quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Dilma confirma: seu compromisso é com os conservadores

Candidata petista divulga mensagem se comprometendo com a não-legalização do aborto e contra a criminalização da homofobia e os direitos dos homossexuais


“Sou pessoalmente contra o aborto e defendo a manutenção da legislação atual sobre o assunto”. Este é o segundo item da mensagem de dilma Rousseff dirigida aos religiosos. Na carta, Dilma diz que resolveu “pôr um fim definitivo à campanha de calúnias e boatos” contra ela. Na verdade, ela pôs uma pá de cal nas ilusões de que o PT e seu governo vão garantir os direitos de mulheres e de homossexuais.

Dilma atende às reivindicações dos religiosos e ignora a pauta histórica dos movimentos sociais. “Eleita presidente da República, não tomarei a iniciativa de propor alterações de pontos que tratem da legislação do aborto e de outros temas concernentes à família e à livre expressão de qualquer religião no País”, diz o texto.

Sobre os direitos civis de homossexuais, Dilma é mais sutil na forma, mas não menos reacionária no conteúdo. De maneira velada, a candidata se refere a “temas concernentes à família”. Porém fica claro que temas são esses ao citar o Projeto de Lei 122 e o Plano Nacional de Direitos Humanos 3.

O PL 122 é o projeto que prevê a criminalização da homofobia para impedir que homossexuais sejam agredidos, humilhados, discriminados de qualquer maneira ou impedidos de trabalhar por causa de sua orientação sexual. O compromisso de Dilma é sancionar o projeto, mas apenas “nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão e demais garantias constitucionais individuais existentes no Brasil”.

O problema é que, para as igrejas, o fato de ser gay já é um atentado à família. Todos sabemos quais violações as igrejas estão defendendo, e todas atentam, na verdade, contra as mulheres e os homossexuais. As mulheres vão continuar morrendo nas clínicas clandestinas, e os gays continuarão sendo espancados e tratados como demônios ou doentes.

Quanto ao PNDH3, ao qual se refere Dilma, sua publicação por si só já tinha sido um retrocesso. O governo retirou da versão o apoio à descriminalização do aborto e as cláusulas que permitiam ampliar os casos de aborto legal.


Mais uma vez, não basta ser mulher

Completamente desmoralizadas pelo próprio PT, as feministas governistas assumem o vale-tudo eleitoral. O secretário de Comunicação do PT, André Vargas, disse que “foi um erro ter se pautado internamente por algumas feministas”.

Mesmo assim, de forma constrangedora, a Marcha Mundial de Mulheres, principal organização feminista abertamente governista, limita-se a defender a eleição de Dilma. A manchete do site da Marcha, desde sábado, 16, é “Vamos eleger Dilma Rousseff Presidenta do Brasil”. O texto foi publicado um dia depois de Dilma lançar seu manifesto e é assinado por várias organizações além da Marcha, como a Via Campesina, MST, Movimento dos Atingidos por Barragens, Uneafro etc. As palavras aborto, homofobia e homossexuais não aparecem uma vez sequer na declaração.

Detalhe do site da MMM

No balaio das organizações governistas, os religiosos também entram sem nenhuma distinção para setores progressivos, como as Católicas pelo Direito de Decidir: “Queremos nos juntar aos movimentos sindicais, populares, estudantis, religiosos e progressistas para promover debates com a sociedade, desmascarar a propaganda enganosa dos neoliberais e autoritários (...)”. Fica evidente que essas organizações querem a simpatia dos setores conservadores aos quais Dilma se aliou.

Essa postura é consciente e enganosa. O governo Lula sempre foi tratado por elas como aliado. Assim, enganam as mulheres trabalhadoras e as conduzem à própria cova. Abandonam, na prática, a luta feminista.

Isso coloca na pauta do dia a necessidade e a urgência de se construir um movimento que represente as mulheres trabalhadoras, em que elas possam se organizar e lutar pelos seus direitos. O episódio nos ensina que só é possível garantir direitos com independência total de governos e de religiões.


Muitos passos atrás

Numa coisa Dilma tem razão: a campanha de Serra contra ela é caluniosa. O governo de Dilma, continuando a política de Lula, não tem nenhuma intenção de se confrontar com setores religiosos.

Quanto a Serra, antes mesmo de começar a campanha, ele já tinha assumido o compromisso que Dilma oficializou no segundo turno: “Eu não sou a favor do aborto. Não sou a favor de mexer na legislação”. Essa declaração foi desnecessária, pois sua história e do PSDB e aliados dispensam apresentações.

Ficam sem justificativas os setores da esquerda, como PSOL e PCB, que defendem voto crítico. Votando em Dilma, se está votando contra o conservadorismo? Quem respondeu foi a própria Dilma... As diferenças entre ela e Serra não existem. Assim, só resta o voto nulo como voto contra o conservadorismo.


Um salto atrás

Nas últimas duas décadas de neoliberalismo temos assistido a uma degeneração moral da sociedade, combinada com um retrocesso brutal dos direitos de mulheres e homossexuais. Vivemos numa sociedade que transforma as mulheres em mercadorias, que podem ser usadas e abusadas. Essa mesma sociedade as joga na fogueira e as deixa morrer aos milhares; se utiliza do mercado rosa por um lado, e mantém a homofobia por outro.

Se estávamos caminhando para trás no terreno moral, podemos dizer que estas eleições foram um grande salto nesse sentido. Só mesmo num sistema podre uma eleição se pauta por estes preceitos, que deveriam ser direitos fundamentais. Este grau de interferência das religiões no Estado é o que de fato ameaça a liberdade de crença, e não a criminalização da homofobia. É isso que atenta contra a vida, e não a descriminalização do aborto.

Dilma e o PT cedem às pressões da bancada evangélica, que ganha cada vez mais espaço no Congresso, defendendo políticas contra os trabalhadores. Cedem às pressões da Igreja católica, contaminada pela pedofilia e pelo abuso sexual, que não é capaz de se manifestar contra a violência às mulheres.

Nós, do PSTU, temos orgulho de defender as políticas que o PT e as organizações governistas jogaram no lixo. Queremos tirar a sujeira de baixo do tapete, porque somos a favor da vida das mulheres que morrem nas clínicas e dos homossexuais espancados, humilhados e assassinados.


Retirado do Site do PSTU

Cuba: Em nome do “socialismo”, 500 mil empregados estatais são demitidos

Defendamos os trabalhadores cubanos contra o ajuste capitalista


Recentemente, tornou-se público que o Estado cubano vai demitir 500.000 trabalhadores (10% da força trabalhista do país), como parte de um plano de ajuste bem mais profundo. Gerou-se um grande debate na esquerda mundial sobre o significado desta medida, que se soma à polêmica já existente, há vários anos, sobre qual é a verdadeira realidade em Cuba.

Para o governo cubano e seus defensores nacionais e internacionais, essas medidas são apresentadas como uma necessidade para “defender” e “modernizar o socialismo”, adequando-o às atuais condições econômicas e políticas internacionais. Pelo contrário, a única explicação real é que estas medidas são a consequência inevitável do fato de o capitalismo já ter sido restaurado em Cuba, e só podem ser entendidas nesse marco, como uma resposta de um governo capitalista à atual crise econômica internacional e cubana em particular.


Criar “exército industrial de reserva”

A demissão de meio milhão de trabalhadores integra um plano de ajuste bem mais global e contínuo: à cifra inicial se somará um número igual de demissões nos próximos cinco anos. Isto é, o Estado cubano vai despedir 20% da força de trabalho do país. Qual será o destino dos trabalhadores estatais demitidos? Em Cuba não há o seguro-desemprego. A propaganda oficial fala de “realocá-los em outros setores”, isto é, na economia privada.

Ao mesmo tempo, foram liberadas 178 novas atividades ou profissões para realizar trabalhos autônomos ou por conta própria (TCP), das quais cerca da metade terão autorização para contratar empregados.

O próprio diário oficial Granma estima que umas 250.000 pessoas deverão se estabelecer como TCP e a outra metade deverá ser realocada em cooperativas formadas pelos demitidos (como as que já existem de táxis e de salões de beleza) ou diretamente na atividade privada.

Tal qual a experiência de outros países indica, grande parte destes trabalhadores por conta própria e cooperativas quebrarão em um prazo mais ou menos curto. O que, inclusive, é reconhecido por um documento interno do Partido Comunista Cubano: “Muitos podem quebrar antes do fim do ano” (Clarín, 15/09/2010). Em outras palavras, a maioria passará a engrossar a massa de exploração das empresas privadas ou se somarão aos 400.000 trabalhadores desempregados já existentes, ampliando assim o que Marx chamou de “exército industrial de reserva”.


Mais medidas

Outras medidas de ajuste são o fechamento dos restaurantes populares subsidiados e o fim da caderneta de entrega de produtos alimentícios básicos a baixíssimos preços, um componente muito importante na cesta básica de consumo dos setores mais pobres.

A isto se soma o recente anúncio de que educação e saúde públicas deixarão de ser universalmente gratuitas e que vai começar a ser aplicado “um pagamento total ou parcial” dos ditos serviços. Como em outros governos capitalistas de todo mundo, tratam de dourar a pílula e dizem que “somente pagarão os setores de maiores rendimentos”, um argumento que já sabemos como termina pela experiência de outros países.

Finalmente, todas estas medidas se dão, ademais, no marco de um processo de contínua e profunda deterioração do valor do salário dos trabalhadores públicos (que oscila na maioria em um valor equivalente de 10 a 15 dólares mensais até uma minoria que atinge de 35 a 40), muito abaixo do que obtêm (por diversas vias) os trabalhadores privados do turismo ou do comércio.

Um economista governamental, Omar Everleny Pérez Villanueva, calcula que, comparado com o ano de 1989, “o salário real equivalia a 24%”, em 2009. Isto é, a grande maioria dos trabalhadores cubanos perdeu, nestes 20 anos, mais de ¾ de seu poder aquisitivo.

Ao mesmo tempo, o governo cubano está prestes a autorizar ao grupo britânico Esencia Hotels & Resorts, associado com a empresa cubana Palmares S.A., a construção de 16 novos campos de golf privados nos quais, além disso, terão moradias de luxo para estrangeiros, em lugares paradisíacos como Varadero e Pinar del Rio.

Se enumerássemos estas medidas, sem dizer em que país são aplicadas, todo mundo chegaria à conclusão de que se trata de um clássico plano de ajuste capitalista que ataca os trabalhadores em benefício das empresas e seus lucros, como o que aplicam os governos da Grécia, Espanha ou França. Sem dúvidas, toda a esquerda chamaria a lutar contra esses planos e apoiaria as greves e manifestações que fizessem os trabalhadores, como acaba de acontecer na Europa.

Mas ao serem aplicadas em Cuba, o governo e muitos militantes e organizações de esquerda que o apoiam em todo mundo dizem que essas medidas não fazem parte de um “ajuste capitalista”, senão de uma “defesa do socialismo”.

Raúl Castro afirmou: “Devemos apagar para sempre a noção de que Cuba é o único país do mundo no qual pode se viver sem trabalhar” (Granma, 2/8/2010). A posição de Raúl parece por demais com a de qualquer patrão ou governo capitalista: os trabalhadores empregados pelo Estado são “bons vivants” que não querem trabalhar e o Estado deve livrar-se deles para que continuem suas vidas.


O segundo pós-guerra e o processo cubano

A revolução cubana, iniciada em 1959, foi parte de uma série de processos do segundo pós-guerra que deram origem a novos Estados operários com economias de transição ao socialismo (como Iugoslávia, China e Cuba), grandes conquistas dos trabalhadores, chegando a abarcar a um terço da humanidade.

Em Cuba, a direção de Fidel e Raúl Castro e a de Che Guevara não era oriunda dos partidos comunistas, senão da pequena-burguesia que lutava contra a ditadura de Batista e pela democracia. Uma vez tomado o poder, empurrada pela pressão de circunstâncias, esta direção definiu avançar além de seu programa inicial, romper com o imperialismo e a burguesia cubana e expropriá-los, e iniciar a construção do primeiro Estado operário da América Latina.

O povo cubano conseguiu avanços imensos na educação e na saúde públicas, com níveis comparáveis aos países imperialistas, e superou, nestes aspectos, o Brasil, México ou Argentina. Eliminaram-se a pobreza extrema e a miséria, algo reconhecido pelos próprios estudos dos organismos internacionais imperialistas.

Cuba converteu-se em um símbolo do que era capaz de conseguir uma revolução socialista, nas próprias barbas do imperialismo. Seus dirigentes, Fidel e Che Guevara, passaram a ser a referência política de milhões de lutadores e revolucionários no mundo.

Mas, desde o início, essa direção reproduziu em Cuba o modelo burocrático e antidemocrático do stalinismo soviético, conhecido como “socialismo em um só país”. Coerente com essa posição, em sua política externa sempre primou pela defesa de seu próprio Estado e pela busca de acordos com governos burgueses “amigos” em detrimento do desenvolvimento dos processos revolucionários, como o mostram seu apoio aos governos de Juan Perón, na Argentina, e de Velasco Alvarado, no Peru, na década de 1970. Essa foi sua orientação à direção sandinista em 1979, de não avançar para a expropriação da burguesia e a construção de um novo Estado operário na Nicarágua.


A restauração em Cuba

A partir da segunda metade dos anos 70, os desastres da direção burocrática e a mudança nas condições econômicas internacionais levaram à estagnação e às crises das economias de transição nacionais em todo o Leste. A burocracia stalinista abandonou qualquer defesa das bases dessas economias e começou a aplicar, de modo cada vez mais acelerado, planos restauracionistas.

Em Cuba, entre 1977 e 1983, foram feitas uma série de reformas pró-capitalistas isoladas e parciais, que prepararam o caminho, mas que ainda não significavam a restauração do capitalismo. Nesse período, legalizaram-se as cooperativas e liberaram-se uma série de trabalhos e profissões à atividade privada.

Mas, a partir de 1990, teve uma mudança de qualidade: depois da restauração capitalista na URSS, em 1986, e a queda da própria URSS, em 1991. A crise da economia cubana deu um salto, debilitada ainda mais pela suspensão da ajuda que antes lhes prestava a burocracia soviética.

A direção castrista, com o próprio Fidel no comando, passou a aplicar uma política plena de desmonte das bases essenciais do Estado operário. Com essa política, deixaram de existir: a expropriação das principais alavancas da economia, sua centralização em mãos do Estado, o plano econômico estatal planificado centralmente e também se terminou com o monopólio do comércio exterior. Foram todas medidas tomadas nos anos 90, como a dissolução da Junta Central de Planejamento (1992), a autorização às empresas para comercializar livremente com o exterior e a Lei de Investimentos Estrangeiros (1995) que permitiu a existência de empresas privadas estrangeiras com direito a repatriar até 100% de seus lucros. Cuba voltou a ser um Estado capitalista porque sua economia ordena-se agora ao redor do pleno funcionamento da lei do valor e da busca do lucro privado.


A penetração imperialista na ilha

A restauração não se expressou na volta da velha burguesia gusana [1] de Miami, senão no domínio cada vez maior de sua economia por parte dos imperialismos europeus, especialmente o espanhol e o canadense, em ramos centrais como o turismo e o comércio, com uma dinâmica cada vez mais semi-colonial.

No setor de turismo, o que mais contribui ao país com rendimentos em dólares, quase a metade dos quartos disponíveis são administradas por empresas estrangeiras, com forte peso espanhol, por meio dos grupos Sol-Meliá e Barceló.

Na mineração de níquel e cobalto (Cuba ocupa o primeiro e segundo lugar mundial em reservas, respectivamente), a empresa cubano-canadense Metalúrgica de Moa, com participação da multinacional Sherritt, controla 40% da exportação total do níquel.

No setor petroleiro, abriu-se a exploração de áreas do golfo do México para Repsol- YPF, Petrobrás, Ocean Rig (Noruega) e Sherritt Gordon (Canadá). Na construção, começam a ter peso os capitais israelenses, que, por meio da empresa Waknine e Beresousky, também controlam 68% da comercialização de cítricos e sucos. O mesmo ocorre nas tradicionais produções de fumo e rum. A principal produtora de charutos de Cuba vendeu 50% a Altadis, hoje parte do grupo inglês Imperial Tobacco, e a empresa fabricante do famoso rum Havana Club passou a ser controlada pelo grupo francês Pernod-Ricard.

Portanto, hoje Cuba não está isolada comercialmente e, pelo contrário, recebe investimentos de todo o resto do mundo.

Na verdade, teve um período inicial em que, devido à expropriação da burguesia, o imperialismo tratou Cuba como sua inimiga, fez tentativas de invasões como a da Baía dos Porcos, planejou atentados e construiu um forte bloqueio político e comercial. Mas a partir dos anos 80 e 90, com as aberturas ao mercado e depois a restauração do capitalismo, cada vez mais setores do próprio imperialismo passaram a comerciar e investir em Cuba, em especial o imperialismo europeu.

Somente o imperialismo norte-americano mantém um bloqueio comercial, em função da burguesia gusana que tem força dentro dos EUA e que exige a manutenção do bloqueio para garantir a recuperação de seus bens expropriados depois da revolução. Mas inclusive em relação aos EUA, em que pese às leis que impedem um comércio completo com Cuba, o comércio com a ilha vem crescendo principalmente no que está permitido. Isto ocorre porque cada vez mais setores da burguesia ianque querem liberdade para poder investir e comercializar com Cuba e não perder para os seus competidores essas oportunidades. Por isso, os EUA já estão hoje entre os 5 maiores sócios comerciais de Cuba.


As similaridades com a China

Pode parecer estranho que falemos de restauração capitalista quando permanecem no poder os mesmos dirigentes que encabeçaram a revolução e que falam permanentemente da “defesa do socialismo”. Este último não significa nada: Gorbachov, na ex-URSS, e os dirigentes do Partido Comunista chinês trataram de esconder sua política de restauração com discursos "socialistas".

Mas se na Rússia e no Leste da Europa os PCs (Partidos Comunistas) perderam o poder, o processo chinês mostrou que pode ser restaurado o capitalismo sem mudar o regime político. O PC chinês conservou seu poder hegemônico, mas o país deixou de ser um Estado operário e passou a ser um país capitalista administrado pelos dirigentes do PC, que se beneficiam com os novos negócios.

Na China, o fato de que o regime político seja dominado de modo ditatorial pelo PC, longe de frear a restauração capitalista, favoreceu-a dando lugar a um dos maiores níveis de exploração dos trabalhadores no mundo.

A verdade é que, para além das diferenças entre ambos os países, em Cuba se deu um processo similar à "via chinesa” ao capitalismo: a restauração foi impulsionada pelo PC. Não é casual que o mesmo Fidel Castro fale de modo elogioso do “modelo chinês”.


Basta de manchar o nome do socialismo

Tanto o governo cubano como seus defensores nacionais e internacionais reconhecem a existência destas medidas. Mas dizem que se trata da “defesa do socialismo”! Basta de manchar o nome do socialismo chamando de “transformações necessárias” a brutal exploração dos trabalhadores na China ou o plano de ajuste capitalista do governo dos Castro!

Aqueles que honestamente crêem defender o socialismo apoiando e justificando estas medidas prestam um desserviço à verdadeira luta pelo socialismo. Porque milhões de trabalhadores no mundo, ao ver a realidade cubana ou chinesa, vão pensar: “para que lutar pelo socialismo se significa a mesma exploração ou o mesmo plano de ajuste que vivo sob o capitalismo?”.

A verdadeira defesa do socialismo passa hoje em Cuba por impulsionar a luta dos trabalhadores contra este plano de ajuste e contra o governo que o aplica, e apoiá-las e defendê-las quando essas lutas comecem a surgir. Passa também por exigir as liberdades democráticas, o direito de greve e a possibilidade de organizar livremente sindicatos independentes do estado para que os trabalhadores possam se defender dos ataques do governo.

Somente desenvolvendo as lutas contra o ajuste capitalista do governo cubano, será possível preparar as bases para uma revolução socialista que realmente leve a classe operária ao poder.

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Notas:
[1] Gusanos: a palavra significa literalmente vermes. Assim é conhecida a burguesia reacionária de Cuba que se exilou na Flórida, EUA.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 16 de outubro de 2010

Tanto Serra quanto Dilma vão atacar os direitos dos trabalhadores

Não existe mal menor: votar em Dilma ou em Serra vai fortalecer um deles para atacar com mais força os trabalhadores


Está havendo uma pressão grande do governo e seus apoiadores no sentido de votar na Dilma para evitar a volta da direita. Temos acordo completo com a luta contra a oposição de direita. Somos radicalmente contra a volta da turma de FHC. Os governos do PSDB foram fundamentais para introduzir o neoliberalismo no Brasil, com as privatizações e os ataques aos direitos dos trabalhadores.

Mas lutar contra a direita não significa votar em Dilma Rousseff. Não podemos adotar a luta unicamente contra Serra, sob pena de capitular à pressão da colaboração de classes praticada pelos governos do PT. O pior dos mundos é legitimar uma falsa polarização entre os dois projetos majoritários da burguesia.

Os partidos da oposição de esquerda – PSTU, PSOL, PCB e PCO – não podem dar um cheque em branco ao PT, como se esse partido fosse o representante da esquerda nessas eleições. A direita – entendida como a representação da grande burguesia – não é representada nessa campanha só por Serra, mas também por Dilma.

Hoje, no Brasil, as grandes empresas estão divididas nas eleições Um setor apoia Serra, o que é mais que evidente nas empresas de TV e jornal. Outro setor, que inclui os banqueiros, as multinacionais e os governos imperialistas, apoia política e financeiramente as duas campanhas, com uma leve vantagem para Dilma.

As duas campanhas são financiadas pelos banqueiros, multinacionais e grandes empreiteiras, e Dilma arrecadou bem mais do que Serra até agora. O dólar se manteve estável nas eleições, ficando abaixo de R$ 1,7. Todos nós lembramos do dólar a mais de R$ 4 nas vésperas das eleições de 2002, quando a burguesia ainda temia o que podia ser o governo Lula. Agora, o grande capital confia no PSDB... e no PT.

Votar em Dilma ou em Serra é manter o plano econômico neoliberal aplicado por FHC e continuado por Lula. É manter bloqueada a reforma agrária, como aconteceu no governo FHC e também no de Lula. É aceitar a ocupação militar do Haiti defendida por Dilma e Serra.

Um governo do PSDB ou do PT vai atacar duramente os trabalhadores quando a crise econômica internacional chegar novamente ao Brasil. Tanto um quanto o outro já anunciaram sua disposição de aumentar a idade mínima para a aposentadoria. Cada voto dado em Dilma ou em Serra é uma força a mais que eles terão para uma nova reforma da Previdência.

Votar em Serra seria votar junto com FHC, Cesar Maia, Yeda Crusius, velhas figuras da direita desse país. Votar em Dilma seria votar junto com Maluf, Collor, Sarney, Jader Barbalho, outras figuras da mesma direita.

Não existe um “mal menor”. Votar em Dilma ou Serra vai fortalecer um deles para atacar com mais força os direitos dos trabalhadores. O mal maior é não ter uma alternativa de esquerda dos trabalhadores nesse segundo turno. Por isso, chamamos o PSOL, o PCB e o PCO a uma declaração conjunta pelo voto nulo.


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Chile: entre a fênix e os abutres

Governo e imprensa transformam resgate de mineiros em espetáculo para alavancar popularidade do presidente e esconder as más condições das minas


Cena do filme
No filme “A montanha dos sete abutres” (Ace in the Hole, 1951) um repórter decadente presencia um acidente no Novo México. Um homem fica preso em uma antiga mina abandonada, dentro de uma montanha. O repórter percebe a oportunidade e transforma a operação de resgate em um espetáculo nacional. E, para manter a legião de curiosos e jornalistas no meio do deserto, chega a alterar a operação de salvamento, escolhendo o caminho mais demorado e arriscado.

A comparação com o espetáculo na mina San Jose, no deserto do Atacama é mais do que óbvia. Mais de 500 jornalistas desembarcaram no deserto chileno. Os visitantes transformaram a paisagem inóspita em palco de um show inédito, transmitido ao vivo para todo o mundo, onde milhares de pessoas se emocionaram com os resgates e comemoraram o desfecho, a luta e a travessia destes homens de volta à vida e para os seus.

Do lado de lá, cada um dos mineiros teve a vida vasculhada e, ao longo dos 69 dias, catapultados à condição de celebridades. A ponto de Mario Sepulveda, o mais entusiasmado dos mineiros e o segundo a escapar pelo túnel, desabafar: “não nos tratem como artistas, somos mineiros”. Contraditoriamente, foi justamente ele, com pulos e socos no ar, um dos que atraiu mais a atenção dos jornalistas.

No filme, o personagem vivido por Kirk Douglas enxerga em um drama pessoal, as condições para transformar a sua carreira e ascender profissionalmente. No controle de uma história impressionante, sem qualquer ética, ele retorna ao “primeiro time” da imprensa. No caso chileno, o drama dos mineiros ajudou a vender jornais, muitos tentam controlar suas histórias. E não apenas na imprensa.


Abutres

Era nítido que uma história dessas proporções, com tanto apelo popular, teria conseqüências. O calvário dos homens e de suas famílias poderia se transformar em um grande trunfo para os governantes, caso o resgate tivesse sucesso, como felizmente ocorreu.

O presidente Sebastián Piñera, em seu primeiro ano de mandato, após derrotar o candidato de Michelle Bachelet, deslocou ministros e gastou milhares de dólares na operação com a perfuradora T-130, que alcançou o refúgio onde estavam os mineiros e abriu o túnel a ser percorrido pela cápsula Fênix, que contou até com a ajuda da Nasa.

O presidente explorou ao máximo o feito chileno, uma conquista diante dos 600 metros sob a terra, que pareciam intransponíveis. Sebastián Piñera deu centenas de entrevistas, foi fotografado e cumprimentou cada um dos mineiros, entrevistando longamente o líder deles, o último a sair.

Como se conduzisse um programa de TV, foi filmado ao extremo, inclusive recebendo por telefone os cumprimentos de outros governantes, de Lula a Hugo Chávez.

Também surgiu ao lado do presidente Evo Morales, que não deixou de comparecer, já que o quarto mineiro a ser salvo, Carlos Mamami, é boliviano e estava em sua primeira semana de trabalho quando o acidente ocorreu. Evo pretendia levá-lo consigo e desembarcar juntos em La Paz, mas as condições de saúde do mineiro não permitiram. Mesmo sem o troféu, a viagem de Evo ajudou a contornar o princípio de crise aberta em seu país com as críticas duras feitas pela esposa do operário, que inicialmente havia acusado o governo boliviano de omissão.

Além dos líderes do continente, o presidente chileno recebeu mensagens de todo o mundo, incluindo uma declaração do presidente Barack Obama, direto dos jardins da Casa Branca. A repercussão internacional, o prestígio, animou Piñera a tal ponto dele enxergar um “novo Chile” após o resgate. “O Chile não será o mesmo após o dia de hoje”, afirmou.

Guardadas as proporções, o desfecho teve significado semelhante ao do 11 de Setembro do EUA ou de uma conquista de Copa do Mundo na política interna do Chile. Do alto dos escombros, sob os holofotes, Piñera falou de união e superação. O presidente conservador navega no orgulho e na felicidade de todos os chilenos diante do grande feito das equipes de resgate e engenharia, para catapultar a sua aprovação e popularidade, embalado ainda pelas comemorações dos 200 anos do país.


Sob a poeira

Toda a merecida alegria ameaça ocultar os responsáveis pelo acidente e pela tragédia que foi por pouco evitada. A começar pelos próprios governantes, que protagonizaram o espetáculo nas TVs. O ministro da Mineração, Laurence Golborne, é um dos tidos como “heróis” após o resgate. Em uma pesquisa divulgada pela Universidade Central do Chile no dia 11, às vésperas do resgate, Golborne era apontado por 31% dos entrevistados como o personagem principal do processo de resgate, atrás apenas dos próprios mineiros e à frente até mesmo do presidente Piñera, com 9%.

Um reconhecimento que ofusca a culpa do ministro nas causas do acidente. A mina San Jose é marcada por acidentes, e, em 2008, após a morte de três trabalhadores, foi fechada. Sem que ela garantisse as condições de segurança necessárias, seus donos receberam a autorização para a reabertura da mina, no final de 2009. A autorização foi concedida pelo Serviço Nacional de Geologia e Mineração (Sernageomin), subordinado ao governo do Chile e ao ministro.

Todos os protestos dos sindicatos, que exigiam o fechamento da mina, foram ignorados. Até mesmo um grave acidente duas semanas antes, onde uma trabalhadora perdeu uma perna, não serviu para sensibilizar as autoridades. As mesmas que agora surgem diante das câmeras, explorando o alívio das famílias e exaltando um “novo Chile”.


Em nome do lucro

Mais do que a responsabilidade de governantes ou dos donos da mina, é necessário destacar a cruel engrenagem que faz com que tantas vidas se percam. Apenas neste ano, 31 mineiros morreram no Chile, em 28 acidentes.

A desgraça dos mineiros em nosso continente, nas minas da Bolívia ou do Chile, já despertou a revolta de escritores e de revolucionários, como o jovem Che Guevara. O que se esconde agora é que, em nome do crescimento econômico e do lucro das empresas, as veias de nosso continente continuam abertas e todas as condições mínimas de segurança e de condições de trabalho são ignoradas. Só isso é o que pode explicar que acidentes assim se repitam com tanta freqüência na mineração, seja nas minas de cobre do Chile, ou nas de ferro da Vale, no Brasil. Repetindo o que ocorre nas minas de carvão da China, onde mais de 2.600 mil trabalhadores morreram enterrados em minas no ano passado, em uma estimativa oficial, questionada por representantes dos trabalhadores.

Após o auge da crise econômica mundial, essa situação parece piorar ainda mais em todas as economias. Para recuperar os níveis das taxas de lucros anteriores, as empresas aumentam o ritmo e as metas de trabalho, provocando doenças de todo tipo; ignoram normas de segurança, e aumentam a terceirização, sem oferecer treinamento ou se responsabilizar por estes trabalhadores. No Chile, sob o Atacama, os 33 mineiros presos trabalhavam em quatro empresas diferentes. Ao todo, cerca de 23% dos mineiros do país são terceirizados.

Essa é a verdadeira explicação para que acidentes como esse ainda ocorram. Para o capitalismo, mais do que a natureza, mais do que a vida, o que importa é o lucro. No Atacama, a tecnologia e o esforço dos trabalhadores chilenos nos deram uma grande alegria, evitando uma tragédia. Mas isso não altera, infelizmente, a regra: o capitalismo mata. Para que novas vidas não se percam, é preciso enterrar esse sistema.


Retirado do Site do PSTU

Tropa de Elite 2 é “de esquerda”?

Cartaz de divulgação
Amparado por um mega-esquema de distribuição e publicidade, a seqüência do filme Tropa de Elite cravou um recorde no cinema brasileiro ao levar mais de 2,6 milhões de espectadores em seus primeiros dias de exibição. A superprodução traz de volta o personagem que se tornou parte do pop nacional, o protagonista Capitão Nascimento, interpretado com espantoso realismo por Wagner Moura.

Tropa de Elite 2 vem sendo apontado como uma profunda inflexão em relação ao primeiro longa. O próprio título já anuncia tal mudança: “Agora, o inimigo é outro”. E, de fato, nesse filme o foco se altera. Embora ainda vejamos a história sob os olhos e a perspectiva do capitão do Bope, agora a câmera desvia dos traficantes dos morros cariocas para a própria polícia. Mas seria um filme “progressivo”, como muitos vem apontando?


Milícias

Logo de cara, o filme começa com o agora Coronel Nascimento, mais velho, comandando uma ação do Bope para acabar com uma rebelião de presos em Bangu I, desatada por uma briga entre facções rivais. Após deixar uma quadrilha praticamente trucidar a outra, Nascimento pede autorização ao governador do Rio para permitir que seus homens invadam o presídio e “termine o serviço”, ou seja, aproveitar a oportunidade para eliminar alguns dos líderes do tráfico.

Temendo um banho de sangue e uma repercussão negativa na imprensa, o governador resolve atender a exigência de um dos traficantes, interpretado por Seu Jorge, e manda o ativista de direitos humanos, Diogo Fraga, (muito bem interpretado por Irandhir Santos) a fim de tentar dialogar com os presos. O ativista é o alterego do atual Deputado Estadual do PSOL, Marcelo Freixo. Embora Fraga consiga controlar a rebelião, o Bope invade o presídio e acaba matando o líder da rebelião.

A ação atabalhoada do Bope e a morte de vários presos causam comoção na imprensa e Nascimento é afastado do comando do batalhão. Mas, temendo contrariar alguns setores da classe média que vêem o capitão como um herói, Nascimento não é rebaixado, mas promovido a subsecretário de Segurança Pública.

E é nesse ambiente dos gabinetes que se passa boa parte da história. Nascimento usa seu prestígio para aumentar e equipar o Bope, transformando o batalhão em uma “máquina de guerra”. A repressão acaba com o domínio do tráfico nos morros, mas abre espaço para um outro tipo de crime organizado. E é aí que aparecem as milícias que, na ausência dos grandes traficantes, acabam dominando as comunidades, através de métodos típicos de gangues, e protegidos por uma série de políticos com o próprio governador à frente.

A partir daí, o ex-comandante do Bope se envolve numa luta cujos inimigos não são mais descamisados empunhando fuzis nos morros, mas políticos engravatados nos gabinetes. Fraga, antes visto com desconfiança por Nascimento (que insiste em chamá –lo de “intelectualzinho de esquerda”), torna-se o seu único aliado nessa briga. O maior mérito do filme é, sob essa nova perspectiva, expor as relações entre a polícia corrupta e os políticos (ou o “sistema”, como diz Nascimento). E tem também, compondo essa tríade bizarra, o apresentador fascistóide do jornal sensacionalista na TV, que em frente às câmeras prega o extermínio dos bandidos, mas que por detrás delas apoia a milícia e se elege deputado por meio delas.


Tropa de Elite e o “sistema”

É inegável que esse segundo Tropa de Elite é bem mais complexo que o tosco maniqueísmo pintado no primeiro filme. Mas até onde vai a mudança de foco sugerida pelo diretor? Ele rompe de fato com o ranço fascista do primeiro filme?

Acusar José Padilha de direitista não seria justo, haja visto filmes como Ônibus 174 e o documentário Garapa, sobre a fome. Por outro lado, apesar de inúmeras declarações contrárias do próprio Padilha, não dá para ignorar que Tropa de Elite, o primeiro, flerta sim com o fascismo. A escolha do narrador e, conseqüentemente, da perspectiva pelo qual vamos acompanhar a história, não é algo neutro. Assim, Padilha decidiu contá-la através dos olhos de um policial, para quem a tortura e o assassinato a sangue frio são plenamente justificáveis. Para quem a culpa do tráfico é do usuário de drogas, supostamente responsável por manter e financiar o crime.

Os reflexos do filme na sociedade tornam difícil refutar essa ideia. Os policiais do Bope, romantizados e glamourizados pelo filme, tornaram-se estrelas, a ponto de serem aplaudidos em Ipanema. O caveirão, que invade as favelas e aterrorizam a população, acabou se tornando brinquedo de criança. No cinema, cada tiro é comemorado, por vezes de forma efusiva, pelos espectadores. Será que ninguém foi esperto o suficiente para entender as reais intenções do filme, como quis se justificar Padilha? É difícil de engolir.

Já Tropa de Elite 2, constitui uma contundente denúncia contra as milícias e suas ramificações, chegando até certo ponto a questionar o próprio caráter da polícia (nesse sentido, a fala final de Nascimento durante a CPI das milícias não deixa de ser surpreendente). Porém, ele não rompe com os pressupostos do primeiro filme. Fica implícito que o tal “sistema” tão denunciado por Nascimento limita-se à banda podre da polícia e suas extensões parlamentares. Pode-se dizer, assim, que o que Padilha fez, grosso modo, foi aglutinar o discurso da ética na política ao bangue bangue rasteiro de seu filme anterior.

Desse ponto de vista, não basta ser “faca na caveira”. Tem que também ser “ficha limpa”.


Retirado do Site do PSTU

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Greve dos bancários termina nesta quarta-feira com acordos rebaixados e puxada de tapete pela CUT

Uma das maiores greves já realizada pela categoria bancária. Um cenário político propício com um segundo turno, a candidata do governo ameaçada nas urnas, o governo desesperado para acabar com a greve e um recorde nos lucros dos bancos.

Todo este cenário daria a certeza de um bom acordo, um índice melhor, a isonomia ou a recuperação das perdas do Plano Real para a categoria bancária. Porém, entrou em cena o comando nacional da CUT, orientando o fim da greve e a aceitação da proposta.

Para o membro do MNOB (Movimento Nacional de Oposição Bancária) filiado à CSP –Conlutas, Wilson Ribeiro, o acordo feito representa uma perda de oportunidade para a categoria obter conquistas importantes. “A proposta foi apresentada de forma diferenciada entre os bancos. O MNOB, que sempre defendeu o fim da Mesa Única da Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), considera que nesta campanha a CUT conseguiu o pior, pois manteve o que a Mesa Única tinha de ruim e não garantiu o que tinha de melhor no Acordo da Fenaban”, explica Ribeiro.

Segundo o representante do MNOB, os 16,33% no piso da Fenaban deveriam ter sido aplicados nos bancos públicos, mas isso não foi garantido nas negociações. Por outro lado, os 7,5% foi o índice que serviu de parâmetro para se fechar os Acordos nos bancos públicos. “O MNOB orientou a rejeição da proposta e apresentação de uma contra-proposta de 16,33% no piso, com reflexo nos quadros de carreiras dos bancos e 12% sobre todas as verbas salariais. Infelizmente, a maioria das assembléias do país aprovou a proposta dos bancos e recuou da greve”, lamenta.


Greve continua em alguns estados

A paralisação dos bancários continuou no Banco do Brasil do Rio Grande do Sul e Ceará. A greve foi mantida também na Caixa Econômica Federal do Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Bahia, Pará e Amapá. No Basa (Banco da Amazônia) a greve também continua. Os sindicatos do Maranhão e Rio Grande do Norte e no interior de São Paulo em Bauru, rejeitaram a proposta, mas acataram a decisão da maioria do país e encerraram a greve.


Indignação

Wilson salienta que a greve não acabou porque os grevistas não queriam mais lutar. Segundo o representante do MNOB, ocorreu o contrário. Em todas as assembléias os grevistas ficaram indignados com a postura dos dirigentes sindicais que defendiam a proposta dos bancos. “A greve encerrou com a presença dos gerentes votando pelo fim do movimento”, avalia.

Ele acrescenta ainda que os bancários terminam a campanha salarial com uma contradição: “A categoria do setor econômico que obteve o maior lucro termina com o menor reajuste. Enquanto metalúrgicos conseguiram 10,81% e petroleiros 9% os bancários saem com um índice de 7,5%!”, finaliza.


Retirado do Site da CSP-Conlutas