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terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Rio de Janeiro: Governo Cabral quer destruir todo o complexo esportivo e cultural do Maracanã

Em defesa da Aldeia Maracanã e do Estádio de Atletismo Célio de Barros




Viral do PSTU nas redes sociais em defesa do complexo esportivo e cultural do Maracanã
Os cerca de 3 bilhões de lucro que esperam os empresários com a privatização do Maracanã estão pressionando nosso ditador Cabral a ousar na repressão à população carioca e fluminense. O governo quer destruir um prédio histórico de relevante importância para preservação da cultura indígena, uma escola pública considerada modelo, um complexo esportivo fundamental para os atletas e a comunidade do bairro que o utiliza para atividades esportivas, a fim de supostamente atender as exigências da Fifa. Tudo isso acontece com apoio de Eduardo Paes e Dilma, omissos diante do sofrimento dos trabalhadores que perderam seus empregos, dos alunos que perderam sua escola, e dos atletas que não têm mais lugar onde treinar.

Esse fim de semana foi de muita luta nos entornos do Maracanã. Professores, atletas, ex-atletas, movimentos populares e indígenas estiveram presentes nos locais ameaçados de destruição, protestando contra mais um absurdo do governo do estado. Estivemos lado a lado de centenas de ativistas na defesa da Aldeia Maracanã, do Estádio de Atletismo Célio de Barros e de todos os atingidos pela venda do patrimônio histórico, imaterial e não dimensionável do futebol do Rio e do mundo.

Não podemos deixar que o Rio de Janeiro se transforme numa marionete que os seus dirigentes movimentam como quiser. A luta continua e tem que ampliar essa semana. Completa-se um ano da brutal desocupação do Pinheirinho e os trabalhadores seguem sendo massacrados, seja na periferia de SP por Alckmin, seja nas favelas e ocupações por Cabral.

A realização de grandes eventos em nosso país tem que servir para o desenvolvimento social do país e não para enriquecer os já bilionários megaespeculadores.


  • Não à demolição da Aldeia Maracanã, do Célio de Barros, do Julio Delamare e da Escola Friedenreich;
  • Pela reforma do prédio pelo governo e construção de um verdadeiro Museu do Índio na Aldeia Maracanã gerido pelos indígenas;
  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã e ruptura dos contratos com as empreiteiras envolvidas
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.


  • Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

    Um dos maiores estádios do mundo pode ser privatizado pelo governo de Sérgio Cabral

    O 'Maraca' é nosso! Contra a privatização e pela democratização do acesso à cultura
     

    Ato no dia 1° contra a privatização do Maracanã
    O futebol nem sempre foi um esporte popular. Ao contrário, sua origem foi extremamente aristocrática e racista, mas as massas trabalhadoras trataram de se apaixonar e tomar para si, o que mais tarde se tornaria um pilar da identidade nacional.

    Agora, os velhos senhores travestidos de modernidade e munidos de um discurso modernizador querem transformar em mercadoria a alegria do povo e privatizar o Maracanã.

    A reforma que está sendo feita no (ex) Maior do Mundo vai na contramão das tradições populares das arquibancadas. O maior público já recebido foi, aproximadamente, 200 mil pessoas na década de 1950, mas, após sucessivas reformas, a capacidade oficial hoje do estádio caiu para 78 mil. A antiga “Geral” foi extinta. O preço do ingresso subiu.

    Torna-se cada vez mais claro que os sucessivos governos estão insistentemente tentando elitizar mais uma vez o futebol. Mas como se tudo isso não bastasse, o governador Sérgio Cabral - apoiado pelo prefeito Eduardo Paes e presidenta Dilma - quer privatizar o Maracanã, entregando por 35 anos o templo do futebol ao arquibilionário Eike Batista.

    As condições que se darão a privatização, ou melhor, a doação são inacreditáveis: Pela cessão do Maracanã, o Estado do Rio de Janeiro receberá mesmo só 33 parcelas de R$ 7 milhões pela outorga, ou seja, R$ 231 milhões. Isso é 26,5% de quanto já foi comprometido com a reforma do estádio para a Copa do Mundo de 2014 (R$ 869 milhões) ou 18% do total gasto nas três últimas reformas (R$ 1,279 bilhão, com obras para o Mundial da Fifa de 2000, Pan de 2007 e Copa). Enfim, o dinheiro recebido pelo estado não paga nem mesmo a reforma.

    A reforma prevê ainda a destruição do histórico Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros (ambos inaugurados na década de 70). Nomes do esporte olímpico como Maurren Magi (maior nome do atletismo feminino brasileiro e medalha de ouro em Pequim) e Mariana Brochado (nadadora) estão na campanha contra as demolições.

    Nem mesmo o antigo Museu do Índio, onde residem cerca de 60 indígenas, e a Escola Municipal Friedenreich vão escapar. Segundo as estatísticas do Ideb a E.M. Friedenreich é a quarta melhor escola da cidade e a sétima melhor de estado. O projeto de reforma do Maracanã também prevê demoli-los para construção de estacionamentos, shopping e até mesmo um heliporto para os altos dirigentes da FIFA e da CBF. Um escândalo!

    A união dos movimentos sociais pode virar esse jogo! A população não é boba e está percebendo que enquanto os empresários de ônibus e empreiteiros lucram uma enormidade, o povo trabalhador paga uma fortuna por um transporte de péssima qualidade e está perdendo o acesso à cultura, ao lazer, à saúde e à educação. Chega!

  • Pela imediata suspensão da privatização do Maracanã;
  • Pela democratização do acesso à cultura;
  • Em defesa do Parque Aquático Julio de Lamare e do Estádio de Atletismo Célio de Barros;
  • Em defesa do antigo Museu do Índio e da comunidade indígena que ali vivem;
  • Esporte não é mercadoria. Pela regulamentação do esporte para fins sociais.


  • Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 15 de agosto de 2012

    O Esporte e Socialismo

    O atleta jamaicano Usain Bolt
    Encerraram-se os Jogos Olímpicos de Londres. No Opinião Socialista desta quinzena (Nº 447) há um excelente artigo sobre o nefasto papel cumprido pelo capital neste que deveria ser um grande espetáculo de cooperação e fraternidade universal. Como demonstra o artigo, o capitalismo transformou as Olimpíadas em um festival de injustiças em nome do lucro: remoções forçadas das populações que vivem próximas aos equipamentos olímpicos, “zonas de exclusividade” para o marketing (onde ninguém pode, por exemplo, usar uma camiseta que mostre uma marca não autorizada pelo Comitê Olímpico Internacional) e outras barbaridades.

    A próxima cidade a enfrentar as terríveis consequências de uma Olimpíada será o Rio de Janeiro. Não é preciso ter muita imaginação para prever as atrocidades que serão cometidas contra a população de rua do Rio, contra os menores que pedem esmolas nos sinais, contra os vendedores ambulantes e o povo em geral. É evidente que se prepara um verdadeiro estado de sitio na cidade, com a proibição de manifestações e greves, com uma repressão policial jamais vista. Chegaremos a ver algum tipo de “zona de exclusividade social” ou algum outro mecanismo que impeça o povo trabalhador de se aproximar dos locais de prova e trânsito de turistas? Só o tempo dirá. Não duvidamos de nada. De qualquer forma, a violência contra os pobres será a marca dos Jogos Olímpicos de 2016.

    Mas o objetivo deste artigo não é analisar os fatores políticos e sociais imediatamente ligados às Olimpíadas. Aqui queremos tomar um elemento mais profundo, que em geral escapa às discussões sobre o tema, mesmo na esquerda: o esporte em si, sua relação com o indivíduo, com a vida em sociedade e com as ideias do socialismo.


    O esporte de competição e os limites do corpo humano

    “Superação!” Eis a palavra mais dita e ouvida em qualquer evento esportivo de grande porte. Os comentaristas não param de repetir que este ou aquele atleta “superou seus próprios limites” e que este ou aquele recorde acaba de ser quebrado. Os próprios telespectadores ficam eufóricos diante de figuras como Usain Bolt e Michael Phelps, que parecem de fato desafiar nossa compreensão sobre as capacidades humanas. Mesmo os esportes coletivos se tornam cada vez mais espetáculos de velocidade, força, agilidade e perfeição.

    Mas se enganam aqueles que pensam que os atletas “testam” os limites do corpo humano, como gostam de dizer os jornalistas esportivos. Na verdade o esporte de competição já trabalha há algum tempo além dos limites do corpo humano, com gravíssimas consequências físicas e psíquicas para os atletas.

    No futebol, por exemplo, um esporte que alterna piques explosivos com paradas abruptas, são observadas sérias consequências para o coração dos jogadores e as chamadas “mortes súbitas” em campo, fruto de infartos fulminantes, têm se tornado um fenômeno recorrente. Segundo a própria FIFA, nos últimos 5 anos, 84 jogadores de futebol morreram em campo devido a problemas cardíacos. É o que revela um relatório apresentado pela entidade em maio deste ano e que tem como base informações recebidas de 129 das 208 federações que compõe a FIFA. Além disso, os clubes apostam na hipertrofia muscular do atleta para suportar a violência das partidas e levar a melhor nas bolas divididas. A ênfase na musculação faz com que os jogadores ganhem uma massa muscular incompatível com sua estrutura óssea e articulações. Resultado: repetidas fraturas, seguidas de cirurgias, seguidas de novas fraturas.

    Na ginástica olímpica, que para a perfeição técnica exige uma preparação física desde a mais tenra infância, o corpo das crianças que praticam esse esporte gasta praticamente toda a energia disponível nos treinos, o que gera a interrupção prematura de seu crescimento. Dito de maneira simples: param de crescer muito antes do que deveriam porque seu organismo não tem energia para mais nada, a não ser treinar.

    No caso do fisiculturismo, fala-se muito dos anabolizantes, mas a verdade é que este sequer é o principal problema para a saúde dos que praticam essa modalidade. Algumas semanas antes da competição, a fim de “secar” e mostrar um corpo definido, os atletas reduzem drasticamente o consumo de água. Nos dias que antecedem a competição, a ingestão de líquidos chega literalmente a zero. A única água ingerida é a presente nos alimentos, que também são escolhidos especialmente em função de seu baixo teor de água. Não contentes com isso, os atletas tomam diuréticos para forçar a eliminação de líquido pela urina. Como resultado, desenvolvem graves doenças renais, têm dores de cabeça constantes e sérios desequilíbrios hormonais e metabólicos.

    Nas corridas de cavalo, os jóqueis, que em geral já são de baixa estatura e magros, para não pesarem sobre o cavalo, fazem algo parecido: não só deixam de comer e beber antes das corridas, como tomam laxantes e fazem sessões de sauna nas horas que antecedem as corridas para eliminar o máximo possível de peso. Algumas gramas a mais sobre o cavalo podem fazer diferença. Resultado: desidratação crônica, novamente com consequências para os rins e outros órgãos.

    Estes são apenas alguns exemplos. Em muitos outros esportes ocorrem fenômenos semelhantes.


    A próxima fase do esporte sob o capitalismo: a transformação genética dos atletas

    Entendendo que o corpo humano chegou ao seu limite e até o ultrapassou, alguns pseudocientistas a serviço das grandes marcas e corporações começam a pensar novas formas de aumentar o rendimento dos atletas, sem recorrer ao doping, que sempre pode ser detectado por exames precisos. Assim, começa-se a entrar em um terreno verdadeiramente escandaloso: a chamada “transformação genética” dos atletas.

    Sabe-se, por exemplo, que o oxigênio é o grande combustível do corpo humano. Até certo ponto, o rendimento de um atleta em uma prova é determinado pela sua capacidade de “queimar” oxigênio e transformá-lo em energia e essa capacidade é determinada geneticamente. O grande “veículo” que carrega oxigênio através do corpo humano, levando-o para os tecidos que dele necessitam são os glóbulos vermelhos presentes no sangue. Quanto mais glóbulos vermelhos, melhor o indivíduo aproveita o oxigênio que respira. A partir daí o raciocínio se desenvolve com nitidez: bastaria injetar no atleta os seus próprios gens responsáveis por produzir glóbulos vermelhos para que o corpo passasse a produzir mais dessas células e o rendimento do atleta fosse melhorado. Esse procedimento não seria detectado em nenhum exame porque não se trataria de uma droga, mas sim de um componente até certo ponto “natural”: o material genético do próprio atleta. Não há hoje, pelo que se sabe, possibilidade técnica de realizar esse procedimento, mas do ponto de vista teórico ele deve funcionar e há muito dinheiro investido nesse tipo de pesquisa.

    Essa ideia, por mais escandalosa que seja, é defendida hoje abertamente nos meios esportivos como a nova fase de desenvolvimento do esporte, uma fase onde recordes já consolidados seriam novamente quebrados com folga por esses “superatletas”. Daí para experiências secretas de conteúdo mais horripilante – é um pulinho. Qualquer semelhança com os experimentos realizados pelos médicos nazistas durante a 2ª Guerra Mundial não é mera coincidência. É o desenvolvimento lógico de um sistema opressor e racista.




    “Mens sana in corpore sano”?

    O esporte deveria ser o exercício e aperfeiçoamento das capacidades físicas do ser humano, com o objetivo de manter sua saúde e promover seu lazer, entretenimento e confraternização. Ou seja, em última instância, o objetivo final do esporte reside no bem estar psíquico do homem, que realiza todas as suas potencialidades físicas em associação com outros seres humanos e obtém daí prazer ou satisfação psicológica. Todos sabemos o quanto é simplesmente divertido jogar bola com os amigos, mesmo quando o placar do jogo não é sequer contado. O esporte deveria ser, portanto, em primeiro lugar, um momento de humanização e socialização.

    Ao invés disso, o esporte de competição, tal como vem se desenvolvendo nas últimas décadas, tem significado um verdadeiro martírio psicológico para atletas de todos os estilos e idades, bem como para seus familiares.

    A frustração diante das derrotas, as agressões psicológicas sofridas pelos atletas por parte dos treinadores, as cobranças da imprensa, as pressões e a humilhação a que os atletas estão submetidos por parte dos patrocinadores – tudo isso gera um clima que nada tem a ver com o chamado “espírito esportivo”. Há também casos de abuso sexual de atletas mulheres por parte dos técnicos, onde o caso de Joanna Maranhão é apenas o mais conhecido porque foi denunciado pela nadadora.

    De uma forma geral, o esporte de competição se converteu em um profundo fator alienante para aqueles que o praticam. Crianças são retiradas de seu convívio normal, se tornando na prática prisioneiras e semi-escravas de clubes e empresas. Os estudos, as amizades, as brincadeiras sem compromisso e todas as outras atividades que não sejam o esporte são abandonadas. Alguns desses atletas demonstram de fato um enorme talento ou capacidade para o esporte e se transformam em grandes ídolos que fazem a alegria de milhões. Mas o preço que pagam é alto. Não fazem outra coisa além de competir. Que hoje em dia surja alguém como Sócrates (médico, jogador de futebol, ativista político e mais tarde jornalista), é praticamente impossível. O esporte de competição simplesmente não permite.

    Assim, o esporte perde uma de suas principais funções: a manutenção da saúde psíquica daqueles que o praticam, o estabelecimento de relações sociais saudáveis, a interação humana em uma atividade livre e voluntária.


    As lições da União Soviética

    Nestas Olimpíadas muito se comentou sobre o resultado obtido pelos países que até 1991 compunham a antiga União Soviética. Somadas todas as medalhas ganhas pelos 15 ex-membros da URSS, estas ultrapassariam a quantidade de medalhas dos EUA, e a URSS, nessa projeção hipotética, terminaria os Jogos Olímpicos de Londres no topo do quadro.

    De fato, os países que foram parte da URSS e outros antigos Estados operários são herdeiros de uma importante tradição esportiva e os resquícios dessa conquista podem ser vistos ainda hoje no desempenho dos atletas e equipes da ex-URSS, Europa Oriental e Cuba.

    Mas de onde exatamente vinha o bom desempenho dos atletas soviéticos? Para quem assistiu Rocky IV, um filme de 1985 com Silvester Stalone, onde o boxeador ítalo-americano Rocky Balboa enfrenta o russo Ivan Drago, pode parecer que os bons resultados da URSS vinham apenas da disciplina individual dos atletas e do investimento pesado no esporte por parte do Estado. Neste lamentável filme dirigido pelo próprio Stalone, o russo Drago é retratado como um semi-robô sem emoções, criado praticamente em laboratório, e que tem à sua disposição nos treinos a mais avançada tecnologia soviética. Rocky o derrota na luta final treinando apenas com peças de carne e blocos de gelo em um frigorífico, sacos de areia e correndo atrás de galinhas, provando assim que nem mesmo o mais avançado treinamento tecnológico é páreo para a “superioridade norte-americana”.


    O filme Rock IV e a visão estereotipada do Esporte na URSS

    Bem, é verdade que na antiga URSS havia um forte investimento estatal no esporte. Também é verdade que os atletas eram bastante disciplinados. Mas arriscamos dizer que o incrível desempenho do esporte soviético não vinha nem de um fator, nem de outro. O investimento e a dedicação ajudam a explicar o fenômeno, mas não esgotam a questão. No fundamental, o sucesso da URSS se explicava por outro motivo: a massificação do esporte para praticamente toda a população. Expliquemos.

    Ora, como se “descobrem” talentos esportivos hoje em dia? Busca-se exaustivamente nos clubes e empresas jovens que “prometam”, que mostrem indícios de que podem se desenvolver como atletas. Depois, se investe pesado nestes jovens, se impõe a eles uma rígida e opressiva disciplina, se estabelece para eles um ritmo alucinante e desumano de treinos, até transformá-los em grandes desportistas. Isso é assim mesmo nos países mais ricos e desenvolvidos. Ou seja, sob o capitalismo, trabalha-se com muito pouco material humano, com um universo muito restrito porque o esporte é extremamente elitizado. Por isso, qualquer jovem que demonstre algum talento para o esporte é “esfolado vivo” até render aquilo que se espera que ele renda...

    Pois na URSS era diferente: o esporte era massificado, praticamente toda a população o praticava até certa idade, em maior ou menor grau. Dessa forma, os talentos não precisavam ser “pescados” em processos seletivos arbitrários e injustos; não havia “olheiros”, como nos países capitalistas. Os novos talentos brotavam de maneira mais ou menos espontânea da massa da população, que praticava esportes desde a infância. Trabalhava-se com um universo muito mais amplo, com um material humano muito mais diverso e abrangente. O que os países capitalistas conseguiam alienando e robotizando seus atletas, a URSS conseguia oferecendo a toda a população a possibilidade de praticar algum esporte e testar nele suas aptidões. Ou seja, a imagem “Rocky x Drago” (homem do povo x semi-robô alienado) é justamente o contrário do que existia na realidade.

    Obviamente, devido ao fato de que as competições internacionais eram encaradas pela burocracia stalinista como peça de propaganda de seu regime, os atletas soviéticos de maior destaque sofriam consequências mais ou menos parecidas àquelas sofridas pelos atletas dos países capitalistas. Era o resultado inevitável do fato de que a URSS era dirigida por uma casta parasitária, que via o esporte como mais uma forma de manutenção de seu poder. Mas o fundamental não é isso. O fundamental é que na antiga URSS, principalmente nos primeiros anos de poder soviético, praticamente todas as empresas tinham seu time de futebol, de hockey, sua equipe de ginástica, de xadrez etc etc etc., e os torneios entre empresas, entre escolas, entre cidades, eram a forma predominante de confraternização esportiva. Fenômenos como doping, assédio, violência de torcidas, brigas em campo etc., eram simplesmente inimagináveis naquela situação.


    O socialismo e o futuro do esporte

    O mesmo capitalismo que promove o esporte de competição ou de “alto rendimento” é o que mantém uma parte significativa da população subnutrida, sedentária e doente. Uns poucos fazem coisas inacreditáveis, para que milhões e milhões apenas paguem o “pay per view”, comprem as camisetas e compareçam aos estádios. A famosa frase de Lula, gravada por uma câmera escondida, onde ele diz para um menino pobre do Rio de Janeiro, que reclamava do fechamento da quadra de tênis de um Complexo Esportivo do Governo do Estado, que “tênis é esporte da burguesia” é o triste retrato da concepção de esporte predominante em nossa sociedade. “Da burguesia” quer dizer “não é para você”, “vá fazer outra coisa”. Além disso, o capitalismo sonha com “super-atletas” que atraiam aos estádios e para a frente da TV multidões ainda maiores. E se esses super-atletas não surgem de maneira espontânea, o capitalismo está disposto a fabricá-los genética ou quimicamente.

    Para o marxismo, as coisas são diferentes. A tarefa do socialismo em relação ao esporte é, em primeiro ligar, massificá-lo de uma maneira jamais sonhada. O esporte deve ser parte integrante e inseparável da educação do ser humano, tão importante quanto sua formação científica ou artística.

    Obviamente, para isso será preciso um grande e permanente investimento estatal, tanto nos níveis fundamentais da formação esportiva (como atividade recreativa para crianças e adolescentes em idade escolar), quanto nos níveis mais qualificados. Mas esse investimento estatal de grande porte não pode estar em contradição com as demais necessidades da população, como moradia, saúde, transporte etc. A ideia de grandes espetáculos e competições esportivas construídas sobre o sofrimento e a exclusão da maioria (seja em função de remoções forçadas das populações, seja em função da falta de investimento em outras áreas) deve ser radicalmente abolida da prática social.

    Da enorme massa da população que terá acesso ao esporte, se destacarão de forma mais ou menos natural os novos talentos e grandes desportistas do socialismo. Surgirão não um ou dois, mas inúmeros “Usain Bolt”, não dois ou três, mas incontáveis “Michael Phelps”.

    O esporte voltará a ser um espetáculo de verdade, mas sua base não será mais a destruição do adversário ou a auto-negação do atleta enquanto ser humano completo. O esporte será novamente espetáculo porque será uma confraternização universal, da qual todos os cidadãos socialistas poderão participar ativamente.

    Em uma sociedade socialista, igualitária por excelência, a competição desaparecerá por completo? Os placares deixarão de ser contados? Tornar-se-á o esporte apenas brincadeira, como é para as crianças? É difícil dizer. Somente as gerações que chegarem ao socialismo, e depois ao comunismo, poderão decidir o que fazer com esse grande legado do passado que é o esporte. O certo é que a competição, caso se mantenha, deixará de ser feita às custas da saúde física e psíquica dos atletas e seus familiares. E obviamente, conceitos como “dinheiro”, “patrocínio”, “marca” e outros – deixarão de ter qualquer relação com a prática esportiva. O esporte será esporte e nada mais.

    Os desportistas do socialismo não serão ídolos intocáveis e inatingíveis. Serão pessoas comuns, que, além do esporte, realizarão atividades produtivas e intelectuais úteis para toda a sociedade. Não serão apenas atletas, mas seres humanos completos, universais, porque o esporte deixará de ser um fim em si, para se tornar um meio de educar e formar os cidadãos socialistas.

    O socialismo não quer super-humanos; quer apenas seres humanos melhores. Desde que se livre das amarras impostas pelo capital, pela propriedade privada e pelo lucro, o esporte pode ser uma ferramenta fundamental nessa construção.


    Retirado do Site do PSTU

    sexta-feira, 30 de março de 2012

    Câmara dos Deputados aprova Lei Geral da Copa

    Lei garante toda a proteção e facilidades às multinacionais por trás da Fifa


    Ag Câmara
    Votação da Lei Geral da Copa
    Foi só o Governo Federal liberar alguns milhões em emendas parlamentares que finalmente foi aprovada na Câmara a Lei Geral da Copa (PL 2.330/2011), na noite desse 28 de março. A lei, que estabelece o arcabouço legal para a realização dos jogos em 2014, estava emperrada por conta da tal crise da base aliada, que ao final se mostrou mera jogada para liberação de parte das emendas retida pelo ajuste fiscal no início do ano.

    Apesar de a imprensa ter se dedicado quase que exclusivamente à polêmica sobre a venda de bebida alcoólica nos estádios, atualmente proibida pelo Estatuto do Torcedor mas uma das exigências da Fifa, esse é apenas um dos aspectos do conjunto de regras que valerão para os jogos.

    A polêmica sobre o álcool, que envolveu setores evangélicos, terminou com os deputados ‘lavando as mãos’ e jogando a questão para os estados. Os parlamentares, porém, suspenderam a proibição explícita hoje na lei. Na prática, a Fifa vai ter que negociar com os 12 estados-sedes a medida e, se o governo não editar uma Medida Provisória sobre o tema antes, os governadores vão evidentemente aceitar.

    No geral, a lei aprovada pela Câmara estabelece todas as facilidades, isenções e proteção aos negócios da Fifa. Para se ter uma ideia, o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Industrial) vai adotar um regime especial apenas para o licenciamento das marcas requeridos pela Federação e a sua proteção.

    Um dos pontos mais controversos da lei é a que estabelece a exclusividade comercial aos patrocinadores da Fifa nas imediações dos estádios, num raio de 2 quilômetros. Ou seja, nesse local não poderá ser comercializado e nem vai poder haver publicidade de nenhum tipo de produto que não seja autorizado pela Federação. Fica proibida até 'publicidade ostensiva em veículos automotores, estacionados ou circulando pelos Locais Oficiais de Competição, em suas principais vias de acesso’.

    Isso significa que nas imediações dos estádios e nas principais vias de acesso, lojas poderão ser fechadas, outdoors retirados e até mesmo carros com propaganda de algum produto de uma empresa que não seja patrocinadora da Copa, impedido de circular. Dá para imaginar a repressão que vai se abater contra o comércio informal e os camelôs, que já sofrem, em dias normais, uma perseguição brutal.


    Uma Copa para os ricos

    Reforçando a noção de que a Copa do Mundo é um evento quase exclusivo aos ricos, a lei estabelece que apenas 10% dos ingressos de jogos da seleção brasileira sejam os da categoria de menor preço (categoria 4, sendo que a mais cara é da categoria 1). Estimam-se que o valor dos ingressos da categoria 4 seja vendido por volta de R$ 50. Já os estudantes e idosos vão ter que se contentar com o desconto de 50% apenas para esses ingressos ‘para pobres’, que serão sorteados.

    Nos estádios, fica vedado ainda o uso de bandeiras ‘para fins que não o da manifestação festiva e amigável’. Manifestação de ordem política, por exemplo, contra as remoções provocadas pelas obras da Copa, com certeza não será vista de forma ‘amigável’ pela Fifa.

    Por falar em remoções, segundo a Articulação Nacional dos Comitês Populares da Copa, lares de 170 mil pessoas estão ameaçadas de remoção por causa das obras da Copa e das Olímpiadas. Aliado ao processo de especulação imobiliária dos últimos anos, isso agrava ainda mais o déficit habitacional no país. Enquanto isso, a Fifa e as multinacionais por trás da entidade tem todas as garantias de lucros, nem que para isso se tenha que decretar um estado de exceção temporário.


    LEIA MAIS

  • A queda de Ricardo Teixeira


  • Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 27 de março de 2012

    Torcida do Vasco dá aula de como combater o racismo

    Torcida vascaína protesta contra o racismo
    Na Europa, o agravamento da crise econômica tem levado a burguesia do velho continente a incitar o ódio contra a comunidade de imigrantes que vive neste continente, boa parte dela composta por negro(a)s provenientes do norte da África ou do mundo árabe. Para dividir nossa classe na luta contra os planos de austeridade e reverter a situação revolucionária a favor da burguesia, o imperialismo europeu reforça, conscientemente, a opressão racial no seio da classe trabalhadora.

    Uma ideologia nefasta, com forte penetração entre os trabalhadores dos países centrais, que pode ganhar parte do proletariado europeu a crer que uma das causas dessa crise são as ondas migratórias dos países periféricos em direção à Europa. E pior, pode inculcar na cabeça dos nossos irmãos e irmãs de classe que a superação da crise pode se dá através da adoção de leis xenófobas contrárias à migração. Neste sentido, a unidade entre trabalhadores imigrantes e europeus tornou-se uma questão chave para derrotar os planos da Troika. Sem essa unidade, não há saída do ponto de vista do proletariado, para superar a crise.

    Na ausência de uma alternativa revolucionária vitoriosa, a crise pode aumentar o ódio contra os imigrantes e negros, dando origem a novos governos burgueses conservadores ou abertamente de direita que chegam ao poder com um programa xenófobo.


    Racismo nas arquibancadas e dentro das quatro linhas

    Além disso, o racismo, enquanto uma ideologia que tem peso de massas (ora em repouso na cabeça de milhões, ora posta em movimento), não se restringe à eleição de governos ultraconservadores ou a mudanças no ordenamento jurídico. No esporte, onde o espírito de respeito, companheirismo e solidariedade deveria predominar em relação ao adversário, temos observado diversas manifestações racistas.

    Os estádios de futebol têm sido palco de atos racistas deploráveis, que vão desde bananas jogadas por torcedores em direção à jogadores negros até gestos e sons que lembram os macacos. Atirar bananas nos jogadores negros foi um fato constante no futebol europeu nas décadas de 1970 e 1980. O ato foi praticamente erradicado nos últimos anos, junto com os cânticos racistas, mas voltaram a ocorrer recentemente, desde o início da crise, com vários casos no futebol espanhol e italiano.

    São atitudes que humilham, desmoralizam, desestabilizam e, para usar a frase do zagueiro da seleção brasileira, Juan , “deixam sem chão” centenas de latinos e africanos que desfilam um belo futebol pelos gramados da Europa. Além do ex-jogador do Flamengo, passaram por situações como essa, Roberto Carlos, Roque Júnior e mais recentemente, Robinho e Neymar.


    E nos estádios da América Latina...

    Infelizmente, não é só na Europa que assistimos o aumento da escalada racista nos estádios de futebol. Parece que a onda preconceituosa ganhou eco aqui, do lado de cá do Atlântico. Na partida entre Vasco e Libertad pela Copa Libertadores da América, disputada em Assunción no Paraguai, Dedé e Renato Silva (zagueiros do Vasco) foram chamados de ‘macacos’ e cuspidos por torcedores do time paraguaio. Um ódio, transformado num ato de fúria e motivado, exclusivamente, pelo racismo.

    Tudo poderia ter terminado por aí, como na maioria das vezes, sem nenhuma punição, com muita indignação por parte do time do Vasco e as vítimas desmoralizadas, sentindo-se impotentes, principalmente o jovem e talentoso zagueiro Dedé. Mas, felizmente, não foi o que aconteceu.


    É possível uma outra postura nos estádios...

    Na semana seguinte, quando o juiz apitou o fim da partida de volta entre Vasco e Libertad, o placar de São Januário marcava 2 x 0 para os donos da casa. Jogo difícil, nervoso, truncado, cheio de emoções e com direito a uma obra de arte digna da técnica e maturidade de Juninho Pernambucano, que aos 37 anos ainda encanta. Ao final, sensação de dever cumprido, alívio e festa entre a torcida cruzmaltina.

    Fora do campo, antes de começar o jogo, parte da torcida do Vasco já tinha conseguido uma vitória daquelas, que não tem como ser mensurada e não fazia parte do novo placar de São Januário. Promoveram um ato belíssimo contra o racismo. Muitos torcedores pintaram metade da cara de negro e a outra de branco, simbolizando a luta pela igualdade racial. Várias faixas em São Januário diziam: Abaixo o Racismo! Dedé e Renato, estamos com você! Outras centenas de torcedores vestiram a camisa negra, uniforme especial que celebra a história do clube no combate ao racismo. Não me recordo de uma manifestação de massas contra o racismo numa partida de futebol. É uma prova que futebol e mobilização social podem caminhar juntos. É uma prova que bandeiras democráticas, como a questão da igualdade racial, são importantes e têm potencial para sensibilizar parcelas significativas da população.

    O ato em São Januário poderia ter sido maior e mais bonito, caso a diretoria do clube o tivesse impulsionado. Dinamite falou que apoiava. Mas, foi um apoio mais da boca pra fora. Sequer, teve a coragem de atender a campanha de parte da torcida, que utilizou as redes sociais exigindo que o time utilizasse, durante a partida, o uniforme "camisas negras". Preferiu seguir as "regras” da Comebol e usar os uniformes que já estavam inscritos.


    Com quem caminhar na luta contra o racismo?

    O que une uma torcida de futebol é a paixão pelo seu clube. A partir daí começam as inúmeras diferenças entre torcedores. Diferenças de gênero, raciais, de orientação sexual e de classe social. Numa torcida de um time grande, como a do Vasco, vamos encontrar milhões de machistas, homofóbicos, racistas, opressores, oprimidos e alguns milhares de exploradores (burgueses).

    A parte da torcida vascaína que empunhou a bandeira de luta contra a opressão racial está de parabéns! Agora, fica um alerta, principalmente para os milhões de vascaínos, flamenguistas, palmeirenses, corintianos e demais torcedores que moram nos bairros da periferia e que são negros: Na luta contra a opressão racial temos que ganhar todos os trabalhadores (brancos, negros, índios, asiáticos, homens, mulheres, heterossexuais e homossexuais), independente do time de coração, mas não podemos caminhar juntos com nossos inimigos de classe, com nossos exploradores, pois esses se beneficiam do racismo para dividir, explorar e derrotar nossa classe. Um vascaíno burguês, que tira proveito do racismo para pagar salários inferiores a uma operária negra da construção civil, também vascaína, nunca será um aliado na luta contra o racismo e o machismo.

    Muitas vezes, a torcida nos une. Algumas outras, a raça também. No entanto, a classe nos divide! Na maioria dos casos, é a torcida que nos divide, mas a classe que nos une. E como vivemos numa sociedade que se move pelos interesses de classe, qualquer ideologia que venha a conciliar trabalhadores e patrões, numa sociedade marcada pela exploração, ou dividir os trabalhadores, torna-se nefasta, reacionária. Jargões tipo, “Somos uma nação de mais de 30 milhões de rubro-negros” ou “somos um bando de 30 milhões de loucos por ti Corinthias!”, diluem o conceito de classes, iguala Andrés Sanchéz ao corintiano que mora em São Miguel Paulista e que dá um duro danado para ir ao Pacaembu.

    Neste sentido, a luta contra a opressão racial e pela construção de uma sociedade sem exploração e opressão se dar com a ampla unidade da classe trabalhadora, independente da torcida ( trabalhadores vascaínos e flamenguistas, palmeirenses e corintianos, gremistas e torcedores do inter, atleticanos e cruzeirenses, torcedores do Bahia e do Vitória, do Ceará e Fortaleza, Santa Cruz e Sport, Remo e Paysandu...).


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 14 de março de 2012

    A queda de Ricardo Teixeira, o ditador do futebol brasileiro

    Ag Brasil
    Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF
    Na manhã desta segunda-feira, 12 de março, foi anunciada a tão esperada renúncia de Ricardo Teixeira da presidência da CBF e do COL, o comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil. Não bastassem os escândalos e CPI's que o obscuro cartola coleciona desde 1989 - quando assumiu o controle da entidade - nos últimos tempos entrou em rota de colisão com o governo brasileiro, uma vez que a presidente Dilma percebeu que a sua imagem poderia ser arranhada, dada a contradição entre o desprestígio que o dirigente goza perante a sociedade e o fato de ele ser o responsável por organizar o principal evento a ser realizado no Brasil nos próximos anos.

    Em seu lugar, assume José Maria Marin, ex-governador biônico da época da ditadura militar, do qual temos como última notícia o momento no qual foi flagrado pelas câmeras da TV , guardando discretamente uma medalha no seu bolso, durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior no inicio do ano.


    A Ditadura de Teixeira

    Nos últimos vinte e três anos, o futebol brasileiro foi responsável pela revelação de jogadores do porte de Ronaldo, Rivaldo, Edmundo, passando por Ronaldinho Gaúcho e Robinho, chegando, mais recentemente, a Neymar e Ganso. Nesse período, esses jogadores, junto a tantos outros, ajudaram o Brasil a ganhar duas Copas do Mundo, inúmeras Copa América, enquanto eram considerados os melhores jogadores de futebol do mundo. Depois de tudo isso, sabe o que restou de legado para o futebol brasileiro? Absolutamente, nada! Hoje temos clubes falidos sobrevivendo às custas da Rede Globo e do Governo Federal; campeonatos estaduais que levam 10.000 pagantes para os clássicos, uma seleção brasileira que conseguiu o que parecia impensável há anos atras: não ser uma das principais favoritas para a conquista da próxima Copa do Mundo que, aliás, sera realizada aqui no Brasil. Isso sem falar na estrutura dos clubes brasileiros, amadora comparada a das principais equipes do mundo, o que fica claro quando vemos o melhor time brasileiro, o Santos, enfrentando o melhor time espanhol, o Barcelona, e levando um baile digno de profissionais contra amadores.

    A situação alarmante em que se encontra o futebol brasileiro não ocorre por acaso. Todo o lucro, sucesso e paixão que envolvem o esporte mais querido do Brasil vai parar na conta bancária de Ricardo Teixeira e de seus aliados, não restando um tostão para ser investido nos atletas e clubes, sem contar a situação de semiescravidão em que vivem boa parte dos jogadores de futebol espalhados pelos times pequenos do Brasil.

    Todo esse drama se desenrola sob o olhar complacente de todos os governos brasileiros entre 1989 e 2012, de Sarney a Lula, permanecendo assim com Dilma. Vale lembrar que o desgaste sofrido por Ricardo Teixeira em relação ao governo Dilma apenas se deu após ele ser considerado um criminoso por parte de toda a mídia esportiva internacional, e passar a ser alvo de protestos em várias capitais do pais, a partir do movimento “Fora Ricardo Teixeira”.


    O Movimento Fora Ricardo Teixeira e a queda

    Em 2011 surgiu um movimento inédito na história do futebol brasileiro, chamado 'Fora Ricardo Teixeira'. Foi a primeira vez que torcedores independentes, jornalistas, intelectuais e até mesmo as torcidas organizadas se uniram para travar uma batalha política pela defesa do futebol brasileiro e , principalmente, contra o saque das riquezas dos brasileiros sob a fachada da Copa do Mundo de 2014. Inclusive, em agosto desse mesmo ano foi aprovado pela Confederação Nacional das Torcidas Organizadas a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira”.

    O movimento se expressou pela internet e através de faixas em todos os principais estádios brasileiros clamando “Fora Ricardo Teixeira!”, no fechamento do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2011. Obviamente, a Rede Globo se esforçou para boicotar o movimento, optando por não mostrar a festa das torcidas, como é de praxe nos clássicos. Porém, essa atitude autoritária não conseguiu impedir a repercussão da manifestação mundo afora.

    É muito importante afirmar, portanto, que a mobilização dos torcedores foi fundamental para garantir o enfraquecimento do principal mandatário do futebol no país. E, claro, que contribuiu pra isso o conflito de interesses entre a CBF e o governo, quanto a quem seriam as empresas beneficiadas com os bilhões de dinheiro público que estão sendo usados em nome da Copa. Porém, um problema que poderia ter sido resolvido nos bastidores da política precisou vir à tona, devido à repercussão das manifestações nos estádios brasileiros e pela internet.


    O que esperar da CBF sem Teixeira

    A queda de Ricardo Teixeira é uma vitoria para todos os brasileiros, torcedores ou não de futebol, pois trata-se do enfraquecimento de um déspota que manipulava os bastidores do futebol e da política em beneficio próprio, às custas de muito dinheiro publico. Porém, se é verdade que vencemos essa batalha, estamos longe de termos ganhado a guerra.

    José Maria Marin, homem que assume a presidência da CBF, não bastasse ser amigo de Ricardo Teixeira, teve ao longo da vida como principal aliado político Paulo Maluf, desde os terríveis tempos da ditadura. Inclusive, de tão amigo da caserna, foi governador biônico do estado de São Paulo por quase um ano (escolhido pelos generais). Ou seja, não é o tipo de figura que mereça um milímetro da confiança dos trabalhadores brasileiros. Manterá o mesmo regime autoritário imposto pelo seu antecessor, alem de impor aos torcedores a dependência em relação a Rede Globo para poder acompanhar seus times, uma vez que é ela quem escolhe o formato do campeonato e o horário das partidas.


    A Mina de Ouro da Copa

    Ricardo Teixeira acumulava o comando da CBF com o comando do COL, órgão responsável pela gestão das obras e organização da Copa no país. Isso significa que o mesmo homem que está sendo acusado de evasão de divisas, suborno no âmbito da FIFA, favorecimento a familiares em contratos com a CBF e COL, era o responsável por controlar os bilhões envolvidos nas obras do evento.

    A Copa se anuncia como um dos maiores assaltos da história dos cofres públicos brasileiros, desviando verbas da educação, saúde e mesmo do estimulo aos atletas, para a construção de elefantes brancos, a fim de agradar as maiores empreiteiras do mundo. Ao contrário do que esperavam boa parte dos brasileiros quando do anúncio da realização da copa no Brasil, essa só tem se mostrado vantajosa para as empreiteiras e especuladores imobiliários.

    Assistimos, em janeiro, ao ataque da polícia do PSDB aos moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos, assim como temos notícias de que ate agora ocorreu a remoção de mais de 70.000 famílias em decorrência das obras para a copa. São José dos Campos está na rota das grandes obras para a Copa e as Olimpíadas, por conta da previsão de uma parada do trem bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Por isso, passa por um momento de supervalorização dos imóveis, expulsando os trabalhadores pobres para cada vez mais longe dos seus trabalhos e do centros da cidade. Ainda falando em centro da cidade, também não é coincidência a expulsão dos usuários de crack da região da Cracolândia, em São Paulo. Esse ataque também é parte da especulação imobiliária que visa tornar o centro de São Paulo livre dos pobres e miseráveis, de uma forma bastante lucrativa.

    Todas essas considerações devem vir acompanhadas de uma informação muito importante para todos os brasileiros: as mesmas empreiteiras que serão as únicas beneficiadas com a Copa do Mundo no Brasil, são as financiadoras das campanhas eleitorais tanto dos governos do PSDB, quanto dos governos Dilma e Lula. Sim, mais uma vez, não se trata de uma coincidência.


    Por uma Copa no Brasil para os brasileiros

    É muito importante que a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira” ganhe as ruas e siga recebendo o apoio dos torcedores e trabalhadores que não aceitam que o dinheiro que deveria ser investido em educação, na saúde e na infraestrutura das cidades, a fim de combater o caos urbano das grandes metrópoles brasileiras, seja entregue de bandeja para as construtoras erguerem estádios que não fazem a menor falta para os torcedores e trabalhadores do pais. Para isso, é importante que as torcidas organizadas deem visibilidade a essa campanha nos estádios Brasil a fora.

    Também é importante que o movimento avance para a democratização do controle do futebol no Brasil, a fim de que o torcedor seja não apenas um espectador, mas dite os rumos do esporte no país. Apenas assim será possível derrotar não só Ricardo Teixeira, mas toda essa política que rouba o futebol dos brasileiros.


    Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

    Racismo no Futebol: só falta botar peruca de branco em jogador negro

    Vira e mexe a imprensa comercial burguesa mostra casos de racismo que acontecem principalmente contra jogadores negros, sobretudo na Europa. Mas, o que pouca gente percebe, é que essa mesma imprensa é uma das maiores disseminadoras do racismo no futebol brasileiro. Em suas transmissões as seleções africanas são sempre taxadas de ingênuas, irresponsáveis e violentas, quando na verdade o jogo mais violento da história das Copas envolveu duas seleções européias: Portugal e Holanda, em 2006 na Alemanha. O jogo terminou com 12 cartões amarelos e quatro vermelhos. Só que agora chegou a vez dos “cabelos negros”.

    Durante o campeonato brasileiro de 2011 quando o jogador Bruno Cortêz, na época no Botafogo, hoje no São Paulo, se destacava nacionalmente como um grande lateral, sendo inclusive convocado para a seleção brasileira, o programa Globo Esporte levou ao ar uma longa matéria que fazia mais referência preconceituosa ao cabelo estilo ‘Black Power’ do jogador do que ao seu talento nos campos.

    O mesmo ocorreu recentemente com o jogador William Barbio, que tem se destacado no Vasco. O que o Globo Esporte destacava pejorativamente era a sua “cabeleira” e não suas jogadas.

    No dia 20 de fevereiro, o mesmo Globo Esporte vinculou uma matéria sobre a vitória de 3 x 1 do Flamengo contra o Resende. O gol que selou a classificação do Flamengo para a semifinal da Taça Guanabara foi marcado pelo jovem atacante Negueba. Novamente a preocupação era mais em mostrar que o jogador havia tirado suas tranças do que falar do seu gol decisivo. Nessa mesma matéria o jogador Deivid, também do flamengo, disse em tom de ironia se referindo a Negueba que “negro do cabelo duro tem que raspar que nem eu faço (...) é melhor do que passar três horas fazendo tranças”.

    Para encerrar a baboseira racista o apresentador Alex Escobar enfatizou “concordo com você Deivid”. No jogo contra o Vasco, Negueba resolveu reimplantar suas comentadas tranças, talvez como resposta aos absurdos da dupla Escobar/Deivid.

    Ao que tudo indica quem está incomodado com as tranças não é a cabeça dos jogadores que as usam, mas a cabeça racista da imprensa branco burguesa que detesta o estilo africano de ser. Para quem não sabe, é assim que a ideologia do branqueamento se materializa, colocando o fenótipo branco europeu com protótipo a ser seguido por todos.

    Exaltar a negritude em meio a isso não é uma boa pedida num país tão racista como o Brasil. Por outro lado, quando jogadores negros como Neymar e Ronaldinho Gaúcho resolvem agredir suas negritudes alisando seus cabelos crespos (não duros), para se aproximar do padrão de beleza estabelecido como superior, os alardes não acontecem nas mesmas proporções. Se onda pega vão começar a defender que os jogadores negros usem perucas.

    Publicado no Blog do PSTU Maranhão


    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

    Estatuto da Juventude: Com a nova lei os jovens terão ainda menos direitos

    No dia 15 de fevereiro a Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania do Senado aprovou o Estatuto da Juventude – PLC 98/2011. Era de se esperar que este fosse um motivo de comemoração, mas, infelizmente, não é. Ao invés de ampliar os direitos dos jovens brasileiros, o estatuto é um forte ataque aos poucos que já existem.

    O projeto restringe a meia entrada em eventos culturais e esportivos a 40% das vagas em eventos privados e 50% nos públicos. É um ataque escandaloso, ainda mais em um país onde o preço dos ingressos dos cinemas, dos shows e dos jogos de futebol já afasta boa parte da juventude do direito ao lazer.

    O passe livre nacional, uma reivindicação histórica do movimento estudantil brasileiro, passou longe dos debates do projeto. Apoiado por Demóstenes Torres (DEM –GO), o relator Randolfe Rodrigues (PSOL) retirou do texto o desconto de 50% nas passagens intermunicipais e interestaduais. No lugar ele incluiu duas vagas gratuitas por veículo para jovens com renda até dois salários mínimos. Alguém tem que avisar ao Senador que existem milhões de jovens nessa faixa salarial.

    O projeto também chama atenção pelos seus apoiadores. Já era esperada a posição do Senador do DEM e de Aloísio Nunes – PSDB que batalharam durante toda a tramitação do projeto para defender os interesses da indústria do entretenimento e das empresas que controlam o transporte público. O surpreendente foi esse projeto contar com o aval de um senador do PSOL, um partido de esquerda que deveria estar do outro lado nesse debate.

    Nas fotos da aprovação do projeto Randolfe aparece festejando junto com os dirigentes da UNE, que não só apóia como fez ativa campanha pela aprovação da proposta. Esse dia vai entrar para história do movimento estudantil brasileiro como mais um lamentável episódio em que a entidade vende (desta vez literalmente) os interesses dos estudantes.

    Os apoiadores do projeto apontam que o fato do texto definir como jovem aquele que tem entre 15 e 29 anos é um grande avanço. Esqueceram de dizer que não basta ser jovem, nem basta ser estudante, para ter o direito (restrito) à meia entrada, o estudante agora tem que comprar a carteirinha da UNE. Há mais de uma década a entidade ganhou o apelido de “fábrica de carteirinhas”, porque abandou as lutas e transformou uma tradição de auto financiamento em uma vergonha para o movimento estudantil. Agora o Estatuto da Juventude vai conferir a entidade o selo oficial de “fábrica de carteirinhas” em troca do direito irrestrito ao lazer da juventude.


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    terça-feira, 6 de dezembro de 2011

    Sócrates: Perdemos um sonhador, mas os sonhos não morrem

    Doutor Sócrates
    Em 1983, quando nasci derradeiramente, estava traçado que não iria ver, a não ser pela ajuda dos teipes, a seleção que mais empolgou os brasileiros depois da geração que ganhou o tri. A equipe que disputou o mundial de 82 era uma verdadeira constelação. Meu pai sempre dizia que a falha na conquista do título foi um mero detalhe, para uma seleção que encantava ao jogar com craques como Júnior, Falcão, Zico e Sócrates.

    Desses gênios do futebol um se destacou dentro e fora do campo. Seu nome, Sócrates Brasileiro. Nas quatro linhas, foi um craque que se utilizou da fraqueza de Aquiles para potencializar uma jogada que desequilibrava os marcadores. A condução da redonda era fácil e suas jogadas eram objetivas.

    Mas foi fora do campo, ou melhor, em outra arena, que Sócrates também se destacou. Magrão, como era conhecido, revolucionou o mundo do futebol e do esporte. Num país que ainda vivia uma ditadura, ele ousou junto com seus colegas de trabalho a modificar as regras do jogo dentro do Corínthians. Juntos, os atletas construíram a chamada democracia corintiana, que era uma espécie de regime interno do clube paulista onde os jogadores decidiam entre si os rumos do clube.

    Com o desenvolvimento da campanha das diretas, a voz de Sócrates ganhou as praças e ele se tornou um apoiador de peso do movimento. Num comício, Sócrates afirmou que se a emenda Dante de Oliveira fosse aprovada ele não deixaria o país. Sem dúvida, o Doutor, como também era chamado, foi um craque na arena política.

    Quando encerrou sua carreira futebolística continuou com o mesmo espírito crítico. Até o dia de hoje, vinha acompanhando suas opiniões nas páginas da Carta Capital semanalmente. Quando saiu do hospital há alguns dias comemorei com um amigo. Na semana passada me alegrou muito o seu artigo. No referido texto, Sócrates mostra a hipocrisia da FIFA ao tratar do tema do racismo no futebol e a falta de discernimento de Pelé ao não ter uma posição firme em relação ao tema. Magrão é enfático ao se referir ao Rei do futebol: “de preto parece ter somente a cor da pele”.

    Hoje li seu último artigo no semanário. Com a lucidez de sempre mostrou como a Copa está sendo tratada como “propriedade privada, sem compromisso algum com o povo brasileiro”. Será que algum jogador atual toparia abrir essa discussão? E o que falar de Ronaldo à frente da copa do mundo? Ou dos ídolos atuais que ganham as páginas de jornais como agressores de mulheres? Definitivamente, faltam bons exemplos no futebol atual. Faltam Ídolos, isso mesmo com “i” maiúsculo.

    A morte do Doutor Sócrates deixa um vazio em todos aqueles que acreditam nas potencialidades humanas e que por isso sonham com um mundo melhor. Em tempos de um profundo obscurantismo cultural e da inexistência na consciência do povo trabalhador de que os sonhos podem se realizar, perdemos um artista. Os que seguem acreditando, lutando e sonhando saúdam Sócrates com o braço esquerdo estendido e o punho cerrado. Sócrates, Presente!




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    quinta-feira, 13 de maio de 2010

    A 'coerência' de Dunga

    Quem não ficou com medo do fantasma de 1994 após o anúncio da lista de convocados para a Copa? O primeiro ponto de ligação com aquela Copa foi a clara demonstração de que Dunga, assim como Carlos Aberto Parreira, é testa curta, avesso a ousadias. O técnico ignorou solenemente os apelos da torcida brasileira por Ganso e Neymar.

    Durante toda a entrevista coletiva concedida para justificar a escalação, o técnico tentou explicar a “coerência” da não-convocação dos meninos de ouro da Vila Belmiro. Disse que eram muito novos e que “não houve tempo para testes”. Contudo, não seria mais “coerente” convocar os dois maiores craques em atuação no país, e levar para Copa a fabulosa (e rara) sintonia do ataque do Santos?

    Pode-se sintetizar o futebol como uma combinação da genialidade do boleiro, seu domínio dos fundamentos, com a mais perfeita sintonia dentro da equipe. Isso é precioso, mas só funciona quando treinadores têm a sensibilidade necessária e bom senso de oportunidade, o que é exatamente a antítese da teimosia.

    Por outro lado, a escalação de Kleberson (reserva do Flamengo) e Grafite (que atuou em apenas um jogo da seleção e não mostrou muita coisa) contradizem toda a coerência lógica de Dunga. Ao contrário do que diz o treinador, não foram convocados apenas aqueles que “ralaram”.

    Como disse um jornalista na entrevista coletiva criticando a falta de ousadia do técnico, Pelé não seria convocado em 1958 se Dunga estivesse no lugar de Vicente Feola.

    O segundo elo com a seleção de Parreira de 1994 é a ameaça de a seleção não ter um meio de campo digno. Naquela época, a falta de rendimento de Raí deixou a seleção acéfala, sem um meia-armador. Ficamos com o futebol burocrático de Zinho, Mauro Silva, Dunga e Mazinho...(que, diga-se de passagem, são superiores à maioria dos meias convocados por Dunga).

    Dessa vez, o perigo de Kaká se machucar ou não render o futebol esperado pode levar a uma situação semelhante. “Mas ganhamos mesmo assim”, diz Dunga. Infelizmente a situação hoje é pior do que em 94. Dessa vez, não temos a genialidade dos pés de Romário e Bebeto, na época veteranos que carregaram literalmente aquela seleção nas costas.

    Quem está à altura da posição de Kaká, caso seja necessário substituí-lo? Julio Batista, reserva do Roma? Ou a opção será um improviso de laterais com volantes, descartando definitivamente um meia-armador de verdade? Talvez Dunga e Jorginho queiram mostrar ao país que seria possível vencer aquela Copa apenas com a mediocridade de seu meio de campo.

    Dunga está certo em cobrar raça e compromisso dos jogadores da seleção. Mas só isso não afasta o fiasco de 2006. Esperamos que a seleção apresente na Copa um futebol livre das limitações de uma estratégia burocrática, mecânica, defensiva, tão a gosto das escolas europeias.


    Retirado do Site do PSTU