sábado, 15 de janeiro de 2011

Polícia reprime manifestação contra aumento da tarifa em São Paulo

Repressão e violência policial marcaram o ato contra o aumento da passagem em São Paulo. O protesto aconteceu nesta quinta-feira, dia 13, nas proximidades da Praça da Republica.

Cerca de 700 manifestantes faziam passeata pelo centro da cidade quando foram atacados com balas de borracha e bombas de efeito moral. Duas pessoas ficaram feridas e cerca de 30 foram detidas (veja o vídeo da repressão abaixo)

Foi o terceiro ato programado pelo Movimento Passe Livre (MPL) contra o reajuste das passagens de ônibus em São Paulo, que desde o dia 5 passou de R$2,70 para R$3. Um novo protesto está marcado para o dia 20, na avenida Paulista.





Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Chuvas no Rio: Omissão dos governos faz novas vítimas

As chuvas de abril de 2010 fizeram encostas deslizar, matando centenas de pessoas, e fizeram todo o Brasil saber da existência de um lugar chamado Morro do Bumba.

As águas deste janeiro de 2011 marcam uma nova tragédia para o povo fluminense. Os mortos já ultrapassam a 500. Em Teresópolis contam-se 185 vítimas fatais, mas já foram cavadas 300 covas. Ou seja, podemos estar diante de uma tragédia sem precedentes, mas absolutamente previsível.

Todos os anos as chuvas de verão castigam o estado do Rio. A ocupação urbana, a canalização, ou mesmo aterramento, de rios lagos e lagoas colocam sempre a possibilidade de inundações, deslizamentos de terras, quedas de barreira e encostas. Até as pedras da Serra dos Órgãos sabem disso. Aparentemente todos os governantes do estado, prefeitos, ex-prefeitos, governadores e ex governadores, presidentes atuais e passados faltaram as aulas de geografia elementar.

Na história mais recente (após a ditadura), o estado do Rio foi governado pelo PDT, PT, PSDB, PMDB, estes também são os partidos que se revezam nas diferentes prefeituras do estado e no governo federal.

Sim, existem responsáveis por essa tragédia há tempos anunciada: os distintos governantes que se recusam a investir em obras que preservem a vida da população trabalhadora.

As centenas de mortos não são um acaso da natureza ou um desígnio de um deus vingativo. Elas são fruto do descaso e menosprezo pela vida de milhares de pessoas. Os mortos somam-se as centenas, os desabrigados aos milhares.


É possível evitar tragédias deste tipo?

O marxismo nos ensina: a história humana sobre o planeta é também a história da luta para compreende a natureza e tentar controlar seus fenômenos. O desenvolvimento das forças produtivas, em última instância, pode ser traduzido como a luta por sobreviver, na luta contra os elementos naturais, a luta por bem estar.

Não é possível impedir que as chuvas desabem do céu. Tampouco se quer isso. No entanto é possível impedir que milhares de pessoas percam as conquistas de uma vida inteira de trabalho. É possível e necessário impedir o choro de centenas de famílias por seus mortos em uma tragédia que poderia ter sido evitada.

Não são poucos os lugares do mundo onde catástrofes naturais como tufões, terremotos e erupções vulcânicas surpreendem pela impetuosidade da natureza por um lado, e por outro pela ausência de vítimas fatais.

A ausência de mortos não está vinculada a boa ou má sorte, nem a desígnios divinos. Senão pelo investimento em infra-estrutura, prevenção, planos de resgate e evacuação, máquinas e equipamentos apropriados. Basicamente no planejamento urbano, de forma a que a fúria da natureza não signifique perdas humanas e perdas materiais de
tal monta que não possam ser repostas em uma geração.


O que cobrar no imediato dos governos?

Liberar o FGTS dos atingidos, como faz o governo federal, é apenas tentar jogar sobre as vítimas a responsabilidade pelo ocorrido. É o mesmo que dizer: vocês estão sozinhos nessa!

O mínimo é que as comunidades de trabalhadores que foram atingidas, ou seja, aqueles que ganham o pão com o suor do próprio rosto, tenham seus bens materiais repostos pelos governos responsáveis – por sua omissão através dos anos.

O governo federal, Sergio Cabral e os prefeitos têm de vir a público comprometer-se com a construção de casas. Mas não só. Os investimentos nas medidas necessárias para que tragédias desde porte não se repitam é uma exigência que a lembrança dos mortos não deve nos permitir deixar passar.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A guerra comercial é uma nova expressão da crise econômica internacional

Ante o fiasco da última reunião do G-20 para evitar uma “guerra comercial” ou “guerra de divisas” entre as principais potências imperialistas, na qual também estará envolvida a China, os analistas começaram a definir a atual crise econômica internacional como uma “crise mutante”.

Conquanto se trate mais de uma frase de efeito jornalístico que de uma definição profunda, este conceito é relativamente verdadeiro: desde o seu início, em agosto de 2007, a crise foi “mutando” a sua forma de manifestar-se, seja pela sua própria evolução como pelas ações dos governos para enfrentá-la e as consequências destas ações.


A primeira fase da crise

A primeira manifestação visível da crise foi o estouro da grande bolha especulativa baseada no mercado imobiliário dos EUA e de outros países imperialistas. Em um ano, a queda do Lehman Brothers mostrou a fragilidade do sistema bancário-financeiro internacional, que esteve à beira da bancarrota global.

Nesse momento, a crise expressou-se com muita força no conjunto da economia e teve dois trimestres (o último de 2008 e o primeiro de 2009) com as piores quedas em décadas do PIB de todos os países imperialistas (um acumulado de mais de 112%), equivalentes ao primeiro impacto da crise de 1929. A queda na produção foi ainda maior e oscilou, segundo os países, entre 15 e 20%.


A segunda fase

Ali começaram a atuar os megapacotes de ajuda dos governos imperialistas e outros, como Brasil, China e Rússia, aos bancos e mercados financeiros, num total de 24 trilhões de dólares (40% do PIB anual mundial). Assim, evitou-se a quebra do sistema financeiro mundial e também se cortou a dinâmica de “plano inclinado” em que a crise arrastava o conjunto da economia.

Abriu-se, então, um período de frágil recuperação cujo pico se deu no primeiro trimestre de 2009, especialmente nos EUA, China, Alemanha e Japão. Podemos defini-lo como de “frágil recuperação”, porque se baseou precisamente nestes pacotes e não em um aumento sustentado do investimento burguês.


A terceira fase

No final de 2009, começa o que denominamos uma terceira fase da crise, que se manifestou por meio de dois processos. De um lado, estourou a crise fiscal (de rendimentos e pagamentos do Estado) de vários países europeus e da Eurozona, como Grécia e Irlanda, ante a impossibilidade de pagar suas dívidas. Houve também uma crise do euro no seu conjunto e a sua própria subsistência como “moeda européia” ficou comprometida.

Nesse momento, a crise adquiriu uma clara dimensão política com a resistência aos planos de ajuste dos seus governos por parte dos trabalhadores e jovens da Grécia, França, Espanha, Reino Unido, Itália e Portugal. A definição de uma feição central da dinâmica da crise econômica passou a jogar no terreno das lutas de classes.

Por outro lado, a frágil recuperação nos EUA mostrou as suas dificuldades de se sustentar e começou a se transformar, segundo palavras do economista Nouriel Roubini, em um “crescimento anêmico”, incapaz sequer de evitar o crescimento do desemprego no país.


Inicia-se a guerra comercial

Foi precisamente a insatisfação com a situação, especialmente o aumento do desemprego, que já se aproxima de 10%, que provocou a derrota de Obama nas eleições legislativas de “médio termo”, nas quais o seu governo perdeu a maioria parlamentar.

Debilitado e obrigado a cogovernar com um parlamento opositor a partir do próximo ano, o governo de Obama apelou ao Federal Reserve (FED, banco central dos EUA) para aplicar uma política de emissão de 600 bilhões de dólares nos próximos 8 meses, para comprar Bônus do Tesouro do seu próprio país em uma tentativa de sair do atoleiro.

Ao lançar uma nova catarata de dólares no mercado internacional, esta medida tem o efeito de desvalorizar a cotação internacional do dólar frente às outras moedas. Assinalemos que bastou o anúncio da medida para que o dólar se desvalorizasse em 10% nos mercados internacionais. E a sua cotação seguirá caindo à medida que o FED for emitindo esses dólares.


Profundo impacto mundial

Quando um país desvaloriza a sua moeda, isso tem um efeito imediato sobre o seu comércio internacional. Por um lado, “rebaixa” os seus custos internos e barateia o preço dos seus produtos exportáveis; por outro, encarece o preço nacional dos produtos importados. Em outras palavras, tende a aumentar as suas exportações e a diminuir as suas importações. Por isso, ao explicar a medida, Obama declarou que o seu objetivo é “duplicar as exportações nos próximos anos”.

Tratando-se de Estados Unidos, a principal economia do planeta, uma mudança na dinâmica do seu comércio exterior terá um impacto muito profundo em toda a economia internacional. Nos últimos 20 anos, os EUA transformaram-se no principal importador do mundo, especialmente de produtos industriais de consumo. Por exemplo, em 2008, importou um valor total de mais de 2 trilhões de dólares (uma cifra maior que o PIB do Brasil e Argentina juntos) e acumulou um déficit na sua balança comercial (saldo negativo entre exportações e importações) de mais de 600 bilhões de dólares. Outras grandes economias do mundo, como Alemanha, Japão, China e Índia, dependem diretamente dessas importações.

Em outras palavras, ao procurar aumentar as suas exportações e diminuir as suas importações, o imperialismo estadunidense lançou uma ofensiva para resolver a sua crise na costa dos outros imperialismos (como os europeus e japonês), dos países semicoloniais e também dos seus próprios trabalhadores.


Ataques à classe trabalhadora estadunidense

A “ofensiva comercial” lançada por Obama vem acompanhada pela continuação de fortes ataques à classe operária estadunidense e ao seu nível de vida para melhorar a competitividade nacional.

Este ataque vem, em realidade, pelo menos desde a década de 80, com o governo de Reagan. Mas, com a crise, deu um salto. Expressa-se em um desemprego de 10%, na redução das plantas das empresas e na queda de salários e benefícios. Muitas empresas, como a GM, exigiram de seus trabalhadores que aceitem uma redução salarial à metade. Todo isso se manifestou em um aumento da pobreza que afeta 14% dos habitantes dos EUA, cifras inéditas há décadas. Ao mesmo tempo, a desvalorização do dólar pode também gerar um processo inflacionário interno que deteriorará ainda mais esse nível de vida.

Também se acirra a política já em curso de cortes orçamentários em serviços como saúde e educação públicas, e se deterioram outros, como segurança, bombeiros e até a coleta de lixo. Segundo uma informação recente, a redução orçamentária sugerida pela comissão bipartidária formada por Obama é tão grande que poderia conduzir a “uma explosão social similar às que se viram recentemente em Paris e Londres” (Clarín, 11/11/2010)


Maior fragilidade do sistema monetário mundial

A política monetária implementada por Obama agrega ainda mais fragilidade ao atual sistema monetário mundial, de moedas de cotação “flutuante”. Vejamos alguns elementos históricos para entendê-lo.

Uma vez decidido o curso da Segunda Guerra Mundial, em 1943, os Estados Unidos aproveitaram a hegemonia econômico-político-militar conseguida para impor, em uma reunião celebrada em Bretton Woods, a proposta do economista britânico John Maynard Keynes de criar uma “autoridade” (o Fundo Monetário Internacional) e um sistema monetário mundial, baseado em uma determinada paridade de conversão entre o ouro e o dólar, que passou a ser a “moeda padrão” do sistema, respaldada pelo ouro armazenado pelo FED em Fort Knox.

Os EUA não só possuíam a “moeda mundial”, como eram também os donos da “máquina de imprimir dólares”. Como não se tinha estabelecido nenhum mecanismo de auditoria para verificar se a quantidade de dólares circulantes no mundo coincidia com o ouro armazenado em Fort Knox, o seu governo e a sua burguesia dispunham de capital a seu bel-prazer pelo simples mecanismo de imprimir bilhetes.

Esta “sobreimpressão” de dólares foi uma das razões que levaram à queda do sistema monetário de Bretton Woods, por decisão do governo de Richard Nixon, em 1971. Este definiu unilateralmente que o dólar já não seria conversível em ouro. Isto é, os possuidores de dólares no mundo não podiam reclamar aos EUA que respaldasse com ouro esses bilhetes.

Conquanto depois da ruptura dos acordos de Bretton Woods o dólar seguiu sendo, de fato, a moeda padrão do mercado mundial, agora o fazia sem a “ordem monetária formal”, nem a suposta segurança que garantiam estes acordos.

Uma das consequências desta ruptura foi que o sistema monetário internacional se tornou bem mais instável, sujeito às flutuações permanentes das cotações das moedas, especialmente do dólar e das moedas “duras” dos países imperialistas. E também ficou bem mais exposto às intervenções especulativas no mercado de moedas.

É neste enquadramento que Obama inicia a “guerra de divisas” que agrega maior fragilidade a um sistema já frágil porque situado no meio de uma crise econômica internacional e, ademais, afeta e prejudica as outras moedas de importância no mundo, como o euro, o iene ou o yuan.


A impossibilidade de outro Bretton Woods

Diante da perspectiva de guerra cambial e as suas graves consequências, vários setores burgueses começaram a falar da necessidade de um “novo Bretton Woods”. Em um artigo publicado pelo Financial Times, Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial, propôs criar um novo sistema monetário mundial baseado em uma cesta de moedas (o dólar, o euro, o iene, a libra e o yuan chinês) que tome como referência o padrão ouro para as paridades entre essas moedas.

No entanto, esta proposta, aparentemente “racional” frente à atual “anarquia” monetária internacional, é hoje absolutamente inaplicável. O acordo de Bretton Woods só foi possível porque foi impulsionado pela burguesia imperialista estadunidense, que aproveitou a sua incontestável hegemonia no mundo para pôr esse sistema a serviço dos seus interesses.

Hoje, essa mesma burguesia está na contramão de reconstruir um acordo desse tipo porque assim pode aproveitar as brechas de um sistema monetário mais “livre”. E, sem o seu acordo e impulso, outro Bretton Woods é impossível. E nenhum país ou grupo de países está em condições de deslocar o dólar como moeda padrão. Em última instância, é uma expressão de que, no enquadramento de uma decadência geral do sistema capitalista imperialista, a hegemonia estadunidense segue vigente.

Inclusive resulta extremamente difícil criar “moedas regionais”, como o mostra a crise do euro ou a impossibilidade da China de levar adiante a sua bravata de criar uma “moeda asiática”.


As dificuldades da EU

A “guerra comercial” encontra mau parada às burguesias imperialistas européias, especialmente a dos países integrantes da “eurozona”. Estas burguesias já tinham graves problemas: um crescimento econômico mais anêmico que o dos EUA; a impossibilidade de ter uma política monetária flexível pela contradição de usar uma moeda comum (o euro) sem unificação dos países; uma crise fiscal em vários países e a necessidade de efetuar duríssimos ataques aos trabalhadores para sair dessa crise fiscal, com uma forte resposta de parte destes. Uma situação que, de conjunto, põe em risco a própria existência do euro, um mecanismo de “defesa de espaços” frente ao imperialismo estadunidense, resultado de uma construção de mais de 50 anos.

A anterior desvalorização do euro frente ao dólar abria uma possibilidade de exportar mais e começar a sair do pântano. Foi o caso da Alemanha, a economia mais forte do continente: no início deste ano, teve uma melhora nas suas exportações industriais, especialmente para os EUA, que permitiu um verdadeiro crescimento da economia do país. Agora, com a desvalorização do dólar e o aumento da cotação do euro, essa porta começou a se fechar e as suas consequências já se sentem: em setembro passado, a produção industrial alemã caiu 0,8%.

A desvalorização do dólar significa também que as burguesias europeias deverão redobrar os seus ataques contra os seus trabalhadores, pela necessidade muito maior de rebaixar os salários e endurecer ainda mais as condições laborais para reduzir custos e manter a “competitividade” internacional frente aos Estados Unidos.

Mas estes ataques dar-se-ão em um momento em que os trabalhadores europeus já estão lutando, em vários países, contra os planos de ajuste dos seus governos e abrem a possibilidade de que essa luta se incremente ainda mais.

As medidas do FED também afetarão o Japão, cuja economia, depois de anos de estancamento e queda, teve uma débil recuperação no final de 2009 e início de 2010, baseada nas exportações aos EUA. Cabe assinalar que o governo japonês foi o primeiro, antes dos Estados Unidos, a lançar medidas protecionistas por meio da desvalorização do iene.


A pressão sobre a China

Uma feição importante da política dos Estados Unidos é a pressão sobre a China para que rompa o sistema de paridade fixa entre o dólar e o yuan, ferreamente controlado pelo governo chinês, e passe a um sistema de cotação flutuante do yuan, sujeito aos vaivens do mercado. Assinalemos que o principal comprador dos produtos industriais chineses são os EUA (30% das suas exportações).

Atualmente, o sistema é de “paridade fixa”: se o dólar se desvaloriza, o governo chinês desvaloriza o yuan na mesma proporção, pelo que o efeito monetário no comércio entre ambos os países é nulo. Pelo contrário, se o yuan passasse a ter uma cotação livre, o grande agregado de divisas internacionais realizado pela China, pelo saldo favorável da sua balança comercial, levaria a uma subida do preço do yuan frente ao dólar.

Isto encareceria o preço internacional dos seus produtos industriais, algo que, ademais, somar-se-ia à alta de custos internos como resultado dos aumentos salariais que os trabalhadores de importantes fábricas do país estão conseguindo com suas greves. De conjunto, o processo prejudicaria suas exportações, que já vêm sofrendo uma dinâmica negativa como efeito da crise econômica internacional. Digamos que, atualmente, a maioria dos ramos centrais da economia chinesa está com capacidade ociosa, isto é, em uma situação de superprodução. Por isso, até agora, o governo chinês se nega a romper a paridade cambial fixa.


Entrar no mercado financeiro chinês

Alguns analistas econômicos internacionais assinalaram que, apesar de todo o peso que terá uma “guerra comercial”, o verdadeiro objetivo de Obama ao pressionar a desvalorização do yuan é conseguir a abertura e o livre acesso ao mercado financeiro chinês. Trata-se de um mercado financeiro muito importante, até agora ferreamente controlado pelo governo chinês, por meio de vários bancos estatais, que, anualmente, se vê aumentado pelos grandes saldos que obtém o país no comércio internacional.

Esta análise seria coerente com o atual caráter do sistema capitalista imperialista mundial e da burguesia imperialista, cada vez mais voltada ao setor financeiro e à especulação. Ingressar no mercado financeiro chinês, do qual até agora está fora, pelo menos diretamente, permitiria à burguesia imperialista estadunidense aceder a um rico “banquete” de capitais que reforcem o seu próprio circuito.

Até agora, o governo chinês vem resistindo a estas pressões, aproveitando as importantes reservas de divisas internacionais que acumulou nestes anos e que lhe permitiram manter um crescimento da sua economia graças aos pacotes governamentais e ao crédito estatal.

No entanto, é quase impossível que esta situação se mantenha ad infinitum. Dois fatores a jogam na contramão. Por um lado, a crise econômica internacional já diminuiu as suas exportações e a própria política monetária do governo de Obama pode acentuar esta tendência, de maneira que as suas reservas tenderão a diminuir. Por outro lado, a própria dinâmica interna do mercado financeiro chinês, com numerosas “bolhas especulativas” passíveis de estourar e um nível a cada vez mais alto de inadimplência e morosidade.

Em outras palavras, o mais provável é que, cedo ou tarde, o governo chinês termine cedendo às pressões do imperialismo e só trate, em realidade, de discutir os tempos e ritmos dessa mudança.


Possíveis perspectivas

Nas suas diferentes manifestações, a crise econômica internacional aberta em 2007 continua. Sem resolver, ou resolvendo muito parcialmente, os problemas das fases anteriores, cada fase agrega novos problemas para o sistema capitalista imperialista.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Ano começa com mais uma ativista palestina morta por Israel

Manifestante desmaiou em uma densa nuvem de gás lacrimogêneo


activestills.org
A mãe de Jawaher chora ao lado de cartaz com a foto da filha. Abaixo, protestos no enterro
A palestina Jawaher Abu Rahma, de 36 anos, morreu nas primeiras horas de 2011, no hospital de Ramallah, na Cisjordânia, para onde foi levada na tarde da sexta-feira, 31 de dezembro. Jawaher ficou inconsciente durante um protesto na vila de Bil'in, próximo de Ramalah, contra a construção do muro israelense.

O protesto, realizado semanalmente, foi reprimido por centenas de soldados israelenses, que usaram grande quantidade de gás lacrimogêneo. Segundo familiares e membros do comitê popular que organizou o protesto, a ativista ficou presa em meio a uma densa nuvem de gás.

Segundo Soubhiya Abu Rahmah, mãe de Jawaher, ela começou a sentir-se mal ao inalar o gás, tentou escapar, "mas logo depois vomitou e desmaiou". Os manifestantes a retiraram e chamaram o resgate. Saher Bisharat, motorista da ambulância, declarou que a resgatou perto de onde a manifestação ocorria. “Ela ainda estava parcialmente consciente, responde à perguntas, e disse que o gás a havia ‘estrangulado’.

Segundo Aida Mohammed, diretor do centro de saúde de Ramallah, ela chegou ao hospital parcialmente consciente e, em seguida perdeu a consciência completamente. "Ela morreu de insuficiência respiratória, causada pelo gás, que levou a um ataque cardiáco", afirmou.


As mentiras do exército

A morte e a versão dos militares israelenses provocaram a indignação dos palestinos e polêmica em Israel. O Exército afirmou não ter usado gás em grande quantidade e tentou livrar a sua culpa, afirmando que a vítima possuía algum tipo de doença anterior, como leucemia. O exército não revelou a fonte da informação, que foi desmentida imediatamente por familiares e pela equipe médica.

Segundo a mãe de Jawaher, “Ela não estava doente com câncer, nem tinha qualquer outra doença, e não era asmática". Para Abu Uday Nahlah, patrão de Jawaher, ela estava em boas condições de saúde. “Na quinta-feira ela estava no trabalho, como de costume, saudável, apenas um dia antes de sua morte.", afirmou. Seus médicos insistem que ela não sofre de qualquer doença ou de quaisquer sintomas que podem, se combinados com bombas de gás lacrimogêneo, levou a sua morte. O diretor do hospital e o laudo médico também desmentem a versão do Exército.

O advogado israelense da família Abu Rahma, Michael Sfar, atacou o exército. "Uma vez mais, o exército encobre os atos dos seus homens, ao invés de apresentar seu pesar e investigar seriamente" o caso, declarou à rádio militar.


Crimes de guerra

A morte da palestina acontece dois anos após o cerco e o massacre em Gaza, quando os militares israelenses foram acusadas de usar armas químicas, inclusive fósforo. Agora, a história parece se repetir. Palestinos acusam as forças de ocupação de utilizar os chamados “mecanismos de dispersão de massas”, e, para isso, testam novas armas e gases para atacar os manifestantes. Segundo informe da coalizão Stop The Wall, “o exército israelense há muito tempo aproveita os protestos contra o muro como um campo de provas para desenvolver novas armas e equipamentos”. A coalizão afirma ainda que durante a repressão aos palestinos, são testadas armas que trarão lucros maiores para a indústria militar israelense, que exporta para vários países.

Jamal Juma, coordenador da Stop the Wall, protesta: "Somos seres humanos, e não animais que podem usar para provar suas novas armas. Israel segue nos usando como laboratório porque o mundo permite. Nem mesmo as provas chocantes sobre os crimes de guerra e o uso de fósforo branco durante o ataque a Gaza, fizeram com que a comunidade internacional pedisse que Israel prestasse contas."


Muro da Vergonha

Situada no distrito de Ramallah, na Cisjordânia, a vila palestina de Bil'in tem 1.800 habitantes e a maioria de sua área é tradicionalmente usada como terras agrícolas. Além dos assentamentos israelenses, como o de Matiyahu, construído em 1980, desde 2004 que Israel começou a construção de seu muro do apartheid no lado oeste desta aldeia.

Neste mesmo ano, a Corte Internacional de Justiça declarou o muro como ilegal e determinou que fosse derrubado. Mas Israel ignorou e continuou a erguer o muro da vergonha, que os separa dos palestinos. Atualmente, em Bil’in, as partes construídas do muro já isolam quase metade das terras dali das do restante do povo. Por isso, os palestinos realizam protestos frequentes, enfrentando a repressão israelense, como a que tirou a vida de Jawaher e a de seu irmão, Basem Abu Rahmah, morto por uma granada de gás lacrimogeneo também em uma manifestação em Bil’in, em abril de 2009.

* Com informações da campanha Stop the Wall (http://www.stopthewall.org), do revista independente +972 (http://972mag.com) e agências internacionais


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Mobilização multitudinária contra o “gasolinazo” de Evo Morales

Na quinta, 30 de dezembro, a Bolívia viveu um dia de contundentes mobilizações e de greve geral do transporte urbano em todo o país. O “gasolinazo” de Evo Morais gerou uma situação impensável até há pouco tempo. Apesar de que os dirigentes da COB, completamente submissos ao governo, chamaram mobilizações para somente a partir de 3 de janeiro, as associações de moradores dos distritos da cidade de El Alto, várias da cidade de La Paz, os professores e a população em geral protagonizaram uma marcha multitudinária contra o “gasolinazo” decretado pelo governo.

Havia muita expectativa sobre como seriam as mobilizações, já que na noite anterior Evo fez uma pronúncia à nação, na qual anunciou 20% de aumento salarial para os policiais, militares, professores e setor da Saúde e a criação de um seguro agrícola para pequenos camponeses e o apoio aos fazendeiros de soja. Ou seja, depois dos impactos do aumento de 83% nos combustíveis, o Presidente apresentou medidas mitigadoras nada convincentes à população. Ao mesmo tempo, o governo tenta impedir os protestos, apoiando-se nos dirigentes ligados ao governo. Além disso, procura reunir-se em separado com os mineiros e com a COB para tentar conter a ameaça de greve geral.

O esforço de Evo não teve efeito. Hoje, bem cedo, as associações de moradores de El Alto desceram ao centro de La Paz em uma marcha multitudinária. O povo que esteve à cabeça dos protestos de 2003, agora bronqueado, gritava palavras de ordem contra Evo Morales, Álvaro García Linera, os seus ministros e contra o “gasolinazo”, e no caminho eram aplaudidos pela população. À tarde, a quantidade de marchas aumentou, deram-se nas principais cidades do país e em algumas províncias. Em La Paz, vários setores protestaram; professores, associações de moradores, motoristas, sindicatos, entre outros, que depois se unificaram para tentar entrar na Praça Murillo. A polícia reprimiu-os duramente lançando gás lacrimogêneo por todo o centro da cidade e detendo todos manifestantes que encontravam no seu caminho. A cidade parecia um campo de batalha onde os manifestantes tentavam se defender com pedras da polícia e escapar dos gases. Na véspera do ano novo, La Paz esteve completamente paralisada e a população caminhava das suas casas até o centro para participar dos protestos, evidenciando a bronca geral pelas medidas do governo. As donas-de-casa diziam que “este governo passou dos limites” e que “se mostra igual aos governos neoliberais anteriores”.

Mas, o ocorrido parece ter sido somente um ensaio, porque as manifestações tendem a se ampliar: os mineiros de Huanuni anunciaram marchar para La Paz na próxima segunda-feira, 3 de janeiro; a direção da COB, pressionada pela rejeição geral das bases operárias à medida do governo, promete convocar uma mobilização para segunda-feira na cidade de La Paz; na terça-feira marcharão os trabalhadores industriais. Isto é, o horizonte é de crescimento e massificação dos protestos que exigem de Evo Morales a revogação do Decreto Supremo 748 que elevou em 83% o preço dos combustíveis e fez disparar a tarifa do transporte, e a subida de todos os produtos da cesta básica familiar.

A situação é grave. Os preços de quase todos os produtos duplicaram, são longas as filas das donas-de-casa para conseguir comprar arroz, açúcar, farinha, antes que subam ainda mais. Há a possibilidade de escassez de alimentos e essa incerteza explica a bronca dos trabalhadores e do povo pobre. A medida do governo evidenciou todo o seu compromisso com as transnacionais imperialistas. Em Bolívia os preços dos combustíveis são subvencionados pelo Estado desde 1997. A eliminação dos subsídios significou um aumento brutal nos preços dos combustíveis, igualando-os aos do mercado internacional.

O governo tentou justificar esta medida com o falso discurso de combate ao contrabando. No entanto, por trás do decreto 748, estão os incentivos às transnacionais que operam na produção de gás natural e petróleo, como a Petrobras. Agora estas empresas terão os seus ganhos duplicados. Antes as petrolíferas recebiam do governo 27 dólares por barril de petróleo produzido, agora receberão 59 dólares. Esta foi a exigência que as transnacionais fizeram ao governo para voltar a “investir”, em outras palavras, manter seu controle dos nossos recursos naturais. O “gasolinazo” foi um duro golpe à economia popular, e um grande presente de natal às petrolíferas.

Por tudo isso, chamamos os trabalhadores, camponeses e a juventude a continuar nas ruas até a revogação do decreto 748. Mas não podemos ficar nisso, é necessário retomar a Agenda de Outubro e lutar por uma verdadeira nacionalização dos recursos naturais, através da expulsão das transnacionais que seguem sangrando a economia boliviana. Outra tarefa importante dos trabalhadores é a luta por um justo aumento salarial, por isso recusamos o aumento de 20% e exigimos que o governo aumente em 100% o salário dos trabalhadores e o salário mínimo nacional, que hoje é equivalente a apenas 100 dólares.

La Paz, 30 de dezembro de 2010.

Grupo Lucha Socialista
Seção simpatizante da Liga Internacional dos Trabalhadores (LIT-QI)


Retirado do Site do PSTU

Bastaram dois dias para a máscara cair: Dilma vai privatizar novos terminais de aeroportos

A presidente Dilma Rousseff decidiu entregar à iniciativa privada a construção e a operação dos novos terminais dos aeroportos paulistas de Guarulhos e de Viracopos, dois dos principais do país.

A medida faz parte de pacote que será baixado por meio de medida provisória - talvez ainda neste mês.

O texto inclui também a abertura do capital da Infraero (estatal responsável pela administração do setor aeroportuário) e a criação de uma secretaria ligada à Presidência da República para cuidar da aviação civil - como a Folha antecipou em 2010.

A equipe de Dilma já conversou com empresas como a TAM e Gol, que manifestaram interesse na construção e operação de novos terminais. O prazo da concessão deve ser de 20 anos.

O objetivo oficial do pacote é desafogar aeroportos que serão vitais para a Copa do Mundo de 2014. Assessores da presidente disseram à Folha que ela deu prazo de 15 dias para finalizar o texto.

Segundo a Infraero, o governo federal precisa investir R$ 5,5 bilhões nos aeroportos ligados às 12 sedes da Copa. A avaliação dentro do governo é que a estatal não terá condições técnicas para, sozinha, bancar esses projetos.

Durante o governo Lula, o ministro Nelson Jobim (Defesa) chegou a defender que a administração de todos os aeroportos fosse concedida à iniciativa privada.

A ideia foi rejeitada por Lula e pela então ministra Dilma (Casa Civil). Ambos temiam o rótulo de privatizantes - o mesmo rótulo que o PT procurava impingir ao principal adversário na eleição, José Serra (PSDB).

Na Casa Civil, Dilma sempre dizia preferir abrir o capital da Infraero, para que esta pudesse captar recursos e aumentar a capacidade de investimentos.

No aeroporto de Guarulhos, o maior do país e principal centro de chegada de voos internacionais, o projeto da Infraero prevê R$ 1,2 bilhão de investimentos. A obra mais cara é a construção do terceiro terminal, orçada em R$ 700 milhões.

Em Viracopos (Campinas), os investimentos previstos são de R$ 742 milhões. O novo terminal deve consumir R$ 690 milhões.


BRASÍLIA

A Folha apurou que um novo terminal para o aeroporto de Brasília também poderá entrar no pacote.

A concessão dos terminais esvazia o plano de construtoras de construir um terceiro aeroporto nos arredores de São Paulo, em sociedade com as companhias aéreas.

Havia o temor no Planalto de que um terceiro aeroporto roubasse potenciais passageiros do trem-bala.

Já a nova Secretaria de Aviação Civil, ideia discutida na montagem da equipe de Dilma, vai retirar do Ministério da Defesa o controle sobre o setor, o que já está combinado com Jobim.



Retirado do Site da Folha de São Paulo