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quinta-feira, 8 de março de 2012

O pibinho de Dilma

PIB de 2011 fica abaixo da média mundial, enquanto desaceleração da China traz sombrios horizontes


Agência Brasil
Ministro Guido Mantega havia prometido PIB de 5%, veio só 2,7%
A estimativa do IBGE para o PIB de 2011, divulgado nesse dia 6 de março, está abaixo das mais pessimistas expectativas. De acordo com o instituto, o Brasil cresceu no ano passado apenas 2,7%, enquanto o mundo inteiro cresceu, em média, 3,8%. O Produto Interno Bruto é a soma de todas as riquezas produzidas no país no período de um ano.

No início de 2011, o ministro da Fazenda Guido Mantega havia prometido um crescimento de 5%. No decorrer do ano o governo foi se ajustando à realidade, mas não esperava um resultado tão pífio. Os números mostram uma brusca desaceleração da expansão econômica que o país vinha experimentando, e que chegou a marcar 7,5% em 2010. Levantamento do IBGE mostra que, entre julho e setembro do ano passado, o PIB chegou a retrair 0,1%, tendo uma tímida reação nos meses seguintes, crescendo 0,3% e impedindo um resultado ainda pior.

Apesar de alguns setores ainda estarem aquecidos, como a construção civil que cresceu 3,6%, a indústria de transformação (fábricas, refinarias, etc) foi um dos principais responsáveis para a estagnação do PIB, crescendo apenas 0,3%. A produção industrial praticamente estagnou e, a partir do final do ano passado, vem registrando sucessivos recuos, marcando uma diminuição de 2,1% em janeiro último, afetado, sobretudo pela queda na indústria automobilística.

O crescimento nos investimentos também despencou em 2011, o que contribuiu para esse resultado do PIB. Enquanto que, em 2010, os investimentos haviam crescido 21,3%, no ano passado aumentaram apenas 4,7%, o que também fez recuar a proporção dos investimentos em relação ao PIB, de 19,5% para 19,3%.

O alto preço das commodities (produtos primários para exportação, cotado no mercado internacional), fez com que o setor agropecuário gozasse de certo crescimento, de 3,9%. Tal resultado impediu que o PIB tivesse um desempenho ainda pior.

A alta no consumo (4,8%) também segurou uma desaceleração ainda mais profunda, mas ainda assim esteve baseado num forte crescimento do crédito pessoal, de mais de 18%, o que vai causar um aumento também do endividamento das famílias, que já é alto.


Crise e o fator China

A desaceleração do PIB é resultado da política econômica do governo Dilma, que vem impondo sucessivos cortes bilionários no Orçamento, e da crise econômica internacional, cujos efeitos estão longe de terminar, como mostra a Europa. Uma vez eleita, Dilma nem bem se acomodou no Planalto e já anunciou um corte recorde de R$ 50 bilhões, ao mesmo tempo em que o Banco Central aumentava os juros. Em 2012 o ~script~ se repete, e já são R$ 55 bi arrancados do Orçamento pela tesoura de Dilma.

Grande parte do pífio desempenho da indústria, por sua vez, é causado pela valorização do Real, impulsionado pelos investimentos especulativos que inundam o país, no que a própria Dilma chamou de ‘tsunami de liquidez’ (mas ao mesmo tempo o governo mantém as mais altas taxas de juros do mundo, que age como um aspirador para esse capital estrangeiro).

Isso ocorre pois, para tentar contornar a crise financeira, Europa e principalmente EUA, emitem moeda a rodo, desvalorizando o Euro e principalmente o dólar. Desta forma, podem vender seus produtos mais barato e equilibrar sua Balança Comercial (no caso dos EUA, conter seu monstruoso déficit externo). Na prática, a guerra cambial funciona como uma forma de protecionismo disfarçado.

Como se isso não bastasse, o governo chinês acaba de anunciar que a economia do país vai desacelerar este ano. O país é o principal destino das exportações brasileiras de commodities, como aço e ferro. Oficialmente, a China argumenta que dará mais prioridade ao seu mercado interno, mas na verdade é uma forma de reconhecer que o grande crescimento vivido pelo país nos últimos anos, baseado nas exportações aos principais mercados imperialistas como os EUA e Europa, já não é mais sustentável com a crise.

Com isso, a locomotiva que arrasta os chamados ‘Bric’s’, ameaça perder força. Para se ter uma ideia, enquanto que em 2011 o comércio internacional da China teve alta de 35%, para este ano projeta-se apenas 10%.

Apesar do PIB medíocre, a crise ainda não é realidade para a imensa maioria dos trabalhadores no país. A expansão do crédito e do consumo ainda passa uma falsa imagem de prosperidade. Ao mesmo tempo, há ainda um certo aumento da capacidade industrial em certos setores e regiões, como em São José dos Campos (SP). O resultado do desempenho da economia em 2011 divulgado pelo IBGE, por outro lado, mostra a fragilidade e dependência da economia brasileira, além de apontar um horizonte não tão otimista quanto o desenhado pelo governo.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

China: a revolução silenciosa

Protesto em Guangdong em dezembro de 2011
Não é raro que acontecimentos importantes em nossas vidas ocorram sob nossos narizes e somos os últimos a percebê-los. Esse parece ser o caso da nova revolução chinesa. Uma revolução silenciosa, que está ocorrendo diante dos nossos olhos e ninguém parece se dar conta.

O ano de 2011 foi marcado por grandes lutas e, principalmente, revoluções. São tantas e em tantos locais que levantes fenomenais, como o que ocorreu recentemente em Wukan, na província de Guangdong, não mereceram sequer análises mais profunda. Nesse ano que acaba, se levantar se transformou em uma atitude óbvia.

Em Wukan, após vários dias de rebelião aberta contra a burocracia governante, que cercou o povoado deixando-o isolado, a população local arrancou uma importante vitória, ainda que não se possa dizer que não haverá ou retaliação nos próximos dias.

Após o levante, que explodiu com o assassinato de Xue Jinbo, dirigente da luta contra o roubo das terras por construtoras e funcionários comunistas corruptos, os manifestantes forçaram o Partido Comunista a congelar as negociatas das terras que estavam sendo roubadas, libertar vários ativistas presos e demitir funcionários corruptos da administração local. O que, desde logo, não é pouca coisa na repressiva China e, mais do que isso, se transformou em um grande símbolo de luta para todo o país.

A poeira nem havia baixado em Wukan e, na seqüência, a população de Hainem, a apenas 130 km de Wukan, na costa da província de Guangdong se levantou em protestos contra a construção de uma usina a carvão. “|As fabricas são prejudiciais à saúde. Nossos peixes estão morrendo, varias pessoas estão com câncer. Que lugar no mundo se constrói duas usinas em apenas um quilometro de distância?”, comentou um dos manifestantes.


Greve vitoriosa na LG

As revoltas de Wukan e Hainem poderiam ser as íltimas de um ano convulsivo, mas não foi o caso. Cerca de oito mil trabalhadores da sul-coreana LG, líder mundial na produção de display, entraram em greve, que durou três dias contra as diferenças no pagamento de bônus anuais.

Enquanto os trabalhadores coreanos recebem o equivalente a seis meses de salários como bônus de final de ano, os trabalhadores chineses recebiam apenas o equivalente a um mês de salário. Esse foi o estopim da curta greve em Nanjing (Nankin), na província de Jiangsu, ao norte de Shangai, que obrigou a LG a pagar dois meses de salários como bônus de final de ano. Uma importante vitória parcial, sem dúvida.

Mas, se alguém pensa que essa foi a última luta do ano, se equivocou. No coração da vanguarda chinesa concentrada na província de Guangdong, que possui o mais poderoso proletariado do planeta, estourou outra mobilização.

No dia 27 de dezembro, os trabalhadores da Guangzhou Áries Autopeças, de capital japonês, localizada na cidade de Guangzhou, capital da província de Guangdong, que fornece pecas para a Honda e Toyota, iniciaram uma mobilização contra a redução no bônus de final de ano. Em um período que a empresa obriga os funcionários a uma jornada mais longa de trabalho.

Segundo pesquisadores, as greves, protestos e manifestações na China em 2010 foram cerca de 180 mil. Um número fantástico. Segundo a burocracia chinesa, o número foi bem menor: ‘apenas’ 90 mil! O que não deixa de ser, em qualquer caso, um número fabuloso.

A revolução chinesa se transformou em uma revolução silenciosa, não por decisão dos trabalhadores, mas pelo fato de o Partido Comunista censurar com todas as suas forças as informações. Sistematicamente as deletando da Internet, cujo número de usuários o governo não consegue controlar completamente. A Internet tem sido um dos principais instrumentos na organização da luta e para driblar a censura governamental.

Transformou-se em uma fonte de dores de cabeça tão grande que o governo chinês pretende obrigar todos os blogueiros a se registrarem com seus nomes verdadeiros. O que representa mais um ataque às poucas liberdades conquistadas.

A China se transformou na segunda potência econômica e isso todo mundo sabe. Mas a outra face desse fenômeno, que poucas pessoas se deram conta e de que a China está grávida de uma grandiosa revolução, que tem tudo para acontecer em um futuro próximo.

O crescimento econômico criou também o mais poderoso proletariado do planeta, concentrado nas fabricas de Guangdong. E um proletariado jovem, rebelde que não está amortecido pelas burocracias sindicais que infestam o movimento operário mundial, que demonstrou neste ano que finda, uma valente combatividade protagonizando uma poderosa e simbólica maré de greves.

A crise mundial está provocando uma desaceleração no crescimento econômico chinês e isso será mais um dos combustíveis na explosão que se aproxima, já que obrigará os trabalhadores a sair à luta para se defenderem.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

O outro lado da Apple de Steve Jobs

Linha de montagem da Foxconn
Na última semana, a morte do notório empresário da informática Steve Jobs esteve no centro de grande parte dos noticiários, colocando Jobs e a sua empresa Apple em evidência. Através da Internet, se popularizaram as homenagens a Jobs na forma de maçã, símbolo e nome da empresa em inglês. Nos dias que se seguiram diversas declarações compararam a genialidade e criatividade de Jobs a Leonardo Da Vinci, Michelangelo e outros considerados gênios da humanidade.

É incontestável o fato de que os produtos desenvolvidos pela Apple sob comando de Jobs, iPads, iPods e iPhones entre outros, tiveram grande impacto mundial, mudando conceitos em diversas áreas, como informática, publicações e indústria musical. Muitos opinam que a atenção especial de Steve Jobs no desenvolvimento desses produtos é o fator que explica o sucesso da empresa. Mas se olharmos com atenção o verso de um iPhone por exemplo, encontramos uma inscrição em letras bem pequenas, mas que pode revelar muita coisa: “Designed by Apple in California. Assembled in China”. A tradução seria algo como “Desenvolvida pela Apple na Califórnia. Montado na China”. Esse detalhe, que não é notado pela maioria dos usuários desses produtos, nos oferece uma dica de que talvez, a genialidade de Jobs não seja o único fator que tornou a Apple uma das empresas mais ricas do mundo.

Talvez uma parte do sucesso dessa empresa se encontre onde são realmente fabricados os produtos, a muitos quilômetros de distância do Vale do Silício.


Milagre Chinês

Em Longhua (província de Shenzhen), na China, está localizado um complexo industrial, que conta com mais de 300.000 trabalhadores. Conhecido como “Cidade Foxconn”, esse complexo ocupa 3 Km², incluindo 15 fábricas, dormitórios para os trabalhadores, corpo de bombeiros, piscina, mercado, livraria, banco, restaurantes, hospital e até uma rede de TV interna, a “Foxconn TV”. É nessa “cidade” que são montados os produtos da Apple, e não foi sem motivo que Steve Jobs resolveu deixar essa parte em letras bem pequenas.

A Foxconn é uma empresa com sede em Taiwan, que apareceu nos noticiários depois de 15 trabalhadores cometerem suicídio em 2009 e 2010, na “Cidade Foxconn”. Universidades chinesas e uma ONG de Hong Kong consideraram esses suicídios conseqüência das condições de trabalho dentro do complexo, relatando que os operários sofrem uma forte pressão e se sentem isolados. Esses operários trabalham em média 12 horas por dia, com um salário mensal de 900 yuans (cerca de R$ 202), que chega ao máximo a 2.000 yuans com as horas extras. Em outras ocasiões a Foxconn já havia sido denunciada por desrespeito aos trabalhadores, por discriminação e abuso de horas-extras ilegais. Em resposta ao ocorrido, a empresa instalou redes anti-suicídio e obriga os funcionários a assinarem um termo de compromisso garantindo que não vão se matar. Mais recentemente, em maio de 2011, mais um exemplo de descaso da Foxconn: 3 trabalhadores morreram e 15 ficaram feridos numa explosão na linha de montagem do iPad2, dessa vez na fábrica de Chengdu.

A Apple e outras empresas como Intel, Hewlett-Packard, Dell, Nintendo, Nokia, Microsoft e Motorola usam esse modelo de terceirização da produção e tem seus produtos montados em alguma das diversas fábricas da Foxconn. Essas empresas se beneficiam diretamente das péssimas condições de trabalho para baixar os custos de produção e alcançar grandes lucros. A Foxconn é a maior exportadora da China e a maior empregadora do setor privado do país.¹


Apple e Foxconn no Brasil

Todas as fábricas e planos de investimento da Foxconn na América do Sul se concentram no Brasil. A empresa taiwanesa já possui plantas em Manaus (AM) e Indaiatuba (SP) fabricando telefones celulares, e também desenvolve atividades em Sorocaba (SP) e Santa Rita do Sapucaí (MG). A principal planta da empresa no país está em Jundiaí, a 60Km da capital paulista, lá são fabricados, computadores, notebooks, netbooks e os iPods da Apple. Até o final do ano já deve estar instalada a linha de produção de iPads, a primeira fora da China.

As denúncias de desrespeito aos trabalhadores não ficam limitadas a China, por aqui também já se registraram casos de doenças ocupacionais e psicológicas causadas por pressão no trabalho. Na planta de Indaiatuba o sindicato já relatou pelo menos três afastamentos por depressão profunda.

Na próxima semana, o Ministro de Ciência e Tecnologia Aloizio Mercadante (PT) estará reunido com a cúpula de diretores da Foxconn, para discutir um investimento de 12 bilhões de dólares. A planta de Jundiaí é a mais cotada para receber o investimento, que inclui o plano de montar a primeira fábrica de telas touchscreen do ocidente. Segundo o Ministro esta implementação é complicada, pois seriam necessários 4 gigawatts - energia correspondente a uma cidade de Jundiaí -, um aeroporto internacional, qualidade do ar determinada, mais de 1,5 km² de área e consumiria mais concreto e aço que o estádio Ninho de Pássaro da China.²

Ou seja, a empresa e o Governo Dilma planejam uma “Cidade Foxconn” brasileira. "Conceito de cidade inteligente é o caminho do país para um novo patamar tecnológico" declarou o Ministro Mercadante, que aparentemente prefere ignorar o ocorrido na filial da China.

Ainda não é possível afirmar se a Apple poderá superar a perda de Steve Jobs na criação de seus produtos. Mas já podemos ter bastante certeza de até onde os acionistas da empresa estão dispostos a ir para garantir seus lucros investindo no “modelo” Foxconn de produção.


1- Graças ao governo “comunista” chinês e sua ditadura essa exploração não é exclusividade da Foxconn, condições de trabalho parecidas estão espalhadas por toda a China. A busca por essa mão-de-obra barata explica a iniciativa de muitas empresas, além do setor de informática, de realizarem sua produção nesse país, tornando a China à “fábrica do mundo”.

2- Informações da revista EXAME http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/mercadante
Outras Fontes:
http://www.reuters.com/article/2010/11/05/us-china-foxconn-death-idUSTRE6A41M920101105
http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,filial-no-brasil-acusada-de-pressao-no-trabalho,710000,0.htm
http://en.wikipedia.org/wiki/Foxconn



Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Dilma quer trazer o modelo de exploração chinesa ao Brasil

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, visitou a China por cinco dias, em sua primeira viagem ao exterior para além da América Latina. Um dos dias foi utilizado para participação na reunião de cúpula dos BRIC’s, em Sanya, uma ilha situada no litoral sul chinês. Como ressaltou a imprensa mundial, foi uma “viagem de negócios” onde os aspectos políticos ficaram em segundo plano. Não foi outro o motivo de ter levado, em sua delegação, 250 empresários em busca de novos negócios.

Os resultados, no entanto, foram modestos em ambos os aspectos. De concreto, a permissão para exportação de carne de porco pelo Brasil, sem especificação do volume, e a autorização para a fabricação e venda de aviões da Embraer, que já tem uma fábrica montada na China, com a compra d e35 aeronaves E190 por empresas de aviação chinesas.

A busca da “arca do tesouro” chinesa - sua enorme reserva cambial - para investimentos no Brasil resultou numa comemorada promessa de instalação de uma nova fábrica da Foxconn no interior de São Paulo e em contratos entre a Sinopec, estatal de petróleo chinesa, e a Petrobras e da estatal de energia com a Eletrobras. Além disso, anúncios de investimentos por algumas empresas, mas basicamente para acompanhar o crescimento da economia brasileira.


A política das aparências

Os comunicados dos dois presidentes, Dilma pelo Brasil e Hu Jintao pela China, tradicionais neste tipo de encontro, nunca revelam os acordos reais realizados. Estes ficam em segredo, como os oito acordos de cooperação, entre eles um sobre Defesa, cujos teores não foram divulgados.

Mas o comunicado chinês frustrou a expectativa do governo brasileiro de ganhar mais um aliado em sua pretensão de tornar-se um membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. Pequim limitou-se a apoiar "a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas". Somada à declaração parecida de Obama no Brasil, esta é a segunda derrota da diplomacia brasileira.

A China faz parte do Conselho de Segurança, mas seu ingresso se deu quando ainda era um Estado Operário e era preciso levar a política de “coexistência pacífica” entre o imperialismo e a burocracia soviética – de divisão do mundo em esferas de influência – para a própria ONU. Atualmente parece não haver lugar para novos “emergentes” entre as potências nucleares mundiais.

Os comunicados tampouco citaram as violações dos direitos humanos realizadas pelos dois países: centenas de presos políticos na China e condições subumanas nas prisões brasileiras. Mas foi ressaltado o fato dos dois países terem retirado da linha de pobreza milhões de pessoas, esquecendo-se, vergonhosamente, do salário mínimo vigente nos dois países – R$ 540,00 no Brasil e cerca de R$ 200,00 na China. Ou das condições de trabalho nas grandes obras do PAC no Brasil e nas minas de carvão chinesas, onde morrem centenas de trabalhadores todos os anos por falta de segurança no trabalho.

Para os capitalistas e seus representantes, isso pouco importa, ou melhor, importa muito, pois é dessa superexploração que retiram seus lucros e transformam seus países em eternos “emergentes”, sem nunca saírem da condição de semicolônias do imperialismo. É por isso que tais fatos nunca são mencionados em seus comunicados conjuntos.


Mais empregos ou mais exploração?

A maior sensação da viagem foi o anúncio da Foxconn de investir US$ 12 bilhões em cinco anos para construir uma "cidade inteligente" com 100 mil "habitantes" onde seriam fabricadas telas de cristal líquido e outros componentes de computadores. Trata-se do modelo adotado na cidade de Shenzhen, onde vivem mais de 150 mil trabalhadores em regime praticamente fechado, recebendo o salário mínimo regional, com jornadas de trabalho que podem chegar a 16 horas diárias e recentes denúncias de envenenamento por n-hexano, substância manipulada pelos operários para a limpeza de... telas de cristal líquido.

Foi aí que 10 operários cometeram suicídio no início de 2010, motivando Terry Gou, dono do Grupo Foxconn, a anunciar o fechamento da fábrica e sua transferência para o interior do país, onde o salário mínimo é ainda menor.

Foi o mesmo Terry Gou que afirmou, segundo os sites do Wall Street Journal e do Finantial Times, que “os salários no Brasil são altos” e que os operários brasileiros “param de trabalhar assim que ouvem futebol” e que, mais do que “levar uma fábrica à perfeição, é ainda melhor em extrair incentivos de governos”.

Esta afirmação vem bem ao gosto do governo brasileiro, que gosta de incentivar os “empreendedores”, como são chamados os capitalistas na China, com vultosos empréstimos do BNDES, a baixíssimos juros, e incentivos fiscais de todos os tipos. Mas o mais apropriado é dizer que a verdadeira especialidade de Terry Gou é superexplorar os trabalhadores, de qualquer nacionalidade.

Mas não é sua exclusividade. Numa pesquisa da China Labour Watch, uma organização de direitos humanos, em 46 fábricas onde trabalham 92 mil trabalhadores, concluiu-se que em 88% das fábricas não havia representação sindical efetiva; em 87% delas as horas extras diárias excediam 3 horas ou não havia garantia de descanso semanal – as horas extras excediam 100 horas mensais e em algumas fábricas, 200 horas; e 83 % não pagavam salários conforme a legislação, em relação ao salário mínimo e às horas extras.

Estes são os patrões que o governo Dilma está procurando para investir no Brasil. Esta é a aposta dos capitalistas brasileiros para um rebaixamento geral dos salários e direitos trabalhistas no Brasil.

Esta também é a vontade da burocracia sindical instalada na CUT, a julgar pelas declarações de Sérgio Nobre, presidente do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. O sindicalista afirmou ao jornal Valor Econômico que “se ficarmos presos à CLT, travaremos uma série de avanços que são fundamentais para os trabalhadores e para as empresas” , e defende que o negociado entre patrões e trabalhadores prevaleça sobre o legislado pela CLT. Como avanço, para as empresas, significa aumento dos lucros, uma medida deste tipo abriria as portas a todos os tipos de violações trabalhistas. Bem ao gosto dos capitalistas chineses. Ao que parece, com a ajuda da CUT, Terry Gou não terá mais motivos para dizer que os salários no Brasil são altos.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A guerra comercial é uma nova expressão da crise econômica internacional

Ante o fiasco da última reunião do G-20 para evitar uma “guerra comercial” ou “guerra de divisas” entre as principais potências imperialistas, na qual também estará envolvida a China, os analistas começaram a definir a atual crise econômica internacional como uma “crise mutante”.

Conquanto se trate mais de uma frase de efeito jornalístico que de uma definição profunda, este conceito é relativamente verdadeiro: desde o seu início, em agosto de 2007, a crise foi “mutando” a sua forma de manifestar-se, seja pela sua própria evolução como pelas ações dos governos para enfrentá-la e as consequências destas ações.


A primeira fase da crise

A primeira manifestação visível da crise foi o estouro da grande bolha especulativa baseada no mercado imobiliário dos EUA e de outros países imperialistas. Em um ano, a queda do Lehman Brothers mostrou a fragilidade do sistema bancário-financeiro internacional, que esteve à beira da bancarrota global.

Nesse momento, a crise expressou-se com muita força no conjunto da economia e teve dois trimestres (o último de 2008 e o primeiro de 2009) com as piores quedas em décadas do PIB de todos os países imperialistas (um acumulado de mais de 112%), equivalentes ao primeiro impacto da crise de 1929. A queda na produção foi ainda maior e oscilou, segundo os países, entre 15 e 20%.


A segunda fase

Ali começaram a atuar os megapacotes de ajuda dos governos imperialistas e outros, como Brasil, China e Rússia, aos bancos e mercados financeiros, num total de 24 trilhões de dólares (40% do PIB anual mundial). Assim, evitou-se a quebra do sistema financeiro mundial e também se cortou a dinâmica de “plano inclinado” em que a crise arrastava o conjunto da economia.

Abriu-se, então, um período de frágil recuperação cujo pico se deu no primeiro trimestre de 2009, especialmente nos EUA, China, Alemanha e Japão. Podemos defini-lo como de “frágil recuperação”, porque se baseou precisamente nestes pacotes e não em um aumento sustentado do investimento burguês.


A terceira fase

No final de 2009, começa o que denominamos uma terceira fase da crise, que se manifestou por meio de dois processos. De um lado, estourou a crise fiscal (de rendimentos e pagamentos do Estado) de vários países europeus e da Eurozona, como Grécia e Irlanda, ante a impossibilidade de pagar suas dívidas. Houve também uma crise do euro no seu conjunto e a sua própria subsistência como “moeda européia” ficou comprometida.

Nesse momento, a crise adquiriu uma clara dimensão política com a resistência aos planos de ajuste dos seus governos por parte dos trabalhadores e jovens da Grécia, França, Espanha, Reino Unido, Itália e Portugal. A definição de uma feição central da dinâmica da crise econômica passou a jogar no terreno das lutas de classes.

Por outro lado, a frágil recuperação nos EUA mostrou as suas dificuldades de se sustentar e começou a se transformar, segundo palavras do economista Nouriel Roubini, em um “crescimento anêmico”, incapaz sequer de evitar o crescimento do desemprego no país.


Inicia-se a guerra comercial

Foi precisamente a insatisfação com a situação, especialmente o aumento do desemprego, que já se aproxima de 10%, que provocou a derrota de Obama nas eleições legislativas de “médio termo”, nas quais o seu governo perdeu a maioria parlamentar.

Debilitado e obrigado a cogovernar com um parlamento opositor a partir do próximo ano, o governo de Obama apelou ao Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) para aplicar uma política de emissão de 600 bilhões de dólares nos próximos 8 meses, para comprar Bônus do Tesouro do seu próprio país em uma tentativa de sair do atoleiro.

Ao lançar uma nova catarata de dólares no mercado internacional, esta medida tem o efeito de desvalorizar a cotação internacional do dólar frente às outras moedas. Assinalemos que bastou o anúncio da medida para que o dólar se desvalorizasse em 10% nos mercados internacionais. E a sua cotação seguirá caindo à medida que o FED for emitindo esses dólares.


Profundo impacto mundial

Quando um país desvaloriza a sua moeda, isso tem um efeito imediato sobre o seu comércio internacional. Por um lado, “rebaixa” os seus custos internos e barateia o preço dos seus produtos exportáveis; por outro, encarece o preço nacional dos produtos importados. Em outras palavras, tende a aumentar as suas exportações e a diminuir as suas importações. Por isso, ao explicar a medida, Obama declarou que o seu objetivo é “duplicar as exportações nos próximos anos”.

Tratando-se de Estados Unidos, a principal economia do planeta, uma mudança na dinâmica do seu comércio exterior terá um impacto muito profundo em toda a economia internacional. Nos últimos 20 anos, os EUA transformaram-se no principal importador do mundo, especialmente de produtos industriais de consumo. Por exemplo, em 2008, importou um valor total de mais de 2 trilhões de dólares (uma cifra maior que o PIB do Brasil e Argentina juntos) e acumulou um déficit na sua balança comercial (saldo negativo entre exportações e importações) de mais de 600 bilhões de dólares. Outras grandes economias do mundo, como Alemanha, Japão, China e Índia, dependem diretamente dessas importações.

Em outras palavras, ao procurar aumentar as suas exportações e diminuir as suas importações, o imperialismo estadunidense lançou uma ofensiva para resolver a sua crise na costa dos outros imperialismos (como os europeus e japonês), dos países semicoloniais e também dos seus próprios trabalhadores.


Ataques à classe trabalhadora estadunidense

A “ofensiva comercial” lançada por Obama vem acompanhada pela continuação de fortes ataques à classe operária estadunidense e ao seu nível de vida para melhorar a competitividade nacional.

Este ataque vem, em realidade, pelo menos desde a década de 80, com o governo de Reagan. Mas, com a crise, deu um salto. Expressa-se em um desemprego de 10%, na redução das plantas das empresas e na queda de salários e benefícios. Muitas empresas, como a GM, exigiram de seus trabalhadores que aceitem uma redução salarial à metade. Todo isso se manifestou em um aumento da pobreza que afeta 14% dos habitantes dos EUA, cifras inéditas há décadas. Ao mesmo tempo, a desvalorização do dólar pode também gerar um processo inflacionário interno que deteriorará ainda mais esse nível de vida.

Também se acirra a política já em curso de cortes orçamentários em serviços como saúde e educação públicas, e se deterioram outros, como segurança, bombeiros e até a coleta de lixo. Segundo uma informação recente, a redução orçamentária sugerida pela comissão bipartidária formada por Obama é tão grande que poderia conduzir a “uma explosão social similar às que se viram recentemente em Paris e Londres” (Clarín, 11/11/2010)


Maior fragilidade do sistema monetário mundial

A política monetária implementada por Obama agrega ainda mais fragilidade ao atual sistema monetário mundial, de moedas de cotação “flutuante”. Vejamos alguns elementos históricos para entendê-lo.

Uma vez decidido o curso da Segunda Guerra Mundial, em 1943, os Estados Unidos aproveitaram a hegemonia econômico-político-militar conseguida para impor, em uma reunião celebrada em Bretton Woods, a proposta do economista britânico John Maynard Keynes de criar uma “autoridade” (o Fundo Monetário Internacional) e um sistema monetário mundial, baseado em uma determinada paridade de conversão entre o ouro e o dólar, que passou a ser a “moeda padrão” do sistema, respaldada pelo ouro armazenado pelo FED em Fort Knox.

Os EUA não só possuíam a “moeda mundial”, como eram também os donos da “máquina de imprimir dólares”. Como não se tinha estabelecido nenhum mecanismo de auditoria para verificar se a quantidade de dólares circulantes no mundo coincidia com o ouro armazenado em Fort Knox, o seu governo e a sua burguesia dispunham de capital a seu bel-prazer pelo simples mecanismo de imprimir bilhetes.

Esta “sobreimpressão” de dólares foi uma das razões que levaram à queda do sistema monetário de Bretton Woods, por decisão do governo de Richard Nixon, em 1971. Este definiu unilateralmente que o dólar já não seria conversível em ouro. Isto é, os possuidores de dólares no mundo não podiam reclamar aos EUA que respaldasse com ouro esses bilhetes.

Conquanto depois da ruptura dos acordos de Bretton Woods o dólar seguiu sendo, de fato, a moeda padrão do mercado mundial, agora o fazia sem a “ordem monetária formal”, nem a suposta segurança que garantiam estes acordos.

Uma das consequências desta ruptura foi que o sistema monetário internacional se tornou bem mais instável, sujeito às flutuações permanentes das cotações das moedas, especialmente do dólar e das moedas “duras” dos países imperialistas. E também ficou bem mais exposto às intervenções especulativas no mercado de moedas.

É neste enquadramento que Obama inicia a “guerra de divisas” que agrega maior fragilidade a um sistema já frágil porque situado no meio de uma crise econômica internacional e, ademais, afeta e prejudica as outras moedas de importância no mundo, como o euro, o iene ou o yuan.


A impossibilidade de outro Bretton Woods

Diante da perspectiva de guerra cambial e as suas graves consequências, vários setores burgueses começaram a falar da necessidade de um “novo Bretton Woods”. Em um artigo publicado pelo Financial Times, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, propôs criar um novo sistema monetário mundial baseado em uma cesta de moedas (o dólar, o euro, o iene, a libra e o yuan chinês) que tome como referência o padrão ouro para as paridades entre essas moedas.

No entanto, esta proposta, aparentemente “racional” frente à atual “anarquia” monetária internacional, é hoje absolutamente inaplicável. O acordo de Bretton Woods só foi possível porque foi impulsionado pela burguesia imperialista estadunidense, que aproveitou a sua incontestável hegemonia no mundo para pôr esse sistema a serviço dos seus interesses.

Hoje, essa mesma burguesia está na contramão de reconstruir um acordo desse tipo porque assim pode aproveitar as brechas de um sistema monetário mais “livre”. E, sem o seu acordo e impulso, outro Bretton Woods é impossível. E nenhum país ou grupo de países está em condições de deslocar o dólar como moeda padrão. Em última instância, é uma expressão de que, no enquadramento de uma decadência geral do sistema capitalista imperialista, a hegemonia estadunidense segue vigente.

Inclusive resulta extremamente difícil criar “moedas regionais”, como o mostra a crise do euro ou a impossibilidade da China de levar adiante a sua bravata de criar uma “moeda asiática”.


As dificuldades da EU

A “guerra comercial” encontra mau parada às burguesias imperialistas européias, especialmente a dos países integrantes da “eurozona”. Estas burguesias já tinham graves problemas: um crescimento econômico mais anêmico que o dos EUA; a impossibilidade de ter uma política monetária flexível pela contradição de usar uma moeda comum (o euro) sem unificação dos países; uma crise fiscal em vários países e a necessidade de efetuar duríssimos ataques aos trabalhadores para sair dessa crise fiscal, com uma forte resposta de parte destes. Uma situação que, de conjunto, põe em risco a própria existência do euro, um mecanismo de “defesa de espaços” frente ao imperialismo estadunidense, resultado de uma construção de mais de 50 anos.

A anterior desvalorização do euro frente ao dólar abria uma possibilidade de exportar mais e começar a sair do pântano. Foi o caso da Alemanha, a economia mais forte do continente: no início deste ano, teve uma melhora nas suas exportações industriais, especialmente para os EUA, que permitiu um verdadeiro crescimento da economia do país. Agora, com a desvalorização do dólar e o aumento da cotação do euro, essa porta começou a se fechar e as suas consequências já se sentem: em setembro passado, a produção industrial alemã caiu 0,8%.

A desvalorização do dólar significa também que as burguesias europeias deverão redobrar os seus ataques contra os seus trabalhadores, pela necessidade muito maior de rebaixar os salários e endurecer ainda mais as condições laborais para reduzir custos e manter a “competitividade” internacional frente aos Estados Unidos.

Mas estes ataques dar-se-ão em um momento em que os trabalhadores europeus já estão lutando, em vários países, contra os planos de ajuste dos seus governos e abrem a possibilidade de que essa luta se incremente ainda mais.

As medidas do FED também afetarão o Japão, cuja economia, depois de anos de estancamento e queda, teve uma débil recuperação no final de 2009 e início de 2010, baseada nas exportações aos EUA. Cabe assinalar que o governo japonês foi o primeiro, antes dos Estados Unidos, a lançar medidas protecionistas por meio da desvalorização do iene.


A pressão sobre a China

Uma feição importante da política dos Estados Unidos é a pressão sobre a China para que rompa o sistema de paridade fixa entre o dólar e o yuan, ferreamente controlado pelo governo chinês, e passe a um sistema de cotação flutuante do yuan, sujeito aos vaivens do mercado. Assinalemos que o principal comprador dos produtos industriais chineses são os EUA (30% das suas exportações).

Atualmente, o sistema é de “paridade fixa”: se o dólar se desvaloriza, o governo chinês desvaloriza o yuan na mesma proporção, pelo que o efeito monetário no comércio entre ambos os países é nulo. Pelo contrário, se o yuan passasse a ter uma cotação livre, o grande agregado de divisas internacionais realizado pela China, pelo saldo favorável da sua balança comercial, levaria a uma subida do preço do yuan frente ao dólar.

Isto encareceria o preço internacional dos seus produtos industriais, algo que, ademais, somar-se-ia à alta de custos internos como resultado dos aumentos salariais que os trabalhadores de importantes fábricas do país estão conseguindo com suas greves. De conjunto, o processo prejudicaria suas exportações, que já vêm sofrendo uma dinâmica negativa como efeito da crise econômica internacional. Digamos que, atualmente, a maioria dos ramos centrais da economia chinesa está com capacidade ociosa, isto é, em uma situação de superprodução. Por isso, até agora, o governo chinês se nega a romper a paridade cambial fixa.


Entrar no mercado financeiro chinês

Alguns analistas econômicos internacionais assinalaram que, apesar de todo o peso que terá uma “guerra comercial”, o verdadeiro objetivo de Obama ao pressionar a desvalorização do yuan é conseguir a abertura e o livre acesso ao mercado financeiro chinês. Trata-se de um mercado financeiro muito importante, até agora ferreamente controlado pelo governo chinês, por meio de vários bancos estatais, que, anualmente, se vê aumentado pelos grandes saldos que obtém o país no comércio internacional.

Esta análise seria coerente com o atual caráter do sistema capitalista imperialista mundial e da burguesia imperialista, cada vez mais voltada ao setor financeiro e à especulação. Ingressar no mercado financeiro chinês, do qual até agora está fora, pelo menos diretamente, permitiria à burguesia imperialista estadunidense aceder a um rico “banquete” de capitais que reforcem o seu próprio circuito.

Até agora, o governo chinês vem resistindo a estas pressões, aproveitando as importantes reservas de divisas internacionais que acumulou nestes anos e que lhe permitiram manter um crescimento da sua economia graças aos pacotes governamentais e ao crédito estatal.

No entanto, é quase impossível que esta situação se mantenha ad infinitum. Dois fatores a jogam na contramão. Por um lado, a crise econômica internacional já diminuiu as suas exportações e a própria política monetária do governo de Obama pode acentuar esta tendência, de maneira que as suas reservas tenderão a diminuir. Por outro lado, a própria dinâmica interna do mercado financeiro chinês, com numerosas “bolhas especulativas” passíveis de estourar e um nível a cada vez mais alto de inadimplência e morosidade.

Em outras palavras, o mais provável é que, cedo ou tarde, o governo chinês termine cedendo às pressões do imperialismo e só trate, em realidade, de discutir os tempos e ritmos dessa mudança.


Possíveis perspectivas

Nas suas diferentes manifestações, a crise econômica internacional aberta em 2007 continua. Sem resolver, ou resolvendo muito parcialmente, os problemas das fases anteriores, cada fase agrega novos problemas para o sistema capitalista imperialista.


Retirado do Site do PSTU