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quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Greve dos operários em Belo Monte se intensifica nos canteiros de obras e chega ao terceiro dia

Xingu Vivo
Sítio Belo Monte após protesto no domingo
Passava do meio-dia e os canteiros de obras da maior obra do PAC ainda estavam sob fortes protestos dos operários nesta segunda-feira (12).
A revolta que se iniciou no sábado à tarde, por volta das 16 horas, no Sítio do Pimental, espalhou-se rapidamente e tomou conta do principal canteiro, o Sítio Belo Monte, onde será construída a principal casa de força da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

“Não deixamos nem o sindicato terminar de falar, e expulsamos aqueles ´traíras` do canteiro”, disse um operador de máquina relatando o momento exato de explosão da greve.

A paralisação ocorreu em decorrência do apoio do SINTRAPAV (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Afins do Estado do Pará) à proposta do CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte).

Segundo o sindicato, a proposta apresentada pelo CCBM era de aumento de 11% para carteiras assinadas com teto de até R$1.500,00; 6% para os que ganham de R$ 1.500,00 até R$ 3.000,00; e 4% para os que ganham acima de R$ 3.000.00. Já a baixada (período de visita à família) seria distribuída da seguinte forma: manutenção aos novatos de seis meses, aos de segunda baixada quatro meses e aos de terceira baixada de três meses, além do vale alimentação que aumentaria de R$ 110,00 reais para R$150,00.

No entanto, segundo os trabalhadores, a proposta do CCBM não atende todas as reivindicações. Avança muito pouco sobre a baixada e aumento real de salário, chegando ao ponto de ficar abaixo da inflação para os trabalhadores que recebem acima de R$3.000,00. Além disso, os operários questionam o apoio contínuo do sindicato às medidas do Consórcio.

O CCBM não atende também propostas dos trabalhadores, entre as quais a instalação de lavandeiras dentro dos alojamentos, já que os trabalhadores sofrem com a falta de máquinas de lavar; a instalação de torres de telefonia de outras operadoras para quebrar o monopólio da operadora OI, na qual os trabalhadores ficam impedidos de ligar a uma longa distância pagando pouco; a baixada para o profissional e para o ajudante (hoje em dia apenas o profissional tem direito à baixada); a baixada de avião para qualquer distância, já que o CCBM pensa em impor a viagem de ônibus àqueles operários que moram até 1.500 km de distância; a equiparação salarial, pois há diferenças salariais para a mesma profissão, entre outras reivindicações.

A medida tomada pelo Consórcio foi de efetuar folga coletiva para os mais de 17 mil operários ainda na segunda-feira. “Tá todo mundo indo para casa, estão mandando a gente de `pau velho´ [expressão utilizada pelos operários para se referir a ônibus coletivos urbanos em estado precário] mais de 500 km de distância em estrada de chão com R$ 200 para ir e depois voltar”, disse revoltado um operário.

Os trabalhadores estão sendo transportados em estado de emergência, em péssimas condições, para as cidades de Tucuruí e Marabá, cuja distancia é de cerca de 500 km. A medida visa esvaziar os canteiros e a cidade, temendo novos protestos.

Para a CSP-Conlutas faltou maior comprometimento do Sintrapav com os operários e com a própria campanha salarial. Desde o começo, a Central alertava para a necessidade de haver um debate amplo, decidido por todos os trabalhadores. Entretanto, o sindicato se negou a fazer assembleias onde os trabalhadores decidissem sobre qual reajuste salarial queriam negociar com o CCBM, deixando os operários a própria sorte para arrancar um aumento digno.

O papel do Governo Dilma (PT) não é diferente, se omitindo severamente sobre a necessidade de valorizar os trabalhadores das grandes obras do PAC. Após os erros cometidos nas obras da Usina Hidrelétrica de Jiral (RO), o governo erra novamente em Belo Monte. As péssimas condições de trabalho aliadas aos baixíssimos salários tem se tornado um forte tempero capaz de causar grandes explosões nas obras de grande porte do governo federal Passava do meio-dia e os canteiros de obras da maior obra do PAC ainda estavam sob fortes protestos dos operários, nesta segunda-feira (12).

A revolta que se iniciou no sábado à tarde, por volta das 16 horas, no Sítio do Pimental, espalhou-se rapidamente e tomou conta do principal canteiro, o Sítio Belo Monte, onde será construída a principal casa de força da Usina Hidrelétrica de Belo Monte.

“Não deixamos nem o sindicato terminar de falar, e expulsamos aqueles ´traíras` do canteiro”, disse um operador de máquina relatando o momento exato de explosão da greve.

A paralisação ocorreu em decorrência do apoio do SINTRAPAV (Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Pesada e Afins do Estado do Pará) à proposta do CCBM (Consórcio Construtor Belo Monte).

Segundo o sindicato, a proposta apresentada pelo CCBM era de aumento de 11% para carteiras assinadas com teto de até R$1.500,00; 6% para os que ganham de R$ 1.500,00 até R$ 3.000,00; e 4% para os que ganham acima de R$ 3.000.00. Já a baixada (período de visita à família) seria distribuída da seguinte forma: manutenção aos novatos de seis meses, aos de segunda baixada quatro meses e aos de terceira baixada de três meses, além do vale alimentação que aumentaria de R$ 110,00 reais para R$150,00.

No entanto, segundo os trabalhadores, a proposta do CCBM não atende todas as reivindicações. Avança muito pouco sobre a baixada e aumento real de salário, chegando ao ponto de ficar abaixo da inflação para os trabalhadores que recebem acima de R$3.000,00. Além disso, os operários questionam o apoio continuo do sindicato às medidas do Consórcio.

O CCBM não atende também propostas dos trabalhadores, entre as quais a instalação de lavandeiras dentro dos alojamentos, já que os trabalhadores sofrem com a falta de máquinas de lavar; a instalação de torres de telefonia de outras operadoras para quebrar o monopólio da operadora OI, na qual os trabalhadores ficam impedidos de ligar a uma longa distância pagando pouco; a baixada para o profissional e para o ajudante (hoje em dia apenas o profissional tem direito a baixada); a baixada de avião para qualquer distância, já que o CCBM pensa em impor a viagem de ônibus àqueles operários que moram até 1.500 km de distância; a equiparação salarial, pois há diferenças salariais para a mesma profissão, entre outras reivindicações.

A medida tomada pelo Consórcio foi de efetuar folga coletiva para os mais de 17 mil operários ainda na segunda-feira. “Tá todo mundo indo para casa, estão mandando a gente de `pau velho´ [expressão utilizada pelos operários para se referir a ônibus coletivos urbanos em estado precário] mais de 500 km de distância em estrada de chão com R$ 200 para ir e depois voltar”, disse revoltado um operário.

Os trabalhadores estão sendo transportados em estado de emergência, em péssimas condições, para as cidades de Tucuruí e Marabá, cuja distancia é de cerca de 500 km. A medida visa esvaziar os canteiros e a cidade, temendo novos protestos.

Para a CSP-Conlutas faltou maior comprometimento do Sintrapav com os operários e com a própria campanha salarial. Desde o começo a Central alertava para a necessidade de haver um debate amplo, decidido por todos os trabalhadores. Entretanto, o sindicato se negou a fazer assembleias onde os trabalhadores decidissem sobre qual reajuste salarial queriam negociar com o CCBM, deixando os operários a própria sorte para arrancar um aumento digno.

O papel do Governo Federal – Dilma (PT) -, não é diferente, se omite severamente sobre a necessidade de valorizar os trabalhadores das grandes obras do PAC. Após os erros cometidos nas obras da Usina Hidrelétrica de Jiral (RO), o governo erra novamente em Belo Monte. As péssimas condições de trabalho aliadas aos baixíssimos salários tem se tornado um forte tempero capaz de causar grandes explosões nas obras de grande porte do governo federal Brasil afora.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Revoltados, operários protestam em Belo Monte



Instalações incendiadas durante protestos em Belo Monte
A revolta tomou conta do canteiro de obras do Sítio Pimental na tarde deste sábado, dia 10. Após o anúncio da proposta de aumento salarial feita pelo Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) de apenas 11% de aumento real, os trabalhadores se revoltaram e atearam fogo em alojamentos, departamentos administrativos, e galpões.

O SINTRAPAV, sindicato da categoria, que apoiou a proposta de 11% do Consórcio, foi expulso do canteiro juntamente com toda a equipe administrativa do Sítio.

"A gente fica preso aqui 6 meses sem poder ver a família, a gente fala no máximo 2 vezes por semana com a esposa. A nossa hora é muito barata, enquanto em Jiral (RO) um profissional está ganhando melhor e visitando a família de 3 em 3 meses. Aqui tem um sindicato que só vem na obra pra da apoio pro Consórcio", disse um auxiliar de montagem, funcionário do Consórcio.

Os operários estão em plena Campanha Salarial. No sábado, foi o último dia do prazo para o Consórcio apresentar a proposta de aumento. A partir de segunda feira, os operários dos outros canteiros também deverão se mobilizar.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CUT desmonta mais uma greve nacional dos bancários

Agência Brasil
Mobilização dos bancários poderia ter arrancado muito mais
No último dia 27 de setembro, quinta-feira, foi escrita mais uma página vergonhosa na história do movimento sindical brasileiro. A greve dos bancários, deflagrada no dia 18, foi totalmente desmantelada pela CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, entidade orgânica à Central Única dos Trabalhadores), que abandonou a luta pelas reivindicações dos bancários para, mais uma vez, se colocar na defesa do Governo Dilma.


Uma proposta ridícula diante de tantos lucros

Já no mês de setembro, após várias rodadas de negociação, os banqueiros e o Governo Dilma apresentaram uma proposta de 6% de reajuste, que na prática apenas iria repor a inflação do período. Com isso, os bancários foram à greve com a certeza de que era possível conquistar muito mais, pois se trata do setor da economia mais lucrativo do Brasil, batendo recordes – tanto nos bancos privados como nos estatais – ano após ano.

Após uma semana de greve, os banqueiros foram forçados a aumentar e ceder, e apresentaram uma proposta de reajuste de 7,5%. Essa proposta foi resultado da forte adesão da categoria à greve (principalmente nos bancos públicos), mas ainda estava muito aquém tanto das reivindicações da categoria, como das condições financeiras dos bancos.

Nos últimos 16 anos (de FHC, passando por Lula e até chegar ao Governo Dilma) os lucros dos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú-Unibanco, Santander e Bradesco) atingiram um percentual de 1.575%. Isto significa que somente os maiores bancos brasileiros tiveram uma lucratividade média de 112% ao ano. Por outro lado, os percentuais dos salários dos bancários no mesmo período são bem diferentes. Os trabalhadores dos bancos privados acumulam desde a época do Plano Real até hoje uma perda salarial de aproximadamente 26%. Nos bancos públicos, a perda é ainda maior: os bancários do Banco do Brasil sofrem com uma defasagem de 86% e os da Caixa Econômica Federal aproximadamente 98, sem falar nos demais bancos (BNB, BASA, BANPARÁ, etc.).

A greve, que estava com uma forte adesão (mais de 9 mil agências em uma semana de paralisação) e ainda estava no início, tinha, portanto, força para arrancar muito mais.


Dilma não governa para os bancários

Apesar da alta adesão dos bancários à greve, a categoria teve que se enfrentar com a intransigência do Governo Dilma, que desde o início se negou a atender as reivindicações dos trabalhadores.

O discurso de Dilma foi sempre no mesmo tom: não era possível conceder aumentos acima da inflação, pois isso comprometeria as contas do governo. Mas as medidas adotadas por Dilma nos últimos meses são suficientes para desmentir tudo isto. Bastaram as ameaças da crise econômica internacional voltarem a rondar o Brasil para Dilma lançar um plano de incentivos aos grandes empresários que, dentre outras coisas, privatiza os portos, aeroportos e rodovias brasileiras e ainda prevê financiamento público do BNDES para as empresas envolvidas nas operações.

Mas esse pacote de concessões – que de tão pró-patronal foi chamado de “kit felicidade” por, Eike Batista, um dos maiores empresários do país – não foi a única medida a demonstrar que o Governo Dilma poderia contemplar as reivindicações dos trabalhadores dos bancos públicos. Durante a greve, o Banco do Brasil – que é de propriedade acionária estatal – montou uma megaestrutura de contingências (prédios comerciais alugados com tecnologia e logística para fazer funcionar as operações do banco realizadas por fura-greves) que custavam em média 200 mil reais cada. Isto mostra que o Governo Dilma, se quisesse, poderia atender as reivindicações dos bancários, desde que seu critério fosse governar para os trabalhadores, e não para os maiores empresários do Brasil.

Ao contrário disto, o governo do PT não apenas se negou a atender as reivindicações dos trabalhadores, como procurou a todo o momento desmantelar a greve, com a ajuda do sindicalismo governista da CUT.


A subordinação da CUT aos interesses dos banqueiros e do governo

Como se não bastasse a necessidade de enfrentar o setor mais poderoso da economia e o governo federal, os bancários em greve ainda tiveram que – mais uma vez – lutar contra um sindicalismo totalmente subordinado aos interesses patronais.

Desde os fóruns preparatórios, a CONTRAF/CUT, definiu uma pauta de reivindicações que foi encabeçada por um índice de reajuste salarial de 10,25%, que não representa sequer a metade das perdas sofridas pelos trabalhadores dos bancos privados. Ou seja, enquanto os banqueiros lucram bilhões, a própria entidade sindical que representa a categoria nas negociações se nega a explorar o crescimento dos lucros da patronal com uma pauta que possa avançar de verdade na reposição das perdas que a categoria sofreu ao longo dos últimos 18 anos.

Mas isto tem um motivo. Para que o governo do PT não seja colocado na berlinda a cada greve dos bancários, foi instituída uma Mesa Única que conta somente com a presença dos banqueiros e o que sai dessa negociação seria teoricamente estendido também aos trabalhadores dos bancos públicos. No entanto, como as negociações de reajuste salarial são definidas numa mesa com a FENABAN, o governo se nega a negociar diretamente com os trabalhadores, sob a justificativa de que respeita a Convenção Coletiva Nacional da categoria. A CONTRAF/CUT, ao defender fervorosamente esse modelo de negociação nos dias de hoje, tem ajudado bastante o Governo Dilma, assim como ajudou a Lula: os bancários dos bancos públicos praticamente não avançaram em nada nas suas reivindicações específicas e a categoria até hoje nunca repôs as suas perdas.

Na greve deste ano, a CUT passou dos limites. Em função da intransigência dos banqueiros e de Dilma, as propostas apresentadas aos trabalhadores foram muito rebaixadas. Além do reajuste de 7,5% ser muito baixo se comparado aos lucros do sistema financeiro, os trabalhadores dos bancos privados não conquistaram a estabilidade no emprego e os dos bancos públicos não avançaram quase nada em suas reivindicações específicas. Ao contrário, a direção dos bancos estatais e o Governo Dilma, não satisfeitos com a proposta de reajuste sobre o piso salarial da categoria (8,5%), simplesmente se negaram a acompanhar a íntegra da proposta da FENABAN e reajustaram o piso salarial dos bancários do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em apenas 7,5% (o mesmo índice de reajuste proposto pelos banqueiros sobre todas as verbas), mostrando a farsa que é a história da Mesa Única.

A postura da CUT diante desse golpe foi vergonhosa: orientou a aceitação do acordo e o fim da greve com compensação de dias parados, mesmo diante de itens que na prática retiram direitos – como é o caso da proposta do Banco do Brasil sobre a jornada de 6 horas, condicionada a uma suspensão de ações judiciais movidas contra o banco, muitas delas em fase bastante avançada.

O posicionamento da CONTRAF/CUT frente a um golpe da patronal e do governo no curso de um processo de luta dos trabalhadores demonstra como o sindicalismo cutista está cada vez mais subordinado à lógica e aos interesses do governo e dos banqueiros.


A greve mostrou que com mobilização é possível vencer

Apesar do acordo insuficiente, do controle quase absoluto que a CUT tem sobre a maioria dos sindicatos de bancários do país (cerca de 90% das entidades sindicais têm direções cutistas à frente) e da audácia das manobras com as quais seus sindicatos enterraram o movimento, alguns episódios desta greve mostraram que com mobilização os trabalhadores podem superar todos esses obstáculos.

Em Belém, os trabalhadores do BANPARÁ (Banco do Estado do Pará) aprovaram no encontro específico da categoria um índice de reajuste de 15%, contrariando o sindicato (dirigido pela CSD/CUT), que inclusive protocolou junto ao banco uma pauta com reajuste de 10,35% (o mesmo apresentado para a FENABAN). E mesmo começando a greve antes do calendário nacional definido pela CONTRAF/CUT, os trabalhadores conseguiram o mesmo acordo fechado nacionalmente, mas com anistia total dos dias parados.

Os bancários da Caixa Econômica Federal também deram uma demonstração de força. Na noite do dia 26 de setembro, quando a CONTRAF/CUT já tinha orientado a aceitação da proposta e o fim da greve, os trabalhadores derrotaram as direções sindicais na maior parte dos sindicatos do país, aprovando a continuidade da greve. Lamentavelmente, no dia seguinte, os sindicatos da CUT chamaram assembléias “relâmpagos” e, numa operação unitária com a direção da Caixa, lotaram as assembléias de gestores, acabando de vez com o movimento.

Apesar dessa ação vergonhosa da CUT, ficou a lição de que quando os trabalhadores agem coletivamente, é possível vencer os banqueiros, o governo e inclusive os agentes do movimento que se colocam a serviço dos patrões. Isto precisa ser resgatado nas próximas mobilizações e só desse modo os trabalhadores podem impedir as traições dos sindicatos da CUT.


Para vencer os patrões e as traições da CUT, é preciso organização

Além da dureza que é comum a qualquer enfrentamento com os banqueiros e com um governo que conhece de perto as táticas do movimento sindical, as traições das direções sindicais ajudam a desenvolver mais desconfiança, descrédito e desmobilização dos trabalhadores. É por essa razão que muitos bancários aderem às paralisações, mas resistem em participar das assembléias e das atividades da greve: os trabalhadores perdem a confiança quando são traídos pela própria entidade que devia representá-los.

Contudo, a única forma de enfrentar esse problema é com a organização coletiva. A primeira resposta dos bancários deve ser a total solidariedade aos trabalhadores que se mantiveram em greve após o dia 26. O Governo Dilma, através das direções do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, está ameaçando esses trabalhadores com desconto. A outra resposta, não menos importante, deve ser um “não” a qualquer compensação de horas decorrentes de paralisação da greve.

Sabendo que a CUT não está ao lado dos trabalhadores nessas lutas é que surgiu o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), que hoje é filiado à CSP-Conlutas. Desde então, o MNOB vem fazendo um chamado a todos os trabalhadores que não têm acordo com os absurdos protagonizados pela CONTRAF/CUT, para construir e fortalecer uma alternativa diante da traição e da falência política da atual direção do movimento.

Após mais esta greve, o MNOB/CSP-Conlutas convida os bancários de todo o país para fortalecer as próximas lutas, contra os ataques dos banqueiros, do governo e dos seus agentes dentro do movimento sindical.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bancários de todo o país cruzam os braços por salários e direitos

Cinco maiores bancos do país lucraram juntos R$ 46 bilhões em 2011


Bancários de todo o país cruzaram os braços

Bancários de todo o país cruzaram os braços a partir do dia 18 de setembro. É a resposta dos trabalhadores à intransigência da Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), que se nega a atender às reivindicações apresentadas pela categoria.

Os banqueiros são hoje o setor que têm a taxa mais alta de lucratividade do país. Os cinco maiores bancos lucraram R$ 46 bilhões em 2011 ,o que significa, de forma aproximada, 20% sobre o seu patrimônio liquido. Ou seja, em apenas cinco anos, o lucro alcançado possibilita o retorno ao banqueiro de todo o patrimônio investido. Enquanto isso, as 500 maiores empresas do país têm uma taxa de lucratividade bem menor: 8,2%, segundo a revista Exame.

Apesar de estarem ganhando muito, os banqueiros pagam salários cada vez piores aos seus funcionários, e impõem um ritmo de trabalho cada vez mais enlouquecedor. Para se ter uma idéia, em 1995 um bancário do Banco do Brasil tinha um salário médio em torno de 20 salários mínimos e, em 2010, recebia apenas 7,5 salários mínimos. Para aumentar ainda mais a lucratividade, os bancos desrepeitam a lei, burlando a jornada de 6 horas assegurada pela CLT e não garantindo a igualdade de salários e direitos entre antigos e novos funcionários. Nos bancos privados, a rotatividade é altíssima, pois os banqueiros demitem para contratar funcionários mais novos, com salários menores e menos direitos.

 

Salários pioram no governo do PT
 

Durante os governos de Lula e Dilma, o quadro somente se agravou. Os lucros dos bancos são cada vez maiores e superiores aos dos principais setores da economia. No inicio do governo Lula, em 2002, o lucro total do sistema financeiro foi de R$ 20,595 bilhões, passando para R$ 67,134 bilhões em 2010, final do governo. Em 2011, primeiro ano do governo Dilma, o sistema financeiro atingiu o maior lucro de sua história, chegando à cifra dos R$ 72,356 bilhões.

Os salários também pioraram. No começo do governo Lula, um funcionário do BB recebia, em media, 11,2 salários mínimos e, no final do seu governo, recebia 7,5 salários. O mesmo se repetiu nos demais bancos: de 10,4 para 5,9 salários mínimos no Itaú e de 7,1 para 6,9 na Caixa Econômica Federal. Além disso, Lula, e agora Dilma, poderiam evitar o grande número de demissões nos bancos privados, ratificando a convenção 158 da OIT, que proíbe demissões imotivadas, mas não o fizeram. Com isso, continuaram privilegiando os lucros dos banqueiros em detrimento dos trabalhadores.



 

Reação e greve
 

A categoria bancária tem reagido a essa situação. Desde 2003, em todos os anos, a categoria vai à luta, realizando importantes paralisações. Neste ano, não será diferente. A FENABAN ofereceu 6% de reajuste e, no país todo, os bancários rejeitaram essa proposta e decidiram ir à greve por tempo indeterminado a partir do dia 18.

Em todas estas greves, a vanguarda do movimento tem sido os bancos públicos, motivo pelo qual ganham importância as pautas especificas do BB e da CEF. Que passa centralmente pelo cumprimento da jornada de seis horas no BB e pela luta pela isonomia na CEF.

A Articulação Sindical, que dirige a maioria dos sindicatos de bancários do país, não tem o menor interesse em dar peso às pautas específicas do BB e CEF, pois isso significaria ter que bater de frente com o governo que apóiam e dar peso ao setor mais organizado, o que significaria também perder o controle do movimento. Para esconder o governo, devem manter o centro da negociação na mesa única da FENABAN, que reúne bancos privados e públicos.

Um outro entrave imposto pela direção burocrática ao movimento é a falta de democracia, que afasta cada vez mais a base e, consequentemente, enfraquece o movimento. Bancários ligados ao Movimento Nacional de Oposição Bancaria (MNOB), que é filiado à CSP-Conlutas, lutam para envolver o conjunto da categoria na construção do movimento, cobrando da direção assembléias democráticas e comandos de greve abertos, com poder de decidir sobre os rumos do movimento.

Os trabalhadores do Banco do Estado do Pará, o Banpará, estão mostrando o caminho. Contra a vontade de seu sindicato, e passando por cima do calendário do Comando Nacional e da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), já estão em greve desde o dia 4 de setembro e não aceitam que os parâmetros de seu acordo sejam estabelecidos a partir da mesa única da FENABAN. O sindicato de Florianópolis, apesar de ser filiado à CUT, também dá um exemplo, quando chama a categoria para comandar o movimento, participando do comando de greve, e coloca à sua disposição a estrutura do sindicato.

Para fortalecer a greve, o MNOB defende também a unificação da campanha salarial com outras categorias, como metalúrgicos, petroleiros, químicos e, especialmente, com os trabalhadores dos correios, que também devem iniciar uma greve nos próximos dias.

 

Oposiçao não concorda com a pauta rebaixada da CONTRAF/CUT
 

O Movimento Nacional de Oposição Bancária não aceita a pauta rebaixada estabelecida pelos sindicatos cutistas que estão reunidos na CONTRAF/CUT. Por isso, defendem uma pauta alternativa, apresentada aos banqueiros pelos sindicatos do Rio Grande do Norte, Maranhão e Bauru. Nela, exigem a reposição das perdas salariais dos bancos privados e públicos, volta do antigo Plano de Cargos e Salários do Banco do Brasil e PLR linear, dentre outras bandeiras que todo o movimento sempre defendeu, mas que as entidades governistas abandonaram depois da eleição de Lula.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A conjuntura e a campanha eleitoral

Operários da construção civil em greve marcham em Belém
Estamos perante o último mês de campanha eleitoral, em um período em que novos elementos na conjuntura surgem, podendo ter ou não influência nas eleições.
Em primeiro lugar, a economia segue uma tendência de estagnação. O PIB no segundo trimestre teve um magro crescimento de 0,4%, incluindo uma queda na indústria de 2,5%. Isso confirma os reflexos da crise mundial sobre o país. O governo reage de duas formas: todo tipo de estímulos para as grandes empresas, todo tipo de dureza para os trabalhadores. Para as grandes empresas prorrogação da redução do IPI, redução dos juros para 7,5% (menor índice desde 1986). Para os trabalhadores dureza nas negociações salariais e preparação de uma nova reforma da previdência e dos Acordos Coletivos Especiais (o ACE, uma reforma trabalhista disfarçada).

É provável que a situação econômica ainda não tenha reflexos diretos nas eleições, por não ter se abatido uma recessão sobre o país. A política do governo ainda tem efeitos (mesmo que limitados) com uma frágil recuperação. Os problemas se acumulam, mas ainda não sacodem a consciência dos trabalhadores, embora já comece a haver certa percepção dos reflexos da crise mundial no Brasil.

Os ativistas do movimento sindical, estudantil, popular, no entanto, devem olhar para o mundo. Basta observar os ataques brutais contra os trabalhadores na Europa, o assassinato dos mineiros em greve pelo governo do CNA da África do Sul, para entender que o governo brasileiro irá pelo mesmo caminho no caso da crise chegar com tudo no Brasil. Não podemos desconsiderar a dura postura de Dilma contra o funcionalismo e o fato de não ter o governo tomado nenhuma medida concreta contra as demissões dos metalúrgicos da GM de São José Campos (SP). A preparação de novas reformas da Previdência e trabalhista é uma ameaça concreta para depois das eleições, como medida preventiva contra a crise.

Já o julgamento do mensalão, apesar de evidenciar brutalmente a corrupção do PT no governo federal, não aparenta ter os reflexos eleitorais esperados pela oposição de direita. Não existe, ao menos até agora, um fortalecimento do PSDB na disputa eleitoral. Ao contrário, José Serra pode estar caminhando para uma dura derrota em São Paulo.

Como reflexo nas massas, deve estar aumentando um cinismo generalizado do tipo “todos roubam”. Mas para os ativistas, vale uma conclusão obvia: o PT e o PSDB têm a mesma postura corrupta perante o aparelho de Estado. Roubam descaradamente, dando um péssimo exemplo para os trabalhadores.

Por outro lado, existe um ascenso sindical no país, com mais greves e mais radicalização nas lutas. A greve do funcionalismo federal foi a mais longa de todas contra os governos petistas. Apesar de ter modestos resultados econômicos, conseguiu uma vitória política por ter obrigado o governo a negociar, obrigando a deixar sua postura arrogante.

Isso tem uma enorme importância no momento atual, em que começam as campanhas do segundo semestre. Metalúrgicos, bancários, petroleiros, trabalhadores dos correios e da construção civil tiram a conclusão de que podem conquistar reajustes com suas lutas. Estão se gestando novas greves caso a patronal e o governo não façam concessões importantes.

A greve do funcionalismo teve também consequências políticas. As pesquisas indicam uma queda de popularidade de Dilma nas capitais (menos 10% em São Paulo, menos 6% no Rio de Janeiro, entre maio e agosto). A queda foi maior entre os que ganham de 5 a 10 salários mínimos e os acima de 10 salários mínimos. Isso envolve o funcionalismo federal, assim como os setores de salários maiores do proletariado industrial. Aparentemente, a queda de Dilma não tem a ver com o julgamento do mensalão. A popularidade da presidenta é quase igual entre os que acompanham atentamente o julgamento e os que o ignoram. Essa queda ou é um primeiro reflexo das mudanças econômicas ou das greves.

Trata-se ainda de uma queda pequena de um patamar muito alto, limitada a um setor minoritário dos trabalhadores. Sim, mas é uma queda, e fruto das lutas. Dilma não é imbatível, e o governo saiu arranhado do duro enfrentamento com o funcionalismo.

Nas eleições, ainda não existem reflexos diretos das mudanças na economia, do julgamento do mensalão ou das greves. Os partidos da base governista e da oposição de direita estão lutando duramente pelo controle do aparato das prefeituras. Defendem o mesmo programa. Em muitas cidades, a disputa se polariza entre partidos da base governista.

Mas, os ativistas devem também tirar suas próprias conclusões. A vitória do PT ou PSDB vai fortalecer uma via política que atacará os trabalhadores depois das eleições. Se a base governista se fortalecer nas eleições, Dilma vai ter mais força para atacar os trabalhadores com suas reformas. Nas prefeituras não vai ser diferente. Os novos prefeitos vão abandonar suas promessas no dia seguinte das eleições para falar em “austeridade” etc. a A mesma coisa vai acontecer caso se fortaleça a oposição de direita. A burguesia vai cobrar com mais força de Dilma novos ataques aos trabalhadores.

Por esse motivo, o PSTU vai ter como um de seus eixos de campanha eleitoral o apoio às campanhas salariais desse segundo semestre. Fortalecer as lutas diretas é a maior contribuição que podemos dar ao avanço do proletariado.

Pelo mesmo motivo, pedimos o apoio e o voto de todos os que lutam. Não existe um voto “útil” no PT contra a direita. O voto útil é o voto que reforça sua luta, é o voto nos candidatos do PSTU.

A todos os que nos acompanham nas greves, queremos fazer o chamado para que nos apoiem também nessa luta eleitoral. E que venham conosco construir o PSTU se filiando ao partido.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Segundo semestre tem categorias de peso em campanha salarial

Bancários já definiram indicativo de greve nacional para 18 de setembro


Bancários do Banpará estão parados desde o dia 4

Após a forte greve dos servidores públicos federais, importantes categorias do setor público e privado começam a se mover e prometem um segundo semestre bastante agitado. Bancários, petroleiros, metalúrgicos, operários da construção civil e os trabalhadores dos Correios estão começando agora suas campanhas salariais e já mostram grande disposição de luta.


Greve dia 18
 

Bancários de todo o país já definiram indicativo de greve para o próximo dia 18, após a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ter se mantido intransigente na reunião de negociação que ocorreu no dia 3 de setembro. Esse dia foi marcado por mobilizações da categoria. Em São Paulo, os funcionários do Banco do Brasil e o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), filiado à CSP-Conlutas, participaram de um protesto que parou por uma hora o Complexo São João, maior prédio do banco na cidade, com 1800 bancários.

Os bancários do Banco do Brasil reivindicam reposição das perdas salariais; carga horária de seis horas para todos, sem redução de salário; isonomia entre os concursados pré e pós ano de 1998, entre outras reivindicações.

Segundo o membro do MNOB, Bento José, a direção do Sindicato de dos Bancários de São Paulo e a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) não defendem como prioridade as reais necessidades dos bancários. “Eles não tomam como prioridade tratar de pontos estruturais e igualmente importantes para nós, como seis horas para todos, sem redução de salários, e a questão da isonomia entre novos e antigos funcionários, pois essa é uma reivindicação principalmente dos bancos públicos e leva a mobilização. Para eles, não é interessante enfrentar o governo”, justifica Bento.

A prioridade do MNOB na campanha salarial é a luta pela jornada de seis horas sem redução nos salários, isonomia para todos (mesmo direitos para antigos, novos e bancários de bancos incorporados, reposição das perdas salariais e ratificação da convenção 158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada). Já houve quatro rodadas de negociação, mas a proposta de apenas 6%, apresentada pela Fenaban, foi recusada.

Já os bancários do Banpará, banco do Estado do Pará, estão em greve desde o dia 4. O banco conta com 1,3 mil funcionários e a paralisação atinge a capital Belém e as agências do interior.

 

Petroleiros
 

Os petroleiros também estão batendo de frente com a intransigência da empresa. Na categoria, as negociações ocorrem via FUP (Federação Única dos Petroleiros, ligada à CUT) e FNP (Federação Nacional dos Petroleiros, que conta com a participação da CSP-Conlutas). Enquanto a FUP aceita as condições impostas pela Petrobras, de não negociar as cláusulas sociais, mas apenas as econômicas no acordo coletivo de trabalho, a FNP não aceita qualquer limitação pré-estabelecida pela estatal.

Após muita pressão, a Petrobrás finalmente aceitou realizar uma reunião com a FNP no último dia 5, no Rio de Janeiro. Porém, o encontro terminou em impasse. Além de colocar a limitação das cláusulas sociais, a empresa não avançou na reivindicação dos petroleiros.

Baseados na pauta histórica aprovada pela categoria, os dirigentes reivindicam o ICV-DIEESE (Índice de Custo de Vida) e 10% de ganho real, o que totaliza 16% – incorporada ao salário básico da categoria. Outro ponto importante da reunião foi a cobrança dos dirigentes da FNP para que a proposta da companhia seja entregue para as duas federações no mesmo dia, sem privilégios. A reivindicação não é à toa. Na última campanha de PLR, um episódio lamentável indignou não apenas os dirigentes, mas uma parcela significativa dos trabalhadores representados pela FNP. Na época, a empresa entregou a proposta antecipadamente à FUP, que divulgou para toda a categoria, enquanto a companhia não havia sequer se reunido com a FNP. Agindo dessa forma, o RH assume publicamente o seu atrelamento com a FUP. A FNP exigiu que esse episódio não se repita.

Nova rodada de negociação acontece nos dias 13 e 14 de setembro. Durante os dois dias, a FNP vai apresentar a pauta de reivindicações e os eixos da campanha, baseado nas reivindicações dos petroleiros.

 

CSP-Conlutas defende unificação
 

Na reunião ampliada da Secretaria Executiva Nacional, realizada no dia 5 de setembro, a CSP-Conlutas aprovou empreender esforços pela unificação das campanhas salariais em curso no país. Nisto está a busca por um calendário comum de atos conjuntos das categorias em luta, com o indicativo dos dias 18 e 19 de setembro.


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Campanha salarial: operários da construção civil de Belém rejeitam proposta da patronal

Cléber Rabelo, dirigente licenciado da categoria e candidato a vereador pelo PSTU, e Edmilson Rofrigues, deputado e candidato a prefeito pelo PSOL, estiveram presentes para apoiar as lutas dos trabalhadores.


Trabalhadores rejeitam proposta da patronal e mantêm mobilização
Um sentimento de indignação tomou conta da multidão de mais de mil trabalhadores da construção civil de Belém na segunda assembleia da campanha salarial da categoria, realizada nesta quinta-feira, 9 de agosto. A revolta foi diante da proposta de 5% de reajuste salarial apresentado pela patronal na primeira reunião de negociação com o sindicato. Cansados dos baixíssimos salários pagos pelos empresários, das péssimas condições de trabalho nos canteiros de obras e diante dos altíssimos lucros obtidos pelas empresas no último período, os trabalhadores rejeitaram a proposta da patronal e aprovaram a manutenção da mobilização.

Uma nova rodada de negociação está marcada para o dia 17. O clima entre os trabalhadores na assembleia era: "ou a patronal melhora a proposta ou a categoria decretará greve na próxima assembleia", agendada para o dia 23. Os operários reivindicam 16% de reajuste salarial, cesta básica, plano de saúde, aumento no valor da PLR, direito a delegado sindical de base, classificação e 10% de vagas para as mulheres nos canteiros de obras.


Apoio às mobilizações

Cléber Rabelo (PSTU), diretor licenciado da categoria e candidato a vereador, esteve na assembleia ao lado de Edmilson Rodrigues (PSOL), deputado estadual e candidato a prefeito de Belém

Edmilson Rodrigues manifestou apoio à luta dos trabalhadores da construção civil e disse que, como deputado, sempre estevem ao lado dos que lutam. Disse que é preciso que os que fazem o mesmo trabalho tenham os mesmos salários, "não podem as operárias ganharem menos que os operários, isso é uma conquista desde o século XXI". E, complementou, "Além da luta sindical é importante também que haja trabalhadores no parlamento" e terminou dizendo, "vocês entenderam, o recado está dado".



A presença de Cléber Rabelo na assembleia geral dos operários da Construção Civil não foi nenhuma novidade. Há 14 anos trabalha como servente de ferreiro e, desde 2003, está à frente do sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, dirigindo greves, mobilizações e apoiando as lutas das demais categorias de trabalhadores do Estado. Atualmente, ele está licenciado do cargo para concorrer à legislatura.

Na assembleia, Cléber falou da importância da luta se dar em duas esferas: na luta econômica da categoria e na luta política. Disse que é preciso um projeto para os trabalhadores nas eleições que se avizinham, pois os projetos que se dizem para todos só beneficiam os empresários.

Cléber afirmou que é necessário implementar um projeto de construção de casas populares para quem ganha até 3 salários mínimos. “Nós que construímos os prédios luxuosos para os ricos, temos o direito à moradia, mas não a qualquer moradia. Precisa ser em um bairro asfaltado, com saneamento básico, creches, escolas e postos de saúde”.

Também destacou a importância de reduzir o valor da tarifa de ônibus, garantir o passe livre para estudantes e desempregados e estatizar o transporte público. E denunciou Duciomar, atual prefeito, que no dia de hoje reprimiu violentamente os estudantes que estavam lutando pela redução da tarifa.

Cléber pediu solidariedade aos trabalhadores da GM, que estão ameaçados de demissão, e denunciou o governo Dilma que dá dinheiro para os empresários, enquanto aos trabalhadores é negada a estabilidade no emprego.

Cléber reforçou a importância da força das mulheres operárias e criticou a ausência de creches públicas na cidade, o que obriga muitas mulheres a ficar em casa para cuidar dos filhos, sem tem sequer o direito a trabalhar.

Ao final, Cléber destacou a importância de fortalecer a luta durante a campanha salarial e de não desperdiçar a grande oportunidade que a categoria tem de, pela primeira vez na história, ter um representante da categoria na Câmara.




Fortalecendo o PSTU

Apoiadores da campanha de Cléber Rabelo estiveram presentes na assembléia para prestigiar o evento. Cerca de 270 trabalhadores preencheram o cadastro para apoiar a candidatura e 80 dediciram por se filiar ao PSTU.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dez lições da greve da construção civil de Fortaleza

Metamorfose
Operários em greve marcham pelas ruas de Fortaleza
Terminou a greve dos operários da construção civil de Fortaleza. Há evidentes indícios que estamos diante do balanço da maior greve da história da construção civil da cidade, alcançando em elasticidade a greve de 1995, movimento que se estendeu por 21 dias úteis. Foram quase trinta dias de uma ação grevista que começou a se desenhar nas paralisações de duas horas, tática empregada durante os meses de março e abril de 2012.

Em princípio, a greve deveria começar em 8 de maio, mas em alguns canteiros, sem esperar pelo sindicato, os operários iniciaram o movimento paredista já no dia sete. Daí até o final as ações grevistas alcançaram os dias 4 e 5 de junho, dependendo do canteiro de obra, até a assinatura da Convenção Coletiva no último dia 6.

Em primeiro lugar, foi uma greve de resistência. Resistimos ao tempo que castigou corpos e mentes de sindicalistas, trabalhadores de base e apoiadores que concentraram os seus esforços para garantir os piquetes e as manifestações de rua durante aproximadamente quatro semanas. E isso se deu de forma forte, ora debaixo de chuva, ora debaixo de um sol escaldante.

Em segundo lugar, foi uma luta que ganhou o apoio de sindicatos, oposições e minorias sindicais classistas e combativas, um fator que impediu que os grevistas caíssem no isolamento em meio a uma tempestade de ataques sofridos pelos trabalhadores da construção civil. Estiveram presentes os rodoviários, professores, trabalhadoras da confecção feminina, construção civil de Belém e tantos outros.

Em terceiro lugar, a ação grevista conseguiu unificar – na maior parte do tempo – a burguesia de Fortaleza, que não se furtou de empregar os maiores veículos de comunicação da cidade para atacar duramente os trabalhadores e as suas ações. Essa ofensiva patronal ganhou amplitude maior depois do incidente ocorrido em frente à sede do complexo de comunicação Verdes Mares (onde funciona o jornal Diário do Nordeste, que, via de regra, cumpre o papel de panfleto do empresariado do ramo da construção), traduzido na quebra de uma vidraça. Esse fato foi vendido a toda população como uma investida contra a liberdade de imprensa, até como uma forma de escamotear que esse mesmo complexo usou da prerrogativa do direito à mentira durante toda campanha salarial da construção civil.

Em quarto lugar, a greve trouxe à tona o que é a sociedade em que vivemos: rigorosamente dividida em classes sociais contraditórias e antagônicas. De um lado, se colocou uma parte da sociedade, atacando e denunciando os operários; de outro, uma parcela impressionante da população se colocou ao lado dos grevistas, apesar de toda propaganda empresarial.

Em quinto lugar, essa divisão por baixo gerou uma polarização por cima, quer dizer, na chamada superestrutura, onde estão, por exemplo, os governos, a justiça, o parlamento e os partidos políticos. Luizianne Lins (PT), prefeita de Fortaleza e Cid Gomes (PSB), governador do Ceará, na única vez em que se pronunciaram acerca dos acontecimentos, se disseram “indignados” com os operários. A justiça exigiu a volta ao trabalho e lançou mãos de multas e mais multas para aplastar os grevistas, sem, no entanto, obter os resultados esperados. Já o parlamento se sentiu compungido a mediar uma negociação que forçou a patronal a sentar-se à mesa.

A página mais espetacular, do ponto de vista da experiência da luta de classe, foi a conduta dos partidos políticos. O PT, que dirige a capital do estado, que se encontra à frente da Câmara de Vereadores e é parte do governo estadual, quando não silenciou, tomou o lado dos que tentavam criminalizar o operariado. E assim se comportaram os partidos da ordem. O que surpreendeu foi uma nota do PSOL, no momento em que a greve era mais atacada, depois do episódio em frente ao jornal Diário do Nordeste. Em sua nota, o PSOL se rendeu à chamada “opinião pública” e não deixou de fazer coro à ofensiva dos que queriam sepultar o heróico embate dos trabalhadores.

Em sexto lugar, a estratégia patronal de derrotar a campanha salarial da construção civil fez com que a indignação dos operários atingisse o seu ápice, explicando a radicalização que se ampliou e aprofundou ao longo das ações de rua, principalmente quando se postavam diante dos canteiros, expressão material e simbólica da exploração e da opressão que sofrem cotidianamente.



Em sétimo lugar, essa foi a greve da organização de base. Em sintonia com o espírito da letra das resoluções do Congresso da CSP-Conlutas, os trabalhadores se organizaram em um comando de base, que se reuniu do começo ao fim dessa verdadeira guerra de classe, discutindo e votando os ajustes táticos e garantindo o êxito da mobilização. Várias táticas foram adotadas ao longo da luta e elas passavam sempre pelo crivo do comando que, em geral, reunia entre 40 e 60 ativistas. Sem esse fato novo, dificilmente, os diretores sindicais teriam tido reais condições de sustentar um combate tão difícil. Pela primeira vez, a diretoria se diluiu em uma direção de base e se submeteu às suas decisões.

Em oitavo lugar, essa foi a campanha salarial das grandes marchas pelas ruas de Fortaleza, Maracanaú, Caucaia e outras cidades da região metropolitana. Os operários da construção civil não se contentavam em parar os canteiros, em ocupar a Praça Portugal e fazer as suas assembleias permanentes. Queriam e ganhavam as ruas com passeatas que chegaram a aglutinar entre 4 e 5 mil trabalhadores.

Em nono lugar, quebrou-se o acordo nacional dos patrões que queriam que o reajuste do índice de São Paulo (7,43%) servisse de parâmetro para toda e qualquer campanha salarial da categoria e em qualquer parte do país. Além de conseguir o índice de 8%, a categoria conseguiu para os pisos de servente, meio-profissional e profissional (mais de 95% do setor), índices que superam o patamar de 10%, e consequentemente, atingindo o nível de dois dígitos. Com os exemplos de Salvador e Fortaleza, o paradigma patronal começou a fazer água por todos os lados. Além disso, os patrões foram obrigados a negociar os dias parados, questão que eles se negaram a tratar ao longo de todas as conversações.

Exceto os acordos específicos nos estádios de futebol em obra, a maioria dos outros setores da indústria, e mesmo da construção, em qualquer parte do país, fez acordo que mal repõe o INPC ou obtiveram aumentos reais que, em linhas gerais, não estão muito distantes do que se conquistou em Fortaleza. Efetivamente, foram poucos os que conseguiram índices superiores aos acertados na Região Metropolitana de Fortaleza no ramo da construção civil. Além disso, os quase trinta dias de greve não afetarão as férias dos trabalhadores e nem a PLR. Não custa lembrar que a cesta básica (conquistada no ano passado) passou de 35 para 50 reais.

Em décimo lugar, os trabalhadores realizaram uma nova experiência com as instituições da democracia dos ricos. A consciência política já não se encontra no mesmo lugar. Isso explica porque os oradores do PSTU puderam expressar a sua posição em relação ao governo Dilma sem que fossem molestados. Inversamente, os operários ouviam atentamente os militantes do PSTU e isso também elucida um dos episódios mais marcantes da greve: quando a quinzena foi cortada, muitos membros da categoria fizeram questão de comprar o jornal Opinião Socialista, ainda que reconhecessem as dificuldades que passavam naquele momento.

Essa, de feito, foi a greve da superação.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Operários de Fortaleza fecham acordo sobre os dias parados e retornam ao trabalho

O impasse no acordo sobre o desconto dos dias parados da greve dos operários da construção civil de Fortaleza (CE) foi resolvido. O Sindicato Patronal encontrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores na noite de terça-feira (5) com uma nova proposta.

Pelo acordo, assinado nesta quarta-feira (6), os empresários se comprometeram a pagar o salário deste mês – até o dia 12 – e descontar os dias parados em cinco parcelas durante o ano. Os descontos não incidem sobre participação nos lucros, 13º salário e férias.

Para o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Nestor Bezerra, essa foi uma importante conquista dos trabalhadores. “É uma vitória dos operários, foram 28 dias de greve com uma grande ofensiva por parte da empresa e da imprensa e ainda assim conseguimos fechar um acordo que não prejudicasse os trabalhadores. O reajuste, no geral de 8%, foi um dos melhores do país”, destacou Bezerra.

Esses trabalhadores conquistaram reajuste geral de 8%, cesta básica de R$ 50,00, piso do servente de R$ 639,00, a manutenção das demais clausulas previstas na CCT 2011 entre outros.

O coordenador agradece o apoio da CSP-Conlutas que, segundo ele, foi determinante para o desfecho vitorioso dessa greve. “Agradecemos o apoio que recebemos da CSP-Conlutas e dos seus sindicatos filiados. Agradecemos também a população recebeu com solidariedade a nossa greve e nos aplaudia nas ruas durante as manifestações e, por ultimo, os trabalhadores pela disposição de luta”, finalizou.

Para o membro da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes, que esteve em Fortaleza dando apoio para a categoria, os trabalhadores reafirmaram a força da unidade para conquistar direitos. “A CSP-Conlutas parabeniza esses operários que mostraram sua garra e não esmoreceram diante dos ataques da patronal, lutaram até o fim por seus direitos e arrancaram a vitória”.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mais de 15 mil manifestantes participam da marcha dos servidores públicos em Brasília

Agência Brasil
Marcha do funcionalismo público em Brasília
Numa demonstração de força e unidade, mais de 15 mil pessoas, entre servidores públicos dos mais diversos seguimentos da categoria, estudantes e representações do movimento sindical e popular, se fizeram presentes na marcha, realizada em Brasília. O objetivo do ato foi de pressionar o governo para o avanço nas negociações da campanha salarial do funcionalismo público.

A passeata saiu da Catedral e contornou a Praça dos três poderes até o Ministério do Planejamento. Neste momento, os servidores estão concentrados em frente ao MPOG (Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão) e 13 entidades estão reunidas com o secretário executivo, Walter Correia, para tratar da pauta de reivindicações dos servidores.

Às 15h, será realizada uma grande plenária nacional de base, organizada pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Federais, quando os presentes irão votar a greve da categoria, prevista para ter início a partir do dia 11 de junho.


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Greve nas universidades federais já é uma das maiores dos últimos anos


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Imprensa ataca e criminaliza greve da construção civil em Fortaleza (CE)

Grupo ligado à Globo utiliza depredação como pretexto para dar salto na escalada de criminalização do movimento de greve


Detalhe do Portal do Grupo Verdes Mares que criminaliza greve
Ao final da manhã desse dia 29 de maio, a entrada da sede do Grupo Verdes Mares de Comunicação, retransmissora da rede Globo na região, sofreu um ato de depredação. No momento do ocorrido, havia duas manifestações de categorias distintas. Uma passeata dos operários da construção civil, que se encontravam há 22 dias em greve e um ato dos trabalhadores gráficos, inclusive alguns funcionários do jornal Diário do Nordeste, os quais também estão em greve.

Não tardou para que o conjunto da imprensa, em especial, o grupo Verdes Mares, atacar as duas categorias e suas respectivas direções sindicais, culpando-as pelo pelos acontecimentos que se sucederam nesse dia 29.

Esclarecemos que em nenhum momento o comando de greve da construção civil e a diretoria do sindicato orientam atos de violência contra a imprensa e seus funcionários. Antes de mais nada, as organizações envolvidas na greve defendem, intransigentemente, as liberdades democráticas e de imprensa, mesmo que muitas vezes a defesa da liberdade da imprensa seja utilizada como desculpa para mentir, desmoralizar, criminalizar os que lutam e criar inverdades.


O que aconteceu?

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro o que se passou. Os operários e operárias da construção civil estavam se dirigindo à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará para mais uma rodada de negociações entre o sindicato patronal e representantes da categoria, intermediada por parlamentares e pela Justiça do Trabalho. O objetivo é fechar um acordo que busque encerrar essa que é a segunda greve mais longa da história da categoria.

No decorrer do trajeto, estava marcado um ato de solidariedade com os trabalhadores gráficos que permaneciam na Praça da imprensa. No encontro entre as duas categorias, na Praça da Imprensa, um dos seguranças do grupo Verdes Mares provocou um grupo de trabalhadores e agrediu um diretor do Sindicato da Construção Civil, empurrando-o. O tumulto começou por uma ação irresponsável de um dos seguranças da empresa, que obrigou parte da categoria a defender seu dirigente sindical.

É necessário que se esclareça estes fatos porque, mais uma vez, o grupo Verdes Mares atua no sentido de desmoralizar as greves em curso, os trabalhadores e dirigentes sindicais. Durante a greve da construção civil age, conscientemente, no sentido de mostrar os operários como vândalos , bandidos e os dirigentes sindicais como irresponsáveis. Até o presente momento, esta empresa trata a greve como um caso de polícia e não como um problema social que envolve a superexploração pelo qual passa essa categoria.

As matérias, até agora veiculadas pelo sistema Verdes Mares de Comunicação estão a serviço de criar fatos que ajudem o sindicato patronal na sua tese de que estamos diante de uma greve abusiva e ilegal. Fala-se de vandalismo, transtorno para a população, engarrafamentos, desvio de rotas dos ônibus, etc. Não há nenhum espaço em suas páginas para que a opinião dos trabalhadores tenha o mesmo espaço da opinião dos empresários. Em nenhum momento o jornal faz menção aos 28 vitimados fatalmente nas obras da construção civil de Fortaleza e Região Metropolitana, não fala do desrespeito de jornada de trabalho de 44 horas que ocorre, indiscriminadamente, nos canteiros de obras, da qualidade da comida servida nos canteiros, da ausência de áreas de vivência nos locais de trabalho, da falta das condições de higiene dos alojamentos e finalmente do salário pago aos que fazem parte da categoria e da cesta básica, se é que assim podemos chamá-la, de R$ 35,00 que é paga aos trabalhadores.


Em defesa da liberdade de imprensa: ouvir a versão dos trabalhadores

Enquanto estouram declarações de apoio ao grupo Verdes Mares por parte da imprensa em geral, do governador Cid Gomes (PSB), de entidades como a OAB, os trabalhadores contam apenas com suas próprias forças e com a solidariedade das demais categorias.

Esperamos que Cid Gomes e os grupos de comunicação ouçam a versão dos trabalhadores e revejam suas declarações. Em especial convidamos a OAB para se fazer presente na greve, assim como fez na greve dos professores do estado do Ceará, na defesa dos direitos dos trabalhadores.


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Operários da construção civil em greve polarizam Fortaleza


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Forte greve no metrô de São Paulo faz governo Alckmin recuar e arranca conquista

Trabalhadores do metrô fazem greve histórica e desmascaram governo paulista


Sindicato dos Metroviários -SP
Assembleia que determinou o fim da greve
Após uma forte greve que durou cerca de 15 horas e que praticamente parou o metrô de São Paulo desde as 0h desse dia 23, a direção da empresa e o governo de São Paulo finalmente recuaram da intransigência que marcava as negociações e, durante reunião de conciliação no TRT, avançaram nas propostas aos trabalhadores.

Embora considerassem a proposta ainda muito insuficiente diante das reivindicações, os metroviários reconheceram o recuo diante da força do movimento. “A proposta da empresa não é a melhor, ainda é muito insuficiente, mas é um conquista e isso não porque Alckmin gosta dos metroviários, mas é o resultado da nossa luta”, afirmou Altino de Melo Prazeres, presidente do sindicato dos metroviários.

Entre as medidas aprovadas pelos metroviários estão o reajuste de 6,17% nos salários (reposição de 4,15% e aumento real de 1,95%), Vale Alimentação de R$ 218 (era de R$ 150, reajuste de 45,3%), Vale Refeição de R$ 23 (era de R$ 19,88, reajuste de 21% ). Já o adicional de periculosidade pago aos seguranças e funcionários da bilheteria subiu de 10% para 15%.

Altino destacou a ampla adesão à greve: “Foi uma das maiores greves de todos os tempos, parando 100% dos operadores de trens e inclusive funcionários de setores que não costumam aderir”, afirmou. A última greve havia sido em 2007


Governo Alckmin mostra a sua cara

Além de quebrar a intransigência da direção do metrô, a greve dos metroviários mostrou a verdadeira cara do governo paulista. Durante a campanha salarial, o sindicato dos metroviários reafirmou que, caso o governo e a empresa aceitassem liberar as catracas para a população, os funcionários trabalhariam normalmente. O desafio do sindicato, porém, foi rejeitado pela direção do metrô e o governador Geraldo Alckmin, que preferiram prejudicar milhões de trabalhadores.

Além de não aceitar a liberação das catracas, o governo foi responsável por imagens grotescas, como a da Polícia Militar reprimindo a população revoltada na estação Itaquera. Centenas de usuários se indignaram com o não funcionamento do metrô e fecharam a Radial Leste gritando “o povo na rua/Geraldo a culpa é sua”, antes de serem dispersos e agredidos por balas de borracha e gás lacrimogêneo.

Com o caos instalado na cidade, o sindicato reafirmou a proposta de liberação das catracas, mas o governo se manteve intransigente. A direção da empresa colocou os supervisores para trabalhar e tentar furar a greve, mas o máximo que conseguiu foi abrir algumas estações mais centrais.




Exemplo de força dos trabalhadores

Os metroviários enfrentaram a truculência do governo paulista, a pressão da direção da empresa e a manipulação sistemática de grande parte da imprensa para protagonizarem uma greve histórica. Mobilização que trouxe à luz não apenas as reivindicações dos funcionários do Metrô, mas a situção precária do transporte público.

“Colocamos em pauta a nossa luta em defesa da revitalização do setor metroferroviário no país, nossa luta contra a superlotação do metrô de São Paulo, que faz com que a população seja transportada como sardinha em lata”, disse Altino durante a assembleia que determinou o fim da greve. O presidente da entidade ponderou ainda que a luta não termina aqui, mas prossegue, inclusive contra a privatização no Metrô e pela equiparação salarial, reivindicação histórica da categoria.

A vitoriosa greve no metrô de São Paulo deve ainda ser um alento às greves que ocorrem hoje, especialmente a dos trabalhadores da CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos) que estão parados em Belo Horizonte, João Pessoa, Maceió, Natal e Recife. A greve da CBTU ganhou a solidariedade dos metroviários de São Paulo. “Não mporta se é um governo do PSDB ou do PT, atacou os direitos dos trabalhadores aqui ou em qualquer outro lugar, nós vamos defendê-los”, disse Altino.


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  • Quem faz São Paulo parar?


  • Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 23 de maio de 2012

    Metroviários aprovam greve em São Paulo

    É a resposta dos trabalhadores à intransigência do governo Alckmin e sua política de sucateamento e privatização do transporte; Metrô não aceita catracas livres


    Metroviários aprovam greve em São Paulo
    Assembleia dos metroviários realizada na noite desse 22 de maio reuniu cerca de 2 mil trabalhadores e aprovou por quase unanimidade greve por tempo indeterminado a partir desse dia 23, quarta-feira. Foi uma resposta dos trabalhadores ao descaso e intransigência da direção da empresa e do governo Geraldo Alckmin.

    Antes mesmo do início da assembleia, era visível a disposição de luta dos metroviários, com cartazes dizendo “Greve”, “Mais salários, menos tarifa”, “Mais investimentos nos metrôs”, fazendo coro à campanha impulsionada pelo sindicato “Chega de Sufoco, mais metrô! Menos tarifa!”, que une a luta pelas reivindicações trabalhistas à campanha em defesa do transporte público.

    No início da assembleia, os metroviários deram uma salva de palmas ao maquinista Rogério Fornaza que evitou que o acidente ocorrido no último dia 16 na Linha Vermelha se transformasse em uma tragédia. Na ocasião, ele acionou o freio de emergência assim que percebeu a falha que causou a colisão entre os dois trens. Da mesma forma, os trabalhadores aplaudiram os metroviários e os seguranças que deram suporte aos passageiros acidentados na Estação Carrão.


    Intransigência e greve

    O atraso no início da assembleia apenas serviu para agitar ainda mais o ânimo dos metroviários. Mas era preciso esperar o término da reunião de conciliação entre os representantes do sindicato e da empresa no Tribunal Regional do Trabalho, que começara horas antes. A reunião, porém, não avançou devido à intransigência da direção do metrô, que propõem apenas 4,15% de reajuste e 1,5% de aumento real. Os trabalhadores, por sua vez, reivindicam a reposição da inflação pelo Índice de Custo de Vida do Dieese, de 5,37%, e aumento real de 14,99%, além de Vale Alimentação de R$ 280,45 (a empresa propõe apenas R$ 158,57).

    Uma das principais reivindicações da categoria é a equiparação salarial, mas que também não teve nenhuma resposta por parte do governo. A campanha salarial também conta com bandeiras como 2% do PIB para o transporte público, a redução da tarifa e o fim do processo de privatização imposto pelo governo tucano ao sistema público de transporte.

    O presidente do sindicato dos metroviários, Altino Melo dos Prazeres, apresentou as propostas do metrô na reunião, prontamente vaiadas pelos trabalhadores. Em seguida colocou em votação a greve, aprovada por quase todos os dois mil funcionários presentes no local. Em seguida os metroviários já começaram a organizar as comissões de convencimento para garantir a greve. “Esperamos que a direção do metrô não seja irresponsável e não coloque gente despreparada para operar os trens, colocando a segurança da população em risco”, alertou Altino.


    Governo e Justiça não aceitam catracas livres

    A direção do Metrô rechaçou a proposta dos metroviários de alternativa à greve, de liberar as catracas para a população. Os funcionários do metrô argumentaram que esta seria uma forma de marcar o protesto da categoria e ao mesmo tempo não prejudicar a população, o que sempre é utilizado como justificativa pelo governo e pela Justiça para atacarem o direito de greve no setor. O metrô, porém, não aceitou a medida e chegou, em nota à imprensa, ameaçar a chamar a polícia caso os funcionários liberassem as catracas. desembargadora Anélia Li Chum, do TRT, por sua vez, também proibiu a liberação das catracas.

    A Justiça ainda determinou a manutenção de 100% do efetivo trabalhando durante o horário de pico e 85% nos demais horários, sob risco de multa de R$ 100 mil por dia ao sindicato. A entidade, porém, afirmou que não irá cumprir.


    “Importante para todos os trabalhadores”

    A dirigente do PSTU em São Paulo e pré-candidata à prefeitura da cidade, Ana Luiza, esteve presente à assembleia prestando apoio e solidariedade aos metroviários. “Estou aqui para parabenizar os trabalhadores do metrô e a sua disposição de luta, é uma inspiração para todos os trabalhadores”, afirmou.

  • Sindicato dos metroviários desafia governo Alckmin a abrir catraca


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 17 de maio de 2012

    Segurança e qualidade no transporte público! Todo apoio à luta dos metroviários e ferroviários de São Paulo e do País!

    Reprodução
    Local onde os dois trens colidiram em São Paulo
    Há 20 anos no governo do estado de São Paulo, o PSDB vem sucateando e privatizando o transporte público. São 20 anos de falta de investimento no Metrô e na CPTM. O resultado da privatização e do descaso com o que é público e estatal é o acidente na manhã desse dia 16 de maio na Linha 3 do Metrô (vermelha).

    O aumento da demanda no metrô de São Paulo (são 4,5 milhões de pessoas transportadas por dia) que gera a superlotação e o aumento insuportável do ritmo de trabalho dos metroviários, evidencia o tamanho da negligência do governo Alckmin e também do prefeito Kassab com a segurança da população e dos trabalhadores.

    O acidente desse dia 16, apesar de inédito, não é um fato isolado. Sabemos das diversas panes e falhas no sistema que nem sempre são divulgadas pela empresa e o governo. Na CPTM acidentes são frequentes. No ano passado mesmo houve cinco mortes por atropelamento de trabalhadores em pleno expediente.

    Se esse acidente tivesse ocorrido na Linha4 (amarela), onde os trens não têm operador, poderia ter tido consequências ainda piores. Com certeza o operador cumpriu um papel fundamental para impedir maiores danos. Em nome do lucro, o governo e a empresa privatizam e fecham postos de trabalho, deixando a população sob risco.

    O acidente ocorreu ao mesmo tempo em que a empresa negava mais uma vez as reivindicações dos metroviários, anunciando um reajuste menor que a inflação medida pelo Dieese.

    A superlotação do metrô e trens, a falta de funcionários, as más condições de trabalho, os ataques aos direitos, o arrocho salarial, o alto preço da tarifa, a falta de segurança, só tem uma saída: a unificação da mobilização dos metroviários e ferroviários pelo país, com o apoio da população, apontando um projeto de investimento público no transporte público estatal, para garantir expansão com qualidade, redução da tarifa, aumento geral dos salários e melhores condições de trabalho, e exigindo dos governos federal, estaduais e municipais a implementação desse projeto.

    O PSTU se soma à campanha dos sindicatos pelos 2% do PIB para o transporte público, estatal, de qualidade com tarifa reduzida (social). Por isso o PSTU apoia totalmente a luta dos metroviários e ferroviários de São Paulo nas suas campanhas salariais, assim como de todo o setor metro-ferroviário do país. Na última terça-feira, trabalhadores de trens e metrôs operados pela CBTU (Companhia Brasileira de Trens Urbanos, ligado ao Ministério das Cidades) deflagraram greve em resposta ao reajuste zero da presidente Dilma, que infelizmente demonstra intransigência nas negociações, se recusando sequer a inflação e avançando a privatização no metrô, como ocorre em Belo Horizonte.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 1 de maio de 2012

    Congresso da CSP-Conlutas avança em alternativa independente de luta e organização

    Congresso reuniu cerca de 2.200 participantes de 26 estados e do DF e marca a aproximação de importantes entidades nacionais à central, que vai se consolidando como alternativa contra o sindicalismo governista


    Dirigente da CSP-Conlutas, Zé Maria
    O tempo podia estar chuvoso e frio do lado fora, prenúncio do inverno, mas no interior do auditório da Estância Árvore da Vida, em Sumaré (SP), o clima era de muita alegria. O I Congresso da CSP-Conlutas foi encerrado com a certeza de que um importante passo foi dado na consolidação de uma alternativa de luta para o movimento sindical, social e popular no país.

    O congresso reuniu quase 2.300 pessoas, sendo 1.809 delegados eleitos em assembleias de base, representando 114 sindicatos , 2 associações de classe, 118 oposições sindicais e minorias de diretorias sindicais, 1 movimento de luta pela terra (MTL), e, representando um grande salto em relação ao congresso de fundação, 11 movimentos populares urbanos. Além disso, houve a presença de 4 movimentos de luta contra as opressões e 1 entidade nacional dos estudantes, a ANEL.

    “Tivemos representantes de quase todos os estados da Federação, com a exceção de Rondônia, fica aí o compromisso para o próximo congresso”, afirmou Sebastião Carlos, o Cacau, da Secretaria Nacional Executiva da CSP-Conlutas.


    Fortalecimento

    Além da incorporação de novas entidades sindicais e movimentos populares no último período, o congresso marcou a aproximação de importantes setores à central. É o caso das Fenasps (Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social) , uma das entidades que participaram do congresso como convidada. ‘O objetivo é que, a partir do Congresso, passemos a participar, enquanto Federação e diversos sindicatos, dos fóruns da entidade para continuar trabalhando pela unidade’, afirmou o diretor da Fenasps José Campos ao Portal do PSTU.

    Além da Fenasps, outras importantes entidades nacionais como a Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras) e a Assibge-SN (Sindicato Nacional dos Trabalhadores em Fundações Públicas Federais de Geografia e Estatística) também estão se aproximando da central, assim como entidades de metroviários e ferroviários de diferentes partes do país.

    O congresso reafirmou a importância dessa entidade que, desde o início da criação da então Conlutas, vem se consolidando como alternativa independente ao governo, num momento em que todas as outras centrais sindicais, como a CUT, avançam em sua adaptação ao Estado.




    Polêmicas

    Como qualquer congresso que reúne enorme gama de orientações e correntes políticas, o I Congresso da CSP-Conlutas também teve as suas polêmicas. A principal delas referentes ao nome da entidade. Algumas teses defenderam a mudança do nome de CSP-Conlutas para apenas 'CSP', a fim de atrair os setores que romperam no Conclat (Congresso da Classe Trabalhadora) em 2010, alegando a questão do nome para isso. O principal defensor dessa tese foi o Andes-SN.

    "Precisamos dar uma sinalização clara que esse instrumento que construímos de fato expresse esse processo de reorganização, que é muito maior que nós", defendeu Marina Barbosa, dirigente do Andes-SN. "Esse nome que construímos já não nos pertence, esse nome já é patrimônio da classe trabalhadora, é dos lutadores do Haiti, dos operários da construção civil, dos estudantes", respondeu Érico Correa, dirigente do Sindicato dos Servidores da Caixa Estadual do Rio Grande do Sul (Sindicaixa) e da corrente Construção Socialista, defendendo a manutenção do nome.



    José Maria de Almeida, o Zé Maria, da Executiva Nacional, ressaltou a importância do Andes-SN para a construção da entidade, além de outras entidades como os operários da construção civil de Fortaleza, metalúrgicos de São José dos Campos (SP). Mas defendeu a manutenção do nome da entidade. "Quando a base da frente popular, descontente com sua direção, olha para o lado e procura quem está lutando, se depara com a marca da CSP-Conlutas", afirmou, argumentando que seria um erro abrir mão disso.

    Ao final dessa discussão, cerca de 80% do plenário aprovou a manutenção do nome CSP-Conlutas, dando continuidade à experiência de organização iniciado em 2003 e à tradição da democracia operária, com as polêmicas sendo exaustivamente discutidas e depois votadas e definidas pela base.


    Plano de Lutas

    Ao final do congresso, os delegados aprovaram um plano de lutas para o próximo período, que inclui o apoio e fortalecimento das greves, como a do funcionalismo público e as da construção civil, além da luta pela unificação das campanhas salariais do segundo semestre. O plano de ação ainda prepara um dia de manifestação durante a ‘Rio+20’ (que ocorrerá de 13 a 20 de junho) , além da mobilização contra as remoções da população pobre para as obras da Copa do Mundo.


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 27 de abril de 2012

    SP: Frente em defesa do povo palestino faz ato contra ataques de Israel à Gaza

    Assembleia reuniu 2 mil trabalhadores na sede do sindicato, filiado à CSP-Conlutas


    Peões marcham pelas ruas da capital cearense
    Qualquer que seja o juízo que se queira formular, é de se reconhecer que a campanha salarial da construção civil da Região Metropolitana de Fortaleza já se constitui em uma grande vitória da categoria. Depois de cerca de 10 paralisações em distintas áreas da RMF, envolvendo mais de uma centena de canteiros de obra, a força do operariado e a sua organização são fatores que não podem ser desprezados. A cidade despertou em cada um desses dias com um semblante diferente. As ruas apinhadas de trabalhadores com a sua indumentária de trabalho e os seus rostos sofridos davam uma expressão diferente à quinta maior metrópole do país. De fato, os operários da construção civil se tornaram uma referência obrigatória da paisagem urbana.

    Essa paisagem, contudo, não existe sem o trabalho de mais de 60 mil “peões” que formam o plantel daqueles que produzem a atual fotografia da capital cearense e do seu entorno. O setor cresceu dez vezes mais que a média dos demais ramos da indústria do Ceará. Nem isso levou a que a patronal se dispusesse a apresentar uma proposta minimante decente na mesa de negociação. Enquanto Dilma e a mídia não cansam de falar de crescimento do ramo da construção, os patrões estão oferecendo algo como 6,5% de reajuste (enquanto as empresas chegaram a ter 30% de aumento de seus lucros) e abandonaram as conversações alegando a “violência” protagonizada pelos trabalhadores.

    O que não deixa dúvida é que o crescimento econômico não promove uma melhor distribuição dos ganhos. Pelo contrário, os empresários querem abocanhar mais do que vinham arrancando nas conjunturas anteriores. Essa é a lógica do capitalismo. Quanto mais a economia cresce, menos a riqueza é distribuída. Aumenta a pobreza dos pobres, mas também o luxo dos poucos milionários que se beneficiam da exploração dos trabalhadores. Isso, sim, é que é violência.

    Para o aumento do PIB, e em particular do setor da construção civil, têm sido fundamentais as jornadas de trabalho sem prazo de conclusão, a limitação dos reajustes de salário e a criminalização das lutas. Nunca se trabalhou tanto e isso tem levado a um aumento dos acidentes de trabalho. Nos últimos doze meses, quase 30 trabalhadores da construção morreram na RMF. Por outro lado, os patrões aumentam o que “dão por fora” e tentam segurar o salário de carteira. Ora, o que é dado na carteira corresponde a uma jornada de trabalho determinada; o que “é dado por fora” equivale a uma carga de trabalho que não respeita o horário da noite, o sábado, o domingo e o feriado. Isso tem aniquilado a vida dos operários. Isso, sim, é também violência.



    Como se isso fosse pouco, para não mudar essa realidade, os patrões e o Estado tentam criminalizar as lutas da classe trabalhadora. Hoje, mais do que nunca, ir para greve significa também enfrentar um aparato jurídico e militar que se organiza em função da necessidade de derrotar a organização dos trabalhadores. Por isso, quando param cerca de 10 regiões diferentes da grande Fortaleza e mobilizam mais de 15 mil operários, os dirigentes do sindicato da construção civil – entidade filiada à CSP-Conlutas – sabem que, não estão apenas parando ¼ de toda categoria, mas estão se preparando para uma guerra de classe de escala superior. Cada dia de paralisação é um dia de treinamento.

    Nessa direção, a assembleia desse dia 25 de abril é histórica, não só porque reuniu 2 mil peões dispostos a levar em frente essa campanha salarial; mas que ao votar greve geral por tempo indeterminado (a partir de 7 de maio) sabia que se estava votando uma tática que pode vir a ajudar a definir o futuro das campanhas salariais que vêm a seguir (confecção feminina, rodoviários etc.). A vitória dos trabalhadores da construção civil tende a potencializar a das categorias que virão na sequencia dos próximos meses, enfrentando problemas semelhantes em relação a salário, jornada de trabalho e repressão estatal e patronal.

    Mais do que isso: o operariado saiu convicto de que para conseguir 17% de reajuste salarial, R$ 80 de cesta básica, “dia do peão”, plano de saúde e jornada de trabalho de segunda a sexta (de verdade e não apenas no papel) e demais reivindicações, terão que dobrar a aliança entre patrões e governos que querem manter o crescimento à custa de maiores sacrifícios para classe trabalhadora.

    Os operários da construção civil que paralisaram em quinze dias 25% de todo seu plantel, que elegeram 42 delegados ao congresso da CSP-Conlutas, agora, tal como em Belo Monte, levantam os seus braços e gritam as suas palavras de ordem rumo a um novo tsunami que promete engolir Fortaleza a partir de 7 de maio.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 18 de abril de 2012

    Belo Monte demite 60, agride e manda prender trabalhadores

    Polícia intimida trabalhadores
    O Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM), responsável pelas obras da terceira maior hidrelétrica do planeta, na região de Altamira (PA), demitiu ao menos 60 operários que participaram da última greve que paralisou a obra por sete dias, entre os dias 5 e 12 de abril. Uma liderança grevista foi demitida e agredida por um segurança privado do consórcio. Outro, que aparecera em vídeo participando da greve, em gravações internas feitas pela empresa, foi demitido e posteriormente preso sem explicação pela Polícia Militar, segundo os trabalhadores, chamada pelo consórcio enquanto dormia em um dos alojamentos do CCBM.

    Segundo depoimento de trabalhadores, cinco teriam sido demitidos porque assinaram ata de fundação de uma Associação de Operários, conforme diz um documento que teria sido entregue ao sindicato e à direção do consórcio. Seis trabalhadores teriam sido desligados por participarem da comissão da greve. O restante teria saído por ter aparecido em filmagens realizadas por encarregados da firma.

    Francenildo Teixeira Farias, carpinteiro e membro da comissão da greve, conta que foi pedir explicações no escritório do RH da empresa, e lá foi agredido. Ele teria sido demitido por ser grevista, por ter participado da fundação da nova associação e também por participar da comissão.

    - Um segurança tentou tirar meu crachá de todo jeito, querendo me obrigar a assinar a quita [demissão]. Eu disse que não, que não aceitava porque não era uma demissão justa. Aí ele veio pra cima e me deu um soco na nuca – relata Francenildo, que registrou boletim de ocorrência na delegacia da Polícia Civil de Altamira.

    Segundo membros da comissão, outros nomes com demissão confirmada seriam o do pedreiro Wanderson Correa, dos apontadores Fábio de Souza, Moisés Ferreira Silva, Claudevan da Silva Santos e Diego Dias Louredo. Também foram demitidos Fábio Karan e Raimundo Nonato Diniz, que não é da comissão.

    Em documento assinado por trabalhadores e um de seus dirigentes, o Sindicato da Construção Pesada do Pará (Sintrapav) comprometeu-se a "assumir a responsabilidade pela comissão caso haja algum tipo de retaliação, perseguição, ou algum tipo de perca (sic) financeira".


    Pauta

    O Consórcio Construtor Belo Monte nega que as demissões tenham relação com manifestações. Em nota à imprensa, divulgada na sexta-feira (13), a empresa noticiou que "diferentes pontos foram avaliados e acordados entre as partes".

    Os pontos indicados são a instalação do Sintrapav nos canteiros; melhorias nas condições de transporte; melhorias no sistema de pagamento de salários – que no início do mês levou à uso de violência e a prisão de um trabalhador; e disponibilidade de sinal de celular a partir de maio.

    Duas das principais pautas – o aumento da cesta-básica (que hoje é de R$ 95) e a redução dos intervalos de baixada (visita do trabalhador à sua cidade de origem) ficarão para a próxima rodada. As outras não foram citadas.

    A negociação, prevista para iniciar no dia 10, foi adiada cinco vezes. O CCBM, em conjunto com o sindicato, restabeleceu uma comissão de trabalhadores para abrir a rodada de negociações.

    - Isso é fachada porque 80% da pauta não foi sequer falada. A gente não aprovou nada, só ouvimos. O sindicato não voltou pra base com a gente pra apresentar e votar que a empresa propôs. Isso era o certo. Agora, eles falaram na imprensa, soltaram um panfleto nos sítios dizendo que tá tudo certo – acusa um trabalhador que permaneceu na comissão, mas prefere não se identificar.


    Retirado do Site do PSTU