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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CUT desmonta mais uma greve nacional dos bancários

Agência Brasil
Mobilização dos bancários poderia ter arrancado muito mais
No último dia 27 de setembro, quinta-feira, foi escrita mais uma página vergonhosa na história do movimento sindical brasileiro. A greve dos bancários, deflagrada no dia 18, foi totalmente desmantelada pela CONTRAF (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro, entidade orgânica à Central Única dos Trabalhadores), que abandonou a luta pelas reivindicações dos bancários para, mais uma vez, se colocar na defesa do Governo Dilma.


Uma proposta ridícula diante de tantos lucros

Já no mês de setembro, após várias rodadas de negociação, os banqueiros e o Governo Dilma apresentaram uma proposta de 6% de reajuste, que na prática apenas iria repor a inflação do período. Com isso, os bancários foram à greve com a certeza de que era possível conquistar muito mais, pois se trata do setor da economia mais lucrativo do Brasil, batendo recordes – tanto nos bancos privados como nos estatais – ano após ano.

Após uma semana de greve, os banqueiros foram forçados a aumentar e ceder, e apresentaram uma proposta de reajuste de 7,5%. Essa proposta foi resultado da forte adesão da categoria à greve (principalmente nos bancos públicos), mas ainda estava muito aquém tanto das reivindicações da categoria, como das condições financeiras dos bancos.

Nos últimos 16 anos (de FHC, passando por Lula e até chegar ao Governo Dilma) os lucros dos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Itaú-Unibanco, Santander e Bradesco) atingiram um percentual de 1.575%. Isto significa que somente os maiores bancos brasileiros tiveram uma lucratividade média de 112% ao ano. Por outro lado, os percentuais dos salários dos bancários no mesmo período são bem diferentes. Os trabalhadores dos bancos privados acumulam desde a época do Plano Real até hoje uma perda salarial de aproximadamente 26%. Nos bancos públicos, a perda é ainda maior: os bancários do Banco do Brasil sofrem com uma defasagem de 86% e os da Caixa Econômica Federal aproximadamente 98, sem falar nos demais bancos (BNB, BASA, BANPARÁ, etc.).

A greve, que estava com uma forte adesão (mais de 9 mil agências em uma semana de paralisação) e ainda estava no início, tinha, portanto, força para arrancar muito mais.


Dilma não governa para os bancários

Apesar da alta adesão dos bancários à greve, a categoria teve que se enfrentar com a intransigência do Governo Dilma, que desde o início se negou a atender as reivindicações dos trabalhadores.

O discurso de Dilma foi sempre no mesmo tom: não era possível conceder aumentos acima da inflação, pois isso comprometeria as contas do governo. Mas as medidas adotadas por Dilma nos últimos meses são suficientes para desmentir tudo isto. Bastaram as ameaças da crise econômica internacional voltarem a rondar o Brasil para Dilma lançar um plano de incentivos aos grandes empresários que, dentre outras coisas, privatiza os portos, aeroportos e rodovias brasileiras e ainda prevê financiamento público do BNDES para as empresas envolvidas nas operações.

Mas esse pacote de concessões – que de tão pró-patronal foi chamado de “kit felicidade” por, Eike Batista, um dos maiores empresários do país – não foi a única medida a demonstrar que o Governo Dilma poderia contemplar as reivindicações dos trabalhadores dos bancos públicos. Durante a greve, o Banco do Brasil – que é de propriedade acionária estatal – montou uma megaestrutura de contingências (prédios comerciais alugados com tecnologia e logística para fazer funcionar as operações do banco realizadas por fura-greves) que custavam em média 200 mil reais cada. Isto mostra que o Governo Dilma, se quisesse, poderia atender as reivindicações dos bancários, desde que seu critério fosse governar para os trabalhadores, e não para os maiores empresários do Brasil.

Ao contrário disto, o governo do PT não apenas se negou a atender as reivindicações dos trabalhadores, como procurou a todo o momento desmantelar a greve, com a ajuda do sindicalismo governista da CUT.


A subordinação da CUT aos interesses dos banqueiros e do governo

Como se não bastasse a necessidade de enfrentar o setor mais poderoso da economia e o governo federal, os bancários em greve ainda tiveram que – mais uma vez – lutar contra um sindicalismo totalmente subordinado aos interesses patronais.

Desde os fóruns preparatórios, a CONTRAF/CUT, definiu uma pauta de reivindicações que foi encabeçada por um índice de reajuste salarial de 10,25%, que não representa sequer a metade das perdas sofridas pelos trabalhadores dos bancos privados. Ou seja, enquanto os banqueiros lucram bilhões, a própria entidade sindical que representa a categoria nas negociações se nega a explorar o crescimento dos lucros da patronal com uma pauta que possa avançar de verdade na reposição das perdas que a categoria sofreu ao longo dos últimos 18 anos.

Mas isto tem um motivo. Para que o governo do PT não seja colocado na berlinda a cada greve dos bancários, foi instituída uma Mesa Única que conta somente com a presença dos banqueiros e o que sai dessa negociação seria teoricamente estendido também aos trabalhadores dos bancos públicos. No entanto, como as negociações de reajuste salarial são definidas numa mesa com a FENABAN, o governo se nega a negociar diretamente com os trabalhadores, sob a justificativa de que respeita a Convenção Coletiva Nacional da categoria. A CONTRAF/CUT, ao defender fervorosamente esse modelo de negociação nos dias de hoje, tem ajudado bastante o Governo Dilma, assim como ajudou a Lula: os bancários dos bancos públicos praticamente não avançaram em nada nas suas reivindicações específicas e a categoria até hoje nunca repôs as suas perdas.

Na greve deste ano, a CUT passou dos limites. Em função da intransigência dos banqueiros e de Dilma, as propostas apresentadas aos trabalhadores foram muito rebaixadas. Além do reajuste de 7,5% ser muito baixo se comparado aos lucros do sistema financeiro, os trabalhadores dos bancos privados não conquistaram a estabilidade no emprego e os dos bancos públicos não avançaram quase nada em suas reivindicações específicas. Ao contrário, a direção dos bancos estatais e o Governo Dilma, não satisfeitos com a proposta de reajuste sobre o piso salarial da categoria (8,5%), simplesmente se negaram a acompanhar a íntegra da proposta da FENABAN e reajustaram o piso salarial dos bancários do Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em apenas 7,5% (o mesmo índice de reajuste proposto pelos banqueiros sobre todas as verbas), mostrando a farsa que é a história da Mesa Única.

A postura da CUT diante desse golpe foi vergonhosa: orientou a aceitação do acordo e o fim da greve com compensação de dias parados, mesmo diante de itens que na prática retiram direitos – como é o caso da proposta do Banco do Brasil sobre a jornada de 6 horas, condicionada a uma suspensão de ações judiciais movidas contra o banco, muitas delas em fase bastante avançada.

O posicionamento da CONTRAF/CUT frente a um golpe da patronal e do governo no curso de um processo de luta dos trabalhadores demonstra como o sindicalismo cutista está cada vez mais subordinado à lógica e aos interesses do governo e dos banqueiros.


A greve mostrou que com mobilização é possível vencer

Apesar do acordo insuficiente, do controle quase absoluto que a CUT tem sobre a maioria dos sindicatos de bancários do país (cerca de 90% das entidades sindicais têm direções cutistas à frente) e da audácia das manobras com as quais seus sindicatos enterraram o movimento, alguns episódios desta greve mostraram que com mobilização os trabalhadores podem superar todos esses obstáculos.

Em Belém, os trabalhadores do BANPARÁ (Banco do Estado do Pará) aprovaram no encontro específico da categoria um índice de reajuste de 15%, contrariando o sindicato (dirigido pela CSD/CUT), que inclusive protocolou junto ao banco uma pauta com reajuste de 10,35% (o mesmo apresentado para a FENABAN). E mesmo começando a greve antes do calendário nacional definido pela CONTRAF/CUT, os trabalhadores conseguiram o mesmo acordo fechado nacionalmente, mas com anistia total dos dias parados.

Os bancários da Caixa Econômica Federal também deram uma demonstração de força. Na noite do dia 26 de setembro, quando a CONTRAF/CUT já tinha orientado a aceitação da proposta e o fim da greve, os trabalhadores derrotaram as direções sindicais na maior parte dos sindicatos do país, aprovando a continuidade da greve. Lamentavelmente, no dia seguinte, os sindicatos da CUT chamaram assembléias “relâmpagos” e, numa operação unitária com a direção da Caixa, lotaram as assembléias de gestores, acabando de vez com o movimento.

Apesar dessa ação vergonhosa da CUT, ficou a lição de que quando os trabalhadores agem coletivamente, é possível vencer os banqueiros, o governo e inclusive os agentes do movimento que se colocam a serviço dos patrões. Isto precisa ser resgatado nas próximas mobilizações e só desse modo os trabalhadores podem impedir as traições dos sindicatos da CUT.


Para vencer os patrões e as traições da CUT, é preciso organização

Além da dureza que é comum a qualquer enfrentamento com os banqueiros e com um governo que conhece de perto as táticas do movimento sindical, as traições das direções sindicais ajudam a desenvolver mais desconfiança, descrédito e desmobilização dos trabalhadores. É por essa razão que muitos bancários aderem às paralisações, mas resistem em participar das assembléias e das atividades da greve: os trabalhadores perdem a confiança quando são traídos pela própria entidade que devia representá-los.

Contudo, a única forma de enfrentar esse problema é com a organização coletiva. A primeira resposta dos bancários deve ser a total solidariedade aos trabalhadores que se mantiveram em greve após o dia 26. O Governo Dilma, através das direções do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, está ameaçando esses trabalhadores com desconto. A outra resposta, não menos importante, deve ser um “não” a qualquer compensação de horas decorrentes de paralisação da greve.

Sabendo que a CUT não está ao lado dos trabalhadores nessas lutas é que surgiu o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), que hoje é filiado à CSP-Conlutas. Desde então, o MNOB vem fazendo um chamado a todos os trabalhadores que não têm acordo com os absurdos protagonizados pela CONTRAF/CUT, para construir e fortalecer uma alternativa diante da traição e da falência política da atual direção do movimento.

Após mais esta greve, o MNOB/CSP-Conlutas convida os bancários de todo o país para fortalecer as próximas lutas, contra os ataques dos banqueiros, do governo e dos seus agentes dentro do movimento sindical.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Bancários de todo o país cruzam os braços por salários e direitos

Cinco maiores bancos do país lucraram juntos R$ 46 bilhões em 2011


Bancários de todo o país cruzaram os braços

Bancários de todo o país cruzaram os braços a partir do dia 18 de setembro. É a resposta dos trabalhadores à intransigência da Federação Nacional dos Bancos (FENABAN), que se nega a atender às reivindicações apresentadas pela categoria.

Os banqueiros são hoje o setor que têm a taxa mais alta de lucratividade do país. Os cinco maiores bancos lucraram R$ 46 bilhões em 2011 ,o que significa, de forma aproximada, 20% sobre o seu patrimônio liquido. Ou seja, em apenas cinco anos, o lucro alcançado possibilita o retorno ao banqueiro de todo o patrimônio investido. Enquanto isso, as 500 maiores empresas do país têm uma taxa de lucratividade bem menor: 8,2%, segundo a revista Exame.

Apesar de estarem ganhando muito, os banqueiros pagam salários cada vez piores aos seus funcionários, e impõem um ritmo de trabalho cada vez mais enlouquecedor. Para se ter uma idéia, em 1995 um bancário do Banco do Brasil tinha um salário médio em torno de 20 salários mínimos e, em 2010, recebia apenas 7,5 salários mínimos. Para aumentar ainda mais a lucratividade, os bancos desrepeitam a lei, burlando a jornada de 6 horas assegurada pela CLT e não garantindo a igualdade de salários e direitos entre antigos e novos funcionários. Nos bancos privados, a rotatividade é altíssima, pois os banqueiros demitem para contratar funcionários mais novos, com salários menores e menos direitos.

 

Salários pioram no governo do PT
 

Durante os governos de Lula e Dilma, o quadro somente se agravou. Os lucros dos bancos são cada vez maiores e superiores aos dos principais setores da economia. No inicio do governo Lula, em 2002, o lucro total do sistema financeiro foi de R$ 20,595 bilhões, passando para R$ 67,134 bilhões em 2010, final do governo. Em 2011, primeiro ano do governo Dilma, o sistema financeiro atingiu o maior lucro de sua história, chegando à cifra dos R$ 72,356 bilhões.

Os salários também pioraram. No começo do governo Lula, um funcionário do BB recebia, em media, 11,2 salários mínimos e, no final do seu governo, recebia 7,5 salários. O mesmo se repetiu nos demais bancos: de 10,4 para 5,9 salários mínimos no Itaú e de 7,1 para 6,9 na Caixa Econômica Federal. Além disso, Lula, e agora Dilma, poderiam evitar o grande número de demissões nos bancos privados, ratificando a convenção 158 da OIT, que proíbe demissões imotivadas, mas não o fizeram. Com isso, continuaram privilegiando os lucros dos banqueiros em detrimento dos trabalhadores.



 

Reação e greve
 

A categoria bancária tem reagido a essa situação. Desde 2003, em todos os anos, a categoria vai à luta, realizando importantes paralisações. Neste ano, não será diferente. A FENABAN ofereceu 6% de reajuste e, no país todo, os bancários rejeitaram essa proposta e decidiram ir à greve por tempo indeterminado a partir do dia 18.

Em todas estas greves, a vanguarda do movimento tem sido os bancos públicos, motivo pelo qual ganham importância as pautas especificas do BB e da CEF. Que passa centralmente pelo cumprimento da jornada de seis horas no BB e pela luta pela isonomia na CEF.

A Articulação Sindical, que dirige a maioria dos sindicatos de bancários do país, não tem o menor interesse em dar peso às pautas específicas do BB e CEF, pois isso significaria ter que bater de frente com o governo que apóiam e dar peso ao setor mais organizado, o que significaria também perder o controle do movimento. Para esconder o governo, devem manter o centro da negociação na mesa única da FENABAN, que reúne bancos privados e públicos.

Um outro entrave imposto pela direção burocrática ao movimento é a falta de democracia, que afasta cada vez mais a base e, consequentemente, enfraquece o movimento. Bancários ligados ao Movimento Nacional de Oposição Bancaria (MNOB), que é filiado à CSP-Conlutas, lutam para envolver o conjunto da categoria na construção do movimento, cobrando da direção assembléias democráticas e comandos de greve abertos, com poder de decidir sobre os rumos do movimento.

Os trabalhadores do Banco do Estado do Pará, o Banpará, estão mostrando o caminho. Contra a vontade de seu sindicato, e passando por cima do calendário do Comando Nacional e da CONTRAF/CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro), já estão em greve desde o dia 4 de setembro e não aceitam que os parâmetros de seu acordo sejam estabelecidos a partir da mesa única da FENABAN. O sindicato de Florianópolis, apesar de ser filiado à CUT, também dá um exemplo, quando chama a categoria para comandar o movimento, participando do comando de greve, e coloca à sua disposição a estrutura do sindicato.

Para fortalecer a greve, o MNOB defende também a unificação da campanha salarial com outras categorias, como metalúrgicos, petroleiros, químicos e, especialmente, com os trabalhadores dos correios, que também devem iniciar uma greve nos próximos dias.

 

Oposiçao não concorda com a pauta rebaixada da CONTRAF/CUT
 

O Movimento Nacional de Oposição Bancária não aceita a pauta rebaixada estabelecida pelos sindicatos cutistas que estão reunidos na CONTRAF/CUT. Por isso, defendem uma pauta alternativa, apresentada aos banqueiros pelos sindicatos do Rio Grande do Norte, Maranhão e Bauru. Nela, exigem a reposição das perdas salariais dos bancos privados e públicos, volta do antigo Plano de Cargos e Salários do Banco do Brasil e PLR linear, dentre outras bandeiras que todo o movimento sempre defendeu, mas que as entidades governistas abandonaram depois da eleição de Lula.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Segundo semestre tem categorias de peso em campanha salarial

Bancários já definiram indicativo de greve nacional para 18 de setembro


Bancários do Banpará estão parados desde o dia 4

Após a forte greve dos servidores públicos federais, importantes categorias do setor público e privado começam a se mover e prometem um segundo semestre bastante agitado. Bancários, petroleiros, metalúrgicos, operários da construção civil e os trabalhadores dos Correios estão começando agora suas campanhas salariais e já mostram grande disposição de luta.


Greve dia 18
 

Bancários de todo o país já definiram indicativo de greve para o próximo dia 18, após a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) ter se mantido intransigente na reunião de negociação que ocorreu no dia 3 de setembro. Esse dia foi marcado por mobilizações da categoria. Em São Paulo, os funcionários do Banco do Brasil e o Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), filiado à CSP-Conlutas, participaram de um protesto que parou por uma hora o Complexo São João, maior prédio do banco na cidade, com 1800 bancários.

Os bancários do Banco do Brasil reivindicam reposição das perdas salariais; carga horária de seis horas para todos, sem redução de salário; isonomia entre os concursados pré e pós ano de 1998, entre outras reivindicações.

Segundo o membro do MNOB, Bento José, a direção do Sindicato de dos Bancários de São Paulo e a Contraf (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) não defendem como prioridade as reais necessidades dos bancários. “Eles não tomam como prioridade tratar de pontos estruturais e igualmente importantes para nós, como seis horas para todos, sem redução de salários, e a questão da isonomia entre novos e antigos funcionários, pois essa é uma reivindicação principalmente dos bancos públicos e leva a mobilização. Para eles, não é interessante enfrentar o governo”, justifica Bento.

A prioridade do MNOB na campanha salarial é a luta pela jornada de seis horas sem redução nos salários, isonomia para todos (mesmo direitos para antigos, novos e bancários de bancos incorporados, reposição das perdas salariais e ratificação da convenção 158 da OIT, que proíbe a demissão imotivada). Já houve quatro rodadas de negociação, mas a proposta de apenas 6%, apresentada pela Fenaban, foi recusada.

Já os bancários do Banpará, banco do Estado do Pará, estão em greve desde o dia 4. O banco conta com 1,3 mil funcionários e a paralisação atinge a capital Belém e as agências do interior.

 

Petroleiros
 

Os petroleiros também estão batendo de frente com a intransigência da empresa. Na categoria, as negociações ocorrem via FUP (Federação Única dos Petroleiros, ligada à CUT) e FNP (Federação Nacional dos Petroleiros, que conta com a participação da CSP-Conlutas). Enquanto a FUP aceita as condições impostas pela Petrobras, de não negociar as cláusulas sociais, mas apenas as econômicas no acordo coletivo de trabalho, a FNP não aceita qualquer limitação pré-estabelecida pela estatal.

Após muita pressão, a Petrobrás finalmente aceitou realizar uma reunião com a FNP no último dia 5, no Rio de Janeiro. Porém, o encontro terminou em impasse. Além de colocar a limitação das cláusulas sociais, a empresa não avançou na reivindicação dos petroleiros.

Baseados na pauta histórica aprovada pela categoria, os dirigentes reivindicam o ICV-DIEESE (Índice de Custo de Vida) e 10% de ganho real, o que totaliza 16% – incorporada ao salário básico da categoria. Outro ponto importante da reunião foi a cobrança dos dirigentes da FNP para que a proposta da companhia seja entregue para as duas federações no mesmo dia, sem privilégios. A reivindicação não é à toa. Na última campanha de PLR, um episódio lamentável indignou não apenas os dirigentes, mas uma parcela significativa dos trabalhadores representados pela FNP. Na época, a empresa entregou a proposta antecipadamente à FUP, que divulgou para toda a categoria, enquanto a companhia não havia sequer se reunido com a FNP. Agindo dessa forma, o RH assume publicamente o seu atrelamento com a FUP. A FNP exigiu que esse episódio não se repita.

Nova rodada de negociação acontece nos dias 13 e 14 de setembro. Durante os dois dias, a FNP vai apresentar a pauta de reivindicações e os eixos da campanha, baseado nas reivindicações dos petroleiros.

 

CSP-Conlutas defende unificação
 

Na reunião ampliada da Secretaria Executiva Nacional, realizada no dia 5 de setembro, a CSP-Conlutas aprovou empreender esforços pela unificação das campanhas salariais em curso no país. Nisto está a busca por um calendário comum de atos conjuntos das categorias em luta, com o indicativo dos dias 18 e 19 de setembro.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Ao Sindicato de Bancários de SP, Osasco e Região: Repressão na CABB-SP

Na quinta-feria, dia 12 de julho, um novo episódio de repressão e assédio moral aconteceu na Central de Atendimento do BB de SP. Vários atendentes foram chamados de surpresa para reuniões com gerentes de área, que duravam em torno de uma hora. Nas reuniões os administradores apresentavam uma relação de atrasos, discordâncias no ponto eletrônico e faltas não autorizadas, mostrando o quanto estes funcionários estão vulneráveis, intimidando-os. Ao final, da reunião, emitiam um documento, entitulado “ata de reunião”, tendo como conteúdo a relação de faltas, atrasos, discordâncias do ponto eletrônico, a ciência destes e o alerta de que poderiam  ser demitidos pelo banco. Nesta situação constrangedora, os colegas eram pressionados a assinarem esta “ata” que apresenta também código de sigilo ($40).  Sendo este documento confidencial, o Banco fica protegido e o colega refém do Banco, impedido de apresentar este documento em qualquer circunstância.

Essa forma de assédio é uma novidade no BB, implementada pelo Gerente Geral Claudio Rocha, que inclusive não tem base nos normativos do banco.  Ela vem somar-se ao número abusivo de pedidos de informação, aos vários tipos de constrangimentos e controle que os funcionários sofrem, além da anotação irregular que foi feita na GDP, depois da ultima paralisação.

Essa nova medida repressora é um total desrespeito aos funcionários e ao movimento sindical. Acontece um dia após uma reunião nacional de negociação com o banco, onde foi feita a exigência de que o banco reverta as anotações na GDP dos funcionários da Central. Também já foi feita denúncia ao Ministério Público do Trabalho contra o gestor Claudio Rocha e o seu nome foi denunciado a nível nacional no Boletim do MNOB.

A política da diretoria do Sindicato de SP de desmarcar a paralisação que foi aprovada no II Encontro Nacional dos Atendentes de CABB’s e que estava articulada com as Centrais de Salvador e São José dos Pinhais foi um elemento fundamental para gerência do banco se sentir forte e tomar a medida repressiva de quinta-feira.

Exigimos que o Sindicato de SP reveja sua postura e em conjunto com os delegados sindicais da CABB, marcando um novo dia de paralisação, ainda para esse mês. Que o sindicato faça uma denúncia com o nome do gerente geral Cláudio Rocha na Folha Bancária, que exija, na negociação com o banco, o fim da repressão dentro da CABB-SP e por último, denuncie junto a justiça e ao ministério do trabalho esse novo episódio de irregularidades e assédio moral.

Assinam Delegados Sindicais da Verbo Divino

Fabiana Borges (Babi)
Erika Valadares
Maria Valeria (Belela)
Hugo Lacerda


Retirado do Site da CSP-Conlutas

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

MNOB propõe que bancários mantenham greve e rejeitem proposta dos banqueiros e do governo Dilma nas assembleias de hoje

Na última sexta-feira (14), imediatamente após o término da negociação entre o Comando Nacional e os banqueiros/Governo Dilma, iniciaram-se especulações sobre o término da greve dos bancários. A grande imprensa – que tem dono e é financiada pelos bancos – procurou divulgar o fim da greve a partir de um “acordo” selado entre os patrões e a CONTRAF/CUT.

É evidente que o Comando Nacional da CONTRAF/CUT prometeu aos banqueiros e ao governo Dilma empreender todos os esforços para acabar com a greve. Isso fica muito claro quando vemos as matérias publicadas nos sites da CONTRAF e dos sindicatos ligados à CUT. Em todos esses espaços tenta-se passar uma idéia de um “excelente” acordo, além de uma política de terrorismo em relação ao TST (Tribunal Superior do Trabalho), para que os bancários sintam-se intimidados a não mais fazer a greve.


Bancários decidem

Quem realmente deve decidir sobre os rumos da greve são os bancários e não o Comando que negocia em nome dessa categoria, porém não é escolhido pela base.

Por isso, o MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária), ligado à CSP-Conlutas, convoca a categoria para ir a assembléia e apresenta os motivos pelos quais defende a rejeição das propostas geral e específicas, fazendo um chamado para que os bancários votem pela continuidade da greve.


O fantasma do TST

Muitos bancários estão se sentindo pressionados a aceitar essa proposta, mesmo considerando-a rebaixada e bastante insuficiente, por medo de que essa greve acabe sendo julgada pelo TST, acarretando um desfecho ainda pior. No entanto, é importante salientar que, na recente greve dos Correios, o TST impôs o desconto dos dias parados, mas não por suas próprias mãos apenas. Apenas ratificou a decisão que já havia sido tomada pelo governo Dilma de descontar os dias. No caso da greve dos bancários, tanto os bancos públicos quanto os privados resolveram apresentar uma proposta que, ao contrário, reafirma o acordo dos anos anteriores e não impõe nenhum desconto de dias parados.

Também é preciso deixar claro que ainda não existe perspectiva de julgamento da greve dos bancários pelo TST. O processo de negociação ainda não foi encerrado e este é o momento de apostar no poder de mobilização da greve. Os banqueiros e o governo estão sofrendo com a greve. A cada dia de paralisação os seus lucros vão caindo, uma vez que não há trabalho humano suficiente para operacionalizar as grandes concessões e as vendas de produtos.

Por isso, assim como o MNOB, a CSP-Conlutas acredita que a força de nosso movimento ainda é suficiente para impor aos banqueiros e ao governo uma melhora nesta proposta. Este é o momento de intensificar a luta, radicalizar a greve e arrancar dos banqueiros e do Governo Dilma aquilo que é dos trabalhadores!

Toda solidariedade à greve dos bancários!


Retirado do Site do PSTU

sábado, 15 de outubro de 2011

RN: Ato unificado reúne categorias em greve

Manifestantes na Av. Rio Branco
A Av. Rio Branco, no centro de Natal, foi tomada por diversas categorias de trabalhadores em greve nesta quinta-feira 13. A caminhada reuniu bancários, funcionários da rede estadual de educação e servidores da administração indireta do Rio Grande do Norte em protesto contra a intransigência dos bancos e do governo de Dilma Rousseff (PT), além da falta de compromisso do governo de Rosalba Ciarlini (DEM). Os bancários cobraram reajuste salarial e denunciaram os lucros astronômicos dos banqueiros. Já os funcionários da educação e os servidores da administração indireta, como os do Detran, da Fundação José Augusto e da Emater, exigiram o cumprimento dos acordos feitos com o governo do estado em julho deste ano, referentes às atualizações dos seus planos de cargos.

A manifestação, organizada pela CSP-Conlutas, Sinte/RN, Sinai e Sindicato dos Bancários, além de outras centrais sindicais, foi encerrada em frente ao Banco do Brasil da Av. Rio Branco. O PSTU participou do protesto em apoio à luta dos trabalhadores. "Esse ato unificado das categorias federais e estaduais em greve é uma iniciativa muito importante para fortalecer a luta corporativa desses setores, mas não apenas. É unindo toda a classe trabalhadora que podemos de fato conquistar e dobrar a intransigência dos governos Rosalba e Dilma, que têm tentado criminalizar o movimento dos trabalhadores, seja através da justiça, seja através das ameaças de desconto e corte de ponto.", afirmou Juary Chagas, diretor do Sindicato dos Bancários e militante do PSTU.

Juary Chagas disse também que o Movimento Nacional da Oposição Bancária (MNOB/CSP-Conlutas) reivindica 26% de reajuste salarial para toda a categoria, um plano de reposição das perdas nos bancos públicos, isonomia, estabilidade no emprego, entre outras reivindicações. "Infelizmente, a CONTRAF (confederação nacional ligada à CUT) decidiu por reivindicar apenas um reajuste de 12,8%, que está muito aquém do lucro astronômico dos bancos.", explicou Juary.

Alexandre Guedes, da CSP-Conlutas

Alexandre Guedes, membro do comando de greve do Detran/RN e da CSP-Conlutas, denunciou o governo de Rosalba Ciarlini (DEM) por não cumprir o acordo com a categoria e deixar de pagar o plano de cargos dos servidores. "No Detran, por exemplo, um dos órgãos mais ricos do Estado, a arrecadação cresceu bastante. De R$ 61,4 milhões em 2007 passou para R$ 80,8 milhões em 2010. São R$ 20 milhões a mais em apenas 3 anos. Segundo informações do próprio governo, a implantação de todos os planos de cargos tem um custo de R$ 25 milhões mensais. Portanto, as condições são totalmente favoráveis para a quitação desse débito com o funcionalismo. O governo estadual não tem do que reclamar. Tem arrecadado muito. O calote é um absurdo.", destacou Alexandre.

A luta para que o governo federal invista imediatamente 10% do PIB (Produto Interno Bruto) Nacional em educação pública também esteve representada no protesto unificado. "Nós acreditamos na importância da unificação do movimento estudantil com o movimento de trabalhadores. O governo Dilma prepara agora um novo ataque à educação com o novo PNE e é por isso que estudantes e trabalhadores devem se unir para exigir o investimento de 10% do PIB na educação e o fim dos ataques contra os direitos sociais.", defendeu Géssica Régis, militante da Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre (ANEL).






Retirado do Blog do PSTU/RN

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

A greve dos bancários e a unidade entre governo, direções sindicais e capital financeiro

Greve dos bancários é a mais forte em anos
Na noite de 26 de setembro, bancários de todo o país ergueram seus braços em assembléia para deflagrar a greve da categoria por tempo indeterminado. Os trabalhadores rejeitaram a oferta de 8% de aumento (apenas 0,56% acima da inflação) apresentado pela FENABAN (Federação Nacional dos Bancos) e pelo governo Dilma, uma vez que esta proposta está muito aquém das reivindicações da categoria e dos altíssimos índices de lucratividade dos bancos brasileiros.

A greve dos bancários é uma luta duríssima. Trata-se de um embate entre uma parte da classe trabalhadora e o setor patronal mais poderoso do país. Entretanto, os bancários não somente têm enfrentado a truculência dos banqueiros, mas também a intransigência do governo Dilma, que é o patrão dos bancos públicos e, na relação entre os bancos, população e bancários, sempre tem se posicionado contra os interesses dos trabalhadores.


A relação entre os bancos, população e trabalhadores bancários

Antigamente, no início do desenvolvimento da atividade comercial, comerciantes viajavam para outros países para vender suas mercadorias. Eles tinham necessidade de trocar o seu dinheiro por um valor em moeda utilizado naquele território para, assim, conseguir realizar suas transações comerciais. Da mesma forma, precisavam guardar o dinheiro que acumulavam num lugar que fosse mais seguro que suas casas ou estabelecimentos. Foi assim que os bancos surgiram a partir dessas necessidades, com o objetivo de intermediar transações financeiras e proteger as economias das pessoas.

No entanto, essa imagem do banco do passado deixou de existir há muito tempo. Com o passar dos anos, os capitalistas perceberam que podiam ganhar dinheiro não apenas aumentando a produtividade dos seus trabalhadores, mas utilizando o dinheiro depositado nos bancos para realizar mais investimentos de grande proporção, através de empréstimos. Igualmente, os banqueiros perceberam que poderiam não somente realizar suas antigas funções, mas emprestar dinheiro a juros (tanto aos grandes, como aos pequenos proprietários), transformando dinheiro em mais dinheiro. Assim, o capital financeiro foi se aproximando do capital produtivo de modo cada vez mais profundo, até se transformarem em uma só coisa.

É por esse motivo que hoje os patrões sempre recorrem aos bancos para tomar cada vez mais dinheiro e, assim, otimizarem seu processo produtivo. É também por isso que os bancos, como precisam cada vez mais de dinheiro para financiar toda a economia, estão sempre buscando maneiras de, com dinheiro, produzir mais dinheiro através de altas tarifas e cobranças de serviços; além de redução de gastos com salários de funcionários.

Esta é a razão pela qual os bancos sempre são os que se dão bem, na relação com a população e os bancários. Enquanto a população sofre com as pesadas tarifas, com as longas filas e com o péssimo atendimento; os bancários sofrem com os baixos salários, o ritmo de trabalho intenso e uma violenta pressão por metas. Os bancários são obrigados a cobrar tarifas e vender produtos aos clientes (quando estes muitas vezes sequer precisam), para aumentar o lucro do banco. Da mesma forma, o banco investe em automação e intensifica a exploração sobre o bancário para que não seja necessário contratar mais trabalhadores. Como o objetivo é sempre cada vez mais bater metas de vendas e reduzir os gastos em salários, cliente e bancário sofrem mutuamente: faltam trabalhadores para atender com qua lidade e sobram cobranças de serviços e tarifas para os clientes; enquanto que a corrida pelo lucro impõe cada vez mais exploração do bancário no cumprimento dessas metas, ou seja, no trabalho de extorsão e agiotagem da população.

Não há, portanto, nenhum compromisso dos bancos com a população trabalhadora em geral, nem com os bancários em particular. Ambos são, para os banqueiros, meros instrumentos de obtenção de capital. Os interesses desses parasitas estão sempre voltados para a ampliação de sua acumulação financeira, que servirá para financiar toda a economia capitalista e para a alavancagem de seus próprios lucros.


O poder econômico dos bancos e a submissão de Dilma

Com o desenvolvimento do capitalismo, o setor financeiro fundiu-se com o setor produtivo e adquiriu poderes para controlar toda a economia, mas não se limitou a isso. Visando a garantir as condições para seguir com este controle inalterado, os bancos passaram também a influenciar diretamente na política, financiando partidos e candidatos que aspiram chegar ao poder pelas eleições, de modo que estes fiquem comprometidos a implementar políticas que possibilitem a ampliação dos lucros dos banqueiros.

Como é o poder econômico que define o resultado das eleições não é raro que seja o setor financeiro o responsável por determinar as políticas dos governos. Foi assim com FHC e também com Lula. Em 2008, para salvar os banqueiros da crise econômica, Lula decretou um pacote de socorro financeiro aos bancos, expresso principalmente na transferência de recursos e numa lei (Medida Provisória 443) que deu liberdade aos principais bancos estatais (Caixa e Banco do Brasil) para comprar ações podres das instituições financeiras que estavam à beira da bancarrota. Isto foi o que possibilitou a utilização de dinheiro público para salvar o Banco Votorantim e o Panamericano. À época, Lula liberou mais de 160 bilhões ao sistema financeiro, transformando o PROER de FHC (que custou mais de 20 bilhões) numa verdadeira bagatela. Além disso, segundo dados do próprio Banco Central, as 100 maiores instituições financeiras do país acumularam lucros de aproximadamente 128 bilhões entre 2003 a 2009.

Com Dilma, nada se modificou. Durante sua campanha eleitoral, Dilma recebeu aproximadamente 10 milhões de reais (valores declarados) do setor financeiro. Esta parece ser uma cifra gigantesca para nós trabalhadores, mas, na verdade, foi um investimento muito rentável dos banqueiros. Somente no primeiro semestre de 2011, os cinco maiores bancos do país lucraram mais de 21 bilhões de reais. Se esta média de lucratividade se mantiver, ao final do governo Dilma esses bancos lucrarão mais de 170 bilhões, ou seja, 25% a mais do que praticamente todos os bancos do país lucraram durante o governo Lula.


Por que a estatização do sistema financeiro é uma necessidade

Não é somente o lucro dos bancos que aparece como resultado da submissão dos governos à burguesia financeira. A própria natureza do sistema financeiro se mostra na medida do seu caráter privado.

Quando um governo (como o do PT) opta por não se enfrentar com o setor financeiro, mas, ao contrário, busca integrar-se a ele, o que acaba ocorrendo é que os bancos públicos, que poderiam cumprir outro papel na sociedade, mergulham de cabeça na ciranda de exploração dos bancários e extorsão da população.

Como o sistema financeiro privado é um verdadeiro campo de guerra entre capitalistas que buscam ganhar o mercado do concorrente e como os bancos privados têm total liberdade para realizar as ações mais ofensivas, os bancos públicos terminam também se sentindo obrigados a fazer o mesmo, sob pena de “perderem espaço” em razão da feroz concorrência sobre os clientes. Esta é a razão pela qual a Caixa Econômica Federal, o Banco do Brasil e demais bancos públicos cada vez mais se transformam em bancos de mercado, que reproduzem uma lógica crescente de mais exploração sobre o trabalhador bancário; e mais pilhagem da população através da cobrança de taxas, juros e serviços. Esses bancos públicos, que poderiam estar a serviço de políticas voltadas para a classe trabalhadora e para a maioria da população, simplesmente não podem fazê-lo, pois o ritmo de suas operações e o caráter dos seus negócios é determinado pela concorrência na qual estão inseridos dentro do sistema financeiro.

Por isso que estatizar o sistema financeiro e colocá-lo sob controle social dos trabalhadores não é um delírio, mas uma necessidade urgente. Esta é a mais importante luta no que toca o combate ao alto grau de exploração, ao assédio moral, à pressão por metas e ao adoecimento entre os bancários. É também a única reivindicação séria no que tange a luta contra as taxas, tarifas e juros abusivos.

A estatização do sistema financeiro deveria, portanto, encabeçar a pauta de reivindicação da categoria, tanto pela necessidade dos bancários, quanto pela sua importância no que se refere às demandas e objetivos sociais. Mas, para isso é preciso muita luta para enfrentar os banqueiros e os governos.


O papel de colaboração da CUT no movimento

Além de lutar contra os banqueiros e o governo, os bancários nos últimos anos têm sido obrigados a enfrentar mais inimigo: as direções sindicais governistas, que insistem em não levar adiante a luta pelas reivindicações dos trabalhadores, em nome da defesa de Dilma Roussef.

A CONTRAF/CUT, Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (ligada à Central Única dos Trabalhadores), não só tem total ciência da realidade vivida pelos bancários e pela população, mas elabora estudos que demonstram a dinâmica crescente de lucros dos bancos e da exploração sofrida pela categoria. A CONTRAF/CUT, que dirige mais de 90% dos sindicatos de bancários do país, poderia, sem maiores problemas, organizar a categoria nacionalmente ao redor de reivindicações importantes como a reposição de perdas da categoria, a estatização do sistema financeiro, a estabilidade no emprego, etc., inclusive articulando com outros sindicatos e categorias (empregados dos Correios, petroleiros, trabalhadores dos Institutos Federais, etc.) que agora também agora se colocam em luta contra a polí tica do governo Dilma.

Entretanto, o governismo da CUT os impede de se chocar com Dilma, e, na medida em que a política do governo está em consonância com as aspirações dos banqueiros, as mobilizações da categoria passam a ser mediadas, limitadas pelo interesse da direção em preservar o governo que apóiam politicamente. Isto faz com que, na prática, uma organização de trabalhadores que deveria ser independente sirva de escudo do governo, e, conseqüentemente, dos banqueiros; justamente num momento em que os trabalhadores bancários estão em luta.

Isso tem se expressado, por exemplo, na postura do Sindicato dos Bancários de São Paulo (o maior do país), que é ligado à CUT e sequer chamou assembléia para definir a pauta de reivindicações da categoria. O Sindicato simplesmente determinou que a reivindicação salarial dos trabalhadores consistiria num índice de 12,8% a ser negociado numa Mesa Única da FENABAN, quando as perdas da categoria já somam cerca de 26% no setor privado, 86% no Banco do Brasil, 98% na Caixa e 107% no BNB!

Além disso, o Governo Dilma tem assumido uma postura truculenta com relação aos grevistas. A exemplo do que está ocorrendo em outras greves de categorias nacionais, o governo tenta de todas as formas criminalizar a luta dos trabalhadores, seja utilizando de instrumentos da justiça burguesa (como o interdito proibitório) para desmontar a greve, seja sinalizando que irá impor o desconto dos dias parados, como é o caso do Banco do Brasil. Os sindicatos ligados à CUT, mesmo diante desse fato, têm se negado a denunciar o governo Dilma e há o risco de se reeditar episódios como o recente acordo fechado no TST entre o governo e a federação cutista dos trabalhadores dos Correios (FENTECT/CUT), no qual a representação da categoria aceitou defender em assembléia uma proposta que aceita o desconto do s dias de paralisação.


MNOB/CSP-Conlutas defende a ampliação da greve e unificação das lutas

Desde 2004, a luta nacional dos bancários construiu o MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária, hoje vinculado à CSP-Conlutas), que surgiu como uma necessidade de organização para fazer frente à política de colaboração com os banqueiros e o governo, por parte da direção majoritária da categoria, a CONTRAF/CUT.

Neste ano, no mês de julho, o MNOB/CSP-Conlutas – juntamente com os sindicatos de Bauru, Maranhão, Rio Grande do Norte e diversas oposições – realizou um Encontro Nacional que construiu uma pauta de reivindicações e definiu uma atuação para a Campanha Salarial, exigindo, entre outras coisas, 26% de reajuste para toda a categoria, negociações específicas com os bancos públicos pela reposição integral das perdas, jornada de 6h para todos sem redução de salário, fim das metas e do assédio moral, democracia nas assembléias, eleição de comando de negociação na base, etc.

Evidente que a luta por essas reivindicações não é fácil, uma vez que esbarra na truculência dos banqueiros e do governo, no governismo da CUT e na necessidade de fortes mobilizações. Entretanto, mesmo com todos os entraves, os bancários estão construindo uma greve com forte nível de paralisação e que já foi capaz de conquistar importantes avanços. A greve obrigou o BANPARÁ a apresentar uma proposta de reajuste de 10%, concessão de cinco dias de licença-prêmio e anistia dos dias parados. O BRB (Banco Regional de Brasília) também avançou para uma proposta de 17,45% sobre o piso salarial e 24,17% de reajuste na função de caixa. Considerando que esses bancos regionais não possuem os mesmos níveis de lucratividade dos gigantes do sistema financeiro, fica muito evidente que é possíve l conquistar todas as reivindicações da categoria.

Por isso que este é o momento de intensificar e ampliar a greve dos bancários, além de unificar as lutas com as demais categorias em greve ou que irão iniciar processos de mobilização. Bancários, trabalhadores dos Institutos Federais, dos Correios, petroleiros, etc., unificados em luta, podem desencadear ações mais incisivas que não apenas possibilitem a conquista das reivindicações imediatas dessas categorias, mas, sobretudo, a tirada de conclusões políticas por parte de um setor importante da classe trabalhadora, em relação à necessidade de enfrentar os patrões, os governos e a dinâmica exploratória da sociedade capitalista.

sábado, 1 de outubro de 2011

Bancários: para arrancar uma boa proposta é preciso manter e ampliar a greve

A greve da categoria bancária está crescendo em todo o país. No 4º dia de paralisação já são cerca de 7700 agencias paradas nacionalmente. Os bancos, e em especial o BB estão praticando o assédio e uma política antisindical, como interdito proibitório e contingência. Mesmo assim a greve é forte em todo o país e se amplia diariamente.


BRB e Banpará

O BRB (Banco Regional de Brasília) fez uma proposta, que concede dentre outros o índice de 17,45% sobre o salário base e 24,17% sobre a gratificação de caixa. A proposta foi aceita pelos seus funcionários.

O Banpará também apresentou proposta, aprovada ontem em assembléia, de 10% sobre as verbas salariais, anistia dos dias parados e LICENÇA PRÊMIO de 5 dias, além dos 5 abonos anuais. Negociação específica no BB e CEF, já!

Por enquanto não há notícias de negociações com a Fenaban. No BRB e no Banpará, que têm um lucros bem inferior aos outros, a luta mostra que os bancos têm condições de ceder um reajuste digno para todos os bancários. A Contraf-CUT deve buscar negociar as questões específicas com o BB e a CEF desde já.


Vitória na justiça no RJ – O sindicato de SP deve entrar com ação também

O Sindicato dos Bancários do Rio obteve duas vitórias importantes: a inconstitucionalidade do desconto dos dias parados e a derrubada do interdito proibitório. O MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária) está pressionando e apresentando proposta nas assembléias para que os sindicatos do Brasil inteiro também ingressem com as ações.


Unidade de bancários, carteiros e funcionalismo em greve

Infelizmente o banqueiro que mais trabalha contra a greve e as nossas reivindicações é o governo, através do Banco do Brasil. Foi o primeiro a recorrer ao interdito proibitório e faz assédio moral chantageando com o desconto dos dias parados. Para fazer frente às práticas antisindicais é preciso recorrer à unidade dos trabalhadores.

Ontem, o Ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, funcionário do BB e ex-sindicalista, disse à impressa que os trabalhadores dos Correios, em greve há 15 dias, eram intransigentes por não aceitar o desconto dos dias parados. Sabemos que a intransigência é do governo que se nega a respeitar o artigo 9º da Constituição.

Temos que unir os trabalhadores em greve para obrigar o governo Dilma a reconhecer o direito de greve, transformando o discurso em prática: “Se o Brasil cresceu, os trabalhadores querem o seu”.


Retirado do Site do PSTU

Ato unifica bancários, trabalhadores dos Correios e servidores da Justiça em greve

Manifestação reunião 4 mil trabalhadores em greve no centro de São Paulo; bancários e funcionários dos Correios enfrentam intransigência e truculência do governo


Diego Cruz
Detalhe do ato unificado em São Paulo
Uma grande manifestação agitou o centro da capital paulista, na tarde desse dia 30 de setembro. Apesar do tempo seco e do forte calor, o ato reuniu cerca de 4 mil pessoas. O protesto reuniu três categorias em greve: trabalhadores dos Correios, bancários e servidores da Justiça Federal. Os funcionários da estatal de serviços postais estão parados desde o dia 13 de setembro. Já os bancários cruzaram os braços no dia 27 e os servidores do judiciário decidiram parar nesse dia 30.


Ombro a ombro

Os trabalhadores dos Correios se concentraram em frente ao prédio histórico da empresa no vale do Anhangabaú. A poucos metros dali, os bancários se reuniam próximo ao prédio do Banco do Brasil. Por volta das 16h os funcionários dos Correios e os servidores do Judiciário subiram em direção à Av. Líbero Badaró e se juntaram aos bancários. Duas ondas humanas, uma amarelo e azul, dos uniformes dos Correios, e outra vermelha, dos coletes de greve dos bancários, se misturaram para seguirem em uma grande passeata pelas ruas do centro. “A greve continua; Dilma a culpa é sua” era uma das principais palavras de ordem cantadas pelos manifestantes. Os grevistas seguiram em passeata até a Praça da Sé e retornaram ao Anhangabaú.

Se as categorias são diferentes, o motivo pelo qual lutam é o mesmo. Salários rebaixados e corroídos pela inflação e péssimas condições de trabalho. Outro obstáculo que são obrigados a enfrentar é a intransigência nas negociações. No caso dos Correios, o governo orientou o corte nos pontos dos grevistas e entrou na Justiça contra a greve. Já os bancários enfrentam os ‘interditos proibitórios’ pedidos pela direção dos bancos públicos, que estão à frente dos banqueiros privados no enfrentamento contra a greve.

Foto: Vinicius Psoa



Governo corta salário nos Correios

Apesar das sucessivas tentativas de intimidação realizadas pelo governo e a direção da estatal, a greve continua forte. “Nesse dia 29 houve novas negociações, dois mil companheiros de Brasília ocuparam o prédio dos Correios, mas não se chegou a um acordo porque a empresa só reafirmou a proposta que já vinha fazendo”, afirmou Geraldo Rodrigues, o Geraldinho, dirigente da Frente Nacional dos Trabalhadores dos Correios (FNTC) e da CSP-Conlutas. A proposta da empresa prevê reajuste apenas em 2012.

O dirigente ainda criticou o desconto dos dias parados. “É uma atitude truculenta, o governo não respeitou nem os estados que ganharam liminar contra o desconto nos salários, algo que nunca tinha acontecido nos Correios” disse. O governo descontou seis dias dos trabalhadores em greve.

No próximo dia 4 de outubro os trabalhadores dos Correios organizam caravana a Brasília a fim de pressionar o governo pelo avanço nas negociações. Além de reajuste já e o não desconto dos dias parados, eles exigem o veto de Dilma à MP-532, que abre o capital da estatal e inicia o processo de privatização da empresa.




Bancários fazem forte greve

Se os funcionários dos Correios enfrentam o corte nos dias parados, os bancários batem de frente com a intransigência dos bancos, principalmente os bancos públicos como o Banco do Brasil, e os interditos proibitórios, mecanismos jurídicos utilizados pelas instituições para coibirem piquetes. Nessa linha de intransigência e truculência, o governo saiu na frente dos banqueiros.

“Antes mesmo de começar a greve, o governo já vinha com uma linha mais dura, se antecipando aos próprios banqueiros o governo já começou dizendo que não daria reajuste”, denuncia Juliana de Oliveira, bancária do Banco do Brasil e membro do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), ligado à CSP-Conlutas. Eles exigem reajuste e contratação de mais funcionários.

Juliana critica ainda a direção majoritária dos sindicatos, ligada à CUT que, não só demorou para chamar a greve, como apresentou uma pauta de reivindicação extremamente rebaixada. “Nossa greve começou esse ano mais forte que a do ano passado, mas ela poderia ser ainda maior” , destacou. Juliana lembrou ainda das conquistas dos bancários de bancos como o Banpará e o BRB para mostrar que é possível arrancar o reajuste, ampliando a greve e unificando as lutas com as das demais categorias mobilizadas.



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  • Editorial do Opinião Socialista: Lutemos juntos contra os banqueiros


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 29 de setembro de 2011

    Greve nacional dos bancários já acontece em 25 estados e no Distrito Federal

    A greve nacional dos bancários, deflagrada nesta terça-feira, dia 27, começou com força em todo país. Segundo levantamento da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), que coordena o Comando Nacional dos Bancários, a paralisação já acontece em 25 estados e no Distrito Federal, paralisando agências de bancos públicos e privados.

    O único estado sem greve é Roraima, onde ocorre assembleia dos bancários no início da noite desta terça-feira para decidir a adesão ao movimento.

    Os bancários se cansaram de ver os banqueiros lucrarem bilhões e depois chorar migalhas na mesa de negociação. A greve foi deflagrada após a quinta rodada de negociações com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), ocorrida na última sexta-feira, dia 23, em São Paulo, quando foi recusada a segunda proposta de reajuste de 8% sobre os salários. Anteriormente, os bancos haviam oferecido reajuste de 7,8%.

    Os bancos obtiveram lucros acima de R$ 27,4 bilhões no primeiro semestre e têm plenas condições de atender as reivindicações da categoria, que está reivindicando reajuste de 12,8% (5% de ganho real mais a inflação do período), valorização do piso, maior participação nos lucros, mais contratações, fim da rotatividade, combate ao assédio moral, fim das metas abusivas, mais segurança, igualdade de oportunidades e inclusão bancária sem precarização, entre outros itens.


    Acordo no BRB é superior do foi reivindicado pela Contraf

    Tanto é assim que os banqueiros podem pagar as reivindicações, que no BRB o acordo foi de 17,45% de reajuste e aumento real, acima inclusive do que estava sendo pedido pela confederação da categoria.

    Os bancários do BRB (Banco Regional de Brasília) obtiveram uma primeira vitória na categoria ao conquistar 17,45% de reajuste. Um acordo superior ao que vinha sendo reivindicado pela confederação da categoria. A proposta será votada hoje em assembléias. Veja abaixo:

    a) Reajuste de 17,45% no Vencimento Padrão Inicial vigente em setembro/2010, com reflexos nos demais. O mesmo reajuste será aplicado sobre complemento pessoal de vencimento padrão, qüinqüênios, anuênios e demais vantagens pessoais. Em razão do BRB haver adiantado em março/2011 um reajuste de 3,85%, o BRB aplicará agora um reajuste adicional de 13,60%;

    b) Reajuste de 22,18% na Cesta Alimentação;

    c) Reajuste de 8,35% no Vale refeição, elevando tal verba para R$ 564,00;

    d) Reajuste de 24,17% na Gratificação de Caixa vigente em setembro/2010, elevando a mencionada Gratificação para R$ 1.117,53. O complemento pessoal da atividade de caixa também será reajustado no mesmo patamar;

    e) Os valores de referência e a tabela de funções serão corrigidos em 8,5%;

    f) Reajuste de 8,5% nas demais verbas salariais e sobre todos os benefícios, exceto o auxílio funeral, cujo valor ficará mantido em R$ 5.443,97; e,

    g) Redução da jornada em 1 hora para as mães, desde o sexto mês de nascimento até um ano, visando alongar e facilitar a amamentação.

    O Banco contrapropôs ainda a redução dos juros do cheque especial dos funcionários para 3,8% a. m., taxa ainda muito elevada.

    O Banco contrapropôs também a renovação da cláusula que regula a isenção de tarifas para os funcionários e aposentados do BRB.

    O Banco se comprometeu a discutir a implementação de uma solução para as 7ª e 8ª horas.

    O Banco também se comprometeu a implantar o novo PCCR sobre a base de remuneração atualizada pela presente negociação, com pagamento de um abono para indenizar ou compensar o atraso na referida implementação.


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  • Editorial do Opinião Socialista: Lutemos juntos contra os banqueiros


  • Banqueiros lucraram como nunca e bancários vão à luta



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    terça-feira, 27 de setembro de 2011

    Bancários entram em greve nacional nesta terça-feira, 27

    Na negociação ocorrida nesta sexta-feira, dia 23 de setembro, em São Paulo, a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos) em mesa única com os bancos públicos Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, apresentaram nova proposta de índice de reajuste de 8% sobre todas as verbas, uma elevação de apenas 0,2% em relação à proposta de 7,8%, que foi rejeitada em assembleias na última quinta-feira, dia 22, em todo o país.

    Este índice é muito aquém das perdas acumuladas dos bancários, de 98,62% na CEF, 86,68% no BB e 26% nos privados, constrastando com os recordes de lucros que, durante o governo Lula, alcançaram 500% (R$170 bilhões) e, neste primeiro semestre, chegaram a mais de R$ 27,4 bilhões, mostrando claramente que a crise internacional não afetou o setor.

    O governo tenta, através da direção do Banco do Brasil, ameaçar os bancários prometendo descontar os dias de greve. Mas a força da categoria, que vem fazendo greve desde 2003, começa a dividir o setor patronal mesmo antes da paralisação. O Banco de Brasília(BRB) apresentou contraproposta acima da última apresentada pela Fenaban: 10% sobre os VP's - vencimentos padrão (salário de ingresso e reflexo nos demais níveis) e mais 8% sobre todas as demais verbas salariais, garantindo ainda um "plus", acima do que vier a ser concedido pela Fenaban, na hipótese de fechamento de convenção com índice maior ou igual à contraproposta por ele apresentada.

    A tática da Articulação bancária (corrente ligada à CUT e ao PT) que dirige a Contraf/CUT (Confederação nacional dos bancários), de fazer uma campanha apagada para forçar um acordo sem greve, não surtiu efeito. Por isso os bancários sairão em greve a partir desta terça-feira, em todo o país.


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    quarta-feira, 21 de setembro de 2011

    Lutemos juntos contra os banqueiros

    Leia o editorial do Opinião Socialista nº 432


    CapaVocê, trabalhador, confia nos banqueiros? Provavelmente não. E com toda razão. Os banqueiros no Brasil são um dos setores mais odiados da classe dominante, por seus lucros enormes e sua insensibilidade.

    Mas mesmo as pessoas que têm claro o papel dos banqueiros vão se surpreender com o estudo que divulgamos nas páginas do Opinião Socialista, realizado a partir do estudo do Ilaese (Instituto LatinoAmericano de Estudos Socioeconômicos) sobre o tema.

    A imagem que se tem dos bancos (e que leva os banqueiros a serem odiados) é da instituição que recebe investimentos das pessoas, pagando pouco e emprestando a taxas de juros altíssimas.

    A taxa de juros no Brasil é a maior do mundo. E isso possibilita que os bancos tenham lucros de 112% ao ano! Ou seja, que permite os bancos dobrarem seus lucros a cada ano, há 16 anos seguidos.

    Esses lucros são retirados dos bolsos dos trabalhadores. Segundo o Banco Central, os trabalhadores com menor renda tinham 25,8% dos seus rendimentos comprometidos com o pagamento de dívidas no fim do ano passado, contra 21,7% de pessoas com maior poder aquisitivo. Ou seja, mais de um quarto da renda dos trabalhadores mais pobres está sendo entregue aos bancos, com uma boa parte deles através do empréstimo consignado. Este tipo de empréstimo impede que o trabalhador deixe de pagar suas dívidas, na medida em que o desconto é na folha de pagamentos.

    Mas hoje o papel dos bancos vai muito além dos empréstimos individuais. Através de sua relação com o Estado e a dívida pública, os bancos conseguem lucros fabulosos, sem nenhum risco. Ganharam R$ 146 bilhões de reais só em 2010 com a dívida do Estado. Foi entregue aos bancos no ano passado cerca de 10% do orçamento federal, ou seja, todos os impostos e taxas arrecadadas no país. Isso significa cortes do orçamento nos serviços sociais, como saúde e educação.

    Os banqueiros sugam 25% da renda dos trabalhadores e 10% de todo o orçamento. Os trabalhadores perdem duplamente, ao terem cortado seus salários para pagar dívidas aos banqueiros, e verem os hospitais e escolas públicos cada vez mais sucateados.
    São esses mesmos banqueiros que dobraram seus lucros, mais uma vez, em um ano. Agora, na campanha salarial dos bancários, dizem não ter dinheiro para dar aumentos reais.

    Os bancários sabem que os banqueiros são seus inimigos. E você, trabalhador endividado, tem todos os motivos do mundo também para odiar os banqueiros.


    Por que Dilma é apoiada pelos banqueiros?

    Mas sobra uma pergunta no ar. Como pode ser que a maioria dos trabalhadores, que está contra os banqueiros, continuar apoiando o governo Dilma? Essa é uma pergunta importante, pois é um fato incontestável que Dilma continua sendo apoiada pela maioria dos trabalhadores.

    Por outro lado, também é fato o apoio dos banqueiros ao governo Dilma. E isso não é por acaso. A taxa de juros foi mantida como a maior do mundo, tanto nos governos de FHC como o de Lula. Os bancos lucraram muito mais nos dois governos Lula do que durante os dois governos de FHC. E nunca ganharam tanto com a dívida pública como agora, nos governos do PT.

    Essa é a razão dos banqueiros apoiarem a candidatura de Dilma, em 2010, “doando” mais dinheiro a sua campanha do que deram para o tucano José Serra. É verdade que os governos do PSDB eram os "governos dos banqueiros". Mas após a experiência com o PT no governo, os banqueiros ficaram muito satisfeitos. Não só ganharam mais dinheiro do que nunca, como também conseguem ter um partido – o PT - que governa para os banqueiros, mas tem o apoio dos trabalhadores. Isso eles nunca conseguiram com o PSDB.

    Será que os banqueiros estarão completamente enganados? Ou será que os enganados são os trabalhadores que confiam no governo Dilma, aliada dos banqueiros?

    Queremos que você trabalhador bancário, que está em campanha salarial, e você trabalhador endividado estejam unidos neste momento contra os banqueiros. Unidos no apoio ás lutas de todos os trabalhadores em campanha salarial. Unidos também na exigência a presidente Dilma para que mude a política econômica e estatize os bancos. Para baixar os juros, rompa com o pagamento da dívida pública e destine esse dinheiro em projetos realmente importantes para os trabalhadores.




    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 10 de setembro de 2011

    Banqueiros lucram como nunca e categoria vai à luta por direitos

    A palavra de ordem “O lucro do banco cresceu agora eu quero o meu”, sintetiza a política do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB), ligado à CSP-Conlutas, na campanha salarial 2011 cuja data base é 1° de setembro.

    Nesta campanha os bancários enfrentam o arrocho salarial, o crescimento inflacionário, o ritmo alucinante da jornada de trabalho, o endividamento, reflexos diretos da política econômica do governo, que privilegia o setor financeiro e ataca os trabalhadores e a maioria do povo.

    Dilma e os banqueiros ameaçam a categoria com a crise internacional para tentar impor o arrocho salarial e anunciando também que as estatais não deverão conceder “aumento real”. Mas não existe crise hoje no Brasil, com os bancos (incluindo os públicos) tendo lucros altíssimos. É fato que a categoria está atenta ao desenrolar da crise econômica mundial, mas não vão abrir mão de salários e mais direitos.

    O sistema financeiro obteve 500% de lucratividade nos dois mandatos de Lula (de R$ 34 bilhões, nos dois governos de FHC, para R$ 170 bilhões nos de Lula) enquanto a categoria obteve 56% de reajuste. Os bancários percebem a realidade de crescimento econômico e dos altíssimos lucros dos bancos e tem feito fortes movimentos grevistas nos últimos anos.

    Neste 1° semestre, todos os bancos continuam a bater recordes. O Bradesco anunciou R$ 5,4 bilhões de lucro superando em 21,7% do mesmo período do ano passado. O Banco do Brasil, R$6,2 bilhões, a Caixa Econômica Federal R$1,7 bilhões, o Itaú Unibanco R$ 7,1 bilhões e o Santander R$ 4,1 bilhões (25% do seu lucro mundial). E esta tendência se mantém. O crédito bancário subiu para R$ 1,85 trilhão, diz o Banco Central, com um volume total atingindo 47,3% do PIB. Estes dados se contrastam com as perdas de 98,62% na Caixa Econômica Federal, 86,68% no Banco do Brasil e 26% nos privados e um piso de R$ 1.140,00 nos privados e R$1.600,00 nos públicos.


    Reivindicações

    Os salários precisam ser valorizados com a reposição das perdas, piso do Dieese e PLR (Participação dos Lucros e Resultados) de 25% dos lucros linear para todos.

    Outro aspecto da campanha é o combate ao assédio moral. O ritmo e a pressão por metas são generalizados, tornando os problemas psíquicos juntamente com a LER-DORT, as principais doenças profissionais na categoria.

    As pautas específicas também serão parte fundamental da campanha: a luta por 6 horas e o PCS (Plano de Cargos e Salários) no Banco do Brasil, a isonomia de direitos na Caixa Econômica Federal e a estabilidade nos bancos privados que vêem seus empregados sumirem por conta das fusões e dos cortes administrativos.


    Contra o governismo

    Infelizmente, a postura do Planalto Central não deve mudar o apoio irrestrito da Confederação dos Bancários –Contraf-CUT, ao governo. Ao rebaixar a reivindicação em 12% de reposição (inflação e “aumento real”) e não ter mobilizado a categoria até agora sinalizam que vão buscar saídas com proposta rebaixada e algum “avanço” que não implique em grandes custos para os bancos e o governo.

    Por isso, a intervenção do MNOB, é lutar contra a política dos sindicalistas governistas que querem convencer os trabalhadores a rebaixar suas expectativas. Vamos exigir destas direções que rompam com o governo Dilma e lutem contra os patrões e o governo em defesa das reivindicações dos trabalhadores.


    Calendário de mobilização

    Definidas as rodadas de negociações (30 e 31/08 – emprego e reivindicações sociais; 5 e 6/09 – saúde e condições de trabalho e 13/09 – remuneração), o MNOB está defendendo o seguinte calendário de mobilização da campanha:

  • Manifestações nos locais de trabalho nos dias de negociações;

  • Reuniões nos locais de trabalho durante as próximas semanas;

  • 13/09 – Dia de luta;

  • 14/09 – Assembléia (onde os sindicatos não convocarem o MNOB realizará plenárias);

  • 15/09 – Paralisações e/ou greve de 24 horas;

  • 20/09 – Assembléias de deflagração de greve;

  • 21/09 – Data indicativa de greve.


  • Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 15 de agosto de 2011

    Presidente do SEEB-MA, David Sá Barros, falece na madrugada deste domingo

    O velório está sendo realizado, na Sede do Sindicato, na Rua do Sol, Centro. O enterro ocorre às 16h, no cemitério do Gavião.


    É com profundo pesar que comunico o falecimento do Presidente do Sindicato dos Bancários do Maranhão ew funcionário do Banco do Brasil, David Sá Barros, por um enfarto fulminante nesta madrugada, em São Luiz (MA). Além de rara habilidade política, tratava as pessoas com atenção e tranquilidade que o faziam querido até pelos adversários políticos. Aos familiares, em primeiro lugar, nossos pêsames pela perda irreparável.

    O movimento sindical perde uma das suas melhores expressões, num momento em que as lideranças estão se vendendo. Na próxima terça, David iria a Brasília entregar com outros bancários de luta a pauta de reivindicações da CSP-Conlutas ao Banco do Brasil.

    David e outros companheiros do SEEB Maranhão foram os responsáveis por uma das mais importantes batalhas na luta pela retomada do movimento sindical autêntico, patrocinando a desfiliação do Sindicato da CUT, que já foi uma central sindical autônoma e independente, e tragicamente foi domesticada e anulada com a chegada de Lula ao governo, continuando com Dilma a subserviência fisiológica ao projeto de controle social dos trabalhadores. Foi um pioneiro nessa nova etapa da luta sindical.

    Tinha o dom de escrever, cada vez mais raro no movimento sindical, tanto pela incipiência da formação como na cada vez maior verticalização do pensamento, que fica restrito aos capas-pretas das correntes. Sua contribuição ao movimento merece ser lembrada para sempre. À figura humana e liderança política, o nosso respeito e a mais sincera homenagem à obra da sua vida.

    Uma grande perda para todos nós.

    O PSTU do Rio Grande do Norte lamenta profundamente a perda de mais este companheiro das nossas fileiras. David era um lutador da nossa classe, portanto, um dos nossos. Enviamos nossos sentimentos, condolências e solidariedade à família e a todos do Sindicato dos Bancários do Maranhão.

    Camarada David, presente!


    Com informações do Blog do Branquinho

    terça-feira, 17 de maio de 2011

    Caixa e Governo Dilma atacam trabalhadores e organização sindical no RN

    CAIXA descomissiona funcionários sem justa causa e parte para ofensiva nas filiais


    Com apenas cinco meses de Governo Dilma e com menos de dois após a posse do novo presidente (Jorge Hereda), a Caixa já mostrou que não está para brincadeira. Na última sexta-feira (13/05) a empresa enviou um comunicado aos empregados que ainda resistem nas áreas que foram alvo do processo de reestruturação das filiais, informando que a partir daquele momento estariam dispensados sumariamente de suas funções, sem sequer haver o julgamento final da ação movida pelo Sindicato.

    Além do absurdo de descomissionar esses trabalhadores, a Caixa – através da sua representação de gestão de pessoas – deram um prazo até o fim da própria sexta feira, 20/05, para que esses mesmos empregados informassem três agências para onde se “interessariam” em trabalhar.

    Deixando claro que não está para brincadeira, a Caixa afronta inclusive a CLT, uma vez que o comunicado de dispensa da função e solicitação de remoção para outra unidade também foi recebido pelo diretor do Sindicato, Juary Chagas – que pela lei tem direito à irremovibilidade.

    Este é o modo como o Governo Dilma e a direção da Caixa trata os trabalhadores. Além de tratar os empregados como coisas, mudando-os de local ao bel prazer, o que estamos vendo aqui é uma ofensiva contra a organização da nossa classe. A Caixa está descomissionando trabalhadores que deram suas vidas pela empresa e, ao mesmo tempo, aproveitando-se disso para obstacular o trabalho sindical daqueles que organizam a luta. Mas, engana-se a Caixa se estiver acreditando que com isso iremos recuar. Vamos agir juridicamente e politicamente para defender os trabalhadores afetados e o direito de organização sindical da categoria”, finalizou Juary.


    Veja na íntegra a notificação da Caixa

    De: RSGPERE - RSN Gestão de Pessoas Recife/PE.
    Enviada em: sexta-feira, 13 de maio de 2011 12:21
    Para: Juary Luis Chagas
    Cc: GERET02 - Provimento e Movimentação; SR2640RN01 - Gerência Administrativa; Shirley Anne de Lima Regueira
    Assunto: Notificação - Empregado Juary Luis Chagas


    Ao Empregado Juary Luis Chagas


    Prezado Empregado,


    1 Informamos que foi publicada, em 24/03/2011, a decisão do E. TRT da 21ª Região, através do Acórdão relativo à Reestruturação 2010, modificando o status quo, então vigente e que possibilita a aplicação in totum das normas atinentes à Reestruturação da CAIXA.

    1.1 Assim, diante da necessidade de regularização da situação apresentada, informamos que V.Sa. será dispensado do Cargo em Comissão/Função Gratificada ora designado, com data de 14/05/2011, ou seja, o último dia de exercício será o dia 13.05.2011.

    1.2 Esclarecemos que será aplicada a norma de asseguramento constante no item 3.15.10 do MN RH 184, uma vez que a dispensa ocorrerá por motivo de alteração na estrutura organizacional.

    1.3 Solicitamos a V. Sa manifestar interesse por até três agências da CAIXA na cidade de Natal, até às 18 horas de hoje, 13/05/2011, para adotarmos as providências de realocação.


    2 Colocamo-nos à disposição para quaisquer esclarecimentos julgados necessários.


    Atenciosamente,


    Shirley Regueira
    Gerente
    RSN Gestão de Pessoas Recife

    quarta-feira, 27 de abril de 2011

    A financerização da burocracia sindical no Brasil

    Aproximam-se as eleições para o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Trata-se, não apenas do maior sindicato da categoria do país, e isso já bastaria para que o pleito atraísse a atenção de todo o movimento sindical brasileiro. Mas essa eleição também tem um alcance maior que deve ser levado em consideração: o de definir os rumos de uma entidade que cumpre atualmente um papel estratégico na ordem política atual.

    Afinal, desde a eleição de Lula da Silva, em 2002, a relação do sindicalismo brasileiro com o aparelho de Estado modificou-se radicalmente. Nunca é demais rememorar alguns fatos. Em primeiro lugar, a administração de Lula da Silva preencheu aproximadamente metade dos cargos superiores de direção e assessoramento – cerca de 1.300 vagas, no total – com sindicalistas que passaram a controlar um orçamento anual superior a R$ 200 bilhões. Além disso, posições estratégicas relativas aos fundos de pensão das empresas estatais foram ocupadas por dirigentes sindicais. Vários destes assumiram cargos de grande prestígio em companhias estatais – como, por exemplo, a Petrobrás e Furnas Centrais Elétricas –, além de integrarem o conselho administrativo do BNDES. O governo Lula promoveu, ainda, uma reforma sindical que oficializou as centrais sindicais brasileiras, aumentando o imposto sindical e transferindo anualmente cerca de R$ 100 milhões para estas organizações.

    Tudo somado, o sindicalismo brasileiro elevou-se à condição de um ator estratégico no tocante ao investimento capitalista no país. Esta função, não totalmente inédita, mas substancialmente distinta daquela encontrada no período anterior, estimulou Francisco de Oliveira a apresentar, ainda no início do primeiro governo de Lula da Silva, sua hipótese acerca do surgimento de uma “nova classe” social baseada na articulação da camada mais elevada de administradores de fundos de previdência complementar com a elite da burocracia sindical participante dos conselhos de administração desses mesmos fundos.

    Na opinião de Oliveira, a aproximação entre “técnicos e economistas doublés de banqueiros” e “trabalhadores transformados em operadores de fundos de previdência” serviria para explicar as convergências programáticas entre o PT e o PSDB e compreender, em última instância, o aparente paradoxo de um início de mandato petista que, nitidamente subssumido ao domínio do capital financeiro, conservou o essencial da política econômica estruturada pelos tucanos em torno do regime de metas de inflação, do câmbio flutuante e do superávit primário nas contas públicas.

    Ao mesmo tempo em que Oliveira avançava a tese da “nova classe”, apresentamos a hipótese de que o vínculo orgânico “transformista” da alta burocracia sindical com os fundos de pensão poderia não ser suficiente para gerar uma “nova classe”, mas seguramente pavimentaria o caminho sem volta do “novo sindicalismo” na direção do regime de acumulação financeiro globalizado. Apostávamos que essa via liquidaria completamente qualquer possibilidade de retomada da defesa, por parte desta burocracia, dos interesses históricos das classes subalternas brasileiras. Chamamos esse processo de “financeirização da burocracia sindical”.

    Assim como várias análises críticas do governo do Partido dos Trabalhadores o problema da hipótese da “nova classe” era explicar como se chegou até esse ponto. Não foram poucos os analistas que acreditaram que a Carta ao Povo Brasileiro, na qual Lula da Silva garantia a segurança dos operadores financeiros, teria modificado de modo radical o curso seguido até então pelo PT e mesmo pelo seu candidato. A hipótese da “financeirização da burocracia sindical” enfrentava esse problema e localizava sua origem em uma burocracia sindical presente no partido desde seus primeiros passos no ABC paulista e que ao longo dos anos 1990 associou-se gradativamente ao capital financeiro. A trajetória do PT só surpreendeu quem não quis ver ou ouvir.

    A história recente da burocracia do Sindicato dos Bancários de São Paulo é exemplar. Como muitas entidades filiadas à CUT, a dos bancários de São Paulo alinhou-se com a administração Lula da Silva e se transformou em porta-voz do governo na categoria. Em todas as situações nas quais os trabalhadores enfrentaram o governo, a diretoria dessa entidade procurou colocar-se na condição de amortecedor do conflito social, papel desempenhado pelos tradicionais pelegos sindicais. No jornal e nas revistas do Sindicato a propaganda do governo dá o tom. O “Sindicato cidadão” deu lugar ao “Sindicato chapa-branca”.

    Este não é, entretanto, um caso de simples adesismo. É possível dizer que a cúpula dos bancários de São Paulo foi o principal meio de ligação da aliança afiançada por Lula da Silva entre a burocracia sindical petista e o capital financeiro. Na verdade, como previmos, o cimento desse pacto foram os setores da burocracia sindical que se transformaram em gestores dos fundos de pensão e dos fundos salariais. O Sindicato dos Bancários de São Paulo forneceu os quadros políticos para essa operação. Enquanto os sindicalistas egressos das fileiras dos metalúrgicos do ABC ocupavam-se da política trabalhista e Luiz Marinho tomava assento no Ministério do Trabalho, os bancários de São Paulo voavam em direção ao mercado financeiro.

    Esse vôo era um desejo antigo. Gilmar Carneiro, presidente do sindicato entre 1988 e 1994, declarou quando ainda era diretor do Sindicato dos Bancários, que ao fim de seu mandato poderia ser diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro do qual havia sido funcionário. Seu sonho não foi realizado, mas logo a seguir, Carneiro transformou-se em diretor de um dos braços financeiros do Sindicato, a Cooperativa de Crédito dos Bancários de São Paulo. Seu predecessor Luiz Gushiken, presidente de 1985 a 1987, foi mais longe. No começo dos anos 2000, Gushiken mantinha a empresa Gushiken & Associados, juntamente com Wanderley José de Freitas e Augusto Tadeu Ferrari. Com a vitória de Lula da Silva a companhia mudou de nome e passou a se chamar Globalprev Consultores Associados. O ex-bancário retirou-se da empresa e coincidentemente esta passou, logo a seguir, a fazer lucrativos contratos com os fundos de pensão. Tornou-se, assim, eminência parda dos fundos de pensão estatais sendo decisivo para a indicação do comando do fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil, a Previ, da Petrobras, a Petros, e da Caixa Econômica Federal, a Funcef.

    O sucessor de Gushiken e Carneiro, Ricardo Berzoini, tem também sólidos laços com o sistema financeiro. Foi ele o promotor da reforma da previdência, que além de retirar direitos dos trabalhadores abriu o caminho para instituição da previdência complementar. Os fundos de pensão estatais e privados foram os grandes beneficiados por essa medida. Berzoini tem sido recompensado. Levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo em 2009 constatou que 43 diretores de fundos de pensão tem vínculos com partidos políticos, a maioria deles com o PT. Desses diretores 56% fizeram doações financeiras a candidatos nas últimas quatro eleições e o então presidente nacional do PT, Ricardo Berzoini, recebeu quase um terço delas.

    A conversão de dirigentes sindicais em gestores financeiros tem um caso exemplar: Sérgio Rosa. Este gestor começou sua carreira como funcionário do Banco do Brasil, integrando a diretoria do Sindicato dos Bancários de São Paulo na gestão de Luiz Gushiken. Em 1999, durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, Rosa assumiu um cargo de diretor da Previ, representando os funcionários do banco. Com a posse de Lula da Silva, passou à posição de presidente da Previ, comandando o maior fundo de pensão da América Latina e o 25º do mundo em patrimônio. Após o final de seu mandato assumiu o comando da Brasilprev, a empresa de previdência aberta do Banco do Brasil. Em janeiro de 2011, aos 50 anos, Rosa aderiu “programa de desligamento de executivos” do BB e se aposentou.

    A financeirização da burocracia sindical é um processo que divide fundamentalmente a classe trabalhadora e enfraquece a defesa de seus interesses históricos. Na condição de gestores dos fundos de pensão, o compromisso principal deste grupo é com a liquidez e a rentabilidade de seus ativos. Muitos têm argumentado que os fundos teriam um papel importante na seleção de investimentos ecologicamente sustentáveis e geradores de empregos. Pura enganação.

    Os fundos de pensão brasileiros têm atuado como uma linha estratégica do processo de fusões e aquisições de empresas no país e, consequentemente, estão financiando o processo de oligopolização econômica com efeitos sobre a intensificação dos ritmos de trabalho, o enfraquecimento do poder de negociação dos trabalhadores e o enxugamento dos setores administrativos. Isso sem mencionar sua crescente participação em projetos de infra-estrutura, como a usina de Belo Monte, uma das principais fontes de preocupação dos ambientalistas brasileiros.

    Tendo em vista a natureza semiperiférica de sua estrutura econômica, o Brasil apresenta importantes dificuldades relativas ao investimento de capital. A taxa de poupança privada é historicamente baixa e a solução para o investimento depende fundamentalmente do Estado. Os fundos de pensão atuam nesta linha, buscando equacionar a relativa carência de capital para investimentos. O curioso é que, no período atual, a poupança do trabalhador, administrada por burocratas sindicais oriundos do novo sindicalismo, está sendo usada para financiar o aumento da exploração do trabalho e da degradação ambiental.

    Por tudo isso, a atual eleição no Sindicato dos Bancários de São Paulo tem repercussões nacionais e efeitos amplos na vida política do país. Na realidade, o que está em questão é o processo de aprofundamento da financeirização da burocracia sindical cutista e a preservação de um dos pilares de sustentação dos governos petistas. Para a oposição de esquerda não são pois questões de tática sindical as que devem prevalecer e sim questões estratégicas, pois esta não é simplesmente mais uma eleição sindical; trata-se de uma escolha entre projetos político-estratégicos antagônicos que tem lugar em um Sindicato.


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 14 de outubro de 2010

    Greve dos bancários termina nesta quarta-feira com acordos rebaixados e puxada de tapete pela CUT

    Uma das maiores greves já realizada pela categoria bancária. Um cenário político propício com um segundo turno, a candidata do governo ameaçada nas urnas, o governo desesperado para acabar com a greve e um recorde nos lucros dos bancos.

    Todo este cenário daria a certeza de um bom acordo, um índice melhor, a isonomia ou a recuperação das perdas do Plano Real para a categoria bancária. Porém, entrou em cena o comando nacional da CUT, orientando o fim da greve e a aceitação da proposta.

    Para o membro do MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária) filiado à CSP –Conlutas, Wilson Ribeiro, o acordo feito representa uma perda de oportunidade para a categoria obter conquistas importantes. “A proposta foi apresentada de forma diferenciada entre os bancos. O MNOB, que sempre defendeu o fim da Mesa Única da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), considera que nesta campanha a CUT conseguiu o pior, pois manteve o que a Mesa Única tinha de ruim e não garantiu o que tinha de melhor no Acordo da Fenaban”, explica Ribeiro.

    Segundo o representante do MNOB, os 16,33% no piso da Fenaban deveriam ter sido aplicados nos bancos públicos, mas isso não foi garantido nas negociações. Por outro lado, os 7,5% foi o índice que serviu de parâmetro para se fechar os Acordos nos bancos públicos. “O MNOB orientou a rejeição da proposta e apresentação de uma contra-proposta de 16,33% no piso, com reflexo nos quadros de carreiras dos bancos e 12% sobre todas as verbas salariais. Infelizmente, a maioria das assembléias do país aprovou a proposta dos bancos e recuou da greve”, lamenta.


    Greve continua em alguns estados

    A paralisação dos bancários continuou no Banco do Brasil do Rio Grande do Sul e Ceará. A greve foi mantida também na Caixa Econômica Federal do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Amapá. No Basa (Banco da Amazônia) a greve também continua. Os sindicatos do Maranhão e Rio Grande do Norte e no interior de São Paulo em Bauru, rejeitaram a proposta, mas acataram a decisão da maioria do país e encerraram a greve.


    Indignação

    Wilson salienta que a greve não acabou porque os grevistas não queriam mais lutar. Segundo o representante do MNOB, ocorreu o contrário. Em todas as assembléias os grevistas ficaram indignados com a postura dos dirigentes sindicais que defendiam a proposta dos bancos. “A greve encerrou com a presença dos gerentes votando pelo fim do movimento”, avalia.

    Ele acrescenta ainda que os bancários terminam a campanha salarial com uma contradição: “A categoria do setor econômico que obteve o maior lucro termina com o menor reajuste. Enquanto metalúrgicos conseguiram 10,81% e petroleiros 9% os bancários saem com um índice de 7,5%!”, finaliza.


    Retirado do Site da CSP-Conlutas