quarta-feira, 6 de junho de 2012

Mais de 15 mil manifestantes participam da marcha dos servidores públicos em Brasília

Agência Brasil
Marcha do funcionalismo público em Brasília
Numa demonstração de força e unidade, mais de 15 mil pessoas, entre servidores públicos dos mais diversos seguimentos da categoria, estudantes e representações do movimento sindical e popular, se fizeram presentes na marcha, realizada em Brasília. O objetivo do ato foi de pressionar o governo para o avanço nas negociações da campanha salarial do funcionalismo público.

A passeata saiu da Catedral e contornou a Praça dos três poderes até o Ministério do Planejamento. Neste momento, os servidores estão concentrados em frente ao MPOG (Ministério do Planejamento Orçamento e Gestão) e 13 entidades estão reunidas com o secretário executivo, Walter Correia, para tratar da pauta de reivindicações dos servidores.

Às 15h, será realizada uma grande plenária nacional de base, organizada pelo Fórum Nacional das Entidades dos Servidores Federais, quando os presentes irão votar a greve da categoria, prevista para ter início a partir do dia 11 de junho.


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Greve nas universidades federais já é uma das maiores dos últimos anos


Retirado do Site do PSTU

Crise na indústria abre pretexto para retomada de reforma trabalhista

Projeto de flexibilização da CLT parte do próprio Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, filiado à CUT


Agência Brasil
Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre
Num momento em que a economia brasileira se desacelera e a indústria pisa no freio, principalmente a indústria automobilística, começa a ressurgir a pressão para uma reforma trabalhista que ‘diminua custos’ e aumente a competitividade. A novidade agora é que a proposta de reforma não vem das empresas ou da Fiesp, mas da região que foi o epicentro das greves do final da década de 1970 e que transformaram Lula em um grande dirigente de massas: o ABC paulista.

No final de 2011, o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Sérgio Nobre, entregou ao ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Gilberto Carvalho, a proposta de um anteprojeto de Lei que, na prática, flexibiliza a CLT (Consolidação das Leis Trabalhistas). Ele estabelece que acordos firmados diretamente entre sindicatos e empresas possam se sobrepor às atuais leis trabalhistas, ou seja, a velha fórmula do ‘negociado que prevalece sobre o legislado’.

Com os sinais mais evidentes de desaceleração econômica e o conjunto de benefícios, isenções e subsídios do governo à indústria automobilística, o projeto foi retomado e, ao que tudo indica, preparado para já ser encaminhado ao Congresso. No dia 21 de maio o presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), realizou uma reunião em Brasília para discutir o anteprojeto. Maia convidou líderes da base do governo e dirigentes do DEM e PSDB, além dos próprios sindicalistas da CUT, a fim de encaminhar a proposta e já construir um consenso para a sua aprovação.


Uma reforma trabalhista disfarçada

O anteprojeto sistematizado pelo Sindicato dos Metalúrgicos do ABC cria a figura do “Acordo Coletivo de Trabalho com Propósito Específico”, ou simplesmente Acordo Coletivo Especial (ACE), como vem sendo chamado. A defesa do sindicato da CUT ao projeto retoma velhos termos e eufemismos repetidos pelo então governo FHC e empresários na década de 1990, em pleno processo de reestruturação produtiva: a modernização e democratização das relações trabalhistas.

O argumento do sindicato é praticamente o mesmo dos mais ferrenhos neoliberais: a CLT, de 1943, já estaria defasada diante da realidade atual. Segundo a cartilha elaborada pelo sindicato, “a lei tolhe a autonomia dos trabalhadores e empresários, impondo uma tutela do Estado, que, como toda tutela, se converte em uma barreira para o estabelecimento de um equilíbrio mais consistente” . A inspiração declarada do projeto é a Comissão Setorial da indústria automobilística. A política das câmaras setoriais foi imposta pelas grandes montadoras e o governo, em conjunto com a direção da CUT, na década de 1990 e visava justamente atacar direitos trabalhistas. Deixou como herança o “banco de horas” e o “banco de dias”, na prática a flexibilização da jornada.


O que diz o projeto da CUT

O anteprojeto estabelece a organização sindical nos locais de trabalho, o “Comitê Sindical de Empresa”, que seria um grande avanço, não fosse essa medida apenas um instrumento para impor acordos que retirem direitos já contemplados na CLT. De acordo com o sindicato, a medida permitiria acordos específicos entre determinada empresa e seus empregados. Condições específicas que “em decorrência de especificidades da empresa e da vontade dos trabalhadores, justificam adequações nas relações individuais e coletivas de trabalho e na aplicação da legislação trabalhista”.

Não é difícil imaginar, num contexto de desaceleração e queda na produção, o que seriam essas tais “condições específicas”. O projeto abre brecha para que as empresas, alegando uma situação de crise, por exemplo, imponha a elevação da jornada de trabalho, ou a redução de salários. Para o sindicato, a medida acabaria com a “insegurança jurídica” para tais acordos. Ou seja, a empresa poderia cortar direitos e não precisaria se preocupar mais com a Justiça do Trabalho. Rápido e sem maior burocracia. Não é por menos que as grandes montadoras, como a Volkswagen, apoiem entusiasticamente o anteprojeto do sindicato do ABC.


Não à reforma trabalhista

A retomada da discussão desse projeto já visa preparar o país para uma conjuntura de crise. Pretende seguir o exemplo da Europa e impor aos trabalhadores brasileiros uma nova rodada de reformas. Agora, porém, através do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, da CUT e do governo Dilma.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 5 de junho de 2012

PSTU divulga nota em apoio à greve das professoras da educação infantil de Taboão da Serra (SP)

Partido se solidariza com as trabalhadoras da educação e exige do governo do PSB/PT a imediata abertura de negociação. Leia abaixo


Trabalhadoras exigem atendimento das reivindicações
Negociação já! Pelo atendimento de todas as reivindicações das grevistas!

As Professoras Assistentes de Desenvolvimento Infantil (ADI’s) da rede municipal de Taboão da Serra (SP) iniciaram uma greve no dia 28 de maio. Elas reivindicam 60% de reajuste para o funcionalismo (salário e cartão alimentação); o reenquadramento das professoras ADI’s no estatuto do magistério; vale transporte; plano de saúde, além do não desconto dos dias parados da greve.

Estas profissionais trabalham nas escolas municipais infantis (berçário, maternal e Jardim) e nas salas de aula do Ensino Fundamental de 1º ao 5º ano, mas não são reconhecidas como professoras pela administração do PSB-PT do município. Este direito ao reenquadramento como professoras já foi conquistado em outros municípios do estado, como Osasco, Guarulhos, Paulínia e São Bernardo do Campo. Até agora, o prefeito Evilásio Farias (PSB) recusou-se a receber a Comissão de Negociação das grevistas.

A greve das Professoras ADI’s está falando por todos nós, trabalhadores e trabalhadoras de Taboão. Estas mulheres grevistas e suas lideranças estão dando um exemplo de luta, organização e coragem. Abandonadas pelos seus sindicatos pelegos (SindTaboão/CUT e Siproem/Força Sindical), organizaram-se na Comissão Independente de Professoras ADI’s e foram para a luta.

A greve acontece na mesma semana em que explodiu a aliança do PSB-PT, do prefeito Evilásio e do vereador Wagner Eckstein (PT), fazendo voar livres nomeados e puxa-sacos para todos os lados. Mais um capítulo da crise que se abateu sobre o governo municipal com os escândalos da “Máfia do IPTU” (Grande$ empresa$ & Prefeitura & Câmara Municipal), até hoje impunes. O governo do Dr. Evilásio está afundando que nem o Titanic, e os ratos estão pulando fora do barco.

A heroica greve das ADI’s está desmontando a falsa propaganda da “cidade educadora”, cujo governo paga um salário miserável de R$ 835,00 e trata com desprezo as profissionais responsáveis pela fase mais importante da educação de nossos filhos: a infância.

O vereador Wagner (PT), na última seção da Câmara, na presença das ADI’s, tentou se desculpar por esta situação deplorável. Reconheceu o fato do seu governo nestes quase 8 anos ter mantido o arrocho de salários e de direitos da maioria dos trabalhadores e trabalhadoras da prefeitura. Esta “herança maldita” foi deixada pelo prefeito anterior, Fernando Fernandes (PSDB): salários de R$ 730,00/R$ 850,00, sem vale transporte, sem convênio médico, sem vale refeição, etc.

Faltou ele dizer que o seu governo inaugurou o regime de semi-escravidão das (os) PAP’s (Programa de Apoio Profissional), que usa verbas do governo federal para pagar a miséria de R$360,00 a chefes de família (na maioria mulheres e negras), para fazer merenda, limpar escolas, lavar banheiros e fazer obras de infraestrutura da cidade, como o piso da Praça Nicola Vivilechio!! E que a cada dois anos são descartadas (os) para a contratação de uma nova leva de semi-escravos.

E o que o vereador/candidato propõe para resolver estes problemas? Que os trabalhadores votem nele... agora para prefeito. Mais uma vez o canto de sereia dos políticos que nas eleições fazem discursos e promessas, mas quando estão no governo massacram o povo pobre trabalhador.

Mas a greve das ADI’s tem o grande mérito de falar a todos os trabalhadores: vocês não devem esperar nada de “mão beijada” dos políticos oportunistas, mas organizar a sua luta independente dos patrões e do governo. Só a luta pode melhorar a vida para melhor!

Com sua greve, as ADI’s mantém o nosso município no mapa mundial das lutas contra a exploração e a opressão capitalista, somando-se a milhões de trabalhadores de norte a sul do Brasil e de leste a oeste do planeta. Seguindo o exemplo dos nossos valorosos camaradas do MTST, que seguem também na sua luta pela moradia e pelos direitos do povo que constrói as riquezas da nação.

O PSTU tem enorme orgulho de estar ao lado destas lutadoras e do conjunto do funcionalismo municipal, não apenas nesta greve, mas também em todos os momentos de sua organização nos últimos anos. Não somos daqueles que vem fazer discursos “revolucionários” na frente dos trabalhadores e depois os chamam a votar nos candidatos da direita racista do PSDB, chefiados pelo governador Alckmin, o carrasco que massacrou os moradores do bairro Pinheirinho de São José dos Campos.

Nas eleições de outubro, o PSTU estará mais uma vez junto com os trabalhadores, apresentando uma plataforma política de defesa dos direitos do povo trabalhador e construindo uma aliança com todos os setores que vem encabeçando as lutas em nossa cidade. Vamos apresentar candidaturas de homens e mulheres que estão na liderança destas lutas e para isso estamos construindo, junto com os companheiros do PSOL, uma Frente de Esquerda Socialista.

Nem o candidato da direita que massacrou o Pinheirinho, nem o candidato da falsa esquerda que massacra os servidores públicos do Taboão! Por uma Frente de Esquerda Socialista (PSTU-PSOL)

Com as ADI’s até a vitória!


ABAIXO-ASSINADO

Clique aqui e assine o abaixo-assinado em solidariedade à greve


Retirado do Site do PSTU

“É necessário que a luta estudantil seja parte integrante da luta do povo trabalhador”

Juventude do PSTU entrevista Juan Parodi, estudante da Universidade de Sevilha e membro da Corriente Roja, sobre a greve geral da educação na Espanha.


Juan Parodi, estudante universitário em Sevilha
No Brasil, estamos vivendo a Greve Nacional da Educação. Os professores já paralisaram quase 50 Instituições Federais de Ensino Superior (IFES), entre universidades e institutos. Em mais de 30 IFES já existe greve estudantil e os funcionários técnico-administrativos tem indicativo de greve para o dia 11 de junho. Os professores e funcionários lutam não só por melhores salários e um novo plano de carreira, mas também contra as péssimas condições de trabalho impostas pelo Reuni.

Este é um projeto que representa um ataque à educação pública brasileira, que coloca para as nossas universidades a tarefa de fábricas de diploma sem qualidade. Bem ao estilo do que é recomendado pelos organismos do imperialismo para a educação dos países periféricos. O que ocorre é que sem o aumento suficiente de verbas públicas para investimento em estrutura física e contratação de professores, esse processo provocou uma situação, na maioria das IFES, de salas de aula lotadas, falta de professores, cursos sem prédios e uma infinidade de problemas que desqualificam enormemente o ensino no país.

A presidenta Dilma quer que a sociedade brasileira escolha entre uma universidade elitista ou precarizada, tentando vender a desqualificação do ensino superior público do país na forma de expansão de vagas. Por isso, o governo federal continua investimento menos de 5% do PIB em educação e repassando dinheiro público para o ensino privado através da isenção fiscal, enquanto gasta 49% do orçamento federal com o pagamento da dívida pública aos banqueiros. Além disso, Dilma já cortou quase 2 bilhões da educação só neste ano. É contra esse descaso que os estudantes brasileiros se mobilizam ao lado dos professores e funcionários. Depois de cinco anos da aplicação do ReUni, o balanço é greve!

Infelizmente, o descaso com a educação não é uma realidade apenas do Brasil. Na Europa, a maioria dos governos está atacando, através dos famosos planos de austeridade, os direitos sociais da classe trabalhadora e da juventude, a fim de despejar nas costas do povo as consequências da crise econômica mundial. Os serviços públicos estão na mira das burguesias europeias e a educação é o principal alvo, especialmente na Espanha. O governo espanhol de Rajoy cortou 3 bilhões da educação pública no início deste ano. No Estado espanhol, esse ataque também teve a resposta dos estudantes, dos professores e funcionários, com uma grande greve geral da educação, que unificou o movimento desde a educação infantil até o ensino superior.

Com o objetivo de compartilhar a experiência dos lutadores espanhóis com os estudantes em greve do Brasil, a Juventude do PSTU entrevistou Juan Parodi, estudante de Ciências Naturais da Universidade de Sevilha e membro de Corriente Roja, sobre a greve geral da educação na Espanha.


Juventude do PSTU Conte-nos como está a greve geral da educação no Estado Espanhol? Quais são as reivindicações dessa greve e quais setores estão em luta?

Juan Parodi Greve geral teve apenas no último dia 22 de maio. Foram convocados da educação infantil à universidade, todos os trabalhadores da educação praticamente e a totalidade dos sindicatos. A partir desta convocatória, o movimento estudantil se aliou e aumentou ainda mais a mobilização. Em Sevilha, por exemplo, os estudantes aprovaram de forma massiva (com 95% a favor) continuar a greve.

Todo este processo acontece como contestação aos cortes na educação aprovados pelo governo Rajoy. Esses recortes se expressam na demissão de professores, no aumento das taxas, na diminuição das bolsas. Quantificando os cortes, chegam a 62% nas universidades e 21% nos outros níveis da educação. Estas porcentagens dão dimensão à gravidade do ataque. Temos universidades que estão ameaçadas de desaparecimento, o ministro disse que 90% delas deveriam fechar.

A greve foi um êxito. Especialmente nas universidades, onde o movimento estudantil se fortaleceu com a sua participação. Os sindicatos contabilizaram a adesão de em media 80%, chegando a 95% nas universidades. As mobilizações foram muito grandes. Na minha cidade, Sevilha, com 700.000 habitantes, 60.000 pessoas saíram as ruas. A partir desse dia, os estudantes das universidades sevilhanas entraram em greve. Foi ocupada a reitoria da Universidad Hispalense, foi realizada uma assembleia geral com 2000 pessoas para definir um plano de lutas. Durante esse tempo, foram realizados protestos de maneira continua: aulas foram dadas na rua, com a participação de 120 professores, foi realizado outro ato com 8000 estudantes, foram realizadas intervenções artísticas nas principais estátuas da cidade para chamar atenção publica sobre a nossa luta, também fechamos uma rodovia em Sevilha. Outros lugares da Espanha também seguiram o nosso exemplo, com ocupações em outras cidades.

Agora, a greve terminou em uma das universidades e está na última semana em outra. Temos que fazer um balanço com o conjunto dos estudantes sobre o significado da greve. Os reitores se posicionaram contra o ministro da educação como forma de protesto pelos cortes. O governo da Andaluzia apontou para os sindicatos, estivemos na primeira pagina dos jornais durante dias. Acho que é possível, frente à situação de mobilização social que se dá na Espanha e à debilidade do governo, derrubar os cortes e também Mariano Rajoy. O movimento estudantil está consciente da força que temos, nas manifestações cantávamos “Mariano, não chega ao verão!”.


Quais são as formas de organização que os estudantes, os professores e os trabalhadores da educação utilizaram em sua luta?

O movimento estudantil e de professores é bastante diverso. Na universidade, elegemos uma delegação central. Os delegados centrais foram os que convocaram a greve continua e se posicionaram através da luta. Também tiveram sindicatos ou associações estudantis que participaram destas delegações e que atuaram diretamente nos passos da universidade. Os professores se organizam nos sindicatos, estes são de várias tendências, os mais combativos nos acompanharam na greve. Os que defendem o pacto com o governo se mobilizaram apenas no dia 22, na greve geral. Também existem plataformas que agrupam professores em defesa da educação publica sem se importar com a afiliação sindical. Por fim, todos esses setores se sentaram em uma mesa comum em defesa da educação pública na qual se decidiram medidas unitárias de luta. Nesta coordenação puderam participar todos os setores que defendem a educação publica.

No caso específico da nossa greve, o centro se converteu na assembleia geral da ocupação da reitoria. Ali, se traçam as principais linhas de luta e se tomam as principais decisões. Cada pessoa participa dessa assembleia em pé de igualdade, os diversos setores e tendências sindicais ou políticas se expressam e defendem sua postura na assembleia. Essas reuniões se mantiveram com uma grande participação, apesar dos esforços de uma greve de tanta duração, sempre tivemos entre 1000 e 2000 pessoas.


Como os ataques que o governo Rajoy está desferindo contra a educação se ligam aos planos de austeridade aplicados por muitos governos europeus?

Os ataques dos quais estamos falando são simplesmente os reflexos no sistema educativo dos planos de austeridades mais gerais. Estes planos afetam todos os serviços públicos, não só a educação. Por exemplo, o último plano anunciado pelo governo recortava 3 bilhões de euros na educação e 7 bilhões na saúde pública.

Esses planos de austeridade tentam cortar todos os gastos públicos com um duplo objetivo. Por um lado, focar todo o gasto público em pagar a dívida que o Estado tem com os bancos. O problema é o que esta dívida criou quando o Estado resgatou com o dinheiro público os bancos que estavam falindo. Hoje, 3% do PIB se destinam apenas ao pagamento dos juros dessa dívida. O segundo objetivo é privatizar a educação e convertê-la em um negócio para os capitalistas. Ajustam-se perfeitamente aos planos que expliquei anteriormente, de aproximação mais geral de todos os serviços públicos, de privatizações e subidas de preços, aplicados pelo governo, a UE e o FMI.


Essa greve geral da educação pode ser vista como parte do movimento "Indignados" da juventude europeia?

Sim e não. Sim, porque a atual onda de lutas no Estado Espanhol se iniciou com o movimento dos “indignados”, e isso se refletiu na nossa greve. Refletiu-se nos métodos de organização e luta dos estudantes e nas aproximações politicas em geral, que em parte se inspiraram no movimento dos indignados. E não, porque a greve se dá em um âmbito puramente estudantil, com base nas organizações estudantis, com uma greve fora das praças e com o objetivo concreto de barrar os ataques do governo. Nesse sentido, não há relação direta. Dentro disso, há setores que são mais influenciados pelo movimento dos indignados que outros. Entre os estudantes, a influência é maior que entre os professores, que têm organizações e métodos mais assentados.

Eu diria que mais que no movimento indignado concretamente, a greve é influenciada pela situação de ascenso generalizado de lutas que se dá. E dentro deste ascenso, há o movimento dos indignados. Também tiveram greves gerais. Agora há ocupações de terra pelos sem-terra e de imóveis pelos sem-teto. Os mineiros fecham estradas e enfrentam a repressão, as trabalhadoras da saúde permanecem diariamente nas portas dos hospitais. Não há dia que não tenham várias lutas acontecendo. Isso se combina com o descrédito dos políticos oficiais e das instituições do Estado. O exemplo mais claro é o do rei da Espanha que foi apanhado por casualidade quando caçava elefantes na África, gastando milhões e agora na greve estudantil se pede a instauração da República.


Desde o Brasil, estamos acompanhando a situação política na Europa, que é marcada, por um lado, por duros ataques à educação e aos direitos sociais da classe trabalhadora e da juventude e, por outro, por uma grande resistência de todo o povo europeu, com greves gerais, marchas e ocupações de praça. Podemos ver essa realidade no Estado Espanhol, em Portugal e, principalmente, na Grécia. Por parte da juventude europeia, há um grande sentimento de insatisfação e uma enorme esperança de mudança dessa situação. Em sua opinião, qual é a saída para essa realidade? Ou seja, a luta dos indignados europeus precisa assumir qual projeto de transformação?

Começando pela educação, a única saída satisfatória para nós começa por deixa de pagar a dívida aos bancos e manter os serviços públicos, como uma educação pública de qualidade. Isso também permitiria contratar muitos funcionários públicos e combater o desemprego. Essa medida hoje dificilmente seria assumida pelo governo. O capitalismo espanhol está à beira da quebra e assumir medidas como essa seria um golpe mortal para eles. Isso significa duas coisas: a primeira é que as medidas propostas devem ser anticapitalistas, e a segunda é que é necessário que a luta estudantil seja parte integrante da luta do povo trabalhador, para poder questionar o mesmo governo.

Essas medidas que unificam estudantes e trabalhadores se resumem em um plano de resgate do povo trabalhador frente ao plano burguês de resgate dos banqueiros. Além do que disse, este plano deveria incluir a nacionalização dos bancos, com planos, como por exemplo, da adaptação ecológica dos sistemas de transporte, agricultura e produção de energia, abertura dos imóveis fechados pelas construtoras, bancos e imobiliárias, a redução da jornada de trabalho sem redução dos salários para acabar com o desemprego. Além disso, é necessário acabar com a repressão aos que lutam e derrubar a falsa democracia na qual um rei nomeado pelo ditador Franco é chefe do exército.

Esse conjunto de medidas, para mim, se chama socialismo. Um sistema econômico controlado pela classe trabalhadora e pelo povo, de maneira realmente democrática e direta para cobrir as necessidades sociais. É necessário defender esse projeto, já que enquanto os capitalistas se mantiverem no controle só vão se preocupar em nos explorar mais. Não há possibilidade de terceiras vias. Como dizia Rosa Luxemburgo, o nosso dilema é socialismo ou barbárie!


Retirado do Site do PSTU

sábado, 2 de junho de 2012

PIB do primeiro trimestre confirma estagnação da economia

Crescimento nos três primeiros meses do ano aponta para PIB menor que o de 2011


Indústria automobilística foi agraciada com novo pacote bilionário
Dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas) nesse 1º de junho reafirmam a forte desaceleração da economia brasileira. Segundo o órgão, o PIB dos três primeiros meses do ano cresceu apenas 0,2% frente ao trimestre anterior. Em relação a 2011, o incremento foi de apenas 0,8%.

Esse resultado, o pior desde 2009, reafirma tendência de estagnação frente à desaceleração iniciada na metade de 2011. O forte crescimento econômico que alguns compararam ao “milagre econômico” (1967-1973) ficou para trás. O piso no freio da atividade econômica torna ainda mais distante a meta do governo de fechar 2012 com crescimento de pelo menos 3%. Os prognósticos mais otimistas do mercado dão conta de um PIB próximo ao que foi o do ano passado, de 2,7%.

Um dos sinais mais preocupantes entre os dados divulgados pelo IBGE é a redução da taxa de investimentos (a chamada ‘formação bruta de capital fixo’, ou seja, produção de máquinas, equipamentos, etc) que retrocedeu 2,1% em relação a 2011 e atingiu níveis similares a 2011.

Nesse último trimestre a indústria, que vinha tendo resultados negativos, contou com uma relativa recuperação, impulsionada pela série de subsídios e isenções oferecidas pelo governo, crescendo 1,7%. Em comparação com o mesmo período de 2011, porém, a indústria se mantém estagnada, crescendo apenas 0,1%.

O setor agropecuário, um dos mais dinâmicos dos últimos anos, por sua vez, despencou 7,3% nesse trimestre e 8,5% em relação ao primeiro trimestre de 2011, no que está sendo justificado como um ‘problema climático’ pelos produtores e autoridades.


Crise está se tornando realidade no Brasil

O resultado do PIB nesses três primeiros meses só não foi pior que o dos países europeus em crise. Revela a perda de fôlego da expansão relativamente alta dos últimos anos e desmistifica a tese do crescimento sustentado e da blindagem do país em relação à crise internacional. O recuo nos investimentos, a crise na indústria e o aumento da inadimplência (que mostra o limite do consumo através do crédito) explicitam a debilidade do crescimento do último período.

Já o modelo de especialização na produção de commodities (produtos primários para exportação), e a internacionalização da economia, com o setor financeiro e industrial nas mãos das multinacionais, expõem a forte dependência do país. A desaceleração da China, por exemplo, já afetou as exportações de minério de ferro (tanto em relação à quantidade quanto nos preços), afetando um dos principais setores responsáveis pelo desempenho do país na Balança Comercial na última década.


Ataques aos trabalhadores, isenções às empresas

Já o governo Dilma, a fim de enfrentar a desaceleração e a crise que se avizinha, aposta no mais do mesmo que já vinha fazendo desde o ano passado. Isso significa: cortes no Orçamento, um inédito ataque à poupança, aprofundamento da precarização no setor público e, por outro lado, isenções e subsídios às empresas e, no último período especificamente, à cambaleante indústria automobilística.

No dia 21 de maio o governo apresentou mais um pacote de estímulos às grandes montadoras, que inclui cortes de IPI e IOF às empresas. As indústrias também contarão com empréstimos subsidiados pelo BDNES para a compra de máquinas, com juros de 5,5% ao ano (para se ter uma ideia, a inflação em 2011 ficou em 6,5%). A previsão é que o governo gaste pelo menos R$ 2,7 bilhões com o pacote.

Enquanto isso setores como Saúde e Educação são cada vez mais precarizados. As universidades federais, por exemplo, que se encontram em uma situação extrema de penúria e descaso, enfrentam uma das maiores greves dos últimos anos, enquanto o funcionalismo público programa uma greve geral a partir do dia 11. A benevolência do governo , porém, restringe-se aos grandes empresários e aos bancos.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Massacre na Síria comprova fracasso da ONU

Vítimas do governo sírio
O massacre na cidade síria de Houla, ocorrido no dia 25 de maio, com o assassinato de mais de 100 pessoas, entre as quais 32 crianças, chocou o mundo e demonstrou que o regime de Bashar al-Assad é capaz de qualquer atrocidade para manter-se no poder. É, também, a prova taxativa do que já se previa: o fracasso do cessar-fogo entre o regime e a oposição, negociado em meados de abril pela ONU e a Liga Árabe e supervisionado no terreno por observadores das Nações Unidas. Neste fim de semana, vídeos mostravam na Internet mulheres de cara tapada a desfilar em Damasco carregando cartazes que dizem: “O regime sírio nos mata, sob supervisão dos observadores da ONU” e “Banir os turistas da ONU”.

Esta também parece ter sido a conclusão do Exército Sírio Livre, constituído por desertores das forças do regime, que anunciou a sua desvinculação do plano acordado com a ONU e do cessar-fogo nele previsto, mas nunca respeitado.

A denúncia do massacre foi feita por opositores do regime, que contaram como Houla foi atingida por artilharia pesada do governo e que os assassinos pró-governo, pertencentes à milícia conhecida como “shabiha”, esfaquearam mulheres e crianças em suas casas. Após a denúncia, os observadores das Nações Unidas dirigiram-se a esta cidade, localizada na província de Homs, tradicional reduto da oposição, e encontraram os cadáveres. A oposição síria, dentro e fora do país, responsabilizou formalmente as forças do regime pelo massacre, enquanto este, como é habitual, o atribui a “grupos terroristas”.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e o seu antecessor e enviado da ONU e da Liga Árabe para pacificar o país, Kofi Annan, disseram que o massacre de Houla foi uma violação terrível do direito internacional. Estava prevista uma viagem de Annan a Damasco para encontrar-se com o presidente Bashar al-Assad. A secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton, condenou o massacre e disse que a pressão sobre o presidente sírio será intensificada.

Segundo o Observatório Sírio para os Direitos Humanos, cerca de 13 mil pessoas morreram, das quais mais de 9 mil são civis, em consequência da violenta repressão montada pelo governo de Al-Assad para impedir os protestos contra o regime iniciados em março do ano passado.


Avançar na revolução

O novo massacre só reforça a necessidade de armamento para se defender da violência do regime. O povo sírio tem o direito de decidir democraticamente os rumos de seu país e de se armar. Com armas, o exército vai se dividir, e a revolução terá chances reais de vencer. A revolução na Síria só será completa com a queda de Bashar e das elites dominantes do país.

Por outro lado, a intervenção do imperialismo não é uma solução. Se a revolução avançar, é possível que o imperialismo – via ONU, OTAN etc. - ou a Liga Árabe intervenham. Mas o objetivo deles não é fortalecer a revolução, e sim paralisá-la e destruí-la, pois o imperialismo pretende defender seus interesses econômicos e políticos, ameaçados pela revolução.


Retirado do Site do PSTU