sexta-feira, 7 de maio de 2010

Greve geral e manifestações incendeiam Grécia

Gregos realizam maior e mais radicalizada onda de protestos


Policiais são atacados com coquetéis molotovs
A quarta greve geral na Grécia este ano paralisou o país e incendiou a capital Atenas nesse dia 5 de maio. A greve paralisou os serviços públicos e os transportes, fechando os aeroportos, o que ocasionou o cancelamento dos vôos no país. Até mesmo setores da imprensa aderiram, paralisando as transmissões de TV e rádio.

Na capital, relatos dão conta que os protestos reuniram de 100 a 200 mil pessoas. Na frente do parlamento, a polícia reprimiu os manifestantes, que tentavam entrar no prédio. Na maior e mais radicalizada onda de protestos desde o início da crise, prédios públicos e bancos foram ocupados e atacados com coquetel molotov. A radicalização dos protestos segue a própria radicalização do pacote de arrocho fiscal do governo, pressionado pela União Europeia para cortar ainda mais as aposentadorias, os salários e gastos sociais.

O presidente do sindicato do funcionalismo público, Spyros Papaspyros, declarou à imprensa que “essa manifestação é duas vezes maior que a maior já vista na Grécia reunindo funcionários públicos”. A polícia grega permaneceu sob estado de “alerta geral”, ou seja, mobilizou praticamente todo o seu efetivo para conter os protestos.

Uma jornalista da revista Alana, Matou Papadimitri, que acompanhou os protestos, relatou o clima da manifestação: “a sensação é que todo o centro de Atenas era uma grande manifestação, super densa, quase claustrofóbica. Ali estavam os sindicatos oficiais, os sindicatos de base, professores, estudantes, funcionários, empregados privados, partidos e grupos políticos de esquerda, libertários, anarquistas, etc. Também havia gente que nunca havia saído às ruas para se manifestar”.

A jornalista relata ainda que, apesar da grande quantidade de gás lacrimogêneo lançado pela polícia, os manifestantes não se intimidaram e gritavam com todas as suas forças: “ladrões, mentirosos”; “que se queime o bordel do Parlamento”; “Fora todos”; “Que paguem os responsáveis”.




Reação

Durante os protestos, o governo e parte da imprensa anunciaram com alarde que três pessoas haviam morrido, vítimas de asfixia supostamente causado por um incêndio provocado por coquetéis molotovs lançados ao banco em que trabalhavam. Foi o que bastou para que o primeiro ministro Papandreous criminalizasse os protestos e os manifestantes.

Já os governos da Europa acompanham com bastante atenção o que se desenrola nas ruas da Grécia. O comissário de Assuntos Econômicos e Monetários da Europa, Olli Rehh, afirmou que “é absolutamente essencial conter o fogo na Grécia para que ele não se torne um incêndio e uma ameaça à estabilidade financeira da União Europeia e à sua economia como um todo” .

As vítimas fatais eram funcionárias do Marfin Bank, uma das maiores redes bancárias do país. Outro jornalista grego, Dimitris Pantoulas, afirmou que, segundo informações de rádios locais. “os empregados do banco denunciaram que os gerentes do banco não só não permitiram que saíssem da sucursal antes da marcha como, inclusive, trancaram as portas com chave para que ninguém pudesse sair nem entrar”. Ou seja, direta e indiretamente, os responsáveis pelas mortes foram o governo e os bancos, os responsáveis pela crise.


O que vem a seguir

Assim como a União Europeia pressiona a Grécia para impor um brutal ajuste fiscal aos trabalhadores, vai pressionar agora para que o país reprima exemplarmente a onda de protestos que se generaliza cada vez mais. Mais do que a crise, o que a UE teme realmente que se espalhe é a resistência.

O conflito social na Grécia, porém, se aprofunda cada vez mais. À radicalização do pacote de arrocho segue uma radicalização das paralisações e protestos, que vão ganhando cada vez mais apoio popular.


Retirado do Site do PSTU

domingo, 2 de maio de 2010

Mesmo sem sorteio de prêmios, trabalhadores participam do 1º de Maio classista na Sé

Mesmo sem sorteio de prêmios, como nos atos da CUT e da Força Sindical, milhares de trabalhadores foram à Praça da Sé. Pré-candidato do PSTU, Zé Maria, participou da manifestação
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Mesmo sem sorteio de prêmios, 3 mil pessoas foram à Sé


O 1º de Maio de luta na Praça da Sé, centro de São Paulo, reuniu cerca de 3 mil pessoas e diversas entidades sindicais e de movimentos sociais, estudantis e populares, pastorais, além de partidos de esquerda, como o PSTU, PSOL e PCB. Diferenciando-se dos atos-shows realizados pelas centrais atreladas ao Estado, o ato foi a expressão da independência dos setores combativos.

“É com muito orgulho que estamos aqui, junto com entidades como o MTST, a Pastoral Operária, as entidades de luta que, desde 1999, vêm fazendo esse 1º de Maio de luta”, afirmou Dirceu Travesso, pela Coordenação Nacional de Lutas (Conlutas). O dirigente lembrou das diversas lutas que ocorrem em todo o mundo, desde a Europa, na Grécia e Espanha, até o Haiti, onde os trabalhadores se levantam contra os ataques do capital.

Travesso denunciou o governo Lula, que veta o reajuste nas aposentadorias ao mesmo tempo em que destina “mais de 300 bilhões a banqueiros e empresários durante a crise” lembrou dos desafios colocados pela esquerda neste ano. “Em junho vamos dar mais um passo na unificação da luta e da resistência, avançando na unidade”, disse ainda Dirceu, referindo-se ao Congresso de Unificação em junho que deve selar a fusão entre Conlutas e Intersindical.


Lutas

Foram lembradas, durante o ato, diversas lutas que já ocorreram este ano, como a greve dos professores da rede estadual, que enfrentou o autoritarismo do governo Serra. Os servidores do Ibama, em greve desde o dia 9, também foram lembrados. Teve ainda destaque a luta por moradia pelos sem-teto, principalmente a luta que se desenvolve no Jardim Pantanal, área alagada no início do ano, além da luta dos sem-terra.

“Enquanto tiver muita gente sem-terra e muita terra sem gente, vamos continuar ocupando”, discursou Guilherme Boulos, da direção do MTST.


Eleições

Num ano eleitoral, o tema das eleições e a esquerda não poderia ficar de fora. O dirigente nacional do PSTU, José Maria de Almeida, o Zé Maria, pré-candidato à presidência, indicou o objetivo desse processo para o partido. “Nas eleições, queremos elevar as lutas salariais e pelas questões imediatas para uma luta política, uma luta revolucionária e socialista”, disse.

Zé Maria explicou a razão desse ano não ter sido possível a reedição de uma frente de esquerda. “Achamos que uma campanha, a fim de se diferenciar das demais candidaturas e apontar a necessidade do socialismo, deva começar pela ruptura do imperialismo e a expropriação das grandes empresas e multinacionais”, afirmou, lembrando ainda a necessidade de a campanha ser totalmente financiada pelos trabalhadores, sem o financiamento das empresas. Esses princípios, assim, tornaram impossível a unidade com o PSOL nas eleições.

O pré-candidato à presidência pelo PSTU, porém, fez questão de deixar claro que a divisão nas eleições não pode significar a divisão das lutas. Chamando o pré-candidato pelo PSOL, Plínio de Arruda Sampaio, à frente do palco, Zé disse que “não podemos esquecer o fundamental que é a unidade na luta”. “O eixo da nossa campanha é o ataque a Lula e Serra, que representam a mesma política”, disse.

Já Plínio demonstrou a mesma preocupação, assegurando a defesa da unidade e lembrando do congresso de unificação em junho, que pretende juntar, segundo ele, os setores honestos e realmente de luta do sindicalismo. O pré-candidato do PSOL ressaltou ainda a importância do 1º de Maio de luta, fazendo uma brincadeira com os ativistas: “alguém viu meu cupom por aí? Vão sortear um carro, né?”, disse. Às vais dos ativistas, Plínio disse: “Ué, mas não vão dar nem um carrinho? Nem um apartamentinho? E vocês todos estão aqui?!”

“Nem Dilma, Nem o Serra, qualquer um deles, o trabalhador se ferra!” , gritaram os ativistas ao fim dos discursos. Como é tradição no 1º de Maio de luta, o ato terminou com a Internacional Socialista, tendo acompanhamento do Coletivo Mariguela, um animado grupo musical que acompanhou todo o ato.


Retirado do Site do PSTU

sábado, 1 de maio de 2010

Declaração do PSTU: Ainda sobre a discussão acerca da Frente de Esquerda para as eleições

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A Executiva Nacional do PSOL divulgou nota datada de 27 de abril, em que defende a constituição de uma Frente de Esquerda com o PSTU e PCB, manifestando “disposição de empreender todos os esforços possíveis para construir essa unidade”. A mesma nota afirma que “terão responsabilidade no movimento os que optarem pela divisão antes de esgotadas todas as possibilidades de um acordo”. Termina por chamar o PCB e o PSTU a “assumirem a responsabilidade pela construção de uma Frente de Esquerda”.

O PSTU não tem procuração para falar em nome do PCB, mas em nome do nosso partido temos a esclarecer o que segue:

1. O PSTU, por acreditar que seria positiva e importante a construção de uma frente de esquerda, classista e socialista, que envolvesse PSTU, PSOL e PCB para as eleições deste ano, apresentou em agosto do ano passado, publicamente, esta proposta ao PSOL. Depois de meses sem nenhuma resposta à proposta que fizemos, fomos informados pela imprensa, em novembro passado, de decisão da direção do PSOL de buscar um acordo eleitoral para apoiar a candidatura de Marina Silva à presidência da República.

2. Frente a esta situação, o nosso partido resolveu lançar a pré-candidatura à presidência do companheiro Zé Maria, ainda sem descartar a possibilidade da frente, mas sinalizando claramente o aumento da nossa preocupação. Lançada nossa pré-candidatura, em dezembro passado, a direção do PSOL pede a primeira reunião com o PSTU para discutir a frente. Desta reunião participaram Zé Maria, pela direção do PSTU, e Afrânio Bopré e Elias Vaz, pela Executiva Nacional do PSOL.

3. Os representantes do PSOL na reunião disseram claramente que a prioridade para o PSOL era a aliança com Marina Silva e que o partido estava empenhado em “esgotar todas as possibilidades de um acordo” com a candidata do PV. E disseram ao PSTU que esperasse, pois “se não saísse acordo com a Marina”, voltariam a conversar conosco. Uma demonstração lamentável da arrogância do PSOL a serviço de uma política de direita. O fato de Marina ter preferido a aliança com o PSDB do Rio de Janeiro, e não o acordo com o PSOL, não diminui a gravidade da opção dos companheiros, pelo contrário, a aumenta ainda mais. Confirma a natureza de classe da candidata que queriam apoiar. Respeitamos a resistência de muitos militantes do PSOL contra o apoio à Marina, mas a aliança não saiu porque ela optou pelo PSDB, deixando na mão os dirigentes do PSOL que defendiam a aliança.

A discussão real sobre a “cobrança de responsabilidades” começa aí, com o desrespeito que se configurou nesta postura do PSOL com relação ao PSTU e, acreditamos, também ao PCB. Desrespeito que já havia se manifestado antes, na campanha passada, quando o PSOL tratou seus aliados como simples apoiadores de seus candidatos, desconsiderando solenemente os acordos programáticos feitos em comum acordo e impondo seus candidatos a presidente e vice. Nas eleições de 2008, seguiram ocorrendo desrespeitos semelhantes, com o PSOL ocupando em várias cidades todo o tempo de TV.

Desrespeito que se repete agora quando a Executiva Nacional do PSOL se julga no direito de “cobrar responsabilidade” do PSTU e do PCB acerca da Frente quando esta mesma Executiva, há apenas três meses, defendia a aliança com Marina Silva, ignorando solenemente aqueles que, agora, chama de aliados importantes. O PSTU não tem a mínima disposição para ser tratado como uma sublegenda do PSOL.

4. O PSTU sempre defendeu que o primeiro critério para chegar a uma aliança eleitoral era conseguir um programa socialista. Este era o critério fundamental para a composição de uma possível frente, abrir o debate de programa que pudesse ser construído nas instâncias dos partidos da frente.

O PSOL primeiro buscou Marina com um programa rebaixado. Depois definiu um programa que não é socialista na conferência nacional que indicou Plínio. Esse programa não defende sequer a ruptura com o imperialismo e a estatização do sistema financeiro. O método definido pela direção do PSOL nos coloca perante um fato consumado, ao definir um programa no qual, em essência, não temos acordo.

Isso está bem de acordo com o programa da corrente majoritária atual da direção do PSOL, “democrático e popular”, semelhante ao proposto pelo PT do passado. Essa visão defende a colaboração com “setores progressistas da burguesia”.

Essa estratégia democrático-popular é que leva a direção majoritária do PSOL a apoiar, junto com Lula, os governos nacionalista-burgueses de Chávez e de Lugo. Não é por acaso que, nesse momento, não existe no site do PSOL nenhuma crítica à repressão desatada no Paraguai, com o “estado de exceção” imposto por Lugo, junto com as Forças Armadas e a colaboração da CIA.

Vejamos mais uma vez as “responsabilidades”: definem um programa completamente distinto do que propusemos e, agora, vêm nos cobrar, mais uma vez de forma arrogante, a não-existência da frente.

5. O PSTU colocou como segunda condição para concretizar a frente uma clara independência política e financeira com relação à burguesia e seus partidos. A primeira resposta do PSOL foi buscar a aliança com um setor da burguesia, com o PV e Marina. Depois do fracasso dessa aliança, a conferência do PSOL do Rio Grande do Sul votou por conseguir dinheiro de empresas privadas. Todos conhecem o episódio de 2008, em que o PSOL gaúcho recebeu verbas de uma grande empresa, a Gerdau. Agora decidiram manter isso para as eleições de 2010.

Para o PSTU, não existem condições de lutar contra a burguesia sendo financiado pela burguesia. A resolução do PSOL gaúcho é uma bofetada na cara dos que defendem a independência de classe. A executiva nacional do PSOL não se pronunciou sobre essa resolução e agora vem cobrar “responsabilidades” ao PSTU por não se concretizar a frente. Ou seja, o PSOL-RS vai utilizar dinheiro de empresas privadas para a campanha nacional.

Existem também declarações dúbias de figuras públicas nacionais do PSOL sobre o tema, em que não se aceitam contribuições de empresas, mas sim de empresários, desde que seja com pouco dinheiro.

Para nós, é exatamente a mesma coisa a “contribuição” de Jorge Gerdau Johannpeter, e a de sua empresa Gerdau. É exatamente a mesma coisa ter uma colaboração da Votorantim ou de Antonio Ermírio de Moraes, de Roger Agnelli ou da Vale do Rio Doce, de Bill Gates ou da Microsoft. A “contribuição de pessoa física” é uma manobra largamente utilizada por todos os partidos para receber dinheiro das empresas.
E o critério de “pouco dinheiro”, como sabemos, é relativo. Para a empresa Gerdau ou para o burguês Gerdau doar cem mil reais (como aconteceu em 2008) é pouco dinheiro. Realmente, nos entristece que Plínio concorde com a aceitação de dinheiro dos burgueses.

Isso só mostra a distância que temos entre os critérios que nós defendemos e os do PSOL.

6. Acreditamos que nossos partidos têm sim a obrigação de buscar a unidade na luta concreta dos trabalhadores, no apoio à construção de organizações de frente única que se constituam em instrumentos para a luta da nossa classe. Por isso, é muito importante e é preciso valorizar muito o esforço que temos feito, PSTU e PSOL, junto às organizações sindicais e populares onde atuam nossos militantes, para a construção da unidade nas lutas do movimento sindical e popular combativos deste país. E para a construção do Congresso da Classe Trabalhadora que acontecerá em junho deste ano e que deve unificar a Conlutas, a Intersindical, o MTL, o MTST, o MAS e setores da Pastoral Operária de São Paulo. Estamos fazendo e é necessário continuar e aprofundar este esforço, conjuntamente.

7. No entanto, este mesmo critério não se aplica de forma automática aos processos eleitorais. O processo eleitoral é um momento em que os partidos apresentam seus projetos para o país. E, como vimos, não temos, PSTU e PSOL, a mesma proposta para defender no processo eleitoral deste ano. Como não existe acordo programático e nem sobre a relação com a burguesia, é legítimo e necessário, portanto, que os partidos apresentem suas candidaturas para defender suas propostas.

Devolvemos, então, o chamado à responsabilidade que nos fazem. A oposição de esquerda ao governo Lula, infelizmente, não vai unida nessas eleições. Pior ainda seria se os distintos partidos se dedicassem essencialmente à disputa entre nós, como indica a “cobrança” arrogante da executiva do PSOL. Em nossa opinião, a obrigação dos nossos partidos neste processo é centrarmos nossas forças no combate às alternativas burguesas, tenham elas o nome Dilma, Serra ou Marina.

É nisto que o PSTU pretende se concentrar nos próximos meses.


São Paulo, 30 de abril de 2010
Comitê Executivo do PSTU (Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado)


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 27 de abril de 2010

Polêmica: As mãos do stalinismo

Uma resposta ao PCB
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Circula na Internet um texto assinado pelo Comitê Central do PCB com uma série de duros ataques à LIT e ao PSTU. Partindo da polêmica sobre Cuba e a nota divulgada pela Liga Internacional dos Trabalhadores, “A morte de Orlando Zapata e as liberdades em Cuba” , que denuncia a ditadura e a repressão no país liderado pelos Castros, a direção do PCB, a fim de compensar a ausência de argumentos, investe contra a LIT e desfia uma avalanche de adjetivos pouco qualificativos.

Em síntese, a nota da direção do PCB, “Defender a Revolução Cubana é uma questão de princípio” , tenta defender o atual regime e Estado cubano. A nota revive a velha prática do stalinismo: todos os que se opõem são “aliados do imperialismo”. O mesmo argumento que serviu para sufocar a oposição aos regimes stalinistas do Leste Europeu. O resultado todos conhecem.


Uma revolução que abalou o mundo

A revolução de 1959 foi certamente um dos fatos mais extraordinários do continente no século XX. A revolução cubana pôs fim à sangrenta ditadura de Fulgêncio Batista e possibilitou um salto nas condições de vida para a imensa maioria de seu povo. Medidas como a expropriação da propriedade privada fizeram com que a ilha passasse do “cassino dos EUA” a um país de excelência em áreas como Saúde e Educação e praticamente sem desemprego. A implantação da economia planificada e o monopólio do comércio exterior, demonstrou a toda América Latina o poder de transformação da revolução, mesmo em uma pequena ilha.

Se por um lado, porém, a revolução cubana possibilitou esse salto na educação, saúde, esportes que enchia de orgulho à militância latino-americana, por outro ela já nasceu com a extrema limitação de ser dirigida por uma burocracia convertida ao stalinismo. Sem qualquer possibilidade de organização autônoma dos trabalhadores. Enfim, uma ditadura.


Restauração capitalista

Cuba constituía uma ditadura burocrática, assim como a URSS desde a subida de Stálin, mas ainda conservava a abolição da propriedade privada, o monopólio do comércio exterior e uma economia centralizada e planificada. Medidas que, ao colocarem a economia sob o controle do Estado e não a serviço do lucro da burguesia, possibilitavam os investimentos nas áreas sociais e empregos para todos. Era o que chamamos de um Estado operário, ainda que burocratizado.

Também como a ex-URSS, porém, Cuba passou por um processo de restauração capitalista que minou, um a um, os pilares desse Estado operário. Esse é o fato para o qual o PCB e demais setores da esquerda que apóiam Fidel fecham os olhos. Existe uma economia planificada hoje em Cuba? Não. Existe monopólio do comércio exterior? Não. O Estado cubano, deixado ao léu golpeado pela débâcle do stalinismo no Leste Europeu, voltou-se ao Canadá e Espanha, principalmente, abrindo suas fronteiras para os investimentos desses países.
O principal motivo para a negação dessa realidade é que, caso o contrário, esses setores seriam obrigados a reconhecer o óbvio: o capitalismo foi restaurado pelo próprio Fidel Castro. Assim como a casta burocrática que dirigia a China foi a responsável pela restauração do capitalismo na China, mantendo, porém, a ditadura do PC chinês.

Na então URSS, quando as massas foram para as ruas no começo dos anos 1990, já não se confrontaram com um Estado operário burocratizado, mas com uma dura ditadura capitalista. Diante disso, a LIT se colocou ao lado das massas, que clamavam por liberdades. Por isso, ao contrário dos stalinistas de todo o mundo que choraram a queda do muro de Berlim, a LIT considerou uma vitória. Elas derrubaram o regime responsável pela restauração do capitalismo e a perda das conquistas. Infelizmente, porém, tais mobilizações não foram capazes de avançar até uma nova revolução, que retomasse as conquistas perdidas e o capitalismo seguiu avançando fazendo a ex-URSS retroceder em todos os terrenos de lá para cá.

A direção do PCB, no entanto, funde em uma coisa só revolução cubana e Fidel Castro. Burocracia soviética e revolução russa. Para eles, enquanto Fidel Castro e o PC estiverem à frente do Estado cubano, não importa o que passe com a vida dos trabalhadores e com a economia, Cuba continuará a ser um "bastião do socialismo". Por isso defendem com unhas e dentes o regime castrista, num estado já plenamente capitalista, sob o pretexto de defenderem a revolução.


O velho discurso stalinista

O PCB acusa a LIT de, ao lado do imperialismo, atacar a revolução cubana. Aqui, esse partido não é nada criativo e retoma a tradicional cartilha stalinista de se lidar com os opositores. Trostsky, citado pela própria nota, assim como toda a velha guarda bolchevique de 1917 que ousou se insurgir contra o stalinismo, foram massacrados. Tudo em nome da revolução. Em nome da revolução, o stalinismo cometeu as maiores atrocidades, assim como a própria restauração do capitalismo. Foi dando odes ao socialismo e à revolução que Gorbachev impôs a Glasnot e a Perestroika. O mesmo se deu em Cuba.

Da mesma forma, os opositores do stalinismo são taxados de “agentes do imperialismo”. O próprio Trotsky foi acusado de ser um agente das potências imperialistas contra o Estado soviético. O regime castrista não fica atrás e reproduz esse discurso contra seus opositores. Para a ditadura cubana, não existem “dissidentes”, mas mercenários pagos pelos EUA para desestabilizar o regime. Os que denunciam a repressão política no país são, por essa lógica, braço do imperialismo.

Para o PCB, portanto, Cuba é uma pujante democracia e os que dizem o contrário fazem o papel dos EUA. O partido nada fala, no entanto, das declarações como dos cantores Pablo Milanés e Sílvio Rodriguez, antigos defensores do regime cubano e que recentemente denunciaram a falta de liberdade na ilha. “As ideias se discutem e se combatem, não se encarceram”, chegou a declarar Milanés em um jornal espanhol. Seriam eles agentes do imperialismo?


Repressão política

O fato é que a morte do dissidente Orlando Zapata Tamayo, após 85 dias de greve de fome, assim como a recente greve de fome de Guilhermo Fariñas, que se aproxima de momentos decisivos, colocou novamente em debate, principalmente para a esquerda em todo o mundo, o caráter da ditadura dos Castros. Uma ditadura que, dia após dia, vai se desmascarando.

O governo se defende afirmando que os dissidentes são na verdade “delinqüentes comuns”, negando a existência de presos políticos na ilha. A realidade é que está cada vez mais complicado sustentar essa versão. Se pouco se conhecia sobre o passado de Zapata, morto em fevereiro, o que dava margens para a campanha de desqualificação movido pelo governo cubano, o mesmo não se pode dizer do dissidente Fariñas. Filho de um combatente revolucionário, que lutou ao lado do próprio Che Guevara no Congo nos anos 60, Fariña também combateu com a farda do exército cubano.

Com apenas 20 anos, foi condecorado ao ser ferido em 1981, durante a guerra civil em Angola, onde combateu ao lado do MPLA (Movimento pela Libertação de Angola). De volta a Cuba, estudou e formou-se psicólogo. Com o tempo, porém, Guillermo se desencantou com o regime que defendera. Primeiro, diante do fuzilamento de seu comandante e sua referencia política, o general Ochoa, herói da guerra em Angola, subitamente acusado como traficante por Castro.

Depois, com a corrupção da direção do hospital onde trabalhava, fato que denunciou. De herói, Fariñas tornou-se um aborrecimento à ditadura cubana, o que desencadeou o calvário de uma série de prisões e perseguições.

Pode-se, assim, questionar as opções políticas de Guillermo Fariñas. Pode-se questionar suas ligações políticas. Mas não seu passado e a sua biografia, assim como sua reivindicação: liberdade democrática, no caso da greve de fome, algo mais modesto, a libertação de 26 presos políticos doentes.


O que de fato está em jogo?

A economia de mercado dá as cartas hoje em Cuba. Um país em que o regime castrista comanda uma ferrenha ditadura há 50 anos e que não permite qualquer tipo de oposição. Esses são os fatos que a direção do PCB tergiversa em sua nota.

A restauração do capitalismo em Cuba vem destruindo a passos largos as bases das conquistas sociais da revolução. A desigualdade social aumenta a cada dia. Regiões e praias turísticas exclusivas a turistas estrangeiros e investimentos isentos de taxação da Europa vão desenhando um país em que médicos e engenheiros precisam dirigir táxis para os gringos para ganhar alguns dólares que completem os baixos salários que recebem ao exercer sua real profissão.

Mesmo que o PCB estivesse correto, porém, e Cuba ainda fosse um Estado operário, ou “socialista” como dizem, ainda assim seria inaceitável um regime ditatorial, sem o direito ao livre debate de ideias. Não é para isso que lutam os socialistas? Para que haja mais liberdade que a falsa democracia burguesa? Numa realidade como a da ilha, seria simplesmente impossível a existência de partidos como o PSTU ou o PSOL, ou organizações sindicais que se pretendem independentes da tutela do Estado, como a Conlutas ou a Intersindical.

Um Estado operário deveria permitir a livre organização e expressão, salvo apenas àqueles grupos que, com armas desejam derrubar o Estado. A exemplo do que ocorria nos anos iniciais do Estado soviético, mas o contrário de tudo o que é Cuba hoje. Mas o regime castrista se esconde no fantasma da ameaça imperialista.

Se é verdade que o discurso de Obama defendendo os direitos humanos na ilha é hipócrita, ainda mais se levarmos em conta a existência da prisão de Guantánamo naquele mesmo país, local em que os EUA cometem as piores atrocidades, também é verdade que isso não pode servir como um salvo conduto para o regime cubano. A ditadura não é menos tirana por ser alvo da pressão de setores do imperialismo norte-americano.

Para além disso, podemos encontrar uma pista para o pior dos dramas de Cuba na própria nota do PCB. Diz ela que “a única alternativa ao atual sistema cubano é o imperialismo, através da burguesia de Miami”. É o único momento em que se encontra uma verdade na nota desse partido. De um lado, a ditadura dos Castros aliada ao imperialismo europeu é responsável por solapar as conquistas da revolução. De outro, resta o imperialismo norte-americano. Não poderia ser mais claro.

O drama é que sob uma ditadura como a que vigora hoje em Cuba se reduzem extremamente as possibilidades de surgir uma alternativa real, independente e dos trabalhadores. Sem o debate livre de ideias e a liberdade de expressão e de organização independente. O que o PCB e os demais setores da esquerda castrista fazem é deixar a bandeira das liberdades democráticas nas mãos dos EUA.

Por fim, é preciso lembrar ainda a postura vergonhosa de Lula, que não só se negou a criticar a morte de Zapata, como defendeu a repressão aos dissidentes políticos. Lula e a ditadura cubana apóiam-se mutuamente. Ou seja, Castro apoia Lula e por definição a sua candidata Dilma Roussef, mostrando a opção política realizada pelo stalinismo.

O PCB e os setores, de esquerda ou não, que se colocam de forma incondicional ao lado do castrismo reforçam ainda a ideia de um socialismo estereotipado pelo próprio imperialismo. Ou seja, decadente e ditatorial. Uma ideia de socialismo que nada tem a ver com os primeiros anos da revolução russa.

Quem está realmente ao lado do imperialismo?


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 20 de abril de 2010

PSTU oferece o curso de formação "Introdução ao Marxismo" para a juventude e trabalhadores


1. Apresentação

Definir claramente o sentido do Socialismo, hoje em dia, não se constitui numa tarefa das mais simples. Essa dificuldade pode ser atribuída à utilização ampla e diversificada deste termo, que acabou por gerar um terreno bastante propício a confusões, principalmente após a derrocada dos estados operários controlados pela burocracia stalinista, que reivindicavam para si o conceito de socialismo. Todas essas confusões são desfeitas ao nos aproximarmos da teoria marxista.

O marxismo, doutrina revolucionária e emancipadora dos trabalhadores, foi criado por Karl Marx (1818-1833) e Engels (1820-1895), tendo sido posteriormente desenvolvido Lenin (1870-1924) e por Trotsky (1877-1940), grandes dirigentes da Revolução Russa de Outubro de 1917, que deram ao marxismo o mais fiel sentido prático e organizativo necessário à tomada do poder pelos trabalhadores.

Do marxismo, que é uma teoria viva, constituíram-se e desenvolveram-se sob influência direta dos movimentos que objetivam a emancipação econômica, social e política dos trabalhadores os conceitos do Socialismo Científico, que assim foi denominado assim por não se apresentar mais como um ideal (como o Socialismo Utópico), mas como uma necessidade histórica que deriva da decadência do capitalismo.

Seu aparecimento possibilitou ao proletariado compreender a natureza da luta de classes, adquirir uma visão científica do funcionamento da sociedade capitalista e das formas de luta necessárias para aboli-la completamente.

Este, portanto, é um dos cursos de formação permanentes promovidos pelo Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado – PSTU –, que pretende oferecer aos trabalhadores e a juventude que se aproximam das posições do marxismo-revolucionário uma familiarização mínima com os conceitos e temas mais correntes do materialismo histórico, visando construir conosco uma nova sociedade, sem exploradores nem explorados.


2. Público Alvo

O curso de destina a:

• Trabalhadores;
• Sindicalistas;
• Ativistas do movimento operário, estudantil, etc.;
• Estudantes;
• Interessados pelo contato com o marxismo.


3. Vagas

• Serão oferecidas 25 vagas.


4. Período e local do Curso

• Data: 24/04/2010 (Sábado)
• Hora: 9:00 às 12:00 / 14:00 às 17:00 horas.
• Local: Sede do SINTEST/RN (Rua das Angélicas, 225 – Mirassol / Próximo à Escola Floriano Cavalcanti)


5. Inscrições

• De 12/04/2010 a 23/04/2010;

• Taxa de Inscrição: R$ 3,00;

• Contato:
Bárbara / 9451-6618 / barbarapstu@gmail.com
Ailson / 9921-8720 / ailsonmatias@bol.com.br


6. Programação

• MANHÃ (9:00h / 12:00h):

1. A propriedade privada, o sobreproduto social e o aparecimento das classes;

2. As classes sociais e a luta de classes;

3. O trabalho escravo, servil e assalariado;

4. A mais-valia: pedra angular do capitalismo;

5. A concepção marxista de Estado.


• TARDE (12:00h / 14:00h)

1. O Estado burguês e a conquista do poder;

2. “Reforma ou Revolução?”;

3. O oportunismo, o sectarismo e o abstencionismo;

4. A necessidade do Partido Revolucionário e a sua relação com o movimento;

5. Considerações finais.


7. Palestrante

• Juary Chagas
Instituto Latino Americano de Estudos Sócio-Econômicos – ILAESE
Secretaria de Formação do PSTU/RN

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Lula confessa que sabia do esquema do mensalão

Presidente afirma ao STF que foi informado sobre o caso por Roberto Jefferson
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Quase cinco anos após o escândalo conhecido como “mensalão”, o presidente Lula confirmou ao Supremo Tribunal Federal que foi informado sobre o esquema pelo então deputado Roberto Jefferson (PTB), ainda em março de 2005. Lula é uma das 40 testemunhas arroladas no processo que se arrasta no STF desde 2007.

O Ministério Público, autor da ação, elaborou um questionário a Lula, que o respondeu por escrito e remeteu ao ministro Joaquim Barbosa, relator do processo. “Pelo que me lembro, ao final de reunião, no primeiro semestre de 2005, e na presença de Aldo Rebelo, Walfrido dos Mares Guia, Arlindo Chinaglia e José Múcio Monteiro, Roberto Jefferson fez menção ao assunto”, afirmou Lula ao tribunal.

Segundo o presidente, ele teria requisitado ao então ministro das Relações Institucionais, Aldo Rebelo (PCdoB) e ao então líder do governo Arlindo Chinaglia, que verificassem as informações de Jefferson. Além das questões do Ministério Público, Lula respondeu também algumas perguntas enviadas por réus do processo, como José Dirceu, João Paulo Cunha, Professor Luizinho e Luiz Gushiken. Lula afirmou não conhecer nenhum fato que desabonasse os réus.


Lula sabia

A resposta de Lula ao STF, divulgada nesse dia 13 de abril, mas remetida uma semana antes ao tribunal, contrasta com afirmações do presidente em meio ao escândalo que abalou o governo durante quase todo o ano de 2005. Na ocasião, Lula afirmou que não sabia sobre o esquema de compra de votos de parlamentares no Congresso. Estranhamente, agora, a imprensa pouco repercutiu a confissão do presidente.

A denúncia do Ministério Público foi redigida pelo procurador-geral Antonio Fernando Souza. “A farta distribuição de recursos é fato provado, seja pela admissão do seu recebimento pelos próprios destinatários ou intermediários, seja pelo depoimento de testemunhas ou pelas provas documentais”, afirmou o procurador quando a denúncia foi enviada ao STF.


Relembre o caso

O escândalo do mensalão explodiu em meados de 2005, a partir da divulgação de um vídeo mostrando um suborno na direção dos Correios. O então deputado Roberto Jefferson, acuado, denunciou o esquema, revelando que não se resumia a um caso de corrupção isolado numa estatal. Revelou um esquema de compra de votos, que desviava recursos públicos para o pagamento de deputados da base aliada a fim de aprovar temas polêmicos, como a reforma da Previdência em 2003.

A partir daí, uma sucessão de revelações quase diárias de denúncias foi desnudando um amplo esquema de corrupção comandado diretamente pelo então ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, tendo ao seu lado o publicitário Marcos Valério. Por meses, o país praticamente parou, atônito, diante da avalanche de denúncias, com direito a relatos de malas abarrotadas de dinheiro saindo do escritório do PT à prisão do assessor do partido com dólares na cueca.

A oposição de direita, capitaneada pelo PSDB e PFL, num primeiro momento, utilizou o escândalo para tentar desgastar eleitoralmente o PT e retomar a presidência em 2006. Tiveram amplo auxílio da mídia para isso. Com o aprofundamento das denúncias e a revelação do envolvimento da direita no esquema, o caso foi sendo gradativamente abafado e saiu das primeiras páginas dos jornais.

Já o PT articulou uma defesa dizendo se tratar tão somente de “caixa 2” para o financiamento de campanhas eleitorais. Hoje, cinco anos depois das revelações que abalaram o país, seus principais protagonistas estão soltos e impunes. José Dirceu e Roberto Jefferson perderam o mandato de deputados, mas continuam atuando livremente. Dirceu inclusive faz fortuna atuando como lobista no governo.

José Genoíno, então presidente do PT naquele período, foi eleito deputado em 2006 e continua impune. Outro que, vez ou outra, aparece nos noticiários é Delúbio Soares, que atua para voltar à vida pública. O processo no STF, por sua vez, confirma se tratar tão somente de uma medida para, na época, acalmar a opinião pública. Nem mesmo os réus se preocupam mais com ele.


Retirado do Site do PSTU