quarta-feira, 25 de julho de 2012

Carta aos socialistas do PSOL de Goiânia

Leia a carta divulgada pelo PSTU Goiânia sobre o envolvimento do vereador Elias Vaz (PSOL) com o bicheiro Carlinhos Cachoeira


Estimados companheiros e companheiras,

A intenção dessa carta é tornar pública nossa posição enquanto partido a respeito das denúncias sobre Elias Vaz e sua relação com o bicheiro Carlinhos Cachoeira, bem como fazer um chamado a uma reflexão mais ampla sobre os rumos que vem trilhando o PSOL.

Não escrevemos com alegria, mas com preocupação. A militância do PSOL, junto conosco, faz parte da oposição de esquerda aos governos, leva em seu nome o “socialismo” e é assim amplamente reconhecida. No momento em que o vale-tudo da política desgasta os partidos tradicionais, que já viraram piada perante a população, a tarefa dos socialistas é mostrar claramente que somos o oposto de tudo isso que está aí! Por isso somos os que estão na luta! Os que arriscam seus empregos na defesa dos direitos dos trabalhadores! Os que lutam de maneira intransigente contra os governos capitalistas e seu sistema injusto e corrupto! Os que se entregam de corpo e alma à luta dos trabalhadores!

Quando um dirigente de um partido como o PSOL se envolve num caso que é manchete de corrupção em todos os jornais, é inescapável que essa desconfiança nos partidos tradicionais recaia nas costas de todos os partidos que se dizem representar os interesses dos trabalhadores. Consequentemente, na consciência das amplas massas, as denúncias de corrupção contra Elias Vaz, conhecida figura pública do PSOL, que chegou a despontar em segundo lugar nas pesquisas para a prefeitura de Goiânia, não ficam somente com o PSOL. Elas têm reflexo sobre o conjunto da oposição de esquerda, uma vez que semeiam a desconfiança, inclusive entre os setores mais esclarecidos dos trabalhadores. Por isso, diferente da direita tradicional e do PT, que ficam felizes com essas denúncias, pois elas os possibilitam alegar que somos corruptos como eles, nós do PSTU não ficamos.

E entendemos que a corrupção de um dirigente, individualmente, não pode necessariamente nos levar à conclusão de que uma organização inteira é corrupta. Nenhum de nós está livre da possibilidade de ter oportunistas em nosso meio. No entanto, sempre que surge alguma dúvida sobre o caráter de algum de nossos membros, a posição defendida pela direção passa a ser o critério definidor de até que ponto nossas organizações estão dispostas a aceitar a degeneração e a traição de classe. Até que ponto os cálculos eleitorais e de aparato se sobrepõe aos princípios socialistas.


Como agiu a Direção do PSOL?

Nesse sentido, companheiros, o que mais nos preocupa é a postura da direção e das figuras públicas do PSOL frente às acusações. Diante de uma escuta telefônica que mostra Elias Vaz chamando Cachoeira de “companheiro”, a posição majoritária do alto comando do PSOL foi a de proteger e blindar o vereador, sob o manto legalista de garantir o seu direito de defesa “antes de qualquer providência”.

Nós somos totalmente favoráveis ao direito de ampla defesa! No entanto, não o utilizamos como manobra burocrática para encobrir um verdadeiro escândalo. Um parlamentar socialista que é flagrado chamando o chefe de uma quadrilha nacional de corrupção de “companheiro” deve ser imediatamente afastado de suas funções até que se concluam as investigações! Isso é o mínimo! É o que exigimos quando qualquer político burguês é flagrado em uma situação do tipo: que se afaste e depois se explique! Foi o próprio PSOL que iniciou a campanha pelo “Fora Agnelo”, no início das denuncias sobre Cachoeira! Por que não “Fora Elias”? Os corruptos que reivindicam o “socialismo” merecem um processo mais ameno do que os corruptos tradicionais?

Nós do PSTU achamos que é justamente o contrário. A corrupção não pode, em hipótese nenhuma, ser tolerada entre os socialistas. Menos ainda entre os dirigentes e as figuras públicas. Achamos uma vergonha a tolerância e, mais que isso, a blindagem de um dirigente que chama de “Companheiro” um dos chefes da máfia em nosso país.

“Companheiro”, estimados camaradas, significa “aquele que come do mesmo pão”. Essa expressão acabou sendo banalizada pelo PT. Mas nós, revolucionários, fazemos questão de usá-la da maneira apropriada. E nós nunca comemos nem comeremos do mesmo pão que Carlinhos Cachoeira!

Este fato, por si só, já mereceria sérias reflexões por parte da militância do PSOL e achamos louvável o posicionamento público e a luta de alguns companheiros para manter limpa a bandeira que defendem. No entanto, a postura da Direção do PSOL nesse episódio não foi um fato isolado! A Direção do PSOL vem sendo sistematicamente conivente com o conjunto de práticas que transformou o PT da década de 1980 no PT que existe hoje! Coligações com legendas de aluguel da burguesia, financiamento de empresas privadas, conivência com a corrupção e, principalmente, desrespeito pela vontade da base do partido! É triste, camaradas, mas é inescapável a conclusão de que, nas polêmicas mais importantes que surgiram, a voz lutadora da base do PSOL foi calada com os métodos burocráticos de uma direção que age como qualquer direção de um partido de tendências: mais vale a luta pelo aparato do que a sinceridade, a autocrítica ou do que a vontade soberana da base que constrói o partido nas lutas do dia-a-dia!


Uma alternativa socialista e revolucionária centralizada democraticamente: a única opção realista!

Nesse momento, é importante lembrar o processo que levou à construção do PSOL. Em virtude dos rumos do primeiro governo do PT, cada vez mais abertamente pró-imperialista, uma parcela do que havia de melhor na vanguarda das lutas em nosso país teve a percepção da necessidade de avançar em uma alternativa para os trabalhadores. E teve a coragem de ousar ir além da chantagem política que o PT então fazia: a de que romper com o PT e construir um partido socialista significava uma opção pelo isolamento.

Apesar das incertezas, uma larga camada de ativistas e intelectuais, corajosamente, rompeu com o PT e se dedicou nos anos seguintes à construção do PSOL como uma possibilidade de alternativa. A militância do PSTU participou atentamente desse debate e pôs à prova a possibilidade de estar errada no momento que não aceitou as tendências permanentes e foi expulsa do processo de construção do PSOL. Opinamos hoje, muito francamente, que se exitiu em 2003 a dúvida sobre qual forma de partido era mais democrática (o de tendências permanentes ou o que se centraliza democraticamente), os episódios dos últimos anos vem mostrando claramente a quem serve a suposta liberdade dos partidos de tendências: é a liberdade para os dirigentes fazerem o que bem entendem, sem precisar se explicar para a base que constrói o partido.

A rapidez com que o PSOL está adotando os métodos do PT nos deixa tristes, mas aumenta nossa convicção no formato leninista de partido. Acreditamos que o rumo do PSOL em direção às mesmas concessões que levaram o PT a construir um governo pró-imperialista, que se apoia na ilusão dos trabalhadores para impor uma política capitalista, deve levar a uma profunda reflexão por parte dos camaradas, pois é necessário manter viva a esperança e a coragem que foi exigida no momento de romper com o PT! Era uma necessidade dos trabalhadores e da luta socialista construir uma alternativa, por mais minoritária que fosse naquele momento. E o processo de reorganização política e sindical que veio nos anos seguintes não só provou que a ruptura com o PT não era uma política rumo ao isolamento mas, ao contrário, era a única opção política consequente para fazer avançar a organização dos lutadores dos movimentos sindical, estudantil e popular.

Achamos que é chegada a hora de uma nova reflexão. Independente de nossas divergências táticas, o mesmo respeito e camaradagem com que atuamos no dia-a-dia com vocês nos obriga a fazer, de maneira franca, esse chamado: manter viva a esperança e a coragem de lutar pela vitória da revolução socialista no Brasil significa, neste momento, romper com o PSOL, como bravamente fez a camarada Noélia Brito em Recife.

De nossa parte, mantemos a disposição em discutirmos conjuntamente a construção de uma alternativa. Sabemos que nosso partido não é perfeito. Mas é por ele que lutamos e, com o método do centralismo democrático, controlamos coletivamente os rumos de nossa organização.

Mas independente da decisão de cada companheiro individualmente, continuaremos juntos nas lutas concretas dos trabalhadores. Achamos uma pena estarmos separados nas eleições, mas a posição do PSOL diante dos fatos aqui relatados não nos deixava outra opção. No entanto, queremos estar juntos na luta, pois na luta amadurecerá a classe operária e a juventude de nossa cidade! Na luta enfrentaremos o governo que vier, seja ele Paulo Garcia (PT) ou qualquer outro das coligações burguesas que estão na disputa pelo aparato da prefeitura de Goiânia.

E fazemos o chamado amplo aos setores honestos do PSOL, para que se recusem a reeleger Elias Vaz vereador! Nas eleições proporcionais, votem contra a corrupção e a capitulação! Votem contra burguês! Votem 16!

Saudações socialistas,

PSTU Goiânia


Retirado do Site do PSTU

Violência sem fim e sem fronteiras

Maioria das mulheres assassinadas é negra
Em 2011, a “Rede de Mulheres Afrolatinoamericanas, Afrocaribenhas e da Diáspora” elaborou um relatório intitulado “Situação dos direitos humanos das mulheres afrodescendentes da região latino-americana e do Caribe” cujos dados comprovam que, apesar das muitas especificidades de país a país, o drama das mulheres negras é praticamente o mesmo, e as atinge com a mesma intensidade em praticamente todos os países da região.

O primeiro problema tragicamente comum é a violência, considerada “estrutural” pelo relatório, e que se manifesta das formas mais diversas. É negra uma enorme parcela das mulheres atingidas pelo tráfico de “escravas sexuais”, pela violência doméstica, machista, e toda aquela decorrente do fato de que as mulheres, em termos gerais, estão entre os mais miseravelmente pobres e com menor acesso aos serviços de saúde ou qualquer outro tipo de assistência social. Junte-se a tudo isto, a violência racial e temos um quadro literalmente trágico.

No Brasil, onde se sabe que, anualmente, são assassinados 139% a mais de jovens negros (de 15 a 24 anos) do que brancos, não faltam exemplos de tudo isso. Um relatório do Fórum de Mulheres de Pernambuco (FMPE), lançado há pouco, chamou atenção para o fato de que a “mortalidade de mulheres por homicídio em Pernambuco, quando analisados a partir do critério de raça/cor explicitam como o racismo tem colocado as mulheres negras em situação de maior vulnerabilidade e como principais vítimas dos assassinatos de mulheres”.

Os dados não deixam dúvidas: “nos anos de 2007, 2008 e 2009, mais de 80% das mulheres assassinadas eram mulheres negras”. Números que pouco diferem dos demais países da região, nos quais, também, o assassinato é o ponto extremo de uma série de violências que, como apontou o relatório da “Rede”, se manifestam de “diversas formas de abuso e exploração sexual, exclusão, tráfico de pessoas e tráfico, violência doméstica e institucional e deslocamento territorial forçado”.

A falta de dados específicos sobre a violência cometida contra as mulheres negras é expressão do descaso que os governantes dos diferentes países têm em relação ao problema. No Brasil, por exemplo, sabemos que, por ano, cerca de 50 mil pessoas são assassinadas, o que corresponde a um verdadeiro genocídio, maior do que acontece na maioria das zonas de guerra do planeta. Como também é certo que a maioria é jovem, negra e pobre. Homens na maior parte, mas, de 1980 a 2000, as taxas de homicídios de mulheres praticamente dobraram no Brasil, passando de 2,37 para 4,32 por 100 mil mulheres.


A face mais asquerosa do machismo: a exploração sexual

Marcadas pela violência, pela exploração sem limites, pela falta de acesso à saúde, à educação e a moradia, mulheres latinas e caribenhas ainda expostas de um forma cruel a um dos aspectos mais nojentos do machismo: a exploração e violência sexual, a começar pela doméstica.

Apesar da escassez de dados, a “Pesquisa sobre Violência Sexual”, realizada em 2010 por Juan Manuel Contreras (do Centro Internacional de Pesquisa sobre a Mulher), revelou que, na América Latina e no Caribe, a violência sexual praticada por “parceiros íntimos” atinge entre 5% (República Dominica) e 47% (província de Cuzco, no Peru) da população feminina, enquanto os ataques feitos por “não parceiros” oscila entre 8% e 23%.

No Brasil, uma pesquisa ultra parcial (baseada nas ligações ao Disque 100, mantido pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República) demonstrou que foram registrados, entre 2003 e março de 2011, 52 mil denúncias de violência sexual (abuso e exploração comercial) contra crianças e adolescentes de todo o país, sendo que oito em cada dez vítimas são meninas.

Em todas as pesquisas, o estado de Pernambuco carrega o lamentável recorde nos índices de violência sexual (com números que variam de 14% a 30% de mulheres que já foram vítimas de “sexo forçado”). Uma situação que, infelizmente, só tem piorado com a chegada da primeira mulher à presidência do país.

Aqui, por exemplo, as obras do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), da Copa e das Olimpíadas, além de estarem cobertas pela lama da corrupção (Delta, Cachoeira, Demóstenes e Cia. Ilimitada) e de só atenderem aos interesses da burguesia, têm se voltado contra os trabalhadores, não só pelas péssimas condições de trabalho, como também pelas remoções forçadas e a militarização das áreas.

Como se isso não fosse o bastante, a pesquisa realizada pelo FMPE revelou um aspecto ainda mais asqueroso. O estado abriga uma das maiores obras de infraestrutura do PAC, o complexo portuário de SUAPE, que “contingentes de dezenas de milhares de trabalhadores têm se deslocado para a região (...) passam a viver em alojamentos em regime de confinamento. Só no segundo semestre de 2011, foram cerca de 25 mil trabalhadores chegando ao território integrado de SUAPE”, o que tem significado o “recrudescimento das redes de exploração sexual de meninas e mulheres para servir a estes contingentes masculinos”.

Situação que se repete continente afora, e quanto maior a concentração de negras pior é a situação, como revelou um artigo publicado pela agência Inter Press Service (IPS), com dados dos pesquisadores cubanos Inés María Martiatu e Desidério Navarro: “a propaganda turística feita em Cuba que mostra, em cartazes e cartões, jovens negras e mestiças na praias com menos roupa possível, sempre sozinhas e disponíveis”, as transforma em objetos sexuais, “pedaços de carne”, colocados “no mercado”.


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  • Retirado do Site do PSTU

    terça-feira, 24 de julho de 2012

    CUT e governo juntos com a Volks em defesa da reforma sindical e trabalhista

    Fac-símile
    Jornal da Volks apoia projeto do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
    Um ataque histórico aos trabalhadores está sendo planejado pelo governo, através da CUT, mais especificamente pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. O sindicato é autor do ACE (Acordo Coletivo Especial), um projeto de lei que, na prática, flexibiliza as relações trabalhistas.

    Agora, além destes personagens, o ACE ganhou uma nova aliada, a Volkswagen, que em seu jornal institucional, na edição 315 do dia 16 de julho, propagandeia o projeto e diz apoiar integralmente a iniciativa. Segundo Nilton Júnior, Diretor de Relações Trabalhistas da Volks no Brasil, “o projeto oferece a possibilidade de continuarmos desenvolvendo as melhores práticas nas relações trabalhistas em busca de alternativas transformadoras que contemplem os interesses da empresa e do trabalhador”. Mas o que leva a Volks a propagandear o ACE? É possível que empresa e sindicato defendam juntos um mesmo projeto?


    O que é o ACE?

    Este projeto estabelece que os CSE’s (Comitês Sindicais de Empresa) estejam em negociação permanente, podendo fazer acordos de qualquer tipo, e estes teriam validade jurídica, não se limitando à CLT. Ou seja, propõe que o negociado se sobreponha ao legislado. Regulariza, assim, o pacto social e a conciliação de classes que são praticadas desde a década de 90 pela direção do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC e a CUT, como as famosas Câmaras Setoriais.

    Não achamos que a CLT seja suficiente, pelo contrário, é cada vez mais insuficiente, principalmente porque vem sendo flexibilizada. Mas ela é uma conquista dos trabalhadores, assim não temos que lutar todos os anos pelos mesmos direitos. É mentira que não tem validade jurídica as conquistas com direitos superiores à CLT, as que são ilegais são as que retiram direitos. Inclusive, lutamos para que mais reivindicações e conquistas se transformem em leis, como a redução da jornada de trabalho para 36 horas sem redução de salário.


    Negociação permanente ou mobilização permanente?

    Não temos ilusão. Sabemos que, para que a lei mude em favor dos trabalhadores, teremos que lutar e sermos vitoriosos. Não há acordo com os patrões, ou qualquer medida que agrade a “gregos e troianos” e que proporcione conquistas reais aos trabalhadores, a não ser a unidade e mobilização.

    O sindicato argumenta que através do projeto não teríamos que aguardar a data-base para discutir nossas demandas, pois a negociação seria permanente em cada fábrica. Mas o sindicato não deve ficar dependente de negociações institucionais para defender as reivindicações da categoria. Nosso principal instrumento é a luta, e quando há mobilização obrigamos a empresa a abrir negociações, independente do mês ou do dia, independente se é data-base ou se a negociação é permanente.

    Talvez o maior exemplo seja as lutas no ABC no final dos anos 70. Mesmo durante a ditadura militar, a mobilização dos operários fez a patronal e o governo atender suas reivindicações, sem precisar para isso nenhuma “lei especifica”. A unidade da classe trabalhadora foi e é o determinante em seus avanços.


    Das lutas ao balcão de negócios

    Mas a CUT abandonou o classismo, a unidade e a mobilização dos trabalhadores e optou pelos balcões de negócios, a parceria com a patronal e o governo e por isso, hoje, joga contra os interesses da nossa classe. Na base do SMABC já são mais de 3.500 demissões, sem que tenha havido qualquer iniciativa de resistência. Pelo contrário, todas foram acordadas com o sindicato, sem que tivessem sequer tentado organizar e unificar a luta dos trabalhadores na categoria. Além das demissões, todas as montadoras estão fazendo acordos de longo prazo que retiram direitos e demitem. Ao invés de unir os trabalhadores de todas as fábricas que sofrem com os mesmos problemas, o sindicato aplica o ACE, negocia separado com cada patrão, e quem perde são os trabalhadores. Na prática, os trabalhadores do ABC já vêm fazendo uma experiência com o ACE, sendo reféns das empresas e sofrendo com a divisão da categoria.


    É impossível que o ACE favoreça empresa e trabalhadores

    Sabemos que o patrão só concorda com algo que é para favorecer os seus lucros e a história mostra que nenhuma grande conquista se dá somente pela negociação, sem que se faça mobilização e muita luta. Cada vez que os trabalhadores conquistam algo, o patrão perde lucro, e quando o patrão ganha, só ganha porque impõe mais exploração aos trabalhadores, por isso é impossível que empresa e trabalhadores se beneficiem com o mesmo projeto.

    O Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico, é uma verdadeira reforma trabalhista e sindical que pretende estabelecer negociação permanente sobre legislação trabalhista, abrindo sérios riscos de eliminação de direitos e conquistas, a fragmentação e isolamento da classe. É isso que explica o apoio e aprovação da Volkswagen e da FIESP.

    A luta contra as demissões na GM de São José dos Campos mostra que, diante dos ataques da patronal, o sindicato deve organizar a resistência e não vender prontamente os direitos dos trabalhadores.


    Retirado do Site do PSTU

    Governo gasta cada vez menos com servidores públicos

    Governo e imprensa investem em mentiras para atacar greve; no próximo dia 31, servidores federais realizam dia nacional de luta


    CSP-Conlutas
    Manifestação em Brasília no dia 18 de julho
    A intransigência do governo Dilma não vem sendo capaz de arrefecer a greve do funcionalismo público federal, que se arrasta há mais de dois meses como no caso das universidades. Após uma semana de intensas mobilizações em Brasília, que incluíram um acampamento dos servidores na Esplanada dos Ministérios, uma marcha que reuniu pelo menos 10 mil pessoas no último dia 18 e um ato que “trancou” o Ministério do Planejamento, os servidores planejam um dia nacional de luta para o próximo dia 31.

    Proposto pelo Fórum Nacionais das Entidades dos Servidores Públicos Federais, o dia de mobilização foi encampado pela CSP-Conlutas, além da CUT e da CTB, que devem se reunir no próximo dia 25 para definir as ações nos estados. “O dia de luta vai combinar as reivindicações dos servidores em greve, mas também questões mais gerais dos trabalhadores, como a luta contra a reforma trabalhista, a ameaça de ataque à Previdência e a luta por moradia e reforma agrária” , explica Paulo Barela, da Secretaria Executiva Nacional da CSP-Conlutas.

    O dia nacional de luta tem o objetivo de superar a intransigência do governo Dilma, que orientou o corte no ponto dos grevistas. Por enquanto, o governo se limitou a apresentar uma proposta aos docentes das universidades federais, recusada, pois destrói o plano de carreira da categoria e estabelece reajuste a apenas uma pequena parcela dos docentes. Os outros setores parados nem ao menos foram chamados para negociar. O dia 31 é o prazo dado pelo governo para incluir os gastos com folha de pagamento no Orçamento do próximo ano.


    A falácia do “aumento” aos servidores

    O governo e a grande imprensa martelam falácias para atacar a greve e estigmatizar os servidores públicos, a exemplo dos piores anos do neoliberalismo. Entre os argumentos utilizados para tentar desmoralizar a categoria, está o suposto “aumento” dado pelo governo Lula ao funcionalismo nos últimos anos. No entanto, apesar das concessões arrancadas pelos servidores após greves e mobilizações, o governo Lula gastou com servidores, comparativamente ao PIB, menos que FHC. Enquanto o governo neoliberal de FHC gastou com pessoal o equivalente a 6% do PIB, os gastos no governo Lula ficaram em 4,2%.

    “E a única concessão que o governo Dilma deu, no ano passado, através da MP 568 e só aprovada em março passado, tem um impacto de R$ 1,65 bilhão, um valor insignificante considerando o universo de quase 670 mil servidores” , explica Barela. Ou seja, ao contrário do que afirmam sistematicamente a imprensa e analistas do mercado ou do governo, não se gasta muito com servidores no país. Ao contrário. E a situação tende a piorar.

    De acordo com a Auditoria Cidadã da Dívida, a participação dos gastos com pessoal no Orçamento vem caindo drasticamente, de 56,2% da Receita da União em 1995 para apenas 32,1% em 2011. Isso se reflete nos salários dos servidores, que em muitos casos sequer tem a reposição da inflação dos últimos anos.

    Para piorar, os concursos públicos estão paralisados no governo Dilma e os servidores que se aposentam não são substituídos por novos funcionários. Resultado: aumenta-se o déficit de pessoal no serviço público. “Há a perspectiva que 280 mil servidores se aposentem até 2015” , adverte Barela, apontando que, para se voltar ao nível de 2010, teriam que ser contratados 350 mil servidores. Mas a política do governo vem sendo terceirizar as carreiras de nível intermediário e auxiliar, ao invés de investir em novas contratações.

    Outra relação omitida são os gastos da dívida pública em comparação aos gastos com servidores. A reivindicação geral dos servidores, de 22% de reajuste linear, consumiriam R$ 35 bilhões ao ano. Algo como o equivalente a duas semanas de pagamento da dívida pública (R$ 2,1 bilhões por dia, R$ 708 bilhões ao ano). Mas isso, a imprensa e o governo não dizem.


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 21 de julho de 2012

    Nota do PSTU sobre a saída do MTST da CSP-Conlutas

    Entre os dias 13 e 15 de julho, se realizou no Rio de Janeiro a reunião da Coordenação Nacional da CSP-Conlutas em que a direção do MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) anunciou a saída da central baseada em injustas acusações ao PSTU. O partido lamenta a saída do MTST da CSP-Conlutas e manifesta total desacordo com suas alegações.

    Causou-nos surpresa a saída dos companheiros da CSP-Conlutas, visto que, apesar de diversas diferenças, havia pelo menos um grande acordo na necessidade da construção de uma central que fosse um instrumento que unificasse a luta do movimento sindical e popular. O anúncio do MTST não se justifica e causa estranheza por, em nome da unidade, sair da central que é a única e inédita experiência em nosso país de uma organização de massas, uma frente única, que se propõe a unir o movimento sindical e o movimento popular, além do movimento estudantil e movimentos de lutas contra as opressões.

    As alegações em relação ao PSTU não procedem. Nos últimos anos, o PSTU deu uma enorme batalha no movimento na defesa da unidade e integração do movimento sindical e popular e, dessa forma, abandonou a cômoda posição defendida pela maioria da esquerda de constituir meramente uma nova central sindical. Desta forma, o PSTU se orgulha de, junto com outras organizações, apoiar a fundação da CSP-Conlutas.

    Neste marco, o PSTU apoiou e estimulou os movimentos populares, em particular o MTST, com quem nossos militantes sempre mantiveram relações leais, fraternas e de absoluta colaboração tanto nas lutas como em seu desenvolvimento e estruturação em diversos estados.

    Da mesma maneira que apoiamos o MTST, o PSTU apóia outros movimentos populares, tais como: MUST Pinheirinho, Quilombo Urbano, Ocupação San Remo, Luta Popular, etc. O partido entende que a CSP-Conlutas, enquanto uma entidade plural, deve estar aberta e abrigar todos os movimentos de luta dos trabalhadores e do povo.

    A luta em defesa do Pinheirinho, a luta popular de maior impacto no país nos últimos anos, protagonizada pelo MUST Pinheirinho e a CSP-Conlutas, já é um resultado do avanço na integração do movimento sindical e popular, que abriu um novo momento na resistência à “contra-reforma urbana” e desencadeou um processo de reorganização do movimento popular urbano no Brasil em que a CSP-Conlutas é um ponto de referência nacional.

    O processo do Pinheirinho fortaleceu e aproximou vários movimentos populares da CSP-Conlutas. Assim, além do MTST, outros movimentos de luta por moradia passaram a se alinhar com a central potencializando ainda mais seu caráter e ampliando de forma legítima a participação desses movimentos, que também são parceiros na luta contra os governos e o capital.

    Reconhecer o papel e legitimidade do MTST não pode representar a exclusão de outros movimentos populares, sob o risco de cair no “hegemonismo” que o MTST tanto critica. O MTST não detém o monopólio de representação do movimento popular.

    A CSP-Conlutas, enquanto uma central sindical e popular, um organismo de frente única, se construiu baseada no método da democracia operária, em que a base decide e não as tendências através de acordos de cúpula. Por isso, e por protagonizar uma série de enfrentamentos contra os ataques dos governos e dos patrões, a CSP-Conlutas se constitui na mais importante ferramenta de luta e alternativa às centrais governistas, e deve ser defendida e apoiada por todos aqueles que queiram dar um combate conseqüente por uma alternativa operária e socialista.

    Diante disso, o PSTU lamenta a decisão do MTST e chama os companheiros a reverem suas posições e reafirma sua defesa da construção da CSP-Conlutas como uma entidade plural baseada na democracia operária.


    Retirado do Site do PSTU

    Ditadura Assad pode estar vivendo seus últimos momentos na Síria

    Batalhas entre o Exército Livre da Síria e as forças do ditador se dão rua por rua na capital Damasco


    Membros do Exército Livre da Síria
    A crise da ditadura de Bashar al Assad se aprofunda diante da intensificação da insurreição armada contra seu governo através de uma nova ofensiva iniciada no último dia 15. Os combates, antes restritos a cidades como Homs ou Hama, redutos dos rebeldes, já atingem a capital Damasco e, neste dia 18, fez duras baixas na cúpula militar do ditador sírio. A ditadura da família Assad já perdura há 46 anos no país.

    Um atentado da oposição matou quatro membros do alto escalão das Forças Armadas sírias, entre eles o ministro da Defesa e general Dawould Rajh e o também general Assef Shawkat, cunhado de Assad e ministro do Interior. Os membros do Estado Maior do Exército sírio foram mortos pela explosão de uma bomba durante uma reunião no prédio da Segurança Nacional.

    O governo afirma ter se tratado de um atentado suicida, mas o Exército Livre da Síria (ELS), que reivindica o ataque, informou que plantou o explosivo no local. Seja qual o método utilizado pelos rebeldes, fica claro que ele só pôde ser realizado com o apoio de pessoas próximas ao regime, o que indica o avanço de divisões no seio da ditadura de Assad. As defecções em massa das fileiras do Exército já indicavam essa tendência.




    Vídeo postado pelos rebeldes no último dia 15

    Os confrontos entre os rebeldes e as forças do ditador sírio, que se concentravam no Distrito de Midan, no sul de Damasco, já tomaram grande parte da capital, segundo relatos, aproximando-se do Palácio de Bashar. A luta pelo controle da capital se dá agora rua por rua. Não se sabe se Assad continua em Damasco ou se refugiou na cidade de Latakia, de maioria alauita (mesma corrente muçulmana de Assad) e situada no noroeste do país. “Latakia será Sirte de Bashar”, diziam os rebeldes nas redes sociais, segundo o jornal espanhol El Pais, referindo-se ao destino do ex-ditador líbio Muammar Kadafi.


    Resistência se fortalece

    A morte do general Rajha foi o golpe mais duro sofrido pela ditadura de Assad desde o início da revolta, há 16 meses. O ministro da Defesa era quem controlava a polícia política de Bashar e as principais divisões do Exército sírio. A ditadura tenta ao máximo transparecer normalidade, nomeando um novo ministro da Segurança, Fahad Al-Freij, que apareceu na TV estatal nesse dia 19 sendo empossado pelo próprio Assad, mas não é capaz de reverter a percepção de que o regime se desmorona rapidamente. Os rebeldes já controlariam as principais fronteiras do país.

    Desesperadas ante o avanço dos soldados rebeldes, as forças de Assad recrudescem a repressão contra os opositores e a população do país. Estima-se que o número de mortes já tenha chegado a 17 mil desde o início da revolta. Só neste dia 19, teriam morrido 250 pessoas. Tanques e helicópteros do exército estariam bombardeando posições rebeldes em plena área urbana da capital, enquanto relatos dão conta de verdadeiras matanças executadas a sangue frio pelos soldados de Assad.

    A brutal repressão de Assad não está sendo capaz, porém, de conter o avanço do Exército Livre da Síria. Apesar de contar com visível inferioridade bélica, os rebeldes têm o apoio da população síria e, em Damasco, jovens armam barricadas nas ruas para impedir a passagem das forças de Bashar, que pode estar vivendo seus últimos momentos como ditador.


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    Retirado do Site do PSTU