quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Milhares ganham as ruas contra o capital e sua 'democracia' decadente

Protesto do 15-O em Seattle
A data estava há meses marcada. O 15 de outubro (15-O) estava destinado a ocupar um espaço na História como uma das jornadas de luta mais massivas a nível internacional. E assim foi. Despontando o amanhecer, começou a batalha que abarcou os cinco continentes e que expressou a bronca juvenil e popular em quase todos os idiomas. Durante a madrugada se iniciavam os protestos em Tóquio, Seul, Sidney e Nova Zelândia. E pela manhã, as mobilizações irromperam pelas ruas das principais capitais europeias e latino-americanas. Espalharam-se como um pavio de pólvora para quase mil cidades de mais de oitenta países de todo o mundo.

Inspirada na primavera árabe e aprofundando o ascenso europeu, a juventude em geral cumpriu um papel de vanguarda em todas as mobilizações. Em alguns pontos, além disso, destacou-se uma ampla unidade entre estudantes, trabalhadores e desempregados, que sairam às ruas para protestar contra os efeitos da crise econômica mundial e contra as políticas que os governos capitalistas vêm aplicando no sentido de que sejam os trabalhadores quem paguem a conta de sua crise. Também se expressou o rechaço aos aspectos mais irritantes desta falsa democracia burguesa, sendo cada vez mais evidente que ela só serve aos ricos e que os pobres, na verdade, não decidimos nada. Neste sentido, o alvo central das marchas e atos foram os grandes bancos centrais ou privados, aqueles totems do sistema financeiro internacional, assim como os parlamentos e sedes governamentais.

‘De Norte a Sul, de Leste a Oeste, a luta segue, custe o que custar’
O pico dos protestos se concentrou na Espanha, berço do 15-M e 19-J, do movimento dos ‘indignados’ e da corrente que propoem a ‘democracia real já’. Em Madri e Barcelona se reuniram mais de 400 mil pessoas que, logo após marcharem, realizaram uma assembleia massiva na já emblemática Praça do Sol. A juventude cantava em coro, sem cessar: ‘vai acabar, vai acabar, vai acabar a paz social’, e levantava cartazes com lemas como ‘Desculpem o incômodo, essa é uma revolução’. Ângel Luís Parras, dirigente da Corrirente Roja (Corrente Vermelha) e da LIT, afirmou durante o ato: ‘precisamos chamar as coisas pelo seu nome: temos que falar do capitalismo e temos que falar de capitalistas quando falamos dos mercados e dos mercadores. Por isso viemos aqui gritar que os capitalistas que paguem a crise e que para tirar esse país da crise, para contornar a crise o que falta é um verdadeiro plano de resgate dos trabalhadores e do povo, esse é o plano de resgate que está faltando e para o qual há que colocar em perspectiva uma greve geral’.

Em Londres, mais de mil manifestantes se reuniram em frenta às escadarias da catedral de Saint Paul e depois cercaram nada menos que a sede da Bolsa de Londres, a London Stock Exchange. Uma vez que a manifestação perturbou o coração da City de Londres, a polícia começou a dispersar violentamente a concentração. Atualmente, os indignados britânicos acampam rodeando a mesma catedral em que se concentraram durante o 15-O.

Roma foi uma das capitais onde se registrou uma das maiores convocatórias e, ao mesmo tempo, onde se expressou a maior radicalidade. Foram 200 mil pessoas as que responderam a jornada de luta na capital italiana, onde a rua Tasso foi protagonista de uma brutal repressão policial que deixou 70 feridos, três com gravidade.

Em Berlim, umas 10 mil pessoas marcharam pela avenida histórica de Unter de Linden cantando lemas em grego, espanhol, inglês e alemão. Houve momentos tensos na capital alemã quando a polícia barrou um setor dos manifestantes que, aos gritos de ‘ocupemos o Reichstag’, e se dirigiam à sede do parlamento germano. Em Frankfurt, outros milhares de lutadores e lutadoras marcharam até a sede do Banco Central Europeu (BCE) levantando cartazes com inscrições como ‘Estão especulando com nossas vidas”, misturadas com banners como ‘Estão malversando nosso futuro’.

Na Holanda, outras 2 mil pessoas marcharam em La Haya, Rotterdam e Utrech. Na Praça da Bolsa, a multidão gritava ‘Golpearemos até a vitória’ para depois entoarem na lendária Imagine de John Lennon. Umas 6 mil se reuniram em Bruxelas e outras centenas em Paris, que se reuniram na Praça do Hotel de Ville.

Em Atenas, um dos centros da crise econômica e da resistência operária-juvenil, se reuniram mais de 4 mil pessoas. Fechando o panorama europeu, citamos Portugal, o outro ponto mais alto do 15-O a nível mundial, com umas 25 mil pessoas em Lisboa que ocuparam a escadaria da Assembleia da República contra os palnos de austeridade do governo de Pedro Passos Coelho, títere da troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e o FMI). Está convocada outra manifestação para o 27 de outubro na perspectiva de construir uma greve geral.

Na América Latina é de se destacar a marcha em Santiago do Chile, onde mais de 5 mil pessoas protestaram com destino à La Moneda. A jornada chilena esteve marcada pela heroica luta dos estudantes em defesa da educação pública que dura já mais de cinco meses. Também ocorreram importantes atos em Buenos Aires e São Paulo.


A indignação chega ao coração do imperialismo

O impacto do processo revolucionário que sacode o mundo árabe e o ascenso das mobilizações do velho continete é tão forte que penetrou nos próprios EUA. Sabe-se que, desde 17 de setembro, iniciou-se um movimento que se autodenominou ‘Ocuppy Wall Street’ que envolve milhares de jovens que, até agora, conseguiram a adesão de alguns sindicatos e de um vasto setor da população.

Em 5 de outubro, durante uma marcha que atravessava a Ponte do Brooklyn, foram duramente reprimidos pela polícia de Nova Iorque, deixando um saldo de vários feridos e nada menos que 700 detidos. Desde o dia 6 e tendo como gancho os 10 anos do início da invasão ao Afeganistão e contra o orçamento federal, ocupam uma praça entre Wall Street e a Zona Zero, em Manhatta, conhecida como Zucotti Park, agora rebatizada como Praça Freedom, a Praça da Liberdade. A polícia novaiorquina já tentou em mais de uma ocasião desalojar os jovens daquele parque, não podendo fazê-lo devido a enorme solidariedade de milhares de pessoas que cercaram o recinto protegendo a ocupação.

E assim chegamos ao 15-O. Nos EUA o protesto se estendeu para várias cidades. Os indignados norte-americanos, que antes desta data começaram a ‘visitar’ os multimilionários e a retirar seu dinheiro dos bancos em um protesto simbólico, tomaram o centro financeiro de Nova Iorque demonstrando uma tremenda ousadia. Milhares de pessoas, inacreditavelmente, tomaram o Times Square e se concentraram em Wall Street em nome de uma ‘mudança global’. Milhares gritavam: ‘Se teu sangue não ferve agora, é que não é sangue’. Outros cartazes, que logo tentaram ocupar a sede do Bank of America, rezavam: ‘A dívida é escravidão’, ‘Não somos vossos escravos’, ‘Não resgatem os bancos, resgatem pessoas’, ‘Desperta America’, ‘Mais impostos para os ricos’, ‘Acabamos de começar’. E a cifra mais usada: ‘Somos os 99%’.

Com efeito, os indignados novaiorquinos denunciam que os 99% dos estadunidenses trabalham para o 1% se enriqueça cada vez mais. Uma manifestante sentenciou: ‘Não é justo que nós, a maioria, os 99%, tenhamos que sofrer para que eles, os milionários, se tornem cada vez mais ricos’. A multidão gritou em coro: ‘Já é hora de que os 99% se levantem contra o 1%’. Também denunciaram que o 1% controla os 40% dos ativos disponíveis nos EUA e que na primeira superpotência mundial existam 46 milhões de pobres, a maior cifra de sua história, além de que um de cada quatro proprietários não pode pagar sua hipoteca.

Expressando a internacionalização da luta dos de baixo, um membro da seccional do sindicato Communications Workers of America, sustentou: ‘Olhe ao seu redor. Assim é como se vê a verdadeira democracia. Occupy Wall Street capturou o espírito do nosso tempo. Isso é Madison em Wisconsin. Isso é o Cairo. Isso é Tunes. Occupy Wall Street começou aqui um movimento do qual somos todos parte ao redor do mundo’.

Minimizada e até ridicularizada em seu início, o protesto no coração do imperialismo, começa a ser tomado a sério. O Ocupe Wall Street já dobra sua popularidade em relação ao Tea Party, com um apoio de 60% entre os jovens e 66% entre os democratas. Até Obama, com seu acostumado cinismo, teve que declarar que este movimento ‘é uma expressão da frustração que o povo norte-americano sente adiante da maior crise econômica desde a Grande Depressão’.

A chamada nos Estados Unidos é estimada em 10 mil pessoas, o que não é pouca coisa, considerando que ocorre no centro da maior potência imperialista do mundo. Durante os protestos no 15-O, houve mais de 70 detidos quando a polícia invadiu para dispersar a manifestação.




’Democracia real’... só com o fim do capital

Essas mobilizações, para a LIT, são altamenet progressivas e as apoiamos com tudo. Expressam as necessárias respostas de nossa classe, no terreno da luta direta, aos efeitos da crise econômica. Mobilizações como as que presenciamos, massivas e de amplitude internacional, são uma necessidade diante da guerra social que empreende o imperialismo contra os povos do mundo. Enquanto mais massivas e unificadas sejam as lutas, tanto melhor para defender nossos direitos e interesses.

As mobilizações do 15-O expressam também o desgaste pronunciado das democracias burguesas, dos partidos, do regime, das burocracias sindicais e dos partidos reformistas e neo-reformistas que, ao sabor da crise, se vêem cada vez mais obrigados a mostrar seu verdadeiro rosto ao impulsionar ou apoiar ataques diretos ao nível de vida das massas e medidas que só favorecem aos grandes banqueiros e capitalistas.

Neste sentido, ao calor da luta, amplos setores da juventude e da classe trabalhadora começam a identificar seus inimigos nessa briga mortal contra o capital. Não é casualidade que, em quase todos os casos, as mobilizações apontaram as instituições centrais do sistema financeiro ou aos mesmos governos e parlamentos. Isso é muito progressivo.

Isso não se via, ao menos com essa força, quando começou a crise em 2007-2008. Mas as coisas foram mudando. Nessa fase da crise, onde a burguesia mundial precisa nos golpear durissimamente e impor-nos retrocessos ou derrotas históricas para recuperar sua taxa de lucros, a classe operária e a juventude entram em cena demonstrando que nada está cantado, que vamos resistir e que não está colocada uma derrota certa para o movimento de massas mundial. Estamos demonstrando, à força das mobilizações, que lutaremos duro.

VEJA A COLUNA DA RUPTURA-FER (LIT-QI) EM PORTUGAL NO 15-O



No entanto, as mobilizações que estão ocorrendo refletem outro aspecto que cruza toda essa etapa da luta de classes. Refletem, além da disposição combativa de nossa classe para enfrentar os ataques das classes possuidoras, profundas debilidades – e retrocessos – no terreno da consciência. Na vanguarda dessas lutas, dramaticamente se reflete todo tipo de confusões ideológicas, ou melhor, uma forte influência da ideologia burguesa, reformistas ou uma mescla de tudo um pouco. Isso coloca a falta e a necessidade urgente de construir e fortalecer uma direção revolucionária, se queremos que todo o heroísmo e a energia que as massas estão desprendendo desemboque em vitórias estratégicas para nossa classe.

As lutas progressivas dos jovens europeus, latino-americanos e de quase todos os países do mundo que questionam o ‘sistema’, os ‘mercados’, aos ‘bancos’ e a as decadentes democracias capitalistas tem a enorme limitação, para poder avançar inclusive na conquista de reivindicações mínimas ou na defesa dos direitos básicos, no caráter reformista de sua direção política. Para citar um exemplo, a direção de ‘Democracia Real Ya’ na Espanha defende o sistema capitalista. Não tem a mínima intenção de romper com ele, no melhor das hipóteses, pretende fazer reformas por dentro de sua institucionalidade. Sua crítica ao Pacto do Euro e seu discurso sobre ‘não somos mercadorias nas mãos de políticos e banqueiros’ se limtia a exigir um ‘maior controle’ dos bancos privados por parte do ‘Banco da Espanha’ na utopia de pensar que, assim, os polvos do capital financeiro teríam ‘uma consciência de proteção dos cidadaõs’. Não reivindicam a expropriaçao dos bancos e colocá-los ao serviço da classe operária no poder e na construção de uma economia que coloque em primeiro lugar a satisfação das necessidades da maioria da população. Tudo se limita a uma maior ‘regulação’. Tampouco se fala de um plano de resgate aos trabalhadores baseado em atacar a fundo os interesses das grandes empresas e bancos. Não questionam o modelo de pensões (que querem aumentar a idade para aposentadoria para 65 anos), ou as privatizações dos serviços públicos. Nem falemos de sua própria compreensão de ‘democracia real’, que não se opõem à própria monarquia espanhola e não fala do direito às nacionalidades, sem dúvida um estranho tipo de ‘democracia real’. Essas posições políticas, vão acompanhadas de outro tipo de ideologias reacionárias, como as anti-partidos e aquelas contrárias à unidade com a classe operária organizada.

Frente ao caráter dessas direções é preciso, além de impulsionar com tudo essas mobilizações, desenvolver a discussão a fundo sobre a impossibilidade de conquistar uma democracia ‘real’ e verdadeira, entendido como uma democracia de e para a classe operária e as grandes maiorias da socieddae, sem liquidar o capitalismo. É como dizia um lema nos atos em São Paulo: ‘Não existe democracia com desigualdade e não existe capitalismo sem desigualdade’.

É necessário, para nós, apontar uma saída de fundo. Essa saída não é outra que a tomada do poder pelo proletariado revolucionário socialista internacional, que destrua o Estado burguês e instaure um Estado operário com um regime de ditadura revolucionária do proletariado. Só esse regime será verdadeiramente democrático, só esse regime político poderá garantir de fato uma ‘democracia real’ para os trabalhadores e aos pobres pois, como afirmava a III Internacional: ‘a república burgues mais democrática não é mais que uma máquina que permite à burguesia aplastar a classe operária’. Neste sentido, qualquer regime dentro do Estado burguês (seja uma ditadura burguesa ou uma democracia burguesa) será sempre uma ditadura dos burgueses sobre os operários, porque estará assentada nas instituições que permitem aos capitalistas (minoria da população) explorar e oprimir à classe trabalhadora (maioria da população). A ditadura revolucionária do proletariado, ao contrário, seria mais democrática (seria superior a qualquer democracia burguesa) porque seria o inverso, seria uma democracia para a maioria do povo e uma ditadura da maioria da populaçao (a classe operária e seus aliados) sobr uma minoria exploradora (a burguesia).

E, para destruir esse sistema explorador, raiz da própria crise e de todos os problemas sociais, é preciso – e urgente – organizarmos solidamente em organizações de luta como os sindicatos, lutando sempre para que sejam classistas, e em partidos políticos revolucionários, ferramentas de luta que nossa classe construiu e se desenvolveu ao largo de décadas de luta e ao preço de muito sangue. Já dizia Lênin quando polemizava com a ideologia e prática espontaneísta: ‘toda diminuição do ‘elemento consciente’ do papel da socialdemocracia significa – se queira ou não – um reforço da ideologia burguesa sobre os operários (...) todo desenvolvimento espontâneo do movimento operário acaba em sua subordinação à ideologia burguesa’.


Retirado do Site do PSTU

O que está por trás da Comissão da Verdade

No dia 21 de setembro, a Câmara dos Deputados aprovou o projeto que cria a Comissão da Verdade para apurar os crimes cometidos no período entre 1946 e 1988. O projeto provocou inúmeras críticas de diversas entidades de Direitos Humanos, que ressaltam que a Comissão não terá independência do governo nem meios legais e materiais para investigar a fundo os crimes da ditadura.

Por outro lado, setores ligados ao governo se defendem. Um dos seus expoentes nesta área, Nilmário Miranda, ex-ministro da Secretaria Especial dos Direitos Humanos no governo Lula, argumenta que “é um equívoco decretar o fracasso antecipado da Comissão da Verdade” e justifica que esta terá, sim, tempo (dois anos), recursos e poderes para realizar seu trabalho. Qual é o verdadeiro problema que está por trás desta polêmica?

O problema de fundo da luta política sobre a Comissão da Verdade é qual o seu objetivo. Ou seja, qual é a função de uma Comissão da Verdade para os setores sociais e as vítimas da ditadura militar, que necessitam resgatar a Memória e conhecer toda a Verdade sobre os crimes que foram cometidos contra eles?

Um processo de apuração dos crimes do regime militar tem vários objetivos: resgatar a memória das vítimas, dar a conhecer as circunstâncias dos crimes, restituir os restos mortais dos assassinados pela ditadura a seus familiares que até hoje tiveram este direito negado etc. No entanto, todo este processo de apuração só tem sentido se tiver como resultado a identificação dos agentes do Estado que cometeram esses crimes, sua responsabilização, julgamento e penalização se confirmados os seus delitos. Este deve ser o objetivo central se quisermos que os criminosos e os setores da classe dominante que os apoiaram, financiaram e orientaram sejam coibidos a não repetir esse tipo de crime.

A luta pela punição dos crimes das ditaduras militares na América Latina
Foi neste sentido que se travou a luta para apurar e punir os crimes dos regimes militares na América Latina. O Brasil é o país mais atrasado no que diz respeito à apuração da Verdade, resgate da Memória e julgamento dos criminosos. Os processos e punições dos genocidas, assassinos e torturadores estão muito mais avançados em outros países de nossa região. Na Argentina, os membros das Juntas militares foram julgados e punidos. Até hoje o genocida general Videla se encontra na prisão. No Peru, o ex-presidente Fujimori também foi condenado e está preso. No Uruguai, o ex-presidente Bordaberry, responsável pelo golpe de 1973, foi sentenciado a 30 anos e morreu em prisão domiciliar. Também no Chile, vários militares acusados de assassinatos e torturas cumprem penas.

Os processos e punições dos genocidas e assassinos foram produto das mobilizações de massas que derrubaram os regimes militares desde o começo da década de 1980. Esses movimentos levaram à conquista de amplas liberdades democráticas em quase todos os países latino-americanos, colocaram em crise, ou na defensiva, as Forças Armadas e os órgãos de repressão e encorajaram os movimentos de Direitos Humanos, as vítimas da repressão e as entidades democráticas, sindicais e populares a exigir a apuração da verdade e justiça. Foi daí que nasceram as Comissões da Verdade.

Os governos burgueses que sucederam às ditaduras tentaram pôr fim às reivindicações de justiça, punição dos responsáveis e reparação às vítimas, por meio de leis como as do Ponto Final na Argentina e outras similares. Mas este esforço reacionário não conseguiu fechar esta ferida nem conseguiu barrar os protestos.

Atualmente, o imperialismo e as burguesias nacionais tentam minimizar os efeitos das vitórias das massas protegendo os órgãos e os agentes da repressão e evitando que sejam punidos. As atuais discussões da Comissão da Verdade e da Lei de Anistia no Brasil estão diretamente relacionadas a este confronto de forças entre as massas e os órgãos de repressão e seus aliados.

A burguesia e os militares tentam proteger os assassinos e torturadores
No Brasil, o processo de anistia e reparação dos perseguidos políticos pela ditadura foi um produto direto da luta contra o regime militar, que culminou na sua derrubada em 1984 com a campanha por eleições diretas para presidente. O ato inicial foi a Lei de Anistia, promulgada em 1979 pelo governo Figueiredo, que permitiu a volta dos exilados, o fim dos processos políticos e, paulatinamente, a libertação dos presos. Mas, ao mesmo tempo, foi uma manobra do regime militar para proteger assassinos, torturadores e os órgãos de repressão, porque anistiava os agentes do Estado que tivessem cometido os chamados “crimes conexos”.

Amparada nesta lei, a burguesia brasileira trata de proteger os que fizeram o seu trabalho sujo, não só para preservar os órgãos de repressão quando forem novamente requeridos para realizar o seu “trabalho”, mas também para não deixar que a “moral da tropa” seja abalada pela punição dos que, afinal de contas, cumpriram ordens, ou seja, aplicaram uma política de Estado. O julgamento interminável do coronel Brilhante Ustra, responsável pelo assassinato sob tortura de Luís Eduardo Merlino no DOI-CODI de São Paulo, é um exemplo claro de que esta ação protetora continua plenamente vigente.

Nessa tarefa, uma das mais importantes armas da burguesia é a decisão reacionária do STF sobre a Lei de 1979, que reafirmou a anistia para os agentes do Estado que cometeram crimes. Apesar de a própria Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da OEA ter se pronunciado, afirmando que esta lei não pode impedir o julgamento de violações de Direitos Humanos por parte de militares e agentes da repressão brasileiros, o governo Dilma defendeu a decisão do STF e continua se recusando a acatar as resoluções da CIDH. O caso mais crítico é a recusa em aceitar a condenação do Estado brasileiro como responsável pelo desaparecimento de 50 militantes da Guerrilha do Araguaia.

Uma Comissão da Verdade “limitada”
Este é o verdadeiro problema da Comissão da Verdade proposta pelo governo e aprovada pela Câmara. Segundo os próprios ministros do governo, ela será, desde o começo, “limitada”, “não visará a Justiça” nem será “punitiva”. Isso ficou claro nas palavras da ministra de Direitos Humanos, Maria do Rosário, ao jornal O Estado de S. Paulo (08/09/2011): “A Comissão da Verdade, entendemos, é um instrumento limitado quanto à questão da Justiça. Não visa a uma atitude de Justiça. Mas a primeira Justiça, e a que é insuperável, é o direito à verdade e à memória.”

Para deixar mais clara a posição do governo, a ministra declarou, sobre a revisão da Lei de Anistia de 1979: “A revisão da Lei de Anistia não está na agenda do governo. E digo mais: se rompêssemos este pacto que foi instituído, em torno do qual já está sendo construído o consenso, não chegaríamos nem à Comissão da Verdade.”

José Genoíno, hoje assessor especial do ministro da Defesa, foi ainda mais categórico sobre o caráter da Comissão da Verdade: “A comissão terá apenas preocupações históricas, de esclarecimento de fatos ocorridos naquele período. Não existem preocupações revanchistas nem punitivas.” (O Estado de S. Paulo, 04/09/2011)

Esse caráter totalmente “limitado” e “atado” da Comissão da Verdade também fica evidente na medida em que sua aprovação no Congresso se dá através de um grande “pacto” entre o governo, o PT, os partidos de direita como o DEM e o PSDB e, principalmente, as Forças Armadas. Obviamente para preservar os militares.

Enfim, a conclusão é clara: as organizações de Direitos Humanos, os sindicatos e entidades populares, assim como todos os setores comprometidos com a verdadeira apuração dos crimes da ditadura militar, estão obrigados a continuar lutando por uma verdadeira Comissão da Verdade, independente do governo, e, principalmente, pelo julgamento e punição dos responsáveis por esses crimes.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Editora Sundermann lança "Revolução e contrarrevolução na Alemanha", de Leon Trotsky

Capa do livro
Reconhecido amplamente como uma das mais brilhantes análises sociológicas e políticas de Trotsky, este clássico do marxismo chega agora às livrarias em nova edição, com tradução revista e notas históricas explicativas sobre o contexto em que foi escrito e os principais personagens envolvidos.

Ao contrário do que muitas vezes imaginamos, as revoluções não são caminhos de mão única. Uma grande oportunidade histórica, se desperdiçada, pode acarretar em anos ou até mesmo décadas de desmoralização, medo e inação por parte da classe trabalhadora. Foi exatamente isso que aconteceu na Alemanha na primeira metade do século passado. Duas revoluções foram desperdiçadas: 1918 e 1923. Na terceira situação revolucionária aberta, por volta do início dos anos 1930, a burguesia, finalmente unificada em torno à figura de Hitler e aproveitando-se da divisão e confusão do proletariado, impôs a ditadura capitalista mais sangrenta já conhecida: o nazismo. Revolução e contrarrevolução caminham sempre juntas. Sem aprender a fundo esta lição, não se pode dirigir a luta da classe trabalhadora pelo socialismo.

O livro que a Editora Sundermann apresenta agora ao leitor é o retrato da luta de Trotsky por uma política verdadeiramente revolucionária na Alemanha do entre-guerras, pela unidade da classe trabalhadora para barrar o crescimento do fascismo. Neste livro, obrigatório para todos aqueles que desejam fazer política revolucionária de verdade, o grande dirigente bolchevique expõe os princípios fundamentais da luta pela consciência das massas em uma situação de crise, decadência e desespero de toda uma nação. E apresenta uma saída onde esta parece não existir...

Clique aqui e leia a apresentação do livro


Ficha técnica:

Trotsky, Leon.
Revolução e contrarrevolução na Alemanha.
Editora Instituto José Luís e Rosa Sundermann, 2011.
352 p.
1ª edição
Tradução: Mario Pedrosa
ISBN: 978-85-99156-63-6
Preço: R$ 35


  • Clique aqui para comprar o livro, no site da Editora Sundermann


  • Retirado do Site do PSTU

    O Ministro dos Esportes no olho do furacão e o PCdoB no fundo do poço

    Escândalo de corrupção ameaça Orlando Silva; R$ 40 milhões podem ter sido desviados nos últimos anos


    Agência Brasil
    Ministro concede entrevista coletiva para se defender de acusações
    A linha de produção de escândalos de corrupção do governo Dilma, que só neste ano derrubou quatro ministros, não pára de render. Desta vez é o ministro dos Esportes, Orlando Silva Jr. (PCdoB), que está no olho do furacão. Orlando está sendo acusado de comandar um esquema de desvio de dinheiro público via convênios do ministério com ONG’s.

    Embora o programa do ministério ‘Segundo Tempo’, voltado a jovens carentes, já esteja sendo alvo de acusações e investigações de desvio há algum tempo, o ministro foi para o centro dos holofotes após reportagem da revista Veja com denúncias realizadas pelo policial militar do Distrito Federal, João Dias Ferreira, que apontam Orlando como o chefe do esquema de desvio.

    O policial se filiou ao PCdoB em 2006 para disputar as eleições como deputado distrital, ao mesmo tempo em que dirigia duas ONG’s que mantinham convênios com o ministério, a Federação Brasiliense de Kung Fu e Associação João Dias de Kung Fu. Os convênios teriam sido firmados pelo então dirigente da pasta, Agnelo Queiroz, quando o político ainda compunha os quadros do PCdoB, entre 2004 e 2005, antes de trocar a legenda pelo PT em 2007 e se eleger governador do DF.

    Orlando, quando substituiu Quiroz, teria dado continuidade ao esquema que, segundo as denúncias, funcionariam da seguinte forma: o ministério repassa verbas do programa às ONG’s, que embolsam a grana e pagam 20% ao partido, além de terem que repassar parte do dinheiro para fornecedores indicados pela legenda. Ao que parece, João Dias se desentendeu com o ministro após o Ministério Público começar a investigar os convênios de suas ONG’s. Rifado pela pasta, o policial resolveu abrir a boca.


    Guerra de versões

    A mando de Dilma, o ministro correu de Guadalajara, no México, onde acompanhava o Pan, para Brasília. Orlando Silva se defende das denúncias acusando o policial brasiliense, dono de um perfil mais do que suspeito. João Dias, com um salário mensal de oficiais R$ 4,5, é dono de uma mansão em Brasília e três carros importados, segundo reportagem do carioca O Globo. Segundo o Ministério Público, as ONG’s de Dias teriam recebido R$ 4 milhões desviados dos Esportes. Segundo o próprio policial, o total de recursos desviados pelo PCdoB podem chegar a R$ 40 milhões.

    Nessa guerra, há versões para todos os gostos. O PCdoB desconfiaria de seu ex-quadro Agnelo Queiroz, que contratou o policial e com quem mantinha relações bastante próximas. O atual governador do DF, em viagem, já mandou aviso: ‘o problema é do Orlando’. Outros desconfiam do próprio governo e de partidos da base aliada. Já os mais governistas colocam as denúncias na conta dos partidos tradicionais de direita e da “mídia golpista”.

    O atual escândalo parece fazer parte de uma disputa pelo controle do ministério da pasta, que ganhou muito mais poder, dinheiro, e notoriedade após o anúncio da Copa e das Olímpiadas no Brasil. Isso não exclui, por outro lado, a responsabilidde do PCdoB.

    Mesmo garantindo ao ministro Orlando Silva o benefício da dúvida, enquanto não aparecem provas concretas da recente denúncia, não é difícil perceber que a pasta dos Esportes é um escoadouro de dinheiro público para a corrupção. Além da investigação do Ministério Público, segundo a própria Controladoria Geral da União, nada menos que 67 convênios do ministério estão irregulares.

    Tampouco é fácil acreditar na tese de que setores poderosos, cujos interesses estariam supostamente sendo contrariados, tramam contra o ministro. A gestão Orlando Silva é marcada pela completa submissão à Fifa, ao COI (Comitê Olímpico Internacional) e às empreiteiras envolvidas nas obras de grandes eventos, como foi no Pan-Americano e está sendo em relação à Copa de 2014.


    PCdoB se afunda cada vez mais

    Com os detalhes vindo à tona, o escândalo se assemelha a um clássico caso de corrupção. Mais um sob o governo Dilma. Expressa também o dramático processo de degeneração do PCdoB, hoje praticamente convertido em mais uma sigla fisiológica, justificando sua existência exclusivamente na busca por cargos e espaço no poder.

    Mesmo que não houvesse corrupção, a proliferação dos convênios com ONG’s mostra como o PCdoB atua para aprofundar a terceirização de serviços que deveriam ser públicos. A direitização do partido produz ainda fenômenos esdrúxulos, como o deputado e maior figura pública do PCdoB, Aldo Rebelo, transfigurado em defensor dos fazendeiros e latifundiários em sua empreitada pela reforma do Código Florestal.

    O financiamento das campanhas do partido também prova que há muito o PCdoB deixou de ser identificado como uma ameaça ao capitalismo. A ponto de dois dos maiores doadores na campanha de 2010 terem sido ícones do capitalismo neoliberal: a Coca-Cola, que deu R$ 235 mil ao partido e o Mac Donald’s, que entregou R$ 40 mil aos comunistas.

    Agora, com mais esse escândalo no ministério dos Esportes, o PCdoB mostrou sua noção bem particular de socialização das riquezas.


    Retirado do Site do PSTU

    segunda-feira, 17 de outubro de 2011

    MNOB propõe que bancários mantenham greve e rejeitem proposta dos banqueiros e do governo Dilma nas assembleias de hoje

    Na última sexta-feira (14), imediatamente após o término da negociação entre o Comando Nacional e os banqueiros/Governo Dilma, iniciaram-se especulações sobre o término da greve dos bancários. A grande imprensa – que tem dono e é financiada pelos bancos – procurou divulgar o fim da greve a partir de um “acordo” selado entre os patrões e a CONTRAF/CUT.

    É evidente que o Comando Nacional da CONTRAF/CUT prometeu aos banqueiros e ao governo Dilma empreender todos os esforços para acabar com a greve. Isso fica muito claro quando vemos as matérias publicadas nos sites da CONTRAF e dos sindicatos ligados à CUT. Em todos esses espaços tenta-se passar uma idéia de um “excelente” acordo, além de uma política de terrorismo em relação ao TST (Tribunal Superior do Trabalho), para que os bancários sintam-se intimidados a não mais fazer a greve.


    Bancários decidem

    Quem realmente deve decidir sobre os rumos da greve são os bancários e não o Comando que negocia em nome dessa categoria, porém não é escolhido pela base.

    Por isso, o MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária), ligado à CSP-Conlutas, convoca a categoria para ir a assembléia e apresenta os motivos pelos quais defende a rejeição das propostas geral e específicas, fazendo um chamado para que os bancários votem pela continuidade da greve.


    O fantasma do TST

    Muitos bancários estão se sentindo pressionados a aceitar essa proposta, mesmo considerando-a rebaixada e bastante insuficiente, por medo de que essa greve acabe sendo julgada pelo TST, acarretando um desfecho ainda pior. No entanto, é importante salientar que, na recente greve dos Correios, o TST impôs o desconto dos dias parados, mas não por suas próprias mãos apenas. Apenas ratificou a decisão que já havia sido tomada pelo governo Dilma de descontar os dias. No caso da greve dos bancários, tanto os bancos públicos quanto os privados resolveram apresentar uma proposta que, ao contrário, reafirma o acordo dos anos anteriores e não impõe nenhum desconto de dias parados.

    Também é preciso deixar claro que ainda não existe perspectiva de julgamento da greve dos bancários pelo TST. O processo de negociação ainda não foi encerrado e este é o momento de apostar no poder de mobilização da greve. Os banqueiros e o governo estão sofrendo com a greve. A cada dia de paralisação os seus lucros vão caindo, uma vez que não há trabalho humano suficiente para operacionalizar as grandes concessões e as vendas de produtos.

    Por isso, assim como o MNOB, a CSP-Conlutas acredita que a força de nosso movimento ainda é suficiente para impor aos banqueiros e ao governo uma melhora nesta proposta. Este é o momento de intensificar a luta, radicalizar a greve e arrancar dos banqueiros e do Governo Dilma aquilo que é dos trabalhadores!

    Toda solidariedade à greve dos bancários!


    Retirado do Site do PSTU

    sábado, 15 de outubro de 2011

    RN: Ato unificado reúne categorias em greve

    Manifestantes na Av. Rio Branco
    A Av. Rio Branco, no centro de Natal, foi tomada por diversas categorias de trabalhadores em greve nesta quinta-feira 13. A caminhada reuniu bancários, funcionários da rede estadual de educação e servidores da administração indireta do Rio Grande do Norte em protesto contra a intransigência dos bancos e do governo de Dilma Rousseff (PT), além da falta de compromisso do governo de Rosalba Ciarlini (DEM). Os bancários cobraram reajuste salarial e denunciaram os lucros astronômicos dos banqueiros. Já os funcionários da educação e os servidores da administração indireta, como os do Detran, da Fundação José Augusto e da Emater, exigiram o cumprimento dos acordos feitos com o governo do estado em julho deste ano, referentes às atualizações dos seus planos de cargos.

    A manifestação, organizada pela CSP-Conlutas, Sinte/RN, Sinai e Sindicato dos Bancários, além de outras centrais sindicais, foi encerrada em frente ao Banco do Brasil da Av. Rio Branco. O PSTU participou do protesto em apoio à luta dos trabalhadores. "Esse ato unificado das categorias federais e estaduais em greve é uma iniciativa muito importante para fortalecer a luta corporativa desses setores, mas não apenas. É unindo toda a classe trabalhadora que podemos de fato conquistar e dobrar a intransigência dos governos Rosalba e Dilma, que têm tentado criminalizar o movimento dos trabalhadores, seja através da justiça, seja através das ameaças de desconto e corte de ponto.", afirmou Juary Chagas, diretor do Sindicato dos Bancários e militante do PSTU.

    Juary Chagas disse também que o Movimento Nacional da Oposição Bancária (MNOB/CSP-Conlutas) reivindica 26% de reajuste salarial para toda a categoria, um plano de reposição das perdas nos bancos públicos, isonomia, estabilidade no emprego, entre outras reivindicações. "Infelizmente, a CONTRAF (confederação nacional ligada à CUT) decidiu por reivindicar apenas um reajuste de 12,8%, que está muito aquém do lucro astronômico dos bancos.", explicou Juary.

    Alexandre Guedes, da CSP-Conlutas

    Alexandre Guedes, membro do comando de greve do Detran/RN e da CSP-Conlutas, denunciou o governo de Rosalba Ciarlini (DEM) por não cumprir o acordo com a categoria e deixar de pagar o plano de cargos dos servidores. "No Detran, por exemplo, um dos órgãos mais ricos do Estado, a arrecadação cresceu bastante. De R$ 61,4 milhões em 2007 passou para R$ 80,8 milhões em 2010. São R$ 20 milhões a mais em apenas 3 anos. Segundo informações do próprio governo, a implantação de todos os planos de cargos tem um custo de R$ 25 milhões mensais. Portanto, as condições são totalmente favoráveis para a quitação desse débito com o funcionalismo. O governo estadual não tem do que reclamar. Tem arrecadado muito. O calote é um absurdo.", destacou Alexandre.

    A luta para que o governo federal invista imediatamente 10% do PIB (Produto Interno Bruto) Nacional em educação pública também esteve representada no protesto unificado. "Nós acreditamos na importância da unificação do movimento estudantil com o movimento de trabalhadores. O governo Dilma prepara agora um novo ataque à educação com o novo PNE e é por isso que estudantes e trabalhadores devem se unir para exigir o investimento de 10% do PIB na educação e o fim dos ataques contra os direitos sociais.", defendeu Géssica Régis, militante da Assembleia Nacional dos Estudantes - Livre (ANEL).






    Retirado do Blog do PSTU/RN