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terça-feira, 12 de março de 2013

Ameaça neonazista no Rio de Janeiro

Organização neonazista ameaça movimentos sociais e partidos de esquerda com cartazes espalhados pela cidade



Cartaz fixado próximo à sede do PSTU no Rio
Na semana do 8 de Março, dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora, o bairro da Lapa foi coberto por cartazes de uma organização neonazista denominada “Combat 18 – Divisão RJ”. O 18 é derivado das iniciais de Adolf Hitler. O “A” e o “H” são a primeira e oitava letras do alfabeto latino.

Em uma clara tentativa de intimar e provocar os movimentos sociais, muitos dos cartazes foram afixados nas colunas do prédio onde está situado o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU. Um dos cartazes afirma: “Comunistas e subversivos, o Combat 18 está de olho em vocês.(...) Ninguém será poupado!!!(...) Estejam preparados pois a única alternativa para vocês é a MORTE!!! (...) Lixo vermelho a sua hora chegou”.

Original da Inglaterra, o Combat 18 tem seções em alguns países do mundo, inclusive no Brasil. É o braço armado do National Front, partido inglês de extrema direita nacionalista, fundado na década de 70. Nas eleições de 1979, recebeu mais de 190 mil votos. Em 2010, apresentou 17 candidaturas nas eleições gerais e 18 nas locais, não obtendo uma única representação. Possui ligações com os famosos torcedores hooligans e uma rede de bandas que promovem músicas neonazistas, o Blood&Honour (Sangue e Honra).

O blog da seção do Rio de Janeiro exibe os “Códigos da Raça Ariana”; os “25 pontos do Partido Nacional-Socialista Alemão (1920)”; imagens de espancamentos de moradores negros de rua; cartazes de agitação, além de inúmeras “teorias” raciais e antissemitas.


Campanha antineonazista

Em primeiro lugar, não toleraremos nenhum tipo de provocação, ameaça ou intimidação de nossos militantes, ou de qualquer organização democrática. O Combat 18 têm aproximadamente 5 ou 6 membros na cidade do Rio e não possui absolutamente nenhum lastro social. São um grupo de classe média, provavelmente moradores da região do Centro, Zona Sul e Tijuca, que escondem seus rostos e praticam a covardia contra aqueles que julgam ser inferiores.

Ao mesmo tempo, procuraremos demais partidos operários, partidos democráticos em geral, centrais sindicais e sindicatos, entidades estudantis, ONGs, quilombos, organizações LGBTs, lideranças dos movimentos sociais e parlamentares para fazer uma ampla campanha antineonazista. Iremos também prestar queixa na polícia. Por mais que o Combat 18 não tenha nenhuma expressão social, o PSTU entende que devemos nos precaver de qualquer inciativa desse grupo.

Por último, o Combat 18 não conhece as tradições do movimento operário. Somos sobreviventes dos campos de concentração nazistas no período que antecedeu a II Guerra Mundial; vencemos as ditaduras na América Latina nas décadas de 60, 70 e 80; morremos e resistimos aos torturadores do regime militar; e agora estamos impulsionando a Caravana da Anistia da antiga Convergência Socialista em todo o Brasil. Nos reconhecemos em cada militante que luta contra os planos de austeridade na Europa ou contra as ditaduras no Norte da África e Oriente Médio. Somos homens e mulheres de todas as cores e nacionalidades, de todas as orientações sexuais e livres de todos os tipos de preconceitos. Nós somos grandes, e não admitiremos que toquem em um de nossos militantes.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Gaza sob ataque: Israel e ANP saem enfraquecidos

Crianças palestinas mortas durante ataques de Israel a Gaza
Após uma semana de intensos bombardeios sob a população civil de Gaza e a ameaça de uma invasão por terra, a exemplo da operação “Chumbo Fundido” de 2009, Israel foi obrigado a aceitar uma trégua com o Hamas no final desse dia 21 de novembro, quarta-feira.

Com a mediação do governo egípcio, ficou acertado o cessar fogo frente a algumas condições. O Hamas cessa o lançamento de foguetes e impede que outros grupos lancem, e Israel "afrouxa" o bloqueio que asfixia a população da Faixa de Gaza. Foi uma vitória, ainda que parcial, dos palestinos, que saíram às ruas para comemorar.

Oito dias de bombardeios israelenses deixaram um rastro de destruição em uma já combalida Gaza, e mais 166 mortos palestinos. No dia 22, um dia após a trégua, soldados israelenses executaram com tiros na cabeça mais um jovem palestino de apenas 23 anos que estava próximo à fronteira, mostrando que o cessar fogo não é tão sólido diante da fúria assassina do Estado de Israel.


Israel: terrorismo de Estado

Os ataques à Gaza se intensificaram com o assassinato de Ahmed Jabbari, líder das Brigadas Ezedin al Qasam, braço militar do Hamas. Jabbari, egresso do Fatah, foi o responsável pelo processo de negociação e troca do soldado isralense Gilat Shalit (preso em 2006 pelo Hamas) por mil presos políticos palestinos em 2011. Ao contrário da propaganda israelense que o caracteriza como um "radical terrorista", especula-se que no último período o dirigente estivesse envolvido em um processo de negociação de paz com Israel.

Ou seja, a ação militar desencadeada por Israel contra Gaza, batizada de "Pilar de Defesa", nada tem a ver com a segurança da população israelense ou os mísseis lançados pelo Hamas e outros grupos como resposta ao assassinato de Jabari. Tem sim a ver com as iminentes eleições legislativas no país, marcadas para janeiro de 2013, e a união dos partidos da ultradireita israelense, o Likud do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e o ultrancionalista Yisrael Beitenu do Ministro das Relações Exteriores, Avigdor Lieberman. Uma guerra agora unificaria o país, reforçando o sentimento nacionalista e amarrando o apoio da população para 2013.

"A união entre o Likud e o Yisrael Beitenu permitiria proteger israel diante das ameaças de segurança e o poder de fazer as mudanças econômicas do país", declarou à imprensa israelense Netanyahu. Os ataques à Faixa de Gaza, assim, serviram para distrair a atenção diante da crescente insatisfação com a inflação, a crise econômica e os cortes no orçamento impostos pelo governo do estado judeu. Demarca, principalmente, uma guinada ainda mais à direita, expressão dessa coalizão ultrancionalista e anti-palestina.


Uma outra situação

O recente bombardeio à Gaza não deixa ainda de ser uma resposta ao isolamento de Israel diante das revoluções e revoltas trazidas pela “Primavera Árabe”. O enclave militar do imperialismo no Oriente Médio sente necessidade de uma demonstração maior de força num momento em que já não conta com tradicionais aliados na região, e que outros tantos estão ameaçados.

O ex-ditador do Egito, Hosni Mubarak, sempre foi um auxílio a Israel no bloqueio das fronteiras de Gaza (em Rafah). Já o novo governo, encabeçado por Mursi e a Irmandade Muçulmana, embora se mantenha subserviente aos EUA (de quem depende financeiramente), já não pode atuar de forma abertamente favorável a Israel. A visita do primeiro-ministro egípcio Hisham Qandil à Gaza em pleno bombardeio, nesse sentido, foi vista como algo histórico.

Já o ditador sírio Bashar Al Assad, que embora no discurso apoie a causa palestina, sempre foi visto por Israel e os EUA como um garantidor da “estabilidade” no Oriente Médio e nas colinas de Golã. Outro aliado que faz fronteira com Israel, a Jordânia, vive uma onda de protestos inspirada na Primavera Árabe que ameaça a ditadura do rei Abdullah.


Quem saiu perdendo?

Apesar do cessar fogo, Israel tem seguido com provocações e ataques sistemáticos contra a população palestina. Além do assassinato do jovem palestino na fronteira com Gaza, que deixou vários feridos, o Exército sionista realizou dezenas de prisões na Cisjordânia. A região contou com fortes mobilizações contra os ataques de Israel, que se enfrentaram com as forças de segurança da Autoridade Palestina. Mas, ainda que a situação seja extremamente instável, pode-se dizer que Israel saiu enfraquecido. Percebeu que a região hoje, conflagrada, já não é a mesma que em 2009, quando pôde invadir Gaza e impor um saldo de 1400 mortos sem maiores problemas.

A Autoridade Nacional Palestina de Mahmoud Abbas, que controla a Cisjordânia, também sai abalada. Os ventos da Primavera Árabe se chocam com a política pró-Israel de Abbas e o seu governo de colaboração. Recentemente, quando Israel se preparava para atacar Gaza, o presidente da ANP deu uma declaração a uma TV israelense que foi tomada como uma renúncia ao direito de retorno. "Quero ver Safed. É meu direito vê-la, mas não morar lá", afirmou referindo-se à cidade em que passou a infância e que hoje integra o território israelense. Além disso, a população dos territórios ocupados percebe que, uma década após os Acordos de Oslo, a vida não melhorou, ao contrário.

Por outro lado, o Hamas se vê fortalecido, militar e politicamente. Apesar de estar muito longe de fazer frente às forças armadas israelenses, o Hamas e outros grupos como a Jihad Islâmica já não contam apenas com foguetes caseiros que atingiam apenas o sul de Israel. Agora, apesar do ainda muito modesto poder de destruição, Jerusalém e Tel Aviv estão no alvo.

Vai ficando cada vez mais claro, sobretudo, que a resistência do povo palestino contra o cerco e terror imposto por Israel e as revoluções árabes e do Norte da África, fazem parte de uma mesma luta. E ambas não tem como sair vitoriosas sem enfrentar esse enclave imperialista incrustado no Oriente Médio.


LEIA MAIS

LIT-QI: Não à matança sionista em Gaza!


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

População de São Paulo no fogo cruzado entre polícia e o crime organizado

Além dos incêndios e remoções, moradores da periferia enfrentam agora uma guerra urbana em que os pobres são os mais prejudicados
 


Ana foi candidata à prefeitura de São Paulo
Mais uma vez, a população de São Paulo se vê no meio de um fogo cruzado entre a polícia e o crime organizado. A espiral de violência que atinge a capital e a região metropolitana há algumas semanas trouxe de volta o pânico às ruas, o toque de recolher na periferia e uma guerra não declarada em que a maior vítima, como não poderia deixar de ser, é a população trabalhadora e seus filhos.


Guerra urbana

A violência voltou à pauta do paulistano. Só neste ano foram registrados 300 assassinatos de civis em São Paulo, o dobro do mesmo período do ano passado. A maior parte das vítimas da violência policial é a juventude trabalhadora negra e pobre das periferias, a maioria sem passagem pela polícia.

Na Grande São Paulo, a onda de violência já matou 200 em apenas um mês. Só de PM's foram 90 mortes, a maior parte com indícios de execução e quase sempre o mesmo modus operandi: assassinatos praticados por motoqueiros no período de folga dos policiais. Nas periferias da Zona Norte, Zona Sul, Zona Leste e Oeste, o toque de recolher força o fechamento do comércio, das escolas públicas e hospitais, causando um clima de terror e medo. A queima de ônibus é outro ataque que nos faz recordar os dias de pânico que tomou conta da capital paulista em 2006.

A escalada de violência policial contra a população negra da periferia, embalada pela política do PSDB de “higienização” social e de ódio aos pobres, agora ganha outros contornos. Apesar de o governo de São Paulo negar, é evidente que estamos diante de uma guerra entre a facção do PCC (Primeiro comando da Capital) e a polícia, tanto a Civil quanto Militar, tal como ocorreu há seis anos. Não está claro ainda o que desatou essa nova onda de violência, mas as suas consequências, pelo contrário, já podem ser sentidas pela população. O assassinato de PM's está sendo usado novamente como pretexto para a ação de grupos de extermínio na periferia, em uma matança que atinge de forma indiscriminada o povo pobre.

Se a polícia, informalmente, aciona seus grupos de extermínio para agir na perifeira, institucionalmente a ação do governo de Geraldo Alckmin (PSDB) não é muito diferente. Uma das primeiras medidas do governador foi a chamada "Operação Saturação" da PM, que consistiu na ocupação de regiões da Zona Sul como Campo Limpo, Capão Redondo e Paraisópolis, assim como da favela São Remo, na Zona Oeste, tal como ocorre nos morros do Rio de Janeiro.

Essas e outras comunidades já vinham sofrendo com uma onda de incêndios criminosos que visam desalojá-las para colocar seus terrenos a serviço da especulação imobiliária, sem nenhuma reação do governo. Vítimas da mesma lógica que levou Alckmim a arrancar famílias inteiras de suas casas e jogá-las na rua na ação violenta de desocupação do Pinheirinho, em janeiro deste ano. Seguramente, essa situação de guerra nas periferias será usada para tentar ao máximo atacar e mesmo remover de seus locais de moradia a população trabalhadora e pobre destas regiões. Ao invés de dar soluções à raiz do problema, o governo implementa políticas de mais violência e repressão.

O Governo Federal, por sua vez, além de se mostrar omisso, tentou faturar politicamente com o caso, iniciando um bate-boca entre o Ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e o Secretário de Segurança Pública de São Paulo, Antônio Ferreira Pinto. Após cogitar até mesmo colocar o Exército nas ruas (como Lula fez em 2006 com o então governador Cláudio Lembo), o Governo Federal e Estadual fecharam um acordo após uma reunião realizada nesse dia 6 de novembro no Palácio dos Bandeirantes que prevê, entre outras medidas, a transferência de presos e a formação de uma inteligência 'integrada' entre as polícias. Em síntese, uma ação repressiva mais articulada.


Falência do Estado

Essa mais nova onda de violência não surgiu de repente. Entre junho e setembro já era possível verificar um salto nas mortes violentas na cidade. Com as eleições, o assunto foi relegado ao segundo plano, explodindo novamente agora. A sensação de pânico e insegurança que ressurge mais uma vez na população paulistana é mais um atestado da falência do Estado em relação à segurança pública.

Exemplo disso é a ação da Polícia Militar de São Paulo, com a temida Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) à frente. A violência cresce proporcionalmente à truculência com que a polícia age. Expressão máxima dessa política foi a lamentável frase de Alckmin após ação da Rota que deixou nove pessoas mortas em setembro: "Quem não reagiu está vivo". Na prática, a polícia de São Paulo atua num regime particular de exceção em que a execução sumária faz parte do cotidiano. Regime autoritário e seletivo que atinge, sobretudo, a parte mais pobre da população. Além de não resolver o problema da criminalidade, a fomenta ainda mais.


As razões da violência

A explosão da violência urbana explicita uma desigualdade social que o tão alardeado crescimento econômico dos anos de governo do PT não foram capazes de resolver. Nesse sentido, desemprego crônico e falta de perspectivas, principalmente entre os jovens, constituem terreno fértil para o tráfico e o crime organizado. A polícia, longe de ser a solução, é parte do problema. Os líderes do PCC, por exemplo, não conseguiriam agir de dentro dos presídios sem a corrupção policial. Além disso, há indícios que pelo menos parte dos recentes confrontos entre bandidos e policiais tenham sido motivados pelo controle do tráfico na cidade.

Ações como a recente “Operação Saturação”, por sua vez, são apenas pretextos para ocupar militarmente a periferia e espalhar o terror entre os “suspeitos” com os perfis de sempre: jovens e negros. Assim como ocorre no Rio, inclusive nas áreas militarmente ocupadas, o tráfico não se vê ameaçado pela polícia. Já a população paulistana, desarmada e impotente, se vê mais uma vez na linha de tiro entre a polícia e o crime organizado, sem ter para onde correr.


Um programa dos trabalhadores

Não dá para pensar em resolver o problema da segurança pública sem alterar essa política econômica que perpetua e aprofunda a desigualdade social. Ou seja, para acabar com a violência urbana, o primeiro passo é extinguir a violência social. Por isso, defendemos uma política econômica que assegure emprego para todos e o aumento generalizado dos salários, assim como investimentos maciços em serviços e infra-estrutura pública e urbana.

Defendemos ainda a descriminalização das drogas. A política proibicionista que vigora hoje serve apenas para alimentar o tráfico e elevar os altos lucros desse negócio, irrigando ainda a corrupção policial e em todos os setores do Estado. Já a política de repressão é usada como mera desculpa para manter o genocídio da juventude negra.

Deve-se também combater a injustiça e a impunidade. Mas, ao contrário do discurso fascista dos setores mais reacionários, deve-se começar pelos peixes graúdos. O exemplo maior de impunidade que temos nesse país é o de políticos corruptos e bandidos de colarinho branco que, invariavelmente, ficam impunes ou recebem penas leves, enquanto um ladrão de galinhas amarga anos de prisão. Por isso, defendemos penas severas para esses crimes, com prisão e confisco de bens de corruptos e corruptores.

Por fim, não é possível acabar com a violência com essa polícia que temos. É ela própria a maior geradora da violência urbana. Propomos a desmilitarização da polícia e a sua dissolução, com a formação de uma força de segurança civil, com direitos democráticos como o de sindicalização e greve, totalmente controlada pela população através de seus organismos como conselhos populares e associações de moradores.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 18 de julho de 2012

Edir Macedo: racismo, machismo, homofobia e muita asneira, em nome de deus

Líder da Igreja Universal, Edir Macedo
Em um país em que os governantes se recusam a criminalizar a homofobia e tratam com descaso criminoso episódios mais variados de machismo e racismo, realmente não pode haver limites para os absurdos que rondam a vida de mulheres, negros e a população LGBT.

Infelizmente não faltam exemplos: dos assassinatos de jovens negros na periferia aos ataques a homossexuais no centro da cidade; da constante e crescente violência machista a uma escalada de demonstrações de asqueroso preconceito nos meios de comunicação em geral.

O último e deplorável exemplo disto foi dado por um velho conhecido porta-voz da opressão: o “bispo” evangélico Edir Macedo, título por trás do qual se esconde um burguês racista, machista e homofóbico cujo poder é alimentado pelo dinheiro que rouba de um povo pobre, movido por fé e desespero, e pelas relações espúrias que mantém com o poder, inclusive o Federal.

Alguns dos frutos mais recentes das relações promíscuas que o poderoso chefão da Igreja Universal do Reino de Deus mantém com Dilma e seus aliados (particularmente na infernal bancada evangélica) foram o veto ao kit anti-homofobia, a mutilação do PLC 122 e do Estatuto da Igualdade Racial.

A mais recente demonstração de ódio e preconceito de Macedo, contudo, é uma exclusividade dele e veio através de um de seus púlpitos midiáticos na forma de uma série de bizarras orientações para seus fiéis e auxiliares, dentre as quais a recomendação categórica para que os “desejam fazer a Obra de Deus” não se casem com mulheres mais velhas e, ainda mais absurdo, fujam de relacionamentos interraciais.


Machismo e racismo em nome de deus

Em uma peça de lixo jornalístico intitulada “Homem de Deus quanto à idade e à raça: ele precisa estar sempre preparado para servi-Lo” e publicada no portal da IURD, Macedo não mede palavras para destilar seus preconceitos e para praticamente “obrigar” seus seguidores a conduzir suas vidas movidos pelo racismo mais asqueroso e por uma forma arcaica de machismo. O que, por si só, já deveria ser suficiente para colocar esta verdadeira besta para fora do convívio social.

O “primeiro mandamento” do preconceito “a la” Edir Macedo começa com uma norma estupidamente machista: “O rapaz que deseja fazer a Obra de Deus não deve se casar com uma moça que tenha idade superior à dele”. O motivo? “Para não se deixar influenciar por ela” porque “quando a mulher tem idade superior à do seu marido, ela, que por natureza já tem o instinto de ser 'mandona", acaba por se colocar no lugar da mãe do marido” .

Dando sequência a sua patética versão do “perigo” que as mulheres representam na mitologia cristã (desde a história de Eva), Macedo explicita a hipocrisia de seus “valores” e “moral”, defendendo que o casamento com mulheres mais velhas também são desaconselháveis porque “a experiência tem mostrado que é muito mais difícil, mas não impossível, manter a fidelidade conjugal”. Um detalhe que não pode nos escapar: evidentemente, a recomendação é só para mulheres mais velhas; homens mais velhos, mandões e autoritários estão liberados para oprimir suas mulheres mais novas.

É até um desperdício de palavras comentar esta quantidade de asneiras ofensivas. Temos certeza que nossos leitores e leitoras sabem muito bem o significado delas. E o pior é que o absurdo do “primeiro mandamento” é apenas uma prévia da fúria ensandecida do bispo contra outro setor marginalizado da sociedade, apesar de compor metade da população brasileira: negros e negras.


Pregando contra o amor inter-racial

O “segundo mandamento” é de asqueroso racismo, embalado em uma “justificativa” é um verdadeiro insulto para qualquer ser pensante. A pregação começa com um porém: “Não haveria nenhum problema para o homem de Deus se casar com uma mulher de raça diferente da dele, não fossem os problemas da discriminação que seus filhos poderão enfrentar nas sociedades racistas deste mundo louco”.

Ou seja, o bispo agracia seus seguidores com um ensinamento cuja lógica só não é mais obscura do que as finanças e a conta bancária de Macedo e sua igreja: a melhor forma de evitar a discriminação e o racismo é tomando uma “atitude racista preventiva”, impedindo sequer a aproximação das raças. Ou, ainda, para que as futuras crianças negras não enfrentem o racismo “deste louco mundo”, a melhor coisa é institucionalizarmos, já, uma sociedade totalmente racista e segregada.

Grande idéia! Mas Macedo também deveria ser processado por plágio. Afinal, ela não é nada original. Os “eugenistas” (ou defensores da “raça pura”) do século 19, a Ku Klux Klan, Hitler e Mussolini e, acima de tudo, os defensores do apartheid, na África do Sul, há muito já detêm a patente deste tipo de idéia.

Com o objetivo de se defender das evidentes críticas a seu delírio fascista-religioso, Macedo encerra seu artigo afirmando que tudo o que está apenas fazendo um “alerta” sobre a situação “não porque a Igreja Universal do Reino de Deus tenha qualquer objeção quanto ao casamento envolvendo mistura de raça ou cor. Não, muito pelo contrário!” , já que tem muitos fiéis nesta condição e só está querendo evitar “este tipo de problema acontecendo com as crianças dentro das nossas igrejas, em outros países”.

Sempre movido pelo desejo de retirar os obstáculos do caminho para que o “homem de Deus” exerça suas funções (e caberia perguntar que tipo de deus é este que criaria seres que não pudessem exercer livremente o tão propagado amor que recheia os discursos religiosos...), Macedo tenta sustentar seu racismo com nojeiras como a “preocupação” os “riscos de traumas ou complexos que as crianças poderão absorver durante os períodos escolares”.

Desconsiderando-se o fato de que, para o bispo racista, ser negro por si só já é um “problema”, os absurdos escritos por Macedo são dignos de uma mentalidade escravista e, inclusive, há muito já foram legalmente proibidos.


Apartheid em nome de deus

Como dissemos, as idéias de Edir Macedo não são novas. Mas, ao contrário do que acontece no país governado por Dilma, elas não são defendidas com tanto descaramento também há muito tempo. Até mesmo porque foram derrotadas nas ruas e proibidas por leis que resultaram destas lutas.

Nos Estados Unidos, as chamadas “leis antimestiças” (que proibiam até sexo interracial) vigoraram em vários estados até 1967, quando as mobilizações pelos direitos civis baniram da segregação institucional. O mesmo aconteceu com legislações semelhantes que foram criadas na Alemanha Nazista (de 1935 até 1945) e na África do Sul, durante a era do "apartheid", de 1949 a 1985.

Em todos os casos, as leis foram derrubadas como frutos de vigorosos processos de mobilização e luta por direitos fundamentais. E, apesar de sabermos que isto não tenha significado o fim da segregação ou do racismo, é evidente que foram parte das conquistas arrancadas da derrota de regimes e Estados que deveriam ser varridos para o lixo da História.

No nosso país, onde a elite branca se utilizou de outras armas (como a “teoria do embranquecimento, no século 19, e o “mito da democracia racial”, no século 20), nunca houve uma legislação abertamente segregacionista, apesar da cotidiana prática do racismo.

Edir Macedo, contudo, através de suas “doutrinas e normas” parece querer inovar e transformar seus templos “caça-níqueis” em áreas regidas pelo apartheid. E o pior é saber que está sendo proposto não acobertado pelo silêncio cúmplice de um governo que se diz democrata, mas por um de seus aliados mais fiéis.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 4 de julho de 2012

LIT-QI: Nenhuma trégua ao governo de Samarás! Fora a Troika!

Pela anulação do Memorando e pela suspensão imediata do pagamento da dívida! Leia a declaração da Liga Internacional dos Trabalhadores sobre o novo governo grego


Dirigente da Nova Democracia, Antonis Samaras
A situação política na Grécia concentrou durante semanas a atenção do mundo. O resultado das eleições parlamentares, fundamentais para definir o governo, tirou o sono de todas as potências imperialistas, em especial às forças conservadoras e reacionárias da Europa do capital.

No meio de uma situação política polarizada e com a economia do país destroçada pela ação dos governos que aplicaram os planos da sinistra Troika (FMI, Banco Central Europeu e Comissão Europeia), o povo grego foi às urnas.

O resultado das eleições deu um apertadíssimo triunfo à direita conservadora e pró-Troika e União Europeia, representada, sobretudo, na Nova Democracia (ND). Este partido obteve 29,7% dos votos, com o qual obteve 129 cadeiras no Parlamento, em função de um dispositivo absolutamente antidemocrático que outorga um bônus de 50 assentos ao partido mais votado. Sem essa vantagem, o ND não teria conseguido formar governo.

O SYRIZA, uma frente ampla de organizações reformistas, obteve o segundo lugar com 26,9% dos votos e 71 assentos no Parlamento. O PASOK, o outro partido tradicional e submisso à Troika, conseguiu 12,3% e 33 assentos parlamentares.

A coalizão Gregos Independentes ficou com 7,5% (20 assentos); os fascistas da Aurora Dourada conquistaram 6,9% (18 assentos); a Esquerda Democrática obteve 6,2% (17 assentos) e o Partido Comunista (KKE) terminou com um pobre 4,5% que lhe valeu 12 cadeiras no Parlamento (após ter conseguido 8,4% nas eleições de maio).


Um governo débil e ilegítimo

Rapidamente, cumprindo com presteza o exigido pela Troika, o conservador Antonis Samarás do ND, formou um novo governo na Grécia que estará apoiado no Parlamento pelos socialistas do PASOK e a Esquerda Democrática. O Executivo inclui os membros do ND e dos tecnocratas, entre os quais se destaca como ministro de Finanças, Vasilis Rápanos, diretor do principal banco da Grécia.

A realidade é que o governo de direita que surge das eleições de 17 de junho na Grécia é um governo imposto pelo imperialismo, especificamente o alemão e francês, contra a vontade da maioria da população grega.

Todo o processo eleitoral esteve marcado pela chantagem e a pressão dos imperialismos europeus, uma verdadeira campanha de terror para que os partidos que defendiam a continuidade da pilhagem e do massacre ao povo trabalhador ganhassem as eleições.

O cúmulo do ataque à soberania do país foi a matéria de capa do Financial Times, em sua edição alemã, que chamava o voto ao ND como a última oportunidade do país para continuar na zona euro.

A imprensa grega fez repercutir as declarações dos dirigentes do governo alemão e da UE, as quais davam ao povo grego somente duas opções: ou o Memorando ou a hiperinflação. Ainda assim, o resultado das eleições deixou em minoria aos partidos que defendem a aplicação do Memorando. Seis em cada dez eleitores votaram pelos partidos do NÃO ao Memorando e cerca de 40% dos eleitores deixaram de votar, num país onde o voto é obrigatório.

Mas a fraude de um regime que é incapaz de expressar a vontade da maioria da população também fica clara na formação do governo onde se incorpora a Esquerda Democrática, partido que fez campanha contra a aplicação do Memorando e entra no governo cuja tarefa é impor o Memorando e mais sacrifícios à população.

Este governo é um governo débil. Não obteve uma maioria parlamentar por conta própria e deve se equilibrar na corda bamba de uma situação política onde continuam as lutas de resistência contra o saque que protagoniza o povo grego. Todos os partidos defensores da guerra social contra Grécia tiveram pouco mais de 40%. O povo, em sua maioria, rechaçou estes partidos e sua política de fome e entreguista. E é nestas condições que o governo de Samarás deverá fazer os cortes e ajustes, sem concessões, exigidos por Angela Merkel e a Troika.

O governo do ND, PASOK e Esquerda Democrática é um governo ilegítimo, foi imposto pela Troika e não tem o respaldo da maioria da população. Os trabalhadores gregos não podem dar nenhum dia de trégua a este governo, devem tomar as ruas e preparar a resistência, construir suas organizações nos locais de trabalho, preparar a luta contra as leis que agora o Parlamento grego deverá votar para concretizar as medidas impostas pelo Memorando de resgate aos bancos.


Os limites do SYRIZA

Mas, infelizmente o principal dirigente de SIRYZA, Alex Tsipras caminha no sentido oposto. Propõe uma política de “paz social” com um governo que declara guerra aos trabalhadores. Em sua entrevista, um dia após as eleições, Tsipras afirma que:

Perguntado sobre a estratégia após a eleição do domingo, Tsipras assinalou que “o SIRYZA não chamaria seus partidários a saírem às ruas para protestar contra as medidas de austeridade (…). Solidariedade e resistência são importantes, mas agora a solidariedade é o mais importante”, afirmou. Continuou dizendo que “nosso papel é estar dentro e fora do parlamento, aplaudindo qualquer coisa positiva e condenando todo o negativo e propondo alternativas”[1].

O que significa dizer que a “solidariedade” é mais importante que a resistência? O próprio dirigente do SYRIZA explica quando afirma que se concentrará em lutar para “criar um escudo de proteção para os que estão marginalizados”. Isto é, em vez de resistir às medidas impostas pela UE através de sua luta, os trabalhadores deveriam se contentar em lutar por medidas de “solidariedade” que compensem a destruição do país e sua miséria. Em vez de resistir deveríamos criar um “escudo de proteção”, ou seja, esmolas e resignação pela destruição do país.

Mas, além disto, o SYRIZA está jogando no lixo os votos que recebeu dos trabalhadores que disseram NÃO ao Memorando quando diz que vai “aplaudir” as medidas positivas do governo.

Não terá nenhuma medida positiva de um governo imposto aos trabalhadores pela Troika, que tem como única função aplicar as medidas exigidas pelo imperialismo.

A única forma de resgatar aos trabalhadores e não aos bancos e ao capital financeiro é estabelecer uma oposição frontal a esse governo, denunciá-lo desde o primeiro dia, se apoiando na grande votação depositada pelos trabalhadores e na resistência nas ruas, nos bairros e nos locais de trabalho.

Apoiar qualquer medida deste governo e criticar o que está errado é uma fórmula de apoio envergonhado ao governo que enganará aos trabalhadores, dizendo que renegociará o Memorando, quando na verdade trata-se é de ganhar tempo para continuar com o plano de privatizações, demissões e corte no orçamento.

Estão dadas todas as condições para derrotar a aplicação dos planos imperialistas. Falta legitimidade ao governo para impor os planos, a crise do regime político pode ser mantida se os trabalhadores continuarem com sua resistência e mobilização.

Mas parece que o SYRIZA quer percorrer o caminho oposto, o de ajudar a recompor um regime em crise e sem nenhuma oportunidade para aplicar as medidas impostas pelo imperialismo ao povo grego.


Do NÃO ao Memorando à negociação

Antes das eleições defendemos a conformação de uma frente de esquerda em torno do SYRIZA que tivesse como centro o NÃO ao Memorando e que esta frente fizesse um chamado à mobilização dos trabalhadores e à solidariedade dos trabalhadores de Europa para enfrentar à burguesia grega e europeia.

Mas alertávamos:

A esquerda grega está diante uma encruzilhada: a expulsão da Grécia do Euro, se o SYRIZA não cede ao Memorando ou o faz insuficientemente para as exigências alemãs; ou ceder “para não ser expulsos do euro” e manter por mais tempo a agonia do povo grego. Aceitar a segunda opção é apostar na condenação à miséria do povo grego, seria o suicídio político do SYRIZA e permitiria um claro fortalecimento da referência fascista em cujas mãos ficaria a bandeira da ruptura com a EU e o Euro.

No entanto, a velocidade dos acontecimentos e a política do imperialismo colocaram o SYRIZA diante de uma encruzilhada, inclusive, antes da possibilidade de ganhar as eleições. A contradição entre a suspensão imediata do Memorando e as insistentes declarações dos dirigentes do SYRIZA de que lutariam para permanecer no euro a todo custo negociando com o imperialismo, quando este afirmava que não teria negociação, antecipou a necessidade de que o SYRIZA desenvolvesse seu programa dando uma alternativa à possível saída da Grécia do Euro.

Os cinco pontos apresentados para a campanha eleitoral não responderam ao tema fundamental que polarizou as eleições: o que fazer diante uma possível saída do Euro.

Durante a campanha eleitoral todas as vozes imperialistas, de Merkel até Obama, consideravam inaceitável o primeiro ponto do programa: 1) Anulação do Memorando e de todas as medidas de austeridade e das contrarreformas e das leis trabalhistas que estão destruindo o país. E afirmaram: ou o Memorando ou a expulsão do Euro.

Paralelamente a ameaça de expulsão, a campanha mediática da burguesia imperialista e grega afirmava que a Grécia fora do Euro seria imposto o “corralito”, ou seja, a retenção de todos os depósitos bancários, teria hiperinflação e não teria recursos do Estado para pagar aos funcionários públicos sem as quotas do “resgate”.

Frente à ameaça de expulsão da zona do Euro, os dirigentes do SYRIZA respondiam que eles eram os mais ardentes defensores da permanência da Grécia no Euro.

O responsável pela política europeia do SYRIZA, Yannis Bournus, ao responder uma pergunta a um jornalista sobre se seu partido defendia a saída da Grécia do Euro afirma: “isso faz parte de uma campanha de difamação, sem precedentes, na qual o SYRIZA tem sido alvo há algum tempo (…). Tanto nosso programa como as intervenções públicas de nossos dirigentes afirmam claramente que não é o objetivo político do SYRIZA levar a Grécia para fora da Zona do Euro”.

A seguir Bournus afirma que a saída de Grécia da Zona Euro séria “um desastre não só para o povo grego, senão, também, um desastre para os credores estrangeiros”. Ou seja, que o SYRIZA não pretende deixar de pagar a dívida, se limita a discutir o que considera a parte ilegítima da dívida.

Diante das ameaças de expulsão do Euro, o SYRIZA não respondeu que a chantagem da hiperinflação poderia ser resolvida se os bancos fossem expropriados, as multinacionais nacionalizadas e o governo decretasse o controle da moeda e do comércio exterior. Que se a negativa a cumprir o Memorando que impõe o caos na vida da classe trabalhadora acabasse com a expulsão do euro, seriam os burgueses e suas propriedades e seu lucro os que seriam atacados pelo novo governo.

A saída do Euro significa um desastre para o povo grego, e o imperialismo alemão afirmou com todas as letras que o não cumprimento do Memorando significaria a saída do Euro. Uma parte dos potenciais eleitores do SYRIZA concluiu que era melhor votar no ND que passou a defender a revisão do Memorando e a permanência no Euro.

A velocidade dos acontecimentos nas situações revolucionárias como a da Grécia transforma meses em dias. O SYRIZA tinha duas opções claras caso ganhasse as eleições: mantinha a anulação unilateral do Memorando ou negociaria às medidas para ficar no Euro. O imperialismo antecipou o debate e exigiu uma resposta categórica. O SYRIZA não levou até as últimas consequências a ruptura unilateral do Memorando, pois isso implicaria modificar seu programa e apoiar a mobilização dos trabalhadores tomando medidas contra o capital financeiro, o que significaria afirmar que o caos é o desemprego, a falta de saúde pública e a miséria que se abate sobre o povo, e quem pagaria o preço da saída do Euro seriam os capitalistas e não os trabalhadores.

E para isso o programa de emergência apresentado nas eleições ficou abaixo da polarização política gerada pela pressão do imperialismo. Era necessário reafirmar a suspensão imediata do pagamento da dívida, a expropriação dos bancos, sem nenhuma indenização, a expropriação das empresas estratégicas e a redução da jornada de trabalho garantindo emprego para todos os trabalhadores desempregados e decretar o monopólio do comércio exterior.

O problema central do SYRIZA, além deste programa reformista, foi ter apostado por uma via meramente eleitoral e não ter chamado à mobilização das massas para derrotar o imperialismo e os setores conservadores gregos. Por ser uma direção reformista, para eles o centro de tudo são as eleições, que é um terreno controlado pelo capital. A burguesia lançou uma intensa campanha de terror contra o voto ao SYRIZA e apoiou-se nos setores mais atrasados para ganhar as eleições. O SYRIZA continua apostando pela via eleitoral e as instituições burguesas, jogando suas cartas no desgaste do novo governo e à espera de novas eleições.


O combate ao fascismo

Na semana passada, pescadores egípcios, residentes na região de Pireo, foram surpreendidos enquanto dormiam: uma bomba de gás foi lançada no alojamento e homens armados com porretes atacaram os trabalhadores e vários deles foram hospitalizados. O representante da comunidade afegã denunciou que no último ano, 21 trabalhadores foram assassinados e 42 sofreram ferimentos graves.

Estas ações respaldadas e defendidas pela Aurora Dourada, que deixou de ser uma caricatura e passou a ter 6,9% nas eleições e se converteram na primeira organização fascista com peso de massas após a Segunda Guerra Mundial, é um dos fatos políticos mais importantes destas eleições.

Este grupo de bandidos se vale de métodos de guerra civil contra uma parte do proletariado grego, os imigrantes, pois os responsabiliza pelo desemprego de 23% e mantém uma atitude covarde diante da burguesia grega, que é cúmplice do imperialismo na aplicação dos planos de fome.

Mas uma parte de seu discurso, de ruptura com o Euro e a UE, que a imprensa ao tentar desqualificar acabou dando mais visibilidade política a estes assassinos, ocupou um espaço entre a população trabalhadora desesperada diante da crise, na ausência de uma resposta de ruptura com a UE internacionalista, que expropriasse as empresas e os bancos imperialistas e apelasse a solidariedade dos trabalhadores da Europa.

É necessário, e fundamental, a constituição de organismos de autodefesa dos imigrantes, respaldados e apoiados pelas organizações de esquerda e pelos sindicatos. É necessário construir as formas de combater esta organização que se não for combatida, amanhã atentará contra a maioria dos trabalhadores e suas organizações.


Uma resposta anticapitalista e internacionalista

A resposta da maioria da esquerda europeia ao problema da ruptura com a UE e com o Euro foi que não podemos nos confundir com o discurso nacionalista. No caso da Grécia, ser internacionalista seria aceitar a tutela do país pelo imperialismo alemão e francês que controlam a maioria das instituições da UE. Confundem os trabalhadores, pois o internacionalismo que necessitam não se confunde com a UE e suas instituições.

A UE e o Euro não representam nenhuma unidade para os povos europeus, são uma máquina de guerra ao serviço de salvar o coração da indústria e das finanças europeias – França e Alemanha - sobre a base de afogar na miséria os países da periferia europeia. A União Europeia é da Europa dos banqueiros, dos capitalistas e dos ricos.

Qualquer medida que atente contra os interesses reais da burguesia grega, atentará contra os interesses do capital imperialista que domina a economia grega. A presença da Grécia no Euro interessa somente à burguesia grega e a seus negócios. O preço que a maioria do povo grego terá que pagar para que sua burguesia se mantenha como sócia menor e subordinada ao grande capital europeu será o aprofundamento da miséria.

Nenhum dos problemas fundamentais que abatem o povo grego foi resolvido nestas eleições. A tendência da situação é o aprofundamento da crise na Grécia, ao calor da crise capitalista na Europa. No cenário atual a Troika afirma que será necessário um terceiro resgate em 2014 de 50 bilhões de euros. As projeções do próprio imperialismo é que se o Memorando for cumprido, a risca, ampliando as privatizações, aumentando à escala brutal a exploração dos trabalhadores para que as empresas paguem aos bancos e o Estado aumente a arrecadação fiscal demitindo cerca 150 mil servidores públicos e aumentando os impostos, após tudo isso, mesmo assim, a dívida chegaria a 178% do PIB ao final de 2015.

Neste contexto a política imperialista é espoliar completamente o país que está submerso numa depressão econômica profunda, privatizar, demitir e explorar. E mesmo assim após todo esse massacre, dependerá do desenvolvimento da crise no conjunto da Europa e da resistência do proletariado grego a esse plano genocida.

Diante disso, não há futuro algum para o povo trabalhador dentro do Euro. A ruptura com o euro está colocada ante a necessidade de atacar a propriedade privada do imperialismo e da burguesia grega, única interessada em se manter no euro para servir de lacaio do imperialismo europeu na região.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 27 de março de 2012

Jornalista da Veja pede cassação do registro do PSTU e prisão de sua direção

Blog pediu a ilegalidade do PSTU
Poucos dias após a ameaça explícita realizada por dois neonazistas presos pela Polícia Federal contra o PSTU, o partido se tornou alvo de outro ataque. Desta vez, vindo do articulista da revista Veja, Reinaldo Azevedo, notório candidato a ideólogo dos setores mais retrógados da direita no país. O articulista dedica grande parte de seu tempo à luta contra o casamento homossexual, o direito ao aborto e, nas últimas semanas, vem fazendo campanha para uma chapa da direita nas eleições do DCE da USP.

O ataque de Reinaldo Azevedo não é bem uma novidade. Em janeiro, durante o despejo das três mil famílias da área do Pinheirinho, em São José dos Campos (SP), o articulista não poupou qualificativos para detratar o PSTU e defender a ação do governo estadual. Ofensiva semelhante se deu durante a ocupação da reitoria da USP em 2007. Na verdade, o que o funcionário da Veja faz nada mais é que sintetizar e vocalizar argumentos diluídos em setores mais reacionários da imprensa.

Desta vez, o jornalista resgatou um artigo publicado no Portal do PSTU em 2009 para acusar o partido de 'racismo' (sic) contra os judeus. O texto trata sobre a resistência palestina aos sucessivos ataques de Israel, particularmente contra a população de Gaza. O artigo traça ainda um histórico do estado israelense, caracterizando-o como um 'estado gendarme', aparato fundado para a defesa de interesses imperialistas no Oriente Médio e relembra uma antiga reivindicação da esquerda revolucionária: a sua destruição enquanto estado.

O jornalista destaca a seguinte parte do texto, a fim de provar sua tese de 'racismo': “Assim, para a pergunta ‘o que fazer com o Estado colonial sionista’, só há uma resposta: a sua destruição. Os atalhos apenas nos levam a um ponto mais longínquo de uma sociedade definitivamente pós-sionista, portanto, laica, democrática e não-racista.’ Desta forma, para Reinaldo Azevedo, o autor do texto estaria "com Ahmadinejad, com Hamas e com o Hezbollah".

Tal argumento não é novo. A denúncia de 'racismo' sempre é utilizada por setores sionistas, incluindo-se aí o próprio Estado de Israel, quando é confrontado com os crimes praticados contra o povo palestino. Baseia-se em uma falácia, que iguala sionismo com judaísmo. O sionismo, porém, é uma ideologia política, racista e de direita, que parte do princípio de Theodor Herzel sintetizada na frase ‘uma terra sem povo para um povo sem terra’ para justificar a expulsão dos palestinos de suas terras. Nada tem a ver com a religião judaica.

Reinaldo Azevedo afirma que o texto prega 'um não-racismo sem judeu'. Omite, conscientemente, uma outra parte do artigo, que defende “a convivência de diversos povos, independente das suas crenças e origens étnicas” em um novo estado, que daria lugar ao atual 'estado judeu'. O articulista avança a seguir para uma calúnia, relacionando o artigo com o recente ataque terrorista na França: 'parece que o tal Mohammed Merah, na França, queria a mesma coisa'. A manobra é óbvia: tentar igualar o PSTU ao terrorismo estúpido e justificar as ameaças dos nazistas brasileiros ao partido.

Mas o que quer Reinaldo Azevedo? A última frase do post do jornalista pode dar uma pista sobre isso, quando insta a prisão da direção do partido e a sua ilegalidade. ‘O autor e a direção do partido ainda estão soltos. Por quê?’.


As duas faces da ultradireita

Os neonazistas presos em Curitiba na iminência de um ataque contra estudantes, movidos pelo ódio a negros, homossexuais, mulheres, esquerdistas, e também judeus, afirmaram em seu blog: ‘vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU’. Pois bem, já Reinaldo Azevedo vê a direção do PSTU na cadeia e o partido na clandestinidade. São duas expressões diferentes no espectro político e ideológico, mas que na prática conformam um mesmo ataque, vindo da ultradireita. Não por acaso, pouco tempo depois da publicação do post de Reinaldo Azevedo, mensagens de ameaça começaram a chegar ao email do Portal do PSTU.

Não é coincidência que o articulista da Veja inicie seu post com o caso das prisões em Curitiba: ’Se dois meliantes merecem estar na cadeia, e acho que merecem, por terem escrito o que escreveram, que punição cabe a um PARTIDO POLÍTICO que prega abertamente a extinção de um país?’. A partir disso, o articulista resgata o artigo publicado há três anos e retoma velhas calúnias do sionismo.

É como se ele dissesse: 'tudo bem, ativistas da direita foram presos por crimes de ódio, mas olha aqui, a esquerda também é racista!', para pedir a prisão da direção do PSTU. Não deixa de justificar também, de certa forma, os ataques da própria direita nazista que tanto afirma deplorar.

Observa-se, no último período, um crescimento da violência machista e homofóbica em todo o país, assim como contra a população negra e pobre em geral, como em São Paulo. Concomitante a isso, cresce também a resistência organizada dos setores oprimidos, que vem recebendo, por sua vez, uma resposta de grupos de ultradireita.

Em todo o país, militantes do PSTU se colocam à frente da resistência negra, feminista e homossexual, o que provoca a ira ensandecida da ultradireita. Ativistas como Guilherme Rodrigues, covardemente agredido por homofóbicos em São Paulo no ano passado, são alvos da violência desses grupos. Não é novidade, por isso, as ameaças publicadas pelos neonazistas em seu blog. Como também não são os ataques públicos de Reinaldo Azevedo. Nem a direita raivosa da Veja, porém, nem os neonazistas vão calar o PSTU.


Retirado do Site do PSTU

Homens presos por planejar massacre na UnB ameaçaram PSTU

Site com ameaças foi denunciado
Na manhã da última quinta-feira, dia 22 de março, foram presos na capital paranaense Emerson Eduardo Rodrigues e Marcelo Valle Silveira Mello, administradores do site silviokoerich.org. O site recebeu cerca de 70 mil denúncias de “conteúdo abusivo” na página safernet.org, responsável por recolher reclamações de internautas relacionadas com abusos na rede.

A página de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle ficou famosa por incitar o ódio contra negros, judeus, homossexuais, mulheres e comunistas, além incentivar a pedofilia e o estupro corretivo a mulheres lésbicas, o que gerou repúdio e comoção dos internautas em todo o país. Os dois gabavam-se, dentre outras coisas, por terem uma suposta relação com o atirador Wellington Menezes de Oliveira, autor do massacre de Realengo, ocorrido em 2011 e que matou 12 crianças, de idade entre 12 e 14 anos.

Na penúltima postagem do site antes deste ser fechado, era possível ler a seguinte mensagem: “A cada dia que se passa fico mais ansioso, conto as balas, sonho com os gritos de vagabundas e esquerdistas chorando, implorando para viver. Vejo o sangue para tudo quanto é lado, manchando uma camiseta com o logotipo do PSOL/PSTU”.

A Polícia Federal tem provas que indicam que Emerson e Marcelo planejavam um massacre a estudantes da Universidade de Brasília, chegando a desenhar um mapa para a ação. Os dois contavam com apoiadores – no Twitter, sua conta possuía mais de 1.800 seguidores –, além de uma conta bancária com R$ 500.000 para financiá-los. Tudo leva a crer que Emerson e Marcelo não estão sozinhos.


Expressão de uma sociedade doente

Antes de tudo, é preciso ter claro que monstros como Emerson e Marcelo são o produto mais podre de uma sociedade doente, e o fato destes contarem com seguidores atesta que não se trata de casos isolados, mas sim de uma patologia social. A sociedade capitalista, ao reproduzir ideologias como o machismo, o racismo e a homofobia a fim de garantir a superexploração de certas camadas da classe trabalhadora, é a base para a existência de grupos neonazistas e ultrarreacionários que pregam o ódio contra as “minorias”.

Os assassinatos de LGBT’s, o racismo disfarçado da grande mídia e a criminalização dos movimentos sociais pelos governos são elos de uma cadeia de opressão e exploração, que não começa e nem termina com o caso de Emerson e Marcelo. Muito pelo contrário. A mutilação do PLC 122 e do Estatuto da Igualdade Racial; a falta de investimentos em políticas concretas de combate ao machismo, como a Lei Maria da Penha; os ataques dos governos aos movimentos sociais, como no caso do Pinheirinho e das greves que ocorreram este ano: tudo isso contribui para que exista um sentimento de impunidade, que permite a ação de grupos e indivíduos como Emerson e Marcelo.


Omissão da justiça e da Reitoria da UnB colocaram estudantes em risco

Marcelo Valle não é um desconhecido da Universidade de Brasília. Já em 2005 incitava o ódio contra os negros nas redes sociais, criticando o sistema de cotas e afirmando que “lugar de negro não é na universidade”. Na ocasião, foi denunciado por um estudante no Ministério Público. Chegou a ser processado e condenado em 2009, mas recorreu da decisão e não chegou a passar uma noite na cadeia. Todavia, continuou ameaçando os estudantes da instituição através de telefonemas e e-mails. Luiza Oliveira, estudante de Ciências Sociais e ex-militante do PSTU, foi ameaçada dentre outras coisas de estupro corretivo. “Ele ameaçou me estuprar, me xingou. Guardei todas as postagens dele impressas” , afirma Luiza.

Por outro lado, o clima de insegurança dentro da UnB reforça o medo de estudantes, professores e funcionários. O campus Darcy Ribeiro, que é o maior entre os quatro campi da universidade, é muito mal iluminado, tem poucas linhas de ônibus – o que obriga os estudantes a andarem a pé até a via mais próxima, que fica a centenas de metros – além de não contar com um contingente de seguranças apropriado. Os poucos seguranças da universidade são patrimoniais, ou seja, são treinados para defender o patrimônio material da universidade, e não a vida das pessoas. Todo semestre ocorre pelo menos um estupro nas imediações do campus Darcy Ribeiro, e a presença da polícia militar na área não diminui o número de ocorrências.

Como se não bastasse, recentemente a Reitoria da UnB anunciou uma demissão em massa de trabalhadores terceirizados, afirmando que graças à expansão via Reuni a universidade estava sendo subfinanciada, e que era preciso “cortar gastos” demitindo esses trabalhadores. A Reitoria ignora os lucros exorbitantes das empresas terceirizadas, e ao invés de propor a redução desses lucros prefere mandar centenas de pais e mães de família para a rua. Entre os terceirizados, os porteiros serão as maiores vítimas das demissões. Em outras palavras: em um momento crítico de insegurança na UnB, é anunciada pela Reitoria a demissão de trabalhadores responsáveis pela segurança do campus.

Um militante do PSTU, que é trabalhador terceirizado, convive diariamente com ameaças de todos os tipos, como resposta a seu papel na organização e liderança da categoria. “Já fui agredido fisicamente e inclusive ameaçado de morte. A Reitoria tem conhecimento da situação, mas até agora não fez nada” , diz Francisco.


Combater as opressões, garantir a segurança da comunidade universitária!

O PSTU é um partido reconhecido nacionalmente pela luta contra toda forma de opressão, seja ela de gênero, raça, etnia, orientação sexual ou de classe. Orgulhamo-nos de levantarmos bem alto a bandeira de todos os oprimidos pela construção de uma sociedade igualitária, apesar de vivermos em uma época de clara degeneração moral. Não é a toa que todos os inimigos da classe trabalhadora e dos setores oprimidos da sociedade sempre buscam atacar nossa organização, como é o caso de Emerson Rodrigues e Marcelo Valle, que afirmaram o desejo de ver nossas camisetas “manchadas com sangue”. Longe de nos intimidarmos, continuaremos firmes na luta por um mundo livre da barbárie produzida pela sociedade capitalista, um mundo socialista.

Exigimos da Reitoria da UnB e dos poderes públicos medidas concretas de segurança para os estudantes da universidade. Seria ingenuidade pensar que Emerson Rodrigues e Marcelo Valle estão sozinhos, como atestam os comentários em seu blog e os R$ 500.000 achados em sua conta bancária. A prisão dos dois é um passo importante, mas de forma alguma garante a segurança da comunidade universitária da UnB. Exigimos a contratação de mais seguranças, maior iluminação no campus, ampliação das linhas de ônibus que passam na UnB e a não demissão dos trabalhadores da portaria.

  • Impunidade alimenta os crimes de ódio


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

    Apesar da repressão, milhares protestam em defesa do Pinheirinho em São Paulo

    As festividades organizadas para celebrar o aniversário de S. Paulo, neste dia 25, viraram palco para que milhares cerca de 3 mil pessoas expressassem sua indignação e revolta contra a onda de violentos ataques que vêm sendo cometidos contra o povo pobre e os movimentos sociais, da cidade e do estado. A luta contra a criminosa e sanguinária reintegração de posse do Pinheirinho foi o principal mote do protesto. Mas não o único.

    A compreensão de que todos estes ataques são expressões de uma mesma política de “higienização” sócio-racial e criminalização da pobreza e dos movimentos que se organizam para combatê-las, também levou às ruas a denúncia do que vem ocorrendo na região da “cracolândia”, na Favela do Moinho e nos bairros da periferia da cidade.

    Em mais uma demonstração de truculência, a PM tentou dispersar a manifestação com cassetetes, bombas e gás de pimenta. Mas, não só não conseguiu impedir o protesto, como instigou, ainda mais, as organizações e militantes que convocaram o ato a intensificarem as atividades, como foi anunciado pelo “Comitê de Solidariedade ao Pinheirinho”, no final do ato (veja abaixo).


    “Crianças morrendo, governo se escondendo”

    Os protestos tiveram início às 9h da manhã, na Catedral da Sé, onde estava sendo celebrada uma missa em homenagem à cidade. Dentro da igreja estavam alguns dos principais responsáveis pelas políticas fascistóides que estão em curso. Além do odiado prefeito Gilberto Kassab (PSD), também estavam Andrea Matarazzo (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB). O covarde do governador “Generaldo” Alckmin (PSDB) nem sequer deu as caras e mandou seu vice, Guilherme Afif, do mesmo partido do prefeito.

    Do lado de fora, o que se via eram trabalhadores e jovens convocados pelas centrais sindicais, por partidos políticos de esquerda e pelas entidades dos movimentos estudantil e popular, de negros e negras, de mulheres, de LGBT’s, dos movimentos sem-teto e sem-terra, dos trabalhadores da cultura, ou daqueles que lutam em defesa da população de rua.

    Uma onda de comoção tomou os participantes com a chegada de uma comissão com cerca de dez de moradores do Pinheirinho. Falando em nome do grupo, o companheiro Samuel, que também é militante do PSTU, saudou a manifestação: “Em nome dos moradores do Pinheirinho, quero agradecer, de coração, a todas as entidades, companheiras e companheiros, que vieram a este ato. O que está sendo feito com a gente, lá, é um crime muito maior do que vocês estão vendo na televisão. Tem gente ferida, gente sumida e, certamente, gente morta. A prefeitura, a imprensa e até os hospitais estão escondendo a verdade. Derrubaram nossas casas, destruíram nossos sonhos, bateram na nossa gente, mas nós estamos aqui para mostrar que ainda estamos de pé e com a ajuda de lutas como esta nós vamos reerguer o Pinheirinho.

    Ao lado de Samuel, outros moradores não se cansavam em relatar a calamidade que se abateu sobre eles. Rafael contou como sua filha, de 10 meses, sofreu, inalando gás e apavorada com as bombas que foram lançadas na igreja da comunidade, onde mulheres e crianças buscaram refúgio e proteção durante a invasão policial. Já Anderson dizia que “pior do que as cenas de horror daquela madrugada, só mesmo o que estamos vendo na igreja onde nosso povo tá jogado sem nada, sem comida, sem água, sem colchão, sem uma muda de roupa. Mas ainda com esperança”.


    “Fascista, fascistas, não passarão”


    Foi entoando esta palavra de ordem que os manifestantes “abraçaram” a Catedral. A manifestação pacífica, que tinha como objetivo garantir que as “autoridades” ouvissem o clamor da população, foi brutalmente atacada pela PM para garantir que Kassab, como um rato que é, fugisse pelo fundo da igreja. O que ele só conseguiu, diga-se de passagem, respirando o gás disparado pelos seus próprios capachos e com seu finíssimo terno coberto de ovos, atirados por alguns manifestantes.

    Apesar da confusão causada pela polícia e dos muitos que se feriram durante a ação, os manifestantes deram uma demonstração de que ninguém mais está disposto a se curvar diante dos desmandos desta corja e se reagruparam para organizar uma passeata até a prefeitura, onde Kassab havia programado uma homenagem a Alckmin e Dilma.


    “Oh, Alckmin, seu matador, assassinado o povo trabalhador”

    Durante o percurso, enquanto os oradores se revezavam ao microfone, as palavras de ordem que ecoavam pelas ruas do centro expressavam não só a indignação generalizada, mas também a enorme unidade e a corrente de solidariedade que se formou em torno do Pinheirinho.

    Os movimentos negros lembravam que os ataques ao Pinheirinho, ao Moinho e à periferia tem tudo a ver com os vários episódios de racismo que aconteceram recentemente em S. Paulo ao cantar: “São Paulo, estado racista, governador assassino e fascista”. E, a todo momento, os manifestantes lembravam a todos que está por trás das bombas, balas e demais crimes sociais que estão sendo cometidos: “Oh Pinheirinho, estou com você, contra o massacre do PSDB”.

    Além disso, foram diversos os manifestantes que lembraram que, lamentavelmente, a tragédia do Pinheirinho poderia ter sido evitada. Se Dilma e o governo do PT realmente tivessem compromisso com os trabalhadores, como afirmam ter, hoje, S. José não teria 9 mil pessoas com seus bens e vidas aos pedaços.


    “Oh, oh, Dilma, expropriar...pro Pinheirinho ter casa pra morar”

    Falando já na frente da prefeitura, Camila Lisboa, do “Movimento Mulheres em Luta” foi uma das que exigiu que Dilma intervenha para por fim a este absurdo: “O Pinheirinho nos ensinou mais uma vez que a luta feminista é também um a luta de classes. Foi uma mulher, a juíza Márcia, que viabilizou que esta tragédia ocorresse. E, lamentavelmente, é uma mulher, na presidência, que, até o momento, tem se omitido, favorecendo evidentemente os interesses do especulador Naji Nahas e acobertando os crimes do governo de São Paulo”, disse Camila.

    “Por isso”, continuou Camila, “é lamentável que Dilma, mais uma vez, tenha se escondido e não esteja aqui para nos ouvir. E nós só temos uma coisa pra dizer pra ela: Dilma, você pode por um fim a esta tragédia. Basta uma canetada para salvar o sonho das mulheres do Pinheirinho. E nós vamos continuar nas ruas até que você faça isso”


    “Quem luta não está sozinho, somos todos Pinheirinho!”

    A continuidade da luta está garantida pelo calendário de atividades que está sendo montado pelo “Comitê de Solidariedade ao Pinheirinho”. Além das atividades já divulgadas, ao final do ato, Luis Carlos Prates, o Mancha, do Sindicato dos Metalúrgicos de S. Joséo dos Campos, divulgou a convocação de um grande ato nacional, no dia 2 de fevereiro, em S. José dos Campos.

    Segundo o dirigente metalúrgico, “é preciso levar milhares a S. José para denunciar e por fim à situação de calamidade pública que reina na cidade. Pessoas estão sendo tratadas pior que animais. A igreja e toda a região ao redor dela parece um campo de concentração. Pessoas só podem circular usando u¬mas pulserinhas, mas quem é visto nas ruas com a tal pulserinha logo vira alvo de violência da polícia, que está espalhada por todos os lados.

    Ainda pior é a dor dos muitos que ainda não localizaram amigos e parentes. O mundo precisa saber disto. Há mortos. Há desaparecidos. E nós devemos a eles, e àqueles que ainda resistem, fazer todo o esforço que for preciso para virar o jogo. Todos a S. José, no dia 2”.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 24 de janeiro de 2012

    PSDB e PM dizem não haver mortos nem feridos. Até quando vão mentir?

    O governo de Geraldo Alckmin, a prefeitura do PSDB e a polícia insistem em dizer que a “desocupação foi tranquila”. Chegaram a dizer em entrevistas que não houve nem mortos e nem feridos na desocupação.

    Afirmar que não houve feridos na ocupação é algo absolutamente ridículo. Basta andar por alguns minutos entre as pessoas que foram desalojadas pra perceber que o número de feridos é incalculável. São homens, mulheres e crianças que exibem marcas das balas de borracha e fragmentos de bombas de gás.

    Há imagens, em fotos e vídeo, de pessoas feridas sendo transportadas aos hospitais (veja o vídeo). Há cenas da Guarda Municipal atirando com revolver do tipo 38 contra os moradores! Mas o governo e prefeitura estão “blindando” as informações sobre as reais condições destes moradores feridos.

    Um radialista divulgou um depoimento de uma moradora que relata ter visto criança gravemente ferida chegar ao Hospital Municipal.

    A violência foi tão grande que até o secretario nacional de Articulação Social, Paulo Maldos, foi ferido na desocupação. Maldos foi atingido por uma bala de borracha disparada pela PM.O PSDB vair querer erconder isso também?

    A reportagem constatou que há apenas um assessor de comunicação com permissão para falar sobre o número de feridos. Pedir informação em qualquer hospital significa ser despachado para falar com este funcionário. Constatamos que, mesmo jornalistas da grande imprensa, estão visivelmente irritados com a falta de informação.



    Ou seja, a centralização é total e a mentira sobre que “não há feridos” é parte da ação militar. Vomitam mentiras para impedir que a opinião pública possa se voltar contra a ação criminosa do governo do PSDB. Assim, tratam os moradores do Pinheirinho pior do que tratam bandidos. Como informou o ex-capitão do BOPE, Rodrigo Pimentel, na Rede Globo, teve mais policiais no Pinheirinho do que na ação de combate ao tráfico na Rocinha.

    Para evitar o contato entre os moradores, a prefeitura de São José dos Campos isolou as famílias do Pinheirinho no Centro de Triagem montado na zona sul. A imprensa está impedida de entrar no local para entrevistar os moradores.

    Muitos outros moradores também relatam que houve sim assassinatos por parte da polícia. Uma das histórias mais ouvidas aqui é de que havia três corpos dentro do acampamento. A OAB já está percorrendo os necrotérios.

    Até quando que o PSDB e a polícia irão esconder a verdade? Onde estão os feridos e desaparecidos do Pinheirinho?


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 3 de dezembro de 2011

    Militante do PCdoB foi atacado em Curitiba por estar com a camiseta do seu partido

    Solidariedade ao militante do PCdoB atacado por neonazistas


    O PSTU de Curitiba é solidário ao PCdoB e a seu militante atacado por neonazistas na Avenida XV de Novembro, região central da cidade. Ele estava com a camisa de seu partido e, por isso, recebeu ofensas e ameaças e foi perseguido por um grupo de sete a oito pessoas, armadas com facas e canivetes. Para alívio de todos, ele conseguiu escapar desse ataque político.

    Esses grupos de ideologia neo-fascista têm como alvos, em potencial, homossexuais, nordestinos, negros, judeus, árabes e também socialistas, comunistas e anarquistas. Não é a primeira investida de grupos assim em nosso estado.

    Nosso partido exige que as autoridades apurem o caso e identifiquem os responsáveis pelo ataque. Exigimos punição exemplar, pois trata-se de tentativa de homicídio, uma vez que os agressores estavam armados com canivetes e facas.

    Por outro lado, as organizações políticas e sociais, que representam os grupos incluídos em situação de risco de ataque de neonazistas, precisam adotar iniciativas políticas imediatas, em todas as esferas, com o objetivo de travar uma dura luta política junto a sociedade e acompanhar a investigação deste caso.

    Esse grupos não podem agir como vem atuando, disseminando sua idelogia machista e o preconceito, defendendo a violência contra setores da sociedade. Em especial, os homossexuais, os que mais sofrem nas mãos desses grupos, necessitam de uma legislação específica, que puna duramente a prática da homofobia.

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    terça-feira, 15 de novembro de 2011

    A “grande mentira”, o alicerce da propaganda nazista

    Hitler, Goebbels e ‘Die große Lüge’


    A mentira é sempre contrarrevolucionária. Na mão de pequenos escroques é uma arma ineficaz, mas nem por isso perde seu caráter político. Muitos já ouviram ou leram a máxima de que uma mentira repetida mil vezes se torna uma verdade. Esta frase, em várias versões é atribuída a Joseph Goebbels (1897-1945), o ministro da Propaganda do regime nazista. A frase é uma confirmação esplêndida da própria tese que ela anuncia. Não há nenhuma fonte confiável que permita confirmar que o braço direito de Adolf Hitler foi o autor desse dito e o mais provável é que a frase e a própria autoria não passem de uma inverdade. Entretanto, não deixa de ser verdade que Gobbels foi um mestre na transformação de mentiras em senso comum e verdade. É irônico, mas o mestre da falsificação foi, assim, vítima de uma.

    A ideia de que uma grande mentira pode convencer as pessoas e parecer uma verdade consistente encontra-se, entretanto, presente no pensamento político nazista. Em seu clássico Mein Kampf, Adolf Hitler dedica todo um capítulo à Kriegspropaganda (propaganda de guerra). Nessa obra, o líder nazista distingue a propaganda da instrução. A instrução pode ter por público intelectuais e letrados e estar voltada para a produção e difusão do conhecimento científico. Mas é diferente com a propaganda. Ela teria outro objetivo e um público diverso. O objetivo era convencer e seu público era “a massa”. Segundo Hitler, a finalidade da propaganda:

    “é a de despertar a atenção da massa e não educar os que já estão educados ou àqueles que estão atrás de educação e conhecimento, seu efeito deve ser cada vez mais dirigido para o sentimento e apenas em um grau muito limitado ao assim chamado intelecto. Toda propaganda deve ser popular e estabelecer o seu nível intelectual de acordo com a capacidade de compreensão da inteligência mais limitada dentre aquelas as quais se dirige. Consequentemente, quanto maior a massa que se quer atingir, mais baixo deverá ser o nível puramente intelectual.” (1943, p. 197)

    A simplificação dos enunciados, a repetição incessante e o apelo direto às emoções do indivíduo-massa constituíam as principais técnicas da propaganda nazista. O fundamento dessa ideia era uma antropologia filosófica que reduzia a “massa” à completa estupidez, a cérebros vazios que podiam ser preenchidos com qualquer ideia adequadamente transmitida. Para reforçar o caráter irracional do povo, Hitler identificava nele um espírito feminino: “O povo, na sua grande maioria, é de índole feminina tão acentuada, que se deixa guiar, no seu modo de pensar e agir, menos pela reflexão do que pelo sentimento” (idem, p. 201). Apelar de modo eficaz a esse sentimento era crucial para convencer de modo rápido e duradouro. Desse modo, a propaganda deveria “se restringir a poucos pontos. E esses deverão ser valorizados como slogans, até que o último indivíduo consiga saber exatamente o que representa esse slogan” (idem, p. 203). A reprodução paciente e constante de algumas ideias capazes de tocar diretamente o coração, antes das mentes, era a chave dessa técnica.

    A propaganda era para o nazismo um meio para um fim, a potência da nação alemã. Qualquer meio capaz de conduzir ao fim desejado encontrava-se previamente justificado e qualquer forma de propaganda em condições de aproximar o objetivo final era recomendada. A mentira podia ser, assim, um dos recursos utilizados para apelar às emoções das massas e quanto maior a mentira, mais capaz de atemorizar, de aterrorizar e de ascender as paixões. A surpreendente conclusão, apresentada no capítulo X de Mein Kamp era que quanto maior a mentira, mais eficaz ela poderia ser:

    “Resulta da própria natureza das coisas que quanto maior a mentira mais fácil será que acreditem nela, pois a massa popular, nos seus mais profundos sentimentos, não sendo má, consciente e deliberadamente, é menos corrompida e, devido à simplicidade do seu caráter, é mais frequentemente vítima de grandes mentiras do que de pequenas.” (HITLER, 1943, p. 252)

    Die große Lüge (a grande mentira) foi o alicerce da propaganda nazista. Na mitologia nazista, o complô secreto judaíco-marxista era o responsável pelo colapso da Alemanha. Considerar a guerra como responsável por esse colapso era uma grande mentira. As causas da ruína da nação deveriam ser encontradas naquelas ideias estranhas ao espírito alemão que haviam sido disseminadas pelo “judeu, acostumado à mentira, e o espírito combativo do seu marxismo” (idem, p. 252). A aliança entre banqueiros judeus e comunistas alemães era tão improvável quanto as profecias de Nostradamus. Mas o aparelho de propaganda nazista se encarregou de difundir a existência dessa esdrúxula comunhão, do mesmo modo como afirmou ser Adolf Hitler a encarnação do Hister mencionado pelo adivinho.(1)

    Para combater o que julgava ser Die große Lüge, o nazismo transformou a mentira sistemática em uma arma de guerra. O ministro da Propaganda de Hitler foi o responsável por essa operação. Em uma dura crítica à propaganda de guerra do governo inglês e de seu ministro Winston Churchil (1874-1965), Goebbels afirmou:

    “A coisa surpreendente é que Mr. Churchill, um genuíno John Bull, aferra-se às suas mentiras, e de fato repete-as até que ele mesmo passa a acreditar. Esse é um velho truque Inglês. Mr. Churchill não precisa de aperfeiçoá-lo, pois é uma das táticas da política britânica, conhecidas no mundo inteiro. Eles fizeram bom uso do truque durante a Guerra Mundial, com a diferença que a opinião mundial acreditava nelas, o que não pode ser dito hoje.” (GOEBBELS, 1941, p. 364. Cf. tb. idem, p. 365).(2)

    A ideia de que a repetição de um fato poderia fazer com se acreditasse nela independentemente de sua consistência ou adequação à realidade estava na base de toda a propaganda nazista. Mas não era qualquer mentira que poderia tornar-se uma ideologia de massas. Para que isso ocorresse era necessário que a mentira fosse conforme àquilo que as pessoas queriam ouvir. O mecanismo que aproximou as massas do discurso nazista foi a identidade construída entre a estrutura de personalidade dos indivíduos massificados e a estrutura de personalidade do Führer.

    Estabelecida essa identidade a propaganda nazista podia retirar de seu discurso todo argumento racional. O Führer era a encarnação do povo alemão. Sua revolta contra as autoridades, simbolizada pela sua prisão, era o simples chamado à luta contra as autoridades e poderes existentes e, ao mesmo tempo, a afirmação de uma autoridade inconteste. A identidade entre o Führer e o “povo” permitia mobilizar os ressentimentos predominantes na pequena-burguesia (cf. REICH, 1972, cap. II). O discurso racional cedia lugar às imagens capazes de apelar diretamente ao inconsciente das massas.

    A forte associação entre a nação e a terra, entre a pátria e a família organizava um discurso político no qual era a própria existência da Alemanha e de seus habitantes o que se encontrava em jogo. A precariedade da existência já havia sido afirmada por uma guerra na qual morreram quase dois milhões de alemães, pela crise econômica e pelas revoluções que marcaram os anos que se sucederam ao conflito mundial. A insegurança era o sentimento predominante na pequena-burguesia. Uma terra ilimitada para a sobrevivência e bem-estar da família alemã era uma ideia capaz de comover uma pequena-burguesia amedrontada e assombrada pelo presente.

    O nazismo foi um chamado à revolta dentro da ordem. Nas três primeiras décadas do século XX a pequena-burguesia alemã lutou desesperadamente contra as forças sociais e políticas que haviam perturbado sua paz: o capital financeiro e o trabalho, personificados nas figuras de dois estrangeiros, o judeu e o bolchevique. Nessa luta revoltou-se contra as autoridades e governos que julgava serem controladas por essas forças. Mas o seu propósito nunca foi suprimir toda autoridade e sim estabelecer uma autoridade suprema capaz de restabelecer a antiga ordem de paz e prosperidade de seus antepassados.

    Os nazistas, revolucionários da ordem, construíram o maior movimento contrarrevolucionário do século XX (3). Para tal apropriaram-se dos nomes do socialismo e dos trabalhadores para batizar sua organização de Nationalsozialistische Deutsche Arbeiterpartei (NSDAP – Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães), adotaram formas de organização de massas inspiradas nos modelos do partido comunista e construíram um eficiente aparelho de propaganda. Seu discurso incendiário levou a pequena-burguesia à revolta apenas para reconduzi-la à ordem. A mentira era mais tranquilizadora do que a perigosa verdade. Mas pouco tempo depois o que havia diante do povo alemão era apenas a barbárie.


    Referências bibliográficas

    GOEBBELS, Joseph. Die Zeit ohne Beispiel. Munich: Zentralverlag der NSDAP, 1941, p. 364-369.

    HITLER, Adolf. Mein Kampf: Zwei Bände in einem Band Ungekürzte Ausgabe. München: Zentralverlag der NSDAP, 1943.

    REICH, Wilhelm. Psicología de masas del Fascismo. Madri: Ayuso, 1972.


    1 Hister, entretanto não era uma pessoa e sim a denominação em latim do baixo rio Danúbio.

    2 Essa é, provavelmente, a versão mais próxima da ideia de que uma mentira repetida muitas vezes se transforma em uma verdade. John Bull é um personagem ficcional criado no século XVIII e popularizado em cartoons dos séculos subsequentes que representa a Grã Bretanha. Geralmente é retratado como um homem gordo e de meia idade, vestido um casaco com as cores da bandeira nacional.

    3 A ideia de que a contrarrevolução é, também, uma revolução pode ser encontrada em Marx. Em 1848, diante da derrota do movimento democrático alemão, escreveu: “We have never concealed the fact that we do not proceed from a legal basis, but from a revolutionary basis. Now the government has for its part abandoned the false pretense of a legal basis. It has taken its stand on a revolutionary basis, for the counter-revolutionary basis, too, is revolutionary.” MECW, v. 8)


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    quarta-feira, 19 de outubro de 2011

    Editora Sundermann lança "Revolução e contrarrevolução na Alemanha", de Leon Trotsky

    Capa do livro
    Reconhecido amplamente como uma das mais brilhantes análises sociológicas e políticas de Trotsky, este clássico do marxismo chega agora às livrarias em nova edição, com tradução revista e notas históricas explicativas sobre o contexto em que foi escrito e os principais personagens envolvidos.

    Ao contrário do que muitas vezes imaginamos, as revoluções não são caminhos de mão única. Uma grande oportunidade histórica, se desperdiçada, pode acarretar em anos ou até mesmo décadas de desmoralização, medo e inação por parte da classe trabalhadora. Foi exatamente isso que aconteceu na Alemanha na primeira metade do século passado. Duas revoluções foram desperdiçadas: 1918 e 1923. Na terceira situação revolucionária aberta, por volta do início dos anos 1930, a burguesia, finalmente unificada em torno à figura de Hitler e aproveitando-se da divisão e confusão do proletariado, impôs a ditadura capitalista mais sangrenta já conhecida: o nazismo. Revolução e contrarrevolução caminham sempre juntas. Sem aprender a fundo esta lição, não se pode dirigir a luta da classe trabalhadora pelo socialismo.

    O livro que a Editora Sundermann apresenta agora ao leitor é o retrato da luta de Trotsky por uma política verdadeiramente revolucionária na Alemanha do entre-guerras, pela unidade da classe trabalhadora para barrar o crescimento do fascismo. Neste livro, obrigatório para todos aqueles que desejam fazer política revolucionária de verdade, o grande dirigente bolchevique expõe os princípios fundamentais da luta pela consciência das massas em uma situação de crise, decadência e desespero de toda uma nação. E apresenta uma saída onde esta parece não existir...

    Clique aqui e leia a apresentação do livro


    Ficha técnica:

    Trotsky, Leon.
    Revolução e contrarrevolução na Alemanha.
    Editora Instituto José Luís e Rosa Sundermann, 2011.
    352 p.
    1ª edição
    Tradução: Mario Pedrosa
    ISBN: 978-85-99156-63-6
    Preço: R$ 35


  • Clique aqui para comprar o livro, no site da Editora Sundermann


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    terça-feira, 26 de julho de 2011

    Atentado terrorista mostra crescimento da ultradireita na Europa

    Movimentos fascistas aproveitam crise econômica e fracasso da União Europeia para se fortalecerem


    Imagem divulgada pelo próprio terrorista
    Os atentados terroristas perpetrados nesse dia 22 de julho por um militante de ultradireita chocaram a Noruega e todo o mundo. Ander Behring Breivik, de 32 anos, armou explosivos no centro da capital Oslo e, momentos após a explosão que deixou sete mortos, abriu fogo contra centenas de adolescentes que participavam de um acampamento do Partido Trabalhista, na ilha de Utoeya.

    Segundo relatos de sobreviventes, Breivik estaria disfarçado de policial quando desembarcou na ilha em que ocorria uma atividade da juventude do partido ligado ao governo. O extremista junta então um grande grupo de jovens para explicar-lhes o que havia ocorrido no centro da cidade, puxa um rifle e começa a atirar. Descobriu-se depois que o assassino usou balas ‘dum-dum’, que se estraçalham no corpo da vítima provocando enorme estrago. Sua intenção era clara: matar o maior número possível de pessoas.

    O último levantamento da imprensa dá conta de 76 mortos nos dois atentados.

    Com a chegada da polícia, o terrorista foi preso sem reagir. Na tarde desse dia 25, quando se apresentou perante o juiz, Breivik confessou os crimes, mas negou qualquer culpa. Para ele, é perfeitamente admissível assassinar adolescentes a sangue frio em sua cruzada contra o “multiculturalismo” e a “colonização islâmica” da Europa.


    Planejamento

    Preso, o assassino confessou que o atentado havia sido minuciosamente preparado com nove anos de antecedência. Antes de sair para executar sua ação, Breivik espalhou para seus contatos na Internet cópias de uma espécie de manifesto chamado “2083: Uma declaração de independência europeia”, com mais de 1500 páginas.

    Em suas páginas, um verdadeiro compêndio da extrema-direita e do fundamentalismo cristão. Numa espécie de delírio fascista, o terrorista descreve com nostalgia uma Europa idílica formada por homens bons e nobres, invadida de repente por islâmicos, negros e estrangeiros. Aos europeus “patrióticos”, restaria a missão de resgatar seus países do “multiculturalismo”, que ameaçaria o modo de ser genuinamente europeu. O fundamentalista assina o texto como “Chefe de Justiça Para os Cavaleiros Templários da Europa e um dos vários líderes do Movimento de Resistência Nacional e Pan-Europeu Patriótica”.

    Mais do que delírios, porém, o que o texto revela, e os atentados atestam, é um grau de organização e articulação que expressam o avanço dos movimentos de ultradireita no continente. No tribunal, o terrorista afirmou ter executado o atentado com a ajuda de duas outras “células”. A complexidade da ação corrobora a tese de que ele não teria agido sozinho.

    O manifesto de Breivik, além do discurso racista típico da ultra-direita (chega-se a afirmar que o Brasil é desigual, improdutivo e conta com corrupção endêmica devido à ‘mistura de raças’), traz um verdadeiro manual de instruções para atentados terroristas. Do alvo, ao arsenal, preparação e tudo o mais necessário para infligir baixas em favor da “causa”.

    O terrorista enumera os alvos: os “traidores”, em ordem decrescente de acordo com a gravidade das suas traições. As instruções para a preparação da “ação” são detalhadas, indo do condicionamento físico do terrorista à aquisição e manuseio das armas, e até mesmo o que fazer caso “eventualmente sobreviva à ação”.


    O perigo do fascismo

    Longe de ser um caso isolado, a tragédia na Noruega se inscreve numa conjuntura de crescimento da ultradireita em toda a Europa. Partidos e movimentos de inspiração fascista e xenófoba se utilizam da crise econômica para ganhar espaço e colocar os trabalhadores imigrantes, negros e homossexuais na mira da opinião pública.

    O terrorista norueguês militou por anos no ultranacionalista Partido Progressista, legenda que vem experimentando grande crescimento nos últimos anos, tornando-se a segunda maior força política do país nórdico. Nas últimas eleições, o partido teve 23% dos votos. Da mesma forma, Áustria, Finlândia, Itália entre outros países europeus, testemunham o fortalecimento da ultradireita. Uma das principais líderes desse processo é a francesa Marine Le Pen, dirigente extremista apontada como favorita para as eleições presidenciais de 2012.


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