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terça-feira, 27 de março de 2012

Torcida do Vasco dá aula de como combater o racismo

Torcida vascaína protesta contra o racismo
Na Europa, o agravamento da crise econômica tem levado a burguesia do velho continente a incitar o ódio contra a comunidade de imigrantes que vive neste continente, boa parte dela composta por negro(a)s provenientes do norte da África ou do mundo árabe. Para dividir nossa classe na luta contra os planos de austeridade e reverter a situação revolucionária a favor da burguesia, o imperialismo europeu reforça, conscientemente, a opressão racial no seio da classe trabalhadora.

Uma ideologia nefasta, com forte penetração entre os trabalhadores dos países centrais, que pode ganhar parte do proletariado europeu a crer que uma das causas dessa crise são as ondas migratórias dos países periféricos em direção à Europa. E pior, pode inculcar na cabeça dos nossos irmãos e irmãs de classe que a superação da crise pode se dá através da adoção de leis xenófobas contrárias à migração. Neste sentido, a unidade entre trabalhadores imigrantes e europeus tornou-se uma questão chave para derrotar os planos da Troika. Sem essa unidade, não há saída do ponto de vista do proletariado, para superar a crise.

Na ausência de uma alternativa revolucionária vitoriosa, a crise pode aumentar o ódio contra os imigrantes e negros, dando origem a novos governos burgueses conservadores ou abertamente de direita que chegam ao poder com um programa xenófobo.


Racismo nas arquibancadas e dentro das quatro linhas

Além disso, o racismo, enquanto uma ideologia que tem peso de massas (ora em repouso na cabeça de milhões, ora posta em movimento), não se restringe à eleição de governos ultraconservadores ou a mudanças no ordenamento jurídico. No esporte, onde o espírito de respeito, companheirismo e solidariedade deveria predominar em relação ao adversário, temos observado diversas manifestações racistas.

Os estádios de futebol têm sido palco de atos racistas deploráveis, que vão desde bananas jogadas por torcedores em direção à jogadores negros até gestos e sons que lembram os macacos. Atirar bananas nos jogadores negros foi um fato constante no futebol europeu nas décadas de 1970 e 1980. O ato foi praticamente erradicado nos últimos anos, junto com os cânticos racistas, mas voltaram a ocorrer recentemente, desde o início da crise, com vários casos no futebol espanhol e italiano.

São atitudes que humilham, desmoralizam, desestabilizam e, para usar a frase do zagueiro da seleção brasileira, Juan , “deixam sem chão” centenas de latinos e africanos que desfilam um belo futebol pelos gramados da Europa. Além do ex-jogador do Flamengo, passaram por situações como essa, Roberto Carlos, Roque Júnior e mais recentemente, Robinho e Neymar.


E nos estádios da América Latina...

Infelizmente, não é só na Europa que assistimos o aumento da escalada racista nos estádios de futebol. Parece que a onda preconceituosa ganhou eco aqui, do lado de cá do Atlântico. Na partida entre Vasco e Libertad pela Copa Libertadores da América, disputada em Assunción no Paraguai, Dedé e Renato Silva (zagueiros do Vasco) foram chamados de ‘macacos’ e cuspidos por torcedores do time paraguaio. Um ódio, transformado num ato de fúria e motivado, exclusivamente, pelo racismo.

Tudo poderia ter terminado por aí, como na maioria das vezes, sem nenhuma punição, com muita indignação por parte do time do Vasco e as vítimas desmoralizadas, sentindo-se impotentes, principalmente o jovem e talentoso zagueiro Dedé. Mas, felizmente, não foi o que aconteceu.


É possível uma outra postura nos estádios...

Na semana seguinte, quando o juiz apitou o fim da partida de volta entre Vasco e Libertad, o placar de São Januário marcava 2 x 0 para os donos da casa. Jogo difícil, nervoso, truncado, cheio de emoções e com direito a uma obra de arte digna da técnica e maturidade de Juninho Pernambucano, que aos 37 anos ainda encanta. Ao final, sensação de dever cumprido, alívio e festa entre a torcida cruzmaltina.

Fora do campo, antes de começar o jogo, parte da torcida do Vasco já tinha conseguido uma vitória daquelas, que não tem como ser mensurada e não fazia parte do novo placar de São Januário. Promoveram um ato belíssimo contra o racismo. Muitos torcedores pintaram metade da cara de negro e a outra de branco, simbolizando a luta pela igualdade racial. Várias faixas em São Januário diziam: Abaixo o Racismo! Dedé e Renato, estamos com você! Outras centenas de torcedores vestiram a camisa negra, uniforme especial que celebra a história do clube no combate ao racismo. Não me recordo de uma manifestação de massas contra o racismo numa partida de futebol. É uma prova que futebol e mobilização social podem caminhar juntos. É uma prova que bandeiras democráticas, como a questão da igualdade racial, são importantes e têm potencial para sensibilizar parcelas significativas da população.

O ato em São Januário poderia ter sido maior e mais bonito, caso a diretoria do clube o tivesse impulsionado. Dinamite falou que apoiava. Mas, foi um apoio mais da boca pra fora. Sequer, teve a coragem de atender a campanha de parte da torcida, que utilizou as redes sociais exigindo que o time utilizasse, durante a partida, o uniforme "camisas negras". Preferiu seguir as "regras” da Comebol e usar os uniformes que já estavam inscritos.


Com quem caminhar na luta contra o racismo?

O que une uma torcida de futebol é a paixão pelo seu clube. A partir daí começam as inúmeras diferenças entre torcedores. Diferenças de gênero, raciais, de orientação sexual e de classe social. Numa torcida de um time grande, como a do Vasco, vamos encontrar milhões de machistas, homofóbicos, racistas, opressores, oprimidos e alguns milhares de exploradores (burgueses).

A parte da torcida vascaína que empunhou a bandeira de luta contra a opressão racial está de parabéns! Agora, fica um alerta, principalmente para os milhões de vascaínos, flamenguistas, palmeirenses, corintianos e demais torcedores que moram nos bairros da periferia e que são negros: Na luta contra a opressão racial temos que ganhar todos os trabalhadores (brancos, negros, índios, asiáticos, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais), independente do time de coração, mas não podemos caminhar juntos com nossos inimigos de classe, com nossos exploradores, pois esses se beneficiam do racismo para dividir, explorar e derrotar nossa classe. Um vascaíno burguês, que tira proveito do racismo para pagar salários inferiores a uma operária negra da construção civil, também vascaína, nunca será um aliado na luta contra o racismo e o machismo.

Muitas vezes, a torcida nos une. Algumas outras, a raça também. No entanto, a classe nos divide! Na maioria dos casos, é a torcida que nos divide, mas a classe que nos une. E como vivemos numa sociedade que se move pelos interesses de classe, qualquer ideologia que venha a conciliar trabalhadores e patrões, numa sociedade marcada pela exploração, ou dividir os trabalhadores, torna-se nefasta, reacionária. Jargões tipo, “Somos uma nação de mais de 30 milhões de rubro-negros” ou “somos um bando de 30 milhões de loucos por ti Corinthias!”, diluem o conceito de classes, iguala Andrés Sanchéz ao corintiano que mora em São Miguel Paulista e que dá um duro danado para ir ao Pacaembu.

Neste sentido, a luta contra a opressão racial e pela construção de uma sociedade sem exploração e opressão se dar com a ampla unidade da classe trabalhadora, independente da torcida ( trabalhadores vascaínos e flamenguistas, palmeirenses e corintianos, gremistas e torcedores do inter, atleticanos e cruzeirenses, torcedores do Bahia e do Vitória, do Ceará e Fortaleza, Santa Cruz e Sport, Remo e Paysandu...).


Retirado do Site do PSTU

Homens presos por planejar massacre na UnB ameaçaram PSTU

Site com ameaças foi denunciado
Na manhã da última quinta-feira, dia 22 de março, foram presos na capital paranaense Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, administradores do site silviokoerich.org. O site recebeu cerca de 70 mil denúncias de “conteúdo abusivo” na página safernet.org, responsável por recolher reclamações de internautas relacionadas com abusos na rede.

A página de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle ficou famosa por incitar o ódio contra negros, judeus, homossexuais, mulheres e comunistas, além incentivar a pedofilia e o estupro corretivo a mulheres lésbicas, o que gerou repúdio e comoção dos internautas em todo o país. Os dois gabavam-se, dentre outras coisas, por terem uma suposta relação com o atirador Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de Realengo, ocorrido em 2011 e que matou 12 crianças, de idade entre 12 e 14 anos.

Na penúltima postagem do site antes deste ser fechado, era possível ler a seguinte mensagem: “A cada dia que se passa fico mais ansioso, conto as balas, sonho com os gritos de vagabundas e esquerdistas chorando, implorando para viver. Vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU”.

A Polícia Federal tem provas que indicam que Emerson e Marcelo planejavam um massacre a estudantes da Universidade de Brasília, chegando a desenhar um mapa para a ação. Os dois contavam com apoiadores – no Twitter, sua conta possuía mais de 1.800 seguidores –, além de uma conta bancária com R$ 500.000 para financiá-los. Tudo leva a crer que Emerson e Marcelo não estão sozinhos.


Expressão de uma sociedade doente

Antes de tudo, é preciso ter claro que monstros como Emerson e Marcelo são o produto mais podre de uma sociedade doente, e o fato destes contarem com seguidores atesta que não se trata de casos isolados, mas sim de uma patologia social. A sociedade capitalista, ao reproduzir ideologias como o machismo, o racismo e a homofobia a fim de garantir a superexploração de certas camadas da classe trabalhadora, é a base para a existência de grupos neonazistas e ultrarreacionários que pregam o ódio contra as “minorias”.

Os assassinatos de LGBT’s, o racismo disfarçado da grande mídia e a criminalização dos movimentos sociais pelos governos são elos de uma cadeia de opressão e exploração, que não começa e nem termina com o caso de Emerson e Marcelo. Muito pelo contrário. A mutilação do PLC 122 e do Estatuto da Igualdade Racial; a falta de investimentos em políticas concretas de combate ao machismo, como a Lei Maria da Penha; os ataques dos governos aos movimentos sociais, como no caso do Pinheirinho e das greves que ocorreram este ano: tudo isso contribui para que exista um sentimento de impunidade, que permite a ação de grupos e indivíduos como Emerson e Marcelo.


Omissão da justiça e da Reitoria da UnB colocaram estudantes em risco

Marcelo Valle não é um desconhecido da Universidade de Brasília. Já em 2005 incitava o ódio contra os negros nas redes sociais, criticando o sistema de cotas e afirmando que “lugar de negro não é na universidade”. Na ocasião, foi denunciado por um estudante no Ministério Público. Chegou a ser processado e condenado em 2009, mas recorreu da decisão e não chegou a passar uma noite na cadeia. Todavia, continuou ameaçando os estudantes da instituição através de telefonemas e e-mails. Luiza Oliveira, estudante de Ciências Sociais e ex-militante do PSTU, foi ameaçada dentre outras coisas de estupro corretivo. “Ele ameaçou me estuprar, me xingou. Guardei todas as postagens dele impressas” , afirma Luiza.

Por outro lado, o clima de insegurança dentro da UnB reforça o medo de estudantes, professores e funcionários. O campus Darcy Ribeiro, que é o maior entre os quatro campi da universidade, é muito mal iluminado, tem poucas linhas de ônibus – o que obriga os estudantes a andarem a pé até a via mais próxima, que fica a centenas de metros – além de não contar com um contingente de seguranças apropriado. Os poucos seguranças da universidade são patrimoniais, ou seja, são treinados para defender o patrimônio material da universidade, e não a vida das pessoas. Todo semestre ocorre pelo menos um estupro nas imediações do campus Darcy Ribeiro, e a presença da polícia militar na área não diminui o número de ocorrências.

Como se não bastasse, recentemente a Reitoria da UnB anunciou uma demissão em massa de trabalhadores terceirizados, afirmando que graças à expansão via Reuni a universidade estava sendo subfinanciada, e que era preciso “cortar gastos” demitindo esses trabalhadores. A Reitoria ignora os lucros exorbitantes das empresas terceirizadas, e ao invés de propor a redução desses lucros prefere mandar centenas de pais e mães de família para a rua. Entre os terceirizados, os porteiros serão as maiores vítimas das demissões. Em outras palavras: em um momento crítico de insegurança na UnB, é anunciada pela Reitoria a demissão de trabalhadores responsáveis pela segurança do campus.

Um militante do PSTU, que é trabalhador terceirizado, convive diariamente com ameaças de todos os tipos, como resposta a seu papel na organização e liderança da categoria. “Já fui agredido fisicamente e inclusive ameaçado de morte. A Reitoria tem conhecimento da situação, mas até agora não fez nada” , diz Francisco.


Combater as opressões, garantir a segurança da comunidade universitária!

O PSTU é um partido reconhecido nacionalmente pela luta contra toda forma de opressão, seja ela de gênero, raça, etnia, orientação sexual ou de classe. Orgulhamo-nos de levantarmos bem alto a bandeira de todos os oprimidos pela construção de uma sociedade igualitária, apesar de vivermos em uma época de clara degeneração moral. Não é a toa que todos os inimigos da classe trabalhadora e dos setores oprimidos da sociedade sempre buscam atacar nossa organização, como é o caso de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle, que afirmaram o desejo de ver nossas camisetas “manchadas com sangue”. Longe de nos intimidarmos, continuaremos firmes na luta por um mundo livre da barbárie produzida pela sociedade capitalista, um mundo socialista.

Exigimos da Reitoria da UnB e dos poderes públicos medidas concretas de segurança para os estudantes da universidade. Seria ingenuidade pensar que Emerson Rodrigues e Marcelo Valle estão sozinhos, como atestam os comentários em seu blog e os R$ 500.000 achados em sua conta bancária. A prisão dos dois é um passo importante, mas de forma alguma garante a segurança da comunidade universitária da UnB. Exigimos a contratação de mais seguranças, maior iluminação no campus, ampliação das linhas de ônibus que passam na UnB e a não demissão dos trabalhadores da portaria.

  • Impunidade alimenta os crimes de ódio


  • Retirado do Site do PSTU

    sábado, 24 de março de 2012

    Neonazistas presos em Curitiba: impunidade alimenta os crimes de ódio

    Blog prega violência às mulheres, homossexuais e ativistas de esquerda
    No último dia 22 foram presos em Curitiba dois ativistas neonazistas que planejavam realizar um ataque a alunos do curso de ciências sociais na Universidade de Brasília (UnB). Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, foram presos após postarem em um blog ameaças contra os estudantes da universidade, contra o deputado federal Jean Wyllys (PSOL-RJ) e ao PSTU e o PSOL.

    "Este provávelmente (SIC) é o último registro que irei deixar. Quanto acontecer, a mídia controlada pelos judeus e esquerdistas irá criar 1000 teorias em cima da merda toda. As palavras “bullying” e “psicopata” lógicamente estarão presentes.A cada dia que se passa fico mais ansioso, conto as balas, sonho com os gritos de vagabundas e esquerdistas chorando, implorando para viver.Vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU. O semestre já começou. A profecia irá ser cumprida.", ameaçava Emerson em seu blog.

    De acordo com a Polícia Federal, foram apreendidos com os dois mapas e plano para a realização do massacre na universidade.

    Há mais de um ano, o Blog de Emerson realizava pregações asquerosas e claramente nazistas, como o extermínio de gays, lésbicas, mulheres, nordestinos, judeus e negros. Em um dos post, chegou a “ensinar” a prática do estupro corretivo em mulheres lésbicas, para que deixassem a homossexualidade, intitulado “Penetração corretiva – Lésbicas: Como penetrar”. Em outro, ele defendia a misoginia afirmando que a mulher “era um pedaço de carne”. De maneira doentia, o blog ainda postava fotos de mulheres violentadas além de fazer alusões à pedofilia.

    Em seu blog, Emerson chegou a apoiar Wellington Menezes de Oliveira que, em abril de 2011, matou 12 crianças em uma escola em Realengo, no Rio de Janeiro. Os dois acusados disseram à polícia que foram procurados por Oliveira, para orientá-lo sobre como proceder na ação criminosa.


    Impunidade que alimenta o ódio

    No entanto, apesar de quase 70 mil denúncias de conteúdo abusivo – um recorde na Internet brasileira – Emerson, continuava a publicar todo o tipo de conteúdo asqueroso sem a preocupação de ser punido.
    Em várias notas, ele desafiava todos aqueles que denunciavam seu blog, confiando na total impunidade. A última nota postada era um claro exemplo disso: “Que todos estes movimentos esquerdistas façam coro, berrem, gritem, no fundo, não vai acontecer merda nenhuma. O mundo em que vocês vivem querendo ou não, é capitalista, e o dinheiro e o poder compram tudo”.

    Marcelo e Emerson já tinham experimentado a impunidade por seus crimes. Com longa ficha de crimes de racismo, Marcelo publicou, em 2005, uma sequência de ofensas contra negros no site de relacionamentos Orkut. Estudante de Letras da UnB na época, Marcelo foi processado e condenado, em 2009, a um ano e dois meses de prisão. Recorreu da decisão e não passou um dia sequer na cadeia. Como se não bastasse, Marcelo era alvo de quase dez queixas na Polícia Civil do Distrito Federal, uma delas por agredir a mãe. Também responde a um segundo processo por racismo, aberto em 2011.

    Seu comparsa, Emerson também tem histórico de agressão as mulheres e é investigado por participações em homicídios que ocorreram em Curitiba.

    Como se vê, a impunidade seguiu encorajando os dois nazistas. Impunidade essa que também faz crescer o número de crimes racistas, agressões e assassinatos contra homossexuais e mulheres. Se não fosse a persistência de vários internautas, que continuaram denunciando persistentemente o blog fascista, uma grande tragédia poderia ter ocorrido.

    Por outro lado, não há dúvidas de que as políticas higienização social, levadas a cabos pelos governos do PT e PSDB (e seus aliados), também alimentam o ódio racista e contra os pobres (vide os moradores de rua queimados por jovens no Distrito Federal). Ações do Estado como a covarde e brutal desocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos, ou a operação da PM Cracolândia, “naturalizam” a ideia de que para erradicar com a miséria é preciso eliminar os pobres (negros, nordestinos, setores oprimidos etc.) da paisagem urbana. A política de higienização ganha mais força ainda com as remoções realizadas para as obras da Copa e das olimpíadas.

    É preciso exigir punição exemplar para os dois neonazistas. Mais isso apenas não basta. É preciso exigir dos governos políticas efetivas de combate ao racismo, machismo e homofobia. Políticas que, infelizmente, o governo do PT sequer pensa em implementar, pois, para o governo o que importa é manter a aliança espúria com os setores mais conservadores e reacionários da política nacional.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 20 de março de 2012

    O racismo nada sutil dos tucanos

    Deputado do PSDB, Carlos Alberto Leréia
    O verdadeiro ódio que o tucanato do PSDB tem em relação à maioria da população deste país (ou seja, os trabalhadores, os mais pobres, os negros e demais oprimidos e explorados) tem sido demonstrado em vários episódios: do massacre de Eldorado de Carajás ao Pinheirinho, do tratamento dispensado aos professores ao

    No dia 15 de março, contudo, um dos membros do bando, o deputado Carlos Alberto Leréia, de Goiás, colocou em evidência outra faceta dos tucanos: o racismo. Como consta no boletim de ocorrência registrado na Polícia do Senado, Leréia chamou um policial negro de "macaco" e mandou que ele "procurasse um pau para subir".

    Não que isso seja novidade. Afinal, foi um dos principais representantes da “espécie”, o ex-presidente Fernando Henrique, que, em 1994, nos brindou com uma pérola racista ao afirmar que também era “mulatinho” e, portanto, “tinha o pé na cozinha”. Opinião típica dos habitantes da “casa-grande” acostumados a ver negros e negras somente nos espaços destinados a servi-los.

    A única “novidade” na história é que o deputado Leréia não fez o mínimo esforço para mascarar seu preconceito. E teve o “azar” de ter sido pego em flagrante.


    Arrogância de classe e elitismo racista

    O episódio ocorreu quando o deputado se dirigia ao local mais concorrido do Congresso, a sala do cafezinho, e o policial pediu para que ele se identificasse. Assumindo uma postura típica da elite brasileira (o asqueroso “você sabe com quem está falando?”), Leréia respondeu que o servidor deveria saber quem era ele ou que, então, "procurasse na internet porque ele não iria se identificar".

    A cena foi testemunhada por dois outros congressistas, Antonio Carlos Valadares, do PSB sergipano, limitou-se a dizer que acho aquilo tudo muito “feio”. Já o senador peemedebista Eunício Oliveira, do Ceará, não titubeou em se solidarizar com seu “colega”, acrescentando que, se fosse ele, teria "dado voz de prisão" ao policial.

    Segundo soube-se, a arrogância (além de puro mau-caratismo) de Leréia já tinha sido registrada em uma ocorrência anterior em que ele mandou outro servidor do Congresso ir "tomar no c...".


    Basta de racismo! Chega de impunidade!

    O episódio é apenas o mais recente, numa lista de lamentáveis ataques racistas que têm ocorrido país afora. Do caso da Ester, a estagiária de um colégio em S. Paulo que perdeu o emprego por se recusar a alisar os cabelos, ao ataque aos quilombolas dos Rio dos Macacos, na Bahia.

    Ataques sintonizados e alimentados pela crescente onda de higienização social e criminalização da pobreza, que também tem profundas raízes no ninho tucano. Como ficou lamentavelmente evidente no ataque ao Pinheirinho e sua população, majoritariamente negra, vale lembrar.

    Demonstrações asquerosas de racismo que, em grande medida, continuam se repetindo em função impunidade que acoberta gente da laia do deputado tucano. Algo que, lamentavelmente, conta com a cumplicidade do PT e do PCdoB, que apesar de terem construído suas histórias com um discurso anti-racista, hoje, no governo, pouco ou nada fazem para combater o racismo, em todas suas esferas. Basta lembrar a mutilação do Estatuto da Igualdade Racial.

    Exemplo absurdo de como esta impunidade alimenta a fúria dos racistas é o fato de que o deputado Leréia declarou que pretende processar sua vítima através de uma declaração que ultrapassa o ridículo: "Uma expressão usada para reprimir o dedo em riste [do policial] jamais toma conotação racista. Não cometemos nenhuma falta ou crime. Ofendida está a nossa honra".

    A verdade é que, se houvesse o mínimo de “justiça” neste país, ou sequer a lei fosse aplicada, o deputado é que deveria ser processado e colocado atrás das grades.


    21 de março: dia de gritar contra o racismo

    Diante do aumento dos ataques racistas e do silêncio cúmplice do governo, o movimento negro tem apontado o caminho: a mobilização em unidade com outros oprimidos e explorados, como nas mobilizações promovidas pelo “Comitê Contra o Genocídio da Juventude”, em Higienópolis (SP), ou na rede de solidariedade que se formou em torno do Quilombo Rio dos Macacos.

    Numa demonstração da disposição de continuar trilhando este caminho, estes mesmos setores e outros tantos, do Norte ao Sul do país, irão voltar às ruas no próximo dia 21 de março, Dia Internacional de Combate ao Racismo.

    Esta data foi instituída em homenagem às vítimas do “Massacre de Shaperville”, um bairro de Johannesburgo, capital da África do Sul, onde, em 1960, o exército atirou brutalmente contra uma multidão indefesa, matando a 69 pessoas e ferindo outras 186, em um protesto contra a "Lei do Passe", um documento criado pelo apartheid que transformava os negros em estrangeiros dentro de seu próprio país.

    Criada para que o sacrifício daqueles jovens, a maioria deles estudantes, não caísse no esquecimento, a data será uma excelente oportunidade para lembrar a todos que o racismo continua firme e forte no Brasil. E que continuaremos nas ruas até que racistas como o deputado tucano não se vejam no “direito” de destilar seu racismo impunemente.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 14 de janeiro de 2012

    Por que querem esmagar o Pinheirinho?

    A mão (não tão invisível assim) da especulação imobiliária é o que está por trás da enorme campanha de xenofobia contra os trabalhadores pobres da ocupação do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). Também é o elo com mais outros dois episódios que ganharam notoriedade em São Paulo nas últimas semanas: o suspeito incêndio do favela do Moinho, e tentativa do governo Alckmin e do prefeito Kassab de limpar a cracolândia, no bairro na Luz.

    Caso se concretize, a desocupação do Pinheirinho será a maior já realizada, superando a da Vila Socialista, em Diadema, realizada em 1990, que resultou em duas mortes. A irresponsabilidade da prefeitura, poder judiciário e da PM vai produzir uma nova tragédia de repercussão nacional que vai recair sobre 3 mil fámilias.

    Como vários outros municípios do país, São José é palco de intensos investimentos imobiliário. No último ano, o setor auferiu lucros exorbitantes. O número lançamentos é 20% maior do que o do de 2010, segundo a Aconvap (Associação das Construtoras do Vale do Paraíba). O número lançamentos é 20% maior do que o do de 2010.

    O leitor é capaz de adivinhar qual é a região da cidade com maior numero de lançamentos imobiliários? É justamente a Zona Sul, onde está localizado o Pinheirinho, que concentra 51 dos 143 lançamentos.

    “A zona Sul é muito grande e tinha muitos vazios urbanos que foram preenchidos por esses empreendimentos. Já a zona Oeste se tornou objeto de investimento e moradia de classes A e B”, afirma o presidente da Aconvap ao Portal “O Vale”.

    Obviamente, todo esse movimento foi acompanhado por inúmeros projetos de "revitalização" urbana da gestão do prefeito Eduardo Cury, do PSDB. Trata-se de criminosos planos de higienização urbana cujo objetivo é expulsar a população pobre para longe dos olhos das elites e da classe média. O resultado foi a enorme expansão da periferia de São José. Segundo, “O Vale”, a periferia da cidade recebeu cerca de 30 mil moradias nos últimos cinco anos.

    Há muita grana em circulação. A previsão da Aconvap é que o mercado imobiliário de São José movimente mais de R$ 5,4 bilhões até 2014, valor correspondente a 25% do PIB (Produto Interno Bruto) da cidade.

    Não é de se estranhar, portanto, o interesse dos políticos locais, da prefeitura, grande imprensa e da “Justiça” em insistir na reintegração de posse de uma massa falida do agiota internacional Naji Nahas, mesmo que seja necessário esmagar os trabalhadores pobres do Pinheirinho. Como disse a juíza Márcia Loureiro, irredutível em sua decisão em expulsar os moradores, “é uma área de muito valor”. A frase foi pronunciada diante dos ouvidos incrédulos dos representantes do movimento em uma reunião com a juíza. Filmes como “Redentor” mostraram muito bem como agem a corrupta Justiça, políticos, mídia em conluio com as construtoras.

    O capital imobiliário, os políticos e a "justiça" fizeram sua opção: trataram de escolher qual parcela da humanidade não merece viver, tampouco um lugar para habitar.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 15 de novembro de 2011

    Fortalecer o dia 20 de Novembro nas ruas

    Participe da Marcha da Periferia contra a violência e a criminalização da pobreza e dos movimentos sociais.


    A comemoração do 20 de Novembro como Dia Nacional da Consciência Negra surgiu na segunda metade dos anos 1970, no contexto das lutas dos movimentos negro e dos trabalhadores e dos movimentos populares contra o racismo. O dia homenageia Zumbi dos Palmares, símbolo da resistência negra no Brasil, morto em uma emboscada em 1695, após sucessivos ataques ao Quilombo de Palmares, em Alagoas. E desde 1997, Zumbi faz parte do Livro dos heróis brasileiros.

    A negação de uma reivindicação histórica do movimento negro como reparação, dentre elas tornar Zumbi um símbolo da luta de resistência negra de Palmares, onde também tiveram outros revolucionários homens e mulheres quilombolas, só nos incentiva a continuar na luta pelo Feriado Nacional do 20 de Novembro, tão aguardada pelo povo negro.

    Apesar de hoje as instituições parlamentares, escolares, entre outras, lembrarem, comemorarem e até festejar a memória do líder Zumbi dos Palmares, nem sempre foi assim. A data foi resultado de muita luta e organização do movimento negro, desde as décadas de 70. Só em 2005, quando foi realizada a marcha dos 300 anos da morte de Zumbi, o antigo líder negro começou a receber algum destaque e o 20 de Novembro comemorado passou a ser comemorado.

    Somos a segunda nação fora da África com um maior contingente de negros e negras. O racismo fica claro quando vemos que é a população negra que está na base da pirâmide social do Brasil. Há uma pesquisa da UERJ (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) que prevê que em 2020 mais de 216 mil jovens negros e brancos serão mortos pela violência. No entanto, de cada 5 jovens assassinados um é branco e 4 são negros.

    A comunidade negra que faz parte da classe trabalhadora está cansada de ser enganada pelos governos. Nossas lutas foram adiadas por meio da cooptação da maioria das organizações negras pelo governo Dilma. Mas existe em curso um processo de reorganização do Movimento Negro que está resgatando novos e velhos ativistas. Nosso objetivo é criar um Movimento Negro de luta e independente de governos e da burguesia, no qual a população negra será protagonista de sua própria história. Lutamos para o que 20 de Novembro seja um Feriado Nacional, em homenagem a Zumbi. Mas não queremos que seja uma data qualquer a ser comemorada apenas com festas. Queremos que seja, sobretudo, uma data de luta.

    E para que ela seja vitoriosa será preciso fortalecer as organizações independentes e de luta do povo negro. O primeiro passo é construir um 20 de Novembro nas ruas, onde se expresse toda nossa resistência (herança de Zumbi de Palmares) para que possamos denunciar a dor causada por todos os ataques aos direitos da população negra trabalhadora, as falsas políticas dos governos e a violência e criminalização da pobreza e dos movimentos, além de fazer exigências aos governos de plantão


    A luta pela igualdade racial!

    A presidente Dilma deve participar do encerramento do Ano Internacional dos Afro-descendentes que acontecerá em Salvador, entre os dias 16 e 19 de novembro. Durante o evento, organizado pelo ONU, Salvador será escolhida capital afro-descendente ibero-americana por ser a cidade com a maior população de origem negra fora da África.

    A Declaração e o Programa de Ação de Durban foram resultados da 3ª Conferência Mundial Contra o Racismo, a Discriminação, a Xenofobia e Intolerâncias Correlatas, realizada em 2001, em Durban, África do Sul. Os documentos contribuem para o enfrentamento do racismo que ainda viola os direitos humanos de milhões de mulheres, crianças, jovens e homens afro-descendentes no mundo inteiro. O tratamento nessa questão era, portanto, eliminar a discriminação racial contra os afro-descendentes no país. Mas o que vimos foi à tentativa de alguns setores de pintar um quadro muito mais “róseo” da situação da desigualdade. Algo flagrante nos índices de desenvolvimento humano de negros e brancos no Brasil e em outros países.

    A ministra da Igualdade Racial, Luiza Bairros, ressaltou que esse é o momento de avaliar os documentos produzidos em Durban. Porém, todos eles não tiveram impactos sociais e raciais na comunidade negra. Pelo contrário. Nossas conquistas foram atacadas pelo governo, como foi o caso das cotas raciais nas universidades públicas e as terras de quilombos.

    Além disso, Dilma foi à África para renovar acordos comerciais com empreiteiras e realizar negócios da Vale que aprofundam a superexploração do continente através de acordos que permitem a exploração de petróleo e a expansão do agronegócio.

    Passados 20 anos do Congresso de Durban a vida dos afro-descendentes em todo o mundo piorou. No Brasil não é diferente, apesar de Dilma e de sua ministra tentarem enganar os chefes de Estado dizendo que aqui é um paraíso racial.

    A população negra precisa fortalecer organizações classistas e socialistas, como a CSP-Conlutas e o Movimento Nacional Quilombo Raça e Classe no Brasil. Só assim, poderemos travar um combate contra o racismo, independente de governos e patrões e na defesa da construção de uma sociedade realmente socialista com democracia operária.

    Venha conosco participar da Marcha da Periferia Contra a Violência e a Criminalização da Pobreza. Nesse grande ato realizado durante a Semana do dia 20 de Novembro (Semana da Consciência Negra) estarão juntos moradores da periferia, operários, estudantes, professores, movimentos negros e quilombolas, grupos de Hip-Hop, sem tetos, sem-terras, partidos de esquerdas e todos aqueles que desejam construir um Brasil sem desigualdade social, sem violência, sem discriminação de qualquer espécie, em fim, sem capitalismo.


    Retirado do Site do PSTU

    A “grande mentira”, o alicerce da propaganda nazista

    Hitler, Goebbels e ‘Die große Lüge’


    A mentira é sempre contrarrevolucionária. Na mão de pequenos escroques é uma arma ineficaz, mas nem por isso perde seu caráter político. Muitos já ouviram ou leram a máxima de que uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade. Esta frase, em várias versões é atribuída a Joseph Goebbels (1897-1945), o ministro da Propaganda do regime nazista. A frase é uma confirmação esplêndida da própria tese que ela anuncia. Não há nenhuma fonte confiável que permita confirmar que o braço direito de Adolf Hitler foi o autor desse dito e o mais provável é que a frase e a própria autoria não passem de uma inverdade. Entretanto, não deixa de ser verdade que Gobbels foi um mestre na transformação de mentiras em senso comum e verdade. É irônico, mas o mestre da falsificação foi, assim, vítima de uma.

    A ideia de que uma grande mentira pode convencer as pessoas e parecer uma verdade consistente encontra-se, entretanto, presente no pensamento político nazista. Em seu clássico Mein Kampf, Adolf Hitler dedica todo um capítulo à Kriegspropaganda (propaganda de guerra). Nessa obra, o líder nazista distingue a propaganda da instrução. A instrução pode ter por público intelectuais e letrados e estar voltada para a produção e difusão do conhecimento científico. Mas é diferente com a propaganda. Ela teria outro objetivo e um público diverso. O objetivo era convencer e seu público era “a massa”. Segundo Hitler, a finalidade da propaganda:

    “é a de despertar a atenção da massa e não educar os que já estão educados ou àqueles que estão atrás de educação e conhecimento, seu efeito deve ser cada vez mais dirigido para o sentimento e apenas em um grau muito limitado ao assim chamado intelecto. Toda propaganda deve ser popular e estabelecer o seu nível intelectual de acordo com a capacidade de compreensão da inteligência mais limitada dentre aquelas as quais se dirige. Consequentemente, quanto maior a massa que se quer atingir, mais baixo deverá ser o nível puramente intelectual.” (1943, p. 197)

    A simplificação dos enunciados, a repetição incessante e o apelo direto às emoções do indivíduo-massa constituíam as principais técnicas da propaganda nazista. O fundamento dessa ideia era uma antropologia filosófica que reduzia a “massa” à completa estupidez, a cérebros vazios que podiam ser preenchidos com qualquer ideia adequadamente transmitida. Para reforçar o caráter irracional do povo, Hitler identificava nele um espírito feminino: “O povo, na sua grande maioria, é de índole feminina tão acentuada, que se deixa guiar, no seu modo de pensar e agir, menos pela reflexão do que pelo sentimento” (idem, p. 201). Apelar de modo eficaz a esse sentimento era crucial para convencer de modo rápido e duradouro. Desse modo, a propaganda deveria “se restringir a poucos pontos. E esses deverão ser valorizados como slogans, até que o último indivíduo consiga saber exatamente o que representa esse slogan” (idem, p. 203). A reprodução paciente e constante de algumas ideias capazes de tocar diretamente o coração, antes das mentes, era a chave dessa técnica.

    A propaganda era para o nazismo um meio para um fim, a potência da nação alemã. Qualquer meio capaz de conduzir ao fim desejado encontrava-se previamente justificado e qualquer forma de propaganda em condições de aproximar o objetivo final era recomendada. A mentira podia ser, assim, um dos recursos utilizados para apelar às emoções das massas e quanto maior a mentira, mais capaz de atemorizar, de aterrorizar e de ascender as paixões. A surpreendente conclusão, apresentada no capítulo X de Mein Kamp era que quanto maior a mentira, mais eficaz ela poderia ser:

    “Resulta da própria natureza das coisas que quanto maior a mentira mais fácil será que acreditem nela, pois a massa popular, nos seus mais profundos sentimentos, não sendo má, consciente e deliberadamente, é menos corrompida e, devido à simplicidade do seu caráter, é mais frequentemente vítima de grandes mentiras do que de pequenas.” (HITLER, 1943, p. 252)

    Die große Lüge (a grande mentira) foi o alicerce da propaganda nazista. Na mitologia nazista, o complô secreto judaíco-marxista era o responsável pelo colapso da Alemanha. Considerar a guerra como responsável por esse colapso era uma grande mentira. As causas da ruína da nação deveriam ser encontradas naquelas ideias estranhas ao espírito alemão que haviam sido disseminadas pelo “judeu, acostumado à mentira, e o espírito combativo do seu marxismo” (idem, p. 252). A aliança entre banqueiros judeus e comunistas alemães era tão improvável quanto as profecias de Nostradamus. Mas o aparelho de propaganda nazista se encarregou de difundir a existência dessa esdrúxula comunhão, do mesmo modo como afirmou ser Adolf Hitler a encarnação do Hister mencionado pelo adivinho.(1)

    Para combater o que julgava ser Die große Lüge, o nazismo transformou a mentira sistemática em uma arma de guerra. O ministro da Propaganda de Hitler foi o responsável por essa operação. Em uma dura crítica à propaganda de guerra do governo inglês e de seu ministro Winston Churchil (1874-1965), Goebbels afirmou:

    “A coisa surpreendente é que Mr. Churchill, um genuíno John Bull, aferra-se às suas mentiras, e de fato repete-as até que ele mesmo passa a acreditar. Esse é um velho truque Inglês. Mr. Churchill não precisa de aperfeiçoá-lo, pois é uma das táticas da política britânica, conhecidas no mundo inteiro. Eles fizeram bom uso do truque durante a Guerra Mundial, com a diferença que a opinião mundial acreditava nelas, o que não pode ser dito hoje.” (GOEBBELS, 1941, p. 364. Cf. tb. idem, p. 365).(2)

    A ideia de que a repetição de um fato poderia fazer com se acreditasse nela independentemente de sua consistência ou adequação à realidade estava na base de toda a propaganda nazista. Mas não era qualquer mentira que poderia tornar-se uma ideologia de massas. Para que isso ocorresse era necessário que a mentira fosse conforme àquilo que as pessoas queriam ouvir. O mecanismo que aproximou as massas do discurso nazista foi a identidade construída entre a estrutura de personalidade dos indivíduos massificados e a estrutura de personalidade do Führer.

    Estabelecida essa identidade a propaganda nazista podia retirar de seu discurso todo argumento racional. O Führer era a encarnação do povo alemão. Sua revolta contra as autoridades, simbolizada pela sua prisão, era o simples chamado à luta contra as autoridades e poderes existentes e, ao mesmo tempo, a afirmação de uma autoridade inconteste. A identidade entre o Führer e o “povo” permitia mobilizar os ressentimentos predominantes na pequena-burguesia (cf. REICH, 1972, cap. II). O discurso racional cedia lugar às imagens capazes de apelar diretamente ao inconsciente das massas.

    A forte associação entre a nação e a terra, entre a pátria e a família organizava um discurso político no qual era a própria existência da Alemanha e de seus habitantes o que se encontrava em jogo. A precariedade da existência já havia sido afirmada por uma guerra na qual morreram quase dois milhões de alemães, pela crise econômica e pelas revoluções que marcaram os anos que se sucederam ao conflito mundial. A insegurança era o sentimento predominante na pequena-burguesia. Uma terra ilimitada para a sobrevivência e bem-estar da família alemã era uma ideia capaz de comover uma pequena-burguesia amedrontada e assombrada pelo presente.

    O nazismo foi um chamado à revolta dentro da ordem. Nas três primeiras décadas do século XX a pequena-burguesia alemã lutou desesperadamente contra as forças sociais e políticas que haviam perturbado sua paz: o capital financeiro e o trabalho, personificados nas figuras de dois estrangeiros, o judeu e o bolchevique. Nessa luta revoltou-se contra as autoridades e governos que julgava serem controladas por essas forças. Mas o seu propósito nunca foi suprimir toda autoridade e sim estabelecer uma autoridade suprema capaz de restabelecer a antiga ordem de paz e prosperidade de seus antepassados.

    Os nazistas, revolucionários da ordem, construíram o maior movimento contrarrevolucionário do século XX (3). Para tal apropriaram-se dos nomes do socialismo e dos trabalhadores para batizar sua organização de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), adotaram formas de organização de massas inspiradas nos modelos do partido comunista e construíram um eficiente aparelho de propaganda. Seu discurso incendiário levou a pequena-burguesia à revolta apenas para reconduzi-la à ordem. A mentira era mais tranquilizadora do que a perigosa verdade. Mas pouco tempo depois o que havia diante do povo alemão era apenas a barbárie.


    Referências bibliográficas

    GOEBBELS, Joseph. Die Zeit ohne Beispiel. Munich: Zentralverlag der NSDAP, 1941, p. 364-369.

    HITLER, Adolf. Mein Kampf: Zwei Bände in einem Band Ungekürzte Ausgabe. München: Zentralverlag der NSDAP, 1943.

    REICH, Wilhelm. Psicología de masas del Fascismo. Madri: Ayuso, 1972.


    1 Hister, entretanto não era uma pessoa e sim a denominação em latim do baixo rio Danúbio.

    2 Essa é, provavelmente, a versão mais próxima da ideia de que uma mentira repetida muitas vezes se transforma em uma verdade. John Bull é um personagem ficcional criado no século XVIII e popularizado em cartoons dos séculos subsequentes que representa a Grã Bretanha. Geralmente é retratado como um homem gordo e de meia idade, vestido um casaco com as cores da bandeira nacional.

    3 A ideia de que a contrarrevolução é, também, uma revolução pode ser encontrada em Marx. Em 1848, diante da derrota do movimento democrático alemão, escreveu: “We have never concealed the fact that we do not proceed from a legal basis, but from a revolutionary basis. Now the government has for its part abandoned the false pretense of a legal basis. It has taken its stand on a revolutionary basis, for the counter-revolutionary basis, too, is revolutionary.” MECW, v. 8)


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 9 de agosto de 2011

    Crise econômica e violência policial desatam onda de protestos em Londres

    Polícia assassina jovem negro e provoca levante na periferia britânica, descontente com a crise econômica e social


    Polícia reprime manifestantes em Londres
    O assassinato de um jovem negro pela polícia no subúrbio de Londres deu início a uma onda de radicalizados protestos que em pouco tempo se alastrou pela periferia da capital britânica . Mark Duggan, de 29 anos, foi morto pela polícia no bairro de Tottenham, no último dia 4 de agosto, em uma quinta-feira, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Ele estava em um taxi quando foi atingido pelos disparos da polícia.

    A Scotland Yard havia dito que os agentes apenas responderam aos tiros efetuados pelo jovem. O jornal The Guardian, porém, informou que os primeiros exames realizados em um rádio comunicador da polícia, revelam que ele foi atingido por disparos da própria polícia.

    No sábado, dia 6, cerca de 200 pessoas, entre amigos e familiares protestaram na delegacia da região pela morte do jovem, com gritos de “Justiça para Duggan”. A polícia reprimiu violentamente a manifestação e só jogou mais gasolina na revolta. O protesto logo se transformou em uma revolta radicalizada que, no domingo, já se espalhava do norte de Londres, para a periferia ao sul da cidade, em bairros como Brixton, e até mesmo próximo do centro, como Oxford Street.


    Levante

    As manifestações continuaram em uma escalada progressiva nos três dias seguintes. Saques, carros, ônibus e prédios incendiados mostravam a raiva acumulada pela juventude londrina, grande parte composta por negros e imigrantes. A intensidade da revolta pegou o governo e as autoridades de surpresa. O primeiro-ministro David Cameron, que se recusou a interromper as férias enquanto as bolsas em todo o mundo despencavam, retornou ao posto para cuidar da crise aberta pela revolta.

    A resposta da polícia, por sua vez, foi ainda mais violência. Ao final desse dia 8, no terceiro dia de protestos, 200 pessoas já havia sido presas. O governo responsabiliza a revolta pela suposta ação de “vândalos” e diz que a onda de violência se daria por um fenômeno de “criminalidade imitada”. A ministra do Interior, Thereza May, qualificou os manifestantes de “delinquentes”. Já a grande imprensa, com o aval da polícia, por incrível que pareça, afirma que a “desordem” foi organizada através das redes sociais, como o twitter e o facebook.




    Bomba relógio

    O assassinato do jovem negro pela polícia foi o estopim para uma revolta generalizada, dando vazão a uma situação de ódio acumulado por anos de repressão policial, discriminação e pobreza aprofundado pela crise econômica. O caráter anárquico dos protestos e a radicalização lembram as manifestações que tomaram conta dos subúrbios de Paris em 2005, quando a violência da polícia provocou uma onda de revoltas, justamente como acontece em Londres.

    Agora, o desemprego, os cortes sociais, o desmonte do que restou do Estado de Bem Estar Social e a crescente xenofobia na Europa são o fermento para revoltas cada vez mais violentas de uma juventude sem perspectivas.




    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 26 de julho de 2011

    Atentado terrorista mostra crescimento da ultradireita na Europa

    Movimentos fascistas aproveitam crise econômica e fracasso da União Europeia para se fortalecerem


    Imagem divulgada pelo próprio terrorista
    Os atentados terroristas perpetrados nesse dia 22 de julho por um militante de ultradireita chocaram a Noruega e todo o mundo. Ander Behring Breivik, de 32 anos, armou explosivos no centro da capital Oslo e, momentos após a explosão que deixou sete mortos, abriu fogo contra centenas de adolescentes que participavam de um acampamento do Partido Trabalhista, na ilha de Utoeya.

    Segundo relatos de sobreviventes, Breivik estaria disfarçado de policial quando desembarcou na ilha em que ocorria uma atividade da juventude do partido ligado ao governo. O extremista junta então um grande grupo de jovens para explicar-lhes o que havia ocorrido no centro da cidade, puxa um rifle e começa a atirar. Descobriu-se depois que o assassino usou balas ‘dum-dum’, que se estraçalham no corpo da vítima provocando enorme estrago. Sua intenção era clara: matar o maior número possível de pessoas.

    O último levantamento da imprensa dá conta de 76 mortos nos dois atentados.

    Com a chegada da polícia, o terrorista foi preso sem reagir. Na tarde desse dia 25, quando se apresentou perante o juiz, Breivik confessou os crimes, mas negou qualquer culpa. Para ele, é perfeitamente admissível assassinar adolescentes a sangue frio em sua cruzada contra o “multiculturalismo” e a “colonização islâmica” da Europa.


    Planejamento

    Preso, o assassino confessou que o atentado havia sido minuciosamente preparado com nove anos de antecedência. Antes de sair para executar sua ação, Breivik espalhou para seus contatos na Internet cópias de uma espécie de manifesto chamado “2083: Uma declaração de independência europeia”, com mais de 1500 páginas.

    Em suas páginas, um verdadeiro compêndio da extrema-direita e do fundamentalismo cristão. Numa espécie de delírio fascista, o terrorista descreve com nostalgia uma Europa idílica formada por homens bons e nobres, invadida de repente por islâmicos, negros e estrangeiros. Aos europeus “patrióticos”, restaria a missão de resgatar seus países do “multiculturalismo”, que ameaçaria o modo de ser genuinamente europeu. O fundamentalista assina o texto como “Chefe de Justiça Para os Cavaleiros Templários da Europa e um dos vários líderes do Movimento de Resistência Nacional e Pan-Europeu Patriótica”.

    Mais do que delírios, porém, o que o texto revela, e os atentados atestam, é um grau de organização e articulação que expressam o avanço dos movimentos de ultradireita no continente. No tribunal, o terrorista afirmou ter executado o atentado com a ajuda de duas outras “células”. A complexidade da ação corrobora a tese de que ele não teria agido sozinho.

    O manifesto de Breivik, além do discurso racista típico da ultra-direita (chega-se a afirmar que o Brasil é desigual, improdutivo e conta com corrupção endêmica devido à ‘mistura de raças’), traz um verdadeiro manual de instruções para atentados terroristas. Do alvo, ao arsenal, preparação e tudo o mais necessário para infligir baixas em favor da “causa”.

    O terrorista enumera os alvos: os “traidores”, em ordem decrescente de acordo com a gravidade das suas traições. As instruções para a preparação da “ação” são detalhadas, indo do condicionamento físico do terrorista à aquisição e manuseio das armas, e até mesmo o que fazer caso “eventualmente sobreviva à ação”.


    O perigo do fascismo

    Longe de ser um caso isolado, a tragédia na Noruega se inscreve numa conjuntura de crescimento da ultradireita em toda a Europa. Partidos e movimentos de inspiração fascista e xenófoba se utilizam da crise econômica para ganhar espaço e colocar os trabalhadores imigrantes, negros e homossexuais na mira da opinião pública.

    O terrorista norueguês militou por anos no ultranacionalista Partido Progressista, legenda que vem experimentando grande crescimento nos últimos anos, tornando-se a segunda maior força política do país nórdico. Nas últimas eleições, o partido teve 23% dos votos. Da mesma forma, Áustria, Finlândia, Itália entre outros países europeus, testemunham o fortalecimento da ultradireita. Uma das principais líderes desse processo é a francesa Marine Le Pen, dirigente extremista apontada como favorita para as eleições presidenciais de 2012.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 27 de novembro de 2010

    Desigualdade regional e xenofobia: as expectativas e as frustrações em relação ao presidente Nordestino

    Após eleição de Dilma, onda de preconceito se espalha pela internet. Mas será que Lula governou para os trabalhadores nordestinos.


    A xenofobia contra os nordestinos, que se revela quotidianamente nos preconceitos não declarados, se tornou mais evidente, no passado recente, com a organização de grupos neofascistas brasileiros como “Os Carecas do ABC” e “Os Carecas do Subúrbio”. Tais grupos se utilizavam de slogans racistas, xenófobos e homofóbicos, chegando até às agressões físicas, a exemplo do espancamento até a morte do adestrador de cães e homossexual, Edson Neris da Silva em 2000.

    No último mês, como reflexo do resultado das eleições presidenciais, a xenofobia aos nordestinos se converteu num dos assuntos mais comentados das redes sociais da internet, facebook e twitter, com destaque até no noticiário dos principais telejornais do país. O motivo foi as publicações de Mayara Petruso, estudante paulista do curso de Direito da FMU em São Paulo, e, até então, estagiária do escritório Peixoto e Cury Advogados de São Paulo.

    Mayara teria publicado, em seu twitter, segundo um vídeo postado no You Tube com o título “mayara petruso bonita e perigosa”, a seguinte frase:“Nordestisto (sic) não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado!”. E também, no facebook, a declaração: “Afunda Brasil. Dêem direito de voto pros nordestinos e afundem o país de quem trabalha para sustentar os vagabundos que fazem filhos pra ganhar o bolsa 171.”

    Os seus comentários, que foram motivo de grande “audiência” no twitter, tanto revoltaram que estimularam a criação do movimento contra a xenofobia aos nordestinos dos internautas seguidores da rede social, o “#orgulhodesernordestino”. O Presidente da Seção da OAB-PE igualmente declarou que iria processar a estudante por racismo. A grande repercussão negativa obrigou Mayara a cancelar as contas no twitter e no facebook.

    Na realidade, o que pareceu uma declaração irresponsável de uma estudante inconsequente da classe média paulistana - já que logo em seguida ela criou uma nova página no Orkut e pediu desculpas pelo ocorrido - tem raízes mais profundas e só teve as consequências que teve porque se tornou motivo de indignação de um grande público.


    E o governo Lula?

    O tema da desigualdade regional e da xenofobia estiveram presentes de forma oculta no processo eleitoral, mas se refletiu na votação de apoio que os nordestinos deram ao presidente Lula. Os candidatos Dilma e Serra, como fizeram em relação à maioria dos temas importantes para o país, simplesmente não se posicionaram ou se recusaram a publicizar quaisquer declarações que se chocassem com o conservadorismo de setores importantes das classes médias ou das igrejas reacionárias. O debate entre os presidenciáveis sobre o programa dos candidatos para a região, organizado pela rede SBT para o segundo turno e que seria transmitido em cadeia para todo o Nordeste, chegou a ser cancelado pela recusa da Dilma em comparecer na data previamente acordada.

    Os nordestinos, porém, votaram maciçamente na Dilma, fator que foi decisivo para sua vitória. No Nordeste como um todo, a candidata do PT atingiu, no segundo turno, 70,6 % dos votos válidos, com destaque para o Estados do Maranhão (79,1%), Ceará (77,4%), Pernambuco (75,6%), Bahia (70,9%) e Piauí com 70,0 % dos votos válidos. Mas essa votação deve ser compreendida muito mais pelo repúdio regional ao candidato tucano que - mesmo com muito esforço midiático em contrário - aparecia para os nordestinos como um clássico representante das elites paulistanas, do que por reais mudanças sociais e econômicas ocorridas na região. Desta forma, se o peso da participação de Lula na campanha foi decisivo para a vitória de Dilma, no Nordeste esse fator se multiplicou ainda mais e por três importantes causas.

    A primeira está relacionada com o simbolismo das origens social e regional de Lula, pois além de ter dirigido o movimento operário do ABC que enfrentou a ditadura, no final dos anos 70 e início de 80, e se tornado a maior liderança de massas deste país, o presidente teve sua história de vida marcada pela tragédia que atingiu milhões de famílias nordestinas: a migração para São Paulo em busca da sobrevivência. A segunda causa foi o impacto que a principal política social compensatória do governo, o Programa Bolsa Família, causou na região. O Bolsa Família transfere às famílias pobres (com renda mensal por pessoa de R$ 70,01 a R$ 140,00) e extremamente pobres (com renda mensal por pessoal de até R$ 70,00) rendas que variam de R$ 22,00 a R$ 200,00 (o valor pago depende do número de crianças e adolescentes atendidos e do grau de pobreza de cada família). O Nordeste é a região que mais recebe recursos do Bolsa Família que atende ao total, no Brasil, 12,4 milhões de famílias e 49 milhões de pessoas ou ainda 25% da população, sendo que 22% dos eleitores da região recebem o benefício. A terceira causa, e não menos importante, foram as alianças de classes que Lula e Dilma fizeram, tanto no governo atual como nas eleições deste ano. Podemos afirmar que Lula se aliou ao que há de mais reacionário na herança política nordestina das velhas famílias oligárquicas em toda a região: a família Sarney, no Maranhão; o neoarraesismo de Eduardo Campos, a poderosa e tradicional família dos Monteiro e, ao mesmo tempo com as velhas raposas do antigo PFL (Joaquim Francisco, Inocêncio de Oliveira, Severino Cavalcanti e José Múcio), em Pernambuco; Collor de Melo e Renan Calheiros, em Alagoas; entre outras oligarquias locais e regionais.

    No entanto, apesar da maioria da população pobre e trabalhadora da região Nordeste ter votado em Dilma, a dinâmica histórica e estrutural de desigualdades sociais da região não foi revertida no governo Lula. A concentração latifundiária permanece intocável, o poder das velhas oligarquias foi reciclado e reforçado, devido aos acordos eleitorais, e os indicadores sociais da região continuam a ser os piores do Brasil. Vejamos, segundo o site da UOL , os nove piores Estados da Federação, em relação ao IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) são os nove Estados do Nordeste, pela ordem: BA e SE (0,742), RN (0,738), CE (0,723), PB e PE (0,718), PI (0,703), MA (0,683) e AL (0,677); sobre à expectativa de vida dos 9 piores Estados, 7 são do Nordeste (RN, CE, PB, PI, PE, MA e AL); a respeito das médias salariais do país, os 9 piores Estados são os da região: SE (R$ 776,00), RN (R$ 769,00), PB (R$ 768,00), AL (R$ 730,00), PE (R$ 717,00), BA (R$ 712,00), MA (R$ 699,00), CE (R$ 655,00), PI (R$ 567,00); também sobre a taxa de analfabetismo, os 9 piores Estados são os mesmos do Nordeste: AL (24,6%), PI (23,4%), PB (21,6%), MA (19,1%), CE (18,6%), RN (18,1%), PE (17,6%), BA (16,7%), SE (16,3%).

    Apesar de toda a propaganda e euforia jornalística em relação às taxas de crescimento da região no último período, na realidade, a participação do Nordeste no PIB do Brasil cresceu apenas 0,1 % , passando de 13% para 13,1% , entre 2002 e 2008 , respondendo por 28,9% da população total do país, refletindo o peso histórico da predominância da agroeconomia baseada na monocultura da cana e do cacau.


    Uma região de lutas

    O Nordeste porém, não é somente oligarquias, miséria, crianças que vivem nas ruas e pessoas vestidas de xita, como tentam caricaturar muitos programas dos meios televisivos. Na região, a taxa de urbanização já alcança 71,5% da população. Existe um forte movimento camponês de sem terras e do proletariado agrícola reunidos nos sindicatos e federações; existem dezenas de movimentos sociais de sem tetos; um importante proletariado organizado relacionado com a construção civil, metalurgia, indústria têxtil e petroquímica; influentes e representativos sindicatos do serviço público da educação, saúde, administração pública e justiça; um histórico movimento das nações indígenas. Além disso, o Nordeste possui uma exemplar história de lutas republicanas, camponesas, proletárias e populares, a exemplo da Confederação do Equador e Insurreição Pernambucana; os quilombos em toda a região; a Balaiada maranhense; a Sabinada bahiana; as insurreições camponesas de Canudos, na Bahia e Caldeirão, no Ceará; a Revolta dos Malês em Salvador; a Revolta dos Alfaiates bahiana; a Revolução Praieira, em Recife; entre tantas outras do passado e do presente.

    O que falta à região é um projeto político e social que unifique a classe trabalhadora, os camponeses e os setores populares que são vítimas da opressão secular oligárquica e das discriminações xenófobas e racistas. Aos movimentos sociais e às organizações sindicais, populares e aos partidos da esquerda socialista cabem inserir esse projeto como parte das transformações estruturais que o Brasil e a América Latina tanto necessitam.


    Retirado do Site do PSTU