quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Governo de Dilma anuncia ataques à Previdência Social

Vamos preparar a luta contra estas medidas


Apenas alguns dias após a imprensa divulgar o que seria uma decisão da presidenta Dilma Rousseff – de não fazer uma reforma da Previdência – o próprio governo tratou de vir a público dizer o que pretende fazer nessa área (Folha de S. Paulo, 21/1/2011). E não são boas as medidas anunciadas.

O governo vai apresentar, como parte de uma reforma tributária que pretende fazer, um conjunto de propostas visando desonerar a folha de salários das empresas. Eufemismos à parte, as propostas vão da diminuição da alíquota paga pelas empresas sobre a folha de salários para financiamento da Previdência Social para algo em torno de 14% (hoje esta alíquota é de 20%). Além disso, o governo pretende simplesmente eliminar o salário-educação que hoje as empresas pagam (2,5% sobre a folha de salários). Trata-se de um crime contra a Previdência Social pública e contra a educação pública em nosso país.

O argumento é o mesmo de sempre, de que isso ajudaria a aumentar o emprego formal no país. A fábula que pre-tendem vender ao povo é a seguinte: ao pagar menos impostos ao Estado, os empresários vão contratar mais traba-lhadores com carteira assinada. Algumas autoridades chegam a falar que, no futuro, isso até aumentaria a arreca-dação da Previdência, porque cresceria muito o número de trabalhadores com carteira assinada.

No entanto, muito diferente deste conto de fadas, todos nós sabemos, e as autoridades do governo também sabem, que os empresários vão usar estes recursos que deixarão de recolher para o Estado simplesmente para aumentar os seus lucros. Não se trata de uma opinião, é uma constatação. A desoneração da folha de salários e outras modalida-des de simplificação e diminuição dos custos da contratação de trabalhadores já foi aplicada em muitos países, como México, Espanha etc. Em todos eles, o desemprego cresceu. Desafiamos o governo a apresentar algum estudo com um mínimo de seriedade, de qualquer país que seja, onde este tipo de política tenha aumentado o emprego.

Na verdade este tipo de medida serve apenas para aumentar o lucro das empresas. E é esta a razão pela qual o grande empresariado pressiona tanto o Brasil a adotá-las. Estamos falando de empresas cujos lucros cresceram mais de 400% nos últimos anos, entre outras razões, porque o custo do trabalho (salários, direitos trabalhistas e benefí-cios sociais, Previdência inclusive) é muito baixo em nosso país.

Por outro lado, estas medidas anunciadas tratam justamente de diminuir os recursos voltados para a garantia de políticas sociais e para diminuir a pobreza (Previdência e educação). O contraste com as promessas eleitorais da candidata Dilma é inevitável.

Se o governo quer, a sério, aumentar o número de empregos com carteira assinada, sugerimos duas medidas. Em primeiro lugar, deve abrir concurso para contratar mais auditores fiscais do trabalho, assegurando fiscalização em todas as empresas. Ao atacar a fraude trabalhista, amplamente praticada no país pelas empresas, sem dúvida au-mentaria o número de empregos formais, entre outros benefícios para o Brasil e para os trabalhadores. Em segundo lugar poderia determinar a redução da jornada de trabalho sem redução salarial, gerando mais postos de trabalho e melhorando a qualidade de vida dos trabalhadores.


Não há compensação possível

A mesma matéria publicada na imprensa que divulga as propostas do governo, informa também que haveria resis-tência de centrais sindicais que estariam exigindo compensações para concordar com as medidas. O jornal não in-forma quais seriam estas centrais sindicais, mas não é difícil imaginar quais são.

A CSP-Conlutas não aceita as medidas anunciadas pelo governo, nem concorda com esta lógica de pedir compensa-ções. O que o Brasil e os trabalhadores precisam é de fortalecimento da Previdência Social pública e da educação pública. Nada disso existe sem aumentar os recursos envolvidos no financiamento destas políticas sociais. Aumen-tar, não diminuir, como pretendem estas medidas que o governo pretende aprovar.

As centrais sindicais não têm o direito de agir com esta ligeireza. Precisam apontar as contradições do governo e chamar a que os trabalhadores se preparem para a mobilização, para pressionar o governo e o Congresso Nacional para defender a Previdência Social pública.

Não faz muito tempo, o presidente Lula vetou a medida aprovada no Congresso Nacional que acabava com o Fator Previdenciário. A alegação do governo, do qual Dilma Rousseff fazia parte, era a de que a Previdência Social não tinha recursos para bancar aquela medida. Alegavam que o fim do Fator Previdenciário aumentaria os gastos da Previdência Social em cerca de R$10 bilhões por ano.

Pois bem. Agora o governo Dilma propõe essa medida que vai diminuir a arrecadação da Previdência Social. Se to-marmos apenas a redução da alíquota, que seria aplicada na primeira fase da implantação dessa medida (de 20% para 18%), a Previdência Social perderia R$ 9,2 bilhões por ano. Quando aplicada toda a redução, a Previdência perderia mais de R$ 27 bilhões por ano. Ora, se o governo acha que é possível à Previdência abrir mão destes valo-res, porque então não pode acabar o Fator Previdenciário? Usar recursos da Previdência para melhorar a vida dos trabalhadores, para aumentar os valores dos benefícios não pode, mas usar estes recursos para aumentar o lucro das empresas pode?

Todos nós sabemos o que vai acontecer, se estas medidas forem aprovadas. Aumentará o sucateamento da Previ-dência Social, mais medidas serão tomadas para dificultar o acesso dos trabalhadores à aposentadoria, para diminu-ir o valor dos benefícios, para dificultar ainda mais aos trabalhadores acesso aos benefícios da Previdência Social de forma geral (para além das medidas que já foram adotadas, como a alta programada etc.). Tudo isso é inaceitável.

O que trabalhadores e aposentados querem da Previdência Social é o aumento das aposentadorias, recompondo o mesmo valor em salários mínimos de quando foram concedidas; acabar com o Fator Previdenciário e revogar todas as medidas adotadas para dificultar o acesso dos trabalhadores aos benefícios da previdência social, como a alta programada e um longo et cetera.


Salário mínimo e servidores públicos na berlinda

Não é só a Previdência que preocupa neste momento. Enojado, o povo brasileiro está assistindo ao debate sobre o reajuste do salário mínimo que estão fazendo o governo e Congresso Nacional, em contraste com o aumento salarial recebido pelos parlamentares e autoridades do Executivo. Os mesmos parlamentares que deram aos seus próprios salários um aumento de 62% no apagar das luzes do ano passado querem agora aprovar um reajuste para o salário mínimo beirando 6%. Quem ganhava R$ 16 mil por mês recebe um aumento de R$ 10 mil no salário. Quem ganhava R$ 510 receberá R$ 35 de aumento.

A presidenta da República e os ministros aceitaram de bom grado o aumento de 132% que o Congresso Nacional aprovou para seus salários. Agora, do alto da sua arrogância, dizem que não se pode aceitar um aumento maior para o salário mínimo. Dizem que o país não tem recursos para isso. Para aumentar o salário da presidenta e dos ministros, de cerca de R$ 12 mil para quase R$ 27 mil por mês, aí sim, o país tem recursos. Beira o cinismo.

O Brasil vai gastar com o aumento dos salários dos deputados, dos ministros e da presidenta da República, mais de R$ 800 milhões por ano. Uma soma superior aos cerca de R$ 760 milhões que o mesmo governo anunciou que o país vai investir para a prevenção de desastres como o que matou cerca de mil pessoas só na região serrana do estado do Rio de Janeiro. Isso diz muito sobre a natureza destas autoridades.

É esta mesma lógica na utilização dos recursos públicos que leva o governo a investir contra os servidores públicos, descumprindo acordos feitos, tentando aprovar no Congresso Nacional medidas como a que congela seus salários por dez anos, que autoriza a demissão de servidores públicos e que restringe seu direito de greve. O mesmo governo que defende e quer aprovar estas medidas, argumentando necessidade de cortar gastos, já anunciou que pretende separar do orçamento o correspondente a 3% do PIB (mais de R$ 100 bilhões), para pagar juros aos banqueiros.

Ou seja, para melhorar o salário mínimo, valorizar o servidor público, melhorando assim a qualidade do serviço prestado à população, para nada disso há dinheiro. Mas para repassar aos banqueiros, aí aparecem mais de R$ 100 bilhões... O que o Brasil precisa é acabar com este superávit primário (dinheiro que vai para os banqueiros), melhorar o valor do salário mínimo e investir na melhoria dos serviços públicos e na valorização dos servidores.


Direitos trabalhistas ameaçados

Por outro lado, aparece agora o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um dos mais importantes da CUT, dizendo que prepara uma proposta de Projeto de Lei para mudar a legislação trabalhista, de forma a que venha prevalecer o que for negociado pelos sindicatos sobre o que está estabelecido na lei como direitos dos trabalhadores. Retoma-se assim a discussão aberta pelo governo FHC, que em seu segundo mandato tentou aprovar uma mudança no artigo 618 da CLT, assegurando a prevalência do negociado sobre o legislado.

Naquele momento conseguimos derrotar esta ideia. Ela volta agora, defendida por um dos principais sindicatos da CUT, expressão clara da mudança do papel que assumem estes sindicatos que perderam sua independência frente ao governo e aos empresários.

Os defensores da ideia argumentam que, ao ter mais liberdade para negociar, os sindicatos estarão mais livres para buscar vantagens para os trabalhadores nos acordos com as empresas. O argumento é tão singelo quanto sem fun-damento. A legislação trabalhista e as regras atuais do sistema de negociação e contratação coletiva não impedem e nunca impediram o sindicato de negociar vantagens para os trabalhadores para além daquilo que está na lei. As restrições que existem (muito poucas restrições, é bom que se diga) são para impedir que se negociem acordos que rebaixem ou eliminem direitos que estão garantidos em lei. Não são opiniões, são fatos, basta ler a lei.

Dizer que a proposta só será implantada, num primeiro momento, nos sindicatos que sejam mais fortes, ou onde houver organização de base não resolve. Vivemos num país onde não há proteção contra a demissão imotivada. O patrão pode demitir quantos trabalhadores e na hora que quiser, sem dar satisfação a ninguém. Isso dá a ele um enorme poder de pressão sobre os trabalhadores. Muitos sindicatos já viveram em determinadas circunstâncias a situação complicada de ter de enfrentar a pressão de um grupo de trabalhadores de uma determinada empresa em favor de um acordo rebaixando seus direitos, ou o seu próprio salário.

Por que ocorre isso? Porque a empresa ameaça demitir a todos, ou uma parte dos empregados, e com a chantagem leva os trabalhadores a aceitar suas imposições. Os direitos que são protegidos em lei contra qualquer rebaixamen-to via negociação coletiva (insisto, são poucos, muito menos do que deveria) estão nesta condição justamente para protegê-los dessa chantagem dos patrões. Esta proteção tem sido de enorme valia para os trabalhadores, princi-palmente em momentos de crise econômica, pois são nestes momentos que vem o desespero dos patrões para redu-zir custos – leia-se eliminar direitos.

Não é razoável acreditar que os experientes dirigentes do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC desconheçam estes fatos. O que quer dizer que o que pretendem mesmo é criar condições para que possam ser negociados acordos que estejam abaixo daquilo que é definido em lei. É sabido que o procedimento preferido pelos empresários e governos do mundo todo, quando se trata de implantar a flexibilização, diminuição ou eliminação de direitos dos trabalhado-res, é fazê-lo de forma negociada com as representações dos trabalhadores. É o que os técnicos da OIT chamam de “flexibilização autônoma”, ou seja, com a participação dos próprios trabalhadores (através de seus sindicatos). Isso diminui a resistência dos trabalhadores contra as medidas flexibilizadoras e evita o desgaste que os políticos teriam se tivessem de aprovar o fim deste ou daquele direito dos trabalhadores no Congresso Nacional, por exemplo. A isto se presta a proposta que o Sindicato do ABC está preparando.

Todas as questões colocadas acima, relacionadas à defesa da aposentadoria e da Previdência Social publica; defesa da valorização do salário mínimo, dos serviços e servidores públicos; defesa dos direitos trabalhistas; remetem ao desafio fundamental posto para os trabalhadores neste momento: preparar a luta para enfrentar estas medidas que se anunciam. É a tarefa principal a ser assumida pelas entidades e organizações que se reúnem neste dia 27 de ja-neiro em Brasília.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 23 de janeiro de 2011

Deu na imprensa: Estudantes protestam contra aumento da passagem dos ônibus

Manifestação aconteceu na praça Gentil Ferreira, Alecrim, e contou com representantes de entidades estudantis e partidos políticos.

Entidades estudantis e partidos políticos nesta manhã, na praça Gentil Ferreira, Alecrim.O aumento de 10% no preço da passagem de ônibus em Natal, que passa a valer em toda a frota da capital a partir deste sábado (22), resultou em uma manifestação de entidades estudantis e partidos políticos nesta manhã, na praça Gentil Ferreira, Alecrim.

A partir de hoje, os valores tarifados dos tickets passam de R$ 2 para R$ 2,20.

Às 10h, estudantes dos Grêmio Estudantil do IFRN, além de sindicados como o Conlutas e representantes de partidos com o PT e PSTU, iniciaram o protesto contra o reajuste chamando a atenção da sociedade para o aumento e questionando a qualidade dos serviços prestados. O reajuste da tarifa obedece a portaria publicada pela Prefeitura do Natal nesta sexta-feira (21) estabelecendo o novo valor cobrado nos transportes coletivos.

Para o representante do PSTU, Juary Chagas, o protesto objetiva chamar a atenção da sociedade para os problemas causados pelo aumento de 10% no passe. Ele ressaltou que o novo valor das passagens afeta diretamente o trabalhador e não acompanha proporcionalmente o aumento do salário mínimo. Chagas apontou ainda que o reajuste firmado aconteceu em um período propício, quando as universidades e escolas privadas e públicas estão em recesso do ano letivo.
“A Prefeitura do Natal está em acordo com os empresários vinculados ao Seturn (Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros do Município de Natal) e atacam trabalhadores e estudantes. Estamos chamando a atenção da sociedade hoje porque acreditamos existir uma relação até promíscua dos governantes com os empresários”, reclamou.


Juary Chagas, representante do PSTU

“O preço da passagem de ônibus é muito maior do que em muitas outras capitais do país e a explicação para isso é que os governos promovem acordos com empresários para garantir que o lucro deles não seja afetado. Por isso estamos chamando a população para colocar abaixo esse aumento abusivo”, colocou.

Para Bárbara Figueiredo, da Assembleia Nacional dos Estudantes Livres (ANEL), o aumento da passagem é maior do que o inflação, registrada em 6% no período, contra os 10% de aumento no passe de transporte público.

No discurso, ela ponderou a possibilidade de retrocesso da tarifa para os R$ 2 e uma consequente discussão sobre a melhoria e qualidade dos transportes, melhoria das condições de trabalho para os rodoviários, “que estão sendo demitidos após a adoção do sistema de bilhetagem eletrônico”.

“Repudiamos o aumento da passagem de ônibus em Natal e exigimos mais transparência nas contas do Seturn. Queremos saber qual o lucro dos empresários em relação ao transporte público” pediu.
Bárbara Figueiredo, da Assembléia Nacional dos Estudantes - Livre (ANEL)








Retirado do Site do Nominuto.com

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PSTU denuncia tragédias das chuvas e do salário mínimo

O ano começa com centenas de mortos na tragédia das chuvas. Como em outros janeiros, governantes culpam a natureza e, mais uma vez, os jornais revelam que eles deixaram de usar verbas destinadas a prevenção de enchentes.

Governadores e prefeitos tentam culpar os trabalhadores que vivem em áreas de risco. Como se alguém escolhesse arriscar a vida. Os mesmos que culpam os trabalhadores querem aprovar um salário mínimo de R$ 540, que não repõe sequer a inflação.

A vida real, a dos trabalhadores, começou o ano com tragédias, que se somaram ao aumento dos preços do feijão, da carne e dos transportes. Enquanto isso, deputados e senadores ainda comemoram o novo salário que eles mesmos aumentaram para quase R$ 27 mil.

O programa de TV do PSTU denunciou os verdadeiros culpados pela tragédia das chuvas e exigir medidas imediatas para resolver o problema dos atingidos. Propôs que o salário mínimo dobre, com o mesmo reajuste que os deputados deram à presidente Dilma.


Reveja o programa do PSTU exibido no dia 20/01




Com informações do Site do PSTU

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

CSP-Conlutas realiza campanha nacional em solidariedade às vitimas das enchentes

Doações podem ser feitas no Banco do Brasil ou nas sedes da CSP-Conlutas do Rio e sindicatos


A campanha de solidariedade às vitimas se iniciou nesta segunda-feira (17). Diversas entidades e organizações estiveram presentes na sede da CSP-Conlutas no Rio de Janeiro para discutir iniciativas concretas de apoio e solidariedade às vítimas das enchentes.

Presente na reunião, o membro da Secretaria Executiva Nacional e diretor do Sindsprev-RJ, Manuel Crispim, informou que diversas iniciativas foram definidas para consolidar uma Campanha Nacional em apoio à população que perdeu tudo em decorrência das chuvas. “Montamos postos de arrecadação de donativos às vitimas das enchentes na sede da CSP-Conlutas e nos sindicados como, Sindsprev RJ e Sepe RJ”, informou, acrescentando que o objetivo é de que estes postos sejam expandidos para todos os sindicatos filiados à Central no Rio de Janeiro.

Segundo Crispim, alimentos não perecíveis, produtos de higiene, roupas, são produtos que as pessoas mais necessitam neste momento.

Nesta quarta-feira (19) haverá uma nova reunião no Sindsprev RJ, às 17h, para articular todas estas ações de maneira mais ampla. Além disso, uma frente parlamentar será formada para fiscalizar se os recursos que o governo sinalizou em disponibilizar para as vitimas destas tragédias, estão sendo devidamente repassados. “Estamos também vendo a possibilidade de entrarmos com uma ação civil responsabilizando o estado por esta catástrofe”, informa Crispim.

No dia 20 de janeiro, um comboio com todos os donativos será levado até as vitimas da região serrana do Rio, começando por Nova Friburgo. Paralelamente à entrega dos donativos, uma carta será entregue à população denunciando os verdadeiros responsáveis pela tragédia. Está comprovado que desde 2008 o Governo do Rio de Janeiro já sabia da hipótese dessa catástrofe, inclusive da vulnerabilidade a qual estava submetida a região serrana. Mesmo assim, não houve investimento em políticas de prevenção e muito menos, na organização de planos de emergência e alerta ante as perspectivas de precipitação de grandes volumes de chuva.

A carta também exigirá que o estado disponibilize mais recursos humanos às vitimas, como médicos e bombeiros; que os hospitais de campanha cheguem até os locais mais isolados; reivindicar a utilização dos hotéis para o abrigo dessas pessoas; suspensão de tarifas públicas no período de um ano, entre outras medidas.

Também presente na reunião, o membro da Secretaria Executiva Estadual da CSP-Conlutas/RJ, Cyro Garcia, ressaltou a importância de todas estas ações. “A classe trabalhadora é muito solidaria, o problema é que grande parte destas campanhas são feitas por instituições burguesas propensas a corrupção. A nossa idéia de fazer uma campanha classista, em parceria com os movimentos sociais, para termos a garantia de que os donativos cheguem ao seu destino”. Além disso, haverá uma campanha de arrecadação de dinheiro para subsidiar ajuda às famílias.

Em São Paulo, esta terça-feira, às 18h, ocorre uma reunião para organizar a campanha no Estado. O objetivo é envolver todas essas entidades numa campanha de arrecadação e ainda viabilizar contribuições materiais imediatas. No estado há várias áreas atingidas que têm referências e organização em movimentos que são filiados a nossa central, como TL (Terra Livre) e MTST, assim buscaremos concretizar a entrega de donativos também para estas regiões.


VEJA COMO AJUDAR AS VÍTIMAS DAS ENCHENTES

Conta para depósito:

Banco do Brasil
Titular: Associação Coordenação Nacional de Lutas
Agência: 0249-6
Conta poupança: 38194-2
Variação: 91

Obs: Não esquecer que a conta é poupança e é preciso colocar variação 91.
Enviar cópia do comprovante do depósito para: cspconlutas-rj@cspconlutas.org.br

Postos de coleta no Rio de Janeiro:
Sede da CSP-Conlutas RJ
Rua Teotônio Regadas, 26, sala 602, Lapa, Rio, Rio de Janeiro – RJ

Sindsprev-RJ
Rua Joaquim Silva, 98-A, Centro – Rio de Janeiro – RJ
Obs: para saber se existem postos de coletas das regionais deste sindicato entre em contato pelo telefone: (21) 3478-8200

Sepe-RJ
Rua Evaristo da Veiga, 55 – 8º andar – Centro – Rio de Janeiro/RJ
Obs: para saber se existem postos de coletas das regionais deste sindicato entre em contato pelo telefone: (21) 2195-0450


Retirado do Site do PSTU

Solidariedade e um plano dos trabalhadores para reconstruir a Região Serrana

O país está comovido com a catástrofe que atingiu a Região Serrana, uma das mais belas do estado do Rio de Janeiro. A classe trabalhadora vem dando uma verdadeira lição de solidariedade e de luta pela vida. Mutirões e comboios de ajuda humanitária estão sendo organizados espontaneamente pelo Brasil. Em Nova Friburgo, Petrópolis, Teresópolis e adjacências homens e mulheres cavam com as próprias mãos para desenterrar o que ainda resta de esperança.

Os movimentos sociais não devem medir esforços para organizar e moralizar àqueles que foram brutalmente atingidos pelas chuvas e também pela pobreza.

A dificuldade e o sofrimento da população da região não podem esconder, que os governantes também têm sua parcela de responsabilidade. Não foi a primeira vez que desastres como estes assolaram o povo pobre do estado do Rio. Quem não se lembra do deslizamento do Morro do Bumba em Niterói, ou dos desmoronamentos em Angra do Reis no verão do ano passado? É preciso tirar lições desses repetitivos acontecimentos e cobrar iniciativas eficazes dos governantes responsáveis.

É preciso dizer que foi o próprio governo do PT do então presidente Lula, e agora da presidenta Dilma Roussef, que orçou os insuficientes 442,5 milhões de reais ao Programa de Prevenção e Preparação para Desastres. Quando na verdade se precisaria de muito mais em um país de dimensões continentais que todo ano é atacado pelas chuvas, secas, geadas, queimadas e erosões de todo tipo. Para piorar a situação, o governo federal executou apenas 40% do referido valor, sendo que ao estado do Rio de Janeiro se destinou apenas 0,6%.

Ainda somos obrigados a assistir o governador Sérgio Cabral (PMDB) dizer que o Rio não tem o que reclamar. Talvez seja porque ele não teve sua casa e família destruídas, e esteja muito bem acomodado no Leblon, bairro nobre da Zona Sul carioca.

É muito comum que em momentos como esse os políticos responsabilizem a natureza pelo caos social gerado e desenvolvam campanhas puramente midiáticas pensando em angariar mais votos nas eleições futuras. A chuva de fato não pode ser impedida, mas pode ser prevista pelos institutos de meteorologia, assim como os deslizamentos podem ser evitados e as mortes minimizadas.

Os números são muito contrastantes quando comparamos a quantidade de mortos e feridos em terremotos de mesma intensidade como no último que ocorreu no Haiti, onde morreram cerca de 316 mil habitantes, e no Japão, que não chegou sequer a uma dezena. Queremos dizer que se os governos do estado e da União tivessem investido junto às prefeituras em infraestrutura, monitoramento dos rios e solo e realizado obras de prevenção, o caos poderia ter sido evitado pelo menos nas proporções em que se deram.

No município de Areal, por exemplo, com uma medida muito simples se evitou que a desgraça se alastrasse. A prefeitura comunicou pela rádio local que o leito do rio estava subindo rapidamente e ordenou o deslocamento da população ribeirinha. Resultado: nenhuma morte.

A Região Serrana totaliza oficialmente no momento 633 mortos e 133 desaparecidos, sendo que apenas são considerados desaparecidos aqueles que foram procurados. Ou seja, esse número lamentavelmente ainda vai crescer muito, e a previsão é de mais chuva até quinta-feira. A expectativa é que nos próximos dias a tragédia alcance 1.500 mortos.

A chuva não poupou ninguém. Ricos e pobres perderam seus bens e familiares. Mas é inegável que o dinheiro faz toda diferença nessa hora. Enquanto os trabalhadores e o povo pobre estão isolados em locais inacessíveis e sem nenhuma forma de comunicação, os ricos são removidos dos escombros de suas mansões por helicópteros particulares.

O plano que Dilma e Cabral estão apresentando é totalmente insuficiente. A primeira medida apresentada é a liberação de parte do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), como se estivesse fazendo um grande favor. Quando na verdade o dinheiro do FGTS por direito conquistado já é dos próprios trabalhadores, e não vai resolver a vida de ninguém. Postura bem diferente adotou Dilma quando apoiou um reajuste de 62% aos parlamentares e 132% para ela própria.

A outra medida apontada pelos governantes é a construção de apenas 5 mil unidades habitacionais, quando os movimentos sociais da região elaboram uma reivindicação de pelo menos 30 mil casas.


Diante do estado de calamidade o PSTU propõe:

– Prestar toda solidariedade aos atingidos pela chuva da Região Serrana. Que os movimentos sociais de conjunto realizem campanhas de angariação de água, medicamentos, comidas, materiais de higiene e limpeza e organizem comboios com destino às cidades mais afetadas.

– Um verdadeiro plano de obras públicas para prevenir novos deslizamentos e reconstruir hospitais, escolas, creches, pontes e garantir moradias dignas e seguras aos trabalhadores gratuitamente.

– Construir de 30 mil moradias populares com investimento maciço em saneamento básico para combater o déficit habitacional e a especulação imobiliária.

– Romper imediatamente com a Lei de Responsabilidade Fiscal e investir o dinheiro na reconstrução da região.

– Realizar uma ampla campanha de promoção de saúde assegurando uma higiene adequada e água potável para todos.

– Investir em tecnologias de prevenção de desastres naturais através de um permanente monitoramento do solo e rios e contenção de encostas.

– Limpar e canalizar rios e córregos e realizar obras de escoamentos das chuvas.

– Repudiar a criminalização da pobreza. Os moradores das áreas de risco não são os responsáveis pelos deslizamentos e nem moram em despenhadeiros porque gostam. Com um salário mínimo de R$ 540 não se pode morar em um local digno e seguro.

– Abrir os hotéis da região para a população desabrigada.


Retirado do Site do PSTU

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

PSTU entra com ação contra aumento dos salários dos parlamentares e da presidente

O PSTU está apresentando uma ação popular contra o Senado e a Câmara de Deputados que aprovaram o reajuste de seus salários. No apagar das luzes de 2010, no dia 15 de dezembro, os parlamentares reajustaram seus próprios salários em 62% (deputados), além de aumentarem em 134% o salário da presidente Dilma e 149% dos ministros. Todos agora vão receber R$ 26.723,13, valor igual ao salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

A ação popular (baixe em PDF a versão integral) apresentada é assinada por José Maria de Almeida, presidente do partido. A ação lembra que os parlamentares brasileiros recebem todo os anos um salário que é “quase vinte vezes maior que o Produto Interno Bruto (PIB) per capita do Brasil, estimado em US$ 10,5 mil, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) divulgados pela imprensa”.

O reajuste absurdo vai aumentar ainda mais o conjunto de mordomias dos políticos e revolta todos os trabalhadores. Os parlamentares, por exemplo, recebem somente em benefícios diretos, excluída a verba de gabinete, uma remuneração mensal de R$ 66 mil reais.

A ação contra-argumenta os parlamentares, que aprovaram a medida sob a velha desculpa de “equiparar” seus salários com a remuneração dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Lembra também que os ministros do supremo são funcionários de carreira de um tribunal, e não funcionários que tem a função de governo, como os ministros ou o Presidente da República.

“Não são equiparáveis as funções de ministro do Supremo Tribunal Federal com as exercidas por agentes políticos em exercício de mandato. Os parlamentares e os membros do Governo (...) não podem ser equiparados aos cargos públicos de natureza estatal”, argumenta a ação lembrando também que a Constituição não prevê nenhuma “equiparação”.

A ação também mostra que o aumento salarial dos parlamentares votado em beneficio próprio viola os princípios da impessoalidade e da moralidade administrativa.

“Em um momento crítico da história humana, em que as crises econômicas intensificam (...); em que o Governo Federal recém empossado anuncia cortes no orçamento atingindo projetos sociais no país campeão da desigualdade social; em que nem mesmo os fenômenos sazonais da natureza são enfrentados por políticas públicas, com uma significativa parte da população pobre sucumbindo sob a chuva e a lama (...) é nessa hora que os parlamentares brasileiros, protagonistas de outros escândalos, aumentam o próprio salário”, explica o documento.

A ação pede a imediata suspensão do aumento dos salários. “Não se conhece nenhum parlamentar que tenha sofrido as agruras para a sobrevivência com o subsídio anteriormente recebido. Tampouco a Presidência e a Vice-Presidência da República, assim como os ministros, não parecem ameaçados com a manutenção dos valores recebidos até então”, afirma o documento.

Na opinião de Zé Maria, a ação popular deve ser apoiada pelos parlamentares que votaram contra o projeto. “É um escândalo que mostra o que é prioridade deste governo e do Congresso. Enquanto aprovam um reajuste milionário dos seus salários, esses mesmos parlamentares e governantes alegam ser impossível dar um aumento de mais de R$ 30 ao salário mínimo, alegando falta de recursos”, afirmou Zé Maria.


Retirado do Site do PSTU