quinta-feira, 14 de junho de 2012

A ousadia de querer mudar o mundo

Sabemos que não é por eleições que vai se mudar o país. Mas sabemos também como é importante utilizar a tribuna eleitoral para defender essas mudanças


O PSTU vai apresentar candidatos conhecidos por suas lutas
A injustiça social que nos cerca é brutal. A burguesia e a alta classe média andam de helicóptero enquanto os trabalhadores gastam de 3 a 4 horas para ir e vir do trabalho em ônibus superlotados. Os ricos são atendidos em hospitais excelentes, os pobres morrem nas filas dos hospitais públicos sem atendimento. Os filhos da burguesia estudam em colégios caríssimos e muito bons, as crianças pobres não têm creches.

Todos sabem dessas injustiças. Elas não podem ser negadas. Mas podem ser disfarçadas. Podem ser atribuídas a que os pobres são culpados porque não “se esforçaram o suficiente”, ou porque são “preguiçosos”. Ou ainda, pode-se escapar da discussão com a desculpa de que “sempre foi assim”.

Os governos do PT fazem isso. Dizem que “afinal” as coisas estão melhorando, porque eram piores com os governos da direita. E é verdade que a direita (PSDB, DEM) sempre dirigiu o país a serviço dos interesses das grandes empresas.

Os trabalhadores em sua maioria acreditam que não são as grandes multinacionais e bancos que dirigem o país, porque o PT chegou ao governo, e compôs um governo dos trabalhadores. Infelizmente não é assim, as grandes empresas nunca lucraram tanto como com o PT. E isso é o motivo pelo qual as injustiças sociais seguem tão presentes na realidade brasileira. Lula e Dilma se apoiaram no crescimento econômico dos últimos anos para dar a impressão aos trabalhadores que o crescimento se devia a seus governos.

Em todos esses anos de governos petistas foi imposto um grande engano aos trabalhadores e jovens. Acreditaram que era possível ir mudando a vida aos poucos através dos governos petistas. O crescimento econômico alimentou essa ilusão. As injustiças sociais continuaram existindo. Mas quem sabe elas ao podiam ir diminuindo, diminuindo até desaparecerem. Afinal Lula estava no governo. Afinal Dilma era a continuadora de Lula.


Mas...os tempos estão mudando

A crise econômica internacional ainda não chegou ao país como uma recessão. Mas já afeta a economia através de uma desaceleração forçada. E é possível que uma nova recessão atinja o país, em um ritmo que nenhum economista sério pode precisar. Com isso as injustiças, sempre presentes, ficam mais visíveis e revoltantes.

A corrupção atinge abertamente o DEM do senador Demóstenes, o PSDB do governador Marconi Perillo. Mas também envolve o governador Agnello Queiroz do PT. Toda a cúpula do PT está diretamente envolvida no escândalo de corrupção com o mensalão.

O programa habitacional do PSDB pode ser simbolizado no Pinheirinho: desalojar nove mil pessoas com repressão violenta para entregar as terras a um só “dono”, o milionário Naji Nahas.

O mais importante programa para educação do PT , o Reuni, é o móvel da maior greve das universidades dos últimos anos, que está parando os professores e os estudantes em todo o país.

Nas eleições de São Paulo, Serra do PSDB do Pinheirinho enfrenta Haddad, ex-ministro da educação do PT. Isso vai se repetir em todo o país, em maior ou menor forma: dois blocos majoritários engalfinhados na luta pelo poder, mas com um programa muito semelhante. Vão tentar convencer mais uma vez a todos que basta votar neles para os problemas desapareçam. E as injustiças vão ficar cada vez maiores.


É hora de mudança

Os trabalhadores e jovens no Brasil começam a ir para a luta. Grandes greves da construção pesada (Jirau, Belo Monte, Comperj, estádios da copa) e civil ( Fortaleza) abalaram as obras no país. Greves do transporte como a do metrô, que parou São Paulo. A juventude universitária nas ruas protagoniza a maior greve estudantil dos últimos anos. O funcionalismo público se articula para uma greve unificada nacional, com os professores na vanguarda.

No segundo semestre existem as campanhas salariais dos setores mais pesados dos trabalhadores como os metalúrgicos, petroleiros, bancários, etc, que podem gerar novas greves de importância.

Na Europa, a crise mostra a dureza dos ataques do capital cortando salários, aposentadorias, empregos. E recoloca em discussão o socialismo. É hora de trazer esta postura para o Brasil. O PSTU vai lançar candidaturas socialistas em todo o país.

O PSTU vai apresentar candidatos que são conhecidos em suas cidades por serem dirigentes sindicais, estudantis e populares. E vai utilizar seu tempo de TV para apoiar as greves que estiverem acontecendo. Vamos mostrar como é possível enfrentar gravíssimos problemas sociais como educação, saúde e transporte desde que enfrentemos o domínio das grandes empresas. Vamos defender o programa socialista, aplicado aos problemas concretos da vida das pessoas. Sabemos que não é por eleições que vai se mudar o país. Mas sabemos também como é importante utilizar a tribuna eleitoral para defender essas mudanças.

O PSTU vai ousar. Vai defender que é preciso mudar o mundo. E conta com seu apoio para esse desafio.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 13 de junho de 2012

"O governo é o verdadeiro responsável pela evasão escolar no RN", diz Amanda Gurgel

Professora Amanda Gurgel criticou em seu blog as declarações da Secretária Estadual de Educação, Betânia Ramalho, que culpou a greve dos professores em 2011 pelo alto índice de evasão escolar no Rio Grande do Norte


A professora do Rio Grande do Norte, Amanda Gurgel
Nesta segunda-feira, dia 11, a professora Amanda Gurgel publicou em seu blog pessoal um artigo no qual critica as declarações da Secretária Estadual de Educação, Betânia Ramalho, que culpou a greve dos professores do ano passado pelo alto índice de evasão escolar no Rio Grande do Norte. As declarações da secretária foram publicadas em matéria do jornal O Poti/Diário de Natal, no último domingo, dia 10. "Ora, se a escola não é tão atrativa, agradável, interessante nem motivadora, tudo que se mexe é prejudicial, imagine uma paralisação de quase três meses?”, disse Betânia Ramalho, responsabilizando a greve dos educadores pelos dados do Censo Escolar do IBGE, que apontam um abandono escolar de 19% no RN.

Em reposta à secretária de educação, Amanda Gurgel disse que a justificativa do governo do estado é mais revoltante do que até a própria situação do ensino público. "Para mim, é revoltante ver a educação pública nesta situação, e mais revoltante ainda foi ler a explicação da secretária estadual de educação, Betânia Ramalho, sobre o fato. Na verdade, o governo é o verdadeiro responsável pela evasão escolar no RN. Não admito que governo algum desmoralize a nossa luta em defesa da educação pública, utilizando-a como justificativa para a sua própria incompetência, ingerência e indiferença em relação aos problemas denunciados em nossas greves", diz Amanda em seu artigo.

A professora, que ficou conhecida em 2011 por denunciar o abandono da educação durante uma audiência pública na Assembleia Legislativa, também revelou em seu texto quais as razões que realmente levam os estudantes a desistirem da escola. "Há muitas escolas no RN em que os alunos do Ensino Médio tem apenas dois ou três dias de aula por semana. Se fizermos um cálculo rápido, vamos perceber que essas pessoas assistem a, no máximo, 144 dias de aula por ano. Uma vergonha!", denuncia a professora. E completa: "Agora eu pergunto: que estudante pode se sentir estimulado a frequentar uma escola em que não tem professor de Português, de Química ou de Matemática, estando às vésperas do vestibular?".

Amanda Gurgel encerra o artigo acusando o governo de Rosalba Ciarlini (DEM) de fazer um boicote ao ensino público e de mentir sobre os verdadeiros responsáveis pela evasão escolar. "As pessoas desistem de estudar porque o governo do estado faz um boicote ao ensino público. Depois, cobra que sejamos os redentores e redentoras do país. Com um quadro caótico desses na educação, dizer que a evasão escolar é culpa da greve dos professores é mais do que uma mentira, chega a ser uma provocação", conclui Amanda.

Acesse o blog da Amanda Gurgel


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 12 de junho de 2012

Dez lições da greve da construção civil de Fortaleza

Metamorfose
Operários em greve marcham pelas ruas de Fortaleza
Terminou a greve dos operários da construção civil de Fortaleza. Há evidentes indícios que estamos diante do balanço da maior greve da história da construção civil da cidade, alcançando em elasticidade a greve de 1995, movimento que se estendeu por 21 dias úteis. Foram quase trinta dias de uma ação grevista que começou a se desenhar nas paralisações de duas horas, tática empregada durante os meses de março e abril de 2012.

Em princípio, a greve deveria começar em 8 de maio, mas em alguns canteiros, sem esperar pelo sindicato, os operários iniciaram o movimento paredista já no dia sete. Daí até o final as ações grevistas alcançaram os dias 4 e 5 de junho, dependendo do canteiro de obra, até a assinatura da Convenção Coletiva no último dia 6.

Em primeiro lugar, foi uma greve de resistência. Resistimos ao tempo que castigou corpos e mentes de sindicalistas, trabalhadores de base e apoiadores que concentraram os seus esforços para garantir os piquetes e as manifestações de rua durante aproximadamente quatro semanas. E isso se deu de forma forte, ora debaixo de chuva, ora debaixo de um sol escaldante.

Em segundo lugar, foi uma luta que ganhou o apoio de sindicatos, oposições e minorias sindicais classistas e combativas, um fator que impediu que os grevistas caíssem no isolamento em meio a uma tempestade de ataques sofridos pelos trabalhadores da construção civil. Estiveram presentes os rodoviários, professores, trabalhadoras da confecção feminina, construção civil de Belém e tantos outros.

Em terceiro lugar, a ação grevista conseguiu unificar – na maior parte do tempo – a burguesia de Fortaleza, que não se furtou de empregar os maiores veículos de comunicação da cidade para atacar duramente os trabalhadores e as suas ações. Essa ofensiva patronal ganhou amplitude maior depois do incidente ocorrido em frente à sede do complexo de comunicação Verdes Mares (onde funciona o jornal Diário do Nordeste, que, via de regra, cumpre o papel de panfleto do empresariado do ramo da construção), traduzido na quebra de uma vidraça. Esse fato foi vendido a toda população como uma investida contra a liberdade de imprensa, até como uma forma de escamotear que esse mesmo complexo usou da prerrogativa do direito à mentira durante toda campanha salarial da construção civil.

Em quarto lugar, a greve trouxe à tona o que é a sociedade em que vivemos: rigorosamente dividida em classes sociais contraditórias e antagônicas. De um lado, se colocou uma parte da sociedade, atacando e denunciando os operários; de outro, uma parcela impressionante da população se colocou ao lado dos grevistas, apesar de toda propaganda empresarial.

Em quinto lugar, essa divisão por baixo gerou uma polarização por cima, quer dizer, na chamada superestrutura, onde estão, por exemplo, os governos, a justiça, o parlamento e os partidos políticos. Luizianne Lins (PT), prefeita de Fortaleza e Cid Gomes (PSB), governador do Ceará, na única vez em que se pronunciaram acerca dos acontecimentos, se disseram “indignados” com os operários. A justiça exigiu a volta ao trabalho e lançou mãos de multas e mais multas para aplastar os grevistas, sem, no entanto, obter os resultados esperados. Já o parlamento se sentiu compungido a mediar uma negociação que forçou a patronal a sentar-se à mesa.

A página mais espetacular, do ponto de vista da experiência da luta de classe, foi a conduta dos partidos políticos. O PT, que dirige a capital do estado, que se encontra à frente da Câmara de Vereadores e é parte do governo estadual, quando não silenciou, tomou o lado dos que tentavam criminalizar o operariado. E assim se comportaram os partidos da ordem. O que surpreendeu foi uma nota do PSOL, no momento em que a greve era mais atacada, depois do episódio em frente ao jornal Diário do Nordeste. Em sua nota, o PSOL se rendeu à chamada “opinião pública” e não deixou de fazer coro à ofensiva dos que queriam sepultar o heróico embate dos trabalhadores.

Em sexto lugar, a estratégia patronal de derrotar a campanha salarial da construção civil fez com que a indignação dos operários atingisse o seu ápice, explicando a radicalização que se ampliou e aprofundou ao longo das ações de rua, principalmente quando se postavam diante dos canteiros, expressão material e simbólica da exploração e da opressão que sofrem cotidianamente.



Em sétimo lugar, essa foi a greve da organização de base. Em sintonia com o espírito da letra das resoluções do Congresso da CSP-Conlutas, os trabalhadores se organizaram em um comando de base, que se reuniu do começo ao fim dessa verdadeira guerra de classe, discutindo e votando os ajustes táticos e garantindo o êxito da mobilização. Várias táticas foram adotadas ao longo da luta e elas passavam sempre pelo crivo do comando que, em geral, reunia entre 40 e 60 ativistas. Sem esse fato novo, dificilmente, os diretores sindicais teriam tido reais condições de sustentar um combate tão difícil. Pela primeira vez, a diretoria se diluiu em uma direção de base e se submeteu às suas decisões.

Em oitavo lugar, essa foi a campanha salarial das grandes marchas pelas ruas de Fortaleza, Maracanaú, Caucaia e outras cidades da região metropolitana. Os operários da construção civil não se contentavam em parar os canteiros, em ocupar a Praça Portugal e fazer as suas assembleias permanentes. Queriam e ganhavam as ruas com passeatas que chegaram a aglutinar entre 4 e 5 mil trabalhadores.

Em nono lugar, quebrou-se o acordo nacional dos patrões que queriam que o reajuste do índice de São Paulo (7,43%) servisse de parâmetro para toda e qualquer campanha salarial da categoria e em qualquer parte do país. Além de conseguir o índice de 8%, a categoria conseguiu para os pisos de servente, meio-profissional e profissional (mais de 95% do setor), índices que superam o patamar de 10%, e consequentemente, atingindo o nível de dois dígitos. Com os exemplos de Salvador e Fortaleza, o paradigma patronal começou a fazer água por todos os lados. Além disso, os patrões foram obrigados a negociar os dias parados, questão que eles se negaram a tratar ao longo de todas as conversações.

Exceto os acordos específicos nos estádios de futebol em obra, a maioria dos outros setores da indústria, e mesmo da construção, em qualquer parte do país, fez acordo que mal repõe o INPC ou obtiveram aumentos reais que, em linhas gerais, não estão muito distantes do que se conquistou em Fortaleza. Efetivamente, foram poucos os que conseguiram índices superiores aos acertados na Região Metropolitana de Fortaleza no ramo da construção civil. Além disso, os quase trinta dias de greve não afetarão as férias dos trabalhadores e nem a PLR. Não custa lembrar que a cesta básica (conquistada no ano passado) passou de 35 para 50 reais.

Em décimo lugar, os trabalhadores realizaram uma nova experiência com as instituições da democracia dos ricos. A consciência política já não se encontra no mesmo lugar. Isso explica porque os oradores do PSTU puderam expressar a sua posição em relação ao governo Dilma sem que fossem molestados. Inversamente, os operários ouviam atentamente os militantes do PSTU e isso também elucida um dos episódios mais marcantes da greve: quando a quinzena foi cortada, muitos membros da categoria fizeram questão de comprar o jornal Opinião Socialista, ainda que reconhecessem as dificuldades que passavam naquele momento.

Essa, de feito, foi a greve da superação.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Metalúrgicos de Niterói e Itaboraí contrariam direção do sindicato e continuam em greve

Direção do sindicato, ligado à CUT, não consegue segurar a greve e agora joga para que ela seja declarada abusiva pela Justiça


Mobilização dos metalúrgicos no último dia 31
Uma verdadeira rebelião de base. É a melhor definição para a forte greve que os metalúrgicos de Niterói e Itaborai deflagraram no último dia 30 de maio, passando por cima da direção do próprio sindicato. Há mais de uma semana os trabalhadores fazem massivas mobilizações e passeatas, chamando a atenção da população pelas ruas do centro de Niterói.

A direção da entidade, ligada à CUT, foi contra a greve, defendendo que os metalúrgicos continuassem negociando trabalhando, mas a revolta provocada pela intransigência da patronal falou mais alto. No dia 31, os metalúrgicos realizaram uma passeata que chegou a reunir algo como cinco mil trabalhadores no centro de Niterói. A passeata foi até a sede do sindicato, que estava fechado.

"O sindicato não mobilizou a categoria e pouco fez nesse período de negociação, o que gerou a revolta dos trabalhadores, que cansaram de tanta enrolação", explica Paulo Martins, o Paulinho, dirigente da oposição à atual direção do sindicato. Com a traição da direção do Sindicato dos Metalúrgicos, a Chapa 3, que concorre às eleições da entidade (atualmente sob júdice), está dirigindo na prática as mobilizações. Até mesmo carro de som teve que ser emprestado de outros sindicatos.

No dia 31, uma assembleia na porta do sindicato com cerca de três mil trabalhadores elegeram um Comando de Greve, que os operários reivindicam que participem das negociações com a patronal, já que não confiam na direção da entidade.


Negociações

Nesse dia 5 de junho houve audiência de conciliação no Tribunal Regional do Trabalho, a fim de decidir o dissídio da categoria. Pela manhã, os trabalhadores realizaram uma assembleia de 500 pessoas e, logo após, um protesto nas Barcas, seguindo em passeata até o prédio do TRT. Após pressão, conseguiram garantir a participação de representantes do Comando de Greve na reunião com o tribunal.

Na reunião de conciliação, o sindicato manteve sua postura e afirmou "não ter nenhuma responsabilidade" pela greve, mesmo ela tendo sido aprovada por uma assembleia massiva da categoria. A direção do sindicato se nega a reconhecer a decisão dos operários em assembleia e afirma que a greve é “coisa do PSTU e do PSOL”. A patronal, apoiando-se no discurso do sindicato, pediu a abusividade da greve, mas a Justiça determinou a continuidade das negociações. Uma nova reunião deverá ocorrer na próxima segunda-feira, dia 11.

Na manhã desta quarta-feira, dia 6, os trabalhadores realizaram nova assembleia que reuniu cerca de 1200 metalúrgicos, que reafirmou a continuidade da greve.


Intransigência

A categoria é formada por 14 mil metalúrgicos, a maioria trabalhadores de estaleiros. A principal reivindicação dos operários é reajuste de 16%, aumento no Vale-refeição de R$ 140 para R$ 350, mais segurança, plano de saúde e PLR (Participação nos Lucros e Resultados). O Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval), porém, limita-se a oferecer apenas 7,5% de reajuste.


Retirado do Site do PSTU

Operários de Fortaleza fecham acordo sobre os dias parados e retornam ao trabalho

O impasse no acordo sobre o desconto dos dias parados da greve dos operários da construção civil de Fortaleza (CE) foi resolvido. O Sindicato Patronal encontrou em contato com o Sindicato dos Trabalhadores na noite de terça-feira (5) com uma nova proposta.

Pelo acordo, assinado nesta quarta-feira (6), os empresários se comprometeram a pagar o salário deste mês – até o dia 12 – e descontar os dias parados em cinco parcelas durante o ano. Os descontos não incidem sobre participação nos lucros, 13º salário e férias.

Para o coordenador geral do Sindicato dos Trabalhadores na Construção Civil, Nestor Bezerra, essa foi uma importante conquista dos trabalhadores. “É uma vitória dos operários, foram 28 dias de greve com uma grande ofensiva por parte da empresa e da imprensa e ainda assim conseguimos fechar um acordo que não prejudicasse os trabalhadores. O reajuste, no geral de 8%, foi um dos melhores do país”, destacou Bezerra.

Esses trabalhadores conquistaram reajuste geral de 8%, cesta básica de R$ 50,00, piso do servente de R$ 639,00, a manutenção das demais clausulas previstas na CCT 2011 entre outros.

O coordenador agradece o apoio da CSP-Conlutas que, segundo ele, foi determinante para o desfecho vitorioso dessa greve. “Agradecemos o apoio que recebemos da CSP-Conlutas e dos seus sindicatos filiados. Agradecemos também a população recebeu com solidariedade a nossa greve e nos aplaudia nas ruas durante as manifestações e, por ultimo, os trabalhadores pela disposição de luta”, finalizou.

Para o membro da CSP-Conlutas, Atnágoras Lopes, que esteve em Fortaleza dando apoio para a categoria, os trabalhadores reafirmaram a força da unidade para conquistar direitos. “A CSP-Conlutas parabeniza esses operários que mostraram sua garra e não esmoreceram diante dos ataques da patronal, lutaram até o fim por seus direitos e arrancaram a vitória”.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Marcha a Brasília reúne 15 mil e reafirma greve geral do funcionalismo dia 11 de junho

Manifestação reúne servidores, professores em greve das universidades federais e estudantes


Agência Brasil
Dia de mobilização em Brasília
A manifestação convocada pelas entidades do funcionalismo público federal demonstrou toda a indignação da categoria com a intransigência do governo Dilma com as reivindicações dos trabalhadores. Reunindo algo como 15 mil pessoas, a marcha contou com o funcionalismo em peso, os professores das universidades federais que protagonizam uma forte greve desde o dia 17 de maio, além de estudantes, que já fazem greve estudantil em 30 universidades.

Demonstrando a enorme disposição de luta dos servidores, a marcha partiu da Catedral, fez a volta na Praça dos Três Poderes e, no retorno, se concentrou em frente ao Bloco K da Esplanada dos Ministérios, onde está o gabinete da Ministra do Planejamento, Miriam Belchior. Os manifestantes realizaram um protesto em frente ao prédio e exigiram ser recebidos pelo Ministério. Na ausência da ministra, foram recebidos pelo secretário Valter Correia, que aceitou se reunir com representantes de 13 entidades do funcionalismo, incluindo as centrais CSP-Conlutas, CUT e CTB.

Os servidores reivindicam reajuste de 22,08% (referente à inflação e variação do PIB desde 2010), assim como uma política salarial permanente, que inclua reposição inflacionária, valorizaçao do salário-base e incorporação das gratificações. Também reivindicam o direito à negociação coletiva no setor público, com definição de data-base em maio e o cumprimento de vários acordos firmados com o governo, mas não cumpridos.


Intransigência

“Relatamos ao secretário a intransigência com que o governo vem tratando nosso movimento, isso se expressa no fato de que, após oito reuniões com o Secretário de Relações do Trabalho, Sérgio Mendonça, nenhum avanço tenha ocorrido”, afirma Paulo Barela, da Executiva da CSP-Conlutas, presente na reunião. Os servidores pediram outro interlocutor com a categoria, haja visto a falta de vontade política do atual representante do governo de resolver o impasse, assim como a abertura efetiva de negociação.

O representante do ministério, porém, reafirmou a atual política do governo. Além de afirmar que Sérgio Mendonça continuaria à frente das negociações, disse ainda que o governo não receberia mais os servidores caso insistissem no atual indicativo de greve para o dia 11. “Achamos que isso é um retrocesso, pois hoje não estamos em greve e o governo já não apresenta nenhuma proposta, somos recebidos mas não há nenhum avanço”, afirma Barela.



O governo afirma que apresentará uma proposta apenas no dia 31 de julho, às vésperas do prazo para a votação da Lei Orçamentária Anual, em agosto. “O governo quer apresentar uma proposta em cima do prazo para impedir uma mobilização maior”, analisa o representante da CSP-Conlutas. Valter Correia se comprometeu a procurar Sérgio Mendonça e a ministra para discutir o “mérito” da questão, retornando com uma resposta na semana que vem. “Dissemos a ele que discutir o mérito significa apresentar números, propostas concretas”, disse Barela.


Servidores reafirmam greve

Os servidores, porém, mostraram que não esperarão sentados. Pela tarde realizaram uma plenária unificada organizada pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Federais, que reuniu mais de mil pessoas. Após uma avaliação do movimento nos diferentes setores, os servidores reafirmaram o indicativo de greve geral do funcionalismo federal a partir do dia 11 de junho. Aprovaram também uma grande manifestação durante a Cúpula dos Povos, que ocorre paralelamente ao Rio +20, no próximo dia 20, além da formação de um comando nacional de greve e mobilização.




Estudantes fazem manifestação no MEC

Esse dia 5 também foi marcado pelo protesto dos estudantes no Ministério da Educação, em apoio à greve dos docentes das universidades federais. Enquanto a greve atinge já 51 instituições federais em todo o país, os estudantes aprovaram greve estudantil em 30. Os alunos se concentraram em frente ao MEC e foram reprimidos pela polícia, com spray de pimenta e cassetetes quando tentaram ocupar o prédio.

“Estávamos em mais de dois mil estudantes lá, fizemos um jogral para discutir o protesto e, mostrando muita indignação pela atual situação das universidades federais, aprovamos ocupar o ministério”, afirma Clara Saraiva, da ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes Livre). No momento em que entravam no ministério para exigir serem recebidos pelo ministro Aloizio Mercadante, foram fortemente reprimidos.

O presidente da UNE, Daniel Iliescu, afirmou à imprensa que a “depredação” partia de uma “minoria, sem que houvesse nenhuma deliberação do movimento”. A entidade não levou estudantes para a marcha, apenas alguns diretores.

Já o ministro da Educação chegou a receber uma comissão dos docentes em greve, mas também não avançou nas negociações.


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Retirado do Site do PSTU