quarta-feira, 14 de abril de 2010

Infelizmente, não vai haver uma frente eleitoral classista e socialista

Todos sabem que o PSTU defendeu uma frente eleitoral classista e socialista com o PSOL e o PCB. A crise atual do PSOL tornou essa frente impossível. Não vai existir um PSOL, mas dois partidos na campanha eleitoral. Um deles apoiando Plínio, outro fazendo campanha sem candidato a presidente. Se o PSOL não consegue sequer unificar a si próprio, como vai pretender ter o apoio de outros partidos para seu candidato à presidência?

Temos um grande respeito pela figura de Plínio de Arruda Sampaio, mas não somos árbitros entre as distintas alas do PSOL, e menos ainda uma corrente interna desse partido. Não temos alinhamento com nenhum de seus pré-candidatos e não vamos ajudar a legitimar um deles amplamente contestado pela outra parte.

Já tínhamos grandes diferenças programáticas com o programa democrático-popular defendido pela APS, a corrente majoritária no apoio a Plínio (assim como temos com o programa do MES-MTL, a corrente que apoia Martiniano). A APS defende um programa democrático-popular, semelhante ao apoiado pelo PT em todo o período de direitização desse partido, antes do governo Lula. Nós defendemos um programa socialista.

Defendemos, também, uma clara independência política e financeira em relação à burguesia, condenando explicitamente o financiamento da campanha pelas empresas privadas. Não vimos uma clara delimitação nesse sentido da parte do PSOL.

Mas agora, além das grandes diferenças de programa e em relação à independência da burguesia, surgiu outro impedimento objetivo e intransponível: a nossa proposta de frente era com o partido PSOL, e não com uma de suas alas.

Assim, não existirá uma frente de esquerda nessas eleições como a de 2006. O PCB já tinha manifestado que vai lançar candidatura própria. O PSOL não conseguiu se unificar, nem tampouco ajudar a unificar a esquerda.

Por esse motivo a pré-candidatura de Zé Maria se converterá na campanha “Zé presidente”. Será a expressão do programa socialista e classista que defendemos. Não haverá uma frente de esquerda, mas queremos que essa candidatura seja mais ampla que as fronteiras do PSTU. Chamamos todos os que quiserem ajudar a construí-la a somarem-se a nós.

O PSTU vai organizar seminários abertos para debater o programa da campanha. Todos e todas que seguem empunhando a bandeira do socialismo, todos e todas que, neste país, estão engajados na luta da nossa classe contra a exploração capitalista estão convidados a tomar parte nesta jornada.


Retirado do Site do PSTU

Dividido, PSOL define candidatura

A conferência eleitoral do PSOL aprovou a candidatura de Plínio de Arruda Sampaio à presidência da República. Isso poderia satisfazer seus apoiadores, mas as condições em que se deu essa decisão mostram a grave crise pela qual passa esse partido.

Acusações de roubo do site, fraudes nas plenárias de base e agressões físicas se tornaram públicas na preparação da conferência nacional desse partido. No final, existiram duas conferências em separado, cada uma com um bloco significativo do partido e acusações de parte a parte.

Uma das conferências indicou Plínio de Arruda Sampaio pré-candidato à Presidência, dizendo que Martiniano Cavalcante e seus apoiadores não compareceram. Assim, Plínio foi votado por unanimidade. Falaram, também, que os apoiadores de Martiniano teriam fraudado plenárias de base.

O outro bloco, que se intitula “maioria dos delegados eleitos”, acusa os apoiadores de Plínio de vencerem no “tapetão”: o diretório nacional teria impugnado delegados do Acre e Roraima que apoiavam a candidatura de Martiniano para transformar a minoria (os apoiadores de Plínio) em maioria. A presidenta e maior figura pública do PSOL, Heloísa Helena, é uma das que questionam duramente a indicação de Plínio.

Entre os dois blocos, existiu um acordo tático para concorrer às eleições, sem unidade na candidatura à presidência. O bloco MES-MTL-Heloísa não questionará o resultado na Justiça, mas não fará campanha por Plínio. O enfrentamento foi adiado para depois das eleições, a partir da relação de forças que dependerá de quais parlamentares serão eleitos em outubro.

Uma parte dos militantes do PSOL deve estar mais tranquila porque, afinal, Plínio foi indicado. Mas que partido é este em que o candidato vai passar boa parte da campanha explicando por que a outra metade do partido (inclusive sua presidente) está contra ele? Que partido é esse em que uma simples escolha de candidato ameaça uma ruptura ao meio?

Alguns acham que a crise se explica pela disputa entre Martiniano e Plínio. Mas essa é somente a forma em que aparece a crise. Não se pode entender um enfrentamento tão violento pela escolha de um candidato que, todos sabem, não terá uma grande votação. Não haverá alguma explicação mais profunda na concepção com que o PSOL foi criado e construído?

Nós não opinamos que a crise se explique pela luta de um lado bom e outro ruim. Isso não significa que não haja erros grosseiros e inadmissíveis. Mas é a concepção eleitoral de partido, sobre a qual a maioria dos dois lados tem acordo, que está equivocada e originou essa crise.

Esses acontecimentos não podem ser motivos de alegria para ninguém. Esse tipo de crise tem consequências nefastas para toda a esquerda. Não estamos debatendo programas diferentes, mas quem roubou o site, quem fraudou e onde. Isso reforça o ceticismo, o sentimento antipartido. Fortalece, entre parcelas de trabalhadores e do povo, a nociva ideia de que a política é o terreno dos golpes, da baixaria, e que todos os partidos são iguais, independentemente de ser de esquerda ou direita.

Por isso, é necessário esclarecer a origem dessa crise para que não sobrem simplesmente a desilusão e a falta de perspectivas. Aqui, nós queremos dar uma opinião, que necessariamente será limitada, por ser de quem acompanhou a crise de fora.


As consequências da concepção de partido na crise

Quando criado, foi dito que o funcionamento do PSOL, em que todos fazem o que querem, era a expressão de um partido democrático. Na verdade, é um partido eleitoral que gira ao redor dos parlamentares que, eles sim, podem fazer o que querem, independentemente da vontade da militância do PSOL.

Um dos grandes exemplos disso foi o estopim imediato dessa crise, a desistência de Heloísa Helena de disputar a Presidência do país. Sua candidatura era apoiada pela amplíssima maioria da militância, mas ela privilegiou sua eleição ao Senado por Alagoas, mesmo gerando uma crise no partido. Mas ela só pode fazer isso porque o PSOL é um partido eleitoral, em que os parlamentares e figuras públicas fazem o que querem.

Com a desistência de Heloísa, se abriu a disputa de quem deveria ser o candidato a presidente. A briga degenerou num enfrentamento fratricida porque, para os parlamentares do partido, isso significa a luta pelo controle do aparato nacional do PSOL. Além disso, a indicação de um candidato à presidência pode facilitar ou dificultar a reeleição de um ou outro parlamentar por ser de seu estado.

O que explica essa crise violenta é o peso decisivo dos parlamentares num partido eleitoral.


Um partido em que os militantes não decidem

As acusações de fraude nas plenárias são generalizadas. Não vamos opinar sobre isso, não é de nossa alçada. Mas nenhum dos dois blocos questiona a metodologia como foram feitas essas plenárias. O PSOL funciona exatamente como o PT, com as decisões sendo tomadas pelos filiados. Os militantes do PSOL, que estão nos movimentos sociais, que constroem o partido na base não são os que decidem. São os filiados que decidem, mesmo sem ter nenhum compromisso com a militância.

Essa é uma das características dos partidos eleitorais, defendida como expressão de um partido aberto, amplo. Na verdade, isso privilegia quem tem aparato (os parlamentares, mais uma vez), para levar em carros os filiados para votar em plenárias vazias.

Os momentos mais vivos dessa pré-conferência foram as plenárias de debates dos candidatos que, em geral, reuniram os militantes do PSOL. Mas os militantes aí reunidos não votam, porque quem decide são os filiados, trazidos por quem tem aparato.

Essa metodologia, além de absolutamente antidemocrática, possibilita de forma muito mais ampla as fraudes. Fraudes tanto nas plenárias de base como nas impugnações dessas plenárias, para mudar a relação de forças. Não foi a base que decidiu a conferência, foi uma luta violenta das cúpulas parlamentares do partido.


O “vale-tudo” generalizado

Existe uma moral burguesa, aprofundada pelo neoliberalismo, que pode ser resumida no vale-tudo para conseguir um objetivo. Essa moral está instalada em partidos eleitorais como o PT, em que se faz qualquer manobra para se transformar em deputados ou governantes. Mentiras, calúnias, fraudes, agressões físicas, vale-tudo para se conseguir um cargo e suas vantagens materiais.

Não é verdade que o movimento operário não tenha moral. A acusação que a burguesia nos faz de que, para a esquerda os fins justificam os meios, é só mais uma autojustificativa de sua própria moral do vale-tudo.

No movimento operário, uma moral distinta surge da própria luta. Numa greve, por exemplo, é natural a solidariedade de classe, a fraternidade entre os que se mobilizam. Qualquer um que tenha participado de uma greve já viveu essa experiência. Para o movimento operário, não vale qualquer coisa. As calúnias, as fraudes enfraquecem o movimento e não são justificáveis. Já a fraternidade, a solidariedade, o debate respeitoso de idéias o fortalecem.

É por isso que essa crise do PSOL é desmoralizante e atinge toda a oposição de esquerda. Não se debateu programas e estratégias, mas quem roubou quem. O vale-tudo que existia no PT se generalizou no PSOL.


A conjuntura e a crise

Existe uma conjuntura política que ajuda a explicar a crise do PSOL. O peso do governo Lula entre os trabalhadores e a juventude limita muito o espaço eleitoral para uma oposição de esquerda. Isso explica porque Heloísa Helena não queira a candidatura à presidência. Explica, também, porque ao menos uma parte dos parlamentares atuais desse partido sinta ameaçada sua reeleição. Por isso, se parte com tanta virulência para essa briga pelo aparato do PSOL.

Essa mesma conjuntura, no entanto, se for analisada de outro ângulo, fora do eleitoralismo, pode permitir avanços importantes. Existem mobilizações salariais significativas em curso no país. O Congresso da Classe Trabalhadora, em junho, aponta para uma unificação que pode ser a principal conquista do movimento contra o governo Lula. E mesmo em termos eleitorais é possível fazer uma campanha importante, com um programa classista e socialista, que aponte uma perspectiva diferente para os trabalhadores.


Centralismo democrático x centralismo burocrático parlamentar

O PSTU defende outra concepção de partido, com um funcionamento orgânico baseado no centralismo democrático. Tanto a burguesia quanto os partidos eleitorais acusam essa forma de funcionamento leninista como antidemocrática, por exigir que todos apliquem a mesma política depois de votada.

Na verdade, esse é o funcionamento mais democrático. São os militantes que decidem nos congressos e conferências do partido qual a política a ser aplicada por todos. Depois de um debate amplo e democrático, se vota a política e todos aplicam. Não existe nenhum privilégio para as figuras públicas e dirigentes do partido.

Nas eleições de 2006, o PSTU fez uma conferência eleitoral para debater a tática a ser implementada. Três posições foram defendidas – frente de esquerda, candidatura própria e voto nulo – num livre, amplo e democrático debate. Foi votada, por maioria, a tática da frente de esquerda, que foi aplicada por todos.

Trata-se de um funcionamento muito mais democrático que o dos partidos eleitorais. Nesses partidos, como o PT e o PSOL, a aparência é de liberdade completa, mas na verdade se trata de um centralismo burocrático dos parlamentares. Eles têm acesso à imprensa, e as posições do partido que aparecem são as deles, independentemente da opinião dos militantes. E podem ditar a dinâmica do partido, que gira ao seu redor, como os parlamentares do PSOL deram a dinâmica lamentável da crise atual.


Retirado do Site do PSTU

sexta-feira, 9 de abril de 2010

P2 na greve dos professores mostra espionagem de Estado no século 21


Reprodução
Policial à paisana infiltrado em manifestação de professores
Dia 26 de março, sexta-feira. Uma manifestação pacífica de professores paulistas é violentamente reprimida pela Polícia Militar, perto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo.

No dia seguinte, o jornal Estado de S. Paulo publica uma foto da Agência Estado, em que uma policial, aparentemente ferida, é carregada nos braços por um homem. À primeira vista, parece tratar-se de um manifestante, um professor socorrendo uma PM.

A imagem logo se espalhou, como exemplo de solidariedade humana. O agredido salvando seu algoz. Logo, porém, a PM desfez o engano. Tratava-se de um policial à paisana socorrendo a soldado Erika Cristina Moraes Canavezi, ferida “com uma paulada no rosto”.

A partir daí a história só se enrolou ainda mais. O que fazia um policial à paisana em meio aos manifestantes? Professores de Osasco informaram que o homem da foto tinha ido no ônibus da Apeoesp até a manifestação. Era um agente reservado, um policial infiltrado entre os professores, conhecido como “P2”.

A PM, que preferiu expor seu policial a ver a foto servir de propaganda dos grevistas, negou-se a divulgar o nome do agente e a dar maiores informações. O site Viomundo, do jornalista Luiz Carlos Azenha, apurou que a policial ficou apenas alguns minutos no hospital Albert Einstein e logo foi liberada.


Espionagem de Estado

O caso trouxe à tona um tema que parecia distante no tempo, relegado aos anos de ditadura. A espionagem de Estado. No Brasil, o serviço de inteligência ligado ao Estado sempre esteve empenhado no combate aos movimentos sociais ou ditos subversivos. A espionagem estatal foi criada e sempre atuou tendo como alvo principal os inimigos internos. Leia-se a esquerda e os movimentos sociais e operários.

Ainda que a matriz do serviço de informação esteja associada ao SNI (Serviço Nacional de Informações), a verdade é que o embrião do serviço secreto no país é anterior. Segundo o jornalista Lucas Figueiredo, autor do livro Ministério do Silêncio, o serviço secreto brasileiro nasce com o Conselho de Defesa Nacional, ainda no governo de Washington Luís, em 1927. Três anos depois, ele seria derrubado pelo golpe liderado por Getúlio.

Inspirado nos serviços secretos dos EUA, Vargas transformaria o Conselho no Sfici, o Serviço Federal de Informações e Contrainformações. Após a Segunda Guerra, com a supremacia dos EUA, o Brasil estreitaria relações, inclusive militares, com o imperialismo norte-americano. Em 1948, é criada a Escola Superior de Guerra, inspirada na National War College norte-americana. Até então, o modelo de Forças Armadas no país seguia o modelo francês.

Com o fim da Segunda Guerra e o início da Guerra Fria, os EUA pressionam o Brasil a adotar um eficiente serviço de inteligência, leia-se uma agência especializada de espionagem anticomunista. Para isso, foram disponibilizados financiamentos, cursos e estágios nos EUA. Foi só, porém, no governo de Juscelino Kubistchek (1956-1961) que o órgão do Serviço secreto, sob a estreita supervisão dos EUA, se estruturou.

A ditadura ampliou esse aparelho, criando o Serviço Nacional de Informação (SNI), através de uma lei redigida pelo próprio Golbery Couto e Silva, que o comandaria. O órgão cresceu rapidamente, espalhando tentáculos por todo o país e áreas do governo. Marinha, Exército e Aeronáutica criaram seus próprios aparelhos de repressão, articulando uma ampla rede, chamada de comunidade.

Foi o período do CIE, o Centro de Informação do Exército, que comandou o esquema de repressão, e foi responsável pela execução dos guerrilheiros do Araguaia. Foram também os anos do Doi-Codi, órgãos de repressão descentralizados surgidos a partir da Operação Bandeirantes. Ligavam as polícias civis e militares ao comando do Exército.

Já o SNI foi elevado ao mais importante órgão do Estado, com seu comandante ganhando status de ministro. De lá saíram os presidentes Médici, Geisel e o último dos militares, Figueiredo.


Abertura monitorada

Com a abertura política, o SNI ao invés de desaparecer, inchou ainda mais. Terminada a ditadura, o mega-aparato de espionagem reunia mais de 3 mil servidores diretos, boa parte contando com uma série de privilégios como carro à disposição e apartamento funcional. Provando que seu maior inimigo são os movimentos sociais, o serviço se volta ao monitoramento detalhado do PT e da CUT, assim como do movimento sindical e grevista que crescia naqueles anos.

Relatórios detalhados sobre as greves e a situação do movimento operário eram enviados regularmente ao presidente Sarney. Assim como uma caracterização pormenorizada das correntes que compunham o Partido dos Trabalhadores, evidentemente temperada com um anticomunismo paranóico e folclórico.

O SNI só foi sofrer um duro golpe no governo Collor, quando nem ele escapou da política de desmonte do Estado implementado pelo governo neoliberal. Por um decreto, Collor, que ainda por cima tinha uma rixa pessoal com o órgão, extinguiu o serviço, demitiu grande parte de seu efetivo e criou o Departamento de Inteligência.

Apesar das mudanças e da drástica redução do serviço, seu caráter não mudou. Continuou a ser um órgão de espionagem a serviço do governo, tendo como alvo os movimentos sociais e de oposição. Nem no governo FHC, quando passou a se chamar Abin (Agência Brasileira de Informação) isso mudou. Uma campanha tentou reabilitar a desgastada imagem do serviço, mas em vão. Atividades como a campanha contra a Alca eram permanentemente monitoradas.

Sob FHC, o órgão ganhou novo impulso, com a contratação de funcionários. Nos anos 90, movimentos que emergiam como os de luta pela terra e moradia, foram alvos prioritários. Agentes secretos se infiltravam nas fileiras do MST a fim de municiar o Estado de informações sobre o movimento.


A esquerda como inimiga

Nem com o governo Lula a prática da espionagem de Estado terminou. Lula não só não deu um fim no antigo órgão de espionagem como vem se servindo dele. Da mesma forma que o governo manteve guardado os arquivos da ditadura, o antigo SNI se manteve atuante. Mesmo com a troca de dirigentes militares por civis, sua linha não mudou.

O ex-delegado da Polícia Civil, Mauro Marcelo de Lima e Silva, nomeado diretor-geral da Abin por Lula em 2004, deu uma pequena demonstração do que órgão pensa sobre os movimentos sociais: “Eles não sabem o que estão pedindo. Estão protestando. Eles querem farra e bagunça”, declarou à imprensa na época.

O serviço de espionagem de Estado, porém, não se limita à Abin. Nos estados, as polícias contam com os agentes reservados. Mesmo que a antiga comunidade de informação da ditadura tenha se desarticulado, hoje continua funcionando nas sombras.

A Operação Satiagraha, comandada pelo delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, provocou a sanha de setores conservadores ao prender o banqueiro Daniel Dantas. Um outro aspecto da operação, porém, foi a utilização de agentes da Abin na investigação. Ou seja, mostrou como há, ainda hoje, perfeita interação entre a agência de inteligência e a polícia.

No final de 2007, a sede nacional do PSTU, em São Paulo, foi invadida num crime ainda não esclarecido. Gavetas foram reviradas e documentos roubados. Enquanto equipamentos de valor não foram tocados, computadores e celulares usados foram levados. Antes de entrarem no local, os invasores cortaram os fios telefônicos. Ou seja, as evidências mostram se tratar de uma ação profissional, que buscava informações.


Espionagem e sabotagem

Hoje, 25 anos após o fim da ditadura, o pensamento da Abin pouco se distingue do anticomunismo paranóico da Guerra Fria no qual fora fundada o serviço de espionagem no Brasil. E, considerando o modus operandi dos anos de chumbo, dá pra pensar algumas hipóteses sobre o que o tal do P2 estava fazendo em plena manifestação dos professores paulistas.

Os agentes na ditadura não se limitavam a se infiltrar ou acompanhar para colher informações. Muitas vezes, se tratavam de provocadores. O malfadado atentado no Riocentro, em 1981, que provocou a morte de um oficial e feriu outro, foi a expressão tragicômica disso. Um grupo do serviço secreto planejava provocar um atentado a bomba no show do 1º de Maio daquele ano, jogando a culpa na VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), grupo que nem mais existia.

Nos anos 80, o SNI não só vigiava as greves, mas tratava de sufocá-las quando achasse conveniente, utilizando para isso qualquer método, legal ou não.

O policial infiltrado no ato em São Paulo, assim como a mal-contada história da PM ferida “a paulada”, serve para lembrar aos ativistas e militantes de esquerda que o serviço secreto de Estado, ao contrário de qualquer teoria conspiratória, continua existindo e atuando. E que tem ainda nos movimentos sociais, de esquerda ou reivindicativos seu principal inimigo.


Retirado do Site do PSTU

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Movimento Estudantil: Política de traição do DCE/UFRN (PT) e vanguardismo do POR derrotam os estudantes

No final do último semestre, a Reitoria de forma autoritária e antidemocrática aprovou um Novo Regulamento de Graduação que contém uma série de ataques aos direitos dos estudantes, como por exemplo: redução do prazo para trancamento de 2/3 do semestre para 1/3, redução do limite de trancamentos para 1 vez por disciplina, etc., desconsiderando os dados da própria Reitoria que dizem que 40% dos alunos que trancam disciplina, o fazem por razão de trabalho.

Estas medidas são, na verdade, um conjunto de ataques que estão relacionados com o REUNI do Governo Lula, que visa aumentar artificialmente o percentual de aprovação e diminuir a qualquer custo o tempo de permanência dos alunos nas universidades. Para isso, o importante não é investir na expansão com qualidade da educação superior pública, mas sim, por para a fora todos os estudantes que não se enquadrem no perfil que serve aos números do Governo.

Na manhã de terça-feira (06/04), ocorreu reunião do CONSEPE, fórum que pode revogar o Novo Regulamento e resguardar os direitos que os estudantes possuíam até então. No entanto, este fórum foi suspenso sem revogar nem discutir o Novo Regulamento, devido à omissão e à política de colaboração da atual direção do DCE com a Reitoria por um lado, e ao sectarismo da Corrente Proletária Estudantil/POR por outro.


AS TRAIÇÕES DA DIREÇÃO DO DCE

Recentemente, o DCE lançou nota responsabilizando o POR e também o C.A. de Serviço Social por mais essa derrota, acusando os estudantes que foram lutar no CONSEPE pela revogação do Novo Regulamento de Graduação de “extremistas e autoritários”.

Na verdade, este é o papel que vem cumprindo a direção do DCE desde o início de sua gestão: aliar-se com a Reitoria para se colocar contra a luta dos estudantes. A direção do DCE não só foi A FAVOR do Novo Regulamento de Graduação, como fez parte de toda a sua elaboração, em conjunto com a Reitoria. Esta tem sido a prática da direção do DCE, que na verdade é co-responsável, junto com a Reitoria, por todos os ataques do Novo Regulamento de Graduação.

Diante da perda de direitos imposta pelo Novo Regulamento, os estudantes iniciaram um processo de mobilização (coisa que não se via há anos na UFRN), por fora do DCE. O C.A. de Serviço Social e a ANEL estiveram presentes e à frente dessas lutas e a mobilização estudantil impôs a realização de assembléias gerais (coisa também que não se via há muito tempo). O DCE esteve completamente omisso nas mobilizações estudantis, se negou a convocar de forma conseqüente os estudantes para as assembléias e diante da manifestação construída no CONSEPE, se colocou mais uma vez contra os estudantes.

O DCE, simplesmente, sem fazer qualquer consulta ou votar em qualquer fórum estudantil, decidiu conciliar com a Reitoria a discussão de um único ponto (a questão do prazo de trancamento), sem sequer ouvir os estudantes para saber se queriam e se havia condições de revogar na luta todo o regulamento. Na verdade, esta foi mais uma manobra do DCE, que negociou pelas costas dos estudantes quando as mobilizações que cresciam sinalizavam que era possível derrotar a política da Reitoria.

O DCE, portanto, não dispõe de nenhuma moral para culpar quem quer que seja – e principalmente os estudantes em luta – pelo ocorrido no CONSEPE, pois se tivesse construído as lutas desde o ano passado, os estudantes não estariam nessa situação. Isto é lamentável, pois o DCE que deveria funcionar como uma entidade superior de construção das lutas dos estudantes, hoje não passa de um organismo falido, que funciona como uma extensão estudantil dos interesses da Reitoria e do Governo.


A IRRESPONSABILIDADE DA CORRENTE PROLETÁRIA ESTUDANTIL/POR

Ao longo das mobilizações em torno da luta contra o Novo Regulamento, o C.A. de Serviço Social e a ANEL encontraram na Corrente Proletária Estudantil/POR um aliado para construir as mobilizações, na medida em que o DCE sempre se negou a construir qualquer luta.

Formamos uma frente de mobilização que passou nas salas de aula e conseguiu reunir um bom número de estudantes para a reunião do CONSEPE, visando pressionar os membros do conselho a rever suas posições e revogar o Novo Regulamento, abrindo uma discussão coletiva e democrática com os estudantes antes de formular qualquer nova proposta. Se existiu algum tipo de mobilização na UFRN, isso ocorreu por conta dessa frente, nunca pelo DCE.

No entanto, durante a sessão desta terça-feira (06/04), a Corrente Proletária Estudantil/POR lançou mão de um método que não havia sido discutido com os estudantes e que não tinha qualquer condição de concretizar com o número de pessoas que ali estavam. O POR fez então, uma ação completamente de vanguarda, descolada e contra a vontade dos estudantes, que terminou acarretando conflitos desnecessários para a ocasião.

O C.A. de Serviço Social e a ANEL têm acordo com qualquer método de luta que garanta os direitos dos estudantes, desde que estes estejam sintonizados com a disposição dos estudantes e com o seu nível de organização. Por esse motivo, não compactuamos e rejeitamos completamente o ato destrutivo e de única responsabilidade do POR, pois esse tipo de ação desconstrói a unidade conquistada nas mobilizações e leva a luta dos estudantes à derrota e à desmoralização.


A LUTA CONTRA O NOVO REGULAMENTO NÃO TERMINOU!

Mesmo diante da traição do DCE e de problemas acarretados pela falta de maturidade política da Corrente Proletária Estudantil/POR, o C.A. de Serviço Social e a ANEL ainda acreditam que é possível construir as lutas para barrar o Novo Regulamento de Graduação.

Nesse sentido, convocamos a todos para a reunião que será realizada nesta quarta-feira (07/04), às 17h30min, no Bloco H do Setor II. Só a organização e a luta do movimento estudantil podem construir a resistência contra os ataques da Reitoria e do Governo Lula!

CENTRO ACADÊMICO DE SERVIÇO SOCIAL - Gestão 2009/2010: "Nada Será Como Antes!"
ASSEMBLÉIA NACIONAL DOS ESTUDANTES – LIVRE!



Retirado do Blog do Centro Acadêmico de Serviço Social/UFRN

terça-feira, 30 de março de 2010

Zé Maria é o primeiro pré-candidato a visitar o Haiti

Dirigente do PSTU embarca nesta terça, dia 30, ao país destruído pelo terremoto
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José Maria de Almeida, o Zé Maria, pré-candidato a presidente da República pelo PSTU, inicia uma visita ao Haiti nesta semana. Durante quatro dias, até 3 de abril, ele percorrerá o país, conhecendo a situação dos haitianos após o terremoto e reunindo-se com representantes de sindicatos e movimentos sociais.

Zé Maria fará parte de uma delegação da Conlutas (Coordenação Nacional de Lutas), que levará a solidariedade dos trabalhadores brasileiros. A Conlutas tem feito uma campanha que já enviou R$ 160 mil ao povo haitiano. Trabalhadores de todo o país fizeram doações, como os metalúrgicos da General Motors, de São José dos Campos. “Essa campanha é muito importante, porque é uma solidariedade de classe. São os trabalhadores daqui ajudando os de lá”, afirma Zé Maria.

Além da solidariedade, a visita e a campanha apóiam a luta pelo fim da ocupação militar, comandada pelo Brasil. “Defendemos a imediata retirada das tropas da ONU. O Haiti precisa de médicos, engenheiros, alimentos, e não de soldados. A verdadeira função das tropas lá é proteger os interesses das empresas, e para isso, chegam a reprimir os protestos contra o menor salário das Américas”, afirma Zé Maria.

Desde o início da ocupação, em 2004, a campanha pela retirada das tropas tem sido uma das bandeiras do PSTU. E, nas eleições de 2010, será tema da propaganda no rádio e na TV. “Agora, o governo tem apresentado os militares como heróis, mas, apesar das boas intenções de alguns soldados, a missão não tem um caráter humanitário”, afirma.


Candidatura Operária e Socialista

Zé Maria é um operário com a mesma origem de Lula, nas greves do ABC. Nas grandes greves de 1980, estiveram presos juntos. Mas Zé Maria se manteve na luta, com os trabalhadores. Hoje e é um dos dirigentes da Conlutas e um dos principais representantes da esquerda do país. Pelo PSTU, disputou a Presidência em 2002, com mais de 400 mil votos.

O PSTU lançou a pré-candidatura de Zé Maria em novembro, como uma alternativa a falsa polarização entre Dilma Roussef e José Serra. O partido defende uma candidatura com um programa socialista, que defenda um governo contra os interesses das grandes empresas, e de ruptura com o imperialismo e as multinacionais. Só assim haverá saúde e educação gratuitas e de qualidade, salário e emprego.


Retirado do Site do PSTU

terça-feira, 23 de março de 2010

Bush limpa as mãos após cumprimentar haitiano

Nesta segunda-feira, dia 22, os ex-presidentes dos Estados Unidos Bill Clinton e George W. Bush foram juntos ao Haiti, para "supervisionar" a reconstrução do país, destroçado pelo terremoto de janeiro. A visita do democrata e do republicano e a ajuda anunciada pelos EUA não passa de uma grande hipocrisia, que se utiliza do sofrimento de todo um povo para ocultar que os norte-americanos pretendem continuar dominando o Haiti.

No entanto, um dos principais atores não conseguiu representar o seu papel. Após cumprimentar um haitiano atingido pelo terremoto, Bush simplesmente limpa a mão na camisa de Clinton. A cena, que está em sites de notícias e no Youtube, não deixa dúvidas sobre o gesto.




A cena ocorreu em um acampamento de 60 mil refugiados na capital, Porto Príncipe. Clinton e Bush estavam rodeados de agentes do serviço secreto, da polícia haitiana e por tropas da Minustah. Eles conversaram rapidamente com haitianos, e cumprimentaram alguns. Pouco antes, haviam se reunido com o presidente do Haiti, René Préval, que encontrara com Obama na semana anterior, na Casa Branca.

A cena causou repercussão no mundo todo. Revela o racismo de Bush, já manifesto em outras ocasiões. O próprio Obama, em seu livro de memórias "A Audácia da Esperança", revela a visita que fez a Bush na Casa Branca, quando ainda era senador e o republicano presidia o país. Após apertarem as mãos calorosamente, Bush "virou-se para um assessor próximo, que esguichou uma grande quantidade de gel antisseptico nas mãos do presidente". Segundo Obama, Bush ainda teria elogiado o produto, dizendo que "impede de ficar resfriado".

A cena reveladora no Haiti apenas demonstra a natureza do imperialismo e a farsa do fundo Clinton-Bush. Os planos dos Estados Unidos para o país pretendem manter o controle, utilizando a mão-de-obra barata para produzir jeans e outros produtos. Nisso, Bush, Clinton e Obama estão juntos.

A única diferença é que Clinton, como os governantes atores que os EUA já tiveram, soube representar seu papel. Ao contrário de Bush, esperou para limpar as mãos bem longe das câmeras.

Retirado do Site do PSTU