terça-feira, 20 de março de 2012

Itajubá (MG): metalúrgicos da CSP-Conlutas derrotam a CUT com 71,79% dos votos

Chapa da CSP-Conlutas
A Chapa 1, da CSP-Conlutas e da Federação Sindical e Democrática dos Metalúrgicos, obteve grande vitória e se reelegeu na direção do Sindicato dos Metalúrgicos de Itajubá, Paraisópolis e Região, com 71,79% dos votos válidos, para o triênio 2012-2015. A apuração terminou às 3h30 da sexta-feira, dia 16, no ginásio do bairro Santa Rosa, em Itajubá-MG. A Chapa 2, da CUT/CSD, alcançou apenas 28,21% dos votos, com uma campanha pautada pela despolitização e falsas promessas. A nova diretoria toma posse no dia 30 de maio.

Na apuração, a torcida da CSP-Conlutas estava muito agitada, com metalúrgicos, trabalhadores da saúde, professores e militantes do movimento popular entoando palavras de ordem de independência política frente aos patrões e os governos. O clima de euforia tomou conta quando o resultado foi anunciado pelo metalúrgico Giba Gomes, da Federação.

A Chapa 1 saiu vitoriosa na ampla maioria das fábricas, sobretudo na Delphi e na Mahle, uma das maiores da região. Foram 1555 votos para a Chapa 1 contra 611 para a Chapa 2. Ao todo, registrou-se 26 votos brancos e 52 votos nulos.

Com o resultado, a Federação Democrática e a CSP-Conlutas se fortalecem para seguirem travando a luta em defesa das conquistas e por novas vitórias, a exemplo da recente campanha salarial da categoria. Os metalúrgicos da região, que participaram em peso do processo, agora podem ter a certeza de que Sindicato dos Metalúrgicos seguirá no caminho das lutas, sem se vender às empresas e aos governos e firme na defesa dos direitos.

“Essa eleição foi uma vitória da categoria e não só dos que se dedicaram a construir a Chapa 1. Tenho certeza de que a categoria acredita que com essa nova diretoria poderemos alcançar um futuro de grandes conquistas. Saudamos a toda os metalúrgicos e metalúrgicas pela forte participação no processo eleitoral. Felizmente tudo ocorreu da forma mais democrática e limpa possível. Agradecemos a todos pelo alto índice de votos na nossa chapa. Agora o desafio é seguir adiante, fortalecendo o sindicato” disse o dirigente do Sindicato, José Carlos dos Santos, o Carlinhos.


Retirado do Site do PSTU

O racismo nada sutil dos tucanos

Deputado do PSDB, Carlos Alberto Leréia
O verdadeiro ódio que o tucanato do PSDB tem em relação à maioria da população deste país (ou seja, os trabalhadores, os mais pobres, os negros e demais oprimidos e explorados) tem sido demonstrado em vários episódios: do massacre de Eldorado de Carajás ao Pinheirinho, do tratamento dispensado aos professores ao

No dia 15 de março, contudo, um dos membros do bando, o deputado Carlos Alberto Leréia, de Goiás, colocou em evidência outra faceta dos tucanos: o racismo. Como consta no boletim de ocorrência registrado na Polícia do Senado, Leréia chamou um policial negro de "macaco" e mandou que ele "procurasse um pau para subir".

Não que isso seja novidade. Afinal, foi um dos principais representantes da “espécie”, o ex-presidente Fernando Henrique, que, em 1994, nos brindou com uma pérola racista ao afirmar que também era “mulatinho” e, portanto, “tinha o pé na cozinha”. Opinião típica dos habitantes da “casa-grande” acostumados a ver negros e negras somente nos espaços destinados a servi-los.

A única “novidade” na história é que o deputado Leréia não fez o mínimo esforço para mascarar seu preconceito. E teve o “azar” de ter sido pego em flagrante.


Arrogância de classe e elitismo racista

O episódio ocorreu quando o deputado se dirigia ao local mais concorrido do Congresso, a sala do cafezinho, e o policial pediu para que ele se identificasse. Assumindo uma postura típica da elite brasileira (o asqueroso “você sabe com quem está falando?”), Leréia respondeu que o servidor deveria saber quem era ele ou que, então, "procurasse na internet porque ele não iria se identificar".

A cena foi testemunhada por dois outros congressistas, Antonio Carlos Valadares, do PSB sergipano, limitou-se a dizer que acho aquilo tudo muito “feio”. Já o senador peemedebista Eunício Oliveira, do Ceará, não titubeou em se solidarizar com seu “colega”, acrescentando que, se fosse ele, teria "dado voz de prisão" ao policial.

Segundo soube-se, a arrogância (além de puro mau-caratismo) de Leréia já tinha sido registrada em uma ocorrência anterior em que ele mandou outro servidor do Congresso ir "tomar no c...".


Basta de racismo! Chega de impunidade!

O episódio é apenas o mais recente, numa lista de lamentáveis ataques racistas que têm ocorrido país afora. Do caso da Ester, a estagiária de um colégio em S. Paulo que perdeu o emprego por se recusar a alisar os cabelos, ao ataque aos quilombolas dos Rio dos Macacos, na Bahia.

Ataques sintonizados e alimentados pela crescente onda de higienização social e criminalização da pobreza, que também tem profundas raízes no ninho tucano. Como ficou lamentavelmente evidente no ataque ao Pinheirinho e sua população, majoritariamente negra, vale lembrar.

Demonstrações asquerosas de racismo que, em grande medida, continuam se repetindo em função impunidade que acoberta gente da laia do deputado tucano. Algo que, lamentavelmente, conta com a cumplicidade do PT e do PCdoB, que apesar de terem construído suas histórias com um discurso anti-racista, hoje, no governo, pouco ou nada fazem para combater o racismo, em todas suas esferas. Basta lembrar a mutilação do Estatuto da Igualdade Racial.

Exemplo absurdo de como esta impunidade alimenta a fúria dos racistas é o fato de que o deputado Leréia declarou que pretende processar sua vítima através de uma declaração que ultrapassa o ridículo: "Uma expressão usada para reprimir o dedo em riste [do policial] jamais toma conotação racista. Não cometemos nenhuma falta ou crime. Ofendida está a nossa honra".

A verdade é que, se houvesse o mínimo de “justiça” neste país, ou sequer a lei fosse aplicada, o deputado é que deveria ser processado e colocado atrás das grades.


21 de março: dia de gritar contra o racismo

Diante do aumento dos ataques racistas e do silêncio cúmplice do governo, o movimento negro tem apontado o caminho: a mobilização em unidade com outros oprimidos e explorados, como nas mobilizações promovidas pelo “Comitê Contra o Genocídio da Juventude”, em Higienópolis (SP), ou na rede de solidariedade que se formou em torno do Quilombo Rio dos Macacos.

Numa demonstração da disposição de continuar trilhando este caminho, estes mesmos setores e outros tantos, do Norte ao Sul do país, irão voltar às ruas no próximo dia 21 de março, Dia Internacional de Combate ao Racismo.

Esta data foi instituída em homenagem às vítimas do “Massacre de Shaperville”, um bairro de Johannesburgo, capital da África do Sul, onde, em 1960, o exército atirou brutalmente contra uma multidão indefesa, matando a 69 pessoas e ferindo outras 186, em um protesto contra a "Lei do Passe", um documento criado pelo apartheid que transformava os negros em estrangeiros dentro de seu próprio país.

Criada para que o sacrifício daqueles jovens, a maioria deles estudantes, não caísse no esquecimento, a data será uma excelente oportunidade para lembrar a todos que o racismo continua firme e forte no Brasil. E que continuaremos nas ruas até que racistas como o deputado tucano não se vejam no “direito” de destilar seu racismo impunemente.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 17 de março de 2012

Governo PSDB é responsável pelo caos no metrô de São Paulo

População trabalhadora é a maior prejudicada pela falta de investimentos


No último dia 14 de março, quarta-feira, os trabalhadores que dependem do sistema de metrô e trens metropolitanos de São Paulo sentiram, novamente, o descaso do governo do PSDB para com o transporte público. Desta vez, as falhas na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e no Metrô duraram 5 horas e prejudicaram mais de 200 mil pessoas.

Os problemas começaram na linha 9 (esmeralda), e afetaram a linha 5 (lilás). Em seguida a linhas 3 (vermelha) e 1 (azul) foram paralisadas para recolhimento das composições que apresentaram falhas no sistema de portas, freios e tração. Em menos de 3 meses, esta já é a oitava falha que paralisa o sistema de transporte de passageiros sobre trilhos da capital.

O Gerente de Operações do Metrô, Waldir Fratini, reconheceu que todas as semanas ocorrem falhas no sistema, e classificou a pane generalizada de quarta-feira como “coincidência”. O fato, entretanto, não pode ser visto como mero acaso se analisadas as cifras investidas na área últimos anos. Hoje, todo sistema de transportes de São Paulo está em colapso, e a raiz do problema reside no baixo investimento público no setor.

No último ano, o governo de São Paulo cortou investimentos em 5 das 6 linhas da CPTM, justamente as que apresentam mais falhas. Os cortes chegam a R$ 238 milhões. O orçamento da empresa também foi reduzido em R$ 47 milhões.

A linha 9 foi a mais afetada, com corte de 38,6% dos investimentos, que passaram de R$ 202 milhões para R$ 121 milhões. Não por coincidência, foi lá que ocorreu um descarrilamento em 16 de fevereiro.

Na linha 7, onde uma colisão no ano passado deixou mais de 40 passageiros feridos, o corte foi de 36,7%. Mesma situação da linha 12, cujo corte foi de 29%. No início do mês, uma falha mecânica levou os passageiros a saltar dos trens e seguir a pé pelos trilhos.

Hoje, o metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo, com quatro milhões de usuários por dia. Porém, como os números comprovam esse crescimento da demanda não foi acompanhado pela contratação de funcionários e investimentos em infraestrutura.

Para o presidente do Sindicato dos Metroviários, Altino de Melo Prazeres Júnior, trata-se de um problema estrutural, fruto de décadas de atraso. “A cidade cresceu, e junto com ela a demanda pelo metrô, que ainda possui uma malha pequena, com poucas alternativas para os usuários, então mesmo que ocorra um problema pequeno, seu efeito será em cascata. Se houvesse novos entroncamentos, o problema seria menor” . Além disso, a superlotação dos trens causa um desgaste nas peças maior do que o normal e a manutenção, hoje terceirizada, não consegue repor tudo.


Privataria tucana

O governo do PSDB segue privatizando o metrô sob a justificativa de que não tem dinheiro para manter o transporte público e de que a gestão do setor privado é mais eficiente, o que garantiria maior qualidade para o usuário. Entretanto, o governo teve dinheiro para bancar os R$ 2,4 bilhões da construção da linha 4 (Amarela) que, nas mãos da iniciativa privada, também custou a vida de nove operários, mortos no desabamento do túnel Pinheiros, além da destruição de casas de dezenas de famílias, muitas delas, até hoje não receberam qualquer tipo de indenização.

Longe de ser um modelo de qualidade, o metrô da linha 4 é um dos que mais apresenta falhas no sistema de energia, com média de uma paralisação por mês. Diante de tantas falhas, a ViaQuatro, que administra a linha, ainda coloca a culpa nos usuários.

Agora, o governo Alckmin também anuncia a privatização através de Parcerias Público Privadas (PPP) da linha 5 (lilás) e as novas linhas 6 (laranja) e 15 (branca).

Principal meio de locomoção da população trabalhadora, o sistema Metrô/CPTM é o mais caro da América do Sul. Em capitais como Buenos Aires e Santiago, o preço da passagem não chega a R$ 3,00 e nas regiões metropolitanas de Nova Iorque e Madri, que possuem uma malha ferroviária bem maior que a da capital paulista, o preço é o mesmo para quem compra mais de 10 bilhetes.

A mudança deste quadro depende da mobilização dos trabalhadores em defesa de um metrô público, de qualidade, que esteja a serviço da população, e não do lucro do setor privado.


Retirado do Site do PSTU

Professores da rede pública fazem greve de três dias pelo cumprimento da Lei do Piso

Paralisação nacional exige aplicação da lei, enquanto governadores do PT como Jaques Wagner e Tarso Genro se recusam a pagar o piso equivalente a pouco mais de dois salários mínimos


Protesto de professores municipais em Teresina (PI)
Após a série de greves e paralisações por todo o país que agitaram 2011, os professores da rede pública já iniciam o ano com novas mobilizações. A reivindicação é, mais uma vez, o cumprimento da lei.

Os trabalhadores da educação exigem a implementação da Lei Nacional do Piso que, apesar de ter sido aprovada em 2008, é sistematicamente descumprida por prefeitos e governadores. O valor do piso, atualizado com atraso no dia 27 de fevereiro pelo Ministério da Educação, é de R$ 1.451 para 40 horas semanais, o equivalente a pouco mais que dois salários mínimos. A exigência das 1/3 de ‘hora atividade’, ou seja, para atividades extraclasse, tampouco é cumprida.

Segundo o CTNE (Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação), a paralisação atingiu 23 estados e o DF. “Essa greve nacional é muito importante pois mostra à sociedade que o problema da educação não está localizado, ou seja, não se limita a determinado estado ou município, mas é fruto de uma política econômica”, afirma a professora de Natal, Amanda Gurgel, que se tornou nacionalmente conhecida através de um vídeo na Internet, em plena onda de greves no ano passado. “Essa greve agora unifica todos os segmentos de professores: pais, alunos das redes estaduais e dos municípos”, completa.


Governadores fora-da-lei

Levantamento da confederação aponta que pelo menos 17 estados não pagam o piso do magistério. O menor valor é o do Rio Grande do Sul, onde o piso é de apenas R$ 791. O governador e ex-ministro da Educação, Tarso Genro (PT), protagonizou recentemente um bate-boca com o atual ministro do MEC, Aloizio Mercadante. Genro criticou o reajuste de 22% do piso concedido de acordo com a lei (que leva em conta o repasse do Fundeb) e classificou de ‘totalmente furada’ a posição do ministro. “Então me dá o dinheiro”, chegou a dizer ao colega.

Polêmica que, na verdade, é uma espécie de ‘divisão de tarefas’, na avaliação de Neida Oliveira, da Executiva Nacional da CSP-Conlutas e dirigente do Cpers, o sindicato que representa os professores da rede estadual no Rio Grande do Sul.“Ao mesmo tempo em que aprovaram a Lei do Piso, tentaram atacar os Planos de Carreira nos estados”, informa. Foi o que ocorreu no estado gaúcho, onde o governador vem tentando alterar o Plano de Carreira dos professores, mas esbarra na mobilização dos professores. ”Como não conseguiu até agora, isso cria um problema para ele”, diz Neida.

A indignação da categoria com Tarso Genro se expressa na adesão à greve. No estado a paralisação pelo piso atingiu 85% dos trabalhadores em mais de 3 mil escolas, tendo a adesão de 120 mil trabalhadores na base. No último dia 12 a direção do sindicato ocupou o Palácio Piratini contra o projeto de Plano de Carreira de Tarso, que continua não cumprindo o piso. “O governo Tarso passa por um descrédito muito grande, pois havia se comprometido antes de eleito a cumprir o piso, chegou a assinar que iria aplicá-lo”, denuncia Neida. A direção da CNTE (cuja direção é do mesmo partido que o governo), por sua vez, foi ao estado mas para tentar convencer os professores a aceitar a mudança no Plano de Carreira, para que o governo cumprisse o piso.


Unificar e avançar na luta pelo piso

Para João Zafalão, dirigente da Apeoesp pela Oposição Alternativa, do qual a CSP-Conlutas faz parte, o chamado à greve pela CNTE foi importante, embora tardio. “No ano passado, enquanto existiam 20 greves por salário e pela aplicação do piso, faltou uma unificação nacional dessas lutas”, afirma. Com a fragmentação do movimento, grande parte dessas greves foi derrotada.

Para o dirigente, o fundamentel agora é unificar o magistério e avançar na mobilização por salário e condições de trabalho. “É importante agora que a CNTE convoque uma plenária nacional para que a categoria decida os próximos passos da mobilização”, reivindica Zafalão. “E que o Governo Federal obrigue os estados a cumprirem a lei. Não pode ser que ele apoie com palavras e governadores como Jaques Wagner e Tarso Genro digam publicamente que não vão aplicar o piso”.

  • Releia o Opinião Socialista especial sobre Educação

  • Visite o Blog da Amanda Gurgel


  • Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 15 de março de 2012

    Em nome do ajuste fiscal, Governo Dilma privatiza a previdência dos servidores

    É preciso incorporar a luta contra o Funpresp na campanha salarial
    Tramita em regime de urgência no Senado, após ter sido aprovado na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 1992/2007, que estabelece o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público Federal, chamado ‘Funpresp’. É a finalização da reforma da Previdência iniciada por Lula em 2003 e que, na prática, acaba com a aposentadoria integral do funcionalismo público.

    Pelas novas regras, a aposentadoria do setor terá o mesmo teto do INSS, hoje em R$ 3.916,20. Para o servidor se aposentar com o mesmo vencimento que recebia na ativa, caso receba acima desse limite, terá que contribuir com um fundo de previdência privado. O projeto possibilita a criação de três fundos, um para cada poder da União. Funcionarão, na verdade, como planos de previdência privada, em regime de capitalização, e terão seus recursos investidos no sistema financeiro para garantir rendimentos.

    A fim de justificar a urgência do projeto, o governo Dilma ressuscitou a velha falácia do ‘déficit’ da Previdência. O ministro da Fazenda Guido Mantega foi mais claro e, durante as conversas com os senadores para agilizar a votação, afirmou que a aprovação da Lei seria um ‘bom sinal’ ao mercado diante da crise internacional. Pode-se concluir, assim, que mais esse ataque à Previdência pública e aos servidores faz parte da política de ajuste fiscal imposta pelo governo Dilma, a mesma política que determinou o corte recorde de R$ 55 bilhões do Orçamento no início do ano e que vem achatando os salários da categoria.


    Privatização da Previdência

    Após privatizar os principais aeroportos do país e já indicar a concessão dos portos, o governo do PT está prestes a privatizar a Previdência pública dos servidores. É isso o que está por trás de tantos eufemismos. O fundo terá caráter privado. Os recursos vindos da contribuição do governo e dos trabalhadores serão administrados por uma empresa e aplicados no sistema financeiro, em um modelo de Previdência já implementado no Chile pelo ditador Augusto Pinochet, durante a primeira fase do neoliberalismo.

    O governo, por sua vez, ‘economizará’ com a medida, no longo prazo, liberando mais recursos para o pagamento dos juros da dívida pública à agiotagem internacional e os lucros dos bancos. Além disso, terá em suas mãos fundos com bilhões de reais, uma vez que o governo vai indicar os cargos de direção desses fundos. Estima-se que em alguns anos os recursos da Funpresp superem os da Previ, o fundo dos trabalhadores do Banco do Brasil e atualmente o maior fundo de previdência complementar do país. Vale lembrar que os recursos dos fundos de Previdência foram utilizados pelo governo FHC para privatizar estatais, como a Vale do Rio Doce.

    Aos trabalhadores do setor público, além da perda da garantia da aposentadoria integral, resta a insegurança do fundo privado de capitalização que, como todo investimento financeiro, pode perder-se em instantes no repique de alguma crise ou algum investimento mal-feito. Ou ser desmantelado em toda sorte de desvios e corrupção.

    Por sucessivas vezes o governo FHC tentou aplicar esse projeto aos servidores, mas foi vencido pela mobilização da categoria. O PSTU , assim como esteve contra a reforma da Previdência em 2003, coloca-se ao lado dos servidores públicos e das entidades sindicais que lutam contra esse projeto e exige do Governo Dilma a imediata suspensão do PL. É necessário que os funcionários públicos em campanha salarial incorporem essa reivindicação à sua luta.


    Retirado do Site do PSTU

    quarta-feira, 14 de março de 2012

    A queda de Ricardo Teixeira, o ditador do futebol brasileiro

    Ag Brasil
    Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF
    Na manhã desta segunda-feira, 12 de março, foi anunciada a tão esperada renúncia de Ricardo Teixeira da presidência da CBF e do COL, o comitê organizador da Copa do Mundo no Brasil. Não bastassem os escândalos e CPI's que o obscuro cartola coleciona desde 1989 - quando assumiu o controle da entidade - nos últimos tempos entrou em rota de colisão com o governo brasileiro, uma vez que a presidente Dilma percebeu que a sua imagem poderia ser arranhada, dada a contradição entre o desprestígio que o dirigente goza perante a sociedade e o fato de ele ser o responsável por organizar o principal evento a ser realizado no Brasil nos próximos anos.

    Em seu lugar, assume José Maria Marin, ex-governador biônico da época da ditadura militar, do qual temos como última notícia o momento no qual foi flagrado pelas câmeras da TV , guardando discretamente uma medalha no seu bolso, durante a premiação da Copa São Paulo de Futebol Júnior no inicio do ano.


    A Ditadura de Teixeira

    Nos últimos vinte e três anos, o futebol brasileiro foi responsável pela revelação de jogadores do porte de Ronaldo, Rivaldo, Edmundo, passando por Ronaldinho Gaúcho e Robinho, chegando, mais recentemente, a Neymar e Ganso. Nesse período, esses jogadores, junto a tantos outros, ajudaram o Brasil a ganhar duas Copas do Mundo, inúmeras Copa América, enquanto eram considerados os melhores jogadores de futebol do mundo. Depois de tudo isso, sabe o que restou de legado para o futebol brasileiro? Absolutamente, nada! Hoje temos clubes falidos sobrevivendo às custas da Rede Globo e do Governo Federal; campeonatos estaduais que levam 10.000 pagantes para os clássicos, uma seleção brasileira que conseguiu o que parecia impensável há anos atras: não ser uma das principais favoritas para a conquista da próxima Copa do Mundo que, aliás, sera realizada aqui no Brasil. Isso sem falar na estrutura dos clubes brasileiros, amadora comparada a das principais equipes do mundo, o que fica claro quando vemos o melhor time brasileiro, o Santos, enfrentando o melhor time espanhol, o Barcelona, e levando um baile digno de profissionais contra amadores.

    A situação alarmante em que se encontra o futebol brasileiro não ocorre por acaso. Todo o lucro, sucesso e paixão que envolvem o esporte mais querido do Brasil vai parar na conta bancária de Ricardo Teixeira e de seus aliados, não restando um tostão para ser investido nos atletas e clubes, sem contar a situação de semiescravidão em que vivem boa parte dos jogadores de futebol espalhados pelos times pequenos do Brasil.

    Todo esse drama se desenrola sob o olhar complacente de todos os governos brasileiros entre 1989 e 2012, de Sarney a Lula, permanecendo assim com Dilma. Vale lembrar que o desgaste sofrido por Ricardo Teixeira em relação ao governo Dilma apenas se deu após ele ser considerado um criminoso por parte de toda a mídia esportiva internacional, e passar a ser alvo de protestos em várias capitais do pais, a partir do movimento “Fora Ricardo Teixeira”.


    O Movimento Fora Ricardo Teixeira e a queda

    Em 2011 surgiu um movimento inédito na história do futebol brasileiro, chamado 'Fora Ricardo Teixeira'. Foi a primeira vez que torcedores independentes, jornalistas, intelectuais e até mesmo as torcidas organizadas se uniram para travar uma batalha política pela defesa do futebol brasileiro e , principalmente, contra o saque das riquezas dos brasileiros sob a fachada da Copa do Mundo de 2014. Inclusive, em agosto desse mesmo ano foi aprovado pela Confederação Nacional das Torcidas Organizadas a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira”.

    O movimento se expressou pela internet e através de faixas em todos os principais estádios brasileiros clamando “Fora Ricardo Teixeira!”, no fechamento do primeiro turno do Campeonato Brasileiro de 2011. Obviamente, a Rede Globo se esforçou para boicotar o movimento, optando por não mostrar a festa das torcidas, como é de praxe nos clássicos. Porém, essa atitude autoritária não conseguiu impedir a repercussão da manifestação mundo afora.

    É muito importante afirmar, portanto, que a mobilização dos torcedores foi fundamental para garantir o enfraquecimento do principal mandatário do futebol no país. E, claro, que contribuiu pra isso o conflito de interesses entre a CBF e o governo, quanto a quem seriam as empresas beneficiadas com os bilhões de dinheiro público que estão sendo usados em nome da Copa. Porém, um problema que poderia ter sido resolvido nos bastidores da política precisou vir à tona, devido à repercussão das manifestações nos estádios brasileiros e pela internet.


    O que esperar da CBF sem Teixeira

    A queda de Ricardo Teixeira é uma vitoria para todos os brasileiros, torcedores ou não de futebol, pois trata-se do enfraquecimento de um déspota que manipulava os bastidores do futebol e da política em beneficio próprio, às custas de muito dinheiro publico. Porém, se é verdade que vencemos essa batalha, estamos longe de termos ganhado a guerra.

    José Maria Marin, homem que assume a presidência da CBF, não bastasse ser amigo de Ricardo Teixeira, teve ao longo da vida como principal aliado político Paulo Maluf, desde os terríveis tempos da ditadura. Inclusive, de tão amigo da caserna, foi governador biônico do estado de São Paulo por quase um ano (escolhido pelos generais). Ou seja, não é o tipo de figura que mereça um milímetro da confiança dos trabalhadores brasileiros. Manterá o mesmo regime autoritário imposto pelo seu antecessor, alem de impor aos torcedores a dependência em relação a Rede Globo para poder acompanhar seus times, uma vez que é ela quem escolhe o formato do campeonato e o horário das partidas.


    A Mina de Ouro da Copa

    Ricardo Teixeira acumulava o comando da CBF com o comando do COL, órgão responsável pela gestão das obras e organização da Copa no país. Isso significa que o mesmo homem que está sendo acusado de evasão de divisas, suborno no âmbito da FIFA, favorecimento a familiares em contratos com a CBF e COL, era o responsável por controlar os bilhões envolvidos nas obras do evento.

    A Copa se anuncia como um dos maiores assaltos da história dos cofres públicos brasileiros, desviando verbas da educação, saúde e mesmo do estimulo aos atletas, para a construção de elefantes brancos, a fim de agradar as maiores empreiteiras do mundo. Ao contrário do que esperavam boa parte dos brasileiros quando do anúncio da realização da copa no Brasil, essa só tem se mostrado vantajosa para as empreiteiras e especuladores imobiliários.

    Assistimos, em janeiro, ao ataque da polícia do PSDB aos moradores do Pinheirinho, em São José dos Campos, assim como temos notícias de que ate agora ocorreu a remoção de mais de 70.000 famílias em decorrência das obras para a copa. São José dos Campos está na rota das grandes obras para a Copa e as Olimpíadas, por conta da previsão de uma parada do trem bala que ligaria São Paulo ao Rio de Janeiro. Por isso, passa por um momento de supervalorização dos imóveis, expulsando os trabalhadores pobres para cada vez mais longe dos seus trabalhos e do centros da cidade. Ainda falando em centro da cidade, também não é coincidência a expulsão dos usuários de crack da região da Cracolândia, em São Paulo. Esse ataque também é parte da especulação imobiliária que visa tornar o centro de São Paulo livre dos pobres e miseráveis, de uma forma bastante lucrativa.

    Todas essas considerações devem vir acompanhadas de uma informação muito importante para todos os brasileiros: as mesmas empreiteiras que serão as únicas beneficiadas com a Copa do Mundo no Brasil, são as financiadoras das campanhas eleitorais tanto dos governos do PSDB, quanto dos governos Dilma e Lula. Sim, mais uma vez, não se trata de uma coincidência.


    Por uma Copa no Brasil para os brasileiros

    É muito importante que a campanha “Copa com Prestação de Contas e sem Ricardo Teixeira” ganhe as ruas e siga recebendo o apoio dos torcedores e trabalhadores que não aceitam que o dinheiro que deveria ser investido em educação, na saúde e na infraestrutura das cidades, a fim de combater o caos urbano das grandes metrópoles brasileiras, seja entregue de bandeja para as construtoras erguerem estádios que não fazem a menor falta para os torcedores e trabalhadores do pais. Para isso, é importante que as torcidas organizadas deem visibilidade a essa campanha nos estádios Brasil a fora.

    Também é importante que o movimento avance para a democratização do controle do futebol no Brasil, a fim de que o torcedor seja não apenas um espectador, mas dite os rumos do esporte no país. Apenas assim será possível derrotar não só Ricardo Teixeira, mas toda essa política que rouba o futebol dos brasileiros.


    Retirado do Site do PSTU