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sábado, 11 de maio de 2013

"Por que saí do Movimento Negação da Negação e ingressei no PSTU?"

Leia carta divulgada por ex-militante da corrente NN que acaba de anunciar sua entrada no PSTU 

Em 2007, ano em que ingressei na Universidade de São Paulo (USP), vivi uma das maiores mobilizações da juventude universitária dos últimos anos. Assembleias de milhares de estudantes em greve foram realizadas, além da ocupação da reitoria. Ao longo do processo, me aproximei e decidi fazer parte do grupo trotskista Movimento Negação da Negação (MNN).

Hoje, após mais de cinco anos, decidi sair dessa organização. Apesar da importante experiência da recente luta na USP em 2011 e dos erros cometidos pelo MNN nessa mobilização, os motivos de minha saída estão muito além das questões estudantis. Acumulei ao longo deste tempo profundas divergências políticas e teóricas. No entanto, sem dúvida, ambos os aspectos se relacionam, uma vez que a atuação das correntes políticas deve expressar suas concepções teóricas e os seus projetos políticos.

Acompanhamos diariamente o desenvolvimento de uma profunda crise econômica do sistema capitalista. Milhares de jovens estão ocupando praças e ruas, e inúmeros setores da classe trabalhadora estão realizando manifestações e greves pelo mundo todo.

Uma primeira divergência que hoje possuo com o MNN é no campo da política internacional. Essa organização, que atualmente não possui relações com nenhuma outra organização política em outro país, renunciando à tarefa de reconstrução da IV Internacional, relativiza ou se coloca contra os inúmeros processos revolucionários que hoje ocorrem no mundo, tanto na Europa como no Norte da África e no Oriente Médio.

Não posso, também, concordar com a caracterização sobre o processo revolucionário que ocorre na Síria. No dia 20 de fevereiro de 2012, o MNN traduziu e publicou em seu site o artigo do site WSWS.org “Pentágono planeja Guerra contra a Síria”. O texto é focado simplesmente em afirmar que há uma relação forte entre o imperialismo e os líderes da oposição na síria, igualando a direção burguesa do Conselho Nacional Sírio aos milhares de jovens e trabalhadores que, diante do regime miserável e ditatorial de Assad, estão diariamente lutando com armas nas mãos.

Aqui no Brasil, a relativa estabilidade da economia que vimos na última década, mas que já dá sinais de esgotamento, favoreceu a consolidação do PT no poder e bloqueou parcialmente a experiência do proletariado brasileiro com Lula e Dilma, governos de colaboração de classes, amparados pelas principais direções do movimento de massas.

No entanto, para o MNN, vivemos atualmente no Brasil sob um governo com características bonapartistas. Acreditam que Lula chegou ao poder não através das ilusões reformistas da maioria da classe trabalhadora brasileira, mas simplesmente apoiado nos setores miseráreis e conservadores da sociedade.

Dessa forma, o MNN não consegue intervir de forma vitoriosa no interior da classe operária, pois elabora sua política em acordo com uma caracterização equivocada, menosprezando os impactos da relação do PT com o movimento de massas na consciência do proletariado. E, pior, subestimam a necessidade de desmascarar Lula e Dilma diante dos trabalhadores e jovens do país, atuando centralmente com uma agitação economicista e capituladora.

Além disso, o MNN propaga uma distorção completa das leis teóricas gerais que engendram o Sistema Internacional de Estados e a Divisão internacional do Trabalho, formuladas por Lênin no livro “Imperialismo – Fase Superior do Capitalismo”.  Assim, não definem nosso país enquanto uma semicolônia do imperialismo, mas como um país avançado e com o “maior potencial” revolucionário do mundo.

Em artigo publicado na revista Crítica Marxista nº 18, Hector Benoit, intelectual do MNN, defende a tese do potencial revolucionário do Brasil. “Em qual outra região da terra, sem entraves pré-capitalistas, tais contradições se manifestam de forma tão pura, potencialmente apontando, de forma tão determinada, para a aurora de um futuro socialista?”, indaga Benoit.

Por isso, se colocam contra qualquer tipo de luta contra o imperialismo aqui no país, não reconhecendo a importância das tarefas nacionais e das palavras-de-ordem de libertação nacional, como o fim do pagamento da dívida externa e das relações com o FMI, a reforma agrária e tantas outras.

Uma última e enorme divergência que hoje possuo com o MNN está na elaboração do programa dos revolucionários. Para o MNN, em qualquer conjuntura da luta de classes, em qualquer conflito sindical, o programa deve se hierarquizar pelas demandas de “Escala móvel de salários” e a “Escola móvel das horas de trabalho”, contidas no Programa de Transição, escrito por Trotsky em 1938.

Não compreendem que a agitação das reivindicações transitórias não significa a mera repetição do Programa fundador da IV internacional. Na verdade, o relevante é compreender que no atual período de agonia do sistema capitalista, a simples defesa do emprego e do salário, interesses básicos da classe trabalhadora, pode ganhar contornos revolucionários se levam à mobilização das massas e ao choque com o regime burguês de dominação. No entanto, de acordo com a análise concreta da situação concreta, os revolucionários devem levantar as mais variadas demandas, num sistema de palavras-de-ordem que politize as mobilizações e as levem à questão do poder.

Além de todas essas concepções teóricas e análises errôneas, também me coloco atualmente contra atuação cotidiana do MNN. Na USP, por exemplo, possuem uma política ultraesquerdista e, junto a outras organizações também sectárias com os mesmos desvios, afirmam serem os mais “combatentes” e radicais do movimento estudantil.

Porém, se utilizam de todos os métodos possíveis, de calúnias a recursos burocráticos, para isolar a vanguarda da massa dos estudantes e impedir qualquer unidade com os demais setores do movimento. Essas práticas são responsáveis, hoje, pelo grande desgaste que existe na USP com os setores organizados e as entidades do movimento estudantil.


A ultraesquerda não é o principal obstáculo

Se por um lado é possível afirmar que não devemos confiar nas organizações da ultraesquerda, por outro, o que dizer sobre os demais partidos que se apresentam como “alternativa” socialista no Brasil? Qual é o projeto político que está se consolidando no PSOL?

Nas últimas eleições municipais, em 2012, o PSOL realizou alianças com partidos burgueses e com o PT e recebeu financiamento de grandes empresas privadas. É o caso de Belém e Macapá, lugares onde Lula, Dilma e até dirigentes do DEM foram à TV apoiar as candidaturas do PSOL.

Na campanha de Marcelo Freixo, no Rio de Janeiro, muita aplaudida pela dita esquerda do PSOL, o candidato, depois de buscar uma aliança não concretizada com o PV, defendeu nas eleições um programa reformista e disse à Rede Globo que poderia descontar o ponto de pagamento dos servidores públicos em greve.

Recentemente, um escândalo de corrupção atingiu esse partido, envolvendo o dirigente nacional Martiniano Cavalcante. Ele recebeu nada menos que R$ 200.000 da empresa Adécio e Rafael Construções e Incorporações LTDA, uma das empresas-laranja utilizada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira para suas negociatas. Martiniano contou com a condescendência da maioria da direção do PSOL e, mesmo assim, após alguns meses, trocou este partido pela “Rede” de Marina Silva.

Todos esses elementos demonstram a falência do projeto político de um partido reformista, que tem como estratégia central a luta por mais e mais cargos no parlamento burguês. Esses fatos são expressão do caminho que segue o PSOL: a busca por alianças com a burguesia e a colaboração de classes.


Ao lado da luta da classe trabalhadora e do Socialismo

Após a minha saída do MNN, continuei minha militância cotidiana no movimento estudantil da USP e busquei compreender teoricamente, e de maneira consciente, as minhas principais divergências, e minhas concepções em relação à teoria marxista revolucionária, o papel dos revolucionários no Brasil e no mundo.
Nesse mesmo período, estabeleci contato com o PSTU e iniciei algumas discussões com essa organização.  Após alguns meses de discussões, optei por me filiar e ingressar nas fileiras do PSTU. Trata-se de uma organização que pensa e age de modo totalmente distinto do MNN e, também, do PSOL.

É um partido internacionalista, filiado à Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI), que possui partidos e relações com organizações em mais de 20 países pelo mundo. Compreende a importância dos processos revolucionários que acontecem pelo mundo, seja no mundo Árabe ou na Europa, e busca, a partir da LIT, intervir nesses processos de modo a reconstruir uma organização revolucionária em escala internacional, como passo para a reconstrução da IV.

Trata-se também de uma organização política com regime centralista-democrático, formado por jovens e trabalhadores revolucionários, e que possui uma opinião política sólida e coerente com as tarefas atuais.

Nesse sentido, intervém cotidianamente na realidade para dirigir o movimento de massas com um programa que mobilize os setores oprimidos da nossa sociedade. Além disso, busca se construir principalmente na classe operário, setor mais estratégico do ponto de vista econômico e revolucionário.

Na esfera sindical, o PSTU entendeu a necessidade e a possibilidade da reorganização do movimento de massas, contribuindo para a existência de uma alternativa sindical e popular, a CSP-Conlutas, que é formada por sindicatos e movimentos sociais que são oposição de esquerda aos governos do PT, e disputa a direção das lutas com a CUT e a Força Sindical.

No movimento estudantil, defendeu em 2009 a construção de uma nova entidade nacional, a ANEL, denunciando a falência do projeto da UNE e impulsionando a organização nacional independente dos estudantes brasileiros.

Nas últimas eleições burguesas aqui no Brasil, interveio com candidaturas independentes de qualquer tipo de vínculo com a burguesia, seja econômico ou ideológico, e defenderam um programa revolucionário da classe trabalhadora. Elegeu dois vereadores, um peão da construção civil e uma professora, que continuarão denunciando e criticando o domínio da burguesia e a ilusão do seu parlamento, além de estarem ao lado das lutas da classe trabalhadora cotidianamente.

Diante da necessidade de nos organizarmos e construirmos uma alternativa política de organização revolucionário, que lute pela Revolução Brasileira, convido as companheiras e os companheiros que militam comigo dia-a-dia a conhecerem o PSTU, filiarem-se e militarem em nossas fileiras.

Murilo Magalhães é estudante do curso de Filosofia da USP, diretor do DCE-Livre da USP e do Centro Acadêmico de Filosofia da USP


Retirado do Site do PSTU

sábado, 4 de maio de 2013

O significado da excomunhão de padre Beto

Padre Beto: excomungado por defender LGBTs

O padre Roberto Francisco Daniel, conhecido como Padre Beto, foi excomungado na última segunda-feira (29) pela Igreja Católica em Bauru (SP), por defender os LGBTs em seu site, Twitter e Facebook, através de vídeos defendo a livre expressão da sexualidade e o casamento entre pessoas do mesmo sexo. Padre Beto já havia desistido do sacerdócio dias antes de ser excomungado, marcando uma missa de despedida no último domingo e sendo oficialmente excomungado na segunda. Ele afirmou em entrevistas que “em outros tempos, seria queimado” e que “eu fui excomungado, mas os pedófilos não”. Nada mais correto.

Escândalos de pedofilia se tornaram nos últimos 20 anos mais comuns na Igreja Católica do que qualquer outra coisa, mas nenhum sacerdote pedófilo foi excomungado, mas aqueles que denunciam a pedofilia correm sério risco: a cantora irlandesa Sinnéad O’Connor, que denunciava em 1992 o abuso sexual de crianças na Igreja, chegando a rasgar, em protesto, uma foto do papa João Paulo II ao vivo em rede nacional nos EUA (enquanto cantava frases como “abuso de crianças”, “lute contra o inimigo real”), teve sua excomunhão motivada, entre outras coisas, pelas denúncias contra a pedofilia no interior da igreja e a conivência do Vaticano.

A excomunhão do padre Beto tem um profundo significado político. Faz décadas que um sacerdote não é excomungado no Brasil, o último seria Leonardo Boff (que se autoexcomungou) em 1984, também por motivos políticos. A pauta LGBT nunca esteve tão presente na vida do país: de um lado, um avanço de setores conservadores e fundamentalistas, representados pela asquerosa figura do pastor Marco Feliciano. De outro, uma reposta de amplos setores contra Feliciano e contra a crescente violência homofóbica, envolvendo artistas, altas celebridades, o próprio padre Beto, menos a presidente Dilma. Além disso, já são 12 estados e o Distrito Federal que reconheceram a união civil homoafetiva. A Igreja Católica, diante desta acirrada polarização, deu uma resposta retrógrada e conservadora, alinhando-se com os conservadores, contra o movimento.

A posição fica marcada, então, com a excomunhão do padre Beto. Categoricamente, fica bem claro que não há espaço para LGBTs na Igreja Católica, e o recado está dado: a “santa” Igreja Romana é inimiga dos LGBTs, os odeia e não permite sequer o debate, não permite sequer que um padre defenda os direitos democráticos desse setor. Essa posição reforça a postura defendida por Jorge Bergoglio, o papa Francisco, então arcebispo de Buenos Aires, em conversa com o rabino Abraham Skorka em 2010, publicada pela revista Veja no último dia 10/04: para o papa, o casamento homoafetivo igualitário é um “retrocesso antropológico”. Não por acaso, Bergoglio foi uma das mais ferozes vozes contra a aprovação do casamento homoafetivo na Argentina, em 2011.


A Igreja Católica, uma instituição retrógrada e ultrapassada

Padre Beto afirmou que “não é possível ser cristão em uma instituição que cria hipocrisias e mantém regras morais totalmente ultrapassadas da nossa época e do conhecimento da ciência”. Seu erro, enquanto sacerdote, foi acreditar que a Igreja Católica fosse compatível com essa época de conhecimento e ciência, quando o papel do Vaticano sempre foi o de combater os avanços da ciência, que vão desde as descobertas de Nicolau Copérnico e Isaac Newton sobre a órbita da Terra em torno do Sol, até o uso de camisinha para combater DSTs e da pílula do dia seguinte para evitar uma gravidez indesejada.

A fé das pessoas, individualmente, é algo pessoal e não está em questão – a liberdade religiosa é um dos direitos democráticos mais importantes. Trata-se aqui da Igreja Católica enquanto instituição e seu papel na sociedade de classes, que sempre foi de combater qualquer movimentação que ameace sua estrutura, e isso vai além do combate ao conhecimento científico. Por exemplo, todos os católicos que pegaram em armas para combater as monarquias espanhola e portuguesa na América Latina durante o papado de Leão XII (1823-1829) foram excomungados. O papa João XXVIII excomungou Fidel Castro logo após a vitória da Revolução Cubana. Por outro lado, nenhum ditador e nenhum fascista foi excomungado na história, muito pelo contrário: Hitler, Mussolini, Franco e Salazar, dentre outros ditadores, tinham pleno apoio da Igreja Romana.

Durante as ditaduras militares na América Latina, os setores mais poderosos da Igreja Católica ajudava, por vezes de forma velada, a manter esses regimes e perseguir seus opositores. A voz dissonante na Igreja era combatida: Leonardo Boff, por exemplo, se autoexcomungou porque seria excomungado de qualquer forma. Frei Betto foi perseguido sistematicamente no interior da Igreja. Outro exemplo são as ligações do papa Francisco com o regime militar argentino.

Excomunhões para marcar a posição política da Igreja sobre temas polêmicos, frente à dada conjuntura não é nenhuma novidade: em 2008, no Uruguai, todos os parlamentares católicos que votaram a favor da lei que descriminalizou e regulamentou o aborto no país foram excomungados. O arcebispo de Olinda e Recife, José Cardoso Sobrinho, excomungou, em 2009, a mãe e os médicos de uma menina de 9 anos que fez um aborto, após ter sido estuprada pelo padrasto. O padrasto não foi excomungado, deixando clara a posição da Igreja: abortar é mais grave que estuprar uma criança indefesa.


Quem é padre Beto

Politicamente, não temos nenhum acordo com padre Beto, que chegou a chamar votos em eleições passadas a diversos partidos da direita, como PSDB, DEM e PMDB, chegando, inclusive, a chamar voto nas eleições de 2008 para Caio Coube (PSDB), dono da Tilibra, um dos maiores industriais do estado.

Existe uma distância enorme entre o que o padre Beto defende ao apoiar esses candidatos e ao falar de “amor” com a concepção de movimento LGBT que nós, do PSTU, temos: para nós, a luta contra a homofobia é necessariamente ligada à luta dos trabalhadores da cidade e do campo contra a exploração capitalista. No entanto, não podemos deixar de o apoiar em sua luta em defesa dos direitos dos LGBTs e contra essa instituição retrógrada que nos odeia e não permite nenhum tipo de debate progressista, que é a Igreja Católica.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 1 de maio de 2013

8º Congrejufe faz história e desfilia a federação da CUT

Servidores aprovam a desfiliação da central ligada ao governo e defendem a autonomia e a independência da atuação sindical em defesa dos trabalhadores
 
Congresso Nacional da Fenajufe

O relógio marcava nove horas e 35 minutos da noite de 29 de abril de 2013 quando a maioria do plenário do 8º Congrejufe explodiu em festa ao ver anunciada a contagem final da votação: por 269 votos a 202, os delegados ao Congresso da Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do MPU, representando 31 sindicatos estaduais, aprovaram desfiliar a entidade da CUT.

Dali em diante, quem permaneceu no plenário do congresso, que transcorre num hotel isolado em Caeté, cercado pelas montanhas das Minas Gerais, participou e assistiu a uma daquelas cenas que só ocorrem em momentos de grande emoção, como na virada do ano ou nas conquistas marcadas pela percepção de que se está fazendo história. Houve festa. Abraços apertados. Muito papel picado voando pelos ares na área ocupada pelos servidores que reivindicam o movimento LutaFenajufe, de oposição à atual direção – papel, aliás, ao final devidamente catado e recolhido em sacos pelos próprios servidores. A Fenajufe estava fora da CUT. O setor ligado ao governo não conseguiu manter a federação filiada a que é hoje a mais governistas das centrais do Brasil.


‘Sabor de vitória’

Todos os depoimentos eram carregados de emoção. “Você está registrando um momento histórico”, disse, ao repórter, Alex Cardoso, servidor da delegação de Alagoas, fazendo questão de mencionar que, na contagem dos votos, o seu foi o de número 100. “É cansaço e emoção, não esmorecemos, identificamos que a CUT era braço do governo no movimento sindical, é com o sabor desta vitória que eu encerro meu mandato na Fenajufe”, resumiu Antonio Melquíades, da JF de São Paulo e diretor da federação, sem deixar de destacar a necessidade de retomar a luta da categoria para superar o rebaixado reajuste salarial imposto pelo governo à categoria.

“É um momento de intensa alegria após dez anos de peleguismo dentro da CUT. A CUT vendeu os [direitos dos] trabalhadores para atender aos interesses do capital, fez isso na reforma da Previdência, faz isso no caso do ‘mensalão", disse Fagner Xavier, da delegação do Rio Grande do Sul. “Depois de dez anos, uma vitória para recolocar a Fenajufe nas lutas da categoria”, resumiu Acácio Aguiar, ex-dirigente do Sisejufe-RJ, um dos seis sindicatos da federação que permanecem filiados à CUT. “Votamos contra a permanência em virtude da vontade da base da categoria no Rio de se desfiliar da CUT, é um obstáculo que está vencido, agora temos que levar essa decisão para lá”, disse, referindo-se à campanha pela desfiliação no sindicato carioca.

A burocratização da central, a sua estreita ligação com o governo ao ponto de formular propostas, como o Acordo Coletivo Especial, que atendem às vontades do Planalto e não a dos trabalhadores, foi ressaltada por Saulo Arcangeli, diretor da Fenajufe, ao defender a proposta de desfiliação da tribuna. “Houve uma grande burocratização da central e uma [busca] por cargos. O vice-presidente da CUT é assessor da Dilma na Presidência”, disse, referindo-se a José Lopes Feijó, que por vezes chega a ser o ‘negociador’ do governo com as centrais.


Conclusão de um ciclo

A servidora Madalena Nunes, dirigente do sindicato do Piauí e ex-coordenadora da Fenajufe, recordou a história da CUT – de “lutas maravilhosas” – e lamentou o caráter atual da central que ajudara a construir. “Vamos ter que retomar essa construção agora, vamos corrigir os erros, não vamos permitir que as nossas construções e as nossas organizações se desviem do caminho das lutas dos trabalhadores”, disse.
“Estamos concluindo um ciclo na organização da categoria, foi um longo processo de cobrança e denúncia para que esta central, que teve na origem uma história muito bonita, cumprisse o papel histórico a que se propôs”, disse Adilson Rodrigues, diretor do Sintrajud-SP e ex-diretor da federação. “Mas é tempo de concluir o processo, superando o velho e fazendo germinar o novo”, defendeu.

Ao fazer, da tribuna, a defesa da desfiliação, Dalmo Duarte, da direção do Sintrajud, recordou a fundação da CUT, no início da década de 1980. “Eu lembro que naquele congresso a CUT representava o que tinha de mais bonito neste país, a CUT que era perseguida pelos militares e pela patronal. Mas eu faço esta [defesa] hoje porque aquela CUT não existe mais”, disse. “Todos nós aqui fizemos muitas greves, é uma história de luta. Sair desta CUT é fortalecer a nossa categoria e reconstruir a unidade”, sintetizou.

Também da tribuna, Pedro Aparecido, da direção da Fenajufe, assinalou a relevância do momento.  “Hoje nós estamos fazendo história viva para nossa categoria”, disse. “Quarta-feira é 1º de maio, dia do trabalhador, quis o destino que nós estivéssemos aqui, em Minas Gerais, terra de Tiradentes, para dizer: liberdade! Fora da CUT”, registrou.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 19 de março de 2013

Militantes do PSOL de Arujá (SP) rompem com o PSOL e entram no PSTU

Em carta aberta, militantes denunciam o vale-tudo eleitoral do PSOL e o distanciamento do partido com a estratégia do socialismo


Carta Aberta

Nós, militantes do PSOL de Arujá, após avaliação das ações políticas e morais do partido nas eleições municipais, concluímos que o objetivo de constituir uma alternativa eleitoral de esquerda para os trabalhadores, enfrentando os interesses da burguesia naufragou.

Lamentavelmente, a direção do PSOL sucumbiu à lógica do vale-tudo eleitoral e passou a trilhar o mesmo caminho do PT.

O Partido foi displicente com a formação de seus militantes, principalmente nos núcleos das pequenas cidades; não levou em conta a diferença entre militantes e filiados; abriu as portas do partido para oportunistas que utilizaram o PSOL como legenda de aluguel, levando ao acirramento e disputas do partido durante o período eleitoral. Erros que indicavam seu fatídico fracasso em ser uma alternativa de luta da classe trabalhadora e da edificação do socialismo. Mas as últimas ações nos levaram a avaliar que nossos ideais socialistas não cabem mais dentro do partido, as coligações com partidos burgueses e o apoio do PT às candidaturas do PSOL revelou que estamos no lugar errado e, assim como o PT não se encontrava mais em disputa quando dele saímos, hoje o PSOL também não.

Não temos mais confiança militante nos dirigentes do Partido e não avistamos mudanças de rumo, bem como punições para aqueles que traíram a moral operária. Esses são os motivos que nos levam a romper com o Partido e procurar um novo Partido que historicamente mostra coerência entre ação militante e os ideais socialistas, e esse Partido é sem duvida o PSTU.

Solange
Maria Alves
Cathiene
Selma
Jorge
Rita

Março de 2013


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

PSTU responde às calúnias ditas por Marília Coutinho em entrevista à Folha de S. Paulo

Nesse dia 25 de fevereiro, Marília Coutinho, irmã do cartunista Laerte Coutinho, concedeu entrevista à Folha de S. Paulo em que afirma ter sido estuprada quando jovem e responsabiliza a Convergência Socialista pelo crime. Marília já havia relatado uma versão parecida em entrevista à revista Trip, em 2011. Retomamos abaixo alguns trechos da resposta que militantes da Convergência na época escreveram sobre o caso



O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) se surpreendeu com as graves acusações morais feitas por Marília Coutinho, irmã do cartunista Laerte Coutinho, ao partido em entrevista veiculada na TV Folha e na Revista Serafina, do mesmo grupo de comunicação. A partir de um fato real, Marília faz generalizações mentirosas sem nenhuma preocupação em provar o que diz. Ao falar do desenvolvimento de sua sexualidade, afirma: “Eu fui estuprada no PSTU, na Convergência”.

Para o PSTU, a luta contra a opressão e todas as suas manifestações de violência é uma questão de princípio, da qual não abrimos mão. Ao contrário de muitos setores de esquerda, damos muita importância aos temas morais e estamos sendo vitimas de uma calúnia, que também é um problema moral. Por isso, fomos investigar esse problema ocorrido há tanto tempo para respondê-lo publicamente.

Companheiros e companheiras que conheceram e conviveram com Marília, no final da década de 70, na organização Convergência Socialista, lamentam o ocorrido com Marília e são solidários com a lembrança de um triste e revoltante episódio, quando desacordada numa festa foi estuprada por outro jovem militante da época. Ela denunciou o fato, o caso foi a julgamento numa comissão interna da organização, e o militante em questão foi punido e retirou-se da militância. Essa reação da Convergência Socialista, à época, em defesa de Marília ocorreu porque, ao contrário do que ela afirma, não existia uma cumplicidade com este tipo de atitude, mas sim mecanismos de defesa das mulheres e da moral da organização.

Causa-nos estranheza que ela omita essa parte da história. Mais estranheza, ainda, causa a afirmação de que fora estuprada no PSTU. O PSTU é uma organização fundada em 1994, muito tempo depois dos fatos relatados por Marília, e se constituiu da fusão de vários grupos, dentre eles a Convergência Socialista. Tendo em conta que não se trata de uma pessoa ignorante e desinformada, isso nos leva a uma única conclusão: a calúnia é proposital e pensada para desmoralizar a esquerda da qual um dia fez parte, talvez por um trauma e uma mágoa justificados, mas com declarações desonestas.


Ficamos chocados com a afirmação de Marília na entrevista sobre o tratamento que recebia nas organizações das quais participou: “Você é revolucionária, então vai limpar o chão! Abre a perna e dá pro cara! Faz não sei o quê!”. Não podemos falar em nome de outras organizações das quais Marília fez parte, mas garantimos que esse seu relato não diz respeito, em hipótese nenhuma, à Convergência Socialista, nem tampouco ao PSTU. Rechaçamos também qualquer insinuação de que as militantes seriam obrigadas a fazerem sexo com líderes partidários. Esta conduta é inadmissível em nossa organização e incompatível com qualquer liderança que se reivindique revolucionário.

Da mesma forma, não procede, também, a afirmação de que “tinha que transar para fazer parte do grupo”. Não sabemos se foi uma frase retórica para um sentimento de opressão que certamente existia ou se foi uma afirmação literal. O caso do qual foi vítima foi isolado. Ocorreu entre jovens militantes e foi amplamente repudiado.

A cultura machista reinava na época, como até hoje, e sempre nos dedicamos a lutar contra ela, defendendo os movimentos e as causas feministas, os direitos dos homossexuais, de negros e negras e de todos os setores oprimidos. Por isso, a Convergência Socialista lutou por essas questões que, hoje, fazem parte também do programa do PSTU.

Temos testemunhas de que as generalizações afirmadas nessa entrevista não expressam a realidade da Convergência Socialista, organização que lutou e foi perseguida pela ditadura militar.

A agressão sofrida por Marília há 30 anos, que repudiamos veemente, ou o seu rancor pela esquerda não justificam acusações graves e genéricas que se constituem como calúnias difamatórias contra a esquerda, da qual ela hoje parece se arrepender de ter participado, e contra o PSTU, do qual nunca foi militante.

Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado
São Paulo, 26 de fevereiro de 2013


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Plenária discute as primeiras iniciativas do mandato de Amanda Gurgel em Natal

Encontro reuniu militantes, apoiadores e trabalhadores de diversas categorias



Plenária contou com a participação de dois ex-vereadores do partido.
Em Natal, a tarde de sol do último sábado, dia 12, era um convite para as pessoas irem à praia, mesmo com a cidade ainda respirando o caos da desastrosa administração da ex-prefeita Micarla de Sousa (PV). Mas o programa escolhido por dezenas de apoiadores, militantes e trabalhadores de diversas categorias foi outro. As cadeiras do auditório do Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) nem demoraram a serem ocupadas por professores, estudantes, servidores da saúde pública, petroleiros, rodoviários, entre outros. Estavam todos ali, cerca de 110 pessoas, para a primeira plenária do mandato da professora Amanda Gurgel (PSTU.

A plenária da vereadora mais votada da história de Natal foi realizada com o objetivo de convocar os trabalhadores a participarem da elaboração dos projetos e das primeiras iniciativas do mandato socialista. A abertura do evento ficou por conta dos cordelistas Nando Poeta, Abaeté do Cordel e Hélio Gomes, que abrilhantaram o momento com suas poesias. Uma delas, inclusive, foi dedicada pelo poeta Hélio Gomes ao mandato da professora Amanda Gurgel. “Mandato socialista / Vai à rua, vai à praça / Leva o povo para a Câmara / Pra gritar, ganhar na raça / Benefícios pra cidade / Ou impedir qualquer trapaça.”, dizia um trecho.

Para enriquecer o debate político sobre como deve ser um mandato socialista, a plenária contou com as importantes participações de dois ex-vereadores do partido. Fábio José, eleito pelo PSTU em Juazeiro do Norte (CE), entre os anos de 2001 e 2004, e Romildo Raposo, eleito pelo PT em Diadema (SP), nos anos de 1989 e 1992 (Romildo era da corrente interna Convergência Socialista, uma das fundadoras do PSTU). Nas palestras coordenadas pelo professor Dário Barbosa, presidente estadual do partido, os dois ex-vereadores contaram suas experiências de luta política no parlamento e alertaram sobre as dificuldades que os revolucionários enfrentam no terreno do inimigo.

Antes do início da plenária, foi respeitado um minuto de silêncio em memória do operário da construção civil de Belém (PA) e militante do PSTU, Adilson Duarte, que morreu afogado no último dia 6.


“Não se chega ao socialismo pelo parlamento.”

Em sua exposição, Fábio José destacou as principais características que marcam a atuação de um mandato socialista e fez relatos impressionantes de quando foi vereador em Juazeiro do Norte. O professor da Universidade Rural do Cariri (URCA) disse que o parlamento burguês deve servir unicamente como ponto de apoio dos revolucionários para mobilizar os trabalhadores em direção a uma profunda mudança social.“O mandato socialista tem que servir para potencializar e fortalecer a mais elementar reivindicação dos trabalhadores. Se nós queremos fazer uma revolução nesse país, nós devemos disputar a consciência das massas trabalhadoras. Um mandato parlamentar ajuda nessa luta, mas não é o objetivo final. Não se chega ao socialismo pelo parlamento.”, assegurou o ex-vereador do PSTU.

Fábio José falou também sobre as pressões que o parlamentar socialista pode sofrer por atuar de forma combativa. Durante seu mandato, o professor universitário apresentou projetos em defesa dos trabalhadores, apoiou lutas na cidade e foi responsável pelas denúncias de corrupção que derrubaram a Mesa Diretora da Câmara de Juazeiro. “Os parlamentares burgueses vão tentar nos intimidar. Quando fui vereador em Juazeiro passei duas semanas com um matador rondando o quarteirão da minha casa. Quem garantiu a minha segurança, quando sofri ameaças de morte, foi o partido. Não foi a polícia.”, lembrou.

O ex-vereador pelo PSTU encerrou sua apresentação destacando a importância do mandato da professora Amanda Gurgel e da iniciativa da plenária com a população. “Temos a convicção de que a Amanda pode traduzir os anseios dessa coletividade, apresentando projetos de interesse dos trabalhadores e sendo uma porta-voz. Essa plenária é o primeiro passo para organizar aqueles que querem mudar Natal, o Brasil e o mundo.”, disse.


“Covil de bandidos”

Romildo Raposo foi vereador em Diadema (SP) entre os anos de 1989 e 1992. Eleito pelo PT (Romildo fazia parte da corrente Convergência Socialista, uma das fundadoras do PSTU), ficou conhecido pelas lutas em defesa dos metalúrgicos e, principalmente, pelo apoio à causa do movimento por moradia. Na primeira plenária de apoiadores do mandato de Amanda Gurgel, o hoje professor de Sociologia da Educação na UFPB não teve dúvidas sobre como qualificar o lugar que a professora terá de frequentar pelos próximos quatro anos. “Ela vai estar num covil de bandidos. E vai precisar da ajuda de vocês e do partido para enfrentá-los.”, afirmou Romildo.

Como vereador, Raposo chegou a ser preso, por 45 dias, depois de apoiar e participar de um ato público durante uma ocupação de um terreno abandonado. O apoio de seu mandato foi decisivo para a conquista das casas pelos moradores. O fruto desta luta, a Vila Socialista, está de pé até hoje em Diadema. Para Romildo, essa experiência ilustra bem como deve ser a atuação de um parlamentar socialista. “É preciso fazer muita denúncia, apresentar projetos que atendam as necessidades dos trabalhadores e sempre discutir tudo com as categorias, com os moradores dos bairros. É pra mobilizá-los que usamos o mandato.”, explicou. E concluiu: “O mandato socialista precisa ter independência de classe e compromisso com os trabalhadores.”.




“Me senti fortalecida com a plenária”

Nestes primeiros dias de mandato, a professora Amanda Gurgel já deu uma clara demonstração de como será a atuação socialista do PSTU em Natal. Nas sessões extraordinárias da semana passada, Amanda denunciou e votou contra a proposta da Câmara que aumentou o número de cargos comissionados dos vereadores. A professora apresentou um projeto substitutivo proibindo a criação de mais 80 cargos desnecessários, mas a maioria da Câmara foi contrária. “A cidade neste caos em que se encontra, com o ano letivo encerrado mais cedo, a saúde numa calamidade, e a mesa diretora da Câmara de Natal convocou uma sessão extraordinária simplesmente para aprovar um aumento de cargos comissionados dos vereadores. Um desrespeito.”, criticou Amanda, durante a plenária.

A vereadora afirmou também que o mandato estará a serviço das lutas dos trabalhadores por saúde e educação públicas de qualidade, transporte e em defesa das mulheres que sofrem com o machismo. Amanda lembrou que sua atuação na Câmara não será indiferente diante da violência machista e disse que o mandato irá lutar, junto com as mulheres, pela criação de delegacias especiais e casas-abrigo. “Em briga de marido e mulher, nosso mandato vai, sim, meter a colher.”, avisou.

Ao final de sua exposição, a professora agradeceu a presença dos apoiadores e fez um convite para que todos seguissem participando do mandato, ajudando a mobilizar os trabalhadores e a elaborar os projetos que serão apresentados na Câmara. Amanda anunciou, inclusive, a criação de grupos de trabalho dos quais os trabalhadores deverão participar para discutir propostas sobre diversos temas da cidade. “Me senti fortalecida com a plenária. As pessoas demonstraram que continuam com essa indignação, com a chama da indignação acesa. Demonstraram isso nessa plenária quando se dispuseram a fazer parte dos grupos de trabalho. E isso é bom demais.”, comemorou a vereadora.


Participação popular

A primeira plenária do mandato da vereadora Amanda Gurgel foi bastante representativa. Participaram do evento trabalhadores de diversas categorias, como professores, profissionais da saúde, rodoviários e petroleiros. Destaque ainda para os moradores do Conjunto Nova Natal, onde Amanda é professora. Várias entidades também compareceram à plenária, a exemplo da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), centros acadêmicos da UFRN, Coletivo Feminista Leila Diniz e os Sindicatos dos Trabalhadores da Saúde e Educação de São Gonçalo do Amarante (Sindsaúde e Sinte).

Durante a plenária, muitos trabalhadores e trabalhadoras fizeram declarações de apoio ao mandato, deram sugestões de iniciativas e se dispuseram a participar da elaboração dos projetos. A professora de Língua Portuguesa, Ricaline da Costa, foi uma delas. “Sou professora, mas quero participar do grupo de trabalho da saúde porque sou usuária do SUS e acredito que devemos lutar para que ele seja de qualidade para todos.”, disse. Ricaline foi filiada ao PT por dez anos, mas deixou o partido depois de muitas desilusões. Na plenária, ela aproveitou para dizer que estava se filiando ao PSTU. “Acredito na política defendida por este partido e pela professora Amanda.”, declarou.

Depoimento emocionante também deu o técnico em segurança do trabalho da Petrobrás, Ionaldo Morais. Militante do PCdoB por 20 anos, Ionaldo rompeu com o partido e se aproximou da campanha da professora Amanda Gurgel. “Eu ouvi as palavras 'revolução' e 'socialismo' bem mais vezes nesta plenária do PSTU do que em 20 anos como militante do PCdoB. Eu acho que o mandato de Amanda é algo especial, que pode dar uma nova motivação para os trabalhadores.”, afirmou.

O petroleiro disse ainda que a defesa da causa ambiental deve estar na pauta política das esquerdas e sugeriu que a proposta fosse incorporada pelo mandato da professora Amanda Gurgel. “Há um grande desafio hoje para as esquerdas, que é incorporar a luta em defesa do planeta sem negligenciar as lutas tradicionais dos trabalhadores. Não podemos mais admitir que essa luta seja conduzida por ONGs ou por partidos que se dizem verdes. A defesa do planeta é uma pauta urgente do socialismo.”, analisou.

A plenária foi encerrada com a formação dos grupos de trabalho sobre educação, saúde, transporte, cultura e mulheres, que terão a função de elaborar projetos para o mandato com base nos problemas enfrentados pelos trabalhadores e a população. No próximo dia 23 de fevereiro, o grupo de educação já irá realizar o primeiro seminário temático. E no sábado de Carnaval, dia 9, sairá a segunda edição do Cuscuz Alegado, bloco inspirado no discurso da professora Amanda Gurgel.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 22 de outubro de 2012

PSTU rompe com frente em Belém e chama voto crítico em Edmilson Rodrigues (PSOL)


Campanha de Edmilson veicula apoio de Lula na TV
O PSTU anuncia sua ruptura com a Frente “Belém nas mãos do povo” em razão dos rumos políticos adotados pela direção do PSOL neste 2º turno na disputa da Prefeitura Municipal de Belém. Na capital paraense, foi composta uma frente eleitoral entre PSOL, PCdoB e PSTU, tendo Edmilson Rodrigues (PSOL) como candidato a prefeito. Essa frente foi montada com o objetivo de constituir uma alternativa eleitoral de esquerda para os trabalhadores da cidade, em base a um programa mínimo de enfrentamento com os setores da burguesia, de compromisso com os trabalhadores e o povo pobre e de independência de classe (política e financeira) em relação aos patrões e governos.

A coligação em torno da campanha do Edmilson polarizou a cidade e se concretizou em uma alternativa para todos os trabalhadores. Foi tão assim que, mesmo com um tempo de TV muito reduzido e inferior aos demais, Edmilson venceu o primeiro turno com 32% dos votos.

No interior da frente, desde antes de sua conformação, houve uma luta política para garantir um programa classista. O PSTU batalhou contra a presença do PCdoB, por ser um partido que apoia e compõe o Governo Federal, partido que não comunga com a oposição que PSTU faz politicamente ao governo Dilma.

Além disso, durante a campanha, Edmilson recebeu apoio de Marina Silva e o PSOL aceitou a doação de dinheiro de empresas para financiar sua campanha. Ambas as ações estão contra as diretrizes de uma candidatura que reivindica governar para o povo pobre e os trabalhadores. O PSTU sempre exigiu publicamente que isso fosse revisto.

Lamentavelmente, a direção do PSOL sucumbiu de vez à lógica do vale-tudo eleitoral ao incorporar política e programaticamente neste 2º turno o PT e partidos e representantes da direita como o PDT, o PPL e até mesmo um vereador do DEM. O PDT é um partido que fez parte da base de sustentação do governo Duciomar Costa e da candidatura de Anivaldo Vale (PR) e tem como um de seus principais dirigentes o latifundiário Giovanni Queiroz. Já o PPL é uma sublegenda do PMDB. A reivindicação do apoio de Dilma e Lula por parte de Edmilson Rodrigues em sua campanha significam o abandono do perfil de uma candidatura de esquerda e socialista.

Nós do PSTU já alertávamos desde o 1º turno que o recebimento de dinheiro de empresários e a defesa de programas sociais compensatórios (Bolsa-Escola) como principal eixo de campanha de Edmilson já indicavam uma guinada à direita que abandonava o caráter classista e socialista que a frente deveria ter.

O espaço de massas conquistado pela candidatura de Edmilson e pela campanha da Frente “Belém nas mãos do povo” poderiam contribuir com o fortalecimento da luta da classe trabalhadora, do povo pobre e da juventude para enfrentar os ataques dos patrões e dos governos aos salários e direitos, como a nova reforma da Previdência que está sendo preparada e a tentativa de instituir o Acordo Coletivo Especial pelo governo com o objetivo de flexibilizar os direitos trabalhistas.

A autoridade política da candidatura de Edmilson também poderia estar a serviço da luta contra a Lei de Responsabilidade Fiscal, pela implantação de conselhos populares que decidissem sobre 100% do orçamento e pelo direito à educação, saúde, saneamento, moradia e transporte público e de qualidade.

Infelizmente, Edmilson e o PSOL optaram pelo caminho inverso. Resolveram trilhar o caminho da conciliação de classes no âmbito do programa e das alianças eleitorais.

O PSTU tem um compromisso com a classe trabalhadora e é coerente com aqueles que apostam em construir um projeto para transformar a sociedade. A presença do PSTU nessa frente, hoje, estaria em contradição com seu programa, e o lado que o PSOL tomou nos obriga a nos retirarmos da coordenação de campanha.

A mesma coerência que nos faz sair da coordenação da Frente ‘Belém nas mãos do povo’ também nos cobra um posicionamento contundente contra o PSDB. Zenaldo Coutinho é a representação política dos grandes empresários, latifundiários e banqueiros. Seu partido é o símbolo dos setores da burguesia que odeiam os movimentos sociais e que defendem a privatização de nossas riquezas, empresas e serviços públicos. Uma possível vitória de Zenaldo representaria um retrocesso para as lutas e para a consciência da classe trabalhadora em Belém.

Por isso seguimos chamando voto em Edmilson, um voto crítico, para derrotar a burguesia. Mas com essa coalização mantida, não temos nenhuma expectativa de que o PSOL será consequente com um governo para a classe trabalhadora, porque as alianças de hoje cobrarão seu preço amanhã.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 20 de outubro de 2012

Para onde vai Hugo Chávez?

Presidente sofreu importante desgaste em setores dos trabalhadores
As eleições na Venezuela foram cuidadosamente acompanhadas em todos os países da América Latina e muitos outros além do nosso continente. Adversários políticos dos governos da Argentina e de outros países acompanharam Henrique Capriles, enquanto outros torciam para Hugo Chávez. As expectativas são bastante compreensíveis. Chávez, após 14 anos no cargo, enfrentou pela primeira vez uma oposição unida ao mesmo tempo em que enfrentava um crescente desgaste entre os trabalhadores, sua base social tradicional.

O que aconteceu na eleição?

Chávez venceu as eleições com 55,25% (8.136.964) dos votos em uma eleição com pouca abstenção: votaram mais de 80% do eleitorado. O número de votos do partido do governo não é pouca coisa quando você considera os 14 anos do chavismo no poder.

Porém, é importante notar que a oposição burguesa liderada por Capriles conseguiu um salto significativo para obter mais de 6 milhões de votos, dois milhões a mais do que na eleição passada (um crescimento de 50%).

O resto dos candidatos dividiu um número muito pequeno de votos, quase 80 mil, mostrando a grande polarização entre os dois principais candidatos. Neste quadro, a candidatura de Orlando Chirino, a única que apresentava independência de classe, conquistou 4.103 votos.


A ruptura com Chávez

Mas os números e o triunfo de Chávez não podem nos confundir. As eleições se realizaram em um cenário prévio de luta, manifestações e protestos com reivindicações de salários, serviços (especialmente água, eletricidade e infraestrutura), acordos coletivos e uma longa lista de reivindicações. Muitas delas apresentavam antigas reivindicações e continuam depois das eleições, pois falta resposta a elas.

A perseguição dos líderes sindicais que impulsionavam essas lutas, ou simplesmente não se encaixam no partido de Chávez (como é o caso de Rubén González, que foi preso por mais de um ano e agora será julgado por liderar um protesto em 2009), a burocratização das organizações dos trabalhadores e a corrupção, produziram rupturas de setores importantes com Chávez. Isso explica o crescimento eleitoral de Capriles. Seus votos vêm principalmente da classe média, mas também de um setor importante dos trabalhadores do petróleo, que desempenhou um papel heróico contra a sabotagem petroleira (lockout) de 2003; os trabalhadores que lutaram pela nacionalização e controle da Sidor (Siderúrgica de Orinoco, nacionalizada em 2008); e da empresa da Corporación Venezolana de Guayana; e dos professores e trabalhadores da educação.

Esses trabalhadores não querem deixar para trás toda a sua luta. Tem expectativas em Chávez e seu governo e querem resolver seus problemas. Muitos escolheram, de maneira confusa, a opção por "punir a insensibilidade do governo e da burocracia." Tal sentimento foi usado por Capriles que tentou passar uma imagem de "progressista" e “democrático”. O candidato chegou a dizer que tem simpatia por Lula e disse que vai manter as políticas sociais de Chávez, porém com "mais eficácia e livre da corrupção".


Mas ... e os 8 milhões de votos?

Chávez conquistou uma grande quantidade de votos. Alguns desses votos vêm dos setores populares que, de alguma forma, se beneficiaram com as "missões" (programas que subsidiam a habitação, educação, saúde, alimentação etc., financiado com a alta dos preços internacionais do petróleo) e também um setor importante da classe trabalhadora. Não pode se desprezar também o voto das Forças Armadas Bolivarianas, que ocupa posições de poder dentro do aparelho do Estado, incluindo o Ministério da Defesa no comando do general Rangel Silva, entre vários militares lideranças dos governos "democráticos e socialistas".

Mas essa grande votação não expressa um entusiasmo ou um cheque em branco para o presidente. Há grande desconfiança e rejeição. Tanto é assim que, nas semanas finais da campanha "desapareceram" dos comícios todos os ministros, governadores e burocratas que adornavam os discursos de Hugo Chávez. Foram substituídos por músicos jovens e estudantes. Na hora de votar, muitos tiveram medo de algum "pacote neoliberal secreto como os aplicados na Europa", uma agitação que marcou a campanha de Chávez.

Na campanha, Chávez não se cansou de perguntar: "vocês acham que a direita vai manter construção de casas e as missões? Vai eliminá-las!", "Você vai permitir que eles acabem com nossas conquistas?" "Não! Não é certo?", agitava em seus discursos.

Milhares de trabalhadores do Estado, muitos deles terceirizados, não arriscaram pôr em perigo a estabilidade já precária de seus empregos. Assim, pensando que o pior estava por vir, (e apesar da raiva contra a burocracia e a corrupção do PSUV - Partido Socialista Unido da Venezuela) e na ausência de uma alternativa visível, optaram por votar em Chávez, para evitar o “ajuste neoliberal ".


"Obama votaria em Chávez"

Mas o discurso de Chávez também se dirigiu à burguesia. Em entrevista a Telesur, ele disse: "Minha vitória convém a eles, disse aos proprietários das grandes redes de televisão, os donos das grandes empresas privadas, que convém a toda a burguesia porque Chávez aqui garante paz, a tranquilidade e o desenvolvimento do país . Eu sou a garantia de que eles continuem a ganhar dinheiro. Sou a garanta de estabilidade”

Também chamou os empresários a realizarem “bons negócios” associado às empresas imperialistas com as empresas do Mercosul. Para garantir que os empregadores não deveriam ter medo, Chávez soltou: "Se Obama vivesse em Caracas, Chávez votaria em Obama. É um cara bom" (Telesur)

Nos últimos dias da campanha, Chávez apontou para o “diálogo” e deslizou até com a possibilidade de uma anistia para os golpistas, como Pedro Carmona, empresário golpista exilado em Miami, "dentro da Constituição". (Entrevista com TeleVen em 4/10/2012).

O processo revolucionário venezuelano, aberto nos primeiros anos do século, não foi derrotado. Para além dos refluxos momentâneos, ele ainda segue vivo. E as lutas vão se incrementando diante o fracasso do programa democrático burguês de Chávez para dar resposta aos problemas operários. Chávez se apresenta até agora como uma garantia de contenção, uma barreira que desvia as lutas.

Este permanente chamado à burguesia, à oposição a dialogar, ao mesmo tempo em que afirma que foi o responsável por tirar o país da beira do abismo, só pode ser entendido no marco da crise econômica mundial, que já se fez sentir em 2008 e que se aproxima novamente da Venezuela

Quem pagará pela crise caso Chávez convoque uma “unidade nacional” com os patrões para que garantam seus bons negócios? Como já denunciamos em 2008, o aumento do IVA, a desvalorização cambial e a inflação (medidas adotadas pelo governo diante da crise) fizeram que os prejuízos dos patrões fossem jogados nas costas dos trabalhadores!


Votação de Chirino

A votação a Orlando Chirino foi baixa, ainda que significativa, apesar da polarização. Os esforços da cada partido em apresentar uma candidatura classista como alternativa não atingiram os milhares de colegas que não encontraram um ponto de referência.

Nós da Unidade Socialista dos Trabalhadores impulsionamos a candidatura de Chirino, entre os trabalhadores fabris, estatais, estudantes e setores de vanguarda do movimento operário.

No entanto, a baixa votação de Chirino não se chocou com a polarização. Em nossa opinião, também jogou contra a campanha o fato de que não se tenha formado uma frente de todas as personalidades e partidos que deram apoio a Chirino. Essa possibilidade existiu e o PSL, que poderia ter convocado e concretizado esse frente, não a fez, apesar da pré-disposição da UST e de Opção Operária. Isso foi um erro, ainda que a frente não tivesse rompido a polarização, mas poderia ter sido apresentada com maiores possibilidades, como um ponto de referência para esses milhares de desiludidos com Chávez. Esperamos que isso sirva como experiência.


As tarefas por diante

Constatada a importante ruptura com o chavismo, abre-se a possibilidade de lutar por uma fatia dos lutadores e ativistas que começaram a buscar uma alternativa. Por isso, devemos participar e impulsionar as lutas que estão se dando e aquelas que inevitavelmente virão. Junto com isso, começam a surgir novos sindicatos que precisamos ajudar a consolidar para que possam serem reconhecidos.

É tarefa fundamental a construção de uma ferramenta política revolucionária, implantada na classe operária e setores populares. Em dezembro serão realizadas as eleições regionais para governadores e deputados. É uma oportunidade para chegar a todos aqueles que buscam uma alternativa ao chavismo e seus burocratas. A UST chama todos para essa luta. Vamos participar das eleições com candidatos nas cédulas do PSL com o objetivo de defender o programa de independência de classe e construir a ferramenta revolucionária dos trabalhadores.


Esclarecendo confusões

Os revolucionários aproveitam a intervenção nas campanhas eleitorais para fazer propaganda do programa operário e socialista. Os espaços na imprensa burguesa são escassos, por isso devemos ser muito cuidadosos na hora de fazer declarações. No jornal Universal (27/9/2012), em uma reportagem, Orlando Chirino expressou corretamente que chegou a hora dos trabalhadores governarem. Mas quando explicou quais seriam as medidas que tomaria esse governo, Chirino gerou uma grande confusão ao afirmar que “quanto ao aparelho produtivo há que se sentar com os investidores para fixar regras claras e recuperar as instituições para atrair investimentos. Isso passa por melhorar o salário e discutir um plano geral para garantir emprego estável e de qualidade e segurança social.”

Quando se referiu às expropriações de Chávez disse: “Tudo o que está fora da lei se revisará. Terá que se escutar todos os envolvidos, donos, comunidades e sindicatos. Não temos problemas com isso. Nosso governo garante a plena liberdade sindical e à iniciativa privada”.

Nada do que foi dito está no programa apresentado pelo PSL que apoiamos. Não vemos porque seria necessário sentar-se com os investidores… para atrair investimentos, quando o principal setor da economia que os investidores estão de olho é o petróleo que propomos nacionalizar totalmente. Também não entendemos a razão de se revisar as expropriações com os “donos” (as multinacionais também?), nem porque garantir “a iniciativa privada”. Essas confusões, que devem ser esclarecidas, dificultam o diálogo com os lutadores, sobretudo com os das empresas expropriadas para que possam compreender o programa revolucionário.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Osmarino Amâncio rompe com o PSOL e se filia ao PSTU

Osmarino Amâncio, liderança dos seringueiros do Acre, filia-se ao PSTU


osmarino Nesta segunda feira, 24 de setembro, na cidade de Rio Branco, Osmarino Amâncio,  líder seringueiro de larga tradição na luta em defesa dos povos da floresta no Acre e em toda a região amazônica, se filiou ao PSTU.  A filiação de Osmarino aconteceu depois de reunião realizada no dia anterior, no campus da UFAC, quando Osmarino comunicou pessoalmente sua desfiliação ao PSOL à dirigentes e ativistas da esquerda em Rio Branco.

Nesta reunião, estavam presentes, inclusive, dirigentes do PSOL do estado do Acre. O líder seringueiro explicou sua decisão de desfilar-se daquele partido pela distância que vem se constituindo entre o que  considera um partido como  instrumento para a luta dos trabalhadores e da transformação da cidade, e a evolução do PSOL.  As alianças feitas por este partido no processo eleitoral em curso e a aceitação de financiamento de suas candidaturas por empresários expressam claramente o abandono da independência de classe, sem o quê não existe organização revolucionária. A aproximação com Marina Silva, por parte das lideranças do PSOL – sejam as lideranças do MTL, sejam as lideranças da APS – foi a gota d’água que o levou a esta decisão, pois Marina Silva representa justamente a traição aos ideais de Chico Mendes e a tradição de luta dos povos da floresta do Acre.

Osmarino afirmou que a decisão de se filiar ao PSTU  foi para dar continuidade à luta de toda a sua vida,  em defesa da reforma agrária, dos direitos dos seringueiros e dos povos da floresta, a luta contra toda forma de exploração capitalista e por uma sociedade igualitária e socialista. Osmarino luta desde a década de 70 contra a destruição do meio ambiente, enfrentando fazendeiros, madeireiras e governos pela preservação da Floresta Amazônica e de seus habitantes. Lado a Lado com Chico Mendes, combateu ativamente a entrada do capitalismo na região e a expulsão da população acreana dos seringais.

O dirigente seringueiro identifica no PSTU a alternativa para levar adiante a luta pela transformação da sociedade em que vivemos.  Ao final da atividade, conclamou todos os ativistas e lutadores dos movimentos sociais de nosso país,  que como ele defendem o socialismo, a que sigam seu exemplo e venham também construir o PSTU.

Releia a carta em que Osmarino anuncia sua desfiliação ao PSOL. 

Em vídeo, Osmarino fala da sua filiação:




Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Osmarino Amâncio: Por que estou me desfiliando do PSOL

O líder seringueiro Osmarino Amâncio, considerado por muitos o sucessor de Chico Mendes, divulgou carta em que anuncia sua desfiliação ao PSOL. Leia abaixo


Dirigente seringueiro Osmarino Amâncio

"A minha vida toda tenho dedicado à luta em defesa dos direitos e interesses dos povos da floresta. Desde os empates que fazíamos, ainda na época em que Chico Mendes estava entre nós, nas lutas no Sindicato, nos movimentos sociais, tudo em função de conquistar melhores condições de vida e trabalho para os seringueiros e para a classe trabalhadora brasileira.

E desde há muito tempo que esta luta não tem como ser completa sem um combate incansável contra o capitalismo – este sistema injusto e desigual em que vivemos – e pela construção de uma sociedade igualitária, socialista. Uma sociedade onde a riqueza produzida pelo trabalho do povo seja usada para garantir vida digna a todos, ao invés de servir apenas para enriquecer banqueiros, os donos das madeireiras, do agronegócio e grandes empresas. Onde nossos recursos naturais sejam protegidos e não entregues às grandes empresas.

Por esta razão me liguei ao PSOL, um partido que se dizia socialista, instrumento para organizar os trabalhadores para lutar por esta sociedade igualitária que defendo. Infelizmente, não é possível mais acreditar que este partido se preste realmente a este objetivo.

Mas, há tempos venho acompanhando com desconfiança as tentativas de aproximação deste partido com a ex-senadora Marina Silva, que os povos da floresta conhecem muito bem. Não como a defensora da Amazônia como ela diz ser, e sim como o que ela realmente é – defensora dos interesses de grandes empresas que exploram recursos naturais de nossa região, responsável (quando era ministra do governo Lula) pela Lei que arrenda a mata amazônica para grandes madeireiras, e pela liberação dos transgênicos. A preocupação cresceu com notícias de que o partido vinha recebendo dinheiro de empresários para financiar sua campanha eleitoral. Não há independência política sem independência financeira.

Agora, neste processo eleitoral em curso, em vários lugares, o PSOL faz aliança com partidos da burguesia, como PPS (em Macapá), com o PSD (em Manaus), alianças até com o PTB (em Santana/AP). Sem falar que, traindo a luta dos povos das florestas, tem andado de braços dados com a ex - senadora Marina Silva para que esta faça campanha em favor do PSOL.

Num partido que cabe estas coisas todas, não cabe alguém que mantenha seus compromissos, seja com a luta dos povos das florestas, seja com as lutas da classe trabalhadora brasileira. A nossa classe já viu um partido que ela construiu – o PT – que ao longo de sua vida, para crescer, para ganhar eleições, resolveu se aliar a empresários para governar. O resultado é que este partido virou as costas para o povo e hoje governa contra nós. Eu não quero participar da repetição desta triste experiência.

Saio do PSOL, então, para poder continuar de forma coerente a minha militância em defesa da independência dos trabalhadores, e da luta dos povos da floresta e de todo o povo brasileiro para a construção de uma sociedade socialista e igualitária. "

Brasileia, 11 de setembro de 2012-09-13
Osmarino Amancio



Retirado do Site do PSTU

sábado, 21 de julho de 2012

Nota do PSTU sobre a saída do MTST da CSP-Conlutas

Entre os dias 13 e 15 de julho, se realizou no Rio de Janeiro a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas em que a direção do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) anunciou a saída da central baseada em injustas acusações ao PSTU. O partido lamenta a saída do MTST da CSP-Conlutas e manifesta total desacordo com suas alegações.

Causou-nos surpresa a saída dos companheiros da CSP-Conlutas, visto que, apesar de diversas diferenças, havia pelo menos um grande acordo na necessidade da construção de uma central que fosse um instrumento que unificasse a luta do movimento sindical e popular. O anúncio do MTST não se justifica e causa estranheza por, em nome da unidade, sair da central que é a única e inédita experiência em nosso país de uma organização de massas, uma frente única, que se propõe a unir o movimento sindical e o movimento popular, além do movimento estudantil e movimentos de lutas contra as opressões.

As alegações em relação ao PSTU não procedem. Nos últimos anos, o PSTU deu uma enorme batalha no movimento na defesa da unidade e integração do movimento sindical e popular e, dessa forma, abandonou a cômoda posição defendida pela maioria da esquerda de constituir meramente uma nova central sindical. Desta forma, o PSTU se orgulha de, junto com outras organizações, apoiar a fundação da CSP-Conlutas.

Neste marco, o PSTU apoiou e estimulou os movimentos populares, em particular o MTST, com quem nossos militantes sempre mantiveram relações leais, fraternas e de absoluta colaboração tanto nas lutas como em seu desenvolvimento e estruturação em diversos estados.

Da mesma maneira que apoiamos o MTST, o PSTU apóia outros movimentos populares, tais como: MUST Pinheirinho, Quilombo Urbano, Ocupação San Remo, Luta Popular, etc. O partido entende que a CSP-Conlutas, enquanto uma entidade plural, deve estar aberta e abrigar todos os movimentos de luta dos trabalhadores e do povo.

A luta em defesa do Pinheirinho, a luta popular de maior impacto no país nos últimos anos, protagonizada pelo MUST Pinheirinho e a CSP-Conlutas, já é um resultado do avanço na integração do movimento sindical e popular, que abriu um novo momento na resistência à “contra-reforma urbana” e desencadeou um processo de reorganização do movimento popular urbano no Brasil em que a CSP-Conlutas é um ponto de referência nacional.

O processo do Pinheirinho fortaleceu e aproximou vários movimentos populares da CSP-Conlutas. Assim, além do MTST, outros movimentos de luta por moradia passaram a se alinhar com a central potencializando ainda mais seu caráter e ampliando de forma legítima a participação desses movimentos, que também são parceiros na luta contra os governos e o capital.

Reconhecer o papel e legitimidade do MTST não pode representar a exclusão de outros movimentos populares, sob o risco de cair no “hegemonismo” que o MTST tanto critica. O MTST não detém o monopólio de representação do movimento popular.

A CSP-Conlutas, enquanto uma central sindical e popular, um organismo de frente única, se construiu baseada no método da democracia operária, em que a base decide e não as tendências através de acordos de cúpula. Por isso, e por protagonizar uma série de enfrentamentos contra os ataques dos governos e dos patrões, a CSP-Conlutas se constitui na mais importante ferramenta de luta e alternativa às centrais governistas, e deve ser defendida e apoiada por todos aqueles que queiram dar um combate conseqüente por uma alternativa operária e socialista.

Diante disso, o PSTU lamenta a decisão do MTST e chama os companheiros a reverem suas posições e reafirma sua defesa da construção da CSP-Conlutas como uma entidade plural baseada na democracia operária.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 30 de junho de 2012

PE: Noélia Brito anuncia desfiliação do PSOL e apoio às candidaturas do PSTU

A promotora de Recife afirmou que não pode compactuar com práticas contrárias à causa socialista


Ex militante do PSOL declara apoio às candidaturas do PSTU
Com um discurso emocionante, Noélia Brito, procuradora de Recife e ex pré-candidata à prefeitura pelo PSOL, anunciou na noite da convenção do PSTU, realizada no dia 27 de junho, sua desfiliação da legenda. Para a militante de esquerda, o PSOL deixou sua ideologia política de lado para se entregar ao jogo sujo das eleições.
Noélia afirmou que estava triste com o cenário político nacional diante da degeneração da esquerda brasileira. De acordo com Noélia, essa situação foi inaugurada pelo PT e copiada com precisão por outros partidos como o PSOL. Para ela, essas legendas se mostraram indignas de representar a classe trabalhadora.

No discurso, a procuradora afirmou que durante o período que esteve no PSOL passou por muitos constrangimentos e situações que são contrárias à moral operária “Deparei-me com quadro estarrecedor de degradação ética e ideológica, perseguições políticas e assédio moral”, denunciou Noélia. Noélia falou do envolvimento de parlamentares do PSOL no caso da CPMI de Cachoeira. “Tive que me deparar com o crime organizado sendo protegido por alguns membros da Executiva Nacional, na blindagem de figura sabidamente envolvida nos esquemas do maior corruptor deste país, o bicheiro Carlos Cachoeira. Falo do vereador Elias Vaz , do PSOL de Goiás”, afirmou a procuradora.

Noélia também lembrou da denúncia que fez , ao lado de Jair Pedro, sobre o envolvimento do PT e do PSB com os esquemas da Delta Construtora no caso Cachoeira. Fato que “o Partido Socialismo e Liberdade teima em blindar, à revelia de grande parte de sua militância que não comunga com tão abjeto protecionismo, em função de políticas de alianças oportunistas que só visam as táticas eleitoreiras”, declara.

Para Noélia, o PSOL se transformou num partido eleitoreiro. Ela denunciou que há graves flagrantes de aluguel de legenda e de vendas de candidaturas em Pernambuco para a direita tradicional. Ela ainda lembrou a sumária retirada de sua candidatura pelo PSOL à prefeitura de Recife para atender aos interesses de uma candidatura laranja da Frente Popular.

Ainda falou da tentativa de coligação do PSOL com o PDT que, segundo Noélia, por iniciativa do próprio presidente nacional do PSOL, o deputado federal Ivan Valente. Vale destacar que essa aliança em Recife não saiu, pois o próprio PDT recusou, preferindo se juntar com o PSB, como foi divulgado pela imprensa local.

Durante a convenção, Noélia ainda divulgou seu apoio às candidaturas do PSTU nestas eleições. “Uma legenda que não se vende, não se aluga, nem muito menos se posta subservientemente a serviço do PT, da Frente Popular ou da direita tradicional, mantendo-se firme e inflexível com seus princípios socialistas e na defesa da classe trabalhadora, sem jamais se render à burguesia”,declarou Noélia.




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sábado, 5 de maio de 2012

Uma vez mais sobre as calúnias da CST/Unidos Pra Lutar

A CST/Unidos Pra Lutar*, no Brasil, e a UIT (Unidade Internacional dos Trabalhadores) em nível internacional, tem feito uma intensa campanha de calúnias, no melhor estilo estalinista, contra a CSP-Conlutas, o PSTU e a LIT. Afirmam que há uma aliança entre estas organizações dos trabalhadores (por apoiarem a Chapa 2, que concorre às eleições do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos e região) e uma multinacional para perseguir e demitir dirigentes sindicais. Lamentamos a perda de tempo com coisas desta natureza, mas queremos fazer algumas considerações sobre a situação.

Essa acusação é uma grave calúnia. A Chapa 2, que é apoiada pela CSP-Conlutas, surgiu a partir de uma divisão da atual diretoria do sindicato, que é ligada à CST/Unidos Pra Lutar. Dos 22 membros da Chapa 2, 15 são da atual diretoria (composta de 37 membros), sendo que 4 eram da executiva do sindicato. Nenhum dos integrantes desta chapa é militante do PSTU. A realidade é que parte importante desses dirigentes era formada por simpatizantes da CST (5 membros, sendo 1 ex-militante e 2 filiados ao PSOL).

A acusação de que a Chapa 2 é da patronal é, portanto, uma calúnia que visa esconder a divisão na CST/Unidos Pra Lutar, corrente na qual estes companheiros militavam até dois meses atrás. Se eles são da patronal, o que faziam na CST/Unidos até 2 meses atrás? O que fazem no PSOL, partido ao qual alguns deles ainda hoje são filiados?

Na verdade não é a primeira vez que esta corrente política se utiliza do recurso às calúnias de natureza moral para fazer disputas políticas. Alguns anos atrás o mesmo ocorreu na eleição do Sindicato dos Comerciários de Nova Iguaçu, no Rio de Janeiro. Algumas semanas atrás ajudaram a liderar a invasão da sede do PSTU em Niterói, Rio de Janeiro, para ameaçar fisicamente alguns companheiros do partido visando obrigá-los a mudar de posição frente a uma divergência, também em meio a outra eleição sindical.

Agora esta escalada ganha uma dimensão ainda maior. O desespero desta corrente, em particular quando se sente ameaçada no controle do Sindicato dos Químicos de São José dos Campos, ocorre em primeiro lugar porque, em sua prática aparelhista, o controle deste sindicato é muito importante para sua sobrevivência. Em segundo lugar porque esta corrente elegeu como principal inimigo político a combater no Brasil o PSTU e a CSP-Conlutas, e não os patrões, o governo e as organizações sindicais governistas.

Na medida em que a CSP-Conlutas realiza um congresso vitorioso e vai se firmando como o pólo de aglutinação pela esquerda para todos que querem lutar em nosso país, cresce também o desespero da CST/Unidos Pra Lutar.

É o vale-tudo para ganhar e manter postos nos aparatos sindicais que caracteriza a metodologia de atuação deste tipo de organização. É o que as leva a utilizar esta metodologia da calúnia em substituição aos argumentos na luta política no interior do movimento operário. Abaixo, seguem informações úteis para entender o que se passa em químicos de São José dos Campos.


O que, de fato, ocorre em Químicos de São José dos Campos:

  • 1 A crise gerada na diretoria do sindicato dos químicos, que terminou na ruptura de um setor da diretoria com a condução da CST/Unidos, ganhou corpo a partir do aprofundamento do curso burocrático e aparelhista que tomou conta do sindicato desde que o mesmo se desfiliou da CSP-Conlutas e passou a integrar o projeto sindical da CST/Unidos.

  • 2 Com uma postura aparatista, a CST buscou aumentar seu controle sobre os cargos chaves da diretoria, reduzindo cada vez mais o peso dos independentes, dos simpatizantes e inclusive de militantes seus que, de uma ou outra forma, passaram a questionar a postura cada vez mais burocrática e aparelhista com que estavam dirigindo o sindicato.

  • 3 Uma das máximas expressões disso foi o fato de terem trocado o tesoureiro do sindicato através de um golpe. Com isso, além do controle das finanças, passaram a ter uma maioria de 5 a 3 na executiva. Antes, a executiva era dividida 4 a 4, entre a CST e independentes/simpatizantes (que eram todos militantes de sua corrente sindical, a Unidos Pra Lutar).

  • 4 Frente a esse quadro, com a aproximação das eleições um setor da diretoria se viu diante da necessidade de lançar uma chapa alternativa. E procuraram a CSP-Conlutas pedindo apoio.

  • 5 Após discussão, decidiu-se que a CSP-Conlutas procuraria a direção da CST/Unidos para propor - em nome da unidade necessária para enfrentar os ataques da Johnson que havia conseguido reduzir na Justiça o número de diretores colocando em risco a estabilidade da maioria da diretoria - que se fizesse uma convenção de base ou mesmo uma prévia nas fábricas para que se formasse democraticamente uma chapa unitária.

  • 6 Isso foi feito, mas a CST/Unidos não somente não deu resposta nenhuma, como, além disso, convocou uma assembléia regada a churrasco para mudar o estatuto, antecipar as eleições e, aproveitou para votar que não haveria chapa unitária. Dois dias depois inscreveram a Chapa 1, deixando 15 companheiros da diretoria de fora. Frente a isso foi lançada a Chapa 2.


  • A demissão dos diretores foi responsabilidade da diretoria do sindicato, dirigida pela CST

  • 1 Aproveitando-se de uma decisão do TST (Tribunal Superior do Trabalho), a Johnson entrou na Justiça pedindo a redução dos diretores com estabilidade, passando dos 41 definidos no estatuto para 14.

  • 2 A empresa ganhou a ação porque o sindicato pagou fora de prazo o depósito recursal. A Justiça, então, solicitou da diretoria do sindicato que fornecesse a lista dos 14 nomes que continuariam a gozar da estabilidade.

  • 3Diante da decisão da diretoria de não entregar a lista, a Justiça cobrou uma multa de R$ 40 mil, mais R$ 10 mil reais por mês. Junto com isso, a própria Justiça escolheu os 14 nomes de acordo aos primeiros 14 nomes presentes na ata de posse da atual diretoria, registrada por ordem alfabética.

  • 4 Para suspender a execução da multa, que já ultrapassava os R$ 100 mil reais, a diretoria decidiu penhorar os carros do sindicato. Junto com isso, ao alegar incoerência na cobrança da multa, o sindicato cometeu um novo erro que foi argumentar a existência da lista dos 14 nomes já apresentada pela Juíza. Com isso, terminou abrindo mão da estabilidade para o resto da diretoria. Com isso, deixou sem estabilidade o Cabral, principal dirigente da CST/Unidos.

  • 5 Frente a isso, a Johnson demitiu 5 diretores que haviam ficado fora da lista, sendo 4 da chapa 1 e um outro da chapa 2, inclusive o Cabral. Ou seja, a demissão deveu-se a erros do sindicato, que, para não reconhecer sua responsabilidade tenta empurrá-la para outros, com mentiras e calúnias.

  • 6 O sindicato desenvolveu uma campanha pela reintegração dos demitidos, campanha essa que teve todo o apoio da CSP-Conlutas. Mas junto com isso a diretoria do sindicato (Chapa1), sem discutir com a diretoria ou numa assembléia da categoria, resolveu incluir os 5 diretores demitidos na lista dos 14. Na prática isso implicou numa troca, porque obrigava a juíza a excluir outros 5. A juíza aceitou a troca e decidiu pela reintegração dos demitidos.

  • 7 Neste momento do processo, 2 diretores do sindicato entraram com uma ação na Justiça questionando o pedido de troca dos 5 diretores alegando justamente o caráter antidemocrático da decisão (pois esta troca não havia sido discutida em nenhuma instância do sindicato).

  • 8 Contudo, após discussão coletiva na Chapa 2, embora reconhecendo o caráter anti-democrático da decisão do sindicato, a deliberação foi a de não entrar na disputa das vagas e lutar pela estabilidade de todos, incluindo os demitidos. Decidiu-se também que os 2 companheiros renunciassem à ação. Frente a esta decisão da Chapa 2, os companheiros retiraram a ação que haviam impetrado, antes mesmo que ela fosse analisada pela Justiça. Ou seja, o erro cometido pelos companheiros não levou a nenhuma conseqüência concreta no processo.

  • 9 A Johnson entrou com recurso no Tribunal de Campinas (segunda instância da Justiça do Trabalho) contra decisão da juíza de reintegrar os 5 diretores. E acabou conseguindo derrubar a decisão da juíza, e os companheiros voltaram a ser demitidos.


  • Isso exposto, fica claro que a campanha que a Chapa 1 vem fazendo contra a Chapa 2 acusando-a de “caguetagem” pró-patronal etc, são mentiras e calúnias. Mentiras e calúnias que estão a serviço de esconder os erros da própria CST/Unidos que, na direção do sindicato, teve uma postura inconseqüente e irresponsável, que acabou levando à demissão dos 5 companheiros pela Johnson. Isto atesta, mais uma vez, o curso degenerativo dessa corrente.

    O PSTU/LIT é um partido amplamente conhecido na vanguarda lutadora em todo o nosso país. A CSP-Conlutas é reconhecidamente a alternativa de luta que vem se firmando no país no processo de reorganização aberto com a traição das organizações sindicais governistas. Nenhum ativista sério, no Brasil daria crédito às calúnias disseminadas por esta corrente. Mas nem por isso devemos deixar de repudiar veementemente a utilização desta metodologia estalinista para a disputa política no interior do movimento operário.

    As calúnias não constroem nada, apenas destroem. Servem apenas para disseminar desconfiança entre os trabalhadores, para tentar levá-los a desacreditar de suas organizações e – em última instancia – de suas próprias forças. Não há melhor desserviço que possa ser prestado à classe trabalhadora e não há melhor serviço que possa ser prestado aos inimigos da nossa classe. É esse o papel que cumpre esta metodologia disseminada pelo estalinismo em meio à nossa classe

    Por isso terminamos esta nota conclamando a todas as organizações da classe trabalhadora, a que repudiemos com toda a nossa energia esta prática nefasta – a utilização de calúnias como instrumento de luta política no interior do movimento operário.


    * A “CST”, corrente que integra o PSOL, é a organização política ligada à UIT no Brasil. A “Unidos Pra Lutar” é a corrente sindical ligada à CST


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 13 de abril de 2012

    CSP-Conlutas já é parte da tradição do movimento sindical e popular do país

    O I Congresso da CSP-Conlutas vai ser a síntese de quase oito anos de uma nova experiência de organização da classe trabalhadora


    Detalhe do Conat, em 2006
    Onze de dezembro de 2003. No primeiro ano do mandato do primeiro operário eleito presidente no país, a reforma da Previdência contra os servidores públicos é finalmente aprovado em segundo turno no Senado, apesar dos contundentes protestos da categoria. Uma vez no governo, Lula fazia o que sempre criticava, como ajuste fiscal e acordo com o FMI. E pior, com a ajuda da Central Única dos Trabalhadores, a CUT.

    A CUT, construída no calor do ascenso operário do final da década de 1970 e início dos 1980, deixava de ser um instrumento de luta e organização da classe trabalhadora para se tornar mera correia de transmissão do governo no movimento de massas. A nomeação do ex-presidente da entidade Luiz Marinho para o Ministério do Trabalho, em 2005, deixou ainda mais clara essa relação. A posse do governo do PT marcava assim o início de um processo de uma nova reorganização no movimento sindical do país.

    Sindicatos e ativistas combativos começavam a olhar com ceticismo a CUT e iniciava-se um movimento de dispersão. Frente a esse processo objetivo, tornava-se necessário impedir a desagregação dessas forças e preparar os trabalhadores para novas batalhas. As reformas Sindical e Trabalhista estavam na pauta do governo e eram exigidas pelo conjunto da burguesia.

    Foi nesse contexto que, em março de 2004, era realizado o Encontro Sindical em Luziânia (GO). A ideia de unir os setores que lutam encontrou eco tão grande que, para um evento em que eram esperadas de 700 a no máximo 1000 pessoas, compareceram 1700 ativistas de todo o país. O encontro aprovou um calendário de lutas e uma coordenação que passou a reunir todos os sindicatos e movimentos que se dispusessem a lutar contra as reformas. Era o embrião do que viria a ser a então Coordenação Nacional de Lutas, a Conlutas.

    Em junho de 2004 a Conlutas teve seu batismo nas ruas, com uma marcha a Brasília contra as reformas Sindical e Trabalhista que reuniu cerca de 20 mil pessoas. A partir daí a central sindical e popular passou a se consolidar nas lutas e nos estados, constituindo uma alternativa nacional de organização e luta.


    Consolidação

    Embora na prática já estivesse presente na luta de classes do país, a Conlutas foi apenas se firmar oficialmente enquanto entidade no Congresso Nacional dos Trabalhadores, o Conat, em maio de 2006 na cidade de Sumaré (SP).

    Quatro mil pessoas de todo o país representando um milhão e setecentos mil trabalhadores, estudantes e ativistas de movimentos sociais fundaram uma entidade que tinha por objetivo organizar não só os trabalhadores do mercado formal de trabalho, mas também os informais, desempregados e os que estão na base dos movimentos sociais e populares, ou seja, metade da força de trabalho.

    O processo de reorganização segue enquanto a CUT parece aprofundar sua crise. Setores ligados ao PSOL e ao PCB rompem a entidade em 2006 e, infelizmente, numa postura sectária, negam-se a integrar a Conlutas e formam a Intersindical. Pouco depois é a vez da corrente sindical do PCdoB, a Corrente Sindical Classista (CSC), sair da CUT, devido a uma disputa de aparatos, para formar a Central dos Trabalhadores do Brasil (CTB).

    A Conlutas, por outro lado, embora fosse naquele momento a alternativa mais consolidada à esquerda da CUT, manteve sempre seu chamado à unidade de todos os setores combativos. Em março de 2007, por exemplo, seis mil pessoas lotaram o ginásio do Ibirapuera em São Paulo no encontro impulsionado pela Conlutas e que reuniu setores como Intersindical, MTST, CSC, Cobap (Confederação Brasileira dos Aposentados) e até dirigentes do MST.

    Em julho 2008, mais um passo para o fortalecimento da Conlutas. O I Congresso da entidade, realizado em Betim (MG), elege a luta contra a burocratização a principal tarefa para o período. A partir daí a entidade vai se firmando e se estruturando nos estados. Sua direção, contudo, refletindo o processo em aberto de reorganização e fragmentação da esquerda e dos movimentos sindical e popular, permanece aberta. Ainda que conte com uma direção executiva, a política geral da Conlutas era definida nas reuniões da coordenação nacional, aberta a qualquer entidade ou movimento.




    Contradições

    O processo de reorganização, porém, mesmo que esteja longe de terminar, não é uma via de mão única. Como tudo na vida, tem as suas contradições. Em novembro de 2009 um seminário de reorganização realizado em São Paulo reúne amplos setores, entre eles uma parte da Intersindical, e define as bases para um congresso de unificação em 2010. Durante meses, ricos debates de preparação ocorrem nos estados, reunindo uma ampla gama de ativistas.

    Em junho de 2010, o 2º Congresso da Conlutas em Santos (SP) aprova a unificação com a Intersindical e outros setores, no Congresso Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat). No entanto, a unificação não acontece. A Intersindical e setores como a Unidos Para Lutar (CST, corrente do PSOL), descumprem o que havia sido definido no seminário e não aceitam o critério de que os impasses sejam definidos através no voto na base. Sob o pretexto da polêmica do nome da nova entidade, decidem romper com o processo de unificação.

    Por outro lado, o MTL (Movimento Terra, Trabalho e Liberdade) decide se integrar a esse processo, tal como o MTST. A nova entidade, sob o nome de CSP-Conlutas (Central Sindical e Popular), é fundada no congresso que reuniu 3150 delegados. O nome resgata a tradição e experiência dos últimos anos na construção dessa entidade que se propõe a reunir os trabalhadores e setores oprimidos da sociedade.


    I Congresso

    Coincidentemente, o I Congresso da CSP-Conlutas ocorre a poucos dias da aprovação do fundo privado da Previdência pública pelo Governo Dilma, o chamado Funpresp. Um complemento da reforma da Previdência do governo Lula em 2003. Por outro lado, a CUT no último período elegeu a defesa da indústria nacional sua principal prioridade, enquanto os trabalhadores amargam horas extras e precarização. Uma amostra que os desafios colocados à frente do conjunto da classe trabalhadora, quase uma década após a posse do governo do PT, continuam os mesmos.


    Retirado do Site do PSTU

    domingo, 25 de março de 2012

    LIT lança campanha internacional por seus 30 anos de existência

    Três décadas em defesa do socialismo e da construção de uma direção revolucionária internacional


    LIT-QI está a serviço da construção da IV Internacional
    No último dia 11 de janeiro completou-se 30 anos da fundação da Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI).

    Três décadas se passaram da Conferência Internacional que foi realizada na cidade de Bogotá, Colômbia, com a participação de delegados de cerca de 18 países. A maioria destes delegados vieram da ex Fração Bolchevique (FB), corrente internacional cujo principal dirigente era o trotskista argentino Nahuel Moreno, nosso orientador e fundador, o qual faz 25 anos que não está mais fisicamente presente. Somaram-se aos dirigentes morenistas o venezuelano Alberto Franceschi e o peruano Ricardo Napurí, outros dois importantes dirigentes que haviam rompido com o lambertismo devido a diferenças irreconciliáveis no terreno dos princípios e da moral revolucionária.

    Desta conferência de 1982 surge a LIT-QI, uma organização internacional que, desde seu início, ancorou suas bases no programa trotskista ortodoxo e funcionou internamente sustentado no regime leninista do centralismo democrático.

    Trinta anos se passaram. Muitas águas já rolaram. As transformações e os acontecimentos que se sucederam na luta de classes mundial desde aquele janeiro em Bogotá foram muitas e profundas. Contudo estamos aqui, firmes no combate cotidiano contra o sistema capitalista-imperialista; firmes e com a mesma convicção de sempre na força revolucionária da nossa classe, a classe trabalhadora, e no futuro comunista da humanidade.


    Continuadores de uma herança valiosa

    Reivindicamos a atual LIT-QI como uma continuidade da luta permanente para manter vivo o programa revolucionário, pelo qual vários revolucionários batalharam ao longo da história do movimento operário, frente aos embates do imperialismo e das direções burocráticas e traidoras que atuam dentro dos movimentos sociais e operários.

    A LIT-QI nasceu defendendo uma teoria, a teoria da revolução permanente; um programa, o programa de transição; um tipo de organização, a internacional, o partido mundial da revolução socialista baseado no centralismo democrático.

    A defesa deste programa e de seus princípios organizativos foi fundamental há 30 anos e é ainda mais importante atualmente, quando a imensa maioria da esquerda mundial – incluindo muitas organizações que se dizem trotskistas – sucumbiu ao vendaval oportunista que veio com força na década de noventa e acabou abandonando completamente a luta pelo poder da classe trabalhadora – a perspectiva da ditadura revolucionária do proletariado. Batalhamos pela construção de uma direção revolucionária em escala mundial que tenha como principal objetivo a destruição do imperialismo e a construção do socialismo, primeiro passo para a sociedade comunista.

    Cheios de emoção e orgulho militante, iniciamos uma campanha comemorando os 30 anos da LIT-QI, nossa organização internacional que, além de resgatar a herança do marxismo revolucionário desde seu início, tem sua origem na corrente trotskista nascida na Argentina em 1943, à qual Moreno foi um dos fundadores.

    A LIT-QI é produto de duras batalhas que nossa corrente internacional – da mesma maneira que em seu período histórico fizeram Marx e Engels, Lênin e Trotsky – teve que liderar em defesa dos princípios, do programa, da política e da moral revolucionária contra todo tipo de correntes revisionistas, dentro e fora do próprio movimento trotskista internacional.

    Assim, a LIT-QI é o mais importante legado teórico, político e organizativo de quase sete décadas de luta de nossa corrente em meio às mais fortes pressões, tanto de regimes ditatoriais como “democráticos” de vários países e continentes. É fruto de uma incansável luta por construir uma direção revolucionária internacional para a classe trabalhadora mundial em um combate permanente contra o oportunismo e o sectarismo.

    Neste sentido é importante destacar o papel de Moreno. A construção do partido mundial para fazer a revolução socialista foi uma causa que Moreno dedicou seus maiores esforços desde 1948. Essa luta passou por várias fases: até 1953 na IV internacional unificada; até 1963 no Comitê Internacional; de 1963 até 1979 no Secretariado Unificado; na construção, em 1979, da Fração Bolchevique; e finalmente, com a LIT-QI, desde 1982. É possível constatar que a construção do Partido Mundial foi uma obsessão de Moreno durante toda a sua vida. Era, como o mesmo disse: “a prioridade número um do movimento operário”, ou seja, não existia tarefa mais importante. E com esta compreensão tão fundamental sobre o marxismo, construiu vários partidos e educou centenas de militantes e lutadores operários, populares, camponeses e estudantis.

    Porém, ressaltar o importante papel de Moreno em nossa história não nos leva a cultuar sua pessoa. Não incentivamos este tipo de atitude. Pelo contrário, acreditamos que uma de suas principais contribuições foi de, apesar de sua enorme capacidade, buscar incessantemente construir e formar equipes de direção. Isto, junto ao método de reconhecer publicamente seus erros e corrigi-los, era uma constante em Moreno e uma característica inexistente na maioria da esquerda e do trotskismo. Tanto o partido argentino como todas as suas experiências de formar organizações internacionais estiveram marcadas por uma permanente batalha para que elas fossem dirigidas pelos organismos partidários, nunca por um caudilho ou dirigentes “infalíveis”. Por isso a LIT-QI nunca foi “a internacional do Moreno”. Moreno foi sim seu dirigente mais experiente e capaz, tal como Trotsky foi para a IV Internacional e Lênin para o partido bolchevique. Mas as decisões passaram sempre pelos organismos partidários, de forma democrática.

    Ressaltar esta característica é muito importante até mesmo para explicar nossa própria existência atual. Foi por esse método de Moreno que a LIT-QI não desapareceu, apesar da terrível crise que nossa organização sofreu depois de sua morte e durante quase toda a década de noventa. Estes 25 anos, nos quais a LIT-QI continua lutando, sem Moreno para orientar, são a principal prova de que o nosso maior dirigente, acima de tudo, nos deixou sólidas bases teóricas, metodológicas e morais, sobre as quais pudemos, não sem muito esforço e perdas, superar nossa crise e, agora, nos apresentar como uma alternativa concreta de reagrupamento revolucionário internacional.


    Construímos a LIT com a estratégia de reconstruir a IV Internacional

    Para nós, a estratégia é a mesma que há 30 anos: reconstruir a IV Internacional. É a única saída que tem a humanidade para derrotar o imperialismo que a conduz sem pausa rumo à destruição.

    É pela reconstrução da IV Internacional que nossos militantes, em cada país e em cada luta que a realidade e que nossas modestas forças nos permitem estar presentes, brigam para construir, com paciência e com uma confiança cega em nossa classe; uma direção internacional que possa dirigir a tomada do poder em escala mundial.

    Não nos autoproclamamos ser “a” IV Internacional. Essa é uma tarefa que está colocada com urgência e, que deve ser tomada por todas e todos os revolucionários que concordem com a necessidade dessa reconstrução e com um programa com princípios que sejam coerentemente revolucionários para ela.

    Somos conscientes de que essa não é uma tarefa apenas da LIT-QI, apesar de assumirmos como nossa prioridade. Nós construímos a LIT-QI, mas a serviço de uma tarefa maior, estratégica, que é reconstruir a IV Internacional. Construímos a LIT-QI para colocar todas as nossas forças militantes, todo nosso acúmulo teórico, programático e moral, nossa experiência concreta ao longo de quase 70 anos sendo parte das lutas do movimento operário e do trotskismo, a serviço de reconstruir a IV Internacional; e que esta, por sua vez, possa converter-se no que chegou a ser a III Internacional de Lênin e Trotsky: um verdadeiro Partido Mundial da Revolução Socialista.

    Esta, que é uma necessidade histórica, está cada vez mais na ordem do dia; onde por um lado, o sistema capitalista-imperialista vive uma de suas piores crises econômicas, sociais e políticas, e por outro as massas começam a resistir aos ataques capitalistas em diferentes pontos do planeta, sendo focos de luta o continente europeu e o impressionante processo de revoluções no norte da África e no Oriente Médio.

    Por essas e outras informações, companheira e companheiro, que os convidamos a acompanhar nossa campanha internacional de comemoração dos 30 anos da LIT-QI através de várias atividades, atos e materiais que iremos organizar e publicar durante o ano de 2012.

    A partir de nosso site estaremos publicando diferentes textos resgatando nossa história e nossas posições históricas, assim como notícias das atividades que acontecerão nos diferentes países onde a LIT-QI atua. Começamos com um primeiro material, uma transcrição de uma das intervenções orais de Nahuel Moreno na Conferência de fundação da LIT em 1982, onde com razão anunciou que “a existência de uma tendência trotskista ortodoxa é um fato”, afirmando um dos axiomas que marcaram sua vida como dirigente revolucionário:

    "Afirmo categoricamente que todo partido nacional que não esteja em uma organização internacional bolchevique, com uma direção internacional, comete cada vez mais erros e um erro qualitativo: por ser nacional-trotskista termina inevitavelmente renegando a IV Internacional e tomando posições oportunistas ou sectárias, para logo desaparecer. Ou se é trotskista e se vive em uma internacional, ou se desaparece”.


    Retirado do Site do PSTU