Mostrando postagens com marcador Internet. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Internet. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 16 de abril de 2013

Daniela Mercury e a importância dos artistas se posicionarem politicamente


Imagens publicadas pela cantora no seu Instagran
Uma mulher bissexual resolve assumir seu relacionamento lésbico de quatro meses. Através das redes sociais, ela posta uma foto com sua companheira e faz críticas ao pastor homofóbico Marco Feliciano. Uma saída do armário política que poderia passar batida, se essa moça não fosse Daniela Mercury, uma das cantoras mais famosas do Brasil.

A repercussão foi imensa. O casamento de Daniela Mercury com a jornalista Malu Verçosa foi amplamente noticiado em toda a imprensa e mídia televisiva, estampou a capa das duas principais revistas do país na semana passada e ganhou destaque no programa Fantástico da TV Globo.

Na entrevista para o Fantástico, Daniela destaca a importância de sua atitude frente a um momento em que acontecem mobilizações para a saída de Marco Feliciano da Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Mesmo sem ser essa a intenção central, a postura de Daniela Mercury animou a luta contra Feliciano e contra a homofobia.

Poucos dias antes, outra cantora ganhou repercussão pelo motivo contrário: em entrevista à revista Época, Joelma, vocalista da banda Calypso, afirmou que se tivesse um filho gay “lutaria até a morte para fazer a sua conversão”, e como se não bastasse, ainda disse: “Já vi muitos [gays] se regenerarem. Conheço mães que sofrem pelos filhos gays. É como um drogado tentando se recuperar”.


Joelma e Daniela Mercury, dois lados de uma polarização crescente

“Menos Joelma, mais Daniela!”. A frase rapidamente se tornou viral nas redes sociais. Marina Lima, Chico Buarque, Ivete Sangalo, Valesca Popozuda, Adriane Galisteu, Marcelo Tas, Alinne Rosa (vocalista da banda Cheiro de Amor) e Alexandre Herchcovitch, dentre outros famosos declararam apoio à atitude de Daniela. Ângela Ro Ro, em entrevista recente ao jornal online Extra, fez uma saudação à postura de Daniela Mercury e afirmou que já foi espancada por ser lésbica, algo que muitas lésbicas e muitos gays já sentiram na pele. “Foi um depoimento corajoso. Que isso ajude a reverter a agressão contra homossexuais”.

Já as declarações de Joelma tiveram uma repercussão tão negativa que a produção de seu filme biográfico foi suspensa porque os patrocinadores não quiseram ter seus produtos associados a uma pessoa preconceituosa. Também sobre o caso de Joelma, houve várias declarações de famosos. Mas, diferente de Daniela Mercury, a única declaração de apoio de um famoso foi a de Chimbinha, que é marido da cantora e integrante da banda Calypso.

Joelma e Daniela Mercury estão em dois lados opostos de uma luta que vem crescendo. A luta contra a homofobia ganhou visibilidade e começou nos últimos anos a incomodar os setores mais reacionários da sociedade. Já havia um tensionamento provocado por figuras como Anthony Garotinho, Silas Malafaia, Jair Bolsonaro e Marcelo Crivella. Marco Feliciano acabou sendo a gota d’água para uma reação explosiva contra ele e contra a homofobia.
Se Joelma está sendo achincalhada por sua postura, é porque ela está do lado oposto da trincheira: está do lado de Feliciano, Malafaia e todos os homofóbicos. Na luta contra a homofobia, Joelma está do lado daqueles que expulsam seus filhos e filhas de casa por serem LGBTs, está do lado daqueles que agridem e assassinam gays, lébicas e travestis todos os dias, está do lado daqueles que não querem um Estado Laico.


A importância da manifestação de artistas

É esperado que políticos se posicionem sobre questões que envolvem a vida política do país. É uma vergonha que a presidente Dilma tenha permanecido em silêncio sobre Feliciano até agora. Enquanto Dilma fica nesse silêncio cúmplice (a maioria dos homofóbicos do Congresso é aliada do governo), até mesmo a Xuxa se manifestou contrária a Feliciano, e depois dela veio uma enxurrada de artistas e pessoas públicas que se manifestaram, seja nas redes sociais, seja por participação nos atos de rua em São Paulo e no Rio de Janeiro. Diversos artistas mandaram “beijos para Feliciano”: publicaram fotos de beijos ou beijaram publicamente outros artistas (do mesmo sexo ou não) em manifestação aberta contra Feliciano.

Daniela Mercury se mostrou bastante consciente do papel que sua saída do armário cumpre na luta contra a homofobia no Brasil: “fiquei muito feliz de acontecer essa minha necessidade pessoal num momento em que era necessário para o Brasil”.

É muito importante que os artistas tenham a consciência de Daniela. A exposição midiática expõe todos os detalhes da vida pessoal das celebridades. Através da mídia sensacionalista, é possível saber todas as trivialidades: sabemos o que essas pessoas comeram no almoço, aonde fazem compras, se têm celulite ou não, o que gostam de fazer no fim de semana e por aí vai. Mas, normalmente, não sabemos pelos meios de comunicação, por exemplo, o que essas pessoas acham do Acordo Coletivo Especial ou da nova reforma da previdência, dos altos índices de inflação ou da violência contra a mulher, do racismo ou da homofobia.

Os artistas podem, e devem, aproveitar toda essa exposição midiática para se posicionar, como fez Daniela Mercury e tantas outras celebridades no caso Feliciano. Quando os artistas se manifestam, essa atitude dá grande visibilidade e fortalece o movimento.

Um exemplo recente é a luta dos moradores do Pinheirinho, que contou com o apoio de diversos artistas, como Emicida, Criolo e Lurdes da Luz. A desocupação foi denunciada ainda pelos cineastas Juliana Rojas e Marcos Dutra (diretores do filme “Trabalhar Cansa”, de 2011), que leram, na presença do governador Geraldo Alckmin, em um prêmio promovido pela secretaria estadual de cultura, o manifesto dos trabalhadores da cultura contra a ação criminosa do governo de SP no Pinheirinho.

Chamamos todos os artistas LGBTs a seguirem o exemplo de Daniela Mercury e saírem do armário. Isso não só ajudará a derrubar Feliciano, como dará visibilidade aos LGBTs e ajudará muito no combate à homofobia.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 26 de janeiro de 2013

O lucro das grandes corporações norte-americanas falou mais alto que a vida de Aaron Swartz

Jovem programador foi acusado de compartilhar artigos acadêmicos de bibliotecas norte-americanas na rede



Aaron foi vítima de um sistema que o lucro está acima do conhecimento, da liberdade e da vida
No dia 11 de janeiro, o jovem Aaron Swartz, 26 anos, foi encontrado morto em seu apartamento, na cidade de Nova Iorque. Ele sofria de depressão e teria se suicidado, sem deixar nenhum bilhete ou informação. Aaron, aos 14 anos, já era considerado um grande prodígio no mundo digital por desenvolver o sistema RSS (Rich Site Summary), que possibilita o recebimento de informações atualizadas de diversos sites diferentes, sem que seja necessário visitá-los um a um.

Essa poderia ser uma notícia como várias outras, não fosse o fato de que Swartz, um jovem programador informático, estava a poucos dias de um julgamento que poderia levá-lo a mais de 30 anos de prisão e a receber uma multa de cerca de um milhão de dólares. A acusação era que ele havia feito “download ilegal” de 4,8 milhões de documentos científicos e literários da plataforma JSTOR, que abrigava arquivos de sete bibliotecas norte-americanas e cobra 19 dólares por mês de quem quiser acessar os seus “papers”.

A família responsabiliza as autoridades judiciais americanas pelo acontecido e critica o sistema judiciário dos Estados Unidos que iria prender um jovem de 26 anos por “um crime que não fez vítimas”. Isso por que, além de uma mente brilhante, Swartz era um jovem ativista e defensor da liberdade de expressão e compartilhamento de conteúdos na internet. Um jovem que não se conformava com uma lógica em que as pessoas são obrigadas a pagar para ter acesso ao conhecimento, como mostram os casos de bibliotecas inteiras cujo acervo é digitalizado, mas acessível somente aos que podem pagar suas taxas.

No seu documento mais difundido (Guerrilha Open Access), Aaron coloca que “a herança inteira do mundo científico e cultural, publicada ao longo dos séculos em livros e revistas, é cada vez mais digitalizada e trancada por um punhado de corporações privadas”.

Para o capitalismo, todo ataque à liberdade de expressão e de compartilhamento de conteúdos tem sua razão de existir: seja para o controle do conhecimento em circulação, seja para a garantia dos lucros bilionários das grandes corporações internacionais. Aaron é mais uma vítima de um sistema no qual o lucro da grande burguesia está acima do conhecimento, da liberdade e da própria vida.

Para nós da Juventude do PSTU, fatos como esses só reforçam a necessidade real de democratizar o acesso aos conteúdos digitais e ao conhecimento, sabendo que isso significa ir além de receber informações, mas também ter a possibilidade de produzí-las e divulgá-las livremente. E como dizia o próprio Aaron Swartz, “não há justiça em seguir leis injustas. É hora de vir para a luz [...] declarar nossa oposição a este roubo privado da cultura pública”.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Integrantes da Banda New Hit continuam alvo de protestos

Os músicos são acusados de estuprar duas adolescentes no ano passado



Em Serrinha (BA), manifestantes foram às ruas usando camisas com dizeres "Fora New Hit"
O repúdio à banda baiana New Hit continua quase cinco meses depois de seus integrantes serem indiciados por estupro de duas adolescentes no interior da Bahia. Felizmente, a banda não tem encontrado sossego fora da prisão e é alvo de seguidos protestos. As mobilizações vão desde escracho na entrada do condomínio do vocalista a passeatas e intervenções nas redes sociais. Fruto dos protestos, shows da banda foram cancelados em Salvador, Delmiro Gouveia (AL) e João Pessoa (PB). Em Maceió, a New Hit tem show agendado para o dia 26 deste mês, mas os protestos já começaram a tensionar a sua realização. A possibilidade de show da New Hit em São Luís (MA) já iniciou uma mobilização nas redes sociais.

Na capital baiana, as mobilizações pelas redes sociais criticavam uma marca de cerveja por patrocinar o estupro, ao financiar uma festa de pagode com a presença da New Hit. “Estupro não desce redondo” dizia um dos ‘virais’ que se espalhou pelo facebook e levou a empresa a retirar o patrocínio. Em seguida, o show foi cancelado. Em João Pessoal, a New Hit foi substituída por uma nova atração após protestos nas redes sociais. Moradores e organizações feministas de Delmiro Gouveia (AL) protestaram diante do anúncio da presença da banda em dois blocos de carnaval da cidade. A participação da New Hit também foi cancelada. Em Serrinha (BA), no início de janeiro, movimentos sociais, como Movimento Negro Afro Jamaica, Movimento de Mulheres Trabalhadoras Rurais, Movimento de Mulheres Urbanas, saíram às ruas com camisas dizendo “Fora New Hit”.

O estupro aconteceu no ano passado, no dia 26 de agosto, quando os músicos tocavam na micareta da cidade de Ruy Barbosa (BA). As duas adolescentes, fãs do grupo, pediram pra tirar foto com a banda após o show. As meninas, uma de 16 e outra de 17 anos, foram encaminhadas ao ônibus da produção quando foram brutalmente violentadas pelos nove integrantes da New Hit. Um policial militar que fazia a segurança do grupo também foi indiciado por ter sido conivente com o crime. Os resultados dos exames de corpo delito confirmaram o estupro coletivo. Os estupradores ficaram presos durante 38 dias, mas conseguiram um habeas corpus e aguardam o julgamento, previsto para fevereiro, em liberdade.

Fora da prisão, os noves acusados voltaram aos palcos enquanto as vítimas estão em um Programa de Proteção a Crianças e Adolescentes Ameaçados de Morte (PPCAAM), em razão das ameaças de fãs da banda.


Não à cultura do estupro

Na cultura machista e patriarcal em que vivemos, a culpa do estupro é sempre da vítima. Neste caso não foi diferente. Nem o laudo médico que confirmou o estupro coletivo foi capaz de combater as insinuações contra as garotas. Internautas responsabilizavam as adolescentes na web: “Elas quiseram dar pro seu ídolo!”, “Elas gostam de pagode e de baixaria, queria isso mesmo!”, “elas queriam ficar famosas, isso sim!”.

As vítimas sofreram ameaças de fãs da banda que culpabilizam as garotas pela prisão e o indiciamento dos integrantes da New Hit. As ameaças partiram de telefonemas e das redes sociais e até mesmo um carro estranho foi visto ao redor da casa da família, segundo os parentes das vítimas.

O resultado disso é que além de vítimas de uma violência brutal, as duas adolescentes não conseguiam ir mais à escola, precisam viver sob proteção, mudar de endereço e serem “reinseridas na sociedade”.

É essa mesma cultura que tolera e ri do assédio sexual travestido de ‘humor’ no programa da Rede Globo, Zorra total. Ou que naturaliza as propagandas de cerveja que mercantilizam o corpo da mulher. Ou ainda aplaude “humoristas” que afirmam que “estuprar mulher feia é um favor”. É a cultura do estupro que transforma um “não” em um “sim”.

Felizmente, estas mobilizações que exigem punição aos estupradores da New Hit mostram uma reação importante contra esta cultura do estupro. Já se passaram quase cinco meses e a indignação segue acesa, espalhando-se para diferentes estados do nordeste. Mobilizações devem continuar acontecer para pressionar a condenação dos estupradores em fevereiro. Não queremos a banda New Hit nos palcos e nenhuma violência contra as mulheres.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 18 de dezembro de 2012

Intelectuais ligados ao PSTU lançam blog Convergência

Há quase três meses no ar, blog reúne análises de classe sobre a realidade brasileira e internacional



O blog é um ponto de convergência de militantes e intelectuais socialistas
Iniciativa de intelectuais-universitários solidários com o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), o blog Convergência tem o propósito de intervir no movimento de ideias existente nas universidades, conformando uma corrente de opinião que contribua para a análise de classes da realidade brasileira e internacional e promova a difusão do pensamento socialista.

A expansão das universidades brasileiras permitiu a entrada nelas de um grande número de jovens professores, alguns com uma forte identidade socialista. Foram esses professores os que deram novo vigor ao movimento reivindicativo e promoveram uma forte greve nestes anos. A universidade brasileira tornou-se um campo aberto ao conflito social. As ideias do socialismo encontraram seu lugar nessa nova universidade.

Revistas, eventos acadêmicos, grupos de pesquisa e de estudos voltados para a discussão do marxismo são indicadores desse presença. O blog foi concebido como um ponto de convergência, um lugar de encontro de militantes e intelectuais socialistas que estão nas universidades brasileiras e participam dessas iniciativas. Ele não se opõe a outras iniciativas de difusão das ideias socialistas, mas distingue-se por um compromisso nítido com um programa político e com a intervenção prática. Embora o blog tome partido, aceita a colaboração de intelectuais que não sejam filiados ao PSTU mas se identifiquem com alguns pontos de seu programa.

Artigos podem ser enviados para o e-mail: convergencia@blogconvergencia.org


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Danilo Gentilli manda tirar vídeo do PSTU do Youtube

Vídeo denunciava racismo de apresentador, que perguntou "quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá" a ativista do movimento negro
 

Vídeo foi retirado a mando de Gentili, segundo Youtube

Um vídeo que denunciava as piadas racistas do “comediante” Danilo Gentilli, postado no Youtube pelo Portal do PSTU, foi retirado do ar nesta quinta-feira.

Segundo a notificação do Youtube, o vídeo foi retirado devido a reivindicações de direitos autorais de Gentilli. “Recebemos reivindicações de direitos autorais sobre o material que você enviou, como segue: o de Danilo Gentili sobre o vídeo "Quantas bananas vc quer pra deixar essa história pra lá?", afirma o comunicado do Youtube.


Quantas bananas você quer?

O vídeo publicado pelo Portal do PSTU trazia uma entrevista com Thiago Ribeiro, jovem negro de 29 anos que, recentemente, denunciou Gentilli por suas piadas de explícito conteúdo racista. Cansado das piadas sem graça do “comediante”, Thiago Ribeiro postou no Youtube um vídeo com uma coletânea de piadas racistas de Gentili. O vídeo obteve 800 visualizações, inclusive uma visualização do próprio Gentili, que conseguiu tirar o vídeo do Youtube por meio da cláusula de uso de imagem.

Através do seu perfil no Twitter, Thiago interpelou Gentili sobre a proibição do vídeo. A resposta de Gentilli foi pra lá de desprezível: “vamos esquecer isso... Quantas bananas você quer pra deixar essa história pra lá?", escreveu o comediante em seu Twitter. Na sequência, muitos seguidores de Gentilli desataram ataques racistas contra Thiago. Todos eles, inclusive Gentilli, foram denunciados por crime de racismo ao Ministério Público de São Paulo e à Polícia Federal sobre o ocorrido. Também foi realizado um Boletim de Ocorrência na Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania e na Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância.

Gentilli se utilizou do mesmo expediente para retirar, do youtube, a entrevista de Thiago ao Portal do PSTU. Em três dias de exibição, a entrevista já tinha sido visualizada por mais 4.100 usuários.

Como se não bastasse, para defender suas piadas racistas, Gentilli se apóia no direito à “liberdade de expressão”. O que só pode ser uma piada de mau gosto do “comediante” que não tem o menor escrúpulo em censurar qualquer crítica a algo que mais do que uma simples piada: é crime, tipificado em lei.

Se você ainda não viu o vídeo, assista aqui sua nova versão. Agora, com a censura imposta por Gentilli.




Retirado do Site do PSTU

sábado, 24 de março de 2012

Apesar de protestos, Dilma banca a ministra do Ecad à frente da Cultura

Desastrosa gestão da ministra da Cultura é marcada pela defesa do órgão de arrecadação de direitos autorais


Ag Brasil
Ana de Hollanda, a ministra do Ecad
Apesar das crescentes pressões e reclamações, a presidente Dima resolveu bancar a continuidade da ministra Ana de Hollanda à frente do ministério da Cultura. No último dia 21 de março, Dilma realizou um desagravo, elogiando publicamente a ministra durante cerimônia no Palácio do Planalto, e mais tarde mandou avisar a imprensa que Ana de Hollanda não sai.

Os problemas com a atual ministra começaram tão logo Ana assumiu a pasta, em janeiro do ano passado. Mandou retirar do site do Ministério da Cultura o selo do Creative Commons, uma licença de reprodução de conteúdo para fins não comerciais e provocou o ódio dos ativistas pela liberdade na Internet. A crise, porém, se aprofundou com o tema do Ecad, o Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, associação privada que detém o monopólio da administração de direitos autorais das músicas executadas no país.

Ana de Hollanda, que assim como o irmão famoso, é cantora, está sendo acusada de favorecer o escritório, que por sua vez vem se tornando cada dia mais odiado. E não é por menos, já que a piada sobre o sujeito que assobia uma música embaixo do chuveiro e é, inadvertidamente, abordado por um fiscal do Ecad, está se tornando cada dia menos ficção. A última da associação, criada por uma lei em 1973, foi começar a cobrar direitos autorais de blogs pessoais que incorporassem vídeos do Youtube (embora o Google, dono do sistema de compartilhamento de vídeos, já pague os direitos das músicas).

Foi o que aconteceu os administradores do blog Caligraffiti, sobre design, quando receberam, no começo de março, um boleto de R$ 352,59 do Ecad. Foram notificados simplesmente por incorporarem (embedar) um vídeo. Embora o escritório tenha divulgado nota afirmando que havia ocorrido um ‘erro’ na emissão do boleto, ao mesmo tempo afirmou que qualquer vídeo incorporado a qualquer blog está sim sujeito à cobrança. O comunicado recebido pelos autores do blog afirmava que “toda pessoa física ou jurídica que utiliza músicas publicamente, inclusive através de sites na Internet, deve efetuar o recolhimento dos direitos autorais de execução pública junto ao ECAD, conforme a Lei Federal 9.610/98”

Outro caso surreal aconteceu com o cantor Frank Aguiar, que afirma ter tido que pagar R$ 2.200 ao Ecad por uma festa de aniversário que deu aos amigos. Detalhe: na festa, Aguiar teria cantado apenas suas próprias músicas. O cantor disse ter recebido posteriormente apenas R$ 300 do escritório em direitos autorais. Há casos ainda de fiscais do escritório interrompendo festas de casamento para o recolhimento das taxas.

Os casos absurdos vão se avolumando junto às críticas recebidas pelo órgão e à falta de transparência com que atua. Apesar de ser uma associação de caráter privado, e por isso gozar de autonomia para definir os valores e a forma com que se dá a arrecadação e distribuição dos direitos autorais, o Ecad não passa por qualquer fiscalização e ainda é defendido pelo Ministério da Cultura.

Desde junho do ano passado funciona no Senado uma CPI para investigar o órgão, presidida por Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). A comissão, aberta após revelação de irregularidades como o repasse de R$ 128 mil a um motorista que sequer era músico, divulgará o resultado das investigações no final de abril e, segundo a revista Istoé, vai pedir o indiciamento de pelo menos quatro diretores por formação de quadrilha, cartel e apropriação indébita.

Apesar das denúnicas, Ana de Hollanda e o Ministério já se colocaram de forma incondicional ao lado do Ecad. Em um processo movido pela Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA) contra o órgão no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), o ministério emitiu um ‘parecer técnico’ justificando e defendendo a atuação do escritório.

Evidente que a ABTA não lutava em defesa da liberdade de expressão e do acesso à cultura, mas tão somente contra o pagamento de R$ 250 milhões que as empresas de TV pagam ao escritório em direitos autorais. O papel de advogado do MinC, porém, mostrou de forma clara a relação espúria entre poder público e o Ecad.


Uma ministra contra a Internet

Se o favorecimento explícito ao Ecad já era condenável, Ana de Hollanda chocou a muitos durante uma audiência pública da Comissão de Educação e Cultura nesse dia 21 de março na Câmara. A ministra disse o que pensava da Internet e de política de direitos autorais. “Hoje em dia a pirataria é feita assim. É copiado através da Internet, e isso se multiplica, está sendo distribuído e vendido pela Internet”, declarou, para depois arrematar: “isso vai matar a produção cultural brasileira se não tomarmos cuidado”.

Ou seja, para a ministra Internet e a ‘pirataria’ são os grandes algozes da cultura. A afirmação, além de embasar a atual política do ministério, traz graves preocupações. Não seria de se estranhar que o MinC apoiasse, por exemplo, projetos na linha do Sopa (Stop Online Piracy Ac) e do Pipa (Protect IP Act) nos EUA que, na defesa dos interesses da grande indústria de entretenimento, pretendem criminalizar quem compartilha conteúdos pela Internet. Para se ter uma ideia, Sopa propõe pena de cinco anos para quem baixa ou o compartilha conteúdo protegido por direitos autorais.

Por trás da campanha contra Ana de Hollanda estão muitos interesses. Desde grandes empresas de comunicação cansadas de gastar milhões com o Ecad até grupos do governo e do PT alijados do ministério com a nomeação da ministra e que trabalham na surdina contra ela. Mas há também ativistas em prol da liberdade na Internet e de defesa da Cultura. Em meio a tudo isso, uma coisa é certa. Sua gestão é desastrosa e marcada por retrocessos.

Enquanto isso a cultura segue à míngua e abandonada, ao mesmo tempo em que a Lei Rouanet, que garante financiamento a projetos culturais em troca de isenção fiscal e mantido pelos governos Lula e Dilma, coloca a política cultural do país nas mãos dos bancos e grandes empresas. E isso sim, pode 'matar a produção cultural brasileira'.


Retirado do Site do PSTU