanho da campanha de propaganda enganosa que faz o Governo para tentar esconder a crise.

    Essa política do Governo Lula, que foi seguida fielmente pelas correntes governistas que comandaram o CONECEF, não pode ser classificada de outra forma senão como criminosa. O Governo e seus aliados sindicais têm necessidade de tentar encobrir a realidade dessa maneira por uma necessidade política: é preciso criar um clima de otimismo para anestesiar os trabalhadores e evitar que vão à luta por suas reivindicações. A possibilidade de explosões sociais e de lutas contra a redução de direitos e em defesa dos empregos está cada vez mais presente mesmo nos países imperialistas e o objetivo do Governo e da burocracia sindical que o apóia é justamente de não armar a classe trabalhadora para assim, atender aos interesses dos banqueiros e dos patrões.

    A presença de um representante do DIEESE e de um vice-presidente da Caixa para expor um painel sobre o tema reflete essa necessidade da Articulação/CUT e das outras correntes governistas. Elas estão à frente da FENAE e da CONTRAF e tentam esconder a crise dos trabalhadores para assim, não unificar as lutas em defesa dos seus empregos/direitos e dessa forma, derrotá-los fragorosamente. Isso também ficou visível durante as apresentações de tese, nas quais apenas a Conlutas (sindicatos do RN, MA, Bauru e oposições do MNOB) e a Intersindical fizeram um debate claro com os trabalhadores, apontando a necessidade de construir a luta da classe trabalhadora contra os efeitos da crise, em defesa da redução de jornada sem redução de salário, pela estatização do sistema financeiro, etc.



    DOS GRUPOS À PLENÁRIA FINAL: A BUROCRACIA SINDICAL DA CUT MOSTRA SUA VERDADEIRA FACE

    Defender a política de colaboração com o Governo, capitaneada pelas direções ligadas a entidades/correntes governistas (Articulação, CUT, etc.), é algo que com o passar do tempo, vai ficando cada vez mais difícil. Justamente por esse motivo, essa burocracia sindical precisa se constituir maioria e como dirigem a maior parte dos sindicatos, utilizam da estrutura do aparato sindical para eleger a maior parte dos seus delegados, e assim, dar legitimidade à sua política de conciliação com o Governo e os banqueiros.

    A reorganização do movimento sindical (encabeçada pelo MNOB/Conlutas) começa a atrair outros setores e há tempos vem detonando crises na corrente majoritária (Articulação/CUT), pois é cada vez mais difícil para eles dizer que o Governo Lula não é um governo dos patrões, que a Mesa Única (que esconde o Governo atrás da FENABAN) é uma boa estratégia para a categoria e que não se pode reivindicar as perdas salariais da categoria.

    O desgaste dessa burocracia na base (principalmente nos bancos públicos) é alto e ser maioria nos fóruns, para eles, não basta. É preciso utilizar da truculência para se impor, já que não é possível convencer. Este é o reflexo de uma burocracia que embora dirija a maioria das entidades, está enfraquecida politicamente. Diferentemente de como era no passado, quando enfrentavam os governos e os banqueiros e quando tinham dirigentes com autoridade e acúmulo político para convencer, a burocracia sindical hoje é composta na sua grande maioria de novos burocratas que não têm essa autoridade e que como concordam com uma política absurda e difícil de ser defendida, precisam se valer de métodos autoritários, truculentos e mais burocráticos ainda para aprovar o que querem.

    Um exemplo claro disso foram os inúmeros atropelos à democracia no CONECEF, com manobras grosseiras, truculência, chegando ao ponto de se decidir que propostas não iriam para debate na plenária e ponto final. Teve grupo que para considerar que as propostas tinham os 20% de aprovação para ir a plenário, contou-se até as abstenções, deformando completamente o quorum com o objetivo de garantir que as propostas que atingiram 20% da votação nos grupos sequer fossem para a plenária final. Quando necessário, a burocracia sindical da Articulação/CUT descumpriu inclusive o regimento que foi votado no próprio Congresso, numa demonstração de completo desespero diante da possibilidade de sair algo fora do roteiro que eles negociaram com o Governo Lula e a direção da Caixa.

    Abaixo temos o resumo de alguns absurdos que foram aprovados nos grupos e posteriormente, na plenária final:


    FUNCEF/PREVHAB


    · Apoio à mudança do método de custeio do REG/REPLAN não saldado, conforme proposta apresentada pelos conselheiros eleitos: A Articulação/CUT defendeu um aumento nas contribuições através de um calculo diferente, desconsiderando completamente o desvio de recursos do REG/REPLAN para a criação do Novo Plano. Pior, fez terrorismo utilizando insistência da Caixa na manutenção do método de reajuste atual como um reforço da intenção da Caixa retirar o patrocínio do REG/REPLAN, para vender a mudança no método de custeio como grande avanço. Isso é um crime e qualquer entidade comprometida com os interesses dos trabalhadores estaria organizando a luta para não permitir a retirada do patrocínio, mas, a Articulação/CUT apenas fala da noticia sem apontar nenhuma resistência, ou seja, cumpre o papel de reforçar a política da Caixa de pressionar os que não fizeram o saldamento para migrar para o Novo Plano, embora contraditoriamente tenham aprovado “nenhuma discriminação aos que permanecem no REG/REPLAN” no próprio CONECEF.


    SAÚDE CAIXA

    · Rejeição da revogação do aumento unilateral na co-participação anual do Saúde Caixa (CI SUAPE/GESAD 008): Um dos conselheiros eleitos para o Saúde Caixa (Sérgio Amorim, dirigente do Sindicato dos Bancários do RJ ligado à CSD/CUT) defendeu contrário à revogação do aumento da co-participação anual do Saúde Caixa. No dia 7 de janeiro deste ano, a Caixa aumentou unilateralmente os valores da co-participação anual de R$ 1.780,00 para R$ 2.400,00, mesmo com o Saúde Caixa sendo superavitário (ano 2007) em cerca de R$ 7 milhões, conforme informação da própria CONTRAF/CUT. Toda essa despesa caiu sobre as costas dos trabalhadores e mesmo assim, um dirigente sindical defendeu contra a reparação dessa medida, com o voto dos delegados ligados à sua central sindical (CUT). Isso mostra o papel nefasto que esses companheiros vêm cumprindo, cuja política é de uma promiscuidade tamanha com o Governo e a direção da Caixa que numa discussão como essa terminam por se colocarem ao lado dos patrões.


    ISONOMIA/PCS

    · Rejeição da elaboração de novas diretrizes para corrigir as distorções impostas pelo PCS 2008: A postura dos sindicalistas da CUT durante o CONECEF foi de exaltar o PCS 2008 como um grande avanço. Não foi feito nenhum balanço duro sobre os escândalos ocorridos no ano passado, como por exemplo, o fato da CONTRAF/CUT ter forçado os trabalhadores a aceitar o PCS com condicionantes esdrúxulas ao fazer o jogo da direção da Caixa e assinar o aditivo ao Acordo Coletivo mesmo quando a metade das bases sindicais havia rejeitado a proposta. Também não foi feita nenhuma autocrítica sobre a discussão dos deltas por merecimento, na qual todos os critérios (inclusive o de que 20% da categoria não teriam direito a nenhuma promoção) foram aceitos pela cúpula da CONTRAF/CUT com a direção da Caixa, sem se chamar uma assembléia sequer. Muito pelo contrário, a política foi de agitar o PCS como uma conquista, para tentar minimizar todas essas aberrações e ainda fazer o jogo da empresa, que afirma ter contemplado uma reivindicação dos empregados. Como forma de corrigir as distorções absurdas desse PCS (seja no tocante às faixas salariais que não repuseram nenhuma perda, nos itens de isonomia não contemplados (LP, ATS, VP’s, etc.), na discriminação com os optantes do REG/REPLAN ou na chantagem que fizeram para abrir mão das ações judiciais), foi proposta por companheiros da APCEF/GO (e defendido também pelo MNOB/Conlutas) a elaboração de um novo modelo do PCS, obedecendo a um outro formato e contemplando as questões que foram rifadas no PCS 2008. Esta seria uma boa reivindicação para mobilizar a categoria, entretanto, a proposta foi rejeitada e contraposta pelos delegados da Articulação/CUT, numa demonstração regressiva e oportunamente colocando sua opinião a serviço dos interesses políticos da Caixa e do Governo.


    DEMOCRATIZAÇÃO NA GESTÃO/ORGANIZAÇÃO DO MOVIMENTO

    · Rejeição no aumento da quantidade de delegados do CONECEF: O CONECEF atualmente é organizado com a participação de 1 delegado para cada 300 empregados, ou seja, se num determinado estado se tem 3 mil empregados da Caixa, esse estado tem direito a 10 delegados. Como forma de aumentar a participação efetiva das bases, em detrimento da cúpula sindical (até mesmo contemplando a concepção de que é preciso aglutinar cada vez mais pessoas e formá-las para a participação no movimento), foi proposta a mudança da forma de escolha para um delegado a cada 200 empregados. Os sindicalistas da Articulação/CUT (coube ao atual presidente da FENAE, Pedro Eugênio, fazer essa defesa) foram contrários e rejeitaram a proposta, alegando aumento nos custos e inclusive o absurdo da “dificuldade em achar um local que pudesse recepcionar 500 pessoas ou mais”. Um tanto quanto contraditório para quem promoveu um evento num hotel suntuoso, de elevado custo e que ainda distribuiu artefatos absolutamente desnecessários no kit entregue aos delegados do evento, como garrafas térmicas e até sabonetes. É evidente que se existe recursos para tanta ostentação, estes deveriam ser direcionados para garantir uma maior participação dos empregados da Caixa e não para esse tipo de coisa. Entretanto, é política da Articulação/CUT barrar ao máximo a presença da base nesses fóruns, pois assim eles podem fazer valer a sua maioria e aprovar o que querem;

    · Rejeição do caráter deliberativo do CONECEF: Foi feita proposta de dar um caráter deliberativo ao CONECEF, vinculando-o diretamente à Campanha Salarial. Esta é uma forma de garantir que delegados tirados na base possam estar deliberando pelos desdobramentos da Campanha Salarial e não apenas dar um caráter consultivo ao Congresso. Como a política da Articulação/CUT é de construir a Campanha Salarial e a pauta de reivindicação em fóruns viciados e cupulistas da CUT (tirando delegados nos encontros das Federações) justamente para diminuir a possibilidade de que seja aprovado algo que eles não querem, evidente que esses dirigentes foram contra essa proposta;

    · Rejeição da eleição da Comissão Executiva de Empresa (CEE) no CONECEF: É uma concepção histórica do movimento colocar as importantes decisões nas mãos dos trabalhadores e não das cúpulas sindicais. E a escolha da Comissão que negocia diretamente com os patrões é algo que deve ser decidido coletivamente, com democracia e respeitando a pluralidade de pensamento. Nesse sentido, foi proposta a eleição dos integrantes da CEE diretamente no CONECEF, respeitando os critérios de proporcionalidade. Essa era uma forma de garantir que a categoria delegasse a quem lhe é de confiança a tarefa de negociar com a Caixa. A Articulação/CUT, que não abre mão de negociar com seus parceiros da Caixa e do Governo Lula (para que nada saia do que é acordado entre eles), defendeu contra essa proposta, ratificando a escolha da CEE através de indicação das Federações (a maioria delas dirigidas pela própria Articulação/CUT). A opção por eleger a CEE num fórum absolutamente de cúpula e controlado por uma corrente do movimento expressa o grau de burocratização e falta de democracia dos dirigentes da Articulação/CUT, que faz tudo o que estiver ao seu alcance para não perder o controle e evitar que pessoas comprometidas com a luta dos trabalhadores enfrentem a direção da Caixa e o Governo Lula;

    · Aprovação da Mesa Única da FENABAN: Existe um sentimento geral na categoria de que a tática de Mesa Única já está absolutamente esgotada na conjuntura atual. O Governo Lula e as direções dos bancos públicos se utilizam todos os anos dessa Mesa Única formada pelos banqueiros privados para se esconder e assim, não negociar com a categoria (que tem perdas e especificidades diferentes) durante a Campanha Salarial. Os sindicalistas da CUT têm verdadeiro pavor que a categoria lhes imponha o fim da Mesa Única, pois dessa forma o movimento sindical será obrigado a pressionar o Governo Lula e tudo que eles não querem é que fique cada vez mais clara a contradição deles defenderem o Governo, quando na verdade deveriam defender os trabalhadores. Foi proposta uma Campanha Salarial com mobilização unificada (públicos e privados juntos na greve para garantir a unidade da categoria) e com pautas de reivindicação diferentes, onde cada setor poderia negociar diretamente com o seu patrão, mas a Articulação/CUT defendeu mais uma vez a continuidade da Mesa Única da FENABAN com negociações permanentes (fora da Campanha Salarial, ou seja, quando a categoria não está em luta e tem menos poder de pressão) para as questões específicas, numa demonstração grotesca de um bárbaro sindicalismo de colaboração.

    · Rejeição da luta pela reposição das perdas do Plano Real: A discussão sobre as perdas da categoria pode ser resumida como a expressão máxima do peleguismo e da traição das direções sindicais ligadas ao Governo Lula e à direção da Caixa. Foi proposto que se colocasse em discussão para a Campanha Salarial reivindicar as perdas salariais da categoria desde o Plano Real, que totalizam mais de 100% de defasagem. Os delegados do MNOB/Conlutas – que defenderam a proposta – assistiram atônitos a uma plenária onde simplesmente ninguém se arvorava em defender contra lutar pela reposição de perdas. Os delegados da Articulação/CUT estavam todos a postos para rejeitar a proposta, mas ninguém se habilitava a fazer a defesa. Passaram vários minutos até que um valente burocrata tivesse a coragem de defender um absurdo como este e após fazê-lo, a mesa pôs em votação e toda a claque governista da Articulação/CUT votou, envergonhada, contra lutar pela reposição salarial, ou seja, contra a categoria. Nesse momento, diversos bancários da base pediram declaração de voto e repudiaram - indignados - a atitude dos delegados da Articulação/CUT. Outro, revoltado, solicitou à mesa que disponibilizasse o vídeo da plenária para mostrar à sua base o tamanho da traição da Articulação/CUT.

    O fato é que por terem maioria dos delegados, a Articulação/CUT foi aprovando, uma a uma as suas propostas já dentro dos grupos de discussão, terminando de amarrá-las na plenária final. No entanto, não poderíamos deixar de ressaltar os métodos utilizados por essa burocracia decadente, fruto de uma crise aberta pela necessidade deles defenderem o Governo Lula e a direção da empresa (que lhes dão suporte) ao mesmo tempo em que tentam enganar os trabalhadores afirmando que estão lutando.

    Essa crise determina que a burocracia sindical também tenha muitas vacilações e quando se deparam com propostas que não conseguiram amarrar bem com a sua claque com antecedência, acabam escorregando. No CONECEF, essas vacilações renderam a aprovação de algumas questões importantes, como por exemplo:

    · Apoio à Campanha pela Reestatização da EMBRAER;

    · Campanha exigindo uma Medida Provisória que garanta estabilidade no emprego;

    · Aprovação da realização de uma auditoria externa para apuração do relacionamento negocial existente entre a CAIXA SEGUROS (cuja venda de produtos é causa de assédio moral e pressão por metas e financiadora da FENAE) e a CAIXA;

    Uma outra expressão dessas vacilações foi o fato dos sindicalistas da CUT que dirigiam as mesas tentarem o tempo inteiro manobrar os encaminhamentos quando existia alguma polêmica e por esse motivo, o CONECEF se estendeu e acabou não discutindo a questão do plano de funções (PCC), um tema de bastante importância.

    A discussão sobre o PCC acabou se limitando a um painel no segundo dia de Congresso que não discutiu a fundo e nem deliberou nada, mas que apontou para uma perspectiva não muito animadora para os trabalhadores. Durante a apresentação, o palestrante responsável pela discussão do PCC afirmou que “nesse momento não dá para lutar pela extinção do CTVA”, o que demonstra que a direção do movimento (ligada à CUT) já está costurando uma negociação de consenso com a Caixa ao invés de mobilizar os trabalhadores para arrancar o melhor plano possível. A discussão que vai deliberar sobre o PCC acabou sendo transferida para uma plenária nacional a ser chamada pela CEE – o que acaba sendo bastante temerário, pois não temos garantia de que as entidades dirigidas pela CUT utilizarão o mesmo critério do CONECEF para definir os delegados com direito a voto para esta plenária.


    A PARTICIPAÇÃO DE FORÇAS PROGRESSIVAS NÃO FOI EM VÃO

    Diante de tudo o que foi colocado aqui, qualquer um poderia afirmar que a participação de setores progressivos e comprometidos com os interesses dos trabalhadores foi em vão, pois a política defendida pela Articulação/CUT foi aprovada. Ledo engano.

    O MNOB/Conlutas foi fundamental para introduzir o debate sobre a natureza do governo Lula como um governo que está a serviço dos patrões dos patrões e do capital financeiro, fundamental na luta contra a Mesa Única da FENABAN e na discussão sobre a reposição das perdas. E esse debate fez com que setores independentes e honestos (como alguns companheiros da delegação de Goiás, Rio Grande do Sul, etc.), que foram ao CONECEF para defender a categoria, se aproximassem para fazer essa luta conjunta e fortalecessem uma alternativa independente e de luta para o movimento sindical bancário nacional.


    É PRECISO CONSTRUIR UMA CAMPANHA SALARIAL DIFERENTE!

    Agora a tarefa desses setores de oposição é unificar-se na elaboração de uma pauta de reivindicações alternativa (inclusive porque o próprio CONECEF não foi vinculado à Campanha Salarial) em um encontro fora da conferência nacional viciada da CUT. Essa pauta servirá para disputarmos com a pauta montada pela CONTRAF/CUT e seus sindicatos nas assembléias, para exigirmos que as reivindicações aprovadas nas assembléias de base sejam negociadas. O convite a esse encontro deve ser feito a todos os sindicatos, correntes, bancários e bancárias que não concordam com as práticas antidemocráticas que são impostas por sindicalistas que se acham no direito de rifar os trabalhadores em nome dos interesses do Governo Lula e dos patrões.


    A DELEGAÇÃO DO RN NO CONECEF

    Os bancários do RN foram representados por 4 delegados eleitos em Assembléia da categoria: Juary e Marta Turra (pela chapa do MNOB/Conlutas) e Urbano (pela chapa da Articulação/CUT), além de Lúcia Margareth, que foi eleita em assembléia dos aposentados. Além da delegação tirada legitimamente em assembléia de base, a CEE, a FENAE e outras entidades patrocinam a ida de seus representantes para o Congresso. Aliás, essa é uma das formas dos sindicalistas da CUT garantirem a presença da sua claque enquanto corrente majoritária. No RN, o bancário Astrogildo Cruz (Articulação/CUT) foi ao CONECEF, representando a FENAE.


    Assina este balanço:

    Juary Chagas (Sindicato dos Bancários/RN – MNOB/Conlutas)