quinta-feira, 24 de junho de 2010

Em discurso reacionário, Lula desrespeita o direito de greve e ataca grevistas e sindicatos dos trabalhadores

No último dia 16 de junho, a Agência Brasil divulgou declaração em que o presidente Lula faz duras críticas aos movimentos grevistas, da mesma forma que um dia os patrões e os militares fizeram a ele e aos movimentos de luta da época da ditadura militar. O fato aconteceu durante mais uma das muitas solenidades eleitoreiras para a sua candidata Dilma Roussef.

Nossa central, fundada recentemente na cidade de Santos-SP, em um Congresso Nacional da Classe Trabalhadora, que reuniu mais de 3 mil delegados e delegadas de todo o país, representando cerca de 3 milhões de trabalhadores, defende intransigentemente o pleno direito de greve e se posiciona frontalmente contra essas declarações, de conteúdo fascista e reacionária. Entendemos que a greve é uma decisão soberana dos trabalhadores e cabe somente a eles a decisão do momento de sua deflagração, duração e método de funcionamento.

Segundo o veículo de comunicação, Lula disse que as greves de hoje viraram “uma coisa maluca”. Veja abaixo o que o Presidente, que no passado comandou várias greves metalúrgicas, disse sobre as greves:

Hoje, mudou esse negócio de greve. Agora, não precisa mais fazer greve. No meu tempo, fazia passeata de milhares de pessoas para o governo poder ter medo. Hoje, eles contratam primeiro um cara para colocar faixa, aí vai um cara na frente e enche de faixa. Depois, contrata um cara com uma corneta, como essas vuvuzelas da África do Sul, para tocar o dia inteiro, e também um cara para soltar foguete de três em três horas. Parece aquela meninada avisando para o narcotráfico correr nas favelas. Virou uma coisa maluca.

Quer ver alguém aprender a fazer greve é ele perder os dias. Fiz greve na minha vida inteira e fiz as maiores. Fazia assembléia com cem mil trabalhadores e nunca pedi para reivindicar os dias parados. Greve é guerra e não férias. Se o cara faz greve e recebe os dias parados, os domingos e ainda vai reivindicar hora extra, que diabo de greve é essa?

Foi com essa responsabilidade que me transformei em um importante dirigente sindical do país porque tinha coragem de começar uma greve e muito mais de terminá-la. Agora está cheio de gente que decreta greve e não tem coragem de mandar parar a greve. Aí não é liderança.

Corte de ponto, demissão ou até mesmo a ameaça desse tipo de coisa em meio ao desenrolar de um movimento reivindicatório, são mecanismos de repressão às lutas. A declaração do presidente Lula defende explicitamente o corte de ponto de grevistas. Daí pra defender a demissão dos trabalhadores que fazem greve, não está muito distante. O pior, isso vindo de um presidente da República oriundo do movimento sindical, eleito pela maioria dos trabalhadores, e que se vale da autoridade que tem por ter sido sindicalista, para atacar os que lutam em defesa de seus empregos, salários, direitos e condições de trabalho.

A declaração do presidente Lula é inadmissível. O recurso da greve é um direito legítimo dos trabalhadores, garantido na Constituição Brasileira. As greves acontecem devido à intransigência dos patrões e dos governos que se negam a atender as reivindicações dos trabalhadores. Nenhum trabalhador faz greve porque gosta ou por folia – para ter férias. Declarar isso é um desrespeito aos movimentos e com a própria história do presidente sindicalista. Lula mostra mais uma vez de que lado está, ou seja, a serviço da elite patronal, dos ricos e poderosos banqueiros, latifundiários e grandes empresários.

  • Em defesa do pleno direito de greve!

  • Contra a repressão e criminalização das greves e dos movimentos sociais!

  • Todo apoio às lutas dos trabalhadores!

  • Fonte: Conlutas

    segunda-feira, 21 de junho de 2010

    Acima de tudo, um escritor original!

    Entre o fim dos anos 60 e o início dos anos 70, Saramago escreveu largas dezenas de crônicas para o diário A Capital e para o semanário Jornal do Fundão. Em algumas, como "Retrato de Antepassados", "Moliére e a Toutinegra" ou "Carta para Josefa, minha avó", incidia particularmente na memória da genealogia e da infância. O bisavô berbere que carregava a mancha de um crime de sangue. O avô posto na roda da Misericórdia e guardador de porcos, mas que casara com a rapariga mais bela da aldeia. A casa de terra batida dos avós maternos, camponeses humildes e analfabetos numa aldeia perdida no meio do Ribatejo. A água-furtada de um sexto andar lisboeta onde vivia com os pais e havia apenas dois livros, um guia de conversação de português-francês e a Toutinegra do Moinho, de Émile de Richebourg, ambos pertencentes a outrem. Tudo isso era então tornado público por José Saramago e serve hoje de fonte incontornável para situar a sua entrada na vida entre os desfavorecidos da sociedade portuguesa. Daí virá provavelmente o "comunismo hormonal" reivindicado pelo próprio Saramago.

    E isso talvez não tenha sido também alheio aos três aspectos essenciais da obra saramaguiana. O primeiro constitui a marca distintiva do escritor no campo literário internacional e tem a ver com uma original oralização da escrita, onde o narrador atuava como se estivesse de viva voz numa roda de comparsas, desrespeitava ostensivamente as regras sintácticas e a pontuação, espraiava-se em longuíssimos períodos sem pontos finais onde barrocamente comentava, intercalava e repetia situações, falas e personagens. Levantado do Chão (1980) marcou o início de tal oralização da escrita e não foi acaso nenhum o fato de o mesmo ter parcialmente decorrido do convívio direto com os trabalhadores rurais alentejanos e as suas estórias.

    O segundo reporta-se a uma inesperada versão ao revés da historiografia oficial dos poderosos, dos feitos militares e das relações político-diplomáticas, incorporando as lições da nouvelle histoire e tendo um laivo marxista nos seus anti-heróis do povo miúdo. Memorial do Convento (1982) foi o grande exemplo desta reconstrução do discurso histórico. O evangelho segundo Jesus Cristo (1991) também pode ser aqui situado na medida em que humanizou Cristo e afrontou as versões consagradas pela Igreja, o que valeu ao escritor a discriminação estatal do governo de Cavaco Silva.

    O terceiro relacionou-se com a capacidade para reconfigurar alegórica e elipticamente um mundo votado à irracionalidade do neoliberalismo, da guerra infinita e do "pensamento único". Ensaio sobre a cegueira (1995) terá sido a sua melhor concretização.

    O reconhecimento internacional de Saramago adveio principalmente destas raízes literárias mais ou menos originais, salientando-se muito provavelmente a inusitada prosódia ficcional de que dotou os seus romances e que ninguém antes praticara deste modo.


    Saramago e o PCP

    Dificilmente haverá escritores de relevo que se deixem disciplinar ferreamente a ideologias, regimes e partidos. A sua actividade criadora comporta basicamente transfiguração, imaginação e ruptura. E isso transporta-se também para a sua intervenção cívica e mundivisão. Fernando Pessoa era um homem da direita autoritária e apoiou inequivocamente a ascensão fascista ao poder, mas nunca alinhou pelo protecionismo econômico, pelo conservadorismo moral e pelo catolicismo. Para o fim da vida, chegou mesmo a fricções com Salazar e o Estado Novo no quadro de um certo individualismo refractário à estabilização de certos aspectos do regime. Gorki era uma espécie de porta-voz artístico do proletariado revolucionário, mas teve vários atritos com os bolcheviques, e a versão que defendia do "realismo socialista" não veiculava nenhuma arte estatal a castrar a liberdade criadora.

    Obviamente, Saramago também não se poderia deixar reduzir a uma figura descaracterizada e reprodutora do discurso e das práticas de outrem.
    Portanto, a sua relação com o PCP nunca poderia ser o lugar de uma ortodoxia acomodada ou de uma subordinação anódina ao aparelho. Daí a marginalização que sofreu na ressaca dos acontecimentos no Diário de Notícias em 1975, onde actuou de acordo com as suas convicções próprias bem mais próximas da linha gonçalvista da tomada do poder rumo ao socialismo do que da concepção etapista da "revolução democrática e nacional" então defendida por Álvaro Cunhal e pela direcção do PCP, e suspendeu mesmo os contactos partidários para preservar tanto quanto possível a autonomia do jornal.

    Daí a convivência com a orientação crítica do chamado grupo da "Terceira Via" para a obtenção de democracia interna e a experiência fracassada como presidente da Assembleia Municipal de Lisboa. Daí a persistência de atritos e desacordos vários, avultando entre eles a demarcação face aos processos jurídicos pouco claros que o regime castrista utilizou para fuzilar três pessoas e prender dezenas de dissidentes em 2003. Contudo, é importante ressalvar que se tratou sempre de diferenças no marco de uma unidade global e que o escritor nunca se decidiu a jogar a função de um quadro de direcção. Em rigor, a consagração literária e o amor às letras terão levado a que durante a maior parte do tempo ele fosse mais um observador político atento do que propriamente um militante partidário consequentemente empenhado nas alterações consideradas pertinentes.

    Em toda a sua trajectória de militante do PCP transpareceu a marca da unidade e da diferença, da continuidade e da mudança, da aversão aos trânsfugas de direita e da indisponibilidade para os fenómenos de recomposição anticapitalista à esquerda dos antigos partidos comunistas. Certamente, estes reagrupamentos são os mais interessantes para pensar e fazer um outro Mundo para lá do capitalismo, em nada invalidados por se desenvolverem por fora dos partidos comunistas, social-democratas ou trabalhistas tradicionais e ganhando mesmo uma dinâmica apreciável a expensas da sua base social de apoio, conforme acontece com o Bloco de Esquerda em Portugal ou com o PSTU e o PSOL no Brasil. Na sua idiossincrasia e coerência, concorde-se ou não, esta foi a opção de Saramago e merece todo o respeito!


    A posição face à realidade política contemporânea

    Na luta dos povos para impedir a agressão militar dos EUA ao Iraque em 2003 esteve corretamente em sintonia com o sentimento generalizado de repúdio a Bush, Blair, Aznar, Berlusconi e Durão Barroso. Na sua coerência de homem da esquerda anticapitalista que não abandonou as convicções quando muitos debandaram após os acontecimentos de Leste em 1989-1991, permaneceu tranquilamente no quadro de uma minoria para a qual o abandono da tradição marxista e do referencial da Revolução Russa de 1917 assume foros de capitulação à ordem reinante.

    Na denúncia do esgotamento dos mecanismos de legitimação dos governos recorrentemente sequestrados pelo poder financeiro concentrado, na aprendizagem do direito inalienável do pluralismo e na proposta de substancialização socio-económica dos formalismos legais, Saramago assumiu corajosamente o distanciamento da democracia burguesa. Na oposição a alguns atos repressivo do regime cubano, ganhou legitimidade acrescida na reinvenção de uma democracia basista e substancial para lá da plutocracia ocidental e de todas as ditaduras. Na defesa do povo palestiniano contra a ocupação sionista e planos de paz que apenas consagram o lugar de Israel enquanto vigia do imperialismo para todo o Médio Oriente, ousou uma dissidência bem minoritária na opinião pública ocidental.

    Obviamente, o Saramago polémico, avesso ao consenso maioritário e criativo que está em liça em algumas destas tomadas de posição nem sempre se manifestou. Por vezes, o escritor até assumiu posições pouco compreensíveis à luz dos marxismos em que se inscreve a sua mundivisão. Por exemplo, no patrocínio do balanço positivo dos exercícios presidenciais de Mário Soares, no apoio ao PS de António Costa nas últimas eleições municipais em Lisboa, no alinhamento ao lado de Zapatero e do PSOE em Espanha ou na tendência a uma certa visão idealista da problemática das nacionalidades no interior do Estado Espanhol. Por mais respeitáveis que sejam certas razões de política conjuntural ou certos laços pessoais, não eram posições propriamente muito aceitáveis para a esquerda transformadora e combativa que resiste ao rotativismo ao centro.

    Porém, o mais importante é salientar que Saramago fica para a posteridade essencialmente devido a razões literárias de renovação do género romanesco via um inusitado estilo de oralização da escrita, um reequacionamento do passado nacional pela óptica da nouvelle histoire (da "arraia-miúda" ) e uma capacidade de construção de poderosas alegorias distópicas. Social e ideologicamente, tais razões literárias transformam-se numa espécie de admoestações aos donos do poder acerca da podridão e da inestabilidade das relações sociais de produção em que assenta o seu domínio. Tal como acontece com a família dos trabalhadores rurais alentejanos dos Mau-Tempo em Levantado do Chão, ou com a mulher do médico em Ensaio sobre a cegueira e em Ensaio sobra a lucidez, é necessário organizar, resistir e revolucionar rumo a um outro mundo para lá do capitalismo.

    Retirado do Site da Ruptura-FER, seção da LIT-QI em Portugal

    sábado, 19 de junho de 2010

    Convenção do PSTU oficializa candidaturas no Rio Grande do Norte

    Na noite da última sexta-feira (18/06), o PSTU do Rio Grande do Norte apresentou oficialmente suas candidaturas para as eleições de outubro. Além de nomes para o Senado e para as proporcionais, o partido oficializou a candidatura da enfermeira e sindicalista Simone Dutra para o governo do Estado. A convenção, que reuniu cerca de 60 pessoas, ocorreu na sala de dança do IFRN e marcou o lançamento de uma alternativa socialista e dos trabalhadores para as eleições.

    Durante a convenção, foi lembrada a história de lutas de todos os candidatos, sempre em defesa dos trabalhadores e do socialismo. Cada um deles possuindo larga experiência no movimento sindical e conhecendo de perto as necessidades da população pobre, já que todos são trabalhadores de segmentos importantes da sociedade, como saúde, educação e energia. Na ocasião, a candidatura de Zé Maria foi reafirmada como alternativa aos nomes de Dilma, Serra e Marina.

    Luciana Lima é o nome da educação para deputada estadual

    Para a Assembleia Legislativa do RN, o PSTU oficializou as candidaturas da professora Luciana Lima e da Assistente Social Rosália Fernandes. Luciana afirmou que seu nome estará a serviço da luta pela educação pública e do combate às opressões que sofrem os homossexuais, os negros e as mulheres. A candidata à deputada estadual, Rosália Fernandes, lembrou a luta por uma saúde pública, estatal e de qualidade, recebendo o apoio de trabalhadoras do Hospital Walfredo Gurgel, onde trabalha.


    Rosália Fernandes: defesa da saúde pública, estatal e de qualidade

    Refletindo a grande importância que têm os operários na construção do socialismo, o partido apresentou para deputado federal o petroleiro Bira Queiroz. Trabalhador da Petrobras, Bira disse que sua candidatura defenderá a luta pelo petróleo 100% estatal, contra a privatização da Petrobras e da camada pré-sal, que já está sendo entregue aos grandes empresários estrangeiros.

    O petroleiro Bira Queiroz

    O mais jovem dos candidatos, mas não menos experiente, o bancário Juary Chagas (28 anos) também será um dos nomes do PSTU para deputado federal. Ele denunciou a falsa democracia dos ricos no capitalismo, que privilegia as candidaturas financiadas pelos empresários, e destacou o desafio que é participar de eleições em condições desiguais. Mas concluiu dizendo que a tarefa do partido é apresentar outro programa para os trabalhadores. “Nós não queremos o capitalismo, nós queremos o socialismo.”, disse.

    O bancário Juary Chagas é um dos nomes para deputado federal

    Os candidatos ao Senado, Alexandre Guedes e Dário Barbosa, atacaram, respectivamente, a corrupção e o papel de senadores como José Agripino e Garibaldi Alves. “Para acabar com a corrupção é preciso ir à raiz do problema, é preciso acabar com a democracia dos ricos que favorece os partidos dos empresários e suas campanhas milionárias. Os políticos recebem milhões das empresas, se elegem e depois governam para quem pagou a conta. Essa é a base da corrupção e das eleições no capitalismo.”, denunciou Alexandre. “O que Garibaldi Alves e José Agripino fazem pelos trabalhadores? Nada. Assim como todos os outros senadores, só aprovam projetos que atacam as conquistas dos trabalhadores. Para nós é muito importante ter um senador que denuncie isso.”, disse Dário Barbosa.

    Dário Barbosa

    A última a falar foi a candidata ao governo do RN, Simone Dutra. Ela relembrou os efeitos da crise econômica em 2008 e alertou para seu retorno em 2010 e suas conseqüências para o Estado. Destacou as demissões, os cortes nos investimentos e a retirada de direitos sofrida pelos trabalhadores. “As candidaturas de Iberê, Rosalba e Carlos Eduardo estão comprometidas com a burguesia e com a aplicação dessas medidas contra os trabalhadores. São todos iguais. São as mesmas famílias que sempre exploraram a população do RN e que, em décadas de poder, nunca resolveram os principais problemas dos trabalhadores, como saúde, educação, salário, moradia. Nossa candidatura é pra mostrar que é possível, sim, governar de outra forma. Sem os empresários e com os trabalhadores.”, afirmou Simone.

    Simone Dutra: "Iberê, Rosalba e Carlos Eduardo são iguais"

    Ao final da convenção, os presentes cantaram a Internacional (o hino da classe trabalhadora mundial) e seguiram para uma confraternização com os candidatos.



    Adaptado do Blog do PSTU/RN

    quinta-feira, 17 de junho de 2010

    Convenção do PSTU oficializa candidaturas do RN na próxima sexta-feira

    O Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU) do Rio Grande do Norte realiza na próxima sexta-feira (18/06) a sua convenção eleitoral.

    Na ocasião será oficializado o nome da enfermeira Simone Dutra para disputar o governo do Estado, além dos nomes de Dário Barbosa (Senado), Alexandre Guedes (Senado), Juary Chagas (Deputado Federal), Rosália Fernandes (Deputada Estadual) e Luciana Lima (Deputada Estadual) para as demais vagas do pleito de outubro. O vice-governador na chapa do PSTU será o professor José Mendes, de Currais Novos.

    A convenção do PSTU potiguar está marcada para sexta-feira (18/06), às 18h30, na Sala de Dança do IFRN (antiga Casa de Cultura, em frente à sede da Conlutas): Av. Rio Branco, nº 743 - Cidade Alta. Contamos com a presença de tod@s!

    Contra burguês, classistas e socialistas dessa vez!



    terça-feira, 15 de junho de 2010

    Na Copa, PSTU e Zé Maria lançam campanha por soberania

    Pré-candidato denuncia domínio de multinacionais e pagamento das dívidas. Partido produz adesivos para os jogos e vídeo na internet, defendendo segunda independência


    O PSTU lança uma campanha que combina a torcida pela seleção com o debate sobre o futuro do País. “Torcer pelo Brasil é torcer por um país soberano, livre das dívidas e da ditadura do mercado”, defende Zé Maria, pré-candidato do partido à Presidência.

    O partido produziu adesivos para os militantes usarem nos dias de jogo e cartazes com a campanha: “Torcemos pelo Brasil. Lutamos pela soberania”. O manifesto termina com o convite “Venha torcer e lutar com o PSTU”, demonstrando que foi-se o tempo em que a esquerda dividia-se entre torcer ou não, com receio de que vitórias da seleção fossem usadas como trunfo pela ditadura.

    O partido aponta as remessas de lucro das multinacionais e o pagamento dos juros da dívida como principais responsáveis pelo domínio sobre o país. O site da pré-candidatura traz um vídeo com animação e critica: “Algumas multinacionais chegam até a usar verde e amarelo, mas saqueiam nossos recursos naturais e destroem a natureza”.

    O partido defende o controle total sobre as riquezas, como por exemplo, o petróleo que vem sendo descoberto na camada do pré-sal. “Temos de colocar todo o petróleo a serviço dos trabalhadores e do povo pobre e não das multinacionais do setor”, afirma Zé Maria. “Nós torcemos pelo Brasil na Copa, e depois dela por um Brasil livre, independente e soberano. Lutamos por um país que, infelizmente, é desigual e ainda tem poucos orgulhos fora o futebol. Esse Brasil que tem enormes riquezas, mas que seu povo não pode usufruí-las”, conclui o metalúrgico, cuja candidatura deve ser confirmada em convenção nacional, no dia 26 deste mês, em São Paulo.




    Retirado do Site do PSTU

    quinta-feira, 10 de junho de 2010

    Construir as lutas e reafirmar a democracia operária são as tarefas da nova central

    Aproximadamente quatro mil ativistas (dentre eles, três mil delegados) estiveram presentes em Santos, nos dias 05 e 06 de junho, para fundar uma nova central, que reunisse Conlutas, Intersindical e diversos outros setores combativos da esquerda para construir uma alternativa ao sindicalismo de colaboração de classes das entidades governistas (CUT, CTB, Força Sindical, etc.).

    Este congresso foi o coroamento de uma ampla discussão em encontros, fóruns e seminários estaduais com forte participação das entidades de base, que construíram um consenso ao redor da proposta de formação de uma central alternativa às centrais governistas, com um programa de total independência de classe, anticapitalista, internacionalista e com uma plataforma de ação não apenas para as lutas imediatas, mas que pudesse superar o economicismo e travar uma luta política pela transformação da sociedade, pelo socialismo.

    Além de todo acúmulo ao redor dessa plataforma – o que cala as provocações de alguns grupos que se entrincheiram na exigência de um programa que já existe –, também houve um acordo muito importante entre todas as organizações convocantes do CONCLAT: as diferenças que existissem deveriam ser resolvidas pela base, no próprio congresso, a partir da manifestação daqueles que foram legitimamente eleitos pelos trabalhadores para decidir sobre a nova central.


    A nova central e a democracia operária: uma questão de princípio e metodologia

    Mesmo diante de todo o acordo sobre o programa, concepção de movimento, conjuntura, plano de lutas e inclusive sobre o estatuto da nova central, setores como a Intersindical, MAS (Movimento Avançando Sindical) e Unidos para lutar (CST/PSOL e FOS) decidiram romper com o congresso após a votação sobre o nome da entidade, que agora se chama Conlutas-Intersindical: Central Sindical e Popular (proposta formulada pelo MTL), por decisão de aproximadamente 2/3 do CONCLAT.

    Infelizmente, os companheiros partiram para uma posição que se resume no seguinte: “sou minoria, mas se a base não aprovar o que estou defendendo, rompo imediatamente”. Na verdade, essa é uma prática muito comum no interior da CUT, onde prevalece os acordos entre as correntes em detrimento das decisões pela base. Os companheiros precisam se desvencilhar dessa metodologia, não apenas porque ela já se mostrou fracassada na construção dos organismos de frente única, mas também porque isto rompe com tudo o que foi acumulado antes do CONCLAT.

    Como exemplo de respeito à democracia operária e de uma compreensão correta dessa metodologia que devemos utilizar para dirimir as divergências, temos a declaração dos companheiros do MTST e da Conspiração. Ambos defenderam e votaram contra o nome defendido pela maioria da Conlutas e pelo MTL, mas respeitaram o entendimento de que os delegados do congresso decidiriam as diferenças no voto e por isso, continuarão na construção da nova central.

    Essa ruptura pode se mostrar como algo desmedido diante de uma polêmica “fútil”, mas isto é apenas a aparência. Na essência, essa atitude absolutamente equivocada deixa à mostra uma dificuldade desses companheiros para colocar em prática algo que para nós deve ser princípio: a democracia operária.

    Permitir que a nova central já nascesse com esses vícios seria construir um instrumento que já surge com graves problemas de princípio e de método. O tencionamento que se deu feito mediante a diferença do nome hoje (mesmo que alguns a considerem irrelevante), surgiria amanhã perante outras diferenças que porventura surjam, inclusive as políticas e programáticas. Foi exatamente por não levar em conta o critério da democracia operária, mas sim as decisões de cúpula, que a CUT se transformou num aparato fossilizado que não se pode mudar por dentro. Não queremos isso para a nova central.


    O oportunismo gêmeo do sectarismo

    Um elemento bem secundário, mas bastante excêntrico no CONCLAT foi a participação dos pequenos grupos de ultra-esquerda. Embora as já conhecidas e esdrúxulas caracterizações políticas de que há um processo de ofensiva revolucionária que determina a construção de greves gerais, políticas de liquidação imediata das organizações centristas e a edificação de sindicatos vermelhos tenham estado completamente à margem do centro da discussão do CONCLAT, pudemos ver um fenômeno interessante, expresso na posição que alguns desses grupos tiveram diante das polêmicas da unificação e frente o rompimento da Intersindical com o congresso.

    Alguns agrupamentos que antes tinham um discurso contrário à unificação e que caracterizavam o processo como um “rebaixamento de programa” fruto da “aniquilação do papel progressivo da Conlutas”, que cada vez mais “descia ralo abaixo”, estranhamente mudaram de posição, sem qualquer autocrítica. Subiram ao palco para falar da “importância da unificação” e fizeram um balanço da Conlutas oposto ao que defenderam em suas bases e nas próprias teses que escreveram. Talvez a presença de mais de quatro mil lutadores que envidaram esforços para construir uma alternativa à traição das centrais governistas que realmente enfrente os patrões e a Frente Popular, tenham constituído uma pressão social que fez esses companheiros refletirem melhor suas posições.

    Já sobre a questão da ruptura da Intersindical, a coisa foi ainda mais interessante. Os mesmos grupos que estavam contra a unificação, agitando esse setor como “semi-governista”, “pelego” e “traidor de greves”, uniram-se aos argumentos da Intersindical para imputar à maioria da Conlutas a responsabilidade sobre o racha do Congresso. Alguns companheiros desses agrupamentos se mostraram inclusive “traumatizados” com o ocorrido, armando-se dos mesmos argumentos de “hegemonismo” por não se ter “aberto mão do nome da central”, falsificando completamente a democracia operária que marcou o CONCLAT e garantiu não apenas que todas as decisões (inclusive a questão da voz dos observadores e do encaminhamento das deliberações dos grupos para a Coordenação) em base ao voto dos delegados eleitos pela base, mas sobretudo que grupos que não possuíam sequer uma dezena de delegados pudessem apresentar teses, defender propostas e se expressar em pé de igualdade com todos os outros.

    Na verdade, posições como estas expressam a face oportunista do sectarismo. Organizações que em princípio – para serem coerentes – estariam hoje satisfeitas com a ausência da Intersindical na nova central e que em discurso dizem ter acordo com a democracia operária, agora procuram construir invectivas para manchar a postura firme da direção da Conlutas e as decisões da instância do congresso. Esse oportunismo reflete a total falta de compromisso dessas organizações com a reorganização e com a luta da classe, na medida em que se ocupam apenas travar uma luta política a partir das intrigas e dos seus balanços tortos, para se construir.


    É preciso remotar a unidade e respeitar a democracia!

    Embora a nova central tenha sido criada, sabemos que ela poderia estar muito mais forte. O rompimento da Intersindical, Unidos e MAS (que representavam aproximadamente um terço do congresso), longe de ser uma vitória, não é o que queríamos.

    Por isso, temos claro de que é preciso retomar a unidade em torno desse novo instrumento. Nós fizemos o chamado aos companheiros desde o encontro de Luziânia, que deu origem à Conlutas. Os companheiros preferiram aprofundar sua experiência na CUT e a história mostrou que eles deveriam ter vindo conosco. Depois de romperem com a CUT, os companheiros passaram mais de dois anos discutindo os princípios, o programa e agora, rejeitam uma unificação apenas porque parte de suas propostas foram vencidas. Acreditamos que isso é um equívoco e a luta de classes será impiedosa com os que insistirem nesse erro.

    Tivemos toda a paciência com os companheiros, quando ainda optaram por permanecer na CUT e continuáramos tendo também agora, pois unificar os setores do movimento que são oposição de esquerda à burguesia, à direita tradicional e à Frente Popular não é um fetiche, é uma NECESSIDADE.

    Independentemente desse revés, a nova central foi criada e já se coloca nas ruas. Nossa primeira luta será para obrigar que Lula não vete o reajuste dos aposentados e o fim do fator previdenciário. Paralelo a essa e a todas as lutas em defesa dos interesses dos trabalhadores e da transformação da sociedade, segue também nossa batalha para que a Intersindical e os outros que romperam compreendam a necessidade de respeitar a democracia operária, acatar a vontade da maioria do Congresso e, principalmente, que entendam que precisamos estar juntos nessa luta, fortalecendo um pólo combativo contra o Governo Lula, as direções traidoras e em defesa do socialismo.