sábado, 13 de fevereiro de 2010

O debate sobre as pré-candidaturas do PSOL

Fracassada a coligação com o Partido Verde e Marina Silva, o PSOL decide sobre uma candidatura própria


Depois do fracasso das negociações com Marina Silva, o PSOL definiu lançar uma candidatura própria. Os pré-candidatos são Martiniano Cavalcante (apoiado pelo MES-MTL e por Heloísa Helena), Babá (CST) e Plínio de Arruda Sampaio (apoiado pela maioria das correntes de esquerda do PSOL, além da APS, Enlace e o grupo dos parlamentares do Rio).

A candidatura de Babá tem apresentado posições políticas corretas, mas todos dizem que sua corrente não levará sua candidatura até o final pela pouca representatividade. O debate se concentra ao redor das candidaturas de Plínio (o favorito para ser indicado na conferência) e Martiniano.


A candidatura de Martiniano Cavalcante

Martiniano é um dos fundadores do PSOL, um quadro político com grande capacidade de iniciativa e boa oratória. É o candidato da ala direita do partido, expressando a aliança entre MES e MTL, que defenderam o apoio do PSOL à candidatura de Marina Silva.

Tal política é defendida no manifesto de apresentação da candidatura de Martiniano: “Foram estas concepções que orientaram a correta procura de dialogo com a senadora Marina Silva” – diz o documento – “Esta atuação do PSOL demonstrou a todo o país, com fatos e não com discursos professorais, que ela e o seu PV preferiram se aproximar dos Tucanos e dos Demos”.

Segundo estas correntes, foi correto propor uma aliança com o PV, um partido burguês completamente corrompido, e com Marina Silva, que apoia o plano econômico de FHC e de Lula. Essa aliança só não saiu porque Marina preferiu se aliar com o PSDB e o DEM no Rio. Ou seja, a aliança do PSOL com Marina só não saiu porque o PV não quis, e Martiniano opina que isso foi corretíssimo, uma espécie de aula de tática política a ser aprendida e copiada.

O MES defende também o financiamento de grandes empresas ao PSOL, como o caso da Gerdau no Rio Grande do Sul. Sobre isso, Martiniano não fala, porque tem acordo que deva ser repetido.


Um programa nos marcos do capitalismo

Na formulação do programa para a campanha, Martiniano afirma que “a síntese desta compreensão política é o programa de campanha. Ele não pode ser uma plataforma de caráter diretamente socialista por pura impossibilidade das condições concretas”.

Obviamente, não vivemos um ascenso revolucionário no Brasil. Isso é aproveitado por correntes reformistas como o MES e MTL para defenderem programas de desenvolvimento no marco do capitalismo. Uma orientação socialista não precisa se limitar a um campo ideológico, pode partir das questões mais sentidas pelos trabalhadores, como, por exemplo, a defesa de um salário digno para mostrar como a dominação do grande capital (e o governo Lula) impedem que isso se dê, para apontar a necessidade de uma ruptura com o capitalismo e o imperialismo. A grande crise econômica que explodiu em 2008 – ainda que estejamos vivendo uma recuperação parcial e conjuntural – possibilitou a retomada da discussão ampla sobre o socialismo.

Depois, Martiniano acrescenta: “a correlação de forças não nos permite apresentar propostas gerais de estatização de setores econômicos, sejam da indústria ou dos serviços como educação e saúde”. Ou seja, não se pode defender a estatização nem dos bancos. Não se pode sequer propor uma educação e saúde estatais por causa da correlação de forças.


Martiniano defende a continuidade da política desastrosa do PSOL

O manifesto de Martiniano coerentemente afirma que “é preciso avançar muito, mas avançar na direção de aperfeiçoar os acertos políticos gerais que marcaram a fisionomia do PSOL desde a sua fundação até aqui”. Em outras palavras, é a reivindicação aberta dos rumos atuais do PSOL, do financiamento da Gerdau, da tentativa de acordo com Marina. É a defesa dos passos já seguidos pelo PT, que deu no que deu.


Qual o programa defendido por Plínio?

Plínio de Arruda Sampaio impõe um respeito natural pelos anos de militância e coerência. Em tempos em que a política se tornou para muitos uma forma de se arrumar na vida, a coerência militante de Plínio merece respeito.

Vamos nos dedicar à discussão de suas posições por ser o favorito e por ser o candidato da esquerda do PSOL. Como todos sabem, desde o ano passado o PSTU propõe uma frente socialista e classista. Um dos critérios fundamentais para viabilizá-la é a adoção de um programa socialista.

No entanto, Plínio está sendo chamado para um acordo com a APS, importante corrente do PSOL que também esteve envolvida nas negociações com Marina. A declaração de apoio da APS diz explicitamente: “Sendo assim (...) a CNAPS define o nome do companheiro Plínio como nosso pré-candidato para a Conferência Eleitoral Nacional do PSOL e propõe a necessidade de um acordo na medida em que ele não é pessoal, mas vinculado a um projeto político. Este acordo está relacionado ao programa de governo; à estratégia de campanha; a outras questões importantes do discurso a ser feito no decorrer desta pré-campanha; assim como aos seus desdobramentos políticos e organizativos”.

Existe claramente o risco de que, para ser candidato do PSOL, Plínio assuma o programa de suas correntes majoritárias. Isso, na verdade, já começa a ocorrer. O que pode ser notado na sua recente entrevista à revista Carta Capital (nº 581).


Qual balanço do governo Lula?

Ao ser questionado se achava que o governo Lula era melhor que FHC, Plínio responde: “Ah, de longe, muito melhor. É que o talento de Lula é maior que o de Fernando, Lula é um homem talentosíssimo. Ele é de certo modo, pegue a palavra com cuidado, ele é de certo modo um impostor, mas um impostor que acredita na própria impostura. É um demagogo, quando Lula chora, chora mesmo. Não é Jânio Quadros, que chorava lágrimas de crocodilo. Ele não, aquela explosão de choro quando o Brasil foi escolhido para a Copa... Imagine se o Fernando Henrique seria capaz de chorar. Aquilo tem um efeito popular enorme, porque é autêntico, porque é verdadeiro. E o Lula é um homem mais humano, sofreu mais, conhece mais”.

Partimos de uma avaliação marxista, de classe, dos governos. Para qual classe social Lula governa? A mesma de FHC, ou seja, a grande burguesia. A avaliação de Plínio desconsidera as classes sociais e se enreda em uma avaliação subjetiva e simpática, completamente equivocada.

Em outra entrevista à Rede Vida, Plínio disse sobre o governo Lula que “o que é positivo tem que ser reconhecido e apoiado, mas o que está por baixo tem de vir à luz”. Na entrevista à Carta Capital, ele seguiu o mesmo raciocínio: “O quadro brasileiro é o seguinte: há quem está melhor do que estava, 20 milhões de pessoas que estão consumindo. A minha empregada está comprando um carro zero. Objetivamente, a inflação está segura, ainda é alta para alguns padrões, mas para nós aqui é uma maravilha. Todo mundo gosta de ver o Lula ao lado do Obama”.

Essa postura de apoiar o que existe de positivo e questionar o negativo do governo é completamente equivocada. Não vemos, por exemplo, nada de positivo na relação de Lula com Obama. Defendemos uma oposição global e clara sobre o governo, e isso impediria que tivéssemos um discurso comum nas eleições em um tema tão importante como o balanço do governo.

Plínio apresenta um recuo em relação á postura do PSOL em 2006. Naquele ano, tivemos várias polêmicas com Heloísa Helena, que deixou de lado o programa que tínhamos definido em comum na Frente de Esquerda, para defender essencialmente a queda na taxa de juros. Isso nos levou a várias polêmicas públicas com ela. Mas, justiça seja feita, em nenhum momento Heloísa teve essa posição de Plínio perante o governo Lula. Em todos os momentos da campanha, manteve-se na oposição intransigente a Lula e Alckmin.

Como se não bastasse, Plínio faz a seguinte avaliação de Serra: “O Serra é melhor que o Fernando Henrique. Mas é o Fernando Henrique. Ele é mais nacionalista que o Fernando Henrique. Eu conheço bem o Serra, nós estudamos juntos em Cornell, fomos companheiros, trabalhamos juntos. Eu o conheço desde menino. Serra é mais decidido que Fernando, que só pensa nele mesmo. Há horas em que Serra não pensa só nele”


Programa será ou não socialista?

Na entrevista, Plínio também nega que sua campanha será em defesa do socialismo. “Não em campanha programática, ideológica, propagandista, não falaria em socialismo, em produção de mercadoria, mas colocaria soluções mais fortes”.

Quais seriam as soluções fortes? Plínio responde: “As soluções concretas dos problemas concretos e em um discurso que aponte para a dinâmica dessa solução concreta. Vou dar um exemplo: reforma agrária, o que pode ser feito agora? O que pode ser feito agora é crédito. Em todo caso, o encaminhamento de uma solução que aponte para um desequilíbrio, uma desestabilização, uma dinâmica de transformação. O MST e a CNBB estão propondo o seguinte: as propriedades com mais de 1.000 hectares serão desapropriáveis, não quer dizer desapropriadas, o que permitirá muito maior flexibilidade. Qual é a solução para o programa educacional? Pagar melhor o professor, mais verba etc.”.

Plínio aponta para um programa com uma reforma agrária limitada, de acordo com a CNBB, e uma melhora na educação. Trata-se de uma reforma limitada no capitalismo, apresentada como uma solução concreta, alternativa a uma campanha ideológica pelo socialismo. Ou seja, é também um progama nos marcos do capitalimo.

Como já dissemos, uma campanha socialista não precisa se limitar a um patamar ideológico. Pode, a partir das reivindicações mais sentidas dos trabalhadores, como salário e emprego, mostrar a necessidade de estatizar os bancos e as multinacionais que controlam o país. No governo Lula os lucros dessas empresas se quadruplicaram. Só tocando na grande propriedade é que se poderá quadruplicar o salário mínimo atual para chegar ao proposto pelo Dieese.


Quais as diferenças programáticas entre Plínio e Martiniano?

Todos sabem que Plínio é o candidato da esquerda do PSOL e Martiniano Cavalcante o da direita. Mas isso não fica claro quando se lê os dois manifestos de apresentação das candidaturas. Em termos programáticos, ambos os documentos são muito semelhantes.

Além das denúncias do capital e do governo, param em um programa que se limita na auditoria da dívida externa. Não existe uma perspectiva de ruptura com o imperialismo, nem com o capitalismo. Ao contrario, aponta-se para uma reforma do capital.

Assim como o manifesto de Martiniano, o de Plínio não fala da necessária independência política e financeira da campanha eleitoral em relação aos distintos setores da burguesia. Não se fala do financiamento da Gerdau às candidaturas do PSOL em Porto Alegre, nem das alianças regionais com o PV gaúcho e o PSB no Amapá.


O que é isso, companheiro Plínio?

Um giro à direita de Plínio para garantir o apoio das correntes majoritárias do PSOL à sua candidatura seria um erro político. A resultante seria outro Plínio, um candidato da esquerda com o programa da direita do PSOL. Essa postura inviabilizaria uma frente socialista, além de anunciar mais uma frustração para a base do PSOL, com a continuidade de seu rumo atual.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 31 de janeiro de 2010

Fórum Social Mundial/2010: Dirigentes falam sobre perspectivas do congresso de unificação em junho

Durante a reunião Nacional da Conlutas, no Fórum Social Mundial Temático da Bahia, dirigentes sindicais, do movimento estudantil e popular falaram para o Portal do PSTU sobre as expectativas em relação ao Congresso dos Trabalhadores, que acontecerá em junho deste ano. Segundo Cabral, do Sindicato dos Químicos e Farmacêuticos de São José dos Campos e Região e do grupo Unidos para Lutar, a expectativa é de um debate fraterno: “Sabemos que temos diferenças, mas não queremos que elas não sobreponham a um processo muito maior que é o da construção de uma nova central sindical e popular contra o peleguismo e aqueles que traem a classe trabalhadora”.

A Assembleia Nacional de Estudantes – Livre (ANEL), que participou dos seminários sobre reorganização sindical em diversas capitais e regiões do país, acredita que a unidade operária, estudantil e popular é importante para o conjunto das lutas no Brasil. “Experiências mostraram que a consolidação da aliança da classe trabalhadora com o movimento estudantil, o movimento de combate às opressões e os movimentos populares numa única organização pode ter conseqüências importantes para o conjunto da luta de classes no país”, comentou Camila Lisboa, da comissão executiva da ANEL.

O Seminário Nacional sobre a reorganização do movimento sindical em novembro do ano passado, que deliberou pela construção do Congresso dos Trabalhadores em junho deste ano, para Penha, do Sepe-RJ, foi um passo vitorioso da classe trabalhadora brasileira. “Eu me senti construindo a CUT lá atrás. Chegamos desanimados, achando que não ia sair nada, mas cada um cedeu um passinho a frente e saiu o congresso pra junho. Agora, nós esperamos e batalhamos para que no meio do ano a unificação aconteça”, disse.

Para Zé Maria, da direção nacional do PSTU, a expectativa é de que o congresso possa firmar a unificação entre a Conlutas, a Intersindical, o MTL, o MTST, a Pastoral Operária e o Movimento Avançando Sindical em uma nova central, mas ao mesmo tempo manter o conteúdo político do projeto que vem sendo cumprido através da Conlutas.

“Queremos manter a estratégia socialista, construir uma organização que reúna todos e todas que queiram lutar contra o capitalismo, dos trabalhadores que estão organizados nos sindicatos, aos movimentos populares, passando pela juventude e os movimentos de luta contra as opressões. Nós queremos que seja uma organização democrática, que funcione em base no critério de democracia operária, na qual, a base deve decidir os rumos da central. A construção do Congresso, portanto, vai exigir um esforço organizativo, financeiro e político muito grande para que não só consolide a unificação, mas também que essa consolidação seja fundada nesse conteúdo construído durante esses anos no interior da Conlutas”, finalizou o dirigente.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 30 de janeiro de 2010

Ceará-Mirim/RN: Policiais agridem manifestantes e vereadores aprovam ataque aos professores

Protesto de professores exigia adiamento da votação do Plano de Cargos e Salários


Parte do cordão de policiais que cercou a Câmara. Abaixo, manifestante ferida
Os trabalhadores da educação de Ceará-Mirim (RN) viveram momentos de horror no início da noite desta quinta-feira (28), durante a sessão da Câmara Municipal que aprovou o Plano de Cargos, Carreira e Salários dos professores (PCCS). Os vereadores do município utilizaram força policial para aprovar o projeto, elaborado pelo prefeito Antônio Peixoto (PR), que rebaixa salários e retira direitos da categoria. Cerca de 70 manifestantes, entre professores, estudantes e ativistas sindicais, tentaram impedir a aprovação do PCCS ocupando o plenário da Câmara e exigindo o adiamento da votação até março. A polícia foi chamada e expulsou com violência os trabalhadores do prédio. Uma estudante, menor de idade, ficou ferida e teve de ser socorrida por uma ambulância.

O protesto dos manifestantes do Fórum Contra a Opressão Social e Política (FCOSP) pedia a suspensão da votação do projeto para que os professores tivessem tempo de discuti-lo, já que o prefeito enviou o Plano nas férias da categoria. Dentro do plenário, de forma pacífica, os trabalhadores denunciavam a imposição do projeto. “A votação é hipocrisia, só mostra que não tem democracia!”, gritavam todos.

Entretanto, como se não bastassem os ataques contidos no Plano, a Câmara Municipal ainda resolveu usar a violência para aprová-lo a todo custo. A ordem para reprimir os manifestantes partiu do presidente da Câmara, Roberto Lima (PR), e contou com o apoio do restante dos vereadores.

A revolta era grande. Enquanto a polícia empurrava os trabalhadores para fora da Câmara, alguns professores gritavam desesperados para os vereadores: “A gente é professor! A gente é trabalhador! Isso é um absurdo! Vocês são uns traidores!”. A diretora do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Ceará-Mirim (Sinte) e militante do PSTU, Ana Célia, apontou o prefeito e os vereadores como os responsáveis pela situação e denunciou a falta de democracia no município. “Isso é um absurdo. Isso não é democracia. Meia-dúzia de pessoas estão decidindo o futuro da profissão e da vida de uma categoria de trabalhadores”, afirmou.


Ditadura

A ação violenta da polícia resultou em séria agressão a uma adolescente, filha de uma professora do município. Esperando o socorro deitada no chão, a jovem não conseguia respirar e sentia dores na coluna. O comandante da repressão policial, Capitão Fernandes, ainda ironizou os protestos que os manifestantes fizeram contra a violência: “A gente nem usou a força. Se a gente usar, não vai ficar só um no chão, não”, disse.



Não satisfeitos em expulsar os manifestantes da Câmara, os policiais ainda retiraram à força os trabalhadores que permaneciam protestando no meio da rua e numa praça em frente ao prédio da Câmara. A enfermeira e dirigente sindical, Simone Dutra, questionou a ação truculenta da polícia. “Cadê a Constituição? Mostre a lei que diz que eu não posso ficar na rua”. A resposta do policial demonstrou, claramente, a situação que vive o município: “Quem manda aqui é a polícia”. Um policial também tentou quebrar a câmera do jornalista do sindicato, que filmava toda a violência. Até mesmo o efetivo policial de municípios vizinhos foi acionado para reprimir a manifestação.

Revoltada, uma professora fez um desabafo: “Por que está tirando o pessoal da pracinha? Não existe isso. A praça é pública. Como é que querem tirar o povo aqui da pracinha?! Tem que tirar eles lá de dentro. Bando de canalha e covarde. E não o povo aqui da pracinha. Esse é o retrato do governo de Peixoto. Violência. É uma ditadura militar o que Ceará-Mirim está passando”.

Mesmo isolados da Câmara, os trabalhadores continuaram protestando contra a aprovação do Plano, armada pelo prefeito Antônio Peixoto e por seus vereadores. “Prefeito, vereador! Estão unidos pra acabar com o professor!”, continuavam gritando todos. Quando a sessão terminou, por volta das 21 horas, os vereadores que aprovaram o PCCS tiveram de ouvir uma sonora vaia ao saírem da Câmara. Além dos manifestantes, a população que saiu de suas casas para ver o que estava acontecendo também vaiou.


Plano de Cargos

Os professores de Ceará-Mirim, junto com o sindicato da categoria, já vinham lutando há vários dias contra os projetos autoritários de número 12 e 15 do prefeito da cidade. Na semana passada, depois de muitas mobilizações pelo município, os trabalhadores e a população conseguiram fazer com que a prefeitura retirasse, temporariamente, da Câmara o projeto nº 12, que prevê a venda da receita do município para uma financeira. Entretanto, a repressão policial, comandada pelo prefeito e pelos vereadores, conseguiu aprovar o projeto nº 15, que impõe um Plano de Cargos que retira direitos dos professores e ataca os salários.

“Com esse projeto da prefeitura, os salários vão diminuir, a idade média para se aposentar aumentará para 60 anos e os professores só receberão suas gratificações se forem bem avaliados pela secretaria de educação. Vão implantar a Avaliação de Desempenho para retirar nossos direitos”, denunciou Ana Célia, diretora do sindicato.

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Ceará-Mirim, junto com o Fórum Contra a Opressão Social e Política, vai iniciar uma forte campanha de denúncia sobre o que aconteceu na noite desta quinta-feira. A perspectiva da direção do Sinte é convocar uma greve da categoria já para o mês de março.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 23 de janeiro de 2010

PSTU vai ao Fórum Social denunciando ocupação do Haiti e crise capitalista

Partido estará em Porto Alegre e em Salvador, afirmando que um mundo socialista é possível


Em 2010, no Brasil, acontecem duas edições do Fórum Social Mundial (FSM). Em Porto Alegre, entre os dias 25 a 29 de janeiro, e em Salvador, entre os dias 29 a 31 de janeiro. O Fórum é uma oportunidade de avançarmos na discussão sobre qual alternativa que os trabalhadores e dos socialistas devem assumir diante de uma das maiores crises da economia capitalista da história.

Em ambos os eventos vemos a direção do Fórum apostando em uma saída para a crise do capitalismo a partir da parceria com as grandes empresas, os governos burgueses ditos “progressistas” e as ONGs, com suas políticas assistencialistas.

Essa colossal crise da economia capitalista provocou o aumento do desemprego, a redução de direitos e salários. Mas a crise também abriu uma situação que permite que os socialistas revolucionários disputem a consciência da classe trabalhadora, apresentando a necessidade de lutarmos pela destruição deste sistema e de que, mais do que nunca, um mundo socialista é possível.

Mas um outro mundo só será possível se rompermos com o capitalismo e lutarmos pelo socialismo. Esta luta, porém, não poderá ser travada em aliança com a burguesia, seus governos, empresas e instituições.


UMA SAÍDA SOCIALISTA PARA A CRISE

O PSTU participará dos dois eventos para defender e fortalecer uma alternativa verdadeiramente socialista e revolucionária diante de uma das maiores crises do capitalismo.

Portanto, faremos uma dura polêmica com a direção do Fórum que nos últimos anos atrelou cada vez mais o evento aos governos supostamente “progressistas” do continente, empresas e ONGs.

Estaremos no Fórum para defender outro caminho. O caminho da auto-organização dos trabalhadores e do conjunto dos explorados e oprimidos, contra a burguesia e seus governos, como única forma de derrotar o capitalismo e construir o socialismo.


SOLIDARIEDADE DE CLASSE COM O HAITI

Estaremos no FSM para desenvolver a campanha de solidariedade ao povo do Haiti, e o chamado à retirada das tropas de ocupação. Assim como iremos denunciar a ajuda insuficiente que tem sido dada pelos grandes potências. Enquanto, no auge da crise econômica, foram gastos 25 trilhões de dólares para ajudar empresas e bancos, os trabalhadores e o povo haitiano recebem alguns milhares de dólares.

O partido vai apoiar as atividades organizadas pela Conlutas e pela Anel, as plenárias que discutirão a construção do Congresso de Unificação de junho de 2010 e as atividades de luta contra as opressões.

Confira as atividades que o PSTU irá participar no FSM


quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Tragédia no Haiti: Solidariedade, sim! Ocupação militar, não!

O terremoto no Haiti comoveu todo o mundo. O governo haitiano já fala em mais de 200 mil mortes. A Conlutas, o Jubileu Sul e outras entidades estão fazendo uma campanha para arrecadar fundos e entregá-los diretamente aos trabalhadores haitianos.

A cobertura das TVs mostra o terremoto, mas esconde questões fundamentais, para justificar a crescente ocupação do Haiti por tropas estrangeiras. É preciso que os trabalhadores brasileiros saibam algumas verdades que as TVs não dizem.

A primeira é que o número absurdo de mortes poderia ter sido evitado se a situação social do país fosse outra. Caso o terremoto tivesse ocorrido a algumas centenas de quilômetros dali, nos EUA, não haveria tantos milhares de mortos. A brutal miséria haitiana se somou ao caos dos serviços do Estado (médicos, bombeiros), que já eram
quase inexistentes.

A outra verdade é que a responsabilidade dessa situação não é dos haitianos, mas dos Estados Unidos, que controlam a economia do país há quase dois séculos. As multinacionais usam o Haiti para produzir roupas ao mercado norte-americano, pagando R$ 115 por mês aos trabalhadores. Eles têm de aceitar esse salário miserável, pois até 80% da população está sem emprego. Ou seja, a miséria haitiana dá grandes lucros às multinacionais, como a Levis.

A ocupação das tropas brasileiras, que já dura quase seis anos, nada fez para melhorar a situação social do país. Não foram construídos hospitais, nem foi ampliada a rede de esgotos ou o abastecimento de água.

A terceira questão escondida pelas TVs é o fracasso, ao menos até agora, da “ajuda humanitária” dos governos. Dezenas de milhares de pessoas não foram resgatadas dos escombros a tempo e morreram. Foram os haitianos, com as próprias mãos, que tentaram socorrer as vítimas. Outras dezenas de milhares de feridos esperaram em vão pelo socorro médico, e morreram nas ruas. As TVs mostram os pouquíssimos resgates, sem explicar porque as estimativas de mortos sobe a cada dia.

Sobreviventes se amontoam nas ruas. A fome e a sede crescem, porque a “ajuda” não chega. Os caminhões da ONU param por alguns minutos, formam filas, despejam algumas cestas e fogem rapidamente, para evitar saques. Helicópteros norte-americanos lançam algumas cestas do ar. Mas a comida e os remédios não chegam até um milhão de pessoas, que esperam e esperam. Isso acontece porque o tamanho da ajuda é completamente insuficiente. Os mesmos governos que foram capazes de dar 25 trilhões de dólares a bancos e empresas no auge da crise econômica, agora reservam alguns poucos milhões ao povo do Haiti.

A ONU disponibilizou 100 milhões de dólares, quando gastou 3,5 bilhões com a ocupação militar nestes quase seis anos. O governo Lula gastou 600 milhões de dólares com as tropas e oferece agora de 10 a 15 milhões. Um desastre internacional, que a TV não mostra.


São os haitianos que devem controlar a reconstrução do país

Os EUA ocuparam de novo o país, enviando 15 mil soldados para o Haiti. Os marines tomaram o aeroporto haitiano, sem pedir licença a ninguém, decidindo os aviões que podem e os que não podem pousar no país.

As tropas brasileiras foram afastadas da condução do processo, como quem já cumpriu seu papel sujo. Não é verdade que elas estavam em uma “missão humanitária”. Seu papel era “manter a ordem”, a serviço das multinacionais. Isso independe da boa vontade de vários soldados, que viajaram para lá com boas intenções. Mas o papel das tropas é definido pelo comando e pelo governo brasileiro.

Foram as tropas brasileiras que reprimiram as mobilizações recentes dos haitianos. A greve dos operários têxteis, em agosto passado, em defesa de um salário mínimo de R$ 190, durou duas semanas e só foi derrotada pela repressão pelas tropas, terminando com duas mortes. As lutas estudantis de novembro contra a ocupação foram duramente reprimidas pelas tropas brasileiras, que prenderam 20 estudantes. E agora, que a situação ficou mais difícil, os EUA assumiram de novo a ocupação militar.

Os saques são usados para justificar a presença das tropas. Os haitianos estão sendo mortos pela polícia e pelos soldados. As tropas são incapazes de garantir comida e remédios. Mas são “necessárias” para reprimir o povo faminto que, sem alternativa, saqueia os supermercados. Tropas para garantir a propriedade privada e não a solidariedade necessária.

Nem soldados norte-americanos, nem brasileiros! Quem deve controlar a reconstrução são os próprios haitianos!

O governo brasileiro deve retirar imediatamente as tropas e mandar o dinheiro que gastaria em termos militares sob a forma de comida, remédios, pessoal de saúde e resgate.


Transformar a solidariedade em ação concreta

A Conlutas, Jubileu Sul e outras entidades lançaram a campanha de solidariedade ao povo haitiano, apontando a necessidade de entregar essas contribuições diretamente aos trabalhadores desse país, ao mesmo tempo em que denunciam a ocupação militar.

A Conlutas chama os sindicatos e entidades a conseguirem contribuições dos trabalhadores e estudantes nas escolas e locais de trabalho, em uma grande campanha de solidariedade. Para isso, já foi aberta uma conta bancária específica (Banco do Brasil: Coordenação Haiti, ag.4223-4, conta 8844-7).

A proposta é entregar todo o valor arrecadado para a organização Batay Ouvriye (Batalha Operária), maior organização do movimento operário e popular do Haiti.


PSTU - Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

A vergonha chamada Boris Casoy

Áudio vazado revela caráter deste aliado da ditadura


É recorde de acessos no YouTube um vídeo em que o jornalista Boris Casoy, sem perceber que sua voz vazava durante um intervalo, humilha garis que apareceram na edição do Jornal da Band, de 31 de dezembro de 2009, desejando feliz ano novo aos brasileiros.

Casoy, ferrenho opositor dos movimentos sociais e direitista de carteirinha, fez o seguinte comentário, vindo de suas entranhas fascistas:

Que merda... Dois lixeiros desejando felicidades do alto de suas vassouras... Dois lixeiros (risos). O mais baixo da escala do trabalho”.




No dia seguinte, 1º de janeiro, pressionado pela direção da emissora, Casoy leu uma nota em que pedia desculpas. A emenda ficou pior do que o soneto, já que a leitura do teleprompter (dispositivo por meio do qual os apresentadores leem as notícias) ocorreu da forma mais burocrática e cínica possível.

Em entrevista à Folha, porém, Casoy parece lamentar mais o vazamento de áudio do que sua frase.


Aliado da ditadura

O fato ocorrido com Boris Casoy não é isolado e pode servir de parâmetro para demonstrar o que pensam as cabeças dos que comandam os grandes veículos de comunicação, agentes da classe dominante e a serviço da perpetuação da exploração contra os trabalhadores.

Apesar de muitos terem se surpreendido com a atitude de Boris, esta figurinha nunca foi "flor que se cheire". Sempre bateu de frente com os movimentos dos trabalhadores, é inimigo declarado do MST e participou de governos da ditadura.

Para se ter uma ideia, o dono do bordão “Isto é uma vergonha” é acusado de participar, quando era estudante do Mackenzie, em São Paulo, do Comando de Caça aos Comunistas (CCC), o grupo que promoveu inúmeros atos terroristas durante a ditadura militar.

Ainda de 1968, o direitista foi nomeado secretário de imprensa de Herbert Levy, então secretário de Agricultura do governo biônico de Abreu Sodré, em plena ditadura.

Também foi assessor do ministro da Agricultura do general Médici, na fase mais dura das torturas e mortes do regime militar.

Anos depois, Casoy foi para a Folha de São Paulo, jornal que mantinha uma relação simpática e próxima ao regime ditatorial.

Somente em 1988, Boris Casoy apareceu em rede nacional, no SBT, com seu TJ Brasil. No decorrer dos anos e com algumas trocas de tevês, sua fala arrogante e seu ódio de classe foram aumentando, até chegar ao episódio do último dia de 2009.

Que o terrível episódio da humilhação contra os garis desmascare definitivamente este parasita do capitalismo, travestido de paladino da ética e da moral.


Retirado do Site do PSTU