Mostrando postagens com marcador Israel. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Israel. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de abril de 2013

Checkpoint israelense na feira da morte

Feira militar expõe as relações entre o governo brasileiro e israelense na produção de armas utilizadas no apartheid palestino



Protesto no interior da feira
Passaporte! Assim o agente do serviço de segurança de Israel abordou manifestantes da campanha BDS Brasil (boicotes, desinvestimento e sanções) durante a Laad (Feira Internacional de Defesa e Segurança Corporativa), realizada entre 9 e 12 de abril, no RioCentro, no Rio de Janeiro.

A cena surreal aconteceu quando nosso pequeno grupo circulava pela área em que se concentravam os estandes da potência que ocupa a Palestina. Munidos apenas de camisetas da campanha de boicotes ao apartheid israelense e keffiyehs (lenços palestinos), adentramos a área de expositores após um protesto à entrada da feira, em que abrimos uma grande bandeira palestina e faixas com os dizeres: “Embargo militar a Israel já!” e “Presidente Dilma, pare de compras armas de Israel!”. A primeira trazia a reivindicação central da campanha no país, capitaneada pela Frente em Defesa do Povo Palestino-SP – que reúne dezenas de organizações da sociedade civil brasileira. A segunda, protesto contra a ampliação dos acordos militares com Israel pelo governo brasileiro – que garantiram a este país a vergonhosa posição entre os cinco maiores importadores de armas da potência que ocupa a Palestina. Era assinada pelo Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular). Engajadas na ação, as duas organizações se somaram à manifestação em frente ao RioCentro, que contou ainda com representantes da Anel (Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre!), Mopat (Movimento Palestina para Tod@s), Ciranda Internacional da Comunicação Compartilhada e PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado).

A exigência de ruptura desses acordos é urgente, como ficou demonstrado durante a Laad 2013. As mais de 30 empresas israelenses que ocuparam o RioCentro puderam ter contato privilegiado com o vice-presidente da República, Michel Temer, e o ministro da Defesa, Celso Amorim, que representaram a presidenta Dilma Rousseff na abertura do evento. De olho na Copa de 2014 e nas Olimpíadas de 2016, tiveram espaço estratégico para apresentar seus produtos e serviços.

Após cruzarmos com essas autoridades, cercadas de seguranças, no interior da feira, uma pequena mostra de como Israel se coloca acima das leis internacionais e de como se dá o apartheid na Palestina sob ocupação. Além do pedido de passaporte a cidadãos brasileiros em seu próprio país, o que foi devidamente contestado – uma das manifestantes expressou claramente que estavam a reproduzir o formato dos checkpoints que impedem o direito de livre circulação de palestinos –, os agentes do serviço de segurança de Israel passaram a perseguir os ativistas por toda a feira. Os protestos contra esse constrangimento e discriminação não foram poucos, nem a denúncia da ocupação de terras palestinas. A sensação, a quem já esteve naquele destino, era de que Israel reproduzia no Rio de Janeiro a política ameaçadora de segregar os “indesejados” e tentar tornar sua estada insustentável. Como se tivesse ocupado a área da Laad, sob as bênçãos dos governos estadual e federal e ignorando o direito democrático à livre expressão e manifestação dos cidadãos brasileiros.




Em exposição, armas do apartheid

A despeito das tentativas de constranger e intimidar os “indesejados” visitantes, na área interna da feira, foi possível confirmar a apresentação de tecnologias militares de Israel testadas sobre os palestinos, caso dos Vants (veículos aéreos não tripulados) nos recentes ataques a Gaza, território ocupado. E também de atestar a cumplicidade dos governos estadual e federal para a manutenção do apartheid, ao recepcionar grupo de empresas que garante esse regime, além do Ministério da Defesa de Israel – com seu próprio estande, em que fomos impedidos de entrar. Uma apresentação futurista sobre essas tecnologias pela IAI (Israel Aerospace Industries) em uma tela gigantesca, com explicações de uma expositora que falava um português com sotaque, chamava a atenção. A IAI, como consta em relatórios de organizações palestinas, produz equipamentos para as forças de ocupação, o muro do apartheid e os assentamentos ilegais. No Brasil, formou uma joint venture denominada EAE Soluções Aeroespaciais com o Grupo Sinergy e sua subsidiária, a Bedek. Fornecedora das Forças Armadas Brasileiras, utiliza os centros de produção e manutenção da TAP M&E Brasil nos aeroportos do Rio de Janeiro e de Porto Alegre.

Também entre as expositoras a Rafael Defence, que divulga em seu site o relacionamento “especial” com a chamada IDF (Forças de Defesa de Israel), desenvolvendo produtos personalizados ao exército ocupante, e o Grupo Netcom Malam Team Internacional, o maior e principal grupo de tecnologia de informação daquele estado, também com uma série de projetos junto à IDF. Além da IMI (Israel Military Industries), que tem em sua carteira de clientes o Exército brasileiro. Também tem parceria comercial com a Taurus, com sede em Porto Alegre/RS, que fabrica o rifle israelense Tavor, mediante licença.

A Laad contou com o patrocínio da Embraer (Empresa Brasileira de Aeronáutica), cujos vínculos com o Estado de Israel são estreitos. Mantém contratos com a israelense Elbit Systems – outra das expositoras da feira que atua na área de tecnologia militar, construindo os famosos Vants. É uma das 12 companhias envolvidas na construção do muro do apartheid , na Cisjordânia, na Palestina ocupada. Em outubro de 2012, na Assembleia Geral das Nações Unidas, o relator especial Richard Falk chamou ao boicote à Elbit. No Brasil há 15 anos tal empresa se faz presente por meio das subsidiárias AEL, Periscópio Equipamentos Optrônicos S/A e Ares Aeroespacial. Através dessa última, recentemente, a Elbit ganhou dois novos contratos milionários com o Exército brasileiro. E o Governo do Rio Grande do Sul pretende expandir sua presença no Brasil com um projeto de centro aeroespacial baseado na AEL em Porto Alegre. Com isso, a capital gaúcha pode vir a se tornar o pólo de pesquisa militar israelense mais importante no exterior. Tal projeto, financiado com dinheiro público, também concede vantagens aos negócios baseados nos crimes cometidos por Israel.

A denúncia dessas relações de cumplicidade consta de manifesto enviado às autoridades brasileiras e estaduais pela campanha BDS Brasil, repudiando a presença na Laad de Israel. Assinado por mais de 30 organizações da sociedade civil, o documento aponta o estreito vínculo entre a importação dessas tecnologias militares e a repressão da população jovem, pobre e negra nos destinos compradores. O caso do Rio de Janeiro é exemplar. A empresa israelense Global Shield venceu licitação para fornecer, mediante contrato milionário, oito novos blindados (os chamados caveirões) à Polícia Militar, usados na ocupação de favelas.

A experiência de se manifestar dentro da Laad permitiu ver de perto esses aparatos. Também ficou evidenciada a força da campanha global de BDS para mudar esse estado de coisas – que, em nível nacional, incomodou visivelmente os expositores israelenses. Atestou-se o acerto do embargo militar como foco central dessa iniciativa. E a urgência em chamar a atenção para a cumplicidade do governo brasileiro com o apartheid e pressionar pela ruptura dos acordos militares com Israel. Na contramão do que sinalizava a Laad.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Ato dos 30 anos da LIT reúne mais de 800 em Buenos Aires

Ato nesse 1 de dezembro emocionou todos os presentes e os que acompanharam o ato pela Internet
 


Ato reuniu mais de 800 pessoas
Um dia para entrar na história. Não só na história da Liga Internacional dos Trabalhadores, mas de todas as mais de 800 pessoas que lotaram o salão Unione Benevolenza, em Buenos Aires. Um local que diz muito. "Esse é um espaço tradicional da classe operária argentina", destacou Alicia Sagra, dirigente trotsquista argentina que conduziu o ato de comemoração dos 30 anos da LIT.

Um ato que já começou arrancando lágrimas dos presentes. Após a exibição de um vídeo resumo do documentário sobre a história da LIT, bandeiras dos partidos que compõem a Liga entraram no salão, sendo agitadas sob os aplausos das centenas de pessoas, entre argentinos, brasileiros, chilenos, colombianos, e ativistas de várias nacionalidades que convergiram a Buenos Aires nesse 1 de dezembro.

Logo no início do ato, a ativista palestina radicada no Brasil, Soraya Misleh, anunciou a sua filiação ao PSTU e à LIT. Não conseguindo conter as lágrimas, Soraya disse que já começou a se emocionar assim que chegou ao aeroporto, para ir a Buenos Aires. "Encontrei uma palestina de Gaza e uma companheira da Cisjordânia, e esse encontro nunca seria possível, pois quem está em Gaza não pode visitar a Cisjordânia e eu não posso ir a Palestina pois estou na luta".

Soraya falou sobre a luta e os desafios do povo palestino: "O futuro da Palestina está nas mãos da juventude, mas ainda falta uma direção revolucionária". Também tocou no tema das revoluções árabes, cujo pólo principal hoje é a revolução síria. "O caminho da libertação da Palestina passa pela revolução árabe e a queda de Bashar Al Assad será um grande passo nesse sentido".



Eduardo Almeida, da direção do PSTU brasileiro, lembrou de um outro momento, também em Buenos Aires, há 25 anos atrás, quando da morte de Moreno e do início da crise que abalou a LIT. "Estávamos tristes, mas hoje estamos em Buenos Aires e estamos felizes". Eduardo citou o processo de fortalecimento da LIT e a expansão da Liga para os países da Europa, como Portugal Itália e Espanha e a intervenção desses partidos no atual processo de mobilização contra os planos de austeridade.

Eduardo citou ainda a importância do patrimônio moral que a LIT resguarda, assim como os príncípios do marxismo, num momento em que grande parte da esquerda socialista abandona a perspectiva da revolução.

"Esta é a maior homenagem que podemos fazer a Nahuel Moreno", discursou Eduardo Barragán, da direção do PSTU argentino. Barragán citou as atuais lutas dos trabalhadores europeus e as revoluções do Norte da África, que mostram hoje mais do que nunca a necessidade do internacionalismo e de uma direção revolucionária que permita que a classe operária "golpeia como um só homem a ofensiva do imperialismo e os ataques da burguesia".

Vera Lúcia, do PSTU de Aracaju, emocionou a todos falando sobre a necessidade da luta contra as opressões. "Gostaria de estar falando espanhol aqui, mas eu, assim como grande parte da classe trabalhadora, não tive condições de ter instrução", disse, enfatizando a condição de superexploração a que estão submetidas as mulheres, negras e lésbicas. Ao final de sua fala, todos puxaram um coro: "A nossa luta/é todo dia/contra o machismo, o racismo e a homofobia".



O final do ato ficou por conta de Angel Luís Parras, o Cabeças, da direção do Corriente Roja da Espanha e da LIT. "A situação atual é muito complicada, mas muito apaixonante", afirmou."Temos assistido a explosão das revoluções do Norte da África e Oriente, fruto da crise econômica e ascenso popular, mas também fruto dessa mudança que foi o fim do aparato estalinista. Submetidos à miséria e à ditadura, os povos irromperam o cenário político", citando a crise na Europa e as revoluções do Norte da África.

Cabeças atacou a posição de grande parte da esquerda e do castro-chavismo, de apoio ao ditador Assad na Síria. "Dizem que há uma unidade de ação entre os rebeldes e o imperialismo. Mas claro que houve. A mesma unidade de ação que houve no desembarque dos aliados na Normandia e os partisanos contra Mussolini".

"Neste ato, queremos enviar uma saudação a nossos detratores: sigam convocando atos em defesa de Assad, pois a LIT continuará na resistência" provocou Cabeças.

Cabeças finalizou citando a fé revolucionária que a LIT mantém na classe operária, a mesma esperança que a permitiu passar por crises e dificuldades, e que a possibilita agora, em plena crise do capitalismo, crescer e se fortalecer em vários países do mundo.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 2 de dezembro de 2012

“Há um palestino em todo revolucionário sírio”

Durante o Fórum Social Mundial Palestina Livre, ativista da revolução Síria desmente o suposto caráter antiimperialista de Assad e relaciona a luta do povo sírio com a resistência palestina
 



Plenário de debate com Sara Al Suri
Cerca de 150 pessoas participaram de um dos mais importantes eventos realizado paralelamente ao Fórum Social Mundial Palestina Livre. A mesa sobre a revolução na Síria contou com a participação de Sara Al Suri, ativista que luta contra a ditadura Assad no país.

Realizada no auditório do CEPRS (Sindicato dos Profissionais da Educação do Rio Grande do Sul), a palestra iniciou com um pequeno documentário sobre a luta travada pelo povo sírio. Cenas de massacre da população civil, vítima dos bombardeios do regime, chocaram a todos no auditório.

Sara explicou o caráter profundamente reacionário do regime Assad, desmentido o suposto caráter antiimperialista do governo. “Assad nunca foi antiimperialista, pouco antes da guerra civil estava implorando para ingressar na OMC e no FMI. Devastou a agricultura familiar do país com planos econômicos neoliberais”.

Também demonstrou profunda indignação contra os setores da esquerda que insistem em apoiar a ditadura síria, como é o caso das organizações ligadas a Cuba ou a Chávez, na Venezuela. “É um absurdo que a Venezuela forneça combustível para alimentar a máquina de guerra de Assad. É o petróleo desse país que alimenta o bombardeio do regime contra a população civil”, explicou.

A ativista também explicou a campanha de calúnias levada por Assad contra os ativistas que foram para as ruas contra o regime. “ Vi que, aqui no Brasil, a mídia criminaliza o povo negro e pobre. Na Síria, o regime usa a mesma linguagem para criminalizar os pobres. Quando o povo foi para as ruas pela primeira vez disseram: ‘quem são esses pobretões que só querem baderna’. Nos chamavam de bandidos e arruaceiros”.

Um dos momentos mais intensos da palestra foi quando Sara relacionou a luta do povo sírio com a causa palestina. Mais uma vez, ela desmentiu o suposto caráter pró-palestino do regime Assad. “Uma das primeiras coisas que o ex-presidente Hafez al-Assad (pai do atual Bashar) fez foi proibir que a resistência palestina pudesse entrar armada na Síria. Hoje, a Palestina é usada como moeda de troca nas negociações com Israel”, denunciou.

Por fim, a ativista explicou como a causa palestina sempre serviu de inspiração para todo o povo sírio, e continua ainda servir no momento que milhares pegam em armas para lutar contra o regime Assad. “Há hoje um palestino em todo revolucionário sírio”, disse.


Retirado do Site do PSTU

Passeata de 6 mil marca início do Fórum Social Mundial Palestina Livre

No primeiro dia, também houve polêmica com a ANP e a discussão sobre o boicote ao Estado de Israel
 


Detalhe da Manifestação que reuniu cerca de 6 mil pessoas no centro de Porto Alegre
O Fórum Social Mundial Palestina Livre, ou FSMPL, teve início oficialmente nesta quinta-feira, dia 29, em Porto Alegre, Rio Grande do Sul. Delegações de 36 países integram o Fórum que inclui cinco conferências, oficinas, seminários e diversas ações autogestionadas. As atividades do Fórum seguem até sábado, 1º de dezembro.

Uma grande passeata, que reuniu 6 mil pessoas no centro da capital gaúcha, marcou o início dos trabalhos. A manifestação teve forte presença dos profissionais da educação do estado, representada por uma coluna do CEPRS (sindicato da categoria no estado).

A CSP-Conlutas e o PSTU também marcaram presença no ato, portando bandeiras, faixas e cartazes em solidariedade à luta do povo palestino. Também chamou a atenção a saudação de Sara Al Suri, militante da revolução síria, que falou em nome da resistência síria contra o sanguinário ditador Bashar Al Assad.

Porém, antes da marcha, a polêmica entre organizações palestinas com a Autoridade Nacional Palestina (ANP) se expressou em uma das primeiras atividades do Fórum. Nabil Shaath, comissário de Relações Internacionais do Fatah e representante do presidente da ANP, enfrentou a revolta de um grupo de jovens palestinos que levantaram cartazes com os dizeres: “Eles não nos representam”. O grupo denunciou a política traidora da ANP como, por exemplo, a recusa da organização em defender o direito de retorno aos mais de 5 milhões de palestinos expulsos de sua terra natal por Israel.

O tema sobre o retorno dos palestinos expulsos também foi objeto de discussão de uma das mesas oficiais do Fórum. A mesa reuniu cerca de 80 pessoas, e contou com a presença de muitas organizações de jovens palestinos de vários países. Os oradores lembraram a essência colonialista e racista do Estado de Israel, polemizando, mais uma vez, com a política da ANP.

“É ofensivo quando Abbas diz que nós temos o direito de visitar nossa terra natal, mas não temos o direito de morar na cidade onde nascemos. É ofensivo para todos os 5 milhões de refugiados”, desabafou Soraya Misleh da Frente em Defesa do Povo Palestino de São Paulo. Já a professora Arlene Clemesha, diretora do Centro de Estudos Árabes da USP, lembrou que o tema dos refugiados deve ser assumido pela agenda do governo brasileiro e pelo Itamaraty nas discussões sobre a Palestina.

Outra atividade muito importante realizada no Fórum foi a mesa sobre 'Sindicalismo e Palestina', que organizou um debate com sindicalistas de cinco países sobre o papel dos sindicatos na solidariedade com a causa Palestina. A mesa reuniu sindicalistas do Brasil, EUA, Canadá e Escócia. A CSP- Conlutas esteve representada nesta mesa.


Boicote contra Israel

Já na manha desta sexta-feira, dia 30, foi realizada a Conferência sobre BDS(Boicote – Desinvestimento – Sanções) com vários debatedores. O evento foi seguido por uma plenária que debateu propostas de boicote a serem realizadas no Brasil. Um dos pontos mais debatidos foi a necessidade de exigir do governo Dilma o rompimento dos acordos comerciais do Brasil com o Estado Sionista, especialmente os acordos de compras de armamentos. A proposta de realizar essa campanha de exigência foi apresentada por Soraya Misleh, que coordenou os trabalhos da mesa.

Ao mesmo tempo, era realizada, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Sul, outra importante discussão no painel “Gênero e Resistência. Crítica ao feminismo colonialista, e a necessidade de solidariedade ativa às mulheres palestinas dentro de uma perspectiva anti-imperialista”. O painel contou com a presença da professora da San Francisco State University, Rabab Abdulhadi; com as americanas Rose Brewer e Angela Davis; a palestina Leila Khaled e Marisa Mendes, do Movimento Mulheres em Luta (MML). Marisa Mendes explicou que a luta do povo palestino não está dissociada da luta pela libertação da mulher. Também falou sobre a situação do Brasil, explicando que a eleição da primeira mulher à presidência da República não significou o fim do machismo no país.

Já no início da tarde, foi realizada outra importante oficina sobre “A questão palestina e as revoluções no mundo árabe”. O evento proporcionou um dos melhores debates realizados no Fórum, reunindo ativistas e revolucionárias da Síria e Palestina.

“Muitos jovens palestinos apoiaram com entusiasmo as revoluções e se envolveram em atividades de solidariedade. Os protestos também tiveram em nossa luta a sua inspiração. A luta da palestina é inseparável das revoluções árabes”, afirmou Najlaa, ativista palestina na Cisjordânia. Já Sara Al Suri, ativista da revolução síria, explicou a indissociabilidade das lutas travadas em todo Oriente Médio e Norte da África: “Há, hoje, um palestino em todo revolucionário sírio”.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Gaza sob ataque: Israel e ANP saem enfraquecidos

Crianças palestinas mortas durante ataques de Israel a Gaza
Após uma semana de intensos bombardeios sob a população civil de Gaza e a ameaça de uma invasão por terra, a exemplo da operação “Chumbo Fundido” de 2009, Israel foi obrigado a aceitar uma trégua com o Hamas no final desse dia 21 de novembro, quarta-feira.

Com a mediação do governo egípcio, ficou acertado o cessar fogo frente a algumas condições. O Hamas cessa o lançamento de foguetes e impede que outros grupos lancem, e Israel "afrouxa" o bloqueio que asfixia a população da Faixa de Gaza. Foi uma vitória, ainda que parcial, dos palestinos, que saíram às ruas para comemorar.

Oito dias de bombardeios israelenses deixaram um rastro de destruição em uma já combalida Gaza, e mais 166 mortos palestinos. No dia 22, um dia após a trégua, soldados israelenses executaram com tiros na cabeça mais um jovem palestino de apenas 23 anos que estava próximo à fronteira, mostrando que o cessar fogo não é tão sólido diante da fúria assassina do Estado de Israel.


Israel: terrorismo de Estado

Os ataques à Gaza se intensificaram com o assassinato de Ahmed Jabbari, líder das Brigadas Ezedin al Qasam, braço militar do Hamas. Jabbari, egresso do Fatah, foi o responsável pelo processo de negociação e troca do soldado isralense Gilat Shalit (preso em 2006 pelo Hamas) por mil presos políticos palestinos em 2011. Ao contrário da propaganda israelense que o caracteriza como um "radical terrorista", especula-se que no último período o dirigente estivesse envolvido em um processo de negociação de paz com Israel.

Ou seja, a ação militar desencadeada por Israel contra Gaza, batizada de "Pilar de Defesa", nada tem a ver com a segurança da população israelense ou os mísseis lançados pelo Hamas e outros grupos como resposta ao assassinato de Jabari. Tem sim a ver com as iminentes eleições legislativas no país, marcadas para janeiro de 2013, e a união dos partidos da ultradireita israelense, o Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ultrancionalista Yisrael Beitenu do Ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman. Uma guerra agora unificaria o país, reforçando o sentimento nacionalista e amarrando o apoio da população para 2013.

"A união entre o Likud e o Yisrael Beitenu permitiria proteger israel diante das ameaças de segurança e o poder de fazer as mudanças econômicas do país", declarou à imprensa israelense Netanyahu. Os ataques à Faixa de Gaza, assim, serviram para distrair a atenção diante da crescente insatisfação com a inflação, a crise econômica e os cortes no orçamento impostos pelo governo do estado judeu. Demarca, principalmente, uma guinada ainda mais à direita, expressão dessa coalizão ultrancionalista e anti-palestina.


Uma outra situação

O recente bombardeio à Gaza não deixa ainda de ser uma resposta ao isolamento de Israel diante das revoluções e revoltas trazidas pela “Primavera Árabe”. O enclave militar do imperialismo no Oriente Médio sente necessidade de uma demonstração maior de força num momento em que já não conta com tradicionais aliados na região, e que outros tantos estão ameaçados.

O ex-ditador do Egito, Hosni Mubarak, sempre foi um auxílio a Israel no bloqueio das fronteiras de Gaza (em Rafah). Já o novo governo, encabeçado por Mursi e a Irmandade Muçulmana, embora se mantenha subserviente aos EUA (de quem depende financeiramente), já não pode atuar de forma abertamente favorável a Israel. A visita do primeiro-ministro egípcio Hisham Qandil à Gaza em pleno bombardeio, nesse sentido, foi vista como algo histórico.

Já o ditador sírio Bashar Al Assad, que embora no discurso apoie a causa palestina, sempre foi visto por Israel e os EUA como um garantidor da “estabilidade” no Oriente Médio e nas colinas de Golã. Outro aliado que faz fronteira com Israel, a Jordânia, vive uma onda de protestos inspirada na Primavera Árabe que ameaça a ditadura do rei Abdullah.


Quem saiu perdendo?

Apesar do cessar fogo, Israel tem seguido com provocações e ataques sistemáticos contra a população palestina. Além do assassinato do jovem palestino na fronteira com Gaza, que deixou vários feridos, o Exército sionista realizou dezenas de prisões na Cisjordânia. A região contou com fortes mobilizações contra os ataques de Israel, que se enfrentaram com as forças de segurança da Autoridade Palestina. Mas, ainda que a situação seja extremamente instável, pode-se dizer que Israel saiu enfraquecido. Percebeu que a região hoje, conflagrada, já não é a mesma que em 2009, quando pôde invadir Gaza e impor um saldo de 1400 mortos sem maiores problemas.

A Autoridade Nacional Palestina de Mahmoud Abbas, que controla a Cisjordânia, também sai abalada. Os ventos da Primavera Árabe se chocam com a política pró-Israel de Abbas e o seu governo de colaboração. Recentemente, quando Israel se preparava para atacar Gaza, o presidente da ANP deu uma declaração a uma TV israelense que foi tomada como uma renúncia ao direito de retorno. "Quero ver Safed. É meu direito vê-la, mas não morar lá", afirmou referindo-se à cidade em que passou a infância e que hoje integra o território israelense. Além disso, a população dos territórios ocupados percebe que, uma década após os Acordos de Oslo, a vida não melhorou, ao contrário.

Por outro lado, o Hamas se vê fortalecido, militar e politicamente. Apesar de estar muito longe de fazer frente às forças armadas israelenses, o Hamas e outros grupos como a Jihad Islâmica já não contam apenas com foguetes caseiros que atingiam apenas o sul de Israel. Agora, apesar do ainda muito modesto poder de destruição, Jerusalém e Tel Aviv estão no alvo.

Vai ficando cada vez mais claro, sobretudo, que a resistência do povo palestino contra o cerco e terror imposto por Israel e as revoluções árabes e do Norte da África, fazem parte de uma mesma luta. E ambas não tem como sair vitoriosas sem enfrentar esse enclave imperialista incrustado no Oriente Médio.


LEIA MAIS

LIT-QI: Não à matança sionista em Gaza!


Retirado do Site do PSTU

sábado, 17 de novembro de 2012

Israel ataca Faixa de Gaza e prepara novo massacre na região

Estado judeu utiliza justificativa de retaliação para bombardear população civil de Gaza


Bombas de Israel já atingiram mais de 600 pontos de Gaza

Mais uma vez, Israel volta seus canhões a Gaza, bombardeia o território palestino e ameaça uma nova invasão, quase quatro anos após o massacre perpetrado entre 2008 e 2009 e que ceifou 1400 vidas. A nova escalada de ataques contra a Palestina explodiu no dia 14 de novembro, com o assassinato de Ahmed al Jabari, dirigente do braço armado do Hamas, as Brigadas de Izz el-Din al Qassam. O líder foi atingido por um míssil enquanto dirigia seu carro pelas ruas de Gaza, em uma série de ataques da operação “Pilar de Defesa”, impulsionado pelo Exército sionista.

O Hamas respondeu à agressão disparando foguetes contra Tel Aviv e o sul do país. Segundo autoridades israelenses, três pessoas morreram na cidade de Kyriat Malaji. Foi o que Israel esperava para desatar ataques ainda mais duros contra a população civil do território ocupado. A série de ataques a bomba deflagrada no dia seguinte, enquanto o dirigente do Hamas era sepultado, matou 19 pessoas, entre elas três crianças.

Ao todo, 27 palestinos já morreram e os feridos passam de 250, grande parte crianças, incluindo o filho de fotógrafo da BBC de apenas onze meses. As imagens do fotógrafo em prantos carregando nos braços o bebê sem vida roda o mundo e se torna a expressão mais acabada da selvageria imposta pelo Estado de Israel aos palestinos.


Eleições e Estado palestino na mira de Israel

Essa nova onda de ataques ocorre após dias de uma tensão crescente na fronteira entre Gaza e Israel. No último dia 10 um tanque israelense, em um gesto de provocação, circulou pela fronteira e foi alvo de disparos do Hamas. A resposta foi selvagem e deixou cinco mortos. Os ataques e incursões de Israel na fronteira, porém, já ocorriam desde o início do mês.

Nos últimos três dias, Israel atacou mais de 600 pontos de Gaza, destruindo prédios e residências. A cidade vive dias de terror. Enquanto as ruas estão desertas e o comércio fechado, aglomerações só ocorrem nos funerais das vítimas do Exército israelense. A população, que já sofre os efeitos do bloqueio e isolamento reforçados por Israel após a subida do Hamas ao poder em 2007, enfrenta o medo diário dos aviões e drones israelenses, como assim como uma iminente invasão.

Israel divulgou nesse dia 16 a convocação de 75 mil reservistas, indicando que pode iniciar uma invasão por terra à Faixa de Gaza em instantes. “Esta escalada vai determinar o preço que o outro lado vai pagar” , afirmou o ministro da Defesa, Ehud Barak. Já setores da ultradireita pedem diretamente o assassinato do primeiro-ministro de Gaza, Ismail Yaniyeh.

Ao que tudo indica esse novo ataque perpetrado por Israel contra Gaza é uma forma de o atual governo de Benjamin Netanyahu amarrar o apoio da população num momento em que se aproximam as eleições legislativas, marcadas para o dia 22 de janeiro. Mas não é apenas o Hamas que está no alvo de Israel. O presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, quer aprovar a proclamação do Estado palestino na próxima assembleia geral da ONU, no dia 29 de novembro, contra a vontade de Israel.

Apesar de os termos defendidos por Abbas estarem bem longe das reivindicações históricas dos palestinos, e da própria ANP servir como um governo títere do estado judeu, Israel se opõe frontalmente à formação do novo estado. O ministro das relações exteriores do país, Avigdor Lieberman, afirmou que, caso prospere a intenção da ANP na ONU, não restaria a Israel outra opção que não “derrubar” Abbas e “destroçar” a Autoridade Nacional Palestina.


Fotógrafo da BBC segura filho morto em ataques de Israel


Pretexto para um novo massacre

Enquanto convoca milhares de reservistas, Israel determinou nesse dia 16 de novembro o fechamento das estradas ao redor de Gaza. Com o apoio dos Estados Unidos de Barack Obama, o estado sionista prepara um novo massacre no território a exemplo do que fez na Operação Chumbo Fundido, há seis anos, quando matou 1400 palestinos em 22 dias de ataques massivos sobre a população civil de Gaza.

Como atesta o blogueiro e ativista judeu Max Ajl, “a categoria de Israel de ‘retaliação’ não existe. A ocupação é um terror constante e é o que gera a violência palestina, e assim os líderes israelenses podem apresentar como uma justificativa retroativa para as políticas que aplicam em busca de uma quimera de ‘segurança’”.

Neste momento, mais do que nunca, é preciso cercar de solidariedade a luta do povo palestino e denunciar os crimes e atrocidades do Estado de Israel.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 20 de março de 2012

Ativistas da causa palestina lançam boletim

Um grupo de ativistas da causa palestina e das revoluções que atingem o Norte da África e oriente Médio lançaram o boletim Al Thawra (A Revolução, em árabe). A proposta do boletim é construir uma rede de solidariedade a todas as revoluções (Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmen e Bahrein) e à resistência palestina nas quis os ativistas estão envolvidos. Assim, o objetivo é discutir as perspectivas desse grandioso processo revolucionário e desfazer mitos. Leia abaixo a apresentação do boletim.

  • Leia o Boletim

  • Enquanto os levantes continuam a sacudir o mundo árabe, no fechamento deste boletim, o registro de mais um ataque por parte de Israel à faixa de Gaza. Segundo notícias veiculadas pela imprensa internacio¬nal, o saldo em apenas quatro dias (a partir de 9 de março) foi de 25 mortos e mais de 70 feridos. Na mesma semana, o premiê de Israel, Benjamin Netanyahu, esteve em Washington para pedir apoio a invasão ao Irã. De olho no seu eleitorado, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, contudo, prefere aguardar. Mas faz questão de declarar o sagrado apoio ao estado sionista. A solidariedade internacional faz-se fundamental.

    Enquanto isso, tendo protagonizado grandes revoluções em 2011, que resultaram na queda de quatro ditaduras, o mundo árabe permanece movimentado. No Egito, as massas voltam às ruas, assim como no Bahrein. Na Líbia, a população rechaça o governo interino do Conselho Nacional de Transição e o prenúncio é de que continue a se levantar para assegurar as necessárias transformações. Na Síria, a revolução atinge o ponto alto. Sem qualquer possibilidade de recuo diante de um ditador sanguinário, a situação avança para uma guerra civil.

    Peça chave no jogo geopolítico na região, a Palestina anseia por mudanças. Enquanto isso, seus cidadãos promovem suas próprias manifestações, seja em solidariedade às revoluções nos países vizi¬nhos, seja contra o apartheid a que estão submetidos. A resistência dentro e fora dos territórios ocupados segue. Em 25 de fevereiro último, 8 mil marcharam contra os assentamentos e a política segregacionista em Al Khalil (nome árabe da cidade de Hebron, na Cisjordânia). Em 30 de março, Dia da Terra para os palestinos, uma gran¬de marcha rumo a Al Quds (Jerusalém) está programada.

    Os palestinos expandem ainda o cha¬mado por BDS (boicotes, desinvestimentos e sanções) ao apartheid de Israel. Na contramão, o governo brasileiro tem firmado nos últimos anos acordos militares com Israel e universidades consagradas têm ampliado os convênios de cooperação com instituições que sustentam a ocupação de territórios palestinos. Diante desse cenário, intensificar a campanha de BDS em âmbito nacional é imprescindível. Programado para ocorrer em Porto Alegre, entre 28 de novembro e 1º de dezembro deste ano, o Fórum Social Palestina Livre reveste-se de grande importância para se amplificar essa iniciativa em todo o Brasil e na América Latina. Além de levantar essa bandeira, é o momento de a solidariedade internacional erguer suas vozes pelo direito de retorno, o fim da ocupação israelense e a liberdade aos presos políticos, entre outras demandas urgentes dos palestinos e palestinas.
    O ano de 2012 promete.

    Diante de toda essa movimentação, nós, que estivemos envolvidos em construir solidariedade a todas as revoluções (Egito, Tunísia, Líbia, Síria, Iêmen e Bahrein) e à resistência palestina, decidimos lançar este boletim para discutir as perspectivas desse grandioso processo revolucionário e desfazer mitos. Não é um informativo acadêmico, é um boletim para os ativistas que estão diretamente envolvidos nos movimentos de solidariedade. Neste primeiro número, artigos sobre a Palestina, a Síria, o Egito, a Líbia e também sobre o protagonismo feminino nas revoluções, no mês em que se comemora o Dia Internacional da Mulher. E uma entrevista sobre documentário gravado em campos de refugiados palestinos situados na Jordânia. Boas lutas!


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 3 de dezembro de 2011

    Revolução democrática avança para uma guerra civil

    A revolução na Síria já dura nove meses, com as massas enfrentando uma duríssima repressão por parte da ditadura de Bashar al-Assad. Apesar do número de mortos crescer a cada dia, as massas não abandonam as ruas e a burguesia árabe já dá mostras de não estar aguentando tanta pressão.

    A aposta de Assad e da Liga Árabe, de que jogar o Exército nas ruas poderia deter o processo revolucionário, fracassou e teve o efeito contrário. Não só não deteve como provocou profundas fissuras nas Forças Armadas e ampliou a oposição política e o isolamento internacional do regime. A opção foi buscar um plano B para tentar controlar a delicada situação no país, que caminha para uma guerra civil. O mais importante jornal norte-americano, The New York Times, vem dando voz às burguesias árabes que negociam com o governo sírio o máximo que podem, sem romper diretamente com ele, para conseguir que faça mudanças na forma de enfrentar a revolta popular sem precisar recorrer a uma intervenção armada, que, devido à posição geopolítica da Síria, poderia incendiar todo o Oriente Médio. A Síria faz fronteira com o Líbano e o Mar Mediterrâneo a oeste, Israel a sudoeste, Jordânia ao sul, Iraque a leste, e Turquia ao norte. Ou seja, uma região altamente explosiva.


    Banho de sangue

    A primeira resposta do governo Assad para deter as massas foi o enfrentamento direto, com tiros, gás lacrimogêneo, incluindo gases venenosos, jatos de água, prisões e torturas. Há nove meses a imagem da Síria é a de um massacre diário e cada vez mais violento porque as massas não se ajoelham. O resultado, até hoje, é o de uma verdadeira guerra civil contra a população. Segundo informe das Nações Unidas, pelo menos 3.500 pessoas já foram assassinadas pelo governo Assad, incluindo civis, forças de segurança e soldados que desertaram. De acordo com a oposição, esse número chega a 5 mil, sendo 600 crianças, além de 7 mil pessoas desaparecidas. As prisões estão abarrotadas, com mais de 100 mil detidos.

    Uma investigação da Comissão de Direitos Humanos da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, revela detalhes da repressão de Assad contra a população. Segundo ela, crianças foram executadas e há relatos de torturas em hospitais. Funcionários da ONU disseram estar “totalmente escandalizados” com os relatos. “Poucas vezes se viu um sistema de repressão tão completo, com a tortura sendo utilizada politicamente e nos mais diferentes setores. Pelo que parece, uma máquina de tortura foi criada para silenciar todo um país. Ela não ocorre apenas em prisões, mas em hospitais, colégios, centros de atendimento e ministérios” (O Estado de S. Paulo, 26/11/2011).

    A violência é tanta que vem ampliando o número de opositores ao regime a cada dia dentro da Síria. Fora do país, antigos aliados, como o governo turco, agora pedem ao ditador Bashar al-Assad que controle seus massacres contra as massas. A França, por intermédio do ministro do Exterior Alain Juppé, propôs a criação de “corredores humanitários” para, segundo eles, transportar medicamentos e outros suprimentos para os civis. A proposta da França veio depois que o banho de sangue já havia se instalado amplamente pelo país e que a política da ditadura de massacrar a rebelião havia conseguido manter Assad mais um tempo no poder, mesmo após a queda de outros ditadores na região, como Mubarak e Kadafi. Mas a população não deve se deixar enganar, porque esse tipo de oferta é uma forma de os países imperialistas começarem a intervir na revolução síria para tentar abortá-la e impedir que derrube Assad e tome o poder.

    É o mesmo tipo de política que os países imperialistas tiveram na Líbia, quando a situação saiu do controle pela ação insurrecional dos rebeldes armados e Kadafi passou a ser um aliado incômodo. A França e a Inglaterra, seus aliados, passaram a pressionar para, enfim, abandonar o ditador e tentar interferir via CNT (Conselho Nacional de Transição) sobre os destinos da Líbia. Só que na Síria é muito mais complexo produzir algo semelhante ao que foi a zona de exclusão aérea. Então, tratam de tentar meter-se de outra forma

    Tanto é assim que uma fonte diplomática ocidental disse que o plano da França, com ou sem aprovação de Damasco, poderá unir os centros civis dentro da Síria com as fronteiras da Turquia e do Líbano e a costa do Mediterrâneo. Isso permitiria, segundo eles, transportar suprimentos humanitários e remédios para a população. Para que isso seja possível, obviamente os comboios humanitários necessitarão de proteção armada, o que já se configura em uma intervenção militar na Síria. “Há duas alternativas, disse a fonte: que a comunidade internacional, a Liga Árabe e as Nações Unidas consigam fazer com que o regime aceite os corredores humanitários, mas caso contrário nós teremos de encontrar outras soluções. Nesse caso, vamos precisar de proteção armada, mas isso não significa uma intervenção militar na Síria”. Se não é uma intervenção militar direta, é uma intervenção disfarçada. Isso pode significar a presença de tropas francesas ou da ONU que, em nome de proteger a população, passariam a ter a força posicionada para, no caso de Assad ser derrubado, poder obrigar os rebeldes a se desarmar e/ou impor um controle sobre os rebeldes e a população síria. Hoje a população está enfrentando o regime, mas o imperialismo quer evitar que ela se organize em milícias que ameacem tomar o controle do país.


    Exército em crise

    O maior indício de que o regime sírio está passando por uma grave crise é a situação das Forças Armadas. Principal instituição do regime, o Exército sírio vem se dividindo dia após dia, com desertores rompendo e se somando às forças rebeldes que lutam contra Assad. Até agora, no entanto, a cúpula do Exército se mantém fiel a Assad e disposta a prosseguir com a repressão contra os manifestantes. “Cortaremos qualquer mão maligna que queira derramar o sangue sírio”, diz um comunicado do Exército (O Estado de S. Paulo, 26/11). No entanto, uma série de ataques contra os edifícios do governo vêm sendo protagonizados por jovens oficiais rebeldes, inclusive com o uso de foguetes e granadas. Já houve ataques militares ao regime em Damasco. No dia 16 de novembro, o centro de inteligência do exercito sírio em Harasta, subúrbio de Damasco, foi atacado. No dia seguinte, o ELS (Exército Livre da Síria) informou ter atacado o escritório do Partido Baath no norte do país. No dia 20 foi a vez de ataques ao escritório do Baath em Damasco, informação dada pelo ELS, mas não confirmada pelo CNS (Conselho Nacional Sírio). De qualquer forma, multiplicam-se as informações de que, além de haver cidades e regiões fora do controle do regime cujo ingresso para as autoridades do governo Assad só se dá de forma armada, também já há ataques nos arredores de Damasco.

    As deserções no Exército – que vêm ocorrendo desde os primeiros meses da revolução na Síria – já colocaram em perigo a unidade das Forças Armadas do país, uma das maiores preocupações da Liga Árabe e do imperialismo, como ocorreu na Líbia.

    A política adotada pelo regime sírio de massacrar a revolta das massas desmente a retórica de Assad. Ele quis jogar com um suposto papel anti-imperialista, mas a verdade é que, nos últimos anos, seu governo vem cumprindo um papel fundamental ao imperialismo para garantir a estabilidade na fronteira de Israel. Por isso, nos primeiros meses da revolução, o imperialismo e Israel apoiavam incondicionalmente o governo sírio e evitavam de todas as formas a sua desestabilização, que significaria, em última instância, deixar desguarnecida a importante e perigosa fronteira com Israel.

    No entanto, apesar de sustentarem Assad, o imperialismo e o próprio Estado de Israel acharam mais prudente manter uma distância dele, porque a continuidade das mobilizações dentro da Síria e sobretudo a política adotada pelo regime, de massacre direto, é totalmente incerta quanto aos resultados. Sem contar que traz um desgaste de imagem para os governos imperialistas, que se dizem defensores dos direitos humanos. Com isso, ampliou-se o isolamento internacional do governo sírio e, como ocorreu com Kadafi, o imperialismo passou a aplicar sanções para obrigar que negociasse com a oposição ou se retirasse.

    Os Estados Unidos já aplicaram sanções econômicas e estão na posição de espera. Os países europeus suspenderam a compra de petróleo sírio, ampliando a crise na economia já bastante afetada pela onda de mobilizações. A Turquia, principal parceiro comercial da Síria, com US$ 2,5 bilhões por ano de operações comerciais, aumentou o tom. Exige a saída de Bashar, além de abrigar o oposicionista Conselho Nacional Sírio e o recém-formado Exército Livre da Síria, liderado por Ryiad al-Asaad, a partir de centenas de deserções do Exército sírio.

    Nos últimos dias, o isolamento do regime deu um salto a partir da decisão da Liga Árabe, capitaneada pela Arábia Saudita e pelo Qatar, de suspender a Síria enquanto país-membro por descumprir as resoluções de fim da repressão e ingresso livre de observadores da Liga Árabe.

    No último dia 22, a assembleia geral da ONU votou por 114 a 9 pela condenação do regime sírio por desrespeito aos direitos humanos. O Brasil vinha apoiando o regime, mas também votou a favor, enquanto a Rússia e a China se abstiveram. Somente Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua se posicionaram contra a resolução, numa clara demonstração de que não aprenderam nada com a derrubada de Kadafi e fazem o mesmo tipo de defesa incondicional do assassino Assad em nome de uma suposta luta anti-imperialista. Assim, deixam novamente a bandeira da defesa das liberdades democráticas nas mãos do imperialismo hipócrita e se recusam a defender o povo sírio, massacrado pela ditadura de Assad.


    A oposição e a “ajuda” internacional

    A oposição síria está atualmente dividida em dois setores. O setor minoritário, formado em Damasco por personalidades sírias, defende a reforma do regime e se opõe à intervenção estrangeira. O outro setor conformou o Conselho Nacional Sírio após reuniões na Turquia e em Bruxelas, com 190 membros, dos quais 60% estão dentro da Síria. Participam a Irmandade Muçulmana, liberais, as diversas facções curdas e aparentemente os Comitês de Coordenação locais. Estes comitês foram os que chamaram as mobilizações e hoje conformam o real motor da revolução. São a expressão síria do mesmo fenômeno de jovens ativistas, nas distintas cidades, utilizando as ferramentas da internet e redes sociais para articular as mobilizações contra o regime assassino.

    A posição majoritária do Conselho é pela saída de Assad antes que as coisas fiquem piores, mas flertam com a possibilidade de intervenção estrangeira, seja ela limitada aos países árabes e à Turquia, seja ela limitada pela chamada zona de exclusão aérea e naval. Burhan Ghalioun, presidente do CNS, indagado sobre um eventual pedido de intervenção estrangeira, respondeu que no momento nenhum país quer intervir militarmente na Síria, mas “quando nos encontrarmos diante deste desejo, tomaremos a posição apropriada”.

    Essa possibilidade é um grande perigo para a revolução: pode significar um freio ao processo revolucionário, o desarmamento dos Comitês que coordenam as manifestações e também uma repressão ainda maior contra os ativistas e lutadores.

    A opção pela intervenção estrangeira não é majoritária dentro do Exército Livre da Síria. Apenas uma parte desse Exército, que é formado pelos oficiais dissidentes e que ainda não aderiu ao CNS, pede a intervenção internacional para criar uma zona de exclusão aérea e marítima, além de uma faixa do território setentrional sírio para que o Exército Livre possa operar militarmente a salvo das tropas de Assad.


    Pressão dos Estados Unidos?

    Como ocorreu no caso da Líbia, em que correntes chavistas e castristas apoiavam a permanência de Kadafi por considerá-lo um governo democrático e nacionalista que vinha sendo pressionado pelo imperialismo para deixar o poder, agora na Síria a mesma interpretação está de volta. Essas mesmas correntes vêm analisando as revoltas na Síria não como uma revolução democrática e popular, mas como uma provocação por parte dos Estados Unidos para que o governo Assad rompa relações com o Irã e, ao mesmo tempo, deixe de apoiar as forças palestinas que lutam contra Israel. Em artigo publicado no site Rebelión, que expressa essas posições políticas, diz-se que:

    “O que preocupa os Estados árabes que apoiam a derrubada do regime sírio não é o confronto entre este e os manifestantes partidários da reforma na Síria. Nas palavras de um alto diplomata do Golfo, investiram-se uma década inteira e milhões de dólares tratando de afastar o presidente Bashar al-Assad de sua aliança com o Irã e para convencer Assad a mudar a política exterior de seu país em duas áreas chaves – Iraque e Líbano –, mas foi em vão. Segundo esse mesmo diplomata, a questão palestina não foi incluída nessas conversas, mas também faz parte da pressão americana contra Assad, para fazer com que os grupos da resistência palestina próximos à Síria se afastem para que se possa colocar em marcha a criação de um Estado palestino, socavando os partidários da resistência armada.”

    Na verdade, o que esse artigo ignora é que a Síria vinha negociando e aceitando as imposições dos EUA há tempos. Por isso retirou-se do Líbano há seis anos, mantém a fronteira com Israel e o território que Israel usurpou da Síria nas colinas de Golã em rigorosa trégua.


    Voltemos à história da Síria

    Esse discurso da “conspiração colonial” vem sendo usado pelo governo sírio e seus apoiadores como forma de mostrar que a revolução das massas contra o regime não passa de uma manobra orquestrada pelo imperialismo para derrubar Assad e se apossar das riquezas do país. É um discurso que pressupõe, antes de mais nada, a distorção da própria história da Síria, de seu papel no mundo árabe e suas relações com o imperialismo. E, depois, a supressão total dos fatos que desencadearam a revolução e seu próprio desenrolar, com as massas ocupando as ruas e praças e a quantidade incalculável de mortos, presos e torturados, incluindo jovens e crianças indefesas, incluindo a perseguição à liberdade de imprensa para que nada disso seja divulgado.

    Desde que obteve a independência em relação à França, em 1946, a história da Síria como república parlamentar esteve marcada por uma sequência de golpes militares e tentativas de golpe. Logo depois da independência, o país entrou em guerra com Israel, em 1948, e sofreu uma derrota militar. Em 1963, na esteira das lutas de libertação nacional que sacudiram o Oriente Médio, o Baath tomou o poder em uma revolta militar e viveu um período de enfrentamento com o imperialismo, alinhando-se ao nasserismo egípcio e ao Baath iraquiano. Enfrentou-se com Israel em várias guerras e colocava-se como defensor da causa palestina, intervindo em uma série de confrontos com Israel, como a Guerra dos Seis Dias em 1967, a Guerra do Yom Kippur em 1973 e a defesa do Líbano contra Israel em 1978.

    A dominação do Baath vem desde essa época, mas, na medida em que foi perdendo a característica de defesa do nacionalismo pan-árabe, seu caráter reacionário foi ficando mais claro. O atual presidente, Bashar al-Assad, herdou o poder do pai, Hafez al-Assad, que governou de 1970 até sua morte em 2000. Ele se aproveitou de seu posto militar e na cúpula do Baath para chegar ao poder, dando um golpe dentro do próprio partido e exercendo um feroz controle do aparelho de Estado. Foi reeleito sucessivas vezes presidente do país, ao mesmo tempo em que se mantinha como secretário-geral do Partido Baath. No início dos sucessivos mandatos, ainda se apresentava como defensor do nacionalismo árabe e rejeitava as negociações de paz com Israel, e rompeu com Sadat quando este levou o Egito a assinar o tratado de paz com Israel. Mais tarde, seu governo, como o Baath iraquiano de Saddam Hussein e as demais correntes que se reivindicavam nacionalistas árabes, começou a ceder e buscar negociações com o imperialismo. Aceitou intervir no Líbano contra os palestinos e para impor uma estabilização que impedisse a queda do governo, mantivesse o Estado confessional libanês e deixasse as tropas sírias no território como garantia da ordem durante anos, com o beneplácito do imperialismo. Foi parte da santa aliança promovida pelo governo norte-americano de Bush pai em 1990 para invadir o Iraque governado pelo Baath. Traiu a causa árabe e até mesmo seus correligionarios do Baath no vizinho Iraque.

    Desde que assumiu o poder, Assad intensificou a política de negociação com o imperialismo e tratou de reaproximar a Síria do governo norte-americano e, na prática, serviu de suporte de Israel no Oriente Médio, como já havia ocorrido antes com o Egito de Mubarak e a Líbia de Kadafi. Tanto é assim que as forças do Hamas que estão em território sírio já vêm sofrendo a perseguição por parte do regime e sendo convidadas a se retirar do país. O passado de atritos com Israel vem agora sendo usado pelos defensores de Assad como álibi para as pressões norte-americanas contra a Síria. Mas não fazem nenhuma avaliação do significado desses últimos anos de entrega e traição a seu povo e aos demais países árabes para mendigar um pouco das migalhas que caem da mesa do imperialismo.

    Rever um pouco da história da Síria é fundamental para perceber a trajetória das relações políticas entre as burguesias árabes, que defendiam um projeto nacionalista entre os anos 50 e 70, principalmente após a criação do Estado de Israel, em 1948, e como essas relações foram se transformando com a dominação imperialista no Oriente Médio. É a demonstração da incapacidade das burguesias nacionais e dos movimentos nacionalistas burgueses de encabeçar uma saída de libertação nacional para seus povos. Mais cedo ou mais tarde, acabam capitulando ao imperialismo em função de seus interesses. Totalmente dependentes do mercado mundial para a exportação do petróleo, as burguesias árabes se submeteram e abandonaram qualquer veleidade de uma saída independente e tiveram de engolir a presença do enclave imperialista de Israel como cão de guarda na região. Hoje, essas burguesias, mais do que parceiras do imperialismo, são serviçais de sua política de espoliação das riquezas do Oriente Médio, de condenação das massas à penúria e a governos ditatoriais sangrentos.

    É justamente contra esses governos e sua política totalmente pró-imperialista que a “primavera árabe” explodiu. E em seu bojo veio a revolução na Síria, uma revolução cujo pavio foi aceso pelo próprio governo ao reprimir violentamente uma pequena manifestação em Damasco pelas liberdades democráticas. Uma revolução que se incendiou ainda mais com a vitória das revoluções tunisiana e egípcia. O caráter feroz do regime e sua polícia secreta, donos da Síria há quatro décadas, veio à tona, às claras, para quem quisesse ver. Outro pavio que ajudou a incendiar a revolução na Síria foi o total descaso do governo para com as reivindicações do povo. Como disse Elias Khoury, em artigo para o site Rebelión, “o regime sírio substituiu a expressão ‘ratos’, utilizada por Kadafi para descrever os manifestantes líbios, por ‘micróbios’, numa demonstração de arrogância que só podia abrir caminho para a repressão impiedosa como único meio de frear o movimento popular, convertendo assim cada manifestação em um campo fértil para o assassinato e a violência”. (Quem conspira contra a Síria?, Rebelión, 11/11/2011)

    Esses são os fatos, e qualquer análise sobre a revolução síria, se não quiser distorcer a realidade, deve partir deles. Só a partir desses fatos é possível entender o caráter da revolução síria em sua condição de revolução popular, iniciada por uma população em defesa de sua dignidade humana, pisoteada pelas botas militares e humilhada por um regime prepotente, que condena o país à fome, ao desemprego e à ameaça de fragmentação pela ação do imperialismo, que só a revolução poderá evitar.


    Conflito interreligioso?

    Existe outra tentativa por parte dos setores que apoiam o regime de desqualificar a revolução das massas sírias: caracteriza as revoltas como um conflito inter-religioso entre a maioria sunita, influenciada pelos fundamentalistas islâmicos, e as comunidades religiosas minoritárias (cristãos, xiitas, alauítas e drusos), protegidas pelo regime “laico” do Partido Baath.

    De fato, as divisões inter-religiosas são grandes na Síria e fazem parte integrante de sua rica história. A maioria da população é de origem semita. Os muçulmanos são cerca de 90% do total, sendo 74% sunitas e 15% outros, incluindo os alauítas, os xiitas e os drusos. Existem cidades, como Khabab, que são inteiramente católicas. Há ainda uma pequena comunidade de judeus sírios (cerca de 4.500 pessoas). Os cristãos, cerca de 10% da população, são em ampla maioria constituídos de ortodoxos e católicos de rito oriental. Um dos mais antigos patriarcados cristãos, o de Antioquia, foi transferido durante a Idade Média para Damasco. Hoje esta cidade é a sede da Igreja Antioquina de confissão ortodoxa. Também há em Damasco um patriarca católico de rito grego.

    No entanto, o conjunto de comunidades étnicas e religiosas que constituem o país, tanto muçulmanas como cristãs, assim como o ressurgimento do integralismo islâmico, nunca representaram uma fonte de conflitos, pois em geral conviveram pacificamente. Os conflitos sectários que surgiram em Homs na verdade são iniciados e alimentados pelo próprio regime para criar uma cultura de medo entre os cristãos, alauítas e drusos e com isso evitar sua maciça adesão à revolução. A palavra de ordem cantada nas mobilizações é clara: “Um, um, um, o povo sírio é um só!”.


    Uma revolução democrática e popular

    O verdadeiro caráter da revolução na Síria tem de ser encontrado, então, nas condições concretas em que vivem as massas. Um regime de 40 anos de ditadura militar foi alquebrando as condições produtivas do país, levando o povo à debacle e a própria burguesia à paralisia econômica. A tal ponto chegou a hostilidade que até mesmo a maioria da burguesia, inclusive a sunita, que apoiava Bashar, vem se opondo a ele e ampliando o isolamento do regime. Mesmo a comunidade alauíta, que apoia majoritariamente o regime, o faz não por laços religiosos ou “tribais”, mas pela presença desproporcional na alta hierarquia do Estado e das Forças Armadas.

    Assim, o que vem ocorrendo na Síria é uma revolução popular e democrática por melhores condições de vida e pelo fim da ditadura militar.

    Apesar dos cinco mil assassinados pelo regime, dos milhares de presos e exilados no Líbano e na Turquia, a balança está pendendo contra Bashar. O momento é de aprofundar a revolução com um projeto político claramente anti-imperialista e democrático que atraia as bases do Exército, levando ao colapso do regime. Uma vitória na Síria terá um tremendo impacto em toda a região e no mundo, mostrando que a via revolucionária de transformação da sociedade voltou à agenda das lutas operárias, juvenis e populares.

    Os últimos acontecimentos na região fortalecem a revolução na Síria. No Egito, a juventude retomou a Praça Tahrir e exige a saída imediata dos militares. No Bahrein, as mobilizações estão voltando. No Iêmen, a renúncia do ditador Saleh foi bem recebida nas ruas, mas sua anistia é amplamente condenada nas mobilizações. A revolução no mundo árabe continua pulsando, ainda que com graves perigos.

    O primeiro e mais importante é a ausência de uma direção revolucionária com apoio de massas, que possa conduzir a revolução até a tomada do poder por um governo dos trabalhadores. O segundo é o desarmamento da população. É necessário que a população se organize em milícias armadas urgentemente, antes que seja totalmente dizimada pelo governo. Com as deserções no Exército, inúmeros grupos militares passaram a pertencer ao Exército Livre. A divisão do Exército sírio debilita o regime e é muito importante para a vitória das massas, mas é preciso que esse Exército esteja sob controle de uma direção revolucionária das massas sírias, para que não se converta em instrumento dos interesses da burguesia e do imperialismo. O terceiro perigo é uma intervenção militar exterior, que viria para esmagar a revolução e não para “salvar as massas”, como alardeia o imperialismo.

    A única forma de evitar esses perigos é seguir adiante, fortalecer e centralizar os Comitês de Coordenação locais, estendê-los para as Forças Armadas e continuar lutando até a derrota definitiva de Assad.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 20 de setembro de 2011

    Brasil faz acordos de cooperação militar com Israel

    Campanha de boicote a Israel será lançada em São Paulo


    O governo de Dilma Rousseff, que diz apoiar os Direitos Humanos, a paz e a criação de um Estado Palestino, está na contramão de um movimento mundial de isolamento da indústria militar de Israel.

    O país aderiu ao Tratado de Livre Comércio Israel-Mercosul e realiza com este país negociações comerciais militares bilaterais. Incluindo aí a assinatura de tecnologia bélica, tecnologias de defesa e segurança. Além de perspectivas de que grupos israelenses de segurança atuem durante a Copa do Mundo de 2014 e nas Olimpíadas de 2016.

    Vale lembrar que todos os equipamentos e treinamentos de segurança israelense são testados em ataques contra os civis palestinos. Veículos, armas e coletes foram usados amplamente nos ataques aos palestinos de Gaza em 2008 e 2009, na Operação Chumbo Fundido.

    Uma das grandes indústrias de armamentos de Israel, a Elbit Systems, assinou contratos de cooperação com as Forças Armadas brasileiras. A Elbit é uma das maiores empresas privadas de tecnologia militar, responsável pela instalação de aparelhos no Muro do Apartheid em torno de Jerusalém e do fornecimento de uma variedade de equipamentos para a Marinha e a Força Aérea, incluindo drones (aviões não tripulados). Esses aviões mataram pelo menos uma centena de civis na Faixa de Gaza e dezenas no Afeganistão e Paquistão.

    Sua subsidiária brasileira, AEL Sistemas, formou uma joint venture com a Embraer, voltada a sistemas de aeronaves não tripuladas e simuladores, para fins militares e civis. É a Harpia Sistemas, sediada em Brasília, da qual a Embraer Defesa e Segurança detém 51%, o restante pertence à AEL.

    O presidente-executivo da Elbit Systems, Joseph Ackerman, disse que a joint venture representa um marco para as operações de longo prazo da Elbit no Brasil.

    Porto Alegre também passou a abrigar instalações da Elbit Systems, que atua na área de tecnologia militar. O TLC transforma o Brasil em porta de entrada da indústria armamentista de Israel na América Latina.

    Com isso o governo brasileiro fortalece a indústria de armamento israelense. E as guerras, ocupação e colonização israelenses continuam a ser um negocio lucrativo.


    Campanha por boicote a Israel

    Será lançada na próxima terça-feira, dia 20 de setembro, às 18h30, na Faculdade de Direito da USP, no Largo de São Francisco, a campanha por Boicotes, Desinvestimento e Sanções ao apartheid de Israel no Brasil.

    Em iniciativa conjunta da Frente em Defesa do Povo Palestino e da Frente Palestina da USP. A exigência é que o governo brasileiro:

    a) Rompa unilateralmente com o Tratado de Livre Comércio Israel-Mercosul;

    b) Retire imediatamente o posto das Forças Armadas Brasileira em Israel;

    c) Cancele todos os contratos das Forças Armadas com empresas israelenses;

    d) Exclua as empresas israelenses de participar de quaisquer concorrências públicas;

    e) Vete a instalação de empresas israelenses em território nacional ou mesmo a aquisição de empresas nacionais por capitais israelenses;

    f) exclua as empresas israelenses de contratos para a Copa do Mundo e os Jogos Olímpicos.


    LEIA TAMBÉM

    O povo e a juventude egípcia expressam seu ódio contra o estado nazi-sionista de Israel


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 17 de setembro de 2011

    O inimigo do meu inimigo nem sempre é meu amigo

    O imperialismo norte americano já teve motivos de sobra para aprender que não é sempre que “armar o inimigo do meu inimigo” funciona. Quando treinou e deu armamento para a Al-Qaeda e outros grupos islâmicos enfrentarem as tropas da União Soviética, viu depois esses mesmos guerrilheiros levaram o Talibã ao poder no Afeganistão. Depois, este país virou alvo, pois o regime teria garantido um refúgio seguro para Osama bin Laden, que também combateu os soviéticos.

    Os serviços de inteligência dos Estados Unidos e Grã Bretanha trabalharam em estreita ligação com a polícia política Líbia. O seu principal chefe, Moussa Koussa, hoje desfruta de confortável exílio na Inglaterra, de onde denuncia o envolvimento de rebeldes “ligados à Al-Queda”.

    Fontes internacionais islâmicas afirmam que combatentes da Al-Qaeda e do Hezbollah estavam diretamente envolvidos no conflito, lutando ao lado de rebeldes contra Kadafi. De fato, havia praticamente um consenso entre as organizações fundamentalistas islâmicas sobre a necessidade de ajudar os rebeldes contra Kadafi.


    COMBATENTES

    Cidades como Dernah e Benghazi estão cheias de adeptos de causas islâmicas. Dernah em particular, foi a cidade de onde saíram muitos muhaijins para lutar no Afeganistão e no Iraque contra as tropas norte-americanas.

    O Centro Francês de Pesquisa de Inteligência relata que 19% dos estrangeiros que foram lutar no Iraque contra os EUA eram líbios. O maior contingente depois dos sauditas. Entre estes combatentes islâmicos libios encontraremos Abu Faraj al-Libi, preso pelo Serviço de Inteligência do Paquistão em 2005, em uma operação com a CIA, hoje sob custódia militar na Baia de Guantánamo; Anas al-Liby, que, em fevereiro de 2007, foi citado pela Human Rights Watch como estando em uma prisão secreta da CIA; e Abu Yahya al-Libi, que teve detenção extrajudicial na Base de Bagram, no Paquistão, de onde fugiu em julho de 2005.

    Em combate na Líbia estão, pelo menos, Abdel Hakim Al-Hasidi, hoje Comandante em Dernah, preso no Afeganistão em 2002 e entregue a autoridades líbias. E Abdelhakim Belhadj, que comandou o ataque a Trípoli e é o atual comandante do Conselho Militar da cidade, nomeado pelos cinco batalhões da Brigada de Trípoli, e não por autoridades civis. Ele acusa a CIA de torturá-lo em prisões secretas mantidas pelo governo americano na Malásia e Tailândia, antes de ser enviado, como presente, ao ditador Kadafi, para ser torturado nas prisões da Líbia.

    O Grupo Combatente Islâmico foi um elemento chave das forças rebeldes da Líbia, por sua experiência em combate no Iraque. Agora rebatizado Movimento Islâmico Líbio (LIM), afirma ter renunciado ao terrorismo. Um de seus líderes, Ali Sallabi, anunciou que "o nosso diálogo articulou-se e vai articular-se sempre em torno de três pontos: a destituição de Kadafi e dos seus filhos e a sua saída da Líbia, preservar a capital das destruições e terminar com o derramamento de sangue entre líbios". Ele assegurou ainda ser favorável a "um Estado democrático para os líbios", com partidos políticos e alternância de poder. "Mantemos fortes relações com os laicos. Estamos na mesma trincheira", concluiu.


    KADAFI COOPERAVA COM O IMPERIALISMO

    Um dos motivos que levaram os combatentes islâmicos a se uniram a revolução Líbia foi a estreita cooperação de Kadafi com o imperialismo para persegui-los. Havia um trabalho permamente entre a Inteligência Líbia, chefiadas por Koussa, e CIA, MI-5 e MI-6. Inclusive com o regime de Kadafi cedendo líbios para se infiltrar em organizações islâmicas no Reino Unido.

    Documentos achados na sede de órgão de segurança em Trípoli demonstram que a CIA enviou suspeitos de terrorismo para serem interrogados na Líbia, país famoso pelas suas torturas.


    E COM ISRAEL

    Há informes também de que o serviço secreto israelense, a Mossad, utilizou a Líbia como uma base de operações para a África. Em troca, autoridades israelenses teriam aprovado que agências sionistas de segurança permitissem a seus mercenários serem contratados pelo regime de Kadafi para lutar na Líbia contra os rebeldes. Pois Israel temia que, com a derrubada de Kadafi, ele pudesse ser substituído por um "regime extremista islâmico".

    Israel denuncia que palestinos em Gaza estão adquirindo artilharia antiaérea e antitanque a partir de combatentes da Líbia. Afirmam que o Hamas e outras facções palestinas têm recebido armamento de origem líbia e que há um fluxo de mísseis antiaéreos SA-7 e granadas propelidas por foguetes (RPGs), vindas por uma rota de abastecimento, aberta entre o leste da Líbia e a Faixa de Gaza através do Egito, da península do Sinai, ou através do Sudão.


    MAIS DIFICULDADES AO GOVERNO PRÓ-IMPERIALISTA DO CNT

    Estas informações devem bastar para deixar claro que estas organizações islâmicas não lutariam do lado de rebeldes que apoiassem uma intervenção imperialista. Além do que, tendo conquistado posições e estando entre os "vencedores" da guerra, não estarão interessados em abrir mão do controle só para agradar os caprichos da Otan.
    Novos problemas para o governo pró imperialista da CNT.

    LEIA MAIS

  • Inglaterra e kadafi: ligações perigosas


  • Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

    Ano começa com mais uma ativista palestina morta por Israel

    Manifestante desmaiou em uma densa nuvem de gás lacrimogêneo


    activestills.org
    A mãe de Jawaher chora ao lado de cartaz com a foto da filha. Abaixo, protestos no enterro
    A palestina Jawaher Abu Rahma, de 36 anos, morreu nas primeiras horas de 2011, no hospital de Ramallah, na Cisjordânia, para onde foi levada na tarde da sexta-feira, 31 de dezembro. Jawaher ficou inconsciente durante um protesto na vila de Bil'in, próximo de Ramalah, contra a construção do muro israelense.

    O protesto, realizado semanalmente, foi reprimido por centenas de soldados israelenses, que usaram grande quantidade de gás lacrimogêneo. Segundo familiares e membros do comitê popular que organizou o protesto, a ativista ficou presa em meio a uma densa nuvem de gás.

    Segundo Soubhiya Abu Rahmah, mãe de Jawaher, ela começou a sentir-se mal ao inalar o gás, tentou escapar, "mas logo depois vomitou e desmaiou". Os manifestantes a retiraram e chamaram o resgate. Saher Bisharat, motorista da ambulância, declarou que a resgatou perto de onde a manifestação ocorria. “Ela ainda estava parcialmente consciente, responde à perguntas, e disse que o gás a havia ‘estrangulado’.

    Segundo Aida Mohammed, diretor do centro de saúde de Ramallah, ela chegou ao hospital parcialmente consciente e, em seguida perdeu a consciência completamente. "Ela morreu de insuficiência respiratória, causada pelo gás, que levou a um ataque cardiáco", afirmou.


    As mentiras do exército

    A morte e a versão dos militares israelenses provocaram a indignação dos palestinos e polêmica em Israel. O Exército afirmou não ter usado gás em grande quantidade e tentou livrar a sua culpa, afirmando que a vítima possuía algum tipo de doença anterior, como leucemia. O exército não revelou a fonte da informação, que foi desmentida imediatamente por familiares e pela equipe médica.

    Segundo a mãe de Jawaher, “Ela não estava doente com câncer, nem tinha qualquer outra doença, e não era asmática". Para Abu Uday Nahlah, patrão de Jawaher, ela estava em boas condições de saúde. “Na quinta-feira ela estava no trabalho, como de costume, saudável, apenas um dia antes de sua morte.", afirmou. Seus médicos insistem que ela não sofre de qualquer doença ou de quaisquer sintomas que podem, se combinados com bombas de gás lacrimogêneo, levou a sua morte. O diretor do hospital e o laudo médico também desmentem a versão do Exército.

    O advogado israelense da família Abu Rahma, Michael Sfar, atacou o exército. "Uma vez mais, o exército encobre os atos dos seus homens, ao invés de apresentar seu pesar e investigar seriamente" o caso, declarou à rádio militar.


    Crimes de guerra

    A morte da palestina acontece dois anos após o cerco e o massacre em Gaza, quando os militares israelenses foram acusadas de usar armas químicas, inclusive fósforo. Agora, a história parece se repetir. Palestinos acusam as forças de ocupação de utilizar os chamados “mecanismos de dispersão de massas”, e, para isso, testam novas armas e gases para atacar os manifestantes. Segundo informe da coalizão Stop The Wall, “o exército israelense há muito tempo aproveita os protestos contra o muro como um campo de provas para desenvolver novas armas e equipamentos”. A coalizão afirma ainda que durante a repressão aos palestinos, são testadas armas que trarão lucros maiores para a indústria militar israelense, que exporta para vários países.

    Jamal Juma, coordenador da Stop the Wall, protesta: "Somos seres humanos, e não animais que podem usar para provar suas novas armas. Israel segue nos usando como laboratório porque o mundo permite. Nem mesmo as provas chocantes sobre os crimes de guerra e o uso de fósforo branco durante o ataque a Gaza, fizeram com que a comunidade internacional pedisse que Israel prestasse contas."


    Muro da Vergonha

    Situada no distrito de Ramallah, na Cisjordânia, a vila palestina de Bil'in tem 1.800 habitantes e a maioria de sua área é tradicionalmente usada como terras agrícolas. Além dos assentamentos israelenses, como o de Matiyahu, construído em 1980, desde 2004 que Israel começou a construção de seu muro do apartheid no lado oeste desta aldeia.

    Neste mesmo ano, a Corte Internacional de Justiça declarou o muro como ilegal e determinou que fosse derrubado. Mas Israel ignorou e continuou a erguer o muro da vergonha, que os separa dos palestinos. Atualmente, em Bil’in, as partes construídas do muro já isolam quase metade das terras dali das do restante do povo. Por isso, os palestinos realizam protestos frequentes, enfrentando a repressão israelense, como a que tirou a vida de Jawaher e a de seu irmão, Basem Abu Rahmah, morto por uma granada de gás lacrimogeneo também em uma manifestação em Bil’in, em abril de 2009.

    * Com informações da campanha Stop the Wall (http://www.stopthewall.org), do revista independente +972 (http://972mag.com) e agências internacionais


    Retirado do Site do PSTU