sábado, 13 de março de 2010

PSTU responde Lula no seu programa semestral

Recentemente, Lula deu uma entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, na qual justificava as mudanças dele e de seu partido para chegar à Presidência. Entre elas, o abandono do classismo, dando lugar à aliança com banqueiros e empresários.

Referindo-se ao seu vice José Alencar e ao documento “Carta aos Brasileiros”, lançado na campanha de 2002, chegou a dizer que: “essa mistura de um sindicalista com um grande empresário (...) é que garantiu minha chegada à Presidência”. Lula ainda atacou o PSTU: “vocês acham que o PSTU ganhará eleição com o discurso dele? Vamos supor que ganhe, acham que governa? Não governa”.

Nesta quinta, 11 de março, o PSTU foi à TV responder a Lula e dizer que governar para os trabalhadores não só é possível como é a única alternativa para se mudar de fato a vida dos trabalhadores.


Um operário que continua ao lado dos trabalhadores

O programa mostrou a história de um operário que participou das lutas no ABC na década de 70 e que ajudou a fundar a CUT e o PT. Mas nessa história, esse operário não passou para o outro lado e continua junto aos trabalhadores, lutando por uma sociedade socialista. É José Maria de Almeida, o Zé Maria, pré-candidato do PSTU à presidência da República.

Zé Maria deixou claro que o PSTU não quer a volta do PSDB ou de qualquer outro partido burguês. O Governo FHC foi terrível para os trabalhadores e não deixar isso claro seria um crime. Por outro lado, mesmo sabendo que a maioria da classe trabalhadora ainda tem esperanças em Lula, Zé Maria mostrou que o PT não é diferente do PSDB e, portanto, que seja Dilma ou seja Serra, os ataques aos trabalhadores continuarão.

Zé Maria mostrou que, sob o governo Lula, os lucros das grandes empresas aumentaram 400%, ao contrário do salário mínimo, que subiu pouco mais de 50%. Também mostrou que isso ocorre porque Lula governa para os empresários e não para a maioria da população. Zé Maria vai defender um programa dos trabalhadores para essas eleições, que rompa com o capitalismo e aponte mudanças significativas para a vida das pessoas.

O programa do PSTU denunciou ainda a ocupação militar do Haiti, defendendo a campanha de solidariedade classista aos haitianos, que vem sendo realizada por organizações como a Conlutas. São “os trabalhadores daqui ajudando os trabalhadores de lá”.


Segue o chamado à Frente Classista

O PSTU também foi à TV para chamar o PSOL à responsabilidade. Desde o lançamento da pré-candidatura de Zé Maria, o PSTU vem fazendo chamados sistemáticos ao PSOL para construir uma frente classista com um programa socialista, de ruptura com o imperialismo.

Infelizmente, o PSOL vem caminhando em sentido contrário e dois dos seus pré-candidatos continuam resistindo apresentar uma alternativa socialista para essas eleições. O PSTU afirma que o chamado segue de pé e que está disposto a discutir a frente de forma franca e sem hegemonismos. No entanto, se o PSOL não tiver acordo com uma frente sem a presença de partidos da burguesia e de financiamento de empresas, com um programa de transição que denuncie o regime e que aponte para um governo dos trabalhadores, o PSTU lançará a sua canditatura e chamará o conjunto dos ativistas para apoiá-la.


Assista agora o programa do PSTU:



terça-feira, 2 de março de 2010

Cultura: Deadly Fate lança novo disco e contesta mazelas do capitalismo

Formada em 1989, a banda potiguar Deadly Fate nasceu com a proposta de tocar heavy metal, algo bastante ousado em uma capital cuja cultura musical de massas praticamente se restringe a ritmos regionais (forró, axé music, etc.).

Passados mais de vinte anos, esses talentosos músicos continuam fieis ao seu estilo, embora tenham também incorporado outras influências no seu repertório, sobretudo da música clássica. Durante sua trajetória, a banda participou de uma coletânea em vinil (“Whiplash Attack Vol. I”), lançou uma demo ("Outside of your World", de 1993) e um álbum ("Shine Again", de 2000).

Em que pese todas as dificuldades de uma banda que se formou em Natal, uma capital completamente fora do circuito comercial da música, o talento e a espantosa evolução musical do Deadly Fate renderam excelentes críticas em revistas nacionais e internacionais, além de indicações para dividir o palco com ícones do heavy metal, como Paul Di’anno, Blaze Bailey (ambos ex-Iron Maiden) e os alemães do Blind Guardian. Em 2009, a banda lançou seu segundo álbum, “Secret Land”, e nesta semana realizará o show oficial de divulgação do disco na capital potiguar.


Mother Nature’s Cry: um grito de socorro do planeta

Além da notável musicalidade, Deadly Fate se destaca pelas letras de suas composições, sempre bem trabalhadas e carregadas de sentido, principalmente nas temáticas épicas.

No entanto, em “Secret Land” a banda nos reservou uma bela surpresa. A música “Mother Nature’s Cry” (Choro da Mãe Natureza), de autoria de Onofre Neto e Jucian Carlos, revela também um espírito de contestação a uma das maiores mazelas do capitalismo: a destruição do meio ambiente.

A música, que tem um fantástico instrumental, não fica por baixo nem beleza das letras e nem no peso da crítica, já na primeira estrofe:

Can you see the situation that the world has been? [Você pode ver a situação em que se encontra o mundo?]
Can you tell me what's going on around here? [Você pode me dizer o que está acontecendo ao nosso redor?]
Gradually mankind's future's going unforeseen [Pouco a pouco o futuro da humanidade vai se tornando uma incógnita]
Blinded by their own technology [Encoberta pela própria tecnologia deles]


O capitalismo continuará conduzindo a humanidade à destruição

Em um dos trechos de “Mother Nature’s Cry”, Deadly Fate questiona:

The men sentence the world to die [O homem sentencia o mundo à destruição]
Is there any change for us to survive? [Existe alguma chance de sobrevivermos?]

As chances de acabar com a destruição do planeta se relacionam com a necessidade de superar o capitalismo. A lógica predatória e de concorrência entre os capitalistas inviabiliza qualquer tipo de “desenvolvimento sustentável”, pois no capitalismo as relações de produção estão relacionadas com o lucro e não com as necessidades da humanidade.

Por isso, a luta pelo meio ambiente não pode estar dissociada da luta pela superação completa do regime de exploração capitalista. Ou o capitalismo é superado , ou os seres humanos continuarão caminhando para a barbárie.

Nesse sentido, o papel que cumpre os “headbangers” do Deadly Fate é extremamente progressivo. Além de brindar os fãs e os apreciadores do heavy metal com uma música de altíssima qualidade, os músicos potiguares utilizam o também o seu talento a serviço da contestação e da denúncia de uma das facetas mais cruéis do modo de produção capitalista.


Confira o vídeo de “Mother Nature’s Cry”:




Ficha Técnica do Deadly Fate

Oruam – Guitarra e voz;
Onofre Neto – Guitarra solo e voz;
Wilberto Amaral – Bateria;
Marcos Flávio – baixo

Show oficial de divulgação do disco Secret Land.

Data: 06/03/2010
Local: Galpão 29, Ribeira
Hora: 22h

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Protesto contra o fechamento do R.U.: Venha lutar conosco!


O Centro Acadêmico de Serviço Social em parceria com a Assembléia Nacional dos Estudantes - Livre (ANEL) convida tod@s @s estudantes a protestarem contra o fechamento do Restaurante Universitário para reforma, sem a criação de uma alternativa para a alimentação dos estudantes. A solução paleativa criada para os residentes (quentinhas) não tem funcionado como deveria e a bolsa alimentação para os bolsistas da Universidade é insuficiente em valor e quantidade de "beneficiados". Vários estudantes estão sem ter onde se alimentar, pois nas redondezas da Universidade não há nenhum outro local que sirva alimentações pelo preço do RU da UFRN, que já era caro, R$ 3,00.

Convocamos todas entidades do Movimento Estudantil, Sindical e Popular a se somarem a nós na construção de uma Feijoada de Protesto no Pátio da Reitoria, para dizer em alto e bom som que Assistência Estudantil é direito e que alimentação não se suspende!

"Sou estudante e quero almoçar
Mas o Reitor não quer deixar!
"


Retirado do Blog do Centro Acadêmico de Serviço Social/UFRN

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Vitória dos trabalhadores: Chapa da Conlutas derrota a CUT na eleição de bancários do RN

O resultado esmagador das eleições do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte não deixa dúvidas: o Movimento Nacional de Oposição Bancária e a Conlutas crescem em bancários.
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Na madrugada de 25 de fevereiro, um som ecoava do Palácio dos Esportes, no centro de Natal. Era a palavra de ordem “Eu sou Conlutas! Sou radical! Não sou capacho do Governo Federal!”, ecoada pelos bancários do RN e apoiadores que vieram de vários estados do país (SP, MA, RS, CE, etc.), durante a apuração das eleições do Sindicato dos Bancários do Rio Grande do Norte.

A Chapa 1 – Independência e Luta –, do Movimento Nacional de Oposição Bancária (MNOB) e da Conlutas, venceu com impressionantes 82,82%, enquanto a chapa 2, que era formada pela Articulação/CUT e pela patronal, obteve apenas 17,18% dos votos válidos. Após anunciada a vitória, os membros da Chapa 1, junto com os bancários da categoria, militantes e apoiadores, comemoraram o resultado histórico que sepultou de uma vez a CUT na categoria bancária do RN.


O gangsterismo sindical da CUT não foi suficiente para impedir a derrota

A campanha para a sucessão no Sindicato durou cerca de dois meses, período em que toda a categoria pôde tomar conhecimento da diferença brutal entre os dois projetos apresentados nas eleições.

Enquanto a chapa da CUT reafirmava a defesa da Mesa Única da FENABAN, do colaboracionismo com os patrões e o Governo Lula, a Chapa 1 defendeu a independência de classe frente a patrões e Governos, a autonomia frente aos partidos, além de todas as bandeiras de luta reivindicadas pelos bancários. Essas diferenças foram elementos norteadores que fizeram com que os bancários do RN, já antes do dia da votação, sinalizassem uma votação em massa na Chapa da Conlutas.

Diante dessa realidade e tendo a ciência de que sofreria uma derrota esmagadora, a Chapa da CUT tentou de todas as maneiras inviabilizar o processo de votação com posturas claras de banditismo e gangsterismo sindical. Provocações, intimidações, ofensas, tentativas seguidas de parar a coleta de votos foram apenas alguns exemplos do que a CUT tentou fazer para criar fatos políticos que manchassem ou diminuíssem o tamanho da vitória da Conlutas.

Em uma das maiores urnas, o mesário ligado à Chapa da CUT fez de tudo para sumir com a relação de votantes e quando foi impelido pelos próprios bancários que estavam no local de trabalho, tentou engolir (literalmente) a relação. Antes de iniciar a apuração, a CUT também tentou de todas as formas inviabilizar a contagem dos votos que selariam a humilhante derrota e, incentivados pelos próprios candidatos da Chapa 2, invadiram o ginásio com uma grande quantidade de militantes e capangas contratados.

Felizmente, a Comissão Eleitoral conseguiu garantir a continuidade e a segurança do processo, de forma que não tendo mais como impedir a deflagração do resultado das eleições, a CUT se retirou da apuração, reconhecendo tacitamente a sua derrota.

Foram episódios lamentáveis que demonstraram cada vez mais a decadência absoluta da CUT como instrumento da classe trabalhadora. No entanto, a melhor resposta para toda a violência, ofensas e provocações foi dada sem dúvida pela própria categoria, que varreu de uma vez o peleguismo ao depositar o voto na Chapa 1.


A propaganda ideológica contra o PSTU também virou pó

Além do gangsterismo da CUT, outra coisa chamou atenção na campanha. Mesmo com a Chapa 1 tendo sido construída a partir da composição de várias forças políticas e mesmo com a minoria de militantes sendo organicamente do partido, a chapa da CUT tentou utilizar um artifício político desonesto para evitar a derrota: atacar o PSTU.

A CUT procurou, durante todo o processo, fazer a sua campanha a partir de uma propaganda ideológica que tentava convencer os bancários a votar nos governistas, pois se não o fizessem, estariam colocando o sindicato “sob o controle” dos “radicais”, dos “xiitas da Conlutas e do PSTU”. A CUT simplesmente acreditava que nossa já reconhecida política de oposição de esquerda ao Governo Lula, ruptura com o imperialismo e construção das lutas da classe trabalhadora a serviço da transformação social, afloraria o conservadorismo na categoria e faria com que não depositassem o voto na nossa chapa.

Felizmente, o tiro saiu pela culatra. De nada adiantou o falatório cutista que procurou se apoiar nas concepções mais atrasadas disseminadas no seio da classe, pois a resposta de mais de 80% dos bancários do RN foi clara: o que queremos é um sindicato classista, combativo, com disposição e independência para enfrentar patrões, governos e quem mais se colocar à frente contra as nossas reivindicações imediatas e históricas.


“Me parece... que a Conlutas cresce!”

O anúncio oficial do resultado das urnas, que revelou a esmagadora maioria de votos para a Chapa 1, mostra que quem hoje está isolada é a CUT. Não ainda isolada do ponto de vista da estrutura e da quantidade dos sindicatos que dirige, mas sobretudo pelo aparato falido, engessado e “chapa branca” que se tornou.

A falência da CUT e os resultados expressivos obtidos nos locais onde o conjunto das categorias fez alguma experiência com a Conlutas e com as direções combativas mostram que é possível avançar na construção de uma ferramenta da classe trabalhadora que esteja a serviço não apenas da luta contra os governos e as burocracias sindicais governistas, mas principalmente que possa impulsionar um processo de organização da classe trabalhadora em direção ao socialismo.

Esta vitória dos bancários do RN é parte indissociável desse processo e deve ser repetida sempre que houver a possibilidade de unir os lutadores em torno de um programa que se norteie pelo classismo, democracia operária, independência de classe e pela ação direta em defesa dos interesses da classe trabalhadora. Esta é uma vitória histórica dos bancários, mas principalmente da nossa classe, que vê a influência do projeto da Conlutas se ampliar e se fortalecer.

Ao final da apuração das eleições dos bancários do RN, um outro grito ecoava no Palácio dos Esportes, no centro da Natal: “Me parece... Me parece... Me parece... Que a Conlutas cresce! Na luta!”. Mas não nos parece. Simplesmente, não temos dúvidas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Crise Econômica: A hora da fatura

A Grécia é o primeiro país a iniciar uma nova etapa da crise internacional: o país está falido, o governo de frente popular ataca o funcionalismo público para conter a dívida e a resposta das ruas são as maiores lutas sociais desde o fim da ditadura militar, há 35 anos. Portugal e Espanha também correm o risco de quebrar


Novo governo enfrenta a retomada da mobilização
A metamorfose

A crise econômica internacional, iniciada há dois anos, está se transformando em crise da dívida. A Grécia é o país que melhor representa esta mudança. Com o início da crise econômica, em 2008, os governos do mundo todo aumentaram seus endividamentos e entregaram cerca de US$ 13 trilhões para os grandes investidores.

No entanto, as faturas vencem, e a periferia da Europa parece não ter condições de pagar as suas dívidas sem recorrer a novos empréstimos. Os países mais endividados, chamados pejorativamente pela imprensa de PIIGS (porcos, em inglês) são Portugal, Itália, Irlanda, Grécia e Espanha.

A Grécia, o caso mais crítico, teve em 2009 um déficit orçamentário de mais de 12% do PIB, com sua dívida pública superando os 300 bilhões de euros (cerca de R$ 750 bilhões). Isso representa mais de 110% do PIB do país.


O velho neoliberalismo

Os países centrais da Zona do Euro (Alemanha e França) receiam que a crise da dívida ultrapasse as fronteiras, aumente a recessão em curso no continente e desestabilize o euro. Com isso, têm pressionado os governos endividados a adotarem as tão famosas políticas de austeridade fiscal, o velho neoliberalismo.

O discurso criado não é nada original: são apontados como responsáveis pela crise da dívida um suposto Estado de Bem-Estar social grego: privilégios do funcionalismo público, altos salários, rombos da previdência, ineficiência do Estado na gestão da saúde e da educação etc., que estrangularia os cofres públicos.


As razões da dívida

Os motivos reais do endividamento do país, no entanto, são outros. A Grécia não escapou das políticas neoliberais que assolaram a Europa a partir da década de 1990, criando um paraíso para o capital financeiro e tornado os serviços públicos cada vez mais precários.

Desde então, a Grécia é um dos países da zona do Euro que cobra menos impostos das empresas e, além disso, é conhecida por possuir uma enorme sonegação fiscal por parte de bancos e corporações. Inversamente, o sistema fiscal é penoso com os trabalhadores, sendo os impostos sobre os salários um dos maiores da Europa, de modo que o orçamento público depende quase exclusivamente da taxação dos trabalhadores assalariados e da classe média-baixa.

Como se não bastasse, as empresas, e até mesmo o governo, simplesmente pararam de contribuir para a previdência social, criando um rombo anual de 10 bilhões de euros. A gota d’água veio com a crise econômica internacional, quando os setores chaves da economia – construção civil, turismo e indústria naval – entraram em recessão.

Para se ter uma ideia da situação, basta uma conta simples. O governo recém-eleito quer cortar do orçamento 25 bilhões de euros durante os próximos três anos para reduzir o déficit orçamentário. No entanto, o governo anterior, do partido da Nova Democracia (direita), em apenas uma noite em fins de 2008, concedeu aos bancos gregos 28 bilhões de euros para salvá-los da crise.

Em síntese, o governo quer que os trabalhadores que sustentam o Estado paguem mais uma vez pela crise: após o desvio de dinheiro público para salvar o grande capital, agora pretende cortar o orçamento estatal e direitos sociais.


Os ataques do governo

A Grécia tem um governo de colaboração de classes (Frente Popular) desde outubro de 2009, quando o partido Pasok ganhou as eleições prometendo se opor à proposta de congelamento de salário realizada pelo então governo da Nova Democracia. Além disso, também prometeu aumento da tributação do grande capital e acabar com as evasões fiscais. No entanto, não foram necessários 100 dias para demonstrar o caráter do novo governo.

Ainda em 2009, o recém-empossado primeiro-ministro George Papandreou anunciou as medidas que teria como objetivo conter a crise e retomar a credibilidade do mercado financeiro: congelamento dos salários do funcionalismo público (abrindo a possibilidade de que isso aconteça no setor privado), ampliação dos trabalhos temporários e contratação de apenas um trabalhador para cada cinco que se aposentarem.

Em relação à previdência, o governo procura realizar um corte de 10% do valor das aposentadorias, aumentar a idade mínima da aposentadoria para 63 anos (atualmente os homens se aposentam com 60 e as mulheres com 55) e substituir o sistema de previdência social para fundos de pensão privados e semiprivados.

Além disso, o governo também planeja redução de 10% dos gastos públicos, principalmente nas áreas sociais, deteriorando ainda mais a saúde e a educação gregas, consideradas umas das piores da zona do Euro. Por fim, planeja-se a privatização dos portos e dos serviços de água e energia.


“Aos bancos, eles dão dinheiro; aos jovens, eles oferecem... balas”

Também não foram necessários mais de 100 dias para começarem os enfretamentos com o novo governo: desde fins de 2009, os trabalhadores do serviço público têm feito manifestações de rua e paralisações. Apesar das traições das lideranças sindicais do Pasok, os atos contrários ao pacote de estabilização têm se intensificado e se tornado massivos.

Há três semanas que trabalhadores do serviço público estão acampados em frente ao parlamento. No último dia 10, realizaram uma massiva greve geral, com adesão de amplos setores, como saúde, educação, transporte aéreo, segurança entre outros.

O setor privado também marcou uma greve geral para o dia 24 de fevereiro, que deverá ser incorporada, mais uma vez, pelo setor público. Pequenos agricultores rurais também têm se enfrentado com o governo. Na semana passada, completou-se um mês que bloqueiam mais de 30 das principais estradas do país, exigindo subsídios para a produção. A resposta do Pasok tem sido reprimir todas as manifestações com muita violência, tornando a situação política ainda mais instável.

É difícil para os trabalhadores gregos derrotar um governo de Frente Popular recém-eleito. Por outro lado, a Grécia sempre foi um país de intensa mobilização social e, atualmente, passa por um período de retomadas das lutas e de fortes enfretamentos de rua.

O medo da burguesia é que se tenha um “dezembro dos trabalhadores”. A expressão faz referência à dezembro de 2008, quando milhares de jovens protagonizaram as maiores manifestações do país desde o fim da ditadura militar. Após a morte pela polícia de um jovem de 16 anos, as manifestações se tornaram massivas, e a polícia não tinha mais condições de contê-las. A cidade passou a ter atos diários, com regiões da cidade tomadas pelos manifestantes e protegidas por barricadas.


Grécia, noite de Natal de 2008

Com o acirramento da crise, todos esperam uma retomada dos grandes enfrentamentos. A greve geral do dia 10 já deu o seu recado: “Nós não pagaremos pela crise!”, diziam os cartazes na manifestação.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 13 de fevereiro de 2010

O debate sobre as pré-candidaturas do PSOL

Fracassada a coligação com o Partido Verde e Marina Silva, o PSOL decide sobre uma candidatura própria


Depois do fracasso das negociações com Marina Silva, o PSOL definiu lançar uma candidatura própria. Os pré-candidatos são Martiniano Cavalcante (apoiado pelo MES-MTL e por Heloísa Helena), Babá (CST) e Plínio de Arruda Sampaio (apoiado pela maioria das correntes de esquerda do PSOL, além da APS, Enlace e o grupo dos parlamentares do Rio).

A candidatura de Babá tem apresentado posições políticas corretas, mas todos dizem que sua corrente não levará sua candidatura até o final pela pouca representatividade. O debate se concentra ao redor das candidaturas de Plínio (o favorito para ser indicado na conferência) e Martiniano.


A candidatura de Martiniano Cavalcante

Martiniano é um dos fundadores do PSOL, um quadro político com grande capacidade de iniciativa e boa oratória. É o candidato da ala direita do partido, expressando a aliança entre MES e MTL, que defenderam o apoio do PSOL à candidatura de Marina Silva.

Tal política é defendida no manifesto de apresentação da candidatura de Martiniano: “Foram estas concepções que orientaram a correta procura de dialogo com a senadora Marina Silva” – diz o documento – “Esta atuação do PSOL demonstrou a todo o país, com fatos e não com discursos professorais, que ela e o seu PV preferiram se aproximar dos Tucanos e dos Demos”.

Segundo estas correntes, foi correto propor uma aliança com o PV, um partido burguês completamente corrompido, e com Marina Silva, que apoia o plano econômico de FHC e de Lula. Essa aliança só não saiu porque Marina preferiu se aliar com o PSDB e o DEM no Rio. Ou seja, a aliança do PSOL com Marina só não saiu porque o PV não quis, e Martiniano opina que isso foi corretíssimo, uma espécie de aula de tática política a ser aprendida e copiada.

O MES defende também o financiamento de grandes empresas ao PSOL, como o caso da Gerdau no Rio Grande do Sul. Sobre isso, Martiniano não fala, porque tem acordo que deva ser repetido.


Um programa nos marcos do capitalismo

Na formulação do programa para a campanha, Martiniano afirma que “a síntese desta compreensão política é o programa de campanha. Ele não pode ser uma plataforma de caráter diretamente socialista por pura impossibilidade das condições concretas”.

Obviamente, não vivemos um ascenso revolucionário no Brasil. Isso é aproveitado por correntes reformistas como o MES e MTL para defenderem programas de desenvolvimento no marco do capitalismo. Uma orientação socialista não precisa se limitar a um campo ideológico, pode partir das questões mais sentidas pelos trabalhadores, como, por exemplo, a defesa de um salário digno para mostrar como a dominação do grande capital (e o governo Lula) impedem que isso se dê, para apontar a necessidade de uma ruptura com o capitalismo e o imperialismo. A grande crise econômica que explodiu em 2008 – ainda que estejamos vivendo uma recuperação parcial e conjuntural – possibilitou a retomada da discussão ampla sobre o socialismo.

Depois, Martiniano acrescenta: “a correlação de forças não nos permite apresentar propostas gerais de estatização de setores econômicos, sejam da indústria ou dos serviços como educação e saúde”. Ou seja, não se pode defender a estatização nem dos bancos. Não se pode sequer propor uma educação e saúde estatais por causa da correlação de forças.


Martiniano defende a continuidade da política desastrosa do PSOL

O manifesto de Martiniano coerentemente afirma que “é preciso avançar muito, mas avançar na direção de aperfeiçoar os acertos políticos gerais que marcaram a fisionomia do PSOL desde a sua fundação até aqui”. Em outras palavras, é a reivindicação aberta dos rumos atuais do PSOL, do financiamento da Gerdau, da tentativa de acordo com Marina. É a defesa dos passos já seguidos pelo PT, que deu no que deu.


Qual o programa defendido por Plínio?

Plínio de Arruda Sampaio impõe um respeito natural pelos anos de militância e coerência. Em tempos em que a política se tornou para muitos uma forma de se arrumar na vida, a coerência militante de Plínio merece respeito.

Vamos nos dedicar à discussão de suas posições por ser o favorito e por ser o candidato da esquerda do PSOL. Como todos sabem, desde o ano passado o PSTU propõe uma frente socialista e classista. Um dos critérios fundamentais para viabilizá-la é a adoção de um programa socialista.

No entanto, Plínio está sendo chamado para um acordo com a APS, importante corrente do PSOL que também esteve envolvida nas negociações com Marina. A declaração de apoio da APS diz explicitamente: “Sendo assim (...) a CNAPS define o nome do companheiro Plínio como nosso pré-candidato para a Conferência Eleitoral Nacional do PSOL e propõe a necessidade de um acordo na medida em que ele não é pessoal, mas vinculado a um projeto político. Este acordo está relacionado ao programa de governo; à estratégia de campanha; a outras questões importantes do discurso a ser feito no decorrer desta pré-campanha; assim como aos seus desdobramentos políticos e organizativos”.

Existe claramente o risco de que, para ser candidato do PSOL, Plínio assuma o programa de suas correntes majoritárias. Isso, na verdade, já começa a ocorrer. O que pode ser notado na sua recente entrevista à revista Carta Capital (nº 581).


Qual balanço do governo Lula?

Ao ser questionado se achava que o governo Lula era melhor que FHC, Plínio responde: “Ah, de longe, muito melhor. É que o talento de Lula é maior que o de Fernando, Lula é um homem talentosíssimo. Ele é de certo modo, pegue a palavra com cuidado, ele é de certo modo um impostor, mas um impostor que acredita na própria impostura. É um demagogo, quando Lula chora, chora mesmo. Não é Jânio Quadros, que chorava lágrimas de crocodilo. Ele não, aquela explosão de choro quando o Brasil foi escolhido para a Copa... Imagine se o Fernando Henrique seria capaz de chorar. Aquilo tem um efeito popular enorme, porque é autêntico, porque é verdadeiro. E o Lula é um homem mais humano, sofreu mais, conhece mais”.

Partimos de uma avaliação marxista, de classe, dos governos. Para qual classe social Lula governa? A mesma de FHC, ou seja, a grande burguesia. A avaliação de Plínio desconsidera as classes sociais e se enreda em uma avaliação subjetiva e simpática, completamente equivocada.

Em outra entrevista à Rede Vida, Plínio disse sobre o governo Lula que “o que é positivo tem que ser reconhecido e apoiado, mas o que está por baixo tem de vir à luz”. Na entrevista à Carta Capital, ele seguiu o mesmo raciocínio: “O quadro brasileiro é o seguinte: há quem está melhor do que estava, 20 milhões de pessoas que estão consumindo. A minha empregada está comprando um carro zero. Objetivamente, a inflação está segura, ainda é alta para alguns padrões, mas para nós aqui é uma maravilha. Todo mundo gosta de ver o Lula ao lado do Obama”.

Essa postura de apoiar o que existe de positivo e questionar o negativo do governo é completamente equivocada. Não vemos, por exemplo, nada de positivo na relação de Lula com Obama. Defendemos uma oposição global e clara sobre o governo, e isso impediria que tivéssemos um discurso comum nas eleições em um tema tão importante como o balanço do governo.

Plínio apresenta um recuo em relação á postura do PSOL em 2006. Naquele ano, tivemos várias polêmicas com Heloísa Helena, que deixou de lado o programa que tínhamos definido em comum na Frente de Esquerda, para defender essencialmente a queda na taxa de juros. Isso nos levou a várias polêmicas públicas com ela. Mas, justiça seja feita, em nenhum momento Heloísa teve essa posição de Plínio perante o governo Lula. Em todos os momentos da campanha, manteve-se na oposição intransigente a Lula e Alckmin.

Como se não bastasse, Plínio faz a seguinte avaliação de Serra: “O Serra é melhor que o Fernando Henrique. Mas é o Fernando Henrique. Ele é mais nacionalista que o Fernando Henrique. Eu conheço bem o Serra, nós estudamos juntos em Cornell, fomos companheiros, trabalhamos juntos. Eu o conheço desde menino. Serra é mais decidido que Fernando, que só pensa nele mesmo. Há horas em que Serra não pensa só nele”


Programa será ou não socialista?

Na entrevista, Plínio também nega que sua campanha será em defesa do socialismo. “Não em campanha programática, ideológica, propagandista, não falaria em socialismo, em produção de mercadoria, mas colocaria soluções mais fortes”.

Quais seriam as soluções fortes? Plínio responde: “As soluções concretas dos problemas concretos e em um discurso que aponte para a dinâmica dessa solução concreta. Vou dar um exemplo: reforma agrária, o que pode ser feito agora? O que pode ser feito agora é crédito. Em todo caso, o encaminhamento de uma solução que aponte para um desequilíbrio, uma desestabilização, uma dinâmica de transformação. O MST e a CNBB estão propondo o seguinte: as propriedades com mais de 1.000 hectares serão desapropriáveis, não quer dizer desapropriadas, o que permitirá muito maior flexibilidade. Qual é a solução para o programa educacional? Pagar melhor o professor, mais verba etc.”.

Plínio aponta para um programa com uma reforma agrária limitada, de acordo com a CNBB, e uma melhora na educação. Trata-se de uma reforma limitada no capitalismo, apresentada como uma solução concreta, alternativa a uma campanha ideológica pelo socialismo. Ou seja, é também um progama nos marcos do capitalimo.

Como já dissemos, uma campanha socialista não precisa se limitar a um patamar ideológico. Pode, a partir das reivindicações mais sentidas dos trabalhadores, como salário e emprego, mostrar a necessidade de estatizar os bancos e as multinacionais que controlam o país. No governo Lula os lucros dessas empresas se quadruplicaram. Só tocando na grande propriedade é que se poderá quadruplicar o salário mínimo atual para chegar ao proposto pelo Dieese.


Quais as diferenças programáticas entre Plínio e Martiniano?

Todos sabem que Plínio é o candidato da esquerda do PSOL e Martiniano Cavalcante o da direita. Mas isso não fica claro quando se lê os dois manifestos de apresentação das candidaturas. Em termos programáticos, ambos os documentos são muito semelhantes.

Além das denúncias do capital e do governo, param em um programa que se limita na auditoria da dívida externa. Não existe uma perspectiva de ruptura com o imperialismo, nem com o capitalismo. Ao contrario, aponta-se para uma reforma do capital.

Assim como o manifesto de Martiniano, o de Plínio não fala da necessária independência política e financeira da campanha eleitoral em relação aos distintos setores da burguesia. Não se fala do financiamento da Gerdau às candidaturas do PSOL em Porto Alegre, nem das alianças regionais com o PV gaúcho e o PSB no Amapá.


O que é isso, companheiro Plínio?

Um giro à direita de Plínio para garantir o apoio das correntes majoritárias do PSOL à sua candidatura seria um erro político. A resultante seria outro Plínio, um candidato da esquerda com o programa da direita do PSOL. Essa postura inviabilizaria uma frente socialista, além de anunciar mais uma frustração para a base do PSOL, com a continuidade de seu rumo atual.


Retirado do Site do PSTU