quarta-feira, 20 de abril de 2011

Dilma quer trazer o modelo de exploração chinesa ao Brasil

A presidente do Brasil, Dilma Rousseff, visitou a China por cinco dias, em sua primeira viagem ao exterior para além da América Latina. Um dos dias foi utilizado para participação na reunião de cúpula dos BRIC’s, em Sanya, uma ilha situada no litoral sul chinês. Como ressaltou a imprensa mundial, foi uma “viagem de negócios” onde os aspectos políticos ficaram em segundo plano. Não foi outro o motivo de ter levado, em sua delegação, 250 empresários em busca de novos negócios.

Os resultados, no entanto, foram modestos em ambos os aspectos. De concreto, a permissão para exportação de carne de porco pelo Brasil, sem especificação do volume, e a autorização para a fabricação e venda de aviões da Embraer, que já tem uma fábrica montada na China, com a compra d e35 aeronaves E190 por empresas de aviação chinesas.

A busca da “arca do tesouro” chinesa - sua enorme reserva cambial - para investimentos no Brasil resultou numa comemorada promessa de instalação de uma nova fábrica da Foxconn no interior de São Paulo e em contratos entre a Sinopec, estatal de petróleo chinesa, e a Petrobras e da estatal de energia com a Eletrobras. Além disso, anúncios de investimentos por algumas empresas, mas basicamente para acompanhar o crescimento da economia brasileira.


A política das aparências

Os comunicados dos dois presidentes, Dilma pelo Brasil e Hu Jintao pela China, tradicionais neste tipo de encontro, nunca revelam os acordos reais realizados. Estes ficam em segredo, como os oito acordos de cooperação, entre eles um sobre Defesa, cujos teores não foram divulgados.

Mas o comunicado chinês frustrou a expectativa do governo brasileiro de ganhar mais um aliado em sua pretensão de tornar-se um membro permanente no Conselho de Segurança da ONU. Pequim limitou-se a apoiar "a aspiração brasileira de vir a desempenhar papel mais proeminente nas Nações Unidas". Somada à declaração parecida de Obama no Brasil, esta é a segunda derrota da diplomacia brasileira.

A China faz parte do Conselho de Segurança, mas seu ingresso se deu quando ainda era um Estado Operário e era preciso levar a política de “coexistência pacífica” entre o imperialismo e a burocracia soviética – de divisão do mundo em esferas de influência – para a própria ONU. Atualmente parece não haver lugar para novos “emergentes” entre as potências nucleares mundiais.

Os comunicados tampouco citaram as violações dos direitos humanos realizadas pelos dois países: centenas de presos políticos na China e condições subumanas nas prisões brasileiras. Mas foi ressaltado o fato dos dois países terem retirado da linha de pobreza milhões de pessoas, esquecendo-se, vergonhosamente, do salário mínimo vigente nos dois países – R$ 540,00 no Brasil e cerca de R$ 200,00 na China. Ou das condições de trabalho nas grandes obras do PAC no Brasil e nas minas de carvão chinesas, onde morrem centenas de trabalhadores todos os anos por falta de segurança no trabalho.

Para os capitalistas e seus representantes, isso pouco importa, ou melhor, importa muito, pois é dessa superexploração que retiram seus lucros e transformam seus países em eternos “emergentes”, sem nunca saírem da condição de semicolônias do imperialismo. É por isso que tais fatos nunca são mencionados em seus comunicados conjuntos.


Mais empregos ou mais exploração?

A maior sensação da viagem foi o anúncio da Foxconn de investir US$ 12 bilhões em cinco anos para construir uma "cidade inteligente" com 100 mil "habitantes" onde seriam fabricadas telas de cristal líquido e outros componentes de computadores. Trata-se do modelo adotado na cidade de Shenzhen, onde vivem mais de 150 mil trabalhadores em regime praticamente fechado, recebendo o salário mínimo regional, com jornadas de trabalho que podem chegar a 16 horas diárias e recentes denúncias de envenenamento por n-hexano, substância manipulada pelos operários para a limpeza de... telas de cristal líquido.

Foi aí que 10 operários cometeram suicídio no início de 2010, motivando Terry Gou, dono do Grupo Foxconn, a anunciar o fechamento da fábrica e sua transferência para o interior do país, onde o salário mínimo é ainda menor.

Foi o mesmo Terry Gou que afirmou, segundo os sites do Wall Street Journal e do Finantial Times, que “os salários no Brasil são altos” e que os operários brasileiros “param de trabalhar assim que ouvem futebol” e que, mais do que “levar uma fábrica à perfeição, é ainda melhor em extrair incentivos de governos”.

Esta afirmação vem bem ao gosto do governo brasileiro, que gosta de incentivar os “empreendedores”, como são chamados os capitalistas na China, com vultosos empréstimos do BNDES, a baixíssimos juros, e incentivos fiscais de todos os tipos. Mas o mais apropriado é dizer que a verdadeira especialidade de Terry Gou é superexplorar os trabalhadores, de qualquer nacionalidade.

Mas não é sua exclusividade. Numa pesquisa da China Labour Watch, uma organização de direitos humanos, em 46 fábricas onde trabalham 92 mil trabalhadores, concluiu-se que em 88% das fábricas não havia representação sindical efetiva; em 87% delas as horas extras diárias excediam 3 horas ou não havia garantia de descanso semanal – as horas extras excediam 100 horas mensais e em algumas fábricas, 200 horas; e 83 % não pagavam salários conforme a legislação, em relação ao salário mínimo e às horas extras.

Estes são os patrões que o governo Dilma está procurando para investir no Brasil. Esta é a aposta dos capitalistas brasileiros para um rebaixamento geral dos salários e direitos trabalhistas no Brasil.

Esta também é a vontade da burocracia sindical instalada na CUT, a julgar pelas declarações de Sérgio Nobre, presidente do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo. O sindicalista afirmou ao jornal Valor Econômico que “se ficarmos presos à CLT, travaremos uma série de avanços que são fundamentais para os trabalhadores e para as empresas” , e defende que o negociado entre patrões e trabalhadores prevaleça sobre o legislado pela CLT. Como avanço, para as empresas, significa aumento dos lucros, uma medida deste tipo abriria as portas a todos os tipos de violações trabalhistas. Bem ao gosto dos capitalistas chineses. Ao que parece, com a ajuda da CUT, Terry Gou não terá mais motivos para dizer que os salários no Brasil são altos.


Retirado do Site do PSTU

No país do futebol, atletas femininas são apresentadas como objetos sexuais

O Santos Futebol Clube comemora centenário com calendário de atletas seminuas reduzindo o belíssimo futebol das jogadoras a uma mera mercadoria de R$ 20


Vinte e seis jogadoras do time de futebol feminino do Santos posaram de biquíni em poses sensuais. As fotos serão usadas para um calendário comemorativo do centenário do clube. O departamento de marketing do Santos considera o material, que leva o título de “Sereias da Vila”, uma forma de “homenagear a equipe de futebol feminino do peixe e, assim, mostram que são craques dentro e fora do campo”.

Ou seja, no país que respira futebol e que tem a maior jogadora de todos os tempos, Marta Vieira da Silva, escolhida como melhor futebolista do mundo por cinco vezes consecutivas, o Santos, clube que a contratou por duas vezes, resolve colocar em evidência seu time feminino expondo-as como objetos sexuais. Perguntamos: por que não colocá-las com seus uniformes de atletas? Não seria o mais lógico?

Não. Segundo o gerente de marketing do Santos, Armênio Neto: “Já queríamos fazer um calendário de abril a abril para comemorar o centenário do clube [em 2012]. Lembramos daqueles calendários com fotos super bonitas, com mulheres, e pensamos: ‘vamos turbinar as meninas e mostrar esse outro lado delas’”.

Ou seja, mostrá-las como atletas não é suficiente. É preciso mostrar o seu “lado feminino” e que, apesar de serem jogadoras de futebol, não são masculinizadas.
Assim, o Santos pode faturar também, com um calendário que será vendido a R$ 20.

Claro que não é ideia só do Santos usar o copo feminino como uma forma de colocar a mulher no mundo machista do futebol. É só abrir a página do Lance na internet e veremos mulheres em poses sensuais. Ou então no programa de esportes da Rede Globo. Existem competições para escolher a musa do Paulistão, do Brasileirão etc. Tiago Leifert, apresentador do Globo Esporte, faz questão que as mulheres representantes de suas torcidas “deem uma voltinha” pra mostrar todo seu potencial.

E aí nos indignamos quando ficamos sabendo que, por exemplo, no Irã, só agora as mulheres podem ir ao estádio assistir a uma partida de futebol. Já aqui, temos a “liberdade” de participar, mas claro, temos que aguentar a torcida, majoritariamente masculina, se expressar com ofensas machistas e homofóbicas, aos jogadores adversários, ao juiz, à mãe do juiz. E pobre da bandeirinha se for mulher.


Quem é a principal jogadora de futebol da atualidade, segundo consta na Wikpedia:

Marta Vieira da Silva, mais conhecida como Marta (Dois Riachos, 19 de fevereiro de 1986), é uma futebolista brasileira que atua como atacante. Atualmente, joga pelo Western New York Flash.

Marta já foi escolhida como melhor futebolista do mundo por cinco vezes consecutivas, um recorde entre mulheres e homens. Foi considerada pela Revista Época um dos 100 brasileiros mais influentes do ano de 2009.

Após as grandes exibições recentes e, principalmente, nos Jogos Pan-americanos de 2007, Marta chegou a ser comparada a Pelé, sendo chamada pelo mesmo de o “Pelé de Saias”. A alagoana declarou que se emocionou ao saber que o rei do futebol acompanhou os jogos da seleção feminina. Além disso, entrou na calçada da fama do Maracanã, sendo a primeira e, até agora, a única mulher a deixar a marca dos pés neste local.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 19 de abril de 2011

Fortaleza: Operários da construção civil entram em greve e transformam praça da cidade na Praça Tahir

A mobilização que balança a cidade reflete o crescimento do setor, que já conta com mais de 40 mil trabalhadores, e ao mesmo tempo os baixos salários de uma categoria superexplorada. Este ano o lema da campanha salarial é: contra a ditadura dos patrões, reajuste salarial, melhoria das condições de trabalho e cesta básica


Passeata de operários em Fortaleza
05h30 da manhã. Diretores sindicais, apoiadores, ativistas e a militância do PSTU se concentram no sindicato da construção civil para se dirigir aos canteiros de obras para iniciar a greve.

Em muitas obras as empresas nem deixaram os trabalhadores entrar. Porém em muitas outras os patrões insistiram em manter funcionando. Já às 7h, inúmeros piquetes se formavam e começavam a ganhar as ruas de Fortaleza. Nem a forte chuva espantou a disposição de luta dos trabalhadores. Os piquetes têm como objetivo convencer os trabalhadores nos locais onde as obras não pararam, e em seguida cada piquete se transforma numa passeata.

Todos os piquetes, essas mini-passeatas, tinham como objetivo chegar a Praça Portugal, localizada no coração da Aldeota, bairro nobre da cidade. Antes das 10h vários piquetes se encontraram rumo a Aldeota e formaram uma grande passeata, já com mais de 1000 trabalhadores. Na Praça, mais operários chegaram de canteiros distantes vindos de ônibus e mais chegaram de outros piquetes. Segundo Laércio, diretor do sindicato e militante do PSTU, mais de 3 mil trabalhadores participaram dos piquetes hoje.


“Isso aqui tá parecendo a Praça Tahir”

Ao iniciar a Assembléia em cima de um mini trio, Gonçalves, diretor e militante do PSTU, disse: “Companheiros, todos vocês viram na TV as revoluções no norte da África. No Egito o símbolo foi a Praça Tahir. Foi lá que os trabalhadores e a juventude resistiram à ditadura até ela cair. Isso aqui tá parecendo a Praça Tahir”. As palmas ao término da fala eram a demonstração da conscientização dos trabalhadores. A assembléia votou seguir a greve. Amanhã tem mais!


Retirado do Site do PSTU

Dirigentes do PSTU serão recebidos no Planalto

Audiência com a Secretaria Geral da Presidência será nesta terça, às 15h, em Brasília


Na tarde desta terça-feira, 19, dirigentes do PSTU terão uma audiência com um representante da Secretaria Geral da Presidência. Zé Maria de Almeida, presidente nacional do PSTU, e Cyro Garcia, presidente do PSTU do Rio de Janeiro, se reúnem com a secretaria para tratar dos processos contra os 13 ativistas presos no Rio durante a visita de Barack Obama. José Eduardo Braunschweiger, advogado e um dos presos, também estará no encontro.

O objetivo da reunião é demonstrar o absurdo que foram essas prisões e exigir um posicionamento do governo Dilma sobre o caso. No final de março, quando o presidente norte-americano esteve no Brasil, 13 ativistas foram presos numa ação ilegal e cheia de irregularidades. Eles foram acusados de lançar um coquetel molotov contra o consulado dos EUA. Dez deles são militantes do PSTU.

Os manifestantes foram soltos, mas o governo do Rio de Janeiro, de Sérgio Cabral, está levando adiante os processos. Os acusados estão sendo enquadrados na Lei de Segurança Nacional. “É um absurdo que o governo federal não tome uma posição em favor dos presos, pelo arquivamento dos processos”, diz Zé Maria.

Eles ainda podem ser julgados e, se condenados, presos por um crime que não cometeram. “Seria uma vergonha para o governo Dilma ter pessoas enquadradas na mesma lei que a reprimiu na ditadura militar”, opinou Zé Maria.

Na ocasião, também será entregue um dossiê com todas as informações desde o ato até o andamento dos processos hoje. A audiência será às 15h, no Palácio do Planalto, em Brasília.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 16 de abril de 2011

Não às demissões! Exigimos garantia de emprego para todos os trabalhadores das obras do PAC

Leia a nota da CSP-Conlutas perante a ameaça de milhares de demissões


A CSP-Conlutas participou nesta quinta-feira, dia 14 de abril, em Brasília/DF, da reunião para discutir a situação dos trabalhadores nas grandes obras do PAC.

Na reunião, por exigência de nossa Central e de outras entidades, o secretário geral da Presidência da República, ministro Gilberto Carvalho, assumiu o compromisso de desmilitarizar o complexo de obras, com a retirada imediata da Força Nacional de Segurança da área e a substituição de toda a segurança privada da obra.

Também ficou definido que as empresas que atuam nessas áreas não vão efetuar demissões sem antes negociar com os sindicatos dos trabalhadores, o que é muito pouco diante das notícias não desmentidas pela Camargo Correia de que pretende demitir seis mil operários.

Após a reunião, o mesmo ministro declarou que haverá demissão de trabalhadores na Usina Hidrelétrica Jirau, em Rondônia, por causa da redução do ritmo das obras.

O ministro justifica as demissões com o argumento de que “a Camargo Corrêa contratou mais gente do que era adequado frente à pressão do consórcio para que ela acelerasse as obras. Isso fez com que houvesse uma grande concentração de operários. Pedimos para a empreiteira que as demissões sejam combinadas com o sindicado local. É necessário que haja redução do contingente de operários lá”.

A CSP-Conlutas não aceita essa postura ofensiva do governo e das construtoras, que joga nas costas dos trabalhadores as consequências da irresponsabilidade dos administradores do consórcio. A alegação de que a Justiça do Trabalho autorizou as demissões é uma meia verdade, pois a decisão da Justiça fala em demissão de trabalhadores não aproveitados.

Ora, todos os trabalhadores estavam executando suas atividades antes das greves que paralisaram as obras. Por que agora não podem mais ser “aproveitados”?

As obras estão sendo retomadas em Jirau, no entanto, as condições de trabalho não estão todas restabelecidas. Isso não podemos aceitar. As obras só podem ser retomadas com plenas condições de trabalho e até lá deve ser garantida a estabilidade no emprego de todos os operários.

Durante a reunião em Brasília, o representante de nossa Central, Atnágoras Lopes, apresentou uma pauta de reivindicações aprovada pelos trabalhadores da construção civil do Ceará e que contempla, dentre outros itens, a garantia de emprego, a fiscalização dos canteiros de obra por uma força tarefa composta pelo Ministério do Trabalho, Ministério Público do Trabalho e sindicatos, aumento do número de fiscais do trabalho nas obras, manutenção dos alojamentos e áreas de vivência dos operários nas obras, redução da jornada de trabalho, isonomia salarial, direito à eleição dos delegados sindicais, com garantia de emprego e outras reivindicações.

A CSP Conlutas se coloca à disposição dos sindicatos locais na resistência às demissões. Os trabalhadores não podem ser responsabilizados e pagar a conta da crise instalada nas obras pela ganância patronal e irresponsabilidade do governo.


Retirado do Site do PSTU

Meio milhão em Londres

Ingleses lutam contra o corte de pessoal no serviço público


Ficou claro no processo de construção do 26 de março que a manifestação ia ser enorme. Sindicatos de todo o país se mobilizaram e fretaram trens e ônibus para seus membros e suas famílias.

O clima no dia foi de carnaval, mas também teve algo de poderoso e histórico, com um amplo setor dos trabalhadores do serviço público, atores, parteiras e até motoristas de táxi, que se reuniram em uma demonstração de força contra os cortes. Foi incrível ver, havia mais de mil cartazes, balões e faixas, todos exigindo o mesmo – não aos cortes. As pessoas mostraram sua raiva e desgosto com os banqueiros e os bilionários, os ricos e as instituições financeiras que criaram a crise. Elas veem os cortes como um ataque puro à classe trabalhadora, enquanto os ricos ficam cada vez mais ricos.

Mais de 500 mil manifestantes foram de Embankment até o Hyde Park por mais de cinco horas, mas muitos não conseguiram ir até o Hyde Park porque precisaram tomar o transporte a tempo para chegar em casa.


É apenas o começo

No parque, cerca de 100 mil ouviram os oradores, e muitos outros se juntaram às reuniões não-oficiais, enquanto uma grande parte ficou em Trafalgar Square. A grande maioria das pessoas não viu o dia como o fim da campanha, mas o início e, quando Mark Serwotka, líder do Sindicato de Serviços Públicos e Comerciais, disse “olhem a seu redor neste parque. Imaginem o que seria se não só marchássemos juntos, mas entrássemos em greve em conjunto”, recebeu gritos de apoio. Len McCLuskey, secretário-geral do sindicato Unite, foi aplaudido quando disse que a demonstração “deve ser apenas o começo” e exortou todos a “continuar a luta, incluindo a greve coordenada no setor industrial”.


Trabalhismo não é a alternativa

Para surpresa de muitos sindicalistas, Ed Miliband, o líder do Partido Trabalhista, foi convidado a falar. Sem surpresa, ele assumiu a mesma posição da maioria dos dirigentes sindicais, isto é, os cortes são muito profundos e muito rápidos, e os trabalhadores devem agora aguardar um governo trabalhista. Miliband foi vaiado quando disse “precisamos de alguns cortes, mas este governo está indo longe demais”.

Por um lado, o Partido Trabalhista, com o apoio do TUC (uma federação de sindicatos), queixa-se com palavras do nível de cortes, mas nos bairros da classe trabalhadora de todo o país, conselhos trabalhistas estão devastando comunidades e deixando pessoas desesperadas à medida que empregos são cortados e os serviços desaparecem. Em uma traição à classe trabalhadora, esses conselhos se opõem a qualquer luta séria contra os cortes e não querem ver mais mobilizações.

No dia 26 de março o Unison, sindicato do setor público, mobilizou o maior bloco de manifestantes, que carregaram mais de 200 bandeiras no dia. No entanto, o líder daquele sindicato, Dave Prentis, disse ao falar da tribuna: “Vamos marchar aos milhares e votar aos milhões para enterrar a coalizão deles de uma vez por todas.” O efeito dos cortes no serviço público será devastador, mas Prentis não fez nenhum apelo à ação coletiva, apenas para protestos locais.

Protestos não vão parar este violento ataque à classe trabalhadora, é necessário agora fazer greve e mobilizações de massa. A maioria dos manifestantes reconheceu isso e, se os líderes sindicais não quiserem, terão de ser substituídos. Se eles não estão dispostos a fazer seu trabalho de representar os interesses da classe trabalhadora, então eles devem ir embora.

O dia 26 de março foi significativo porque a maioria do TUC, no congresso de setembro de 2010, defendeu que seus membros não estariam prontos para uma manifestação contra os cortes até o final de março de 2011. No entanto, os protestos impressionantes contra o aumento das anuidades na educação e os cortes, liderados pelos alunos em novembro de 2010, provaram que isso estava completamente errado. O dia 26 de março foi claramente organizado para coincidir com as eleições locais de 5 de maio.

Antes da manifestação houve anúncios conselho após conselho, incluindo todos aqueles com liderança do Partido Trabalhista, de cortes generalizados e brutais. Então, de repente, no mês de março, muitas pessoas, de famílias jovens aos mais velhos, ouviram que muitos dos serviços que elas usam ou dependem vão fechar, sofrer severos cortes ou serão cobrados, exigindo que as pessoas encontrem dinheiro que elas não têm. Isso também significou que um milhão de empregos no setor público em todo o país desapareceria.

Então milhares em todo o país tomaram as ruas e fizeram lobby em seus conselhos locais e prefeituras, mas foram ignorados. Visivelmente, no entanto, as bandeiras dos sindicatos e do Partido Trabalhista estavam ausentes. A consequência dos cortes é que, a partir de 1º de abril, muitos vão começar a sentir o impacto direto dos cortes e não haverá uma família de classe operária que não será afetada de alguma maneira. Todo mundo irá experimentar uma queda significativa no seu padrão de vida.

Os principais sindicatos são Unison e Unite, cujos líderes estão próximos do Partido Trabalhista e têm sido um entrave para desenvolver ações grevistas, ao negociarem apoio aos cortes nos conselhos apenas com palavras de protesto. Estes sindicatos terão de romper com a política do Partido Trabalhista de não mobilizar.


Detenções por motivos políticos

O movimento UK Uncut, que organizou muitos protestos e ocupações pacíficos, criativos, teatrais e descontraídos, se juntou à manifestação de 26 de março. Eles foram a Piccadilly para ocupar Fortnum and Mason, uma loja de alimentos de luxo, e lá dentro “cantaram músicas, leram livros e jogaram cartas, enquanto os clientes continuaram a ver as prateleiras e tomar chá no café”. Como todas as ações anteriores do UK Uncut, foi um protesto totalmente pacífico.

O UK Uncut chamou a atenção pública para a sonegação de impostos e estratégias para evitar os impostos por parte das grandes empresas e bancos, quando tem sido dito a todos nós que não existe opção além de cortar os serviços e empregos dos trabalhadores.

Como muitos donos de empresas grandes (Topshop e Vodafone, para citar algumas), o dono da Fortnum and Mason, o Wittington Investiments, se esquiva de 10 milhões de libras em impostos todos os anos. Isso destaca as mentiras e a hipocrisia do governo, que pensa que pode nos enganar ao dizer “estamos todos juntos nisso”.

Quando os manifestantes deixaram a loja, dezenas deles foram presos e soltos um por um, depois de fotografados, algemados e presos. Os detidos foram presos por mais de 20 horas, tiveram suas roupas e celulares confiscados e lhes foi negado o direito de protestar num futuro próximo.

A classe dominante está claramente nervosa quanto ao desenvolvimento da campanha do UK Uncut, assim, por meio de “batalhões especiais de homens armados”, o Estado exerceu o poder e prendeu 138 manifestantes. Esta prisão em massa é um ataque sem precedentes ao direito de protestar e é sem dúvida uma tentativa política de minar seu sucesso e distrair a atenção, longe dos sonegadores e dos ricos, que causaram a crise. Este é um ato de opressão contra a classe trabalhadora para intimidar e criminalizar os manifestantes e para limitar os direitos a todo tipo de protesto.
Em sua análise do Estado e do poder estatal, Engels disse: “Porque o estado surgiu da necessidade de segurar os antagonismos de classe em cheque, mas porque ele surgiu, ao mesmo tempo, no meio do conflito dessas classes, ele é, como regra geral, o Estado da classe mais poderosa e economicamente dominante, que, através da mediação do Estado, torna-se também a classe politicamente dominante e adquire novos meios de reter e explorar a classe oprimida...” (A Origem da Família, da Propriedade Privada e do Estado, 1884).

A ISL apoia totalmente as ações do UK Uncut e daqueles que, em meio à pressa do Estado para prender e processar, foram feitos de “bodes expiatórios” políticos. É importante para o movimento sindical exigir a supressão de todas as acusações e imediatas desculpas.


O que vem a seguir? Greve coordenada e conjunta

A mensagem do dia 26 de março foi convocar uma alternativa. Mas a alternativa que está sendo proposta pelo TUC não é suficiente, e muitos na manifestação pediram que o TUC organizasse futuras ações. A ISL distribuiu panfletos esclarecendo que fomos contra todos os cortes, chamando uma greve coordenada e conjunta. Isso foi aprovado por todos que pararam e leram o nosso material, na medida em que ninguém tinha a ilusão de que aquela manifestação pararia o governo e todos reconheceram que ações no setor industrial terão que inevitavelmente continuar.

O Partido Socialista está chamando uma greve geral do setor público, mas não há praticamente um sindicato que organize unicamente no setor público. Muitos dos serviços de hospitais, educação e município estão privatizados ou dirigidos por grupos “sem fins lucrativos”. Por exemplo, uma das entidades mais militantes, o sindicato de transportes RMT, organiza seus membros nas centenas de empresas privadas que dirigem agora as ferrovias. A ISL acredite que tal chamado é parcial e esquece o ponto crucial de que muitos serviços públicos são explorados por empresas privadas, e que os planos para a privatização dos serviços públicos são maiores do que nunca, e os sindicatos devem assumir esta luta para defender os serviços públicos.


O ataque aos desempregados já começou

O ataque aos benefícios já começou e aqueles que os recebem já estão sofrendo. No entanto, em 1º de abril 18 bilhões de libras foram cortadas de benefícios, o que intensificará um regime já autoritário. Na tentativa de cortar benefícios, alvos estão sendo criados para sancionar as pessoas pelas razões mais triviais, em particular os jovens. Quando um requerente é sancionado o benefício Job Seekers Allowance (para procurar emprego) é interrompido (também, automaticamente o subsídio de habitação é interrompido) por longos períodos de até seis meses.

Isso está acontecendo quando os requerentes chegam atrasados para as entrevistas, não podem comparecer devido a doença ou outras razões menos “sérias”. Requerentes estão sofrendo cada vez mais de depressão, falta de moradia e são dependentes de cestas básicas.

A vida é dura o suficiente para os desempregados e aqueles que recebem benefícios, mas agora eles vivem com medo de receber uma “carta marrom” através da porta anunciando que foram sancionados. Como o desemprego inevitavelmente aumenta e as políticas de cortes são colocadas em movimento, estes ataques serão intensificados e o Estado e suas instituições, como a mídia, irão explorar todas as oportunidades para legitimar suas ações.

O bode expiatório e os estereótipos de imigrantes, trabalhadores e aqueles que recebem benefícios devem ser refutados e atacados porque sua única finalidade é dividir os trabalhadores e tirar o foco da culpa pelos cortes da rica classe dominante, quem é responsável pela crise. Os sindicatos e a classe trabalhadora devem organizar os desempregados para lutar pelo direito ao trabalho e aos benefícios para todos.


Necessidade pública, não à ganância privada

Em abril, o governo entregou vários contratos multimilionários a 16 empresas do setor privado e duas organizações voluntárias “... para levar de volta ao trabalho os 850 mil que estão desempregados há um ano”. Em um período de desemprego elevado e crescente, com cortes de benefícios sociais e onde há uma crescente cultura de sancionar os requerentes, entregar serviços ao setor privado só servirá para aumentar ainda mais a opressão e o controle da classe trabalhadora.

Ken Clarke, ministro da Justiça, acaba também de anunciar a primeira privatização de uma prisão do setor público, em Birmingham. Isso é totalmente desaprovado pela Associação de Oficiais Prisionais, e o ministro já disse que tem planos de contingência para o uso militar se os agentes penitenciários fizerem greve. A associação está enfrentando intensa pressão e ameaças extremas do Ministério da Justiça e dos seus empregadores e deve ser apoiada pelos sindicalistas.

A palavra de ordem do governo capitalista é – “deixe reinar as forças de mercado”, e as pessoas da Grã-Bretanha estão apenas começando a ver o que isso realmente significa. É apenas mais uma tentativa de implementar o que a classe dominante tem tentado fazer desde o fim da Segunda Guerra Mundial, ou seja, controlar a classe trabalhadora e alterar a relação de forças de classe a um grau tal que eles serão capazes de acabar com todos os serviços públicos e colocá-los nas mãos das empresas privadas. A primeira grande tentativa para conter o grande poder da classe trabalhadora foi na década de 1960, pelo governo trabalhista de Harold Wilson. Agora, mais de 40 anos mais tarde, o governo de coalizão está tentando concluir esse plano.


A crise dos gananciosos

Desde 2008 o capitalismo está mergulhado em uma profunda crise mundial. A crise na Grã-Bretanha foi construída ao longo de muitos anos com os políticos corruptos e banqueiros gananciosos utilizando um sistema europeu e internacional desregulado. O frenesi especulativo referiu-se a isso como “globalização”, mas o imperialismo tenta bloquear a explosão inevitável de contradições entre as forças produtivas e a propriedade privada. É por isso que os cortes estão sendo forçados, mas é uma crise pela qual os banqueiros e os bilionários superricos devem pagar, e os trabalhadores não estão cegos para essa realidade.


A classe trabalhadora deve assumir o controle

Se dermos à classe dominante uma estrada aberta, nós nos encontramos frente a condições de opressão e depressão como nos anos 1930. Só greves, ocupações e mobilizações militantes impedirão as consequências de tal futuro sombrio. O capitalismo britânico está tentando salvar-se ao extrair a maior mais-valia possível da classe trabalhadora tão rápido quanto possível, mas isso também apressa a próxima quebra.

Há uma raiva crescente nos locais de trabalho e nas comunidades, e o dia 26 de março mostrou isso. Pouco antes da manifestação em Londres, 120 mil universitários e trabalhadores de universidades se uniram em uma greve nacional contra os cortes na educação. Outras greves também estão a caminho, mas as lideranças sindicais terão de ser combatidas.

As comunidades mobilizaram para protestar contra os cortes nos serviços em toda a Grã-Bretanha, mas elas ainda não transformaram este protesto em ação. Uma série de assembleias anticortes tem sido organizadas, com suporte e participação da ISL, que procurará aprofundar as ligações entre os sindicatos, trabalhadores e campanhas baseadas nas comunidades.

As eleições para os conselhos locais devem ser usadas para incitar o apoio a campanhas nacionais e locais anticorte. Em uma coalizão de sindicalistas e grupos socialistas, a ISL está apoiando candidatos nas eleições de maio com a perspectiva de desenvolver uma luta contra todos os cortes, com uma mensagem declarando que a única alternativa é uma alternativa socialista.

A alternativa no dia 26 de março não foi o Partido Trabalhista, que representa desmoralização e derrota. A única alternativa é unir todas as lutas em um único movimento de massa contra o governo. A alternativa é o socialismo.

  • Sindicatos – lutar pela sua classe contra os cortes nos empregos, benefícios e serviços

  • Unir comunidades e sindicatos contra os cortes

  • Direito ao trabalho para todos

  • Direito a benefícios para todos

  • Que os ricos paguem pela crise


  • Retirado do Site do PSTU