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sábado, 12 de janeiro de 2013

Calamidade na saúde do Rio Grande do Norte continua! Governo Rosalba é responsável pelo caos!

A calamidade na saúde pública do Rio Grande do Norte continua, mesmo com o término oficial do Estado de Calamidade. Depois de seis meses, a situação dos hospitais estaduais continua colocando em risco a vida de quem necessita de atendimento médico. O caso mais emblemático é do hospital Walfredo Gurgel. O Walfredo é o único hospital do Estado habilitado em todas as especialidades. Os corredores do hospital estão com cerca de 50 pacientes amontoados em macas e os acompanhantes têm que dormir no chão. Há mortes diárias por falta de leitos nas UTI’s. Os trabalhadores do hospital estão em situação permanente de stress, suportando todo tipo de precariedade, de assédio moral e os usuários sofrem cotidianamente com a dor, com as mortes, e com a falta de estrutura.

Mas a situação no Walfredo Gurgel é somente a ponta do estrangulamento da situação da saúde pública no Rio Grande do Norte. A superlotação do hospital demonstra o fato de que estamos em um sistema único de saúde que está sendo sucateado e privatizado. Uma rede de atendimento que está sendo violentamente atacada desde o âmbito municipal, estadual e federal. No município de Natal as Organizações Sociais (OS’s) foram utilizadas para privatizar unidades e só não permaneceram porque o Ministério Público interveio. Nos hospitais estaduais o sistema de cooperativas conspira contra o sistema público e também em nível federal, a entrega dos hospitais universitários como o Onofre Lopes para a EBSERH é claro atentado à saúde pública.

Por isso, a liberação emergencial de R$ 33 milhões pelo Governo Federal não resolverá o problema, pois além de ser insuficiente, o sistema público está sendo desmontado através de todos os mecanismos de privatizações e por todos os governantes.

Em meio à perplexidade nacional com a situação de calamidade na saúde no Estado, a governadora Rosalba, de forma sádica, teve a cara de pau de dizer que “já é possível perceber as melhorias e que o balanço dos 180 dias é positivo”. Em nossa opinião a governadora deveria ser responsabilizada criminalmente pelas mortes que estão ocorrendo por falta de leitos e de atendimento. O governo Rosalba já tem o diagnóstico dos problemas da saúde há dois anos e até agora só aplicou medidas paliativas, além de adotar uma política de privatizações e de ataque aos trabalhadores da saúde.

Na cidade de Natal, assim como em outras capitais do Brasil, o que temos visto é que tem verbas sendo destinadas para as obras da Copa, como a construção de estádios, grandes avenidas, etc. Mas não são os mesmos recursos destinados à construção de hospitais, de aparelhamento das unidades de saúde nos bairros e para a contratação de mais profissionais por concurso público. O último orçamento previsto do município, por exemplo, destina mais de 700 milhões para obras e apenas metade desse valor para a saúde. Ainda assim, desta verba para a saúde, nem tudo é aplicado para a saúde pública, sendo que boa parte vai parar nos bolsos das entidades privadas.

Diante de tanto sofrimento humano gerado pelo caos na saúde pública do Rio Grande do Norte, é ainda mais indignante a situação das mulheres que necessitam das maternidades. Muitas mulheres em trabalho de parto ficam sendo deslocadas de uma maternidade para outra à procura de um leito. Algumas mulheres perderam seus bebês. Tanto o Estado quanto o município não oferecem condições dignas para as mulheres terem seus filhos.

A resposta a esta situação exige dos movimentos sociais e de todas as entidades de trabalhadores do Rio Grande do Norte uma mobilização permanente para lutarmos contra os ataques desferidos à saúde pública pelos governantes. Temos que unificar a população pobre e trabalhadora que está agonizando nas filas com os trabalhadores da saúde que estão esgotados pelas condições insuportáveis de trabalho.

  • Em defesa do SUS! Pela saúde pública 100% estatal e de qualidade!
  • Nenhuma forma de privatização da saúde!
  • Contra a política privatizante do governo de Dilma de entregar os hospitais universitários à EBSERH!
  • 6% do PIB Nacional para a saúde! Aplicação de 25% do orçamento estadual e municipal na saúde! Dinheiro público somente para a saúde pública!
  • Atendimento a todas as reivindicações dos trabalhadores da saúde!
  • Construção de um novo hospital estadual em Natal já! Aparelhamento da rede básica de saúde do município de Natal! Se tem dinheiro para a Copa tem que ter dinheiro para hospitais!
  • Responsabilizar a governadora pelas mortes! Fora Rosalba!


  • Amanda Gurgel, vereadora de Natal pelo PSTU e Dario Barbosa, presidente Estadual do PSTU


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

    Vereadora mais votada entre as capitais, Amanda Gurgel toma posse em Natal

    Logo na primeira sessão da Câmara, Amanda disputa a presidência da Casa defendendo a redução do salário dos vereadores


    Amanda Gurgel na sessão de posse da Câmara de Natal
    O dia 1º de janeiro de 2013 já entrou para a história da classe trabalhadora brasileira. No momento em que um novo ano se inicia, milhares de trabalhadores, jovens e mulheres de Natal renovaram seus sonhos e esperanças na luta por uma vida digna. E foi esse o sentimento que marcou a posse da professora Amanda Gurgel como a vereadora mais votada entre as capitais, em solenidade realizada na Câmara Municipal de Natal. Do lado de fora, muitas pessoas realizaram um ato em apoio à vereadora do PSTU, demonstrando que ela não estará sozinha nos próximos quatros anos.

    Eleita com 32.819 votos, a maior votação da história da cidade, Amanda Gurgel tomou posse já mostrando a que veio e como será um mandato socialista. Em seu discurso, no qual se apresentou como candidata à Presidência da Câmara, a professora denunciou os responsáveis pela crise social em que está jogada a cidade e criticou o aumento nos salários dos vereadores. “O povo não entende como pode, em meio a essa crise, os vereadores terem um aumento absurdo em seus salários. Senhores vereadores, receber 17, 18 mil reais é um desrespeito com quem ganha um salário mínimo. Reafirmo aqui o meu compromisso de votar contra e fazer de tudo para barrar esse aumento”, disse.

    Amanda Gurgel disputou a presidência da Câmara contra outras duas chapas, encabeçadas pelos vereadores Hugo Manso (PT) e Albert Dickson (PP). Costurando um acordão entre 21 vereadores, Dickson venceu a eleição. Mas ao contrário do novo presidente da Câmara, a professora Amanda apresentou, junto com os dois parlamentares do PSOL, uma candidatura com base em um programa de combate aos privilégios e a corrupção dos vereadores. “É necessário neste momento ouvir o recado das urnas, que não quer uma Câmara submissa, que não quer uma câmara que funcione em base a conchavos e ao clientelismo, com privilégios. O povo está cansado, o povo quer mudança”, discursou.


    Um mandato de oposição de esquerda aos governos

    No discurso de posse, Amanda Gurgel não poupou os responsáveis pelo caos que vive Natal, a exemplo da ex-prefeita Micarla de Sousa (PV), afastada do cargo por corrupção. “As montanhas de lixo pelas ruas são só o retrato mais grotesco de um governo que saqueou as riquezas do município. O lixo é só a parte mais aparente. A vida de quem vive nos bairros mais distantes de Natal e que depende dos serviços públicos é um drama permanente. Todos os serviços mais básicos, que deveriam ser direitos fundamentais da população, estão sendo negados todos os dias”, denunciou Amanda.

    O descaso da governadora Rosalba Ciarlini (DEM) com a saúde pública estadual e as privatizações dos hospitais universitários do governo Dilma também foram lembrados pela vereadora mais votada de Natal. “O caos da saúde está no rosto da mãe que passou a noite abanando seu filho recém-nascido em uma maternidade às escuras. E é agravada pelo governo Rosalba, que mantém a fila de espera para a UTI do Walfredo Gurgel como um monumento ao descaso pela vida. E, infelizmente, também pelo governo Dilma, que mantém os projetos de privatização dos serviços públicos, e vai entregar os hospitais universitários, como o Onofre Lopes, para uma empresa”, criticou.

    Durante o discurso, Amanda ainda afirmou que a “Era Micarla” faliu e endividou a cidade. A vereadora empossada comparou o caos em Natal com a crise econômica na Europa e também fez questionamentos ao novo prefeito eleito, Carlos Eduardo Alves (PDT). “Em países como a Grécia, Portugal e Espanha, os governantes estão jogando a crise nas costas dos trabalhadores, atacando direitos e desmontando os serviços públicos. A “saída” que encontram é essa. Essa será a saída de Carlos Eduardo para a crise aqui em Natal? Pedir paciência para o funcionalismo? Jogar a conta da crise para quem mais sofre com ela? ”, questionou.

    Já no final do discurso, a professora Amanda Gurgel alertou os vereadores sobre o recado vindo das ruas e das urnas e disse que os trabalhadores estão dando suas respostas ao caos imposto pelos governos. “Lá na Europa, os trabalhadores estão dando o seu recado, indo para as ruas, mostrando a sua indignação. Aqui, em Natal, o povo também deu o seu recado nas ruas e nas urnas. Estamos vivendo dias históricos”, destacou a vereadora.

    E concluiu afirmando que as verdadeiras mudanças na sociedade não vem dos parlamentos, mas das mobilizações dos trabalhadores. “O meu partido, o PSTU, acredita que não é dentro dos gabinetes que as verdadeiras mudanças acontecerão em Natal, no Rio Grande do Norte e em nosso país. As verdadeiras mudanças virão das mobilizações populares, virão do povo organizado, virão dos mais explorados e dos mais oprimidos”.


    Um mandato com a força dos trabalhadores

    Logo após a cerimônia de posse, militantes do PSTU, trabalhadores, ativistas sociais e apoiadores participaram de uma festa em comemoração ao início do mandato da professora Amanda Gurgel. Na festa realizada em frente à Casa do Cordel, um tradicional ponto de cultura potiguar, estiveram presentes pessoas que participaram da eleição de Amanda desde o começo da campanha e que permanecem ajudando, como é o caso do professor do IFRN, Mateus Nascimento. “A presença de Amanda Gurgel na Câmara é a presença das necessidades do povo. O povo apostou em Amanda e nós estamos com ela. Não só no dia da posse, mas também durante todo o mandato construindo a luta”, afirmou.

    Cyro Garcia, da direção nacional do PSTU, que veio a Natal para acompanhar a posse de Amanda Gurgel, também participou da comemoração e comentou o início de um mandato socialista que terá a força dos trabalhadores. Cyro afirmou que o mandato de Amanda fortalece nacionalmente a luta dos trabalhadores pelo socialismo e mostra que é possível eleger sem rebaixar o programa político. “Estamos comemorando uma grande vitória da classe trabalhadora não só de Natal, mas do Brasil inteiro. O fato de ela ter sido eleita em Natal como a mais votada das capitais mostra uma vitória nacional. Mostra que os trabalhadores não precisam rebaixar seu programa político para serem eleitos. O PSTU elegeu Amanda com um programa revolucionário. Essa vitória fortalece a luta dos trabalhadores para pavimentar a estrada que nos levará uma sociedade socialista”, declarou.


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    Leia o discurso de Amanda Gurgel durante a posse na Câmara e as eleições para a Presidência da Câmara


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 20 de setembro de 2012

    A saúde pública no RN: À espera de um milagre?

    A saúde pública do Rio Grande do Norte vive a maior crise de sua história. Pacientes nos corredores, entubados sem sedativos, desabastecimento completo de remédios e materiais básicos. No maior hospital do estado, todos os dias morrem oito pessoas em média por falta de atendimento adequado



    Doentes padecem nos corredores dos hospitais no RN
       
    É difícil descrever a situação da saúde pública do Rio Grande do Norte. Entretanto, se fosse possível resumi-la numa só palavra, esta seria “desumana”. A atual crise nos hospitais do estado não possui precedentes nos últimos vinte anos. Há um caos generalizado no setor, com a ausência de leitos, medicamentos e insumos em níveis altíssimos. A maioria dos pacientes está em macas nos corredores, esperando vagas de UTI'’s e sem tratamento digno. Por todas as unidades de saúde, é comum a falta de esparadrapos, sabão e reagentes para exames laboratoriais, por exemplo. Em Natal, no Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, pacientes são entubados nos corredores, sem sedativos. E esta é apenas uma amostra dos graves problemas vividos pela população pobre na busca por atendimento médico.

    No dia 4 de julho deste ano, a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) decretou situação de calamidade na saúde pública do Rio Grande do Norte, prometendo solucionar a crise de desabastecimento. Mais de dois meses depois, nada mudou nos hospitais do estado. Pelo menos não para melhor. A cada dia que passa, a situação se agrava ainda mais e uma certeza vai se consolidando: a de que o “Plano de Enfrentamento para os Serviços de Urgência e Emergência do RN”, anunciado pelo governo como a salvação da lavoura, não saiu do discurso. Pior: o decreto de calamidade está servindo apenas para suspender férias e licenças-prêmios dos servidores. O drama da saúde pública, na verdade, tem mostrado o completo desrespeito da governadora Rosalba pela vida da população.

    Mas o completo abandono da saúde pública vai além da capital. Em Mossoró, no interior do estado, o número de leitos nos hospitais da segunda maior cidade do estado é baixíssimo e não atende as necessidades do município e cidades vizinhas. As unidades de saúde não ficam atrás e sofrem com o desabastecimento de medicamentos. “Faltam remédios, profissionais e muitos leitos. As pessoas reclamam da demora no atendimento. Muitas só conseguem marcar exames após um ou dois anos de espera. A governadora Rosalba é a própria calamidade”, comentou João Morais, diretor do Sindsaúde de Mossoró e militante do PSTU.

     

    Cenário de guerra
     

    O quadro caótico do Hospital Walfredo Gurgel, o maior do Rio Grande do Norte em urgência e emergência, se tornou mais do que insuportável desde o último dia 12, quarta-feira. Revoltados, enfermeiros, técnicos de enfermagem, médicos, servidores e acompanhantes de pacientes decidiram paralisar as atividades com um protesto em frente à unidade hospitalar. “A Copa não tem pressa, saúde é o que interessa!” , gritavam os manifestantes, referindo-se aos altos investimentos feitos para obras do Mundial de Futebol. Por mais de uma hora, centenas de pessoas ficaram aglomeradas na porta do hospital.

    Muitos quiseram sair e participar da manifestação, mas foram impedidos pela equipe médica. Num ato de desespero, reflexo de quem não tem mais nada a perder, alguns deles até ameaçaram colocar fogo nos colchões. O dia do protesto coincidiu com a visita realizada pelo Conselho Regional de Medicina (Cremern), que convidou conselheiros dos Direitos Humanos no RN para verificar a realidade do hospital. Com os próprios olhos, eles puderam ver um cenário visto apenas em lugares que vivem os horrores de uma guerra.

    Deitado numa maca na porta do Centro Cirúrgico, um paciente que se recuperava de uma cirurgia no baço tinha como apoio para sua cabeça a tampa de um tambor de lixo. Eletrocardiogramas eram feitos no meio dos corredores. Pacientes aguardavam cirurgias ortopédicas há mais de um mês, sem previsão para fazer os procedimentos.

    Numa das cenas mais terríveis do protesto, a dona de casa Maria de Fátima da Silva se ajoelhou pedindo piedade e atendimento para seu irmão, que há 20 dias esperava por uma cirurgia ortopédica. “Piedade, pelo amor de Deus. São vidas que estão aqui dentro e precisam de respeito. É uma vergonha faltar sabão para limpar os instrumentos, quanto mais medicamentos. Enquanto isso, meu irmão está numa maca dura, sem lençol, nessa espera sem fim. Quantas pessoas vão precisar morrer para que resolvam essa situação? ”, questionou a dona de casa, em depoimento ao Jornal de Hoje.

    Com mais de 20 anos de trabalho no Hospital Walfredo Gurgel, a técnica de enfermagem do setor de ortopedia, Ângela Maria, esteve à frente do protesto contra o descaso na saúde. “Paramos porque não temos a menor condição de funcionamento. A insatisfação é geral. Queremos apenas respeito profissional e condições dignas de trabalho, pois faltam materiais básicos, e alguns dos que temos estão vencidos. É uma situação muito triste, de impotência profissional e queremos apenas respeito, por nós e pelos pacientes que sofrem com essa situação”, afirmou.



     

    Intervenção federal
     

    Neste dia 18, enquanto profissionais da saúde faziam outro protesto, uma nova visita foi feita ao Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel. Desta vez, pela Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). Havia 120 pacientes instalados nos corredores e uma fila de 90 pessoas esperando por cirurgia ortopédica. Segundo plantonistas do hospital, a média diária de óbitos saltou de 2 para 8 nos últimos dias. Chocados com a realidade, os representantes das entidades anunciaram, em reunião com a governadora Rosalba Ciarlini, que vão denunciar o governo à Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU) por violação dos Direitos Humanos. O CFM também vai pedir uma intervenção federal na saúde do RN. Um relatório será enviado ao Ministério da Saúde.

    Para piorar, os serviços municipais de saúde também vão de mal a pior e agravam a situação dos hospitais. Sem pagamento há 4 meses, os médicos cooperados paralisaram suas atividades nos pronto-atendimentos e nas maternidades de Natal. Em resposta, a prefeita Micarla de Sousa (PV) fechou dois pronto-atendimentos e uma maternidade. “Agora, a população está completamente desassistida e morrendo sem atendimento. Cesarianas foram suspensas e as mulheres entram em trabalho de parto sentadas nos corredores. No Hospital Santa Catarina, a superlotação da maternidade não permite nem que as pacientes possam sentar”, revelou a enfermeira Simone Dutra e militante do PSTU.

    Como se não bastasse o abandono, a Prefeitura de Natal e o governo do estado ainda promovem uma ampla terceirização dos serviços de saúde, passando para as mãos de Organizações Sociais (empresas privadas) os recursos públicos e o controle dos hospitais e unidades de saúde. Essa modalidade de privatização transforma a saúde pública em um grande negócio e é um dos gargalos da corrupção, como mostrou a Operação Assepsia, que apontou fraudes na contratação de organizações sociais em Natal e prendeu o ex-secretário de saúde do município.

     

    Onde estão os recursos da saúde?
     

    Os representantes da Fenam e do CFM também criticaram a falta de investimentos em saúde no Estado. De acordo com Aloízio Tibiriçá, 2º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, em 2011 o Ministério da Saúde repassou R$ 850 milhões para o Rio Grande do Norte, mas apenas metade da verba foi investida na saúde. Além disso, segundo o Tribunal de Contas do Estado, o governo do RN investiu 35% menos em saúde do que em publicidade no ano passado. O Portal da Transparência diz mais ainda. Em 18 meses, ou seja, até junho deste ano, a governadora Rosalba Ciarlini teve uma receita superior a R$ 12 bilhões. Uma média de R$ 700 milhões por mês ou R$ 23 milhões por dia. Mesmo assim, os recursos não chegam aos hospitais, onde as pessoas agonizam esperando por atendimento.

    Entretanto, o governo Dilma Rousseff também tem responsabilidade nesse caos, já que a saúde pública sofre problemas semelhantes em todo o país. Os recursos investidos pelo governo federal estão longe do mínimo necessário. Em 2012, 47% do orçamento da União irá para o pagamento de juros da dívida pública aos banqueiros nacionais e internacionais. A saúde vai receber até o fim do ano menos de 4%. Para completar, o ministro da fazendo, Guido Mantega, anunciou um corte de R$ 5 bilhões nos recursos da saúde. Desse modo, é fácil perceber as causas do abandono criminoso da vida nos hospitais do Brasil.

    A privatização e o baixo financiamento da saúde estão acabando com o SUS. É necessário um sistema 100% público e estatal. O Brasil precisa duplicar os gastos com saúde, chegando a pelo menos 6% do PIB (Produto Interno Bruto). Toda verba pública deve ser gasta apenas em saúde dentro do sistema estatal. Todos os hospitais e demais equipamentos precisam ser estatizados.



    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 4 de setembro de 2012

    Estudantes protestam em Natal contra aumento da tarifa de ônibus

    Vittor Gois
    Amanda Gurgel participa de ato
    Os ventos da indignação parecem ter voltado a soprar em Natal (RN). Nos dias 29 e 31 de agosto, estudantes universitários e secundaristas foram às ruas da capital potiguar para protestar contra o aumento na tarifa de ônibus, de R$ 2,20 para R$ 2,40, anunciado pela prefeitura no último dia 27. O anúncio pegou a população de surpresa, já que a prefeita Micarla de Sousa (PV) havia prometido não aumentar a passagem, o que desencadeou o início de uma revolta na cidade. Nos dois protestos ocorridos até agora, convocados pelas redes sociais, ruas e avenidas de Natal foram tomadas por mais de duas mil pessoas que exigiam a revogação imediata do aumento, de quase 10%, e o passe-livre estudantil. Um novo protesto está marcado para a manhã de terça-feira, dia 4, em frente à Câmara Municipal.


    “O povo na rua, Micarla a culpa é sua!”

    Na noite do dia 29, a primeira manifestação contra o aumento da tarifa fechou a BR-101 e toda a extensão da Av. Salgado Filho, uma das principais vias de acesso à cidade. Vestidos de preto, com cartazes e os rostos pintados, os estudantes manifestavam indignação em palavras de ordem e responsabilizavam a prefeita pelos transtornos causados pelo aumento. Logo após o novo valor da passagem entrar em vigor, vários passageiros foram surpreendidos e barrados nas catracas por não terem toda a quantia. “O povo na rua, Micarla a culpa é sua!” e “Mãos ao alto, esse aumento é um assalto!”, eram as palavras de ordem mais ouvidas durante a caminhada dos manifestantes.

    Mesmo sendo um protesto pacífico, a Polícia Militar, comandada pela governadora Rosalba Ciarlini (DEM), acionou a Tropa de Choque e não poupou bombas de efeito moral e balas de borracha para reprimir a manifestação. Os estudantes responderam com pedras à ação brutal da PM. Ferido por estilhaços, o estudante de jornalismo Marcelo Lima foi preso por desacato à autoridade ao simplesmente questionar quem era o responsável pela operação. Ele foi levado para uma delegacia de plantão, mas já está em liberdade. “O governo mandou a polícia para reprimir o movimento e garantir os interesses dos donos das empresas de ônibus. Ao lado dos estudantes e trabalhadores, nós, do PSTU, não aceitamos mais um aumento. Vamos seguir lutando” , comentou Juary Chagas, bancário e militante do PSTU.

    Na tarde do dia 31, cerca de dois mil estudantes voltaram novamente às ruas em um novo protesto. Dessa vez, eles se concentraram em frente à Prefeitura de Natal e seguiram em caminhada pelas ruas do centro da cidade em direção ao Seturn, o sindicato dos empresários do transporte. Mas não pararam por aí. Demonstrando muita disposição de luta nesse que é um dos maiores protestos estudantis já realizados em Natal nos últimos anos, os manifestantes seguiram numa longa caminhada até a BR-101, fechando o trânsito por horas. Ao final do ato, com o apoio da população e dos motoristas, alguns ônibus tiveram suas catracas liberadas e as pessoas puderam voltar para casa sem pagar a passagem.



    Segundo Géssica Régis, estudante de História da UFRN e militante da Assembleia Nacional dos Estudantes – Livre (ANEL), os protestos vão continuar até que o aumento seja revogado. “Isso é o mínimo que nós podemos fazer para mostrar a nossa revolta. O que o povo de Natal é para essa prefeitura?! Não somos um bando de ignorantes e não vamos aceitar o aumento. Queremos a revogação desse aumento já e o passe-livre para estudantes e desempregados”, exigiu. Na terça-feira, dia 4, uma nova mobilização promete agitar outra vez a capital potiguar, em frente à Câmara Municipal.

    Não bastasse o aumento da tarifa, a população também enfrenta a redução da frota de ônibus. No início de agosto, a empresa Riograndense decretou falência e surpreendeu motoristas, cobradores e usuários. As linhas 03, 45 e 28 foram extintas, prejudicando toda a população do conjunto Nova Natal e muitos estudantes da UFRN. Agora, os trabalhadores rodoviários demitidos lutam para terem garantidos seus direitos, enquanto os ônibus seguem mais superlotados e em menor quantidade.




    Revogação já!

    Com o aumento na tarifa, Natal agora tem a segunda passagem mais cara do Nordeste, atrás apenas de Salvador, e bem acima dos R$ 2,15 de Recife. Além de pagar mais por um serviço de péssima qualidade, os trabalhadores e estudantes ainda foram obrigados a ouvir declarações cínicas da Prefeitura. “Se não houvesse esse reajuste, haveria possivelmente um reflexo negativo na qualidade do serviço prestado.”, chegou a dizer o superintendente da Secretaria de Mobilidade Urbana (Semob), Márcio Sá.

    Candidata a vereadora em Natal pelo PSTU, a professora Amanda Gurgel criticou o aumento em seu programa de TV. “A gente dorme pagando R$ 2,20 e acorda pagando R$ 2,40. Mas isso não cai do céu. Por trás disso, existem uma Câmara de Vereadores e uma prefeita que castigam a população para agradar os empresários”, disse Amanda no vídeo. Junto com o candidato a prefeito da Frente Ampla de Esquerda, Robério Paulino (PSOL), e o vice Dário Barbosa (PSTU), a professora tem participado ativamente dos protestos.

    Insatisfeita com o péssimo serviço oferecido pelas empresas, que ela também utiliza para ir ao trabalho, Amanda defende a revogação imediata do aumento da tarifa de ônibus, a redução do valor da passagem e um novo sistema de transporte. “Precisamos de uma empresa municipal de transporte público, que possa oferecer um transporte de qualidade e a preço de custo, enfrentando a ganância sem limites das empresas privadas”, destaca. A professora também propõe o passe-livre estudantil, para que os estudantes possam ter o seu direito de ir à escola.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 13 de junho de 2012

    "O governo é o verdadeiro responsável pela evasão escolar no RN", diz Amanda Gurgel

    Professora Amanda Gurgel criticou em seu blog as declarações da Secretária Estadual de Educação, Betânia Ramalho, que culpou a greve dos professores em 2011 pelo alto índice de evasão escolar no Rio Grande do Norte


    A professora do Rio Grande do Norte, Amanda Gurgel
    Nesta segunda-feira, dia 11, a professora Amanda Gurgel publicou em seu blog pessoal um artigo no qual critica as declarações da Secretária Estadual de Educação, Betânia Ramalho, que culpou a greve dos professores do ano passado pelo alto índice de evasão escolar no Rio Grande do Norte. As declarações da secretária foram publicadas em matéria do jornal O Poti/Diário de Natal, no último domingo, dia 10. "Ora, se a escola não é tão atrativa, agradável, interessante nem motivadora, tudo que se mexe é prejudicial, imagine uma paralisação de quase três meses?”, disse Betânia Ramalho, responsabilizando a greve dos educadores pelos dados do Censo Escolar do IBGE, que apontam um abandono escolar de 19% no RN.

    Em reposta à secretária de educação, Amanda Gurgel disse que a justificativa do governo do estado é mais revoltante do que até a própria situação do ensino público. "Para mim, é revoltante ver a educação pública nesta situação, e mais revoltante ainda foi ler a explicação da secretária estadual de educação, Betânia Ramalho, sobre o fato. Na verdade, o governo é o verdadeiro responsável pela evasão escolar no RN. Não admito que governo algum desmoralize a nossa luta em defesa da educação pública, utilizando-a como justificativa para a sua própria incompetência, ingerência e indiferença em relação aos problemas denunciados em nossas greves", diz Amanda em seu artigo.

    A professora, que ficou conhecida em 2011 por denunciar o abandono da educação durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa, também revelou em seu texto quais as razões que realmente levam os estudantes a desistirem da escola. "Há muitas escolas no RN em que os alunos do Ensino Médio tem apenas dois ou três dias de aula por semana. Se fizermos um cálculo rápido, vamos perceber que essas pessoas assistem a, no máximo, 144 dias de aula por ano. Uma vergonha!", denuncia a professora. E completa: "Agora eu pergunto: que estudante pode se sentir estimulado a frequentar uma escola em que não tem professor de Português, de Química ou de Matemática, estando às vésperas do vestibular?".

    Amanda Gurgel encerra o artigo acusando o governo de Rosalba Ciarlini (DEM) de fazer um boicote ao ensino público e de mentir sobre os verdadeiros responsáveis pela evasão escolar. "As pessoas desistem de estudar porque o governo do estado faz um boicote ao ensino público. Depois, cobra que sejamos os redentores e redentoras do país. Com um quadro caótico desses na educação, dizer que a evasão escolar é culpa da greve dos professores é mais do que uma mentira, chega a ser uma provocação", conclui Amanda.

    Acesse o blog da Amanda Gurgel


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 13 de abril de 2012

    Servidores estaduais da saúde fazem greve no Rio Grande do Norte

    Profissionais da saúde protestam contra as condições precárias no estado
    No Rio Grande do Norte parece que uma nova onda de greves começa a se desenhar no horizonte. Depois dos professores de Natal, que paralisaram suas atividades no dia 30 de março, os servidores estaduais da saúde também iniciaram um movimento grevista contra a defasagem salarial e as péssimas condições de trabalho nos hospitais. Paralisados desde o último dia 2, profissionais de saúde, como enfermeiros, técnicos de enfermagem, nutricionistas, assistentes sociais, entre outros, tem mostrado revolta e disposição de luta para enfrentar o descaso e a intransigência da governadora Rosalba Ciarlini (DEM).

    A pauta de reivindicações da categoria pede um reajuste de 15% (referente à inflação dos últimos dois anos), implantação de uma tabela de incentivo à qualificação, incorporação de gratificações, concurso público e melhores condições de trabalho para diminuir a superexploração dos servidores. Os profissionais de saúde ainda reivindicam o pagamento de plantões trabalhados entre agosto de 2010 e março de 2011 e a conclusão das reformas nos hospitais Santa Catarina, na Zona Norte de Natal, e Rafael Fernandes, em Mossoró, no interior do estado.

    Na última reunião que a comissão de negociação dos servidores realizou com o Secretário Estadual da Saúde, Domício Arruda, e com o Secretário de Administração, o governo propôs pagar apenas os plantões atrasados, divididos em seis vezes. Entretanto, para isso, a greve deveria ser encerrada. A proposta foi amplamente rejeitada pelos trabalhadores. Diante da força da paralisação dos servidores da saúde, o governo sinalizou com outra posição. Agora, vai realizar um estudo para avaliar o impacto do reajuste de 15% na folha de pagamento do estado. A próxima audiência está marcada para o dia 16, segunda-feira.


    Abandono e desabastecimento

    Não é novidade nenhuma que, por todo o país, a saúde pública é tratada com descaso pelos governos. Mas, ultimamente, o problema está atingindo níveis cada vez mais inaceitáveis. O abandono e a falta de investimentos do SUS se refletem na falta de leitos hospitalares, superlotação, macas nos corredores, insuficiência de profissionais, medicamentos e aparelhos básicos, além dos baixos salários dos servidores. No Rio Grande do Norte, essa também tem sido a realidade nos hospitais estaduais. Uma situação que vem piorado muito desde o início do mandato de Rosalba Ciarlini.

    No Hospital-Maternidade Santa Catarina, em Natal, onde trabalha a enfermeira e militante do PSTU, Simone Dutra, as condições são de calamidade. “Não temos nem mesmo o mínimo para trabalhar. É recorrente a falta de álcool, sabão para lavar as mãos, papel higiênico, lençóis, material de limpeza para higienizar o hospital. Há cinco anos o pronto-socorro se arrasta numa reforma interminável, deixando pacientes de todos os tipos misturados e amontoados. Além disso, a sala de raios-x não funciona. É uma política de abandono deliberada do governo.”, acusa Simone Dutra.

    Ainda neste mesmo hospital, na ala da maternidade, bebês que precisam de leitos de UTI neonatal, como os prematuros, estão correndo risco de morte por falta de estrutura e vagas no setor. A insuficiência de profissionais tem deixado oito leitos de UTI sem uso e encostados num canto da sala.

    Já em Mossoró, no interior do estado, o Hospital Rafael Fernandes, que trata pacientes com doenças infectocontagiosas, também enfrenta uma situação de catástrofe. “Aqui em Mossoró os problemas que enfrentamos são gritantes. No Hospital Rafael Fernandes, em função do atraso na conclusão da reforma, pacientes com diversas doenças infectocontagiosas convivem lado a lado, por ausência de uma estrutura que os acomode de forma adequada. Além disso, os profissionais que atuam no laboratório da cidade fazem cota para comprar água mineral, luvas, copos descartáveis. Nem mesmo o mínimo de estrutura é fornecido a estes trabalhadores”, denuncia João Morais, militante do PSTU e diretor regional do Sindsaúde na cidade.




    Estado bate recorde de arrecadação

    O argumento do governo de que não há recursos suficientes para melhorar o funcionamento da saúde pública fica cada vez mais vazio diante dos recordes de arrecadação que o estado vem acumulando. Em março deste ano, o valor arrecadado do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, no Rio Grande do Norte superou a expectativa dos R$ 280 milhões, previstos pelo governo, e atingiu a marca dos R$ 300 milhões. Essa soma é 9,2% maior do que o resultado de fevereiro. Até o final do ano, segundo a própria Secretaria de Tributação, o ICMS deve alcançar os R$ 3,5 bilhões.

    Em janeiro e fevereiro de 2012, foram arrecadados cerca de R$ 587 milhões deste imposto, que é o carro-chefe da arrecadação estadual. Provando que as contas do RN não estão no vermelho, este ano o valor recolhido deve superar em R$ 400 milhões a quantia de R$ 3,1 bilhões obtida no ano passado. “Os números mostram que o governo só não aumenta os investimentos em saúde pública por causa de suas prioridades políticas. Uma administração como a da governadora Rosalba privilegia ricos e poderosos, em detrimento das necessidades dos trabalhadores e da população pobre, que tanto precisa do SUS. Não há outra explicação para entender porque o aumento da arrecadação não se reverte em melhorias no sistema de saúde”, destaca a assistente social e dirigente do PSTU, Rosália Fernandes.

    Além da falta de investimento do governo estadual, a saúde pública ainda sofre com os cortes no orçamento federal, feitos pelo governo Dilma Rousseff. Em fevereiro deste ano, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou um corte de R$ 55 bilhões no orçamento de 2012. Destes, R$ 5,5 bilhões vão sair da saúde. O objetivo é alcançar a meta de R$ 140 bilhões de superávit primário, que é aquela reserva de recursos para o pagamento da dívida pública, cuja maior parte é paga diretamente aos bancos.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 15 de outubro de 2011

    RN: Ato unificado reúne categorias em greve

    Manifestantes na Av. Rio Branco
    A Av. Rio Branco, no centro de Natal, foi tomada por diversas categorias de trabalhadores em greve nesta quinta-feira 13. A caminhada reuniu bancários, funcionários da rede estadual de educação e servidores da administração indireta do Rio Grande do Norte em protesto contra a intransigência dos bancos e do governo de Dilma Rousseff (PT), além da falta de compromisso do governo de Rosalba Ciarlini (DEM). Os bancários cobraram reajuste salarial e denunciaram os lucros astronômicos dos banqueiros. Já os funcionários da educação e os servidores da administração indireta, como os do Detran, da Fundação José Augusto e da Emater, exigiram o cumprimento dos acordos feitos com o governo do estado em julho deste ano, referentes às atualizações dos seus planos de cargos.

    A manifestação, organizada pela CSP-Conlutas, Sinte/RN, Sinai e Sindicato dos Bancários, além de outras centrais sindicais, foi encerrada em frente ao Banco do Brasil da Av. Rio Branco. O PSTU participou do protesto em apoio à luta dos trabalhadores. "Esse ato unificado das categorias federais e estaduais em greve é uma iniciativa muito importante para fortalecer a luta corporativa desses setores, mas não apenas. É unindo toda a classe trabalhadora que podemos de fato conquistar e dobrar a intransigência dos governos Rosalba e Dilma, que têm tentado criminalizar o movimento dos trabalhadores, seja através da justiça, seja através das ameaças de desconto e corte de ponto.", afirmou Juary Chagas, diretor do Sindicato dos Bancários e militante do PSTU.

    Juary Chagas disse também que o Movimento Nacional da Oposição Bancária (MNOB/CSP-Conlutas) reivindica 26% de reajuste salarial para toda a categoria, um plano de reposição das perdas nos bancos públicos, isonomia, estabilidade no emprego, entre outras reivindicações. "Infelizmente, a CONTRAF (confederação nacional ligada à CUT) decidiu por reivindicar apenas um reajuste de 12,8%, que está muito aquém do lucro astronômico dos bancos.", explicou Juary.

    Alexandre Guedes, da CSP-Conlutas

    Alexandre Guedes, membro do comando de greve do Detran/RN e da CSP-Conlutas, denunciou o governo de Rosalba Ciarlini (DEM) por não cumprir o acordo com a categoria e deixar de pagar o plano de cargos dos servidores. "No Detran, por exemplo, um dos órgãos mais ricos do Estado, a arrecadação cresceu bastante. De R$ 61,4 milhões em 2007 passou para R$ 80,8 milhões em 2010. São R$ 20 milhões a mais em apenas 3 anos. Segundo informações do próprio governo, a implantação de todos os planos de cargos tem um custo de R$ 25 milhões mensais. Portanto, as condições são totalmente favoráveis para a quitação desse débito com o funcionalismo. O governo estadual não tem do que reclamar. Tem arrecadado muito. O calote é um absurdo.", destacou Alexandre.

    A luta para que o governo federal invista imediatamente 10% do PIB (Produto Interno Bruto) Nacional em educação pública também esteve representada no protesto unificado. "Nós acreditamos na importância da unificação do movimento estudantil com o movimento de trabalhadores. O governo Dilma prepara agora um novo ataque à educação com o novo PNE e é por isso que estudantes e trabalhadores devem se unir para exigir o investimento de 10% do PIB na educação e o fim dos ataques contra os direitos sociais.", defendeu Géssica Régis, militante da Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre (ANEL).






    Retirado do Blog do PSTU/RN

    sábado, 9 de julho de 2011

    Trabalhadores do RN em greve acampam em frente à sede do governo

    Detalhe da manifestação
    “Pra pressionar a governadora, unificar a classe trabalhadora!” . Esta foi uma das palavras de ordem que embalou a manifestação de centenas de servidores públicos na manhã desta quarta-feira, dia 6, em Natal. Com o objetivo de buscar uma negociação junto à governadora Rosalba Ciarlini (DEM), cerca de 400 trabalhadores estaduais unificaram suas reivindicações e fizeram um acampamento em frente à sede do governo. Dentre as categorias que permanecem em greve no Rio Grande do Norte, estiveram presentes no protesto servidores da Educação, do Detran/RN, da Tributação e da Universidade Estadual, além de setores da administração indireta.

    O acampamento simbólico que unificou as lutas destes trabalhadores ocorreu junto com a paralisação nacional da educação e com o 13º Grito da Terra em Natal, organizado pela Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Rio Grande do Norte (Fetarn). A pauta dos agricultores buscava mais investimentos e infra-estrutura para a agricultura familiar. A professora Amanda Gurgel participou do protesto e destacou a importância de unificar o movimento. “A ideia é unificar as lutas de todas as categorias em greve para alcançarmos um poder maior para pressionar o governo a negociar”, defendeu ela. Ao final do dia, o acampamento saiu com uma negociação marcada.

    Desde o início da greve dos educadores do Estado, a categoria exige da direção do sindicato (Sinte/RN) a unificação das lutas dos trabalhadores em greve. Entretanto, a diretoria da entidade, que é dirigida pelo PT e pela CUT, não vinha encaminhando as decisões dos servidores. “O acampamento unificado só ocorreu por pressão da base dos educadores, que forçaram a direção a realizá-lo ”, disse a professora Luciana Lima, da Oposição CSP-Conlutas na Educação.



    “Ei, governo aí! Pague meu plano aí!”

    Diante de diversas reivindicações específicas, uma já se tornou unanimidade entre os trabalhadores em greve no Estado. O descumprimento, por parte do governo, dos Planos de Cargos, Carreiras e Salários das categorias tem deixado os servidores com suas remunerações bastante defasadas. Somado a isso, está a inflação, que continua elevando o custo de vida para os trabalhadores. Utilizando a irreverência como uma forma de luta, os funcionários da Fundação José Augusto, que cuida do patrimônio cultural do Estado, alegraram a manifestação com parodias de famosas marchinhas de carnaval. “Ei, governo aí! Pague meu plano aí, pague meu plano aí! Vai pagar. Não paga não?! Então vai ver a grande confusão. Vou fazer greve, greve até pagar. Pague, pague já! Pague meu plano aí!” , cantavam todos.

    Entretanto, outras reivindicações também fizeram parte do protesto unificado, como a exigência de melhores condições de trabalho e a realização de concurso público. Em greve há mais de 40 dias, os servidores do Detran/RN reforçaram a cobrança do cumprimento do Plano de Cargos e denunciaram a “enrolação” do governo para homologar o concurso do órgão, realizado no ano passado. “Nós queremos que a governadora Rosalba cumpra a lei e aplique as reformulações do Plano de Cargos que a categoria conquistou em 2010 com muita luta. Além disso, exigimos a imediata homologação do concurso e a nomeação dos 282 aprovados. Estamos fartos de enganação”, afirmou Alexandre Guedes, funcionário do Detran e membro da coordenação da CSP-Conlutas/RN.


    Servidores da educação não se intimidam com ameaça de corte de ponto

    No dia 5, reunidos em assembleia, os servidores da educação estadual reafirmaram a continuidade da greve, que já dura mais de dois meses, mesmo sob a ameaça do governo de cortar o ponto dos grevistas. A justiça foi acionada para julgar o pedido de ilegalidade do movimento, mas isso não intimidou os trabalhadores. “A disposição de nossa categoria na greve e nas assembléias é a de permanecer na luta. Não estamos intimidados pela ameaça de corte de ponto. Nós estamos aqui (na sede do governo) para dizer que não concordamos com essa política de arrocho salarial e que nós não temos medo da governadora Rosalba. Não adianta nos ameaçar. É muito mais digno a gente passar um mês ou dois de dificuldade por causa dessa ameaça da governadora do que passar o resto da vida nessa mediocridade que a gente vive hoje”, discursou a professora Amanda Gurgel durante o protesto.

    Amanda ainda criticou a proposta de compor uma mesa de negociação com a justiça, e não com o governo. “A experiência que temos com a justiça não é nada boa. Nossas greves geralmente são julgadas ilegais. Não seria diferente agora. Se a justiça quer nos ajudar, então por que não obriga a governadora a cumprir a lei do Piso Nacional com efeito retroativo ao mês de abril?” , questionou a militante do PSTU. Além do cumprimento da lei do Piso Nacional, os servidores da educação reivindicam ainda a aplicação do reajuste de 34% no Plano de Cargos até o mês de setembro, e não até dezembro como propõe o governo.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 18 de junho de 2011

    Educadores do Rio Grande do Norte Mantêm greve forte

    Professores e funcionários da rede estadual rejeitaram a proposta do governo e decidiram manter a paralisação, que já ultrapassa os 40 dias



    Educadores aprovam continuidade da greve
    Na tarde deste dia 14 de junho, na Escola Estadual Winston Churchil, mais de 600 trabalhadores da educação do Rio Grande do Norte decidiram manter a greve da categoria, que já dura mais de 40 dias. Por unanimidade, professores e funcionários rejeitaram a proposta da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), que ainda não atende a totalidade das reivindicações nem cumpre de imediato os direitos cobrados pelos trabalhadores.

    O governo reiterou a implantação do Piso Nacional do Magistério para 30 horas semanais, o que corresponde a R$ 890, e propôs atualizar em 34% os salários dos demais professores, com pagamento dividido em quatro parcelas a partir de setembro. Entretanto, a proposta se limita a atender neste momento apenas aos profissionais em início de carreira, desrespeitando o Plano de Cargos da categoria.

    Para os funcionários das escolas, o governo propôs pagar à metade dos servidores - cerca de 4.600 trabalhadores - a primeira parcela do Plano de Cargos, o que corresponde a uma atualização de 30% nos salários, que já deveria ter sido implantada desde o ano passado. Dessa forma, os funcionários continuam sem nenhuma proposta que garanta o cumprimento dos seus direitos para este ano.

    Durante a assembleia, os trabalhadores ratificaram a decisão de permanecer em greve até que o governo cumpra o pagamento dos direitos em atraso, sem parcelamento do Plano de Cargos.


    Corte de ponto

    Ao saber que os educadores não aceitaram a proposta, o secretário chefe do Gabinete Civil, Paulo de Tarso, anunciou que vai cortar o ponto dos docentes que não voltarem ao trabalho. O objetivo do governo é amedrontar os trabalhadores para encerrar a greve. Mas as decisões da assembleia da categoria mostram justamente o contrário e revelam a disposição dos educadores em continuar a paralisação. Na próxima segunda-feira, haverá uma reunião para buscar a unificação da luta com as demais categorias do funcionalismo público em greve.


    Temporários estão sem salários desde fevereiro

    O governo do Rio Grande do Norte já pediu a ilegalidade da greve da educação e insiste em não cumprir os direitos dos trabalhadores garantidos por lei. Mas a situação de gravidade e desrespeito com a educação não se resume apenas aos profissionais efetivos. Segundo dados da assessoria de comunicação da Secretaria Estadual de Educação, 913 professores contratados através de processo seletivo realizado neste ano, estão sem receber seus salários desde o registro nos quadros da secretaria. Desse total, 661 não veem a cor do dinheiro desde fevereiro. Outra parcela, de 252, não recebe desde abril.

    “Que moral tem esse governo para dizer que nossa greve é ilegal?! Como pode um governo não pagar nem mesmo os salários dos trabalhadores, que por serem contratados, ainda se mantêm em sala de aula?! Para o governo de Rosalba, legal é não pagar os direitos dos educadores, não cumprir o Plano de Cargos e não pagar os salários”, afirmou a professora e militante da CSP-Conlutas, Amanda Gurgel.

    Blog da professora Amanda Gurgel


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 31 de maio de 2011

    Amanda participa de passeata da Educação em Natal

    Ato na quinta, dia 26, reuniu professores, estudantes e representações de outras categorias em luta


    João Paulo
    Amanda recebe o carinho dos professores do Rio Grande do Norte
    Cerca de mil pessoas, entre professores e estudantes, coloriram de vermelho uma das mais movimentadas avenidas de Natal no último dia 26. Com o apoio dos alunos das escolas e de caravanas vindas do interior, os servidores da educação do Rio Grande do Norte, em greve há um mês, realizaram uma passeata partindo do ginásio Machadinho em direção ao prédio da Governadoria do Estado, no Centro Administrativo. O objetivo do protesto foi forçar a governadora Rosalba Ciarlini (DEM) a negociar com a categoria e a atender as reivindicações de professores e funcionários. A manifestação também contou com a importante presença da professora e servidora estadual, Amanda Gurgel, reconhecida nacionalmente após denunciar as péssimas condições de trabalho diante de deputados estaduais.

    Durante a passeata, vários servidores procuravam a professora Amanda Gurgel para expressar seu apoio e carinho. Entre uma foto e outra ao lado de Amanda, os trabalhadores mostravam sua solidariedade e cumprimentavam a professora pela coragem em denunciar o caos que vive a educação pública no Estado e no Brasil. “As minhas palavras só ganharam essa repercussão porque refletem o sentimento de todos esses profissionais que estão em greve. Vamos agora unir forças em outros estados para que as greves se tornem cada vez mais uma força nacional de reivindicação. A educação tem que ser tratada como prioridade”, disse Amanda.





    Reprovação do governo já atinge 44,15%

    No mesmo dia da manifestação, o instituto Consult divulgou uma pesquisa de popularidade na qual a governadora Rosalba Ciarlini aparecia com 44,15% de reprovação apenas nestes cinco primeiros meses de administração. Toda essa rejeição também se expressou nas críticas feitas por servidores e estudantes contra o governo durante a passeata. “Essa Rosa só trouxe muitos espinhos”, dizia um cartaz em referência ao nome da governadora. Outro criticava a falta de negociação: “Mais 120 dias para negociar não dá. Respeito já!”.

    Já em frente ao prédio da Governadoria, servidores da educação e estudantes reafirmavam a pauta de reivindicações e exigiam ser recebidos pela governadora. Cantando palavras de ordem, eles denunciaram a omissão do governo e cobraram 30% de reajuste salarial para os professores. “Rosalba tirou zero! Respeite o magistério!”, cantavam.

    Além do reajuste de 30%, os educadores reivindicam a implantação do Plano de Carreira dos funcionários, a revisão do Plano dos professores e melhor estrutura nas escolas. Atualmente, 93% dos 14 mil servidores da educação do Rio Grande do Norte estão em greve. Ao todo, são 736 escolas paralisadas. Outras dez categorias também estão em greve e reforçam o quadro de lutas por direitos no Estado. Além dos professores e policiais civis, trabalhadores de vários setores da administração indireta cruzaram os braços. Na internet e na imprensa, o Rio Grande do Norte se transformou em “Rio Greve do Norte”.


    10% do PIB para a Educação Já!

    Discursando para cerca de mil pessoas, a professora Amanda Gurgel voltou a defender a aplicação imediata de 10% do PIB (Produto Interno Bruto) na educação e convocou mais uma manifestação pelo twitter em defesa da proposta. “No próximo dia 31, todo mundo que se importa com a educação dos nossos jovens deve enviar mensagens com a hashtag #dezporcentodopibja, para que alcancemos mais uma vez o topo do twitter. A partir disso, podemos construir atos nacionais apontando para uma possível greve no país.”, afirmou Amanda.

    Os estudantes também defenderam a aplicação de 10% do PIB na educação e expressaram sua solidariedade à greve da educação em cartazes exibidos durante a passeata. “Nós, alunos, acreditamos nas reivindicações dos professores.”, dizia um deles, mostrando que os verdadeiros culpados pelo caos na educação são outros.

    Amanda Gurgel ainda denunciou o governo do Estado por seu descaso e desprezo com a educação. “Não existe possibilidade de volta às aulas enquanto não houver proposta do governo. O governo demonstra que não tem mais nem descaso com a educação. Nesse caso, a situação já evoluiu para desprezo. A nossa luta é pela qualidade da educação e não para que a escola funcione como depósito de crianças como a secretária Betânia Ramalho (educação) pensa. Para ela, nós temos que estar em sala de aula para garantir que os pais saiam para trabalhar. Mas a nossa idéia sobre educação é outra.”, destacou a professora.

    No dia seguinte à manifestação, o chefe do gabinete civil do governo, Paulo de Tarso, recebeu o sindicato da categoria, mas a resposta foi a mesma: o Estado não tem dinheiro para pagar o reajuste.


    Governo sem dinheiro? A arrecadação diz o contrário

    Até abril desse ano, o governo do Rio Grande do Norte arrecadou R$ 2,39 bilhões, o que representa um aumento de quase 10% se comparado ao mesmo período do ano anterior, quando os valores tinham atingido R$ 2,19 bilhões. Segundo o Portal da Transparência, até agora o tesouro captou R$ 2,72 bilhões. Os cofres do Estado receberam R$ 1,12 bilhões nestes quatro primeiros meses só em impostos. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) é quase a totalidade do valor, correspondendo a R$ 971 milhões até o momento. Para se ter uma idéia do aumento da arrecadação, a folha de pagamentos do Executivo do mês de maio é prevista em R$ 230 milhões, menor do que o arrecadado em ICMS, que fechou em R$ 246 milhões, a seis dias do fim do mês.

    Em entrevista ao Jornal de Hoje, o defensor público Serjano Vale questionou a falta de recursos do Estado para atender às reivindicações dos servidores em greve. “A arrecadação do Estado para esse ano teve um excelente aumento, o governo reduziu os gastos com o erário e o Fundo de Participação do Estado (FPE) não teve queda. O custo operacional do Estado teve uma redução percentual bastante significativa.
    Então, se a receita do ano anterior era menor e conseguia cobrir as despesas fixas com a manutenção dos serviços, como este ano, que o orçamento teve acréscimo e as despesas diminuíram não consegue?”, indagou. E criticando os gastos com a realização da Copa de Mundo completou: “O Estado diz que não tem condições para arcar com os reajustes dos planos, mas tem coragem de celebrar um contrato de R$ 400 milhões para assumir o compromisso de trazer uma Copa do Mundo para Natal”.


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 20 de maio de 2011

    Amanda Gurgel: “É necessário transformar nossa angústia em ação”

    Em entrevista ao Portal, a professora e militante do PSTU, Amanda Gurgel, que calou deputados no Rio Grande do Norte em discurso durante audiência pública, falou sobre a repercussão nacional de seu vídeo e o cenário caótico da educação no estado e no Brasil.


    A professora e ativista Amanda Gurgel
    Portal O vídeo em que você denuncia a situação precária da educação pública já superou as 100 mil visualizações no YouTube e chegou à lista brasileira dos Trending Topics, no Twitter. Como você vê toda essa repercussão?
    Amanda Gurgel Em primeiro lugar, é importante falar sobre a minha surpresa diante de tamanha repercussão daquelas palavras que não são só minhas, mas de toda uma categoria, não só aqui no Rio Grande do Norte, mas em todo o Brasil, como se comprova nos diversos comentários postados sobre o vídeo. Também não imaginei que as pessoas que não vivem o nosso cotidiano não conhecessem à rotina de um professor e do funcionamento de uma escola pública. Então, diante de informações tão reais, acredito que a repercussão do vídeo se deve ao fato de minha fala ter sido dirigida à Secretária de Educação, Betânia Ramalho, à promotora da educação e aos deputados, figuras que ocupam postos elevados na sociedade, a quem as pessoas geralmente não costumam se reportar, tanto por não terem oportunidade quanto por se sentirem coagidas, ou por se sentirem inferiores. Enfim, talvez pela combinação desses dois fatores: tanto pela expressão de um sentimento contido, comum a todos nós, quanto pela atitude diante de deputados.

    Portal O vídeo foi gravado durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Qual era a razão da audiência? Qual o objetivo daquele debate?
    Amanda Gurgel Era uma audiência pública com o tema “O cenário da educação no RN”. O objetivo era debater as questões da educação no estado, apontando alternativas para os seus problemas. A princípio, não se pretendia discutir a greve dos professores e funcionários, mas diante da nossa presença essa intenção foi rechaçada.

    Portal – Como você avalia a situação da educação pública hoje no Rio Grande do Norte e no Brasil?
    Amanda Gurgel Não existe uma palavra que melhor defina a educação aqui no estado e no Brasil do que caos. Um caos generalizado que começa na nossa formação e vai desde a estrutura precária das escolas, passando pelo caráter burocrático que ganharam as funções de coordenação pedagógica e direção, a superlotação das salas de aula, a demanda não suprida de professores chegando, finalmente, à remuneração do trabalhador que constitui a representação material do valor que é dado a nossa profissão. Mas, obviamente, todo esse caos não acontece por acaso. Há uma clara intenção da burguesia em manter a classe trabalhadora excluída dos processos que propiciem o desenvolvimento intelectual. Com isso, ela alcança dois objetivos: garante que os trabalhadores não atinjam altos níveis de cultura e pensamento crítico, conseguindo, no máximo, serem alfabetizados e aprenderem um ofício; dividir a classe trabalhadora, colocando-a em lados aparentemente opostos, como é o caso, muitas vezes, da relação entre professores e alunos ou as suas mães e os seus pais. É comum as pessoas acreditarem que greves prejudicam os alunos, quando é justamente o contrário: somente nas greves temos a oportunidade de abrir para a sociedade, os problemas que nós nos acostumamos a administrar no nosso cotidiano e que nos impedem de realizar o nosso trabalho. Somente nas greves podemos obter conquistas para a educação, pois, ainda que muitos já tenham sido envolvidos pelo discurso de que há outros mecanismos de luta que não a mobilização das massas, não é possível encontrar um caso em que nossos direitos tenham sido conquistados de outra forma. Os discursos de aparente conciliação servem apenas para mascarar ainda mais o fato de que a educação nunca foi prioridade para nenhum governo. Se não fosse assim, Dilma não teria cortado R$ 3 bilhões da educação nos primeiros dias do seu governo. Então, é necessário, em cada lugar do Brasil, transformar nossa angústia em ação. Não podemos baixar as cabeças atendendo às expectativas da burguesia. Precisamos mostrar a nossa consciência de classe e a nossa capacidade de organização.

    Portal – A greve da educação no Rio Grande do Norte já atingiu mais de 90% das escolas, chegando até a 100% em regiões do interior. Na sua opinião, quais são as perspectivas da paralisação?
    Amanda Gurgel Já contamos pouco mais de vinte dias de greve e a governadora Rosalba Ciarlini ainda não acenou com nenhuma proposta, tampouco uma que contemplasse as nossas reivindicações. Diante disso, a categoria tem reagido da melhor forma possível: lutando. A cada assembleia, recebemos informes de adesão das cidades do interior. Certamente, Rosalba e Betânia (secretária de educação) preparam alguma retaliação, mas estão enganadas se pensam que estamos para brincadeira. Não retornaremos às escolas sem o cumprimento do Plano de Cargos, Carreiras e Salários dos funcionários, a revisão do Plano dos professores, a aplicação da tabela salarial dos servidores e o pagamento de direitos atrasados. A arrecadação do Estado aumentou consideravelmente. Segundo o Dieese, só no primeiro trimestre desse ano, foram R$ 776 milhões de ICMS, o que representa R$ 110 milhões a mais do que no mesmo período do ano anterior. Além disso, de janeiro a abril, o Estado recebeu R$ 214 milhões de FUNDEB, cerca de 54 milhões a mais do que no ano anterior. Portanto, o momento não é para choradeira. O momento é para apresentação de propostas e negociação.

    Portal – Você é militante do PSTU. Como aconteceu essa aproximação com o partido?
    Amanda Gurgel Fui ativista do movimento estudantil e dirigente do Centro Acadêmico de Letras e do DCE da UFRN. Nessa época, tinha uma relação próxima com o PT, mas ao ingressar na categoria dos trabalhadores em educação, toda a imagem de movimento sindical que eu construíra ao longo da minha vida foi sumariamente desconstruída quando constatei a forma como a direção do PT/PCdoB dirigia a nossa entidade e utilizava a categoria como moeda de troca para benefícios próprios. Na segunda assembléia de que participei, já era oposição convicta. Mas, como havia outras oposições, aos poucos fui me localizando. Participei do congresso de fundação da Conlutas, passei a construir a oposição e algum tempo depois fiz uma reflexão e já não conseguia entender como eu podia ver que militantes tão obstinados dedicassem suas vidas à verdadeira defesa da classe trabalhadora, à defesa da classe a que pertenço, enquanto eu apenas trabalhava, trabalhava e cuidava da minha vida. Entendi que era minha obrigação dividir com eles, meus e minhas camaradas, essa tarefa. Por isso, eu entrei no PSTU.


    Retirado do Site do PSTU