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domingo, 10 de fevereiro de 2013

No Amapá, 16 operários foram presos em obras do PAC

A prisão foi após mobilização dos operários contra as más condições de trabalho


Há uma promessa de o Amapá tornar-se auto-suficiente em energia hidrelétrica, inclusive com possibilidade de exportar eletricidade para outros Estados por meio do "linhão de Tucuruí". A hidrelétrica de Ferreira Gomes iniciou sua construção com investimentos de R$ 1,32 bilhões, além da promessa de gerar 252 MW/h de potência.O praz de entrega é em dezembro de 2015.

As obras que mudam o curso do rio Araguari no município de Ferreira Gomes fazem parte do Programa de Aceleração do Crescimento 2 (PAC 2) e já foi palco de intensas lutas dos operários. Duas fortes greves já foram protagonizadas nestas obras, assim como foi o caso das resistências operárias em outros lugares do Brasil, quando os operários se levantaram contra os baixíssimos salários e as péssimas condições de trabalho.

No dia 3 de fevereiro, a revolta dos operários de Ferreira Gomes teve seu ápice, já no limite da exploração, após a agressão de trabalhadores por seguranças na hora do jantar. Os operários atearam fogo em pelo menos 12 alojamentos no canteiro da Usina Hidrelétrica de Ferreira Gomes. Logo em seguida, o aparato do estado entrou em ação, prendendo cerca de 20 pessoas. A polícia ainda mantém 16 operários detidos. No dia 4 de fevereiro, parte dos trabalhadores foram transferidos para uma penitenciária da capital amapaense.

A necessidade de se conter revoltas como estas e “corrigir” os revoltosos já levaram à prisão de operários em outros canteiros de obras, mas desta vez o cenário de horrores se aprofundam pela ofensiva da imprensa burguesa em criminalizar uma luta legítima.

Como em vários cantos do país, os operário de Ferreira Gomes sentem as dores da perda, sem amparo e nem proteção. O Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil no Amapá (STICC), filiado à CUT, disputa a representação dos mais de 2 mil trabalhadores com um sindicato ligado à Força sindical. Enquanto isso, a situação de penúria e humilhação permanece nos canteiros de obra de Ferreira Gomes.

Por isso, o PSTU/AP se coloca à frente da batalha pela libertação dos operários de Ferreira Gomes, assim como lança um chamado aos parlamentares da esquerda a se incorporarem nesta luta. Colocar o aparato destes parlamentares a disposição da liberdade dos operários é fundamental neste momento. Exigir a imediata libertação dos presos políticos de Ferreira Gomes é uma tarefa importantíssima para a continuidade da resistência operária no extremo norte do país e servirá como exemplo de luta para os demais processos que virão.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Revoltados, operários protestam em Belo Monte



Instalações incendiadas durante protestos em Belo Monte
A revolta tomou conta do canteiro de obras do Sítio Pimental na tarde deste sábado, dia 10. Após o anúncio da proposta de aumento salarial feita pelo Consórcio Construtor Belo Monte (CCBM) de apenas 11% de aumento real, os trabalhadores se revoltaram e atearam fogo em alojamentos, departamentos administrativos, e galpões.

O SINTRAPAV, sindicato da categoria, que apoiou a proposta de 11% do Consórcio, foi expulso do canteiro juntamente com toda a equipe administrativa do Sítio.

"A gente fica preso aqui 6 meses sem poder ver a família, a gente fala no máximo 2 vezes por semana com a esposa. A nossa hora é muito barata, enquanto em Jiral (RO) um profissional está ganhando melhor e visitando a família de 3 em 3 meses. Aqui tem um sindicato que só vem na obra pra da apoio pro Consórcio", disse um auxiliar de montagem, funcionário do Consórcio.

Os operários estão em plena Campanha Salarial. No sábado, foi o último dia do prazo para o Consórcio apresentar a proposta de aumento. A partir de segunda feira, os operários dos outros canteiros também deverão se mobilizar.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 21 de julho de 2012

Ditadura Assad pode estar vivendo seus últimos momentos na Síria

Batalhas entre o Exército Livre da Síria e as forças do ditador se dão rua por rua na capital Damasco


Membros do Exército Livre da Síria
A crise da ditadura de Bashar al Assad se aprofunda diante da intensificação da insurreição armada contra seu governo através de uma nova ofensiva iniciada no último dia 15. Os combates, antes restritos a cidades como Homs ou Hama, redutos dos rebeldes, já atingem a capital Damasco e, neste dia 18, fez duras baixas na cúpula militar do ditador sírio. A ditadura da família Assad já perdura há 46 anos no país.

Um atentado da oposição matou quatro membros do alto escalão das Forças Armadas sírias, entre eles o ministro da Defesa e general Dawould Rajh e o também general Assef Shawkat, cunhado de Assad e ministro do Interior. Os membros do Estado Maior do Exército sírio foram mortos pela explosão de uma bomba durante uma reunião no prédio da Segurança Nacional.

O governo afirma ter se tratado de um atentado suicida, mas o Exército Livre da Síria (ELS), que reivindica o ataque, informou que plantou o explosivo no local. Seja qual o método utilizado pelos rebeldes, fica claro que ele só pôde ser realizado com o apoio de pessoas próximas ao regime, o que indica o avanço de divisões no seio da ditadura de Assad. As defecções em massa das fileiras do Exército já indicavam essa tendência.




Vídeo postado pelos rebeldes no último dia 15

Os confrontos entre os rebeldes e as forças do ditador sírio, que se concentravam no Distrito de Midan, no sul de Damasco, já tomaram grande parte da capital, segundo relatos, aproximando-se do Palácio de Bashar. A luta pelo controle da capital se dá agora rua por rua. Não se sabe se Assad continua em Damasco ou se refugiou na cidade de Latakia, de maioria alauita (mesma corrente muçulmana de Assad) e situada no noroeste do país. “Latakia será Sirte de Bashar”, diziam os rebeldes nas redes sociais, segundo o jornal espanhol El Pais, referindo-se ao destino do ex-ditador líbio Muammar Kadafi.


Resistência se fortalece

A morte do general Rajha foi o golpe mais duro sofrido pela ditadura de Assad desde o início da revolta, há 16 meses. O ministro da Defesa era quem controlava a polícia política de Bashar e as principais divisões do Exército sírio. A ditadura tenta ao máximo transparecer normalidade, nomeando um novo ministro da Segurança, Fahad Al-Freij, que apareceu na TV estatal nesse dia 19 sendo empossado pelo próprio Assad, mas não é capaz de reverter a percepção de que o regime se desmorona rapidamente. Os rebeldes já controlariam as principais fronteiras do país.

Desesperadas ante o avanço dos soldados rebeldes, as forças de Assad recrudescem a repressão contra os opositores e a população do país. Estima-se que o número de mortes já tenha chegado a 17 mil desde o início da revolta. Só neste dia 19, teriam morrido 250 pessoas. Tanques e helicópteros do exército estariam bombardeando posições rebeldes em plena área urbana da capital, enquanto relatos dão conta de verdadeiras matanças executadas a sangue frio pelos soldados de Assad.

A brutal repressão de Assad não está sendo capaz, porém, de conter o avanço do Exército Livre da Síria. Apesar de contar com visível inferioridade bélica, os rebeldes têm o apoio da população síria e, em Damasco, jovens armam barricadas nas ruas para impedir a passagem das forças de Bashar, que pode estar vivendo seus últimos momentos como ditador.


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Diante da guerra civil é urgente derrubar o regime assassino de Assad


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Grécia: Suicídio de aposentadoa origina novos protestos

Milhares de pessoas reuniram-se na praça Syntagma, local onde um aposentado pôs fim à sua vida para


Mais um dramático episódio comove a Grécia. O aposentado Dimitris Christoulas, de 77 anos, suicidou-se, com um tiro na cabeça nesta quarta-feira, 4, na Praça Syntagma, próximo à entrada do parlamento grego. O motivo, descrito em um bilhete deixado pelo aposentado, foi a situação de penúria vivida por ele depois da crise econômica.

Comparando o atual governo grego com a administração que colaborou com os nazistas na Segunda Guerra Mundial (governo de Georgios Tsolakoglou), o bilhete deixado por Christoulas dizia:

“O governo de Tsolakoglou acabou com a possibilidade de eu poder sobreviver com uma pensão digna, que paguei sozinho durante 35 anos sem nenhuma ajuda do Estado. E, sendo que a minha idade avançada não me permite reagir de forma dinâmica (embora se um colega grego pegasse uma Kalashnikov, eu estaria bem atrás dele), não vejo outra solução senão pôr, de forma digna, fim à minha vida, para que eu não me veja obrigado a revirar o lixo para assegurar o meu sustento. Eu acredito que os jovens sem futuro um dia vão pegar em armas e pendurar os traidores deste país na praça Syntagma, assim como os italianos fizeram com Mussolini em 1945”.

Logo após ao suicídio uma onda de protestos começou a tomar conta do país. A primeira ação foi convocada através das redes sociais. “Isto não é um suicídio. Isto é um crime” foi um dos slogans. Milhares de pessoas deixaram mensagens na árvore localizada junto ao local onde ocorreu o suicídio. “Nós não enterramos os nossos mortos. Nós colocamo-los na linha da frente”, dizia uma delas, citando Ésquilo, dramaturgo da Grécia Antiga. Manifestantes tentaram se aproximar do Parlamento, mas a polícia agiu com muita violência e repressão. No entanto, apesar de tentar desmobilizar por completo a concentração, os manifestantes não abandonaram a praça Syntagma. Os protestos entraram madrugada a dentro. Muitos ativistas foram presos pela polícia.

Na ciadade de Tessalônica, a segunda mais importante do país, milhares de pessoas também realizaram um protesto. Ao longo desta quinta-feira, 5, mais protestos foram realizados. Organizações do movimento estudantil e o movimento dos "indignados" prometem novas manifestações.

O presidente do sindicato dos farmacêuticos (antiga profissão do aposentado) declarou: “Há um instigador moral nesta morte, o governo levou as pessoas ao desespero”.

Desde o início de 2010, os aposentados viram as suas pensões cortadas em média 15% superior aos 1.200 euros sofreram uma redução de 20%. A Grécia foi submetida a inúmeros pacotes econômicos e cortes orçamentários exigidos pela "troica" (a Comissão Europeia, o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional) que estão sufocando o povo grego. Um dos trágicos resultados foi o aumento de suicídios no país. Segundo o Ministério da Saúde grego, houve um aumento de 40% desses casos.

O ato desesperado do aposentado lembrou o suicídio de Mohamed Bouazizi, vendedor ambulante tunisiano que tirou sua própria vida após ser impossibilitado de continuar pagando propinas aos fiscais do país. Sua morte detonou a “Revolução de Jasmim”, que derrubou a ditadura da Tunísia e se espalhou para os países vizinhos, como o Egito. Será que a Grécia vai assistir a uma nova onda de revolta?


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

Revolta e fúria na Grécia

Aprovação do pacote de austeridades impõe novo ataque aos trabalhadores do país. População responde com revolta nas ruas de Atenas.


Confrontos em Atenas nesse dia 12
A aprovação do novo pacote de austeridades pelo Parlamento grego, no último dia 12, foi mais um dramático capítulo de uma nação espoliada pelo capital. A votação foi de 199 deputados a favor do plano e 74 contra. Votaram contra os deputados da esquerda (Syriza, Partido da Esquerda Democrática e Partido Comunista), 21 deputados da Nova Democracia e 22 do PASOK (social-democrata). Também votou contra o LAOS, partido eleitoral de extrema-direita, que fazia parte do bloco governista. Agora, tentam aparecer como grande “adversário” do desemprego e do empobrecimento.

O acordo prevê cortes de € 3,3 bilhões. Os recursos saíram de monumentais ataques aos direitos sociais dos trabalhadores. O salário mínimo do país será reduzido em pelo menos 22% (hoje em € 751), além de cortar 150 mil empregos públicos até 2015 e diminuir o valor das pensões e aposentadorias.

Em troca, a Grécia receberia mais um empréstimo, de € 130 bilhões, para garantir o pagamento de parte da dívida, de € 14,5 bilhões, que vence no fim de março. Ou seja, para garantir o pagamento aos banqueiros da União Europeia, sobretudo da Alemanha, a chamada Troika (Banco Central Europeu, Comissão Europeia e o Fundo Monetário Internacional) impõe mais um pacto que vai sugar as últimas gotas de sangue dos trabalhadores gregos.

Mas o plano não passou sem resistência e crise, muita crise. Enquanto votavam os ataques no parlamento, uma multidão de mais de 100 mil pessoas tomou as ruas de Atenas, capital do país. Uma greve de 48 horas foi convocada pelas centrais. Milhares se concentraram na Praça Syntagma, em frente ao parlamento de Atenas, entoando canções de resistência de 1960 e 1970. As mesmas que foram entoadas na luta contra a ditadura dos coronéis.

No domingo, a revolta provocou incêndios em toda a capital. Cenas de batalha campal tomaram as ruas. Cerca de 50 prédios foram incendiados no centro de Atenas.
A crise política foi ampliada quando, após a votação, a Nova Democracia anunciou a expulsão dos 21 deputados que votaram contra o governo. A social-democracia (PASOK) também expulsou 22 deputados. O LAOS, de extrema-direita, expulsou os dois ex-ministros que votaram a favor do plano. Foi a maior expulsão de deputados da história do parlamento grego.

A Grécia foi o primeiro país da Zona do Euro a entrar em colapso com a crise de 2008 – 2009. Desde então, a Troika impôs um insano receituário neoliberal que levou o país ao fundo do poço. Planos de “ajuda” são acompanhados de mais ataques, que só aprofundaram a recessão e aumentaram o endividamento do país.

No começo da crise, em 2008, a dívida grega era de € 263 bilhões, em 2008, mas passou para € 355 bilhões em 2011. O PIB do país caiu, no mesmo período, de € 233 bilhões a € 218 bilhões. A taxa de juros oficial é de 32%!

O país também perdeu completamente sua soberania e é submetido a constantes ritos de humilhação por parte do capital financeiro.

Em novembro do ano passado, o primeiro ministro Papandreou renunciou depois de voltar atrás da proposta de realizar um plebiscito sobre os planos de austeridade. Chantageado pela França e Alemanha, Papandreou suspendeu o referendo. Depois o primeiro ministro foi substituído, como uma laranja podre que não serve mais aos desígnios do capital, por Lucas Papademos.

Hoje a coligação que sustenta o governo conservador é apoiada pelo PASOK, de Papandreou, e o partido de direita, Nova Democracia.

Mas a humilhação não chegou ao fim. O capital financeiro pede que os principais candidatos das próximas eleições gregas, marcadas para abril, assinem uma carta se comprometendo com futuras políticas de austeridade. A situação é tão absurda que o “The Economist”, principal revista do capital financeiro europeu, chegou a classificar o “crescente deficit democrático” que reina na política europeia. A ascensão da nova política colonialista do velho continente é acompanhada por um continuo desgaste do regime democrático liberal e seus partidos.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 3 de dezembro de 2011

Revolução democrática avança para uma guerra civil

A revolução na Síria já dura nove meses, com as massas enfrentando uma duríssima repressão por parte da ditadura de Bashar al-Assad. Apesar do número de mortos crescer a cada dia, as massas não abandonam as ruas e a burguesia árabe já dá mostras de não estar aguentando tanta pressão.

A aposta de Assad e da Liga Árabe, de que jogar o Exército nas ruas poderia deter o processo revolucionário, fracassou e teve o efeito contrário. Não só não deteve como provocou profundas fissuras nas Forças Armadas e ampliou a oposição política e o isolamento internacional do regime. A opção foi buscar um plano B para tentar controlar a delicada situação no país, que caminha para uma guerra civil. O mais importante jornal norte-americano, The New York Times, vem dando voz às burguesias árabes que negociam com o governo sírio o máximo que podem, sem romper diretamente com ele, para conseguir que faça mudanças na forma de enfrentar a revolta popular sem precisar recorrer a uma intervenção armada, que, devido à posição geopolítica da Síria, poderia incendiar todo o Oriente Médio. A Síria faz fronteira com o Líbano e o Mar Mediterrâneo a oeste, Israel a sudoeste, Jordânia ao sul, Iraque a leste, e Turquia ao norte. Ou seja, uma região altamente explosiva.


Banho de sangue

A primeira resposta do governo Assad para deter as massas foi o enfrentamento direto, com tiros, gás lacrimogêneo, incluindo gases venenosos, jatos de água, prisões e torturas. Há nove meses a imagem da Síria é a de um massacre diário e cada vez mais violento porque as massas não se ajoelham. O resultado, até hoje, é o de uma verdadeira guerra civil contra a população. Segundo informe das Nações Unidas, pelo menos 3.500 pessoas já foram assassinadas pelo governo Assad, incluindo civis, forças de segurança e soldados que desertaram. De acordo com a oposição, esse número chega a 5 mil, sendo 600 crianças, além de 7 mil pessoas desaparecidas. As prisões estão abarrotadas, com mais de 100 mil detidos.

Uma investigação da Comissão de Direitos Humanos da ONU, liderada pelo brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, revela detalhes da repressão de Assad contra a população. Segundo ela, crianças foram executadas e há relatos de torturas em hospitais. Funcionários da ONU disseram estar “totalmente escandalizados” com os relatos. “Poucas vezes se viu um sistema de repressão tão completo, com a tortura sendo utilizada politicamente e nos mais diferentes setores. Pelo que parece, uma máquina de tortura foi criada para silenciar todo um país. Ela não ocorre apenas em prisões, mas em hospitais, colégios, centros de atendimento e ministérios” (O Estado de S. Paulo, 26/11/2011).

A violência é tanta que vem ampliando o número de opositores ao regime a cada dia dentro da Síria. Fora do país, antigos aliados, como o governo turco, agora pedem ao ditador Bashar al-Assad que controle seus massacres contra as massas. A França, por intermédio do ministro do Exterior Alain Juppé, propôs a criação de “corredores humanitários” para, segundo eles, transportar medicamentos e outros suprimentos para os civis. A proposta da França veio depois que o banho de sangue já havia se instalado amplamente pelo país e que a política da ditadura de massacrar a rebelião havia conseguido manter Assad mais um tempo no poder, mesmo após a queda de outros ditadores na região, como Mubarak e Kadafi. Mas a população não deve se deixar enganar, porque esse tipo de oferta é uma forma de os países imperialistas começarem a intervir na revolução síria para tentar abortá-la e impedir que derrube Assad e tome o poder.

É o mesmo tipo de política que os países imperialistas tiveram na Líbia, quando a situação saiu do controle pela ação insurrecional dos rebeldes armados e Kadafi passou a ser um aliado incômodo. A França e a Inglaterra, seus aliados, passaram a pressionar para, enfim, abandonar o ditador e tentar interferir via CNT (Conselho Nacional de Transição) sobre os destinos da Líbia. Só que na Síria é muito mais complexo produzir algo semelhante ao que foi a zona de exclusão aérea. Então, tratam de tentar meter-se de outra forma

Tanto é assim que uma fonte diplomática ocidental disse que o plano da França, com ou sem aprovação de Damasco, poderá unir os centros civis dentro da Síria com as fronteiras da Turquia e do Líbano e a costa do Mediterrâneo. Isso permitiria, segundo eles, transportar suprimentos humanitários e remédios para a população. Para que isso seja possível, obviamente os comboios humanitários necessitarão de proteção armada, o que já se configura em uma intervenção militar na Síria. “Há duas alternativas, disse a fonte: que a comunidade internacional, a Liga Árabe e as Nações Unidas consigam fazer com que o regime aceite os corredores humanitários, mas caso contrário nós teremos de encontrar outras soluções. Nesse caso, vamos precisar de proteção armada, mas isso não significa uma intervenção militar na Síria”. Se não é uma intervenção militar direta, é uma intervenção disfarçada. Isso pode significar a presença de tropas francesas ou da ONU que, em nome de proteger a população, passariam a ter a força posicionada para, no caso de Assad ser derrubado, poder obrigar os rebeldes a se desarmar e/ou impor um controle sobre os rebeldes e a população síria. Hoje a população está enfrentando o regime, mas o imperialismo quer evitar que ela se organize em milícias que ameacem tomar o controle do país.


Exército em crise

O maior indício de que o regime sírio está passando por uma grave crise é a situação das Forças Armadas. Principal instituição do regime, o Exército sírio vem se dividindo dia após dia, com desertores rompendo e se somando às forças rebeldes que lutam contra Assad. Até agora, no entanto, a cúpula do Exército se mantém fiel a Assad e disposta a prosseguir com a repressão contra os manifestantes. “Cortaremos qualquer mão maligna que queira derramar o sangue sírio”, diz um comunicado do Exército (O Estado de S. Paulo, 26/11). No entanto, uma série de ataques contra os edifícios do governo vêm sendo protagonizados por jovens oficiais rebeldes, inclusive com o uso de foguetes e granadas. Já houve ataques militares ao regime em Damasco. No dia 16 de novembro, o centro de inteligência do exercito sírio em Harasta, subúrbio de Damasco, foi atacado. No dia seguinte, o ELS (Exército Livre da Síria) informou ter atacado o escritório do Partido Baath no norte do país. No dia 20 foi a vez de ataques ao escritório do Baath em Damasco, informação dada pelo ELS, mas não confirmada pelo CNS (Conselho Nacional Sírio). De qualquer forma, multiplicam-se as informações de que, além de haver cidades e regiões fora do controle do regime cujo ingresso para as autoridades do governo Assad só se dá de forma armada, também já há ataques nos arredores de Damasco.

As deserções no Exército – que vêm ocorrendo desde os primeiros meses da revolução na Síria – já colocaram em perigo a unidade das Forças Armadas do país, uma das maiores preocupações da Liga Árabe e do imperialismo, como ocorreu na Líbia.

A política adotada pelo regime sírio de massacrar a revolta das massas desmente a retórica de Assad. Ele quis jogar com um suposto papel anti-imperialista, mas a verdade é que, nos últimos anos, seu governo vem cumprindo um papel fundamental ao imperialismo para garantir a estabilidade na fronteira de Israel. Por isso, nos primeiros meses da revolução, o imperialismo e Israel apoiavam incondicionalmente o governo sírio e evitavam de todas as formas a sua desestabilização, que significaria, em última instância, deixar desguarnecida a importante e perigosa fronteira com Israel.

No entanto, apesar de sustentarem Assad, o imperialismo e o próprio Estado de Israel acharam mais prudente manter uma distância dele, porque a continuidade das mobilizações dentro da Síria e sobretudo a política adotada pelo regime, de massacre direto, é totalmente incerta quanto aos resultados. Sem contar que traz um desgaste de imagem para os governos imperialistas, que se dizem defensores dos direitos humanos. Com isso, ampliou-se o isolamento internacional do governo sírio e, como ocorreu com Kadafi, o imperialismo passou a aplicar sanções para obrigar que negociasse com a oposição ou se retirasse.

Os Estados Unidos já aplicaram sanções econômicas e estão na posição de espera. Os países europeus suspenderam a compra de petróleo sírio, ampliando a crise na economia já bastante afetada pela onda de mobilizações. A Turquia, principal parceiro comercial da Síria, com US$ 2,5 bilhões por ano de operações comerciais, aumentou o tom. Exige a saída de Bashar, além de abrigar o oposicionista Conselho Nacional Sírio e o recém-formado Exército Livre da Síria, liderado por Ryiad al-Asaad, a partir de centenas de deserções do Exército sírio.

Nos últimos dias, o isolamento do regime deu um salto a partir da decisão da Liga Árabe, capitaneada pela Arábia Saudita e pelo Qatar, de suspender a Síria enquanto país-membro por descumprir as resoluções de fim da repressão e ingresso livre de observadores da Liga Árabe.

No último dia 22, a assembleia geral da ONU votou por 114 a 9 pela condenação do regime sírio por desrespeito aos direitos humanos. O Brasil vinha apoiando o regime, mas também votou a favor, enquanto a Rússia e a China se abstiveram. Somente Irã, Venezuela, Cuba e Nicarágua se posicionaram contra a resolução, numa clara demonstração de que não aprenderam nada com a derrubada de Kadafi e fazem o mesmo tipo de defesa incondicional do assassino Assad em nome de uma suposta luta anti-imperialista. Assim, deixam novamente a bandeira da defesa das liberdades democráticas nas mãos do imperialismo hipócrita e se recusam a defender o povo sírio, massacrado pela ditadura de Assad.


A oposição e a “ajuda” internacional

A oposição síria está atualmente dividida em dois setores. O setor minoritário, formado em Damasco por personalidades sírias, defende a reforma do regime e se opõe à intervenção estrangeira. O outro setor conformou o Conselho Nacional Sírio após reuniões na Turquia e em Bruxelas, com 190 membros, dos quais 60% estão dentro da Síria. Participam a Irmandade Muçulmana, liberais, as diversas facções curdas e aparentemente os Comitês de Coordenação locais. Estes comitês foram os que chamaram as mobilizações e hoje conformam o real motor da revolução. São a expressão síria do mesmo fenômeno de jovens ativistas, nas distintas cidades, utilizando as ferramentas da internet e redes sociais para articular as mobilizações contra o regime assassino.

A posição majoritária do Conselho é pela saída de Assad antes que as coisas fiquem piores, mas flertam com a possibilidade de intervenção estrangeira, seja ela limitada aos países árabes e à Turquia, seja ela limitada pela chamada zona de exclusão aérea e naval. Burhan Ghalioun, presidente do CNS, indagado sobre um eventual pedido de intervenção estrangeira, respondeu que no momento nenhum país quer intervir militarmente na Síria, mas “quando nos encontrarmos diante deste desejo, tomaremos a posição apropriada”.

Essa possibilidade é um grande perigo para a revolução: pode significar um freio ao processo revolucionário, o desarmamento dos Comitês que coordenam as manifestações e também uma repressão ainda maior contra os ativistas e lutadores.

A opção pela intervenção estrangeira não é majoritária dentro do Exército Livre da Síria. Apenas uma parte desse Exército, que é formado pelos oficiais dissidentes e que ainda não aderiu ao CNS, pede a intervenção internacional para criar uma zona de exclusão aérea e marítima, além de uma faixa do território setentrional sírio para que o Exército Livre possa operar militarmente a salvo das tropas de Assad.


Pressão dos Estados Unidos?

Como ocorreu no caso da Líbia, em que correntes chavistas e castristas apoiavam a permanência de Kadafi por considerá-lo um governo democrático e nacionalista que vinha sendo pressionado pelo imperialismo para deixar o poder, agora na Síria a mesma interpretação está de volta. Essas mesmas correntes vêm analisando as revoltas na Síria não como uma revolução democrática e popular, mas como uma provocação por parte dos Estados Unidos para que o governo Assad rompa relações com o Irã e, ao mesmo tempo, deixe de apoiar as forças palestinas que lutam contra Israel. Em artigo publicado no site Rebelión, que expressa essas posições políticas, diz-se que:

“O que preocupa os Estados árabes que apoiam a derrubada do regime sírio não é o confronto entre este e os manifestantes partidários da reforma na Síria. Nas palavras de um alto diplomata do Golfo, investiram-se uma década inteira e milhões de dólares tratando de afastar o presidente Bashar al-Assad de sua aliança com o Irã e para convencer Assad a mudar a política exterior de seu país em duas áreas chaves – Iraque e Líbano –, mas foi em vão. Segundo esse mesmo diplomata, a questão palestina não foi incluída nessas conversas, mas também faz parte da pressão americana contra Assad, para fazer com que os grupos da resistência palestina próximos à Síria se afastem para que se possa colocar em marcha a criação de um Estado palestino, socavando os partidários da resistência armada.”

Na verdade, o que esse artigo ignora é que a Síria vinha negociando e aceitando as imposições dos EUA há tempos. Por isso retirou-se do Líbano há seis anos, mantém a fronteira com Israel e o território que Israel usurpou da Síria nas colinas de Golã em rigorosa trégua.


Voltemos à história da Síria

Esse discurso da “conspiração colonial” vem sendo usado pelo governo sírio e seus apoiadores como forma de mostrar que a revolução das massas contra o regime não passa de uma manobra orquestrada pelo imperialismo para derrubar Assad e se apossar das riquezas do país. É um discurso que pressupõe, antes de mais nada, a distorção da própria história da Síria, de seu papel no mundo árabe e suas relações com o imperialismo. E, depois, a supressão total dos fatos que desencadearam a revolução e seu próprio desenrolar, com as massas ocupando as ruas e praças e a quantidade incalculável de mortos, presos e torturados, incluindo jovens e crianças indefesas, incluindo a perseguição à liberdade de imprensa para que nada disso seja divulgado.

Desde que obteve a independência em relação à França, em 1946, a história da Síria como república parlamentar esteve marcada por uma sequência de golpes militares e tentativas de golpe. Logo depois da independência, o país entrou em guerra com Israel, em 1948, e sofreu uma derrota militar. Em 1963, na esteira das lutas de libertação nacional que sacudiram o Oriente Médio, o Baath tomou o poder em uma revolta militar e viveu um período de enfrentamento com o imperialismo, alinhando-se ao nasserismo egípcio e ao Baath iraquiano. Enfrentou-se com Israel em várias guerras e colocava-se como defensor da causa palestina, intervindo em uma série de confrontos com Israel, como a Guerra dos Seis Dias em 1967, a Guerra do Yom Kippur em 1973 e a defesa do Líbano contra Israel em 1978.

A dominação do Baath vem desde essa época, mas, na medida em que foi perdendo a característica de defesa do nacionalismo pan-árabe, seu caráter reacionário foi ficando mais claro. O atual presidente, Bashar al-Assad, herdou o poder do pai, Hafez al-Assad, que governou de 1970 até sua morte em 2000. Ele se aproveitou de seu posto militar e na cúpula do Baath para chegar ao poder, dando um golpe dentro do próprio partido e exercendo um feroz controle do aparelho de Estado. Foi reeleito sucessivas vezes presidente do país, ao mesmo tempo em que se mantinha como secretário-geral do Partido Baath. No início dos sucessivos mandatos, ainda se apresentava como defensor do nacionalismo árabe e rejeitava as negociações de paz com Israel, e rompeu com Sadat quando este levou o Egito a assinar o tratado de paz com Israel. Mais tarde, seu governo, como o Baath iraquiano de Saddam Hussein e as demais correntes que se reivindicavam nacionalistas árabes, começou a ceder e buscar negociações com o imperialismo. Aceitou intervir no Líbano contra os palestinos e para impor uma estabilização que impedisse a queda do governo, mantivesse o Estado confessional libanês e deixasse as tropas sírias no território como garantia da ordem durante anos, com o beneplácito do imperialismo. Foi parte da santa aliança promovida pelo governo norte-americano de Bush pai em 1990 para invadir o Iraque governado pelo Baath. Traiu a causa árabe e até mesmo seus correligionarios do Baath no vizinho Iraque.

Desde que assumiu o poder, Assad intensificou a política de negociação com o imperialismo e tratou de reaproximar a Síria do governo norte-americano e, na prática, serviu de suporte de Israel no Oriente Médio, como já havia ocorrido antes com o Egito de Mubarak e a Líbia de Kadafi. Tanto é assim que as forças do Hamas que estão em território sírio já vêm sofrendo a perseguição por parte do regime e sendo convidadas a se retirar do país. O passado de atritos com Israel vem agora sendo usado pelos defensores de Assad como álibi para as pressões norte-americanas contra a Síria. Mas não fazem nenhuma avaliação do significado desses últimos anos de entrega e traição a seu povo e aos demais países árabes para mendigar um pouco das migalhas que caem da mesa do imperialismo.

Rever um pouco da história da Síria é fundamental para perceber a trajetória das relações políticas entre as burguesias árabes, que defendiam um projeto nacionalista entre os anos 50 e 70, principalmente após a criação do Estado de Israel, em 1948, e como essas relações foram se transformando com a dominação imperialista no Oriente Médio. É a demonstração da incapacidade das burguesias nacionais e dos movimentos nacionalistas burgueses de encabeçar uma saída de libertação nacional para seus povos. Mais cedo ou mais tarde, acabam capitulando ao imperialismo em função de seus interesses. Totalmente dependentes do mercado mundial para a exportação do petróleo, as burguesias árabes se submeteram e abandonaram qualquer veleidade de uma saída independente e tiveram de engolir a presença do enclave imperialista de Israel como cão de guarda na região. Hoje, essas burguesias, mais do que parceiras do imperialismo, são serviçais de sua política de espoliação das riquezas do Oriente Médio, de condenação das massas à penúria e a governos ditatoriais sangrentos.

É justamente contra esses governos e sua política totalmente pró-imperialista que a “primavera árabe” explodiu. E em seu bojo veio a revolução na Síria, uma revolução cujo pavio foi aceso pelo próprio governo ao reprimir violentamente uma pequena manifestação em Damasco pelas liberdades democráticas. Uma revolução que se incendiou ainda mais com a vitória das revoluções tunisiana e egípcia. O caráter feroz do regime e sua polícia secreta, donos da Síria há quatro décadas, veio à tona, às claras, para quem quisesse ver. Outro pavio que ajudou a incendiar a revolução na Síria foi o total descaso do governo para com as reivindicações do povo. Como disse Elias Khoury, em artigo para o site Rebelión, “o regime sírio substituiu a expressão ‘ratos’, utilizada por Kadafi para descrever os manifestantes líbios, por ‘micróbios’, numa demonstração de arrogância que só podia abrir caminho para a repressão impiedosa como único meio de frear o movimento popular, convertendo assim cada manifestação em um campo fértil para o assassinato e a violência”. (Quem conspira contra a Síria?, Rebelión, 11/11/2011)

Esses são os fatos, e qualquer análise sobre a revolução síria, se não quiser distorcer a realidade, deve partir deles. Só a partir desses fatos é possível entender o caráter da revolução síria em sua condição de revolução popular, iniciada por uma população em defesa de sua dignidade humana, pisoteada pelas botas militares e humilhada por um regime prepotente, que condena o país à fome, ao desemprego e à ameaça de fragmentação pela ação do imperialismo, que só a revolução poderá evitar.


Conflito interreligioso?

Existe outra tentativa por parte dos setores que apoiam o regime de desqualificar a revolução das massas sírias: caracteriza as revoltas como um conflito inter-religioso entre a maioria sunita, influenciada pelos fundamentalistas islâmicos, e as comunidades religiosas minoritárias (cristãos, xiitas, alauítas e drusos), protegidas pelo regime “laico” do Partido Baath.

De fato, as divisões inter-religiosas são grandes na Síria e fazem parte integrante de sua rica história. A maioria da população é de origem semita. Os muçulmanos são cerca de 90% do total, sendo 74% sunitas e 15% outros, incluindo os alauítas, os xiitas e os drusos. Existem cidades, como Khabab, que são inteiramente católicas. Há ainda uma pequena comunidade de judeus sírios (cerca de 4.500 pessoas). Os cristãos, cerca de 10% da população, são em ampla maioria constituídos de ortodoxos e católicos de rito oriental. Um dos mais antigos patriarcados cristãos, o de Antioquia, foi transferido durante a Idade Média para Damasco. Hoje esta cidade é a sede da Igreja Antioquina de confissão ortodoxa. Também há em Damasco um patriarca católico de rito grego.

No entanto, o conjunto de comunidades étnicas e religiosas que constituem o país, tanto muçulmanas como cristãs, assim como o ressurgimento do integralismo islâmico, nunca representaram uma fonte de conflitos, pois em geral conviveram pacificamente. Os conflitos sectários que surgiram em Homs na verdade são iniciados e alimentados pelo próprio regime para criar uma cultura de medo entre os cristãos, alauítas e drusos e com isso evitar sua maciça adesão à revolução. A palavra de ordem cantada nas mobilizações é clara: “Um, um, um, o povo sírio é um só!”.


Uma revolução democrática e popular

O verdadeiro caráter da revolução na Síria tem de ser encontrado, então, nas condições concretas em que vivem as massas. Um regime de 40 anos de ditadura militar foi alquebrando as condições produtivas do país, levando o povo à debacle e a própria burguesia à paralisia econômica. A tal ponto chegou a hostilidade que até mesmo a maioria da burguesia, inclusive a sunita, que apoiava Bashar, vem se opondo a ele e ampliando o isolamento do regime. Mesmo a comunidade alauíta, que apoia majoritariamente o regime, o faz não por laços religiosos ou “tribais”, mas pela presença desproporcional na alta hierarquia do Estado e das Forças Armadas.

Assim, o que vem ocorrendo na Síria é uma revolução popular e democrática por melhores condições de vida e pelo fim da ditadura militar.

Apesar dos cinco mil assassinados pelo regime, dos milhares de presos e exilados no Líbano e na Turquia, a balança está pendendo contra Bashar. O momento é de aprofundar a revolução com um projeto político claramente anti-imperialista e democrático que atraia as bases do Exército, levando ao colapso do regime. Uma vitória na Síria terá um tremendo impacto em toda a região e no mundo, mostrando que a via revolucionária de transformação da sociedade voltou à agenda das lutas operárias, juvenis e populares.

Os últimos acontecimentos na região fortalecem a revolução na Síria. No Egito, a juventude retomou a Praça Tahrir e exige a saída imediata dos militares. No Bahrein, as mobilizações estão voltando. No Iêmen, a renúncia do ditador Saleh foi bem recebida nas ruas, mas sua anistia é amplamente condenada nas mobilizações. A revolução no mundo árabe continua pulsando, ainda que com graves perigos.

O primeiro e mais importante é a ausência de uma direção revolucionária com apoio de massas, que possa conduzir a revolução até a tomada do poder por um governo dos trabalhadores. O segundo é o desarmamento da população. É necessário que a população se organize em milícias armadas urgentemente, antes que seja totalmente dizimada pelo governo. Com as deserções no Exército, inúmeros grupos militares passaram a pertencer ao Exército Livre. A divisão do Exército sírio debilita o regime e é muito importante para a vitória das massas, mas é preciso que esse Exército esteja sob controle de uma direção revolucionária das massas sírias, para que não se converta em instrumento dos interesses da burguesia e do imperialismo. O terceiro perigo é uma intervenção militar exterior, que viria para esmagar a revolução e não para “salvar as massas”, como alardeia o imperialismo.

A única forma de evitar esses perigos é seguir adiante, fortalecer e centralizar os Comitês de Coordenação locais, estendê-los para as Forças Armadas e continuar lutando até a derrota definitiva de Assad.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 15 de novembro de 2011

A “grande mentira”, o alicerce da propaganda nazista

Hitler, Goebbels e ‘Die große Lüge’


A mentira é sempre contrarrevolucionária. Na mão de pequenos escroques é uma arma ineficaz, mas nem por isso perde seu caráter político. Muitos já ouviram ou leram a máxima de que uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade. Esta frase, em várias versões é atribuída a Joseph Goebbels (1897-1945), o ministro da Propaganda do regime nazista. A frase é uma confirmação esplêndida da própria tese que ela anuncia. Não há nenhuma fonte confiável que permita confirmar que o braço direito de Adolf Hitler foi o autor desse dito e o mais provável é que a frase e a própria autoria não passem de uma inverdade. Entretanto, não deixa de ser verdade que Gobbels foi um mestre na transformação de mentiras em senso comum e verdade. É irônico, mas o mestre da falsificação foi, assim, vítima de uma.

A ideia de que uma grande mentira pode convencer as pessoas e parecer uma verdade consistente encontra-se, entretanto, presente no pensamento político nazista. Em seu clássico Mein Kampf, Adolf Hitler dedica todo um capítulo à Kriegspropaganda (propaganda de guerra). Nessa obra, o líder nazista distingue a propaganda da instrução. A instrução pode ter por público intelectuais e letrados e estar voltada para a produção e difusão do conhecimento científico. Mas é diferente com a propaganda. Ela teria outro objetivo e um público diverso. O objetivo era convencer e seu público era “a massa”. Segundo Hitler, a finalidade da propaganda:

“é a de despertar a atenção da massa e não educar os que já estão educados ou àqueles que estão atrás de educação e conhecimento, seu efeito deve ser cada vez mais dirigido para o sentimento e apenas em um grau muito limitado ao assim chamado intelecto. Toda propaganda deve ser popular e estabelecer o seu nível intelectual de acordo com a capacidade de compreensão da inteligência mais limitada dentre aquelas as quais se dirige. Consequentemente, quanto maior a massa que se quer atingir, mais baixo deverá ser o nível puramente intelectual.” (1943, p. 197)

A simplificação dos enunciados, a repetição incessante e o apelo direto às emoções do indivíduo-massa constituíam as principais técnicas da propaganda nazista. O fundamento dessa ideia era uma antropologia filosófica que reduzia a “massa” à completa estupidez, a cérebros vazios que podiam ser preenchidos com qualquer ideia adequadamente transmitida. Para reforçar o caráter irracional do povo, Hitler identificava nele um espírito feminino: “O povo, na sua grande maioria, é de índole feminina tão acentuada, que se deixa guiar, no seu modo de pensar e agir, menos pela reflexão do que pelo sentimento” (idem, p. 201). Apelar de modo eficaz a esse sentimento era crucial para convencer de modo rápido e duradouro. Desse modo, a propaganda deveria “se restringir a poucos pontos. E esses deverão ser valorizados como slogans, até que o último indivíduo consiga saber exatamente o que representa esse slogan” (idem, p. 203). A reprodução paciente e constante de algumas ideias capazes de tocar diretamente o coração, antes das mentes, era a chave dessa técnica.

A propaganda era para o nazismo um meio para um fim, a potência da nação alemã. Qualquer meio capaz de conduzir ao fim desejado encontrava-se previamente justificado e qualquer forma de propaganda em condições de aproximar o objetivo final era recomendada. A mentira podia ser, assim, um dos recursos utilizados para apelar às emoções das massas e quanto maior a mentira, mais capaz de atemorizar, de aterrorizar e de ascender as paixões. A surpreendente conclusão, apresentada no capítulo X de Mein Kamp era que quanto maior a mentira, mais eficaz ela poderia ser:

“Resulta da própria natureza das coisas que quanto maior a mentira mais fácil será que acreditem nela, pois a massa popular, nos seus mais profundos sentimentos, não sendo má, consciente e deliberadamente, é menos corrompida e, devido à simplicidade do seu caráter, é mais frequentemente vítima de grandes mentiras do que de pequenas.” (HITLER, 1943, p. 252)

Die große Lüge (a grande mentira) foi o alicerce da propaganda nazista. Na mitologia nazista, o complô secreto judaíco-marxista era o responsável pelo colapso da Alemanha. Considerar a guerra como responsável por esse colapso era uma grande mentira. As causas da ruína da nação deveriam ser encontradas naquelas ideias estranhas ao espírito alemão que haviam sido disseminadas pelo “judeu, acostumado à mentira, e o espírito combativo do seu marxismo” (idem, p. 252). A aliança entre banqueiros judeus e comunistas alemães era tão improvável quanto as profecias de Nostradamus. Mas o aparelho de propaganda nazista se encarregou de difundir a existência dessa esdrúxula comunhão, do mesmo modo como afirmou ser Adolf Hitler a encarnação do Hister mencionado pelo adivinho.(1)

Para combater o que julgava ser Die große Lüge, o nazismo transformou a mentira sistemática em uma arma de guerra. O ministro da Propaganda de Hitler foi o responsável por essa operação. Em uma dura crítica à propaganda de guerra do governo inglês e de seu ministro Winston Churchil (1874-1965), Goebbels afirmou:

“A coisa surpreendente é que Mr. Churchill, um genuíno John Bull, aferra-se às suas mentiras, e de fato repete-as até que ele mesmo passa a acreditar. Esse é um velho truque Inglês. Mr. Churchill não precisa de aperfeiçoá-lo, pois é uma das táticas da política britânica, conhecidas no mundo inteiro. Eles fizeram bom uso do truque durante a Guerra Mundial, com a diferença que a opinião mundial acreditava nelas, o que não pode ser dito hoje.” (GOEBBELS, 1941, p. 364. Cf. tb. idem, p. 365).(2)

A ideia de que a repetição de um fato poderia fazer com se acreditasse nela independentemente de sua consistência ou adequação à realidade estava na base de toda a propaganda nazista. Mas não era qualquer mentira que poderia tornar-se uma ideologia de massas. Para que isso ocorresse era necessário que a mentira fosse conforme àquilo que as pessoas queriam ouvir. O mecanismo que aproximou as massas do discurso nazista foi a identidade construída entre a estrutura de personalidade dos indivíduos massificados e a estrutura de personalidade do Führer.

Estabelecida essa identidade a propaganda nazista podia retirar de seu discurso todo argumento racional. O Führer era a encarnação do povo alemão. Sua revolta contra as autoridades, simbolizada pela sua prisão, era o simples chamado à luta contra as autoridades e poderes existentes e, ao mesmo tempo, a afirmação de uma autoridade inconteste. A identidade entre o Führer e o “povo” permitia mobilizar os ressentimentos predominantes na pequena-burguesia (cf. REICH, 1972, cap. II). O discurso racional cedia lugar às imagens capazes de apelar diretamente ao inconsciente das massas.

A forte associação entre a nação e a terra, entre a pátria e a família organizava um discurso político no qual era a própria existência da Alemanha e de seus habitantes o que se encontrava em jogo. A precariedade da existência já havia sido afirmada por uma guerra na qual morreram quase dois milhões de alemães, pela crise econômica e pelas revoluções que marcaram os anos que se sucederam ao conflito mundial. A insegurança era o sentimento predominante na pequena-burguesia. Uma terra ilimitada para a sobrevivência e bem-estar da família alemã era uma ideia capaz de comover uma pequena-burguesia amedrontada e assombrada pelo presente.

O nazismo foi um chamado à revolta dentro da ordem. Nas três primeiras décadas do século XX a pequena-burguesia alemã lutou desesperadamente contra as forças sociais e políticas que haviam perturbado sua paz: o capital financeiro e o trabalho, personificados nas figuras de dois estrangeiros, o judeu e o bolchevique. Nessa luta revoltou-se contra as autoridades e governos que julgava serem controladas por essas forças. Mas o seu propósito nunca foi suprimir toda autoridade e sim estabelecer uma autoridade suprema capaz de restabelecer a antiga ordem de paz e prosperidade de seus antepassados.

Os nazistas, revolucionários da ordem, construíram o maior movimento contrarrevolucionário do século XX (3). Para tal apropriaram-se dos nomes do socialismo e dos trabalhadores para batizar sua organização de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), adotaram formas de organização de massas inspiradas nos modelos do partido comunista e construíram um eficiente aparelho de propaganda. Seu discurso incendiário levou a pequena-burguesia à revolta apenas para reconduzi-la à ordem. A mentira era mais tranquilizadora do que a perigosa verdade. Mas pouco tempo depois o que havia diante do povo alemão era apenas a barbárie.


Referências bibliográficas

GOEBBELS, Joseph. Die Zeit ohne Beispiel. Munich: Zentralverlag der NSDAP, 1941, p. 364-369.

HITLER, Adolf. Mein Kampf: Zwei Bände in einem Band Ungekürzte Ausgabe. München: Zentralverlag der NSDAP, 1943.

REICH, Wilhelm. Psicología de masas del Fascismo. Madri: Ayuso, 1972.


1 Hister, entretanto não era uma pessoa e sim a denominação em latim do baixo rio Danúbio.

2 Essa é, provavelmente, a versão mais próxima da ideia de que uma mentira repetida muitas vezes se transforma em uma verdade. John Bull é um personagem ficcional criado no século XVIII e popularizado em cartoons dos séculos subsequentes que representa a Grã Bretanha. Geralmente é retratado como um homem gordo e de meia idade, vestido um casaco com as cores da bandeira nacional.

3 A ideia de que a contrarrevolução é, também, uma revolução pode ser encontrada em Marx. Em 1848, diante da derrota do movimento democrático alemão, escreveu: “We have never concealed the fact that we do not proceed from a legal basis, but from a revolutionary basis. Now the government has for its part abandoned the false pretense of a legal basis. It has taken its stand on a revolutionary basis, for the counter-revolutionary basis, too, is revolutionary.” MECW, v. 8)


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Evo Morales recua diante da onda de protestos indígenas

Em meio a uma das maiores crises de seu governo, presidente anuncia referendo sobre construção de estrada em área indígena


Pressionado pelo crescimento dos protestos indígenas, o presidente Evo Morales foi obrigado a recuar no projeto de construção da rodovia que cortará o Parque Nacional IsiboroSécure (Tipnis), entre os departamentos de Beni e Cochabamba. Após a violenta repressão contra os manifestantes, Morales anunciou a suspensão das obras e a realização de uma consulta às populações dos departamentos envolvidos.

Iniciados há mais de um mês, os protestos indígenas contra a construção da rodovia ganharam apoio de trabalhadores e estudantes e aumentam a pressão contra o governo Morales. Os indígenas são contrários à construção de um trecho de 300 Km que cortará a área de proteção ambiental. Eles questionam a viabilidade e a necessidade da estrada, e afirmam não terem sido consultados sobre ela, o que é uma exigência legal. Ainda segundo o movimento, a obra colocará em risco o modo de vida das comunidades locais e provocará a invasão de madeireiros e plantadores de coca.


Os interesses do Brasil

A rodovia Santo Ignácio de Moxos-Villa Turina faz parte da Iniciativa de Integração da Infraestrutura Regional Sul Americana (IIRSA), que visa interligar os portos do Atlântico e Pacífico por meio de estradas, ferrovias e hidrovias, facilitando o escoamento das mercadorias produzidas na região com destino aos mercados norte-americano e asiático. Justamente por isso a rodovia é de grande interesse do Brasil, que financia 80% do custo da obra via BNDES, que bancará US$332 milhões dos US$415 milhões totais.

O movimento também questiona o papel do Brasil no financiamento do projeto, e reivindica que a presidente Dilma suspenda o empréstimo do BNDES ao governo boliviano, uma vez que não foram realizados estudos sobre o impacto ambiental da obra. Apesar de esta ser uma das ‘exigências’ da política do banco, não é a primeira vez que a instituição concede financiamentos a projetos sem estudos ambientais.

Este é apenas um, dentre as dezenas de empreendimentos financiados pelo BNDES, e que estão sendo questionados pelas populações locais em função de seus graves impactos ambientais e sociais, o que deixa claro que tipo de projeto desenvolvimentista o Brasil defende e financia em seu papel de liderança na América Latina. Projeto que colonializa os territórios e as riquezas naturais dos países vizinhos em prol dos interesses das elites transnacionais brasileiras.

Sob a responsabilidade da empreiteira OAS Ltda, o traçado total do projeto chega à fronteira do Brasil pelo estado de Rondônia, e será fundamental para o escoamento da soja produzida no norte e centro-oeste do país, maior produtor e exportador da América Latina.Sendo assim, trata-se de mais um projeto financiado pelo dinheiro público que beneficiará os empresários do agronegócio e da construção civil, e que atenta aos interesses da população pobre e trabalhadora do continente, que segue sem acesso a serviços públicos básicos de saúde e educação, enquanto o dinheiro é usado para a construção de estradas.

A truculência de Evo Morales contra os manifestantes e sua atuação em total acordo com os interesses defendidos pelo governo brasileiro jogam por terra o discurso do “socialismo indígena” e provam que Morales está mais preocupado em defender as empreiteiras e multinacionais que dependem das riquezas naturais da Bolívia, do que a população indígena, por quem foi eleito.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 3 de setembro de 2011

Teresina: mobilização derrota prefeito e empresários e derruba o aumento da tarifa do transporte

Dirigente alerta para a necessidade da continuidade das mobilizações, até a estatização do transporte coletivo e o passe-livre para estudantes e desempregados


Após dias de intensos protestos que se enfrentaram com a polícia e a intransigência da prefeitura de Teresina e os empresários do setor, finalmente estudantes e trabalhadores derrubaram o aumento da tarifa do ônibus nesse dia 2 de setembro. Foram pelo menos cinco dias de radicalizadas manifestações que tomaram as ruas da capital do Piauí, incluindo uma manifestação que reuniu 30 mil no dia 1º, e não recuaram até a revogação do aumento, mesmo com a repressão policial e a criminalização de grande parte da imprensa.

Comemoração da vitóriaAcuado, o prefeito não teve escolha e decidiu suspender o reajuste na manhã desse dia 2 de setembro. Milhares de estudantes e trabalhadores comemoraram nas ruas da capital a vitória das mobilizações, que se tornaram grande exemplo de luta para todo o país. Mas que não terminou ainda. “Temos a plena consciência de que vencemos uma pequena batalha, mas existe uma guerra travada nessa cidade, que é pela municipalização do transporte público, porque sabemos que enquanto essas empresas estiverem nas mãos dos capitalistas, sempre vamos ser surpreendidos por mais um aumento”, afirma Maurício Moreira, professor da rede estadual, militante do PSTU e da Coordenação Estadual da CSP-Conlutas.

Maurício reitera ainda as demais reivindicações do movimento: passe-livre para estudantes e desempregados e a integração do transporte coletivo na cidade.


Fórum em Defesa do Transporte

Apesar dos protestos terem tomado a cidade nos últimos dias, a articulação dos movimentos sociais contra o reajuste da tarifa ocorreu logo após o anúncio da prefeitura da intenção de aumentar as tarifas, ainda em junho. “Desde o dia 1º de junho, quando foi anunciado o aumento dos preços das tarifas do transporte coletivo nós do PSTU, da CSP-Conlutas e da ANEL chamamos a criação um Fórum Estadual de Defesa do Transporte Público” , relata Maurício. Desde então, várias reuniões, seminários e manifestações foram realizados contra o aumento das passagens.


No dia 27 de agosto, sábado, porém, os teresinenses acordaram com a notícia de que prefeito Elmano Ferrer (PTB) havia decretado o aumento da tarifa na madrugada, de R$ 1,90 para R$ 2,10. O fórum intensificou as mobilizações e a indignação generalizada levou milhares de estudantes e trabalhadores às ruas. A luta, porém, não acabou com o anúncio da suspensão do aumento. A imprensa teresinense informa que o decreto é temporário e por enquanto vale somente por 30 dias. Além de consolidar essa vitória que já se tornou um marco na luta pelo transporte, o fórum quer ampliar as mobilizações para a estatização do transporte e seu funcionamento para os interesses da população e não para os lucros dos empresários.

”Queremos a municipalização já do sistema de transporte coletivo, para que os R$ 88 milhões mensais gerados de lucro sejam revertidos em melhorias do transporte e serviços para a população teresinense e não para os bolsos de treze empresários privilegiados da cidade”, diz Maurício.


LEIA MAIS

  • Nota pública do Fórum Estadual em Defesa do Transporte Público de Teresina: 'A luta continua'


  • Retirado do Site do PSTU

    sábado, 13 de agosto de 2011

    PSTU exige que governo Dilma rompa relações do Brasil com a ditadura da Síria

    Leia a nota do PSTU sobre as recentes declarações do chanceler Patriota e a ditadura Assad

    Manifestação na Turquia contra a ditadura na Síria

    O jornal Folha de S. Paulo da quinta-feira, dia 11 de agosto, publicou matéria sobre a situação da Síria destacando as declarações do Ministro das Relações Exteriores do Brasil, Chanceler Antonio Patriota, apoiando a permanência do ditador Bashar Assad no poder apesar da heróica luta do povo sírio pelo fim desta ditadura sanguinária e pró-EUA.

    Nas palavras do Chanceler brasileiro: "Tem que ter um pouco de prudência na aplicação do remédio, para que ele não mate o paciente" ... “Alternativas ao governo atual podem ser até mais problemáticas" ... "O que você faz? Tira o Assad e quem assume? O Exército? Outras forças que podem ser mais radicais, mais progressistas? Como [elas] conseguem implementar um plano de reforma?" ... Na mesma matéria chega a afirmar que os contatos com Assad e representantes de seu governo demonstram sua "disposição de assumir responsabilidade no fim da violência e na aceleração das reformas políticas".

    Ao contrário da posição absurda de Patriota e do governo brasileiro, os fatos demonstram absolutamente o contrário, ou seja, a intensificação da violenta, criminosa e sangrenta repressão da ditadura síria contra a justa insurreição do seu povo pela democratização do país. O processo revolucionário na Síria já dura pelo menos cinco meses.

    Segundo fontes internacionais, os mortos já chegavam, até o fim da semana passada, a mais de dois mil, sendo que a esmagadora maioria é de civis que participavam das manifestações contra a ditadura. Além das dezenas de milhares de feridos.

    Estes números podem ser inclusive muito maiores, afinal a imprensa internacional segue proibida até hoje de cobrir os acontecimentos na Síria. Revelando que a disposição de Assad com reformas democráticas só existe nas declarações escandalosas da diplomacia brasileira.

    A substituição da ditadura de Assad por um governo que, por exemplo, cobre com mais veemência a devolução do território das Colinas de Golã, que Israel tomou da Síria em 1967 na chamada Guerra dos Seis Dias, já seria suficiente para desestabilizar ainda mais a região do Oriente Médio. Israel, o maior aliado dos EUA na região, continua pressionado pela heróica luta do povo palestino e ficaria ainda mais isolado caso se retomasse uma nova disputa acirrada com a Síria.

    Por isso, que em pese algumas declarações formais contra a violenta repressão, a ONU e os países imperialistas, especialmente os EUA, silenciam diante deste verdadeiro “banho de sangue”. Sempre é bom lembrar que a ditadura de Assad se tornou um dos governos que mais defendem os interesses imperialistas dos EUA na região.

    O PSTU vem a público reafirmar seu total apoio a revolução do povo sírio contra a ditadura de Assad. A luta do povo sírio é parte integrante das Revoluções do Mundo Árabe que sacodem toda a região e já derrubou as ditaduras na Tunísia e no Egito.

    Não cabe ao governo brasileiro julgar e definir os destinos deste povo que vem dando grande exemplo com sua luta heróica contra o regime ditatorial e contra o aumento da miséria, uma das muitas conseqüências da intensificação da crise econômica internacional.

    Exigimos do governo brasileiro que deixe de apoiar esta ditadura sanguinária e rompa imediatamente as relações comerciais e diplomáticas com a Síria, enquanto a ditadura se mantiver no poder.

    Chamamos todos os movimentos sociais combativos e as entidades que lutam pelos direitos democráticos no Brasil para intensificarem a campanha pela derrubada da ditadura de Assad e a favor da luta heróica do povo sírio, exigindo do governo brasileiro a ruptura de relações com este ditador.

    Nosso partido apóia também a resolução tomada na última reunião da Coordenação Nacional da CSP Conlutas no sentido de ampliar no Brasil o apoio à luta do povo sírio pelo ‘Fora Assad’, cobrando do governo brasileiro uma mudança radical da postura que vem mantendo de apoio a esta ditadura sanguinário e pró-imperialista.

  • Viva a luta do povo sírio! Abaixo a ditadura e o regime de Bashar el Assad!

  • Viva a revolução síria e árabe! Fora imperialismo!

  • Dilma rompa as relações comerciais e diplomáticas com a ditadura síria!


  • Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 9 de agosto de 2011

    Crise econômica e violência policial desatam onda de protestos em Londres

    Polícia assassina jovem negro e provoca levante na periferia britânica, descontente com a crise econômica e social


    Polícia reprime manifestantes em Londres
    O assassinato de um jovem negro pela polícia no subúrbio de Londres deu início a uma onda de radicalizados protestos que em pouco tempo se alastrou pela periferia da capital britânica . Mark Duggan, de 29 anos, foi morto pela polícia no bairro de Tottenham, no último dia 4 de agosto, em uma quinta-feira, em circunstâncias ainda não esclarecidas. Ele estava em um taxi quando foi atingido pelos disparos da polícia.

    A Scotland Yard havia dito que os agentes apenas responderam aos tiros efetuados pelo jovem. O jornal The Guardian, porém, informou que os primeiros exames realizados em um rádio comunicador da polícia, revelam que ele foi atingido por disparos da própria polícia.

    No sábado, dia 6, cerca de 200 pessoas, entre amigos e familiares protestaram na delegacia da região pela morte do jovem, com gritos de “Justiça para Duggan”. A polícia reprimiu violentamente a manifestação e só jogou mais gasolina na revolta. O protesto logo se transformou em uma revolta radicalizada que, no domingo, já se espalhava do norte de Londres, para a periferia ao sul da cidade, em bairros como Brixton, e até mesmo próximo do centro, como Oxford Street.


    Levante

    As manifestações continuaram em uma escalada progressiva nos três dias seguintes. Saques, carros, ônibus e prédios incendiados mostravam a raiva acumulada pela juventude londrina, grande parte composta por negros e imigrantes. A intensidade da revolta pegou o governo e as autoridades de surpresa. O primeiro-ministro David Cameron, que se recusou a interromper as férias enquanto as bolsas em todo o mundo despencavam, retornou ao posto para cuidar da crise aberta pela revolta.

    A resposta da polícia, por sua vez, foi ainda mais violência. Ao final desse dia 8, no terceiro dia de protestos, 200 pessoas já havia sido presas. O governo responsabiliza a revolta pela suposta ação de “vândalos” e diz que a onda de violência se daria por um fenômeno de “criminalidade imitada”. A ministra do Interior, Thereza May, qualificou os manifestantes de “delinquentes”. Já a grande imprensa, com o aval da polícia, por incrível que pareça, afirma que a “desordem” foi organizada através das redes sociais, como o twitter e o facebook.




    Bomba relógio

    O assassinato do jovem negro pela polícia foi o estopim para uma revolta generalizada, dando vazão a uma situação de ódio acumulado por anos de repressão policial, discriminação e pobreza aprofundado pela crise econômica. O caráter anárquico dos protestos e a radicalização lembram as manifestações que tomaram conta dos subúrbios de Paris em 2005, quando a violência da polícia provocou uma onda de revoltas, justamente como acontece em Londres.

    Agora, o desemprego, os cortes sociais, o desmonte do que restou do Estado de Bem Estar Social e a crescente xenofobia na Europa são o fermento para revoltas cada vez mais violentas de uma juventude sem perspectivas.




    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 21 de junho de 2011

    Cerca de 300 mil pessoas marcham na Espanha contra a crise

    O chamadao '19-J' foi maior que o '15-M'. Protestos se radicalizam e já falam em 'greve geral'


    Marcha do 19-J em Barcelona
    Em Madrid várias marchas saíram dos bairros e no caminho formaram seis grandes marchas até Netuno (monumento na Praça Cánovas del Castillo), juntando seguramente mais de 100 mil pessoas. Em Barcelona, desta vez, 100 mil foram às ruas, segundo os jornais. Em todo o país, é possível que mais de 300 mil pessoas tenham protestado.

    O protesto foi visivelmente maior que a manifestação de 15 de março, o “15-M”, e desta vez houve uma composição mais popular que estudantil na mobilização e, inclusive, maior participação operária.

    Convocado nas assembléias dos bairros, não apenas pelo 15-M, mas também por organizações sociais, sindicais e políticas que já vinham enfrentando os planos do governo e denunciando o papel cúmplice da CCOO e UGT, o 19-J incorporou com mais peso reivindicações mais operárias, como que os “capitalistas paguem pela crise” e a exigência de greve geral, incluída no manifesto lido em Netuno.

    Uma das seis marchas veio de Vallekas, um bairro operário, e trazia à frente um cartaz que dizia “marcha contra a crise e o capital. Que os capitalistas paguem pela crise” e um carro de som com a faixa “Vallekas com a Greve Geral”.

    As reivindicações democráticas seguem tendo muita força: “o que chamam democracia não o é”, “não, não, não nos representam”, “contrato de um dia para a monarquia”, “me dá um apartamento, como o do príncipe”, seguem sendo consignas abraçadas pela multidão.

    Começam, no entanto, a aparecer diferenças e os limites desse setor que foi a direção do 15-M, e ainda continua sendo, ainda que nos bairros tenha menos controle. Inclusive porque a base social se torna mais popular. Este setor, que está na “Democracia Real Yá” e os das redes sociais e organizações como Attac defendem reformas no atual “Estado de Direito”, enquanto as manifestações seguem e se chocam com isso.



    Na semana que passou, em Barcelona, os indignados cercaram o parlamento e achincalharam os políticos, que votam os cortes sociais que os capitalistas de toda a Europa exigem. E os governos passaram a ter uma política de criminalização do movimento. Setores da direção, “pacifistas”, ao invés de denunciar a criminalização, condenaram a suposta violência dos manifestantes.

    Ainda que não se deva cair, nem protagonizar provocações e, sim, às vezes há infiltrados da própria polícia, ou inclusive setores mais exaltados do movimento; violência, como dizia uma faixa em Madrid, é o salário não chegar ao fim do mês, violência são os recortes sociais votados pelos deputados, violência é a precariedade trabalhistas e os despejos de moradores sufocados pelas hipotecas.

    Desta vez, a manifestação protestava também contra o pacto do Euro, que deve ser celebrado em 27 de junho. Este “pacto” representa uma nova rodada européia de contra-reformas e retirada de direitos dos trabalhadores em prol dos banqueiros. Uma resposta em busca de uma saída capitalista para a crise, que apenas se aprofunda, como ficou demonstrado com o que tem se passado na Grécia.


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 17 de junho de 2011

    Protestos abalam governo na Grécia

    Crise política se aprofunda e se soma à crise social e econômica


    Primeiro-ministro grego está por um fio
    A greve geral e jornada de mobilizações contra o novo pacotes de ajuste fiscal realizadas nesse dia 15 de junho balançou o governo do primeiro-ministro grego George Papandreou (do partido socialista Pasok). A terceira greve geral só nesse ano contou com manifestações que chegou a reunir dezenas de milhares de pessoas na capital Atenas. Manifestantes radicalizados tentaram cercar o prédio do Ministério das Finanças, sendo reprimido pela polícia, o que transformou o centro da cidade numa verdadeira praça de guerra.

    Pelo menos 40 pessoas foram presas e 10 foram feridas pela polícia. O parlamento deveria iniciar no dia a discussão sobre mais um plano de ajuste fiscal exigido pela União Europeia e a FMI para a concessão de novo empréstimo, a fim de o país do mediterrâneo poder continuar rolando sua dívida pública. Diante das cenas de guerra civil, porém, o governo que já enfrenta profundo desgaste, balançou. Papandreou anunciou a dissolução do atual Executivo e a formação de um novo gabinete que, segundo ele defendia, fosse de “união nacional”.

    O principal partido de oposição, o direitista Nova Democracia, no entanto, rechaçou o convite realizado por Papandreou e exigiu novas eleições. A pré-condição estabelecida pelo atual governo grego para a nova composição seria a aceitação incondicional dos termos do novo acordo já firmado com a FMI e a UE. Os jornais gregos definem de tal forma o impasse: “Papadreou não pode governar, e a oposição não quer”. Assim, o “novo” governo não deve superar a crise política, que se soma à profunda crise econômica e social pelo qual a Grécia se arrasta há pelo menos dois anos.

    Nesse dia 16 o primeiro-ministro realizou no parlamento grego um novo apelo às demais forças políticas e à população, em defesa dos novos cortes e privatizações. “O país passa por um momento crucial e agora o mais importante é a estabilidade”, discursou. “Passamos por um momento difícil e não devemos nos render”, disse, esquecendo-se que o seu governo já está completamente rendido aos ditames do FMI e do Banco Central Europeu.

    Papandreou criticou ainda as manifestações contra os pacotes de ajustes, dizendo que a culpa pela crise era do próprio povo grego. Ele disse que se deveria “abandonar a lógica de que a culpa é dos outros, o que leva à inércia e a depender dos credores” . Os trabalhadores e a juventude grega, por outro lado, não compram a ideia de que são culpados pela crise. “Não vamos pagar por essa crise”, era a palavra de ordem das manifestações desse dia 15.


    O Mundo em alerta

    O cada vez mais iminente calote da dívida grega fez despencar as bolsas em todo o planeta e desvalorizou ainda mais o Euro. Isso se deve a dois fatos, conhecidos por todos os mercados: a dívida da Grécia, equivalente a um PIB e meio do país, é impagável, e o “default” (calote) causaria um efeito em cascata que prejudicaria grandes bancos europeus e norte-americanos. Além disso, levaria ainda mais desconfiança para outros países da Zona do Euro, como Portugal e Irlanda, além de colocar a própria moeda comum em xeque.

    A onda de pessimismo piorou quando a agência de risco Moody’s rebaixou a nota dos três maiores bancos da França. Os bancos franceses detêm o equivalente a 56 bilhões de dólares da dívida grega. Já os bancos alemães têm nas mãos papeis da Grécia que equivalem a 33 bilhões. Os bancos norte-americanos, por sua vez, são os principais emissores de CDS (credit default swaps), espécie de seguro contra calotes, e seriam fortemente atingidos no caso de uma moratória.




    Sangria

    Os planos de ajuste imposto pelo país desde 2010 prevêm uma brutal redução do déficit publico, de 12,7% para 3% em 2012. Isso se daria através do aumento de impostos, profundos cortes sociais, reformas e privatizações. Mesmo que isso fosse levado a cabo, através de um ataque sem precedentes ao povo grego, a dívida não só não seria paga, como cresceria como uma bola de neve. Á medida que a crise se aprofunda, os juros que incidem sobre a dívida só aumentam; passaram nos últimos dias de 17,3% para 17,7%.

    O governo da Grécia e os organismos financeiros internacionais estão, ao lado do imperialismo europeu e norte-americano, decididos a levar o plano de austeridade às últimas conseqüências. Felizmente, os trabalhadores e a juventude do país também se mostram decididos a dar sua resposta nas ruas a esses ataques.


    LEIA MAIS

  • Nova greve geral para Grécia contra pacote de ajuste fiscal


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 9 de junho de 2011

    Estudantes voltam às ruas de Natal para exigir impeachment de prefeita

    Estudantes e trabalhadores protestam em Natal
    "Fora Micarla! Fora Paulinho! Arruma a mala e vai saindo de fininho!". Essa foi uma das palavras de ordem mais cantadas pelos cerca de 300 estudantes que protestaram nas ruas de Natal na manhã desta terça-feira, dia 7. Nem mesmo a forte chuva impediu os manifestantes de realizar a terceira passeata exigindo o impeachment da prefeita Micarla de Sousa (PV) e de seu vice, Paulinho Freire. Nos últimos dias, sem ter a chuva para atrapalhar, as duas primeiras manifestações do movimento “Fora Micarla!” reuniram uma média de 2500 pessoas, entre trabalhadores e estudantes.

    Os protestos vêm pedindo a saída da prefeita diante do quadro caótico em que se encontra a capital do Rio Grande do Norte. São ruas esburacadas, praias poluídas, coleta de lixo irregular, escolas funcionando precariamente, serviços de saúde sendo privatizados e servidores mal remunerados. Após uma caminhada pelo centro da cidade, com direito à parada em frente à sede da Prefeitura, os estudantes seguiram até a Câmara de Vereadores, onde mantêm uma ocupação neste momento.


    Ocupar e resistir

    O protesto seguiu até a Câmara Municipal de Natal com o objetivo de pressionar os vereadores a iniciarem o processo de impeachment da prefeita Micarla. Com muita irreverência, faixas, cartazes e narizes de palhaço, os estudantes ocuparam o auditório do prédio aos gritos de “Fora Micarla!”. Separados do plenário da Câmara por uma proteção de vidro, os manifestantes exigiam que os vereadores se posicionassem sobre o impeachment. Sob um coro de vaias e muito protesto, o presidente da Casa, vereador Enildo Alves, decidiu encerrar a sessão. Ele ainda classificou o movimento como baderneiro e anti-democrático.

    Depois de encerrada a sessão, os estudantes resolveram manter a ocupação com um acampamento no pátio da Câmara. “O entendimento do pessoal é manter a ocupação sem previsão de sair. Também queremos construir um grande ato com todas as centrais sindicais, sindicatos e entidades estudantis para fortalecer o movimento e ter mais visibilidade diante da população. De acordo com vereadores da oposição, a abertura do processo de cassação do mandato da prefeita poderia ser iniciada com o recolhimento de 15 mil assinaturas. A gente só pretende sair daqui quando conseguir o impeachment da prefeita. E nós não vamos parar por aí”, disse o estudante e militante da ANEL Luiz Lima.




    "Ô, ô, ô Micarla! Não fuja não! A juventude vai fazer revolução!"

    Embalados pelas revoluções em curso no Oriente Médio e Norte da África, com forte participação da juventude, os estudantes de Natal mostraram disposição para fazer história com o movimento pela derrubada da prefeita Micarla. Nas ruas da cidade ou na ocupação da Câmara, os manifestantes repetiam numa só voz um aviso em forma de palavra de ordem. "Ô, ô, ô Micarla! Não fuja não! A juventude vai fazer revolução!", cantavam.

    Apoiando o protesto desde seu início, a professora Amanda Gurgel também defendeu o impeachment da prefeita. “Não somos obrigados a engoli-la porque ela foi eleita. Mandatos deveriam ser revogáveis. Se não presta, rua. E Micarla não presta para governar Natal”, destacou Amanda.

    Os manifestantes estão se organizando para coletar as 15 mil assinaturas, o que equivale a 3% do eleitorado de Natal. Em seguida, o objetivo é apresentar o pedido de impeachment formalmente à Câmara Municipal. Dessa forma, mesmo a contragosto, os vereadores serão obrigados a votar o afastamento da prefeita Micarla de Sousa. "Mas não basta pedir o impeachment da prefeita. Nós também não queremos o vice Paulinho Freire. É preciso derrubá-los nas ruas", defende Amanda.


    Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 6 de junho de 2011

    Nota oficial do PSTU: Somos todos bombeiros!

    O PSTU vem a público manifestar total apoio à luta dos trabalhadores do corpo de bombeiros, que durante meses vem exigindo do governador Sergio Cabral que sente para negociar suas reivindicações por melhores condições de trabalho, por um aumento decente dos salários, pelo pagamento do vale transporte, e pelo fim das gratificações. E agora também exigem a não punição dos dirigentes das manifestações e de qualquer lutador da categoria.

    Aproveitamos este momento para denunciar a atitude covarde que este governador vem tendo com a população do estado do Rio de Janeiro. Em 2009 jogou bomba contra os profissionais de educação, que manifestavam pacificamente em defesa de seu plano de carreira e pelo reajuste de um salário de fome de R$ 700,00. Com os moradores do Morro do Bumba teve a coragem de jogar spray de pimenta em crianças de quatro anos de idade que junto com os seus pais protestavam pelo não cumprimento das promessas de construção de novas casas. Na região serrana do Rio, que viveu no início do ano uma imensa tragédia, acontece o mesmo, muita promessa e pouca ação do governo.

    Durante a visita de Obama ao Rio de Janeiro, numa postura submissa, Cabral prendeu 13 trabalhadores e estudantes, em sua maioria militantes do PSTU, que protestavam contra o roubo do nosso petróleo. Para agradar Obama, falsificou provas para mandar os presos para presídios. Foram 72 horas de prisão pelo simples fato de lutarem e defenderem o interesse do país.

    Agora é com os bombeiros. Esses trabalhadores tiveram um papel decisivo na ajuda à população da região serrana em janeiro de 2011 e do Morro do Bumba em março de 2010. Eles gozam de um amplo apoio da população pelo bons serviços que prestam, não é à toa que, numa recente pesquisa do jornal Folha de S. Paulo, 85% da população se colocou contra a atitude do governador Sérgio Cabral de não negociar e reprimir os bombeiros e seus familiares.

    Nós, do PSTU do Rio de Janeiro, não temos dúvidas que este governador criminaliza a pobreza e os movimentos sociais. Aliás, esta é uma prática dos governantes em todo o país. Dilma, presidenta do país, após permitir a destruição do código florestal que preservava as florestas, facilita a vida dos empresários do agronegócio que vão poder destruir as florestas sem qualquer punição, fechando os olhos para o massacre contra os povos da floresta e seus líderes. Não é à toa que nesse momento existe uma lista de mais de 3.600 trabalhadores rurais ameaçados de morte. Só na semana passada, foram assassinados cinco dirigentes rurais no Norte do País, que perderam a vida defendendo a floresta amazônica contra o desmatamento.

    O governo diz que não pode fazer nada contra os empresários do campo, também não pode fazer nada contra o enriquecimento do ministro da Casa Civil, como também não pode fazer nada contra o aumento vergonhoso dos deputados.

    Mas podem colocar na cadeia os trabalhadores que lutam por seus direitos, como faz aqui o governador Sérgio Cabral, que atacou na ultima sexta-feira milhares de bombeiros e seus familiares e que teve a coragem de ir para a televisão chamar os bombeiros de vândalos, bandidos e covardes.

    "Covarde" é este governador que paga um dos piores salários do país para professores e bombeiros; "bandido" é o governador, que não paga o vale-transporte para o deslocamento do trabalho para casa dos bombeiros; "vândalo" é o comando da polícia que, a mando de Sérgio Cabral, invadiu com o BOPE o quartel-geral dos bombeiros na ultima sexta-feira, dando tiros, batendo e prendendo 439 trabalhadoras e trabalhadores do corpo de bombeiros.

    É bom que o governador saiba que o descontentamento não é só com os bombeiros. Também na Polícia Militar há insatisfação com os baixos salários e questionamento à repressão contra os bombeiros. Por esse motivo, um setor da polícia se negou a invadir o quartel, obrigando o governador a apelar para o BOPE.

    SOMOS TODOS BOMBEIROS
    Achamos que a ampla unidade da população e dos trabalhadores do país em defesa dos bombeiros é fruto da clareza de que temos que dar um basta nesta truculência, neste autoritarismo do governador. Por isso o Rio vai vestir vermelho e assumir que somos todos bombeiros, e que não descansaremos enquanto não forem libertados todos os bombeiros presos.

    O PSTU exige a imediata libertação dos 439 presos políticos do Corpo de Bombeiros, a abertura imediata das negociações com o atendimento das reivindicações dos bombeiros, nenhuma punição aos que lutam pelos seus direitos, pelo fim da criminalização dos movimentos sociais, pelo direito de greve e sindicalização dos militares.
    Lutar não é crime, lutar é um direito!

    SOMOS TODOS BOMBEIROS!


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 17 de maio de 2011

    LIT-QI: Estamos com as revoluções líbia e síria! Abaixo a intervenção imperialista!

    Leia abaixo declaração atualizada da Liga Internacional dos Trabalhadores sobre as revoluções árabes


    Protesto contra ditador sírio em Londres
    A revolução árabe continua se expandindo. Inclusive nos países como Egito e Tunísia, onde os governos ou regimes ditatoriais foram derrubados, os processos continuam se desenvolvendo.

    Suas raízes são a luta contra ditaduras que já duram 30 ou 50 anos, as terríveis contradições sociais entre a tremenda riqueza dos recursos naturais e a pobreza da maioria da população, e a corrupção destes regimes e governos. Os efeitos da crise econômica internacional serviram de detonadores, ao disparar o desemprego, especialmente na juventude, e o aumento dos preços dos produtos básicos. No mundo árabe, não há país que tenha ficado imune aos processos revolucionários: a Tunísia foi o início, no Egito deu-se um salto, estendeu-se e depois se expandiu para Líbia, Bahrein, Iêmen e toda a região do Norte da África e Oriente Médio, inclusive Síria. Mas, hoje, todos esses processos enfrentam um contra-ataque da contrarrevolução que se manifesta com uma virulência muito grande, embora com diferentes formas e personagens.


    A Síria é parte da revolução árabe

    A revolução árabe, no seu conjunto, expressa também a luta contra a pilhagem imperialista e contra Israel. A Líbia e a Síria não fogem desse processo. A explicação de seus governos (a luta popular é, na verdade, uma “conspiração” contra regimes que “se opõem ao imperialismo”) é uma completa mentira. Apesar dos discursos, o presidente sírio Bashar al-Assad também é, hoje, um guardião da ordem e da estabilidade regional: suas fronteiras com Israel são as mais calmas de toda a região. Kadafi, por sua vez, já nem sequer mantinha seu discurso anti-imperialista quando a revolução na Líbia explodiu.

    A luta do povo sírio já dura mais de 50 dias e cada vez mais cidades e setores se juntam ao processo de luta revolucionária contra a ditadura dos Assad (como se fosse uma “dinastia”, Bashar herdou o poder do seu pai Hafez), que responde com cada vez mais violência à justa luta do seu povo.

    Já houve mais de 500 mortes de manifestantes em decorrência da repressão, que chega a utilizar tanques contra civis desarmados. Existem mortos a cada dia. Mas, apesar da repressão, a luta continua se estendendo. E já aparecem as primeiras notícias de divisões no partido do governo e no exército. O governo de Bashar al-Assad (cuja família controla o poder há quatro décadas) começou, em 2000, prometendo algumas “reformas democráticas”, mas, diante do atual processo de lutas, desencadeou uma repressão cada vez mais dura que, além das centenas de mortos, já fez milhares de presos.

    Os EUA não querem que o regime sírio caia porque, assim como em Israel, preferem ficar com “o conhecido” diante da revolução síria. Inclusive na Síria, cujo governo tem um “discurso” contra a agressão israelense, o maior medo é a “desestabilização”. Isto é, o avanço da revolução. Por isso, apesar das diferenças em seu “discurso”, apesar de ter sido considerado parte do “eixo do mau” até poucos anos atrás, o imperialismo repete na Síria o que fez diante da revolução egípcia e está fazendo no Iêmen: aconselha “reformas”, pressiona por “aberturas”, mas não se joga para derrubar o regime.


    A resposta do imperialismo

    No mundo árabe, existe uma situação de encruzilhada em que o imperialismo e as burguesias nacionais iniciam uma contraofensiva contrarrevolucionaria diante do processo revolucionário. Na Líbia, ela se apoia em uma intervenção militar, com o aval da ONU; no Bahrein, na invasão de soldados da Arábia Saudita; no Iêmen, em uma fortíssima repressão do regime. O mesmo acontece na Síria, embora este regime se apresente como “oposição” ao sionismo e ao imperialismo.

    Qual é a política do imperialismo diante da revolução árabe? Tentar manter o controle e a estabilidade da região, com regimes que garantam a “ordem”. A revolução árabe ameaça a raiz desta “ordem” e desta “estabilidade” imperialistas com sua luta contra os regimes que são parte explícita deste dispositivo ou contra aqueles que, apesar de certa retórica, ajudam de fato a mantê-lo.

    A maior ameaça atual para o imperialismo é a possibilidade de que o processo se estenda para a Arábia Saudita, a maior produtora mundial de petróleo e “garantia” do seu abastecimento internacional. Além disso, há a ameaça à existência do enclave militar imperialista de Israel, que agora sofre “instabilidade” em todas as suas fronteiras: com o Egito, com a Síria e devido à retomada da luta palestina, apesar da colaboração da Autoridade Nacional Palestina (ANP).

    Por isso, desde o início da revolução árabe, há um profundo medo do imperialismo e do sionismo de que o processo derrote as ditaduras que, como na Arábia Saudita, garantem a produção de petróleo ou, como no Egito, ajudavam a “segurança” de Israel. E se não é possível impedir que esse regime caia, que seja substituído por outro que também garanta essas questões centrais.

    Com este objetivo de manter a ordem e impedir a total desestabilização regional, o imperialismo aplica diferentes táticas e políticas conforme o país. Até agora, apoia Assad na Síria. Na Líbia, tinha recomposto suas relações com Kadafi e apoiava o seu regime, até que a insurreição popular e a guerra civil iniciada pelo ditador desestabilizaram completamente o país e ameaçaram o fluxo de petróleo para a Europa. No Bahrein, apoiou a invasão de tropas da Arábia Saudita para que, por meio de uma feroz repressão, freassem por enquanto a revolução.


    Abaixo a intervenção imperialista na Líbia!

    A intervenção militar imperialista na Líbia ocorre justamente porque, a partir da perda de controle do país por parte de Kadafi e a explosão da guerra civil, foram organizados comitês populares que se armaram, expulsaram o exército de Benghazi e outras cidades, e causaram uma divisão nas forças armadas, o que faz com que seja praticamente impossível reestabilizar o país com o ditador no poder. Atualmente há um impasse porque os rebeldes, devido a sua debilidade militar, não conseguiram derrubar Kadafi, e nem este conseguiu derrotar os rebeldes, apesar das modernas armas que o imperialismo lhe forneceu no passado. Há semanas a frente militar na prática se estagnou.

    O imperialismo aproveita essa situação e intervém, em nome de “salvar vidas” e da “paz”. Por que continua um impasse militar, apesar da intervenção imperialista? Um aspecto central é a característica da intervenção. O imperialismo não enviou tropas terrestres, mas, sim, por intermédio da OTAN, faz ataques com a força aérea e com mísseis a partir de navios próximos. Nem sequer a França e a Grã-Bretanha se atreveram, até agora, a colocar tropas no território líbio.

    Qual é o motivo? O contexto é a crise política aberta com a derrota do projeto Bush. Dentro da burguesia imperialista norte-americana há uma profunda discussão sobre o que é e o que não é de “interesse vital” para os EUA na região. Assim, a proposta de setores importantes foi deixar a “peso” da intervenção na Líbia nas mãos dos europeus e inclusive se discute “passar” a guerra do Afeganistão para os novos “sócios” (como Rússia, China, Índia, e até Irã).

    É a “síndrome do Iraque” (o péssimo resultado militar da invasão deste país e o desgaste que ocasionou ao governo de Bush) que gera uma nova política de evitar intervenções militares terrestres. Prova disso são as declarações do secretário de Defesa de Obama, Robert Gates, que disse que seria “impensável uma nova intervenção com tropas terrestres. Se algum ministro de Defesa propusesse isso, deveria ser internado em um manicômio.” Por isso, usam tanto os mísseis, a aviação e os drones.


    O Conselho Nacional Líbio

    Do outro lado, a principal debilidade do campo rebelde é a sua direção: o chamado Conselho Nacional Líbio, baseado em Benghazi. É necessário denunciar que esses dirigentes fazem o jogo do imperialismo: pedem maior intervenção, negociam com os governos imperialistas e assim permitem que Kadafi use um discurso de “vítima” da agressão imperialista. Além disso, o impasse e o consequente sofrimento contínuo da população das cidades líbias dão espaço para que o imperialismo venha com propostas para entrar no país, com a desculpa hipócrita de “salvar vidas” buscando “uma solução política”.

    Este Conselho é formado majoritariamente por figuras que fizeram parte dos governos de Kadafi, como Mustafa Abdul Jalil, ex-ministro de Justiça, que renunciou para se unir aos protestos, e o general Omar al-Hariri, que se distanciou do ditador em 1975. A ausência de uma direção no campo rebelde deu espaço para que esses ex-kadafistas ocupassem este espaço. O imperialismo está utilizando o pedido do Conselho Nacional e sua colaboração para justificar os bombardeios que matam um número cada vez maior de civis, inclusive dos que apoiam a revolução líbia.

    Ao mesmo tempo, a OTAN se nega a fornecer armamento moderno e adequado aos rebeldes, porque não confia que possam controlar sua base. Dentro dela, segundo a agência Al Jazeera, há um importante número de militantes que se destacaram nos combates anteriores contra os EUA no Iraque, durante a ocupação imperialista deste país.


    A “solução” de dividir o país

    O imperialismo pôs em discussão uma proposta que repete a que já foi aplicada nos Bálcãs (Iugoslávia) na década de 1990. Naquela ocasião, diante da guerra civil, primeiro a OTAN e depois a ONU intervieram em nome “da paz” e assim transformaram Kosovo em um protetorado da ONU.

    Aproveitando-se da paralisia na frente militar, a ONU e a OTAN propõem um cessar-fogo e que se imponha uma divisão do país: de um lado, a Tripolitânia e, do outro, a Cirenaica (região oriental, com capital em Benghazi), e que seja mantida a presença de tropas da ONU vigiando as novas fronteiras. Se isso acontecer, será uma derrota grave para a revolução líbia e toda a revolução árabe, o que irá influenciar negativamente em todas as revoluções do mundo árabe.

    Se o imperialismo entrar como “garantidor da ordem” com um acordo das duas partes, vai abrir um grave precedente. Assim como no Egito e na Tunísia, as massas mostraram que podem derrubar os governos odiados e apoiados pelo imperialismo. Nesse caso, a Líbia daria o sinal de que o imperialismo acabou ganhando peso ao intervir em um processo revolucionário e obtendo uma base política em um território estratégico, baseado na “aceitação” dos dois lados.


    A revolução árabe divide águas

    Diante da revolução árabe, o castro-chavismo mostrou que está contra a revolução mais importante dos últimos 20 anos. Esta corrente defendeu Kadafi desde o início, mas, após a intervenção da OTAN, tentou justificar o seu apoio ao ditador, dizendo que o centro era lutar “somente” contra a intervenção.

    Agora, na Síria, depois de várias semanas em que o povo saiu às ruas de forma pacífica, mas determinada, e foi massacrado, os governos e a corrente castro-chavista saem igualmente em defesa de Assad. Na Síria não há intervenção imperialista. Sem esta desculpa, fica claro que o problema de fundo é que eles apoiam essas ditaduras, justificando essa política em nome de uma suposta resistência ao imperialismo e a Israel. Mas já vimos que isso é mentira, tanto no caso de Kadafi como no do governo sírio.


    Hezbollah apoia o massacre do governo sírio

    Os movimentos de resistência dirigidos pelos setores islâmicos também estão sendo colocados à prova. No Líbano, o Hezbollah, que ganhou um grande prestígio por ter infligido uma derrota militar e política a Israel em 2006, apoiou tardiamente a revolução líbia e agora saiu em defesa de Assad.

    Por quê? Por causa de seus compromissos com a burguesia síria, iraniana e libanesa. Alegam os mesmos motivos que os chavistas: dizem que a revolução do povo sírio é, na verdade, uma “conspiração” de políticos sunitas libaneses apoiados pelo imperialismo. Introduziram no Líbano a polarização pró ou contra Assad. Usam, assim, a autoridade política obtida na resistência contra Israel para apoiar uma ditadura que já vendeu várias vezes a luta palestina e do próprio Líbano e confundem milhares de ativistas que olham as revoluções populares procurando uma nova referência de luta.


    A esquerda pró-imperialista

    No campo oposto, há figuras de “esquerda” que apoiam e defendem a intervenção militar imperialista na Líbia. É o caso de Ignace Ramonet, diretor do Le Monde Diplomatique (um dos impulsores do Fórum Social Mundial e sua política de “outro mundo é possível” sem derrotar o capitalismo), e de Gilbert Achcar, principal referência do chamado Secretariado Unificado (SU) nas questões de Oriente Médio. Ramonet escreveu: “Neste momento a ONU constitui a única fonte de legalidade internacional”, e Achcar afirmou que “seria moral e politicamente equivocado por parte da esquerda se opor à zona de exclusão aérea”.

    É uma política criminosa que apoia “pela esquerda” o discurso imperialista de que intervém para “defender a democracia”. Com sua posição, essas figuras e correntes avalizam os bombardeios e as vítimas civis que produzem, ajudam o imperialismo a entrar com tropas na região e criam ilusões nas massas e ativistas líbios e árabes de que essa intervenção militar é a favor de sua luta e para apoiá-la.

    Não há um imperialismo “mau” em Bahrein e um “bom” na Líbia. Toda a ação do imperialismo na região é contrarrevolucionaria, só que, voltamos ao afirmar, se vê obrigado a atuar com diferentes táticas.

    No mundo árabe, há o campo da revolução, isto é, o das lutas revolucionárias, das massas, e há o da contrarrevolução, integrado pelo imperialismo, as burguesias nacionais associadas a ele, os regimes ditatoriais e sua repressão, e também todas as manobras que são feitas para frear e desviar as revoluções caso estas tenham conseguido derrubar esses regimes.


    Nossa posição

    Estamos do lado das massas árabes, pela vitória da revolução e, por isso, diante dessas duas posições simetricamente criminosas, que chamam as massas a capitular ante as ditaduras ou ante o imperialismo supostamente “democrático”, a LIT-QI se manifesta por:

    Não à intervenção militar imperialista, seja pela via da OTAN ou da ONU!

    Não à divisão da Líbia!

    Não aos “planos de paz” intermediados pela ONU!

    Abaixo Kadafi na Líbia, abaixo Assad na Síria e Saleh no Iêmen! Abaixo todas as ditaduras do mundo árabe!

    Viva a revolução árabe! Viva a revolução na Líbia e na Síria!

    São Paulo, 12 de maio de 2011
    Liga Internacional dos Trabalhadores – Quarta Internacional (LIT-QI)



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