quinta-feira, 31 de maio de 2012

Greve nas universidades federais já é uma das maiores dos últimos anos

Greve iniciada no dia 17 de maio ganha apoio dos estudantes; marcha nacional pela Educação ocorre dia 5 de junho em Brasília


Estudantes da UFRJ aprovam greve estudantil
No dia 17 de maio, os professores das universidades federais iniciaram uma forte greve que atinge hoje cerca de 50 instituições em todo o país, sendo já um dos maiores movimentos grevistas dos últimos anos no setor. Desde o início, a greve nas federais surpreendeu pela ampla adesão, começando com mais de 30 instituições logo no primeiro dia.

Além do apoio dos estudantes, a greve vem atingindo instituições federais e setores normalmente refratários a movimentos paredistas. Não é difícil entender a indignação que atinge a comunidade universitária. Os docentes sofrem com um plano de carreira defasado e o descaso do governo, enquanto as universidades federais estão literalmente caindo aos pedaços, com uma infraestrutura sucateada e falta de professores.

O quadro é tão dramático que, segundo o Andes-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), o início do ano letivo de 2012 foi suspenso ou atrasado em diversos cursos devido à falta de condições em várias universidades. “Existem instituições sem professores, sem laboratórios, sem salas de aula, sem refeitórios ou restaurantes universitários, até sem bebedouros e papel higiênico” , informa carta aberta do sindicato à população.

Além da ampla adesão dos docentes, a greve nas universidades federais também conta com apoio massivo dos estudantes. Nesse dia 29 de maio uma assembleia histórica na UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a maior do país, reuniu cerca de 2 mil alunos, que aprovaram greve estudantil por melhorias nas condições de ensino. Estudantes de 20 universidades federais já teriam decretado também greve estudantil.


Descaso do governo

O governo Dilma e o Ministério da Educação, além de serem responsáveis pela situação de precariedade das universidades federais, vêm tratando a greve e as reivindicações dos docentes e estudantes com total descaso. No último dia 25 o representante do Ministério do Planejamento indicado para negociar com os professores simplesmente desmarcou a reunião agendada para aquele dia, sem qualquer justificativa. Seria a primeira reunião com o governo desde o início da greve. Já o ministro da Educação, Aloizio Mercadante, se limita a atacar a greve e a exortar os professores a voltarem ao trabalho na imprensa, mas se nega a abrir diálogo com os docentes.

Parte da indignação dos docentes vem do fato de o governo ter assinado, em 2011, um acordo em que se prontifica a fechar um novo plano de Carreira até o dia 31 de março de 2012. Porém, passada essa data, não havia nada de concreto. A desvalorização da carreira docente nas universidades públicas afeta a qualidade de ensino e, junto com a precarização causada pelos sucessivos cortes no Orçamento, aprofunda a crise da Educação. A isso se somam as unidades sem a menor infraestrutura abertas após a aprovação do Reuni (Programa de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais) em 2007 e que impôs o aumento do número de vagas nas federais sem o consequente aumento nas verbas destinadas às universidades. Resultado: salas superlotadas, estudantes sem salas ou professores e falta de materiais básicos.



"A greve é uma reação ao desmonte da universidade pública imposta por sucessivos governos que, desde FHC, vem aplicando os planos dos organismos internacionais como ONU, Banco Mundial e a OMC, com o objetivo de atender às demandas do capital em crise", afirma Cláudia Durans, docente da UFMA (Universidade Federal do Maranhão), explicando que tal plano prevê a "flexibilização e dissociação entre ensino, pesquisa e extensão, diversificação nas modalidades de ensino (cursos sequenciais, licenciaturas e bacharelados interdisciplinares), ensino à distância, avanço da privatização favorecendo os grandes grupos econômicos, como o Prouni, e a própria degradação das condições de trabalho e de desenvolvimento das atividades acadêmicas, de qualificação".


Unificar as lutas

"É importante avançar na unificação da greve com os técnicos administrativos das universidades federais, que tem indicativo de greve para o dia 11 de junho, assim como reafirmar a unidade com os estudantes", afirma Durans. Entidades como o Andes-SN, Fasubra (Federação dos Sindicatos dos Trabalhadores das Universidades Públicas Brasileiras) e ANEL (Assembleia Nacional dos Estudantes-Livre) convocam uma marcha nacional pela Educação para o próximo dia 5 de junho em Brasília, exigindo o atendimento das reivindicações dos trabalhadores em educação e a melhoria no ensino, incluindo a exigência de 10% do PIB para a Educação.


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Nota da Juventude do PSTU em apoio à greve

Declaração ANEL


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Imprensa ataca e criminaliza greve da construção civil em Fortaleza (CE)

Grupo ligado à Globo utiliza depredação como pretexto para dar salto na escalada de criminalização do movimento de greve


Detalhe do Portal do Grupo Verdes Mares que criminaliza greve
Ao final da manhã desse dia 29 de maio, a entrada da sede do Grupo Verdes Mares de Comunicação, retransmissora da rede Globo na região, sofreu um ato de depredação. No momento do ocorrido, havia duas manifestações de categorias distintas. Uma passeata dos operários da construção civil, que se encontravam há 22 dias em greve e um ato dos trabalhadores gráficos, inclusive alguns funcionários do jornal Diário do Nordeste, os quais também estão em greve.

Não tardou para que o conjunto da imprensa, em especial, o grupo Verdes Mares, atacar as duas categorias e suas respectivas direções sindicais, culpando-as pelo pelos acontecimentos que se sucederam nesse dia 29.

Esclarecemos que em nenhum momento o comando de greve da construção civil e a diretoria do sindicato orientam atos de violência contra a imprensa e seus funcionários. Antes de mais nada, as organizações envolvidas na greve defendem, intransigentemente, as liberdades democráticas e de imprensa, mesmo que muitas vezes a defesa da liberdade da imprensa seja utilizada como desculpa para mentir, desmoralizar, criminalizar os que lutam e criar inverdades.


O que aconteceu?

Em primeiro lugar, é preciso deixar claro o que se passou. Os operários e operárias da construção civil estavam se dirigindo à Assembleia Legislativa do Estado do Ceará para mais uma rodada de negociações entre o sindicato patronal e representantes da categoria, intermediada por parlamentares e pela Justiça do Trabalho. O objetivo é fechar um acordo que busque encerrar essa que é a segunda greve mais longa da história da categoria.

No decorrer do trajeto, estava marcado um ato de solidariedade com os trabalhadores gráficos que permaneciam na Praça da imprensa. No encontro entre as duas categorias, na Praça da Imprensa, um dos seguranças do grupo Verdes Mares provocou um grupo de trabalhadores e agrediu um diretor do Sindicato da Construção Civil, empurrando-o. O tumulto começou por uma ação irresponsável de um dos seguranças da empresa, que obrigou parte da categoria a defender seu dirigente sindical.

É necessário que se esclareça estes fatos porque, mais uma vez, o grupo Verdes Mares atua no sentido de desmoralizar as greves em curso, os trabalhadores e dirigentes sindicais. Durante a greve da construção civil age, conscientemente, no sentido de mostrar os operários como vândalos , bandidos e os dirigentes sindicais como irresponsáveis. Até o presente momento, esta empresa trata a greve como um caso de polícia e não como um problema social que envolve a superexploração pelo qual passa essa categoria.

As matérias, até agora veiculadas pelo sistema Verdes Mares de Comunicação estão a serviço de criar fatos que ajudem o sindicato patronal na sua tese de que estamos diante de uma greve abusiva e ilegal. Fala-se de vandalismo, transtorno para a população, engarrafamentos, desvio de rotas dos ônibus, etc. Não há nenhum espaço em suas páginas para que a opinião dos trabalhadores tenha o mesmo espaço da opinião dos empresários. Em nenhum momento o jornal faz menção aos 28 vitimados fatalmente nas obras da construção civil de Fortaleza e Região Metropolitana, não fala do desrespeito de jornada de trabalho de 44 horas que ocorre, indiscriminadamente, nos canteiros de obras, da qualidade da comida servida nos canteiros, da ausência de áreas de vivência nos locais de trabalho, da falta das condições de higiene dos alojamentos e finalmente do salário pago aos que fazem parte da categoria e da cesta básica, se é que assim podemos chamá-la, de R$ 35,00 que é paga aos trabalhadores.


Em defesa da liberdade de imprensa: ouvir a versão dos trabalhadores

Enquanto estouram declarações de apoio ao grupo Verdes Mares por parte da imprensa em geral, do governador Cid Gomes (PSB), de entidades como a OAB, os trabalhadores contam apenas com suas próprias forças e com a solidariedade das demais categorias.

Esperamos que Cid Gomes e os grupos de comunicação ouçam a versão dos trabalhadores e revejam suas declarações. Em especial convidamos a OAB para se fazer presente na greve, assim como fez na greve dos professores do estado do Ceará, na defesa dos direitos dos trabalhadores.


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Operários da construção civil em greve polarizam Fortaleza


Retirado do Site do PSTU

Contra a opressão e a exploração, PSTU participa da Marcha das Vadias em São Luis (MA)

Marcha das Vadias reuniu 500 pessoas na capital do Maranhão
Neste 26 de maio aconteceu em São Luís a I Marcha das Vadias, que reuniu 500 pessoas. A marcha teve origem em 2011 no Canadá em protesto à fala de um policial que orientou as jovens a não usarem roupas de ‘vadias’ para evitar serem estupradas. A partir disso, em vários países as mulheres se mobilizaram contra a responsabilização da mulher pela própria violência que sofre.

O PSTU esteve na construção da marcha para exigir de Dilma a aplicação e ampliação da Lei Maria da Penha, denunciando a violência do sistema capitalista contra as mulheres e a necessidade de construir uma sociedade sem classes que garanta a real liberdade das mulheres.


A luta contra a violência

O tema central da marcha é violência contra a mulher e a defesa da liberdade sexual. No Brasil, a cada 2 minutos, 5 mulheres são espancadas e a cada 12 segundos, uma mulher é estuprada. A violência sexual é uma realidade para milhares de mulheres. Na comunidade do Pinheirinho em São Paulo, duas moradoras foram estupradas pela ação criminosa da polícia.

No Maranhão, segundo dados do Governo do Estado, o número de mulheres mortas de forma violenta é superior ao de detentos assassinados no sistema carcerário. De acordo com a Secretaria Estadual da Mulher (SEMU), foram registrados 54 homicídios em delegacias e presídios do estado, contra pelo menos 62 casos de mulheres brutalmente assassinadas. Mais de 25% das mulheres foram mortas de forma brutal, fruto de ciúmes ou da não aceitação do fim do relacionamento por seus parceiros. A mulher do campo é muito mais vulnerável á violência que a mulher urbana.

Essa realidade é consequência de uma sociedade que transforma as diferenças em desigualdades e as utiliza para oprimir. As mulheres que mais sofrem com a violência são as mulheres pobres, que não possuem independência financeira, que dependem do transporte público e do amparo do Estado.

As mulheres, que são metade da classe trabalhadora brasileira (46%), estão localizadas nos setores menos remunerados. Ganham em média até 33% menos que um homem para uma mesma função. Essa desigualdade é convertida em mais lucros para os patrões, que se utilizam e reproduzem características que naturalizam as mulheres como inferiores. Essa diferença ainda é maior quando falamos das mulheres negras

Isso demonstra que para a maior parte das mulheres o machismo significa o aumento da exploração. As mulheres trabalhadoras sofrem de forma combinada a opressão e a exploração capitalista. E esse Estado, que está a serviço dos patrões, não está a serviço das mulheres pobres, que morrem em grande número todos os anos em decorrência de abortos clandestinos, nas filas dos hospitais, que seguem sendo vítimas da violência doméstica.


No governo de uma mulher, elas continuam sem direitos básicos

A Presidenta Dilma, primeira mulher a ocupar um cargo como esse no Brasil, demonstra em linhas claras que não prioriza politicas específicas para o atendimento da melhoria de vida das mulheres. A cada ano, 1 milhão de mulheres realizam aborto no Brasil e 200 mil morrem em decorrência dos abortos clandestinos. Assim que assumiu o governo, Dilma tratou como barganha a questão da legalização do aborto, bandeira histórica do movimento feminista, se comprometendo com a bancada religiosa que em nada iria intervir em relação à isso. É a expressão de uma sociedade que tira a autonomia da mulher em nome de uma moral construída para a burguesia.



As mulheres trabalhadoras não podem optar por não manter uma gravidez, ao mesmo tempo em que não possui garantias de uma maternidade digna. O Estado não garante licença maternidade efetiva e nem creches públicas de qualidade para deixarem seus filhos. A Presidenta prometeu construir 6427 novas creches. Em 2011 nenhuma nova creche foi entregue pelo governo federal.

Além disso, os enormes cortes no Orçamento afetam diretamente o financiamento para Educação, Saúde, Transporte e para os programas de combate à violência, interferindo assim diretamente na vida das mulheres trabalhadoras. O Maranhão segue com essa realidade, nos desmandos de uma mulher no Governo do Estado, representante de uma oligarquia que domina a região há mais de 40 anos. Por isso afirmamos que não basta ser mulher, é preciso governar para os trabalhadores e trabalhadoras.

É preciso exigir de Dilma que construa creches para que as mulheres trabalhadoras possam trabalhar e estudar com dignidade, que seja priorizado o financiamento para o combate à violência, para educação e saúde de qualidade. A Lei Maria da Penha precisa ser realmente aplicada e ampliada. Exigimos dignidade e melhoria de vida para as mulheres trabalhadoras.


Unidade da classe trabalhadora

Estivemos na marcha porque acreditamos que é importante para avançar na luta das mulheres, porque precisamos combater todas as expressões do machismo e não admitir a injustiça e a opressão. O machismo é mais uma forma de dividir a classe trabalhadora e fragmentar as lutas, e só serve aos patrões. Mas não paramos por aí.

Não acreditamos na liberdade das mulheres no capitalismo, que transforma as relações em lucro e explora a maior parte da população. Defendemos que somente com a construção do socialismo teremos o caminho para construir outras relações, sem opressão, e sem exploração. Esse caminho se dá através da luta, da mobilização independente da classe trabalhadora.

Não acreditamos na unidade das mulheres burguesas e trabalhadoras pelo fim da violência e pelo socialismo, porque enquanto umas são exploradas outras exploram. É necessário separar as burguesas das trabalhadoras, unificar com os homens de nossa classe e dar o combate estrutural à sociedade capitalista.

A luta contra a opressão é uma das tarefas de homens e mulheres na luta contra a exploração, porque não é possível construir o socialismo sem uma luta inflexível e permanente contra o machismo.


Retirado do Site do PSTU

Piquenique político e poético do PSTU reúne militantes e simpatizantes em Natal

Amanda Gurgel fala em evento cultural e político
Convocado pela professora Amanda Gurgel, o piquenique político e poético do PSTU reuniu militantes, trabalhadores e simpatizantes no último sábado, 26 de maio, em Natal, para debater os problemas da cidade, ouvir música, poesia e realizar uma confraternização entre os que acreditam em um projeto de esquerda e socialista para a capital potiguar.

O pré-candidato a prefeito pela Frente Ampla de Esquerda, da qual o PSTU faz parte, professor Robério Paulino (PSOL), esteve presente e prestigiou o evento. "Natal precisa inverter a ordem de governo. Não pode ser que as oligarquias sigam sendo beneficiadas em detrimento dos trabalhadores", discursou ele. O professor e militante histórico do PSTU, Dário Barbosa, falou da onda de revoltas e revoluções na Europa e no Mundo Árabe. "Os ventos daquelas lutas precisam soprar por aqui também. Só um projeto socialista, revolucionário e de esquerda é que pode dar aos trabalhadores o que o capitalismo rouba todos os dias", destacou Dário.

A professora Amanda Gurgel avaliou a situação da Educação um ano depois da repercussão de seu discurso na Assembleia Legislativa. "O caos da Educação permanece o mesmo. Da parte dos governos, nada mudou. E se depender desse Plano Nacional da Educação que está tramitando no Congresso, a situação vai continuar ruim pelos próximos dez anos, fazendo aquele discurso ser cada vez mais atual. Sem os 10% do PIB já, as mudanças não vão acontecer", disse Amanda.

A professora ainda destacou as graves contradições do capitalismo, que impede os trabalhadores de terem acesso a todos os avanços da humanidade. "Não é possível que no momento em que esteja sendo discutida a nanotecnologia, em que estejam sendo discutidos implantes artificiais de todos os órgãos do nosso corpo, que ainda tenham crianças que morram de fome. É pra acabar com essa injustiça que nós apresentamos o nosso programa socialista, porque nós acreditamos no fim do capitalismo", sentenciou.

O piquenique político e poético foi um sucesso. Politizou a vida e poetizou a luta. Ao som de boa música e embalados por versos de poetas consagrados e anônimos, a noite seguiu animada e dando aos presentes a certeza de que existe, sim, uma saída para os problemas de Natal. Uma saída pela esquerda.


Retirado do Site do PSTU

Dilma e o código florestal do latifúndio

Toda a campanha em favor do “Veta tudo Dilma” não foi suficiente para impedir o maior ataque à legislação ambiental da história do país.


Agência Brasil
Ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, anuncia os vetos parciais de Dilma
No último dia 25 de maio a presidente Dilma Rousseff anunciou a nova legislação ambiental ao país. Trata-se de uma flexibilização dos dispositivos de proteção ambiental cujo objetivo é o favorecimento da expansão do agronegócio.

A nova lei prevê inúmeros dispositivos de anistia e perdão de multas a desmatamentos realizados até 2008. Além disso, nova lei diminui as áreas a serem recuperadas, como as APP’s e RL’s (Áreas de preservação Permanente e Reservas Legais).


O que diz a nova lei

Logo após a divulgação do veto parcial de Dilma, o Comitê Brasil em Defesa das Florestas avaliou como ficou a nova lei.

Segundo o Comitê, a porta para o perdão aos desmatadores foi aberta com a manutenção da definição de “área rural consolidada” para as ocupações ilegais ocorridas até julho de 2008. Ou seja, quem desmatou até essa data será anistiado.

Também houve uma redução das faixas de proteção das APP’s no que se refere às matas ciliares (de beira de rio, que os protegem contra processos de assoreamento). A antiga lei previa uma faixa de proteção que variava de 30 a 500 metros. Agora essa faixa é de 5 a 100 metros. Como se não bastasse, a lei anistia de recomposição aqueles que desmataram essas áreas até julho de 2008.

A lei também não mais obriga a recomposição de APP de topo de morro e encostas, mantendo inclusive a atividade de pecuária nessas áreas. Também anistia de recomposição as APP’s de nascentes, olhos d’água, lagos e lagoas naturais; ocupações em áreas de manguezal ocupadas até julho de 2008 e permite novas ocupações em até 35% na Mata Atlântica e 10% na Amazônia.

Outra medida que chama a atenção é a redução de Reserva Legal (área localizada no interior da propriedade que deve ser mantida com a sua cobertura vegetal nativa) em estados onde 65% de seu território são formados por Unidades de Conservação (UC) ou Territórios Indígenas (TI). Os municípios onde 50% de sua área são formadas por UC ou TI também sofrerão com a diminuição de Reserva Legal.

Essa medida vai afetar pelo menos 80 municípios na Amazônia, ainda segundo o Comitê Brasil em Defesa das Florestas. Também afeta imediatamente todos os municípios do Amapá. De acordo com a antiga lei, o percentual de Reserva Legal para propriedades na Amazônia Legal era de 35% . Nos demais ecossistemas e regiões do país, o percentual de Reserva Legal é de 20% do total da propriedade.

Como se tudo isso não bastasse, a presidente Dilma devolve ao Congresso Nacional a decisão sobre a proteção das florestas, o que será feito apenas após a conferência Rio +20.


Compromisso com o latifúndio

Apesar de suas promessas na campanha eleitoral, Dilma cedeu às pressões dos latifundiários do país. Mas a capitulação não surpreende. Na verdade, as mudanças no Código Florestal brasileiro só entraram em pauta graças à intervenção do próprio governo. O objetivo é ampliar a fronteira agrícola do país e aumentar a exportação de produtos primários para o mercado internacional. É essa “reprimarização” da economia brasileira que é vendida como “crescimento”. Seu único papel é aprofundar a dependência do Brasil em relação ao mercado mundial.

Dilma é coerente com o conjunto dos ataques iniciados pelo governo Lula, que editou a MP 422, legalizando propriedades públicas de até 1.500 hectares ocupadas ilegalmente pelo latifúndio, liberou linhas de crédito ao agronegócio e liberou os transgênicos no país. Por outro lado, nem uma única unidade de conservação foi criada pelo governo Dilma. Pelo contrário, há diminuição do tamanho de várias UC’s e TI’s, sobretudo na Amazônia, para plantar nelas grandes hidrelétricas e projetos de mineração.

Dilma não só preservou a coluna vertebral da proposta ruralista ao Código Florestal, com anistia e diminuição de áreas protegidas, como caminha para entrar na história como a presidente que abriu as portas para a devastação ambiental de todo o país.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 26 de maio de 2012

Nota do PSTU sobre as prévias do PT em Recife (PE)

“Capaz de pisar no pescoço da mãe”..., “mau-caráter”... ”corrupto”..., “comprador de voto”... Com essas expressões vulgares trocadas mutuamente, os principais dirigentes do Partido dos Trabalhadores (PT) estadual e municipal retratam o que é este partido hoje.

O lamentável espetáculo das prévias com a guerra de liminares, agressões físicas entre os militantes, ameaças e agressões até contra a imprensa que cobriam o evento, deixa a população de Recife com uma pergunta no ar: é essa gente que governa a cidade?


O PT de ontem

Toda uma geração de ativistas sérios e abnegados dedicou parte de suas vidas à construção de um partido que representasse os interesses da classe trabalhadora no país. Homens e mulheres que enfrentavam a Ditadura Militar e buscavam um instrumento de luta contra a exploração e opressão a que eram submetidos nas fábricas, nos canteiros de obra, nas escolas e no campo acreditaram no projeto do PT nos anos de 1980.

Nesse percurso o PT teve um papel fundamental para a construção de uma consciência de classe em determinada época da história recente do Brasil. O jargão “trabalhador vota em trabalhador” resumia esta postura que se difundiu entre uma grande parcela dos trabalhadores. Era um tempo em que ser do PT significava ser um ativista consciente, um lutador de classe, um militante sério. Tinha-se orgulho de erguer a bandeira desse partido nas mobilizações e nos atos públicos.


O PT de hoje

Como todos podem perceber esse tempo já se foi. Hoje o PT abriga em suas fileiras o que existe de pior na política brasileira e suas bandeiras quase não são vistas nos protestos. Não foi o PT que inventou a corrupção, a má administração do dinheiro público, a troca de favores na política. Mas o PT rapidamente se adaptou a tudo isso ao chegar ao poder e hoje comanda o Estado brasileiro seguindo à risca a cartilha escrita pelas velhas oligarquias da direita tradicional (DEM/ex-PFL, PMDB, PSDB e tantas outras siglas de aluguel).

Antes os filiados contribuíam com suas cotizações para a manutenção do partido e tinham direito a decidir sobre os rumos da sigla, hoje o PT se sustenta com dinheiro de grandes empresário (muitos deles acusados de corrupção), de parlamentares (muitos deles envolvidos em escândalos) e de relações questionáveis com o Estado. Tudo é decidido pelos caciques em negociatas das quais os filiados sequer tomam conhecimento.

Dilma, Eduardo, João da Costa e Rands trabalham intensamente para derrotar toda e qualquer mobilização independente dos trabalhadores nos últimos anos, não apenas com o uso tradicional da repressão, mas, principalmente com a cooptação das lideranças sindicais, populares e estudantis.

Essa situação deixa evidente que o imenso nível de investimento público em Suape, através de isenções fiscais, empréstimos e subsídios especialmente para empresas multinacionais, não serviu para alterar em nada a situação da classe trabalhadora no estado. Isso aparece nos níveis baixíssimos de saúde, escolaridade, na precariedade das moradias e no aumento absurdo da barbárie que atinge principalmente os jovens negros e mulheres trabalhadoras, especialmente na cidade de Recife.

Se para os empresários há todo tipo de incentivos, para os trabalhadores o governo de frente popular reserva a truculência e a repressão. Assim tem sido com as mobilizações estudantis contra o aumento das passagens, com a luta dos camelôs pelo direito de comercializarem nas ruas de Recife e com as lutas dos operários de Suape.


As Prévias em Recife

Com essa trajetória, fica fácil entender que nas prévias do PT de Recife não há uma disputa de projetos para governar a cidade. Há uma batalha pelo comando do aparato da prefeitura com seus milhares de cargos comissionados, os contratos milionários com empreiteiras e prestadoras de serviço terceirizado, pelas verbas do PAC e tantos outros recursos federais que nunca são investidos em benefício do povo.

João da Costa, que atuou no passado no movimento estudantil e depois assumiu o controle do Orçamento Participativo indicado por João Paulo, acostumou-se no poder e decidiu que não iria largar o osso, mesmo sendo tão questionado pela população em geral. O povo credita a ele com toda razão os sérios problemas na saúde, na educação e no saneamento da cidade, enquanto aumenta sem parar a arrecadação e os envios de verbas federais nos cofres da prefeitura.

Maurício Rands, que já foi advogado trabalhista do movimento sindical em outra época, acompanhou também o retrocesso do PT e da CUT e não vacilou em ser vanguarda na reforma da previdência que atingiu duramente os servidores públicos, hoje é o agente direto de Eduardo Campos no PT, que o lançou na disputa, com o intuito de intervir diretamente na prefeitura.

Rands cumpriu o lamentável papel de ter sido o relator da reforma da previdência, que acabou com a aposentadoria integral, com a isonomia de reajuste entre ativo e inativo e aumentou o tempo para a aposentadoria de milhares de trabalhadores. Também fez o serviço sujo de ser o chefe da tropa de choque que defendeu os deputados do PT envolvidos no escândalo do mensalão. Não se pode esquecer que Rands é um os defensores fiéis da privatização da COMPESA.


Pela Frente de Esquerda, com um programa socialista

Não basta ficarmos enojados diante desse espetáculo, nossas vidas (salários, empregos, direitos) estão em jogo se esses senhores se perpetuam no poder. A classe trabalhadora da cidade de Recife precisa entrar em cena e se definir por uma alternativa a tudo isso, no campo das lutas e das eleições também.

Nós, do Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) aceitamos o desafio de desmascarar o governo de frente popular em Pernambuco e em Recife. Como já afirmamos, nosso compromisso é unicamente com trabalhadores. Afirmamos sem medo de errar que os governos de Dilma (PT), Eduardo Campos (PSB) e João da Costa (PT) estão a serviço dos grandes empresários, banqueiros, latifundiários e políticos corruptos. Chamamos os militantes sérios e honestos do PT a romperem com esse partido que nada mais tem a ver com suas origens.

Achamos que tanto os representantes da velha direita (Mendonça do DEM, Henry do PMDB, Jungman do PPS) como os candidatos governistas (João da Costa e Maurício Rands do PT) fazem parte de um mesmo projeto de governar para os ricos e contra os trabalhadores.

Por isso, estamos apresentando o companheiro Jair Pedro como pré-candidato do partido à prefeitura do Recife. Jair é uma alternativa da classe trabalhadora, comprometido com as lutas populares e disposto a governar apenas para os trabalhadores e povo pobre da cidade.

Desde muito antes das eleições temos feito um insistente chamado aos partidos de oposição de esquerda no estado, especialmente ao psol, ao PCB e também ao PCR, para que formemos uma frente de esquerda. Uma frente que se expressasse nas eleições e nas lutas dos trabalhadores em Pernambuco. Uma frente de oposição de esquerda aos governos de Dilma, Eduardo e João da Costa; vinculada ao processo de reorganização do movimento sindical, estudantil e popular no estado como reflete hoje a CSP/CONLUTAS, com uma clara postura classista, um compromisso com a classe trabalhadora, suas lutas e reivindicações, sem qualquer relação ou apoio financeiro de setores patronais, ou com partidos de aluguel e da direita tradicional no estado.

Esse chamado está mais atual do que nunca.


Retirado do Site do PSTU