terça-feira, 19 de junho de 2012

PSTU e PSOL formam frente de esquerda em Natal

Chapa será alternativa socialista nas eleições


Robério Paulino Rodrigues (PSOL), pré-candidato da Frente de Esquerda
No dia 12 de maio, PSOL e PSTU anunciaram oficialmente a aliança em Natal (RN), após reuniões, plenárias e conversas entre os partidos e com ativistas da cidade. O pré-candidato a prefeito será o professor da UFRN Robério Paulino Rodrigues, do PSOL. Seu vice será o professor Dario Barbosa, do PSTU, cuja pré-candidatura à prefeito chegou a ser apresentada nas discussões da frente. A aliança se repetirá na chapa de vereadores, que buscará romper o bloqueio eleitoral, que estabelece cerca de 15 mil votos para eleger um vereador na cidade.


Independência de classe

A construção da Frente Ampla de Esquerda durou vários meses. Ao final, o acordo entre os partidos garante a independência política, ao rechaçar doações de empresas e aliança com partidos dos patrões. Foi formada uma coordenação e respeitado o peso de cada partido nos programas de TV para prefeito e vereador.

Um ponto decisivo para a frente foi o programa, que permitirá oferecer uma alternativa para os trabalhadores, e seu perfil, claramente socialista. É parte do programa da frente a denúncia do capitalismo e de sua crise econômica e a defesa do socialismo com democracia e a oposição aos governos que implementam o modelo neoliberal, como o de Dilma Rousseff.


Rio Greve do Norte

As eleições desse ano devem expressar a situação política na capital e no Estado. Em 2011, a cidade viu uma série de greves e lutas, como a dos professores, que teve a professora Amanda Gurgel como símbolo, e a ocupação da juventude pelo Fora Micarla, que durou 11 dias. Neste ano, as lutas continuam, em greves da educação municipal, da saúde, dos rodoviários e dos operários das obras do Arena das Dunas, estádio que sediará jogos da Copa.

De outro lado, há crises nas alturas. A primeira, no Judiciário. O esquema de corrupção envolve presidentes do Tribunal de Justiça, que recebiam dinheiro em envelopes na garagem do tribunal. “Esse judiciário, cujos desembargadores roubaram mais R$ 12 milhões, é o mesmo que condenou como ilegal as greves daqui, como a dos operários do estádio da Copa, que recebem R$ 800”, condena Amanda Gurgel.

A outra crise é da prefeita Micarla de Souza (PV), que enfrenta um desgaste recorde. Pesquisas chegam a apontar que 80% rejeita seu governo. “Se é verdade que Micarla deixou a cidade em um caos político e organizativo, essa situação também é fruto de governos anteriores, como os de Carlos Eduardo Alves (PDT) e Wilma de Faria (PSB), em governos que contaram com o apoio do PT”, lembra Dario Barbosa. Nas pesquisas para prefeito, Carlos e Wilma lideram, mostrando que o desgaste de Micarla pode deixar apenas uma troca de cadeiras.


Natal para os trabalhadores

Para o PSTU, hoje há duas cidades, a do cartão postal, com suas belezas naturais, e outra, com graves problemas sociais, na periferia, onde dois de cada três moradias não têm saneamento básico. A cidade vem crescendo de forma desordenada, pressionada pelo turismo predatório, pelos empresários dos transportes e pela especulação imobiliária, setores ligados aos partidos que governaram a cidade. A prioridade a estes setores só aumentou, com as obras para receber a Copa.

A Frente de Esquerda propõe governar para a maioria, para os trabalhadores, com um programa que defende prioridade para a Educação, fim da privatização da Saúde, taxação de terrenos voltados à especulação imobiliária, um plano de moradia popular, o combate a corrupção e a não submissão à Lei de Responsabilidade Fiscal, usada pelos governos como desculpa para não aumentar salários ou investir nas áreas sociais.


Educação será prioridade na campanha do PSTU

Partido reúne ativistas para debater com Amanda Gurgel o caos no ensino e o programa para o setor

Exatamente um ano depois do discurso da professora Amanda Gurgel na Assembleia Legislativa e do vídeo na internet, o caos na Educação continua, com salários baixos e péssimas condições de ensino. Uma situação que levou novamente os professores municipais a ir à greve neste ano, enfrentando a intransigência do governo e as ameaças do Judiciário.

Por conta disso, a educação será um dos temas prioritários na campanha do PSTU. Desde março, o partido vem realizando reuniões e encontros com ativistas e moradores, debatendo as propostas para o setor e recolhendo sugestões.

Dezenas de encontros foram feitos, em média com 15 a 20 pessoas, de diferentes bairros e regiões de Natal. Em todos, os militantes também apresentam o partido e suas diferenças em relação aos demais partidos. Em especial, o programa do partido contra o machismo e a opressão às mulheres, outro tema prioritário na campanha.

A professora Amanda tem participado dos encontros, expressando o impacto do seu discurso na cidade e o alcance do vídeo na internet. As reuniões acontecem principalmente nos bairros mais pobres, onde vivem os trabalhadores das indústrias e os pais e mães de alunos da rede pública. Muitas dessas reuniões ocorreram na Zona Norte, no bairro de Nova Natal, onde Amanda leciona. “Tem sido muito importante esse diálogo com as pessoas. E a receptivade é enorme. De cada reunião, as pessoas propoem fazer outras, com amigos, vizinhos...”, conta Amanda.

Além da educação, as conversas também têm ocorrido sobre temas específicos, envolvendo grupos de artistas, ligados à literatura de cordel, ativistas LGBT, estudantes, jovens e professores universitários.

Acesse o Blog da Amanda Gurgel


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 18 de junho de 2012

O que esperar da Rio+20?

Leia o boletim especial divulgado pelo PSTU durante as atividades da Rio+20 e a Cúpula dos Povos


Boletim distribuído durante atividades da Cúpula dos Povos
Vinte anos após uma das maiores conferências ambientais do mundo, a ECO-92, os resultados não poderiam ser piores para o meio ambiente. A cada dia, 25 espécies desaparecem da Terra. Até o fim deste século, a temperatura média na Terra deve subir entre 1,8º e 4ºC. Seguem o aquecimento global e o derretimento das geleiras. Os governos tentam jogar a culpa dos problemas ambientais na população, quando apenas 4% da emissão de gases responsáveis pelo efeito estufa estão ligados ao desperdício ou lixo individuais. Os outros 96% estão relacionados, principalmente, com a grande produção industrial.

Nós, trabalhadores, somos vitimas dessa situação. Sofremos as consequências do desmatamento e da contaminação de rios e mares; ingerimos agrotóxicos e peixes contaminados. Por sua vez, os mais pobres são os mais expostos a enchentes e deslizamentos. Os reais responsáveis pelo dano ambiental são as grandes corporações, bancos, latifúndios e governos - que financiam e lucram com a degradação. Enquanto não atacarmos o problema em sua raiz, seguiremos rumo à barbárie.

A Rio+20, como todas as conferências ambientais organizadas pela ONU, será um verdadeiro fracasso. Os governos são financiados em suas milionárias campanhas eleitorais pelas grandes empresas poluidoras e, depois, atuam na defesa dos lucros dessas mesmas empresas. Uma conferência realizada pela ONU, que é formada por esses governos, não pode solucionar os problemas ambientais. Barack Obama e Angela Merkel sequer participarão do evento. Por tudo isso, durante a conferência, participaremos com outros movimentos sociais do mundo na Cúpula dos Povos, evento paralelo e crítico à Rio+20. A direção da Cúpula não assume com clareza um programa socialista para o meio ambiente. É essa a proposta que o PSTU oferece aos ativistas presentes.


Contra a injustiça social e a crise ambiental, a nossa luta é pelo socialismo!

As condições de vida da humanidade estão ameaçadas. Hoje todos os países do mundo têm governos obedientes ao poder econômico das grandes empresas, dos bancos e dos latifundiários. Estes buscam aumentar cada vez mais o seu lucro, mesmo que ao custo do esgotamento dos recursos naturais do nosso planeta.

No capitalismo, a competição e o mercado é que determinam o que vai ser produzido, e em que quantidade. Não importa a necessidade da maioria e nem a capacidade da Terra de sustentar tal produção. Ou seja, a lógica capitalista é inconciliável com uma verdadeira preservação do meio ambiente. Uma empresa que supostamente colocasse a preservação ambiental acima do lucro seria logo ‘devorada’ por todas as outras, porque a competição sempre leva a uma concentração cada vez maior de riquezas nas mãos dos que lucram mais. Não podemos crer que os governos possam regular esse mecanismo, porque esses mesmos governos, em todo o mundo, são financiados pelas empresas.

É por isso que o PSTU defende o socialismo. Para que tudo que se produz esteja de acordo com as necessidades da maioria das pessoas, o que inclui a preservação do meio ambiente e da vida no planeta. Através de comitês democráticos de direção das empresas, por parte dos trabalhadores, a produção seria controlada a serviço do bem-estar de todos. Desta forma, a humanidade não seria mais refém de um punhado de capitalistas e de seus políticos de aluguel que destroem nossas condições de vida e nos ameaçam com uma catástrofe ambiental cada vez mais iminente.

Baixe o boletim especial do PSTU na íntegra


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A farsa do desenvolvimento sustentável


Retirado do Site do PSTU

sábado, 16 de junho de 2012

Polícia reprime manifestação na Unifesp-Guarulhos e prende 25 estudantes

PM aproveita ação da ultra e reprime brutalmente protesto; estudantes estão sendo levados a presídios


Reprodução
Momento em que um PM agarra estudante
A Polícia Militar reprimiu de forma violenta e deteve 25 estudantes na Unifesp em Guarulhos na noite desse dia 14 de junho. Os alunos detidos foram encaminhados à Polícia Federal na Lapa, zona oeste de São Paulo e, nesse dia 15, 23 deles estavam sendo encaminhados a um Centro de Detenção Provisória, indiciados por crimes como formação de quadrilha e danos ao patrimônio público.

Os estudantes da Unifesp estão em greve desde o dia 23 de março contra as precárias condições da universidade e por direitos estudantis. A reitoria, por outro lado, além de se negar a negociar, trata o movimento como caso de polícia.


Ação da ultra e resposta brutal da polícia

O episódio ocorreu após uma assembleia intercampi que envolveu estudantes de outras unidades, como Guarulhos, Diadema e São José dos Campos. Terminada a assembleia no final da tarde, os estudantes resolveram realizar uma manifestação contra a violenta desocupação da Diretoria Acadêmica da universidade, realizada pela PM no último dia 6, quando 43 estudantes foram detidos.

Alguns grupos de ultraesquerda, porém, tentaram transformar o protesto em uma nova tentativa de ocupação da diretoria. O diretor do campus, Marcos Cezar, chamou a polícia, que já chegou de forma truculenta ao local. A PM, como mostra claramente um vídeo gravado por um estudante, reagiu com brutal violência. As imagens mostram com nitidez quando, em determinado momento, um policial simplesmente "sequestra" uma estudante e a leva do local, sendo seguido pelos alunos. A ação desatou uma repressão brutal, com tiros de balas de borracha e gás lacrimogêneo. Vários estudantes ficaram feridos.



"Foi mais uma ação desastrada da ultra e uma repressão brutal da polícia, toda uma situação causada, na verdade, pela intransigência da reitoria, que se nega a negociar depois de 85 dias de greve", afirma o estudante da Unifesp, Pedro Camargo, da Executiva Estadual da ANEL.


Condições precárias

Os estudantes da Unifesp estão em greve e mobilizados contra a precária e insuficiente estrutura da universidade, que sequer tem condições de abrigar todos os alunos, obrigados a utilizarem salas de aula de escolas públicas da região. A pauta de reivindicações dos estudantes é de 2007 e exige, entre outros pontos, ampliação da biblioteca, laboratórios, moradia estudantil e creche. A reitoria, no entanto, não negocia e sequer aceita participar de audiências públicas para discutir os problemas.

Atualização dia 15, às 22h: Na noite dessa sexta-feira o juiz da 1ª Vara Federal ordenou a libertação dos estudantes detidos. Eles, porém, continuarão respondendo pelos crimes em que foram indiciados


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Na Cúpula dos Povos, a oportunidade de uma alternativa

Entre os dias 15 a 23 de junho, o Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, vai ser o palco da Cúpula dos Povos. Contando com a presença de movimentos sociais de todo o Brasil e do mundo, o evento correrá em paralelo à Rio+20 e será a oportunidade de levantar uma alternativa à degradação ambiental imposta pelo capitalismo.

Enquanto os Chefes de Estado farão seus acenos e declarações de boas intenções, milhares de ativistas terão a oportunidade de oferecer uma real alternativa pela preservação ambiental. Com uma diversificada programação, a Cúpula dos Povos vai abrigar debates, mesas-redondas, oficinas, palestras e plenárias, abarcando uma infinidade de aspectos da luta pela preservação da natureza. Assim, o PSTU marcará presença no evento, levantando seu programa socialista para o meio ambiente e denunciando a farsa que será a Rio+20.


As lutas estarão presentes

No sentido de ligar a luta pela causa ambiental à luta mais geral da classe trabalhadora, a CSP-Conlutas está organizando uma mesa com o título “Direito à moradia x grandes obras: a reforma urbana pendente e os novos Pinheirinhos”. A atividade terá a presença de organizações como o Movimento Popular de Favelas e a ASSIBAMA (Associação dos Servidores do IBAMA). Também a luta feminista terá destaque, com a atividade promovida pelo Movimento Mulheres em Luta (MML) sob o título “Mulheres trabalhadoras contra o machismo e a exploração”.

Já no dia 20, duas importantes manifestações ganharão as ruas do Rio. Pela manhã, a comunidade da Vila Autódromo, ameaçada pela especulação imobiliária na região nobre da Barra da Tijuca, marchará pelo direito à moradia. A tarde é a vez do centro do Rio receber a marcha oficial da Cúpula dos Povos, que vai representar a voz dos descontentes com a hipocrisia dos governos de todo o mundo frente à crise ambiental.

Outra luta de peso que marcará presença é a forte greve nacional das universidades federais. Os comandos de greve aprovaram incorporar a marcha do dia 20 como atividade do calendário de greve de professores, funcionários e estudantes.


Calendário

15 de junho – Abertura

16 de junho – Mesa “O direito a moradia x grandes obras: a reforma urbana pendente e os novos pinheirinhos”. Local: tenda 14/Eliane Grammont. Horário: 11h30’
Mesa “Mulheres trabalhadoras contra o machismo e a exploração”. Local: tenda 12/Egidio Bruneto. Horário: 16h30’

20 de junho – Marcha em defesa da Vila Autódromo, na Barra, pela manhã.
Marcha oficial da Cúpula dos Povos. Local: da Candelária à Cinelândia. Horário: 15h

23 de junho - Encerramento


Retirado do Site do PSTU

RIO + 20 e a farsa do "desenvolvimento sustentável"

Vinte anos depois da Eco-92, o Brasil é palco de mais uma conferência ambiental, a Rio + 20, que vai ocorrer entre os dias 13 a 22 de junho.


Rio+20, muito longe dos verdadeiros problemas ambientais
Diante da enorme destruição ecológica das últimas décadas, a possibilidade das mudanças climáticas e o esgotamento dos recursos naturais, a pauta da conferência vai discutir meios que possam conciliar o desenvolvimento econômico capitalista com a preservação ambiental. Mas será que possível algum tipo de “desenvolvimento sustentável” ou “economia verde” sob o capitalismo?


Afinal, quem é o culpado?

Nos últimos anos, o discurso da “sustentabilidade” ganhou força e foi até mesmo apropriado pelos grandes capitalistas. É comum ver propagandas da TV de empresas automotivas, mineradoras e até mesmo petroleiras venderem uma suposta imagem de “sustentabilidade ecológica”. Um caso recente foi o fim da obrigatoriedade dos supermercados de São Paulo em oferecer sacolinhas plásticas, o que representou numa diminuição dos gastos dos empresários do setor (a tal “economia verde”). Por outro lado, a coleta de lixo reciclado na cidade representa apenas 1% da coleta total de resíduos.

Também é comum ver supostos “especialistas” defenderem “mudanças nos hábitos de consumo”, a “adoção de pequenos gestos”, entre outras receitas milagrosas que buscam responsabilizar o individuo pela devastação do “nosso planeta”. Há aqueles que chegam a defender um controle maior da expansão populacional, pois o crescimento demográfico entraria em conflito com os recursos naturais que são finitos.

Embora tenham origens bem diferentes, todas essas opiniões têm um ponto em comum: deixam de fazer propositalmente a crítica devida à lógica mercantil do sistema capitalista. Assim, transformam as vítimas dos impactos ambientais em vilões, em culpados, inocentando os verdadeiros responsáveis.


Capitalismo é responsável pela devastação

O surgimento da sociedade capitalista provocou uma separação entre o ser humano e a natureza, que começou a ser vista como uma mera mercadoria, objeto de dominação, pela ciência e pela técnica. Nas formações sociais pré-capitalistas, não havia essa cisão. Em grande parte da Idade Média, por exemplo, a natureza era vista como “provedora” dos recursos fundamentais para a sobrevivência dos indivíduos. O homem era visto como parte da natureza e não acima ou separado dela.

Com o capitalismo tudo mudou. O ritmo da produção impõe uma apropriação crescente dos recursos naturais, necessários á sobrevivência humana, muito maior que o tempo que a natureza precisa para se recompor. No capitalismo não se produz para satisfazer as necessidades humanas, mas para obter lucro. Assim, a necessidade de acumulação crescente de capital e lucro, produz cada vez mais mercadorias. Isso provoca consumo crescente e apropriação acelerada da natureza. Os ritmos naturais se desenvolvem em séculos, uma dinâmica incompatível com produção mercantil, o que impões uma forte e intensa exploração dos recursos naturais levando à ruptura de sua dinâmica.

Olhando para as consequências da Revolução Industrial, Karl Marx já alertava para essa situação, no seu livro "O Capital". Acusava a produção capitalista de “perturbar a interação metabólica homem e terra”, ou seja, as trocas energéticas e de materiais entre os humanos com o seu meio ambiente natural - condição necessária para a existência da civilização. Segundo Marx, “ao destruir as circunstâncias entorno desse metabolismo ela [a produção capitalista] impede a sua restauração sistemática como uma lei reguladora da produção social, e numa forma adequada ao pleno desenvolvimento da raça humana”. Isso nos remete outra conclusão: a crise ambiental desencadeada pelo capital é muito mais uma questão de sobrevivência humana e muito menos de sobrevivência do planeta.

Nas últimas décadas, essa exploração se ampliou, especialmente após a crise econômica dos anos 1970. Para retomar suas taxas de lucros, os capitalistas lançaram mão da globalização e da liberalização dos mercados. Assim, o saque dos recursos naturais por parte das multinacionais tomou uma dimensão planetária, como produto da crise do sistema. Mas, por outro lado, a luta contra a espoliação e destruição ecológica também ganhou uma dimensão global, abrangendo desde as reivindicações dos povos indígenas do Equador que combatem a indústria petroleira na Amazônia, até luta dos camponeses da China que resistem à contaminação de rios e do solo causa por indústrias.


Um debate necessário

Não é possível separar a luta ambiental do combate a todos os problemas estruturais produzidos pela sociedade capitalista. Ao mesmo tempo que aumenta como nunca a produtividade, o capitalismo também faz crecer a miséria e a exploração. Atualmente, quase um bilhão de seres humanos passam fome. Nos países perifericos, 80% das doenças decorrem da falta de qualidade da água. Segundo os dados da ONU, um bilhão de habitantes moram em favelas. Enquanto isso, no campo, a paisagem é transformada pelos complexos do agronegócio, controladas pelas grandes empresas.

A defesa do meio ambiente deve ser parte da luta dos trabalhadores por melhores condições de emprego, salário e vida. É uma luta anticapitalista e antiimperialista e, em essência, pela construção de uma sociedade socialista. Uma sociedade baseada em novas relações de produção que possam estabelecer um relacionamento equilibrado e realmente sustentável do ser humano com a natureza, “condição inalienável para a existência e reprodução da cadeia de gerações humanas”, como assinalava Marx.

Mas isso não significa deixar de lado a luta presente. A luta pelas políticas públicas, por legislações ambientais mais efetivas, pela proteção de espécies em extinção, deve ser acompanhada pela vontade de mudança da estrutura de dominação burguesa.


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Na Cúpula dos Povos, a oportunidade de uma alternativa


Retirado do Site do PSTU

Espanha: É preciso resgatar os trabalhadores e o povo e não a banca!

Primeiro-ministro Mariano Rajoy
Durante muitos meses, cada notícia sobre a crise da banca espanhola foi motivo de angústia para a população trabalhadora, que se perguntava: quantos cortes, quanto desemprego, quanta pobreza serão ainda necessários para salvar banqueiros que nos roubaram durante anos em completa impunidade?

Agora a angústia é, se possível, maior porque a montanha de dinheiro público comprometida para “nacionalizar” as perdas do Bankia e de outras entidades em quebra é enorme, entre 60 e 80 bilhões de euros, segundo os cálculos divulgados. Essa montanha de perdas privadas, causadas por diretores mafiosos, é a que o primeiro-ministro Mariano Rajoy (com o consentimento do PSOE) vai converter agora em dívida pública, para que seja paga pelo povo trabalhador, como vem acontecendo até agora.


Sob intervenção da Troika

Mas o problema agravou-se porque, em plena fuga de capitais, com o sistema de crédito paralisado, com a taxa de risco [diferença entre os juros cobrados para financiar a dívida alemã e os cobrados para financiar a dívida de cada um dos países da UE] nas nuvens e a Bolsa em colapso, o Estado não tem já capacidade de endividar-se para conseguir esta nova massa de dinheiro e continuar a pagar a avultada dívida pública atual aos banqueiros. De forma que o governo se encontra condenado a recorrer aos fundos de resgate europeus. Só espera que se concretize o valor da operação para fazê-lo. Mas isso tem um preço: a intervenção do país pela troika (União Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional).

É um verdadeiro escândalo, porque vamos estar sob intervenção por uma dívida que o governo vai contrair sem outro fim que assegurar que os bancos alemães e franceses e o BCE possam cobrar as enormes dívidas que os bancos espanhóis em quebra têm com eles e que, de outro modo, não cobrariam. Estamos, na realidade, ante um resgate dos bancos alemães e franceses credores, aos quais deverão pagar a classe trabalhadora e as classes médias.


Uma intervenção suave?

Rajoy comprometeu-se publicamente em entregar a Angela Merkel e à UE o controle de toda a política econômica espanhola e a supervisão do sistema bancário, a obedecer ao pé da letra todas as ordens que venham de Berlim e Bruxelas. Em troca, suplicou que o governo não esteja formalmente sob intervenção e que a troika resgate diretamente os bancos.

Este foi o grande conflito de Rajoy com Merkel, partidária de uma intervenção direta, “à grega” ou “à portuguesa”. A razão é que, para os grandes banqueiros espanhóis e para o seu representante político, Rajoy, é muito diferente que a intervenção se faça de uma forma ou de outra.

A diferença não são os programas de ajuste, que em ambos os casos são idênticos. O problema reside em que uma intervenção “à grega” significaria que o governo espanhol deixaria de existir como tal para ser substituído por um governo da troika, onde os ministros espanhóis seriam meros garotos de recado. E então – e aqui está o “X” da questão – o governo da troika seria o governo dos bancos alemães e franceses e não, como no caso de Rajoy (e antes o ex-primeiro-ministro Zapatero, do PSOE), o governo dos bancos Santander e do BBVA, que, no caso de ser a troika a governar, ficariam sem proteção e às custas dos bancos alemães e franceses, com um destino incerto. O mesmo destino que o do capitalismo espanhol (e as suas multinacionais) na UE e no mundo.

As últimas notícias da imprensa dizem que Merkel e a UE “concordaram” com um “resgate suave” no qual o governo sofreria uma intervenção da UE, mas através do FROB (o fundo espanhol de resgate bancário). Isso significa passar a política econômica a Merkel e a Bruxelas e deixar em suas mãos a liquidação dos bancos resgatados. Em troca, o governo salvaria, relativamente, as aparências e manteria uma certa margem de manobra para continuar a defender o papel da grande banca espanhola como sócia menor e cúmplice dos bancos alemães e franceses. Como parte do pacote, os planos de ajuste serão drasticamente endurecidos.


Estão nos colocando numa espiral à grega de empobrecimento e ruína

A propaganda do governo está concentrada numa mensagem: “agora estamos mal e ainda vamos sofrer mais, mas é preciso ter fé porque não demoraremos a ver, com a ajuda da Europa, a luz no fim do túnel”. Esta mensagem, que busca justificar a nova onde de ajustes que irão acompanhar a intervenção da troika, é uma fiel reprodução do que disseram os governos grego e português quando sofreram intervenção. Mas aqui, como lá, mentem. O que vemos na Grécia e em Portugal não é nenhuma luz, mas miséria e sofrimento sem fim e sem esperança.

A intervenção “suave” de que fala a imprensa significa, na realidade, um salto substancial, pilotado desta vez de Berlim e Bruxelas, na ofensiva para desmantelar o que resta do exíguo Estado de bem-estar (incluindo desta vez ataques às pensões e ao subsídio de desemprego); vender o que resta de patrimônio público; afogar o povo com novos aumentos de impostos; cortar emprego público e arrasar os direitos trabalhistas que ainda restam (na Companhia Espanhola de Laminação - Celsa, em Barcelona, a patronal quer despedir 200 trabalhadores entre os 1200 atuais, aumentar em 12 dias a jornada de trabalho e reduzir 20% dos salários).

Como mostram Grécia e Portugal, cada plano de ajuste não é mais que o prelúdio de outro ainda mais agressivo, pela simples razão de que quanto mais se espolia o país e este mais retrocede e se empobrece, mais a dívida cresce e se forma uma espiral que não tem fim. O primeiro “resgate” europeu da Grécia foi em maio de 2010, e agora, dois anos depois, sabemos que a “ajuda” da troika foi parar nos bancos credores e que o povo não viu nem um euro. Sabemos que o nível de vida retrocedeu entre 30 e 40%, a miséria atingiu amplos setores da população, vive-se uma situação de emergência sanitária, os suicídios dispararam e a esperança de vida começa a diminuir. É nesta espiral grega que querem nos meter.


É preciso um grande Encontro Nacional para organizar a resposta ao resgate e à intervenção

Estamos num momento crucial que nos obriga imperiosamente a unir todas as forças para enfrentar o resgate e a intervenção da Troika. O resgate é uma enorme fraude, um roubo puro e duro ao povo trabalhador.

É urgente juntar todos os que querem lutar contra o resgate num grande Encontro Nacional que defina um plano de mobilização para enfrentá-lo. Um Encontro onde estejam as assembleias do 15M, o sindicalismo alternativo, as organizações de professores e de pessoal da saúde em luta, as organizações e coordenações estudantis, as empresas em luta, a plataforma contra os despejos, etc.

É preciso um plano:
- Que diga Não ao resgate e à intervenção;
- Que em lugar de socializar as suas perdas, exija a expropriação de toda a banca, integralmente, sem indenizar nenhum grande acionista nem grande investidor, exigindo responsabilidades e a devolução do dinheiro dos responsáveis pelas quebras, que devem responder com seu patrimônio e com a prisão;
- Que exija a imediata suspensão do pagamento da dívida pública aos banqueiros e uma Auditoria pública que revele o caráter ilegítimo e fraudulento da dívida. O dinheiro existe, só é preciso investi-lo nas necessidades sociais básicas, e não ao enriquecimento dos banqueiros;
- Que se comprometa a lutar por um plano de resgate, mas dos trabalhadores e dos setores populares, que revogue os cortes e reestruturações e ataque de frente o desemprego.


Não podemos esperar nada da UE

Primeiro, venderam-nos a ideia de que a UE era a via de acesso ao progresso e à modernidade. Depois, já na UE e com o euro e em plena bolha imobiliária, disseram-nos que nos converteríamos numa potência mundial. Agora, dizem-nos que a UE é a solução da crise e que necessitamos “mais Europa”. Neste apego desesperado à UE estão o PP e o PSOE, acompanhados pela burocracia sindical de Comisiones Obreras-UGT e também pela direção de Esquerda Unida (IU), que suaviza a sua capitulação dizendo que é preciso uma Europa “mais social”.

Porém, “mais Europa” é a “união fiscal e política” de Merkel, que Rajoy e o seu ministro da Economia, Luis de Guindos, e o secretário-geral do PSOE, Alfredo Rubalcaba, acatam com entusiasmo. Mas a Merkel não se pode acusar de não ser clara. O seu plano significa que acabou a soberania dos Estados. Quer dizer que a política trabalhista, o gasto público, os impostos, as pensões e as privatizações serão decididas por Bruxelas ou, o que dá no mesmo, pelo imperialismo alemão, em colaboração com o francês. E quer dizer também, como já declararam vários ministros alemães, que o destino que apontam para a “periferia castigada pela crise” são “zonas especiais de produção”, onde as empresas pagariam menos impostos, os salários não seriam regulados por convenções e as leis ambientais seriam dribladas, como acontece nas fábricas (chamadas “maquilas) da fronteira do México com os Estados Unidos!


É preciso sair do euro e romper com a UE o quanto antes!

Assustam-nos com a saída do euro e dizem que é preciso estar dispostos a qualquer sacrifício contanto que permaneçamos na moeda única, porque fora desta união monetária nos aguarda o inferno. Estes argumentos podiam ser utilizados há dois ou três anos, quando as pessoas não sabiam o que queria dizer na prática. Mas, agora, sabemos o que aconteceu e o que está acontecendo na Irlanda, Portugal, Grécia e entre nós. E o que vemos é que o inferno é permanecer no euro, sob o comando dos banqueiros e multinacionais que mandam na UE. A Grécia é o exemplo mais brutal: é um país que em apenas dois anos sofreu uma devastação tamanha que só é comparável à de uma guerra.

Não podemos pagar o preço de um retrocesso histórico de 50 anos, o desmantelamento de todas as conquistas sociais e trabalhistas, e o desemprego maciço e a precariedade generalizada e sem esperança, somente porque os grandes banqueiros espanhóis querem participar, mesmo que lhes sejam destinados os restos, do festim do euro. Estamos perante uma evidência: sair do euro e romper com a UE é uma necessidade vital se não queremos acabar como a Grécia.

Mas temos que ser conscientes, ao mesmo tempo, que a saída do euro, por si só, não é a solução e que, se saímos, vão tentar nos arrebentar. Por isso, esta saída deve ser acompanhada de uma mudança radical das regras do jogo capitalista e de passos firmes em direção a uma nova sociedade socialista. Não há outra solução. A saída do euro deve vir acompanhada de medidas como a expropriação da banca e a unificação do sistema de crédito para reorganizar a economia ao serviço da imensa maioria; da nacionalização sob controle dos trabalhadores das empresas e setores estratégicos; da colocação em marcha de grandes planos públicos para criar emprego e dividir o trabalho entre todos; do estabelecimento do controle estrito dos movimentos de capitais e do monopólio do comércio exterior; e, acima de tudo, unir forças com os trabalhadores e os povos da Europa, da periferia e dos países centrais, porque só assim poderemos vencer esta luta comum por uma Europa socialista unida.

  • Não ao resgate europeu e à intervenção da UE!

  • Suspensão do pagamento da dívida pública aos banqueiros!

  • Expropriação dos bancos!


  • Retirado do Site do PSTU